Entenda por que a transação de Neymar mudará o futebol mundial

Gian Oddi
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Neymar na capa do Le Parisien: transferência do século
Neymar na capa do Le Parisien: transferência do século reprodução

222 milhões de euros era, até outro dia, um valor maluco daqueles que os clubes colocavam como multa em caso de rescisão de contrato apenas para ter a certeza de que ninguém lhes “roubaria” um craque.

Não é mais, como vimos nesta semana, ainda que tal valor só possa ser pago por clubes cuja origem do dinheiro é, para dizer o mínimo, duvidosa.

Disse Jürgen Klopp, técnico do Liverpool, a respeito da ida de Neymar ao PSG: “Existem apenas dois clubes que podem pagar um valor como este, e eles são PSG e Manchester City” (dois clubes que, lembremos, já foram multados em 2014 por descumprir as regras do Fair Play Financeiro da Uefa).

Tenha ou não razão Klopp, sejam ou não apenas este dois os clubes capazes de torrar tanto dinheiro, o fato é que a Uefa parece ter percebido a necessidade de mudar as regras do Fair Play Financeiro, instituído em 2011 com o objetivo básico de evitar que os clubes gastem um dinheiro que não têm, prática que conhecemos tão bem por aqui.

O Fair Play financeiro atual pode não ser perfeito, mas reduziu consideravelmente, na média, as dívidas dos clubes europeus. Seus benefícios e resultados são inegáveis, como demonstra o especialista no tema Giovanni Armanini em entrevista a Leonardo Bertozzi em seu blog.

Entretanto, a Uefa e seu presidente, o esloveno Aleksander Ceferin, chegaram à conclusão que é preciso fazer mais. Não apenas com a investigação específica do caso Neymar, conforme antecipou o diretor-executivo de Fair Play Financeiro e sustentabilidade da entidade, Andrea Traverso.

Concluiu-se que é preciso mudar as regras, ampliá-las, e a negociação de Neymar deixou tudo ainda mais evidente. Sua transação não apenas deve acelerar a adoção das novas medidas, como pode torná-las ainda mais rígidas.

Entenda abaixo quais são as principais medidas que já estão sendo discutidas e que a Uefa pode aplicar em breve para alterar não só a lógica do mercado no futebol europeu, mas também a maneira como os clubes mais abastados precisarão planejar seus elencos.

Imposto sobre altos gastos
A exemplo do que ocorreu no futebol chinês, a Uefa estuda cobrar um percentual de imposto sobre salários e/ou transações de jogadores que superarem certos limites. Esse dinheiro seria distribuído entre clubes, ligas nacionais e competições da Uefa.

Teto salarial
A ideia é limitar o valor que um clube pode gastar com salários. É hoje improvável que se defina um teto para jogadores, e mais provável a limitação de um valor máximo para a folha salarial – que poderia ter também limites de jogadores por faixa salarial.

Teto de gastos por janela
Neste caso, os clubes teriam um valor máximo para gastar numa janela de mercado (ou nas duas, de verão e inverno, somadas). Exemplo: se o teto fosse 222 milhões de euros, o PSG poderia contratar Neymar e ninguém mais nesta temporada.

Regulamentação de empréstimos
A principal meta é evitar que os empréstimos sirvam apenas para amortizar os valores de vendas em vários anos: virou comum clubes emprestarem jogadores com obrigação de compra depois. Limitar a idade de atletas emprestados é uma ideia.

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Áudio e entrevista de Felipe Melo mudaram postura do Palmeiras em relação à liberação

Gian Oddi
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Mattos e Melo na apresentação do atleta: após áudio vazado, relação mudou
Mattos e Melo na apresentação do atleta: após áudio vazado, relação mudou Gazeta Press

No último sábado, após o técnico Cuca anunciar a decisão de liberar Felipe Melo para, nas palavras do técnico, “seguir outro caminho”, a ideia da diretoria alviverde era clara: tentar a melhor alternativa de saída para o clube, mas sem impor grandes obstáculos para que o jogador assinasse com outra equipe.

O plano inicial considerava não apenas a possibilidade de liberá-lo sem receber valor algum como contrapartida (afinal, o clube já deixaria de arcar com o ônus de seu alto salário) como avaliava, eventualmente, o pagamento de parte dos seus honorários em outra equipe.

O áudio em que Felipe Melo chama Cuca de covarde, fala do interesse da vários times e diz que “nunca esteve tão fácil” para o Flamengo contratá-lo irritou a direção palmeirense, que também ficou incomodada com as justificativas concedidas na sequência em entrevista ao vivo ao Linha de Passe.

Na avaliação da direção alviverde, ao contrário do que muita gente acredita, é pequena a chance de o áudio ter vazado propositalmente. E, de fato, é difícil enxergar benefícios para o jogador no vazamento — sejam eles no aspecto contratual como na relação com os torcedores palmeirenses.

Depois do problema no vestiário do Palmeiras após a eliminação contra o Cruzeiro pela Copa do Brasil, a decisão por seu afastamento já estava tomada pelo técnico, como admitiu o próprio jogador à ESPN Brasil.

Lembremos o que disse Melo: “Errei, porque naquele dia sim eu falei alguma coisa contra o Cuca. Nesse momento de erro eu pedi desculpa perante ao grupo, pedi desculpa à diretoria e fui muito claro na minha desculpa, olhando nos olhos do Cuca. Ele me desculpou, apertou minha mão e disse que não trabalharia mais comigo, na frente dos outros jogadores”.

Passado o episódio, uma conversa entre o diretor de futebol Alexandre Mattos e o presidente do Palmeiras, Maurício Galiotte, definiu a estratégia para anunciar a saída de Melo: Cuca daria a entrevista alegando questões táticas (o que não deixava de ser verdade, embora não fosse toda ela) e a provável insatisfação do jogador com a reserva.

Desta forma, o clube não desvalorizaria seu patrimônio externando (ou mesmo relembrando) a existência de outras questões que pesaram no aval da diretoria para a liberação, como uma série de problemas (alguns pequenos, é verdade) ocorridos com Roger Guedes, Dudu, o preparador físico Omar Feitosa e, enfim, Cuca.

Mas o áudio e a entrevista estragaram a estratégia.

Foi só então que a direção resolveu convocar a entrevista coletiva de Alexandre Mattos para demonstrar firmeza por parte do clube: "O Felipe Melo é um ativo do Palmeiras, vale dinheiro. Se algum clube o quiser, que procure o Palmeiras, porque até hoje ninguém procurou. E não vai ser ‘facinho’. No áudio, ficou parecendo que está fácil".

A partir de agora, embora ainda precise pesar o ônus da permanência de Melo no elenco, o Palmeiras de fato não está disposto a liberar o jogador de graça.

Até porque seu salário, mesmo alto, não é um problema gigante para quem conta com o suporte de uma patrocinadora abonada e generosa.


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Neymar conduziu sua saída como se fosse seu pai, um símbolo do futebol atual

Gian Oddi
Família Neymar: dinheiro e 'protagonismo' acima de tudo
Família Neymar: dinheiro e 'protagonismo' acima de tudo EFE

Acabou a novela, ainda que faltem detalhes da transação. Neymar pediu, oficialmente, para deixar o Barcelona.

Primeiro, o óbvio: Neymar faz o que bem entender da sua vida e de suas escolhas profissionais. Joga onde bem quiser, ao lado de quem bem entender, recebendo a fortuna que se dispuserem a lhe pagar por seu futebol fora de série.

Seu caso, contudo, é um episódio emblemático dos desejos de uma classe, de um momento, de um esporte.

Deixando de lado sua nova remuneração astronômica (não que ganhasse mal em Barcelona), é interessante analisar a escolha do craque brasileiro pelo aspecto que, nos dias de hoje, parece determinante para guiar as decisões dos maiores nomes do futebol: a individualidade, as conquistas próprias acima das coletivas, a maldita bola de ouro da Fifa.

Nove entre 10 argumentações favoráveis à troca de clube de Neymar citam, literalmente ou quase, termos como “sair da sombra de Messi”, “virar o protagonista” ou, claro, “ser finalmente o melhor do mundo”. Diversas apurações, inclusive a do jornalista Marcelo Bechler, o primeiro a anunciar sua ida ao PSG, colocam tais motivos como importantes na decisão do brasileiro.

Deixemos de lado a discussão sobre a subjetividade e as injustiças do tal prêmio da Fifa, até porque tratar especificamente da honraria em que se vota nos mais famosos não é a intenção aqui.

Você poderá argumentar, com razão, que olhar para o próprio umbigo em detrimento de um senso coletivo é da natureza humana. Sem dúvida, e o mundo corporativo, ao qual muito se recorre para traçar paralelos com o futebol, está aí para comprovar. Quantos são, nas grandes empresas, os que ignoram ou menosprezam os objetivos comuns, metas como finalizar um projeto de sucesso (eventualmente concebido por terceiros), para colher o máximo de louros individuais?

No mundo corporativo, não há dúvida, as coisas funcionam quase sempre assim.

Mas o futebol é diferente, ou pelo menos teria motivos para ser.

