D'Alessandro vira líder fora de campo. Nenê faz o contrário

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi


A capa do jornal "Zero Hora" de Porto Alegre desta segunda-feira estampa uma foto grande de D´Alessandro beijando o escudo do Internacional na sua camisa. Dentro da foto, ao lado dele, o título “Ele decide”. Assim tem sido com o ídolo colorado nos últimos tempos. E não necessariamente dentro de campo.

Recentemente foi visto no alambrado atrás de um gol, sem chuteira, apoiando o time aos berros.

D`Alessandro é o caso do jogador que está perto do fim da carreira e que tem o entendimento preciso de como pode continuar sendo relevante a um grupo mesmo sem pisar no gramado em todas as partidas.

Neste domingo Nenê não foi a campo no empate com o Flamengo. Assim que o jogo acabou, pegou suas coisas e se mandou do Morumbi, com cara de poucos amigos.

Pode ter ficado irritado por não ter sido aproveitado no jogo, mas ter sido aproveitado para a encenação feita por Diego Aguirre antes de a bola rolar. O treinador levou doze jogadores (Nenê entre eles) para o aquecimento que os times fazem no campo antes da entrada em oficial.

Entendo que não tinha espaço para ele na partida, mas esta é uma outra questão.

Fato é que a atitude do jogador foi mais um ingrediente no caldeirão de problemas que se transformou em São Paulo no segundo turno do Brasileirão. O time que está se esforçando no limite para não perder a quarta colocação no campeonato agora tem outra questão para ser resolvida.

Não é possível comparar a idolatria de D´Alessandro no Internacional com a de Nenê no São Paulo. Um tem uma longa história de dedicação ao Colorado. O outro chegou este ano depois de passagem por outros grandes clubes do Brasil.

É injusto também dizer que Nenê não foi útil ao Tricolor. Fez um ótimo primeiro turno, no momento em que o São Paulo virou líder do campeonato. Seu rendimento caiu com o time na segunda etapa.

Mas há outro tipo de colaboração que jogadores mais experientes podem dar a um time. O próprio Nenê foi positivo para o ambiente quando o time vinha bem no Brasileiro. Um dos líderes do elenco, uniu o grupo, deu destaque a Reinaldo, que era muito introvertido até outro dia e ajudou para que o jogador se soltasse, por exemplo.

Um jogador do tamanho e currículo importante como Nenê (jogou em grandes times do Brasil e teve interessante passagem pela Europa) tem muito a contribuir com um time. Não necessariamente dentro de campo.

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Tite não tem medo de crítica

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi

Nunca na história da Seleção Brasileira alguém teve tanto apoio como Tite teve antes, durante e até depois da Copa do Mundo da Rússia. Quase a totalidade da imprensa esteve ao seu lado, contestando muito pouco convocações e o desempenho do time.

Após a derrota para a Bélgica nas quartas-de-final, uma das primeiras perguntas a ele no pós-jogo foi quase um pedido para que ele permanecesse no cargo. Tite teve o privilégio de seguir no comando do time mesmo após um fracasso, algo inédito na história do futebol brasileiro.

Parte do pequeno grupo de jornalistas que fez críticas duras a Tite na Copa do Mundo é da ESPN. Na TV foi falado que ele foi dominado pela Bélgica em boa parte do jogo da eliminação e que mesmo México e Suíça criaram problemas ao time brasileiro. E ainda que ele fracassou na missão de domar Neymar.

Esta semana, Tite esteve nos estúdios da ESPN para gravar o Bola da Vez. Não recusou o convite, não impôs restrição a nenhum entrevistador. Foi solícito, elegante e simpático com toda a equipe dos canais.

Tite respondeu a todas as questões, inclusive as mais duras, de forma serena. Sem levantar a voz, sem rodeios, sem desqualificar perguntas e perguntadores.

Parece o óbvio, mas não é. Há muita gente que desqualifica o trabalho de jornalistas, a não ser que eles sejam dóceis e pouco contestadores. É imenso o número de pessoas (em todas as áreas) que se recusa a ser entrevistado por determinados veículos ou jornalistas específicos porque sabem que terão de responder a perguntas duras e incômodas. Mesmo que sejam perguntas e críticas legítimas.

Tite não é assim e dá um grande sinal de ter a noção exata do cargo que ocupa, a de treinador da Seleção Brasileira. Sabe que deve satisfação ao torcedor brasileiro e não a este ou aquele jornalista.

Seria muito bom se mais personagens do futebol (e da sociedade em geral) tivessem a postura de Tite.

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Decisão da Conmebol prejudica todos. Até o River

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi

O River Plate foi muito melhor do que o Grêmio na partida de volta da semifinal da Libertadores. Teve a seu favor até um pênalti, daqueles que só o VAR enxerga. Ainda assim é impossível falar em injustiça “futebolística” naquela partida.

Sei que aqui mesmo neste espaço coloquei em discussão o VAR no segundo gol argentino. Não pelo pênalti não ter existido, mas para colocar luz sobre a utilização da nova ferramenta. Quanto à justiça, não há o que discutir olhando o que aconteceu dentro das quatro linhas.

Ocorre que fora delas o treinador argentino simplesmente não tomou conhecimento de uma punição aplicada pela Conmebol, desceu no vestiário no intervalo, orientou seu time e o River foi à final.

