Kawhi Leonard nos Clippers: vencedores e perdedores

Antony Curti
Antony Curti

Tudo na vida se baseia em equilíbrio e numa balança. Poderia eu, estar fazendo uma propaganda demasiada ao signo de libra, para o qual pertenço? (risos). Talvez. Mas não é o ponto aqui. Um fato sobre análises esportivas é que, no final das contas, tudo se baseia em vitória e derrota. Um atleta mais talentoso é esquecido dezenas de anos depois em favor de um menos talentoso que acabou ganhando um título. 

Assim, como o mundo é dos vencedores, textos assim são uma excelente fórmula para a análise do pós-batalha. Farei bastante deles aqui. Para inaugurar o modelo, vamos à movimentação que mexeu com a força de vários times da NBA após o final de semana. 

Kawhi Leonard
Kawhi Leonard Getty Images

Vencedor: Kawhi Leonard

Kawhi não precisou montar um circo para anunciar sua decisão. Embora o The Decision de LeBron James – "vou levar meus talentos", lembra-se? – teve sua renda de anúncios revertida para publicidade, foi algo que por um certo tempo maculou a carreira de James. Pareceu espetaculoso demais para alguns. Não que eu tenha me importado na época ou agora, mas fato é que muita gente torceu o nariz.

Com um silêncio ensurdecedor, Kawhi Leonard fez um The Decision à sua maneira: sem falar uma palavra sequer. Deixou a mídia fazer isso por ele, dado que de longe ele era o melhor free agent ainda disponível no mercado após a primeira leva de jogadores – Kyrie, Kevin Durant e etc. Como sobrou só ele, os programas americanos e o twitter dedicaram virtualmente todo seu tempo para falar de Kawhi. 

Ainda, o ala conseguiu algo importante: embora a ida para o Los Angeles Lakers seria uma quase garantia de título, ele nunca seria a estrela dominante. Poderia incorrer no "se perder, a culpa não é do LeBron" e o "se ganhar foi principalmente por conta dele". Isso não me parece muito atrativo para um diamante do nível de Leonard. Agora, nos Clippers, ele tem chance de aumentar seu brilho por contraste caso faça mais do que LeBron nos Lakers e ainda tem um time para chamar de seu no Staples Center. 

Nem perdedor, nem vencedor: Los Angeles Lakers

Não dá para falar que os Lakers saem vencedores ao não conseguir a contratação de Kawhi, mas também acho um tremendo de um exagero dizer que são perdedores. Afinal, ainda contam com o melhor jogador de basquete da década em LeBron James e um monstro do garrafão em Anthony Davis. Fosse um NBA Jam daria para dizer que seriam favoritos, mas o oeste selvagem não permite que com apenas dois jogadores possamos afirmar isso. De toda forma, os Lakers saem sem Kawhi mas com um plano mais austero, investindo em peças ao redor de LeBron – que jogará de armador – e AD. Como 3 and D, veio Danny Green e ainda outros reforços, como a volta de Rajon Rondo e a contratação de DeMarcus Cousins. 

Na prática é o New Orleans Pelicans de alguns anos atrás – que tinha muita expectativa em torno de si – mais a adição de um certo jogador de basquete nascido em Ohio. Não dá para dizer que os Lakers perderam. 

Perdedor: Toronto Raptors

Foi especulado que houve certas movimentações para que Paul George fosse trocado para os Raptors e, assim, Kawhi ficasse no Canadá. Para a diretoria de Toronto, o pacote – que supostamente envolveria Pascal Siakam, eleito o jogador que mais melhorou em 2018-2019 – seria caro demais e não apertaram o gatilho. Seja como for, não me parece uma decisão errada. 

De toda forma, os Raptors saem como perdedores. Não tem como dizer que o time vem forte como ano passado. A perda de Kawhi Leonard significa, também, a perda de protagonismo no Leste. Embora Toronto deva conseguir se classificar, não tem mais o mesmo poder de fogo para combater Milwaukee e Philadelphia. 

Vencedor: O resto do leste fora Toronto – principalmente o Boston Celtics

Em meio a uma gigante incerteza quanto ao time de Brad Stevens, uma certeza: há um competidor menos forte no Leste. Os Celtics estão na briga com outras equipes numa segunda potencial prateleira de força da Conferência Leste  – a primeira listei acima, Bucks e Sixers. Sem Kawhi, Boston tem poder de fogo para brigar ao menos pela terceira cabeça-de-chave no Leste, o que deixa a vida menos difícil para o time, que perdeu Kyrie Irving (se é que isso não seria reforço ante as tretas de vestiário) e Al Horford. Falando neste, agora nos Sixers, há um buraco no garrafão e não parece haver tanto talento no TD Garden para suprir isso – embora haja esperança se Enes Kanter começar a chutar melhor, vai que, né. 

Vencedor: Los Angeles Clippers

Um time que vem de um trabalho excelente com Doc Rivers – talvez o melhor que ele ja fez – e de uma campanha de 48 vitórias. Esse mesmo time deu canseira em Golden State completo, com direito a Klay Thompson e Kevin Durant saudáveis. Caso você tenha se esquecido, os Clippers roubaram dois jogos na série, que foi até o Jogo 6. Esse mesmo time agora tem Kawhi Leonard, atual MVP das Finais, e um Paul George de uma capacidade defensiva inestimável.  É possível dizer, embora a Conferência Oeste tenha um monte de bons times, que o lado azul e vermelho do Staples Center pinta como favorito depois da chegada de Kawhi e George. 

Não, a troca não saiu cara. Oklahoma City recebe um pacotão, mas lembre-se sempre: embora haja bons exemplos como os Warriors de Curry/Klay, os competidores se fazem via Free Agency na NBA, não pelo Draft, via de regra. Essas escolhas foram para ter Paul George e também Kawhi Leonard. Não apenas o ex-Indiana e OKC. 

Saudade daquilo que a gente não viveu
Saudade daquilo que a gente não viveu J Pat Carter/Getty Images

Perdedor: Russell Westbrook

 

Acho que o tweet acima diz tudo. 

Perdedor: Mercados pequenos

Não é a primeira vez que vimos isso acontecer, sejamos francos. A NBA tem uma disparidade muito grande entre mercados consumidores pequenos e grandes e, como é uma liga de atletas – e não de franquias, como na NFL – isso fica ainda mais óbvio em situações como esta. Ano passado vimos a mesma coisa com LeBron James dar opt-out de seu contrato com Cleveland para poder explorar as imensas oportunidades comerciais que se abrem em Los Angeles – uma cidade bem maior e segundo maior mercado consumidor dos EUA. A decisão de Kevin Durant escolher Brooklyn também não foi ao acaso, dado que Nova York é o maior mercado consumidor dos EUA. 

A times de mercados consumidores menores – e aos Knicks – com menor poder de atrair jogadores na free agency, o Draft fica ainda mais importante e isso ficou claríssimo em mais uma free agency. 

Perdedor: os outros 14 times do oeste

Sem Kawhi, por mais que houvesse um núcleo interessante e um bom trabalho de Doc Rivers, os Clippers não eram candidatos ao título. Agora são e, bem, é mais um time assim na costa oeste – para o desespero dos outros 14 times. Veja o caso de Golden State, por exemplo, que não conta mais com Kevin Durant e não deve contar com Klay Thompson até a véspera dos Playoffs: Houston, Los Angeles Clippers, Los Angeles Lakers, Utah Jazz, Denver Nuggets: de cabeça temos cinco times que têm totais condições de ficar acima dos Warriors na classificação. Isso é a demonstração de como o oeste estará mais selvagem que na segunda temporada de Westworld. 

Vencedor: o fã de NBA

Ok, seria bonito ver Anthony Davis, LeBron James e Kawhi Leonard dominando a pós-temporada com um basquete quase imparável que poderia se tornar o melhor time da década junto dos Warriors. Eu, pessoalmente, acharia bacana por alguns momentos. Mas fora o torcedor dos Lakers, uma hora essa panela iria começar a frustrar aquele que sonha em ver seu time brigando ou, ao menos, sonhando em brigar. Aqui, sei que minha opinião está longe de ser unânime e vai ter gente reclamando, mas eu prefiro muito mais uma NBA competitiva como essa que se avizinha do que a que poderíamos ter com um BIG 3 supremo nos Lakers.

