O que Guardiola ensina aos brasileiros ao beijar medalha de vice da Champions League

Gian Oddi
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Pode ter acontecido numa mera disputa de crianças ou até mesmo numa irrelevante competição jogada por jornalistas: se você já teve a chance de assistir a campeonatos de futebol amadores, certamente já viu os derrotados numa final arrancarem de seus pescoços as medalhas de prata como se elas fossem compostas por algum material radiativo.

É justo dizer que a sensação do fracasso e o incômodo da derrota recente podem colaborar com a atitude, tão antipática quanto antidesportiva. Mas não é só isso. Porque nada justifica que, diante da derrota, todos reajam da mesma maneira, como se houvesse não só uma uniformidade nos sentimentos, mas nas reações a esses sentimentos. Como se fôssemos todos iguais.  

Chelsea domina, vence o Manchester City e é campeão da Champions League; assista


Já faz um bom tempo, desde a existência da comunicação de massa, que gestos de ídolos como jogadores de futebol tendem a ser copiados. Copiados por atletas mais jovens, candidatos a ídolos. Copiados nos videogames. Copiados por crianças. Por tiktokers. Por jornalistas em campeonatos de brincadeira. Copiados incondicionalmente, sem pensar. São muitas vezes gestos estéticos, poses, nada além.

Por isso chamou a atenção de tanta gente, no último sábado, quando Pep Guardiola, o maior e melhor técnico do planeta, beijou sua medalha de prata logo após perder por 1 a 0 para o Chelsea na final da Champions League. Não foi certamente um gesto ensaiado ou arquitetado, até porque não seria normal o técnico catalão ter ensaiado o que faria em caso de derrota.

Dentro de campo, Guardiola tentou surpreender, com uma escalação inusitada (e estranha), o alemão Tomas Tuchel. Não deu certo. Na premiação, seu surpreendente gesto, conscientemente ou não, passou uma mensagem óbvia e clara, que só poderia partir de quem consegue olhar não apenas para os últimos 90 dos 1.170 minutos de futebol jogados pelo Manchester City na Champions.

É uma mensagem que serve para nos lembrar – e especialmente no Brasil precisamos ser lembrados disso toda hora – que o futebol é um esporte e, como em todo esporte, haverá sempre vencedores e derrotados. Serve para nos lembrar que perder uma final é melhor que não chegar ali. Serve para nos lembrar que uma derrota não nasce sempre de erros e que o mérito do vencedor pode ser maior que o demérito do perdedor. Que um jogo perdido não deve ser sempre motivo de crise.  Serve para nos lembrar, basicamente, o que é o futebol.

Técnico do Manchester City, Pep Guardiola beija a medalha de vice-campeão da Champions League
Técnico do Manchester City, Pep Guardiola beija a medalha de vice-campeão da Champions League Pierre-Philippe Marcou/Getty Images

 
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Espetáculo de Pedro tornou ainda mais insensato tudo que veio antes dele no Maracanã

Gian Oddi
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Flamengo x Grêmio pelas quartas de final da Copa do Brasil era até então o que alguns gostam de chamar, usando uma apropriada metáfora de guerra, de "batalha campal", enquanto outros, mais compreensíveis com a lógica vigente por aqui, preferem definir como "jogo tenso e brigado".

O fato é que mesmo se tratando de um confronto já decidido, uma mera formalidade de tabela, até o momento da entrada de Pedro, as reclamações, empurrões, brigas e tentativas de esperteza superavam em boa medida o desejo de jogar futebol por parte dos 22 atletas dentro de campo no Maracanã.

A má arbitragem – que já não deveria ser novidade – era, como de costume, a justificativa para a desnecessária, ineficaz e cansativa atitude dos atletas. Porque afinal é essa a lógica imperativa nos campos de futebol do Brasil: se a arbitragem já é ruim, por que não a tornar ainda pior e mais conturbada?

Acontece que, aos 15 minutos do 2º tempo, Renato Gaúcho resolveu colocar Pedro para jogar futebol. O ótimo centroavante reserva do Flamengo entrou em campo para substituir o também ótimo, mas sempre irritado e reclamão, Gabigol.

Pedro: com foco na bola, ele decidiu o jogo no Maracanã
Pedro: com foco na bola, ele decidiu o jogo no Maracanã Marcelo Cortes / Flamengo

Para surpresa de praticamente todos os que em campo viam no time adversário um inimigo para exterminar a qualquer custo, a primeira atitude de Pedro após entrar foi, sorrindo, correr para dar um caloroso abraço em Rafinha, agora gremista mas até pouco tempo atrás seu ex-companheiro de Flamengo.

A partida seguiu e Pedro seguiu na boa, buscando a bola e não o árbitro. Buscando jogar e não gritar. Exibir técnica e não virilidade. O que veio a seguir todo mundo viu: foi o jogador mais disposto a jogar bola que decidiu a partida com a linda bicicleta do lance do pênalti e os dois gols da vitória rubro-negra.

Deve ter sido uma surpresa para seus colegas em campo, mas Pedro mostrou que, por mais maluco que pareça, é possível ganhar um jogo de futebol jogando futebol.

Pedro entra e decide o jogo no Maracanã. Assista:


 
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Recorde atingido por Messi após superar Pelé é (apenas) um fato

Gian Oddi
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Ao fazer os três gols da vitória argentina sobre a Bolívia pelas eliminatórias da Copa do Mundo, Lionel Messi chegou aos 79 marcados com a camisa de sua seleção, superando Pelé – que tem 77 gols feitos pelo Brasil –, e tornando-se assim o recordista de gols marcados por uma seleção sul-americana na história do futebol.

Este é um fato, incontestável e sem margem para interpretações. Um fato que não permite grandes ilações e que não traz em si qualquer significado oculto, mas um fato evidentemente digno de registro e que não à toa tomou o espaço de manchetes no mundo todo.

Messi faz três contra a Bolívia e supera recorde de Pelé; assista


Quando Cristiano Ronaldo recentemente superou o iraniano Ali Daei como o maior artilheiro de seleções da história do futebol, não houve qualquer discussão, relativização ou debate que gerasse comparações entre os jogadores evidentemente incomparáveis.

O mesmo não ocorre no caso do recorde sul-americano, que devido às monstruosas qualidades do atual e do antigo recordistas, além da sempre inflamada rivalidade entre brasileiros e argentinos, acaba por gerar uma série de comparações e relativizações na esteira do recorde.

Há quem argumente, com absoluta razão, que Messi precisou de 62 jogos a mais que Pelé para superar o brasileiro. O que também pode ser relativizado, com igual sentido, ao comprovarmos que a média de gols por jogos nos tempos do craque brasileiro era bem superior à média atual de gols por partida.

Ainda que diversos argumentos possam ser encontrados para tentar equiparar Messi com Pelé, este mais novo recorde pouco ou nada influencia e não serve como grande argumento para quem pretende fazê-lo.

Tanto que é bem possível, para não dizer provável, que Neymar venha a superar não apenas Pelé mas também o próprio Messi nesta mesma relação, o que não deve ser jamais capaz de colocá-lo no patamar nem de um e nem do outro, faça o que fizer o atual camisa 10 da seleção na reta final de sua carreira.

Comparações no futebol são muitas vezes divertidas e, em outras, até interessantes. Pode até ser o caso deste Messi x Pelé, que para muitos é um sacrilégio, uma comparação proibida. Esteja você do lado que estiver, porém, é preciso admitir: o recorde desta quinta é somente um fato importante.

Messi, em jogo no qual fez três gols contra a Bolívia
Messi, em jogo no qual fez três gols contra a Bolívia JUAN IGNACIO RONCORONI/POOL/AFP



 VEJA O RANKING DE GOLS MARCADOS POR SELEÇÕES:

Mais gols por seleções da América do Sul:
1. Messi (Argentina) - 79 gols
2. Pelé (Brasil) - 77 gols
3. Neymar (Brasil) - 68 gols
4. Luis Suárez (Uruguai) - 64 gols
5. Ronaldo (Brasil) - 62 gols
6. Romário (Brasil) - 55 gols
7. Gabriel Batistuta (Argentina) - 54 gols
8. Edinson Cavani (Uruguai) - 53 gols

Mais gols por seleções no mundo:
1. Cristiano Ronaldo (Portugal) - 111 gols
2. Ali Daei (Irã) - 109 gols
3. Mokhtar Dahari (Malásia) - 89 gols
4. Ferenc Puskás (Hungria) - 84 gols
5. Godfrey Chitalu (Zâmbia) e Lionel Messi (Argentina) - 79 gols
6. Hussein Saeed (Iraque) - 78 gols
7. Pelé (Brasil) - 77 gols


 
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Sobre dívidas, mecenas, irresponsabilidade e transparência

Gian Oddi
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Sinal dos tempos, hoje são poucos os temas capazes de tirar torcedores do sério como ocorre quando se questiona a capacidade de um clube de futebol contratar jogadores sem desequilibrar suas finanças e sem comprometer, pelo menos em tese, o seu futuro.

Como não estamos falando de um país no qual os clubes costumam ser punidos por inadimplência, criou-se no Brasil um fato curioso: torcedores preocupam-se apenas com as finanças dos rivais e nunca com as do seu próprio clube.

A lógica, embora em parte equivocada, é simples: há pouco o que temer. Seja pelo eterno socorro governamental, pela infinita rolagem de dívidas ou pela falta de pulso e critério da CBF ao barrar inscrições de clubes quebrados, a bancarrota não gera temor por suas consequências. É melhor um time forte e um clube quebrado a um clube são com time mediano.     

Diego Costa, Calleri, Willian e mais: a 'louca' janela de transferências do futebol brasileiro; veja


O clamor pelo Fair Play Financeiro, a contestação sobre o mecenato e o inconformismo com as dívidas têm, para muita gente, uma única função relevante: impedir os adversários de contratar bons jogadores, tornarem-se competitivos e conquistarem títulos. Para os times rivais, a responsabilidade; para o meu time, a ousadia.

“Ousadia” é o termo, porque na esteira da ira dos torcedores surgem teses simplistas (e muito populares, cheias de likes) de que “é preciso investir muito para obter retorno”. De que gastar é necessário para voltar a crescer. Embora a ideia faça sentido em cenários específicos, ela não deveria ser aplicada num contexto de dívidas imorais, prioritárias, por exemplo com assalariados cujas rendas mensais não representam um milésimo da renda mensal do jogador renomado que pode chegar.

Soluções para problemas do gênero, sobretudo nos clubes com enorme capacidade de gerar receita, são inúmeras. Você pode encontrar um mecenas que resolva lhe ajudar e que, contratualmente, esteja disposto a assumir o prejuízo no caso de os planos não darem certo; pode encontrar novos patrocinadores; pode enxugar as despesas, renegociar todas suas dívidas e provar que, sim, será possível pagá-las mesmo contratando alto; pode usar a criatividade para buscar novas receitas; pode fazer muita coisa, muita coisa mesmo.

