Como fazer com que a corrida se torne um hábito na sua vida

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Corrida como um hábito
Corrida como um hábito Shutterstock

Quem não gostaria de eliminar os pequenos hábitos ou vícios que nos atrapalham no trabalho, na vida e, por que não, na corrida? Lançado em 2012, o livro “O Poder do Hábito“, presença constante nas listas de publicações mais vendidas no Brasil e nos Estados Unidos nos últimos anos, reúne uma série de casos de mudanças e correções de costumes. A corrida é citada algumas vezes no livro como um dos fatores que puxam outros hábitos positivos, desencadeando em uma onda de atitudes que transformam o corpo e a mente.

Logo no prólogo, Charles Duhigg, jornalista que construiu carreira no New York Times, apresenta a história de Lisa Allen, que começara a fumar e beber aos 16 anos, acumulara dívidas no início de sua vida adulta e lutara contra a obesidade durante a maior parte da vida. Aos 30 anos, motivada pelo fim de seu casamento, a americana decidiu romper com todos os seus hábitos autodestrutivos. Quatro anos depois, estava livre do cigarro, havia perdido 27 quilos, tinha uma maratona na bagagem e desfrutava da estabilidade de seu emprego.

Trajetórias como a de Lisa são dissecadas por Duhigg e permitem que o leitor entenda como reconstruir os seus próprios padrões — e como a corrida pode ajudar na tentativa de estabelecer uma nova vida.

O percurso do hábito e onde a corrida se encaixa nisso

Segundo o autor, qualquer hábito passa por um circuito de três fases. Tudo começa com um gatilho, que leva à definição de um planejamento em que a pessoa encaixa todos os seus afazeres, a rotina. Essa sequência de ações que fazemos automaticamente, sem que pensemos muito a respeito delas, conduz à recompensa, o objetivo buscado quando o hábito é acionado.

Na corrida, as três fases explicadas por Duhigg surgem de forma clara com o que ele chama de loop do hábito. O gatilho costuma ser a busca por emagrecimento ou por uma saúde melhor, as portas de entrada mais comuns da modalidade. A rotina aparece com treinos, planilhas e busca por uma alimentação mais saudável. A recompensa pode ser o ganho de autoestima, a sensação de dever cumprido ao concluir uma prova, a satisfação ao ver os quilos a menos ou o prazer de receber um elogio. Quanto mais gratificante for esse “prêmio”, maior será o desejo de se repetir a rotina.

Encontre o seu elemento sabotador

Abandonar a má alimentação e o sedentarismo e adotar uma vida mais saudável é um processo complicado para algumas pessoas. Alguns hábitos estão tão enraizados que a pessoa sequer percebe como ou por que se sabota. Afinal de contas, como fazer com que a corrida seja um hábito duradouro e entre para ficar em sua vida?

“O primeiro passo para as pessoas que não conseguem quebrar os hábitos ruins é identificar como e quando eles surgem. Às vezes, ela está vestida com a roupa para correr e, mesmo assim, não vai. Por que isso acontece? É preciso entender o que acontece e adequar a corrida às melhores condições para essa pessoa. Se a pessoa tem dificuldade para acordar, talvez não seja bom encaixar um treino logo nas primeiras horas do dia. Outro ponto importante é a definição de um objetivo. Quando essa meta for atingida, a sensação de dever cumprido reforçará tudo o que foi feito até ali. Quando a corrida se torna um hábito de fato, fica aquele sentimento de ‘eu quero correr’, não mais ‘eu tenho que correr'”, analisa a psicóloga do esporte Julia Amato, da Flow Psicologia.

Construindo um novo padrão — e colocando a corrida nele

Um hábito leva de quatro a seis semanas para ser formado. Sinônimo de sofrimento para alguns nos primeiros quilômetros rodados, a corrida fica mais prazerosa conforme o tempo vai passando. O ponto, segundo Julia, é aceitar o lado duro da prática de esportes, mas estar ciente de que o saldo é positivo.

“Todo mundo sabe do lado positivo da corrida. Faz bem para o coração, emagrece e melhora a qualidade do sono. Mas por que ainda assim há um número alto de pessoas sedentárias? É preciso trazer o lado mais humano, mostrar que a preguiça é normal, que o frio atrapalha e, dentro de tudo isso, ajustar a rotina do exercício e os objetivos a serem cumpridos”, recomenda Julia.

Algumas sugestões da reportagem do Ativo para que a corrida se torne um hábito:

– Não pense muito antes de sair para correr. A hesitação aumenta as chances de que o treino seja adiado.

– Se você costuma correr depois do trabalho, não sente no sofá. Isso gera uma sensação de preguiça e uma certa letargia.

– Forneça novos estímulos para a sua mente. Variar o percurso torna a atividade mais empolgante (ou menos sofrida).

– Alguns corredores mais experientes, que precisam seguir uma planilha e fazer uma rodagem mais longa, costumam “encurtar” seus treinos. Se a rodagem recomendada é de 15 km, há quem interrompa na casa dos 10 km. Para que isso não aconteça, treine longe de casa — uma forma de evitar um retorno fora de hora.

– Identifique em qual parte do dia você rende mais fisicamente. Nem todos funcionam bem pelas manhãs, por exemplo.

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Maraturismo: como a corrida de rua impulsionou o turismo no Brasil e no mundo

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Maraturismo: como a corrida de rua impulsionou o turismo no Brasil e no mundo
Maraturismo: como a corrida de rua impulsionou o turismo no Brasil e no mundo Reprodução

No primeiro domingo de junho deste ano, o sol ainda não havia dado as caras e um numeroso grupo de corredores já se servia por volta das 4 horas, no salão do café da manhã no Hotel Castelmar, próximo à Beira-Mar de Florianópolis. Antecipar o horário do café da manhã não foi uma exclusividade do Castelmar naquele final de semana, já que a capital catarinense foi invadida por 9.500 turistas que viajaram para disputar os 42k de Floripa.

Os “maraturistas”, neologismo que mescla as palavras “maratonista” com “turista”, vem se espalhando pelo Brasil e pelo mundo nos últimos anos. O crescimento das provas de corrida de rua impulsionou o turismo e fez com que mais pessoas unissem a paixão pela modalidade à vontade de viajar, seja para destinos nacionais ou até mesmo internacionais.

A disparada do dólar e a crise econômica do Brasil não impediram que as agências especializadas em pacotes voltados para corredores tivessem números expressivos – embora a instabilidade do país colabore para que alguns clientes cancelem seus pacotes. Com 30 anos de experiência no segmento, a Kamel Turismo levará 500 brasileiros (entre participantes e acompanhantes) para a Maratona de Nova York, no início de novembro. Em 1988, ano de “estreia” da Kamel na Big Apple, foram cerca de 40 brasileiros. Não é uma falsa impressão: os brasileiros estão cada vez mais presentes nas majors. Em 2017, dos 40 mil corredores que estiveram na Maratona de Berlim, 916 eram brasileiros.

“Estamos levando mais gente porque há mais pessoas correndo hoje em dia. Quem começou com 5 km há alguns anos hoje corre maratonas. Quem já estava disputando maratona continua com esse hábito. Obviamente, a situação econômica é um empecilho. Tivemos muitos cancelamentos neste ano. Algumas pessoas conversam conosco e nós entendemos que é um problema financeiro. Se o Brasil estivesse em um momento de estabilidade econômica, o boom seria muito maior”, analisa Elisabet Olival, fundadora da Kamel.

Agência levará 500 brasileiros para a Maratona de Nova York
Agência levará 500 brasileiros para a Maratona de Nova York Reprodução

O SEBRAE aponta que 43% dos corredores brasileiros têm entre 25 e 35 anos. No entanto, a fatia que destina suas economias ao “maraturismo” no exterior é um pouco mais velha. Olival observa que a maioria de seus clientes é formada por homens a partir de 38 anos, que transformam uma jornada solitária de 42.195 metros em um programa familiar.

“O maratonista não costuma ser muito novo. São pessoas que estão bem profissionalmente, estabilizadas. Algumas vezes, levam a mulher e os filhos. Acabou o preconceito de deixar a criança em casa. E também acontece uma socialização nos destinos. Como o nível social é bom, todo mundo acaba falando a mesma língua”, acrescenta.

Em provas com forte apelo turístico, é natural que os corredores conheçam novas pessoas e vivenciem o esporte nos dias em que estão viajando, com trocas de informações e experiências entre os atletas. Em uma competição “caseira”, disputada na mesma cidade onde corredor vive, a experiência tende a ser mais individualizada.

“O que muitos brasileiros entenderam é que correr não faz bem apenas para o corpo. Há benefícios mentais, como o estímulo do raciocínio rápido e a melhora da concentração, além da interação social nos treinos e nas competições. Ou seja, a corrida de rua é boa para o cérebro, o físico e até para o turismo”, explica o psicólogo Augusto Jimenez.

Diferentemente do que acontece em uma viagem comum de férias, é preciso tomar alguns cuidados para que a empolgação por estar em um novo ambiente não comprometa meses de treinamento.

“O pessoal que levamos não fica muito paranoico, mas é preciso pegar leve. Não dá para bater perna pela cidade na véspera da prova. E tem que deixar para cair na cerveja e no vinho depois de correr”, lembra Olival.

Entre os corredores, tem sido cada vez mais frequente conhecer outras cidades e culturas diferentes através da corrida. “Com o dólar do jeito que está, não dá para viajar duas vezes, uma para correr e outra para conhecer. Você corre e também aproveita para curtir”, frisa a dona da Kamel.

Em abril de 2018, a Kamel levou 60 brasileiros para Boston. Os pacotes, que, além da inscrição, incluíam hospedagem por cinco noites em hotel quatro estrelas, foram vendidos por 2.800 dólares por pessoa (cerca de R$ 9.500 na época).

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Maraturismo pelo Brasil

Provas famosas, como a Maratona de São Paulo, ou competições realizadas em cidades com forte apelo turístico, caso dos 42k de Floripa e da Maratona do Rio, são as queridinhas dos “maraturistas” que se aventuram em solo nacional. Apostar em pacotes com provas de corrida foi uma das estratégias da Minds Travel, agência localizada em Maringá, no Paraná, para driblar a crise econômica do Brasil.

Em solo nacional, o tíquete-médio do corredor-viajante é mais baixo (de R$ 800 a R$ 1000, já considerando passagem aérea e hotel) e o tempo de permanência, mais curto (um final de semana).

“O pessoal gosta de correr com uma praia bonita, um clima gostoso, uma paisagem legal. Se o destino é turístico, a pessoa não vai só para correr”, afirma Lorena Peretti, agente da Minds Travel.

A estudante de nutrição Bruna Ruschel, de 20 anos, já começou a desbravar o Brasil através das provas de corrida. Há dois anos, ela viajava com as amigas para curtir as baladas e a badalação de Jurerê Internacional, em Florianópolis. Neste ano, os planos foram diferentes: a paulistana se manteve longe da noitada e preferiu perseguir um bom tempo nas ruas e avenidas da capital catarinense.

Incentivada por amigas, Bruna correu a São Silvestre em 2016 e gostou da atmosfera que encontrou. Aos poucos, foi abandonando o estilo de vida que levava e mergulhou de cabeça na corrida e nas viagens. Daquela edição da São Silvestre para cá, já marcou presença em provas no Rio, em Florianópolis, Porto Alegre e Natal.

“Correr fora da sua cidade é especial. Você sai da rotina e também acaba tendo momentos de lazer, até porque não sou uma profissional”, conta.

Com planos de fazer um intercâmbio na Europa em 2019, Bruna já começa a estudar as maratonas que pretende disputar enquanto estiver no Velho Mundo. As maratonas de Berlim e do Porto estão entre os prováveis destinos.

"Algumas pessoas da minha idade não entendem o meu novo estilo de vida. Não veem isso como aproveitar a vida. Dizem que maratona faz mal, que não é saudável por ter um volume muito alto. Mas beber e fumar também não é saudável. Estou feliz com as minhas escolhas”, finaliza.

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10 famosos que já correram a Maratona de Nova York

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10 famosos que já correram a Maratona de Nova York
10 famosos que já correram a Maratona de Nova York Reprodução

Participar da Maratona de Nova York é um sonho comum entre os apaixonados por corrida. Em meio aos quase 50 mil participantes da major mais prestigiada do mundo, é possível encontrar famosos que, por algumas horas, se misturam à multidão para experimentar as sensações que a corrida oferece.

Veja 10 famosos que já correram a Maratona de Nova York:

Alicia Keys

Nascida em Manhattan, a cantora americana Alicia Keys decidiu homenagear sua terra-natal na música “New York”, famosa pelo refrão que retrata a cidade como uma “selva de concreto onde os sonhos são feitos”. Em 2015, ela se juntou a uma multidão de 50 mil corredores e participou da Maratona de Nova York, terminando a prova em 5h50min52s. Keys correu para arrecadar fundos para uma organização chamada Keep a Child Alive, que recebe medicamentos para auxiliar crianças e famílias africanas.


Alicia Keys
Alicia Keys Reprodução

Marion Bartoli
Em agosto de 2013, pouco mais de um mês depois de conquistar Wimbledon, o torneio mais famoso do tênis, a francesa Marion Bartoli pendurou as raquetes. Ex-número 7 do mundo, ela tinha mais de 11 milhões de dólares de premiações em sua conta bancária, mas não se afastou definitivamente do esporte e se aventurou na corrida de rua. Em 2016, Bartoli escolheu a Maratona de Nova York para estrear nos 42.195 km e, mesmo tendo sofrido semanas antes com uma grave doença viral que a levou ao hospital, concluiu o trajeto em 5h40min04s.


Uzo Aduba

Famosa pelo papel de Suzanne Warren, a “Crazy Eyes” no seriado “Orange is the New Black”, a atriz Uzo Aduba teve seu nome gritado nas ruas de Nova York em 2013, ano em que participou da maratona. Ela levou 5h01min para terminar o desafio. Em 2015, correu a Maratona de Boston em 5h03min.

Uzo Aduba
Uzo Aduba Reprodução

Ryan Reynolds

Ryan Reynolds correu a Maratona de Nova York em 2008 para arrecadar dinheiro para pessoas que lutavam contra o mal de Parkinson, já que seu pai sofria com a doença. Seu objetivo era “se juntar a milhares de outros homens e mulheres para correr de forma solidária contra a dor psíquica e a humilhação física”. Além das belas palavras, Reynolds também fez bonito sobre o asfalto nova-iorquino, concluindo a prova em 3h50min22s.

