38 gols, 41 jogos: conheça o artilheiro da Estônia que se inspira em Kane e só está atras de Lewandowski

André Donke
André Donke

Título do campeonato nacional, primeira convocação pela seleção principal e gols. Muitos gols. 

O ano de 2019 foi memorável para Erik Sorga, atacante de apenas 20 anos do Flora Talinn. 

No momento, ele é o segundo colocado da disputa da Chuteira de Ouro 2019-20, somando 31 pontos pelos 31 gols que fez no Campeonato Estoniano – Robert Lewandowski lidera com 32 pontos pelos 16 tentos anotados nesta Bundesliga. 

Erik Sorga comemora pelo Flora Tallinn
Erik Sorga comemora pelo Flora Tallinn Brit Maria Tael

A Chuteira de Ouro é dada ao jogador com melhor pontuação por conta dos gols marcados em suas respectivas ligas nacionais, que têm pesos diferentes por conta do nível da competição. Com isso, um gol pode ter peso 1, 1,5 ou 2. 

Vale mencionar também que Sorga joga um campeonato que segue o ano do calendário e que, portanto, difere das principais ligas da Europa, que começam no segundo semestre de um ano e termina no primeiro semestre do ano seguinte. 

Por conta da pontuação do Estoniano, Sorg deve terminar a temporada longe dos primeiros na briga pela Chuteira de Ouro, mas isso não diminui em nada o seu ano fabuloso. 

Campeão nacional com o Flora Tallinn, o atacante fez 34 partidas e terminou como artilheiro da competição com 31 gols, com 18 a mais do que seus principais concorrentes. 

Além disso, ele foi às redes sete vezes em três jogos pela copa nacional, com destaque para os quatro gols na vitória por 12 a 0 diante do JK Kohtla-Nomme. 

Em cenário doméstico, Sorga somou 38 gols em 37 jogos – ele só não marcou em 2019 nas quatro partidas do Flora Tallin nas fases preliminares da Liga Europa contra o FK Radnicki Nis, da Sérvia, e o Eintracht Frankfurt. 

Erik Sorga (à esq.), em ação pelo Flora Tallinn diante do Eintracht Frankfurt
Erik Sorga (à esq.), em ação pelo Flora Tallinn diante do Eintracht Frankfurt Janek Eslon

O jovem já havia sido artilheiro das duas edições anteriores da Copa, que é disputada entre uma temporada e outra. Em 2017-18, foram 14 gols em sete jogos, sendo que marcou sete vezes na vitória por 9 a 3 sobre o Flora sub-21 na semifinal. Já em 2018-19, o atacante anotou 13 tentos em três confrontos, sendo que chegou a balançar as redes em sete oportunidades em uma mesma partida outra vez. 

O grande desempenho fez o atacante estrear pela seleção estoniana em junho deste ano, entrando no decorrer da derrota para a Irlanda do Norte, pelas Eliminatórias da Eurocopa. Na derrota para Belarus, em setembro, fez sua primeira partida como titular e anotou seu primeiro e único gol pelo país em seis jogos. No último confronto, a derrota por 5 a 0 para a Holanda, o atleta de 20 anos ficou em campo os 90 minutos. 

Erik Sorga encara a marcação de Matthijs de Ligt durante partida entre Holanda e Estônia
Erik Sorga encara a marcação de Matthijs de Ligt durante partida entre Holanda e Estônia Getty Images

O blog entrou em contato com Erik Sorga via assessoria do Flora Tallinn e o atacante respondeu sobre quem é seu ídolo, seus sonhos e até mostrou conhecer Gabigol. Veja a entrevista abaixo: 

Blog: Quando se vê a atual lista da Chuteira de Ouro 2019-20, somente Robert Lewandowski está acima de você. Como você se sente em relação a isso e como explica isso? 

Erik Sorga: Para mim não é importante agora, porque eu sei onde jogo e entendo a situação em minha liga. Quando você joga em uma liga com coeficiente 1, você pode marcar ainda mais gols como eu fiz. É claro que o Lewandowski é um atacante top que joga e marca em uma liga forte com jogadores muito bons. 

