A (ousada) opção de Bonucci: por que ele deixou a Juventus e escolheu o Milan?

Gian Oddi
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Bonucci muda de direção: da Juve para o Milan
Bonucci muda de direção: da Juve para o Milan Getty Images

Pep Guardiola já disse que, se pudesse, formaria um time com 11 Bonuccis. Exagero ou não do treinador espanhol, é fato incontestável que, hoje, aos 30 anos de idade, Leonardo Bonucci seria titular em qualquer time do planeta. Qualquer mesmo, pode simular.

Neste cenário, não deixa de ser curioso, embora compreensível pelos motivos que vêm a seguir, a escolha do zagueiro ao trocar a toda poderosa Juventus, atual hexa campeã italiana e vice-campeã europeia, pelo tradicionalíssimo, mas hoje combalido, Milan — que está fora, mais uma vez, da Champions League.

O motivo da saída de Bonucci não é segredo: a pouca sintonia com o técnico Massimiliano Allegri, que chegou a deixar o zagueiro nas tribunas, fora de uma partida de oitavas-de-final da última Champions League contra o Porto, como punição por uma ríspida discussão entre eles.

O peso que teve em sua decisão o bate-boca com seu amigo Barzagli e, sobretudo, a duríssima bronca (segundo relatos do diário La Stampa seguida até mesmo de contato físico) em Dybala, durante o intervalo da final europeia contra o Real Madrid, não saberemos até que Bonucci se manifeste — e talvez continuemos sem saber mesmo que ele o faça.

Fato é que Bonucci queria deixar a Juventus. Um clube que tem feito questão de propagar que, em Turim, jogadores insatisfeitos, até mesmo os melhores, não permanecem: quem quiser sair que saia. Algo que se comprovou na liberação, sem maiores empecilhos, do brasileiro Daniel Alves.

Bonucci: capa de todos diários esportivos na Itália
Bonucci: capa de todos diários esportivos na Itália reprodução

Explicada a saída, fica a pergunta: por que o Milan?

Guardiola adoraria recebê-lo em Manchester, e certamente Mourinho não pensa muito diferente. Antonio Conte, que Bonucci já rotulou como “o homem que fez eu me tornar quem sou”, idem. Real Madrid, Barcelona, Bayern... não há time abastado neste planeta que não gostaria de tê-lo entre seus 11.

Segundo relatos de pessoas próximas ao jogador reportados pela imprensa italiana, contudo, Bonucci simplesmente não queria deixar a Itália.

Eu admito ser suspeito quanto à pré-disposição para compreender as razões de Bonucci não querer trocar a Itália para viver em Manchester e mudar o patamar, entre outras coisas (mais ou menos relevantes que isso), de suas refeições.  ; )

Do ponto de vista esportivo, porém, sua escolha é ousada e desafiadora.

Ele chega a um Milan renovado e, agora, novo rico graças aos investimentos chineses. Um clube que acabou de investir mais de 125 milhões de euros em jogadores jovens (a maioria realmente bons e promissores), mas que agora gasta 40 milhões em (fato raro) um zagueiro capaz de mudar seu patamar de disputa — por qualidade técnica, respeito e espírito de liderança.

Leonardo Bonucci chega ao Milan com a intenção e a missão de ser o capitão e líder de uma reviravolta na história do clube. Chega para despertar o gigante adormecido há seis anos.

Bonucci virou, acima de tudo, um símbolo da mudança.

Resta saber se conseguirá fazê-la.

Fonte: Gian Oddi

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O pior do futebol. E de nós

Gian Oddi
Gian Oddi


E lá se vão mais de dois meses desde que o Brasil começou, ainda que aos trancos e barrancos, entre reiterados surtos de negacionismo, a suspensão de aulas e atividades de serviços e comércios não essenciais para tentar conter a propagação da Covid-19.

Também já se passaram mais de dois meses desde que foram disputadas as últimas partidas de futebol em campeonatos oficiais pelo país.

Se havia, porém, alguma esperança de que essa interrupção forçada em meio a um período tão triste da nossa história pudesse trazer aos protagonistas do nosso futebol qualquer tipo de reflexão capaz de alterar seus padrões de comportamento, essa esperança já era.

Basta constatar, ao consultar qualquer canal com o noticiário relacionado ao futebol brasileiro nos últimos 70 dias, que, com raras exceções, o período da pandemia só serviu para escancarar nossas inúmeras mazelas:

> escancarou a intenção de certos clubes e o caráter de certos dirigentes cujos interesses econômicos se colocam acima de absolutamente tudo, incluindo vidas humanas;

> escancarou as dívidas daqueles que, por ficarem um único mês sem receitas de torcida ou TV, já não tinham recursos para pagar suas dívidas, salários de funcionários ou até contas mais básicas como luz e água;

> escancarou a velha tática de certos cartolas que, sem um centavo no banco, devendo para Deus e o mundo, apostam em contratações surreais para tentar ocultar (e na prática agravar) a crise;

> escancarou o modus operandi dos que se aproveitam de qualquer brecha, ainda que às custas de mais de 22 mil mortes, para estreitar laços com políticos visando, é claro, benefícios adiante;

> escancarou a alienação e a ignorância da maioria dos jogadores de primeiro nível do futebol brasileiro, que, mesmo com recursos mais que suficientes para deixar essas condições para trás, não mostra a mínima intenção de fazê-lo;

> escancarou a falta de união e posicionamento dos treinadores que, supostamente mais preparados para se posicionar contra o absurdo proposto por alguns dirigentes, preferem silenciar;

> escancarou todos os “torcedores de cartolas” do Brasil que, cegados pelo suposto “amor ao clube”, são incapazes de ver o quanto dirigentes de futebol podem causar danos em seus próprios clubes e torcedores;

> escancarou a dependência e subserviência da CBF em relação às federações estaduais e seus campeonatos, cujos cancelamentos ou pelo menos adaptações para 2021 não são nem sequer cogitados como opção para resolver a questão do calendário;

> escancarou também parte da imprensa esportiva, que, com menos material sobre o qual trabalhar, apela para não-notícias na tentativa de manter uma relevância ou audiência que, nessas condições, é impossível manter.

Mais de dois meses já se foram desde que passamos a ser bombardeados com propagandas de todo tipo de produto, de margarinas a bancos, nos garantindo, através da voz mansa de serenos locutores, que “tudo isso vai passar”.

É só uma meia verdade.

O vírus vai passar. O resto, pelo menos no futebol, seguirá como sempre. 

 
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Fonte: Gian Oddi

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Por que o título do Leicester é o maior feito da história do futebol mundial

Gian Oddi
Gian Oddi

| Leicester campeão: bicicleta, assistência com rolinho e muito mais no Top10 golaços do título |

É preciso admitir: por motivos que podemos discutir outro dia, volta e meia o jornalismo esportivo abusa de termos como "épico", "histórico" ou "incrível" para adjetivar feitos que, se não são corriqueiros, vão só um pouco além do habitual. Um jogo contra um time medíocre da Bolívia ou do Peru logo vira "épico", uma virada num modorrento campeonato estadual torna-se "histórica" ou "heroica", e por aí vai...

Getty
Ranieri abraça Vardy: parceria entre técnico e elenco foi harmoniosa do início ao fim
Ranieri abraça Vardy: os dois nomes que melhor simbolizam o absurdo da conquista

Então, antes de continuar, é bom deixar claro que não acredito estar incorrendo nesse tipo de banalização ao classificar o título inglês conquistado há exatos 4 anos pelo pequeno Leicester. Um time de uma cidade com 340 mil habitantes que, no início do campeonato, com o quarto elenco menos valioso do torneio — à frente apenas dos que vieram da segunda divisão —, era candidatíssimo a cair. Cujo artilheiro, então com 29 anos, aos 23 anos ainda jogava na 7ª divisão. E com um simpático técnico que, mesmo renomado, só aos então 64, vencue seu primeiro campeonato nacional.

Estes são apenas alguns entre os tantos ingredientes que fazem com que as palavras "histórico", "épico" e "heroico" sejam adjetivos até modestos para classificar o que fez o Leicester na temporada 2015-16. Porque a conquista foi — e agora vai parecer exagero — o maior feito da história do futebol mundial.

Justifico a seguir. Porque o título do Leicester, entre as raras histórias similares ocorridas em toda a história, é a única a ter em comum os três pontos abaixo.

1) Foi nos pontos corridos.
Esqueça a discussão sobre a "melhor" fórmula de disputa. Existe uma premissa que nem sequer gera debate: a de que, diante da imprevisibilidade do mata-mata, as chances do mais fraco, do azarão, do time menos técnico e menos rico tornam-se bem maiores do que numa disputa por pontos corridos, onde a regularidade (neste caso durante 38 rodadas) é fator determinante para que se chegue ao troféu. Portanto, se você pensou na Grécia campeã da Euro 2004 ou em qualquer outra bizarrice do gênero para "rivalizar" com a conquista do Leicester, já está explicado o descarte feito nesta comparação.

2) É o triunfo de um favorito ao rebaixamento.
Ok, se a gente fuçar a história dos campeonatos por pontos corridos pelo planeta certamente acharemos muitas conquistas de times que não eram apontados como favoritos ao título. Isso é uma coisa. Outra coisa, bem diferente, será encontrar, entre estes campeões, aqueles que eram apontados como favoritos ao rebaixamento no início da temporada. Times cuja chance de ser campeão fossem iguais as de, como mostravam as apostas no caso do Leicester, alguém provar que Elvis Presley está vivo ou que o monstro do lago Ness existe e está à espera de um turista mais atento para sair em sua próxima selfie.

3) Ocorreu contra gigantes milionários donos de seleções mundiais.
Não sabemos, mas podemos até admitir que num campeonato do Congo, da Armênia, da Finlândia ou do Paquistão (será que por pontos corridos?) um time inicialmente favorito ao rebaixamento tenha conquistado o título. Pode ser. Agora, ainda que isso tenha ocorrido, o nivelamento (por baixo) e a (pouca) qualidade dos adversários terá colaborado para a surpresa. Ou alguém acha que em algumas destas ligas o azarão da vez terá superado os bilhões de chelseas, cities e uniteds e derrotado nomes como rooneys, mourinhos e agueros? A força dos rivais é um dos principais pontos a engrandecer o feito do Leicester.

Mesmo considerando os três quesitos acima, não deixa de ser tentador comparar a conquista do time de Claudio Ranieri com outros campeões épicos (de verdade), certo? Então vamos lá.

Getty
Derby County - campeão inglês em 1972
Derby County - campeão inglês em 1972


Derby County
(Inglaterra, 1972)
Embora tenha subido à primeira divisão em 1969, o surpreendente time de Brian Clough ficou na parte de cima da tabela, especificamente no 9º lugar, na temporada anterior à conquista. Portanto, embora não fosse um "candidato ao título" em 1972, também não era nem de longe favorito a cair — como foi o Leicester nesta temporada.

Getty
Nottingham Forest - campeão inglês em 1978
Nottingham Forest - campeão inglês em 1978


Nottingham Forest
(Inglaterra, 1978)
Outro time de Clough, talvez seja o maior rival ao feito do Leicester. Não pelo posterior bicampeonato europeu (no mata-mata), mas por ter sido o título de um time vindo da segunda divisão e, portanto, também candidato a cair. A diferença: numa época em que a Inglaterra não contava com a grana de bilionários estrangeiros e na qual as ligas nacionais praticamente não tinham jogadores de outros países, o time não combatia contra quatro ou cinco seleções intercontinentais como fez a equipe de Ranieri. 