James Blake

Conhecido como um dos tenistas mais ágeis de sua geração, o americano James Blake, ex-número 4 do ranking masculino, abandonou as quadras em 2013, aos 33 anos. Dois anos depois, correu a Maratona de Nova York em 3h51min19s e dedicou o feito ao seu pai, que morreu de câncer em 2004.

James Blake
James Blake Reprodução

Pamela Anderson

Pamela Anderson ganhou notoriedade no final da década de 1980 ao correr de maiô na série “Baywatch”. Aquela, no entanto, não foi a única corrida marcante de sua vida. Em 2013, aos 46 anos, a atriz canadense registrou 5h41min03s na Maratona de Nova York.

Pamela Anderson
Pamela Anderson Reprodução

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Caroline Wozniacki

São poucos os atletas profissionais que topariam correr 42.195 km em um período de folga. A tenista dinamarquesa Caroline Wozniacki, ex-número 1 do mundo, figura nessa lista. Em 2014, aos 24 anos, ela fez uma pequena pausa nas raquetadas – era a oitava melhor tenista do mundo – e terminou a Maratona de Nova York em 3h26min33s.

“Este é o teste físico mais difícil de todos os tempos. Toda vez que eu saio em direção a uma quadra de tênis, sei o que esperar. Mas isso foi completamente diferente”, disse. Detalhe: na segunda metade da prova, a dinamarquesa teve um desejo inusitado enquanto corria: queria tomar um milkshake de baunilha.

Bryan Cranston

Muito antes de interpretar Walter White, o pacato professor que passa a produzir e vender metanfetamina em “Breaking Bad”, o ator Bryan Cranston se arriscou na Maratona de Nova York em 1985 – e teve um desempenho satisfatório, cruzando a linha de chegada em 3h20min45s.

Bryan Cranston
Bryan Cranston Reprodução

Katie Holmes

 
Seus papeis mais famosos foram em “Batman Begins” e no seriado “Dawson’s Creek”, mas a atriz Katie Holmes também pode se orgulhar de um feito esportivo. Enquanto corria a edição de 2007 da Maratona de Nova York, ela posou para fotos e fez uma pausa para dar um beijo em Tom Cruise, seu marido à época, antes de terminar a prova em 5h29min58s.

Katie Holmes
Katie Holmes Reprodução

Edward Norton

Edward Norton chocou o mundo do cinema com uma atuação brilhante no filme “As Duas Faces de um Crime”, lançado em 1996. Três anos depois, se firmou com mais uma atuação celebrada, desta vez em “Clube da Luta”, ao lado de Brad Pitt.

Já consagrado nas telonas, decidiu se dedicar à corrida. Em 2009, ele correu a Maratona de Nova York em 3h48min01s. Seu segredo para correr tão bem na maior cidade americana foi a preparação no Quênia, como indica a foto acima. O dinheiro arrecadado com sua participação na prova foi destinado a uma organização que promove o desenvolvimento da tribo africana maasai.

Edward Norton
Edward Norton Reprodução
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A corrida como caminho para ex-atletas após a aposentadoria

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A corrida como caminho para ex-atletas após a aposentadoria
A corrida como caminho para ex-atletas após a aposentadoria Revista 02

Paulo Roberto Falcão, ex-jogador do Internacional e da seleção brasileira, escreveu certa vez que “artistas que dependem da forma física morrem duas vezes”. A primeira, quando encerram suas carreiras profissionais; a segunda, como todos os outros mortais. Colocar um ponto final em uma jornada que envolve glórias, realização pessoal, entrega, dor e sacrifícios na vida privada provoca sentimentos mistos na maioria dos atletas: alívio nos que sofreram fisicamente durante anos e angústia para os que não sabem o que fazer longe da modalidade à qual tanto se dedicaram.

Veteranos nas competições de alto rendimento, os ex-atletas, muitas vezes, se veem na condição de juvenis quando o assunto é a obrigação de escrever o primeiro capítulo de suas novas vidas. “Você olha para a sua carreira, pensa um pouco e diz: ‘Parece que eu só sei fazer isso da minha vida’”, conta a judoca Danielle Zangrando, primeira mulher a colocar o judô feminino brasileiro em um pódio de Mundial — foi bronze em Chiba, no Japão, em 1995, na categoria até 56 kg — e medalhista de ouro nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007. Para Danielle, de 38 anos, um dos antídotos contra o vazio deixado pelo afastamento de competições importantes é a corrida, que mantém vivo o amor pelo esporte e oferece bem-estar.

Danielle Zangrando, primeira mulher a colocar o judô feminino brasileiro em um pódio de Mundial.
Danielle Zangrando, primeira mulher a colocar o judô feminino brasileiro em um pódio de Mundial. Revista 02


As passadas entraram na sua vida ainda na adolescência — e de uma forma nada confortável. Um dos sacrifícios feitos para alcançar o peso desejado para competir no judô era correr de moletom, uma estratégia ultrapassada que eleva a temperatura corporal e acelera a perda de líquidos.

Castigada por uma hérnia de disco na região lombar, Danielle abandonou os tatames em 2010 e, logo após sua aposentadoria, engravidou. Com Lara, sua filha, descobriu o “triathlon materno”. “Eu virei triatleta. Vivia para dar mamadeira, trocar fralda e botar para dormir”, lembra, rindo. À medida que a filha crescia, ela recuperava a independência e passava a procurar um novo esporte para chamar de seu. O judô, por envolver muito contato físico, representava um perigo a um corpo que tinha sofrido tanto nos anos anteriores.

Na areia firme da praia de Santos, cidade onde vive, ela resolveu dar uma nova chance à corrida e finalmente pegou gosto pelos treinos. Hoje, a corrida está à frente do judô em sua lista de preferências.

“Eu gosto de praia, gosto de sol. A corrida foi uma das primeiras atividades físicas que pratiquei depois do nascimento da minha filha. O judô lesiona muito, e a corrida é um esporte que oferece muita independência. Você não precisa de um parceiro para treinar. Dá para vir à praia sozinha, correr, terminar com um mergulho e curtir o dia”, contou, enquanto conversava com a O2 em um quiosque da praia de Santos.

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Na corrida, Danielle aprendeu a controlar o espírito competitivo que a manteve no judô durante mais de duas décadas. Assimilar que o desejo de vencer já não devia pautar sua vida, no entanto, não foi dos processos mais simples.

“Luto contra isso até hoje. Você para de competir, mas o competidor não sai de você. Você fica marcando tempo, alguém te passa e você pensa: ‘Preciso passar essa pessoa’. Em seguida, você conclui: ‘Para que estou fazendo isso?’”, reconhece.

Um episódio que simboliza sua luta para dosar a competitividade aconteceu no último mês de dezembro. Em uma viagem com Lara para Gramado, no Rio Grande do Sul, Danielle decidiu se inscrever de última hora na Corrida de Noel, prova de 10 km com o tema natalino. Em determinado momento, soube que era a terceira colocada. Por alguns instantes, quis acelerar o passo para assumir a liderança. Não demorou para concluir que a obsessão pela vitória deveria ser página virada em sua vida.

“Terminei a prova com o terceiro lugar. Fiquei feliz duas vezes. Primeiro, por ter segurado a minha onda, não ter caído na minha ‘neura’. Percebi que meu objetivo ali era viajar com a minha filha, não ser a primeira colocada em uma prova de corrida. Ao mesmo tempo, fiquei feliz por ter ido ao pódio, algo que eu ainda não havia alcançado na corrida”, afirmou.

Ultimamente, a corrida tem sido uma ferramenta para que Danielle vença o “mal do século”: a depressão. “Eu fiquei reclusa, não queria fazer nada, falar com ninguém. Acontece. Eu amo esporte e não tinha vontade de levantar da cama para fazer nada. Aí você pensa: ‘O que estou fazendo da minha vida?’”

“O esporte, às vezes, te exige tanto, tanto, mas tanto que você acaba se automutilando. Se eu não fizer uma atividade física, me faz falta. Mas, em alguns períodos da depressão, eu não queria fazer nada. Agora que já estou em uma fase melhor do tratamento, retomei. Se eu vejo que vou ficar irritada ou que posso ter uma alteração de humor, já canalizo para o esporte”, finalizou.

O reencontro com a boa forma

Em 1998, o judoca Rogério Sampaio competia sem patrocínio, tirava dinheiro de sua conta para ir às competições no exterior e estava prestes a ser pai. Certo dia, em uma mesa de bar em Foz do Iguaçu, percebeu que dificilmente recuperaria o nível apresentado anos antes e notou que a carreira profissional já não era mais prioridade em sua vida. Entre um gole e outro em seu chope, sentiu que o caminho mais apropriado era o da aposentadoria.

Em 1992, nos Jogos Olímpicos de Barcelona, Rogério superou o rótulo de azarão e levou a medalha de ouro na categoria até 65 kg. Seu ouro é um dos 30 que o Brasil conquistou até hoje em Jogos Olímpicos. Apesar do histórico vencedor, ele já se via “saturado” do judô. Depois daquela noite em Foz do Iguaçu, não fez esportes regularmente por três ou quatro anos.

 Nos Jogos Olímpicos de Barcelona, Rogério Sampaio superou o rótulo de azarão e levou a medalha de ouro na categoria até 65 kg.
Nos Jogos Olímpicos de Barcelona, Rogério Sampaio superou o rótulo de azarão e levou a medalha de ouro na categoria até 65 kg. Revista 02


A consequência da inatividade física foi o ganho de peso. Aos 35 anos, o medalhista de ouro havia engordado de 10 a 12 kg. Subir à balança passou a ser algo incômodo para alguém que sempre teve a disciplina como diretriz. Era a hora de voltar a praticar esportes.

O medo de sofrer com lesões o afastou dos tatames. O caminho encontrado foi o da corrida, que possibilitou que ele recuperasse a boa forma.

“A corrida é algo ao ar livre e há a questão da endorfina no corpo. Sempre achei extremamente bom para o meu bem-estar emocional e físico. Hoje, costumo correr duas ou três vezes por semana, de 8 a 10 km. Não me aventuro em distâncias maiores porque, como sofri muito como judoca, gosto de fazer uma distância que me deixe confortável”, disse. “Se eu fizesse um trabalho de fortalecimento, correr longas distâncias não seria algo desconfortável. Mas já tenho artrose no quadril, então prefiro me manter nessa faixa dos 10 km.”

Aos 50 anos, Rogério encara a corrida como um momento para se desligar de suas obrigações como gestor do esporte. Em junho, ele assumiu o comando da Secretaria Nacional do Ministério do Esporte, cargo que faz com que seu telefone celular toque constantemente. Mesmo com a agenda concorrida, ele encontra tempo para disputar provas de 10 km — e chega a completá-las em 53 minutos.

“Em vários momentos, vou para a corrida para fazer um tempo legal. Se estiver mais cansado por conta do trabalho, dou uma corrida para desestressar, só para colocar o coração em um batimento mais acelerado.

Fabi: Atleta até no tempo livre

Fabiana Alvim de Oliveira, a Fabi, é um dos rostos mais conhecidos do vôlei feminino verde e amarelo. A carismática líbero carioca conquistou dez medalhas de ouro com a seleção brasileira — duas delas nas Olimpíadas de 2008 e 2012. Aos 37 anos, ela segue em atividade no Sesc/Rio de Janeiro, mas sabe que a aposentadoria está próxima. “Velha para o esporte e jovem para a vida”, ela agora planeja seus próximos passos. A tendência é que a corrida de rua esteja entre eles.

Desde que deixou a seleção brasileira, em 2014, Fabi passou a ter férias. O tempo livre, contudo, não foi usado apenas para viajar e descansar. Longe dos treinos de vôlei, ela desenvolveu o hábito de correr pelo Rio de Janeiro. Entrou em uma assessoria esportiva, gostou do ambiente que encontrou e ganhou intensidade nos treinos.

Fabiana Alvim de Oliveira, a Fabi, é um dos rostos mais conhecidos do vôlei feminino verde e amarelo.
Fabiana Alvim de Oliveira, a Fabi, é um dos rostos mais conhecidos do vôlei feminino verde e amarelo. Revista 02

“Eu sou muito agitada, sempre quero fazer outrascoisas. Me bateu essa curiosidade de fazer outro esporte, algo em que eu pudesse trabalhar a mente, me desafiar. Sempre fui apaixonada por corrida”, contou. “Eu já vejo que, no futuro, quando parar de jogar, a corrida vai ser o meu segundo esporte. Vou adotá-la para a vida. Não tem uma idade certa para correr.”

Neste ano, Fabi recebeu o sinal verde do preparador físico de seu clube para disputar uma meia-maratona em suas férias e participou da Asics Golden Run no Rio — a marca japonesa é sua patrocinadora. Cruzou a linha de chegada em cerca de 2h20min, fazendo uma manchete, em alusão a um dos movimentos que lhe deram prestígio e notoriedade no vôlei.

A corrida mexeu com a cabeça de uma atleta que já ganhou duas medalhas olímpicas e tem quase duas décadas de vôlei profissional nas costas.

“Vejo que cada um tem uma história de superação diferente. Tem muita gente que vai para a corrida porque passou por uma depressão, por uma obesidade. Tem quem corra para incentivar alguém da família. Eu acho muito interessante. Isso mexe muito com a questão mental. No início, eu me sabotava muito. Depois que comecei a entender o que é a mente, fui parando de me sabotar. Uma corrida longa requer preparação, dedicação. É um desafio difícil à beça”, admite.

Mas como Fabi explica o fato de “sacrificar” as férias para se aventurar em uma nova modalidade? Segundo ela, tudo se resume em amor ao esporte.

“Eu tirei dez dias para viajar. Na minha viagem, consegui correr por lá. Acho que está dentro de nós esse amor pelo esporte. Eu descansei e corri na hora que queria. Conversando com ex-atletas, vejo que é uma veia esportiva. É impossível se desligar do esporte. Está na nossa filosofia de vida. É isso que fez eu me apaixonar pela corrida.”