Seja qual for a solução encontrada, porém, é preciso ser transparente e, dentro do possível, abrir os números, planilhas e planos; explicar com detalhes o que se pretende fazer; apresentar esses planos abertamente àqueles com capacidade de interpretá-los e questioná-los para que, sempre no campo da teoria, o torcedor possa se sentir seguro com aquilo que está sendo feito no seu clube de coração.

Essa transparência, porém, é a última coisa que se exige de um dirigente de futebol brasileiro. Primeiro porque os clubes não pagam, literalmente, por seus erros. E também porque, pelo menos com seu torcedor, estará tudo bem se um novo craque chegar no fim do mês.

Sede da CBF, no Rio de Janeiro
Sede da CBF, no Rio de Janeiro Lucas Figueiredo/CBF

 
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Vinicius Jr., Gabriel Jesus e a tristeza dos que amam odiar

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Gabriel Jesus e Vinicius Jr. são, além de dois ótimos jogadores de futebol, duas figuras adoráveis que atuam em dois dos mais importantes clubes de futebol do mundo. Não deveria haver, portanto, nenhum motivo que levasse torcedores de qualquer time do Brasil a nutrir qualquer tipo de sentimento negativo em relação aos dois atacantes brasileiros que tão bem representam o país lá fora.

Ambos chegaram lá através do próprio talento e esforço. Cada um à sua maneira, são exemplos também pela postura que tiveram ao desembarcar para jogar futebol em duas das ligas mais importantes do planeta: souberam, e ainda sabem, esperar; entendem que a badalação vivida por aqui no início de suas carreiras em nada os ajudaria na Europa; têm a consciência de que não ser “o melhor” não significa ser irrelevante.

Ao contrário de tantos jogadores que desembarcam no futebol europeu e logo voltam por não entender as mudanças de contexto que vivem, Gabriel e Vinicius Jr. não têm arrogância alguma: foram à Europa para aprender, para ouvir e aproveitar as oportunidades que lhes fossem concedidas pelos melhores técnicos do mundo. Exatamente como ocorreu neste fim de semana, nos jogos de Manchester City e Real Madrid.

Gabriel Jesus no Manchester City
Gabriel Jesus no Manchester City Getty Images

Gabriel Jesus foi eleito o melhor em campo na goleada sobre o Norwich e, não bastasse isso, ouviu de Pep Guardiola, após o jogo, frases que levará para a vida toda e que poderá ostentar no seu currículo. Frases como: “A melhor coisa de ser um técnico de futebol é poder trabalhar com pessoas como o Gabriel. Ele nunca reclama, sempre faz o melhor possível, nunca desrespeita os colegas ou minhas decisões. Joga sempre feliz.”

Vinicius Jr., por sua vez, saiu do banco de reservas para fazer dois dos três gols do Real Madrid no empate com o Levante (veja no vídeo abaixo). Segundo a imprensa espanhola, o brasileiro conta com toda confiança do técnico Carlo Ancelotti, que já teria dado ao atacante importantes conselhos em relação às decisões que toma dentro da área – ele já fez 3 gols em apenas 55 minutos jogados no atual Campeonato Espanhol.

Veja os gols de Real Madrid x Levante!

    

Diante do talento e da postura do dois, seria muito difícil entender por que, sempre que seus nomes vêm à tona, uma infinidade de comentários negativos discutindo suas qualidades ou questionando seus futuros contamina o debate. Seria difícil, mas não é, porque estamos a cada dia mais habituados com o clubismo doentio e nocivo que tem contaminando tudo que envolve o futebol no Brasil.

É notável a tristeza na vida dos que amam odiar, dos que preferem celebrar as derrotas alheias às próprias vitórias, dos que buscam motivos para festejar o insucesso do outro na patética esperança de conseguir atrelá-lo a um rival. Vinicius Jr. e Gabriel Jesus não jogam mais por Flamengo e Palmeiras, aos quais certamente são gratos. Assim, contentar-se com o sucesso deles deveria ser o óbvio para qualquer fã de futebol no Brasil: não só pelo que estes garotos fazem em campo, mas por como são fora dele. Infelizmente, não é assim.    

Vinicius Jr. e Gabriel Jesus têm hoje muitos motivos para comemorar. As grandes atuações por seus clubes no fim de semana, o fato de vestirem duas das camisas mais importantes do futebol atual, o apreço de seus treinadores. Mas, além de tudo isso, eles têm que celebrar o sucesso profissional que os consolida como jogadores relevantes em um ambiente que, mesmo podendo não ser o ideal, é bem menos tóxico e contaminado do que o que temos vivido onde eles começaram suas importantes trajetórias.

Vinicius Jr comemora gol do Real Madrid
Vinicius Jr comemora gol do Real Madrid Getty Images

 
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Vai começar o Campeonato Italiano: listamos as 23 principais contratações da Série A até aqui

Gian Oddi
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Vai começar o Campeonato Italiano da temporada 2021-22 e, dentre as novidades, muitas aparecem no comando técnico de alguns dos principais times do país: José Mourinho na Roma, Maurizio Sarri na Lazio, Simone Inzaghi na Inter de Milão, Luciano Spaletti no Napoli e até o brasileiro Thiago Motta no Spezia são algumas delas. Em campo, porém, os times ainda trabalham para se reforçar até o dia 31 de agosto, quando será encerrado o período para transferências de novos jogadores na Itália. 

Até esta data limite, novos reforços podem e devem ser anunciados. Contudo, a apenas dois dias do início do Italiano, que nesta temporada será exibido ao vivo pelos canais ESPN, Fox e pelo Star+, já é possível elencar aquelas que são, na avaliação do blog, as 23 contratações mais relevantes feitas até aqui pelos clubes que jogarão a competição (só não me pergunte por que 23). Confira abaixo a relação, que está em ordem alfabética e não de relevância. 

<strong>Principal reforço da Roma, Abraham abraça seu novo técnico, José Mourinho</strong>
Principal reforço da Roma, Abraham abraça seu novo técnico, José Mourinho divulgação A.S.Roma

 

Abraham (atacante, Roma) Após iniciar muito bem sua trajetória no Chelsea e perder espaço na última temporada, o jovem centroavante inglês chega por um alto preço com a missão de ocupar a vaga deixada por Dzeko no time de José Mourinho.


Arnautovic (atacante, Bologna) O centroavante da Áustria na última Euro – durante a qual chegou a ser suspenso por um gesto supremacista feito numa comemoração de gol – volta à Itália onde já vestiu (sem brilho) a camisa da Inter. A torcida o recebeu com festa e expectativa.

Caldara (zagueiro, Venezia) O zagueiro outrora bem mais badalado, que já jogou por Juventus e Milan, segue pertencendo ao clube milanês com seus 27 anos de idade, mas nesta temporada será emprestado ao time recém-chegado na Série A.

Çalhanoglu (meia, Inter) O meia turco, titular na última temporada do Milan, não muda de cidade mas muda de clube para assumir as funções que seriam provavelmente do dinamarquês Christian Eriksen, afastado (temporariamente?) por problemas cardíacos.

Cutrone (atacante, Empoli) Ex-Milan, Fiorentina, Valencia e Wolverhampton (a quem ainda pertence), o centroavante de apenas 23 anos tenta agora, emprestado para o Empoli, corresponder às expectativas geradas no início de sua carreira com a camisa milanista.

Demiral (zagueiro, Atalanta) Outro jogador que, aos 23 anos, jogará para confirmar a grande expectativa em torno de seu futebol. Chega por empréstimo da Juventus para substituir o argentino Cristian Romero, que foi para o Tottenham.

Dumfries (lateral, Inter) O lateral titular da seleção holandesa, aos 25 anos, chega bem credenciado, mas com uma dura missão: substituir o campeão italiano Hakimi, que foi negociado com o PSG por 70 milhões de euros para ajudar a equilibrar as finanças do clube.

Dzeko em ação pelo seu novo clube, a Inter
Dzeko em ação pelo seu novo clube, a Inter divulgação inter.it

Dzeko (atacante, Inter)
Após anos de namoro, o time milanês finalmente conseguiu a contratação do bósnio de muitos gols marcados com a camisa da Roma. Agora, porém, ele terá que substituir Lukaku na parceria com o argentino Lautaro Martinez.  

Felipe Anderson (meia, Lazio) Após passagens por West Ham e Porto, o meia brasileiro volta para jogar na Lazio, onde viveu o melhor momento de sua carreira, e será agora comandado pelo respeitado técnico Maurizio Sarri, ex-Napoli, Chelsea e Juventus.

Florenzi (lateral, Milan)* Aos 30 anos, o versátil lateral-direito da seleção italiana volta à Itália após passagens por Valencia e PSG, a quem estava emprestado. Para jogar no Milan, que o contratou da Roma, o jogador aceitou reduzir o seu salário.  

Giroud (atacante, Milan) O atacante francês campeão mundial e europeu chega do Chelsea para ser em princípio uma alternativa ao sueco Zlatan Ibrahimovic. Uma parceria entre os dois, contudo, também não foi descartada pelo técnico Pioli.  

Kaio Jorge (atacante, Juventus) Com apenas 19 anos, o brasileiro rejeitou uma proposta do Benfica para assinar com a Juve até 2026. Porém, num elenco tão renomado, precisará mostrar muito serviço para ganhar espaço logo de cara.

Locatelli (meio-campista, Juventus) Foi talvez a maior novela do mercado italiano. Após muito esforço, finalmente, a Juve conseguiu tirar do Sassuolo o meio-campista que aproveitou muito bem seus minutos em campo com a seleção italiana no título da última Euro.  

Maignan (goleiro, Milan) Repor a saída de Donnarumma era difícil. Mas, dentro das suas possibilidades, o Milan fez boa aposta ao tirar o goleiro de 26 anos do Lille, surpreendente campeão francês na última temporada.

Matheus Henrique (meio-campista, Sassuolo) Recente time-sensação da Itália, que perdeu o técnico De Zerbi para o Shakhtar, o Sassuolo buscou reforços no Grêmio: além do bom volante, que iniciará a Serie A 2021-22, o zagueiro Ruan chegará em janeiro do ano que vem.    

Musso (goleiro, Atalanta) Para substituir Gollini, agora no Tottenham, a Atalanta buscou um dos goleiros campeões da Copa América com a Argentina e titular (em bom nível) com a Udinese nos últimos três Italianos.  

Nico Gonzalez (atacante, Fiorentina) Outro campeão sul-americano com a Argentina, o atacante multi-funções, adorado pelo técnico da albicesleste Lionel Scaloni, chega do Stuttgart muito festejado, por (no mínimo, sem os bônus) 23 milhões de euros.

Pedro (atacante, Lazio) Em campo, as atuações do ex-jogador de Barcelona e Chelsea pela Roma não foram boas. A relevância da transferência do espanhol, porém, é outra: após 40 anos, um jogador é negociado diretamente entre os rivais da capital italiana.      