Não dá para cravar nem o campeão do oeste e nem o campeão do leste. Há favoritos, claro, mas veja no oeste: tirando dois ou três times, temos pelo menos 10 com chances reais de se classificar e uns 5 com chances de chegar às finais. Isso é incrível para o esporte. O esporte, aliás, é o melhor reality show que existe. E é muito mais legal quando a gente não sabe o final da história. 

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Curti: Documentários para ver no Watch ESPN (parte 2)

Antony Curti
Antony Curti

Boa parte das pessoas está em casa podendo fazer suas próprias rotinas em home office e, em finais de semana, saídas para bares, restaurantes e cinemas não fazem parte dessa nossa realidade momentânea. Assim, o entretenimento sob demanda com filmes e séries por streaming acabam sendo nossa válvula de escape. 

Para além desses conteúdos, temos muito conteúdo disponível no Watch ESPN na aba sob demanda, o ESPN Play. Há vários documentários de esportes americanos, todos legendados e que você pode acessar clicando aqui – basta fazer login com sua operadora. Então, sem mais delongas, comecemos a curadoria em uma série de posts que farei com algumas sugestões. 

Clique aqui para a parte 1

***

1- Small Potatoes: Who Killed the USFL? (Peixe Pequeno: Quem matou a USFL?)

A NFL praticamente não teve concorrência após o surgimento (1960) e eventual fusão com a AFL (em 1970 transformada em Conferência Americana). Após algumas tentativas mal fadadas nos anos 1970, uma liga mais séria surgiu no início dos anos 1980: A United States Football League. A USFL veio com tudo em sua subida, assinando com nomes importantes do futebol americano universitário como Jim Kelly, Steve Young e Reggie White.  

O documentário foca na subida e na eventual queda da liga e tem dois personagens principais que se contrapõe: John Bassett, dono da franquia de Tampa Bay e que queria a liga jogando na primavera sem competição direta com a NFL e Donald Trump (sim, esse mesmo), que queria a liga jogando no outono e batendo de frente com a NFL. 

2- Fernando Nation

Um escritor da Sports Illustrated em 1981 um dia qualificou o arremessador perfeito como um garoto rápido, de olhos azuis e nascido na Califórnia. Era tudo o que Fernando Valenzuela não era. O contraste do que ele gerava alegria com o lugar onde jogava era gritante. A comunidade latina foi chutada de Chavez Ravine quando o Dodger Stadium foi construído e praticamente 25 anos depois um latino tornara-se o principal jogador do time. 

Valenzuela não era um garoto rápido ou alto, nascido na Califórnia. Sequer falava uma palavra de inglês. Mas foi capaz de provar que o sonho americano não era reservado apenas ao protótipo "ideal" do americano – tornara-se num mito que indiretamente pacificou conflitos sociais e como os bons mitos, tem uma origem que ninguém esperaria. 

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3- Two Escobars

Se você assistiu à série Narcos, com certeza vai gostar do tema e do documentário. Este 30 for 30 conta a história de dois Escobar. O primeiro, Pablo, você deve conhecer: um dos homens mais ricos do mundo por conta do tráfico de cocaína e chefe do Cartel de Medellín. O outro era um jogador do esporte que Pablo era aficcionado: o futebol. Andrés Escobar era um dos mais famosos futebolistas da Colômbia e zagueiro de uma seleção que era colocada como, acredite, uma das favoritas para a Copa do Mundo FIFA de 1994. 

Andrés fez um gol contra que acabou contribuindo para a eliminação da Colômbia ainda na fase de grupos – uma das grandes zebras da história das Copas. Os chefes do narcotráfico colombiano acabaram de maneira doentia "se vingando" de tal "erro". Two Escobars fala a princípio de futebol. Mas ele é pano de fundo para explicar a sociedade e usado como anteparo para uma história maior sobre drogas, criminalidade e de quão doente a sociedade colombiana estava na época. 

4- Trojan War

Pete Carroll foi demitido do New England Patriots e topou o desafio de reanimar o programa universitário de USC (University of Southern California) para o lugar em que esteve nas décadas anteriores. Ele assumiu em 2001 e os times dos Trojans não eram nem sombra do que foram outrora. Com o conhecimento e a habilidade de recrutar grandes estrelas, Carroll transformou a equipe numa máquina de títulos, prospectos levados para a NFL e no "time oficial" de Los Angeles, que na época não contava com nenhuma equipe profissional. Ou será que contava?

Fora descoberto que o programa cometeu violações que retiraram vitórias, prêmios e bolsas de estudo. Quais foram esses pecados troianos?

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Ainda nesta semana volto com mais sugestões para sua quarentena. 

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1- OJ: Made in America

Esta deveria valer por cinco, porque são cinco partes. Das listas que eu farei, este precisa ser o primeiro porque, a meu ver, é o melhor deles. (E é o único que ganhou o Oscar de Melhor Documentário). A história não é a simples história que já vimos em outras mídias – como o American Crime Story, série do FX. Há contexto até não poder mais. O.J. Simpson foi o melhor running back da NFL nos anos 1970 e uma estrela universitária anteriormente, em anos de ebulição social na briga por igualdade em direitos civis nos Estados Unidos. Mas, como o próprio um dia disse, ele não se considerava negro: considerava-se apenas "OJ". 

O documentário vai muito além dos homicídios de Nicole Brown e Ron Goldman: fala sobre questões sociais pra lá de importantes nos Estados Unidos na segunda metade do século XX. A história de OJ, no final das contas, acaba sendo o início de um longo fio condutor para explanar essas questões.

2: Vick

Recém-lançado, o documentário foca no "Lamar Jackson do início do século", por assim dizer. Inclusive o próprio Michael Vick assim comparou o jogo de Lamar, quando no college, ao dele em Virginia Tech. Vick foi uma enorme estrela na primeira metade dos anos 2000 e "quebrou" o videogame Madden NFL – a ponto de ser comparado com outras estrelas dos jogos, como Allejo em International Superstar Soccer. Aí veio o problema: Vick foi preso por envolvimento em rinhas de cães. O documentário, dividido em duas partes, conta o início, o meio conturbado, e a tentativa de redenção do quarterback após ser solto da prisão. 

3: The Band That Wouldn't Die (A Banda que Não Morreria)

Um dos documentários da leva original do 30 for 30 em comemoração aos 30 anos da ESPN em 2009, o documentário conta a história da banda marcial do Baltimore Colts. Até aí, parece qualquer nota – o "problema" é que a franquia deixou Baltimore na calada da madrugada em direção a Indianapolis em 1984. Por anos a fio, a banda ficou órfã – mas não deixou de existir. O material é pra lá de interessante para entendermos como funciona a relação das torcidas com as franquias profissionais dos EUA, ainda mais em cidades menores. E ainda mais considerando que, ao contrário do Brasil ou do futebol europeu, do dia para noite – ou da noite pro dia, no caso – você pode perder o time que torce para uma cidade a milhares de quilômetros. 

4: 42:1

Nos anos 1980 e 1990, o boxe de longe era o ramo das lutas com maior popularidade. As lutas eram transmitidas em TV aberta no Brasil, para se ter ideia. Em fevereiro de 1990, o campeão e aparentemente imbatível Mike Tyson enfrentou o quase que desconhecido James "Buster" Douglas em Tóquio, Japão. A luta parecia rotina e a tendência é que ela fosse um tapa-buraco enquanto Tyson não enfrentaria Evander Holyfield, então invicto e considerado o principal desafiante ao cinturão dos pesos-pesados. 

Tyson era considerado o melhor boxeador do mundo na época e Douglas, bem, era o sétimo do ranking dos pesos-pesados na Ring Magazine, uma das principais publicações do esporte na época. 

Em meio a esse contexto, praticamente nenhum cassino de Las Vegas abriu mercado para apostar na luta. Os poucos que abriram esperavam, tal como os analistas de boxe, uma aniquilação em poucos minutos e praticamente dois ou três assaltos. A cotação de Buster dá nome ao documentário: 42 para 1. A cada dólar apostado em Douglas, no caso de vitória dele, você ganhava 42. Não vou dar mais spoilers, apenas assista. 