Pessoas têm com o futebol uma relação de amor e gratidão que empresas, grandes ou pequenas, raramente conseguem despertar em seus funcionários e clientes ou consumidores. Um time de futebol, porém, não é uma empresa, ainda que possa ser bem gerido como tal.

Diante deste aspecto emocional, que no fim das contas é a força motriz do futebol (porque é o que move os torcedores), este esporte gera, em sua engrenagem, fatos, reações e consequências que um funcionário de uma empresa qualquer, seja ele da graduação que for, não conseguirá jamais reproduzir.

Neymar joga em um clube de tradição e importância consideravelmente maiores que o PSG. Com um bom trabalho coletivo, teria ao seu lado jogadores capazes de formar uma equipe histórica (como fizeram seus antecessores no clube catalão). Aos 25 anos, cinco a menos que Messi, o caminho natural o levaria a ser candidato real à almejada Bola de Ouro jogando ou não ao lado do argentino. No Barcelona. Em um campeonato melhor.

Provavelmente é romantismo, mas a estes fatores acima seria preciso somar um outro que, nos tempos atuais, parece ter peso nulo nas decisões tomadas pela maioria esmagadora dos jogadores: ser amado, idolatrado e retribuir o amor de uma torcida a ponto de tornar-se um mito, uma lenda para um clube de futebol ou uma cidade, não conta mais.

Gerrards, Maldinis, Tottis, Terrys e Zanettis fazem parte do passado.

As ações de Neymar nas semanas que antecederam sua saída demonstraram preocupação nula com o tema: o silêncio, a marra, as notícias sobre seu pedido para que o PSG contratasse um objetivo do Barcelona para sua reposição, a briga no treino com o recém-chegado Semedo... são só alguns dos fatores que fizeram com que, em todas as sondagens realizadas em Barcelona, os torcedores catalães se manifestassem a favor de sua saída. Triste.

Neymar já tem 25 anos e poderia ter demonstrado ao menos alguma preocupação com o tema. Se não com o clube que nele apostou (que está longe de ser um exemplo), com a torcida que o idolatra desde quando tinha 21. No entanto, talvez por falta de personalidade, talvez por fé cega no progenitor, conduziu sua saída como se fosse seu pai, de uma forma parecida com a que conduziu sua saída do Santos. 

Resultado: aquele que poderia ser um ídolo eterno tornou-se persona non grata em Barcelona.

De novo: Neymar faz o que bem quiser de sua vida, e o fato de trocar o Barcelona pelo PSG não incomoda. Até porque o peso dos motivos desta escolha só ele conhece bem.

Incomoda, porém, que passemos a tratar como óbvias e indiscutíveis justificativas egocêntricas quando o assunto é futebol.

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Neymar conduziu sua saída como se fosse seu pai, um símbolo do futebol atual

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Em campo, Felipe Melo não fará falta. Mas a decisão de Cuca é pura ‘ousadura’

Gian Oddi

Cuca faz pronunciamento sobre Felipe Melo: 'É uma coisa que daria problema no futuro'


Antes de tudo, deixo claro que, na minha visão, Cuca tinha obrigação de responder às perguntas sobre a decisão de liberar Felipe Melo (não pelos jornalistas, que são apenas intermediários, mas pelos torcedores, que são os receptores finais).

Dito isso, contudo, é preciso reconhecer que o técnico palmeirense foi muito claro e direto em seu pronunciamento sobre os motivos que o levaram a abrir mão do volante. 

Embora tenha dito com outras palavras (e se você quiser a declaração literal basta ver o vídeo acima), é simples assim: Felipe Melo não seria titular no Palmeiras de Cuca e, na visão do treinador, acabaria por lhe criar problemas no vestiário (se é que já não os tinha criado, como sustentam versões de quem trabalha no clube).

Se Cuca está certo ou não, jamais saberemos, até porque Felipe Melo não jogará mais pelo Palmeiras. 

A decisão do treinador, porem, é tão corajosa quanto arriscada.

O risco não se dá pela falta que Felipe Melo fará ao Palmeiras. Do ponto de vista técnico, pelo futebol que vinha jogando, a ausência de Melo no Palmeiras será mais notada nas redes sociais e nas declarações do que dentro de campo (clique para ler o ótimo texto de Leandro Iamin sobre o tema).

Bruno Henrique e Thiago Santos, quando utilizados, vêm jogando mais que Melo. Jean, que acaba de voltar, é um eficiente titular para o time de Cuca, que parece caminhar para utilizá-lo mais no meio que na lateral. Moisés está voltando. Tche Tche, que a exemplo de Melo vem jogando menos do que pode, e em breve até o esquecido Arouca são outras opções para a posição.

Melo talvez seja potencialmente o melhor entre todos eles, mas este potencial não foi visto no Palmeiras e, pelo entendimento tático de Cuca, nem seria.

O que torna a decisão de Cuca corajosa e arriscada é justamente a possibilidade de Felipe Melo vir a apresentar este futebol em outro clube, como ocorreu com Lucas Barrios no Grêmio. Neste sentido, aliás, é louvável que o treinador não tome a decisão de liberá-lo só depois de escalar o volante em sete partidas do Brasileiro, o que o impediria de jogar por outra equipe da Série A.

Se o Palmeiras vier a ser campeão, o caso morrerá aqui. Mas se Felipe Melo voltar a jogar tudo que pode em outro time do Brasileirão ou até mesmo da Europa, e o Palmeiras terminar o ano sem conquistas, Cuca já sabe: sua decisão será lembrada, relembrada e rotulada como erro inaceitável.

Neste sentido, a decisão de Cuca é pura ‘ousadura’.

O neologismo que foi, provavelmente, o maior legado de Felipe Melo no Palmeiras.

Gian: Justificativa de Cuca sobre Felipe Melo foi clara, mas muita coisa ficou sem explicação
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Em campo, Felipe Melo não fará falta. Mas a decisão de Cuca é pura ‘ousadura’

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O Corinthians será campeão brasileiro?

Gian Oddi
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Jadson, desfalque do Corinthians por 30 dias: é preciso calma com as previsões
Jadson, desfalque do Corinthians por 30 dias: é preciso calma com as previsões Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

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Que não temos a capacidade de responder à pergunta do título deste post no mês de julho deveria ser óbvio para todos. Mas não é.

Primeiro foi a ânsia em apontar o bom time Fábio Carille, por seu começo excepcional, como o provável campeão após apenas 11 ou 12 rodadas de um campeonato de 38.

Em que pese o bom futebol e a organização corintiana, ignorava-se nesta precipitação, por exemplo, o fato que o ótimo time do Grêmio, jogando um futebol vistoso e eficiente, perdera três jogos na sequência (Corinthians, Palmeiras e Avaí) sem necessariamente ter jogado mal.

Algo que, faltando mais de 20 rodadas para o fim da competição, poderia e pode ocorrer não só com o Corinthians como com qualquer outra equipe – afinal, é de futebol que falamos.

Ignorava-se também que o Corinthians, como propagado no início do torneio para após 10 rodadas ser negado por tantos (resultados fazem mágica...), tinha e continua tendo um elenco menos poderoso que alguns de seus rivais.

Agora, incrivelmente, já há quem veja em dois empates um motivo para decretar a provável derrocada de um time que vem mostrando organização, padrão e empenho acima da média desde o início do torneio.

Cita-se para isso, além dos dois empates contra Atlético-PR e Avaí (que por detalhes poderiam ter terminado com vitórias), os problemas médicos de Jadson (fora por ao menos 30 dias) e Pablo (seis semanas ausente).

Vale ressaltar que em apenas quatro de seus 15 jogos no Brasileiro o Corinthians entrou em campo com sua formação dita titular: nas contundentes vitórias contra Palmeiras e Bahia e nos empates com Chapecoense e Avaí (quando perdeu Jadson e Pablo com apenas 15 minutos de jogo).

Ainda que tiremos o empate com o Avaí da conta de “jogos com os titulares” (porque perdeu dois deles muito cedo), a matemática de desempenho do Corinthians neste Brasileiro é a seguinte:

Iniciando COM os 11 titulares (3 jogos) – 77% de aproveitamento

Iniciando SEM o time titular (12 jogos) – 83,3% de aproveitamento

Diante do desempenho corintiano, diante de como ocorreram seus dois “tropeços” nas últimas rodadas e diante dos dados acima, soa novamente precipitado querer apontar uma inevitável derrocada do líder do campeonato.

Seria legal deixarmos a contundência das opiniões para as análises possíveis: sobre o que aconteceu, o que acontece e, vá lá, o que pode acontecer em prazos mais curtos.

Deixemos as previsões impossíveis para os discípulos de Mãe Dinah.

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A (ousada) opção de Bonucci: por que ele deixou a Juventus e escolheu o Milan?

Gian Oddi
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Bonucci muda de direção: da Juve para o Milan
Bonucci muda de direção: da Juve para o Milan Getty Images

Pep Guardiola já disse que, se pudesse, formaria um time com 11 Bonuccis. Exagero ou não do treinador espanhol, é fato incontestável que, hoje, aos 30 anos de idade, Leonardo Bonucci seria titular em qualquer time do planeta. Qualquer mesmo, pode simular.