É muito difícil determinar o quanto a presença dele no vestiário influenciou em campo. É diferente quando um jogador suspenso atua sem condições legais porque, neste caso, estamos vendo suas ações. Quanto ao que acontece no vestiário, só podemos supor que a forma como ele agiu levou o time a vencer a partida.

Mas havia uma determinação da Conmebol, solenemente ignorada. Ontem, a entidade levou a público a decisão sobre o caso e aplicou uma multa e uma suspensão. Apenas ao treinador.

Esportivamente seria injusta a presença do River, vencedor no campo, na final? Seria justo levar à decisão o Grêmio, inferior no confronto dentro de campo?

Neste caso, é muito difícil decretar com toda a certeza qual valor é maior: o esportivo ou o legal.

Fato é que a decisão da Conmebol é um prejuízo para várias partes: à entidade, que mais uma vez é colocada sob suspeita. Ao Grêmio, que se viu fora da decisão contra um rival que descumpriu uma regra. À Libertadores, que tem a sua imagem mais uma vez relacionada a desorganização, vale-tudo, desonestidade, bastidores…

E, por incrível que pareça, de certa forma ao River Plate, que dentro de campo mostrou ser um time melhor do que o Grêmio. Mas sua classificação terá um asterisco eterno.

No programa 'Futebol na Veia', o assunto foi tema de debate:

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Palmeiras, rei no Brasileiro, cai em jogo mais exigente da Libertadores

Eduardo Tironi
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O Palmeiras, que não vê adversários pela frente no Brasileiro desde que Felipão pisou na Academia, foi eliminado pelo Boca Juniors da Libertadores.

Exceto no começo do segundo tempo do jogo desta quarta-feira, quando fez dois gols e deixou o time argentino momentaneamente perdido em campo, o Palmeiras em nenhum momento dos dois confrontos conseguiu ser melhor do que o seu adversário.

O time que varre adversários no Brasileiro sem muita cerimônia e muito provavelmente será campeão dentro de algumas rodadas em território nacional, não fez frente a um Boca Juniors de camisa imensa como sempre, mas time nem tanto.

O que nos leva a refletir sobre o futebol que jogamos por aqui. O Palmeiras não tem um elenco inferior ao Boca, mas enquanto organização é pior e isso ficou muito claro nos dois confrontos.

Nesta quarta, apesar do momento de euforia com os dois gols, taticamente não foi um Palmeiras inventivo quando precisou. A saída para o ataque sempre tinha que procurar Dudu e só Dudu. Pouca troca de passes, pouca penetração, muito jogo vertical e aéreo.

É pouco. Muito pouco. E não por ser o Palmeiras. Outros times brasileiros poderiam praticar outro tipo de jogo, mas temos nos contentado com um estilo a maioria das vezes simples demais e que não encontra saídas quando é mais exigido.

No Brasil, elencos qualificados podem ganhar jogos. Fora da nossa fronteira, é preciso mais. E neste momento não parecemos ter.

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Grêmio foi amassado pelo River e caiu, mas o VAR virou um caça-pênaltis

Eduardo Tironi
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O Grêmio joga o futebol mais agradável de se ver no Brasil. É um dos únicos times brasileiros que tenta se impôr sobre os seus adversários tendo a bola no pé, criando, empurrando os rivais para o seu campo, buscando incessantemente o gol.

Não foi este o time que se viu na Arena do Grêmio na noite desta terça-feira. Pelo contrário: o time de Renato Gaúcho foi engolido pelo River Plate no primeiro tempo e ter saído de campo vencendo por 1 a 0 foi daquelas coisas que o futebol só consegue explicar pela frase batida “quem não faz toma.”

A virada sofrida nesta terça-feira, com um gol de pênalti marcado com o VAR (mais sobre o VAR abaixo) foi absolutamente justa. Em 90 minutos, o River foi muito superior em um tempo e levemente inferior no segundo.

No jogo de ida, fora de casa, o Tricolor conseguiu jogar muito melhor, mas mesmo assim, fugindo de certa forma de sua característica, ao não ter mais posse de bola do que seu adversário.

O time estava desfalcado nas duas partidas, é verdade. Mas foi incapaz de seguir o padrão que o levou ao título sul-americano em 2017.

Como aquele que é considerado o time que pratica o melhor e mais moderno futebol no Brasil é subjugado desta forma? Isso é preocupante não só para o Grêmio, mas para o futebol brasileiro.

CAÇA AO PÊNALTI

Sou a favor do VAR. Acho que trará mais justiça ao jogo sem dúvida. Mas ele precisa de ajustes. O pênalti marcado contra o Grêmio existiu na letra fria da regra. Só que este é um detalhe em um esporte totalmente diferente do que qualquer outro como é o futebol.

Até que o VAR entrasse em ação, não havia uma só reclamação dentro de campo sobre irregularidade. Ninguém viu. Sem o toque de mão (só visto em uma sala fechada com várias pessoas e inúmeros recursos de vídeo) a bola não entraria no gol, nada teria acontecido.

Em outros esportes, atletas ou treinadores pedem a ação do VAR e então ela acontece quando eles enxergam alguma irregularidade. No futebol, em uma sala fechada, alguns sujeitos passam o tempo caçando pênaltis. Na letra fria da Lei, mais fria do que a sala com ar-condicionado, está correto. Mas para um melhor andamento do jogo, é uma questão que entendo que deva ser discutida e aprimorada.

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