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Curti: O único pedido de Tom Brady para o Tampa Bay Buccaneers

Antony Curti
Antony Curti
Tom Brady, New England Patriots
Tom Brady, New England Patriots Getty

Chocante ou não, esta é a realidade. 

Quem diria há cinco anos que Tom Brady de fato estaria jogando aos 43 anos, receberia um contrato de praticamente 30 milhões de dólares e que seu time não seria o New England Patriots? Como Mike Tyson um dia disse, todo mundo tem um plano até que receba um soco na cara. O New England Patriots sente-se um pouco assim no momento – afinal, após 20 temporadas, o time não contará com o maior quarterback da história em seu elenco. 

Fica a pergunta: o que Tom Brady terá em Tampa Bay que não teria em New England? 

Bom, algumas coisas. Para começar, um corpo de recebedores bem mais talentoso – Mike Evans (WR), Chris Godwin (WR), Cameron Brate (TE) e OJ Howard (TE) só para citar alguns. Nos Patriots, o corpo de recebedores para além de Julian Edelman deixa bastante a desejar. Ainda, os Buccaneers deram um contrato com 50 milhões de dólares garantidos para Brady. Sabendo do histórico de Bill Belichick, esse é um ponto onde ele e New England não chegariam. 

Tá, mas o que mais? Algumas coisas foram especuladas. 

* Total controle do plano de jogo ofensivo?

* Que o time contrate ou troque por jogadores específicos? (Antonio Brown/Julian Edelman)

* A camisa 12, que atualmente pertence a Chris Godwin?

* Poderes Lebronescos no controle do time, ao melhor estio Júnior capitão e técnico da seleção brasileira de futebol de areia?

Não, nada disso. O Tampa Bay Times reportou que o único pedido de Brady foi o número de telefone de seus companheiros de equipe. Apenas isso. O comando do time, portanto, segue nas mãos do head coach Bruce Arians. Antonio Brown não virá. Brady seguirá ordens dos técnicos. A camisa 12 ainda é de Chris Godwin. É notório que Brady tem um sangue competitivo como poucos atletas na história do esporte mundial e isso acabou sendo mais uma prova. 

Brady não quis mimos – apenas a garantia financeira e um elenco de apoio melhor do que tinha em New England. Agora resta saber o que ele vai entregar em troca aos 43 anos. Não temos como prever. Ele teve um ano bem abaixo em 2019 e não temos precedentes para quarterbacks jogando nessa idade. Em setembro, então, descobriremos o que rola – mas é certo que, com a chegada de Brady, duas coisas mudam em Tampa Bay: menos interceptações e possivelmente uma vaga na pós-temporada. 

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E se LeBron tivesse escolhido a NFL em vez da NBA?

Antony Curti
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LeBron com os Lakers
LeBron com os Lakers Getty

Ele fazia parte do time de Berkeley que chegou ao Sweet Sixteen (Oitavas-de-Final) do torneio de basquete universitário de 1996. Com médias de 7 pontos e 5 rebotes por jogo, o basquete parecia um um futuro plausível – mas o futebol americano, mais. Essa é a história de Tony Gonzalez, um dos pioneiros na "travessia" de jogador de basquete para o futebol americano. 

Gonzalez foi o primeiro de muitos a ter destaque em dois esportes – acabou sendo draftado na primeira rodada no Draft do futebol americano e é amplamente considerado um dos melhores tight ends da história. Depois dele, vieram outros. Mas um deles não fez a travessia e optou por ficar no basquete. Ainda bem, porque teríamos perdido um dos melhores jogadores da história da bola laranja. 

Mas ficou sempre a curiosidade: como teria sido a carreira de LeBron James se ele tivesse ido para a NFL? "O melhor prospecto de basquete do país é uma versão mais alta e mais lenta de Randy Moss". Assim era qualificado LeBron como atleta de Ensino Médio enquanto jogador de futebol americano. O perfil @thecheckdown, no Instagram, postou um recorde de jornal da época e a avaliação é realmente impressionante. A comparação com Randy Moss, um dos melhores recebedores da história da NFL, também. 

"No filme dos jogos, o que vi foi um jogador pronto para a NFL na posição de wide receiver. Ele tem mãos enormes, corre tremendas rotas, pula sobre todos os defensores e tem velocidade surpreendente para um cara grande. Como segundanista (junior), LeBron recebeu 60 passes para 1200 jardas e 16 touchdowns". São números faraônicos. LeBronescos, se puder criar o neologismo. 

No final das contas, James focou no basquete até para não correr o risco de se machucar como atleta de futebol americano. Certamente deve ter pesado a questão de elegibilidade também. Na época, um jogador poderia ir direto do ensino médio para a NBA – coisa que James fez. Ele focou no basquete em sua última temporada em Akron e foi draftado pelo Cleveland Cavaliers. Para jogar na NFL, LeBron teria que ter três anos de formado no Ensino Médio – a rota que os jogadores escolhem é jogar três anos de futebol americano universitário para ficar na vitrine enquanto isso. 

É difícil prever o que LeBron teria se tornado como jogador de futebol americano. O atletismo fora de série e a inteligência de jogo que ele demonstra hoje como, na prática, armador do Los Angeles Lakers, certamente estariam lá. O mesmo diz respeito à ética profissional. Se caísse no time certo, LeBron facilmente poderia ser um dos melhores da história na posição. No caso, acredito que não wide receiver mas, pelo seu tamanho, como tight end. O que, para o mundo dos esportes, seria uma pena – até porque a posição de tight end é menos nobre. 

No final das contas o melhor caminho foi trilhado. Mas é interessante imaginar o que teria sido. 

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Como a XFL pode dar uma segunda chance aos atletas de futebol americano

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Semana NFL: Curti analisa situação de estrelas e faz prévia do mercado de free agents

Antony Curti
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Curti: Comparado ao NBA 2k ou Maddens de PlayStation 2, o modo franchise do Madden 20 é uma vergonha

Antony Curti
Antony Curti
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Fevereiro é um mês de transição para mim em muitos aspectos. A temporada da NFL acaba e, com isso, o foco aumenta na NBA e os estudos para a temporada da MLB se intensificam. Essa transição também acontece jogando videogame – eu começo a jogar menos Madden e mais o NBA 2k. Neste ano, a transição me deu um quê de indignação: como pode tanta diferença entre os dois jogos?

Sim, estamos falando de dois esportes diferentes, mas chega a ser grosseira a diferença de profundidade no modo franchise do Madden NFL em comparação ao MyLeague, o equivalente do NBA 2k. Não estou querendo dizer que a 2k é uma empresa maravilhosa e sem defeitos, até porque tem seus problemas – até maiores do que os da EA –em relação a microtransações. Meu ponto é em relação ao principal modo offline. 

É mais do que óbvio que boa parte do lucro atual das empresas de videogame em jogos de esporte acabam vindo dessas microtransações, do Ultimate Team e conexos. É como vender o jogo duas vezes e, na segunda parte, praticamente não ter custo de produção – dinheiro de graça. Então, como o incentivo é nessa parte do produto, a outra – offline – acaba ficando sem incentivo para ser melhorada. 

O que não quer dizer que o Madden possa ser uma grande várzea no franchise mode como o é agora. Embora a versão 2020 tenha tido a adição interessante do Superstar para diferenciar atletas medianos dos atletas de elite (coisa que já existia no Madden 08 e foi retirada na transição para PS3/Xbox 360, frise-se), o franchise mode teve como grande novidade o Pro Bowl. Sim, o Pro Bowl. Aquele jogo que já existia nos Maddens de PlayStation 2.

Ante esse panorama e a eventual transição para a próxima geração de consoles a partir do Madden NFL 21 e posteriores, vou elaborar uma lista de coisas que o NBA 2k tem no franchise mode (MyLeague) e que faltam no Madden NFL. São mecânicas simples que a EA poderia facilmente implementar. Mas que não vai, como você imagina. Seja como for, vamos expor os problemas. 