Neste cenário, não deixa de ser curioso, embora compreensível pelos motivos que vêm a seguir, a escolha do zagueiro ao trocar a toda poderosa Juventus, atual hexa campeã italiana e vice-campeã europeia, pelo tradicionalíssimo, mas hoje combalido, Milan — que está fora, mais uma vez, da Champions League.

O motivo da saída de Bonucci não é segredo: a pouca sintonia com o técnico Massimiliano Allegri, que chegou a deixar o zagueiro nas tribunas, fora de uma partida de oitavas-de-final da última Champions League contra o Porto, como punição por uma ríspida discussão entre eles.

O peso que teve em sua decisão o bate-boca com seu amigo Barzagli e, sobretudo, a duríssima bronca (segundo relatos do diário La Stampa seguida até mesmo de contato físico) em Dybala, durante o intervalo da final europeia contra o Real Madrid, não saberemos até que Bonucci se manifeste — e talvez continuemos sem saber mesmo que ele o faça.

Fato é que Bonucci queria deixar a Juventus. Um clube que tem feito questão de propagar que, em Turim, jogadores insatisfeitos, até mesmo os melhores, não permanecem: quem quiser sair que saia. Algo que se comprovou na liberação, sem maiores empecilhos, do brasileiro Daniel Alves.

Bonucci: capa de todos diários esportivos na Itália
Bonucci: capa de todos diários esportivos na Itália reprodução

Explicada a saída, fica a pergunta: por que o Milan?

Guardiola adoraria recebê-lo em Manchester, e certamente Mourinho não pensa muito diferente. Antonio Conte, que Bonucci já rotulou como “o homem que fez eu me tornar quem sou”, idem. Real Madrid, Barcelona, Bayern... não há time abastado neste planeta que não gostaria de tê-lo entre seus 11.

Segundo relatos de pessoas próximas ao jogador reportados pela imprensa italiana, contudo, Bonucci simplesmente não queria deixar a Itália.

Eu admito ser suspeito quanto à pré-disposição para compreender as razões de Bonucci não querer trocar a Itália para viver em Manchester e mudar o patamar, entre outras coisas (mais ou menos relevantes que isso), de suas refeições.  ; )

Do ponto de vista esportivo, porém, sua escolha é ousada e desafiadora.

Ele chega a um Milan renovado e, agora, novo rico graças aos investimentos chineses. Um clube que acabou de investir mais de 125 milhões de euros em jogadores jovens (a maioria realmente bons e promissores), mas que agora gasta 40 milhões em (fato raro) um zagueiro capaz de mudar seu patamar de disputa — por qualidade técnica, respeito e espírito de liderança.

Leonardo Bonucci chega ao Milan com a intenção e a missão de ser o capitão e líder de uma reviravolta na história do clube. Chega para despertar o gigante adormecido há seis anos.

Bonucci virou, acima de tudo, um símbolo da mudança.

Resta saber se conseguirá fazê-la.

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As três opções de Leco e sua escolha infeliz: ele realmente pensa o que disse?

Gian Oddi
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Leco: 'A diretoria não tem nenhuma responsabilidade; tivemos a coragem de contratar o Rogério'
Coloque-se na seguinte situação: você é presidente de um dos clubes mais populares do país e contrata para ser treinador da equipe o maior ídolo da história deste clube — decisão que, maquiavélica ou não, acaba por ajudá-lo na reeleição para a presidência. 

Em seu segundo mandato, contudo, você vende boa parte dos jogadores importantes do time e, ainda que os reponha, dificulta indiscutivelmente a vida do novato treinador, que acaba demitido cerca de seis meses após sua (arriscada) contratação.

Na primeira entrevista coletiva após a demissão, vem a inevitável pergunta: "Qual a parcela de responsabilidade que a diretoria tem no fracasso do treinador?".

Daremos a você, senhor presidente, três opções de respostas para avaliar a que melhor caberia para a ocasião:

1) "A responsabilidade é toda nossa. Não apenas porque fizemos uma aposta que talvez ainda não fosse o momento de fazer, mas porque, por circunstâncias financeiras e administrativas, não pudemos dar ao treinador as condições que considerávamos ideais para realizar o trabalho"; 

2) "Temos nossa parcela de responsabilidade. É claro que a troca de jogadores no elenco, embora necessária por aspectos financeiros, não ajudou o trabalho do Rogério, que sai pela conjuntura atual do campeonato, mas demonstrou condições e predicados para realizar, no futuro, bons trabalhos como treinador";   

3) "A diretoria não tem nenhuma responsabilidade. A diretoria, que teve a coragem de contratá-lo sendo uma figura ainda desconhecida e novata no tema específico da direção técnica, confiou no trabalho e deu a ele todas, todas todas e um pouco mais, as condições de realizá-lo".

Embora a opção 1 talvez seja a que melhor reflete a realidade dos fatos, era de se esperar que Leco, presidente do São Paulo, optasse por um caminho mais próximo da opção 2 — por polidez, diplomacia e respeito à figura de Rogério Ceni.

Optar pela absurda opção 3, dita textualmente, como é possível ver no vídeo acima, demonstra não apenas um caminho em certo aspecto agressivo e impopular (pouco inteligente, portanto). 

Quando Leco exime sua direção de qualquer responsabilidade no insucesso de Rogério, ele demonstra desconexão com a realidade e desconhecimento sobre os aspectos mais banais sobre a montagem de um time de futebol. Problemas que podem continuar influenciando, negativamente, o trabalho do futuro treinador tricolor.

Resta ao torcedor são-paulino uma esperança: a de que Leco não tenha dito aquilo que realmente que pensa.

Gian não vê São Paulo rebaixado, mas avisa: 'Não vai ser pela demissão do Ceni'

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Palmeiras, Nobre, Mustafá e Crefisa: méritos e perigos que muitos não querem enxergar

Gian Oddi
Gazeta Press
Leila Pereira, da Crefisa, ao lado do então presidente Paulo Nobre, em evento no Palmeiras
Paulo Nobre, então presidente do Palmeiras, ao lado de Leila Pereira, da Crefisa: hoje, rompidos


O Palmeiras não depende do dinheiro da Crefisa, nem do dinheiro de Paulo Nobre, e não vive de "mecenato". O Palmeiras, contudo, corre riscos pela maneira como se comporta institucionalmente para agradar sua generosa patrocinadora.

Embora ambas as frases, não excludentes, sejam óbvias para quem acompanha o dia a dia do clube nos últimos 5 anos, elas continuam a ser negadas — com veemência — por lados "opostos".

Há aqueles que se recusam a ver a evolução do clube em praticamente todos os seus segmentos nos últimos anos, assim como existem os que preferem fazer vistas grossas aos privilégios indevidos oferecidos à patrocinadora, personificada em sua presidente, Leila Pereira.

Estudos e reportagens publicados nestas duas últimas semanas, contudo, tornam mais complicada a missão daqueles que se recusam a enxergar o óbvio.

Comecemos com o estudo divulgado pelo Itaú BBA no último dia 20, que conclui, textualmente: "se o patrocinador deixasse o clube e os valores voltassem a patamares de mercado, a capacidade de investimentos diminuiria, mas não tornaria o clube inviável... o Palmeiras se coloca como um dos líderes no processo de organização da estrutura do futebol e candidato a permanecer na disputa por todos os títulos que disputar".

É inegável que os empréstimos feitos pelo ex-presidente Paulo Nobre, caminho longe do ideal para que um clube de futebol resolva seus problemas financeiros, foram determinantes para o Palmeiras chegar à boa situação relatada pelo estudo do Itaú BBA.

É importante, porém, ressaltar que as condições de tais empréstimos, a juros baixos e com contratos que impedem qualquer tipo de ônus futuro ao clube (pelo contrário, como mostra matéria do Diário Lance!), não deixam o Palmeiras numa situação de suscetibilidade ou dependência em relação ao seu ex-presidente — algo admitido até mesmo por seus opositores, embora o atual presidente, Maurício Galiotte, esteja se esforçando para quitar a dívida rapidamente.

Devido à personalidade de Nobre, intransigente, avesso a escutar até mesmo os mais próximos e, para muitos, "mimado", foi essencial para o Palmeiras que os acordos fossem firmados como foram, sem permitir que, num eventual acesso de irritação ou rompimento com a gestão seguinte (que de fato veio a ocorrer), ele pudesse onerar o clube de alguma forma.

Fato é que, no período de sua gestão, o Palmeiras estancou a sangria com seu empréstimo, mas soube trabalhar, paralelamente, para estruturar o clube e seu departamento de futebol (da base aos profissionais), além de aumentar as receitas significativamente sem depender de uma fonte única — o propagado patrocínio respondeu por não mais que 19% das receitas de 2016, quando o time se sagrou campeão brasileiro, um ano após o título da Copa do Brasil.

No cenário atual, já estruturado e com receitas significativas variadas (patrocínio, bilheteria, sócio torcedor, novo acordo de televisão, venda de produtos...), a Crefisa, principal patrocinadora do Palmeiras, tomou as manchetes por seus investimentos vultosos e, como admitiu seu dono, José Roberto Lamacchia, ao blog de Mauro Cezar Pereira, acima do valor de mercado.

