Corinthians classifica, mas ainda está confuso

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi



Corinthians tem uma vitória contra o Palmeiras dentro do Allianz Parque. E por enquanto, é isso o que garante calma pelos lados de Itaquera. Porque o desempenho do time até aqui tem deixado muito a desejar.

Nesta quinta-feira, o time de Carille por pouco não foi eliminado pelo Ferroviário em Londrina, na primeira fase da Copa do Brasil. Uma falha do goleiro Gleibson no primeiro gol e um chutaço certeiro de Gustavo resultaram nos dois gols do Corinthians, que garantiram o empate salvador.

A ressalva de que ainda é começo de temporada sempre é muito relevante. Há tempo de sobra para que Carille encontre a formação ideal e que os jogadores entrem em forma. O mais importante neste momento é não deixar que nada saia do controle (como um resultado muito ruim em um jogo grande). Neste ponto, o Corinthians até agora não falhou: venceu o Palmeiras e avançou na Copa do Brasil.

Mas Carille precisa ter uma alternativa para quando Jadson não vai bem, precisa encontrar profundidade pelos lados do campo, precisa ter uma zaga minimamente mais  segura.

Carille tem muito trabalho pela frente
Carille tem muito trabalho pela frente Gazeta Press

Outro ponto relevante: Carille prometeu o Corinthians de 2019 com posse de bola. Por enquanto, tem a posse de bola, mas ela não dá nem o controle da partida e nem significa ofensividade.

Em 2017, o Corinthians (também comandado por Carille) quase foi eliminado pelo Brusque na Copa do Brasil. Terminou campeão brasileiro. Resta saber se em 2019 ele vai conseguir encaixar as peças e fazer crescer o nível de atuação de seus jogadores como fez naquele ano.

Fonte: Eduardo Tironi

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Corinthians precisa melhorar antes de uma tragédia

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi


A expressão de Henrique comemorando o primeiro gol ao fim do primeiro tempo dá a exata medida da confiança que o Corinthians adquiriu ao longo dos últimos anos. Ela dizia: "vamos virar este jogo."

E o Corinthians de fato virou sobre o Avenida em Itaquera pela Copa do Brasil na noite desta quarta-feira: 4 a 2. Mas o placar nem de longe representou o que foi o jogo.

O time de Fábio Carille sofreu horrores para se livrar de um de 2 a 0 contra que se meteu logo no começo do jogo. Os dois últimos gols corintianos saíram depois dos 40 minutos do segundo tempo.

A confiança citada acima foi um combustível importante para a virada. Porque de resto o Corinthians continua jogando menos do que deveria, mesmo considerando que estamos em começo de temporada.

Este é o segundo flerte com tragédia do atual Timão. O outro foi semana passada contra o Ferroviário, também pela Copa do Braisil. Um 2 a 2 em que o rival foi melhor o tempo todo e perdeu pela imensa inferioridade técnica.

Hoje o Avenida não foi melhor do que o Corinthians, mas perdeu também porque é muito mais fraco tecnicamente.

São Caetano, Guarani, Red Bull… são muitos os resultados ruins do time de Carille neste começo de ano. Mas as vitórias em jogos grandes compensaram tudo até agora: Palmeiras e São Paulo.

Difícil imaginar que Carille não consiga fazer este time render mais. Ele diz que já achou a ideia de jogo. Ela pode até existir, mas por enquanto não é muito segura.

Sobretudo porque o sistema defensivo falha mais do que o normal e do que se espera de um time de Carille.

Ainda é cedo para análises definitivas. Mas o Corinthians já deu alguns sinais fortes de que está muito longe do pode. E longe do que se esperava neste momento. Quando uma tragédia começa a bater muito na porta, uma hora a porta se abre.

Fonte: Eduardo Tironi

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No caos do Maracanã, a vítima virou culpada

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi

Casal corre desesperado nos arredores do Maracanã
Casal corre desesperado nos arredores do Maracanã Gazeta Press

A imagem que simboliza muito do que aconteceu na final da Taça Guanabara do Campeonato Carioca entre Vasco e Fluminense  é esta acima. Um casal vascaíno correndo desesperado tentando proteger um bebê de colo.

No mundo como ele deveria ser, levar uma criança a um estádio de futebol não teria nada demais. Futebol é um lazer do qual o cidadão tem direito de ir e voltar para casa com conforto e segurança.

Mas no Brasil atual não. O casal que passou momentos de terror virou culpado na avaliação de muitos, sobretudo nas mídias antissociais. O pai foi um irresponsável por levar um bebê a um local perigoso. A mãe também.

Pouca coisa simboliza melhor a inversão de valores pelo que passa a sociedade brasileira do que isso. Define-se que estádio de futebol é um campo minado e, portanto, tudo o que acontecer com qualquer torcedor nos arredores é de responsabilidade dele.

Invocam o conselho tutelar, o Juizado de Menores e outras instâncias. E o verdadeiro absurdo do caso, que é uma final não ter torcedor (ou ter ou não ter ou ter ou não ter dependendo do que o juiz de plantão determinar) é tratada com a “indignação marqueteira” de momento e segue o jogo.


Deveríamos lamentar e muito o fato de uma família simplesmente não poder entrar em um estádio de futebol, a manifestação cultural mais importante do nosso país. Mas não: preferimos apontar o dedo para a vítima como se ela fosse a culpada.

Fonte: Eduardo Tironi

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No caos do Maracanã, a vítima virou culpada

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Na final da Taça Guanabara, a vitória valeu pouco

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi


Em duas televisões colocadas lado a lado na redação, o bizarro estava à mostra. Em uma delas, cenas de selvageria pura fora do Maracanã. Bombas, gás, correria, gente gritando, gente chorando, cavalos da polícia… Na outra, a bola rolando em silêncio no estádio absolutamente vazio na final da Taça Guanabara.