Hellas Verona/Divulgação
Hellas Verona - campeão italiano em 1985
Hellas Verona - campeão italiano em 1985


Verona (Itália, 1985)

Já neste caso o poderio dos rivais até pode ser comparado: naquele ano, cada time italiano passou a poder contar com dois jogadores estrangeiros e por isso, para chegar à incrível conquista, o modesto Verona superou nada menos que o Napoli de Maradona, a Juventus de Platini, a Roma de Falcão, a Udinese de Zico... O Verona, porém, não era um candidato ao rebaixamento como o Leicester: no ano anterior tinha sido o 6º colocado e, uma temporada antes, chegara a obter uma vaga na Copa da Uefa.

Getty
Blackburn Rovers - campeão inglês em 1995
Blackburn Rovers - campeão inglês em 1995


Blackburn (Inglaterra, 1995)

Como Mauro Cezar Pereira já explicou detalhadamente em seu blog (clique aqui se quiser saber mais a respeito), "os Rovers tiveram forte investimento na época e vinham ensaiando a conquista do título há dois anos". O efeito surpresa, dessa forma, não se compara com o que aconteceu neste ano na Inglaterra. 

Getty
Kaiserslautern - campeão alemão em 1998
Kaiserslautern - campeão alemão em 1998



Kaiserslautern
(Alemanha, 1998)
Assim como o caso do Forest, o time chegara da 2ª divisão, era candidato a cair e foi campeão. Também aqui, porém, o nível dos rivais não pode ser comparado com os times milionários que o Leicester pegou. Além disso, o Kaiserslautern é um time tradicional e que já havia conquistado o título nacional três vezes antes de 1998.


Convencido? Chegue-se ou não à conclusão de que o feito do Leicester naquela temporada foi o mais incrível e inesperado da história do futebol mundial, uma coisa é certeza: os termos "histórico, épico e heroico", neste caso, podem ser usados sem moderação.

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Como um zagueiro com apenas três jogos virou o grande exemplo do futebol nesta terrível temporada

Gian Oddi
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Giorgio Chiellini, 35 anos: capitão da Juventus e da seleção italiana
Giorgio Chiellini, 35 anos: capitão da Juventus e da seleção italiana divulgação

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Há dois dias, questionado sobre as consequências da pandemia do COVID-19 no futebol, o renomado técnico italiano Carlo Ancelotti afirmou em contundente entrevista ao jornal Corriere dello Sport: “Será um futebol mais verdadeiro. Quando tudo isso acabar haverá um redimensionamento geral: técnicos e jogadores ganharão a metade, o preço dos ingressos vai cair, as TVs pagarão menos e talvez seja tudo melhor”.

Para muitos, utopia. Para outros, exagero. Entretanto, passaram apenas algumas horas após a publicação da entrevista de Ancelotti para que chegasse, também da Itália, uma notícia surpreendente: a Juventus de Turim, clube mais poderoso do país e um dos maiores do mundo, conseguira convencer seus jogadores a abrir mão de receber nesta temporada os salários dos meses de março, abril, maio e junho.

Aqui é bom explicar, não significa que a Juventus deixará de arcar com os cerca de 90 milhões que significam a soma desses quatro meses de vencimentos: 62,5% desse total ainda será pago, mas só na próxima temporada – o que ajuda o clube a evitar não apenas um déficit considerável, mas também, se não houver mudança nas regras (algo improvável), problemas com o Fair Play Financeiro da Uefa.

Como a Juventus conseguiu uma façanha do gênero? Como convenceu jogadores a abrirem mão de boa parte dos salários a que tinham direito é uma pergunta que não apenas torcedores, mas certamente muitos dirigentes de diversos clubes pelo mundo devem estar se fazendo neste momento. A resposta tem nome e sobrenome: Giorgio Chiellini.

Chiellini fez mestrado em Administração com uma tese envolvendo a Juventus
Chiellini fez mestrado em Administração com uma tese envolvendo a Juventus Divulgação

O zagueiro e capitão da Juventus e da seleção italiana, hoje com 35 anos de idade, não é uma figura comum no meio do futebol. Além da indiscutível qualidade técnica e liderança (com enorme simpatia), Chiellini formou-se em Economia e Comércio pela Universidade de Turim em 2010, recebendo a nota 109 para um máximo de 110. Não satisfeito, tornou-se mestre em Administração de Empresas, curso concluído em 2017 – desta vez, porém, com a nota máxima possível.   

Foi essa figura com atributos improváveis o responsável pela articulação de redução salarial na Juventus. Devido à confiança e ao prestígio que tem entre os colegas, suas argumentações técnicas e embasadas não soaram falsas ou patronais e foram vistas como explicações lógicas a respeito de uma mudança necessária não só para a Juventus, mas, como disse Ancelotti, para o universo do futebol.

Relata a imprensa italiana que Chiellini falou diretamente com seus companheiros de time, iniciando os contatos com os chamados “senadores”, os mais experientes do elenco, como Buffon, Bonucci, Khedira e, claro, Cristiano Ronaldo – cuja redução de vencimentos para esta temporada ficará em pouco mais de 10 milhões de euros. A partir daí, seguiu explicando para os demais, caso a caso, porque o esforço se fazia necessário.

E foi assim que o respeitado zagueiro com apenas três jogos e um gol no atual Campeonato Italiano, vítima de um rompimento de ligamento em agosto de 2019, tornou-se o grande nome da Juventus (e não só) nesta temporada. Chiellini mostrou que com honestidade, respeito, confiança e bons argumentos técnicos é possível, sim, começar a transformar o futebol mundial a partir da crise do coronavírus.  

Não se trata, evidentemente, de afirmar que a conta tenha que ser paga pelos jogadores. Eles são só uma parte de toda a engrenagem e, claro, uma ínfima parcela recebe salários como os que recebem os jogadores da Juve: para se ter uma ideia, só na Itália, os 90 milhões de euros que o clube poupará na temporada seriam suficientes para quitar o ano todo dos salários de 16 entre os 20 times da Série A.

O exemplo, portanto, não é apenas – e talvez seja menos – para os jogadores de futebol do planeta. “O exemplo da Juventus é um exemplo para todo o sistema do futebol”, afirmou o presidente da Federação Italiana, Gabriele Gravina, ao saber do feito de Giorgio Chiellini.

De fato, o exemplo está aí. Mas seria mais fácil aplicá-lo se tivéssemos mais Chiellinis no tal “sistema do futebol”.

 
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Que a ótima entrevista do presidente da Fifa saia do papel. E vire exemplo no Brasil

Gian Oddi
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Gianni Infantino, presidente da Fifa
Gianni Infantino, presidente da Fifa ADRIAN DENNIS/AFP/Getty Images

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Na edição desta segunda-feira do diário esportivo italiano La Gazzetta dello Sport, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, concedeu uma entrevista exemplar a respeito do impacto do coronavírus no futebol. Se o teor das palavras sairá do papel ainda é cedo para dizer – e desconfiar dos dirigentes da entidade é essencial.

Contudo, ainda que suas respostas contenham nas entrelinhas uma série de exaltações do próprio trabalho e da importância de sua entidade (modus operandi de todo político), do ponto de vista prático as palavras do dirigente são exemplares especialmente por três pontos, que reproduzo abaixo:

1) Graças à nossa solida situação financeira podemos propor medidas de solidariedade. Doamos 10 milhões de dólares para a OMS (Organização Mundial da Saúde). Instituímos um fundo global de assistência ao futebol. Graças aos últimos quatro anos, a Fifa desfruta de uma ótima saúde e de bons recursos. As reservas são para situações de crises da Fifa, mas está é uma crise do futebol mundial. E me parece óbvio que deveremos fazer de tudo."

É evidente, neste ponto, que o exemplo precisa ser seguido, ainda que em proporções diferentes, pelas federações estaduais do futebol brasileiro e também pela CBF, cuja receita recorde em 2019 atingiu quase 1 bilhão de reais, segundo a própria entidade. O prejuízo para os já devedores clubes de futebol brasileiro com a crise atual será enorme, mas que o socorro venha do futebol, especialmente das federações que muito faturam e pouco oferecem. Porque o contribuinte brasileiro, mesmo aquele apaixonado por futebol, certamente está cansado de bancar a incompetência dos gestores de clubes.   

2) “Primeiro, a saúde. Depois o resto. Para os dirigentes, significa esperar o melhor, mas também se preparar para o pior. Sem pânico, sejamos claro: só voltaremos a jogar quando isso puder ser feito sem colocar em risco a saúde de ninguém. Que as federações e ligas estejam prontas para seguir as recomendações dos governos e da OMS .”

Num país em que a relutância para interromper jogos de futebol seguiu até os 45 do 2º tempo, o recado é essencial. Os limites da irresponsabilidade já foram atingidos por nossos dirigentes e políticos. Entre tantos exemplos, tivemos um GreNal com portões abertos quando o tamanho da crise era evidente, tivemos o Palmeiras jogando com público no interior de São Paulo quando na capital a torcida já era vetada. Tivemos o Flamengo entrando em campo pelo estadual mesmo após seus jogadores e comissão técnica terem tido contato com um dirigente infectado. Os absurdos que (não) poderíamos cometer já foram cometidos. E se a possibilidade de voltar a jogar futebol no Brasil ocorrer apenas em agosto ou setembro? Que estejamos prontos para tudo. Inclusive, por mais duro que seja, para não jogar mais em 2020.

3) “Em breve decidiremos se vamos jogar a primeira edição [do novo Mundial de Clubes] em 2021, 2022 ou no máximo em 2023... Mas vamos olhar para a oportunidade. Poderemos talvez reformar o futebol dando um passo atrás, com outros formatos, menos campeonatos – mas mais interessantes. Menos jogos para proteger a saúde dos jogadores. Talvez menos times, mas com mais equilíbrio. Vamos quantificar os danos e veremos como cobri-los, fazendo sacrifícios.”

Aqui é preciso tomar cuidado: do ponto de vista teórico, utilizar essa pausa forçada para reflexão e para entender, entre tantas coisas, o quanto o calendário atual do futebol eventualmente prejudica a modalidade é uma atitude nobre e necessária. Se assim for, ótimo. Menos nobre seria aproveitar-se de uma crise mundial para impor mudanças baseadas em interesses existentes antes mesmo da interrupção do futebol. No Brasil, contudo, não há dúvidas que utilizar o momento atual para repensar o absurdo calendário com jogos em datas Fifa e estaduais tão longos acabaria por trazer um benefício imensurável ao nosso futebol. Que assim seja. 


 
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Fonte: Gian Oddi

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Um pacato cidadão. Até na prisão

Gian Oddi
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Ronaldinho Gaúcho é um tipo pacífico. Sempre sorridente, com aquela simpatia meio abobalhada, sua inquestionável preguiça como jogador despertou no máximo lamentações dos apaixonados por futebol. Afinal, que direito ele tinha de nos privar do espetáculo que poderia ter oferecido por tantos anos dentro dos campos?

