Curti: Para os Dodgers, vale – e muito – manter Mookie Betts por 12 anos

Antony Curti
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Mookie Betts em treinamento dos Dodgers
Mookie Betts em treinamento dos Dodgers Getty Images

Free agent em 2021? Nada disso. Mookie Betts foi trocado do Boston Red Sox para o Los Angeles Dodgers e chegou-se a cogitar que seria quase como um empréstimo. Afinal, Betts seria free agent no final desta temporada e demandaria um contrato alto. Será que os Dodgers iriam renovar?

Renovaram. A peso de ouro, diga-se. Conforme nosso colega da ESPN americana Jeff Passan reportou ontem à noite, Los Angeles assinou por 13 anos e 392 milhões de dólares com Betts. Como se sabe, os contratos são 100% garantidos no beisebol – em oposto à NFL. Isso faz de Betts o segundo maior contrato da história do esporte. À sua frente, o mesmo jogador com que ele competia pelo prêmio de MVP da Liga Americana, Mike Trout (426,5 M totais). 

A maior média salarial não é de Trout, fica com Gerrit Cole, arremessador que recém assinou com o New York Yankees a 36 milhões – Trout vem logo atrás, com 35,5. Já Betts? Não chega no top 5, de acordo com a lista do ESPN Stats and Info. Mookie tem agora uma média de 30,2 milhões. 

Ok, mas vale?

Se você é torcedor do Boston Red Sox, deve achar essa pergunta ofensiva. Betts é um rebatedor top 10 do beisebol, um defensor top 10 do beisebol e tem apenas 27 anos. Ele faz tudo bem. É lógico que vale. 

Uma das melhores estatísticas para se medir valor no esporte é o wins above replacement – grosso modo, quantas vitórias o jogador contribui a mais ou a menos em relação a um substituto mediano. A expectativa do Baseball Prospectus para 2020 é que Betts novamente esteja no patamar de elite nessa estatística, contribuindo com um WAR na casa das 6 vitórias.  

Se compararmos a WAR de Betts com outro outfielder caro do beisebol, Bryce Harper, ele dá de lavada se pegarmos as seis primeiras temporadas da carreira. 41 a 26. Mike Trout está ainda mais acima, com 47. Mas só o fato de compararmos Mookie a Trout, o melhor jogador do esporte, já diz muita coisa. 

O ESPN Stats and Info, no pacote de pesquisa que nos envia, foi além e comparou esses números a lendas do esporte. Ted Williams (Red Sox) lidera o ranking de WAR nas seis primeiras temporadas com 54,2 – logo atrás, vem Trout. Betts aparece em sétimo e à frente de Barry Bonds e Mickey Mantle. Não é qualquer coisa. 

Agora vai? 

O Los Angeles Dodgers venceu a Liga Nacional em duas oportunidades desde seu último título de World Series, em 1988 e ruiu diante de Houston e Boston (de Mookie Betts) em 2017 e 2018. Depois, no ano passado, um apagão mesmo tendo a melhor campanha da temporada na MLB, com 106 vitórias. 

A tendência é que Mookie e Cody Bellinger estejam juntos por mais tempo – Bellinger, atual MVP da Liga Nacional, não é free agent até pelo menos 2023, tendo possibilidade de arbitragem até lá.  Com os dois e uma das melhores rotações do beisebol, Los Angeles deve seguir dominando a NL West. A expectativa, porém, é maior: trazer o troféu de volta para Chavez Ravine pela primeira vez em mais de 30 anos.  

E é justamente por conta disso que a duração do contrato não é temerária como em outros contextos. 12 anos para um atleta de 27 – com ele estando com 39 ao final dos contrato – parece preocupante. Ainda mais se considerarmos que o atleticismo é um elemento pra lá de importante para o jogo de Betts. Mas não estamos falando de qualquer jogador e, sobretudo, de qualquer time.  Como dito, os Dodgers não vencem uma World Series desde 1988. Manter Betts e Bellinger por mais 4 anos, ao menos, é um sinal forte de que o time chegará ao menos à final da Liga Nacional nesse período. 

Ao mesmo tempo, dificilmente Betts renovaria por duração menor. Então, é como passar a conta no cartão de crédito. Se depois dessa "compra" o Commissioner's Trophy estiver com os Dodgers, não será problema continuar a pagar essa conta em 2030. 

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3 times possíveis para Earl Thomas

Antony Curti
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Earl Thomas em jogo dos Ravens na NFL
Earl Thomas em jogo dos Ravens na NFL Getty

Depois de muitas aventuras na intertemporada – para usar de eufemismo – uma ética profissional no mínimo contestável, faltar a reuniões e como ápice uma briga com um colega de defesa num treino, Earl Thomas foi cortado pelo Baltimore Ravens. Surpreendeu por um lado na medida que, embora não seja mais o ET dos tempos de Legion of Boom em Seattle, ainda é um sólido safety. Mas por outro não surpreendeu dado que John Harbough, um dos melhores treinadores da liga, sabe da importância de uma vestiário com clima sadio e deve ter chegado à conclusão que o custo de oportunidade de manter uma bomba relógio ali seria muito alto. 

Seja como for, Thomas agora é um free agent e pode assinar com qualquer equipe da NFL. Já se passaram alguns dias e... Nada. Então, aproveitando a oportunidade, listei alguns times que poderiam contratar o agora ex-Raven. 

1- Cleveland Browns

O time tinha carência na posição de safety antes do Draft e fez boa escolha na segunda rodada com Grant Delpit, vindo da campeã nacional LSU. O problema é que essa expectativa já foi água abaixo com uma lesão de Delpit no início desta semana. Ele rompeu o tendão de Aquiles e está fora da temporada 2020. Isso, então, abre uma possibilidade para a chegada de Thomas – ainda mais porque os Browns são o time com mais dinheiro disponível de acordo com o OverTheCap: são 40 milhões de dólares. Ah, e teria a vingança nos olhos de Earl Thomas, ex-Ravens (que é da mesma divisão). 

2- Dallas Cowboys

Pois é, todo mundo apostava que o casamento entre Dallas e Earl Thomas era algo que viraria realidade o quanto antes. Afinal, Thomas é do Texas e após uma partida entre Seahawks e Cowboys chegou a dizer ao então head coach Jason Garrett que "se tiverem a oportunidade, me peguem". Dallas agora tem a oportunidade mas... Não com Garrett por lá. O head coach foi demitido após a decepcionante temporada de 2019 e quem manda no time é Mike McCarthy. O ex-técnico dos Packers, em seu primeiro ano com os Cowboys, chegou a dizer nesta semana que "está confiante no elenco que o time já tem" quando perguntado sobre a possibilidade de contratar Earl Thomas. Na terça, Ian Rapoport – insider da NFL Media – disse que falou com Jerry Jones e que o time não deve fazer proposta pelo safety. 

De toda forma, ainda faria todo sentido. Safety é uma carência do time há algum tempo, Byron Jones foi uma perda na secundária e a dupla atual de safeties é pedestre – Xavier Woods e HaHa Clinton-Dix. A chegada de Thomas seria algo positivo. A ver. 

3- Philadelphia Eagles

O time perdeu Malcolm Jenkins – que voltou para o New Orleans Saints –  e em tese a chegada de Thomas poderia ser o troco do que os Cowboys fizeram no Draft, dado que os Eagles, segundo rumores, estavam sedentos para escolher CeeDee Lamb e Dallas draftou o wide receiver antes da escolha de Philadelphia. Então, considerando que a NFC East deve ficar entre esses dois times, seria algo como "reforçar-se e impedir que o rival divisional o faça". 

Porém, coloco chances diminutas aqui. Jalen Mills fez uma boa transição para safety e deve ser uma das apostas do coordenador defensivo, Jim Schwartz, para a temporada 2020. Então por conta disso – e até para economizar dindin – a contratação pode ser colocada no radar mas com chances diminutas. 

Menções Honrosas: 

New England Patriots: Quase todo ano quando um jogador famoso é cortado acaba por ser cogitado em New England – até pelo histórico de "arrumar cabeças duras" que Bill Belichick tem, com destaque para o case de Randy Moss. Não é segredo que Belichick tem amor por Ed Reed, safety que também jogava no fundo do campo. Ter alguém com esse potencial parece apetitoso, mas New England parece querer carregar rollover no cap para 2020 e já tem Devin McCourty – a especulação viria mais pelo opt-out de Patrick Chung. 

Atlanta Falcons. Coloco os Falcons como menção honrosa apenas porque o time não tem muito dinheiro disponível no teto salarial. Apenas 7.6 M – o que não deve ser suficiente para que Thomas tope juntar-se a Atlanta. Claro, movimentações podem ser feitas para que mais espaço surja – ou Earl Thomas pode topar assinar por menos – mas não vamos exagerar nas previsões. Faria sentido na medida em que Dan Quinn, head coach do time, trabalhou com Thomas como seu coordenador defensivo em Seattle e também porque o safety Ricardo Allen está voltando de lesão. 

San Francisco 49ers: Coloco aqui apenas por conta do potencial alinhamento dos astros (literalmente) já que Richard Sherman lá estar e muito porque Thomas saiu meio que com sangue nos olhos de Seattle, rival divisional. San Francisco tem outras prioridades no momento, apenas 8 milhões disponíveis no teto salarial e a dupla de safeties do ano passado, Jimmie Ward e Jaquiski Tartt, fez boa temporada. 

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Curti: Os Cardinals podem ser uma grata surpresa em 2020

Antony Curti
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Kyler Murray depois de jogo dos Cardinals na NFL
Kyler Murray depois de jogo dos Cardinals na NFL Getty

A NFL é um grande moinho e seus recursos – teto salarial, free agency e Draft com ordem de escolha inversa à classificação da temporada – permitem que equipes que ficaram em último lugar num ano acabem vencendo a divisão no ano posterior. No ano passado não vimos isso acontecendo – mas quase, com o San Francisco 49ers, terceiro na NFC West em 2018 e campeão em 2019. 

Neste, se tivermos que apostar nosso dinheiro em algum time que possa dar essa volta por cima, o Arizona Cardinals apresenta-se como um time interessante para colocarmos no radar. A divisão é extremamente difícil – discutivelmente a mais forte da liga – mas a possibilidade está ali. 

Kyler Murray foi o calouro ofensivo do ano na temporada passada e começou sua carreira de forma parecida com a qual terminou sua trajetória no college: como uma ameaça dupla. Apenas dois calouros na história da liga, segundo o ESPN Stats and Info, tiveram 3500 jardas passadas e 500 corridas. Um é Cam Newton em 2011 – o outro, Murray no ano passado. Não houve apenas flores nessa história, com dores de crescimento aparecendo. Um dos pontos que Murray precisa melhorar e que acabava sendo uma virtude na várzea defensiva que é a conferência Big XII é o fato de que ele segurava demais a bola. Fazia isso no college, continuou fazendo na NFL. 