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Correr é bom para… Descubra os benefícios invisíveis da corrida

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Correr é bom para… Descubra os benefícios invisíveis da corrida
Correr é bom para… Descubra os benefícios invisíveis da corrida Shutterstock

Por que você corre? Correr é bom para emagrecer, tonificar as coxas, manter a forma e trabalhar a resistência muscular. Mas a corrida não é só sobre ficar com o corpo em forma.

Praticar um esporte como a corrida também é uma das melhores coisas que você pode fazer pelo seu cérebro em termos de humor, memória e aprendizado.

Isso faz parte da tese do psiquiatra John Ratey, da Harvard Medical School, autor do livro “Spark: A nova ciência revolucionária do exercício e do cérebro”. Segundo ele, bastam 10 minutos de atividade física para que o seu cérebro comece a se aprimorar. 

5 razões além da estética para começar a correr

Sem estresse
Correr por 30 minutos, na esteira ou na rua, pode mandar embora qualquer tensão. E é tudo uma questão de hormônios. Quando corremos, aumentamos os níveis de substâncias químicas calmantes como serotonina, dopamina e norepinefrina.

Mas segundo um estudo recente, o efeito do exercício pode ser ainda maior. Correr pode funcionar em nível celular para reverter o impacto do estresse em nosso processo de envelhecimento. 

Trata a depressão e a ansiedade melhor que remédios
Correr é bom para ser mais feliz. Segundo pesquisas, praticar atividades aeróbicas por pelo menos três vezes por semana pode reduzir os sintomas da depressão  e de ansiedade de forma tão eficaz quanto tomar remédios. Também ajuda a estimular o crescimento de neurônios em certas regiões do cérebro danificadas pela depressão.

Além disso, estudos com animais descobriram que a atividade estimula a produção de moléculas cerebrais que melhoram as conexões entre as células nervosas, agindo assim como um antidepressivo natural.

Nascem novos neurônios
Pouca gente pensa que a corrida pode tonificar também nosso cérebro. Mas, segundo pesquisas, o exercício físico aumenta o processo de criação de células cerebrais e de conexões entre neurônios,  o que pode melhorar a atenção e a concentração. 

Você se ama mais
Correr é bom para melhorar a autoestima. Estudos sugerem que quando começamos a ver melhorias simples de condicionamento, aptidão física e fôlego, ou quando conseguimos alcançar metas que achávamos ser impossíveis antes, a confiança e a autoestima crescem. 

Te deixa “high”
A sensação depois de um treino intenso é de euforia pura. Muita gente chama de “runner’s high”esse tal barato do corredor. Atividades intensas como sprints, HIIT e outras também são efetivas para essa sensação de euforia. 

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Como a corrida te deixa mais forte psicologicamente

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Como a corrida te deixa mais forte psicologicamente
Como a corrida te deixa mais forte psicologicamente Shutterstock

De fato, além do benefício físico, a corrida ajuda uma pessoa a ficar mais forte psicologicamente. Aliás, o esporte tem a capacidade de ensinar muito às pessoas e reproduzir situações semelhantes às do cotidiano. É comum constatar que a corrida se converte rapidamente em uma poderosa ferramenta de autoconhecimento.

Talvez isso explique a enorme popularidade da modalidade em todos os cantos do planeta. A cada quilômetro nos treinos e provas, a corrida pode nos dar uma série de lições. Listamos quatro fatores da corrida que contribuem para que ela seja também uma aliada da sua mente.

Como a corrida ajuda uma pessoa a ficar mais forte psicologicamente

1) Terapia sem custos
“A corrida gera autoconhecimento. É um esporte sem intervalos em que a pessoa fica sozinha e está pensando o tempo todo. E tem sido cada vez mais raro entrar em contato consigo mesmo na sociedade atual”, explica a psicóloga do esporte Julia Amato.

A rotina de trabalho, a convivência familiar e até mesmo os inúmeros dispositivos tecnológicos que surgiram nos últimos anos fazem com que o tempo para refletir sobre os rumos da própria vida seja cada vez mais escasso. Além de trazer benefícios à parte física, a corrida representa uma jornada de autoconhecimento. Os minutos ou horas em que a pessoa se dedica às passadas são acompanhados de diversos pensamentos sobre profissão, projetos pessoais e relacionamentos. Segundo Carlos Tramontina, jornalista da TV Globo, é “a terapia mais barata que existe”.

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2) Desenvolve resiliência

Imagine a seguinte situação: você está no km 34 de uma maratona para a qual se preparou durante cinco meses e sente um forte incômodo em um dos pés. É inevitável pensar que abrir mão daqueles 8 km restantes seria jogar no lixo toda a dedicação dos meses anteriores. É aí que você tira um gás que pensava que não tinha e cruza a linha de chegada. O sacrifício físico e mental é transformado automaticamente na gratificante sensação de dever cumprido.

As dores são obstáculos comuns para quem vive a corrida há algum tempo. Transportar essa resiliência (a capacidade de lidar com problemas, adaptar-se a mudanças e resistir à pressão de situações adversas) para outros campos da vida pode te levar mais longe na profissão, por exemplo.

3) A importância de dosar a competitividade
A competitividade é o motor para que qualquer esportista tenha vontade de superar limites e alcançar grandes objetivos. É esse apetite que te move a resultados que nem você acredita que seria capaz de alcançar.

Em contrapartida, a competitividade em excesso pode provocar ansiedade, lesões e problemas interpessoais. Afinal, ninguém quer conviver com um egocêntrico que, antes de dar “bom dia”, sai tagarelando sem critério algum sobre seus tempos nas maratonas de Chicago, Berlim ou Boston, talvez com o intuito de diminuir os feitos dos outros.

“A competitividade é sadia quando a pessoa direciona isso para a dedicação nos treinos, a alimentação regrada e as atividades complementares, como a musculação, por exemplo. A partir do momento em que ela vai competir com o outro, se essa competitividade estiver fora da linha, pode surgir um overtraining”, analisa Amato.

4) Lições de humildade
Você certamente já se deparou diante de um amigo ou companheiro de treino que estabeleceu metas inatingíveis para a corrida. Saltar dos 5 km para a meia-maratona em apenas dois meses e almejar um tempo baixíssimo sem treinar o suficiente para alcançá-lo são apenas alguns dos exemplos de objetivos pouco ou nada factíveis.

Os tombos na corrida devem ser encarados como verdadeiras lições de humildade, sinais de alerta para a transformação de nosso comportamento no esporte – e, por que não, na vida. Lidar com a frustração e usar as experiências negativas para acertar no futuro é uma das heranças da modalidade.

Sua forma de encarar a corrida pode ser um sinal de sua arrogância – ou de sua humildade, é claro. Nenhum corredor está imune às dificuldades que podem surgir no percurso.

Por mais preparado que você esteja, sempre pode pintar algum contratempo. Na Maratona de Londres de 2017, Kenenisa Bekele esperava quebrar o recorde mundial dos 42 km, mas terminou com a segunda colocação e encontrou uma justificativa incomum para seu fracasso: culpou seu par de tênis pelo resultado. A declaração soou arrogante e repercutiu mal na mídia estrangeira.

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Aos 49, corredora bate RP e sobe no pódio pregando corrida sem pressão

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Aos 49, corredora bate RP e sobe no pódio pregando corrida sem pressão
Aos 49, corredora bate RP e sobe no pódio pregando corrida sem pressão Foto: Ricardo Soares

Ana Gestal é a prova viva de que a dedicação é o tempero do êxito. Corredora há mais de três décadas, já se aventurou pelo triathlon e correu sua primeira maratona meses após o nascimento de sua primogênita. Este ano, alcançou o terceiro lugar na 42k de Floripa.

Com uma rotina apertada após a chegada do caçula, Ana passou a ir para a academia na hora do almoço, o único horário disponível na vida de mãe, advogada e esposa. Desde então, ela caça seu melhor recorde pessoal entre participações em majors como Berlim, Chicago e Boston. 

“O Alexandre, meu marido, não me deixa desanimar nunca, é superparceiro. Depois que o Lorenzo fez 3 anos, voltei a participar das corridas e retomei em 2012 o ânimo para as maratonas”, comenta Ana.

Depois de uma tentativa frustrada de completar sua segunda Maratona de Boston em abril deste ano, voltou determinada a dar o seu melhor. “Na época do treinamento (para Boston), minha mãe ficou doente, o marido havia se machucado… Tudo isso me desgastou muito. Não fiquei 100% presente na prova e decidi parar no km 20”, rememora.

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Decidida a enfrentar os 42k de Floripa, seguiu o script, treinou religiosamente e alimentou-se como deveria, ciente de que o importante era aproveitar cada segundo, sem a mesma cobrança anterior.

Ana conta que decidiu aproveitar os dias anteriores à prova com amigos e família. “Na quinta, descansei na praia. Na sexta, joguei bola com meu filho e no sábado estava comendo pipoca no cinema. Acordei em paz, encaixei o ritmo (a 4’30”) durante a prova inteira e nem percebi quando estava chegando ao fim”, comenta.

Recebida pelo filho e marido no km 36, foi pega de surpresa quando descobriu que estava em terceiro lugar na distância. “Não acreditava! Quando olhei as 3h09min40s no relógio, fiquei perdida. Cruzei a linha sendo amparada pelo meu filho, isso vai ficar para sempre na minha memória.”

Ao subir no pódio, a euforia cresceu no peito. “Já havia ganhado muitos troféus em outras distâncias, mas estrear nos primeiros lugares de uma maratona me deixou toda arrepaiada”, disse.

Depois de Floripa, Ana aprendeu uma lição valiosa: é essencial respeitar os limites. “Nada de insistir em um treino se você está cansado. É melhor ficar sem fazer nada do que entregar algo pela metade”, sinaliza, “a corrida é a minha terapia, a hora que eu medito, que dou risada, choro.”

Ana também deixa um conselho para repensarmos nossa relação com o esporte: “Não é você que precisa encaixar a vida na corrida, é a corrida que precisa se encaixar na sua vida”. 

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Aos 49, corredora bate RP e sobe no pódio pregando corrida sem pressão

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Apresentadora Bárbara Coelho explica como a corrida colabora com evolução na TV

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Como a corrida auxilia a jornalista Bárbara Coelho
Como a corrida auxilia a jornalista Bárbara Coelho Foto: Pedro Macedo

Bárbara Coelho não entrou nos gramados russos uma vez sequer, mas terminou a Copa do Mundo valorizada. Enquanto craques do futebol, como Kylian Mbappé e Luka Modric, brilhavam dentro das quatro linhas, a jornalista do SporTV roubava a cena com sua desenvoltura, simpatia e comentários no Central da Copa, programa que comandou ao lado de Tiago Leifert.

Conhecida por apresentar o Tá na Área e participar do Bem, Amigos, ambos da emissora, com 30 anos, Bárbara Coelho não limita o seu interesse pelo esporte ao futebol.

Mais do que um atalho para o emagrecimento e a boa forma, a corrida fez com que a capixaba progredisse em sua profissão. Geralmente, ela é vista correndo no calçadão ou na areia da praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Conforme ganhava ritmo na modalidade, via sua concentração e seu foco em frente às câmeras aumentarem.

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“A corrida não é só um exercício físico. É completa para o corpo e a mente. O esporte trouxe uma maturidade que faltava para a minha vida. Eu me distraio com muita facilidade, principalmente fazendo atividade física. Quando comecei a correr, passei a entender o que precisava para me concentrar mais, os caminhos que preciso tomar para voltar à minha linha de raciocínio”, contou a apresentadora à O2.

O interesse pela corrida surgiu em 2013, três anos depois de sua mudança do Espírito Santo para o Rio. “Caminho mais fácil” para quem vive uma profissão em que a rotina é não ter rotina, a corrida simbolizou o reencontro com um estilo de vida mais ativo.

Conciliar o gosto pela corrida com as obrigações profissionais e a vida particular não é fácil. Com a apresentação do Tá na Área, as viagens constantes para São Paulo — onde é gravado o Bem, Amigos — e a necessidade de acompanhar os jogos ao vivo, o jeito, muitas vezes, é recorrer à esteira e às aulas de running quando vê uma brecha na agenda.

A maior distância completada por Bárbara em uma prova de corrida de rua foi 10 km. “Foi em uma corrida organizada pelo GNT, no Aterro do Flamengo. Fui meio forçada, porque já tinha feito a inscrição. Quando terminou a corrida, tive uma sensação incrível de prazer e satisfação”, recorda.
A participação em uma meia-maratona figura na lista de desejos da jornalista. Os 21 km só não saíram ainda porque ela não para de receber oportunidades profissionais.

“Estou muito feliz com meu momento profissional. Você começa a ter mais respaldo para os erros e os acertos. Não estou ali por favor. Não estou ali por cota. Gostaria que a mulher buscasse esse olhar. Nós conquistamos o direito de estar ali.”

Bárbara Coelho e outras profissionais na luta contra o machismo no esporte
No jornalismo esportivo, casos que envolvem torcedores agressivos e assediadores motivaram a criação do movimento “Deixa Ela Trabalhar”, integrado por Bárbara Coelho e mais de uma centena de profissionais.

Combater as situações do machismo, na verdade, se estende também à prática de esportes. Na corrida, são comuns os relatos de mulheres incomodadas durante seus treinos.

“Eu nunca passei por nada que me deixasse chateada, que fosse algum tipo de assédio. Mas vejo que as mulheres pegam aqueles fones gigantes e colocam nos ouvidos para não serem incomodadas no trajeto do trabalho ou até mesmo na corrida. Acho que, hoje em dia, o olhar é tão crítico que já vejo mudança de comportamento da sociedade. Acho que já há uma diferença de comportamento nas pessoas”, analisa.

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Runner’s high: a ciência por trás desse fenômeno

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Runner’s high: a ciência por trás desse fenômeno
Runner’s high: a ciência por trás desse fenômeno Shutterstock

Euforia, alegria, contentamento, uma sensação de leveza misturada com excitação e relaxamento. Já sentiu algo assim depois de correr ou enquanto corria? Alguns dizem que ficam mais relaxados, outros mais agitados — e não tem um timing certo para acontecer, mas essa sensação de felicidade é quase unânime. É o tal runner’s high, ou simplesmente o barato do corredor. Para muitos, é isso que faz a corrida ser tão viciante.