Rui Patrício (goleiro, Roma) Pedido de José Mourinho, o goleiro titular da seleção portuguesa chega à capital italiana, do Wolverhampton, para assumir a camisa 1. Tudo indica que seu reserva imediato será o brasileiro Daniel Fuzato, ex-Palmeiras.

Shomurodov (atacante, Roma) Para contar com o atacante uzbeque que marcou 8 gols no último Italiano com a camisa do Genoa, a Roma pagou mais de 17 milhões de euros. Em princípio, porém, ele não chega para ser titular da equipe de Mourinho.   

Sirigu (goleiro, Genoa) O ex-goleiro do PSG, que foi titular do Torino nas últimas quatro edições da Serie A, chega a custo zero, assim como a maioria dos reforços contratados, para assumir a titularidade da equipe genovesa.

Strootman (meio-campista, Cagliari) Aos 31 anos, o meio-campista holandês, ex-Olympique de Marselha, vai defender seu terceiro clube na Itália: foram mais de cinco anos com a camisa da Roma e a última temporada jogada pelo Genoa.

Viña (lateral, Roma) Antes cobiçado pelo Porto, o ex-palmeirense, titular da seleção uruguaia, chega em Roma para ocupar o vácuo deixado pelo ótimo Spinazzola, que rompeu o Tendão de Aquiles na Euro e vai demorar a voltar aos gramados.

*Ainda não foi feito o anúncio oficial.

 
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JOGOS DO ITALIANO TRANSMITIDOS PELA TV NA 1ª RODADA
Sábado, 13h30 - Inter x Genoa, na ESPN Brasil
Domingo, 13h30 - Udinese x Juventus, na Fox Sports
Segunda, 15h45 - Sampdoria x Milan, na ESPN Brasil  

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Ele não quer dar show: por que PSG não parece o destino ideal para Messi

Gian Oddi
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As lágrimas incontidas no adeus ao Barcelona. A calorosa recepção por parte dos torcedores parisienses. A generosidade do Fair Play Financeiro da Uefa com o PSG. O aluguel da Torre Eiffel. Os impactos em sua família. O vídeo de apresentação que mais parecia querer vender o Parc des Princes. O notável crescimento no número de seguidores nas redes sociais de seu novo clube. O novo cenário na disputa do prêmio de melhor do mundo. A escolha da camisa 30. Sua imagem sendo retirada de um enorme painel no Camp Nou. A amizade com Neymar e a rivalidade com Sérgio Ramos. O recorde de camisas vendidas em tão pouco tempo.

Não interessa qual a abordagem, qual o foco, mas Lionel Messi dominou o noticiário esportivo pelo planeta nos últimos dias. Tem sido impossível ouvir falar de futebol sem ouvir falar de Messi. Seu protagonismo é absoluto.

Tornar-se uma estrela dessa dimensão e ter voltados para si os holofotes do mundo inteiro parece ser o sonho de 10 entre 10 jogadores de futebol. Mas não é assim com Lionel Messi, que voluntariamente ou não resumiu em uma frase de sua primeira entrevista coletiva pelo PSG o momento que está vivendo: “Sinceramente, quero que tudo isso passe rápido”.

Messi durante apresentação ao PSG
Messi durante apresentação ao PSG Getty Images

Enquanto as outras estrelas deste esporte desfrutariam da badalação e da massagem no ego proporcionadas por uma das mais relevantes transações da história do futebol, Messi está desconfortável e só quer fazer uma coisa: jogar bola.

É um resumo de sua personalidade, da sua meta de vida, do seu desinteresse por quase tudo que não acontece dentro das quatro linhas de um campo de futebol. É também, de certa forma, uma explicação para o seu sucesso, que como se vê vai além de sua gigantesca aptidão, de sua genialidade.

É justamente por isso, contudo, que Lionel Messi pode passar a viver um dilema no PSG. Porque a mesma objetividade que demonstra ao priorizar o futebol em relação a tudo que acontece fora de um gramado, ele costuma demonstrar também em campo: seu jogo, embora genial, é pragmático e tem uma meta clara, que deveria ser a meta de todo jogador: chegar ao gol adversário.

Mesmo tendo toda capacidade do mundo para dar espetáculo, a Messi pouco importam as firulas, os lances supérfluos, a plasticidade. Assim como pouco importa ganhar tempo, provocar adversários, valorizar uma falta sofrida. Ele cai e levanta. E corre, vertical, com dribles e passes geniais, em direção à meta adversária. Messi não quer dar show, não quer aparecer, não quer posar de vítima. Ele quer chegar ao gol, ser o melhor e, claro, ganhar.  

É nesse ponto que jogar na França com a camisa do PSG não parece ser o destino ideal, embora provavelmente, por questões financeiras, fosse o único possível (ou quase).

No cenário nacional, Lionel Messi terá que se contentar com o que para ele parece nunca ter sido o mais importante: brincar de globe-trotter e, ao lado de Neymar, Mbappè e companhia, dar o espetáculo que o mundo todo está ansioso para ver.

É o que se espera do PSG. É o que se imagina de um verdadeiro dream team como não se vê há (no mínimo) 15 anos. O título de tudo que o PSG disputa na França, neste caso não se trata de contundência forçada ou sensacionalismo dizer, é mera obrigação devido à gigantesca diferença em relação aos competidores locais, uma formalidade para quem tem três dos quatro melhores jogadores do mundo.

Agora, Messi não terá um Real ou um Atlético de Madrid contra quem duelar, não terá a quem temer, contra quem disputar. Exceção feita aos (no máximo) 13 jogos da Champions League que pode fazer na temporada, seu desafio será lúdico. Tomara que lhe baste e que ele o supere com louvor. Amantes do futebol por todo o planeta irão agradecer. 


 
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Foi a vaidade, e não o desejo de explicar, que motivou a resposta de Daniel Alves

Gian Oddi
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Sejamos sinceros: ninguém espera dos jogadores de futebol do Brasil qualquer tipo de posicionamento que não seja aquele de dentro de campo, o das variações táticas. Com raríssimas exceções, e por motivos que não vêm ao caso aqui, questionamentos sociais e políticos não fazem parte de suas rotinas nem mesmo quando o tema em questão é relacionado ao sistema no qual estão inseridos, o do esporte.

Diante disso, é de se supor que o fato de os jogadores de futebol da seleção olímpica terem subido ao pódio vestindo os uniformes da Nike/CBF com os agasalhos da Peak/COB escondidos e amarrados em suas cinturas não passa daquilo que costuma ser a atitude desses mesmos jogadores em suas rotinas diárias: pura submissão sem contestação. Alguém mandou que assim fosse, eles assim fizeram. Para os jogadores de futebol da seleção, afinal, seria térmica a única diferença entre utilizar a camisa ou o agasalho.

Brasil recebe o ouro no pódio do futebol masculino na Olimpíada
Brasil recebe o ouro no pódio do futebol masculino na Olimpíada Anne-Christine Poujoulat/AFP/Getty Imag

É bem provável que, ao acatar tal ordem, nenhum deles tenha imaginado que a atitude poderia gerar consequências negativas, no aspecto financeiro, até mesmo para atletas de outras modalidades cujas realidades são bem diferentes das suas no dia a dia de um ciclo olímpico.

Ao responder uma nota divulgada pelo COB sobre o caso, o sempre supersincero nadador Bruno Fratus fez questão de deixar isso claro através do Twitter: “A mensagem foi clara: não fazem parte do time e não fazem questão. Também estão completamente desconexos e alienados das consequências que isso pode gerar a inúmeros atletas que não são milionários como eles”, escreveu.

Daniel Alves não gostou e, ostentando o rótulo de capitão da seleção, inflou-se para responder exatamente assim em sua conta de Instagram: “Eu como capitão dessa equipe respeito todas as opiniões de atletas de outros esportes, porém tem coisas que nós também não aceitamos dentro do esporte. Não queremos ser diferente de ninguém, mas não aceitamos algumas imposições. Favor quando forem exigir alguma coisa pro seus esportes, respeitar o nosso…. até mesmo porque presamos para que haja uma igualdade dentro das modalidades ou pelo menos um equilíbrio. Não se faz reivindicações criticando outros esportes, devemos criar uma base sólida nas nossas teses para defender as nossas solicitações”.

Deixemos de lado o vazio e a desconexão de boa parte da resposta do capitão da seleção. Mesmo nos atendo àquilo que é possível compreender, seu teor não faz sentido algum, não explica nada. 

Afinal, a quais “imposições” eles não se submeteram? A de vestir o agasalho? Ora, não teriam os jogadores da seleção aceitado a “imposição” de amarrá-los na cintura? E basta reler o comentário de Bruno Fratus para perceber que o nadador não desrespeitou ou criticou um “esporte”, e sim uma atitude que pode prejudicar atletas em situações mais precárias. Não seria melhor para Dani Alves buscar entender a questão e, no caso de ela já tiver sido entendida, explicar melhor e de forma mais direta, sem clichês vagos, por que eles preferiram usar os uniformes da Nike aos da Peak, que foram utilizados por todos os outros medalhistas olímpicos do Brasil?

Está claro que Daniel Alves não estava interessado em dar respostas com fatos e explicações para que entendêssemos o porquê da postura. Provavelmente, bastaria dizer o óbvio: “Fomos orientados a utilizar apenas as camisetas e assim fizemos, sem imaginar que isso poderia ter consequências negativas para outros atletas. Os ataques que estamos recebendo são injustos, reclamem com a CBF ou com o chefe do futebol olímpico”. Pelo histórico dos jogadores já citado, ninguém duvidaria da versão.

Está claro, porém, que foi por absoluta vaidade que Daniel Alves preferiu posar de galo, bater no peito e dar uma resposta sem responder absolutamente nada. Afinal, era o suficiente para que, na sequência, recebesse vários elogios de seus companheiros capitaneados na seleção, também através do Instagram. Coisas do tipo: “Bom demais capita!”, “Craque craque e craque!”, “É isso capita!” ou “É todo mundo contigo capita!”

Bom saber que pelos menos aos outros jogadores da Seleção Brasileira a vaga resposta de Daniel Alves agradou. Já para quem pretendia entender os motivos que os levaram a usar as camisas e não os agasalhos.... 


 
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Daniel Alves fala sobre polêmica do uniforme usado no pódio olímpico e diz que 'futebol é diferente'

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Foi a vaidade, e não o desejo de explicar, que motivou a resposta de Daniel Alves

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Olimpíada revela como é miserável nossa relação com o futebol

Gian Oddi
Gian Oddi

Acabaram os Jogos Olímpicos de Tóquio e, como costuma acontecer ao fim de uma competição do gênero, a melancolia toma conta de quem ama esporte e se esforçou nas duas últimas semanas para seguir de perto e se emocionar diante de tudo que rolava do outro lado do mundo com o melhor do esporte e da desportividade. Para quem vive no Brasil e tem o futebol como sua maior paixão, então, a melancolia é ainda maior.

