Correr é bom para… Descubra os benefícios invisíveis da corrida

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Correr é bom para… Descubra os benefícios invisíveis da corrida Shutterstock

Por que você corre? Correr é bom para emagrecer, tonificar as coxas, manter a forma e trabalhar a resistência muscular. Mas a corrida não é só sobre ficar com o corpo em forma.

Praticar um esporte como a corrida também é uma das melhores coisas que você pode fazer pelo seu cérebro em termos de humor, memória e aprendizado.

Isso faz parte da tese do psiquiatra John Ratey, da Harvard Medical School, autor do livro “Spark: A nova ciência revolucionária do exercício e do cérebro”. Segundo ele, bastam 10 minutos de atividade física para que o seu cérebro comece a se aprimorar. 

5 razões além da estética para começar a correr

Sem estresse
Correr por 30 minutos, na esteira ou na rua, pode mandar embora qualquer tensão. E é tudo uma questão de hormônios. Quando corremos, aumentamos os níveis de substâncias químicas calmantes como serotonina, dopamina e norepinefrina.

Mas segundo um estudo recente, o efeito do exercício pode ser ainda maior. Correr pode funcionar em nível celular para reverter o impacto do estresse em nosso processo de envelhecimento. 

Trata a depressão e a ansiedade melhor que remédios
Correr é bom para ser mais feliz. Segundo pesquisas, praticar atividades aeróbicas por pelo menos três vezes por semana pode reduzir os sintomas da depressão  e de ansiedade de forma tão eficaz quanto tomar remédios. Também ajuda a estimular o crescimento de neurônios em certas regiões do cérebro danificadas pela depressão.

Além disso, estudos com animais descobriram que a atividade estimula a produção de moléculas cerebrais que melhoram as conexões entre as células nervosas, agindo assim como um antidepressivo natural.

Nascem novos neurônios
Pouca gente pensa que a corrida pode tonificar também nosso cérebro. Mas, segundo pesquisas, o exercício físico aumenta o processo de criação de células cerebrais e de conexões entre neurônios,  o que pode melhorar a atenção e a concentração. 

Você se ama mais
Correr é bom para melhorar a autoestima. Estudos sugerem que quando começamos a ver melhorias simples de condicionamento, aptidão física e fôlego, ou quando conseguimos alcançar metas que achávamos ser impossíveis antes, a confiança e a autoestima crescem. 

Te deixa “high”
A sensação depois de um treino intenso é de euforia pura. Muita gente chama de “runner’s high”esse tal barato do corredor. Atividades intensas como sprints, HIIT e outras também são efetivas para essa sensação de euforia. 

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Da caminhada à corrida: 5 dicas para ajudar você nessa transição

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Da caminhada à corrida: 5 dicas para ajudar você nessa transição
Da caminhada à corrida: 5 dicas para ajudar você nessa transição Shutterstock

A transição da caminhada para corrida exige muito cuidado e precisa ser feita de forma gradual para qualquer perfil de atleta. Existe um grupo de pessoas que está acima do peso e usa a caminhada como sua aliada para emagrecer. Tem também aquele pelotão que é sedentário e está iniciando na corrida de rua. E, claro, aquele pessoal mais preguiçoso que ainda não teve coragem de aumentar o ritmo. No entanto, independente do grupo que você se encaixa, essa evolução merece uma atenção especial para você não queimar etapas e ficar sujeito a lesões.

Pensando nisso, o Ativo.com conversou com a professora Juliana Véras, da assessoria Ju Véras e preparou algumas dicas para te ajudar neste processo.

Dicas para a transição da caminhada para corrida

1. Primeiros passos

Verifique novamente se o seu calçado é adequado para você ter uma boa postura durante a corrida e comece a treinar evitando olhar para o chão. “Olhar para o horizonte deixa a postura mais ereta, evitando dessa forma que o corredor sobrecarregue os músculos do pescoço. Correr dessa forma também facilita na captação de oxigênio”, explicou Juliana. 

2. Caminhada para corrida com trotes leves

Quando estiver mais confiante, tente aumentar o ritmo da caminhada e posteriormente alternar os passos normais com trotes leves. Uma boa forma é determinar objetivos. Por exemplo: alternar 30 segundos de caminhada com 30 segundos de trote. “Caso não tenha um relógio, você pode determinar pontos específicos no percurso, talvez com postes ou árvores. Dessa forma, o treino se torna mais dinâmico”, recomenda Juliana.

3. Trotes

Chegou a hora esperada de correr. Uma boa opção para esse momento é determinar tempo ou distância para você controlar sua evolução. Você pode começar correndo 10 ou 20 minutos, sempre levando em consideração que o importante nessa etapa é correr o tempo inteiro. Variar o treino e mudar o local de treinamento são algumas opções, caso você fique entendiado com o percurso.

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4. Corridas com ritmos variados

Da mesma forma que incluímos os trotes, podemos inserir corridas um pouco mais rápidas no seu treino. Dessa forma, trabalharemos diversos grupos musculares e de formas variadas, promovendo uma variação e adaptação do seu corpo. “Há muitas opções para realizar esse treino, definindo intervalados ou apenas alternando de acordo com o seu cansaço, tornando o treino mais divertido e prazeroso”, explica a treinadora.

5. Defina objetivos

Agora que você já está mais acostumado aos estímulos da corrida, já cogitou participar de uma prova? Almejar determinado tempo ou distância? Isso pode te dar aquele empurrãozinho quando a preguiça bater. “Vale lembrar que todo acompanhamento de um profissional fará toda diferença durante esses momentos, porque ele saberá a intensidade e o tempo ideal de cada passo que você dará”, conclui Juliana.

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Tipos de yoga: a diferença está nas técnicas utilizadas

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Tipos de yoga: a diferença está nas técnicas utilizadas
Tipos de yoga: a diferença está nas técnicas utilizadas iStock

Os vários tipos de yoga, à primeira vista, podem despertar muitas dúvidas em quem tem interesse em praticar. Qual é a melhor técnica? Qual combina mais comigo? Estas são perguntas comuns entre iniciantes. Na verdade, não existe o melhor estilo. O que irá determinar é sua afinidade com a prática. Há estilos que exploram mais a prática física e a disciplina, como o Ashtanga Vinyasa; e modalidades que têm como parte da aula a meditação aliada às posturas, como o Hatha Yoga. Entretanto, tudo é yoga e o principal objetivo vai além da prática física: com assiduidade, adquire-se autoconhecimento, consciência corporal e equilíbrio do corpo e da mente. 

“O yoga vai além de uma atividade física, é uma prática voltada para conexão entre o corpo, a mente e o espírito daquele que pratica… o corpo é um meio, não o fim”, explica Rafael Verçosa, professor de yoga. 

Para corredores, além desses benefícios citados, há ainda a correção do desequilíbrio muscular (que pode ocorrer em muitos corredores que não se exercitam da forma certa), prevenção de lesões, aumento da capacidade de oxigenação, alívio do estresse ganho de energia na hora da corrida.

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Dentro das maneiras de praticar yoga, a diferença entre elas são as ferramentas (ou as técnicas) que são aplicadas dentro da prática dos diferentes tipos de yoga, que são:

  • Asanas (posturas físicas);
  • Pranayamas (exercícios respiratórios);
  • Mudras (gestos de poder);
  • Mantras (orações e frases de poder);
  • Filosofia.

Os tipos de yoga e suas singularidades

Ashtanga Vinyasa Yoga

É um conjunto de 6 séries de posturas fixas. O praticante começa na primeira e permanece praticando esta única série com as mesmas posturas, até estar pronto física e mentalmente para a segunda sequência e assim sucessivamente. Aqui, trabalha-se disciplina e paciência para evoluir nas sequências. Além disso, aprende-se a respirar, 

São práticas vigorosas que exigem um nível maior de vigor físico e mental. As ferramentas do yoga se fazem presentes criteriosamente em cada parte da prática.

Vinyasa Flow

Esta prática, assim como o Ashtanga, tem enfoque no movimento do corpo associado à respiração, mas de forma livre. Não há séries padronizadas e as práticas variam muito de acordo com o estilo e personalidade do professor.

Também é uma prática vigorosa e que irá exigir vigor físico, mental e ainda mais coordenativo por associar movimento fluido e contínuo junto com a respiração. As ferramentas do yoga são trabalhadas de forma livre e podem ou não se fazer presentes em todas as práticas.

Uma Asana (posição) que se enquadra no Vinyasa Yoga, um dos tipos de yoga
Uma Asana (posição) que se enquadra no Vinyasa Yoga, um dos tipos de yoga iStock

Hatha Yoga

Prática clássica de Yoga, na qual as posturas são trabalhadas sem a necessidade ou determinação de seguirem uma ordem específica, tampouco de se conectarem uma a outra de uma forma fluida e contínua. As posturas são trabalhadas individualmente e o que determina seu grau de dificuldade é o tempo de permanência em cada uma delas, a depender da orientação do professor e da proposta da aula.

Uma Asana (posição) que se enquadra no Hatha Yoga, um dos tipos de yoga
Uma Asana (posição) que se enquadra no Hatha Yoga, um dos tipos de yoga iStock

Bikram Yoga (Hot Yoga)

Prática vigorosa que segue a linha do Vinyasa Flow, porém, praticada dentro de um ambiente climatizado a 43º (temperatura pode ser regulada a depender da quantidade de pessoas na sala) de forma e estimular o metabolismo através do aumento de temperatura, acelerando o processo de desintoxicação e purificação do corpo. Ao contrário de todas as outras práticas de yoga, é permitido beber água durante a aula.

Iyengar Yoga

Tem como principal característica o alinhamento para execução correta das posturas de acordo com a anatomia de seu corpo. É feito com auxílio de props (acessórios) como blocos de EVA, bolsters, cadeiras, kuruntas (balanços suspensos) e outros acessórios para chegar ao alinhamento postural. 

Kundalini Yoga

Prática voltada para o estímulo de energia vital contida no corpo de todos os seres através de movimentos repetitivos associados com exercícios respiratórios.

“É recomendado que o praticante se permita a oportunidade de conhecer os diferentes tipos de yoga para descobrir com o qual tem mais afinidade.”, afirma Verçosa, que reitera: “Nenhuma modalidade é melhor do que a outra. Nenhuma é errada ou certa para o tipo de atividade que alguém desempenha. O praticante deve se permitir experienciar a prática, para descobrir se tal estilo com tais ferramentas aplicadas de tal forma é a que melhor se adequa ao seu momento de vida, ao seu atual condicionamento físico e ao seu atual estado de espírito”, finaliza.

*Fonte: Rafael Verçosa, professor da Jiwa Body & Mind.  

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Santa corrida! Como o esporte ajuda a curar casos graves de doenças

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Santa corrida! Como o esporte ajuda a curar casos graves de doenças
Santa corrida! Como o esporte ajuda a curar casos graves de doenças Ilustração Huan Gomes

Incluir o esporte na rotina de uma pessoa pode, além de oferecer inúmeros benefícios à saúde, combater graves doenças, como depressão, esclerose múltipla e câncer. Por mais simples que o ato pareça, levar uma perna à frente da outra repetidamente possui efeitos no corpo e no cérebro.

Embora seja incapaz de substituir a ajuda médica, a corrida é a ponte para uma série de reações hormonais e neuronais que acontecem no organismo, afirma Najara Karina Pereira Almeida, mestre em psicologia experimental pela PUC-SP. 

“Para que a atividade física desperte efeito no tratamento de uma doença, é preciso que o exercício seja planejado, estruturado e repetitivo. Se for dessa forma, vai haver o efeito neurogênico, capaz de remodelar sinapses e modificar propriedades neuronais”, diz ela.

Dentre todas as modalidades esportivas, pouquíssimas são tão planejadas, estruturadas e repetitivas quanto a corrida, como indicam as planilhas e a cadência de cada treino ou prova.

Por isso, acumulam-se histórias de pessoas que, muitas vezes involuntariamente, começaram a se recuperar de doenças e enfermidades físicas e mentais quando colocaram na corrida a rotina. 

Quando a corrida ajuda a curar

Médica viu esclerose múltipla regredir com exercícios físicos

Christiane Prado, de 39 anos, era sedentária até receber o diagnóstico de uma esclerose múltipla. Hoje, com a doença controlada e muitas experiências esportivas na bagagem, é médica do exercício e do esporte e ajuda a amenizar o sofrimento de pacientes que vivem o mesmo problema.

Aos 26 anos, ela começou a ter dificuldades para andar e perda de força no corpo. Depois, surgiram a perda de visão nos dois olhos e a diminuição da sensibilidade e da coordenação motora. Eram sintomas claros de que, dali em diante, Christiane teria de conviver com a esclerose múltipla, doença em que o sistema imunológico destrói a cobertura protetora dos nervos.A doença atingiu seu estágio mais grave dois anos após o diagnóstico inicial. Com múltiplas lesões cerebrais e na medula, a médica alcançou 5.5 em uma escala que mensura a gravidade da esclerose múltipla.

Christiane Prado, de 39 anos, recebeu o diagnóstico de uma esclerose múltipla.
Christiane Prado, de 39 anos, recebeu o diagnóstico de uma esclerose múltipla. Arquivo pessoal

Sem saber se poderia andar por muito tempo e desanimada com a falta de efeito das medicações, Christiane resolveu aproveitar o tempo que achou que lhe restava.

No pior momento de sua doença, ela começou correndo 2 km em um batalhão do Exército no Rio de Janeiro.

“Meu início esteve ligado a um raciocínio bastante pragmático: ‘Poxa, não sei se daqui a pouco volto a andar. Já que daqui a pouco eu estarei na cadeira de rodas, vou aproveitar o tempo que me resta’. Nessa época, eu via um heroísmo nas pessoas que corriam”, recorda.

Christiane pegou gosto pelo esporte e viu a esclerose múltipla regredir. A involução da doença em seu corpo virou objeto de um estudo que ela mesma conduziu ao lado da professora Andrea Eslandes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O estudo aponta que, ao fim do primeiro ano de treinamento intenso de corrida, seu grau na Escala Expandida do Estado de Incapacidade de Kurtze, método que quantifica as incapacidades ligadas à doença, caiu de 5.5 para 1.5.

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Após dois anos e meio de treinamento, a medicação foi interrompida. Nos anos seguintes, mesmo sem a medicação, ela se viu livre dos sintomas e manteve o treinamento de alta intensidade.

A conclusão da pesquisa é de que há a “possibilidade de haver um papel imunomodulador e neurogênico que nos permite pensar em exercícios de alta intensidade como possíveis fatores para controlar a esclerose múltipla”.

“Quem tem esclerose múltipla está muito associado à fragilidade, assim como acontece em outras doenças. Depois de me interessar pela corrida, fiz muitíssimas provas de 5 km e 10 km. A prova que me deixou mais feliz foi a São Silvestre. Foi lá que provei para mim mesma que era capaz”, lembra.

Antes anestesista, Christiane trocou de especialidade após ver os benefícios da corrida como cura, tanto para a doença como para sua vida. Abraçou a carreira na medicina do esporte e hoje é uma das referências no tratamento de esclerose múltipla no Brasil.