A semelhança com Neymar, ainda que por motivos diferentes, se encerra nessa privação. Ronaldinho nunca foi raivoso, nunca despertou ódio, nunca correu para o microfone na menor e mais irrelevante oportunidade que tivesse para dar respostas a quem quer que fosse. Até porque nunca pareceu se incomodar com as críticas, justas ou injustas.

Se porventura fosse questionado sobre seu modo de vida, o bon vivant de sorriso fácil respondia com certo desinteresse, uma displicência genuína de quem realmente não se importava, de quem (até então) não estava cometendo crime algum, apenas exercendo seu direito de curtir a vida, ainda que para isso abrisse mão de certa relevância como jogador.    

Ronaldinho usou sua absurda qualidade em campo com um só objetivo: criar as condições, financeiras mas não só, para saciar suas metas e desejos pessoais. O jogador Ronaldinho Gaúcho, o Ronaldinho PJ, nunca teve grandes ambições esportivas, nunca foi um obcecado por recordes como Messi e Cristiano, e esteve sempre a serviço de sua pessoa física, Ronaldo de Assis Moreira, e de seu irmão, Roberto de Assis Moreira.  

Esse último, nove anos a mais que o craque, assumiu funções paternas em relação ao irmão desde a trágica morte do pai, por afogamento, quando Ronaldinho não tinha completado nem 10 anos de idade. Foi um fato que, além do óbvio trauma do ponto de vista pessoal, condicionou também o destino profissional – para o bem e para o mal – de Ronaldinho.

Ronaldinho e Assis caminham juntos no Paraguai, ambos algemados
Ronaldinho e Assis caminham juntos no Paraguai, ambos algemados Getty Images

Há tempos quem segue a história de ambos tem a impressão de que Assis poderia ter feito o que bem quisesse da carreira de Ronaldinho, tamanha a letargia, submissão e falta de personalidade (talvez também de inteligência) do irmão mais novo. Entre as hipóteses acima talvez estivesse, por que não, a de tê-lo feito jogar em alto nível até duas ou três temporadas atrás, quando Ronaldinho tinha 36 anos (só um a mais que Cristiano Ronaldo hoje).

Em 2016, ao entrevistar Assis para o Bola da Vez na ESPN Brasil, deixei a gravação do programa com a sensação de que nunca na história do futebol alguém concedera, de forma tão aberta, declarada e consciente, uma entrevista para falar em nome de outro – um outro tão relevante. Na ocasião, não estávamos entrevistando Assis, mas o Alter ego de Ronaldinho Gaúcho – e todos já sabiam que assim seria, antes mesmo do início da entrevista.

Não se trata aqui de amenizar as responsabilidades de Ronaldinho Gaúcho, um adulto de quase 40 anos, por todos os imbróglios nos quais se envolveu após o fim de sua carreira como jogador. Até porque, ainda durante seu período como atleta, pela maneira como Assis conduziu muitas de suas transferências, Ronaldinho já recebera indicações suficientes de que segui-lo cegamente não fazia sentido.

Mas ele continuou seguindo. E foi após encerrar a carreira que as consequências passaram a ser mais sérias do que a insatisfação de clubes, dirigentes ou torcedores. Ronaldinho virou réu de uma ação civil coletiva por emprestar sua imagem a uma empresa suspeita, foi multado por dano ambiental, teve seu passaporte apreendido, imóveis bloqueados e agora está preso no Paraguai por utilização de passaporte falso. É triste.

Na história do futebol, Ronaldinho marcou seu nome como jogador campeão mundial pela seleção, campeão de Champions e Libertadores, bicampeão espanhol e campeão italiano, um cara eleito duas vezes melhor jogador do mundo no prêmio da Fifa. Não é pouco.

Ronaldinho, contudo, também poderá ser lembrado como um dos melhores exemplos sobre o quanto, no futebol, atingir o auge, e aqui a referência é ao auge pessoal, tem menos a ver com a qualidade, que está ali sempre pronta para ser lapidada e utilizada, e mais a ver com aspectos psicológicos, sociais e comportamentais.

Ronaldinho sempre passou a impressão de que a relevante relação de conquistas acima era pouco para ele. Era algo ainda longe do seu potencial máximo. E hoje, diante de tudo que está vivendo, é difícil não fazer o exercício para tentar imaginar qual teria sido seu tamanho se ele tivesse sido bem assessorado, auxiliado. Se tivesse escutado pessoas indicando outros caminhos que não apenas o do dinheiro – o qual, diga-se, ele receberia sempre, e justamente, de maneira generosa.

Até pela personalidade tranquila, por saber acatar (ou não saber contestar?), por evitar conflitos, talvez Ronaldinho tivesse seguido outros conselhos como seguiu os do irmão. E nesse caso, qual tamanho teria hoje? Onde estaria?  

Certamente não seria dando autógrafos, mesmo que sorridente, num presídio paraguaio.


 
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Fonte: Gian Oddi

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Parece estranho, mas precisamos ouvir Dudamel

Gian Oddi
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Não tem nada a ver com a avaliação do início de trabalho do novo treinador do Atlético, Rafael Dudamel. Não se trata de julgar as aptidões técnicas que tem ou não o volante Zé Welison, cujo nome pouco ou nada dirá à maior parte dos torcedores de futebol fora de Minas Gerais.

O trecho da entrevista do treinador venezuelano (vídeo acima) após a derrota do Atlético para a Caldense pelo pouco relevante Campeonato Mineiro, porém, precisa ser visto por mais gente, e não é para avaliação deste caso específico.

“Estou triste pelo Zé, me dói pelo que aconteceu. Hoje, lamentavelmente, ele viveu uma situação do futebol. Mas o apontam como se ele tivesse matado ou roubado alguém. É uma partida de futebol, não podemos condenar a pessoa, o ser humano. Ele quer entrar para jogar e ganhar. Quer defender os interesses de seu time, de seus companheiros, de sua família. E condenamos um jogador de futebol, um ser humano, como se fosse um ladrão. Não estou de acordo”, disse o treinador.

Condenações e ataques desmedidos a profissionais por causa de futebol não são novidade e tampouco são exclusividade brasileira. O tratamento desumano, muitas vezes, inclui a abordagem da própria imprensa, que só joga combustível na máquina de odiar em que se transformou nossa sociedade.

Chama atenção, porém, que seja um técnico estrangeiro a se espantar e a se revoltar com a reação de uma torcida a um erro técnico ou a uma série de más atuações de um jogador de futebol. Não é exclusividade do Atlético e não se trata do “caso de Zé Welison”: é o modus operandi do nosso futebol.

Dudamel, que chegou ao Brasil no início do ano, já é contestado
Dudamel, que chegou ao Brasil no início do ano, já é contestado EFE

Menos relevantes são as vaias, aceitáveis embora raramente produtivas. O problema é o pacote que que vai da mais torpe ira das redes sociais, passa por muita coisa e chega a agressivas abordagens pessoais a jogadores e seus familiares. A violência passou a fazer parte da rotina do nosso futebol e vai se integrando a ele como um aspecto lamentável, porém normal, rotineiro.

O hoje badalado Jorge Jesus, embora em tom mais ameno, deu indicações de pensar muito parecido com Dudamel quando, logo no início de seu trabalho pelo Flamengo, se manifestou sobre a maneira como os rubro-negros se comportavam em relação ao (hoje indiscutível) volante Willian Arão.

No episódio deste fim de semana, contudo, a frase foi dita por um técnico ainda pouco expressivo e de início contestável no futebol brasileiro, o que certamente será usado como contra-argumento para rebater suas declarações. Não deveria ser assim. Deveríamos, pelo contrário, agradecer Dudamel por nos alertar sobre aquilo que não pode, jamais, ser normalizado.

 
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Fonte: Gian Oddi

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A incontinência verbal de Luxemburgo, seus motivos e consequências

Gian Oddi
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Luxemburgo compara movimentação de Luiz Adriano com Evair

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Vanderlei Luxemburgo até que faz um bom início de trabalho com o Palmeiras em 2020. Não por contar com a maior pontuação entre os grandes clubes do Paulista, mas pelo fato de usar a fase inicial do Estadual como ela deve ser usada: para lançar jovens, fazer testes e chegar a conclusões que serão úteis quando a temporada começar para valer.

Os tais testes têm sido bem feitos e, mais importante, vingando ou não, Luxemburgo tem explicado bem as experiências e mudanças que tem feito. Tem falado dos jogos, do que ocorre em campo. Basta, por exemplo, buscar suas recentes entrevistas sobre os posicionamentos de Luiz Adriano, Zé Rafael, William e Felipe Melo para constatar.

Se tem falado bem sobre as qualidades e defeitos do seu time, se tem um bom elenco em mãos, se conta com uma estrutura que há tempos não contava para tentar se recolocar como um dos principais técnicos do país (algo que ele não é há mais de uma década), é difícil compreender os motivos de sua verborragia a respeito de temas que fogem do seu trabalho atual.

Toda vez que abre a boca para discutir o indiscutível, como tirar os méritos do excelente trabalho de Jorge Sampaoli pelo Santos, afirmar que o futebol de hoje é igualzinho ao de duas décadas atrás ou equiparar o nível do Campeonato Brasileiro com o da Champions League, Luxemburgo reforça a ideia de técnico ultrapassado que ele certamente pretende eliminar.

Vanderlei Luxemburgo durante treino do Palmeiras
Vanderlei Luxemburgo durante treino do Palmeiras Cesar Greco/Ag Palmeiras

É curioso porque todas essas declarações descabidas, entre outras, parecem ter uma única intenção: exaltar seu passado, seus feitos que já não carecem de exaltação e reconhecimento. O passado de Vanderlei Luxemburgo como técnico é brilhante e está ali, imutável. Ninguém poderá lhe tirar essas conquistas.

Se quer olhar para o futuro, Vanderlei Luxemburgo deveria se preocupar apenas com o presente.


 

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A incontinência verbal de Luxemburgo, seus motivos e consequências

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Isolada por torcida, diretoria do Flamengo terá que mudar postura asquerosa

Gian Oddi
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Muro próximo ao Maracanã é pintado em homenagem aos mortos em tragédia no Ninho
Muro próximo ao Maracanã é pintado em homenagem aos mortos em tragédia no Ninho Gazeta Press

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Tem sido recorrente. A cada semana um novo episódio de insensibilidade, de frieza, de descaso. A maneira como a direção do Flamengo tem lidado com os parentes das vítimas do incêndio no Ninho do Urubu há um ano beira o inacreditável.

E não se trata de discutir valores das indenizações, ainda que algumas das alegadas recusas do clube neste aspecto também chamem atenção diante de seu faturamento e das cifras gastas com contratações de atletas.

Que os gestores de planilha se apeguem apenas a critérios técnicos, burocráticos e jurídicos para conduzir toda e qualquer decisão a respeito de como se comportar em relação a este episódio não surpreende. Assim são os gestores de planilhas. Surpreende, contudo, que não percebam o prejuízo que causam à imagem do clube – e por consequência às suas estimadas planilhas – com cada infeliz decisão tomada.

Fugir de entrevistas e CPIs, por um lado, escancara o quanto Rodolfo Landim e companhia não parecem convictos de estar fazendo o máximo que podem para minimizar a dor daqueles que perderam seus filhos e irmãos. Quem tem certeza que está fazendo o melhor, que está fazendo o correto, não tem medo de perguntas.