Porque ficarão para trás, guardados na memória, episódios em que atletas e torcedores derrotados entendem que ganhar e perder faz parte do esporte. Ficará para trás a compreensão de que só um pode ser o melhor, e que não o ser não é necessariamente um fracasso. Ficará para trás o companheirismo e respeito entre rivais. Ficarão para trás aqueles que não buscam nos erros dos outros, em geral dos árbitros, todas as justificativas para suas derrotas.

Letícia Bufoni e Rayssa Leal: skate deu show de esportividade na na Olimpíada
Letícia Bufoni e Rayssa Leal: skate deu show de esportividade na na Olimpíada JEFF PACHOUD/AFP via Getty Images

Não se trata de comparar modalidades esportivas e ignorar suas diferenças óbvias. Não faria sentido, num jogo de futebol, ver a camaradagem dos skatistas torcendo um pelo outro e colocando a curtição pelo esporte acima da busca por medalha. Ninguém exigirá o mesmo nível de respeito à arbitragem que vemos nas artes marciais ou a mesma amizade demonstrada entre os melhores saltadores do mundo. Ninguém cobrará abraços e beijos após uma disputa como vimos até mesmo em modalidades nas quais os atletas passam o tempo todo se espancando.

Olimpíadas de Tóquio: Veja como foi a cerimônia de encerramento


Não se trata tampouco de querer impor ao nosso futebol uma utopia olímpica, mas não faltam exemplos no mundo para nos mostrar que o respeito à modalidade mais popular do planeta poderia ser bem maior por aqui, que a nossa relação com o futebol poderia ser bem melhor e mais saudável, e isso vale tanto para dirigentes, jogadores e técnicos como para torcedores e jornalistas.

Seria já um grande passo partirmos do pressuposto que o futebol é um jogo, e que para vencê-lo é mais eficiente jogar futebol do que recorrer a pressões, reclamações, caretas ou intimidações. Ajudaria bastante aprender a perder e, sobretudo, não ultrapassar certos limites dentro e fora de campo para tentar vencer. Compreender que nem toda derrota é um fracasso, por mais que tratá-la assim possa dar mais audiência.

Nossa relação com o futebol tem sido pobre, triste, e isso diminuiu também a nossa capacidade de curtir seu lado bom. A supervalorização das derrotas (também por parte da imprensa esportiva) ajuda a tornar cada vez mais efêmeros os prazeres de uma conquista. A um time campeão, em questão de semanas, bastará perder dois ou três jogos pouco relevantes para ter seu técnico questionado e ficar apto a saciar o fetiche de torcedores e jornalistas pelo uso de termos como “vexame” e “vergonha”.

Ao mesmo tempo, o ódio pelo adversário parece ter se tornado o maior combustível na busca pela vitória. Esqueça a celebração no bar com os amigos. A meta é gritar “chupa” na janela do vizinho, é postar cuspindo ódio nas redes sociais. As mesmas redes nas quais os maus perdedores (em boa parte aqueles que viraram “especialistas” em arbitragem de surfe e judô durante a olimpíada) buscam desculpas para os insucessos de seus times.

A não ser que fossemos subitamente tomados por esse espírito olímpico, é assim, desse jeito miserável, que seguiremos nos relacionando com nosso futebol. Esqueçamos a Olimpíada. O show de espírito esportivo visto em Tóquio ficará para trás e nós voltaremos, infelizmente, a nos acostumar com essa nossa peculiar cultura esportiva. Pelo menos até 2024.


 
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Brasileiros avançam com bom futebol na Libertadores. E a Conmebol precisa ressaltar: é isso que conta

Gian Oddi
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Com ótimas atuações em seus jogos de volta pelas oitavas de final da Conmebol Libertadores, Flamengo, Palmeiras e São Paulo se uniram ao Atlético-MG (de atuação pouco brilhante) e já estão nas quartas de final do torneio, que ainda podem contar com Internacional e Fluminense. Ou seja: dos oito times na próxima fase da competição, seis podem ser brasileiros.

Que os resultados são reflexo de maior potencial técnico e de maior capacidade de investimento das equipes brasileiras parece óbvio, tanto que os quatro times do país já classificados às quartas eram, antes mesmo de seus confrontos, pelos elencos que têm, os favoritos para avançar na competição.

Reflete-se assim, portanto, uma realidade relativamente nova da principal competição sul-americana de clubes: ao contrário do que imperou por décadas na Libertadores, ser melhor jogando futebol, entre as quatro linhas apenas, é cada vez mais relevante e suficiente para se atingir boas campanhas no torneio.

Cenas lamentáveis! Nos túneis do Mineirão, Boca e Atlético-MG entram em confronto, e grades e lixos são arremessados; veja

Apesar das reclamações de arbitragem favorável aos times brasileiros (algumas justas, outras, não), o lugar-comum de que “Libertadores se ganha nos bastidores”, “na catimba” ou “na porrada” vai aos poucos, de forma gradual, ficando para trás.

Há, porém, como se viu no segundo confronto entre Atlético e Boca Juniors, quem ainda encare a Libertadores como uma competição bélica, na qual um jogo de futebol, se não puder ser vencido com gols, será vencido com intimidações, socos, pontapés e depredações.

Não se trata de criar estereótipos sobre nacionalidades, de repetir clichês tolos e injustos, de querer rotular argentinos, uruguaios, brasileiros ou bolivianos.

Se trata tão somente de avaliar episódios específicos e dar a eles os tratamentos justos e necessários para confirmar o que é uma inegável, ainda que lenta, evolução na competição. Se a Conmebol tiver interesse em desfazer a ideia por tantos anos tão comum de que na Libertadores o futebol é um detalhe, ela não deveria ignorar ou minimizar o bizarro episódio de quarta-feira à noite no Mineirão.

A cobiçada taça da Libertadores
A cobiçada taça da Libertadores Twitter Oficial Conmebol


 
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Campeão por campeão: a análise de cada jogador na merecida (e coletiva) conquista da Itália

Gian Oddi
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Campeã da Euro-2020 após a vitória nos pênaltis na decisão contra a Inglaterra, a Itália fez por merecer sua conquista mais que qualquer outra seleção. Não porque tenha jogado muito melhor que todos seus rivais, pois neste aspecto houve notável equilíbrio – e a Itália esteve, certamente, entre as melhores.

Também não é pelo fato de os italianos, na casa do rival, terem tido 65% de posse de bola na final e terem finalizado 19 vezes (6 no alvo) contra apenas 6 finalizações (2 no alvo) dos ingleses que a conquista se torna mais merecida. Estes números, afinal, são um reflexo do contexto que se apresentou na decisão após o gol inglês logo no início.

O título italiano é merecido, acima de tudo, porque o trabalho de seu treinador, Roberto Mancini, é de longe o melhor entre os treinadores das grandes seleções da Euro-2020.  Mancini transformou em campeã europeia, com uma invencibilidade de 34 jogos, uma seleção que não havia nem mesmo se classificado para a Copa do Mundo de 2018.

Comemoração italiana! Leonardo Bertozzi é 'atrapalhado' por rostos conhecidos comemorando título da Itália na Eurocopa


E  o fez sem grandes estrelas. Sem nomes como Mbappé, Pogba, Lukaku, De Bruyne, Cristiano Ronaldo ou Harry Kane. O fez com um elenco de bons jogadores (alguns dos melhores perdidos por lesões antes ou durante o torneio), mas que, no conjunto, se comparado, fica atrás de pelo menos quatro outras seleções que disputaram esta Euro.

O título da Itália é um título coletivo. O título de um grupo, acima de tudo. O que não nos impede de analisar, uma a uma, as participações dos 27 jogadores do elenco de Roberto Mancini na conquista:

Elenco italiano celebra com o goleiro Donnarumma após pênaltis defendidos na final
Elenco italiano celebra com o goleiro Donnarumma após pênaltis defendidos na final Twitter oficial Eurocopa

5 ESTRELAS

Donnaruma – eleito o melhor jogador do torneio, foi o campeão com mais minutos em campo e fundamental nas disputas de pênaltis contra Espanha e Inglaterra.

Jorginho – Apesar do erro no pênalti na final, foi o dono do meio-campo italiano durante toda a Euro e o jogador de linha que mais atuou entre o elenco campeão.

Bonucci e Chiellini – É justo manter a dupla da Juventus unida também nesta avaliação: segurança, experiência e liderança em dobro. Ter recuperado Chiellini após a lesão contra a Suíça foi essencial. E Bonucci ainda fez o gol de empate na decisão.

 

4 ESTRELAS

Spinazzola – Enorme na defesa e no apoio, era o melhor jogador da Itália até se machucar nas quartas-de-final contra a Bélgica.

Insigne – Ainda que se esperasse mais momentos brilhantes como o gol contra a Bélgica, deu muito trabalho às defesas adversárias durante toda Euro. O mais técnico ao lado de Chiesa.

Chiesa – Ganhou a vaga durante a Euro não por lesão de um titular, mas por desempenho técnico. Vinha muito bem na final até se machucar. Um dos cinco jogadores do elenco a marcar dois gols.

Verratti – Recuperou-se da lesão que colocou em dúvida sua participação na Euro e atuou bem o suficiente para manter Locatelli no banco de reservas.

 

3 ESTRELAS

Di Lorenzo – Ganhou lugar no time pela lesão de Florenzi e não saiu mais. Mesmo sem ser brilhante, foi defensivamente seguro em quase todos os momentos dos jogos eliminatórios.

Barella – Titular em todo o torneio, fez importante gol contra a Bélgica, mas não rendeu na seleção o mesmo que na Inter. 

Berardi – Fez ótima estreia contra a Turquia, mas depois acabou perdendo a vaga de titular graças ao bom rendimento de Chiesa. Virou opção importante no banco.

Emerson – Teve a dura missão de substituir Spinazzolla após sua lesão nas quartas. Ainda que sem o mesmo brilho, e apesar de início titubeante na final, cumpriu sua função.

Pessina – Tirando o jogo contra Gales, que pouco valia e no qual fez um gol, atuou por poucos minutos. Mas entra aqui pelo gol decisivo marcado nas oitavas contra a Áustria.

Immobile – Fez dois gols nos dois primeiros jogos, brigou muito, foi sempre titular, mas suas atuações foram bem abaixo da média do que costuma mostrar pela Lazio.

 

2 ESTRELAS

Locatelli – Titular nos dois primeiros jogos na ausência de Veratti. Teve atuação monstruosa contra a Suíça, quando fez dois gols. Depois disso, não chegou a somar 40 minutos em campo.

Acerbi – Substituiu o machucado Chiellini contra a Suíça, entrou também contra Gales e foi titular com boa atuação nas oitavas de final contra a Áustria.