“Alguns anos atrás, recomendar a corrida como cura de um quadro de esclerose múltipla era quase como falar que você queria matar o paciente. Hoje em dia é diferente. Além de trazer o prazer, o exercício físico desgastante consegue modificar o que o cérebro produz de substância, inclusive mudando seu funcionamento.”

O desafio e a conquista de seis Ironmans após grave acidente 

Já Cléber Clímaco quase teve a perna amputada em 2001, após um grave acidente de moto e uma infecção hospitalar em seu atendimento. Hoje, com uma haste de titânio na mesma perna que quase foi amputada, é um homem de ferro. Em todos os sentidos. 

No início de outubro, ele suportou fortes dores na perna e concluiu sua sexta edição de Ironman, em Barcelona, em 11h43min. Apaixonado por corrida e triathlon, ele convive com a artrose e o incômodo na perna há mais de 15 anos.

Entre todos os participantes do Ironman na Catalunha, poucos poderiam encarnar tão bem a alcunha de homem de ferro quanto este policial militar.

Em 2001, um acidente de motocicleta provocou três fraturas em sua perna. Com a tíbia e a fíbula partidas, viu seu quadro ser agravado por uma infecção hospitalar. Cléber ouviu dos médicos que a amputação da perna era uma possibilidade real. Voltar a andar já seria uma vitória.

“Chorei por uma noite e falei: ‘Não, isso não vai acontecer’. Recorri à fé e às pesquisas”, lembra. 

A amputação não aconteceu, mas a haste de titânio que leva em sua perna é uma herança do acidente sofrido no início da década passada.

Cléber Clímaco, com uma haste de titânio na perna, concluiu seu sexto Ironman Full
Cléber Clímaco, com uma haste de titânio na perna, concluiu seu sexto Ironman Full Ricardo Soares

Indo contra as expectativas, teve alta após 30 dias de internação e voltou a apoiar o pé no chão depois de cinco meses. Para surpresa do médico, espantado com sua recuperação rápida, foi liberado para as atividades físicas após um período caminhando apenas de muletas e bengalas.

Cléber, que já era acostumado a correr maratonas antes do acidente, viu seu interesse pela corrida aumentar após o trauma. Do leito do hospital, percebeu a falta que o esporte fazia em sua vida.

Procurou médicos e fisioterapeutas, e buscou entender o que precisava fazer para se recuperar e quais eram os efeitos da corrida como cura para seu problema.

Dali em diante, suportando dores e movido por desafios, ele decidiu ir em busca de desafios cada vez maiores na corrida e no triathlon.

“Não vou deixar que as dificuldades me façam parar. Pelo contrário. É um processo contínuo de construção e desconstrução. Você tem que se desconstruir para voltar melhor”, observa.

 A corrida para driblar os efeitos de uma quimioterapia

A fisioterapeuta Roberta Perez, 29, arriscou as primeiras passadas durante a quimioterapia contra um câncer de mama. Vivendo o ápice de sua carreira na área hospitalar, aos 27 anos, ela recebeu a confirmação de que o nódulo em seu peito era maligno.

A quimioterapia, iniciada alguns dias depois do diagnóstico, castigou Roberta em todos os aspectos — física e mentalmente. Enjoos, dores físicas e cansaço passaram a acompanhá-la diariamente.

Diante de tanta fraqueza, Roberta decidiu sair da cama em que passava os seus dias, colocou um lenço na cabeça e, ao lado do marido, foi a um parque de São Paulo com o intuito de espairecer.

Foi ali que Roberta percebeu que era mais forte do que imaginava. Em meio às sessões de quimioterapia, correu 2,2 km de forma ininterrupta, com as lágrimas se misturando ao suor.

Roberta Perez, 29, deu as primeiras passadas durante a quimioterapia contra um câncer de mama.
Roberta Perez, 29, deu as primeiras passadas durante a quimioterapia contra um câncer de mama. Arquivo pessoal

“Relatei o que havia passado no parque para a minha oncologista, que disse: ‘Isso é maravilhoso. Se você se sente bem, faça’. Vi que não estava morta, que ia sobreviver. Eu era a careca que corria chorando no parque. No pior momento da minha vida, eu me senti viva”, conta.

O tratamento durou cinco meses, e Roberta finalizou as sessões de quimioterapia a poucos dias da virada de ano, quando já estava correndo 8 km.

Após a inserção das próteses de silicone nas duas mamas, veio um novo baque. As dificuldades na cicatrização a obrigaram a interromper os treinos de corrida.

Mesmo sem treinar como gostaria, concluiu uma tradicional prova de 10 km em Santos, no litoral paulista, em 1h06min. Quando imaginou que seu sofrimento havia chegado ao fim, surgiu mais um duro golpe. Foi descoberto um tumor em seu ovário.

A hormonioterapia a colocaria na menopausa por um período de cinco a dez anos. A saída foi retirar o ovário. O acúmulo de problemas resultou em uma depressão.

“Isso tudo mexeu muito com a minha parte psicológica. Mexe com coisas muito femininas, mudanças que, às vezes, nós sequer notamos nos nossos corpos”, explica. Quando teve condições físicas de voltar a correr, o esporte foi uma arma poderosa contra a depressão.

Competitiva, ela já tem a marca de 1h16min em uma prova de 15 km e planeja aumentar as distâncias. Como resultado de tudo que viveu entre 2016 e 2018, decidiu mudar de vida. Hoje, aos 29 anos e com o exercício físico consolidado como parte de sua rotina, ela ganha a vida como professora de yoga.

Câncer e corrida: o que dizem a ciência e os médicos?

Um estudo publicado no Journal of the American Medical Association em 2005 recrutou 2.987 mulheres operadas de câncer de mama para checar se a prática de exercícios físicos após o diagnóstico do tumor aumentaria os índices de cura.

Depois da mastectomia e das etapas de radioterapia e quimioterapia, as pacientes que caminhavam por pelo menos 30 minutos, cerca de cinco vezes por semana, em uma velocidade que girava entre 5 e 6 km por hora, tiveram 60% de redução do risco de reaparecimento da doença, menor mortalidade por câncer de mama e menor probabilidade de morrer em decorrência de outros problemas.

Na Austrália, quem não se exercita enquanto se recupera de um tumor maligno é repreendido pelos médicos. Vinte e cinco especialistas da Sociedade de Oncologia Clínica da Austrália defendem a tese de que não prescrever exercícios físicos para os pacientes é até mesmo prejudicial.

Para os oncologistas australianos, quem encara um tumor deve se submeter a 150 minutos semanais de exercícios aeróbios. Se o paciente optar por um exercício mais intenso, a duração cai para 75 minutos.

“A quimioterapia deixa o paciente debilitado por conta do grau de toxicidade, com fadiga e cansaço. O paciente com um preparo físico melhor ou alimentação mais balanceada, uma vida saudável, costuma aceitar melhor o tratamento. Há um tempo mais curto para a ação dos efeitos colaterais. O organismo tem uma resistência maior e o tratamento costuma ser tolerado”, confirma Rudinei Marques Linck, oncologista do Hospital Sírio-Libanês.

Corrida e depressão: combatendo o mal do século

Visão negativa sobre o cotidiano. Perda de energia para tarefas simples. Sentimento de desamparo. Comportamento mais emotivo que o habitual. Esses são alguns dos sintomas da depressão, o mal do século XXI. No Brasil, cerca e 12 milhões de pessoas convivem com a doença, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde.

A corrida costuma ser recomendada como parte do tratamento contra depressão por liberar uma série de substâncias no cérebro, além de estimular o convívio social e a busca por objetivos.  Apesar dos benefícios, no meio da corrida, o assunto ainda é tratado como tabu.

“Tem muita gente que ainda não enxerga a depressão como uma doença. Para algumas pessoas, é constrangedor admitir o problema. Para outras, é libertador. O que eu noto é que algumas delas, quando incluem a corrida em suas rotinas até reduzem a quantidade de medicamento”, relata Darlan Duarte, treinador da Pacefit.

As substâncias liberadas durante a corrida

  • Endorfina

Conhece aquela sensação de prazer e bem-estar após um treino? A endorfina é uma das responsáveis por isso. É um hormônio que aumenta a disposição física e mental, além de ter efeito analgésico e imunológico.

  • Dopamina

Uma das principais substâncias responsáveis pelo controle da ansiedade. É um neurotransmissor que age como um tranquilizante natural, ajudando no foco, na concentração e diminuindo a ansiedade. Baixos níveis podem levar à apatia, insônia, perda de libido, dentre outros sintomas desencadeadores da depressão.

  • Serotonina

Promove sensação de euforia, bem-estar e plenitude. Contribui sensivelmente para o combate à insônia, um dos sintomas da depressão.

  • Adrenalina

Promove uma sensação de euforia e força em nosso corpo. Isso cria um cenário de maior energia e disposição durante a atividade.


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Como emagrecer com a corrida: passo a passo

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Como emagrecer com a corrida: passo a passo
Como emagrecer com a corrida: passo a passo iStock

Tem muito corredor que, além de adorar dar as suas passadas, também pensa em emagrecer com a corrida. Mas como fazer isso de forma saudável? Levantamos cinco estratégias matadoras (e simples) que farão com que o seu objetivo seja alcançado de forma segura e duradoura.

Como emagrecer correndo e com saúde

1. O primeiro passo para emagrecer com a corrida deve ser dado longe das ruas e das esteiras. Antes é preciso procurar um médico para que você realize exames que mostrarão se você está apto ou não para começar a praticar a atividade. Os exames mais comuns são o teste ergométrico, o hemograma completo e o ecocardiograma, mas outros exames poderão ser solicitados, dependendo da avaliação feita pelo profissional de saúde.

2. Emagrecer com a corrida não é sinônimo de pressa. Se você está saindo agora do sedentarismo, deve começar devagar, respeitando seus limites. Intercalar a caminhada com um trote bem leve, aliado a alguns exercícios de fortalecimento articular preparatório para a atividade, é o ideal para quem está saindo da inércia. Isso porque esses treinos estimulam o organismo a evoluir fisicamente, além de usarem gordura como fonte de energia.


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3. Para atingir seu objetivo e emagrecer com a corrida é importante que você se alimente bem, isso é, coma de tudo, mas com equilíbrio. Sem excessos, seu prato deve conter alimentos dos três grupos — carboidratos, proteínas e gorduras. Antes dos treinos, dê preferência aos carboidratos complexos, como pães, torradas e arroz integrais e aveia. Eles ajudam o corpo a usar a gordura como fonte de energia e a manter o rendimento na corrida. As proteínas (carnes em geral, leguminosas, leite e derivados) e as gorduras (manteiga, margarina, óleos, azeite, castanhas etc.) também podem ser consumidos nessa hora, mas em menores quantidades.

4. Já tentou correr e acabou parando? Para que isso não volte a acontecer, o segredo é variar os treinos. Além de favorecer a evolução rápida de rendimento, essa alternância ajuda o corredor a ficar mais motivado e focado. Outra sugestão é traçar metas detalhadas e acompanhar seu progresso periodicamente. Colocar objetivos curtos, baseados no percentual de gordura corporal, peso e quilômetros rodados, por exemplo, ajuda a manter a motivação em alta.

5. Alguns tipos de treino favorecem mais a queima de gordura que outros. Por isso, é importante que você siga a planilharespeitando as atividades previstas pelo treinador. Exercícios que mantêm o batimento cardíaco na faixa de 60% a 70% são os mais indicados. E fique atento: para conseguir emagrecer com a corrida usando a gordura como fonte de energia, o treinamento deverá atingir durante o maior tempo possível uma faixa cardíaca já determinada no teste ergométrico (ou ergoespirométrico).

*Fontes: José Carlos Fernando, o “professor Zeca”, diretor-técnico da assessoria esportiva ZTrack Esporte e Saúde; e Luís Ricardo de Souza Alves, nutricionista pós-graduado em nutrição esportiva da clínica Nutrição Fácil.

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Escolhi celebrar meus 25 anos de corrida na Mizuno Uphill Marathon

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Celebrei meus 25 anos em uma das maratonas que mais gosto!
Celebrei meus 25 anos em uma das maratonas que mais gosto! Arquivo pessoal

Este ano foi especial para mim. Fiz 25 anos de corrida — sim, comecei no esporte aos 5 anos, correndo provinhas de 50 metros. Para celebrar esse aniversário, fui atrás de um sonho, que certamente é o de muitos corredores — participar dos 42 km da Mizuno Uphill Marathon.

A prova é famosa pelo seu nível de dificuldade, tendo como principal cenário a Serra do Rio do Rastro, no sul do País. É possível escolher três distâncias: 25 km, 42 km ou o mais ousado, que contempla ambos, chamado de Desafio Samurai, no qual você precisa percorrer 67 km. Ou seja, subir a serra duas vezes! 

Seria minha nona maratona, e a jornada para esse desafio é bem concorrida, porque você precisa fazer uma pré-inscrição e torcer para ser sorteado. Tive a sorte de fazer parte desse time de corredores e me preparei com afinco. Corri em média 80 km por semana, fiz de dois a três treinos de pedal para ajudar a minimizar o impacto da corrida, e pratiquei yoga e pilates, para ganhar flexibilidade e preparo mental.

Peguei firme na dieta (fiz a do jejum intermitente com orientação de um nutricionista) e sequei 6 kg em dois meses, o que foi fundamental para me deixar o mais leve possível para a aventura.

Minha experiência na Mizuno Uphill Marathon
A prova parte de Treviso, uma cidadezinha pacata e simpática de Santa Catarina. Um dia antes do desafio, na sexta-feira, ocorre a expo, que oferece a retirada de kits, congressos técnicos com dicas para a prova e venda de produtos esportivos.

A largada da Mizuno Uphill Marathon foi às 7h da manhã sob chuva torrencial. Ficamos dentro da quadra da expo minutos antes de começar a corrida. Então, acabei fazendo o aquecimento ali dentro mesmo, com um trotinho leve e muita oração.

Iniciei controlando o ritmo, passadas e pensamentos firmes. Os 25 km iniciais são um desafio dentro da maratona, pois há uma linha de corte de três horas nessa quilometragem. Passado o período, a serra é fechada.

Cheguei com 2h22min no ponto de corte, onde há um relógio. Quando vi que estava dentro do timing, senti-me aliviada e feliz da vida.

Vale dizer que esses 25 km são repletos de subidas e descidas, não são fáceis. O autocontrole foi fundamental nesse trecho, tanto físico — para não abusar e acelerar demais, podendo quebrar depois — quanto mental, porque é hora de controlar a emoção e chegar bem na linha de corte.

[]

Como controlei bem a prova, cheguei tranquila à famosa capelinha, que é o marco para o início da Serra do Rio do Rastro. A partir daí a chuva só ficava mais forte, e muitos atletas já estavam caminhando por causa da exaustão e das cãibras.

Para não passar perrengue, levei cápsulas de sal para consumir a cada 7 km. Meu desejo era correr sem parar até o km 35. Segurei o pace e comecei a subir. O que me ajudou muito foi correr ouvindo música. Dali em diante fui sorrindo.

Os últimos 7 km são permeados de “cotovelos”, e como estamos bem no meio das montanhas, o vento é forte e a chuva bate de frente, o que exige uma força mental absurda para não se deixar abalar. Eu via os atletas longe, lá de cima, e pensava: “Calma que daqui a pouco você chega lá!”.