Receber muito dinheiro não é, evidentemente, o problema do Palmeiras em relação à Crefisa. Afinal, qual deveria ser a postura dos atuais dirigentes do clube? "Seu Lamacchia e Dona Leila, infelizmente não podemos aceitar um patrocínio assim, com tanto dinheiro, desculpem-nos". A reação soaria bizarra e insensata, não apenas no Palmeiras, mas em qualquer clube de futebol.

A Crefisa tem o direito de gastar quanto dinheiro entender ser necessário para tornar o time competitivo, trazendo assim resultados desportivos que aumentarão a exposição de sua marca. E o Palmeiras, desde que cumprindo todas suas obrigações fiscais e legais, tem o direito de recebê-lo.

A questão a ser debatida, portanto, não deveria ser focada no montante de dinheiro investido pela patrocinadora, mas no motivo do investimento. E é neste ponto que não podem ser ignoradas as duas matérias publicadas nesta semana pelo repórter Danilo Lavieri, do UOL Esporte: "Palavra de Mustafá permitiu Leila ser conselheira" (fechada para assinantes) e "Parecer jurídico questiona ação de Mustafá, que avalizou Leila no conselho".

Danilo Lavieri / UOL Esporte
Ficha de associação de Leila obtida pelo UOL Esporte: Mustafá pediu mudança de data
Ficha de associação de Leila obtida pelo UOL Esporte: Mustafá pediu mudança de data


Lavieri teve acesso a documentos que demonstram, sem deixar margem a dúvidas, ter havido um único motivo para que Leila Pereira tivesse alterada a data de sua associação ao clube (de 2015 para 1996!): o pedido de Mustafá Contursi. Graças à ação do ex-presidente e poderoso conselheiro, Leila pôde concorrer nas eleições ao conselho palmeirense — e foi eleita com votação recorde, em fevereiro. Em outras palavras, ignorou-se o estatuto de um clube centenário.

O Palmeiras e Mustafá Contursi, mesmo diante das evidências apresentadas pela reportagem, preferiram não dar explicações sobre o caso à reportagem do UOL Esporte.

Mas deveriam fazê-lo.

Porque há coisas que o dinheiro não compra. Ou, pelo menos, não deveria comprar.

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Eurico Miranda faz de São Januário a sua Coreia do Norte: até quando?

Gian Oddi
Armando Paiva/Agif/Gazeta Press
Eurico Miranda durante apresentação de Luis fabiano no Vasco
Eurico se comporta, em 2017, como se estivésse cinco décadas atrás 

É desnecessário, para qualquer vascaíno, detalhar a tradição democrática do Clube de Regatas Vasco da Gama, forjada através de lutas por "negros, pobres e operários", como diz a música entoada pela torcida que "ergueu São Januário".

É curioso, portanto, que um dirigente que se considera a personificação do Vasco trabalhe com tamanha intensidade para destruir um rótulo que vale tanto - ou mais - que os inúmeros troféus conquistados pelos jogadores dentro de campo em quase 120 anos de história.

Não foram poucos, nas últimas semanas, os fatos ou relatos que apontaram para este caminho.

Nas redes sociais, ao menos centenas de torcedores relataram ter sido bloqueados pelas contas oficiais do clube depois de emitirem opiniões contrárias à atual gestão - a repercussão cresceu quando vascaínos célebres como o ator Bruno Mazzeo e o ex-jogador Juninho Pernambucano relataram o fato em suas contas.

Nesta semana, a torcida Guerreiros do Almirante (GDA) informou, através de nota, que não iria a São Januário para o jogo contra o Avaí devido a ameaças feitas por grupos ligados à diretoria; disse, também, que "vêm ocorrendo diversos casos de agressões a sócios e torcedores, fazendo com que nossa casa tenha se tornado um ambiente hostil ao torcedor vascaíno" (leia a nota completa). Não foi um relato isolado de tal prática.

E de fato, neste último sábado, não foram poucos os relatos informando que a confusão entre torcedores do Vasco, ainda no primeiro tempo, ocorrera porque integrantes de uma torcida organizada conhecida por ser uma espécie de milícia da atual gestão vascaína partiu para cima de outros torcedores que se manifestavam com os gritos de "Fora, Eurico!".

Por fim, o trabalho da imprensa, um dos pilares de qualquer democracia, continua parcial ou totalmente vetado dentro de São Januário, dependendo do caso. Eurico, como é praxe desde suas gestões mais antigas, se considera no direito de vetar o trabalho de jornalistas de empresas nas quais um ou mais profissionais tenham emitido opiniões críticas ao seu trabalho.

Neste contexto, é essencial não perdermos de vista, também, todo o imbróglio que cercou o processo eleitoral que trouxe Eurico Miranda de volta à presidência vascaína em 2014.

São episódios, todos eles, baseados em relatos de fontes diversas e que trazem fortes indícios ou mesmo provas de ações reprováveis. As respostas do Vasco, quando o clube opta por se manifestar, são pouco convincentes e/ou facilmente questionáveis - suas posições, quando existentes, estão disponíveis nos links em cada um dos parágrafos acima.

É incrível que Eurico Miranda e aqueles que o cercam não sintam sequer constrangimento ao agir de tal forma em pleno século XXI. Eurico se comporta como uma espécie general congelado no ano de 1968, que, ao despertar no século seguinte, ignora completamente a conjuntura e contexto que o cercam em 2017.

O mais impressionante, porém, é que consiga fazê-lo.

São Januário, nas mãos de Eurico, virou a Coreia do Norte do futebol brasileiro.

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Eurico Miranda faz de São Januário a sua Coreia do Norte: até quando?

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O goleiro prodígio, o empresário egocêntrico e um retrato do futebol

Gian Oddi
reprodução
Capas com Donnarumma nos jornais de Madri
Capas com Donnarumma nos jornais de Madri

Gianluigi Donnaruma, o prodígio goleiro que estreou aos 16 anos como titular do Milan, estampa nesta sexta-feira as capas dos dois principais diários de Madri como possível novo goleiro do Real Madrid.

Hoje com 18 anos de idade e já convocado para a seleção principal da Itália, há dois anos Gigi Donnarumma é considerado o (adivinhem?) "novo Buffon".

Só que o novo Buffon, ao contrário do "velho" que chegou a jogar a Série B com a camisa da Juventus, não deu grande prova de fidelidade ao seu clube nesta quinta-feira. Em uma reunião que durou menos de 30 minutos, seu empresário, Mino Raiola, comunicou à direção do Milan: "o contrato não será renovado".

Donnarumma, que já fez 72 jogos com a camisa milanista apesar da pouca idade, tem contrato válido com o clube até o dia 30 de junho de 2018.

Era ele, até ontem, a grande paixão dos torcedores do Milan - crianças e adultos. Era ele que os dirigentes do novo e abastado Milan "chinês" classificavam como "pilar e bandeira" de uma nova etapa. Era ele que, graças à pouca idade e ao fato de ser goleiro, podia mirar até mesmo, quem sabe daqui a uns 20 anos, a marca de maior número de atuações com a camisa de um dos maiores clubes do mundo.

Mas tudo isso não bastou.

Assim como não bastou a oferta próxima dos 5 milhões de euros por ano, o que o colocaria entre os jogadores mais bem pagos do país.

Cobrar deste garoto de 18 anos a consciência e a capacidade de colocar tudo em perspectiva e analisar uma série de aspectos com os quais ele ainda mal conviveu e nem sequer conhece talvez seja uma exigência injusta.

É aí que entra a figura de Mino Raiola.

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Mino Raiola na capa do Corriere dello Sport (julho 2016)
Mino Raiola na capa do Corriere dello Sport (julho 2016)

Para descrevê-lo em poucas linhas, Raiola é o agente que em julho do ano passado foi capa do jornal Corriere dello Sport por "ganhar mais que Messi". É o mesmo agente de Ibrahimovic, Pogba e Balotelli, todos ótimos jogadores que caminham para carreiras (vitoriosas ou não) sem grandes vínculos afetivos com clubes ou torcidas.

Explicar a decisão de Raiola não é missão das mais simples não só porque a oferta financeira do Milan era generosa. Mas também porque, por melhor que Donnarumma seja - e ele é excelente -, trata-se apenas, ainda, de um garoto de 18 anos que teria muito mais facilidade para amadurecer e evoluir jogando no clube que o formou e investiu nele.

E depois disso, se fosse o caso, seja por ver poucas perspectivas no Milan ou por receber propostas tentadoras, ele poderia mudar de ares.

Mas não será assim.

Raiola, que era muito ligado à antiga gestão berlusconiana do Milan, desde antes do início da nova gestão já dizia que os chineses estavam "fazendo uma figura de merda". Suas primeiras conversas com Max Mirabelli, um dos novos dirigentes, já transpareciam antipatia mútua.

Mino não gostou, e é Gigi Donnaruma quem se vai.