Contratos com peso por ano

Quando você assina com um jogador na NFL ou na NBA, pode dosar o dinheiro de acordo com os anos de contrato. Na NBA isso é ainda mais importante porque os contratos são 100% garantidos – ao contrário da NFL, na qual você "escolhe" uma parte do contrato para garantir (a menos que o jogador se chame Kirk Cousins). Quando falamos em dinheiro garantido, é aquele que o time vai ter que pagar de qualquer forma. Se o jogador for trocado, cortado ou cair um meteoro na casa dele, a equipe pagará essa quantia e, obviamente, ela importará no teto salarial. 

Na NFL isso é ainda mais importante pelo fato de parte do contrato ser garantido. Assim, os termos "front" e "back" loaded são fundamentais na dinâmica contratual da liga. Em tradução, contratos com mais dinheiro garantido no início ou no final. Para jogadores mais velhos, o front loaded faz muito mais sentido – afinal, na medida em que os anos forem passando, compensa pagar menos para um atleta mais velho. Ainda, caso você esteja apostando num quarterback, seria interessante colocar o dinheiro garantido no início desse contrato para fugir dele em anos posteriores – foi o que o Denver Broncos fez com Case Keenum, por exemplo.

O recurso está presente no NBA 2k. No Madden, nunca esteve. Você renova contratos que têm média salarial igual em todos os anos. Faz muito sentido? Não.

Estatísticas históricas, prêmios e história da liga como um todo/Create a Team

É algo básico que pode parecer perfumaria, mas justamente por isso não entendo como não está presente no Madden. No NBA 2k, você tem uma lista dos campeões da liga, dos MVPs e todos os outros prêmios importantes. Na medida em que os anos passam no franchise mode/MyLeague, fica imersivo você poder comparar a história da liga com seu time – ainda mais quando você criou um time do zero, como expansão. 

Ah, adivinha? O Modo de Criar um Time do Madden NFL é uma das coisas mais básicas que existem na face da Terra. Praticamente não existem opções de customização do estádio e muito menos ainda dos logos ou uniformes. Ao escolher uma cidade, você têm três opções de logo/uniforme/nome e é isso aí. Sim, é apenas isso aí.

"Achar troca"

Trocar jogadores no futebol americano não é tão comum como acontece na NBA, mas isso não justifica que exista uma negligência tão grande para um recurso que poderia dar um fôlego grande à imersão do modo franchise. Uma das coisas mais legais que pensamos em fazer nesse modo e que eu já fiz um gazilhão de vezes – e que o povo adora fazer no Football Manager – poderia ser implementado para ajudar no processo: resgatar times ruins e levá-los ao Super Bowl.

No Madden, você tem que encontrar trocas na unha. Colocar jogadores no trade block não é nem um pouco satisfatório e as propostas são sempre padrões – segunda rodada de Draft, geralmente. No NBA 2k, há muito temos o recurso de "encontrar troca". Você coloca ele num jogador e PAH, umas 10 propostas aparecem – muitas delas envolvendo atletas de outras equipes, não só escolhas de Draft.  O oposto também acontece caso você esteja desejando um atleta de outra equipe. 

Convenhamos, se a 2k já implementou isso há bastante tempo, não me parece um algoritmo tão impossível assim de se colocar no Madden também. 

Mudança de regras e regulamento do esporte

No NBA 2k você pode mudar o formato dos playoffs se quiser. Mudar divisões. Formato dos playoffs. O que bem entender. Cansado do shot clock de 24 segundos? Dá para mudar isso como regra do esporte. Quer fazer um torneio para a first pick do Draft? Bingo, você pode. De fato, você se sentir como um dono de franquia.

No Madden NFL? Dane-se, se vire com o que tem. Sabe essa mudança que o novo Acordo Coletivo-Trabalhista da NFL propõe, de sete times por conferência nos playoffs? Então, como disse, fosse no 2k você poderia fazer isso e experimentar para ver como fica. No Madden eu não preciso nem falar o que acontece. Se reclamar nós tiramos o Pro Bowl do Madden NFL 21, hein.

Livro de jogadas e modo de jogar característico de cada time

No NBA 2k, se você joga contra o Milwaukee Bucks, imagine um time que ataca o garrafão com Giannis Antetokounmpo e precisará defender seu garrafão com tochas. Se joga contra o San Antonio Spurs de Gregg Popovich, espere uma equipe rodando a bola até achar uma boa opção de chute. 

No Madden NFL, se você joga contra o Baltimore Ravens, espera que o time mande 50% de blitzes como acontece na vida real.  Não, não é isso que acontece. Nem de perto, aliás. Com exceção ao talento (rating) dos jogadores nos elencos dos times, você não sente como se estivesse jogando contra uma equipe diferente a cada semana. A falta de esmero da EA nesse ponto chega a tal que sequer há coordenadores ofensivos/defensivos no Madden. Algo intrínseco ao esporte, em termos de filosofia e plano de jogo... Não existem. 

Coisas que estavam presentes nos Maddens de PS2/GameCube/Xbox e que sumiram (!!!)

Como bônus e parte mais inacreditável disso tudo, vou colocar aqui coisas intrínsecas ao futebol americano e que já estiveram presentes em edições anteriores do jogo mas que, por algum motivo misterioso, sumiram. Ao contrário de todas as indústrias que existem, a evolução da tecnologia faz com que RECURSOS DESAPAREÇAM no Madden. Vou dar alguns exemplos: 

i) Modo Carreira que não seja roteirizado: escolha qualquer posição e toque a vida. No Madden atual, você só pode jogar como quarterback e na prática não há mudança do franchise mode jogando com o time inteiro. A única diferença é que você controla apenas um atleta. Na geração de consoles da década passada, você dava até entrevistas, escolhia o empresário – não preciso dizer que isso existe no 2k, nessa altura do campeonato você já imagina. 

ii) Senior Bowl: Na geração antiga, era possível jogar com os atletas da classe posterior do Draft antes que eles entrassem na NFL. Era o equivalente ao Senior Bowl, jogo que acontece em janeiro entre Norte/Sul com os atletas que acabaram de se formar no college e que estarão em abril no Draft. Existe no Madden 20? Não. 

iii) Training Camp: Isso mesmo, uma parte essencial da preparação dos atletas para a temporada NÃO EXISTE no Madden de PlayStation 4/Xbox One e existia 15 anos atrás em duas gerações. Era possível melhorar dados atletas com exercícios (drills) específicos para eles. 

iv) Clique três vezes no "X" e você saberá como é o jogador no Draft. Isso é tudo o que você fará de scout no Madden NFL 20. E se eu te contasse que no Madden 08 você tinha o Combine? Quer dizer, não era nada muito extraordinário, eram os mesmos exercícios que você usava no training camp para melhorar dados atletas – mas, ainda assim, dava para ter OS CARAS NO CAMPO em vez de uma planilha de Excel. (Curti jogando papeis para o ar, indo beber água e voltando a escrever porque isso tudo beira o inacreditável). 

v) Times históricos: Outra coisa que está presente no NBA 2k e, adivinhe? Não está no Madden. Ou tipo isso, porque você pode ter atletas históricos no altamente viciante, benéfico para a comunidade e divertido Ultimate Team. Jogar offline com o Chicago Bears de 1985 contra o San Francisco 49ers de 1989? Bom, liga o PlayStation 2 e joga aí, porque com o DualShock que tem luzinha na frente você não vai conseguir. Em 2005 nem iPhone tinha e o Madden já contava com o recurso. Hoje o iPhone só falta jogar gol a gol com você e o Madden.. TA DÁAA! Não tem times históricos. 

***

Eu poderia ir além na questão de gameplay – como fato de play action com rotas atravessando o campo serem fáceis de entrar – ou de falta de servidor no Brasil. Poderia dizer que não há free agents restritos ou então escolhas compensatórias no Draft. Mas não estamos pedindo muito: são recursos fáceis de implementar e que LITERALMENTE já estiveram em Maddens de 15 anos atrás ou que estão no NBA 2k na geração atual. 