Os dirigentes flamenguistas claramente não têm essa certeza e, mais deplorável que isso, parecem crer que quanto menos o assunto for abordado maior será a chance de ser esquecido.

Muro próximo ao Maracanã é pintado em homenagem aos 'Garotos do Ninho'
Muro próximo ao Maracanã é pintado em homenagem aos 'Garotos do Ninho' Gazeta Press

Por outro lado, por mais insensíveis que possam ser os homens que hoje comandam o Flamengo, impressiona como é possível um departamento de comunicação profissional não alertar os insensíveis que não tem cabimento fazer uma missa em homenagem às vítimas e não convidar seus parentes, que não é possível fechar as portas do clube para eles, que dispensar os sobreviventes do incêndio é muito feio e que  não dá para começar um vídeo institucional gravado supostamente parar esclarecer questões sobre o tema com a repugnante questão “já é um assunto superado?”.

Quem se superou foram os dirigentes rubro-negros, que demonstram, para tratar de questões humanas, uma aptidão inversamente proporcional àquela que demonstraram no futebol profissional.

A inaptidão foi tamanha que eles estão, enfim, completamente isolados. A manifestação das mais importantes torcidas organizadas do Flamengo escancara isso ao afirmar “não podemos mais nos calar diante de tamanho descaso”. É uma manifestação necessária, essencial e possivelmente será um marco para que a direção rubro-negra perceba o absurdo das decisões que tem tomado.

Porque se você recebe críticas constantes da imprensa, mas tem o apoio de quase 40 milhões de torcedores amplificados pelas redes sociais, maior as chances de acreditar naquilo que deseja acreditar. Quando, porém, você está absolutamente sozinho, não enxergar o óbvio seria de uma teimosia e burrice assombrosas.

Que a torcida do Flamengo mantenha e até amplifique essa postura exemplar, quem sabe com uma salva de aplausos, aos 10 minutos de todos os jogos do time, para homenagear os 10 garotos mortos. Seria uma forma de lembrar aos dirigentes rubro-negros que, por mais que eles desejassem o contrário, essa tragédia jamais será esquecida.

 

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A expulsão de Janderson poderia não ser absurda. Em outro contexto

Gian Oddi
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É compreensível a irritação de qualquer um que goste de futebol ao ver um jogador ser expulso de campo por abraçar seus torcedores na comemoração de um gol, como ocorreu com o corintiano Janderson no último domingo, durante o clássico contra o Santos.

Tão simples quanto criticar a decisão de mostrar o cartão é compreender que, uma vez orientado a tomar tal atitude, não resta ao árbitro outra decisão – a não ser que achemos que o mesmo deva se comportar como um mártir, arriscando sua presença na escala das rodadas seguintes por não aplicar um cartão que considera injusto, mas que ele é orientado por seus chefes a mostrar.

A questão toda está justamente aí, no motivo dessa orientação. Ela faz sentido num caso como o clássico de domingo? Ela pode fazer sentido em algum caso? Creio que a resposta seja negativa para a primeira pergunta e positiva para a segunda.

Como sempre, como em quase tudo, bastaria o bom senso para que entendêssemos quando a tal orientação para o cartão deveria ser acatada pelo árbitro e quando não deveria.

Quem lembra da comemoração do primeiro gol de Ronaldo com a camisa do Corinthians, num clássico contra o Palmeiras em Presidente Prudente, em março de 2009, há de convir que, naquele caso, se a ameaça de um cartão pudesse evitar que o atacante se pendurasse no alambrado (que desabou em cima dos torcedores presentes, por sorte sem maiores consequências) não discutiríamos a fatídica orientação.

Queda de alambrado após gol de Ronaldo pelo Corinthians em 2009
Queda de alambrado após gol de Ronaldo pelo Corinthians em 2009 reprodução TV

Estamos, porém, citando um episódio de mais de uma década atrás. Quando alambrados, fossos e grades eram as regras nos estádios brasileiros, não exceções. Quando as novas arenas nem sequer existiam por aqui.

Só que o contexto mudou, os palcos hoje são outros, e não faz mais sentido que essa orientação não seja flexibilizada de acordo com o cenário do jogo, de acordo com o risco real que a comemoração pode causar.

Nos estádios ingleses, por exemplo, comemorações de jogadores em meio torcedores são comuns. E não são punidas porque não representam risco, fazem parte da festa.

A análise de cada caso antes do início do jogo é simples (e ela pode ser até prévia, feita pela própria CBF/federações), não requer cálculos de engenharia, e bastaria ao árbitro, quando constatar o risco de uma eventual comemoração junto à torcida, informar aos capitães antes do jogo, aí sim explicando que, caso a orientação não seja cumprida, ele mostrará o cartão.

Não era o caso do jogo na Arena Corinthians, como não seria no Maracanã e na maior parte dos estádios brasileiros da Série A.

E por mais que os estádios sejam diferentes – e a permissividade também viesse a ser –, deixar de lado a intransigência e flexibilizar a orientação para o cartão não significaria benefício esportivo a time algum. O único beneficiado, neste caso, seria o torcedor brasileiro, raramente priorizado nas decisões que norteiam o futebol por aqui.

 

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Na metade da carreira, Neymar consegue sua principal façanha

Gian Oddi
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As imagens rodaram o mundo neste domingo: enquanto o PSG fazia sua estreia pelo Campeonato Francês na temporada 2018-19, torcedores do clube parisiense não mediam palavras para criticar e ofender Neymar, entre faixas pedindo “vaza daqui” e gritos chamando-o de “filho da p...”.

Três dias antes, o diário esportivo AS, de Madri, colocava no ar uma enquete perguntando aos torcedores do Real Madrid se eles gostariam que Neymar fosse contratado pela equipe da capital espanhola. Resposta, após mais de 160 mil votos computados: 60% para o não, 40% para o sim.

Uma consulta ainda mais relevante, porque realizada através de contato direito e não pela internet, foi feita com os sócios do Barcelona para responder à pergunta “você quer a volta de Neymar?”. O placar foi mais de 70% para o “não” e menos de 30% para o “sim”.

É incrível que Neymar tenha conseguido chegar a este ponto.

É incrível que um jogador que é considerado por muita gente o terceiro com maior potencial do planeta não seja um desejo unânime de qualquer torcida entre os clubes mais poderosos do mundo.

É incrível que, mesmo sabendo do interesse do PSG em se desfazer de Neymar, nenhum clube da Premier League, a principal e mais rica liga de futebol do mundo, tenha demonstrado o mínimo interesse em contratar o brasileiro.

Faz pouco mais de uma década, no dia 7 de março de 2009, com apenas 17 anos, que Neymar fazia sua estreia profissional no futebol com a camisa do Santos.

De lá para cá ele conquistou uma Champions League, uma Libertadores, uma Copa do Brasil, uma medalha de ouro olímpica, dois campeonatos espanhóis e dois franceses, uma Copa da França e três Copas do Rei, entre outras conquistas menores. Não é pouca coisa.

Mas seu maior feito até aqui, aquele mais impressionante, acontece nesta pré-temporada do futebol europeu: conseguir, mesmo com a enorme qualidade que tem, ser rejeitado pela maior parte das torcidas dos clubes que cogitam mantê-lo ou contratá-lo.

Neymar no PSG: custo de 222 milhões de euros e passagem frustrada
Neymar no PSG: custo de 222 milhões de euros e passagem frustrada EFE/Christophe Petit Tesson

É desnecessário apontar novamente as razões do feito. Todos estão cansados de saber, muito já foi dito e escrito a respeito – eu mesmo o fiz em setembro do ano passado na “Carta a Neymar (com tudo que Tite e Gil Cebola não dizem)”.

É triste, porém, constatar que mais da metade da carreira de Neymar em alto nível físico já se foi. Se considerarmos que ele jogará até os 37, Neymar está exatamente no meio de sua trajetória como jogador profissional. Mas não é padrão esperar que um jogador tenha aos 35, 36 ou 37 anos o mesmo rendimento que teve aos 25, 26 ou 27.

O tempo está passando, e com ele as chances de Neymar ser tudo o que os apaixonados por futebol um dia imaginaram que ele seria.

Para sua sorte, rejeições de torcidas são facilmente reversíveis em qualquer parte do mundo. Dependendo do caso, bastam algumas declarações, meia dúzia de gols, um punhado de bons jogos ou até mesmo o simples ato de vestir uma nova camisa.

Neymar terá mais uma chance. Ainda em um clube poderoso. Ainda ganhando milhões. Ainda com craques ao seu lado. Ainda com toda a qualidade que tem à disposição.

Já está claro, porém, que não lhe basta um contexto favorável.

Sem a percepção própria de que a gestão da sua carreira é um sucesso do ponto de vista financeiro, mas um relativo fracasso do ponto de vista esportivo, dificilmente o panorama irá mudar.

Os episódios e a rejeição dos últimos meses terão servido para algo nesse sentido? A ver.


 
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É grave (e arriscado) o que está acontecendo com o Palmeiras

Gian Oddi
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Primeiro é bom relembrar: o cenário relatado abaixo refere-se ao time que venceu dois dos últimos três Campeonatos Brasileiros. Ao time que conquistou três títulos relevantes desde 2015, um ano depois de escapar por pouco do rebaixamento para a segunda divisão.

Trata-se, portanto, de um clube cujo trabalho de reestruturação, constatado não apenas pelos resultados desportivos, é inquestionável.

Esse cenário, de completa reorganização e recuperação do Palmeiras nos últimos cinco anos, torna ainda mais absurda e incompreensível a reação da torcida organizada "Mancha Alvi Verde" no último sábado, na porta do centro de treinamento do time, assim como já havia ocorrido após a eliminação nos pênaltis durante o último Campeonato Paulista.

Até aí, nenhuma novidade. Buscar bons argumentos para compreender a truculência e ignorância deste e de outros grupos similares é missão natimorta, e os constrangedores “comunicados oficiais” emitidos por seus líderes deixam claro que qualquer esforço nesse sentido seria em vão.

O problema do Palmeiras é outro.

O principal problema do Palmeiras, de uns tempos para cá, é o estreitamento das relações entre os responsáveis pelas cenas bizarras vistas no último sábado e aqueles que comandam ou ainda virão a comandar o clube.

Na semana passada, numa reunião extraordinária, o Conselho Deliberativo do clube não titubeou ao decidir pela suspensão de Genaro Marino, conselheiro e candidato à presidência palmeirense na última eleição, por ter levado, supostamente com intenções eleitoreiras, uma proposta (de fato bizarra) de patrocínio às vésperas do último pleito.

O ex-presidente Paulo Nobre, ligado a Genaro Marino, recebeu uma advertência pelo mesmo caso, apelidado de “caso Blackstar”, e por ter sido submetido a esse processo de sindicância resolveu renunciar ao seu cargo no Conselho Deliberativo.

Não vale aqui entrar nos méritos deste caso e das punições aplicadas, possivelmente corretas. Mas chama atenção que o mesmo rigor utilizado para tomar decisões nesse episódio não seja aplicado, por exemplo, aos conselheiros palmeirenses indiscutivelmente ligados à liderança da "Mancha Alvi Verde".