Mas na NFL o negócio é outro. Prova foi o elevado número de sacks que Murray sofreu na temporada passada – 48, empatado com Matt Ryan e Russell Wilson como os que mais foram ao chão em sacks. Não que a linha dos Cardinals tenha sido um suprassumo de excelência, mas ele precisa segurar menos a bola e ser mais eficiente. Isso, claro, vem com o tempo. Peyton Manning bem disse uma vez que a medida em que os anos vão passando, os quarterbacks profissionais enxergam o jogo passando "mais lentamente" na sua frente. 

E em 2020, o que esperar?

A princípio, boas notícias. "Kliff [Kingsbury, o head coach e responsável pelo ataque] está fazendo umas coisas ali que vão deixar qualquer um com problemas... É muito rápido [o ataque]. Algo que nunca experimentei num training camp e vai levar tempo para se ajustar", disse o DL Jordan Phillips ao jornal Arizona Republic. Ou seja, o ataque dos Cardinals, que já teve alta octanagem em 2019, está a todo vapor. 

Regressão à média pode acontecer – sobretudo porque os coordenadores defensivos adversários terão tape de Murray e do Air Raid de Kingsbury para pensar em formas de neutralização – mas a outra boa notícia vem da intertemporada. Os Cardinals se aproveitaram do atrito entre Bill O'Brien e DeAndre Hopkins e trocaram por DeAndre Hopkins com o custo de praticamente uma segunda rodada. David Johnson saiu também nessa troca, mas acabou sendo positivo: Kenyan Drake melhorou o ataque desde que chegou e se mostrou um running back mais eficaz – e barato. Não é contestável que Hopkins é um dos melhores wide receivers da NFL. Ele pode, inclusive, melhorar as jogadas nas quais Murray esteja em movimento e fora do pocket, algo que não foi tão bom no ano passado (dado que teve bons números assim com Deshaun Watson em Houston). 

A defesa, a propósito, também deve apresentar melhora. Ela ainda conta com Chandler Jones, o melhor pass rush da liga na minha humilde opinião – e um dos mais subestimados jogadores da NFL. A chegada de Isaiah Simmons, um faz-tudo defensivo, dá uma versatilidade interessante para o setor e aparte disso melhora o miolo defensivo de Arizona, o qual foi problema no ano passado. 

É muito difícil cravar que os Cardinals sejam o "Worst to First" de 2020 e vençam a divisão após ficar em último lugar no ano passado. Afinal, é uma NFC West com o fortíssimo elenco dos 49ers, um quarterback de elite em Russell Wilson nos Seahawks e um Los Angeles Rams que embora fragilizado pode dar trabalho. O que podemos afirmar, porém, é que Arizona é um time para ficarmos de olho e que está sob o radar de muitos – mas que pode brigar por playoffs nesta temporada. 

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Não, a corrida não foi chata – há coisas além da planilha de Excel que é a classificação final

Antony Curti
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Lewis Hamilton ampliou a vantagem sobre Max Verstappen no campeonato após mais uma vitória
Lewis Hamilton ampliou a vantagem sobre Max Verstappen no campeonato após mais uma vitória Mark Thompson/Getty Images

Muito, muito raramente pretendo escrever sobre Fórmula 1 aqui neste blog. Fiz isso quando do 1º de Maio – por razões que você imagina – e ao fazer review do videogame da modalidade como faço de outros esportes. Não tenho qualquer pretensão, frise-se, de cobrir a categoria como jornalista profissional. 

Escrevo este texto de maneira personalíssima e no mesmo nível e patamar de qualquer fã de automobilismo. Ou seja: é uma conversa minha com você. Só isso. 

A ideia de escrever este texto veio ao abrir os comentários deste post no Instagram da ESPN. Em sua maioria, frases como “perdeu a graça”, “ganhou porque tinha o melhor carro” e o clássico “A Fórmula 1 não é mais legal desde que o Senna morreu”. Não julgo esse tipo de comentário. A um olho nu, eles fazem sentido. Afinal, se assistirmos às corridas apenas pela classificação, é o mesmo que assistir a uma planilha de Excel sendo preenchida por uma hora e meia. 

Se adicionamos narrativas e uma pitada do elemento humano, a coisa muda de figura. É esse outro ponto de vista que eu estou tentando dar aqui e espero convencer alguém. Se o fizer com uma – e apenas uma pessoa – estarei por contente. 

Primeiro de tudo, é óbvio que o carro da Mercedes é o melhor. Mas, da mesma forma – e em analogia que eu possa entrar em contato com o grosso do público aqui do blog – o San Francisco 49ers também tinha o melhor elenco no Super Bowl LIV. Foi a magia de Pat Mahomes, naquela terceira descida, que fez a coisa pesar em favor de Kansas City. 

De maneira análoga, foi a magia de Lewis Hamilton, no terceiro setor da pista da Catalunha, que fez as coisas penderem em favor da Mercedes. Explico; Ao pular para a segunda posição na largada, Max Verstappen sabia que virtualmente poderia ser mais rápido que Hamilton no primeiro e no segundo setor.

O problema é que no terceiro, Max colaria no inglês, veria seus pneus desgastarem e a probabilidade de ultrapassagem reduzida na medida em que justamente nesse terceiro setor havia um Hamilton que se necessário forçaria o carro. Inclusive, ao comentar a prova, Luciano Burti chamou atenção para justamente isso. 

Essa é a primeira parte do ingrediente que falei, o qual tempera a corrida para além da classificação ou da planilha de Excel. Ou da manchete que você vai ver nos jornais sobre quem ganhou a corrida. 

Lewis não ganhou só e apenas porque tinha o melhor carro. Mas, sim, porque manteve o melhor carro. Economizar o equipamento – sobretudo no ardente calor que fazia em Barcelona – seria essencial para a Mercedes não tomar baile de Max e da Red Bull como acontecera semana passada. E certamente não seria uma missão fácil, como não o foi. 

É nesse ponto que o brilhantismo de Hamilton, o melhor piloto de sua geração, entra na pista. Afinal, Valtteri Bottas tem o mesmo equipamento e não fez bonito no Grande Prêmio da Espanha. Largou mal e não conseguiu ameaçar Max em praticamente nenhum momento.

A parte da estratégia 

A olhos nus e acompanhando apenas a planilha do Excel ou o resultado da prova, que seja, a parte interessante que reside na estratégia de troca de pneus acaba ficando de lado. Com o calor infernal que fazia, as equipes teriam graves problemas na administração dos pneus. O macio desgastaria rápido. O médio era uma incógnita. O duro, que em tese renderia mais, tinha pouca aderência. 

Alexander Albon foi a cobaia da Red Bull em meio a reclamações via rádio de um Verstappen sem pneus. Parou primeiro e arriscou com os compostos duros. Não deu certo – tomou volta e terminou apenas em oitavo lugar. Após poucas voltas, aliás, a Red Bull optou por chamar Max e ele foi de médios. 

O holandês parou antes de Hamilton, que fez magia ao economizar seu pneu macio para dar uma perna menor aos médios após a primeira parada. Com isso, a corrida caminhou para as mãos do inglês rumo ao recorde de Schumacher – tanto o de vitórias, quanto o de campeonatos. Não foi apenas porque “Hamilton tinha o melhor carro”. Eu te garanto que vários pilotos do grid não conseguiriam fazer o mesmo. 

A parte humana

Há um elemento bem-explorado na série “Pilotar para Sobreviver”, da NetFlix. A parte humana da Fórmula 1. Quando a gente vê aqueles carros maravilhoso com o auge da tecnologia do esporte a motor, às vezes esquece dos dramas pessoais que os pilotos vivem, as pressões que sofrem e que eles acabam sendo humanos. 

Albon está com o cockpit quente e não era por conta do sol do verão espanhol. Seu desempenho como companheiro de equipe de Verstappen deixa a desejar – sobretudo quanto ao ritmo de corrida. Tomar volta hoje colocou sua permanência na Red Bull ainda mais sobre ameaça. Até porque o cara que ele substituiu – e que foi “rebaixado” para a Toro Rosso/Alpha Tauri – Pierre Gasly, conseguiu classificar entre os 10 primeiros no sábado e é uma ameaça. Alguns apontam Gasly como melhor piloto, inclusive. Até que ponto a (pequena) paciência da Red Bull vai?

Por fim, Vettel. O tetracampeão está sem equipe para 2021 e passou vergonha no sábado ao não se classificar entre os 10 primeiros e não disputar o Q3. O alemão está tomando paulada de Charles Leclerc praticamente o ano todo. Um tanto quanto surreal em termos de narrativa se pensarmos que ele brigava por títulos há dois anos. 

Hoje, devagar e de mansinho, Vettel chegou em sétimo e foi eleito o piloto do dia em votação popular que a Liberty Media/F1 faz em seu site. Dá uma moral a mais para a segunda metade do campeonato – e melhora sua cotação em eventuais conversas com a Racing Point (futura Aston Martin). 

Como se vê, podemos limitar os olhos a quem ganhou ou perdeu ou, com um pouquinho de vontade e atenção, perceber que o esporte a motor tem narrativas ricas em estratégias e histórias. Ah, mas a Fórmula 1 tá chata! Na verdade, você talvez nunca tenha percebido, mas o que as Mercedes fazem hoje a McLaren fazia em 1988, ao vencer todas as corridas do campeonato menos uma. A diferença é que a bandeira no alto do pódio era verde-amarela. Fora isso, não mudou nada. 

Continua óleo, suor e lágrimas. 

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Curti: Contratação de Griffen dá desafogo à defesa de Dallas no pass rush

Antony Curti
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Everson Griffen assinou por um ano com os Cowboys
Everson Griffen assinou por um ano com os Cowboys Getty

Demarcus Lawrence é reputado como um dos melhores apressadores de passe da NFL. Isso, em teoria, é bem verdade. Mas, tal como Khalil Mack e Von Miller, Lawrence teve um 2019 bem apagado. No caso dele, o agravante é que foram apenas 5,0 sacks e ele havia acabado de renovar o contrato. 

A coisa complicaria na medida em que Dallas perdera Bryon Jones, cornerback que indiscutivelmente estava entre um dos melhores da liga nas últimas temporadas. Ué, mas o que a secundária tem a ver? Bom, uma melhor marcação ajuda o pass rush na medida em que o quarterback adversário fica mais tempo no pocket e, água mole e pedra dura, tanto bate até que fura. Ou, em outras palavras, o pass rusher eventualmente chega no QB por conta do bom trabalho da secundária – e o inverso, nessa ajuda entre os setores defensivos, também se opera. 