Blog: Qual é o seu grande sonho na carreira?

 Erik Sorga: Meu grande sonho na carreira eu acho que é ganhar um grande troféu em uma liga top. É claro que eu gostaria de ganhar a Champions League e também de classificar minha seleção a uma Eurocopa ou Copa do Mundo.

Blog: Qual é/Quais são sua(s) grande(s) referência(s) no futebol? Há alguém que te inspira?

Erik Sorga: Eu gosto como Harry Kane joga e eu acho que este cara me inspira.

Blog: O que você sabe sobre o futebol brasileiro no passado e no presente. Atualmente, por exemplo, Gabriel Barbosa, conhecido como Gabigol (emprestado pela Inter de Milão ao Flamengo) é o artilheiro do Campeonato Brasileiro. Você o conhece?

 Erik Sorga: Eu já ouvi sobre Gabriel. Ele é um grande atacante também. Eu gosto de jogadores técnicos como ele, ele também faz muitos gols e acho que a Inter precisa pegá-lo de volta em breve. No Brasil, a maioria dos jogadores são muito técnicos e muito rápidos, eu me refiro à posição de ataque e eu gosto muito disso, porque eu também sou esse tipo de jogador. 

Blog:  Você marcou muitos gols como jogador profissional. Mas há um que seja o mais especial para você?

 Erik Sorga: Sim, muitos gols marcados, e eu vou marcar muitos mais, mas o mais especial foi contra Belarus nas Eliminatórias da Eurocopa de 2020. Foi meu primeiro gol pela seleção.

Blog: Quem você acha que é o melhor camisa 9 na atualidade?

 Erik Sorga: Melhor camisa 9, como eu disse, é para mim o Harry Kane.

Fonte: André Donke

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Zagueiro do povo: bicampeão alemão com o Dortmund leva água potável a quem precisa e vai de trem para os treinos

André Donke
André Donke

Titular no Borussia Dortmund bicampeão alemão em 2011 e 2012 e vice da Uefa Champions League em 2013, Neven Subotic ganhou espaço em diferentes manchetes no último domingo por conta de uma entrevista à emissora alemã ZDF.  E não teve nada a ver com o futebol.

Defendendo o Union Berlin desde o começo da temporada, o atleta de 30 anos comentou que só vai de S-Bahn (trem urbano) para os treinos e jogos do seu time. Ele não tem carro e usa o cartão mensal do transporte público.

De acordo com Subotic, há muitos veículos em Berlim, e assim deixa de perder tempo no trânsito. No trem ele pode "ler um livro, mexer no celular", disse o atleta, que conta que a experiência é positiva apesar de ser alguém famoso. Às vezes até ouve um “Eisern!”, tradicional canto dos torcedores do Union. 

Aliás, a medida não é nova. Subotic já foi um passageiro também nos tempos de Dortmund. 

Pensar e estar com pessoas é algo que marca a vida do atleta que vem uma família refugiada da Bósnia-Herzegovina. 

No aspecto futebolístico, a história mais chamativa foi em 2011, quando saiu pela janela do seu carro e, sem camisa, se juntou a diversos torcedores na Lindemannstraße, em Dortmund, para comemorar o título do Borussia na Bundesliga após nove anos de espera. 

A cena ficou tão marcada na cidade, que até chegaram a fazer a marcação de que aquele local era uma vaga privilegiada para o zagueiro. Quando tive a oportunidade de visitar Dortmund em 2018, procurei a tal marcação. Sem sucesso.

(E convenhamos, até melhor. Ela já não era mais necessária para alguém que largou o carro pelo transporte público).

"Futebol pode ter um impacto muito positivo, porque é tudo sobre pessoas. Se você ganha no gramado, mas não há torcedores, então algo está faltando", disse em entrevista à DW em 2017.

Indo além do esporte, Subotic também tem essa relação pessoal como foco. 