O Palmeiras tem hoje em seu quadro de diretores estatutários, nomeados pelo presidente, alguns nomes ligados à organizada – se não mais formalmente, ao menos com relação de proximidade, como se nota numa breve passagem por suas redes sociais.

Além disso, Paulo Serdan, presidente da escola de samba "Mancha Verde" e ainda figura das mais influentes da organizada, também famoso por sua irresponsável intempestividade nas redes sociais após qualquer derrota palmeirense, é muito próximo a Leila Pereira – conselheira mais votada, patrocinadora e futura candidata (favorita) à presidência do clube.

Como se vê, o distanciamento entre o Palmeiras e sua principal torcida organizada, que havia sido imposto por Paulo Nobre durante sua gestão, já não existe faz tempo. E mesmo após episódios como o de sábado as manifestações do clube nesse sentido têm sido muito discretas – uma breve nota no site, neste caso. 

Depois de tudo que tem ocorrido, convenhamos, não caberia outro caminho ao Palmeiras que não brecar completamente a influência e os privilégios da "Mancha Alvi Verde" dentro do clube. Mas isso não ocorre.

Por que? Política e medo são provavelmente as melhores respostas.

A estreita relação entre Leila Pereira – principal patrocinadora não só do Palmeiras como da escola de samba "Mancha Verde" – e Paulo Serdan evidentemente não ajuda para que o presidente Maurício Galliote, também muito ligado a Leila (mas nem por isso poupado das ofensas da "Mancha Alvi Verde"), atue com mais firmeza diante dos absurdos protagonizados pela organizada. Para que se tenha uma ideia do problema: há no Palmeiras quem tema ver Paulo Serdan como um dos vice-presidentes de Leila Pereira em seu eventual mandato.

Há, por outro lado, conselheiros que gostariam e até ameaçaram agir, mas que não o fazem temendo por sua integridade física se iniciarem, em relação aos nomes ligados à "Mancha Alvi Verde", um processo interno similar (embora por razões diferentes) ao que foi iniciado para apurar o envolvimento de Genaro Marino no “caso Blackstar”. Sejamos justos: é preciso entender esse temor, considerando o modus operandi daqueles que estariam envolvidos nas investigações.

E assim caminha o Palmeiras: recuperado dentro de campo. Recuperado financeiramente. Recuperado em suas categorias de base. Mas vivendo uma turbulência incompreensível e incompatível com o desenvolvimento dos últimos anos e com sua situação atual nos mais diversos aspectos.

Torcedores do Palmeiras protestam em frente à Academia de Futebol antes do clássico contra o Corinthians
Torcedores do Palmeiras protestam em frente à Academia de Futebol antes do clássico contra o Corinthians Reprodução

Mauricio Galliote faz até aqui uma gestão competente para dar prosseguimento ao processo de recuperação iniciado por Paulo Nobre e somando a ele, por seus próprios méritos, vitórias importantes como o significativo aumento de receitas de televisão decorrente de árduas e desgastantes negociações.

Porém, se não agir rápido e com vigor, Galliote poderá ser lembrado no futuro como o presidente que abriu a porta do Palmeiras para que figuras desequilibradas e despreparadas assumissem o futebol do clube que ele mesmo ajudou a recuperar.

Seria um desastre, e não é preciso explicar as razões.

Porque o trabalho de recuperação de um clube de futebol costuma ser longo. Mas para destruir tudo podem bastar poucos meses.


 
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Lágrimas em Roma: o que explica tanta emoção no adeus de De Rossi

Gian Oddi
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Para quem não é romano ou romanista talvez não seja tão simples, como foi na despedida de Francesco Totti, entender a quantidade de lágrimas derramadas entre os torcedores durante os longos minutos do vídeo acima, na despedida de Daniele De Rossi da Roma. Motivos, porém, não faltam.

Era março de 2016 quando De Rossi compareceu ao velório de Pietro Lombardi, um antigo e querido roupeiro da seleção italiana que morrera aos 92 anos, e deixou para sempre em seu caixão, como homenagem ao velho colega, a medalha de campeão do mundo que ganhara na Copa de 2006 com a Azzurra.

Dez anos antes, num jogo em que a Roma vencia o Messina por 1 a 0 pelo Campeonato Italiano, De Rossi instintivamente colocou uma bola para dentro das redes com a mão. O gol, porém, não foi validado só porque o próprio jogador confirmou a irregularidade ao árbitro Mauro Bergonzi – que aplaudiu De Rossi e, claro, poupou-lhe do cartão amarelo.

Já em novembro de 2017, quando a Itália empatava por 0 a 0 com a Suécia um jogo em que precisava vencer para ir à Copa do Mundo, o volante não se conformou ao ser chamado no banco de reservas para entrar na partida que já caminhava para sua reta final: “Eu? Por que cazzo eu? Precisamos ganhar, não empatar!”, disse De Rossi, apontando para o atacante Insigne, então o melhor jogador italiano que incompreensivelmente ficara na reserva.

Antes daquela frustrante partida que tirou a Itália da Copa, o hino sueco foi vaiado pela torcida. Após o jogo, De Rossi foi ao ônibus da delegação sueca parabenizar os adversários pelo feito e, sobretudo, desculpar-se pelas vaias. “O ambiente no ônibus foi: ‘Nossa, isso aconteceu mesmo?’. Foi um dos momentos mais legais que vivi no futebol. Que grande figura ele é!”, afirmou o zagueiro Pontus Jansson sobre a atitude do volante.

Os quatro episódios acima são apenas exemplos. Exemplos de sua personalidade, que ajudam a entender por que o anúncio abruto, truncado e inesperado de que Daniele De Rossi deixaria a Roma ao final desta temporada causou a comoção que causou. Sobretudo em Roma, mas não só.

De Rossi, com a família, se despede da torcida que representou por 18 anos
De Rossi, com a família, se despede da torcida que representou por 18 anos Getty

Entre tantas faixas exibidas para protestar pela decisão da diretoria romanista de não renovar o contrato do volante – em Roma, Paris, Nova York, Dublin, Copenhague, Dusseldorf, Tunes e outras cidades –, talvez a mais significativa tenha aparecido em Turim, justamente pelo fato de ter sido confeccionada pelos torcedores da rival Juventus e exibida no estádio da Juve no mesmo dia em que havia uma série de feitos e personagens juventinos a celebrar. Os dizeres: “Ciao De Rossi. Primeiro homem, depois jogador”.

De Rossi não é santo, longe disso, mas foi estigmatizado no Brasil por sua tatuagem que reproduz um carrinho na canela e por certos narradores que o rotulavam como “carniceiro” sem ter a mais vaga ideia sobre seu futebol. Jogador de inúmeras qualidades, técnicas inclusive, ninguém atinge marcas como as suas por acaso. Ninguém se torna o quarto jogador com mais partidas de uma seleção como a Itália (pela qual fez 21 gols) e o segundo com mais atuações pela Roma sem saber jogar futebol.

Entre suas qualidades dentro e fora dos gramados, porém, a principal talvez seja a capacidade de representar em campo, melhor que ninguém, a torcida do clube que ama desde criança e cuja camisa, não por falta de propostas, foi a única que defendeu em seus 18 anos de carreira – e por ele teria sido a única da vida. De Rossi foi não só o capitão de um time, mas de uma torcida – com todo o empenho e benefícios, mas também com todos os exageros e prejuízos que isso significa.

De Rossi criança, já romanista
De Rossi criança, já romanista divulgação pessoal

Numa era de jogadores-celebridades tão ou mais preocupados com sua imagem do que com o desempenho em campo, De Rossi é um raro caso de ídolo sem contas em redes sociais. Bastaram seu futebol e suas entrevistas para que o volante demonstrasse sua personalidade e inteligência inquestionáveis.

Como fez, por exemplo, na coletiva em que foi anunciado o rompimento de sua história com a Roma. Ao ouvir dos dirigentes do clube que lhe ofereceram um cargo na direção porque “De Rossi é muito inteligente e capaz, e seria um ótimo dirigente”, o jogador, ainda que sorrindo, rebateu: “Não sei se eu seria tão bom assim, porque se fosse diretor eu renovaria o contrato com um jogador como eu”.

A revolta da torcida pela maneira como o vínculo foi encerrado aumentou quando veio a público um áudio em que o jogador se dispunha a receber apenas por partida disputada. Porque o problema de De Rossi nos últimos tempos era jogar pouco devido a lesões, mas não jogar mal: quando estava em campo era sempre dos melhores do time. E sua atuação nos vestiários, como o próprio afirmou, era apenas “para solucionar problemas, nunca para os criar”.

Criar problemas, de fato, não combina com um jogador que passou quase toda carreira sendo chamado de Capitan Futuro, sempre à sombra de Francesco Totti, o maior ídolo da história da Roma e de quem recebeu enfim a faixa de capitão há apenas dois anos. “A faixa que usei eu recebi das mãos de um irmão, de um grande capitão e do jogador mais incrível que vi vestir esta camisa. Não é para qualquer um jogar 16 anos ao lado do próprio ídolo”, escreveu o volante em sua emocionante carta de despedida.

De Rossi abraça Totti: um dos momentos de maior emoção da despedida
De Rossi abraça Totti: um dos momentos de maior emoção da despedida Getty

Na cabeça de De Rossi, seu período de capitania oficial duraria mais algum tempo, até que ele próprio decidisse parar de vez, sem ter que vestir nenhuma outra camisa que não a da Roma: “Eu me imaginava cheio de curativos, manco, e o clube insistindo para que eu continuasse. Não foi bem assim, mas agora não quero mais pensar nisso para não sofrer”.

Feito o desabafo no dia do anúncio, em sua carta de despedida divulgada na véspera de seu último e emocionante jogo, De Rossi tratou de fazer o que sempre fez, de jogar pelo time: agradeceu ao presidente James Pallotta e pediu encarecidamente que os protestos por sua saída cessassem: “Agora, o maior presente que vocês podem me dar é deixar a raiva de lado e, unidos, recomeçar a empurrar a única coisa que amamos, a coisa que vem antes de tudo e todos, a Roma”.

O pedido foi atendido, porque o que prevaleceu entre os 60 mil presentes no Estádio Olímpico nesse domingo, no último e derradeiro jogo de Daniele De Rossi com a camisa da Roma, foram sobretudo aplausos, homenagens, inúmeras faixas e lágrimas. Muitas lágrimas.  

 Sem De Rossi e Totti, restará à Roma começar uma nova era e tentar conquistar títulos. Meros e improváveis títulos, que jamais terão a mesma importância que Daniele De Rossi e Francesco Totti, suas duas bandeiras eternas.


 
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Orçamento do Palmeiras prevê mais R$ 34,5 milhões do EI caso clube não feche com a Globo na TV aberta

Gian Oddi
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Se não fechar contrato com a TV Globo para transmissão de suas partidas na TV aberta, o Palmeiras receberá neste ano mais R$ 34,5 milhões do Esporte Interativo, com quem tem assinado acordo para exibição de suas partidas na TV fechada. É o que consta na previsão orçamentária do clube para 2019 à qual o blog teve acesso. De acordo com o documento, o pagamento está distribuído em 9 parcelas de R$ 3,83 milhões, entre abril e dezembro deste ano.