Complica ainda mais quando lembramos que Robert Quinn teve incríveis 37 pressões no ano passado – melhor marca de sua carreira – e agora é um Chicago Bear. E agora, Dallas? Pois é. Demorou mas a ajuda e o desafogo defensivo chegaram no Texas. Os Cowboys fizeram um contrato bem interessante com Everson Griffen, ex-Minnesota e que ainda estava no mercado. 

Griffen teve 8.0 sacks no ano passado e 40 apressamentos de passe. São marcas sólidas e justamente o que Dallas precisava. Claro que a idade preocupa, dado que ele tem 33 anos – até por conta disso ficou bastante tempo no mercado. Mas não é como se os Cowboys tivessem muitas outras opções e, no caso, é uma melhora no time no lado defensivo da bola. Ademais, é uma contratação barata – 1 ano, 6 milhões sendo 3 garantidos. 

É, como disse acima, um desafogo. Caso Lawrence – que não vem de temporada fabulosa, frisemos – fosse dobrado pela linha ofensiva adversária, quem pressionaria o quarterback? Pois é. Lawrence teve 50 pressões mas apenas 5 sacks em 2019, como falei – com eventuais dobras, isso poderia ser ainda mais problemático em 2020. Não havia ninguém fora possíveis blitzes. Nessas, aliás, Dallas foi bem no ano passado embora tenha feito pouco uso desse expediente de mandar cinco ou mais defensores para cima do QB.  


A tendência, contudo, é que esse uso suba com a chegada de Mike Nolan como coordenador defensivo. Técnico de linebackers de New Orleans na temporada passada, Nolan fez parte de uma das comissões técnicas-defensivas que mais mandou blitzes. Considerando que os Cowboys têm um bom corpo de linebackers em Jaylon Smith e Leighton Vander-Esch, será interessante ver o que Nolan faz a respeito. 

Sob o radar e às vésperas da temporada começar, os Cowboys fizeram uma boa contratação. Sabendo que o Philadelphia Eagles tem seus problemas na linha ofensiva, pode ser um fiel da balança na briga pela NFC East em 2020. 

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Curti: 49ers brilham ao renovar com George Kittle

Antony Curti
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George Kittle comemora em jogo dos 49ers na NFL
George Kittle comemora em jogo dos 49ers na NFL Getty

John Lynch e Kyle Shanahan são destaques em muitos sentidos como general manager e head coach. Mas uma coisa que ambos vem fazendo bem – sobretudo Lynch, que é quem escolhe os ingredientes pra a cozinha de Shanahan – é evitar distrações desnecessárias em negociações contratuais.  

Não é segredo para ninguém que George Kittle é um dos melhores tight ends da NFL. Com habilidade formidável recebendo passes, o produto de Iowa também é um fantástico bloqueador. Sua ausência como ameaça no meio do campo e nos bloqueios fez com que a média de jardas/corrida de San Francisco caísse 1,0 na temporada passada quando ele não jogou. 

Soma-se a isso a questão de que cada vez mais estamos com uma problemática de se achar bons tight ends no Draft da NFL. No último recrutamento, não houve nenhum prospecto da posição sendo escolhido na primeira rodada. Kittle foi uma barganha e tanto: saiu na quinta rodada. Agora, após anos de um contrato de calouro com valores irrisórios, era hora de ganhar dinheiro. 

Isso, naturalmente, trouxe à tona uma questão: quanto ele pediria? A presença de Kittle em campo nos bloqueios e no jogo aéreo faz com que San Francisco tenha virtualmente 12 jogadores no ataque. Ele, segundo o insider Mike Silver, “não queria ser visto apenas como um tight end” na renovação. Em certa medida, não o foi. 

Kittle renovou por 5 anos, 75 milhões de acordo com Ian Rapoport, insider da NFL Media. São 15 milhões de média salarial por ano – o que dá 3 a mais do que o segundo colocado da lista, o também excelente Zach Ertz, do Philadelphia Eagles. Parece muita coisa, mas não é considerando:

I) A importância tática de Kittle no sistema de Shanahan, se movimentando antes do snap e sendo uma arma para Garoppolo no meio do campo 
II) A importância de Kittle no jogo terrestre, vide números acima. 
III) A idade de kittle, com apenas 26 anos e ainda tendo uma chance forte de terminar esse contrato em alto nível 
IV) O fato do teto salarial subir fortemente em breve por conta de haver mais times nos playoffs, um jogo a mais por equipe na temporada (2021) e um novo contrato de TV com a NFL


Ou seja, para todos os efeitos, essa renovação mantém uma parte essencial do San Francisco 49ers e a um preço que não é nem de perto um exagero. A bem da verdade, mesmo que esses valores girassem em 17 milhões por ano ainda haveria um “lucro” para os 49ers. Isso tudo foi pensado – a troca de DeForest Buckner para haver espaço na renovação de Kittle, por exemplo – de antemão e San Francisco na prática ainda teve um pequeno desconto no contrato. Foi mais um movimento excelente de John Lynch. 

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Duas conferências do College cancelam a temporada – SEC, Big XII e ACC devem jogar

Antony Curti
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A bola deve estar em campo na SEC – mas duas conferências fortes já cancelaram a temporada 2020
A bola deve estar em campo na SEC – mas duas conferências fortes já cancelaram a temporada 2020 Getty

Era um problema esperando para aparecer de forma mais latente. A primeira faísca foi o programa de futebol americano de UConn (Universidade do Connecticut) cancelar sua temporada. Depois, os rumores apareceram de mais cancelamentos. 

Isso vem na medida em que as coisas aparentavam para a tranquilidade. Houve ajustes de rota, com as Conferências Big Ten e Pac-12 limitando seus calendários para intraconferência. Afinal, era algo que fazia sentido: no college football, as conferências têm um quê geográfico e essa limitação faria que, por tabela, não houvesse tantas viagens e conexos. 

Depois, ambas derrubaram suas temporadas como um todo na última terça-feira. A Big Ten adiou o início da temporada para a primavera nos Estados Unidos – começando em março de 2021, portanto. A PAC-12, melhor conferência do oeste dos EUA, cancelou a temporada e não deu pistas de quando a bola oval e os pads voltam a campo. 

O grupo das 5 conferências mais fortes do college football, as chamadas Power 5, estão de certa forma rachadas. Desde a temporada inicial do College Foootball Playoff, em 2014, apenas times dessas cinco conferências estiveram brigando pelo título. As outras três do grupo, ACC, SEC e Big XII, seguem em caminho diferente e planejam jogar neste ano. “Nosso comitê gestor acredita em nossos cientistas e chegou à conclusão que é diferente (o cenário em relação às outras duas conferências) e à mesma conclusão chegaram a ACC e a SEC”, disse Bob Bowlsby, comissário da Conferência Big XII. 

A situação no college football é bem mais bagunçada do que no basquete universitário e muito mais do que nos esportes profissionais. No caso do basquete, o campeonato (March Madness) é organizado diretamente pela NCAA – entidade que, na teoria, deveria ser a que organiza os esportes universitários. No futebol americano não o é e as conferências têm mais poder. 

De certa maneira, tudo isso é sintomático, conforme falei no ESPN League da última segunda-feira. Demandar que atletas profissionais se cuidem e fiquem numa bolha é possível. Afinal, são profissionais – estão sendo pago para isso. Demandar o mesmo de atletas amadores de 18 a 21 anos é bem mais difícil e, de certa forma, mais cruel.

Ainda mais porque o rótulo desses jogadores – oficialmente pela NCAA e sempre que possível a terminologia é usada – é de “Estudantes-Atletas”. No caso das conferências que jogarão, isso será uma fábula ainda maior. Ora, não haverá aulas nos campi espalhados pelos Estados Unidos. Mas haverá jogos de futebol americano. Não faz sentido de acordo com a terminologia e, em realidade, é apenas mais um item de uma longa lista de coisas que não fazem sentido no esporte universitário americano. 


Não por coincidência, as conferências que decidiram jogar são de Estados com uma sociedade mais conservadora – exceção a alguns times da ACC, os demais estão no sul dos EUA. PAC-12 e Big Ten contam com times em Estados com sociedades de caráter mais progressista e cujo público protestaria – ao em vez de apoiar – uma decisão de jogar futebol americano universitário. 

O desejo de ACC, SEC e Big XII de jogar, contudo, não se faz verdadeiro até que de fato o final de setembro chegue e que a temporada passe. As conferências empenharam-se em dizer que haverá teste e protocolos semelhantes às ligas profissionais. Do outro lado, há vários atletas – cujos status para o Draft da NFL são dependentes do desempenho deste ano – que querem jogar. Outros argumentaram que haverá mais segurança em todos os sentidos se esses atletas estiverem no campus. 

Seja como for, há uma rachadura e mais uma problemática no status de que atletas são amadores e recebem a bolsa de estudos para jogar – enquanto o funcionário público mais bem pago do Estado do Alabama é Nick Saban, técnico do time de futebol americano da Universidade do Alabama em Tuscaloosa. 

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Atuais campeões, Nationals têm início fraco e estão em último lugar na divisão

Antony Curti
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Nationals comemora o seu primeiro título da MLB
Nationals comemora o seu primeiro título da MLB Getty

O Washington Nationals chocou o mundo na temporada passada ao estabelecer-se como a zebra que ninguém queria pegar pela frente. O time começou bem mal a temporada, terminando o mês de abril com 12-16 de campanha e várias peças importantes passando um tempo de molho no departamento médico. Com a recém-saída de Bryce Harper – praticamente o ícone da franquia até então – e amargando o quarto lugar da NL East, Washington era o palpite de ninguém fora seu torcedor. 

Até que os meses foram passando, o ataque engrenando e a rotação compensando aquele que era um dos piores bullpens da temporada – e que entrou a pós-temporada como bullpen de pior ERA. Em certa medida, a chegada dos Nationals ao Wild Card era tida como um fôlego que ninguém esperava e que iria terminar em algum momento. De repente, não terminou e o time mostrou-se mágico em outubro – com uma rotação temida e jogando de igual para igual contra o Houston Astros na World Series sendo que em tese o time de Houston era muito mais talentoso. É o que dizem, você não pode prever o beisebol. 

Aí veio o título: o primeiro de um time de beisebol de Washington desde 1924. Mas a sensação de que aquele era um ano atípico e um conto de fadas ainda ficara. Qual seria a forma de acabar com esse sentimento? Simples: um bicampeonato. 