Quando vi, já estava no km 37. Consegui me vencer e correr sem parar 2 km além do pretendido. Caminhei do km 37 ao 41, mas estava tão feliz que fiz isso sorrindo e precisava de um descanso, pois era a parte mais inclinada da prova.

A cada passo que eu dava, lembrava de todos os treinos na escada e do que havia feito para chegar a esse dia. Mantive os braços fortes e a passada cadenciada para garantir a média de 6,5 km/h de velocidade nesse trecho.

Quando avistei a placa de 41 km com o final da serra, voltei a correr até me aproximar do pórtico e ser recebida por uma torcida calorosa, mesmo debaixo daquela chuva forte. Fui tomada por um sentimento de gratidão que não cabia em mim, principalmente quando soube que fui a 29ª mulher de 94 participantes a vencer a Serra do Rio do Rastro e conquistar a Mizuno Uphill Marathon neste ano, com 4h48min38s de prova.

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Bolhas nos pés por causa da corrida: como evitar o problema

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Bolhas nos pés por causa da corrida: como evitar o problema
Bolhas nos pés por causa da corrida: como evitar o problema iStock

Quem corre há algum tempo e faz longas distâncias, provavelmente já sofreu com bolhas nos pés. O problema costuma acontecer pela pressão ou fricção entre pés, meias e tênis. A lesão ocorre com o descolamento de uma camada mais superficial da pele por rompimento das estruturas que prendem uma célula na outra. Embora as bolhas nos pés não causem problemas mais graves, precisam de cuidados para não se tornarem um desconforto recorrente.

Para preveni-las, o dermatologista Rodolfo Mendonça pontua alguns cuidados. “A água e o suor aumentam o atrito entre pé e meias. Portanto, quanto maior a porcentagem de poliamida e menor a de algodão na meia, menos chances de formação de suor e atrito que levam às bolhas. Além disso, é importante que o tecido da meia seja livre de dobras, assim como pouca ou nenhuma costura”, recomenda.


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Estourar ou não as bolhas nos pés, eis a questão?

Esta é uma dúvida frequente, ainda mais quando o incômodo é grande. A dor varia de acordo com o local, pois há partes do pé com mais terminações nervosas, mais sensíveis à dor. Além disso, há locais que são submetidos a maior pressão. O ideal é não estourar, pois, de acordo com Mendonça, quando estouradas são portas de entrada para bactérias que podem gerar infecção local. Aí que o quadro piora, pois pode aparece pus, inchaço e vermelhidão ao redor da área lesionada.

“O tratamento dependerá de cada caso: para as pequenas e pouco dolorosas, limpeza e curativo adequados. Para as maiores ou dolorosas, drenagem do fluído (líquido dentro da bolha) de maneira estéril, sem romper o teto da bolha e é recomendado proteger com um curativo. Já em casos mais extremos, como as bolhas abertas, recomenda-se limpar, aparar o teto (pele) da bolha e aplicar curativos específicos para as abertas”, sugere o dermatologista.

Previna-se

  • O primeiro e mais importante passo é: certifique-se de que o tênis se encaixa adequadamente no pé. É aconselhado que o calçado tenha, pelo menos, meio tamanho maior que o tamanho de uso diário, já que os pés incham durante a corrida.
  • Um dos mais tradicionais métodos preventivos é a vaselina. Alguns corredores, além de usarem no pé, passam no lado de fora da meia e no interior do tênis.
  • Outra opção é o adesivo de silicone ou gel, além da fita de óxido de zinco.
  • Alguns atletas usam dois pares de meias finas, ou meias de dupla camadas especificamente criadas para evitar calos. Veja qual é a melhor opção para seu caso!
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Lesão no menisco: possíveis causas e como tratá-las

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Lesão no menisco: possíveis causas e como tratá-las
Lesão no menisco: possíveis causas e como tratá-las iStock

Um temor entre quase todos os corredores é o de se lesionar durante a corrida, ou então agravar alguma lesão durante a prática. Os joelhos não ficam de fora dessa preocupação, e causar uma lesão no menisco, parte fundamental da articulação, é algo que ninguém quer e merece, certo?

Segundo o ortopedista Adriano Almeida, é importante esclarecer o que são os meniscos, sua função, os riscos que apresentam e os cuidados que eles necessitam. “Nós temos dois meniscos em cada articulação do joelho, o medial (interno) e o lateral (externo). São cartilagens fibrosas que ficam entre o fêmur e a tíbia. Ou seja, quando estamos de pé ou fazendo qualquer movimento que aplique carga sobre o joelho, estamos comprimindo o menisco, essa compressão faz com que ele absorva uma parte do impacto na articulação do joelho, que de outra forma seria absorvida pela cartilagem articular (cartilagem que recobre os ossos), ajudando a preservá-la e a evitar seu desgaste precoce”, explica.

Possíveis origens da lesão no menisco

  • Lesão traumática (ou seja, o indivíduo que tem o menisco completamente normal e acaba sofrendo uma torção no joelho, podendo romper a cartilagem);
  • Lesão degenerativa (alguém que, com o passar dos anos, apresenta desgaste na articulação e o menisco torna-se fragilizado para uma lesão);
  • Combinação dos dois tipos (é quando a pessoa tem o menisco frágil, tem uma sobrecarga no joelho, ou uma torção que não seriam suficientes para causar uma lesão, mas acaba apresentando ruptura na cartilagem).

O tratamento e a recuperação

Varia de acordo com o caso, quanto ao tipo de lesão apresentado. Além disso, existem lesões que não apresentam sintomas (são chamadas de assintomáticas), com ausência de dor, inchaço ou bloqueio na articulação, possibilitando a prática de esportes. Já as lesões que apresentam sintomas, necessitando de tratamento operatório ou não.

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No caso de lesões que exigem procedimentos operatórios, Almeida esclarece. “Pode ocorrer a meniscectomia, que é a retirada parcial ou total do menisco, ou a reparação do menisco através de suturas (pontos)”. O ortopedista reitera que atualmente a retirada total quase nunca é realizada, já que a médio ou longo prazo pode causar outros problemas, como degeneração articular, desgaste da cartilagem e osteoartrite do joelho.

“A retirada parcial do menisco é indicada nos casos de lesões sintomáticas e instáveis, ou seja, que há um pedaço do menisco que está causando dor e não apresenta mais função de proteger a cartilagem, nos casos em que não houve melhora com o tratamento não operatório, e nas lesões que não é possível reparar o menisco, ou seja, que não é possível dar ponto”, explica o Dr. Adriano.

Certos casos necessitam apenas de tratamento não operatório, que consiste basicamente em fisioterapia, com trabalho de fortalecimento da articulação e exercícios de movimentação articular para tentar reduzir a dor, melhorar a movimentação e a força muscular.

A lesão no menisco pode acontecer na corrida?

“Os corredores dificilmente têm lesão no menisco por causa da prática por causa do movimento. O problema surge por causa da torção no joelho, algo muito difícil de ocorrer durante um treino ou competição de corrida. Além disso, não existe nenhum dado que comprove que a corrida cause alterações graves no joelho, como a osteoartrite em longo prazo. A corrida, portanto, pode ser considerada um esporte seguro. O que pode acontecer é um indivíduo que apresenta lesão no menisco ter um agravamento dos sintomas devido à corrida”, ensina o ortopedista.

A melhor maneira de se prevenir é fazer uma preparação adequada com exercícios de fortalecimento muscular,  exercícios de alongamento e flexibilidade. Isso envolve toda a musculatura dos membros inferiores e do abdômen, para que absorvam o impacto da articulação dos joelhos e ajudem a evitar a sobrecarga muscular. Com isso, além de diminuir incidência de lesões, também pode auxiliar no desempenho.

“Se a pessoa apresentar sintomas em que haja suspeita de lesão no menisco, ela deve procurar um especialista em joelhos que vai saber avaliar e analisar a existência dessa lesão por meio de exames complementares. Por isso, é importante que se consulte um especialista o mais cedo possível para se avaliar adequadamente a lesão”, completa o médico.

*Fonte: Dr Adriano Almeida (CRM 100635), doutor em ortopedia, médico do Grupo de Medicina do Esporte do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da USP.

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Dor no nervo ciático: conheça as causas e tratamentos

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Dor no nervo ciático: conheça as causas e tratamentos
Dor no nervo ciático: conheça as causas e tratamentos Getty Images


A dor no nervo ciático atinge cerca de 6% da população, sendo mais comum entre as mulheres do que entre os homens. Geralmente é uma dor persistente, mas com intensidade variada, que pode ser acompanhada de dormência, formigamentos, sensação de agulhadas e fraqueza muscular.

O nervo ciático é o mais longo do corpo humano: começa na lombar, passa pela região das nádegas e pelo posterior da coxa, estendendo-se por toda a perna, chegando até o pé. O incômodo pode ser sentido em qualquer uma das regiões por onde o nervo passa.

Regiões por onde o nervo ciático passa
Regiões por onde o nervo ciático passa iStock

Causas

A dor no nervo ciático pode ser causada por diversas razões — como má postura, sobrepeso, sedentarismo, passar muito tempo sentado, tumores, diabetes e vírus da herpes ou da catapora.

Porém, geralmente, está associada a alterações na coluna — como compressões, lesões ou inflamações do nervo. Apesar de incomum, a compressão do nervo pode desencadear um processo inflamatório, que faz com que a dor e o incômodo sejam irradiados para a parte de trás da perna. 

As compressões podem acontecer tanto na altura da saída da coluna como na região do músculo piriforme. Em corredores, a dor no ciático é causada normalmente pela síndrome do piriforme, um músculo que fica embaixo do glúteo, e o ciático passa por baixo ou pelo meio dele.

Músculo piriforme
Músculo piriforme iStock

Além disso, a dores no nervo ciático podem ser resultado de:

  • Hérnias de disco
  • Traumas na região lombar ou dos glúteos
  • Estenose espinhal
  • Inflamações crônicas
  • Fraturas ou lesões pélvicas

Sua relação com o esporte

Qualquer exercício físico pode contribuir para o surgimento de microlesões, que podem gerar um quadro inflamatório agudo. Porém este quadro agudo é importantíssimo para promover adaptações como a hipertrofia muscular, por exemplo.

Então, antes de iniciar a prática de atividades físicas é importante fazer uma avaliação médica, para diagnosticar possíveis alterações posturais e desequilíbrios musculares que possam contribuir para a síndrome do piriforme.

Como tratar

Quando surgem os primeiros sintomas é indicado consultar um médico fisioterapeuta ou ortopedista, para que sejam feitas análises, ressonância magnética ou exames de raio-X na região da coluna. Para assim, descobrir se há alguma alteração na região da coluna.

Caso os sintomas estejam avançados — ou seja, durante a fase aguda — a fisioterapia tem um papel fundamental.

Já durante a fase de transição, o profissional de educação física apresenta grande importância para potencializar o equilíbrio e fortalecimento muscular.

O tratamento clínico desta síndrome pode ser acompanhado do uso de anti-inflamatórios, exercícios de alongamento e fortalecimento, massagem, calor local, crioterapia, uso de relaxantes musculares e injeção de corticoide.

Também existe a possibilidade de ser necessário um processo cirúrgico. Hoje, as operações na coluna não são tão complicadas e invasivas como antigamente, mas ainda assim, os médicos criticam um pouco. O fato é que, geralmente, os resultados são muito bons quando a cirurgia é bem indicada. 

*Fontes: Alex Souto Maior, professor e pesquisador do Programa de Mestrado e Doutorado em Ciências da Reabilitação da UNISUAM – CREF 004362-G/RJ e Claudio Cotter, formado em fisioterapia pela Unicid e ex-fisioterapeuta da Seleção Brasileira Feminina de Futebol – CREFITO 30874-F

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Veja como se preparar para os 42k de Floripa

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Como se preparar para os 42k de Floripa
Como se preparar para os 42k de Floripa Divulgação

A Maratona Internacional da Cidade de Florianópolis – 42k de Floripa, uma das provas mais belas do calendário da corrida de rua no Brasil, já tem data marcada pra 2019: 23 de junho. E o primeiro passo para ter uma boa experiência em uma maratona é traçar um planejamento cuidadoso, seja no treinamento ou na logística.

Para te auxiliar nessa tarefa, o Ativo consultou o treinador carioca Fábio Freitas para oferecer dicas de treinamento e preparação a quem vai encarar as três distâncias da prova catarinense: 10k, 21k e 42k. 

Clique aqui e inscreva-se nos 42k de Floripa 2019!

A estreia na maratona

1) Defina uma estratégia e controle a empolgação

Cruzar a linha de chegada de uma maratona pela primeira vez costuma ser um divisor de águas para os apaixonados pelo esporte. Este momento marcante, no entanto, é precedido por uma fase de muitos treinos, alguns sacrifícios e a definição de uma estratégia de prova. Seguir à risca o que foi combinado com seu treinador é essencial para não correr riscos desnecessários, diz Fábio.

“O corredor deve fazer exatamente o que foi treinado. Em Florianópolis, ele vai encontrar um clima ameno, ideal para bons tempos, mas, para quem está começando no mundo das maratonas, é preciso se segurar e respeitar o que foi feito até ali. A estratégia de prova é importante. Quem se empolga na primeira parte da maratona pode pagar o preço lá na frente”, adverte o treinador.

2) Estude o percurso dos 42k de Floripa

Embora o percurso seja majoritariamente plano, vale a pena analisar o trajeto para não ter nenhuma surpresa em cima da hora.

“A prova começa e termina na avenida Beira-Mar Continental e tem pouca variação no relevo. O estudo do percurso é importante para que o corredor vá preparado psicologicamente para o que vai encontrar”, diz Fábio.

3) Esteja preparado para o frio

Na segunda quinzena de junho, Florianópolis tem temperaturas frias nas primeiras horas do dia. Como na edição de 2018 cerca de 80% dos participantes eram turistas, checar a previsão do tempo antes faz parte da checklist. O clima pode ser um aliado, desde que os atletas escolham uma roupa adequada para a largada.

“Quem está acostumado a correr em cidades quentes deve ter atenção redobrada na questão da escolha das roupas. Um detalhe como esse pode prejudicar o desempenho do corredor e arruinar meses de treinamento”, observou.

Clique aqui para conferir a planilha para os 42k de Floripa

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Recomendações a quem busca um RP nos 21k

A meia maratona é uma das distâncias mais desafiadoras e preferidas dos corredores. Se você está perseguindo um recorde pessoal nos 21k, controlar a alimentação, levar a planilha a sério e manter a motivação são atalhos para o tempo desejado. A rapidez do circuito e a boa estrutura do evento são garantias de que, com uma preparação impecável, o RP será um objetivo cada mais próximo.

1) Dieta equilibrada

Controlar a alimentação e consumir quantidades equilibradas dos nutrientes estão entre os segredos para que o corpo suporte a carga de treinos para uma prova de 21k em ritmo intenso. Isso não quer dizer que você tenha que abandonar os alimentos que gosta, mas sim reservá-los para os momentos adequados.