Belotti – Substituto de Immobile, só foi titular contra Gales, mas entrou em outras 5 partidas. Contudo, não conseguiu marcar e ainda perdeu seu pênalti na final.

Toloi -   Jogou 20 minutos contra a Suíça, foi titular contra Gales e entrou nas partidas das quartas contra a Bélgica (bem no final) e na semi contra a Espanha (16 minutos + prorrogação).

Cristante - Jogou poucos minutos por partida, mas, exceção feita à semifinal contra a Espanha, participou de todas elas.

Bernardeschi - Só foi titular contra a Gales. Entrou na semi contra a Espanha e na final contra a Inglaterra, convertendo seus pênaltis nas disputas de penalidades dos dois jogos.

 

1 ESTRELA

Bastoni, Florenzi, Raspadori, Castrovilli, Sirigu e Meret - Com exceção de Meret, que nem chegou a atuar, todos jogaram por pelo menos um minuto no torneio, mas não foram peças fundamentais na conquista. Bastoni atuou o jogo toda contra Gales, em que a Itália cumpria tabela, e Florenzi, que seria o titular da lateral-direita na Euro, deixou o time após a lesão com 48 minuto de estreia para só voltar nos últimos minutos da prorrogação da final.


 
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Além de um inspirado Messi, Argentina encontrou sua tão cobrada base. Veja qual é

Gian Oddi
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Lionel Messi é até aqui o artilheiro da Copa América. O líder de assistências. Das seis partidas disputadas pela Argentina, foi eleito o melhor em campo em quatro delas – contra Chile, Uruguai, Bolívia e Equador. Diante desses fatos, é normal que se crie a narrativa da messidependência e, mais do que isso, que se ignore qualquer evolução no trabalho de um técnico inexperiente como Lionel Scaloni.

A Argentina não é brilhante, assim como o (hoje favorito e bem mais consolidado) Brasil não o é, mas sua marca de 17 partidas de invencibilidade com 10 vitórias e 7 empates não pode ser atribuída apenas às atuações de Messi.

Scaloni definiu a base que tantas vezes foi acusado de não encontrar por mexer muito na equipe. Com critérios lógicos – aquilo que (não) fizeram nos seus clubes durante a temporada –, deixou de convocar nomes badalados como Dybala e Icardi. Pelo mesmo motivo, deu chances a jogadores como Dibu Martinez, Cuti Romero e Nico González, hoje seus titulares. Fez vários testes e com base neles tem definido escalações e alterações.

É o que se espera de um técnico de seleção. E de alguém com uma carreira curta como a de Scaloni não dava para esperar ou exigir muito mais.

Adriano detalha gol histórico contra Argentina na Copa América e admite: 'Dei uma cotovelada no cara, mas não pegou'; assista

     

Os argentinos vivem um tabu de 28 anos sem conquistas com sua seleção principal, o que muitas vezes faz com que se coloque num mesmo balaio trabalhos de níveis bem diferentes dos que dirigiram a Albicesleste nesse período. Um período no qual, já com Messi, a Argentina chegou a uma final de Copa do Mundo e três finais de Copa América (sem contar a atual) – todas elas perdidas, duas nos pênaltis.

No futebol, contudo, uma desafortunada derrota nas penalidades muitas vezes é capaz de condenar um bom trabalho da mesma forma que uma vitória imerecida é capaz de consagrá-lo. O desfecho da grande final deste sábado (10) pode, inclusive, ser o mesmo das últimas disputadas pela seleção argentina.

Uma nova (e até mais provável) derrota para o Brasil, porém, não deveria ocultar o fato de que uma nova base existe, sim. E é esta abaixo:

No gol, aproveitando-se do espaço deixado pela ausência de Franco Armani (River Plate) por causa da COVID-19 já nos últimos jogos das Eliminatórias, Emiliano Martinez (Aston Villa), após ótima temporada na Premier League, tomou a posição de titular e parece ter se consolidado no posto com as defesas dos três pênaltis diante da Colômbia na semifinal da Copa América.

As laterais talvez tenham sido e ainda sejam as posições com maiores dúvidas para Scaloni. Hoje, porém, o jovem Nahuel Molina (Udinese) parece estar um pouco à frente de Montiel (River Plate) do lado direito, enquanto na esquerda a escolha entre Tagliafico (Ajax) e Acuña (Sevilla) fica condicionada a uma ideia de jogo respectivamente mais ou menos prudente, de acordo com o adversário.

Entre os zagueiros, Cuti Romero (Atalanta), um dos melhores defensores do último Campeonato Italiano, tornou-se em poucos jogos pela seleção nome indiscutível entre os 11, ainda que não deva jogar contra o Brasil por problemas físicos. Talvez para compensar sua falta de experiência, na cabeça de Scaloni o seu parceiro ideal é hoje o experiente Nicolás Otamendi (Benfica). Assim, Germán Pezzella e Martinez Quarta (ambos da Fiorentina) tornam-se as opções seguintes na hierarquia do treinador.

No meio de campo, já faz algum tempo, o técnico elegeu Leandro Paredes (PSG), Rodrigo De Paul (Udinese) e Giovani Lo Celso (Tottenham) como seu trio base e geralmente titular – meio-campistas dinâmicos, que marcam e jogam. A Copa América, porém, lhe trouxe a boa alternativa do nome de Guido Rodriguez (Betis), opção mais defensiva e especialmente útil em confrontos contra adversários mais técnicos como Colômbia e Brasil.

A exemplo do que ocorre no meio, o trio ofensivo base de Scaloni também já está claro e é composto por Lionel Messi (Barcelona?), Lautaro Martinez (Inter) e um voluntarioso Nico González (agora Fiorentina), que por sua enorme dedicação tática ficou com a vaga que também pode ser ocupada por Di Maria (PSG) ou Papu Gomez (Sevilla), hoje alternativas para o segundo tempo ou para enfrentar times contra os quais a necessidade de recompor seja menor.

A base está aí, sujeita a mudanças de acordo com adversário ou contextos específicos, e podendo no futuro ter acréscimos de outros bons jogadores hoje nem convocados. E ainda que Scaloni esteja longe de ser um dos melhores técnicos do mundo e de fazer sua seleção brilhar (quem faz?), sua permanência no comando da Argentina, seja qual for o resultado deste sábado, é uma obviedade que não deve ser nem mesmo discutida.

Messi: sua Copa América excepcional ofusca as evoluções da Argentina
Messi: sua Copa América excepcional ofusca as evoluções da Argentina Getty

 
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Piadas, provocações e mais um show midiático: agora em Roma, o Mourinho de sempre

Gian Oddi
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Quem esperava um José Mourinho redimensionado, diferente e eventualmente mais focado no futebol talvez tenha se decepcionado com as respostas vagas sobre ideias táticas ou a utilização de jogadores como Zaniolo. Já aqueles que resolveram assistir à apresentação do técnico português na Roma atrás de um show midiático de uma das figuras mais carismáticas do futebol mundial certamente curtiram.

Entre muitas piadas, algumas estocadas (“tem quem ganha e não paga os salários”, disse, em clara referência à Inter) e as já tradicionais exaltações da própria carreira, Mourinho foi mais ou menos o Mourinho de sempre. Numa sala de imprensa cheia de jornalistas de todo o mundo, o técnico português iniciou sua fala citando o imperador Marco Aurélio e brincou sobre o desejo de encerrar a entrevista antes mesmo que ela começasse.

Levantou-se uma vez, ainda no início, para arrancar pessoalmente uma proteção nas janelas que fazia barulho por causa do vento. Em mais de uma oportunidade, mesmo que com simpatia, solicitou o fim da entrevista ao responsável pela comunicação (“quero treinar!”), que, contudo, pediu paciência ao português.

De diferente, talvez pela consciência da força dos rivais, desta vez não prometeu conquistas num curto prazo: “vocês só falam de títulos, nós falamos de tempo, de projeto, de trabalho. Título não é só uma palavra, seria uma promessa fácil, mas a realidade é outra coisa. Títulos vão chegar, mas este clube não quer conquistas isoladas. Ele quer chegar lá e ficar lá. Queremos ser sustentáveis”.

Quem quiser pode ver a entrevista na íntegra, em italiano, clicando aqui

Leia abaixo alguns trechos da entrevista de José Mourinho na sua chegada à Roma.     

Sobre a recepção dos torcedores da Roma: 
“A reação à minha contratação foi excepcional. Tive a sensação de ainda não ter feito nada para merecer isso e me senti imediatamente em débito porque a torcida me acolheu de um jeito muito emocionante. E a primeira coisa que preciso fazer aqui é agradecê-los.”

A cidade influenciou na sua escolha de carreira?
“Não, porque eu não estou aqui em férias. A incrível ligação do clube com a cidade de Roma é óbvia: o símbolo, as cores o nome. No mundo todo se confunde a cidade e o clube, e essa é uma responsabilidade, mas não estamos aqui para fazer turismo, estamos aqui para trabalhar. Por isso, treino às 16h, arriverdeci, ciao! (e se levanta antes mesmo da primeira pergunta)”.

Veja a chegada de Mourinho!

 

         

 

    


Sobre a chance de ganhar títulos com a Roma:
“Queremos chegar a conquistar títulos. Mas ganhar imediatamente? Claro que isso pode até acontecer, porque no futebol essas coisas acontecem, mas seguindo uma trajetória normal não será assim”.

Se ele será beligerante na Roma como era nos tempos da Inter:
“Para defender os meus, o meu clube e os meus jogadores, farei de tudo. Para procurar problemas, não. Estou mais maduro”.

O que diria a quem afirma que ele já não está no seu auge?
“Sou uma vítima daquilo que fiz, de como as pessoas me olham. No Manchester United eu ganhei três títulos e para muitos foi um desastre. No Tottenham eu cheguei a uma final que não me deixaram jogar e foi um desastre. O que para mim é um desastre, para os outros é uma coisa fantástica”.

Após ser comparado com Antonio Conte, campeão com a Inter:
“Existem treinadores na história de um clube que você não deve jamais comparar. Neste clube, por exemplo, se você fala de (Nils) Liedholm ou de (Fabio) Capello, não os compare com ninguém, nunca. Quando você fala da Inter, não compare ninguém comigo ou com Helenio Herrera”.

José Mourinho em sua apresentação à Roma
José Mourinho em sua apresentação à Roma reprodução Roma Channel

Sobre o Italiano não ser mais o principal campeonato do mundo como em seus tempos de Inter:
“Talvez estejamos aqui falando do futebol campeão europeu. Talvez. No mínimo estamos falando do vice-campeão, e com quase todos os jogadores atuando na Itália, neste campeonato. E se esse não é mais o campeonato principal, a responsabilidade é nossa de passar a fazer algo a mais. Eu trabalho para a Roma, mas de modo indireto trabalho pelo futebol italiano”.