É fato que correr desencadeia um montão de coisas boas aí dentro — e que podem te deixar “alto” de verdade. Uma mistura de hormônios e neurotransmissores que começam a ser liberados, se conectam e bum! De repente começa uma avalanche de sensações que te fazem até esquecer do cansaço e anestesiar a dor.

“Sinto o high depois dos primeiros 3 km. Parece que quando começamos a correr o corpo ainda não está ‘encaixado’ e a mente está barulhenta, mas depois de 15 minutos eu já começo a sentir a tal da endorfina e o corpo fica mais solto. Parece que dá um clique e você se sente solto, livre. Não existe pensamento algum. O high vem quando a corrida encaixa e eu solto o corpo na pista”, descreve o publicitário Pedro Ignácio, de 29 anos.

Para Valéria Duarte Garcia, doutora em neurociências e comportamento pela USP, esse fenômeno está relacionado com nossas adaptações evolutivas ao longo dos anos. “Quando nossos ancestrais precisavam correr por longas distâncias, nosso cérebro fazia uso de artifícios químicos para diminuir a percepção de dor, manter a motivação e permanecer em movimento para buscar o alimento, um dia após o outro. Hoje, no nosso caso, ele faz a gente voltar para o treino”, continua a doutora.

A ciência por trás do runner’s high
Já se sabe bastante sobre as relações profundas entre o cérebro e a corrida: correr pode ser benéfico para aumentar os neurônios ativos, para combater males como a ansiedade e a depressão, para melhorar aspectos cognitivos do envelhecimento (habilidades de movimento e coordenação que perdemos ao longo da vida) e para nos deixar mais felizes também. Mas quanto disso é química e quanto é apenas a mente em ação?

“Por um longo tempo, as pessoas acreditavam que a resposta para o runner’s high era apenas a endorfina — com o exercício de longa duração você libera endorfinas, que têm um efeito semelhante à morfina no corpo e, portanto, podem ser responsáveis pelos sentimentos de bem-estar. Em alguns estudos, porém, quando os efeitos das endorfinas foram bloqueados quimicamente, as pessoas ainda experimentaram este high — de modo que todo o argumento da endorfina foi questionado”, explica Valéria.

O que mais poderia afetar o humor de uma pessoa neste nível afinal? “A secreção de neurotransmissores como a norepinefrina, a dopamina, a anandamida e a serotonina, por exemplo, além da leptina (um hormônio). Eles foram todos estudados para entender o high do corredor, pois tendem a ser liberados e produzidos em maiores concentrações durante o exercício”, continua ela.

Mas todo mundo sente o runner’s high? Como alcançar esse estado de contentamento em todas as corridas? Mais importante, é ele que te faz continuar correndo e querendo sempre mais? “Temos todas as condições fisiológicas para atingir esse barato do corredor porque é algo químico que acontece dentro do organismo. Os neurônios liberam as substâncias, mas existem diferenças individuais quanto aos efeitos das sensações desse fenômeno, o tempo e forma que acontecem. Até os efeitos imperceptíveis atuam no bem-estar do organismo”, explica a doutora Valéria, que também é corredora amadora de longas distâncias.

Um estudo de neuroimagem realizado na Universidade de Bonn (Alemanha) descobriu que exercícios aeróbicos liberam, sim, endorfinas, que desempenham um papel crucial na excitação, emoção e cognição. Mas essas sensações não são causadas apenas por elas. Em um outro estudo, pesquisadores alemães descobriram que o sistema endocanabinoide do cérebro — conjunto de receptores e enzimas que trabalham como sinalizadores entre as células e os processos do corpo e é o mesmo afetado pela maconha — também pode desempenhar um papel na produção desse famoso high da corrida.

Um endocanabinoide solúvel em lipídios chamado anandamida — também encontrado em níveis elevados no sangue das pessoas após a corrida — pode viajar do sangue para o cérebro e ajudar a desencadear essa ‘brisa’.

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Outro estudo feito com estudantes universitários, em pequena escala, comprovou essa ideia. Publicado na revista Cognitive Neuroscience, selecionou atletas universitários bem treinados para correr ou pedalar durante 50 minutos. Depois, mediu os níveis de endocanabinoides no sangue. Além de os níveis estarem elevados, os atletas sentiram efeitos semelhantes aos compostos ativos da maconha: redução do estresse, alívio da dor, sensação de bem-estar e relaxamento. “O high do corredor age nos mesmos receptores do THC, ou seja, seu cérebro produz sua própria maconha”, continua Valéria.

As descobertas indicam que o runner’s high é mais do que um simples aumento de um produto químico no cérebro, é uma dança complexa de compostos psicoativos liberados em resposta a exercícios que aumentam o seu humor, o seu nível de energia, mas também aliviam a ansiedade e fazem você se sentir calmo e relaxado.

Cada um com seu barato
Lembre-se: não existe uma maneira garantida, muito menos única de alcançar esse barato. “Não pense que você está fazendo algo errado apenas porque um parceiro de treino fala que sente isso o tempo todo e você não sente o mesmo. O high ocorre em momentos diferentes para diferentes pessoas. O que funciona um dia também pode não funcionar no próximo”, explica Valéria. A seguir, pedimos para alguns corredores tentarem explicar a sensação.

Runner’s high ou flow?
Ainda que descrevam uma sensação de excitação com a corrida, muitas pessoas confundem o high com outra definição: o flow (fluir), que é quase como uma meditação em movimento. “Os movimentos naturais da corrida, realizados de forma repetitiva, funcionam como um mantra, fazendo com que nosso cérebro oscile de ondas cerebrais com frequências altas para frequências mais baixas. Quanto maior o tempo de exposição (a distância percorrida), mais facilmente o atleta tem a capacidade de desfrutar da meditação ativa e transitar entre frequências cerebrais cada vez mais baixas, atingindo um estado alterado de consciência (flow)”, explica Valéria.

Para sentir o runner’s high basta começar a correr e permanecer em movimento rítmico por algum tempo, pois é algo muito mais fisiológico. Já o flow é outra coisa. É um fenômeno psicológico complexo que precisa de muito trabalho mental e físico também. “Com o treinamento certo eu consigo preparar um atleta para o estado do flow”, explica Valéria, que garante que isso pode até aumentar a performance de atletas que o atingem.

Esse modelo psicológico de flow nada mais é do que aquele momento em que o atleta está totalmente concentrado na atividade física, apresenta alta motivação intrínseca e tem sua consciência inteiramente envolvida pela ação. “Neste momento dizemos que ele atingiu o estado de flow. Essa experiência também tem sido associada a mudanças na atividade cortical, especialmente nas regiões frontais do cérebro, e tem sido relacionada com um aumento da performance cognitiva após o exercício”, complementa Valéria.

“Para a psicologia, o flow é uma reconexão da mente com o corpo por meio do esporte; é um acreditar em si mesmo”, explica Gustavo Monhallem, psicólogo do esporte e coach motivacional do Espaço Lio (SP). “O flow é um ‘ir buscar’ que envolve corpo, mente e espírito. A liberdade que o correr traz, a sensação de ‘eu posso’… e isso pode transformar uma pessoa”, completa.

Quer entrar em flow correndo? “Tente excluir qualquer pensamento ou emoção que não seja relacionado à sua corrida, torne-se parte dela, tente se unir ao ambiente, seja na montanha, na pista, no asfalto”, finaliza Valéria.

High

  •  Liberdade atencional

Você apenas está correndo e sentindo o prazer da corrida, não exige atenção nem foco, os neurotransmissores simplesmente agem enquanto você corre.

  • Sem engajamento temporal

É puramente químico! Você começa a correr e os neurotransmissores passam a ser liberados no cérebro, gerando uma sensação de prazer, um “barato”.

  • Abrangente

O high pode começar  assim que você calça o tênis ou no meio da corrida como uma vozinha interior que diz: “Vamos correr, a recompensa está logo ali no fim do treino”

Flow

  • Foco atencional

Você precisa se desligar do ambiente e concentrar-se apenas no movimento, no seu corpo, na respiração. É necessário foco para o flow agir e te ajudar na corrida.

  • Engajamento temporal

É uma prática que leva anos de treinamento mental e psicológico para que você atinja e entenda o que é estar em flow enquanto corre.

  • Específico

Acontece apenas durante a corrida e se define naquela força que você nem sabia que tinha. Um foco energizado e envolvimento pleno com a prática.

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Runner’s high: a ciência por trás desse fenômeno

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Psiu, deixa elas correrem em paz! Mulheres desabafam sobre assédio na corrida

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Assédio na corrida: mulheres desabafam
Assédio na corrida: mulheres desabafam Ricardo Soares

Toda mulher já passou por uma situação constrangedora de ser provocada na rua por um homem. E acredite, o assédio na corrida também é um problema para as atletas que treinam na rua. Muitas até deixam de correr ao ar livre para não terem que ouvir comentários tenebrosos . E, não, o problema não está no short de corrida ou no top. Está na mentalidade de quem continua perpetuando ideias e tratamentos depreciativos às mulheres.

Assédio na corrida virou parte da rotina
O assédio na corrida é tão, mas tão comum, que muitas das mulheres com quem a O2 conversou afirmaram que até já se acostumaram com as abordagens invasivas. “Acho que por estar de shorts ou calça legging, sei lá, passei por muitas situações de assédio. De assovios a gritos de ‘gostosa’. Normalmente é quem está dentro do carro que faz isso. Falam coisas tão pesadas que dá até vergonha de repetir”, conta Carla Caroline, corredora de São Paulo.

Fora o drama de pensar na roupa “certa” para treinar e planejar o percurso para evitar esse tipo de constrangimento (e até coisa pior), é preciso ter jogo de cintura para evitar o assédio: atravessar a rua, mudar a rota, sair acompanhada e escolher um horário que não seja nem muito cedo nem muito tarde. Muitas desistem desse trabalhão e vão correr na esteira; outras se inscrevem em uma assessoria esportiva ou encontram um grupo de corrida. Sozinhas, nunca. Vai que.

Você aí, leitor, pode até dizer, “ah, mas é elogio”, “se não gostar é só ignorar, fingir que não ouviu”. Entretanto, não é, não. Não é nada agradável ouvir palavras de cunho sexual de alguém que você nunca viu na vida. É constrangedor e, sim, ignoramos tanto a ponto de nos sentirmos culpadas às vezes.

“Ah, eu esqueci que ia pegar o metrô e estava de shortinho de corrida”, “Poxa, eu que vacilei em correr de top na rua” estão entre outras desculpas que damos para justificar a falta de vergonha alheia. “Não tem nenhuma vez que eu esteja correndo e não receba pelo menos uma buzinada, um farol alto, um ‘elogio’. Algo curioso é que não me lembro de ter sido assediada por outros corredores”, conta Mariane Takahashi, que corre desde 2016.

O mais triste disso tudo não são apenas as histórias, mas não ter uma solução para o problema, a não ser o bom senso. “É cultural”, como dizem por aí. Ei, psiu, você. Deixe elas correrem em paz.

“Tinha medo de ir treinar antes de amanhecer” – Tatiane Cris
“Tinha medo de ir treinar antes de amanhecer” – Tatiane Cris Ricardo Soares

Ô, lá em casa!
Vallery Mello, 36 anos, SP 

Toda mulher passa por isso. Infelizmente. Normalmente. Na rua, no trabalho, em qualquer lugar. Vi um vídeo que dizia que a cada dez mulheres, nove assumem ter passado por isso e uma tem vergonha de falar. Às vezes, é uma gracinha que você nem considera um assédio. Em 2013, em um treino de rua, saí para correr em São Bernardo do Campo (SP) e em determinado ponto um carro passou por mim, diminuiu a velocidade e deu a volta. Percebi o movimento e tive muito medo; sabe aquele frio na espinha? Na hora, vi duas mulheres paradas na esquina, esperando por alguém. Parei e pedi para ficar com elas ali. O carro deu a volta e foi embora. Não aconteceu nada, mas podia ter acontecido. Eu tive uma sensação muito ruim. Enfim, são muitos “vai que” antes de sairmos para correr. Como podemos aceitar isso?

D., 27 anos, SP

Estava a caminho da USP. Moro longe e resolvi começar a ir de metrô e trem. No primeiro sábado indo de transporte público deu tudo certo. Vesti regata e shorts e pus uma calça mais larga por cima de tudo (tirei só na hora do treino). Confesso que já fui com a calça por medo de possíveis assédios. No segundo sábado, saí atrasada e esqueci totalmente da calça por cima. Estava de short estilo ciclista, um pouco acima do joelho, regata e uma jaqueta corta-vento. Já no metrô, recebi encaradas pelo caminho inteiro. Cheguei a tirar a jaqueta para jogar por cima das minhas pernas.

Mas o pior foi quando fiz a transferência do metrô para o trem. Três homens (não eram garotos) vieram perto de mim enquanto eu aguardava o trem e começaram a falar um monte de besteiras do tipo “Não quer treinar lá em casa?”, entre outras. Fechei a cara e saí de perto deles. Eles riram, continuaram falando e se aproximaram de mim. Fiquei com tanto medo que não embarquei no trem, nem peguei os dois seguintes. Não queria correr o risco de descerem na mesma estação que eu. Destaco a roupa que eu estava usando, porque algumas pessoas justificam o assédio por esse motivo. Inclusive, quando contei para um colega de trabalho, ele disse: “Não sei se é o seu caso, mas vejo a mulherada correndo de shortinho, aí não tem como a galera não mexer, né?”. Se esse tipo de afirmação vem até de amigos, fica difícil. Vou ter mesmo que correr toda coberta?

Carla Caroline, 30 anos, SP

Uma vez estava perto da estação Vila Prudente (zona leste de São Paulo) correndo e passei em frente a uma obra. Um cara que trabalhava lá começou a mexer comigo. Dessa vez, sei lá por que, resolvi revidar. E ele começou a me xingar bem alto — disse que se não quisesse elogio, que saísse com outra roupa. Que eu era feia e que estava me fazendo um favor por mexer comigo, entre outros absurdos. E dá medo, como não? Tem dias que eu prefiro correr à noite, mas agora não vou mais. Até as 18h eu vou. Não quero passar por esse tipo de constrangimento novamente.