Mas não vai adiantar reclamar nem chorar: a EA vai continuar investindo recursos no Ultimate Team e o franchise mode continuará relegado a gamers como eu que odeiam jogar online e só querem ter uma experiência introspectiva de poder montar sua franquia como bem entende. A tendência não é de melhora; é de piora. A transição de PlayStation 2/Xbox para o 3/360 já suprimiu recursos do Franchise. A posterior migração, idem. Ao final deste ano devemos ter mais uma, para o 5/X. 

Pode ter certeza que alguns recursos vão sumir só para a EA, daqui alguns anos, implementar o MESMO recurso e dizer que é novidade. Foi assim com o Pro Bowl e o Weapons/Superstar – presente no Madden 08, sumindo e aparecendo juntos em 2019 no Madden 20. Há certas coisas que não vão mudar e a EA só faz isso porque o UT dá dinheiro e vai continuar dando. Para a velha guarda reclamona como eu, paciência. Que fiquemos com as migalhas. 

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Curti: Comparado ao NBA 2k ou Maddens de PlayStation 2, o modo franchise do Madden 20 é uma vergonha

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Curti: A mudança de Westbrook - dos três pontos para o garrafão

Antony Curti
Antony Curti
Russell Westbrook em ação pelo Houston Rockets.
Russell Westbrook em ação pelo Houston Rockets. Getty Images

Em meados dos playoffs do ano passado no ESPN League, cheguei a dizer que Russell Westbrook era a materialização de um relacionamento tóxico para o Oklahoma City Thunder. De certa medida, isso ficou um tanto quanto comprovado durante a pós-temporada e na série derradeira contra Portland. Menos de um ano depois, quanta diferença estamos vendo nesse início de passagem de Russell em Houston. 

Os Rockets comprometeram-se com uma ousadia que caminhava há um tempo para acontecer. Chegaram de vez na era do small ball ao trocar Clint Capela. O small ball foi "small" a tal ponto que o time de Mike D'Antoni não escalou um jogador mais alto do que 2 metros de altura nos últimos seis jogos. Há pontos positivos e negativos quanto a isso. O negativo é que existe um vácuo enorme no garrafão com PJ Tucker jogando, na prática, dentro do garrafão. Defensivamente falando, isso é temerário contra times altos - sobretudo se o ataque dos Rockets não compensar. Com Tucker na função, Houston cede 120 pontos por 100 posses - de longe, não é bom. 

Do outro lado, há a parte boa da mudança. Russell Westbrook parece ter encontrado seu papel no time. Sai a figura do tijoleiro, com 30% de aproveitamento dos três pontos e entra a figura de um jogador que roda a bola e, sobretudo, está infiltrando mais. Westbrook tentou menos de cinco tiros de três pontos em 10 partidas seguidas. Russell vem liderando a liga em chutes feitos após a transição e em bandejas contestadas no período - a última estatística, em especial, demonstra esse comprometimento em infiltrar. 

Ao mesmo tempo, ele está sendo mais seletivo nos três pontos. É fato que Harden, em aproveitamento, não vem no seu melhor momento justamente nesse quesito. Coisa que é mais do que natural numa temporada de 82 jogos e, que bom, está acontecendo agora em vez de abril ou maio. Mas alguém teria que pagar essa conta do espaçamento criado no small ball e, de certa forma, Harden o pagou nesse momento ruim que vive - que não necessariamente é algo que vai se carregar para os playoffs, dado que momentos quentes e frios são normais. 

Mas, excetuando questionamentos defensivos e hardenianos, a boa fase de Westbrook é a boa notícia. E, em vez de simplesmente parecer uma questão de momento como o é de James, parece uma mudança sólida e com fundamentos. Vide que vem de algum tempo. Sabe quem lidera a NBA em pontos no garrafão desde 18 de janeiro? Antetokounmpo? Não, não é Giannis. É Westbrook, com 23.2. Giannis aparece em segundo, com 19.5. 

A balança finalmente parecer ter equilibrado para o ex-Thunder. Nos primeiros 34 jogos da temporada, 12.2 pontos no garrafão por partida e 5 tiros de três por jogo. Nos 10 últimos, esses números viraram 23.2 (10 pontos a mais) e 1.4 - praticamente quatro tentativas a menos. A mudança e a melhora não garantem nada, sendo sincero. As forças angelinas parecem caminhar para o título do oeste - seja Clippers ou Lakers. Até porque o time ainda é de James Harden e, com a minutagem de banco diminuindo para todos os times nos playoffs, é natural que ele precise elevar seu nível. 

Mas uma coisa já sabemos: Westbrook tem, finalmente, um papel definido nesse time. E o está fazendo muito bem. 

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Troféu Blake Bortles: Prêmio 'volta para casa' com Foles como o pior da semana

Antony Curti
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Curti: Com toneladas de loot boxes, NBA2k20 é mais do mesmo e não vale 250 reais

Antony Curti
Antony Curti
Agora nos Lakers, Anthony Davis é a capa do 2k20
Agora nos Lakers, Anthony Davis é a capa do 2k20 Divulgação 2k

Em todo o ano eu venho fazendo revisões dos jogos de esportes americanos (com o bônus de Fórmula 1) e sempre há uma grande dificuldade: provar o prato antes que você queime a língua pagando 250 reais. Ao provar, eu preciso dizer quão salgado ele está. Ou melhor: dizer se alguma coisa mudou em relação ao ano passado ou não. Bom, mudou. O jogo virou um simulador. Mas de cassino. Antes de falar sobre o horrendo modo MyTeam, o auge do auge da palhaçada que viraram os jogos esportivos com loot boxes, vamos à quadra propriamente dita.  Nas duas últimas semanas, joguei bastante o 2k20 nas (poucas) horinhas vagas que consegui. Então, farei aqui um review mais completo o possível para vocês. 

GamePlay: Mudou o suficiente para 250 reais?

Em relação ao basquete, propriamente dito, não há muito o que reclamar sobre o produto oferecido. O que não quer dizer que o jogo valha 250 reais no lançamento - não vale. Há poucas mudanças que valham esse valor para o fã mais casual. Ainda encontro alguns problemas na falta de ajustes ao longo de uma partida. Vou dar um exemplo: se você jogar contra o Philadelphia 76ers, eles seguirão o protocolo Embiid/Simmons e será virtualmente impossível que explorem o perímetro, mesmo com os outros jogadores do elenco. Cada time tem um playbook e isso ainda está muito rígido. Assim, fechar o garrafão contra eles ainda será uma estratégia eficaz e poucos ajustes são feitos pela IA (Inteligência Artificial) quanto a isso. 

A IA defensiva foi levemente alterada e para melhor. Não é perfeita, dado que conta com muitas dobras. Vou dar um exemplo do que vem acontecendo com constância: se você jogar com o Los Angeles Lakers, a IA vai dobrar em LeBron James em várias oportunidades. Isso sobra espaço para você passar para Danny Green e capitalizar horrores em três pontos. Em outros times, isso acontece também. Basta ter um 3 & D que você consegue sobrepujar a IA do jogo com frequência. O que mudou para melhor foi a defesa do pick and roll (que beirava a estupidez em anos anteriores), com melhor proteção do garrafão. 

Há mais fluidez em jumpers com jogadores que assim merecem. Chutar com James Harden é completamente diferente de chutar com um reserva padrão da liga. O ball handling também está mais realista (experimente jogar com Kyrie Irving e outros armadores que isso ficará claro). Essas coisas são boas, bem como essa melhora e mudança defensiva. Mas, sinceramente, não valem o preço cheio. Aparte do resto do artigo que ainda você lerá pela frente, o gameplay por si já vem carregado com um "espere uma promoção para comprar". 

WNBA em quadra

Ta aí a ótima e real mudança para a edição 2020 do game. Não há tantos modos de jogo com a WNBA (como o MyLeague, por exemplo), mas ainda assim é bem válido que ela esteja finalmente presente - o futebol feminino já há algum tempo figurava no FIFA. A parte boa é que a 2k realmente fez uma mecânica e um gameplay adequado ao basquete feminino. Vou dar um exemplo básico: tal como no college basketball, a WNBA tem bem mais marcação em zona do que individual em relação à NBA. Isso aparece de modo fidedigno no NBA2K20. 