Segundo diversas fontes consultadas pelo blog, o item é fruto de uma cláusula do contrato entre o Palmeiras e a Turner, proprietária do Esporte Interativo, e serve como garantia de que o clube terá uma compensação caso o negócio com a Globo não seja fechado porque o Palmeiras acertou com a Turner na TV fechada – o que de fato acontece até aqui. A cláusula, segundo confirmou uma das fontes, existe não apenas para 2019, mas para os seis anos de contrato entre Palmeiras e Turner.

O impasse entre Palmeiras e Globo na TV aberta ocorre porque o clube não aceita ter o valor de sua cota reduzida em 20% como uma espécie de "multa" por ter assinado contrato com outra emissora na TV fechada. O Palmeiras argumenta ainda que o valor total destinado pela Globo às cotas de TV aberta já sofreu diminuição, pois parte desse dinheiro foi deslocada à TV fechada para fazer frente à concorrência do Esporte Interativo.

Maurício Galiotte durante entrevista coletiva na Academia de Futebol do Palmeiras
Maurício Galiotte durante entrevista coletiva na Academia de Futebol do Palmeiras Cesar Greco/Ag Palmeiras

Atualmente, a Globo paga R$ 600 milhões anuais pelos direitos de transmissão de TV aberta, divididos da seguinte forma: 40% do valor é repartido de maneira igual entre todos os clubes que assinarem com a Globo (coisa que só o Palmeiras não fez), 30% de acordo com a classificação no Campeonato Brasileiro e os outros 30% de acordo com o número de partidas exibidas pela TV aberta.

Ou seja, entre os três diferentes critérios de divisão, apenas os 40% podem ser calculados com precisão: R$ 12 milhões por equipe, se os 20 clubes fecharem com a Globo. Restaria, portanto, conhecer a divisão dos outros R$ 360 milhões, sendo 180 de acordo com a classificação e 180 de acordo com o número de jogos exibidos – o normal seria imaginar o Palmeiras bem colocado e tendo mais jogos exibidos que a média dos outros times (embora menos do que Flamengo e Corinthians).

Ainda que seja impossível, por conta dos critérios, prever exatamente quanto o Palmeiras receberia se assinasse contrato com a Globo, e mesmo que esse valor possa ser superior aos 34,5 milhões previstos como compensação, é evidente que o montante garantido pela Turner dá fôlego ao Palmeiras para endurecer a negociação na TV aberta.

Já em relação aos direitos do pay-per-view – que não foram assinados por Palmeiras e Athletico Paranaense – essa compensação não existe, e o prejuízo pela eventual falta do acordo, neste caso, será total. Ainda assim, para acertar, o Palmeiras exige que o valor seja dividido segundo a audiência dos jogos e não de acordo com pesquisas sobre tamanho de torcidas no país ou mesmo entre os assinantes do serviço.

Embora tanto a Globo quanto o Palmeiras ainda trabalhem com a possibilidade de fechar negócio e aleguem intenção de chegar a um acordo, as conversas não têm avançado muito nas últimas semanas. Dois dos quatro jogos já realizados pelo clube paulista no Brasileiro, contra CSA e Atlético Mineiro, não foram exibidos em plataforma alguma.

Apesar disso, em diversas manifestações nos estádios e em redes sociais, a torcida do Palmeiras tem se colocado favorável à posição do clube. A mesma unanimidade em relação à postura da direção alviverde não existe dentro do Palmeiras, onde muitos conselheiros acreditam que o clube está esticando demais a corda nas negociações e que o acerto com a Globo é necessário para cobrir os crescentes custos do departamento de futebol.

Do outro lado, a Globo também sofre pressão: não só pelo cancelamento de assinaturas dos torcedores palmeirenses no pay-per-view, mas principalmente porque o Procon notificou diversas operadoras de TV paga sobre a necessidade de conceder descontos no Premiere devido à redução de quase 20% no número total de jogos do pacote, consequência das ausências das partidas de Palmeiras e Athletico Paranaense.

Numa tentativa de sanar o problema, o serviço Premiere anunciou recentemente que jogos da Copa do Brasil passariam a fazer parte do pacote dos assinantes – algo que já ocorreu nesta quarta-feira. Contudo, segundo matéria do UOL Esporte, o Procon já  informou que essa atitude não isentará as operadoras de conceder o desconto no Premiere enquanto os jogos de Palmeiras e Athletico não estiverem no pacote.   

 
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Mais notável que o feito de Guardiola é tentar diminuí-lo pela queda na Champions

Gian Oddi
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Pep Guardiola fez de novo: ganhou um título nacional por pontos corridos, algo que se repetiu em 9 das 11 vezes nas quais o treinador espanhol disputou uma competição do gênero, seja na Espanha, na Alemanha ou na Inglaterra.

Agora, contudo, não foi necessário repetir a melhor campanha da história da Premier League, que ele obteve com este mesmo Manchester City na temporada passada: desta vez “bastou” ao treinador a segunda melhor performance de todos os tempos, ao conquistar 98 dos 114 pontos disputados numa Premier League que teve, nesta temporada, os quatro finalistas das duas mais importantes competições interclubes da Europa – Liverpool, Tottenham, Chelsea e Arsenal.

Para levar o primeiro bicampeonato do futebol inglês em uma década, o time de Guardiola precisou ganhar 14 jogos seguidos e reverter uma vantagem do Liverpool que, na 24ª rodada, era de 5 pontos. Assim, além dos 98 pontos ganhos, o City terminou a competição com o melhor ataque, sendo também o time com mais posse de bola, mais troca de passes e mais finalizações a gol da competição.

Feitos incríveis, não se discute. Mas você pode estar se perguntando: celebrar o trabalho de Guardiola não é ressaltar o óbvio? Deveria ser, mas não é.

Desde a passagem do espanhol pelo Bayern de Munique, há quem procure diminuir seus feitos e sua capacidade com a argumentação de que pouco valem os títulos nacionais se Pep “não consegue ganhar a Champions” (a mesma que ele já ganhou duas vezes como técnico, diga-se). Frases como “Quem contrata o Guardiola quer a Champions” ou “a Champions virou obrigação” são repetidas a favor dessa argumentação.


O problema dessa tese é que a tal “obrigação” de Champions, usando a mesma lógica, torna-se automaticamente válida para outros times. Ou será que a Juventus, ao contratar Cristiano Ronaldo, não passou a ter a mesma obrigação? E o PSG, que entre tantas estrelas contratou o jogador mais caro do mundo por 222 milhões de euros? E o Barcelona, que tem o melhor do mundo? E o Bayern? E o Real?

Considerar a Champions "obrigação" para qualquer equipe é ignorar a essência do futebol e sua imprevisibilidade, sobretudo num torneio com tantas equipes poderosas disputando mata-matas nos quais os detalhes e o acaso têm chances enormes de definir um confronto (se você ainda não leu, leia a entrevista de Eriksen após a semifinal no meu último post). O próprio roteiro da eliminação do City é um exemplo disso.

O termo “obrigação” para que times de futebol conquistem títulos em geral não faz sentido. Usá-lo para competições por pontos corridos onde uma equipe tem enorme vantagem financeira sobre todas as demais – casos de PSG, Juventus e Bayern em seus cenários nacionais – ainda vai; em outros cenários, não dá.

Josep Guardiola levanta o troféu da campeão da Premier League pelo City
Josep Guardiola levanta o troféu da campeão da Premier League pelo City EFE/EPA/JAMES BOARDMAN

Olhando para esta temporada especificamente, não é absurdo atribuir a Jurgen Klopp, do Liverpool, o melhor trabalho entre os treinadores do mundo – mesmo que não conquiste título algum. Klopp chegou à final da Champions League superando uma semifinal que parecia insuperável sem dois de seus melhores jogadores; mas, tão importante quanto, Klopp fez nos pontos corridos uma campanha que só não lhe daria o título (como não deu) em duas de todas as edições da Premier League.

Já Pep Guardiola ainda estaria na Champions League, talvez até na final contra o Liverpool, se não tivéssemos entrado bem agora na (justa!) era do VAR. É do jogo, foi correto, mas foi um detalhe (milimétrico) apenas. Guardiola já ganhou a Copa da Liga Inglesa, a Premier League e, se vencer o Watford na final da Copa da Inglaterra em que é muito favorito, terá conquistado uma inédita tríplice coroa nacional disputando todos esses três títulos contra as quatro equipes finalistas das copas europeias. É muita coisa, é um absurdo.


Independentemente de quem seja o melhor técnico da temporada, Guardiola segue como melhor do mundo na função. Por seu passado e seu presente. Por seu legado, por sua revolução, mas sobretudo porque continua fazendo trabalhos espetaculares. Ganhando ou não a Champions League.

 
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Mais notável que o feito de Guardiola é tentar diminuí-lo pela queda na Champions

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A incrível entrevista de Eriksen, o sorriso de Klopp e nossa distante realidade

Gian Oddi
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Jurgen Klopp durante derrota do Liverpool para o Barcelona, no Camp Nou
Jurgen Klopp durante derrota do Liverpool para o Barcelona, no Camp Nou VI Images via Getty Images

 “Foi um jogo absurdo. Nós estávamos longe da vaga, lutamos por ela, mas tivemos apenas sorte. Eu sinto pelo Ajax, porque eles jogaram melhor que nós nas duas partidas. Mas nós tivemos mais chances, tivemos sorte e marcamos. É um alívio. Não conseguiríamos olhar para o espelho se tivéssemos perdido por 4 ou 5 a 0. A bola foi na direção certa, não tem nada a ver com tática. Foi só coração e Lucas Moura. Espero que ele ganhe uma estátua na Inglaterra depois disso”.

A frase do meio-campista dinamarquês Christian Eriksen após a épica virada do seu Tottenham em cima do Ajax pelas semifinais da Champions League impressiona.

Nem tanto pela pouca generosidade e pela rigidez analítica com o incrível feito de seu time, mas por não ter problema algum em escancarar o fato de que, no futebol, mesmo nas vitórias, muitas vezes são os detalhes a decretar os destinos de vencedores e perdedores. A tal “bola na direção certa”, alguns milímetros, um dia inspirado de um companheiro ou rival, a falta ou o excesso de sorte.

A conhecida calma e equilíbrio de Eriksen certamente o ajudaram a ter leitura tão fria e imparcial após um jogo tão quente e emocionante. Mas também é certo que o dinamarquês falou o que falou por ter a convicção de que o Tottenham não está na final da Champions por acaso. Por saber que, ok, a sorte pode até ter ajudado desta vez assim como já prejudicou em outras vezes, mas que não foi apenas isso. A confiança de que seu trabalho e o do Tottenham são bons e de que o time de Maurício Pochettino chega à final cheio de méritos colaboram para o surto de sinceridade do meia.

Em um contexto diferente, praticamente oposto, o caso é similar ao sorriso de Jurgen Klopp que as câmeras de transmissão da TV focalizaram logo depois que o Liverpool tomou o segundo (ou terceiro?) gol dos 3 a 0 impostos pelo Barcelona na partida de ida das semifinais, no Camp Nou.

É evidente que aquele sorriso não significava felicidade ou menosprezo pelo que ocorria em campo, mas, oras, no que a reação corporal do técnico mudaria o destino de seu time na competição? A tradução daquele sorriso era até meio óbvia: “Caras, eu vim até a Espanha encarar o Barcelona, joguei de igual para igual, meu time criou um caminhão de chances, só que eles têm esse ET que resolve os jogos. O que eu posso fazer?”.