O que aconteceu na tarde deste domingo no Rio de Janeiro é de tal forma surreal que há argumentos de lado a lado,  pró-Fluminense e pró-Vasco da Gama. E por incrível que pareça quem tem razão não é o mais importante agora. O que importa é que a vitória dentro de campo do Cruzmaltino foi engolida por uma derrota de todos e, principalmente, do futebol carioca e brasileiro.

Há poucos meses estávamos achando inaceitável a final da Libertadores ser disputada na Espanha. Neste domingo, vimos torcedores impedidos de fazer o que é a razão de sua existência: assistir e apoiar seus times em uma final de Taça Guanabara.

Como a vida segue, o futebol precisa ser analisado.

O título do Vasco premiou o time que entendeu suas limitações, fez um jogo simples e sólido, contrariando até as pretensões de início de carreira de Alberto Valentim. Para um clube que sofreu e sofre tanto nos últimos anos, é um alento.

A derrota do Fluminense, por outro lado, não pode ser encarada como fracasso. O time de Fernando Diniz pela forma como joga é uma das coisas mais interessantes deste pobre começo de temporada do futebol brasileiro. Os limites técnicos podem impedir voos mais altos, mas é bom ver coragem em campo.

A Taça Guanabara vale muito pouco hoje em dia e esta é mais uma desserviço que a Ferj presta ao futebol carioca. A de hoje especificamente será muito mais lembrada pelas cenas tristes do que pelo que aconteceu em campo.

Fonte: Eduardo Tironi

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Nem tudo vai bem no Corinthians, nem tudo foi ruim no São Paulo

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi
Carille durante derrota do Corinthians para o Red Bull Brasil
Carille durante derrota do Corinthians para o Red Bull Brasil Gazeta Press


O resultado se impõe: mais uma vitória do Corinthians sobre o São Paulo em Itaquera. Mas o placar não mostra tudo. 

Antes de entrar no ponto que pretendo deste texto, falo logo dos lances polêmicos.

Na minha opinião:

1 - Bola saiu no escanteio que deu origem ao 1o gol do Corinthians

2 - Antony fez falta no Avelar no escanteio que deu origem ao gol do São Paulo

3 - Não achei falta do Love em Volpi no 2o gol do Corinthians

4 - Achei mão do Carneiro no gol anulado do São Paulo.

Agora, sobre a partida, os times, etc…Questões que não se encerram no apito final deste domingo, mas coloca luz sobre o futuro de Corinthians e São Paulo.

O São Paulo de 2019 é tão carente de qualquer ideia que, por incrível que pareça, surpreendeu positivamente. Apenas quando comparado ao que vinha apresentando até então, óbvio. Brigou, lutou, não se entregou, mas seu limite é baixo. E perdeu mais uma vez em Itaquera, o que já não pode ser considerado algo fora do normal.

Mas o time de Mancini ao menos foi minimamente mais organizado do que o de Jardine. O banco para Diego Souza e Nenê e a escalação de Carneiro e Igor Vinicius foram acertos. E a derrota veio por conta de uma falha de Tiago Volpi, que chegou cercado de enorme expectativa, mas até agora não fez ainda o que grandes goleiros fazem: ganhar jogos. Pelo contrário, quando foi exigido, falhou em um gol.

Quanto ao Corinthians, Carille falou na entrevista depois da vitória que está encontrando o time ideal. Mas diante de um rival tão frágil, sua equipe poderia mais. Bola longa, cruzamentos na área...pouco para quem prometeu atuar com posse e troca de passes. A vitória veio mais por conta da fragilidade até psicológica do rival (que afinal nunca venceu em Itaquera) do que exatamente por virtudes corintianas.

De bom, Sornoza centralizado rendendo mais do que atuando pelo lado, Gustavo deixando definitivamente de ser apenas um atacante folclórico (apesar do gol sem querer, mostrou ótimo senso de colocação), e o gol de Manoel para dar confiança.

A vitória em mais um clássico dá uma enorme força mental e psicológica para o Corinthians e isso conta demais no mundo do esporte. Mas além de confiança, vai ter de mostrar mais jogo. E tem como fazer isso.

Fonte: Eduardo Tironi

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A entrevista do anúncio de Cuca foi um resumo do que é o São Paulo

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi

Cuca, Palmeiras, 2017
Cuca, Palmeiras, 2017 gazeta press

A maior vantagem da contratação de Cuca sem que o treinador assuma efetivamente o São Paulo é que neste período de “quarentena” ele não poderá ser demitido no clube grande que mais incinera técnicos no Brasil.

A situação é tão vexatória que o presidente Leco foi perguntado por um jornalista na entrevista coletiva sobre o espantoso número de oito treinadores que passaram pelo clube em sua gestão. A resposta foi: - eu não tenho certeza se foram oito mesmo.

Não há maior atestado público de incapacidade, inaptidão e despreparo. Porque tanto faz se foram oito, sete ou nove. Fato é que o São Paulo envergonha sua torcida há dez anos sem nenhum sinal de reação dos dirigentes.

Ou quase nenhum: porque ano passado Diego Aguirre levou milagrosamente o time para a liderança do Brasileiro.  Foi quando a diretoria entrou em ação e o demitiu a cinco rodadas do final do campeonato para dar lugar a André Jardine, provavelmente o erro de avaliação mais grotesco já feito nos últimos anos pelos lados do Morumbi. E olha que erros grotescos não são raros por ali.

RAÍ E LECO PONTUAM SEUS ERROS NO SÃO PAULO

Se Jardine deveria seguir no comando? Está evidente que não, desde quando foi incapaz de manter o time na quarta colocação do Brasileiro ano passado. Mas, justiça seja feita, ele é apenas um dos culpados.

Raí também deu sua contribuição na entrevista coletiva constrangedora. Visivelmente desconfortável, antes de anunciar o óbvio (Jardine não será mais o treinador), um dos maiores ídolos da história do clube passou pelo menos seis minutos falando das qualidades do profissional degolado. Um desavisado teria certeza que estavam falando da contratação de um novo técnico e não de uma demissão.