E junto com Donnarumma se vai, de forma tão precoce como foi sua estreia, a esperança de estar nascendo uma história tão linda como as de Javier Zanetti, Paolo Maldini, Alessandro Del Piero e Francesco Totti. Histórias de amor e fidelidade entre clubes e ídolos que emocionaram a Itália e a Europa nos últimos anos.

É preciso, porém, ser realista.

Del Pieros e Tottis são casos do passado. Ninguém representa tão bem o futebol atual como Mino Raiola.

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Nations League: saiba tudo sobre o novo torneio entre seleções da Europa

Gian Oddi
Gian Oddi
Alex Livesey/Getty Images
Thomas Muller Comemora Gol Brasil Alemanha Copa do Mundo 08/07/2014
Brasil x Alemanha: jogos entre europeus e sul-americanos serão mais raros com a Nations League

 

Termina nesta terça-feira mais uma data Fifa, uma das últimas que permitirão tantos amistosos entre seleções europeias e sul-americanas como Itália x Uruguai, França x Paraguai e Espanha x Colômbia, jogos que vimos nas últimas semanas. O Brasil tem marcado embate com a Alemanha para o dia 27 de março do ano que vem, em Berlim, a menos de três meses da Copa na Rússia.

Depois da Copa, contudo, amistosos entre europeus e sul-americanos serão raríssimos devido à criação da Uefa Nations League, uma nova competição entre seleções filiadas à Uefa que deixará pouco (quase nenhum) espaço para confrontos de seleções europeias contra equipes de outras confederações.

Entenda o que é, porque foi criado e como funcionará este novo e interessante campeonato, que não apenas definirá um campeão todo ano ímpar como determinará, a partir de agora, sempre quatro dos 24 classificados às edições da badalada Eurocopa.

O que é?
A Uefa Nations League é um campeonato bienal entre todas as seleções da Europa, que passa a acontecer a partir de setembro de 2018, pouco depois da Copa do Mundo na Rússia. A fase final desta primeira edição, chamada de Final Four, está marcada para junho de 2019, em sede ainda a ser definida (veja abaixo).

Quem participa?
Jogarão a Uefa Nations League as seleções de todas as 55 federações nacionais filiadas à Uefa. Estas equipes, porém, serão divididas em quatro diferentes divisões (A, B, C e D). Nesta primeira edição, a definição das divisões se dará com base no ranking da Uefa.

Por que o torneio foi criado?
O campeonato vai substituir quase inteiramente as datas Fifa destinadas a amistosos na Europa, elevando o nível de competitividade das seleções europeias nestas datas e aumentando assim o interesse de torcedores, jogadores e imprensa por estas partidas.

Como fica o calendário de seleções europeias?
Com a adoção da UEFA Nations League, as seleções europeias estarão quase sempre ocupadas com uma grande competição. Nos anos pares, jogarão as fases finais de Copas do Mundo e Eurocopas; nos anos ímpares, sempre haverá uma fase decisiva da Nations League para quatro seleções. E ao final de cada uma destas grandes competições terão início as fases eliminatórias do torneio seguinte - Copa, Eurocopa ou Nations League.

Qual a fórmula de disputa da Nations League?
As seleções serão divididas em grupos de três ou quatro equipes dentro das suas respectivas divisões. Na divisão A serão quatro grupos com três times cada: estas equipes jogam entre si em partidas de ida e volta, e os campeões de cada grupo serão os quatro semifinalistas que disputarão o Final Four (semifinais e final), jogos em confronto único que ocorrerão em uma sede única, sempre um dos países semifinalistas. A divisão B terá, também, quatro grupos de três seleções; a C, um grupo de três e três grupos de quatro; e por fim, a D, quatro grupos de quatro. Importante destacar que haverá rebaixamento e/ou ascensão dos quatro últimos ou quatro primeiros colocados de cada grupo de cada divisão para a divisão imediadamente inferior/superior.

Quais seriam, hoje, as 12 equipes da primeira divisão da Nations League? 
Hoje seriam Espanha, Alemanha, Inglaterra, Itália, França, Rússia, Portugal, Ucrânia, Bélgica, Turquia, República Tcheca e Suíça. Mas ainda pode haver mudança até o fim das eliminatórias da Copa - e a entrada, por exemplo, da Holanda. 

Como serão distribuídas as vagas na Eurocopa via Nations League?
No mês de março em anos de Eurocopa (2020, por exempo), cada uma das divisões da Nations League definirá, entre os times ainda não classificados via eliminatórias tradicionais da Euro, mais um classificado ao torneio. Cada divisão (A, B, C e D) terá um play-off com semifinais e finais em jogos únicos (mesmo formato do Final Four), reunindo os quatro campeões de grupo de cada divisão. Evidentemente, vários destes campeões já estarão classificados à Euro e, nestes casos, as vagas para jogar os play-offs serão ocupada pelos países com melhor ranking na Uefa dentro da mesma divisão (ou na divisão sucessiva, caso todas seleções de uma divisão já estejam classificadas).

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Sobre sinalizadores, torcidas, penas e desobediência civil

Gian Oddi
Gian Oddi
Marcelo D. Sants/ESPN
Sinalizadores Itaquera
Sinalizadores na Arena Corinthians: protesto consciente?

É louvável a defesa de bandeiras, instrumentos, sinalizadores (os inofensivos, não os marítimos) por parte de torcedores nas redes sociais. É positivo que haja certa dose de inconformismo com as inúmeras proibições que, indiscutivelmente, têm empobrecido os espetáculos nas arquibancadas dos estádios paulistas há vários anos.


Não me parece tão louvável e nem lógico, contudo, a defesa dos grupos organizados que, jogo após jogo, interrompem as partidas disputadas na Arena Corinthians acarretando não apenas o prejuízo técnico para os jogos em questão, como outras consequências negativas para o clube - já passa de 100 mil reais o valor pago pelo Corinthians em multas pela ação deste grupo de torcedores.

A tese de "desobediência civil", que talvez se faça tão necessária no Brasil atual, não convence como forma de protesto neste caso específico.

reprodução
Definição de desobediência civil na Wikipedia
Definição de desobediência civil na Wikipedia

Não convence, em primeiro lugar, porque estes mesmos grupos não têm buscado outras formas eficientes (e por que não criativas) de propostas e protestos que sejam menos nocivas ao time antes de optar pela desobediência às regras dentro dos estádios. Nem mesmo os patéticos (e inócuos) comunicados tantas vezes divulgados à imprensa quando se trata de defender criminosos flagrados por câmeras foram vistos.

Em segundo lugar, porque parece fácil apelar para tal forma de protesto (aliás, será mesmo um protesto consciente?) quando as punições não são dirigidas àqueles que infringem as regras, mas sim ao clube - o velho problema que permeia os temas de justiça desportiva no Brasil. A lógica que impera na turma dos sinalizadores é: eu me revolto, eu me divirto (ou, vá lá, "protesto"), e o Corinthians paga a conta, desportiva ou pecuniariamente.

Por fim, e não menos importante, é importante destacar que aqueles que "protestam" acendendo insistentemente seus sinalizadores não parecem, pelas próprias reações de outros torcedores vistos na Arena Corinthians, ser porta-vozes da torcida corintiana. Não são poucos, compreensivelmente, os corintianos incomodados com a ação e, sobretudo, com suas consequências.

Resta ao menos o mérito, intencional ou não, mas este inegável, de fazer com que o tema seja debatido de forma mais corriqueira e intensa que o habitual (que é o que fazemos aqui, aliás). 

Que as cores, o barulho e até a fumaça voltem aos estádios paulistas. Mas o melhor caminho para chegar lá não parece ser este. Pelo menos por enquanto.

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Real x Juventus: a prévia da final, com um duelo especial para os brasileiros

Gian Oddi
Gian Oddi

Real Madrid e Juventus fazem, neste sábado, o jogo mais aguardado da temporada europeia. Os retrospectos de ambos nos últimos anos, mas também na competição em si, provam que eles não estão na final da Champions League 2016-17, que será disputada em Cardiif (País de Gales), por acaso.

No vídeo abaixo, uma prévia da decisão (com palpite sem muro!), lembrando o caminho de cada finalista e trazendo as prováveis escalações (e as possíveis dúvidas) de Massimilano Allegri e Zinedine Zidane para a decisão que provavelmente contará com uma atração especial para os torcedores brasileiros — e para o técnico Tite.

Dani Alves no meio ou na lateral? Gian analisa possíveis escalações de Juve e Real para a final 

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8.821 dias depois: Grazie, Totti!

Gian Oddi
FILIPPO MONTEFORTE/AFP/Getty Images
Totti Roma Austria Vienna Liga Europa 20/10/2016
Francesco Totti se despede da torcida da Roma no domingo, a partir de 12h, na ESPN Brasil


Quando as luzes do estádio Olímpico se apagarem no início da noite do próximo domingo após a partida contra o Genoa, a cidade de Roma, e não apenas seu time mais conhecido, terá perdido um de seus grandes monumentos, um símbolo como o Coliseu.

Parece exagero, eu sei. Mas o adeus de Francesco Totti do futebol romano e romanista, ainda que não signifique o fim de sua carreira como jogador, tem um peso de difícil compreensão para aqueles que não viveram os dias da capital italiana de alguma forma mais próxima ao menos em parte de seus últimos 24 anos.