A parte negativa é que as grandes estrelas dominam demais nesse modo. Fica até chato. Se você jogar com Elena Delle Donne vai ter uma facilidade absurda para infiltrar e dominar o jogo assim (ainda mais com a maior frequência em marcação em zona). Embora Delle Donne seja uma grande jogadora na vida real, esse domínio (dela e de outras, como Breanna Stewart) ficou apelão demais. A 2k precisa endereçar isso nas próximas edições. 

Modo carreira/My League/MyGM

Vamos rapidinho falar dos modos: 

Carreira: A história está parecida com o modo de quarterback do Madden. Isso tem o ponto positivo e o negativo. O positivo é que a coisa está mais linear e com menos drama. Basicamente, quatro anos de College, nada de ser draftado mesmo sendo considerado no primeiro ano de faculdade um potencial primeira rodada, lesões, agentes, Combine e Summer League. Essa é a parte positiva, porque ficou mais realista. A parte negativa: rápido demais (2 horas, quando muito) e poucas decisões que você toma realmente afetam seu futuro. De toda forma, é o melhor modo carreira em alguns anos no 2k. 

MyGM: Nossa, esse melhorou. Que ódio supremo eu estava daquela zona de dono do time, filho dele e etc. Isso foi pro espaço. Uma parte interessante nesta edição é que, tal como um CEO ou qualquer pessoa em posição de poder na vida real, sua semana não permite que você faça o que você bem queira. Quer mandar todo mundo embora e trocar metade do time? Lamento, mas não rola fazer de uma vez. A cada semana você tem pontos para gastar em dadas atividades típicas de um general manager. Escolher com cuidado quais detalhes na administração de uma franquia é importante, porque o tempo é o recurso mais escasso que se tem nessas funções. 

MyLeague: Pouca coisa mudou. O que é bom, Um dos poucos modos de jogo que ficou fora do cassino-lootbox que a 2k colocou nesta edição. A bem da verdade, o MyLeague é o melhor modo franquia dos simuladores de esportes americanos. Então não é como se desse para colocar tantas novidades assim. Os pontos que disse acima (Action Points) também aparecem aqui. 

***

Agora vamos endereçar o elefante na sala. Antes de mais nada, veja o trailer. 

Preciso falar mais alguma coisa? 

É realmente um simulador de cassino. A Eletronic Arts ao menos vem tentando camuflar loot boxes e conexos, a 2k nem isso. Olha a quantidade monumental de jogos de cassino que você tem nesse modo de jogo. Pachinko, roleta, caça-niquel, beira o inacreditável. Lembrando da mecânica: pay to win. Há desafios para ganhar cartas, mas obviamente é anos luz mais difícil montar um time dessa forma do que se você simplesmente sair comprando packs. O tempero de tudo isso? Os tais jogos de cassino, para maximizar tudo.  34 mil dislikes e 4 mil likes. Assim esta a contabilidade do trailer do modo MyTeam para o NBA2k20. O resumo deste artigo poderia ser esse. 

Acho que não preciso dizer muito mais sobre esse modo de jogo depois do trailer. Mesmo que você não fale inglês, as imagens falam por si. 

Veredito: Comprar agora, esperar promoção ou nem isso?

A NBA viu um monte de mudanças da última temporada para esta - Kawhi foi para os Clippers, Anthony Davis para os Lakers, Chris Paul saiu dos Rockets e Westbrook chegou, Kevin Durant saiu de Golden State e Kyrie espera que ele se recupere para tentar dominar o Leste em 2020-2021 pelos Nets. Saímos da Era da Panela Dourada para a Era das Duplas. Se você absolutamente faz questão de viver isso desde o início, então vale o preço.  Se você acha que as pequenas mudanças nos modos de jogo e a inclusão da WNBA valem 250 reais, idem. 

Tendo jogado o 2k19 por horas e horas (e ainda tendo um save do MyLeague no qual estou apegado) eu não acho que valha. Aliás, eu ainda estou jogando esse save e não consegui largá-lo por completo para jogar o MyLeague apenas no 2k20. Esse é o sentimento que tenho. Ainda, temos o problema do cassino-MyTeam que disse acima. Precisava? Parece que a 2k tem medo que logo isso seja regulamentado (tá demorando) e querem espremer a laranja até o limite. Como se não bastasse, temos mais comerciais do que nunca no jogo. Cutscene dos jogadores chegando de terno no vestiário? Virou propaganda de loja de roupas. 

Passaram do limite. E, ao mesmo tempo, o preço cheio não se justifica para um jogo que é tão parecido com o 2k19. Então, o veredito é esse: espere uma promoção. Black Friday tá logo aí. Antes disso, não compre. 

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Curti: Astros recuperam-se com 3-2 e podem ser campeões em casa

Antony Curti
Antony Curti
Justin Verlander pode ter sua primeira vitória em World Series no jogo 6
Justin Verlander pode ter sua primeira vitória em World Series no jogo 6 Getty

Que World Series, hein? O Houston Astros viu o Washington Nationals abrir 2-0 em seu território com duas atuações "bem humanas" de seus co-aces, Justin Verlander e Gerrit Cole. Menos de uma semana depois, o ataque apareceu, arremessadores menos laureados fizeram seu trabalho e os Astros voltam para Houston com a série 3-2, podendo ser campeão em casa nesta semana. 

Houston venceu os três jogos em Washington – na MLB, a final tem mando de campo 2-3-2 – e tornou-se apenas o terceiro time a vencer três jogos fora de casa numa World Series se contarmos as últimas 30 temporadas. Nas duas últimas vezes que isso aconteceu, o time que conseguiu o feito sagrou-se campeão – Yankees de 1996 e os Cubs de 2016. De toda forma, os Nationals ainda podem fazê-lo também e aí a gente teria uma coisa bem maluca: os mandantes teriam perdido todos os jogos da série e isso nunca aconteceu em mais de um século. 

O que aconteceu? Bem, o ataque de Houston apareceu, como eu disse, mas o de Washington pifou completamente.  O desempenho com homens em posição de anotar corrida foi horroroso. Nesses jogos em casa, os Nats tiveram saldo de -16 corridas – quarta pior marca numa World Series. No lado dos Astros, o grande destaque vai para George Springer e Carlos Correa. Springer agora tem 7 home runs em jogos de World Series, recorde da franquia. Mas não dá para falar apenas do ataque de Houston. 

Cole apareceu também. Depois de uma atuação um tanto quanto "humana" em seu primeiro jogo nesta série mundial, o potencial Cy Young da Liga Americana teve atuação de gala como fizera tantas vezes na temporada regular. Foram 9 strikeouts e isso contribuiu para o apagão completo que os Nationals tiveram. A pequena exceção nessa parcela de jogos em Washington talvez vá para Juan Soto, que teve seu segundo HR nesta série. 

Jogo 6 acaba a série?

Difícil dizer. Primeiro porque deve haver uma "regressão à média" por parte do ataque dos Nationals – é difícil que se mantenham tão apagados assim durante uma semana inteira, há talento demais para tanto. Ainda, porque Stephen Strasburg estará no montinho e ele vive um momento abençoado como lhe é de costume em pós-temporada. Strasburg cedeu duas corridas merecidas no jogo 2, fazendo com que seu ERA saísse de absurdos 1.10 para 1.34 em pós-temporada. Ainda é um número surreal e apenas Sandy Koufax, lendário arremessador abridor do Los Angeles Dodgers, tem número menor – 0,95 – entre abridores. 

Do outro lado Justin Verlander, a peça que faltava no quebra-cabeça do título de 2017. Os Astros estavam num momento conturbado na temporada em um ano que tudo prometia dar certo e que as escolhas de Draft e etc finalmente seriam capitalizadas num título. Aí, a diretoria apertou o acelerador e trocou por Verlander – com o título, muito ajudado por ele, a troca provou-se acertada. Agora, Justin tem a oportunidade de buscar um segundo anel e estando no montinho para isso. Em suas passagens por Detroit Tigers e Astros, Verlander nunca foi creditado/ficou com uma vitória em um jogo de World Series: são seis jogos, um no-decision e cinco derrotas. Nenhum arremessador teve tantos jogos sem vitória em uma World Series. 