O nível de vergonha que o clube passa nos últimos anos chegou ao ponto de o anúncio de Cuca ser recebido com críticas sob quase todos os aspectos: desde o fato de que ele assumirá sabe-se lá quando  (depende de questões médicas) e até se é o nome ideal para trabalhar com um elenco lento e com média de idade de 30 anos.

Das duas uma: ou Cuca mudou a forma como pensa o jogo (marcação individual, intensidade máxima…) ou os alguns jogadores terão de ser dispensados.

Enquanto isso, o São Paulo terá Vagner Mancini “quebrando um galho”. Já pensou se por uma obra do acaso ele começa a fazer um bom trabalho?

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A entrevista do anúncio de Cuca foi um resumo do que é o São Paulo

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Se o São Paulo se salvar será a vitória do despreparo

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi









Quarta-feira que vem no Morumbi o São Paulo poderá inverter o resultado trágico colhido contra o Talleres em Córdoba porque no futebol tudo é possível, até o improvável.

Porém, mesmo que passe para a próxima fase da Copa Libertadores, isso não apagará a péssima preparação para o jogo na Argentina. A diretoria e a comissão técnica do São Paulo foram se colocando numa espécie de estado de coma aos poucos, com ações importantes que empurraram o time para a U.T.I. da Libertadores.

A demissão de Aguirre ano passado, a efetivação de Jardine, a Florida Cup, o começo de temporada titubeante (para se dizer o mínimo) que o treinador faz até aqui… foram gotas que encheram um copo que agora está a um ponto de transbordar e comprometer toda a temporada.

É verdade que o período de preparação foi curto, que treinadores são cobrados cedo demais e que se continuar assim nunca haverá evolução. Porém, Jardine assumiu o São Paulo dizendo que com o elenco que tinha em mãos poderia entregar mais do que Aguirre tinha entregado. Prometeu jogo ofensivo e posse de bola. Em Córdoba, o time teve 42% de posse. Contra o Santos 46%. Foram os dois jogos importantes que o time fez este ano.

Quando se promete muito, a cobrança no mesmo tom não soa exagerada. E a verdade é que o São Paulo de Jardine é no máximo parecido com o de Aguirre, com uma diferença fundamental: o time do uruguaio, mesmo nos seus piores momentos, não tinha um nível tão baixo de entrega e intensidade como o de Jardine demonstrou em dois jogos grandes: Santos e o segundo tempo contra o Talleres. (Dado aqui o devido desconto para o fato de ser começo de temporada e a questão física pesa).

De boas intenções o inferno está cheio, diz o ditado. Por mais interessante que seja a ideia de Jardine (e por enquanto tudo o que ele tem são ideias, com nenhuma execução aparente no campo) está bem claro agora que era arriscada demais para o momento do clube e os desafios que batiam na porta já em fevereiro.

Agora o estrago parece iminente. Como no futebol tudo é possível, o São Paulo pode até se classificar. Mas nada disso apagará tudo o que vem sendo feito de errado.

Como tragédias podem sempre piorar, Jardine corre o risco de ser demitido e não aceitar voltar para a base, onde tem bom trabalho reconhecido. Será a perda tripla: o São Paulo compromete a temporada, o clube perde um bom sujeito na base e o time principal fica sem treinador.

Vale lembrar que 25 conselheiros viajaram às custas do clube para assistir ao vexame em Córdoba. De perto, à beira do campo, será que enxergaram mais do que a imensa torcida tricolor vem enxergando?

Fonte: Eduardo Tironi

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As lições de Palmeiras 0 x 1 Corinthians

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi


Os recados que o clássico Palmeiras 0 x 1 Corinthians passam:

Carille e o Corinthians mais uma vez demonstraram entendimento absoluto do que é um clássico. A maioria dos torcedores quer mais jogo, mais coragem, mais beleza. Mas TODOS os torcedores querem vencer. Se isso é uma pregação pela vitória a qualquer custo? Quem me acompanha sabe que não. 

Mas qual seria a alternativa de Carille diante de um rival jogando em casa, com mais jogadores talentosos e com um time praticamente pronto, senão colocar na cabeça de seus atletas que aquilo era um Palmeiras x Corinthians e que em um jogo desses todos os detalhes são importantes? Foi exatamente isso o que o treinador do Corinthians fez: deixou claro que em um jogo desses tudo o que não pode acontecer é passar ao torcedor a sensação de indiferença. 

Nos clássicos, mais do que nunca, a arquibancada vê sua representação no campo. Carille mais uma vez entendeu isso.

O Palmeiras vai precisar de mais repertório. A superioridade técnica e o elenco muito recheado não vão resolver a vida do time em todas as partidas. Ontem foi o exemplo. Diante de um adversário fechado e muito bem montado, restou ao time de Felipão jogar bolas na área, em vão. 

O Palmeiras tem uma temporada com muitos desafios ao longo do ano. Vai precisar entregar mais coletivamente e ofensivamente. Pelo tempo de casa, as peças e o prestígio que tem, Felipão já poderia estar fazendo isso.

Fonte: Eduardo Tironi

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Ganso e Fernando Diniz: encontro de duas figuras que precisam de mais uma chance

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi


A chegada de Paulo Henrique Ganso ao Fluminense parece o encontro de duas figuras que têm na carreira mais uma chance. Falo do jogador e de Fernando Diniz.

Há anos Ganso tenta ressuscitar o atleta que ele foi no Santos há um bom tempo. Mas o meia clássico desejado na lista da Seleção que foi para a Copa de 2010 deu lugar a outro, irregular, com lampejos de gênio e sumiços dentro de campo. No São Paulo, chegou a ensaiar uma retomada, que nunca se tornou sólida. Na Europa, fracassou tremendamente, terminando sua passagem como reserva no minúsculo Amiens.