Porque Roma perde sua figura mais célebre. Mais presente, mais comentada, discutida, amada ou até contestada. E deixem o Papa em paz, porque falamos da Roma dos romanos.

No que se baseia e como se constrói a idolatria dentro futebol? Com títulos? Com gols, recordes e conquistas pessoais? Ou com fatores que extrapolam essa visão meramente matemática do esporte?

No caso de Totti, a resposta é simples.

Danem-se os números. Eles são apenas consequências.

reprodução
Totti ano a ano, em figurinhas
Totti ano a ano, em figurinhas: 24 anos em um único clube

Desde o dia 28 de março de 1993, quando, com apenas 16 anos e 28 dias de idade, ele estreou vestindo a camisa da Roma em um jogo contra o Brescia, Totti colecionou marcas incontestavelmente relevantes.

Tornou-se o jogador com mais partidas pelo clube e também o maior artilheiro de sua história. Num time pouco acostumado com títulos, ganhou o terceiro scudetto romanista, quando havia quase 20 anos que isso não ocorria. Levou ainda duas Copas e duas Supercopas da Itália. Foi quem mais jogou o derby romano, e quem nele mais marcou gols. Vestindo a camisa 10 da seleção italiana, foi também campeão do mundo.

Mas o número mais relevante nessa história toda são os 8.821 dias transcorridos desde sua estreia em 1993, passando pelo dia em que recebeu a faixa de capitão do seu ídolo Aldair, até chegar à despedida deste 28 de maio. Dias em que Totti não quis vestir outra camisa que não a do seu time de coração, na cidade que tanto ama: "Cresci em Roma e morrerei em Roma. Gosto da sensação e ter nascido e virado grande na cidade mais bonita do mundo".

reprodução
Totti mosaico
Mural com a imagem de Totti no bairro de Monti

Aos que mensuram o tamanho de um jogador por seus títulos, lamento. Certas escolhas valem mais que qualquer troféu, e talvez tenha faltado um Totti no seu time para que você pudesse compreender.

O moleque da Curva Sud virou gandula. O gandula virou promessa. A promessa virou realidade, e a realidade virou Rei. Pois bem: o moleque que virou Rei tem hoje uma relação com sua torcida e seu povo que, arrisco dizer, não encontra paralelo algum no futebol atual, em parte alguma do planeta. Porque não estamos falando "só" de futebol.

Nos quase 9 mil dias transcorridos desde sua estreia (e até antes disso), Totti recusou ofertas realmente importantes para deixar a Roma. Baqueou e admitiu ter tido dúvidas em uma ocasião apenas, quando assediado pelo Real Madrid. Ao abrir mão de atuar na capital espanhola, não deixou apenas de ganhar mais dinheiro (embora tivesse um salário de primeiro nível em Roma). Deixou de lado a fama em outra proporção. Deixou também a chance ser campeão toda hora. De concorrer a melhor do mundo, até.

Mas, de novo: dane-se. Dane-se a Bola de Ouro da Fifa e seus engomadinhos. Dane-se em quem votou o técnico das Ilhas Maurício ou do Suriname.

O orgulho que Totti propiciou à torcida romanista com aquele e com outros "nãos" vale tanto quanto ou até mais que troféus. Até porque, sem menosprezos ou diminuições a outras grandes bandeiras do futebol, é mais fácil dizer "não" a boas propostas para dedicar sua vida ao Milan ou ao Manchester United do que fazê-lo em um clube com três títulos nacionais em sua história.

Ainda assim, longe do Real, il capitano não pode reclamar de reconhecimento.

Em seus momentos de triunfo internacional, como o título mundial com a Itália, o gol contra o City que lhe tornou o jogador mais velho a marcar numa Champions League, a Chuteira de Ouro de 2008 após sua primeira temporada como atacante ou mesmo algumas partidas nas quais exibiu sua classe única nos principais gramados da Europa, não lhe faltaram exaltações dos maiores. De quem conta.

Getty
Maradona e Totti durante partida beneficente em março de 2016
Maradona sobre Totti: "melhor que vi jogar"

Em que pese seu apreço por superlativos, Maradona rotulá-lo como "o melhor que vi jogar" foi só a mais recente (e não foi a primeira vez) dessas exaltações. Zidane, Messi e tantos outros já fizeram coro com declarações que atribuíram a Totti um status que, para quem só acompanha os jogos mais badalados do futebol europeu (leia-se reais e barcelonas), talvez seja uma surpresa.

A estas exaltações individuais, é preciso somar, ao longo de toda sua carreira, as manifestações de admiração por parte de torcidas adversárias como Real Madrid, Valencia, Manchester City, Bologna.... e até Lazio! A faixa "Os inimigos de uma vida saúdam Francesco Totti", exibida em um jogo dos arquirrivais no dia 21 de maio, tem um peso e um significado difícil até de mensurar.

reprodução
Faixa dos torcedores da Lazio saúdam Totti:
A mais inesperada das homenagens. Laziales saúdam Totti: "inimigo de uma vida"

Trata-se, evidentemente, de reconhecimento à fidelidade, ao amor por um clube que, sem exceção, qualquer torcedor gostaria de ver em seu time. Mas trata-se, também, de reconhecimento a uma qualidade técnica absolutamente fora do comum e, acima de tudo, sempre colocada a favor do time, do conjunto, de suas cores.

Porque, embora seja o maior artilheiro da história da Roma, Totti nunca atuou para si, nunca foi aquele jogador ávido por gols e que não comemora aqueles de seus companheiros. Pelo contrário: mais que seus lindos gols, sua qualidade mais sublime são os passes, as assistências. A capacidade de mudar tudo, absolutamente tudo, com um toque de um microssegundo aliado à sua visão de jogo espetacular.

Totti foi o craque em função de um time, não era um time em função do craque.

Neste próximo domingo, contudo, ele estará, sim, acima do clube. E o "Grazie, Roma" cantado tradicionalmente ao final dos jogos terá que dar espaço.

Grazie, Totti!

Aqui o VT produzido com base neste texto:

Grazie Totti! A cidade de Roma perde um monumento; veja a trajetória do eterno 'capitano'

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Rogério Ceni tem razão

Gian Oddi

Volto ao tema devido às reações que recebi, via Twitter, após meu comentário a respeito do tema no Bate Bola de ontem (vídeo abaixo).

Adriana Spaca/Getty Images
Rogerio Ceni Sao Paulo Defensa y Justicia Copa Sul-Americana 11/05/2017
Rogerio Ceni, após Sao Paulo x Defensa y Justicia na Copa Sul-Americana

Por tudo que ouvimos de Rogério Ceni a respeito da atitude de Rodrigo Caio no clássico contra o Corinthians, posso afirmar que tenho posição contrária à dele. Discordo, também, da teoria de que Jô mereceria o cartão amarelo de qualquer maneira por um suposto empurrão no zagueiro são-paulino.

Mas, concorde-se ou não com a posição e as visões do novato treinador em relação ao fatídico episódio no clássico, é preciso admitir que seu incômodo com a repercussão e os desdobramentos daquele caso é compreensível.

Motivo pelo qual é também compreensível a resposta, considerada por muita gente como irônica e agressiva, dada por ele no programa Bem Amigos desta semana, quando o ex-goleiro afirma "talvez o Rodrigo (Caio) e o Tite sejam melhores pessoas do que eu".

A visão de que concordar com a atitude de Rodrigo Caio nos transforma em pessoas com mais caráter ou mais honestas em relação àquelas que por um motivo ou outro discordam não foi, afinal, uma teoria criada e propagada por Ceni. E essa tese certamente chegou aos seus ouvidos, não poucas vezes.

Convenhamos: é normal que aqueles que se deparam com a teoria acima e discordam da atitude do zagueiro se sintam ofendidos e pretendam responder. A ironia utilizada por Rogério, portanto, é apenas uma forma de zombar de uma afirmação que, mesmo indiretamente, o ofende.

Generalizações maniqueístas como essa, dividindo as pessoas entre boas e más ou honestas e corruptas baseando-se em critérios descabidos como um lance de um jogo de futebol, têm sido, infelizmente, muito comuns no Brasil. E fazem mal.

Rogério Ceni tem seus defeitos, como todos, e talvez agora os exponha ainda mais pela visibilidade e vulnerabilidade da carreira de técnico (que exige entrevistas obrigatórias constantes, bem mais que na época de goleiro).

Neste caso, contudo, Rogério só se defendeu. Como fazia nos tempos de goleiro.

Gian entende resposta de Ceni: 'Discordar do ato de Rodrigo Caio não faz dele uma pessoa pior'

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Brasileirão 2017 já tem um recorde, e muito se deve à nova Libertadores

Gian Oddi
Gilvan de Souza/Flamengo
Flamengo, Guerrero, Maracanã, Campeonato Brasileiro, 2017
Fla x Galo: maior público da 1ª rodada

É verdade que Flamengo, Palmeiras e Corinthians, três dos times que hoje mais levam torcedores aos estádios, jogaram em casa e, não à toa, tiveram respectivamente os três maiores públicos da primeira rodada do Campeonato Brasileiro.