Mas o que em teoria era simples, na realidade não se mostrou tão fácil. Para começar, uma nova baixa: Anthony Rendon, talentoso terceira-base que fez uma pós-temporada incrível, assinou com o Los Angeles Angels. Até aí, pensou o torcedor: tudo bem, perdemos Harper e fomos campeões, ainda temos Juan Soto. 

E então Soto pegou COVID-19 e desfalcou o time. Para completar, a rotação sofreu baques. Stephen Strasburg teve passagem no departamento médico e em seu último jogo digamos que Max Scherzer não foi Max Scherzer – saindo na segunda entrada e sentindo o posterior da coxa. A lesão não aparenta ser grave, mas num time cujo título do ano passado se deu muito em função da rotação forte, não são boas notícias. Adicionalmente, ainda na rotação, Aníbal Sanchez não está nada bem na temporada: ERA acima de 7.00 e nem remotamente perto de ter tido um quality start – o que expõe o bullpen. 

Mesmo com uma temporada de 60 jogos, ainda é cedo para cravar qualquer coisa – como o Washington Nationals fora da briga. No ano passado também vimos o time começar ao ritmo de um Opala 1978 à álcool e vimos no que deu. O núcleo ainda é forte e com mais vagas nos playoffs ainda é possível vislumbrar uma recuperação – o time está a apenas 4 jogos do líder da NL East, o Atlanta Braves. De qualquer forma, o que o torcedor esperava era um time que retomasse as coisas de onde terminou 2019. Não de onde começou. 

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Atuais campeões, Nationals têm início fraco e estão em último lugar na divisão

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Curti: Em cacos, Red Sox devem ser vendedores na trade deadline

Antony Curti
Antony Curti
Fenway Park não deve ver os Red Sox jogando na pós-temporada em 2020 mesmo com 16 times classificados
Fenway Park não deve ver os Red Sox jogando na pós-temporada em 2020 mesmo com 16 times classificados Getty

Que surreal imaginar que o Boston Red Sox há duas temporadas fora campeão da World Series. Hoje, o time apresenta-se como um time sem rumo em alguns aspectos, com um técnico recém saído pela porta dos fundos por conta do escândalo de roubo de sinais em Houston, sua maior estrela trocada, baixas na rotação e uma expressão corporal de seus jogadores que não acaba sendo nada inspiradora.  

Na semana passada, durante a série contra o Baltimore Orioles em Boston, assisti a várias entradas nas quais os jogadores de Boston apresentavam-se apáticos. Sem muita energia, meio que cumprindo tabela. Na defesa, pareciam que não jogavam com vontade. O resultado como um todo – disso e das perdas que o time sofreu – é o momento atual. Numa divisão que apontaria os Orioles como pior equipe, os Red Sox são último colocado. 

Mesmo num ano com pós-temporada expandida e seus 8 times por liga, é difícil imaginar que Boston esteja na competição. Até porque, descontando Baltimore, Toronto e Tampa Bay apresentam elencos com mais potencial e os Yankees devem ser primeiros colocados. 

Ontem, no Yankee Stadium, mais uma varrida. A maior rivalidade do beisebol e uma das maiores dos esportes americanos tornou-se um samba de uma nota só. No caso, um New York, New York. Depois de perder os dois primeiros jogos da série por 5-1 e 5-2, Boston até mostrou um certo poder de reação – amparado por mais uma atuação fraca do canhoto James Paxton, cuja velocidade em bola rápida começa a preocupar os Yankees. 

A derrota veio no final do jogo graças a um home run de Aaron Judge. O outfielder yankee teve dois ontem e, para variar, mais uma derrota vai na conta do bullpen de Boston. Matt Barnes lançou uma boa bola de curva na parte interna e seguiu com o mesmo arremesso em sequência – que ficou pendurado dentro da zona e explodido por Judge. Com a varrida, Boston agora tem 1-11 nos últimos 12 jogos no Yankee Stadium – são sete derrotas seguidas.

Não tem como não dizer que a situação é não crítica quando observamos que o ataque quando rende – e não vem sendo frequente isso – acaba sendo implodido pelo bullpen ou pela rotação. É quase que a mesma história de 2019, mas sem Mookie Betts, sem David Price, sem Chris Sale e agora sem Eduardo Rodriguez, que teve complicações pós-covid19. Price foi para os Dodgers junto de Betts e não joga, então daria na mesma. Sale, após passar por Tommy John, não volta em 2020. Rodriguez tampouco. 

O prazo final para trocas (trade deadline) é no final deste mês de agosto. Há jogadores um tanto quanto introcáveis no Fenway Park, como Xander Bogaerts e Rafael Devers – ambos brilharam ontem, aliás. Outros, porém, podem reforçar uma reconstrução em Massachussetts. J.D. Martinez ainda tem três anos de contrato. Chrístian Vazquez entrou o domingo como segundo do beisebol com mais home runs. É algo a se pensar. 

De toda forma, mesmo que não apertem o gatilho, essa parece ser a realidade do Boston Red Sox em 2020. Dois anos após o título, tornaram-se vendedores no mês de trocas da Major League Baseball. 

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Curti: Njoku retira pedido de troca e ataque dos Browns deve usar muito seus tight ends

Antony Curti
Antony Curti

David Njoku participa dos treinamentos dos Browns e retirou pedido de troca
David Njoku participa dos treinamentos dos Browns e retirou pedido de troca Commons/Wikimedia | Marcada para reutili

Kevin Stefanski chegou para arrumar a bagunça que Freddie Kitchens deixou no Cleveland Browns no ano passado. Em resumo, Kitchens jogou fora o que deu certo no final da reta final de 2018 com Baker Mayfield e montou um ataque vertical na base do EMPOLGOU por conta da chegada de Odell Beckham Jr e no fato de Mayfield ter terminado a temporada brigando pelo prêmio de Calouro Ofensivo do Ano. 

É, mas ele só esqueceu de um pequeno detalhe: não tinha bons jogadores nas pontas da linha ofensiva. Como consequência, Baker foi uma máquina de turnovers no ano passado e as fortes chances de playoffs que todos apontavam para o time acabaram virando combinações matemáticas quase impossíveis em dezembro. 

Cleveland decidiu arrumar a bagunça com algo mais conservador. Foi atrás de Kevin Stefanski justamente por isso. Em Minnesota, Kevin fora coordenador ofensivo na temporada passada e transformou Kirk Cousins num dos mais eficientes quarterbacks da NFL. As peças (e problemas) de Minnesota eram até parecidos com o que Cleveland tem hoje: bons wide receivers mas um quarterback que atravessava momentos de desconfiança. 

Para além da chegada de Stefanski, o time fez contratações interessantes na free agency e uma boa escolha na primeira rodada do Draft 2020. O excelente right tackle Jack Conklin e a promessa Jedrick Wills como left tackle devem solucionar o problema da linha. Mas outra contratação – e, agora, uma manutenção – são a parte interessante disso.  

Os Browns pagaram uma bela grana a Austin Hooper, ex-Falcons. 4 anos, 44 milhões – sendo 23 deles garantidos para o tight end. Num primeiro momento, isso estranhou os olhos de muitos. Afinal, o time não tinha recém-investido uma escolha de primeira rodada no bom David Njoku, da mesma posição? O próprio Njoku parece não ter gostado disso, dado que pediu para ser trocado. “Estou all in em Cleveland, hora de trabalhar”, twitou. Ian Rapoport, insider da NFL Media, reportou que não há mais pedido de troca. 

Na verdade, o estranhamento por parte de Njoku e de todos não tinha muito fundamento tático, por assim dizer. Mesmo com a chegada de um tight end a peso de ouro, não é como se ele fosse perder tanto tempo de jogo assim. Isso porque Stefanski é um notório fã de pacotes 12, com dois tight ends e dois wide receivers. No ano passado em Minnesota, segundo o Football Outsiders, Stefanski usou dois tight ends em campo em 57% das jogadas ofensivas do time. Isso foi a segunda maior marca da NFL. 

Ou seja: a tendência é justamente essa. Pacotes com dois tight ends – até para reforçar a proteção a Baker, nula em vários momentos no ano passado – e Odell Beckham Jr e Jarvis Landry como wide receivers. É uma saída pra lá de interessante para aproveitar o que Cleveland tem de melhor no elenco. Njoku pode ter ficado pistola num primeiro momento. Mas a verdade é que foi sem motivo. Agora ele parece ter percebido isso. 

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Curti: Mentalidade do “ninguém é insubstituível” será colocada à prova em New England em 2020

Antony Curti
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Brady e Belichick
Brady e Belichick Getty Images

Coincidência ou desgaste? Ninguém sabe e nem saberá. Fato é que o New England Patriots tem o triplo de opt-outs por conta da Covid-19 do que o segundo time dessa lista. Se adicionarmos Tom Brady e Rob Gronkowski – que querem seguir jogando futebol americano mas claramente não em New England – são oito “baixas”, por assim dizer.

Não é segredo para ninguém que Bill Belichick é um dos treinadores mais duros da NFL. Isso é amplamente sabido e foi reportado em inúmeras ocasiões. Na melhor biografia do head coach, escrita por Ian O’Connor, passagens pelos Giants como coordenador defensivo e como técnico no Cleveland Browns vieram acompanhadas de atletas que literalmente odiavam Bill. 

Mas, ele ganha. Enquanto estiver ganhando, quem somos nós para julgar. Ao melhor estilo Capitão Nascimento, a filosofia é “fica quem quer”. Alguns não quiseram. Não temos como saber se por conta da cobrança mais forte que rola em New England ou se isso foi apenas coincidência. Há casos como de Dont’a Hightower que foram plenamente explicados, dado que ele foi pai há pouco tempo, vale lembrar. 

Seja como for, isso fica mais como conversa de boteco. Vamos às consequências dentro de campo para New England, que é algo que podemos analisar já que sabemos quais atletas saíram do elenco. Segundo o ESPN Stats and Info, apenas 57% dos snaps do time voltam em relação ao ano passado. É a segunda menor marca da NFL – perdendo apenas para o Carolina Panthers, time em franca reconstrução.  A consequência é que os Patriots não são mais os favoritos de outrora. Os cassinos de Las Vegas listam o time com chances de 20-1 para o título, sendo sequer top 5. Como contexto, é a pior odd de New England desde 2002. 

Como efeito, a mentalidade do “ninguém é insubstituível” será mais colocada a prova do que nunca. Não que já não tenha acontecido antes. Em 2004, por exemplo, Troy Brown jogou como cornerback mesmo sendo wide receiver de natureza. Três anos antes, Tom Brady assumiu o posto de quarterback titular e conduziu o time ao título mesmo com Drew Bledsoe voltando a ficar saudável e tendo contrato de 10 anos recém-assinado. 