Em 16 de novembro de 2012, o jogador criou a Fundação Neven Subotic, que tem como propósito fornecer água, saneamento básico e condições de higiene para pessoas em locais pobres. Segundo o site da instituição, 173 projetos já foram realizados, sendo 99 fontes em comunidades e 74 fontes, incluindo instalações sanitárias, em escolas. 

Subotic viaja regularmente a Tigray, região norte da Etiópia, por conta da fundação. 

"Aqui na Etiópia, é legal não falar sobre futebol sempre", declarou na já mencionada entrevista à DW de 2017. "Aqui é tudo sobre as coisas realmente importantes que afetam a vida em qualquer lugar. É realmente importante para mim. Eu tenho a chance de aprender sobre tais coisas aqui, porque eu não sou visto como um jogador, mas alguém que quer aprender", declarou Neven Subotic, o zagueiro do povo.

Neven Subotic (à esq.)
Neven Subotic (à esq.) Neven Subotic Stiftung/Divulgação

Fonte: André Donke

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Lembra dele? Ex-Santos e Palmeiras, Kazu consegue acesso à 1ª divisão japonesa aos 52 anos... e jogando

André Donke
André Donke

Kazuyoshi Miura, o popular Kazu, continua jogando - e colecionando feitos impressionantes.

Aos 52 anos de idade (!), o atacante acaba de subir à J League, a primeira divisão japonesa, com o Yokohama FC . E detalhe: alcançou o feito dentro de campo (!!).

O jogador  entrou aos 42min do segundo tempo da vitória sobre o Ehime FC por 2 a 0, pela 42ª e última rodada da J2 League, neste domingo. Foi a terceiro aparição dele na competição – havia sido titular uma vez em março e em outra em abril.

 Kazu, em ação pelo Yokohama FC em agosto de 2019
Kazu, em ação pelo Yokohama FC em agosto de 2019 Getty Images

Em 2018, Kazu havia feito nove partidas no campeonato, todas saindo do banco. Em 2017, foi titular em sete das oito primeiras rodadas e até anotou o gol da vitória sobre o Thespakusatsu Gunma, em 12 de março, quebrando o recorde de Sir Stanley Matthews como mais velho jogador profissional a balançar a rede em uma partida competitiva. Kazu o conseguiu aos 50 anos e 14 dias, superando em nove dias a marca anterior, que havia sido estabelecida em 1965.

Naquele mesmo março de 2017, o japonês já havia batido o inglês como o mais velho a jogar profissionalmente

Kazu ficou conhecido no Brasil pelo fato de ter se profissionalizado no país. Ele passou pela base do Juventus nos anos 80 e defendeu como profissional XV de Jaú, Santos, Palmeiras, Matsubara, Coritiba e CRB, ficando no Brasil em 1990, quando rumou ao Japão. O atacante nascido em 25 de fevereiro de 1967 também tem no currículo um período no Genoa e está desde 2005 no Yokohama FC.

Agora, a já impressionante carreira dele ganhou um novo capítulo neste domingo, com o triunfo por 2 a 0, resultado que garantiu o acesso ao Yokohama FC, time que não integra a elite do futebol japonês desde 2007.

E será que Kazu estará em campo (ao menos com participações especiais)?

“Eu farei meu melhor para jogar até ter 60!", havia dito em fevereiro de 2017.

Fonte: André Donke

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Clube que tem Maradona como presidente honorário acaba com a maior hegemonia da Europa

André Donke
André Donke

Chegou ao fim a maior hegemonia do futebol europeu. E não se trata de qualquer previsão a respeito do heptacampeão Bayern de Munique ou da octacampeã Juventus. Afinal, ambos ainda estão longe do que o Bate Borisov conseguiu.

Foram 13 títulos nacionais em 13 anos em Belarus. A dinastia durou entre 2006 e 2018 e teve seu fim oficialmente decretado neste domingo.

O Bate até fez sua parte ao derrotar o Dynamo Minsk por 3 a 0, mas o Dynamo Brest superou o Vitebsk por 1 a 0 e manteve cinco pontos de vantagem na liderança, a uma rodada do fim da competição.