Pois bem. Klopp até mostrou o que podia fazer no jogo de volta, mesmo sem dois de seus melhores jogadores. Aquele sorriso do jogo de ida era só uma reação, a mais espontânea possível, à imprevisibilidade e casualidade que nem sempre são determinantes nos jogos de futebol, mas que muitas vezes estabelecem não apenas a vitória ou derrota de um time como também o destino das carreiras de técnicos e jogadores. É assim que funciona, por mais que façamos malabarismos retóricos para tentar justificar tudo em mesas redondas de TV, em jornais, rádios e internet.

O essencial, porém, é perceber que tanto a entrevista de Eriksen como o sorriso de Klopp foram de certa forma reflexos de convicções. A convicção de que trabalhos honestos e extremamente competentes tinham levado suas equipes até aquelas semifinais e que essas convicções – deles próprios, da imprensa e até mesmo de torcedores – não mudariam quaisquer que fossem os resultados das semifinais.

Klopp e Pochettino, respectivamente há quatro e cinco anos em seus clubes, ainda não ganharam título algum com Liverpool e Tottenham. Mas eram, e independentemente das semifinais continuariam sendo, técnicos acima de qualquer suspeita. É por isso que agem como agem.

Agora se pergunte: como reagiríamos, por aqui, ao sorriso de Klopp?


 
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Palmeiras bate o pé por valores, mas pressões podem aproximar acordo com Globo

Gian Oddi
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CSA x Palmeiras: primeiro jogo do time paulista com 'apagão' na TV
CSA x Palmeiras: primeiro jogo do time paulista com 'apagão' na TV Cesar Greco/Ag Palmeiras


O Palmeiras fez nesta quarta-feira, contra o CSA, o primeiro do que podem ser seus 26 jogos sem qualquer transmissão de televisão neste Campeonato Brasileiro – um total de mais de 68% das partidas do atual detentor do título na edição de 2019 da competição.

Por qualquer sondagem realizada, pelo termômetro (imperfeito) das redes sociais ou até mesmo pela ausência de qualquer comunicado/protesto de uma torcida que costuma ser muito ativa politicamente, até agora está claro que os palmeirenses estão ao lado do clube, apoiando-o na briga para receber mais pelos direitos de TV.

À favor de sua batalha, o Palmeiras tem também um patrocinador que já disse não se incomodar com a ausência das transmissões se isso for o melhor para o clube, além de, segundo o seu último balanço divulgado nesta semana, ter dependência abaixo da média dos clubes brasileiros em relação aos direitos da TV: o item foi responsável por 22,6% do dinheiro arrecadado pelo clube em 2018.

Se nesses últimos dois aspectos o panorama não deve se alterar muito, a pergunta que fica é se a postura compreensiva do torcedor palmeirense pode mudar à medida que mais jogos – e, sobretudo, jogos ainda mais importantes – deixarem de ser exibidos e puderem ser acompanhados apenas pelo rádio ou por narrações na internet. Só esperando para ver.


Do outro lado, uma nova pressão também pode surgir já que, pela primeira vez desde o início do Brasileirão, o Procon notificou as principais operadoras de TV paga do país sobre a necessidade de conceder descontos na compra do pacote de pay-per-view do Brasileirão a partir do momento em que 74 dos 380 jogos (19,47%) da principal competição de futebol do Brasil não fazem mais parte do produto.

Vale ressaltar: o número só é esse porque, assim como o Palmeiras, o Athletico Paranaense também não fechou com o pay-per-view, embora tenha fechado com a TV Globo para transmissão na TV aberta – o que faz com o que o “apagão geral” em suas partidas ocorra em número bem menor do que no caso do clube paulista.

De acordo com levantamento da Folha de S.Paulo, o serviço de pay-per-view do futebol brasileiro conta com cerca de 2 milhões de assinantes (entre mensalistas e compras avulsas) que gastam uma média de R$ 100 reais mensais com o produto. Ou seja, se praticarmos um desconto de 19,47% (percentual de jogos a menos) sobre R$ 200 milhões de faturamento, estamos falando de quase R$ 39 milhões de reais mensais de perda com a arrecadação do produto, isso sem considerar possíveis (e prováveis) cancelamentos do pacote por parte dos torcedores do Palmeiras e do Athletico.

Vale a pena para os detentores de direito? Parece que não, mas, além de não sabermos se o tal desconto será mesmo aplicado, é difícil responder sem conhecer com precisão a maneira como esse dinheiro é distribuído entre a Globo e as operadoras e também sem saber exatamente os números mínimos exigidos não só pelo Palmeiras como pelo Athletico Paranaense para fechar novos contratos.

As negociações, porém, continuam firmes.

O blog apurou que a intenção de acerto permanece por todas as partes, ainda que o Palmeiras seja hoje irredutível em não aceitar ter cotas reduzidas pelo fato de ter fechado com uma concorrente da Globo (a Turner) na TV fechada. O clube entende que, como são contratos diferentes e independentes, a prática não faz sentido. Outro ponto no qual o clube bate o pé é para que a distribuição do valor do pay-per-view não seja baseado em pesquisas de torcida, mas na audiência dos jogos pela plataforma.

Na penúltima reunião entre Globo e Palmeiras, na semana retrasada, houve boa evolução nas conversas; enquanto na última, ocorrida nesta semana, o avanço foi menor. Resta saber agora como as novas pressões que podem e devem surgir tanto de um lado como do outro influenciarão nas duas partes. Se elas tiverem efeito, um novo capítulo apontando para o acerto pode ser anunciado.


 

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Como a ótima primeira rodada do Brasileirão poderia ter sido excepcional

Gian Oddi
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Grêmio x Santos na 1ª rodada do Brasileiro
Grêmio x Santos na 1ª rodada do Brasileiro Ivan Storti/Santos FC

Esperamos que 117 dias de 2019 se passassem para que o Campeonato Brasileiro, a mais importante e melhor competição de futebol do Brasil, finalmente começasse.

E ela começou bem demais.

Ainda que o jogaço entre Grêmio e Santos seja reflexo de como os técnicos dos dois times veem futebol e, portanto, não possa ser considerado um padrão do que veremos neste Brasileirão, foi ótimo poder assistir aos 90 minutos de bola rolando em Porto Alegre para lembrarmos que, sim, também é possível jogarmos grande futebol por aqui.

Mas não foi só isso. Tivemos um Flamengo x Cruzeiro que, ideias de treinadores à parte, contou com ótimos momentos por uma razão bastante simples: ambos os times têm grandes jogadores, como aliás os têm pelo menos sete ou oito elencos que disputam a competição.

Vimos um Palmeiras enfim fazendo valer sua qualidade e pressionando o adversário por 90 minutos atrás de mais gols. Um Athletico outra vez avassalador escancarando de novo o quão eficiente é sua estratégia de preparação. Um Bahia que se impôs contra o sempre eficiente campeão paulista Corinthians.

Houve mais coisa boa não só dentro em campo, com uma média de 3,3 gols em 10 jogos que não tiveram um empate sequer, mas também fora dele.

Segundo informa o jornalista Rodolfo Rodrigues, a média de público desta primeira rodada, com 21.411 torcedores por jogo, é disparada a maior média de uma primeira rodada na história do Brasileirão por pontos corridos: um acréscimo de quase 27% em relação ao recorde anterior, de 16.909 torcedores no ano de 2017.

O dado mostra não apenas como a importância dada ao Campeonato Brasileiro vem crescendo, mas também como o torcedor gradualmente vai compreendendo a importância que têm absolutamente todas as rodadas no formato de disputa por pontos corridos.

Até em relação à arbitragem (e sabemos que neste caso é cedo demais para comemorar) houve melhora na comparação com o cenário desolador que costumamos viver: tivemos que esperar o último jogo da rodada, entre Fluminense e Goiás no Maracanã, para que detratores do VAR (embora o problema por aqui seja sempre a incompetência dos árbitros) pudessem se manifestar com mais ímpeto.

Enfim, os tais 117 dias se passaram e já ficou clara, em apenas 10 jogos, a diferença absurda que existe entre este ótimo Campeonato Brasileiro e os insossos estaduais que ocuparam quase um terço do ano.

Vale destacar, aliás, que dos 9 campeões estaduais que disputam o Brasileiro, nada menos que seis perderam seus jogos, e dos três vitoriosos, Flamengo, Bahia e Athletico, os dois primeiros venceram enfrentando outros campeões de estados.

Seja como for, ainda que tarde demais, o fato é que este início de Brasileirão foi muito bom.

Imagine então como será no dia em que o início da competição coincidir com o início da temporada, sem times em crise, sem técnicos já substituídos, ainda sem pressão e com a abstinência de fim de ano do torcedor podendo ser saciada logo de cara num jogo que vale muito, contra rivais de verdade?

Seria o Brasileirão dos sonhos.

 

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Brasileirão nem começou, e Cruzeiro já deixa exemplo a seguir; e o seu clube?

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Para baixar os preços, Cruzeiro pediu autorização à CBF, que (com bom senso) aceitou
Para baixar os preços, Cruzeiro pediu autorização à CBF, que (com bom senso) aceitou divulgação

O Cruzeiro anunciou nessa quinta-feira uma medida que não deveria, mas surpreende muita gente pelo fato de contrariar uma política vigente na maioria dos clubes de futebol do Brasil: a criação de um setor com ingressos populares ao custo de R$ 10 valendo para todos os 19 jogos do time em casa pelo Campeonato Brasileiro de 2019.

Não se trata, portanto, de uma ação oportunista só porque a procura por ingressos tem sido baixa ou porque o time precisa mais do que nunca de sua torcida. Também não estamos tratando de uma ação de marketing daquelas que põe meia dúzia de ingressos à disposição por preço especial: são 6.850 ingressos para cada jogo, ou seja, mais de 130 mil ingressos que serão vendidos a apenas R$ 10 durante todo o Brasileirão.

Se por um lado os ganhos esportivos (de apoio em campo), de imagem, de marketing e de acesso a uma camada da população antes sem condições de assistir presencialmente aos jogos são óbvios, fica uma questão: financeiramente, qual o custo da operação? Quanto o Cruzeiro perde (ou melhor, deixa de arrecadar) com uma decisão do gênero?

É difícil dizer com precisão, mas é possível tentar uma aproximação, até para que a gente possa analisar com frieza uma mudança que, sem colocarmos na ponta do lápis, poderia ser acusada de meramente populista e nociva ao futuro do clube (que já não gasta pouco para o que arrecada, diga-se).

Vamos às contas, então. Considerando que o Cruzeiro venda todos os 6.850 ingressos para o setor Laranja Inferior nos 19 jogos que fará em casa no Brasileirão 2019 (o que não é nenhum absurdo dado seu preço realmente popular), ele arrecadará R$ 1.301.500 com essas entradas, sendo R$ 68.500 por partida.

Para comparação: no Brasileiro de 2018, os mesmos ingressos custavam R$ 40. E ainda que por economia operacional o setor nem fosse aberto nos jogos com previsão de público inferior a 30 mil pagantes, consideremos, numa estimativa já otimista (o Cruzeiro não tem esses dados exatos), que tenha havido uma média de 50% de ocupação no tal setor Laranja Inferior durante 19 jogos da competição, o que significaria R$ 137 mil arrecadados por jogo – um total de R$ 2.603.000 por todo o Brasileiro 2018.