Ante o que aconteceu com aquele Tigers do início da década, com um jogo não tão bom no início dessa série e seu simbolismo para a construção desse Houston Astros, somado ao fato do beisebol ter essas histórias românticas, me parece que de terça não passa. Cenas dos próximos capítulos. 

O Jogo 6 entre Houston Astros e Washington Nationals será na terça, 21h, na ESPN e Watch ESPN. A série está 3-2 para os Astros, então uma vitória de Houston encerra a série e dá o título da MLB para a equipe do Texas. Caso Washington vença, o jogo 7 também será em Houston, na quarta-feira, também 21h na ESPN e Watch ESPN. 

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A Cinderella da temporada: Nationals abrem 2-0 e viram favoritos na World Series

Antony Curti
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Stephen Strasburg teve mais uma atuação de gala na pós-temporada e agora tem 1.32 de ERA na carreira em jogos de playoff
Stephen Strasburg teve mais uma atuação de gala na pós-temporada e agora tem 1.32 de ERA na carreira em jogos de playoff Getty

Quem diria, hein?

Falei no Jogo 1 da final da Liga Americana entre Houston Astros e New York Yankees que aquela ALCS tinha tudo para ser a "final antecipada" do beisebol em 2019. Bom, convenhamos: era para ser. Las Vegas apontava isso, analistas apontavam isso, até mesmo os torcedores de times da Liga Nacional achavam que seria o caso. Mas se tem um esporte imprevisível esse esporte é o beisebol. 

Passados dois jogos na World Series, supresa. Pintou o campeão? Talvez. E ele não se chama Houston Astros. Ontem, o Washington Nationals teve uma vitória gigante e seus rebatedores colocaram Justin Verlander "no bolso" como fizeram no Jogo 1 com Gerrit Cole. O bullpen dos Astros pouco fez – dos Nationals, por sua vez, detonou qualquer pessimismo e segurou a vitória para Stephen Strasburg. A vitória por 12-3 foi a maior por um time nas últimas 20 World Series. E leva o 2-0 para os Nationals. O que isso quer dizer?

Jogo 3

Os Nationals são apenas o terceiro time nesta temporada a vencer Cole e Verlander em jogos consecutivos. Agora terão Zack Greinke pela frente e, bem ele não faz uma boa pós-temporada – o que é uma notícia terrível para Houston. Primeiro porque a única virada sobre um 3-0 foi em 2004 naquele histórico Yankees x Red Sox. Segundo porque os Astros investiram no meio do ano para trazer Greinke e a ideia era que ele "selasse" a rotação que já era absurda com Cole/Verlander. O problema é que esses dois foram dizimados pelos Nationals e, como dito, Greinke não vive um bom momento.  Com o histórico que coloquei acima e o momento de Greinke, a tendência é o pior para Houston e o melhor para Washington. Não é absurdo dizer que a zebra virou favorito.  

Nesta pós-temporada, ele tem 0-2, 6.43 de ERA, 1.43 de WHIP e 8.1 de BB%. Números horríveis e um contraste forte do que ele teve na temporada regular – respectivamente, 18-5, 2.93, 0,98 e 3,7%. Como ele está cedendo bases a rodo (vide o WHIP) e os Nationals estão quentes com home runs frequentes, o jogo 3 pode virar uma grande avalanche de corridas para o time da capital americana.   

Os Nationals, por sua vez, virão com Anibal Sanchez na sexta-feira em vez de Patrick Corbin. Veterano, chegou "ao fundo do poço" na carreira após um bom início – mas vive um momento brilhante.  Sanchez tornou-se o primeiro arremessador a ter duas tentativas de No-Hitter com seis entradas em uma mesma pós-temporada. Sua última World Series foi junto de Verlander na mesma rotação, em 2012 pelo Detroit Tigers – que acabaria perdendo para o San Francisco Giants. Naquela série, teve 7 entradas arremessadas, duas corridas-merecidas cedidas e, por incrível que pareça, acabou ficando com a derrota naquele jogo. 

O Jogo 3 da World Series será nesta sexta-feira, 21h, após o ESPN League, na ESPN e Watch ESPN

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NFL: Power Ranking após a semana 7, e atuação miserável de Sam Darnold

Antony Curti
Antony Curti

Blog do Curti: o que passou na cabeça de Sam Darnold contra os Patriots?

Blog do Curti: veja o Power Ranking após a semana 7 da NFL

Fonte: Antony Curti

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Curti: Prévia World Series - com duas rotações fantásticas, qual será o diferencial?

Antony Curti
Antony Curti
Max Scherzer
Max Scherzer Getty

O ano era 2001. Aquele era o primeiro evento com segurança redobrada desde o 11 de setembro. O New York Yankees, mesmo que por alguns minutos e horas, havia deixado de ser o time a ser odiado para ser o time dos Estados Unidos ante uma Nova York resignada com os atentados que sofrera um mês antes. A narrativa da World Series de 2001, entre Arizona Diamondbacks e New York Yankees, acabou mais versando sobre o 11 de setembro, o arremesso cerimonial de George W. Bush e a raríssima implosão de Mariano Rivera. Mas havia mais. 

O conjunto de arremessadores abridores naquele ano era estelar. Do lado de Nova York, Roger Clemens, Mike Mussina e Andy Pettitte. Do lado de Arizona, Randy Johnson e Curt Schilling. Dois Cy Youngs (Clemens e Johnson já haviam vencido o prêmio de melhor arremessador), dois que ficaram no top 5 do prêmio (Mussina e Schilling). Ainda, Andy Pettitte foi o MVP da final da Liga Americana  daquele ano – embora, no final das contas, o MVP da World Series tenha ficado entre Johnson e Schilling, dado que ambos combinaram para 4-0 e 1.41 de ERA naquela série mundial. 

Desde 2001 não temos um conjunto de arremessadores abridores como teremos em 2019. Podemos até dizer que Justin Verlander e Gerrit Cole sejam a versão 2019 desse monstro de duas cabeças que os Diamondbacks tinham ao início do século. Mas não podemos esquecer dos demais. A World Series de 2019 tem 5 dos 10 arremessadores com mais strikeouts no beisebol: Cole, Verlander, Stephen Strasburg (6º), Max Scherzer (8º) e Patrick Corbin (10º). Ainda, de acordo com o Elias Sports Bureau, é a primeira World Series desde 1945 (Cubs-Tigers) que conta com seis dos 20 melhores arremessadores em ERA.  (Gerrit Cole 3º, Justin Verlander 4º, Max Scherzer 8º, Zack Greinke 9º, Patrick Corbin 13º, Stephen Strasburg 16º).

Há inúmeras outras coincidências entre as duas rotações. Nationals e Astros são os dois times que mais gastaram quando contarmos os três principais arremessadores de cada rotação – que, veja, é o que importa para a pós-temporada. Ambas as rotações, ainda, são experientes – têm média de idade acima dos 30 anos. Os seis que você viu acima foram escolhidos nas duas primeiras rodadas do Draft da MLB. 

Então, qual será o diferencial?

Bastões. Os Nationals tiveram momentos-chave ao longo dos playoffs. O ataque ajudou a virar o Wild Card, teve grand slam em jogo 5 contra o Los Angeles Dodgers e na primeira entrada do jogo derradeiro contra o St. Louis Cardinals, massacrou o coração do Missouri. A gente sabe o que esperar do lineup do Houston Astros, mas fica difícil prever com alguma certeza o que esperar de Juan Soto, Ryan Zimmerman, Howie Kendrick e o ótimo Anthony Rendon. Tenho boas expectativas dado o estrago que fora feito contra a boa rotação dos Dodgers, mas ante a força de Houston, fica ainda uma ligeira dúvida – e a vantagem ao ataque dos Astros. 

Ainda, bullpen. Mas ainda mais: quanto tempo os abridores de Washington ficarão no montinho. Os Nationals entraram a pós-temporada como o pior ERA de um bullpen e há muito sabemos a capacidade que esse povo tem de espalhar a farofa – embora, sejamos justos, isso não tenha ficado exposto neste outubro, com boas atuações (na medida do possível) e Sean Doolittle & Amigos. Para os Astros, ter paciência no home plate e desgastar Scherzer, Strasburg, Corbin e etc será de vital importância – assim, o bullpen de Washington entra em campo mais cedo. 