Este é o primeiro título do clube no Campeonato Bielorrusso, que existe desde 1992, edição em que o Dynamo Brest havia alcançado um terceiro lugar, sua melhor campanha até a atual temporada. Além disso, soma três edições da Copa de Belarus (2007, 2017 e 2018).

Jogadores do Dínamo Brest comemoram conquista do título do Campeonato Bielorrusso
Jogadores do Dínamo Brest comemoram conquista do título do Campeonato Bielorrusso Twitter: @dynamobrest

Como curiosidade, o mais novo campeão tem como presidente honorário ninguém menos do que Diego Armando Maradona. Ele assinou contrato em maio de 2018 e, em julho daquele ano, teve uma apresentação com enorme repercussão.

“Eu não estou com medo do desafio, eu não estou com medo dos projetos sérios e essas pessoas parecem muito sérias para mim”, afirmara El Pibe à época.

“Eu precisava de um desafio, de um importante projeto para mostrar que eu nunca parei de trabalhar. Eu tomo isso com todo o carinho do mundo, respeitando as pessoas que me deram essa oportunidade”, havia dito o também técnico do Gimnasia La Plata.

 Sem brasileiros no atual elenco, o time tem como nome mais reconhecido no cenário europeu o atacante Artem Milevskyi, ex-Dínamo de Kiev e seleção ucraniana. O jogador de 34 anos esteve na Copa do Mundo de 2006 e Eurocopa de 2012.

Qual é a maior hegemonia agora?

Com a queda da sequência do Bate Borisov, são quatro times empatados com a maior dinastia atual na Europa: Juventus (Itália), The New Saints (País de Gales), Ludogorets Razgrad (Bulgária) e Celtic (Escócia) possuem oito taças seguidas cada.

Fonte: André Donke

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Por que acreditar em José Mourinho no Tottenham

André Donke
André Donke

Técnico do Tottenham, José Mourinho comanda sessão de treinamento
Técnico do Tottenham, José Mourinho comanda sessão de treinamento Getty Images

José Mourinho chegou à Inglaterra em 2004 com a autodenominação de ‘Special One’, após conquistar a Europa – e ainda com o (talvez) campeão mais surpreendente da Champions League neste século.

Mais de 15 anos depois, segue em alta na Europa, mas, paradoxalmente, vive o momento mais baixo na carreira desde que se tornou mundialmente conhecido.

A demissão há quase um ano do Manchester United o levou ao ponto de maior questionamento. Parou no tempo? O personagem virou maior que o treinador?

Os constantes insucessos, desde que foi superado por Guardiola em sua passagem na Espanha e as demissões no Chelsea e no próprio United, argumentam que sim.

É emblemática também a entrevista em que pede respeito e abandona a coletiva em 2018, quando diz ter mais títulos da Premier League do que todos os outros 19 treinadores juntos. O passado gritando contra o presente.

'Esperança de título' e 'desconfiança': Natalie Gedra traz repercussão após chegada de Mourinho no Tottenham

Mas por que afinal acreditar na mudança?

Há 11 meses longe da profissão, Mourinho nunca ficou tanto tempo sem treinar – seu recorde havia sido os 8 meses e meio entre a primeira passagem pelo Chelsea e a contratação pela Inter de Milão.

A saudade ficou escancarada em entrevista ao jornal Gazzetta dello Sport em agosto. "Sinto falta do futebol, da adrenalina, do campo, do trabalho. Futebol é futebol. Estou estudando alemão, idioma que não sabia falar. Mas falo inglês, espanhol, português, francês e italiano. Não excluo nada, nem mesmo a Alemanha", havia dito.

E aqui um ponto merece destaque: falar alemão.

"Ele (Pep Guardiola) escolheu deliberadamente uma liga na qual não estou envolvido? Eu não sei. Não tenho comentário a fazer, cada um faz suas próprias escolhas. O que é certo é que eu não vou treinar na Alemanha", afirmara o português em 2013.