Sobre o confronto com Cristiano Ronaldo:
“Ronaldo não precisa se preocupar comigo porque eu não sou zagueiro. Se jogar, vou ter que bater nele com certeza, mas infelizmente estou muito velho para isso”

Questionado sobre se Dzeko voltará a ser o capitão do time
“Não preciso te dizer o que faço dentro do clube. Se entrarmos nessa dinâmica de eu precisar dizer o que faço, com quem falo, o que falo, desculpe mas eu serei um antipático que não vai dividir com vocês o que faço internamente. Sobre o capitão, é o clube e os jogadores que têm que saber isso antes de vocês”.


 
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Itália e Espanha contra a síndrome dos malvadões viris

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Italiano Chiellini abraça e brinca com espanhol Jordi Alba
Italiano Chiellini abraça e brinca com espanhol Jordi Alba reprodução TV

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Apesar da rivalidade esportiva, há quem atribua o que ocorreu na semifinal em Wembley durante o jogo entre Itália e Espanha às boas relações e muitas semelhanças entre os dois países. Há quem ache que a amizade entre seus integrantes, explicitada pelo “agora vou torcer pela Itália” do técnico espanhol Luis Enrique, foi determinante. Há quem pense que só o fato de um cara diferente como Chiellini estar em campo já deixa tudo mais leve. Certamente há também quem acredita que foi apenas um acaso, coisa rara.

Não importa o motivo. Importa o que houve, como aconteceram os 120 minutos de futebol disputados entre as seleções italiana e espanhola nesta última terça-feira. Importa perceber que as coisas podem (e devem) funcionar assim.

Itália comemora classificação

 

         

 

    

 

Tratamos de uma semifinal após a qual não soa demagógico dizer que as duas seleções poderiam e até mereciam ter passado. A Itália por tudo que faz na Euro e pelo que fez nos último três anos, um enorme trabalho de renovação e reinvenção capitaneado por Roberto Mancini. A Espanha por ter entendido onde e como precisava mexer para fazer com que sua ainda jovem equipe conseguisse se impor na maior parte do tempo contra um time que, até ali, havia jogado mais.

O jogo era enorme, tenso, disputado. E nem por isso qualquer uma das seleções – que neste aspecto estão longe de ser as mais exemplares da Europa – recorreu ao jogo de intimidações, ameaças ou qualquer tipo de violência para se impor em relação ao adversário. Pelo contrário, o que se viu em campo foi cordialidade, abraços e, pasmem, até bom humor e sorrisos.

Quem não aprecia lutas de qualquer tipo possivelmente vê como patéticas, um tanto cênicas e de efeito prático duvidoso aquelas famigeradas cenas de intimidação de lutadores após as pesagens nos dias anteriores aos embates. Parece justa a desconfiança. Mas ainda que também a mim (que nada entendo de lutas) essas cenas soem patéticas, é preciso admitir que esse tipo de intimidação pode fazer algum sentido em esportes nos quais o objetivo é espancar uma pessoa até que ela não consiga mais se sustentar em pé.

Um sentido que fica bem mais difícil de encontrar numa modalidade na qual o objetivo é fazer gols no adversário.

Vivemos numa era em que tudo é filmado, reproduzido, copiado. Um tempo em que ações ou reações sem sentido transformam-se em padrão sem que se reflita muito sobre o quanto aquilo faz sentido ou não. É por isso que você já deve ter cansado de ver, seja na escola dos seus filhos ou no campinho em que joga sua pelada semanal, crianças ou marmanjos transformando o futebol num embate de virilidade tão ridículo quanto grotesco.

Chiellini aperta bochecha de Jordi Alba
Chiellini aperta bochecha de Jordi Alba Carl Recine - Pool/Getty Images

Para quem se acostumou com isso, foi muito curioso ver o que as seleções de Itália e Espanha fizeram em Wembley. Para surpresa de muita gente, elas fizeram parecer que jogar futebol pode até ser divertido. 

 
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Tite, Abel Ferreira, Hulk e as críticas mais valiosas

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Depois da vitória por 1 a 0 e a classificação sobre o Chile nas quartas-de-final da Copa América, Tite não teve dúvidas e, mesmo já multado pela Conmebol por ter feito críticas à organização atabalhoada da competição, voltou a reclamar, novamente com razão, desta vez do gramado do Estádio Nilton Santos.

“Poderia ser um grande espetáculo, muito mais bonito. Eu fiquei triste com o espetáculo. Até para bater tiro de meta o Ederson teve dificuldade. Por favor, tenham responsabilidade. Humildemente eu falo: encontrem um campo melhor para jogarmos. Está perigoso machucar, são jogadores de alto nível. Por favor, encontrem um campo melhor”, afirmou Tite.

‘Deveria ser proibido jogar futebol aqui': Abel Ferreira detona gramado da Ilha do Retiro

Dois dias depois, neste domingo, o técnico do Palmeiras, Abel Ferreira, fez coro às reclamações do treinador da seleção, agora referindo-se ao gramado da Ilha do Retiro, onde seu time venceu o Sport por 1 a 0 pelo Campeonato Brasileiro.

“Deveria ser proibido jogar aqui. Um jogador que tem um bom jogo, terá um impacto no futuro. O Danilo Barbosa jogou 15 ou 20 minutos e estava com dores incríveis no tendão de Aquiles. Isso mostra bem o desgaste que este campo provoca. Tite, estou contigo: se queremos melhorar o futebol brasileiro, precisamos melhorar as condições dos gramados”, afirmou.

Hulk reclamou do gramado da Arena Pantanal. Após vencer
Hulk reclamou do gramado da Arena Pantanal. Após vencer Pedro Souza / Atlético


Também no domingo, outro vitorioso da rodada, o atacante Hulk, do Atlético, tocou no assunto após derrotar o Cuiabá por 1 a 0 na Arena Pantanal: “O campo está irregular, a gente conduz a bola e atrasa o jogo. Sabemos que vamos enfrentar campos assim, difíceis, mas é preciso entrar em campo concentrado para não pecar e perder pontos”.

Em comum, nas críticas públicas feitas pelos três, não está apenas o foco das reclamações: o estado dos gramados onde se pratica futebol no Brasil. Há em comum, também, o fato de que tanto os treinadores como a estrela do Atlético, todos com boas experiências em campos internacionais, fizeram suas reclamações após vencer.

Num universo em que estamos acostumados a encarar reclamações como “choro de perdedor” ou “mimimi”, é essencial que as figuras relevantes que fazem o futebol no Brasil reclamem daquilo que julgarem relevante reclamar após as vitórias, sobretudo após as vitórias.

Não só porque essas críticas costumam ser menos passionais e mais técnicas, pois menos contaminadas pela insatisfação com o resultado. Mas também para não passar a impressão de que o que se busca é exclusivamente o benefício próprio, o olhar apenas para o próprio umbigo – uma outra característica marcante do futebol brasileiro.


 
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A vergonha por não demitir um técnico

Gian Oddi
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Quem viu a entrevista do vice-presidente gremista Marcos Herrmann ao responder os questionamentos sobre se demitiria ou não o técnico Tiago Nunes após a derrota por 2 a 0 para o Juventude, na noite dessa quarta-feira (30), certamente notou seu constrangimento ao dizer que não, não o demitiria, pelo menos por enquanto.

Feita a importante ressalva de que acreditava na comissão técnica por perceber que seu trabalho nos treinos é bom, realizado com afinco e intensidade, Herrmann parecia se desculpar com os torcedores pela decisão de manter um técnico contratado há pouco mais de dois meses.

“Vamos fazer algum fato novo, mas nesse instante não é a troca de técnico, pelo menos não nesses dias”, afirmou o dirigente, pouco antes de deixar claro que o “nesses dias” significa o período até domingo (4), quando o Grêmio precisará derrotar o Atlético-GO para não passar por uma nova troca de treinador - quem sabe tentando contratar o mesmo nome demitido em abril (Renato Gaúcho).

Vice do Grêmio diz que trabalho de Tiago Nunes é bom, mas cobra resultados: 'Seis jogos sem vitória é inaceitável'; assista


O constrangimento de Herrmann não é um caso único, claro, e só ficou escancarado porque o dirigente se dispôs a conceder entrevista logo após a derrota, algo que nem todos os cartolas costumam fazer.

Dirigentes brasileiros costumam usar demissões de treinadores como escudos, e mesmo quando não pretendem fazê-lo, como foi o caso nessa quarta, sentem-se de tal forma pressionados que chegam a se envergonhar por não atender aos clamores de demissão. Porque trocar de treinador é a resposta mais óbvia e lógica, é o padrão. O melhor “fato novo”.

Em 2017, quando perguntado pelo repórter João Castelo-Branco se dois ou três meses bastavam para se avaliar o trabalho de um técnico, Pep Guardiola deu risada. Para o melhor e maior técnico do planeta, a ideia de que um treinador possa ser avaliado e demitido em tão pouco tempo é tão anômala quanto é, para nós, a ideia de não demitir um técnico de clube grande após seis jogos sem vitória.

Quem estará com a razão?

Tiago Nunes, técnico do Grêmio (até domingo?)
Tiago Nunes, técnico do Grêmio (até domingo?) Lucas Uebel / Grêmio FPA

 
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A vergonha por não demitir um técnico

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Com várias razões para insatisfação, Abel Ferreira perde a razão

Gian Oddi
Gian Oddi

Primeiro é bom fazer a ressalva, porque vivemos num ambiente em que qualquer crítica a um treinador é encarada como sugestão de demissão: Abel Ferreira é ótimo técnico, bem acima da média nacional, com enormes méritos nas recentes conquistas do Palmeiras e, assim como toda sua equipe, pelo que me relatam os que trabalham no dia a dia com ele, totalmente obcecado e focado no seu trabalho.

Não faz sentido algum, portanto, o clube cogitar uma troca de treinador.

Abel Ferreira desabafa e explica relatório por reforços entregue à diretoria: 'Fiquei sem esperanças'; assista


Dito isso, é preciso constatar que Abel Ferreira, mesmo que com eventual razão, está exagerando na maneira pública e pouco diplomática como comunica suas insatisfações em relação à falta de contratação de reforços por parte da diretoria palmeirense.

Ainda que seja compreensível e legítima a irritação por perder partidas sem poder contar com nove ou 10 jogadores importantes, é preciso lembrar que esta é uma consequência do insano e burro calendário do futebol brasileiro, que não apenas tira dos clubes seus atletas mais importantes, os convocáveis, como expõe todo o grupo a desgastes de toda ordem e a lesões praticamente inevitáveis.

Não é, portanto, apenas o Palmeiras a sofrer com isso. Pelo contrário, o clube é provavelmente, pelo tamanho e qualidade do seu elenco, e por todas as condições de que dispõe, um dos mais aptos a buscar soluções internas num momento em que sair às compras, em todo o planeta, parece ser privilégio apenas do Paris Saint-Germain.