Poderíamos ficar até amanhã aqui listando situações como estas que já aconteceram em Foxboro no reinado belichiquiano. Segundo o ELIAS Sports Bureau, New England já teve 141 jogadores diferentes marcando touchdown enquanto o head coach foi Bill Belichick – terceira maior marca da NFL. Ainda, também de acordo com o ELIAS, New England foi o time com mais jogadores não draftados tendo snaps em jogo – foram 55.620 snaps.

É mais do que óbvio que Belichick tem a capacidade de desenvolver talentos. Mais um exemplo: Kyle Van Noy, agora nos Dolphins, veio pelas portas dos fundos via Detroit Lions e se tornou um dos melhores linebackers da liga contra o passe. Seja como for, serão ausências sentidas. As três unidades patriotas perderam jogadores fundamentais. Tom Brady como quarterback, Marcus Cannon na linha ofensiva, Stephen Gostkowski nos special teams (embora estivesse em declínio de produção, frise-se) e Dont’a Hightower na defesa. 

Será uma história pra lá de interessante ver como os Patriots saem disso. Mas uma coisa é certa: não podemos duvidar que eles têm a capacidade – e a comissão técnica – para conseguir isso. 

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Quarterbacks com covid: eis o grande fator de imprevisibilidade de 2020

Antony Curti
Antony Curti
Matthew Stafford, Detroit Lions
Matthew Stafford, Detroit Lions Getty

Não existe nenhuma posição no futebol americano que seja tão importante quanto a de quarterback. Um time pode pontuar com a defesa, mas é no ataque que o placar costuma se mover. E, no ataque, a bola passa pelas mãos do quarterback em todas as jogadas. É de responsabilidade dele mudar a jogada após a leitura antes do snap. É de responsabilidade dele colocar um passe milimetricamente colocado para tentar virar a partida. 

Dito isso, acho que apenas dizer Russell Wilson e Pat Mahomes já resume a importância de um quarterback para seus respectivos times na temporada passada. Agora, vamos endereçar o elefante na sala. Longe de desejar isso para ninguém, mas já temos um quarterback fora dos treinos por conta da covid19. 

Ian Rapoport, insider da NFL Media, reportou que Stafford foi colocado na reserva/Covid19. Não se sabe se ele testou positivo para a doença ou se entrou em contato com alguém que teve, dado que os times não estão reportando essa questão – até para preservar a privacidade dos atletas. 

Aí que entramos no x da questão. Novamente: muito longe de desejar isso para qualquer atleta, mas como a NFL não estará operando em bolha como a NBA é algo que pode acontecer. O impacto de perder um quarterback titular do nada por algumas semanas é imponderável. Às vezes, acontece como o Philadelphia Eagles de 2017 com Nick Foles assumindo o posto de Carson Wentz. Às vezes acontece como o Detroit Lions de Stafford: sem ele no ano passado, o time teve 0 vitórias e 8 derrotas. 

Haverá, infelizmente, times tendo atletas fora de algumas semanas por conta da covid-19. Enquanto a vacina não vier é um risco que é latente e é imprevisível. Se um quarterback sair o impacto é imponderável como um todo – mas tende a ser “setinha apontada para baixo”. No caso dos Lions, mesmo que Stafford provavelmente não perca jogos, perderá treinamentos da pré-temorada e isso gera um impacto.

Seja como for: a temporada de 2020 pode ser ainda mais imprevisível que a NFL já nos proporciona. Digo isso com pesar, porque ninguém quer ver essas grandes estrelas fora de atuação. Este ano porém, virou isso. Imponderável, triste e, acima de tudo, imprevisível. 

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F1 2020 é o melhor game de Fórmula 1 da história

Antony Curti
Antony Curti
Em F1 2020, será possível ser o dono da própria equipe
Em F1 2020, será possível ser o dono da própria equipe []

A difícil e criticada missão de realizar um jogo de esportes anual foi realizada com competência pela Codemasters em mais uma oportunidade. Em comparação ao futebol e aos esportes americanos, a produtora de um jogo anual de Fórmula 1 tem uma vantagem: não são apenas os elencos – qual piloto está aonde – que mudam. O desempenho dos carros também (a Ferrari de 2020 que o diga).

Então, por esse simples motivo, um lançamento de um game de Fórmula 1 acaba abarcando mais novidades. Ademais, circuitos são incluídos e retirados – bem como a pintura dos carros muda. A Codemasters, então, poderia se dar por satisfeita em atualizar isso tudo, o que por si já daria um trabalho relevante e que geraria vendas. 

Ou, então, a produtora britânica poderia chegar à conclusão que poderia lançar dois jogos diferentes: um com Modo Carreira de piloto e outro com Modo Carreira sendo piloto e dono de uma equipe. Caso a ganância típica de Redwood – digite o nome dessa cidade da Califórnia e veja qual produtora de games esportivos está lá sediada – tomasse conta, poderiam até mesmo colocar essa segunda opção de carreira como DLC pago e/ou parte integrante da versão premium do game. 

Optaram, porém, de fazer algo meio que inédito nos últimos anos: tudo isso vem no pacote base. Isso inclui carros clássicos, os quais TODOS também poderiam ser DLC ou parte da versão mais cara do jogo e não o são. Falando neles, que tal começarmos a análise voltando no tempo? 

A carreira de Michael Schumacher em 4 carros

Parte da versão deluxe do game é o pacote de alguns dos mais icônicos carros pilotados por Michael Schumacher em sua carreira. O primeiro deles é a Jordan de 1991 (Jordan 191), o primeiro bólido guiado pelo alemão em sua carreira. Com o piloto titular da Jordan, Bertrand Gachot, preso – literalmente – no final de semana do Grande Prêmio da Bélgica, Schumacher foi chamado como substituto e fez o oitavo tempo do treino qualificatório. Na corrida, o carro lhe deixou na mão na primeira volta por conta de um problema na caixa de embreagem. Mas a marca estava dada e Schumacher ganhou a atenção de outras equipes, ganhando vaga na Benetton. 

 Foi na equipe italiana (ou seria inglesa?) que Schumacher ganhou seus dois primeiros títulos mundiais. Em 1994, em meio a uma série de polêmicas e tragédias, o B194 era um dos carros mais equilibrados do grid após a FIA banir auxílios eletrônicos, controle de tração, de largada e a suspensão eletrônica que fizera da Williams a melhor equipe do campeonato nos dois anos anteriores. Mesmo cumprindo suspensão durante o ano, Michael venceu o título após – e tome polêmica – colidir com Damon Hill na última prova do campeonato, em Adelaide. 

Versão especial do F12020 terá carros que Schumacher usou na carreira, como o B194 do primeiro título
Versão especial do F12020 terá carros que Schumacher usou na carreira, como o B194 do primeiro título []

 O impacto do B194 foi relevante para a Fórmula 1 – em termos de design, sobretudo. Embora o modelo do ano anterior já contasse com bico elevado e fazendo o carro parecer um tubarão, foi ele que consagrou o desenho que seria adotado pelas demais equipes no ano seguinte. Em 1995, Schumacher teve no B195 um carro melhor e um motor ainda mais potente que o Ford do B194. Flavio Briatore deu um “jeitinho” – um dia conto essa história aqui – e colocou a Benetton com motor Renault, o melhor do grid. O campeonato foi totalmente dominado por Schumacher e foi sua consagração como melhor piloto da modalidade naquele momento. Com Nigel Mansell em franca decadência, Ayrton Senna tendo nos deixado em Imola no ano anterior e Alain Prost aposentado, não havia concorrência para Michael. 

 A menos que a bagunça da Ferrari – soa familiar com 2020 – fosse a própria concorrência. Schumacher topou o desafio e foi para a scuderia italiana para 1996. Foram quatro anos de casa sendo arrumada, com o primeiro título pela equipe vindo em 2000. Esse carro está listado entre os clássicos do jogo, o Ferrari F1-2000 no qual Michael venceu seu principal concorrente da época, o finlandês Mika Häkkinen. 

Na versão “padrão” dos jogos, vários carros do F1 2019 voltam e há a adição da McLaren (MP4/5B) e da Ferrari (641) do campeonato de 1990, os quais eram do pacote premium do game. Os carros mais antigos, Lotus/McLaren/Ferrari da década de 1970, saíram. Então você não vai poder mais brincar de Hunt vs Lauda.

Volta do Split Screen 

Jogar online é algo que não me apetece e acho que nunca me apeteceu. Cada vez mais sinto falta dos multiplayers “caseiros”: tela dividida, cada um com um controle e na mesma TV a competição rolando. Talvez eu seja uma criança que jogou muito Goldeneye 007 e Mario Party e tenha apego emocional a isso, mas realmente sinto falta.

Para quem é como eu, a boa notícia é que a Codemasters voltou a incluir esse modo no jogo. Entendo as limitações técnicas em versões anteriores – dois carros na tela fazem com que a demanda da CPU seja maior – mas não custava nada se empenhar nisso e o fizeram. 

Novos circuitos, novo modo de jogo: seja dono de uma equipe

Zandvoort (Holanda) e o circuito de rua de Hanói (Vietnã) estão presentes no game mesmo que a pandemia tenha retirado ambos do calendário de 2020. O primeiro é maravilhoso, já se tornou uma de minhas pistas preferidas e talvez a que eu tenha mais jogado. O segundo é uma obra de Hermann Tilke e, ao contrário de Baku, não me apeteceu – lembra bastante aqueles circuitos antigos de rua da Indy. 

Embora novas pistas tenham “surgido” no calendário adaptado de 2020, a Codemasters não se pronunciou para além de “não vamos colocar nada novo”. Seria bacana ter Imola e Mugello mesmo como DLCs – mas é entendível a postura da produtora, dado que dá um trabalho imenso escanear as pistas para o feedback correto para quem joga de volante. 

A grande cereja do bolo, porém, é o modo carreira no qual você é piloto e dono da equipe – ainda existe o modo no qual você é apenas piloto, frisando. Aparte da situação pitoresca de Lance Stroll e seu papai na Racing Point, é algo meio difícil de acontecer hoje em dia. Mas é incrível de se imaginar e ter esse poder. 

Para além da árvore de desenvolvimento do carro que você tem no modo carreira como no F1 2019, há outras possibilidades. Contratar o segundo piloto – o filho de Michael Schumacher, Mick, é uma possibilidade aliás – melhorar as instalações, contratar um coach de entrevistas, escolher patrocinadores – cada qual com um valor e um bônus em função de dados objetivos. É um modo carreira “com esteroides” e ainda mais completo. Ser dono da própria equipe deve ser um sonho para boa parte dos fãs de Fórmula 1 e, bem, aqui temos essa possibilidade. 

Ainda falta a Codemasters atualizar o desempenho dos carros de acordo com o que já aconteceu na temporada – como o motor Ferrari sendo bem pior do que “o melhor” que está no jogo – mas isso deve vir numa atualização das próximas semanas. 