Já em entrevista ao programa de televisão El Chiringuito, da emissora espanhola MegaTDT, Mourinho chorou ao falar sobre o momento longe das quatro linhas. Lágrimas de alguém tão orgulhoso não deixam de surpreender.

"Antes, eu estava curtindo o momento. Há muitos anos, quando cheguei no futebol profissional, tive um clique: 'agora é sério'. Foi sério durante todo o tempo, e agora eu parei. Mas, em vez de curtir, eu não consigo curtir. Sinto saudade do futebol".

Um dos desafios para quem alcança o topo e sonha em seguir por lá é manter certa dose de desconfiança na própria imagem que cria. Afinal, há sempre o risco de vê-la assumir o controle e deixar em segundo plano a competência técnica, que foi o atributo principal na conquista do reconhecimento.

As lágrimas de José Mourinho e a mudança de discurso em relação à Alemanha podem ser um indício de mudança na postura do treinador – ou podem também ser apenas um apelo de alguém com saudade do que mais ama fazer.

Se Mourinho de fato apresentará mudanças e conseguirá sucesso no Tottenham, é totalmente incerto. A resposta será dada nas próximas semanas nas telas dos canais ESPN.

Fonte: André Donke

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Por que acreditar em José Mourinho no Tottenham

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País da sauna, da educação e do ‘rei do futebol’: conheça a Finlândia, a estreante da Eurocopa

André Donke
André Donke
Sauna, Escola e Rei do futebol
Sauna, Escola e Rei do futebol Montagem ESPN

Até o momento, a Eurocopa de 2020 conhece apenas uma estreante. A Finlândia conseguiu sua primeira participação em um grande torneio (Euro ou Copa do Mundo) na história ao vencer Liechtenstein por 3 a 0 e confirmar a segunda posição do grupo que tem a Itália como líder. 

Com uma rodada por vir (Grécia, fora de casa), os finlandeses asseguraram a classificação com vitórias sobre Armênia (2), Liechtenstein (2) Bósnia e Herzegovina e Grécia e derrotas para Itália (2) e Bósnia e Herzegovina. 

Em um misto de sorte - pelo grupo tranquilo - e de competência – já que o grupo não era tão fácil assim para o seu padrão -, a Finlândia aproveitou-se de uma combinação de elementos para conseguir o feito memorável para o país de 5,5 milhões de habitantes. 

Finlândia se classifica à Euro de forma inédita, e Pukki estoura champagne no vestiário; veja a festa

“Deram sorte de a Euro ter aumentado de participantes (são 24 seleções desde a edição passada, contra 16 das anteriores) e de cair em um grupo acessível. A geração também é boa, está jogando bem e também está nadando um pouco na onda do Teemu Pukki”, contou o lateral-direito Rafinha, que está no futebol finlandês desde 2005 – apenas ficou fora entre 2011 e 2016, quando atuou pelo Gent, da Bélgica. Ele inclusive tem nacionalidade finlandesa. 

Pukki é inegavelmente um fator determinante para a campanha memorável da Finlândia. O melhor jogador e artilheiro da última segunda divisão inglesa pelo Norwich marcou nada menos do que nove dos 15 gols de sua seleção no grupo J – ou seja, 60% dos gols. 

Teemu Pukki é o artilheiro da Finlândia nas Eliminatórias da Eurocopa
Teemu Pukki é o artilheiro da Finlândia nas Eliminatórias da Eurocopa Getty Images

O atacante de 29 anos representa o grande nome desta geração, mas se engana quem pensa que ele seja o principal nome na história do futebol do país. Anos antes de o artilheiro balançar as redes, a Finlândia já tinha o seu próprio “rei do futebol”. 

“Claro que com as devidas proporções, o (Jari) Litmanen é aqui o que o Pelé é para o brasileiro. E aqui o apelido dele também é rei”, declarou Rafinha, de 37 anos. 

O ex-meia-atacante de 48 anos notabilizou-se por suas passagens pelo Ajax, sobretudo a primeira na década de 90. Pelo clube holandês, ele conquistou cinco títulos do Campeonato Holandês, três da Copa da Holanda, uma da Champions League, entre outros. Litmanen ainda teve um curto período no Barcelona e faturou uma Copa da Uefa com o Liverpool. 