Tatiane Cris, 26 anos, SP

“Na época em que precisava fazer uns treinos longos para maratona, quando temos que correr por 3 horas ou mais, tinha medo de ir treinar antes de amanhecer, então meu treinador teve que ir comigo. Sempre tem que fazer aquela listinha mental: Onde vou? Como vou? Com que roupa eu vou? Quem vai estar por lá? Acho que homens não precisam fazer isso quando decidem sair para correr.

Pauline Gras, 30 anos, SP

Estava correndo na orla de Santos sozinha e passei por uns caras sentados nos bancos. Gritos, fiu-fiu e frases constrangedoras como: “Continue correndo assim que os peitos vão balançando”. Como é possível se concentrar e manter o ritmo da corrida depois de ouvir esse tipo de coisa? Em outra oportunidade, no Rio de Janeiro, eu e uma amiga tivemos que acelerar o pace e entrar em uma loja depois de dois caras começarem a nos perseguir e falar um monte de besteiras. Além, óbvio, das eternas olhadas nos peitos quando corria de top. Já nem me lembro da última vez que corri sem camiseta.

Priscila Arcanjo, 30 anos, SP 

Comigo aconteceu dentro do Parque Ibirapuera, em um sábado bem cedinho, correndo sozinha. Um homem passou e começou a me acompanhar de bicicleta, falando um monte de coisas que queria fazer comigo. Fiquei com muito medo e meio sem saber o que fazer, mas continuei correndo e vi dois guardas perto do banheiro. Parei para contar a eles o que aconteceu. Depois disso, o homem foi embora, mas dei um tempo e saí correndo do Ibira no primeiro portão que vi.

Debora Freire, 27 anos, SP 

Corro por hobby e por prazer. Mas na rua é horrível correr junto com os carros, porque fechou o semáforo, já era. Você vai ficar ali parada e começar a ouvir os absurdos. Tem uns trechos perto da Radial Leste (zona leste de São Paulo), onde corro, que evito porque são trechos meio abandonados e tal. Vai que. Temos que ficar pensando no trajeto, evitar passar por viadutos. Mas, independentemente do que a gente veste, a gente ouve. Em escalas diferentes, de acordo com a roupa. De shortinhos e legging o assédio é muito maior. Quase unânime. Infelizmente ser mulher é viver essas situações e ter que se acostumar a elas. Não corro à noite se meu amigo não corre comigo. Nem tão cedo, porque é vazio e pode acontecer alguma coisa. Sozinhas nos tornamos alvos mais fáceis.

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“Um homem passou e começou a me acompanhar de bicicleta” – Priscila Arcanjo
“Um homem passou e começou a me acompanhar de bicicleta” – Priscila Arcanjo Ricardo Soares

Quem nunca?
Em uma pesquisa realizada pela campanha Chega de Fiu Fiu em 2013, das 7.762 mulheres ouvidas, 81% afirmaram que já deixaram de fazer alguma coisa por medo de assédio. De acordo com uma pesquisa do Instituto YouGo, 86% das brasileiras já sofreram assédio em público, sendo 77% assovios, 74% olhares insistentes, 57% comentários de cunho sexual e 39% xingamentos. Metade dessas mulheres afirmou que já foram seguidas na rua; 44% já tiveram seus corpos tocados; 37% relataram que homens se exibiram para elas e 8% foram estupradas em locais públicos.

Quando questionadas sobre qual situação gerava mais medo, 70% das entrevistadas afirmaram que era ao andar pelas ruas, onde se sentiam mais vulneráveis. Ou seja: quase todas as mulheres do nosso país já foram assediadas. E nós, corredoras, fazemos parte dessas estatísticas.

Outros números do assédio

1 em cada 3 brasileiros culpa a mulher em casos de estupro
No Brasil, uma mulher é estuprada a cada 11 minutos
Apenas 10% das agressões contra mulheres são registradas
42% dos homens concordam com a frase “mulheres que se dão respeito não são estupradas”
32% das mulheres concordam com a frase acima
85% das mulheres têm medo de serem vítimas de agressão sexual

Nos EUA
Segundo o National Street Harassment Report, o assédio baseado em gênero afeta 65% das mulheres e 25% dos homens. Uma pesquisa da Inglaterra com 2 mil mulheres mostrou que mais da metade delas já enfrentou algum tipo de assédio sexual enquanto corriam sozinhas. A pesquisa foi encomendada pelo England Athletics e mostrou que 60% se sentem ansiosas ou preocupadas quando vão sair para correr sozinhas. Muitas deixam de praticar atividade física ao ar livre para evitar o assédio. A pesquisa foi publicada pelo RunTogether, um programa nacional criado para encorajar pessoas a começarem a correr.

Dicas de segurança

Pedimos aos treinadores Rodrigo Lobo e Nelson Evencio, ambos de assessorias esportivas de São Paulo, para darem dicas para as corredoras se manterem seguras e evitarem o assédio na corrida.

Nelson Evencio: Sempre falo para nunca correr sozinha em local escuro ou deserto. Quando minhas alunas têm longão que começa muito cedo, chego no mesmo horário e faço pelo menos o começo do treino com elas. Para quem volta de transporte público, é bom colocar uma camiseta, calça ou bermuda mais comprida. Evite ir embora usando só short e top. Parece uma dica absurda, mas infelizmente muita gente que não é da tribo da corrida não está acostumada a ver pessoas mais à vontade.

Rodrigo Lobo: O mais importante é buscar locais com circulação de pessoas. É triste dizer isso, mas é cultural e muito natural em todos os lugares esses assédios contra as mulheres. O melhor é ignorar, até porque reagir pode piorar a situação. Se algo acontecer, peça ajuda. Não dá para falar sobre roupas porque acredito que todo mundo deve se vestir do jeito que bem entender e isso não deveria justificar o assédio.


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Inglesa disputa ultramaratona amamentando e sensibiliza corredores

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Inglesa disputa ultramaratona amamentando e sensibiliza corredores
Inglesa disputa ultramaratona amamentando e sensibiliza corredores Foto: Alex Berg/Strava

A ultramaratonista britânica Sophie Power decidiu parar durante a Ultra-Trail Mont Blanc (UTMB) para amamentar seu filho de três meses, Cormac. Sua imagem amamentando durante a ultramaratona, ao lado de corredores exaustos apenas por participar do evento, foi capturada por um fotógrafo e logo chamou a atenção de outros corredores e fãs do esporte.

Durante a ultramaratona, considerada a corrida em trilha mais prestigiada da Europa, Power acabou parando nos postos de ajuda ao longo da corrida para encher a bomba de leite já que o bebê se alimenta de três em três horas. Após levar 16 horas para chegar onde o marido e o filho estavam esperando, na área de Courmayeur, ela própria o alimentou.

“Eu fiquei tão aliviada que ele estava com fome”, ela disse. “Eu estava muito nervosa com isso”.

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A imagem de Sophie Power amamentando Cormac viralizou nas redes sociais depois de ser publicada no perfil oficial do Strava.  “Uma imagem verdadeiramente incrível que conta uma história melhor do que jamais poderíamos – uma história de maternidade, resistência e força do corpo humano. Nós aplaudimos sua perseverança, sua coragem e seu desafio àqueles que lhe disseram que você não podia. Você é uma verdadeira inspiração”, dizia a postagem.


A publicação logo recebeu centenas de comentários elogiosos à força e a à postura de Power, considerada por outros corredores como uma fonte de inspiração.

Por estar amamentando, Power precisou realizar a corrida mais devagar e com algumas mudanças no físico.”Eu não conseguia elevar muito o meu ritmo cardíaco, porque meu corpo não estava preparado para queimar gordura. E para proteger minha pelve, eu não conseguia correr com muita força”, ela disse.

Power acredita que continuar ativa e com o mesmo estilo de vida saudável durante a gravidez é importante tanto para a mãe como para o bebê.

“Durante a gravidez, parecia que o único conselho era colocar os pés para cima e engordar, já que fazer qualquer outra coisa me colocaria em risco. Essa não é a melhor maneira de se preparar para a maternidade, manter-se em forma, saudável e forte é muito importante. E é importante discutir como você pode fazer isso”, completa.

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Crews x assessorias: qual treino é ideal para você?

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Crews x assessorias: qual treino é ideal para você?
Crews x assessorias: qual treino é ideal para você? Rafaele Forte

Assessorias esportivas e crews de corrida se multiplicaram em grandes cidades brasileiras nos últimos anos. Vestidos com camisetas idênticas aos seus companheiros de treino, os corredores que participam de assessorias e crews se reúnem semanalmente para correr, trocar informações sobre a modalidade e, por que não, socializar. Embora as propostas pareçam semelhantes para alguns, há diferenças marcantes nos métodos e nas propostas dos grupos. Mas, afinal de contas, qual formato se encaixa melhor ao seu estilo de vida e aos seus propósitos na corrida?

O Ativo acompanhou um treino em uma grande assessoria esportiva e esteve em diversos encontros de duas crews de corrida de São Paulo. A proposta era entender quais são os anseios de quem frequenta cada ambiente e como os treinos são desenvolvidos.

Crews de corrida: descontração e pace sem compromisso
Às quintas-feiras, no Parque Ibirapuera, os treinos do grupo Outra Fé, um entre as dezenas de crews que se espalharam por São Paulo nesta década, são precedidos pelo “divã da corrida”. Em uma espécie de gincana, um participante é convidado para falar sobre o motivo que o levou a procurar a corrida e os benefícios que o esporte provoca em sua vida.

Na primeira quinzena de agosto, Paulo Simões, de 40 anos, quebrou a onda de relatos bem-humorados das semanas anteriores. Diante de cerca de 40 pessoas – jovens com idades entre 25 e 30 e poucos anos são maioria ali –, lembrou de um drama familiar que a corrida ajudou a amenizar e recebeu aplausos dos presentes.

O clima acolhedor se estende ao aquecimento, comandado pelo professor de educação física Renan Rodrigues e recheado de brincadeiras de duplo sentido entre os líderes. Os trocadilhos, invariavelmente, arrancam risadas dos presentes e ajudam a quebrar o gelo entre aqueles que visitam o grupo pela primeira vez.

Treinos do grupo Outra Fé
Treinos do grupo Outra Fé Rafaele Forte

Em seguida, os líderes da crew anunciam que o grupo se dividirá em três pelotões. Dois pelotões fazem 5 km em ritmos diferentes – o mais rápido, em um pace na casa dos 5 minutos por km – ou abaixo disso, dependendo do ânimo do pacer –, e o mais lento girando entre 5min30s e 5min45s. A turma dos iniciantes percorre 3 km em um ritmo de trote, beirando os 7 minutos por km.

“Eu acho que o crescimento das crews vem do sentimento do jovem de pertencer a um grupo. Queremos ser um ambiente em que as pessoas possam se conhecer e praticar esporte. É uma proposta mais humanista. Como nossos treinos são abertos, nunca sabemos o que pode chegar, então queremos que seja uma experiência boa para todos”, diz Leopoldo Longo, de 29 anos, um dos líderes do Outra Fé.

“A crew pode ser uma porta de entrada para a assessoria. Como não temos a barreira do dinheiro, o jovem que está querendo começar a correr mais pode ver na crew se realmente quer investir em uma assessoria e talvez melhorar a sua performance”, acrescenta Longo.

O viés de socialização está muito presente no discurso daqueles que frequentam as crews e, muitas vezes, vem à frente da própria performance esportiva. Acostumado a longas rodagens e com uma edição da Maratona do Rio no currículo, Murilo Botelho, de 29 anos, é figurinha carimbada nos treinos da Outra Fé.

“O que eu gosto ali é a energia, a vontade de mostrar que a corrida vai muito além de um esporte. A corrida tem um poder de mudar a vida de todos. Eu fui tocado por alguns amigos que correm. Minha intenção de ir todas as quintas é motivar pessoas da mesma forma que eu fui motivado”, conta Botelho.

Assim como nas outras crews de corrida, não é necessário pagar nada para participar dos treinos da Outra Fé. Todos os custos referentes à estrutura do grupo são bancados pela Puma, parceira da crew.

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Contato inicial com a corrida

Fundado neste ano, o Vem Pro Corre, crew que se reúne às 20h15 das terças-feiras na Praça do Ciclista, na região da avenida Paulista, chega a receber mais de 100 pessoas em alguns treinos. As noites frias costumam afastar os corredores. A maior fatia do grupo é de iniciantes, garante a líder Fabiana Burlim, de 35 anos.

“Nós começamos em um pelotão só. Aqueles que correm menos vão ficando para trás. Sempre um dos embaixadores acompanha um dos pelotões. Queremos passar a ideia de que ninguém corre sozinho. Temos visto que muitas pessoas se apaixonam pela corrida através do Vem Pro Corre”, alega.

A exemplo de outras crews, o público no Vem Pro Corre, apoiado pela O2 e pela Under Armour, é transitório – embora dezenas de corredores compareçam todas as terças. Ao fim dos 5 km de cada treino, todos os corredores são cumprimentados pelos companheiros em uma espécie de “corredor polonês do bem”. Dezenas de pessoas estendem as mãos para saudar quem chega.

Como em todas as crews, os corredores millenials fazem questão de registrar os treinos em suas redes sociais. Sempre há um fotógrafo para clicar os movimentos e poses dos participantes do Vem Pro Corre. “A galera gosta de tirar foto para postar durante a semana”, diz Burlim.

Assessoria: plano esportivo em primeiro lugar
Desejo de disputar uma maratona, busca por performance mais rápida e a vontade de eliminar o sobrepeso são alguns dos motivos que conduzem uma pessoa a uma assessoria esportiva. Lá, a socialização é uma consequência de meses de treinamento e objetivos compartilhados. Diferentemente das crews, o público nas assessorias é mais maduro e disciplinado, girando entre os 35 e 60 anos. Até por envolver um custo fixo, dificilmente alguém entra ali sem ter um objetivo em mente.

Na última quarta-feira (29), o Ativo acompanhou um treino na assessoria esportiva de Adriano Bastos, uma das maiores de São Paulo, com três pontos de treino. Ex-atleta de elite, Bastos conta com cerca de 400 pessoas em seu quadro de alunos, entre os que frequentam os treinos no Ibirapuera, na USP, no Ipiranga e os que optam pelo treinamento virtual, com envio de planilhas. Cerca de 30% dos alunos disputam maratonas regularmente.