Fernando Diniz teve no Athletico Paranaense o melhor cenário da sua carreira: um time bom, o apoio dos dirigentes, a estrutura excelente do clube. Acabou na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro e foi demitido. Thiago Nunes pegou tudo o que tinha de bom em seu trabalho, aperfeiçoou e acabou campeão.

Ele tenta agora no Fluminense emplacar mais uma vez seu arrojado (e muito interessante) modo de pensar o futebol.

A chegada de Ganso coloca mais um ingrediente nesta empreitada. Diniz ganha um jogador que tem no passe sua melhor qualidade. E o passe é a base do trabalho do treinador.

Ganso tem mais uma chance na carreira
Ganso tem mais uma chance na carreira Aitor Alcalde Colomer/Getty Images

A esperança de que pode funcionar está nesta ligação entre o jogo de passes do treinador e a principal qualidade de Ganso. Se vai dar certo? A história recente do jogador indica que não. Mas se existe uma chance é esta, com este treinador.

Ganso precisa de Diniz, Diniz precisa de Ganso. O Fluminense precisa do melhor dos dois.

Fonte: Eduardo Tironi, blogueiro do ESPN.com.br

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Carille sente na pele como é difícil mudar o tipo de jogo

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi

Em dezembro de 2016 um desconhecido Fábio Carille assumiu o super vitorioso Corinthians. Na sua entrevista de apresentação, falou por 13 minutos. O diretor de futebol Flavio Adauto falou por 35.


O que se passou depois disso todos sabem. Carille formou um grupo compromissado, um time muito forte defensivamente. Vários jogadores subiram de produção a um nível que não se imaginava, o Corinthians foi campeão paulista e campeão brasileiro, passeando em um primeiro turno espetacular.

Carille voltou ao Corinthians este ano e na entrevista de apresentação falou bem mais. Falou inclusive que pretende jogar com dois meias, que pretende fazer o time atuar de outra forma, tendo mais posse de bola. Algumas entrevistas depois declarou que pretende escalar Vagner Love e um “nove” no

Carille durante derrota do Corinthians para o Red Bull Brasil
Carille durante derrota do Corinthians para o Red Bull Brasil Gazeta Press
ataque.

Em tempo: esta é uma das qualidades do treinador, além de tantas outras: falar escalações, formas de jogar, pensamentos… sem nenhuma preocupação de “entregar o jogo ao inimigo”.

O novo Corinthians ainda está em formação. São poucos jogos, algumas tentativas, mas o único padrão visto até agora foi o de que o time piora seu desempenho a cada apresentação. Se fez uma partida ok contra o Santos em um amistoso antes do Paulista, só foi piorando até chegar à derrota para o Red Bull quinta-feira em Itaquera.

Carille está tentando e não dá para duvidar da capacidade de um sujeito que fez o Corinthians de 2017 campeão. Mas não é um caminho simples e recentemente temos fracassos neste sentido.

Depois da surra que tomou do Barcelona na final do Mundial de 2011 com o Santos, Muricy tentou mudar seu estilo defesa segura/bola parada. Fracassou.

O então novato Rogério Ceni tentou implantar um estilo diferente no São Paulo de 2017 e fracassou. Retomou sua carreira com sucesso no Fortaleza, é verdade.

Fernando Diniz tenta há anos emplacar seu futebol de obsessão pela posse de bola e troca de passes. No Fluminense, por enquanto faz sucesso, mas contra times praticamente amadores do Carioca.

Carille tem um imenso desafio pela frente. No Brasil, fazer um time jogar com posse de bola e imposição pode ser tão complicado como assumir um clube gigante sendo um treinador desconhecido. Um desses desafios ele conseguiu superar.

Fonte: Eduardo Tironi

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Sampaoli contrariou verdades estabelecidas no futebol brasileiro

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi
Jorge Sampaoli está com 100% de aproveitamento em jogos oficiais pelo Santos
Jorge Sampaoli está com 100% de aproveitamento em jogos oficiais pelo Santos gazeta press

Em pouco  mais de 90 minutos, Sampaoli não só dilacerou o São Paulo como contrariou verdades estabelecidas no futebol brasileiro. São elas:

  1. Sem um elenco recheado e ideal, não é possível jogar de forma ousada e ofensiva.

    O Santos deste domingo foi melhor e incansável durante todo o primeiro tempo e foi premiado com um gol no final. O padrão brasileiro indicava um time retraído na segunda etapa. Pois Vanderlei não fez uma única defesa e o Alvinegro seguiu intenso, veloz, buscando a vitória. 2 a 0 foi pouco.

    2. Com pouco tempo de trabalho é muito difícil implementar um padrão de jogo. 

       Sampaoli fez seu primeiro treino com o Santos no dia 2 de janeiro, mais ou menos no mesmo momento que outros treinadores que iniciam seu trabalho nesta temporada por aqui. E, independentemente dos resultados, o Santos é o time brasileiro que mais é possível enxergar a filosofia do treinador entre todos aqueles que mudaram de comando do ano passado para cá.

Se o argentino terá vida longa no Brasil é difícil prever. As cascas de banana no caminho são muitas e ele pode ser engolido no meio do caos.

Mas em seu único mês no Brasil foi possível enxergar um futebol raramente visto por aqui. Sua presença pode servir como um desafio para nossos professores.

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Obsessão por cifras fez o Corinthians pagar mico. E o torcedor é que sofre

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi

A profissionalização do futebol no mundo todo e a transformação deste esporte em uma mina de dinheiro fizeram brotar no torcedor uma certa obsessão por cifras nos últimos tempos.

Muita gente passou a comemorar como um título de Libertadores quando um contrato novo do seu clube é fechado (com números vitaminados) ou quando um jogador médio é vendido por uma bela grana e possíveis ganhos futuros.