“Além da alimentação, uma prova de 21k já exige um cuidado com a suplementação, os geis de carboidrato e as cápsulas de sal. Teste previamente os produtos que você pretende consumir para saber como o seu corpo reage”, recomenda Fábio.

2) Mantenha-se tranquilo

Ansiedade e nervosismo são inimigos frequentes na mente de quem está atrás de um grande objetivo. Se não dosar a cobrança e controlar os nervos, o corredor pode prejudicar seu rendimento e terminar frustrado, não realizado.

“Sempre digo para aqueles que buscam um RP para que evitem o nervosismo. Fazendo tudo direitinho nos treinos, no descanso e na alimentação, o resultado vem. Mantenha a cabeça boa, afaste os maus pensamentos e tenha a motivação lá no alto. O fator psicológico conta muito em uma situação assim”, observa o treinador carioca.

3) Aposte em treinos intervalados

“Não existe evolução se o corpo não toma alguns sustos. Tirar o organismo da zona de conforto traz bons resultados e abre caminho para tempos mais velozes”, afirma Fábio.

Os treinos intervalados melhoram a capacidade de bombear sangue e extrair oxigênio, faz com que o corredor esteja preparado para suportar vários ritmos e obriga o corpo a utilizar as gorduras armazenadas. Esse conjunto de fatores turbina o atleta que pretende voar baixo em Florianópolis.

Planilha dos 21k abaixo de 2h: clique aqui

Vai correr os 10k pela primeira vez? Curta a experiência!

Assim que é superada a fase dos 5k, a porta de entrada para o mundo da corrida, os 10k representam uma ponte com metas cada vez mais expressivas. Para que o corredor continue firme na modalidade, os 10k devem, antes de mais nada, ser prazerosos.

1) Aproveite a paisagem

A prova de 10k em Floripa é chamada de Joy Run. Como sugere o próprio nome, a experiência deve ser alegre e leve. Para quem é iniciante, trata-se de uma oportunidade perfeita para ganhar mais rodagem na modalidade.

“A prova de 10k em Floripa é incrível. É uma distância boa para correr. Minha primeira dica é para que as pessoas se divirtam. Curta a paisagem e não se cobre tanto”, diz Fábio.

2) Não faça os 10k sem treinar

Para o que deveria ser algo divertido não se torne sacrificante, correr 10k ou uma distância próxima a isso previamente pode evitar sustos e sofrimentos desnecessários. O rigor com os treinos não precisa ser tão grande como na preparação para os 21k e os 42k, porém corridas regulares no período que antecede a Joy Run podem aproximá-lo do esporte e tornar a experiência ainda melhor.

3) Fique de olho na hidratação

“A hidratação não deve ser uma preocupação apenas durante a prova. Tenha sempre em mãos uma garrafinha de água para se hidratar antes, durante e depois dos treinos”, sugere Fábio.

Planilha para quem quer começar nos 10k: veja aqui.

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Quer emagrecer e ganhar condicionamento? Veja os benefícios de pular corda

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Quer emagrecer e ganhar condicionamento? Veja os benefícios de pular corda
Quer emagrecer e ganhar condicionamento? Veja os benefícios de pular corda Shutterstock

Se você está querendo eliminar alguns quilinhos extras e aprimorar o condicionamento físico, pular corda pode ser uma boa alternativa. De acordo com o personal trainer Rogério Sthanke, em 30 minutos pulando corda, uma pessoa chega a queimar até 350 calorias – mais do que consumiria correndo durante meia hora.

Exercício muito utilizado por pugilistas em seus treinamentos, pular corda oferece benefícios que vão muito além do emagrecimento, diz Sthanke. Para quem busca um trabalho complementar à corrida, trata-se de uma opção simples, eficaz e barata. Na Netshoes, um dos principais e-commerces esportivos do Brasil, um modelo de corda pode ser adquirido por R$ 7,90.

“Você consegue trabalhar o corpo de maneira inteligente. É um trabalho mental e físico. Os músculos principais que você trabalha são dos membros inferiores, com melhora do sistema cardiorrespiratório e ganho de coordenação motora e agilidade”, explica o treinador.

Uma das formas de evitar a fadiga é alternar os movimentos. Quem insiste no mesmo movimento ao pular corda eleva os batimentos cardíacos e perde o ritmo no exercício. Uma saída recomendada pelos treinadores é começar pulando com os dois pés e, em seguida, pular com um pé de cada vez.

Quem ainda não está acostumado a pular corda pode sentir dificuldades no início. Dominar o movimento das mãos e a sincronia com o pulo pode levar algum tempo, mas passa a ser automático assim que o movimento é assimilado.

“Uma pessoa iniciante vai ter que passar pelo processo de aprendizagem primeiro. Ela vai ter que ganhar coordenação motora e consciência corporal. Ela pode trabalhar de 5 a 10 minutos por dia, mas fazendo isso de maneira intervalada. Vai pular um minuto de corda e vai descansar dois minutinhos, até porque 10 minutos de corda para uma pessoa iniciante representam muito tempo. O fato de ela não ter consciência corporal aumenta o desgaste. A pessoa que pula corda há mais tempo cansa menos”, recomenda Sthanke.

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Passo a passo para pular corda

1) Escolha uma corda que seja compatível com o seu tamanho. Um bom teste é pisar na corda e checar se as duas pontas ultrapassam o seu umbigo. Caso a resposta seja positiva, é um indício de que a corda é adequada. Se você está começando, compre uma corda de silicone. Caso você erre o movimento, a dor no contato com a pele não será tão grande.

2) Se você ainda não controla o movimento de girar a corda, pegue-a com uma das mãos e a rode para frente. Tente fazer isso com a outra mão, até notar que o movimento está fluindo.

3) Salte com os pés juntos, sem dobrar os joelhos. Perceba o barulho do contato da corda com o chão para saber o momento exato de saltar. Em um estágio inicial, não acelere o movimento de girar a corda. Preocupe-se em ganhar consistência no exercício.

4) Aterrisse no chão com as pontas dos pés. Se você aterrissar com o calcanhar, o risco de lesão será mais alto. Priorize saltos curtos, uma forma de evitar o cansaço.

5) Se você ainda não tem muita agilidade com a corda, tente repetir os saltos por um minuto e, em seguida, descanse por dois. Dez minutos de treinamento diário já são capazes de provocar bons resultados.

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Corrida para ocupados: como incluir a prática na sua rotina

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Corrida para ocupados: como incluir a prática na sua rotina
Corrida para ocupados: como incluir a prática na sua rotina Ricardo Soares

É fato que praticar um esporte faz parte do equilíbrio de uma vida saudável. Falta de tempo para encaixar uma atividade física como a corrida de rua em uma rotina cheia de compromissos? Trabalho, família, vida social, viagens, projetos e outros planos se transformam na melhor desculpa para não começar, ou estar sempre naquele ciclo vicioso de começar, desistir e recomeçar. O “corrida para ocupados” é justamente para quem quer sair dessa situação.

Mas você acharia mais tempo se contássemos que correr pode fazer mágica nessa agenda lotada e ainda melhorar todos os outros aspectos da vida? Se exemplos dizem mais do que palavras, contamos histórias inspiradoras para mostrar que quando a gente quer de verdade, dá-se um jeito, não importa o estilo de vida.

Alguns acordam às 4h da manhã, outros treinam na hora do almoço ou nas altas horas da noite. Além da disciplina em comum, é necessário planejamento para não desperdiçar um minuto sequer. Por que fazem isso? Para ter um corpo bonito, ganhar likes e seguidores nas redes sociais, por pódios ou medalhas? Não. A corrida faz delas pessoas melhores.

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Corrida para ocupados: os exemplos da vida real

Nome: Flávia Regina de Oliveira
Profissão: Pediatra
41 anos, casada, mãe de dois filhos

Desafio: “Organizar tudo para ter um tempo pra mim sem prejudicar outras funções. Dar conta de ser mãe, esposa, pediatra, responder aos pacientes o tempo todo. Também sou filha, amiga, um pouco dona de casa e atleta amadora no meio do caminho. Não acho que dá pra fazer tudo 100%, mas dou o meu melhor, desde estar com meus filhos até fazer meus treinos”.

Não foi do dia para a noite que Flávia conseguiu administrar seu tempo para tudo entrar nos eixos. “Fui arrumando minha rotina para conseguir treinar seis vezes na semana. Os horários são encaixados dentro do que tenho que fazer. E sou bem metódica. Quando coloco um horário para o meu treino, é algo sagrado. Encaro como uma reunião, um compromisso comigo mesma”, conta.

Desde criança, tem uma vida ativa envolvendo muitos esportes. Balé, ginástica olímpica e natação, por exemplo, foram praticados até a adolescência. A natação durou até a faculdade de medicina. “Minha personalidade é muito pautada em cima do esporte desde cedo. Sempre fui movida a desafios. O esporte nunca foi estético, foi sempre para me sentir bem, que eu podia ir além. Existe um empoderamento na questão do ser humano mesmo: você traz à tona o que tem de melhor”, revela.

Flávia não conseguiu manter o esporte durante a residência, período mais sedentário de sua vida. Mas durante a gestação do segundo filho, em 2013, descobriu a corrida. “Meu treinador foi muito cuidadoso e consegui correr até o final da gravidez. A primeira prova foi em março de 2014, no Circuito das Estações. Corri 5 km para 38 minutos e achei que fosse morrer. Falei que nunca mais ia correr de novo”, relembra.

Mal sabia que no ano seguinte faria sua primeira São Silvestre; em seguida, três meias-maratonas e agora, quatro anos depois, prestes a fazer sua primeira maratona. “Hábito não nasce do nada. É uma construção. De repente vai achar aquele tempo que não tinha e perceber que tempo é questão de prioridade com você mesmo.”

Para ela, o esforço é a maneira de vencer as desculpas. “Se ficar deitada ou no sofá, aquilo que você quer não irá emanar dentro de você. O que vai fazer você explorar todo esse potencial é o esforço que faz para alcançar. O mindset é de crescimento: acreditar no potencial e no esforço para se chegar a ele. O esporte me trouxe isso”, finaliza.

Nome: Aparecida Ikegiri (Cidinha)
Profissão: Ginecologista e obstetra
32 anos, vai se casar em 2019

Desafio: “Logo que acordo só tenho tempo para tomar um café da manhã e sair para trabalhar. Trabalho quase todos os dias em lugares diferentes. Uma vez por semana eu tiro uma folga para me cuidar. Acordo às 5h30 e consigo fazer uma hora de treino pela manhã. Normalmente meus treinos são na esteira, depois de 12 horas de plantão. É bem comum pra mim fechar a academia com os funcionários”. Foi em meio ao caos do trabalho que Cidinha começou a refletir sobre todo o desgaste e a vida estressante que levava.

A paixão pela corrida gerou uma grande transformação. “O esporte e os hábitos saudáveis mudaram minha vida e me despertaram para o início de uma nova fase profissional. Hoje sou pós-graduanda em medicina esportiva e minha missão com o meu trabalho é poder transmitir para as minhas pacientes quanto uma vida equilibrada pode prevenir doenças, trazer saúde, bem-estar e longevidade”, conta.

A veia médica está presente desde criança, quando a mãe lhe deu um estetoscópio com apenas 3 anos. Mas a medicina na faculdade, na residência, foi uma época bem pesada. “Quase desisti. Na residência também foi uma experiência ruim. Essa coisa de hierarquia dentro da medicina é muito complicada. Não dormia nos meus plantões. Minha vida virou um inferno”, relata. A rotina de 100 horas semanais de trabalho a deixou no piloto automático.

“Acho que o ser humano tem um limite. Logo você está se descuidando, tratando mal os outros. É uma roda sem fim. Comecei a ficar estressada, agressiva. Tinha raiva da minha vida.” Foi no terceiro ano de residência que ela começou a praticar um esporte. Na vida pessoal, estava para terminar um noivado. O pai, alicerce da família, estava com câncer. Tudo aconteceu ao mesmo tempo.

“Pensei que precisava me mover para desestressar. Foi uma saída, também entrei na terapia. Isso foi há quatro, cinco anos.” A prática foi se tornando um hábito e tudo foi se desenrolando: terminou o noivado, ajudou o pai com o tratamento e retomou as rédeas da vida, com mais autoestima, produtividade e energia.

Hoje, apesar de trabalhar em três hospitais, consegue se virar para dar conta de tudo. “É tão corrido que ontem, por exemplo, atendi uns 70 pacientes. Nem sei dizer quantos partos eu fiz. Não dou mais plantão todos os dias, graças ao esporte, que foi crucial para me ensinar o que era importante. Na minha área, as pessoas acham que são mais fortes e não precisam dessa simplicidade. Acordar na sua cama e não no sofá do hospital. Comer bem, praticar um esporte, ter um tempo pra você. Trabalhar por 30, 40, 50 horas seguidas não é saudável. A classe médica hoje anda doente. Só consegui mudar quando comecei a praticar exercício físico mesmo”, aconselha.

Na corrida, ela se destacou. Virou influenciadora digital, conheceu o noivo, que também é corredor, e vai se casar em 2019. Além disso, abriu um consultório particular para atender mulheres. “Achava que não iria ter o meu espaço tão cedo. O despertar para essa vida equilibrada veio com a corrida e as redes sociais. Os dois me abriram esse caminho de inspiração para outras pessoas.”

Nome: Paulo César Simões
Profissão: Farmacêutico
39 anos, casado, pai de uma filha de 1 ano e 2 meses

Desafio: “Luto contra o tempo. Minha maior luta foi encontrar um jeito de dividir as tarefas: cuidar da minha filha, lavar roupa, cozinhar, ser parceiro da minha esposa, treinar de verdade e com objetivos e ainda realizar um bom trabalho. Se eu atraso 20 minutos em casa, são 20 minutos a menos de treino. Também sou eu que faço minha comida, a cada 15 dias, e congelo. Gosto de cozinhar e acredito muito na energia que coloco ali. Tento fazer o melhor possível. Se eu fizer certinho, o negócio flui”. 

Paulo é daqueles que já fez de tudo um pouco nesta vida. Há 15 anos trabalha como farmacêutico bioquímico, mas já foi professor de jiu-jítsu e animador de festa infantil. Era atleta profissional, estava prestes a ganhar a faixa preta quando a tia falou sobre ter uma profissão além do esporte.

“Deu um clique em mim. Metade dos meus amigos foi pro UFC e outra metade abriu academia de luta. Eu fui estudar. Fiz um curso técnico de laboratório e amei. Quando terminei o curso, consegui vaga para trabalhar na Unifesp, no Graacc”, recorda-se.

Trabalhou por 14 anos no laboratório de criopreservação de células-tronco para transplante de medula enquanto estudava para virar bioquímico. Há um ano, mudou de emprego e hoje é farmacêutico responsável pela manipulação de injetáveis, medicamentos para emagrecimento, diabetes, entre outros em uma clínica de estética e nutrologia em São Paulo (SP).

A rotina precisa ser sistemática para aproveitar o tempo ao máximo. “Acordo às 5h ou 6h para alimentar minha filha e preparar o café da manhã para a minha esposa. Depois disso, me arrumo para começar meu dia. Tem vezes que tenho dois treinos no dia, por isso já levo tudo no carro, uma mochila com roupas, comida e tudo o mais que precisar. Tipo MacGyver”, brinca. As sextas-feiras são sagradas para o descanso, porque sábado e domingo também têm treinos, geralmente longões, além de curtir a família e organizar tudo para a próxima semana.