Fato é que o sentimento de progressão é incrível. Ainda mais do que acontecia no modo carreira de piloto, dá vontade de fazer todos os treinos para ganhar pontos que são usados nas melhoras do carro. Joguei apenas uma temporada completa mas facilmente chegarei a mais de três quando o próximo lançamento da Codemasters chegar no meio do ano que vem. 

Veredito 

É cada vez mais raro que eu chegue aqui para você numa análise de game esportivo-anual e fale para você comprar o jogo no lançamento. Afinal, a maior parte deles contam com mudanças de pura perfumaria. O Madden NFL 21, por exemplo, não trará praticamente nenhuma mudança no modo carreira de treinador/dono de time. O NBA 2k20 também não trouxe tantas mudanças – para além do gameplay, sobretudo na defesa. 

F1 2020, porém, é uma bazooka de mudanças, como você viu acima. Isso porque nem falei do gameplay, o qual achei melhor por conta de uma inteligência artificial mais agressiva. Ainda nesse sentido, senti os carros com mais pressão aerodinâmica do que no ano passado – e os freios estão bem mais fortes, se você coloca 100% de pressão no setup vai facilmente travar as rodas. 

Jogo games de F1 desde criança, com as versões de Nintendo 64, PC e PlayStation. Passei pelo PS2 e pela evolução da Codemasters no PS3. Após tantos anos, com tantas possibilidades de jogo, digo sem medo de errar que este é o melhor jogo de Fórmula 1 que já joguei na vida. Foram duas semanas testando o jogo – tanto no controle como no volante Logitech G29 – e minha vontade todo dia ao acordar é jogá-lo. Isso é o tanto que esse jogo é uma experiência completa. 

Veredito: Comprar agora.

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Curti: Como 2020 pode acabar sendo o ano mais maluco da MLB

Antony Curti
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Vindos do Wild Card ano passado, Nationals foram campeões e 2020 pode nos proporcionar cenas parecidas
Vindos do Wild Card ano passado, Nationals foram campeões e 2020 pode nos proporcionar cenas parecidas Getty

Uma temporada de 60 jogos – com 16 times nos playoffs – pode nos proporcionar um campeão que ninguém imaginaria em março deste ano. A marca de 2020 é a imprevisibilidade e ser um ano como nenhum outro. No beisebol, um esporte que tem como marca justamente essa imprevisibilidade, a tendência pode ser justamente essa. 

Cenários malucos não são nada improváveis nesta temporada. É plenamente possível, aliás. Algo coisa que podemos vislumbrar: começos avassaladores que podem colocar um time na pós-temporada sendo que em condições normais isso não aconteceria. Lembra-se dos Mets começando 10-1 há dois anos e depois não indo para a pós-temporada? Então. 

Se quiser, podemos pensar até no ano passado. Em abril do ano passado, o Seattle Mariners tinha início de 13-2. Ao mesmo tempo, a chegada de Bryce Harper – que historicamente começa bem as temporadas – deu um gás para o Philadelphia Phillies, que então liderava a NL East. Nenhum dos dois times jogou em outubro. 

Pensando nisso, quais perspectivas temos para esses 60 jogos? Em primeiro lugar, ninguém sabe. O Washington Nationals, atual campeão, perdeu Juan Soto no início da temporada por conta da COVID-19. O Atlanta Braves não terá seus dois catchers titulares, tendo que subir William Contreras da Triple A, para a primeira série contra os Mets – pelo mesmo motivo. Não temos como prever essas coisas. 

No panorama das divisões, a NL East e Central podem apresentar várias possibilidades. Nationals, Mets e Braves apresentam-se numa potencial primeira prateleira – se os Phillies resolverem a questão de seus arremessadores, podem aparecer. A NL Central é completamente aberta e pode muito bem ter um Cincinnati Reds aparecendo forte, dado que seu ataque é competente e a rotação pode evoluir. 

A AL West, com os Astros meio que de ressaca após o escândalo, podem ter um Oakland A’s finalmente roubando o título – o ataque tem Matt Chapman e Marcus Semien, dois nomes subestimados. O Los Angeles Angels pode finalmente dar mais competitividade para além de Mike Trout, sobretudo por conta da chegada de Anthony Rendon (ex-Nationals) e do técnico Joe Maddon (ex-Cubs). 

A AL Central parece encaminhada para os Twins, sobretudo se conseguirem manter o ritmo forte de home runs – uma boa sequência em temporada de tiro curto parece possível. Os Indians, naquele que pode ser o último ano de Francisco Lindor no time, não apresentam mais tanto poder de fogo como outrora, mas não podem ser descartados.  Yankees e Dodgers devem dominar a AL East e NL West – embora um time classificado a mais dessas divisões não seja de se espantar. 

Como você leu acima, muita coisa pode acontecer. 

Ninguém imaginaria que o Washington Nationals iria tão longe depois de começar tão mal a temporada. Ora, sequer se apontava Washington como candidato ao título quando jogaram o Wild Card no início de outubro. Neste ano, com tudo isso que está acontecendo, coisas ainda mais malucas podem acontecer. Quer um exemplo?

No ano passado, mesmo com campanha de 106 vitórias, o Los Angeles Dodgers ruiu nos playoffs e sequer chegou à final da Liga Nacional – que havia conquistado nos dois anos anteriores. Imagine neste ano, com o time em alto aproveitamento, Mookie Betts e Cody Bellinger voando. Aí, como cabeça-de-chave número 1 da Liga Nacional, enfrentam o New York Mets, oitavos. Numa série de três jogos, o primeiro jogo tem Clayton Kershaw com apagão, Jacob DeGrom desfilando no montinho e Pete Alonso tem dois home runs e 5 corridas impulsionadas. 

De repente, a série está aberta. Então não duvide: surpresas podem (e até devem) acontecer em 2020. É o slogan deste ano. 

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Curti: 10 coisas que o beisebol me ensinou para a vida

Antony Curti
Antony Curti
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. Getty

Quem já viu a série How i Met Your Mother, já deve ter percebido que, pelo fato da série se ambientar em Nova York, as metáforas e analogias com o beisebol são frequentes. O episódio Perfect Week, por exemplo, nada mais é do que uma alegoria com o jogo perfeito de um arremessador. 

O beisebol funciona como uma luva – trocadilhos à parte – para esse tipo de alegoria e comparação porque ele funciona muito como nossa vida. É um esporte de repetição, de hábitos. Ao jogar – muito – MLB The Show nesta semana, fiquei refletindo sobre isso. Sobre como o esporte faz com que entendamos e possamos digerir melhor algumas situações da vida. Então pensei nesta crônica. Em como algumas situações do esporte podem se refletir no nosso cotidiano. Espero que gostem. 

Às vezes, é necessário se sacrificar por um amigo: homem na terceira base e nenhum eliminado. Qualquer contato para o campo externo é útil para que ele faça o tag e anote a corrida. Você será eliminado, mas seu colega de time anotará a corrida. O time anotará a corrida. Quantas vezes, de uma forma ou outra, não tivemos que nos sacrificar por um amigo? Quantas vezes não acabou valendo a pena? 

A perfeição é quase impossível: Com mais de 218 mil jogos, apenas 23 são. Ou seja: jogos nos quais um arremessador consegue o mínimo de 27 eliminados e nenhuma base cedida. Alguém chegou em base, mesmo que por erro de um companheiro de equipe? Contente-se com o no hitter. 

E às vezes o universo conspira e não apenas o talento basta: O mais maluco disso tudo é que, por mais que tenhamos jogos perfeitos de arremessadores lendários como Cy Young e Sandy Koufax, outros são arremessadores desconhecidos. Dallas Braden, num dia das mães em 2010, teve um. O ERA de sua carreira? Ruim. Acima de 4.00.

Ninguém é feliz sozinho: Nolan Arenado e Mike Trout, te dedico. Tem média de chegada em base acima de 40% e toda hora consegue uma dupla? Isso de nada adianta sem a ajuda de seus amigos. A menos que por um milagre e/ou wild pitches, você só vai sair dessa segunda base se alguém te tirar dali com um contato ou olhos apurados para puxar uma fila de walks. Sozinho você estará sem seus amigos. E, sem eles, você literalmente não vai a lugar algum. 

Mesmo que você faça tudo certo, as coisas podem dar errado. 3-1 na contagem, momento da bola rápida. O arremessador lança uma bola no meio da zona de strike, o timing do seu swing é perfeito e a rebatida em linha vem. Por um acaso ou má sorte ou sabe-se Deus o quê, a rebatida que saiu a mais de 160 km/h vai em linha para a luva de um jogador do campo externo e você está eliminado. Fazer tudo certo não é certeza de que tudo dará certo. Às vezes a sorte precisa aparecer. 

Nem tudo está perdido mesmo que pareça: 3 a 0 no placar para o adversário, dois eliminados, dois strikes e parte baixa da nona entrada. Bases lotadas. Um home run vira a partida. Qual a chance? Era o que eu pensava em agosto de 2018 ao assistir Chicago Cubs e Washington Nationals. De repente, David Bote, que entrou como pinch hitter, explodiu a bola para fora do campo do Wrigley Field. Mesmo que tudo pareça perdido, enquanto houver esperança haverá motivo para acreditar – aquele momento me ensinou mais do que qualquer outro. 

Aproveite os momentos especiais: falando em momentos, pensei justamente nisso enquanto jogava o The Show no videogame. Como é gostoso e raro rebater um home run! Talvez isso venha da escassez desses momentos. Pete Alonso liderou o beisebol com incríveis 53 home runs na temporada passada. O número é alto, mas você já parou para pensar quantas vezes ele saiu frustrado do home plate? Mesmo que tenha saído sem o momento máximo. Foram 597 idas ao bastão e, grosso modo, em apenas 10% delas ele conseguiu o momento especial pelo qual se destacou no ano passado. Aproveite os momentos especiais, eles são raros. 

Nada como um dia após o outro: pelo fato das temporadas serem longas – 162 jogos, em anos normais – o beisebol é feito de fases. A vida também, não? Quantas vezes você não disse para os amigos, brincando, “vivo grande fase”. Isso para que na semana seguinte alguma notícia te derrubasse e as coisas entrassem num “tô num inferno astral”. A vida é assim. O beisebol é assim. Sequências boas vão acontecer, ruins também. Tentar manter a consistência e controlar o que você pode controlar me parece ser o aprendizado disso tudo. 