Os mais radicais passaram a se emocionar com o pagamento de dívidas, certidões negativas de débito, etc, etc… Sem falar nos contratos de TV, que provocam discussões sangrentas no bar, no Twitter, nos trabalhos e salas de aula.

O Flamengo está aí para provar que o caminho da austeridade e responsabilidade vale a pena. Apertou o cinto nos últimos anos e agora pode se dar ao luxo de torrar uma grana preta em reforços, alguns que possivelmente valem menos do que o valor pago. Mas quem tem dinheiro pode se dar ao luxo de fazer isso, desde que com responsabilidade.

A obsessão pelo dinheiro (e clubes precisam ser saudáveis financeiramente, isso não se discute) chegou à parte da cartolagem da pior maneira possível. Alguns seguiram gastando o que tem e o que não tem acreditando que o resultado do campo pode pagar qualquer barbaridade que se faça com as contas.

Outros fazem o que fizeram os cartolas corintianos no meio da semana. Jogaram no ar um papo de que o patrocínio com a BMG vai dar ao Corinthians muito mais do que o que está garantido. R$ 30 milhões anuais viraram R$ 12 milhões quando a própria BMG revelou os valores verdadeiros em ata.

O Corinthians não chegará em hipótese alguma aos R$ 30 milhões? PODERÁ chegar, embora seja pouco provável diante dos resultados da própria instituição financeira nos últimos anos. Há uma aposta (alta) na fidelidade do torcedor corintiano para que essa grana toda entre. Portanto, é melhor aguardar.

Mas os cartolas corintianos não só deram a entender no primeiro momento que tudo seria muito simples como ainda fizeram uma comparação entre aquilo que o Corinthians acabara de fechar com o negócio entre Palmeiras e Crefisa. Por provocação ou outro motivo desconhecido. Fato é que o tiro saiu pela culatra.

Restou constrangimento à torcida do Corinthians. Esta que os dirigentes esperam que vitamine o patrocínio e traga os tais R$ 30 milhões.

Fonte: Eduardo Tironi

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O elenco reforçado do Fla pode ajudar Diego. Renovar foi uma boa

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi
Sem a missão de ser protagonista, Diego pode ser útil ao novo Fla
Sem a missão de ser protagonista, Diego pode ser útil ao novo Fla gazeta press

Com um vídeo curto e bem humorado postado em sua conta no Twitter, Diego Ribas anunciou a renovação de seu contrato com o Flamengo nesta terça-feira.

Desde que desembarcou no Rio de Janeiro, Diego nunca conseguiu ser o que a torcida esperava: um líder indiscutível e, dentro de campo, um jogador que pudesse mudar significativamente o nível de jogo do time. O problema está no jogador ou está na expectativa criada? Fico com a segunda opção.

Ao longo de toda a sua carreira, ele sempre foi um bom jogador e muito regular (sem altos e baixos). Mas poucas vezes teve depositado em suas costas o manto de protagonista. Quando surgiu no Santos, dividia a missão de líder com Robinho. No Werder Bremen, sim, teve este papel. Nos outras equipes de sua ótima carreira internacional foi útil, mas nunca foi “o cara”.

O “novo” Flamengo que surge agora, recheado de ótimos jogadores sobretudo do meio para a frente, pode ser uma ótima boa para Diego. Ele não terá a responsabilidade de ser o camisa 10 em todos os sentidos do Rubro-Negro, mas poderá ser uma peça muito útil para o conjunto.

A estratégia de Abel será a de utilizar dois times para a temporada dura que vem pela frente. Neste aspecto, descartar uma figura como Diego parecia uma má ideia. Comparando: mesmo quando rendia muito pouco no Palmeiras, Lucas Lima nunca foi rifado. Sua importância ficou clara na campanha do título brasileiro de 2018.

Fonte: Eduardo Tironi

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O elenco reforçado do Fla pode ajudar Diego. Renovar foi uma boa

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Palmeiras e Flamengo travam uma Guerra Fria da bola

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi

Quando acabou a Segunda Guerra, o mundo foi dividido em duas correntes político/econômicas, uma liderada pelos Estados Unidos, a outra pela então União Soviética.

Por praticamente quarenta anos, cada umas das potências lutou para ter mais influência sobre os destinos do planeta. Foi neste cenário que nasceu a Guerra Fria.

Esta "aula" chinfrim de história (não sou professor, desculpe) é só para fazer um paralelo com o que ocorre no futebol brasileiro neste momento. Palmeiras e Flamengo formam as duas potências no país neste momento e parecem estar disputando uma Guerra Fria da bola.

Estados Unidos e União Soviética travaram uma batalha feroz pela produção de armamentos cada vez mais letais e por uma corrida espacial maluca do pós-guerra até os anos 80. Os clubes paulista e carioca fazem o mesmo no mercado de jogadores atualmente. O rubro-negro 'rapela' adversários nacionais contratando Gabigol e Arrascaeta numa tacada só; o alviverde contra-ataca e fecha com Ricardo Goulart.

As agremiações mais ricas do país na atualidade mostram seus músculos a cada ida ao mercado. Nenhum outro rival é capaz de acompanhar. 

O São Paulo, por exemplo, gastou um bom dinheiro para trazer Hernanes e Pablo, mas não conseguiu manter o ritmo de seus rivais e parou por aí. O Corinthians, enrolado em problemas financeiros, tentou o bom e barato, esperando que o técnico Fábio Carille melhore o desempenho de algumas peças que hoje são apostas.

Enquanto isso, Fla e Palmeiras têm praticamente dois times para encarar o calendário rigoroso que terão pela frente.

A Guerra Fria durou até o fim dos anos 1980. A União Soviética foi incapaz de seguir investindo quando os Estados Unidos criaram o projeto Guerra nas Estrelas, um sistema de defesa sofisticadíssimo que envolvia o envio de equipamentos militares para o espaço. A Cortina de Ferro desabou, e o mundo mudou.