Tamanha resignação para uma rotina regrada começou dentro de casa, bem cedo. Seu avô era do exército, corria e praticava jiu-jítsu. “Comecei a gostar de esportes por causa dele. Fiz atletismo no Centro Olímpico, basquete e judô. Depois fui para o jiu-jítsu. Quando tinha 14 anos, ficava correndo para lá e para cá, sem parar, um corredor bem pequeno na casa onde morava. Só parava quando vinha aquela sensação pós-corrida de bem-estar e satisfação. Acho que é a endorfina. Sempre, desde cedo, eu estava atrás dela”, conta.

A prova mais longa que já fez foi uma de 24 km, e já perdeu as contas das corridas que fez do Circuito da Corpore, dos Bombeiros, sua preferida. “O esporte faz parte da minha vida, é minha válvula de escape. Quando eu corro, tudo de ruim que passei durante o dia sai de mim”, explica.

“Imagine que nosso corpo é o mesmo que uma tábua de madeira com vários pregos. Se você remover todos eles, cada furinho vai continuar lá. Se a tábua for forte, ela vai aguentar e permanecer firme, mesmo com as marcas. A vida me deu muitos pregos, e a corrida me fez ficar forte para aguentar o tranco”, filosofa.

Nome: Fábio Barreto
Profissão: Taxista
46 anos, casado, pai de 2 filhos

Desafio:“Fico 14 horas por dia sentado, dirigindo por São Paulo.” Fábio é cearense e chegou a São Paulo ainda jovem para trabalhar. Desde 2005 treina caratê, inspirado nos filmes do Bruce Lee. Talvez por isso nunca tenha sofrido um tipo de lesão na corrida, em que coleciona mais de sete maratonas oficiais e várias outras provas de distâncias variadas.

“O treino de caratê é muito pesado. Bruce Lee era minha inspiração. Descobri a endorfina com o caratê”, conta. Com a correria do trabalho, afazeres em casa, filhos e a mulher, ficou um tempo sem praticar esportes e percebeu que precisava se movimentar.

“Fui abaixar e senti uma barriga ali que não tinha antes”, diverte-se. Foi um colega do ponto de táxi, Djalma, corredor de longa data, que falou para Fábio começar a correr, em meados de 2010. A primeira vez que fez uma corrida de rua terminou 5 km em mais de uma hora.

“Aprendi disciplina. Planejamento. E, principalmente, a não ter tempo ruim. Se você quer, vá lá e faça.” Aos sábados, o taxista corre aproximadamente 15 km pela Rodovia Dutra. Ao contrário da maioria dos atletas, ele não se preocupa muito com a alimentação, tampouco com fortalecimento.

“Acredito que a luta fez meu corpo ficar forte para correr. Como de tudo, sem dieta fixa e nunca me machuquei sério”, conta Fábio, que já botou a família para correr em quase todos os parques de São Paulo.

“A gente nem imagina como São Paulo é repleto de parques bonitos para correr. Tinha um circuito de corrida de rua da prefeitura que era gratuito, aí levava meus dois filhos, Rafael (22) e Ricardo (16), e a minha mulher. Faz parte da minha vida e da minha família. Tentei ensinar isso para eles desde cedo.”

Nome: Jaime Vanucci
Profissão: Estudante de educação física e profissional de marketing
28 anos

Desafio: “Acordo às 6h, tomo café, vou para a faculdade,  passo em casa, almoço e vou treinar. Depois, vou direto para o trabalho. De lá, saio novamente para treinar corrida ou ciclismo”. A vida de Jaime mudou bastante há seis meses.

Hoje, atua no ramo do marketing digital, mas durante quatro anos trabalhou com venda de peças de carro. O estudante sempre pedalou e tinha exemplos dentro de casa para uma vida ativa. Mas em 2007 passou por um abalo emocional grande e ficou sem chão.

“Queria ser atleta de bike, mas quando ia estrear no Campeonato Paulista de Speed, meu avô morreu atropelado em um treino de bicicleta na Fernão Dias. Isso me traumatizou muito e não consegui mais seguir com meu objetivo”, conta.

Nunca abandonou o esporte, só mudou de rumo: foi para a academia praticar musculação, buscar um corpo forte e uma razão para se manter ativo. Há quatro anos, decidiu voltar a pedalar. Mas a corrida veio conquistando Jaime “pelas beiradas”. A exemplo do tio, maratonista, ele percebeu que correr era uma terapia.

“Nessa busca de algo a mais, comecei a correr. Era só ter 10, 15 minutos livres e pronto, eu ia. Foi aí que o trabalho na oficina parou de se encaixar. Trabalhava de segunda a sexta, sábado e domingo em provas de carro, e não tinha tempo para treinar”, relembra. Começou a querer participar de provas de bike e corrida. Para ele, correr é a base, física e mental, que o faz encarar o dia a dia com vontade.

Vida de influencer

Jaime se destacou com seu perfil no Instagram. “Sempre tive certa popularidade ali porque fazia muitas fotos com a GoPro. Usei bastante a meu favor. Saí da oficina e comecei a me dedicar aos treinamentos de corrida, divulgando tudo por ali. Foi quando a GymPass me chamou para ser embaixador. Vi que tinha um espaço e que talvez pudesse influenciar as pessoas. Participei de uma seletiva e passei. Aí, vi um novo horizonte.”

Da paixão pelo esporte, nasceu a vontade de fazer outra graduação. Formado em administração e marketing, Jaime entrou na faculdade de educação física. “O esporte te faz querer influenciar os outros para o bem. Falam que a corrida é solitária. Eu não acho! Todo mundo se ajuda e se empurra. Meus melhores resultados de treinos são em provas. Acho que essa motivação de pessoas juntas ali é o que faz isso acontecer.”

Para ele, a melhor história de inspiração é a de seu irmão mais novo. “Essa geração que nasceu jogando videogame, com celular e computador não quer saber de correr. Ele sempre preferia outras coisas a treinar comigo. Mas inscrevi a gente em uma prova. Pesquisei o resultado das anteriores e vi que se ele fizesse 5 km em 25 minutos pegaria pódio na categoria. Desafiei meu irmão e o ajudei a treinar. Na prova, ele correu para 25min50s, ganhou o segundo lugar (na categoria) e foi um case para mim. Os amigos dele agora estão querendo correr também”, comemora.

Nome: Alexandre Pereira de Andrade (ou o “louco da madrugada“, como é conhecido no Rio de Janeiro)
Profissão: Promotor de vendas
41 anos, pai de 3 filhas

Desafio: “Quando comecer a correr, pesava 132 kg. Era hipertenso e tinha problemas cardiovasculares. Não tinha tempo para nada. Trabalhava como motoboy na Prefeitura do Estado do Rio de Janeiro, entrava às 6h e saía às 17h, e antes de ir para casa, buscava minha filha na creche. Chegava em casa sempre tarde e muito cansado”.

A rotina pesada aliada à indisciplina impedia Alexandre de melhorar sua saúde. “Nessa época, treinava de segunda e terça; na quarta, eu parava; na quinta, eu não ia; na sexta e no sábado, eu bebia.” Até que, em uma madrugada, a corrida entrou de vez na vida do carioca.

“Estava com insônia durante uma madrugada, porque, mais cedo, minha esposa havia dito que me abandonaria caso não cuidasse da minha saúde. Que estava cansada de tentar me ajudar em vão. Então, levantei da cama e fui para a rua.” A partir daí, foi um caminho sem volta. Ainda bem.

“Começava o treino por volta das 3h15 damanhã, meu único horário disponível. Corria uns 6 km ou 7 km, voltava para casa, tomava banho e pegava minha moto para trabalhar.” Essa rotina atípica tornou Alexandre famoso no Rio de Janeiro, com o apelido de “Louco da Madrugada”, o qual adotou e usa até hoje em suas redes sociais.

Hoje, possui quase 4 mil seguidores. Em consequência dos treinos, recuperou sua saúde e ganhou outros benefícios: mais autoestima, novas amizades, algumas parcerias com marcas e muito carinho da galera.

“Em um dos meus primeiros treinos, publiquei uma foto, às 3h da manhã, no ‘Viciados em Corrida de Rua’. Teve uma boa repercussão, foram mais de 2 mil curtidas e centenas de comentários no Facebook. Depois dessa postagem, as pessoas foram me abraçando cada vez mais. Essa recepção fez com que eu tivesse a oportunidade de participar e divulgar alguns eventos. O pessoal comentava: ‘Pô, o Louco da Madrugada vai correr! Então, tô dentro!’”, diz.

O corredor é apaixonado pela capital paulista e já viajou para correr as tradicionais São Silvestre e Meia Maratona de São Paulo. Além dessas, já completou inúmeras provas de 5 km e 10 km, dez meias-maratonas e duas maratonas.

Dois anos depois, o esporte permanece na vida do ex-motoboy, que confessa sentir preguiça às vezes. “Mas quando isso acontece, olho para a minha foto com 132 kg, levanto e vou correr na hora. Nos primeiros quilômetros, eu reclamo muito, mas quando chego ao quinto ou sexto, tudo fica mais legal. Lá pros 10 km ou 15 km, depende do tempo disponível, eu termino  sorrindo e com a sensação de dever cumprido.”

Hoje, pesa 90 kg, 42 kg a menos de quando começou a correr, e também credita o emagrecimento a uma alimentação mais saudável. “Não sou completamente regrado, mas minha alimentação é muito melhor do que antes. Eu bebia muito refrigerante e cerveja, consumia muito açúcar, fritura… De vez em quando, ainda como e bebo essas coisas, apenas para matar a vontade.”

Nome: Ludmilla Maschion
Profissão: Administradora e advogada
30 anos

Desafio: “Trabalho o dia inteiro, faço aulas de inglês duas vezes por semana e aulas de piano. Vou para a academia todos os dias e treino corrida de acordo com a planilha. Divido meu tempo entre tudo isso com o trabalho, os treinos,
minha família e meu noivo. Sem a corrida não consigo dar conta de tudo isso”.

Ludmilla descobriu a corrida no início de sua segunda graduação, há quatro anos. “Minha avó morreu por causa
de problemas cardíacos. Logo depois minha mãe começou a ter pressão alta. Foi assustador e comecei a correr para evitar isso”, explica.

“Em umas férias em Miami, há quatro anos, fiquei sabendo que haveria uma corrida, mas nunca tinha feito uma prova antes, nem sabia como funcionava. Fui correr de pipoca. Fiz 10 km em uma hora e pouco. Vi que tinha uns copos de água, peguei, mas juro que não foi na maldade… Não sabia como era!”, conta.

Depois disso, passou a se inscrever em várias provas e nunca mais parou. “Virou um vício. Treinava por conta própria. Há três anos descobri o Desafio do Dunga (uma prova de 78 km dividida em quatro dias em diferentes distâncias: 5 km, 10 km, 21 km e 42 km) e decidi que queria fazer essa prova. Procurei uma assessoria esportiva e falei para o treinador que pretendia participar do desafio em até três anos. Ele disse que era possível.”

Nessa época de preparação, cursava Direito à noite e teve a ideia de correr a Maratona de Buenos Aires como forma de se ambientar para o Desafio do Dunga. “Foi um desgaste muito grande. Fui para Buenos Aires com pubalgia e tendinite no joelho. Do km 25 ao km 42 só chorei, mas aí vi quanto eu gostava daquilo e quanto eu me esforço para conseguir algo quando amo de verdade. Fiz a Maratona de Buenos Aires em 5h40min, um tempo horrível. Sentia muita dor e ainda assim estava feliz pra caramba e pensando na próxima. Naquele momento vi que a corrida realmente era algo mágico”, relembra.

2017: o ano em que tudo aconteceu

Duas coisas preocupavam Ludmilla: o Desafio do Dunga e sua ascensão profissional. “Queria muitos ambos. Comecei a fazer uma pós-graduação, junto com a graduação em Direito. A pós era aos sábados, das 8h às 17h30. Ainda conseguia fazer a unha para depois encontrar com meu noivo. No domingo, fazia longão e depois tempo livre para ficar com ele”, rememora a advogada.

“Acordava às 4h da manhã e treinava até 6h30 todos os dias. Tomava café no carro mesmo. Se não, não dava tempo. Seguia para o trabalho, onde ficava até as 18h. Depois, faculdade, onde ficava até as 23h. Chegava em casa, arrumava a roupa de treino do dia seguinte e tentava dormir o máximo possível. A sorte é que eu moro com meus pais, minha mãe me ajudou muito”, conta.

Terminou a faculdade e a pós-graduação no fim de 2017 e concluiu o Desafio do Dunga no começo de 2018. Em junho deste ano, ainda fez os 42K de Floripa. Depois de tudo que passou, ela tira de letra a rotina atual e planeja fazer o Desafio do Dunga novamente.

“Há quatro anos a corrida me ajuda a dormir. Sempre sofri de insônia, vivia estressada e impaciente. E tudo isso mudou. Correr me deixa mais calma, mesmo nessa correria do caramba.” A disciplina e a organização que vieram com o esporte ajudaram na profissão.

“Além de me deixar mais disciplinada, correr me deixou calma para assuntos do trabalho. E eu ainda inspiro minha equipe.”

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Osteopatia: o que é, para que serve e seus benefícios

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Osteopatia: o que é, para que serve e seus benefícios
Osteopatia: o que é, para que serve e seus benefícios iStock

A osteopatia, apesar de não muito tradicional no Brasil, é um tratamento bem conhecido na Europa, principalmente na Espanha e na França. Foi criada pelo médico americano Andrew Taylor Still em 1874, como uma alternativa à medicina tradicional — assim como o rolfinge a acupuntura.

De acordo com os osteopatas, em alguns casos pode ser mais eficiente que procedimentos convencionais, tais como quiropraxia, fisioterapia e outros tipos de massagens.

No Brasil, a osteopatia é uma especialidade da fisioterapia. Então, é necessário ser fisioterapeuta e fazer uma pós-graduação em osteopatia para exercer a profissão. 

O que é a osteopatia e qual sua função?
A osteopatia é uma técnica de terapia manual que visa o equilíbrio do corpo, considerando-o como um todo. “Na osteopatia, enxergamos o corpo como uma coisa inteira, não o separamos em musculatura esquelética, sistema digestivo, cardiovascular, respiratório etc”, explica a osteopata Diane Fernandes.

O tratamento busca fazer com que o corpo trabalhe em homeostase, ou seja, que seja capaz de se autoequilibrar. “Quando começamos a adoecer, essa capacidade de equilíbrio está desregulada por algum motivo. Assim, na sessão, buscamos encontrar e tratar a causa principal do desequilíbrio e não os sintomas”, diz.

Para quem é recomendado?
Segundo Fernandes, a osteopatia é indicada para todos, esportistas ou não.” Desde sua forma preventiva até a sua forma curativa, é um tratamento que funciona muito bem”. E explica: “Costumamos atuar no nível subclínico, o corpo às vezes tem algumas alterações que não são manifestadas de maneira intensa. A consulta permite que esses desequilíbrios sejam tratados antes que se tornem algo mais sério”.