Tomando como base as contas acima, que só escancaram a obviedade de que bem mais gente vai ao estádio se o ingresso for mais barato, a diferença entre as estimativas de arrecadação em 2018 e 2019 apenas com os ingressos que agora são promocionais é de cerca de R$ 1,3 milhão. Pode-se considerar este, então, o valor que o Cruzeiro faturaria a mais se não criasse o novo setor popular. 

(A diferença nem deve chegar a tanto se considerarmos que, com os percentuais de desconto de meia entrada e de sócio torcedor, a perda em números absolutos é maior para 2018, quando os ingressos custavam mais, do que para 2019. Mas, para não ser acusado de manipular as contas a favor da tese, mantenhamos R$ 1,3 milhão como o valor que o Cruzeiro deixará de arrecadar.)

Pois bem, quanto esse valor significa para a realidade de custos do Cruzeiro?

Segundo levantamento publicado no Blog do Mauro Cezar, no portal UOL, a folha salarial do clube mineiro, contando apenas os gastos com contratos CLT (que podem aumentar em até 40% se incluirmos os direitos de imagem) é de 7,6 milhões por mês, o que dá por ano, incluindo o 13º salário, um total de R$ 98,8 milhões.

Ou seja: para disponibilizar 130 mil ingressos a preços realmente populares durante todo o Campeonato Brasileiro de 2019 e desfrutar de todos os benefício já citados que essa medida trará, o Cruzeiro não gastará nem 1,4% de sua folha salarial anual (e se a gente incluir na folha os gastos com direitos de imagem esse percentual diminui ainda mais).

 Vale ou não a pena? É ou não é uma iniciativa a ser copiada, ainda que com eventuais ajustes, por outros grandes clubes do Brasil? A resposta parece óbvia.

 
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Dudu, Carneiro, Kaio Jorge e o vazio sobre analisar pênaltis

Gian Oddi
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Qualquer técnico de futebol, de qualquer escola ou estilo, escalará numa cobrança de pênaltis aqueles jogadores que, na sua opinião e baseado nas informações de que dispõe, têm mais chances de converter as penalidades.

Parece um pressuposto óbvio, ainda que discussões sobre quem deveria ou não ter batido as penalidades ocupem horas e horas de debates de jornalistas e torcedores – sempre depois das cobranças e de acordo com os placares, claro. 

Cada treinador pode ter seu critério e dar pesos diferentes aos aspectos técnicos, psicológicos e físicos, sendo que os dois últimos podem inclusive ser alterados pelo que ocorre nos 90 ou 120 minutos de bola rolando antes das penalidades. 

É certo que técnico algum irá, por capricho ou razões pessoais, preferir um jogador com menos chances de converter uma penalidade a um com maiores possibilidades de fazê-lo, e é lógico admitir ser improvável haver alguém mais apto que o treinador de um time a fazer essas escolhas. 

Acontece que se no futebol de maneira geral os resultados já costumam impregnar as análises sobre atuações coletivas ou individuais, na cobrança de pênaltis essa impregnação atinge patamares constrangedores.

As últimas cobranças de pênaltis nas semifinais do Campeonato Paulista ilustram bem: destacou-se, com maior ou menor grau, a “falta de coragem” do palmeirense Dudu num momento decisivo, a “frieza e personalidade” do são-paulino Gonzalo Carneiro e a “inexperiência” do jovem santista Kaio Jorge.

É curioso como a definição dos vencedores e os eventuais milímetros que definem a entrada ou saída de uma bola do gol são capazes de determinar (e mudar) certezas absolutas sobre escolhas certas ou equivocadas e sobre a capacitação emocional, física ou técnica de jogadores.

Dudu não é um bom batedor de pênaltis e já havia perdido sua cobrança na final do último campeonato estadual. Foi, porém, o jogador mais decisivo nos jogos mais decisivos de seu time nos últimos anos. Só que bastou um pênalti não batido para se tornar um “jogador que foge nos momentos decisivos”.

Há quem tenha recorrido ao seu salário para invocar sua “obrigação” em bater a penalidade e “chamar a responsabilidade”, como se uma planilha de Excel contendo a folha salarial de um elenco fosse a ferramenta a determinar com melhor precisão os batedores de pênaltis ideais de um time.

O episódio de Kaio Jorge, o garoto santista de apenas 17 anos a perder um dos dois pênaltis de seu time na semifinal contra o Corinthians, é outro tipo clássico de condenação de “escolha errada” daqueles que costumam considerar o Excel essencial na hora da cobrança de penalidades.

Nesse caso, porém, deixa-se de lado a coluna dos salários e ordena-se de forma decrescente a coluna das idades para definir quem deve ou não bater pênaltis. Kaio Jorge, com toda sua inexperiência, nem bateu mal, mas a bola não entrou – por milímetros. Tivesse entrado, a palavra para definir o atacante seria “personalidade”, e apenas ela.

O caso de Carneiro é de certa forma o inverso: para um jogador pouco relevante, com capacidade técnica ainda discutida e já marcado por atos de pouco profissionalismo, a distância a separar sua festejada “personalidade” da “irresponsabilidade” e do provável fim de sua passagem pelo São Paulo não foi maior que os poucos centímetros que separaram a bola dos pés do goleiro após sua cobrança com cavadinha.

O resultado, porém, determinará sempre o certo e o errado, o festejado e o acusado.

Zico, Baggio, Sócrates, Maradona, Platini e Schevchenko, entre outros, foram grandes jogadores a perder pênaltis em Copas do Mundo. Não havia motivo algum para que eles não cobrassem suas penalidades,  mas eles perderam.

Os pênaltis, mais que qualquer outro momento, escancaram o quanto aceitar que escolhas certas podem dar errado e escolhas erradas podem dar certo é essencial no futebol.

 
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Traição, brigas e mentiras: o caos do atacante de 110 milhões de euros para quem os gols são só detalhe

Gian Oddi
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Domingo, 7 de abril, estádio San Siro de Milão. Enquanto coros com as palavras “mercenário” e “homem de merda” são gritados pela torcida organizada da Internazionale na Curva Nord, outra boa parte dos mais de 60 mil torcedores presentes no jogo contra a Atalanta reagem com vaias para abafar a manifestação daquela minoria barulhenta.

Não chega a surpreender, pois poucos dias antes um comunicado dos ùltras (a versão italiana das organizadas) da Inter havia deixado claro qual seria a posição do grupo: “Não daremos um passo atrás sobre Icardi. Ele não pode ser o futuro da Inter... e cavou seu próprio túmulo”. Não é que o restante da torcida discorde totalmente sobre “o futuro da Inter” sem Icardi, mas há para eles, hoje, um pacto maior pela busca da vaga na Champions.

Era uma das poucas polêmicas que faltavam na carreira do ótimo atacante argentino de 26 anos: Mauro Icardi, que já havia ameaçado (e irritado) a organizada da Inter em sua autobiografia, conseguiu agora dividir a própria torcida com a mesma intensidade com que incomoda companheiros, treinadores e dirigentes – e é incrível que tudo possa ser exemplificado apenas nos meses mais recentes de sua carreira.

Se houve um tempo em que Icardi, pelo futebol jogado na Inter, era visto como vítima de uma poderosa panela formada pelos jogadores mais renomados da seleção argentina e por isso não era convocado, esse tempo ficou para trás.

Não é segredo, e agora parece pouco relevante, que a relação dele com Wanda Nara, ex-mulher do hoje vascaíno Maxi Lopez, foi fundamental para que Icardi não fosse bem quisto pelos companheiros de seleção: menos até por seu envolvimento com Nara quando ela ainda era casada com Maxi, mais por suas atitudes provocadoras após o caso, que envolviam até os filhos de Maxi (de quem fora muito amigo) com a ex-mulher.

Wanda Nara, que se tornou então empresária de Icardi, virou a partir daquele episódio pivô de inúmeras polêmicas envolvendo o jogador. Atuando sempre de maneira midiática, com declarações fortes e interpretações emocionadas na televisão, Nara colocou sobre o atacante holofotes que ele só precisava ter apontados para si dentro de campo.

E assim, em fevereiro, a Inter anunciou através de uma nota seca em seu site que Icardi perdera a faixa de capitão para o goleiro Handanovic. A atitude foi uma reação do diretor Beppe Marotta às declarações da empresária sobre a complicada renovação de contrato com a Inter: a gota d’água foi a ameaça de o argentino vestir a camisa da rival Juventus. Para os dirigentes, a atitude não “condizia com a de um capitão”.

Wanda Nara chegou a ir à televisão após a punição. E chorou, dizendo que tudo o que Icardi mais queria era jogar pela Inter.

Não foi o que se viu. Afinal, após se recusar a viajar para um jogo da Liga Europa, Icardi alegou problemas físicos negados pelos próprios médicos da Inter (!) e ficou por mais de um mês afastado. “Precisar de mediação para fazê-lo vestir a camisa da Inter é uma coisa humilhante. Perguntem a qualquer torcedor o que ele pensa disso”, afirmou recentemente o técnico Luciano Spalletti a respeito da ausência do atacante, que a partir de um certo momento o próprio treinador optou por não convocar.

A irritação de Spalletti com Icardi fez com que ele subisse o tom de maneira surpreendente no final de março, após derrota para a Lazio na qual optou por não tê-lo em campo: “A Inter ficou seis anos sem ir à Champions, e Icardi estava aqui. Quantas partidas assim, ou piores, perdemos com ele em campo? Essa narrativa interessa a vocês [jornalistas] que fazem ficção. Quem faz diferença em campo são Messi, Ronaldo e poucos outros”.

Torcida da Inter para Icardi, ainda em 2016: 100 gols e 100 troféus não apagarão a merda que você é
Torcida da Inter para Icardi, ainda em 2016: 100 gols e 100 troféus não apagarão a merda que você é Getty Images (arquivo)

As frases de Spalletti não agradaram a diretoria da Inter, que nos dias seguintes viu uma matéria da Gazzetta dello Sport tratar sobre a desvalorização de Icardi: por todos os imbróglios, de acordo com o jornal, o atacante cuja cláusula rescisória de 110 milhões parecia passível de ser paga por gigantes europeus no início da temporada, hoje não vale mais de 60 milhões de euros.

Ao não convocar Icardi, porém, Spalletti deixava mais que subentendido não o fazer também por um desejo do elenco, inconformado com a postura do argentino: “Eu preciso ter credibilidade dentro do vestiário, e isso eu tenho há 22 anos. A disciplina é a coisa mais importante em um grupo”.

Se foi por pressão da diretoria ou não, o fato é que Icardi foi chamado já para o jogo seguinte ao da Lazio, aquele que gerou as fortes declarações de Spalletti. Atuando contra o Genoa fora de casa, o atacante voltou ao time, fez um gol de pênalti, deu assistência para Perisic – apontado como um de seus principais desafetos no grupo – e foi eleito o melhor jogador em campo na goleada por 4 a 0.

Foi só mais uma prova de que, para alguns jogadores de futebol, a qualidade é apenas um detalhe.

 
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Fonte: Gian Oddi

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