Mas, como sabem, eu não costumo ficar em cima do muro. Creio, sim, que os Nationals têm talento e consigam arrastar essa série para sete jogos – mas aí que reside o problema, porque em sete jogos a rotação vai pro vinagre de um jeito ou de outro. Carlos Correa, que vive uma senhora pós-temporada, resumiu bem o que esse Houston Astros é: o predador definitivo do beisebol. Com um Jogo 7 em Houston e um bullpen melhor, mantenho meu palpite de pré-temporada com o Houston Astros bicampeão da World Series. 

A World Series de 2019 começa nesta terça, 21h, com transmissão de todos os jogos pela ESPN e Watch ESPN. 

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Curti: Os Yankees não terem reforçado a rotação de arremessadores abridores pode custar a temporada?

Antony Curti
Antony Curti
CC Sabathia
CC Sabathia Getty

Machucado, C.C. Sabathia deixou o montinho ontem no Yankee Stadium. Aos prantos. O momento era de comoção e não poderia deixar de ser diferente. Às vezes, histórias de superação – como a dele – têm finais felizes. Sabathia, em aparição como reliever, machucou novamente o ombro e foi ao montinho pela última vez na carreira – ele já havia declarado aposentadoria ao final da temporada. 

O final da temporada para os Yankees se aproxima. Os Astros abriram 3-1, terão Justin Verlander arremessando hoje e a tendência é que Nova York termine outubro sem levantar o 28º título. O contexto todo é impactante e simbólico. O momento mais marcante do jogo 4 foi justamente o abridor, que provavelmente estará no Hall da Fama, passando por uma fatalidade que encerra sua temporada e carreira. Seria isso um indicativo que a rotação dos Yankees foi a culpada pela eventual eliminação na final da Liga Americana?

Num primeiro olhar, sim. Afinal, quando acontece uma eliminação, a tendência é apontarmos problemas e os pontos mais fracos de uma equipe tornam-se automaticamente um bode expiatório. Acho exagero apontar que "isso não teria acontecido na Era George Steinbrenner" e que os Yankees ficaram "fracos" em termos de aquisições. Ora, o que Nova York poderia ter feito? O time superou uma sequência de "fatalidades" ao longo da temporada. 

30 jogadores estiveram na IR. Domingo Germán aprontou fora de campo e não jogou a pós-temporada. Sabathia nem de perto é o arremessador de anos atrás. Luis Severino, no papel o ace dessa rotação, voltou no final da temporada e ainda não aguenta a carga de ser um verdadeiro número 1. James Paxton superou expectativas e Masahiro Tanaka, embora tenha cedido 3 corridas em cinco entradas, teve atuações de gala na pós-temporada como é costume. O que os Yankees poderiam ter feito de diferente? 

É engenharia de obra pronta falar que eles "deveriam ter trocado por Verlander em 2017" ou algo do gênero. Ninguém poderia imaginar que ele teria revivido a carreira do jeito que o fez – a ponto de ser candidato ao Cy Young nesta temporada, mais uma vez. O Verlander do início da década nem de perto lembrava o Verlander de 2017. Acontece que o fiel da balança na ALCS de 2017, justamente contra os Yankees, foi ele. Hoje, no Jogo 5 – que pode indicar eliminação – também pode ser ele. Então, a narrativa fica mais forte. 

Tampouco acho que os Yankees terem sido conservadores nas negociações com Patrick Corbin tenha um efeito tão pesado assim. Não é como se a solução de todos os problemas no Bronx fosse nele. É um bom arremessador, é verdade, mas não a ponto de ser fiel da balança. Ainda, no meio do ano, os Yankees ficaram num gigantesco beco sem saída. Madison Bumgarner tinha cláusula para vetar trocas e o San Francisco Giants subitamente ficou competitivo. O Toronto Blue Jays não quis trocar Marcus Stroman para dentro da divisão. Noah Syndergaard não está jogando bem e, mesmo assim, tenho minhas dúvidas se os Mets trocariam alguém de peso assim para reforçar o Bronx. 

Que tal abrir os olhos para o que realmente pifou na noite de quinta? A derrota foi por 8 a 3. As três corridas anotadas pelos Yankees foram abaixo da média do time na temporada e na série de temporada regular contra Houston. Nova York teve 0-7 com homens em posição de anotar corrida – 0-13 se você contar os dois últimos jogos. Ainda, o time foi um caos na defesa. Quatro erros, pior marca dos Yankees desde o Jogo 2 da ALCS de 1976 contra os Royals. O massacre de Houston ontem detonou qualquer momento que os Yankees tinham após roubar o Jogo 1 no Minute Maid Park. Será mesmo que a rotação é o bode expiatório? Será mesmo que não ter endereçado essa rotação foi o ponto decisivo para que o time não chegue à World Series? 

Acho que está claro que não. 

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Curti: Os Yankees não terem reforçado a rotação de arremessadores abridores pode custar a temporada?

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'Prêmio Blake Bortles' da semana vai para Jameis Winston e suas cinco interceptações

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Curti: Kershaw implode novamente em outubro e Dodgers são eliminados

Antony Curti
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O segundo home run veio no arremesso seguinte ao primeiro. Uma slider que em nada quebrou e em que muito facilitou a vida de Juan Soto. Veio a paulada, o ar saiu do Dodger Stadium e parece que o pesadelo se tornara real. Como depois de uma perseguição em um filme de terror, o algoz sorria e franzia as sobrancelhas ao pegar  sua presa. 

A presa novamente era Clayton Kershaw. 

Um arremessador não pode ceder home runs em jogos decisivos e para o azar de Clayton, ele o faz com frequência em pós-temporada. Mesmo que os mais aficcionados pelo esporte defendam a técnica de Kershaw enquanto arremessador, fica um legado estranho para a carreira do outrora ace do Los Angeles Dodgers. Seu ERA é menor, na carreira, do que Sandy Koufax – discutivelmente o melhor arremessador da história da franquia. A quantidade de anéis, porém, também é. Depois de ontem, Kershaw soma 10 HRs cedidos em jogos nos quais o Los Angeles Dodgers enfrentava eliminação em pós-temporada. 

Reprodução/TBS
Reprodução/TBS []

Por muito tempo defendi Kershaw enquanto arremessador, mas a bem da verdade que desde 1969, quando a MLB criou a final de Liga e expandiu a pós-temporada a duas séries (a final de Liga e a World Series) a consistência pesou menos do que o poder de decisão. Pós-temporada ainda é o momento que o psicológico precisa aparecer mais forte e beira o inexplicável o que acontece com Kershaw em jogos como ontem – ainda, do jeito que foi. 

"Tudo o que dizem sobre a pós-temporada é verdade", disse Clayton sobre suas performances em outubro. Depois do segundo home run, que empatou o jogo e fez com que entradas extras viessem no Jogo 5 de vida ou morte da NLDS, Kershaw colocou suas mãos nos joelhos e sabia que seu destino seria sair de campo e, muito provavelmente, a saída dos Dodgers da temporada após 106 vitórias. 

Saiu. Isolado, ficou sozinho no dugout. Ninguém veio falar com ele, ele não foi falar com ninguém. Kershaw sabia que aquele provavelmente seria o fim. O mais talentoso, tecnicamente, arremessador do beisebol em sua geração mais uma vez falhou e a janela de um anel está se fechando – ele tem contrato até 2021 mas sua velocidade em bola rápida só diminui. Ainda, Walker Buehler, de 25 anos, tornou-se o ace da rotação.

É triste ver como o legado de Kershaw pode estar sendo sacramentado numa noite ruim e num final de série ruim. Os Dodgers jogavam em casa, tiveram oportunidades, saíram na frente. Implodiram novamente. Depois do empate cedido por Clayton, na décima entrada um grand slam de Howie Kendrick selou o pesadelo cujo final parecia ficar cada vez mais claro. 

"Eu não vou superar isso", disse Kershaw após o jogo. Infelizmente, ninguém que lhe defendia também poderá. 

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