Questionada como o tratamento beneficia os corredores, a osteopata esclarece que o tratamento “é interessante para quem corre”. “Corrida é um esporte de alto impacto. Não é incomum que o osso navicular ‘desça’ por conta desse impacto, assim causando uma fascite plantar e uma sobrecarga no pé. O osteopata é capaz de reposicionar essa baixa do navicular antes que surja essa inflamação na planta do pé”.

Além disso, ajuda na recuperação pós-treino, principalmente se houver pequenas alterações musculares. “Um caso comum são atletas que sofrem com estiramentos no posterior da coxa, isso se dá por conta de um desequilíbrio na movimentação da pelve. A gente consegue corrigir essa movimentação antes de surgir a lesão”, diz.

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Existem contraindicações?

Não há contraindicações para a osteopatia em si, porém há algumas ressalvas para determinados casos. “Por exemplo, em um paciente com osteoporose, não podemos fazer técnicas manipulativas. Em situações assim, utilizamos outras técnicas”.

Como é e quanto tempo dura o tratamento?
As consultas duram cerca de 60 minutos. Apesar de ser possível notar uma melhora na primeira consulta, em média são necessárias 5 sessões para ter um bom resultado. No entanto, os resultados são muito individuais. “Quanto mais crônico é o problema, teoricamente, mais se demora para tratá-lo”, explica. De uma sessão para outra, o intervalo mínimo é de 1 semana.

A osteopata conta que assim que o paciente chega, ele é questionado das “principais razões de ter buscado o tratamento. Depois as informações são complementadas por meio de respostas sobre o seu funcionamento digestivo, se sofre de gastrite ou de dores de cabeça, como estão sendo as noites de sono, se já sofreu algum acidente ou queda grave e se realizou cirurgias. No caso das mulheres, questionamentos sobre a parte hormonal e menstruação também são comuns”.

(Fonte: Dra. Diane Fernandes, fisioterapeuta do Hospital Sírio-Libanês e certificada em osteopatia pela Escola de Osteopatia de Madrid – CREFITO: 134979-F/SP)

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Espasmos musculares: o que são e como evitá-los

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Espasmos musculares: o que são e como evitá-los
Espasmos musculares: o que são e como evitá-los Shutterstock

Durante uma corrida ou outro exercício, você já sentiu dores musculares acompanhadas de contrações involuntárias? Caso a resposta seja positiva, você já conhece os sinais dos espasmos musculares e das cãibras, que costumam afetar as panturrilhas, as coxas, os braços e o abdômen.

Os espasmos musculares são resultado de desequilíbrio hidroeletrolítico no corpo ou de sobrecarga muscular. Funcionam como uma espécie de autoproteção do corpo, uma vez que sinalizam que algo não corre bem com os músculos e colaborando para que lesões mais graves não surjam. 

“Os espasmos estão relacionados ao cansaço, ao estresse muscular. Nas musculaturas maiores, surgem pelo acúmulo de lactato, circulação ruim, falta de alongamento. Quem se submete a estímulos que vão além do que é suportável está mais sujeito a isso. A intensidade desse desgaste vai indicar o grau da contração”, diz a médica do esporte Christiane Prado, do Laboratório de Performance Humana, no Rio de Janeiro (RJ).

Nas altas temperaturas, crescem as chances de atletas sofrerem com os espasmos musculares. Isso ocorre porque, no calor, perdemos grandes quantidades de água e sais mineirais. De acordo com Christiane, a desidratação altera o funcionamento das fibras musculares, resultando nas contrações involuntários que castigam grupos musculares.

A intensidade e a duração das dores geradas pelos espasmos musculares variam bastante, de pequenos incômodos a dores severas e de poucos segundos a alguns minutos.

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Como evitar os espasmos musculares 
Uma boa saída para evitar esse incômodo é fazer um bom alongamento – uma forma de tornar alguns grupos musculares mais fortes e retirar a tensão de outros. Se você não tem o costume de aquecer antes de treinar, é melhor acabar com esse mau hábito. O aquecimento prepara os grupos musculares para a atividade intensa que vem a seguir.

A falta de condicionamento físico também é determinante para o aparecimento dessas contrações. Assim, é recomendado não ultrapassar os limites do próprio corpo na hora de se exercitar.

Fique atento à hidratação e reposição de sais minerais. Aposte em fontes de potássio, magnésio e cálcio para não ter seu rendimento prejudicado.

Se os espasmos musculares surgirem durante o exercício, pare a atividade imediatamente e estique a articulação afetada pela dor até as contrações cessarem.

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Bate-papo faz empresa criar grupo de corrida e incentiva funcionários

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Bate-papo faz empresa criar grupo de corrida e incentiva funcionários
Bate-papo faz empresa criar grupo de corrida e incentiva funcionários Divulgação

A SML Brasil é uma empresa fornecedora de soluções para simplificar a gestão corporativa de processos e documentos. Em 2016, uma conversa informal deu origem ao grupo de corrida SML.

“A ideia surgiu em um bate-papo, quando um dos nossos funcionários, acostumado a correr, sugeriu criarmos o grupo”, conta Caroline Bolzan, que trabalha na área de RH da empresa. Desde então, com o apoio financeiro da empresa, os funcionários já participaram da Night Run, Circuito das Estações e Série Delta, entre outras.

“Nunca tinha participado de uma prova e já consegui completar uma de 5 km e depois uma de 10 km. É incrível”, comemora Caroline.

“Sempre fui envolvido com a prática de esportes coletivos. Porém, queria uma atividade que dependesse apenas de mim para continuar me exercitando. Foi nessa hora que comecei com a corrida de rua”, conta Alexandre Santana, gerente de projetos da SML Brasil.

Embora o grupo treine por conta própria, a atividade é uma forma de manter a motivação entre os funcionários.

“Minha primeira prova foi graças à SML. Procuro sempre aumentar a distância e diminuir o tempo. Tento me alimentar melhor e divido os resultados com os meus amigos”, diz Eduardo Nunes, analista de processos da empresa. A expectativa do grupo é aumentar ainda mais o número de corridas por ano. Em 2017, os funcionários participaram de seis provas.

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Katherine Switzer, a primeira norte-americana a correr oficialmente em Boston

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Katherine Switzer, a primeira norte-americana a correr oficialmente em Boston, a primeira norte-americana a correr oficialmente em Boston
Katherine Switzer, a primeira norte-americana a correr oficialmente em Boston, a primeira norte-americana a correr oficialmente em Boston Divulgação

Katherine Switzer, a primeira norte-americana a correr oficialmente em Boston abriu caminho para uma cultura diferente no dia 17 de abril de 1967, uma data que mudou a história do esporte. Decidida a ser protagonista de sua própria vida, ela escolheu a corrida como esporte quando foi aceita no curso de jornalismo da Universidade de Syracuse.

Anos antes de se tornar ícone feminino no mundo da corrida, Kathrine teve sua trajetória definida por um conselho de seu pai. Prestes a entrar no ensino médio, ela contou ao pai que cogitava a ideia de ser cheerleader na escola. 

“Nunca me esquecerei desse dia. Meu pai me olhou nos olhos e disse: ‘Você não quer ser uma cheerleader. Torcedores torcem por outras pessoas. Você quer é que torçam por você. A vida é participar, não assistir’”, lembrou.

Inspirar pessoas e mostrar que mulheres podem correr são especialidades de Kathrine Switzer. Convidada por uma marca esportiva para uma série de palestras e encontros no Brasil, ela cativou as pessoas por onde passou com sua história de vida, simpatia e coragem.

“A corrida me mudou completamente. Nessa época, eu era magra, insegura e sentia que cada milha era uma vitória”, disse. Como a universidade não tinha uma equipe feminina de corrida, a única alternativa era treinar com o time masculino de cross country, comandado pelo treinador Arnie Briggs.

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Briggs gostava de contar a Kathrine sobre suas experiências na Maratona de Boston, mas foi pego de surpresa quando a pupila revelou que gostaria de se aventurar na prova. “Mulheres são muito frágeis para uma maratona”, repetia o treinador.

Oficialmente, as mulheres não eram impedidas de disputar a Maratona de Boston. Não havia um item sequer do regulamento que vetasse a presença de corredoras, porém era forte a crença limitante de que mulheres não eram capazes de correr 42.195 metros.

“A ideia de correr longas distâncias era questionável entre as mulheres, porque, na cabeça de muita gente, uma atividade esportiva intensa faria com que a mulher ficasse com pernas grandes, tivesse bigode, pelos no peito e o útero deixasse de funcionar”, recorda a americana.

Fã dos escritores J. D. Salinger e T. S. Eliot, Kathrine não se importou com os comentários negativos e se inscreveu na Maratona de Boston com suas iniciais (K. V. Switzer).

Ainda que a organização imaginasse que se tratava de um formulário preenchido por um homem, era a primeira vez que uma mulher entrava oficialmente em uma maratona, um território exclusivamente masculino até então.

Na manhã da prova, com o número de peito 261 fixado em seu moletom cinza, a jovem de 20 anos largou ao lado de seu namorado, Tom Miller. “Antes da prova, outros corredores foram simpáticos comigo. Diziam: ‘Olha só, é uma garota’. Eles estavam empolgados. Briggs repetia: ‘Sim, eu que a treino’.”

O clima amigável acabou no km 3. Repleto de fotógrafos, o caminhão de imprensa acompanhava todas as passadas de Kathrine. “Eu escutava os fotógrafos pedindo para que corrêssemos devagar porque queriam fotografar aquele momento”, relata.

A movimentação chamou a atenção de Jock Semple, escocês que comandava a prova com rigidez. Depois de saber que havia uma mulher entre os participantes, Semple se apressou para afastá-la.

Com truculência, empurrou a jovem e ordenou: “Caia fora da minha corrida e me dê esse número de peito”. Essa sequência tão emblemática foi clicada pelos fotógrafos e roda o mundo até hoje.

Kathrine Switzer sendo empurrada por Jock Semple na Maratona de Boston de 1967
Kathrine Switzer sendo empurrada por Jock Semple na Maratona de Boston de 1967 AP Photos

Protegida pelo namorado, que empurrou Semple, Kathrine decidiu continuar para que aquilo servisse de exemplo para outras mulheres.

“Naquele momento, eu pensei: ‘Vou terminar essa corrida do jeito que for’. Ninguém acreditava que eu podia fazer aquilo e, de repente, percebi que, se eu não terminasse, as pessoas realmente acreditariam que as mulheres não mereciam estar ali”.

Com dores em diversas partes do corpo, ela concluiu a maratona em 4h20min. Na madrugada seguinte à prova, voltando para a universidade, notou que seu feito tivera grande repercussão.

“Paramos em uma loja de conveniência para pegar um sorvete e um café. Foi ali que vimos que os jornais estavam recheados de fotos minhas. Eu percebi que aquilo tinha sido realmente importante. Vi que tinha mudado a minha vida e que provavelmente poderia mudar o esporte feminino”, disse.

Kathrine Switzer ajuda a oficializar a criação da categoria feminina de Boston
A percepção de que o esporte feminino mudaria nos anos seguintes se concretizou. Em 1972, a Maratona de Boston oficializou a criação da categoria feminina.

Paralelamente, cresceu o volume de cobranças sobre o Comitê Olímpico para que a maratona olímpica contasse com a participação de mulheres — algo que se confirmou em 1984, nos Jogos Olímpicos de Los Angeles.

Atualmente, não há um abismo que separa o número de participantes homens e mulheres em uma maratona, diferentemente do que havia em décadas anteriores.

Na edição de 2018 de Boston, dos 25.831 concluintes, 11.628 eram mulheres. Na faixa de idade dos 18 aos 39 anos, as mulheres foram maioria, com 5.790 representantes.

Pelotão de elite feminino na Maratona de Boston
Pelotão de elite feminino na Maratona de Boston Shutterstock

Na década de 1970, enquanto o mundo fervilhava com mudanças sociais e culturais, Kathrine intensificou seus treinos de corrida e atingiu resultados expressivos — e sem cultivar bigode, pelos no peito ou pernas desproporcionais, como apostavam os seus contemporâneos.

Kathrine Switzer venceu a Maratona de Nova York de 1974, com o tempo de 3h07min29s, e foi a segunda colocada em Boston em 1975, registrando 2h51min37s.

Dois talentos, um propósito
A partir da segunda metade dos anos 1970, Kathrine cavou espaço em transmissões esportivas. Ela já participou como comentarista de mais de 200 grandes provas — entre elas, as maratonas de Boston e Nova York.

“A corrida me deu a capacidade de arriscar, de enfrentar desafios e isso foi a melhor coisa que me aconteceu. Cresci de maneira empoderada. Quando as pessoas diziam que eu não teria uma oportunidade, eu dizia que criaria a oportunidade. Se não havia um time, eu criaria um time. Se não havia maratona feminina nos Jogos Olímpicos, eu dizia: ‘Vamos fazer da maratona feminina um esporte olímpico’. Nós conseguimos. E tudo isso veio daquela corrida de uma milha por dia.”

Seu pioneirismo tornou sua presença requisitada em palestras e eventos de negócios. Aos 71 anos — embora pareça ter dez a menos —, ela segue correndo e roda o mundo contando suas experiências.

Ela diz que se encontrou muitas vezes com Jock Semple após o episódio em Boston. O escocês, no entanto, nunca pediu desculpas formais a ela, que não guardou rancor do homem que, por linhas tortas, mudou sua trajetória.

“Não passo um único dia da minha vida sem agradecer a Jock Semple. Ele me assustou e me enfureceu, mas também me inspirou”, diz.

Em maio de 1988, Semple foi derrotado por um câncer e Kathrine foi uma das últimas pessoas a visitá-lo no hospital.

“Por meio do esporte, você pode abrir caminho para culturas diferentes. Muitas das mulheres no mundo ainda vivem em uma condição terrível. Seja no Afeganistão, na Arábia Saudita ou na porta do lado da sua casa. Nós precisamos pegar essas mulheres pelas mãos e mostrar que elas podem colocar o tênis e correr”, ela termina.


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Katherine Switzer, a primeira norte-americana a correr oficialmente em Boston

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Muito além do design: a revolução dos tops esportivos

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Muito além do design: a revolução dos tops esportivos Shutterstock

Item essencial nos guarda-roupas das atletas, os tops esportivos ganharam flexibilidade e se ajustam ao corpo da mulher. Porém, nem sempre foi assim. Enquanto as principais marcas de material esportivo do mundo investem há décadas tempo e dinheiro para criar sistemas de amortecimento mais tecnológicos para os tênis e tecidos mais leves para as camisetas, a revolução nos tops foi tardia.

Na edição de 2015 da Maratona de Londres, a Nike entrevistou centenas de mulheres sobre suas experiências com tops esportivos. O alto grau de insatisfação do público feminino fez a marca constatar que era preciso renovar o segmento. 80% das mulheres relataram desconforto ou dor no peito enquanto corriam. Algumas sequer sabiam o tamanho dos tops que deveriam usar, sobretudo em atividades de alto impacto.