Palmeiras e Flamengo seguem na sua Guerra Fria futebolística. 

Será que vai chegar ao momento em que um deles vai ser incapaz de seguir investindo?

Fonte: Eduardo Tironi

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Que tipo de jogo Flamengo e Palmeiras podem oferecer ao torcedor?

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi

Felipão tem elenco para mostrar um futebol ousado
Felipão tem elenco para mostrar um futebol ousado Divulgação / Palmeiras

Flamengo e Palmeiras iniciam a temporada de 2019 como as principais forças do futebol brasileiro. Têm os melhores elencos, mais dinheiro em caixa e disputarão quase todas as mesmas competições.

Há algo mais em comum: os dois clubes terão no seu comando treinadores medalhões, com longa estrada na carreira.

As comparações sobre qual é o melhor time e quem terá mais sucesso na temporada já começaram, o que é absolutamente natural. Esta é a época do ano em que a confiança do torcedor ainda está intacta.

Mas que tipo de jogo Felipão e Abel Braga oferecerão ao torcedor? A história dos dois desencoraja qualquer esperança quanto a um futebol moderno ou ousado. Mais prudente esperar pelo jogo defensivo muito seguro, que pode, sim resultar em títulos.

A maioria dos torcedores do Palmeiras e do Flamengo está pouco preocupada com o tipo de jogo. O que interessa é levantar taças e não há nenhum problema nisso.

Mas a presença de elencos tão fartos e tão caros poderia despertar incômodo em Felipão e Abel de tentar produzir um futebol interessante. Os dois treinadores não têm uma das muletas mais utilizadas para justificar o jogo pragmático o tempo todo: a da falta de material humano.

Do meio para frente, o time que pode ser o titular do Flamengo, por exemplo, tem jogadores muito talentosos e com passagem pelo futebol europeu, exceto Arrascaeta que, por outro lado, é da Seleção do Uruguai.

O elenco do Palmeiras tem jogador que já disputou Copa do Mundo, além do melhor jogador do último Brasileiro. E um elenco muito forte e equilibrado.

Abel e Felipão nunca quiseram ser o que não são. Nunca posaram de grandes estrategistas, mas sempre entregaram taças pelos clubes que passaram. Seus estilos e formas de trabalhar podem muito bem dar a Flamengo e Palmeiras os títulos que os torcedores desses times querem.

Mas pelo material que têm em mãos e pela estrada que têm, os dois treinadores poderiam buscar um jogo mais elaborado. Há material para se fazer isso.

Fonte: Eduardo Tironi

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Que tipo de jogo Flamengo e Palmeiras podem oferecer ao torcedor?

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Vamos tomar um café?

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi
O presente que ganhei do João
O presente que ganhei do João Acervo pessoal


Outro dia iniciei um exercício. Escolhi um punhado de seguidores meus de Twitter e mandei mensagens diretas a eles convidando-os para um café. A regra para o convite era bem simples: sujeitos que normalmente me ofendiam na rede social por discordarem de mim.

Confesso que a ideia não foi original. Copiei de uma palestra que vi na internet de uma política estrangeira que no seu país é muito discriminada por ser descendente de imigrantes.

Pois bem, o resultado não foi dos melhores. Alguns convidados não só NÃO me responderam como me bloquearam, como seu eu fosse uma ameaça. Outros foram educados, ficaram surpresos, mas nunca estiveram disponíveis para o café: ou moravam longe ou tinham compromissos inadiáveis... Fato é que aguardo até hoje a possibilidade de encontrar pessoalmente esta gente, debater, trocar ideias, discordar sempre com elegância, olhar no olho e ver quem são elas, do que se alimentam, quais suas motivações. Será engrandecedor. Sigo tentando.

Esta semana chegou para mim na TV um pacote volumoso, vindo do correio. Peguei lá um estilete para rasgar o papel e ainda brinquei: é capaz de ser antraz. Risos sem graça.

Rasgado o papel, achei uma moldura grande de 35x48. Dentro dela, protegida por vidro, um recorte de jornal com a minha coluna de despedida do Diário LANCE!. Atrás do quadro, uma carta de João Batista Andrade Lopes.

Ele lamentava que a partir dali não poderia mais ler meus textos, me desejava boa sorte, sucesso e me enviava uma bênção de Nossa Senhora.

Aquilo deu muito trabalho. O João recortou uma folha do diário, mandou enquadrar, achou um endereço em que eu poderia estar, foi até o correio, pagou pelo envio sem não ter nem sequer a certeza de que chegaria ao destino.

Curioso um mundo em que para discordar é quase sempre necessário ser violento, além de ter apenas de apertar um botão e ter a certeza da distância. Curioso este mesmo mundo ser habitado por gente que ainda manda um objeto pelo correio só para desejar boa sorte.

Não quero viver numa bolha de elogios. Acho a crítica importante. Me ensina, me faz refletir, me faz voltar atrás, me faz reforçar convicções, me faz melhor.

Em 2019 quero mais pacotes grandes. Mas quero também ter a chance de tomar um café com alguém que não gosta de mim ou das minhas ideias. Quero mais debate com quem discorda, mas com a elegância do João Batista.

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Tempestade de desinformação na temporada de contratações

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi

Este texto abaixo foi escrito no dia 30 de janeiro de 2018 (portanto há quase um ano) em meu antigo blog no LANCENET!. Era sobre a temporada de contratações. Como permanece muito atual, reproduzo aqui. 


Quem seu time vai contratar?