Leia também: Curti: Em temporada de 60 jogos, bullpen deve ser (ainda mais) importante na MLB em 2020

A vida é feita de dia após dia: Também pelo fato da temporada ser longa, isso é algo essencial. Quantas vezes você não fez planos de longo prazo e eles foram por água abaixo porque você ficou ansioso esperando os resultados que só viriam meses depois? Imagine se um time de beisebol pensasse assim sempre. Que se frustrasse porque começaram mal a temporada e jogassem a toalha. Ou se empolgassem com um início de 10-1, como os Mets há dois anos, para no final das contas sequer irem à pós-temporada? A vida não é uma corrida de 100 metros, é uma maratona. E ela acontece no presente, no dia após dia. Não daqui 5 meses. Mas hoje, em cada um dos at bats e em cada um dos arremessos. 

No ano que vem as coisas vão ser melhores (esse deveria ser o slogan de 2020): Ah, como foi sofrido ser torcedor dos Cubs por anos e anos. Mas sempre que chegava agosto – ou setembro, às vezes – e estávamos matematicamente eliminados, tínhamos aquela sensação de esperança que acho que só o torcedor dos Cubs tinha. Ok, não vencemos a World Series desde 1908, mas ano que vem vai ser diferente. A última vez que tive que pensar assim foi na dolorosa eliminação para os Mets por 4 a 0 na final da Liga Nacional. Era o ano da profecia do De Volta para o Futuro 2. Era o nosso ano. Mas não foi. Tudo bem, tinha o ano que vem. E ele veio.

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MLB: Confira as transmissões e o que ficar de olho na volta da temporada

Antony Curti
Antony Curti
Aaron Judge do New York Yankees, é um dos candidatos a prêmio de MVP da Liga Americana
Aaron Judge do New York Yankees, é um dos candidatos a prêmio de MVP da Liga Americana []

Houve uma ameaça forte de não termos temporada. Felizmente isso não aconteceu e o Sindicato dos Jogadores e a Major League Baseball se entenderam quanto à proporcionalidade dos salários dos atletas em ano reduzido. 60 jogos, rebatedor designado universal, homem na segunda base em entradas extras: são novidades de um ano atípico – praticamente o slogan de 2020. 

Nesta semana, a temporada reduzida da MLB começa. Com confrontos dentro da divisão (40) e com a equivalente geográfica da outra Liga (20), as equipes preparam-se para buscar a sonhada World Series. 

As transmissões começam com o atual campeão, Washington Nationals, enfrentando um potencial campeão no New York Yankees. Mais vitoriosa na história do esporte, a equipe dos Yankees busca encerrar um jejum praticamente só vivido nos anos 1980: os Bronx Bombers não chegam/vencem a World Series desde 2009. Para os Nationals e sua forte rotação, o desafio será superar mais uma perda no ataque. De 2018 para 2019, perderam Bryce Harper – e, agora na última intertemporada, perderam Anthony Rendon. Os Nats confiam na constante evolução do outfielder Juan Soto para seguir com o ataque colocando corridas no placar. 

Sexta-feira com Liga Nacional e times competitivos

A sexta-feira tem rodada dupla com dois duelos interessantes da Liga Nacional – em ambos podemos falar de equipes que podem estar na pós-temporada. Às 17h, poderemos ver dois jovens incríveis que tomaram o beisebol de assalto no ano passado. Pete Alonso, do New York Mets, liderou em home runs e quebrou o recorde de calouro de Aaron Judge. Do outro lado, Ronald Acuña Jr, dos Braves, é uma das sensações do beisebol e uma máquina de roubos de base. 

Depois, o Milwaukee Brewers e o excelente Christian Yelich, ex-MVP da Liga Nacional, enfrentam um Chicago Cubs que, honestamente, não sabemos como vem para 2020. O núcleo do time está ali: Anthony Rizzo, Javi Baéz, Kris Bryant. A rotação tem altos e baixos. O técnico é novo: David Ross, catcher do time no ano do título (2016), agora assume o comando do time após a vitoriosa e, por que não dizer, esgotada passagem de Joe Maddon – agora no Los Angeles Angels. 

Na ESPN e no FOX Sports 2, ambas as séries acima seguem com transmissões no final de semana – respectivamente, sábado e domingo. No início da semana que vem, em inglês na ESPN 2, mais uma maratona de jogos. Confira abaixo as transmissões até 28 de julho. 

Leia também: Curti: Em temporada de 60 jogos, bullpen deve ser (ainda mais) importante na MLB em 2020

Calendário de transmissões

Quinta, 23 de julho

20h: New York Yankees vs Washington Nationals | ESPN 2

23h: San Francisco Giants x Los Angeles Dodgers | ESPN 2 

Sexta, 24 de julho

17h: Atlanta Braves vs New York Mets | ESPN 2 20h: Milwaukee Brewers x Chicago Cubs | ESPN 2

23h: Los Angeles Angels x Oakland A’s | ESPN App

Sábado, 25 de julho 

20:30h: New York Yankees x Washington Nationals | FOX Sports 2

Domingo, 26 de julho 

20:30h: Atlanta Braves x New York Mets | ESPN 

23h San Francisco Giants vs Los Angeles Dodgers | ESPN 2 

 Segunda, 27 de julho

 20:30h: New York Mets x Boston Red Sox | ESPN 2

Terça, 28 de julho 

 22h: Los Angeles Dodgers x Houston Astros | ESPN 2 

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Curti: Raheem Mostert encerrará greve kamikaze e conversa com os 49ers

Antony Curti
Antony Curti
Raheem Mostert em jogo dos 49ers na NFL
Raheem Mostert em jogo dos 49ers na NFL Getty

Se Raheem Mostert tivesse lido A Arte da Guerra, de Sun Tzu, provavelmente não teria cometido a insanidade que cometeu neste mês de julho. O running back do San Francisco 49ers assinou contrato de três anos em 2019 mas, em meio a uma pós-temporada histórica, achou que não estava recebendo o suficiente.  

Justo. Concordo com ele. As 220 jardas na final da NFC foram espetaculares – eu literalmente estava lá e pude admirar o que ele fez.  O problema é que se você entra numa batalha sem saber que pode vencer ou sem mostrar conhecimento do inimigo (valeu Tzu) a chance de você perder essa batalha aumenta exponencialmente. Foi o caso de Mostert. 

Ele ameaçou fazer greve um ano após renovar o contrato, num ano de pandemia, com as franquias não sabendo como ficará o teto salarial de 2021 – que é atrelado aos lucros da liga, os quais cairão por menos torcedores estarem presentes nos estádios – e sendo membro de um comitê de running backs. Ou seja: na posição mais fungível da liga, ele resolveu fazer greve e ameaçar não jogar justamente num time que utiliza do expediente de ter vários running backs. Não fez nenhum sentido.

Para piorar a situação, não é como se o mercado de running backs estivesse aquecido e tampouco como se nos últimos anos os times tivessem arriscado gastar escolhas de Draft para obter running backs grevistas. Le’Veon Bell e Melvin Gordon são dois exemplos: as franquias que contrataram os dois esperaram que eles virassem free agents em vez de gastar um capital que poderia e foi usado em outras posições. Calma, porque fica ainda mais complicado para Raheem: vale lembrar que antes de 2019 ele nunca produziu e que é um nome de quilate inferior aos outros dois que citei acima. 

Realmente não fez sentido e Mostert acabou percebendo a lambança que cometeu. O San Francisco 49ers foi corretamente duro na queda e John Lynch, que fora jogador e sabe do riscado nesses momentos, não deu o braço a torcer como general manager do time. Ao running back, conforme o insider Ian Rapoport disse mais cedo nesta segunda em suas redes sociais, restou colocar o rabo entre as pernas e lavar a roupa suja com a diretoria do time para “seguir em frente”. 

Mostert não tinha poder de barganha nenhum para fazer essa greve. O resultado era previsível e é mais uma demonstração do diminuto valor dos running backs na NFL de hoje. A outrora posição mais bem paga da NFL há 25 anos agora ficou como espectadora dos contratos de 50 milhões por ano dados aos quarterbacks. Mais do que nunca, a NFL é cada vez mais dos passadores. 

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Curti: Temporada curta fortalece favoritismo dos Yankees na Liga Americana

Antony Curti
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Aaron Judge, do New York Yankees
Aaron Judge, do New York Yankees Getty

Agora vai? 

O New York Yankees não chega à World Series há mais de dez anos. É uma seca digna de anos 1980 para aquela que além de ser a franquia com mais títulos do beisebol é, também, a com mais títulos nos esportes americanos. O time do Bronx bateu na porta do Clássico de Outono nas últimas temporadas – esbarrando no Boston Red Sox e no Houston Astros. Com ambos fragilizados em 2020 e com outros fatores que listarei, os Yankees apresentam-se como forças dominantes na Liga Americana.

Falando dos Red Sox, a equipe do Fenway Park já desde o ano passado não é a mesma e tampouco deve ser problema para os Yankees na divisão. A equipe sofreu com um bullpen pavoroso em 2018 e perdeu seu principal rebatedor, Mookie Betts, em troca para o Los Angeles Dodgers. Em realidade, o Tampa Bay Rays que apresenta-se como rival a ser batido por Nova York na divisão leste da Liga Americana.

Falando da Liga como um todo, o Houston Astros não vem fortes como no ano passado. O time está envolto na narrativa de roubo de sinais, perdeu seu treinador e, se não bastasse, um dos principais arremessadores do time – Gerrit Cole – assinou com os... Yankees. 9 anos, 324 milhões. 

Para além desse contexto de enfraquecimento de rivais históricos dos últimos anos – que, de certa forma, impediram que os Yankees voltassem à World Series – temos o contexto da pandemia e da temporada reduzida para 60 jogos. Isso pode ajudar Nova York. 

Vários jogadores que perderam jogos por lesão no ano passado devem estar aptos para jogo ao final de julho – como Giancarlo Stanton, Aaron Hicks, Aaron Judge e o arremessador abridor James Paxton. Menos jogos significa também menos desgaste e, em tese, menos chance dos Yankees serem bicampeões do título de Departamento Médico mais movimentado no beisebol – ano passado foram 30 jogadores passando pela lista de machucados de acordo com o ESPN Stats and Info.  

O torcedor dos Yankees sonha com a dupla Judge e Stanton, falando nisso, jogando junta por mais tempo do que já viu. Também de acordo com o ESPN Stats and Info, eles estiveram juntos no lineup em apenas 36% dos jogos possíveis desde 2018. Para além de ambos estarem prontos para jogar no final de julho, Judge tem um histórico de começar forte as temporadas: nos 60 primeiros jogos de cada temporada durante sua carreira, ele tem 1.039 de OPS (soma da estatística de chegada em base e força no bastão), um número de elite. 