O uso de um top sem a sustentação adequada pode acelerar a queda das mamas, afirma a médica do esporte Karina Hatano. Outro benefício de um bom top é evitar a fricção com a pele, afastando as assaduras. Um estudo feito pela empresa Santaconstancia, em parceria com a Compasso Instituto Médico, revelou que os modelos estruturados (o soutien e o top esportivo) tiveram melhor desempenho que o suporte sem encapsulamento e compressão, já que minimizam o balanço das mamas durante a corrida.

“A ciência mostra que o melhor top é aquele no estilo nadador. Quando a atleta fizer um determinado movimento, a mama tende a circular em um movimento que simula um ‘oito’. Sem o top adequado, a pele fica elástica e a mama, mais caída”, confirma Hatano. “O mercado começou a investir mais em conforto. Antigamente, era um top que não tinha bojo ou proteção. Era uma malha de algodão. Agora, as marcas usa tecidos que melhoram a parte de transpiração. O acúmulo de suor pode causar fricção e lesionar a pele.”

Frequentadora assídua da academia e corredora aos fins de semana, a bancária Ana Clara Saraiva, de 29 anos, hoje paga caro em um único top sem arrependimentos. Um dos motivos é preservar a sua prótese de silicone, que colabora para deixar a mama mais pesada. “Tenho um que custou R$ 300 e vale cada centavo. É um produto crucial. Você pode gastar qualquer trocado em uma camisetinha de tecido sintético, mas top não pode ser qualquer um”, afirmou. 

Anna Palhares, especialista em produtos da Nike do Brasil, confirma que o salto de qualidade nos tops aconteceu há três anos. Até a chegada da tecnologia ajustável, que se adapta às curvas da mulher e oferece firmeza durante exercícios de impacto, os materiais usados nos tops eram, basicamente, poliéster e spandex.

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“Foi em 2015 que tivemos uma grande renovação em termos de top, a partir de um olhar ainda mais exclusivo para a mulher. Houve o surgimento de um serviço personalizado, que ajuda a consumidora a encontrar o top ideal com base não apenas no tamanho, mas também de acordo com o nível de suporte necessário para cada tipo de treino”, afirma Palhares.

Após diversos testes promovidos por designers e engenheiros na matriz da Nike, em Portland, saíram poliéster e spandex e entraram tecidos mais tecnológicos, como mesh, flyknit (o mesmo usado no Vaporfly 4% Flyknit) e poliamida. As alterações ofereceram mais leveza, ventilação e conforto, além de durabilidade e um caimento mais vistoso.

Nos testes e nas entrevistas feitas durante e depois da Maratona de Londres de 2015, a Nike constatou que nem todas as partes do top exigem firmeza. No caso do Nike Motion Adapt Bra, vendido por R$ 299, materiais de alta sustentação foram usados na região do busto, enquanto as costas têm um painel feito de malha (padrão nadador).

Um exemplo emblemático do crescimento dos tops foi a inauguração da Nike Bra Haus, um espaço criado em agosto, em Toronto, no Canadá, para que suas clientes personalizem seus tops. Esqueça tênis, meias de compressão e outras peças: na Bra Haus, o top é a bola da vez.

Inauguração da Nike Bra Haus
Inauguração da Nike Bra Haus Reprodução

A equipe da Nike faz suas medições, faz perguntas sobre sua atividade esportivas, pergunta qual tipo de top te agrada e quanto de apoio você está buscando.

Uma das estratégias da Nike para divulgar a Bra Haus e atrair mulheres de todos os tipos foi convocar modelos “plus size” para a campanha publicitária dos novos tops esportivos. “A Nike acredita que, se você tem um corpo, você é um atleta”, diz um comunicado da empresa.

Top Brahaus
Top Brahaus Divulgação

Top da Mizuno promete até redução de celulite

A Mizuno agora aposta suas fichas em um fio inteligente chamado Emana, que, segundo a marca japonesa, alia ciência e tecnologia para tornar os tops mais funcionais. Desenvolvido pela Rhódia, empresa de indústria química inovadora, o Emana promete diminuir a fadiga muscular e até os sinais da celulite.

“Nossa principal preocupação é que o corredor se sinta confortável para chegar naquele resultado que almeja. Quando falamos nos tops, procuramos sustentação e conforto para as mulheres. Muitas vezes, achamos que a questão principal na corrida é a pisada, mas também há preocupação com o movimento do braço. O conforto nas alças também é importante. Queremos que as atletas façam os movimentos sem que se sintam atrapalhadas”, afirma Gabriela Castro, gerente de vestuário da Mizuno no Brasil.

O top Mizuno Sky Run Emana pode ser adquirido por R$ 74,99 em lojas físicas e na internet.

 Top Mizuno Sky Run
Top Mizuno Sky Run Divulgação




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5 dicas para manter o fôlego na corrida

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5 dicas para manter o fôlego na corrida
5 dicas para manter o fôlego na corrida Shutterstock

Para quem está dando os primeiros passos além da caminhada, manter o fôlego na corrida é um desafio. Os treinos iniciais exigem que se intercale corrida com caminhada para o progresso surgir de forma gradual. Mas existem outras orientações fáceis de seguir que podem lhe ajudam a conseguir um bom ritmo de forma mais tranquila.

Veja como manter o fôlego na corrida e evolua com segurança:

Faça um aquecimento
Antes de começar qualquer atividade física, tenha em mente que o aquecimento é um diferencial, tanto na prevenção de lesão como para manter o fôlego. “O aquecimento produz uma temperatura muscular mais alta, maior disponibilidade local de oxigênio para o músculo e um consumo mais alto de oxigênio durante a fase inicial do exercício”, explica o treinador João Povoa.

Comece devagar 
Comece de forma tranquila, aumentando a velocidade só depois de sentir mais confiança. “Faça de forma leve os 10 ou 15 minutos iniciais no treino. Nosso corpo passa por várias adaptações nesse período que nos deixam mais preparados para o exercício, mantendo o fôlego na corrida por mais tempo”, indica o treinador.

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Velocidade certa
“Tenha em mente sua velocidade de equilíbrio. Existe uma velocidade em que é possível sustentar o seu esforço por mais tempo. Correr acima da velocidade do seu limiar anaeróbio fará com que seu fôlego diminua rapidamente”, esclarece o treinador.

Uma pesquisa já comprovou que, em alguns casos, mulheres são mais rápidas que os homens na corrida porque conseguem manter um ritmo do começo ao fim e não “quebram” no meio da prova. Por isso, manter uma velocidade constante é o mais indicado.

Não abuse nas passadas
“Economize a cada passada. Correr com uma boa mecânica, movimentando os braços e com pouco contato com o solo, gera um ganho de desempenho”, conta João Povoa. Mantenha o equilíbrio com as suas passadas e preste atenção enquanto corre. Isso ajuda a melhorar a biomecânica, fazendo com que o corredor não perca o fôlego.

Alimente-se
Consuma carboidrato entre 60 e 30 minutos antes do exercício. É fundamental que seu corpo tenha energia no momento certo. “Para isso, além dessa ingestão, consuma carboidrato em gel durante treinos superiores a 50 minutos”, finaliza o treinador.

*Fonte: João Povoa, treinador da assessoria esportiva Integha

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Maraturismo: como a corrida de rua impulsionou o turismo no Brasil e no mundo

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Maraturismo: como a corrida de rua impulsionou o turismo no Brasil e no mundo
Maraturismo: como a corrida de rua impulsionou o turismo no Brasil e no mundo Reprodução

No primeiro domingo de junho deste ano, o sol ainda não havia dado as caras e um numeroso grupo de corredores já se servia por volta das 4 horas, no salão do café da manhã no Hotel Castelmar, próximo à Beira-Mar de Florianópolis. Antecipar o horário do café da manhã não foi uma exclusividade do Castelmar naquele final de semana, já que a capital catarinense foi invadida por 9.500 turistas que viajaram para disputar os 42k de Floripa.

Os “maraturistas”, neologismo que mescla as palavras “maratonista” com “turista”, vem se espalhando pelo Brasil e pelo mundo nos últimos anos. O crescimento das provas de corrida de rua impulsionou o turismo e fez com que mais pessoas unissem a paixão pela modalidade à vontade de viajar, seja para destinos nacionais ou até mesmo internacionais.

A disparada do dólar e a crise econômica do Brasil não impediram que as agências especializadas em pacotes voltados para corredores tivessem números expressivos – embora a instabilidade do país colabore para que alguns clientes cancelem seus pacotes. Com 30 anos de experiência no segmento, a Kamel Turismo levará 500 brasileiros (entre participantes e acompanhantes) para a Maratona de Nova York, no início de novembro. Em 1988, ano de “estreia” da Kamel na Big Apple, foram cerca de 40 brasileiros. Não é uma falsa impressão: os brasileiros estão cada vez mais presentes nas majors. Em 2017, dos 40 mil corredores que estiveram na Maratona de Berlim, 916 eram brasileiros.

“Estamos levando mais gente porque há mais pessoas correndo hoje em dia. Quem começou com 5 km há alguns anos hoje corre maratonas. Quem já estava disputando maratona continua com esse hábito. Obviamente, a situação econômica é um empecilho. Tivemos muitos cancelamentos neste ano. Algumas pessoas conversam conosco e nós entendemos que é um problema financeiro. Se o Brasil estivesse em um momento de estabilidade econômica, o boom seria muito maior”, analisa Elisabet Olival, fundadora da Kamel.

Agência levará 500 brasileiros para a Maratona de Nova York
Agência levará 500 brasileiros para a Maratona de Nova York Reprodução

O SEBRAE aponta que 43% dos corredores brasileiros têm entre 25 e 35 anos. No entanto, a fatia que destina suas economias ao “maraturismo” no exterior é um pouco mais velha. Olival observa que a maioria de seus clientes é formada por homens a partir de 38 anos, que transformam uma jornada solitária de 42.195 metros em um programa familiar.

“O maratonista não costuma ser muito novo. São pessoas que estão bem profissionalmente, estabilizadas. Algumas vezes, levam a mulher e os filhos. Acabou o preconceito de deixar a criança em casa. E também acontece uma socialização nos destinos. Como o nível social é bom, todo mundo acaba falando a mesma língua”, acrescenta.

Em provas com forte apelo turístico, é natural que os corredores conheçam novas pessoas e vivenciem o esporte nos dias em que estão viajando, com trocas de informações e experiências entre os atletas. Em uma competição “caseira”, disputada na mesma cidade onde corredor vive, a experiência tende a ser mais individualizada.

“O que muitos brasileiros entenderam é que correr não faz bem apenas para o corpo. Há benefícios mentais, como o estímulo do raciocínio rápido e a melhora da concentração, além da interação social nos treinos e nas competições. Ou seja, a corrida de rua é boa para o cérebro, o físico e até para o turismo”, explica o psicólogo Augusto Jimenez.

Diferentemente do que acontece em uma viagem comum de férias, é preciso tomar alguns cuidados para que a empolgação por estar em um novo ambiente não comprometa meses de treinamento.

“O pessoal que levamos não fica muito paranoico, mas é preciso pegar leve. Não dá para bater perna pela cidade na véspera da prova. E tem que deixar para cair na cerveja e no vinho depois de correr”, lembra Olival.

Entre os corredores, tem sido cada vez mais frequente conhecer outras cidades e culturas diferentes através da corrida. “Com o dólar do jeito que está, não dá para viajar duas vezes, uma para correr e outra para conhecer. Você corre e também aproveita para curtir”, frisa a dona da Kamel.

Em abril de 2018, a Kamel levou 60 brasileiros para Boston. Os pacotes, que, além da inscrição, incluíam hospedagem por cinco noites em hotel quatro estrelas, foram vendidos por 2.800 dólares por pessoa (cerca de R$ 9.500 na época).

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Maraturismo pelo Brasil

Provas famosas, como a Maratona de São Paulo, ou competições realizadas em cidades com forte apelo turístico, caso dos 42k de Floripa e da Maratona do Rio, são as queridinhas dos “maraturistas” que se aventuram em solo nacional. Apostar em pacotes com provas de corrida foi uma das estratégias da Minds Travel, agência localizada em Maringá, no Paraná, para driblar a crise econômica do Brasil.

Em solo nacional, o tíquete-médio do corredor-viajante é mais baixo (de R$ 800 a R$ 1000, já considerando passagem aérea e hotel) e o tempo de permanência, mais curto (um final de semana).

“O pessoal gosta de correr com uma praia bonita, um clima gostoso, uma paisagem legal. Se o destino é turístico, a pessoa não vai só para correr”, afirma Lorena Peretti, agente da Minds Travel.

A estudante de nutrição Bruna Ruschel, de 20 anos, já começou a desbravar o Brasil através das provas de corrida. Há dois anos, ela viajava com as amigas para curtir as baladas e a badalação de Jurerê Internacional, em Florianópolis. Neste ano, os planos foram diferentes: a paulistana se manteve longe da noitada e preferiu perseguir um bom tempo nas ruas e avenidas da capital catarinense.

Incentivada por amigas, Bruna correu a São Silvestre em 2016 e gostou da atmosfera que encontrou. Aos poucos, foi abandonando o estilo de vida que levava e mergulhou de cabeça na corrida e nas viagens. Daquela edição da São Silvestre para cá, já marcou presença em provas no Rio, em Florianópolis, Porto Alegre e Natal.

“Correr fora da sua cidade é especial. Você sai da rotina e também acaba tendo momentos de lazer, até porque não sou uma profissional”, conta.

Com planos de fazer um intercâmbio na Europa em 2019, Bruna já começa a estudar as maratonas que pretende disputar enquanto estiver no Velho Mundo. As maratonas de Berlim e do Porto estão entre os prováveis destinos.

"Algumas pessoas da minha idade não entendem o meu novo estilo de vida. Não veem isso como aproveitar a vida. Dizem que maratona faz mal, que não é saudável por ter um volume muito alto. Mas beber e fumar também não é saudável. Estou feliz com as minhas escolhas”, finaliza.

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10 famosos que já correram a Maratona de Nova York

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10 famosos que já correram a Maratona de Nova York
10 famosos que já correram a Maratona de Nova York Reprodução

Participar da Maratona de Nova York é um sonho comum entre os apaixonados por corrida. Em meio aos quase 50 mil participantes da major mais prestigiada do mundo, é possível encontrar famosos que, por algumas horas, se misturam à multidão para experimentar as sensações que a corrida oferece.

Veja 10 famosos que já correram a Maratona de Nova York:

Alicia Keys

Nascida em Manhattan, a cantora americana Alicia Keys decidiu homenagear sua terra-natal na música “New York”, famosa pelo refrão que retrata a cidade como uma “selva de concreto onde os sonhos são feitos”. Em 2015, ela se juntou a uma multidão de 50 mil corredores e participou da Maratona de Nova York, terminando a prova em 5h50min52s. Keys correu para arrecadar fundos para uma organização chamada Keep a Child Alive, que recebe medicamentos para auxiliar crianças e famílias africanas.


Alicia Keys
Alicia Keys Reprodução

Marion Bartoli
Em agosto de 2013, pouco mais de um mês depois de conquistar Wimbledon, o torneio mais famoso do tênis, a francesa Marion Bartoli pendurou as raquetes. Ex-número 7 do mundo, ela tinha mais de 11 milhões de dólares de premiações em sua conta bancária, mas não se afastou definitivamente do esporte e se aventurou na corrida de rua. Em 2016, Bartoli escolheu a Maratona de Nova York para estrear nos 42.195 km e, mesmo tendo sofrido semanas antes com uma grave doença viral que a levou ao hospital, concluiu o trajeto em 5h40min04s.