Enquanto os líderes de crews de corrida gostam de repetir que “é só chegar” – uma maneira informal de dizer que não é preciso desembolsar nada e que todos são bem recebidos nos treinos –, as assessorias seguem procedimentos padrões para acolher futuros alunos. Na assessoria de Adriano Bastos, antes de começar a treinar, é preciso se submeter a um exame de sangue, um ecocardiograma e um teste ergométrico. Além de ser sabatinado sobre seus objetivos no esporte, o corredor também passa por um teste físico, necessário para que a equipe técnica avalie como inseri-lo dentro do grupo. Essa criteriosidade é essencial para não colocar ninguém em risco e não gerar lesões, afirma Marcelo Raffani, um dos coordenadores da assessoria.

Os “rosinhas”: alunos de Adriano Bastos conhecidos em razão das camisetas cor de rosa.
Os “rosinhas”: alunos de Adriano Bastos conhecidos em razão das camisetas cor de rosa. Rafaele Forte

Embora os “rosinhas”, como os alunos de Adriano Bastos são conhecidos nas provas paulistas em razão das camisetas cor de rosa que utilizam, sejam associados à competitividade, há quem prefira dar seus primeiros passos na corrida já sob a orientação de quem conhece do assunto. Enquanto o repórter do Ativo conversava com Raffani, um aluno recém-chegado à assessoria e visivelmente empolgado, contava que havia corrido os primeiros 5 km de sua vida. “Isso é mais comum do que parece”, contou o treinador, dando a entender que planilhas e planejamento não são só para os corredores ultracompetitivos.

Na assessoria de Adriano Bastos, está “todo mundo junto, mas, ao mesmo tempo, separado”. Isso quer dizer que, embora os treinos sejam feitos em grupo, cada um tem sua planilha, seu planejamento e, claro, seu ritmo. No treino acompanhado pelo Ativo, dois professores comandavam tiros de 2min30s com 1min20s de intervalo. Os alunos tinham que rodar em uma praça de 500 metros dentro do Parque Ibirapuera. Alguns corriam mais do que os 500 metros nos 2min30s. Outros levavam mais tempo.

A alguns metros dali, a treinadora Daniele Piotti comandava um treino de fortalecimento – também incluso no plano dos alunos. Para evitar lesões e turbinar o rendimento na corrida, o fortalecimento ali é feito com o peso do próprio corpo, mas com séries mais longas para compensar a ausência de carga. São burpees, flexões, abdominais e outros tipos de exercícios funcionais.

Sinais de falta de comprometimento, como as ausências sem justificativa, não são encarados com naturalidade na assessoria. “Se um aluno falta três dias seguidos, já entramos em contato para saber se aconteceu algo”, lembra Raffani.

O plano mensal na assessoria de Adriano Bastos custa R$ 200, com descontos para planos mais longos. 

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Os principais mitos da corrida de rua

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Tire suas dúvidas sobre a corrida de rua
Tire suas dúvidas sobre a corrida de rua Shutterstock
Corrida no sol do meio-dia melhora a resistência? Quem tem mais massa muscular corre melhor? Alguns mitos da corrida de rua são recorrentes na cabeça dos iniciantes. O problema é que muitos deles podem atrapalhar, e muito, o desempenho e evolução dos corredores.

 Os mitos da corrida explicados

A professora expert em corrida Kika Medeiros, da academia Competition Training Gym (SP), esclarece algumas dessas dúvidas que se tornaram “verdades quase absolutas”: 

1 – Correr no sol do meio-dia melhora a resistência?

Na verdade, não. Correr em temperaturas elevadas pode comprometer o rendimento e, em alguns casos, causar hipotensão, devido ao superaquecimento do corpo.

Por outro lado, a especificidade sempre deve ser levada em conta. “Em provas com mais de 8 horas, por exemplo, em que o atleta ficará exposto ao calor durante a maior parte do dia, é necessário realizar treinos com temperaturas mais quentes. Mas isso deve acontecer de forma progressiva, para “acostumar” o corpo, até que ele esteja totalmente adaptado”, cita Kika.

2 – Correr mais agasalhado que o normal ajuda a perder peso?

Antigamente, acreditava-se que correr com saco preto preso na cintura queimava gordura local e ajudava a emagrecer. Porém, esse é mais um dos mitos da corrida. A única consequência dessa prática é a desidratação proveniente do superaquecimento do corpo. “Para perder peso, o recomendado é fazer dieta com orientação nutricional e manter práticas regulares de atividade física”, conclui Kika.

3 – Num ciclo de treinamento para uma maratona, preciso correr pelo menos 37 km antes da prova?

Não há necessidade. É por isso que existe a periodização do treinamento, como a metodologia IHP (Institute Of Human Performance) que prega o famoso “menos é mais”. Para quem nunca fez uma maratona e quer preparar a cabeça, é possível chegar até 32 km uma única vez antes da prova, não mais do que isso. O mais importante é a organização do volume total durante a semana.

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4 – Correr durante a gravidez faz mal para o bebê?

Se a mulher grávida correu durante toda a vida, na gravidez isso não precisa ser diferente. Com a orientação de um médico, ela poderá correr até a barriga não causar incômodo. Nesse caso, a única recomendação é que a gestante não corra longas distâncias.

5 – Quem tem mais massa muscular corre melhor?

Não necessariamente. Se o atleta quer fazer uma prova rápida ou baixar o tempo, quanto mais leve ele estiver, mais chance terá em alcançar o ritmo ideal. Caso contrário, essa massa muscular não influenciará o desempenho do corredor. 

6 – Correr faz mal para os joelhos e articulações?

É verdade que toda atividade física com estresse muscular pode gerar algum tipo de lesão. Mesmo assim, esse é mais um dos mitos da corrida de rua. Se o corredor for liberado por um especialista e estiver com o trabalho de fortalecimento muscular em dia, a corrida não prejudicará a cartilagem dos ossos

Fonte: Kika Medeiros, professora da academia Competition em São Paulo (SP) e especialista em corrida. 

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Arcah: largada para uma vida nova com a corrida

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Arcah: largada para uma vida nova com a corrida
Arcah: largada para uma vida nova com a corrida Divulgação

A corrida pode ser uma ferramenta de transformação social. E é nisso que o projeto Arcah, em Araçariguama, na região metropolitana de Sorocaba, acredita. A iniciativa busca reabilitar pessoas em situação de rua e utiliza a o esporte como parte essencial do tratamento.

O objetivo é dar a essas pessoas uma chance digna de recomeço, deixando para trás a realidade difícil, solitária e com muitos percalços, entre eles a dependência química de drogas e álcool.

Arcah: um por todos
Em 2013, um grupo de empresários, amigos e conhecidos se uniu para tentar entender a situação de quem vive nas ruas. “Que problema é esse? Quem são essas pessoas, de onde elas vieram e, principalmente, por que isso acontece? Precisamos estudar isso”, relembra Rodrigo Flaire, diretor de operações da Arcah.

Flaire procurou a resposta entre projetos, exemplos de comunidades terapêuticas existentes e nos livros.

Encontrou a história do norte-americano Carl Hart, cientista social, ativista e educador. Criado na periferia de Miami, Hart usou drogas e cometeu delitos durante sua juventude.

“Um dos estudos de Hart quis provar que não importa a situação, o ser humano sempre irá optar pelo que é melhor para ele. Desde que li essa frase, fiquei com essa pulga atrás da orelha: o que aconteceu na vida dessas pessoas para que lugares como a Cracolândia, as ruas ou o albergue sejam as melhores opções? Isso me intrigou. Assim nasceu a Arcah.”, explica.

Depois de uma imersão na Comunidade San Patrignano, na Itália, Flaire regressou ao Brasil e apostou as fichas em um modelo de reabilitação sem grades, remédios e isolamento social.

No lugar, trabalho, ensino, alimentação, moradia e corrida. A atividade física é um alicerce importante no processo.

“Ela requer uma disciplina que, para a maioria deles, quase nunca foi exercida. Aprender a correr exige tempo, rotina e dedicação. Tenho visto nítidas mudanças naqueles que se dedicam, como a autoestima aflorando, autoconfiança mais presente e a interação mais respeitosa.”, comemora Leandro Pessoa, da LPO Assessoria Esportiva, responsável pelos treinos da Arcah

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Rodrigo Flaire, diretor de operações da Arcah, que também mora com os educandos na fazenda
Rodrigo Flaire, diretor de operações da Arcah, que também mora com os educandos na fazenda Ricardo Soares

Refazendo os passos

Além de reaprenderem a viver em um ambiente com regras e convivência “familiar”, os educandos, todos homens, aprendem a cuidar da terra, a meditar e têm tratamento com psicólogos, nutricionistas e outros médicos na fazenda do projeto.

A meta é desafiadora: vencer a dependência química, aprender um ofício e morar durante três anos no local. A principal motivação é fazer com que eles adquiram responsabilidade pela própria vida, aceitem-se, perdoem a si mesmos pelas agruras do passado e encontrem no esporte um aliado contra recaídas.

Na primeira visita da O2, o local abrigava 12 moradores; na última, nove. Alguns desistem no meio do caminho e, como não estão confinados, são livres para ir embora quando quiserem.

Apesar do livre-arbítrio, existem deveres no dia a dia: cuidar do jardim, mexer com a terra, rastelar o chão, faxinar os quartos, preparar a comida, cuidar da horta, aprender a fazer pequenos reparos e cozinhar são algumas das atividades que fazem parte da rotina da Arcah.

Novo sentido para viver

Claro que o treinamento tem a sua recompensa — os educandos participaram da etapa Rock Nitro da Night Run, em agosto. Cruzar a linha de chegada de uma corrida de verdade é o símbolo de vitória de uma nova fase.

Para Leandro Pessoa, treinador dos educandos da Arcah, o maior aprendizado tem sido respeitar o limite do outro. 

“Com histórias tão difíceis e peculiares, de dano emocional, de falta de afeto… eles têm excesso de falta, sabe? Ganhar a confiança deles é um grande desafio. É difícil ultrapassar essa barreira que a rua construiu. Agora que tenho mais acesso, cada treino é uma vitória.”, comenta.

Se vai dar certo no fim? Não dá para saber. Tratar a dependência química é mais árduo do que se pensa, e existe muita polêmica sobre os tipos de tratamentos para dependentes. O que se sabe é que a taxa de recuperação é baixa por causa do retorno ao vício. Poucos saem da areia movediça sem olhar para trás.

“É uma realidade difícil, mas, se um dos educandos da Arcah conseguir levar a corrida para a vida e ter essa vida nova que todos ali estão aprendendo, já terá valido a pena”, torce o treino.

Vidas mudadas pela corrida

Edson da Silva Lima, 33 anos
“Sem dúvida o esporte é essencial pra gente hoje. Mudou muito. Criamos expectativa, causa uma euforia, sabe? É gostosa essa sensação, a gente não tinha mais isso. Tem dias que estamos desanimados, mas quando corremos já ficamos felizes de novo. Aquele suor que sai do corpo é gostoso. Vejo meus sonhos chegando mais perto de mim, as vontades que eu já tinha esquecido.”

Michael Silva Santos, 32 anos
“Fiquei alguns anos consumindo drogas e álcool compulsivamente. Até hoje sinto coisas, mesmo há dez meses em tratamento, é como se nada tivesse melhorado ainda dentro de mim. Algumas marcas não saem. Mas o esporte tem sido essa válvula de escape para o desânimo e a fraqueza não me pegarem. Dá vontade de desistir se o esporte não tá aí. Cada quilômetro corrido é uma superação. Parei de fumar porque fiquei motivado aqui. Agora estamos correndo 5 km, está sendo muito especial.”

Rubem Pereira da Silva, 41 anos
“Eu não gostava de correr. Nunca queria, acabei indo depois que o Leandro (professor) ficou me incentivando. Fui a primeira vez, a segunda… aí um dia corri 5 km sem parar. A corrida vai ser minha vitória de vida. Fico contente depois que eu corro, me sinto um atleta de verdade. Uma coisa que eu nunca imaginava fazer”.

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As melhores frutas para quem treina

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Frutas têm propriedades e benefícios diferentes
Frutas têm propriedades e benefícios diferentes Shutterstock

Todos os alimentos têm um combo de nutrientes. Feijão não tem só proteínas, arroz não é só carboidrato e frutas não são apenas açúcar.  Quando falamos de energia para esportes de resistência, as melhores frutas para quem treina fornecem frutose, vitaminas e minerais que vão auxiliar tanto no rendimento como na recuperação. 

A frutose nada mais é que um carboidrato presente no açúcar das frutas e transportada para o fígado — onde é convertida em glicose, que logo estará disponível na corrente sanguínea. Parte dela vai para o fígado e outra parte para os músculos, gerando energia e auxiliando nos outros processos em que é necessária. 

“Muita gente já falou sobre a frutose ser vilã, mas, tudo que você consumir em excesso é prejudicial para a saúde. Fora isso, frutas são saudáveis e é muito melhor consumir a fruta (e a frutose) como fonte de energia do que algo industrializado”,  afirma a nutricionista esportiva, Priscila Arcanjo.

Frutas não são só açúcar

Na nutrição esportiva, é comum seguir a lógica de pensar mais em carboidratos ricos em amido para energia primeiro, depois por proteínas e gorduras boas para recuperação e reparação muscular. Por isso, muita gente se esquece das frutas.

“Não há fruta proibida. A não ser que você seja um indivíduo com alguma doença específica e, neste caso, precisamos avaliar de forma individual”, explica a nutricionista esportiva Priscila Arcanjo.

A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é consumir cinco porções ao dia, pelo menos 3 tipos diferentes de frutas e legumes para ficar longe dos riscos de diversas doenças inflamatórias e crônicas.

Mas se você pratica esportes de alta intensidade, precisará de mais do que isso. “4 a 5 porções de legumes por dia e de 2 a 3 frutas é a quantidade ideal diária para atletas de resistência. Aliás, é recomendado que se coma a fruta ao invés de ingerir o suco, por exemplo, para aproveitar mais as vitaminas, minerais que são melhores absorvidos pelo organismo se consumidos junto com as fibras da fruta inteira. Isso auxilia também a função intestinal“, continua Priscila. 


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Veja lista com as melhores frutas para quem treina
Bananas
Quando consumir?
Pré e pós-treino.