De qualquer forma, não se trata de avaliar aqui a real necessidade ou não de reforços, mas de compreender que fazer as cobranças públicas da forma e no tom que Abel Ferreira tem feito demonstra, acima de tudo, um completo desapego do treinador português em relação à sua permanência no Palmeiras.

Além disso, vale lembrar do seu histórico de entrevistas no clube para que nos questionemos: qual seria o real peso da falta de reforços no seu pacote de insatisfações?

O quanto não pesam na sua atitude as cobranças absurdas, as maquiavélicas e as passionais, por parte de torcedores e jornalistas? O quanto não conta ter que jogar e falar o tempo todo, com pouco tempo para trabalhar e treinar em paz? O quanto não influencia a saudade que ele tem da família e que faz com que repita toda semana, com sofrimento no olhar, sobre "o alto preço que paga” por ter escolhido vir ao Brasil?

Mais do que a falta de reforços, estes parecem ser problemas insolúveis. Os que dizem respeito ao futebol já foram incorporados de tal forma no nosso dia a dia que uma eventual mudança levaria anos. Sobre aquele relacionado às questões pessoais, convenhamos, só um maluco resolveria, no contexto atual, tirar as pessoas que mais ama da Europa para trazê-las ao Brasil.

É compreensível que todos esses fatores, assim como a falta de reforços, influenciem no estado de espírito do treinador. O que não é compreensível é ele despejar publicamente toda sua irritação e inconformismo no único alvo com o poder para encerrar sua bela trajetória pelo Palmeiras. A não ser que seja justamente essa a sua intenção...

 
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Fraco, covarde, prolixo, comunista: o que faz sentido nas críticas a Tite após 5 anos de trabalho?

Gian Oddi
Gian Oddi

Em 56 jogos, foram 42 vitórias, 10 empates e apenas 4 derrotas nos 5 anos da seleção brasileira comandada por Tite. Um incrível aproveitamento de 81% dos pontos disputados que tornam no mínimo contestáveis as críticas feitas ao técnico da seleção.

Vale a breve recapitulação: Tite substituiu Dunga na 7ª rodada das Eliminatórias da Copa 2018, quando a seleção, no 6º lugar, somava 9 pontos em 6 jogos. Dali pra frente, mesmo sem alterações substanciais no elenco que era convocado por Dunga, venceu 10 jogos e empatou 2, encerrando o torneio na liderança com 10 (!) pontos sobre o vice-líder Uruguai.  

No Mundial da Rússia, a queda contra a ótima Bélgica nas quartas-de-final se deu em um jogo no qual o Brasil finalizou 27 vezes (9 no alvo) contra 9 finalizações (3 no alvo) dos europeus. Não significa dizer que Tite não pudesse ter feitos outras escolhas (podia), mas vale nos perguntarmos se um jogo com aquele roteiro deveria bastar para invalidar seu trabalho.

Tite completa 5 anos de seleção brasileira: qual é a nota do trabalho do técnico? Gian Oddi e Bertozzi analisam


Excluídos os amistosos, vieram então o título da Copa América de 2019, um aproveitamento até agora de 100% em seis jogos nas Eliminatórias da Copa de 2022 e um bom início na atual edição da Copa América. Até mesmo a alegação dos maus resultados contra europeus é contestável: em 8 confrontos até hoje, foram 6 vitórias, 2 empates e apenas 1 derrota (justamente para a Bélgica) contra equipes do velho continente.

Tite x Europeus
Tite x Europeus arte ESPN

São todos fatos, objetivos e, ainda que no futebol um ou outro resultado possa não representar o que se passou em campo e possa não ser necessariamente consequência de um bom trabalho, isso não se aplica quando tratamos de um recorte com mais de 50 partidas.  

Que técnicos de futebol no Brasil sofrem cobranças e pressões exageradas não é novidade. E se isso já ocorre com qualquer técnico, é compreensível que o da seleção brasileira sofra em dobro num país onde a relação conflituosa entre clubes e seleção é maior do que em qualquer outro lugar.

Tite durante partida entre Brasil e Venezuela, seu 55º jogo pela seleção
Tite durante partida entre Brasil e Venezuela, seu 55º jogo pela seleção Getty


A seleção de Tite não é brilhante, de acordo. Mas qual é? A França, hoje com um elenco até superior ao do Brasil, venceu a última Copa do Mundo (e segue jogando) com uma estratégia que, se utilizada pelos clubes brasileiros mais poderosos, geraria críticas de quem acredita que o mérito, no futebol, advém da posse, da imposição, do domínio territorial.

Portanto, mesmo quem não gosta de como joga a seleção brasileira precisa admitir que suas boas campanhas não são frutos do acaso, mas de uma ideia de jogo, de solidez, de consistência e, talvez, também do que muitos consideram (justificadamente ou não) excesso de prudência de seu treinador.

Em um torneio curto como a Copa do Mundo, Tite poderia ter levado mais em consideração as respostas positivas que teve ao fazer substituições nas fases iniciais. Tite poderia ter aproveitado seu imenso prestígio no início do trabalho para tentar antecipar, ainda em 2018, o que parece (parece!) ser um Neymar mais focado e responsável de 2021.

Bem menos relevante, Tite poderia até repensar a forma de se comunicar, ser menos prolixo e usar menos termos técnicos para falar diretamente aos torcedores, não precisando assim de “intérpretes”. Ao aceitar a seleção, lá atrás, Tite não precisaria ter cumprimentado com beijo o mesmo Marco Polo Del Nero que pouco antes criticava. Tite não precisaria ter ameaçado contestar a Copa América no Brasil se era para as coisas terminarem como terminaram.

Elogiar o que Tite fez em cinco anos de seleção brasileira não significa aprovar todas suas atitudes e decisões. Mas dizer que seu trabalho é ruim, hoje, soa quase tão bizarro quanto chamá-lo de comunista.


 
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Euro 2020: o que cada seleção precisa fazer na última rodada da fase de grupos; veja as contas

Gian Oddi
Gian Oddi

Encerrada a segunda rodada de jogos da Eurocopa, chega o momento em que todas as seleções não classificadas começam a fazer as contas para avaliar a possibilidade de avanço às oitavas de final.

Num torneio em que os quatro melhores dos seis terceiros colocados avançam à próxima fase, é muito provável que 4 pontos sejam suficientes para ir adiante. Matematicamente, porém, só Itália, Bélgica e Holanda já estão classificadas – os holandeses com a liderança da chave assegurada. E só uma seleção, a Macedônia do Norte, está eliminada. Os demais fazem contas. Restam 13 vagas.

Contas que publicamos abaixo para facilitar a compreensão do que cada seleção precisa fazer para avançar matematicamente ou, pelo menos, ter boas chances de fazê-lo mesmo que seja como terceira colocada de sua chave.

Devido aos inesperados tropeços da França contra a Hungria e da Inglaterra diante da Escócia, fica difícil prever como serão formadas as chaves que levam à final da Euro, um exercício que o blog também pretendia fazer. O que dá para afirmar, hoje, é que na provável hipótese de Itália e Bélgica confirmarem suas lideranças, italianos e belgas ficarão do mesmo lado da chave, podendo se enfrentar logo nas quartas de final, enquanto a Holanda estará do outro lado.

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Vamos às contas para cada equipe, lembrando que o confronto direto é o primeiro critério de desempate:

GRUPO A

1) ITÁLIA (6 pontos)
Já classificada, joga por um empate com Gales para ser líder do grupo.

2) PAÍS DE GALES (4 pontos, saldo 2)
Tem boas chances de ir às oitavas mesmo se perder (seja em 2º como em 3º), mas para garantir a vaga em 2º sem depender de Turquia x Suíça precisa ao menos empatar com a Itália. Se vencer, toma a liderança da chave.

3) SUÍÇA (1 ponto, saldo -3)
Precisa vencer a Turquia para ter chances. Se conseguir, tem boas possibilidades de avançar em 3º . Para ser segunda, está difícil: tem que vencer, torcer para a Itália bater Gales e ainda superar os galeses no saldo (hoje está 5 atrás).

4) TURQUIA (0 ponto, saldo -5)
Praticamente eliminada, teria que golear a Suíça por ampla margem e ainda torcer por uma improvável combinação de resultados nas outras chaves para conseguir avançar como um dos melhores 3ºs . Para não depender do saldo, precisaria vencer e torcer para que pelo menos dois 3ºs colocados não superem os dois pontos nas outras chaves. Improvável. 

GRUPO B

1) BÉLGICA (6 pontos)
Já classificada, garante a liderança com um empate contra a Finlândia.

2) RÚSSIA (3 pontos, saldo -2)
Vencendo a Dinamarca, avança em 2º. Um empate também lhe basta para isso, se a Finlândia não ganhar da Bélgica. Já se empatar seu jogo e a Finlândia vencer, tem boas chances de avançar em 3º. Com uma derrota a classificação em 3º seria improvável..

3) FINLÂNDIA (3 pontos, saldo 0)
Pode até ser líder da chave, mas para isso precisa vencer a Bélgica. Com um empate, tem ótimas chances de avançar, nem que seja em 3º; mas, se a Rússia não bater a Dinamarca, o empate lhe daria o 2º lugar. Com nova derrota vai secar os rivais de outros grupos, mas fica com chances pequenas.

4) DINAMARCA (0 ponto, saldo -2)
Se a Finlândia perder da Bélgica (provável), precisará apenas vencer a Rússia por qualquer placar que não seja 1 x 0 para garantir a vaga em 2º lugar; caso a vitória seja por 1 a 0, tudo dependeria do placar de Bélgica x Finlândia e de quem vai ter o melhor saldo geral entre Rússia, Finlândia e Dinamarca. Empate ou vitória da Finlândia no outro jogo deixa a situação bem mais complicada, porque o avanço precisaria ser em 3º e com apenas 3 pontos. 

GRUPO C

1) Holanda (6 pontos)
Já está classificada em primeiro.

2) UCRÂNIA (3 pontos, saldo 0)
Precisa apenas de um empate com a Áustria para avançar em segundo, porque tem 1 gol marcado a mais.

3) ÁUSTRIA (3 pontos, saldo 0)
Precisa vencer a Ucrânia para se garantir como 2º lugar. Em caso de empate, tem boas chances de avançar como 3º. Já uma derrota diminui consideravelmente as chances de avanço na terceira colocação, porque ela teria que ocorrer com 3 pontos e saldo negativo.

4) MACEDÔNIA DO NORTE (0 ponto)
Já está eliminada, por causa dos confrontos diretos.

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 GRUPO D

1) REPÚBLICA TCHECA (4 pontos, saldo 2)
Com um empate ou vitória diante dos ingleses, garante a liderança da chave, mas mesmo com derrota tem boas chances de avançar, em 2º ou 3º, dependendo do resultado da Croácia.