Uzo Aduba

Famosa pelo papel de Suzanne Warren, a “Crazy Eyes” no seriado “Orange is the New Black”, a atriz Uzo Aduba teve seu nome gritado nas ruas de Nova York em 2013, ano em que participou da maratona. Ela levou 5h01min para terminar o desafio. Em 2015, correu a Maratona de Boston em 5h03min.

Uzo Aduba
Uzo Aduba Reprodução

Ryan Reynolds

Ryan Reynolds correu a Maratona de Nova York em 2008 para arrecadar dinheiro para pessoas que lutavam contra o mal de Parkinson, já que seu pai sofria com a doença. Seu objetivo era “se juntar a milhares de outros homens e mulheres para correr de forma solidária contra a dor psíquica e a humilhação física”. Além das belas palavras, Reynolds também fez bonito sobre o asfalto nova-iorquino, concluindo a prova em 3h50min22s.

James Blake

Conhecido como um dos tenistas mais ágeis de sua geração, o americano James Blake, ex-número 4 do ranking masculino, abandonou as quadras em 2013, aos 33 anos. Dois anos depois, correu a Maratona de Nova York em 3h51min19s e dedicou o feito ao seu pai, que morreu de câncer em 2004.

James Blake
James Blake Reprodução

Pamela Anderson

Pamela Anderson ganhou notoriedade no final da década de 1980 ao correr de maiô na série “Baywatch”. Aquela, no entanto, não foi a única corrida marcante de sua vida. Em 2013, aos 46 anos, a atriz canadense registrou 5h41min03s na Maratona de Nova York.

Pamela Anderson
Pamela Anderson Reprodução

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Caroline Wozniacki

São poucos os atletas profissionais que topariam correr 42.195 km em um período de folga. A tenista dinamarquesa Caroline Wozniacki, ex-número 1 do mundo, figura nessa lista. Em 2014, aos 24 anos, ela fez uma pequena pausa nas raquetadas – era a oitava melhor tenista do mundo – e terminou a Maratona de Nova York em 3h26min33s.

“Este é o teste físico mais difícil de todos os tempos. Toda vez que eu saio em direção a uma quadra de tênis, sei o que esperar. Mas isso foi completamente diferente”, disse. Detalhe: na segunda metade da prova, a dinamarquesa teve um desejo inusitado enquanto corria: queria tomar um milkshake de baunilha.

Bryan Cranston

Muito antes de interpretar Walter White, o pacato professor que passa a produzir e vender metanfetamina em “Breaking Bad”, o ator Bryan Cranston se arriscou na Maratona de Nova York em 1985 – e teve um desempenho satisfatório, cruzando a linha de chegada em 3h20min45s.

Bryan Cranston
Bryan Cranston Reprodução

Katie Holmes

 
Seus papeis mais famosos foram em “Batman Begins” e no seriado “Dawson’s Creek”, mas a atriz Katie Holmes também pode se orgulhar de um feito esportivo. Enquanto corria a edição de 2007 da Maratona de Nova York, ela posou para fotos e fez uma pausa para dar um beijo em Tom Cruise, seu marido à época, antes de terminar a prova em 5h29min58s.

Katie Holmes
Katie Holmes Reprodução

Edward Norton

Edward Norton chocou o mundo do cinema com uma atuação brilhante no filme “As Duas Faces de um Crime”, lançado em 1996. Três anos depois, se firmou com mais uma atuação celebrada, desta vez em “Clube da Luta”, ao lado de Brad Pitt.

Já consagrado nas telonas, decidiu se dedicar à corrida. Em 2009, ele correu a Maratona de Nova York em 3h48min01s. Seu segredo para correr tão bem na maior cidade americana foi a preparação no Quênia, como indica a foto acima. O dinheiro arrecadado com sua participação na prova foi destinado a uma organização que promove o desenvolvimento da tribo africana maasai.

Edward Norton
Edward Norton Reprodução
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A corrida como caminho para ex-atletas após a aposentadoria

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A corrida como caminho para ex-atletas após a aposentadoria
A corrida como caminho para ex-atletas após a aposentadoria Revista 02

Paulo Roberto Falcão, ex-jogador do Internacional e da seleção brasileira, escreveu certa vez que “artistas que dependem da forma física morrem duas vezes”. A primeira, quando encerram suas carreiras profissionais; a segunda, como todos os outros mortais. Colocar um ponto final em uma jornada que envolve glórias, realização pessoal, entrega, dor e sacrifícios na vida privada provoca sentimentos mistos na maioria dos atletas: alívio nos que sofreram fisicamente durante anos e angústia para os que não sabem o que fazer longe da modalidade à qual tanto se dedicaram.

Veteranos nas competições de alto rendimento, os ex-atletas, muitas vezes, se veem na condição de juvenis quando o assunto é a obrigação de escrever o primeiro capítulo de suas novas vidas. “Você olha para a sua carreira, pensa um pouco e diz: ‘Parece que eu só sei fazer isso da minha vida’”, conta a judoca Danielle Zangrando, primeira mulher a colocar o judô feminino brasileiro em um pódio de Mundial — foi bronze em Chiba, no Japão, em 1995, na categoria até 56 kg — e medalhista de ouro nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007. Para Danielle, de 38 anos, um dos antídotos contra o vazio deixado pelo afastamento de competições importantes é a corrida, que mantém vivo o amor pelo esporte e oferece bem-estar.

Danielle Zangrando, primeira mulher a colocar o judô feminino brasileiro em um pódio de Mundial.
Danielle Zangrando, primeira mulher a colocar o judô feminino brasileiro em um pódio de Mundial. Revista 02


As passadas entraram na sua vida ainda na adolescência — e de uma forma nada confortável. Um dos sacrifícios feitos para alcançar o peso desejado para competir no judô era correr de moletom, uma estratégia ultrapassada que eleva a temperatura corporal e acelera a perda de líquidos.

Castigada por uma hérnia de disco na região lombar, Danielle abandonou os tatames em 2010 e, logo após sua aposentadoria, engravidou. Com Lara, sua filha, descobriu o “triathlon materno”. “Eu virei triatleta. Vivia para dar mamadeira, trocar fralda e botar para dormir”, lembra, rindo. À medida que a filha crescia, ela recuperava a independência e passava a procurar um novo esporte para chamar de seu. O judô, por envolver muito contato físico, representava um perigo a um corpo que tinha sofrido tanto nos anos anteriores.

Na areia firme da praia de Santos, cidade onde vive, ela resolveu dar uma nova chance à corrida e finalmente pegou gosto pelos treinos. Hoje, a corrida está à frente do judô em sua lista de preferências.

“Eu gosto de praia, gosto de sol. A corrida foi uma das primeiras atividades físicas que pratiquei depois do nascimento da minha filha. O judô lesiona muito, e a corrida é um esporte que oferece muita independência. Você não precisa de um parceiro para treinar. Dá para vir à praia sozinha, correr, terminar com um mergulho e curtir o dia”, contou, enquanto conversava com a O2 em um quiosque da praia de Santos.

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Na corrida, Danielle aprendeu a controlar o espírito competitivo que a manteve no judô durante mais de duas décadas. Assimilar que o desejo de vencer já não devia pautar sua vida, no entanto, não foi dos processos mais simples.

“Luto contra isso até hoje. Você para de competir, mas o competidor não sai de você. Você fica marcando tempo, alguém te passa e você pensa: ‘Preciso passar essa pessoa’. Em seguida, você conclui: ‘Para que estou fazendo isso?’”, reconhece.

Um episódio que simboliza sua luta para dosar a competitividade aconteceu no último mês de dezembro. Em uma viagem com Lara para Gramado, no Rio Grande do Sul, Danielle decidiu se inscrever de última hora na Corrida de Noel, prova de 10 km com o tema natalino. Em determinado momento, soube que era a terceira colocada. Por alguns instantes, quis acelerar o passo para assumir a liderança. Não demorou para concluir que a obsessão pela vitória deveria ser página virada em sua vida.

“Terminei a prova com o terceiro lugar. Fiquei feliz duas vezes. Primeiro, por ter segurado a minha onda, não ter caído na minha ‘neura’. Percebi que meu objetivo ali era viajar com a minha filha, não ser a primeira colocada em uma prova de corrida. Ao mesmo tempo, fiquei feliz por ter ido ao pódio, algo que eu ainda não havia alcançado na corrida”, afirmou.

Ultimamente, a corrida tem sido uma ferramenta para que Danielle vença o “mal do século”: a depressão. “Eu fiquei reclusa, não queria fazer nada, falar com ninguém. Acontece. Eu amo esporte e não tinha vontade de levantar da cama para fazer nada. Aí você pensa: ‘O que estou fazendo da minha vida?’”

“O esporte, às vezes, te exige tanto, tanto, mas tanto que você acaba se automutilando. Se eu não fizer uma atividade física, me faz falta. Mas, em alguns períodos da depressão, eu não queria fazer nada. Agora que já estou em uma fase melhor do tratamento, retomei. Se eu vejo que vou ficar irritada ou que posso ter uma alteração de humor, já canalizo para o esporte”, finalizou.

O reencontro com a boa forma

Em 1998, o judoca Rogério Sampaio competia sem patrocínio, tirava dinheiro de sua conta para ir às competições no exterior e estava prestes a ser pai. Certo dia, em uma mesa de bar em Foz do Iguaçu, percebeu que dificilmente recuperaria o nível apresentado anos antes e notou que a carreira profissional já não era mais prioridade em sua vida. Entre um gole e outro em seu chope, sentiu que o caminho mais apropriado era o da aposentadoria.

Em 1992, nos Jogos Olímpicos de Barcelona, Rogério superou o rótulo de azarão e levou a medalha de ouro na categoria até 65 kg. Seu ouro é um dos 30 que o Brasil conquistou até hoje em Jogos Olímpicos. Apesar do histórico vencedor, ele já se via “saturado” do judô. Depois daquela noite em Foz do Iguaçu, não fez esportes regularmente por três ou quatro anos.

 Nos Jogos Olímpicos de Barcelona, Rogério Sampaio superou o rótulo de azarão e levou a medalha de ouro na categoria até 65 kg.
Nos Jogos Olímpicos de Barcelona, Rogério Sampaio superou o rótulo de azarão e levou a medalha de ouro na categoria até 65 kg. Revista 02


A consequência da inatividade física foi o ganho de peso. Aos 35 anos, o medalhista de ouro havia engordado de 10 a 12 kg. Subir à balança passou a ser algo incômodo para alguém que sempre teve a disciplina como diretriz. Era a hora de voltar a praticar esportes.

O medo de sofrer com lesões o afastou dos tatames. O caminho encontrado foi o da corrida, que possibilitou que ele recuperasse a boa forma.

“A corrida é algo ao ar livre e há a questão da endorfina no corpo. Sempre achei extremamente bom para o meu bem-estar emocional e físico. Hoje, costumo correr duas ou três vezes por semana, de 8 a 10 km. Não me aventuro em distâncias maiores porque, como sofri muito como judoca, gosto de fazer uma distância que me deixe confortável”, disse. “Se eu fizesse um trabalho de fortalecimento, correr longas distâncias não seria algo desconfortável. Mas já tenho artrose no quadril, então prefiro me manter nessa faixa dos 10 km.”

Aos 50 anos, Rogério encara a corrida como um momento para se desligar de suas obrigações como gestor do esporte. Em junho, ele assumiu o comando da Secretaria Nacional do Ministério do Esporte, cargo que faz com que seu telefone celular toque constantemente. Mesmo com a agenda concorrida, ele encontra tempo para disputar provas de 10 km — e chega a completá-las em 53 minutos.

“Em vários momentos, vou para a corrida para fazer um tempo legal. Se estiver mais cansado por conta do trabalho, dou uma corrida para desestressar, só para colocar o coração em um batimento mais acelerado.

Fabi: Atleta até no tempo livre

Fabiana Alvim de Oliveira, a Fabi, é um dos rostos mais conhecidos do vôlei feminino verde e amarelo. A carismática líbero carioca conquistou dez medalhas de ouro com a seleção brasileira — duas delas nas Olimpíadas de 2008 e 2012. Aos 37 anos, ela segue em atividade no Sesc/Rio de Janeiro, mas sabe que a aposentadoria está próxima. “Velha para o esporte e jovem para a vida”, ela agora planeja seus próximos passos. A tendência é que a corrida de rua esteja entre eles.

Desde que deixou a seleção brasileira, em 2014, Fabi passou a ter férias. O tempo livre, contudo, não foi usado apenas para viajar e descansar. Longe dos treinos de vôlei, ela desenvolveu o hábito de correr pelo Rio de Janeiro. Entrou em uma assessoria esportiva, gostou do ambiente que encontrou e ganhou intensidade nos treinos.

Fabiana Alvim de Oliveira, a Fabi, é um dos rostos mais conhecidos do vôlei feminino verde e amarelo.
Fabiana Alvim de Oliveira, a Fabi, é um dos rostos mais conhecidos do vôlei feminino verde e amarelo. Revista 02

“Eu sou muito agitada, sempre quero fazer outrascoisas. Me bateu essa curiosidade de fazer outro esporte, algo em que eu pudesse trabalhar a mente, me desafiar. Sempre fui apaixonada por corrida”, contou. “Eu já vejo que, no futuro, quando parar de jogar, a corrida vai ser o meu segundo esporte. Vou adotá-la para a vida. Não tem uma idade certa para correr.”

Neste ano, Fabi recebeu o sinal verde do preparador físico de seu clube para disputar uma meia-maratona em suas férias e participou da Asics Golden Run no Rio — a marca japonesa é sua patrocinadora. Cruzou a linha de chegada em cerca de 2h20min, fazendo uma manchete, em alusão a um dos movimentos que lhe deram prestígio e notoriedade no vôlei.

A corrida mexeu com a cabeça de uma atleta que já ganhou duas medalhas olímpicas e tem quase duas décadas de vôlei profissional nas costas.

“Vejo que cada um tem uma história de superação diferente. Tem muita gente que vai para a corrida porque passou por uma depressão, por uma obesidade. Tem quem corra para incentivar alguém da família. Eu acho muito interessante. Isso mexe muito com a questão mental. No início, eu me sabotava muito. Depois que comecei a entender o que é a mente, fui parando de me sabotar. Uma corrida longa requer preparação, dedicação. É um desafio difícil à beça”, admite.

Mas como Fabi explica o fato de “sacrificar” as férias para se aventurar em uma nova modalidade? Segundo ela, tudo se resume em amor ao esporte.

“Eu tirei dez dias para viajar. Na minha viagem, consegui correr por lá. Acho que está dentro de nós esse amor pelo esporte. Eu descansei e corri na hora que queria. Conversando com ex-atletas, vejo que é uma veia esportiva. É impossível se desligar do esporte. Está na nossa filosofia de vida. É isso que fez eu me apaixonar pela corrida.”

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A corrida como caminho para ex-atletas após a aposentadoria

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