Além de grandes conquistas, o ‘rei’ também colecionou diversas histórias. 

“Ele é bem legal, cheguei a jogar um ano com ele. Era até difícil na concentração, porque a gente brincava que tinha que deixar a porta um pouco fechada, porque se ele entrava, começava a contar as histórias do Ajax, do Barcelona. No começo a gente até gostava, mas, se deixasse, ele começava a contar, contar e contar e não parava mais. É um cara muito simples, muito legal e muito idolatrado”, declarou Rafinha, que atuou com Litmanen no HJK (seu time atual) em 2011. 

Jari Litmanen teve grande sucesso defendendo o Ajax
Jari Litmanen teve grande sucesso defendendo o Ajax Getty Images

Educação 

Fora do futebol, a Finlândia é conhecida por ser uma referência mundial em educação. De acordo com os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA, em inglês) de 2015, último a ter resultados disponíveis, os jovens de 15 anos da Finlândia tiveram o 13º melhor desempenho em matemática, quarto em leitura, quinto em ciências e sétimo em resolver problemas de forma coletiva entre os 73 países participantes. 

Além disso, o que chama atenção no método finlandês é ir na contramão do que é aplicado normalmente, tendo o foco, por exemplo, na redução de horas escolares e em aplicar o mínimo possível de tarefas de casa e provas, como aponta matéria da BBC de 2018. 

Finlândia tem um ensino escolar renomado mundialmente
Finlândia tem um ensino escolar renomado mundialmente Getty Images

O que torna ainda mais impressionante a situação da educação no país é o fato de que décadas atrás a situação era completamente oposta. Nos anos 1960, apenas 10% da população concluía o ensino secundário, como informa a matéria acima citada. Quanto ao momento atual, a revista Exame publicou em 2017 que 99% dos finlandeses concluíam o ensino médio, número que representava o melhor índice no mundo.

 “Tenho um filho de 11 anos e uma menina de 8. A partir do momento que entram em idade escolar, recebem material de graça, recebem uma refeição. Geralmente, você tem que estudar no bairro em que mora, então as escolas são perto. As crianças, devido à segurança, podem ir sozinhas para a escola caminhando, de bicicleta ou de ônibus, e é muito tranquilo e organizado. A educação é muito boa”, afirmou o brasileiro, que é casado com uma finlandesa.

Sauna

Outro aspecto característico – e bem curioso – a respeito do país é a quantidade de saunas. São quase três milhões, de acordo com dado do governo de 2017. Ou seja, há em média uma sauna para dois habitantes.

O local, aliás, tem influência há longa data na vida dos finlandeses. Rajaportti, a sauna pública mais antiga do país e que está na cidade de Tampere, foi aberta em 1906 e segue funcionando até os dias atuais.

Em matéria de 2013, a BBC apontou que o antigo presidente prêmio Nobel Martti Ahtisaari usava a sauna com fins diplomáticos. No período da Guerra Fria, Urho Kekkonen, que foi presidente por 26 anos, chegou a realizar negociações diplomáticas com os soviéticos na sauna da residência oficial.

“A sauna é uma coisa cotidiana da vida deles. Mesmo nos prédios que não tem a sauna dentro do apartamento ou da casa, com certeza no condomínio ou no prédio que você morar vai ter. Praticamente todos os dias eles vão para a sauna”, disse Rafinha, que pretende seguir no país europeu quando se aposentar do futebol até os filhos concluírem os estudos.

Há cerca de três milhões de saunas na Finlândia
Há cerca de três milhões de saunas na Finlândia Getty Images

Fonte: André Donke

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O muro e a depressão: o reflexivo final de semana do futebol alemão

André Donke
André Donke

Sábado, 9 de novembro de 2019. Berlim volta a ser dividida por um muro. 

A parede de 155 km derrubada 30 anos antes fora recriada no centro do campo do Estádio Olímpico, antes de a bola rolar para Hertha x RB Leipzig. 