2) INGLATERRA (4 pontos, saldo 1)
Se quiser ser líder da chave terá que derrotar os tchecos. Um empate lhe classifica, mas no 2º lugar. Mesmo se perder, avança em 2º se a Escócia não vencer a Croácia e ainda tirar a diferença de saldo (3) para os ingleses.

3) CROÁCIA (1 pontos, saldo -1)
Tem que vencer a Escócia. Assim, tem boas chances de avançar, nem que seja no 3º lugar; mas pode ser até em 2º caso a Inglaterra derrote a República Tcheca e assim os croatas consigam tirar também a diferença de saldo para os tchecos (hoje -3).

4) ESCÓCIA (1 pontos, saldo -2)
Outra que precisa de uma vitória para ter boas chances de avançar nem que seja em 3º. Mas, nesse caso, poderia até ser em 2º: para isso a República Tcheca teria que vencer a Inglaterra, e os escoceses ainda conseguirem tirar a diferença de saldo para os ingleses (hoje -3)

 GRUPO E

1) SUÉCIA (4 pontos, saldo 1)
Se vencer será líder da chave. Empatando com a Polônia garante pelo menos o 2º lugar, que pode ser primeiro caso não haja vencedor em Eslováquia x Espanha. Empate no outro jogo seria bom para os suecos até em caso de derrota, porque assim eles seriam 2º colocados e nem precisariam brigar como 3º.

2) ESLOVÁQUIA (3 pontos, saldo 0)
Se vencer se classifica, podendo ser até em 1º caso a Suécia não vença a Polônia. Se empatar, deve avançar ao menos como 3º, mas pode ser em 2º caso a Polônia não derrote a Suécia (nesse haveria empate triplo entre suecos, poloneses e eslovacos com a definição indo para saldo ou gols marcados). Com uma derrota teria chances reduzidas de avançar em 3º.   

3) ESPANHA (2 pontos, saldo 0) Precisa ganhar da Eslováquia para se classificar ao menos em 2º,  mas poderia ser 1º caso a Polônia derrote a Suécia (ou até empate, dependendo dos placares). Se empatar, terá pequenas chances de avançar em 3º e pode até acabar em último do grupo.

4) POLÔNIA (1 ponto, saldo -1) Precisa ganhar da Suécia: assim, em caso de vencedor no jogo Eslováquia x Espanha, o 2º lugar é certo. E em caso de empate no outro jogo, a decisão de 1º, 2º e 3º entre suecos, eslovacos e poloneses iria para o saldo de gols, mas com boas chances de todos avançarem com 4 pontos ganhos.

GRUPO F

1) FRANÇA (4 pontos, saldo 1)
Com um empate diante de Portugal assegura a vaga, mas não a liderança da chave: para isso terá que vencer os portugueses ou então empatar e torcer para a Alemanha não ganhar da Hungria. Mesmo em caso de derrota tem grandes chances de avançar em 3º.   

2) ALEMANHA (3 pontos, saldo 1)
Com uma vitória diante da Hungria, se classifica. E pode até ser como líder se a França não bater Portugal. Um empate mantém grandes chances de avanço, seja em 2º, caso Portugal não ganhe da França, ou até mesmo em 3º, no caso de vitória portuguesa. Perdendo, pode acabar em último da chave ou ficar em 3º sem pontuação suficiente para avançar.    

3) PORTUGAL (3 pontos, saldo 1)
Em caso de vitória contra a França, garante a vaga e ao menos o 2º lugar, que pode ser 1º caso a Alemanha não ganhe da Hungria. Empatando com os franceses fica em boas condições para avançar ao menos em 3º, mas poderia ser em 2º caso a Alemanha não consiga ganhar da Hungria. Se perder da França também se complica muito, até mesmo na busca da vaga como 3º do grupo.     

4) HUNGRIA (1 ponto, saldo -3)
Precisa ganhar da Alemanha. Neste caso, pode até ser 2º do grupo caso Portugal perca da França; mas mesmo se os portugueses pontuarem, os húngaros ficariam com boas chances de avançar, na terceira colocação. 

Alemanha: grupo com França, Portugal e Hungria está totalmente indefinido
Alemanha: grupo com França, Portugal e Hungria está totalmente indefinido Harry Langer/Getty Images)

 
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Euro 2020: o que cada seleção precisa fazer na última rodada da fase de grupos; veja as contas

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Euro e Copa América expõem: seleção brasileira é a menos querida em seu país. E isso não tem nada a ver com Tite

Gian Oddi
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Seleção brasileira: por que tanta gente não se interessa por ela?
Seleção brasileira: por que tanta gente não se interessa por ela? Lucas Figueiredo/CBF


Se você for uma exceção, um fã fervoroso da seleção brasileira, você deve até se incomodar com isso, mas precisa admitir: é incrível o quanto ela não consegue mobilizar e sensibilizar os apaixonados por futebol em seu próprio território.

Em tempos de Euro e Copa América simultâneas, o fato fica ainda mais claro porque nos permite comparar as relações de outros países com suas seleções, seja através da cobertura jornalística, seja por aquilo que conseguimos captar de sentimento dos torcedores – mesmo com estádios (quase) vazios.

Exceção feita à Espanha, onde a relação com La Furia é conturbada em certas regiões por razões políticas, nos países futebolisticamente relevantes em que as seleções nacionais são alvos de críticas constantes, essas críticas ocorrem apenas por razões esportivas e não pelo simples desinteresse ou antipatia pela seleção em si.

É o que acontece, por exemplo, na Argentina: há quem discuta a capacidade do técnico Scaloni, quem se irrite com Otamedi na zaga, quem ache que a Albiceleste não vai para frente enquanto não deixar de ser uma panela com os preferidos de Messi. Mas quase não se vê o “não estou interessado” quando o tema é seleção. O desconforto é esportivo, e só.

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Na Holanda muitos criticam as escolhas de Frank de Boer. Os alemães, que recuperaram o orgulho por sua equipe desde 2006, vivem um momento de baixa e nem por isso perderam o interesse pela Nationalelf. Na Itália existe empolgação com o trabalho de Mancini pela Azzurra. Os ingleses sempre desconfiam, até ironizam, mas estão bem esperançosos com o English Team. A França desfruta de seu momento de superpotência.

Já a seleção brasileira, exceção feita à Copa do Mundo, parece no melhor dos casos não interessar à maioria daqueles que amam futebol no Brasil. E, no pior, despertar irritação, chegando até mesmo a fazer com que muita gente torça contra uma equipe que já foi vista como principal motivo de orgulho nacional. Por que será?

A resposta certamente não passa pelo trabalho de Tite, que conseguiu formar uma equipe eficiente e sólida, hoje a melhor do continente. Mesmo não sendo brilhante (e afinal, qual seleção do planeta brilha constantemente?), o Brasil entrega o suficiente para não ser criticado. Dessa forma, fica evidente que o desinteresse ou antipatia pela seleção brasileira surge por outras causas, que nenhuma relação tem a ver com o jogo ou com seu treinador.

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Parece óbvio: enquanto as seleções continuarem jogando no mesmo período dos times de futebol mais amados do Brasil, enquanto elas seguirem desfalcando as equipes mais fortes do país em jogos importantes, enquanto a ideia for colocar a seleção brasileira para concorrer e rivalizar com aqueles que despertam interesses e paixões maiores que ela, não haverá solução para este problema.

Ganhar uma Copa do Mundo, claro, fará com que tudo seja esquecido por semanas. O amor pela amarelinha será revigorado. Até que o ciclo se reinicie.

O curioso é que o padrão de ação da CBF, mantendo eternamente as rodadas com jogos importantes de competições nacionais nas datas Fifa, não só provoca desinteresse e antipatia pela seleção brasileira e pelo futebol de seleções de forma geral, como deixa o seu próprio campeonato mais pobre, com seus melhores times incompletos, sem suas maiores estrelas.

É estranho, porque no fim das contas a CBF prejudica esportivamente, com uma mesma medida, seus dois principais produtos: a seleção brasileira e o Campeonato Brasileiro. Pode-se supor, portanto, que a prioridade é alguma outra coisa...

 
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Uma interpretação livre, direta (e um pouco mais rude) sobre a carta dos jogadores da seleção brasileira

Gian Oddi
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A tal carta dos jogadores da seleção brasileira sobre a disputa da Copa América no Brasil você certamente já cansou de ler. Sem delongas, então, publico abaixo minha interpretação sobre o texto – com os trechos originais em itálico.

_________________________________________________

Quando nasce um brasileiro, nasce um torcedor. E para os mais de 200 milhões de torcedores escrevemos essa carta para expor nossa opinião quanto a realização da Copa América.

A gente vai começar essa carta de um jeito poético, mas sabemos que no fim das contas o que precisamos mesmo é falar sobre a tal da Copa América já que faz uma semana que ninguém nos pergunta nada sobre futebol. Se a gente soubesse que ia dar esse rolo todo...


Somos um grupo coeso, porém com ideias distintas. Por diversas razões, sejam elas humanitárias ou de cunho profissional, estamos insatisfeitos com a condução da Copa América pela Conmebol, fosse ela sediada totalmente no Chile ou mesmo no Brasil.

Não adianta vocês viajarem achando que todo mundo aqui pensa igual. Na verdade, até existe entre nós um pessoal preocupado com a pandemia, COVID, a situação do Brasil, esses papos, mas tem outra parte que queria mesmo é tirar férias e não queria jogar nem aqui e nem na China. E só pra deixar claro, a culpa é toda da Conmebol, nada a ver esse papo de CBF e Bolsonaro que vocês ficam falando. Pô, os gringos pediram, vai fazer o que? Dizer não?!


Todos os fatos recentes nos levam a acreditar em um processo inadequado em sua realização.

Agora, numa coisa a gente concorda: que não precisava ter Copa América, isso não precisava.


É importante frisar que em nenhum momento quisemos tornar essa discussão política. Somos conscientes da importância da nossa posição, acompanhamos o que é veiculado pela mídia e estamos presentes nas redes sociais. Nos manifestamos, também, para evitar que mais notícias falsas envolvendo nossos nomes circulem à revelia dos fatos verdadeiros.

É chato pra caramba a gente ser chamado de comunista só porque não concordamos com essa Copa América. Os caras tão chamando o Tite e o Neymar de comunistas. O Tite e o Neymar, pensa! A gente tem Instagram, estamos vendo tudo que vocês estão escrevendo e falando, viu? Não é porque a gente se posicionou sem deixar claro qual era a nossa posição que vocês podiam ficar supondo ou inventando o que a gente pensava.  

Por fim, lembramos que somos trabalhadores, profissionais do futebol. Temos uma missão a cumprir com a histórica camisa verde amarela pentacampeã do mundo. Somos contra a organização da Copa América, mas nunca diremos não à Seleção Brasileira.

Por fim, só pra lembrar, mesmo que a gente ganhe um pouco mais que vocês, nós também somos trabalhadores. E vocês sabem, né? Manda quem pode, obedece quem tem juízo.

 
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