Não deixa de ser significante, contudo, que a rodada inaugural deste Brasileirão tenha tido a melhor média da história da competição desde a adoção dos pontos corridos no Brasil, em 2003, como mostram os dados abaixo compilados pela Footstats.

Footstats
media rodada 1BR
Primeira rodada do Brasileirão 2017 é a que tem a melhor média da história dos pontos corridos

Como se vê, em relação ao ano passado, houve neste ano um acréscimo de 34% na média de público da primeira rodada do torneio.

É difícil ignorar, nesta comparação com anos anteriores, o peso que a mudança da Libertadores tem nessa melhora. Afinal, com a competição continental mais espaçada e num momento menos decisivo em relação ao início de outros Brasileirões, os principais times jogaram com suas equipes mais fortes na estreia deste campeonato nacional.

Porém, mais do que as escalações, as torcidas parecem ter começado o Brasileirão mais interessadas no torneio — ainda que até mais times estejam jogando outras competições em relação a outros anos.

No ano passado, a primeira rodada do Brasileirão ocorreu nos dias 14 e 15 de maio, e os dois clássicos entre Atlético-MG e São Paulo pelas quartas de final da Libertadores, por exemplo, ocorreram nos dias 11 e 18 do mesmo mês. Como torcedores, técnicos e jogadores não priorizariam totalmente o torneio continental neste contexto?

Vale lembrar que, nesta altura do certame sul-americano em 2016, Corinthians, Palmeiras e Grêmio já haviam sido eliminados, e este cenário com tão poucos brasileiros nesta fase da Libertadores certamente não se repetiu em vários outros anos, quando o Brasileirão foi, portanto, ainda mais prejudicado.

É evidente que, neste ano, quando a Libertadores entrar em suas fases decisivas, possivelmente (e provavelmente, até), grandes times do país escalarão equipes mistas ou reservas no Brasileiro.

Mas há aí uma diferença.

Porque uma coisa é fazer com que as equipes tomem suas decisões e façam suas escolhas de priorização ao longo da temporada, de forma eventual e espaçada, e de acordo com os contextos e evoluções nos torneios.

Outra, bem mais absurda, era fazer com que os principais times do Brasil começassem a melhor e mais importante competição do país encarando-a, de cara, como um enorme estorvo. Isso não ocorre mais ou, no pior dos casos, ocorrerá bem menos.

Mérito, ainda que involuntário, da nova Libertadores.

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Brasileirão 2017 já tem um recorde, e muito se deve à nova Libertadores

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Quando o futebol se basta

Gian Oddi
Gian Oddi
Gian Oddi
Sud América x Wanderers, primeira divisão do futebol uruguaio
Sud América x Wanderers, primeira divisão do futebol uruguaio

Pense num jogo de futebol em que o sujeito responsável pelos dois gols da virada do seu time deixa o campo e, ainda de uniforme, suado e cheio de terra, encontra sua mulher que há poucos minutos sentava no concreto frio das arquibancadas para caminhar em meio aos torcedores até seu Peugeot 206 estacionado a poucos metros da entrada do estádio, que ele mesmo sai dirigindo.

Isso acontece, e não estamos falando da rua Javari, onde um misto de velhos senhores de camisas grená, famílias curiosas e até alguns hipsters mais interessados nos canolis do que em futebol se juntam para ver um jogo do Juventus da Mooca em divisões inferiores do nosso futebol.

Isso acontece, e pude comprovar in loco no último dia 7, em Montevidéu, na primeira divisão do futebol uruguaio. Isso mesmo: na primeira divisão do futebol bicampeão do mundo que, até antes da "Era Tite", podia se orgulhar até mais que o Brasil pelo desempenho recente de sua seleção.

O jogo do vídeo acima, entre o lanterninha Sud América e um Montevideo Wanderers que vinha de quatro derrotas seguidas e só por isso fora alijado da briga pelo título do Apertura, aconteceu no acanhado estádio Parque Palermo, a poucos metros do histórico e glorioso Centenário. O jogador em questão, Cristian Palacios, é um bicampeão uruguaio pelo Peñarol.

Com um misto entre surpresa e apreço pela singeleza, saí de lá emocionado, admito.

Não sou da turma que odeia as novas arenas, o conforto, as cadeirinhas, as opções gastronômicas, os banheiros limpos e, vá lá, contanto que com moderação e algum senso de ridículo nessa ânsia meio doida que temos de copiar os norte-americanos, nem mesmo contra uma ou outra ação para entreter a turma das arquibancadas nos intervalos.

Por mais que nossa memória afetiva muitas vezes nos pressione a bradar pelo contrário, evoluções costumam ser bem-vindas, além de inevitáveis. E conforto, convenhamos, não machuca ninguém.

Ao mesmo tempo, é bom demais perceber que o futebol não precisa transformar o jogo em si numa parte diminuta de um show hollywoodiano com músicas, luzes e narradores histéricos. É bom ver que ele sobrevive (humildemente, mas bem) sem câmeras de beijos, coreografias pasteurizadas e outras pataquadas. Que não carece de sorteio, salsicha gourmet, pompons e hashtags.

Rogério Andrade
Hora do cafezinho (um pouco doce, é verdade)
Hora do cafezinho (um pouco doce, é verdade)

A paixão de um velho senhor por volta dos 80 anos, que ao fim do jogo caminhou com dificuldade para desamarrar a pequena faixa do Wanderers que colocara no alambrado, dobrá-la com carinho e guardá-la na mochila, tem valor maior que tudo isso. E se bater a fome, a gente se vira, haverá sempre um cafezinho requentado e o velho amendoim para recorrer.

É sempre bom constatar que o futebol precisa de muito pouco para ser tão apaixonante. Precisa apenas de futebol.

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O problema é de Rodrigo Caio. E só dele

Gian Oddi
Gian Oddi
Daniel Vorley/ Agif/Gazeta Press
Rodrigo Caio se destacou pela honestidade em campo
Rodrigo Caio, no fatídico clássico contra o Corinthians


Era previsível e até compreensível a irritação de parte da torcida do São Paulo com o que fez Rodrigo Caio no clássico contra o Corinthians. Afinal, a partir do momento em que a atitude do zagueiro está muito longe do padrão, a tendência é o torcedor considerar seu time prejudicado por dar ao adversário uma vantagem que o adversário jamais lhe daria.

Com exceção do ônus pessoal para o jogador, porém, é impossível encontrar qualquer motivo para criticar sua atitude. Não só pela nobreza do gesto em si, mas pela postura que o são-paulino teve ao não exaltar ou buscar louros pelo próprio ato. Sua entrevista ao sair do campo, breve e séria sobre o tema, foi prova disso: "Fiz o que tinha que fazer".

Escolher o caminho da crítica, no meu ponto de vista, significaria a resignação de que nada pode melhorar no aspecto ético e moral dentro de um campo de futebol. A partir do momento que as críticas possíveis a Rodrigo Caio, todas elas, partem do fato de sua atitude ser incomum, não há como criticá-lo. É o que escreveu Fernando Meligeni em seu blog: se todos fizessem o que fez Rodrigo Caio, por que a torcida reclamaria?

De fato. Se a atitude do zagueiro do São Paulo se tornasse padrão por aqui, no que não acredito, o benfeitor de hoje seria o beneficiado de amanhã. Os árbitros errariam menos, que é uma coisa que todos querem, e os resultados seriam mais condizentes com o que ocorreu dentro de campo, que é outra coisa que todo mundo quer.

Reprodução ESPN
Gian elogia atitude de Rodrigo Caio: 'Ele não quis ser exaltado por isso'
Gian elogia atitude de Rodrigo Caio: 'Ele não quis ser exaltado por isso'


Lamentavelmente, não acredito que atos como o de Rodrigo Caio passem a acontecer rotineiramente. Mas se sua atitude servir para pelo menos inibir e constranger atitudes absolutamente opostas como as simulações bizarras que a gente vê em todas as rodadas, jogos e times do futebol brasileiro, já terá sido um ganho imenso. E nisso me parece possível acreditar.

A argumentação de que o futebol não é uma ilha de honestidade no mundo não deveria ser usada para reprimir atos como o do zagueiro. Porque o esporte é sim, ou pelo menos deveria ser, um meio que não precisa reproduzir todas as mazelas do mundo. Não fosse assim, qual seria o motivo da existência do termo "espírito esportivo"?

Parece lógico que, em relação a outros segmentos da sociedade, o esporte conte com mais espírito esportivo. Ou não?

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O problema é de Rodrigo Caio. E só dele

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Libertadores x Estadual: entre os oito brasileiros, quais os times mais e menos prejudicados pelo calendário?

Gian Oddi
Gian Oddi, blogueiro do ESPN.com.br
Getty
Barrios fez sua estreia pelo Grêmio no clássico
Grêmio, de Barrios: quatro jogos decisivos do Gaúcho podem anteceder Libertadores

Começa hoje a fase de grupos da Copa Libertadores de 2017, que tem a presença de oito times brasileiros. Só que, ao mesmo tempo em que jogam o torneio continental, estas oito equipes seguem nas disputas de seus respectivos campeonatos estaduais pelo Brasil.