Contém uma quantidade de carboidratos que é rapidamente liberada na corrente sanguínea. Além de ser fonte de potássio, essencial para regular a contração muscular e prevenir cãibras. No pós-treino, adicionada de algum tipo de proteína, a banana ajuda a repor o potássio perdido no suor e complementa a receita para recuperação muscular.

Além disso, é uma das melhores frutas para o corredor em vários outros momentos. “Elas podem não ser tão convenientes como barras ou géis, mas são uma boa opção para pessoas que estão procurando por uma alternativa natural, menos processada, que basicamente faz a mesma coisa”, comenta Priscila.  

Frutas vermelhas
Quando consumir?
Pós-treino.

Amoras, framboesas, morangos, mirtilos. Todas as frutas vermelhas são de baixa caloria e muito ricas em antioxidantes que combatem os danos dos radicais livres, reduzem a inflamação, melhoram a recuperação e a imunidade. Consuma nos smoothies, por cima da granola com iogurte ou junto com frutas secas, como a tâmara. 

Frutas laranjas e cítricas (acerola, laranja, limão, pêssego)
Quando consumir?
Pré-treino.

Antioxidantes como as vitaminas A, C e E ajudam a proteger contra o estresse oxidativo e os radicais livres que se formam no corpo durante atividades físicas extenuantes. E, segundo estudo, comer muitos antioxidantes também parece ajudar a preservar a força muscular com a idade.

Maçã
Quando consumir?
Antes de treinos leves. 

Fonte de fibras solúveis, a maçã é rica em quercetina, uma substância anti-inflamatória. Ideal para lanches feitos nos intervalos do dia. Para aumentar a saciedade, consuma com oleaginosas (como castanhas, amêndoas, avelã e macadâmia) ou outra fonte de proteínas. É boa pedida também para consumir antes de treinos leves. A maçã tem carboidratos de baixo índice glicêmico e é de fácil digestão. Veja mais sobre os benefícios da maçã para quem pratica esportes.

Melancia
Quando consumir?
No pós-treino.

Uma das melhores frutas para quem treina. A melancia é composta por 90% de água, rica em vitaminas A, C e B6 que fornece energia para o corpo, além de ter propriedades como, zinco, ferro, cálcio, potássio e magnésio. No pós-treino, a melancia ajuda na completa hidratação, como um isotônico natural. Também é rica em óxido nítrico, melhorando a recuperação ao aumentar a circulação de oxigênio para sangue e músculos. Além disso, ela tem um aminoácido chamado citrulina, que é convertido em arginina, que ajuda na formação dos músculos e diminuição da fadiga, aumentando a resistência muscular.

Coco
Quando consumir?
No pré-treino.

Potássio, fósforo e manganês ajudam na aceleração do metabolismo, trazendo muita energia após consumi-los. Os ácidos graxos levam os nutrientes da fruta direto para o fígado, onde vira energia rápida ou compostos que protegem o organismo. Rico em ácido láurico, componente com propriedades antimicrobianas que fortalecem o sistema imunológico. Sua água é isotônica e ajuda a repor os nutrientes perdidos durante os treinos. 

O melhor momento é antes das atividades físicas, como um pré-treino natural, rico em gorduras boas. Mas, o coco também é ótimo para repor energia pós-treino.

Abacate
Quando consumir?
No pós-treino.

Repleto de gorduras boas e doses altas de glutationa, um poderoso antioxidante responsável por aumentar a síntese de GH, o hormônio do crescimento que está relacionado com a perda de gordura abdominal. Além da vitamina E, que aumenta a ação anti-inflamatória das gorduras ômega-6, ômega-9 e ômega-7, o abacate também é abundante em potássio, que regula a atividade muscular.  

Uva 
Quando?
Antes, durante o treino e no pós-treino.

Elas são de baixa caloria e ricas em flavonoides, antioxidantes que previnem o envelhecimento. Além disso, são ótimos “petiscos” naturais para não começar o dia treinando em jejum, ou substituir o gel de carboidrato durante um treino longo. Experimente congelar uvas no dia anterior e levá-las para correr. Outra boa ideia é preparar um gel de chia com o suco da fruta. Além dos benefícios da fruta in natura, um punhado de uva-passa valer por um sachê de gel de carboidrato durante o treino. 

Outra sugestão para consumir mais frutas é adicionar algum cereal, como aveia, por exemplo. “Conseguimos retardar o pico glicêmico, mas é recomendado fazer a ingestão de alimentos ricos em fibras com pelo menos 1h30 de antecedência de treinos ou provas, para não acontecer nenhum desconforto abdominal”, alerta a nutricionista.

O excesso sempre faz mal
O elevado consumo de frutose é associado com o aumento de índice de obesidade, alterações no perfil lipídico e na resistência à insulina. “Mas, além das frutas, produtos industrializados como o xarope de milho também são fonte de frutose. Ele é encontrado em diversos produtos industrializados. Por isso, olhe bem os rótulos do que você compra no supermercado antes de cortar as frutas da sua alimentação”, sugere a nutricionista. 

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Fisioterapia preventiva: boa aposta para corredoras evitarem lesões

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Correção de alguns movimentos pode evitar o aparecimento de lesões
Correção de alguns movimentos pode evitar o aparecimento de lesões Shutterstock

Utilizar a fisioterapia preventiva para prevenir lesões pode fazer com que você tenha vida mais longa na corrida. Alguma vez você já foi ao fisioterapeuta para tratar uma lesão que ainda não tinha aparecido? Parece estranho, mas dá resultado.

Apesar de as mulheres darem show de resistência em provas de longa duração, ficamos mais suscetíveis a lesões em qualquer quilometragem.

“Houve uma mudança significativa no conceito de fisioterapia. Antes, a técnica era conhecida apenas por exercícios e alongamentos com orientação de um profissional da área”, explica Claudio Cotter, fisioterapeuta esportivo, sócio da CM.2 Clínica Multidisciplinar, em São Paulo (SP).

Segundo Cotter, o objetivo inicial da técnica desenvolver a estabilidade articular e reduzir a tensão muscular do corpo. Com o surgimento e a influência de novos tratamentos e estudos, a fisioterapia ampliou sua atuação e tornou-se uma ferramenta para corrigir movimentos errados que podem ser prejudiciais lá na frente, devido a contínuas repetições.

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 O diagnóstico antes da fisioterapia preventiva 

Antes de indicar o tratamentopara o seu caso, o fisioterapeuta precisa entender sua anatomia e como você se movimenta. Para isso, é necessária uma análise detalhada do seu movimento, por meio de testes biomecânicos filmados. O profissional posiciona várias câmeras que conseguem flagrar movimentos com limitações e vícios posturais.

Como funciona?

Com os dados em mãos, o fisioterapeuta irá prescrever o que precisa ser feito para corrigir essas falhas biomecânicas.

O tratamento pode incluir exercícios e alongamentos para auxiliar na melhoria de gestos que ainda não são feitos com a precisão necessária para se evitarem lesões: movimentos para mobilidade, força, estabilidade e unilaterais são alguns exemplos.

Dessa forma, você terá menos riscos de se machucar por causa de movimentos repetitivos errados, como acontece bastante na corrida (as de longa duração são mais recorrentes). E você achando que era só colocar um pé à frente do outro!

Sutilezas que fazem a diferença

O principal motivo para aderir à fisioterapia preventiva está na nossa constituição física. Nós, mulheres, temos a pelve (bacia) mais larga do que o corpo masculino, o que gera maior tendência em desenvolver o joelho valgo (veja mais na figura abaixo).

A posição dos joelhos afeta completamente a forma como se corre e pode sobrecarregar músculos, ossos e articulações sem necessidade. É por isso que muitas de nós temos lesões nos membros inferiores com mais facilidade — joelhos e quadril, em especial.

Outro aspecto que deve ser levado em conta é a oscilação hormonal, que se desdobra não só em variações de humor durante a TPM, mas em forma de retenção de líquido, que pode diminuir a percepção das articulações.


Lesões variam de acordo com o tipo de joelho
Lesões variam de acordo com o tipo de joelho (Ilustração: Leandro Dexter)

Todo mundo precisa da fisioterapia preventiva?

Cotter explica que existem pessoas mais rígidas e com mais problemas de instabilidade do que outras. Quem tem o corpo mais rígido pode ter mais dificuldade de alongamento— o simples ato de se abaixar para pegar algo pode ser um desafio.

As mais estáveis, por sua vez, já não têm esse problema e chegam a esbanjar amplitude de movimento. Embora seja ótimo ter flexibilidade e amplitude, o ideal é ter equilíbrio entre flexibilidade e força.

Por isso é tão importante procurar um profissional para avaliar o que está acontecendo com você. Não há restrições para o tratamento e a frequência das sessões da fisioterapia preventiva pode variar.

E tenha em mente: cada uma tem suas forças e fraquezas, e fazer um exercício por conta própria porque deu certo para uma amiga pode custar uma lesão.

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Fisioterapia preventiva: boa aposta para corredoras evitarem lesões

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A relação entre as cores dos alimentos e as estações do ano na nossa saúde

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No mundo ideal, o nosso prato deveria ser uma verdadeira paleta de cores, repleto de grãos, folhas, vegetais e até frutos, cada qual com sua função nutricional. E não é apenas por ser bonito de se ver, mas porque as cores dos alimentos têm sua importância em nosso organismo.

Funcionando como referências, as cores ajudam a determinar se um ingrediente tem mais vitaminas do que outro, se tem antioxidantes ou não, por exemplo.

Infelizmente, com a oferta de produtos industrializados e processados, os arco-íris no prato estão cada vez mais escassos. Por isso, tão importante quanto consumir cores, é entender como as estações do ano influenciam na nossa alimentação.

“As cores dos alimentos naturais se relacionam com nossos órgãos e com o meio ambiente também”, diz Laila Mengarda, chef especialista em cozinha natural, do site Cozinha Reconectiva.

Entenda a função das diferentes cores dos alimentos 


Verde

É associado à desintoxicação, por isso os sucos denominados “detox” normalmente são de tonalidade esverdeada. Abacate, kiwi, maçã, alface, espinafre, ervilha, pepino e rúcula ajudam a depurar o organismo devido aos fitonutrientes antioxidantes. Além disso, fortalecem ossos, dentes e ajudam a produzir mais glóbulos vermelhos.

Laranja e amarelo

Associadas ao baço, pâncreas, estômago e pele, as tonalidades laranja e amarela apontam a presença de fitonutrientes que ajudam a reduzir o colesterol, melhorar a circulação sanguínea e regular os níveis de açúcar no sangue. Além da imunidade, protegem a pele, as membranas e os olhos.

Abóbora, batata-doce, cenoura, milho e banana beneficiam o sistema imunológico devido à presença de vitamina C, vitamina B3 e betacaroteno (nutriente que ajuda a manter o bronzeado por mais tempo).

Marrom e branco

Apesar de serem cores distintas, os alimentos com essas tonalidades são ricos em alcina e quercetina, dupla que cuida dos pulmões, do intestino grosso e da imunidade. Ajudam a baixar a pressão arterial, o colesterol e a fortalecer a saúde cardiovascular. Presente no alho, cebola e cebolinha, a quercetina se destaca por suas propriedades anti-inflamatórias, antivirais e antialérgicas.

Roxo

A cor representa abundância em resveratrol, flavonoides, taninos e antocianinas, todos antioxidantes que estão associados ao rim e à bexiga. Além disso, alimentos roxos conferem mais proteção às células e previnem o desgaste precoce dos órgãos e da pele. Os flavonoides também têm propriedades antibióticas e as antocianinas regulam o armazenamento da gordura, ajudando a reduzir o colesterol e a pressão arterial.

Vermelho

As frutas e verduras com tons de vermelho, como beterraba, tomate, morango e framboesa, auxiliam a regular o colesterol e são ótimas para a saúde e proteção cardiovascular. A cor também tem efeitos anti-inflamatórios, de combate aos radicais livres (responsáveis pelo envelhecimento precoce) e de regeneração celular graças aos fitonutrientes antioxidantes.

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A relação entre as cores dos alimentos e as estações

Maria Vitória Falcão, nutricionista funcional e esportiva (SP), explica que as estações do ano têm uma demanda energética e essas podem ser supridas com os alimentos. “De acordo com a medicina tradicional chinesa, acompanhar o ritmo das estações do ano é fundamental para gerar harmonia entre o ser humano e a própria natureza, garantindo mais energia e vitalidade”, afirma.

Primavera

Aqui é tempo para proteger o organismo das temperaturas que variam muito e da alta umidade. A estação também favorece o corpo e a eliminação de tudo o que não serve mais. 

Verão

Estação de mais energia, luz e calor. Escolha alimentos mais refrescantes, que diminuem o calor interno. Eles são responsáveis por melhorar a circulação e prevenir a retenção de líquidos, comum nessa época.

Outono 

Período mais seco e temperaturas mais baixas. É hora de preparar o corpo e melhorar a imunidade para encarar o inverno. Prefira os alimentos mais picantes e ácidos, que ajudam a estimular o intestino e melhorar a circulação.

Inverno

Época de poupar energia e reservas corporais para manter o calor interno. Escolha alimentos mornos e sabores picantes — tudo isso ajuda a aumentar a imunidade e a nossa reserva de energia, além de, claro, aquecer.

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Comer colorido independe do seu tipo de dieta. Entender as cores dos alimentos serve tanto para veganos, vegetarianos ou onívoros! E não se esqueça, para ter mais saúde o ano todo, é ideal consultar um nutricionista especializado.

*Fontes: “As 5 cores da cozinha saudável”, livro de Vânia Ribeiro, do blog Made by Choices.; Maria Vitória Falcão, nutricionista funcional (SP), pós-graduada em nutrição esportiva e bioquímica clínica, especialista em nutrição ayurveda e dietoterapia chinesa, com aprimoramento em transtornos alimentares; Laila Mengarda, chef especialista em cozinha natural, do site Cozinha Reconectiva.

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Ultramaratonistas usam maconha para aumentar performance, diz pesquisa

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Pesquisa afirma que ultramaratonistas usam maconha para aumentar performance
Pesquisa afirma que ultramaratonistas usam maconha para aumentar performance Shutterstock

O uso da cannabis não costuma estar relacionado a hábitos de atletas. Entretanto, segundo pesquisa recente feita nos Estados Unidos, ultramaratonistas usam maconha para melhorar a performance e aumentar a resistência nos treinos e provas de longa distância.