"Juntos contra muros, juntos por Berlim", dizia a mensagem na barreira de poucos metros e que existiu por apenas poucos minutos. 

 Nada mais de separações. O futebol alemão reflete a sociedade, nos dois sentidos que a palavra tem. 

Na crise migratória dos últimos anos, a Federação Alemã, junto com a Bundesliga, começou em 2014 um investimento de ajuda aos refugiados. O brasileiro Cacau, que defendeu a seleção alemã na Copa do Mundo de 2010, foi contratado como encarregado da integração de estrangeiros pela Federação Alemã. 

Não é coincidência que a Alemanha tenha sido campeã do mundo com nomes como Mesut Özil, Sami Khedira, Jérôme Boateng, Lukas Podolski e Miroslav Klose, que nasceram em outros países, no caso dos dois últimos, ou que têm origens de outras nacionalidades. 

Boa parte da reconstrução do país no pós-guerra se deu pelas mãos de estrangeiros, e as raízes da integração geraram frutos em todas as áreas. Como no futebol. 

Com Muro de Berlim antes do jogo, Hertha perde para RB Leipzig pela Bundesliga


Domingo, 10 de novembro de 2019. Por um minuto, o futebol alemão se silencia nas mais diferentes divisões, tendo uma hashtag como mote: #gedENKEminute.

O termo ‘Minuto de recordação’ foi escolhido por fazer menção ao nome de Robert Enke, que dez anos antes cometeu suicídio. O goleiro do Hannover 96, e com passagens por Barcelona, Benfica, Borussia Mönchengladbach, entre outros clubes, possivelmente jogaria a Copa do Mundo de 2010 com a seleção alemã, mas a depressão não deixou. 

A doença veio pela primeira vez em 2003, e Enke teve de lutar contra ela - e sem deixar de mostrar uma grande personalidade.

 "Se alguém me perguntar depois de 30 anos na profissão quem eu acho que é o profissional ideal, eu sempre digo que Fernando Redondo e Robert Enke. Ambos não eram apenas jogadores especiais, mas pessoas especiais: respeitosas, sociáveis, inteligentes”, disse Jupp Heynckes no livro ‘Uma vida muito curta: a tragédia de Robert Enke’, de Ronald Reng. 

Tal postura “especial” foi demonstrada em abril de 2008, quando o goleiro Sven Ulreich, então com 19 anos, recebeu a ligação do próprio Enke após ele ter falhado em um jogo contra o Bayer Leverkusen. “Quando atendi, tive arrepios”, contou o hoje atleta do Bayern de Munique. 

Mas "mesmo heróis têm depressão", como disse o nome do evento ocorrido em Hannover em memória aos 10 anos da morte do goleiro.   

Joachim Löw e Teresa Enke prestam homenagem a Robert Enke
Joachim Löw e Teresa Enke prestam homenagem a Robert Enke Robert Enke Stiftung

Em 2006, Robert e sua esposa Teresa perderam a filha de dois anos, que ficou um ano no hospital por conta de problema cardíaco. Meses antes da morte de Enke, o casal tinha adotado uma bebê, mas, com a depressão, ele temia que pudesse perder a guarda da filha se sua doença se tornasse pública. Assim, não encontrou outro caminho se não tirar a própria vida.

Dez anos depois, a memória de Enke segue viva, mas não apenas pela homenagem do último fim de semana. 

Desde janeiro de 2010, a Federação Alemã, a Liga Alemã e o Hannover 96, último clube do goleiro, mantêm a Fundação Robert Enke, que tem como propósito ajudar pessoas que sofrem de depressão, assim como de crianças com problemas de coração e seus pais. A presidente é Teresa Enke, que conta com o apoio financeiro das três instituições. 

Sejam as barreiras físicas ou psicológicas, o futebol alemão movimenta-se para derrubá-las. Um reflexivo fim de semana dentro mostra o quanto o esporte no país vai além das quatro linhas.

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Fonte: André Donke

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