Mano Menezes será o técnico do Palmeiras e Mina ficará no clube até o meio do ano. Cuca será treinador do Galo e Walter, goleiro do Corinthians, irá para o São Paulo. Já o zagueiro Gil irá para o Palmeiras, enquanto Nino Paraíba irá para o Morumbi. O Corinthians terá de volta Leandro Castán e Jô irá para o Napoli. Tinga trabalhará no Verdão enquanto Mano Menezes, que estaria no Palmeiras, irá mesmo é para a seleção do Paraguai. Kaká encerrará seu contrato nos Estados Unidos e voltará ao São Paulo. Miranda também retornará ao Tricolor. Cuca, que seria treinador do Galo, será na verdade do São Paulo, que também terá Pato de volta. Enquanto isso, Robinho irá para o Corinthians e Lucas Moura para o Cruzeiro. Abel será o treinador do Palmeiras. Ou melhor: Jair Ventura. E Ralf estará no São Paulo. Mas Reinaldo (Chape) acertará com o Corinthians. Felipão treinará alguma seleção que disputará a Copa do Mundo. E Cuca, que estaria no Galo e no São Paulo será, na verdade, treinador do Flamengo. Carleto irá para o Cruzeiro. E Pablo fechará com o Palmeiras, que também terá William (Chelsea). Gabigol sairá da Europa para jogar pelo Flamengo e Rafinha irá para o Palmeiras, que também contará com Deivid, do Vitória. Tevez será do Flamengo e Alejandro Silva do São Paulo. Pablo, que seria do Palmeiras, jogará na verdade no Mengão. Ricardo Oliveira será do Cruzeiro, Geromel do Palmeiras e Trellez do Corinthians. E Ricardo Goulart do Verdão. Mina irá para a Alemanha e Pratto irá para o Cruzeiro. Calleri será do Fla e Diego Souza do Vasco. Luan sairá do Galo para virar cruzmaltino também. Rildo no Bahia e Mena no Corinthians. Fred vai para o Fla e Fernando Torres para o Palmeiras. Ou melhor, para o Flamengo. Barcos no Botafogo. Robinho jogará pelo Vasco e Zeca pelo Fla. Vizeu será santista e Vagner Love voltará ao Timão ou para o Flamengo. Ganso sairá da Europa para retornar ao São Paulo.

Tudo isso que está escrito acima foi divulgado durante a janela de transferência que agitou o futebol brasileiro neste começo de ano. E, caro leitor, se você está acompanhando com atenção o mercado, sabe que nenhuma dessas contratações aconteceu.

A quem interessa a divulgação de uma possível acordo que no fim das contas não acontece? O leitor fica satisfeito apenas em saber que seu time sonha com um jogador? Quem certamente lucra são os empresários dos atletas, que raramente dão entrevistas em on, mas passam todo o período do mercado alimentando jornalistas de “informações” que, como se viu no começo deste texto, não acontecem. Quem certamente sai perdendo é o jornalismo esportivo.

Se a profissão vive tempos difíceis e desafiadores com a proliferação das fake news, que coloca a credibilidade em xeque, tudo isso obrigatoriamente se aplica ao jornalismo esportivo. Com o agravante de que a editoria de esportes já é bombardeada frequentemente por lidar com um tema que envolve paixão.

O jornalismo esportivo, antes de ser esportivo, é jornalismo. E o bom jornalismo tem como missão prioritária a busca da verdade. Tudo o que a profissão não precisa neste momento é de mais combustível que coloque em dúvida seu valor.

Fonte: Eduardo Tironi

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Ganso mexe com o imaginário do torcedor

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi
Ganso, no Amiens
Ganso, no Amiens Getty Images


Ganso quer voltar para o Brasil. Esta frase, que pipocou nesta terça-feira (11) em sites e TVs, provocou alvoroço no mercado do futebol brasileiro.

Giuseppe Dioguardi, empresário do jogador, botou mais lenha na fogueira acrescentando que um clube brasileiro já tem proposta pronta pelo meia. E ela seria suficientemente boa para que o Sevilla, dono dos seus direitos federativos, aceitasse o negócio.

O que se viu em seguida nas mídias sociais foi um embate feroz entre defensores e “inimigos” do futebol de Ganso.

Interessante como não há meio termo quando se fala deste jogador. Ou ele é visto como um craque raro, que o Brasil nem o mundo produzem mais, ou um inútil enganador. Para uns, ter uma pedra preciosa desta no time é sinônimo de mudança de patamar. Para melhor. Para outros, o meia elegante do Santos não tem mais espaço em um futebol físico, veloz e de poucos espaços como o que é praticado no planeta.


Em números, Ganso não vive bom momento há tempos. No Brasil, teve alguns lampejos no São Paulo antes de ir para o Sevilla com a moral de ser desejado por Sampaoli. Não foi bem e acabou no nanico Amiens, da França, emprestado nesta temporada. Lá, pouco fez: nesta temporada foram 13 jogos, seis como titular nenhum gol marcado. O time luta nas últimas posições do campeonato.

Um clipe de melhores momentos de Ganso é uma delícia de se ver. Passes milimétricos, um olhar preciso sobre todos os atalhos do campo, habilidade com os pés e muita elegância.

E a impressão de que o jogador enfeitiça quem o assiste, como se fosse capaz de reproduzir lances desta natureza durante 90 minutos de todo jogo. A verdade é que há partidas em que a bola nem chega muito até ele. E Ganso se torna um jogador muitas vezes apagado.

O mais impressionante é a capacidade que ele tem de mexer com a fantasia das pessoas. Não se fica indiferente a Ganso. Mais do que isso: muita gente acredita que ele ainda pode ser o jogador que sempre se imaginou que ele pudesse ser.

Fonte: Eduardo Tironi

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Curso da CBF x Futevôlei do Renato

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi


"Nada contra o curso, mas não vou abrir mão das minhas férias".

Foi dessa forma que Renato Gaúcho falou de suas prioridades para este fim de ano. Entre o curso de treinadores da CBF (agora obrigatório) e o futevôlei, não teve um segundo de dúvida.

Renato tem as suas razões, que explicou muito bem: passa o ano trabalhando e, merecidamente, quer desfrutar de seu tempo de lazer quando a temporada termina.