Nem tudo são flores, claro. Aquele que no papel é o ace da rotação, Luis Severino, deve voltar apenas em 2021 – ele passou por cirurgia Tommy John em fevereiro. O herdeiro desse posto no ano passado, Masahiro Tanaka, é um sólido arremessador mas pode ser uma das vítimas do calendário adaptado de 2020. Os Yankees jogarão 60 jogos como os demais; Serão 40 contra a AL East e 20 contra a NL East. Contra esses times nas duas últimas temporadas, Tanaka tem ERA de 4.55 (número ruim) contra 3.66 de ERA contra as outras divisões. É algo a se monitorar. 

De toda forma, os Yankees vem fortes para 2020. São os favoritos ao título da Liga Americana e, em tese, a tendência por tudo o que eu falei acima é que voltem à World Series pela primeira vez desde 2009 – contra os Dodgers? O tempo dirá. 

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Curti: Em temporada de 60 jogos, bullpen deve ser (ainda mais) importante na MLB em 2020

Antony Curti
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Aroldis Chapman em ação pelo New York Yankees
Aroldis Chapman em ação pelo New York Yankees Icon Sportswire/Getty Images

Como já amplamente noticiado, a temporada de 2020 terá 60 jogos para cada uma das 30 equipes da MLB. Tiro curto, portanto. Desses 60, 40 serão contra adversários da mesma divisão e outros 20 contra a divisão correspondente da outra liga – portanto, AL vs NL West/East/Central e vice-versa.

Praticamente não temos precedente de uma temporada tão curta assim. Em realidade, será a temporada com menos jogos desde 1877, quando ela também teve apenas 60. Ante isso, uma realidade se avizinha: bullpen. Para os iniciantes no beisebol, trata-se do grupo de arremessadores especialistas que “fecha” os jogos, geralmente atuando no terço final das partidas. Um arremessador “titular”/”abridor” tem uma autonomia – salvo retirada por mau desempenho – de coisa de 90, 100 arremessos. Quando/se ele cansar, os especialistas entram em atuação.

Aí que tá: em 2020, com menos jogos e mais atletas em cada elenco, podemos ter os abridores sendo poupados em dados momentos para que estejam “frescos” para duelos divisionais importantes. Ou mesmo podemos ver uma preocupação com a ferrugem dos abridores pelo tempo parado e o momento atípico. Com isso, não seria estranho imaginar um maior uso de bullpen – até porque esse uso só cresce na última década. O Tampa Bay Rays, por exemplo, chegou a usar “abridores” da mesma forma que times usam fechadores (closers) para a primeira entrada. 

Os Rays, inclusive, podem ser um dos times mais beneficiados caso os arremessadores de alívio (bullpen) sejam mais usados. No ano passado, esse coletivo de Tampa Bay liderou a MLB em entradas arremessadas, com 772 – ou seja, volume. Mas não só: também qualidade. Foi o melhor bullpen do beisebol, com ERA de 3.66. Adversários de divisão dos Rays, o New York Yankees já há algum tempo tem um dos melhores bullpens do beisebol. Para além de estatísticas, são nomes fortes: Zack Britton, Tommy Kahnle, Adam Ottavino e o míssil cubano Aroldis Chapman.  

Algo curioso para vermos nessa questão é se veremos abridores saindo do bullpen como às vezes acontece na pós-temporada. Esse expediente pode ser usado à rodo pelo Los Angeles Dodgers, que tem uma rotação profunda de arremessadores abridores mesmo com a saída de Hyun-Jin Ryu. Por outro lado, o atual campeão, Washington Nationals, pode sofrer. Embora as coisas tenham melhorado na pós-temporada, o trabalho dos arremessadores de alívio (relievers) dos Nats foi pavoroso de março a setembro. O time teve 5.66 de ERA do bullpen durante a temporada regular. 

Bullpen, pela própria natureza das coisas na MLB de hoje, é algo cada vez mais importante. Como destacado pelo ESPN Stats and Info em pacote de estatísticas que recebemos, no ano passado 8 dos 11 melhores bullpens da MLB foram à pós-temporada. Dos três que não foram, Indians e Cubs poderiam ter ido – e os Giants acabam sendo a exceção que confirma a regra. Em 2020, podemos ver isso acontecendo ainda mais. 

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Qual Cam Newton vai aparecer em New England? 2018 pode ser a resposta

Antony Curti
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Cam Newton assinou por um ano com os Patriots
Cam Newton assinou por um ano com os Patriots Twitter: thachermac


Numa movimentação um tanto quanto inesperada para o final de junho, o New England Patriots contratou o quarterback Cam Newton em contrato de um ano e sete milhões de dólares segundo Adam Schefter, repórter da ESPN americana. Não que Newton não fosse ventilado nos Patriots, afinal a equipe da AFC East perdeu Tom Brady e é uma das poucas que não contam com um nome forte na posição. 

Mas o timing da decisão surpreendeu. Afinal, mesmo num ano atípico como 2020, é raro ver decisões como essas às portas do training camp – que costumeiramente começa em meados de julho. As últimas impressões de Newton, contudo, não são as melhores. MVP (jogador mais valioso) da liga em 2015, quando conduziu o Carolina Panthers à campanha de 15-1 e ao Super Bowl 50, Newton esteve na parte baixa das estatísticas de 2016 em diante. Em 2019, vindo de cirurgia no ombro e com lesão no pé, Newton teve atuações desastrosas nas duas semanas em que foi a campo. Contra o Los Angeles Rams e o Tampa Bay Buccaneers, duas derrotas, uma interceptação, nenhum passe para touchdown e o rating na casa dos 70.0 – número bem abaixo da média da NFL atual. 

2019, contudo, não pode ser a referência mesmo que seja a lembrança mais recente. Como dito acima, Cam estava com lesão séria no pé, não aparentava estar curado do ombro e jogou no sacrifício. O mesmo pode ser dito da semana 10 da temporada 2018 em diante. Por que esse corte temporal?

T.J. Watt. Em partida contra o Pittsburgh Steelers num Thursday Night Football na semana 10 de 2018, Newton sofreu um forte impacto por Watt. Lance de jogo, frise-se, não houve maldade do então calouro. Dali em diante, Cam não foi o mesmo e a lesão no ombro não foi tratada corretamente. Arrisco dizer, houve negligência do Carolina Panthers, que só tirou Cam dos dois jogos finais daquela temporada – quando o time já estava fora da disputa. 

Cam Newton, 2018, Semana 11 à 15: 7 TDs, 8 INTs, 7.3 jardas por passe.
Cam Newton, 2018, Semana 1 à 9: 15 TDs, 4 INTs, 7.2 jardas por passe. 

A diferença é significativa. Antes do jogo contra os Steelers, aliás, os Panthers tinham campanha de 6-2 e brigavam forte para chegar à pós-temporada – ao menos pelo wild card, dado que o New Orleans Saints era um rolo compressor naquele momento e Drew Brees duelava com Pat Mahomes pelo MVP da liga. 

Esse Cam Newton, saudável, tem que ser o ponto de referência agora em New England. Claro, supondo – e assim supomos, dado que ele passou por exame médico antes da contratação – que ele esteja na mesma forma do espaço estatístico que separei acima. Acima de tudo, a contratação do camisa 1 dá fôlego à Dinastia dos Patriots. Ao contrário do que vimos com outros times dominantes nesta década – Golden State Warriors, San Francisco Giants – não haverá um ano para se esquecer se o Cam Newton de 2018 aparecer. 

A defesa dos Patriots é uma das melhores da NFL, retorna boa parte dos titulares e Cam é um quarterback competente. Claro: precisamos respeitar o Buffalo Bills (e sua defesa, sobretudo) e não dá para cravar New England vencendo a divisão como outrora fazíamos. Mas uma coisa é certa: a briga vai ser boa. A chegada de Cam Newton só torna essa narrativa ainda melhor. 

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Para variar, Mike Trout é favorito para o MVP da Liga Americana

Antony Curti
Antony Curti
Mike Trout
Mike Trout Ezra Shaw/Getty Images

Ao contrário das outras grandes ligas americanas, no beisebol há premiações separadas por Ligas – equivalente às conferências nos outros esportes. Não há, portanto, um MVP único. Isso dá um charme a mais e é explicado pela própria história, com as ligas nascendo e germinando de maneira distinta – do início do século XX até a década de 1990, um time da Liga Americana só enfrentaria um time da Liga Nacional na World Series. 

Não que faça muita diferença para Mike Trout. O outfielder do Los Angeles Angels seria favorito na Liga Nacional e mesmo num prêmio unificado de MVP (jogador mais valioso) do beisebol. No ano passado, Trout foi eleito o MVP mesmo tendo jogado praticamente 30 jogos a menos por conta de lesão: foram 134. Nesses, chegou a brigar pelo topo do número de home runs. Ele terminou o ano com 45, melhor marca da carreira – tendo o excepcional 1.083 de OPS (soma da estatística de chegada em base e força no bastão, qualquer coisa acima de 1000 é de elite). 

Trout é o melhor e mais completo jogador do beisebol – além de ter uma narrativa forte de “andorinha única fazendo verão no Los Angeles Angels”. É bem verdade que o time conta com Albert Pujols, mas ele não é o mesmo há algum tempo. E também conta com Shohei Ohtani, arremessador/rebatedor que encanta os olhos. A verdade que resta, contudo, é que Trout é o melhor jogador do time. Se temos algo como “mais valioso”, certamente é ele. 

Leia também: Agora na Liga Nacional, Mookie Betts é o favorito para o MVP

Depois de Trout, um abismo nas odds. Trout é favorito pagando 2.05 a cada dólar apostado. O segundo da lista é Aaron Judge, do New York Yankees, pagando 11.00 a cada dólar apostado. Em termos de odds, é uma diferença significativa. Também dos Yankees, Gleyber Torres é o terceiro colocado, pagando 17.00 para cada dólar apostado. Francisco Lindor, talentoso infielder como Gleyber e que deve vir para a última temporada no Cleveland Indians, paga os mesmos 17.00 para cada dólar. 

É difícil que o prêmio fuja desses quatro, ainda mais numa temporada de tiro curto. Neste ano, são 60 jogos apenas por conta da pandemia de covid-19 e na demora da MLB e seus times se acertarem com o sindicato de jogadores (MLBPA). 

Abaixo, as odds dos principais favoritos ao prêmio de jogador mais valioso da Liga Americana.   

1-  Mike Trout (LA Angels), pagando 2.05 para cada dólar apostado 
2- Aaron Judge (NY Yankees), pagando 11.00 para cada dólar apostado
3- Gleyber Torres (NY Yankees), Francisco Lindor (Indians), pagando 17.00 para cada dólar apostado
4-Yoan Moncada (CHI White Sox), pagando 18.00 para cada dólar apostado

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