Não é novidade, principalmente em países onde a maconha é legalizada, que atletas têm falado abertamente sobre o consumo da planta. Desde jogadores profissionais de hóquei até corredores de elite, muitos já se declararam usuários, mais frequentemente para aliviar a dor e melhorar o foco do que para ganhar vantagem em desempenho. 

Pesquisa on-line: ultramaratonistas usam maconha para competições
Ela foi desenvolvida e distribuída a potenciais participantes por meio dos sites Ultrasignup e Western Endurance Run Facebook. O resultado: entre os que responderam, 8,4% dos 609 ultramaratonistas usam maconha durante competição ou treinamento. Canabinoides, narcóticos e estimulantes foram as substâncias mais relatadas.

Segundo a pesquisa, ainda falta entender a extensão exata do uso de substâncias para melhorar o desempenho em corridas de longa distância. 

Muitos corredores também relatam o uso de produtos com canabidiol, ou CBD, um componente não-psicoativo da maconha que demonstrou ter propriedades anti-inflamatórias e para recuperação. Além dos potenciais anti-inflamatórios, o CBD também se ligou aos receptores de serotonina, o que pode estar relacionado ao seu efeito como agente antiansiedade.

Uso recreativo

Uma outra pesquisa de 2016 mostrou que a maconha é a segunda substância mais consumida por atletas, atrás apenas do álcool. Neste caso, o uso é recreacional, não para aumentar a performance ou promover ganhos esportivos. 

Outros estudos

Uma revisão de 2017, publicada no Journal of Science and Medicine in Sport, apontou que apenas 15 estudos investigaram os efeitos da maconha e do seu principal ingrediente psicoativo, o THC, na performance de atletas.  E segundo Michael C. Kennedy, cardiologista, farmacologista clínico e professor associado da Universidade de New South Wales e St. Vincent’s Medical School, que conduziu a revisão, o THC não é um componente que melhora o desempenho aeróbio e a força.

Para ele, maconha não ajuda na recuperação nem melhora a concentração. Mas do ponto de vista fisiológico, a relação entre o uso de maconha e a corrida faz algum sentido. Tem os mesmos “caminhos” dentro do cérebro, o tal high do corredor e o high do THC. “Ambos envolvem a ativação do sistema endocanabinoide, portanto, não é de surpreender que o THC possa ser usado para melhorar a alta do corredor obtida com o exercício de resistência”, explicou o especialista. 

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Quem tem asma pode praticar esporte sem restrição? Entenda

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Quem tem asma pode praticar esporte sem restrição? Entenda
Quem tem asma pode praticar esporte sem restrição? Entenda Shutterstock

O inverno é um poderoso gatilho da asma, doença crônica que afeta um em cada sete adultos no Brasil. Apesar do desconforto ocasional causado pela crise de falta de ar – consequência do estreitamento dos brônquios pulmonares –, os asmáticos não estão impedidos de praticar esportes. Muito pelo contrário, garante Humberto Bogossian, pneumologista do Hospital Albert Einstein.

“Qualquer atividade física é importante para o asmático, assim como para qualquer pessoa. A vantagem da atividade física para quem tem asma é a melhora do condicionamento cardiovascular”, diz.

Os asmáticos escutam desde a infância que a natação treina a musculatura respiratória e ajuda a controlar a doença, mas não é só nas piscinas que pode estar a vida esportiva de quem tem crises esporádicas. A corrida e o ciclismo também são outros esportes indicados para asmáticos. Embora não substituam o tratamento e o efeito de broncodilatação de alguns medicamentos, são modalidades que melhoram a capacidade aeróbica e costumam gerar a busca por hábitos de vida mais saudáveis.

“Há uma série de fatores que a atividade física puxa. Com o esporte, não estamos tratando a doença, mas sim melhorando o organismo inteiro. Quem pratica esporte busca saúde. Costuma comer direitinho, usa os medicamentos regularmente”, explica Bogossian.

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Muita gente acredita que a capacidade pulmonar de um asmático é, muitas vezes, associada a fragilidade, como se um pique terminasse em falta de ar. No entanto, se a asma estiver controlada, não há qualquer indício de que o rendimento físico do asmático será inferior ao de uma pessoa que não enfrenta problemas respiratórios. Acredite: grandes atletas da história recente do esporte já recorreram às bombinhas e aos inaladores para que suas crises chegassem ao fim.

O ex-nadador brasileiro Fernando Scherer, o Xuxa, já declarou algumas vezes que sofre do problema. A asma também não impediu que os ingleses David Beckham e Paul Scholes brilhassem nos gramados de futebol. Recentemente, o ciclista Chris Froome, um dos atletas mais bem-sucedidos da modalidade, teve trabalho para explicar às agências antidoping que a substância salbutramol, encontrada em seu organismo durante uma competição, não havia sido utilizada para turbinar seu desempenho, mas sim como forma de dilatar os brônquios.

Todos os exemplos citados procuraram ajuda médica para que a doença respiratória não comprometesse suas carreiras. Há uma série de orientações para ajudar um asmático a praticar esportes sem restrições, como os medicamentos a serem usados e os momentos em que o paciente deve procurá-los, esclarece Bogossian.

Asma induzida por exercício tem solução
No universo da alta performance, o exemplo mais emblemático de atleta que não viu a asma como empecilho é a britânica Paula Radcliffe, dona do recorde mundial da maratona feminina desde 2003.

Aos 14 anos, quando iniciou uma rotina mais intensa de treinos, Radcliffe descobriu que tinha a asma desencadeada pelo esforço físico. As corridas provocavam uma inflamação em seus brônquios, que se contraíam repetidamente, atrapalhando sua respiração e, claro, seu rendimento esportivo. Sensível a ácaros, poluição e fumaça de cigarro, ela descobriu o que teria que fazer para correr sem restrições.

Asmática, Paula Radcliffe é dona do recorde mundial na maratona feminina desde 2003.
Asmática, Paula Radcliffe é dona do recorde mundial na maratona feminina desde 2003. []

A solução foi procurar um tratamento preventivo, que começava com um pó para inalação logo pela manhã, antes de começar a se exercitar. Quando as crises apertavam, ela normalmente utilizava duas doses de sua bombinha para que o chiado tivesse fim, mas podia aumentar a quantidade de acordo com a poluição do ambiente. À noite, antes de ir para a cama, voltava a inalar o mesmo pó preventivo. Para a maratonista, entender sua asma e o que deveria ser feito para neutralizá-la foi tão importante quanto buscar os melhores métodos de treinamento.

“Também foi muito importante aquecer suavemente por mais de 45 minutos antes de competir. Eu sempre corria em um ritmo suave por cerca de 10 a 15 minutos antes de uma corrida e fazia muitos alongamentos, especialmente em climas frios. Se eu tiver uma infecção por vírus ou um resfriado, tenho que tomar muito cuidado ao fazer exercícios”, lembra a atleta, aposentada desde 2015.

“Acho que a educação é a questão mais importante. A mensagem que eu sempre tento deixar é que você deve controlar a sua asma, não deixar que ela controle você. Eu não acho que a asma tenha afetado a minha carreira. Na verdade, me fez mais determinada a alcançar o meu potencial. Se você aprender a controlar a sua asma e tomar a medicação correta, não há motivo para não ser o melhor”, acrescenta.

O que fazer para evitar as crises

  • Procure um pneumologista para descobrir a intensidade das suas crises. Depois de avaliar se a asma é leve, moderada ou grave, o médico poderá recomendar o tratamento mais indicado e uma rotina de exercício que não comprometa sua saúde. “Mesmo que a asma esteja equilibrada, não saia correndo intensamente sem um acompanhamento. O ideal é que seja uma um treinamento progressivo”, lembra Bogossian.
  • “Se tiver crise, chiado ou qualquer desconforto respiratório durante o exercício, pare. Não se deve fazer atividade física com asma”.
  •  Tente se expor o mínimo possível a poeira. A higiene dos ambientes mantém o asmático livre das crises. No inverno, tome cuidado com os cobertores e casacos que permaneceram nos armários por muito tempo.
  • Se a asma vier acompanhada pela rinite, hidrate a mucosa nasal com soro fisiológico. Evite as soluções nasais que têm nafazolina em sua composição. “As soluções com nafazolina contraem os vasos do nariz por alguns instantes. Quando esse efeito acaba, o nariz volta a ficar dilatado. A pessoa vai e usa mais, entrando em um ciclo de vasoconstrição e vasodilatação”, afirma o especialista.
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Aos 49, corredora bate RP e sobe no pódio pregando corrida sem pressão

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Corredora Ana Gestal
Corredora Ana Gestal Ricardo Soares

Ana Gestal é a prova viva de que a dedicação é o tempero do êxito. Corredora há mais de três décadas, já se aventurou pelo triathlon e correu sua primeira maratona meses após o nascimento de sua primogênita. Este ano, alcançou o terceiro lugar na 42k de Floripa.

Com uma rotina apertada após a chegada do caçula, Ana passou a ir para a academia na hora do almoço, o único horário disponível na vida de mãe, advogada e esposa. Desde então, ela caça seu melhor recorde pessoal entre participações em majors como Berlim, Chicago e Boston.

“O Alexandre, meu marido, não me deixa desanimar nunca, é superparceiro. Depois que o Lorenzo fez 3 anos, voltei a participar das corridas e retomei em 2012 o ânimo para as maratonas”, comenta Ana.

Depois de uma tentativa frustrada de completar sua segunda Maratona de Boston em abril deste ano, voltou determinada a dar o seu melhor. “Na época do treinamento (para Boston), minha mãe ficou doente, o marido havia se machucado… Tudo isso me desgastou muito. Não fiquei 100% presente na prova e decidi parar no km 20”, rememora.

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Decidida a enfrentar os 42k de Floripa, seguiu o script, treinou religiosamente e alimentou-se como deveria, ciente de que o importante era aproveitar cada segundo, sem a mesma cobrança anterior.

Ana conta que decidiu aproveitar os dias anteriores à prova com amigos e família. “Na quinta, descansei na praia. Na sexta, joguei bola com meu filho e no sábado estava comendo pipoca no cinema. Acordei em paz, encaixei o ritmo (a 4’30”) durante a prova inteira e nem percebi quando estava chegando ao fim”, comenta.

Recebida pelo filho e marido no km 36, foi pega de surpresa quando descobriu que estava em terceiro lugar na distância. “Não acreditava! Quando olhei as 3h09min40s no relógio, fiquei perdida. Cruzei a linha sendo amparada pelo meu filho, isso vai ficar para sempre na minha memória.”

Ao subir no pódio, a euforia cresceu no peito. “Já havia ganhado muitos troféus em outras distâncias, mas estrear nos primeiros lugares de uma maratona me deixou toda arrepaiada”, disse.

Depois de Floripa, Ana aprendeu uma lição valiosa: é essencial respeitar os limites. “Nada de insistir em um treino se você está cansado. É melhor ficar sem fazer nada do que entregar algo pela metade”, sinaliza, “a corrida é a minha terapia, a hora que eu medito, que dou risada, choro.”

Ana também deixa um conselho para repensarmos nossa relação com o esporte: “Não é você que precisa encaixar a vida na corrida, é a corrida que precisa se encaixar na sua vida”. 

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Aulas de spinning ajudam ou atrapalham corredores?

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Treino em cima da bicicleta na academia é moda pelo Brasil
Treino em cima da bicicleta na academia é moda pelo Brasil Shutterstock

Sucesso entre as mulheres, as aulas de spinning estão entre as preferidas de quem procura um alto gasto calórico nas academias. De acordo com um estudo da USP, as mulheres queimam, em média, 570 calorias em uma hora de pedal na academia, enquanto os homens chegam a eliminar 870 calorias. Mas, afinal, as aulas de spinning ajudam ou atrapalham os corredores?

Desde que sejam feitas no momento certo e da maneira correta, as aulas de spinning trazem benefícios ao corredor. O Ativo consultou um time de especialistas de São Paulo para saber mais sobre o tema. Confira abaixo as opiniões de Lis Oliveira, instrutora da Fórmula Academia do Brooklin, Amauri Garcia, da Bodytech dos Jardins, e Darlan Duarte, treinador da assessoria esportiva Pacefit.

Os prós
Darlan Duarte: "Se for bem ajustado na rotina do corredor, o spinning ajuda bastante. É um exercício que fortalece as pernas, o abdômen e a lombar, até pela posição em que a pessoa fica no pedal. O fato de não ter impacto também ajuda bastante. Distribui a força nas pernas de maneira equilibrada. Esse equilíbrio na distribuição de força no pedal é interessante."

Amauri Garcia: "As aulas de spinning como atividade complementar vão auxiliar muito na condição cardiorrespiratória para a prática da corrida. Só temos que lembrar que o spinning não substitui o treino específico para corrida, apenas auxilia."

Quando optar pelas aulas de spinning?
Lis Oliveira: "O melhor momento para incluir as aulas de spinning seria na fase inicial do programa de treinamento do atleta. Após essa fase, são intensificadas as atividades físicas específicas para corrida, com a finalidade de fazer o atleta atingir sua meta, como a conclusão de uma prova."

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O momento errado
Darlan Duarte: "Não é legal ter o spinning como atividade que antecede corridas longas. Isso pode ser desgastante para as pernas e para a parte cardiorrespiratória. Como o spinning envolve intensidades muito altas, é preciso saber interpretar se o treino de spinning será mesmo adequado antes de um longão. Outro ponto negativo é não trabalhar de maneira específica as musculaturas em que o corredor apresenta fraqueza e precisa desenvolver. Por exemplo: se há necessidade de trabalhar os abdutores, o spinning não auxilia nisso."

Danos à parte muscular
Amauri Garcia: "Como qualquer modalidade aeróbia, sempre devemos complementar os treinos de spinning com musculação, fortalecimento de core, pilates e alongamentos. Esses treinos paralelos diminuem muito o risco de lesão muscular."

Lis Oliveira: "O estímulo do treino e a dedicação da pessoa em cima do pedal determinarão se a musculatura será muito castigada em uma aula de spinning. Vale lembrar que o processo de recuperação é tão importante quanto o treino e deve ser respeitado."

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