O treinador revelou um acordo com a entidade para “fazer” o curso do jeito dele e, assim mesmo, adquirir a permissão para treinar clubes da Série A. O combinado consiste em dar uma passada algumas horas em alguns dias durante o período do curso e tudo certo.

Sua atitude não deixa de ser desmoralizante para a CBF, que quer pintar um quadro de excelência em um ambiente bem longe disso. Acaba obrigada a ceder para que um dos principais treinadores do país mostre sua cara no seu curso de alguma forma.

O mico dá a chance de a entidade rever um ponto: o período presencial do curso. É realmente necessário que seja realizado no fim do ano, quando estão todos esgotados e precisando de descanso? Não seria mais interessante criar módulos presenciais espalhados ao longo do ano?

Outro ponto importante: o curso precisa ter resultados práticos aos olhos do torcedor. A médio prazo pelo menos, ele precisa ver times melhores treinados, ideias de jogo modernas e interessantes. O diploma não pode ser apenas uma obrigação, ele tem de melhorar o jogo. E isso não significa desprezo ao conhecimento, como está tão em moda no Brasil atualmente. Significa conhecimento que resulte em algo prático e positivo.

Hoje, Renato Gaúcho pode abrir mão de curso, curtir a praia e fazer do Grêmio um dos times no Brasil com proposta de jogo das mais interessantes. Por enquanto, ele pode falar que o bom aluno é avaliado pelos seus currículo. Foi o que ele disse na divertidíssima entrevista que deu na porta da CBF nesta quinta-feira.

Fonte: Eduardo Tironi

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O melhor é que a final da Libertadores nunca aconteça *

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi
Monumental de Nunez, local onde não ocorreu a final da Libertadores
Monumental de Nunez, local onde não ocorreu a final da Libertadores ESPN.com.br

A final da Libertadores de 2018 entre River Plate e Boca Juniors não deveria acontecer nunca mais. Seria a melhor solução. Não como punição a quem quer que seja, mas do ponto de vista do que ela poderá se transformar a partir de uma decisão como essa.

Uma final deste tamanho e que nunca aconteceu abre um leque de opções infinitas. Livros serão escritos, documentários serão filmados, todos os amantes do futebol terão uma história para contar sobre o jogo que não teve apito inicial.

O número de pessoas que no futuro vai declarar “eu estava lá no Monumental de Nunez!” aumentará exponencialmente, como no Maracanazzo ou no lendário primeiro treino do Maradona. Mentira, claro... mas até isso aumenta o mito em torno do jogo.

Se algo nunca aconteceu ele não é realidade. Assim, cada pessoa da face da Terra poderá escolher o desfecho que mais lhe convém, sua verdade particular. O torcedor do River vai acreditar que em casa seu time não deixaria escapar o título. O do Boca vai achar que depois do atentado ao ônibus os jogadores entrariam em campo como leões e nada os deteria. Brasileiro que tem birra de argentino vai ter certeza de que o jogo seria horrível e o europeu vai dizer que o fulano de tal arrebentaria e acabaria contratado por um clube milionário do seu continente.

Parece claro que realizar este jogo virou um estorvo. Os dirigentes sul-americanos são incapazes de resolver quando e onde ele poderá acontecer. Nada melhor do que fazer do limão uma limonada: não determinar um fim para esta história faz com que ela permaneça viva eternamente.

* Caro leitor, encare este texto com a ironia e a leveza que ele deve ser encarado.


Fonte: Eduardo Tironi

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A hegemonia do Palmeiras

Eduardo Tironi
Eduardo Tironi

Em 2008 o São Paulo terminou o ano campeão brasileiro pela terceira vez seguida. Ali, estava desenhada uma hegemonia: o Tricolor seria o Bayern de Munique tupiniquim e reinaria “soberano” nos nossos gramados.

Em 2012 o Corinthians foi campeão mundial e seu presidente decretou: em cinco anos o maior adversário do clube seria o Real Madrid.

Em 2013 o Flamengo conquistava a Copa do Brasil logo na chegada de uma administração que decidiu sanear o clube financeiramente. A previsão era a de que a partir de 2016 o Rubro-Negro dominaria o país.

Como você e eu sabemos bem, nada disso aconteceu. O São Paulo hoje vive uma fila de títulos e tem uma administração caótica no futebol, bem como fora dele. Teve até impeachment de presidente no meio do caminho.

O Corinthians está enterrado numa dívida enorme para pagar seu estádio. Verdade que nos últimos anos foi o maior papa-títulos do país. Mas não virou o Real Madrid e este ano lutou para não ser rebaixado.

O Flamengo de fato encolheu significativamente suas dívidas, aumentou seu poder de compra, mas os títulos não vieram. A atual administração ficou conhecida como a que transformou o Fla em um time que amarela nos momentos decisivos.

Domingo o Palmeiras faturou mais um título brasileiro. Desde 2015 são três títulos nacionais relevantes. Nas categorias de base, o Verdão tem conquistado muita coisa. O estádio é um sucesso absoluto, o patrocinador ajuda financeiramente e hoje o Verdão é o clube mais rico do país. Além de muito bem administrado.

Ninguém tem um elenco tão farto como o Palmeiras, que conseguiu disputar três competições importantes simultaneamente, brigar por todas e conquistar uma das mais difíceis (o Brasileiro disputado em pontos corridos).

A conversa agora é a de que a hegemonia verde está desenhada. Rico, com um estádio lindo e moderno, com um elenco estrelado, treinador vencedor, divisões de base azeitadas, ambiente político razoavelmente pacificado.

As chances de uma hegemonia nacional são boas. Mas é sempre bom aguardar porque os voos dos clubes brasileiros até hoje foram menores do que a previsão. Não se pode duvidar da capacidade de cartolas brasileiros destruirem coisas rapidamente.

Cabe ao Palmeiras quebrar esta rotina.

Fonte: Eduardo Tironi

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