Partindo do pressuposto que, neste contexto, todas vão priorizar a Libertadores, vamos mostrar quais das equipes terão seus caminhos nas fases agudas dos estaduais (caso cheguem lá, claro) mais ou menos prejudicados pelos jogos agendados para a Libertadores.

A lógica é simples. Em primeiro lugar, consideram-se só os jogos "decisivos" dos estaduais nesta análise (quartas-de-final, semifinais ou finais; nada de primeiras fases modorrentas). No caso do Carioca, semifinais e finais da Taça Rio foram deixadas de lado já que, convenhamos, valem pouco.

Com estas datas em mãos, avaliamos quantos dos jogos importantes nos estaduais antecedem em poucos dias (menos de uma semana) as partidas de cada time na Libertadores. Afinal, nesta conjuntura, é bem provável que os clubes optem por jogar com times mistos ou reservas nos estaduais, reduzindo as chances de sucesso.

O resultado está aí: o Grêmio surge como time com tabela mais complicada, o único com quatro jogos importantes do Estadual antecedendo os de Libertadores. Os Atléticos, junto com o Palmeiras, vêm em seguida com três. O Flamengo tem dois, mas um dele é justamente a inacreditável semifinal em partida única (depois de tanta enrolação...). Santos, Botafogo e Chapecoense, que ainda lutam para avançar em seus estaduais, não terão tantos problemas se conseguirem fazê-lo.

Confira abaixo a lista completa de jogos "comprometidos" dos estaduais entre os oito times brasileiros da Copa Liberadores:

GRÊMIO - 4 jogos
2º jogo das quartas do Gaúcho 9/4, antes da 2ª rodada da Libertadores
1ª semifinal do Gaúcho 16/4, antes da 3ª rodada da Libertadores
2ª semifinal do Gaúcho 23/4, antes da 4ª rodada da Libertadores
1º jogo da final do Gaúcho 30/4, antes da 5ª rodada da Libertadores

ATLÉTICO-MG - 3 jogos
1ª semifinal do Mineiro 16/4, antes da 3ª rodada da Libertadores
2ª semifinal do Mineiro 23/4, antes da 4ª rodada da Libertadores
1ª final do Mineiro 30/4, antes da 5ª rodada da Libertadores

ATLÉTICO-PR - 3 jogos
2º jogo das quartas do Paranaense 9/4, antes da 3ª rodada da Libertadores
2ª semifinal do Paranaense 23/4, antes da 4ª rodada da Libertadores
1ª final do Paranaense 30/4, antes da 5ª rodada da Libertadores

PALMEIRAS - 3 jogos
2º jogo das quartas do Paulista 9/4, antes da 3ª rodada da Libertadores
2º jogo das semifinais do Paulista 23/4, antes da 4ª rodada da Libertadores
1ª final do Paulista 30/4, antes da 5ª rodada da Libertadores

FLAMENGO - 2 jogos
semifinal única do Carioca 23/4, antes da 4ª rodada da Libertadores
1ª final do Carioca 30/4, antes da 5ª rodada da Libertadores

SANTOS - 2 jogos
1ª semifinal do Paulista 16/4, antes da 3ª rodada da Libertadores
1ª final do Paulista 30/4, antes da 4ª rodada da Libertadores

BOTAFOGO - 1 jogo
1ª final do Carioca 30/4, antes da 4ª rodada da Libertadores

CHAPECOENSE - nenhum jogo
Mesmo que chegue às finais do Catarinense, as datas das decisões não antecedem jogos da Libertadores.

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Consagrados e anônimos: quem são todos os brasileiros do Campeonato Italiano 2016-17

Gian Oddi

Alisson, Daniel Alves, Miranda, Juan Jesus e Alex Sandro; Felipe Melo, Bruno Henrique, Hernanes e Felipe Anderson; Eder e Gabigol.

Esta é uma das opções de seleção com jogadores nascidos no Brasil que podemos formar dentro do Campeonato Italiano da temporada 2015-16.

São 39 brasileiros distribuídos em 16 dos 20 times da competição — só Chievo, Fiorentina, Pescara e Sassuolo não têm nenhum. A Udinese é a equipe mais brasileira, com 6 jogadores, seguida por Roma (5), Juventus e Inter (4), Cagliari, Milan e Napoli (3).

Getty Images
O brasileiro chegou à Itália nessa temporada
Daniel Alves na Juventus: o brasileiro fará sua primeira temporada na Itália


Veja abaixo quem são todos os brasileiros do Campeonato Italiano. 

ATALANTA
Rafael Toloi (Z) - Após passagem discreta pela Roma, o zagueiro ex-São Paulo e Goiás, se firmou na Atalanta.

BOLOGNA
Angelo (G) - Ex-Santo André, Ancona e Sampdoria, o goleiro está na Itália desde 2007 e em Bolonha, desde 2015.

CAGLIARI
Rafael (G) - Após quase 10 anos jogando pelo Verona, chegou ao Cagliari no início deste ano.
João Pedro (M) - Formado no Atlético-MG, é titular do time recém-promovido à Série A e marcou 13 gols na última Série B.
Diego Farias (A) - Daqueles brasileiros que nasceram futebolisticamente na Itália, também fez 13 gols na última Série B.

CHIEVO
Não tem.

CROTONE
Claiton (Z) - Aos 31, fez toda sua carreira em clubes menores do calcio, como Lecco, Varese, Bari e Chievo.

EMPOLI
Matheus Pereira (M) - Meia inteligente e técnico, fez barulho aqui quando perdeu um pênalti com cavadinha na final da Copa São Paulo de Juniores, pelo Corinthians. Tem só 18 anos.

FIORENTINA
Não tem.

GENOA
Edenílson (V) - Ex-corinthians, jogou uma temporada na Udinese e foi emprestado para o Genoa, onde continuará por outra temporada.

INTERNAZIONALE
Miranda (Z) - Depois do sucesso no Atlético de Madri, transferiu-se à Inter, onde é titular absoluto.
Felipe Melo (V) - O ex-jogador da seleção está em seu terceiro time na Itália, após jogar por Fiorentina e Juventus. Tem sido figurante.
Eder (A) - Fez sua carreira na Itália, naturalizou-se italiano e virou titular da seleção de Antonio Conte na última Eurocopa.
Gabriel (A) - O ex-atacante do Santos, jogador da seleção brasileira, chega como uma das principais contratações da pré-temporada no futebol italiano.

JUVENTUS
Neto (G) - Hoje com 27 anos, no ano passado o goleiro trocou a Fiorentina, onde era titular, para ser reserva de Buffon na Juve.
Daniel Alves (LD) - Vindo do Barcelona, o renomado lateral fará sua primeira temporada na Itália.
Alex Sandro (LE) - Ex-Atlético-PR, Santos e Porto. Chegou à Juve na última temporada e foi muito bem, tomando a condição de titular de Evra em vários jogos.
Hernanes (M) - Após passagens por Lazio (onde foi ídolo) e Inter, começou mal em Turim, mas evoluiu na segunda parte da temporada 2015-16.

LAZIO
Wallace (LD) - O ex-cruzeirense estava no Monaco e chega agora à Lazio, comprado por 8 milhões de euros.
Felipe Anderson (M) - O meia da seleção olímpica é há duas temporadas um dos principais jogadores do time. Chegou a ser sondado pelo Manchester United.

MILAN
Gabriel (G) - Está desde 2012 no Milan, que chegou a emprestá-lo para Carpi e Napoli. Será reserva do jovem e promissor Donnarumma.
Rodrigo Ely (Z) - Aos 22 anos, é outra promessa que pertence ao Milan desde 2012. Quase sempre esteve emprestado a outros times.
Luiz Adriano (A) - No Milan, o ex-atacante do Inter não conseguiu repetir o sucesso de sua passagem no Shakhtar Donetsk e vive relação conturbada com a torcida, sobretudo após uma tentativa frustrada de transação para o futebol chinês.

NAPOLI
Rafael (G) - O bom goleiro, ex-Santos, é reserva do espanhol Pepe Reina.
Allan (V) - O ex-vascaíno é hoje nome respeitado no futebol italiano, após passagem pela Udinese e uma ótima temporada em Nápoles.
Jorginho (V) - Aos 24 anos, é outro meio-campista brasileiro que tem feito sucesso no time, a ponto de, naturalizado, já ter sido convocado para a seleção italiana.

PALERMO
Bruno Henrique (V) - O volante deixa o Corinthians e chega agora ao time siciliano com perspectiva de ser titular.

PESCARA
Não tem.

ROMA
Alisson (G) - O goleiro da seleção brasileira, ex-Inter, fará sua primeira temporada na Itália.
Bruno Peres (LD) - Ex-Santos, aos 26 anos, é outro reforço que chega agora, após boas temporadas pelo Torino.
Juan Jesus (Z/LE) - Chega agora da Inter de Milão para jogar na zaga e na lateral-esquerda.
Emerson Palmieri (LE) - Outro ex-santista, com passagem pelo Palermo. Está no clube desde 2015, mas foi pouco utilizado até aqui.
Gerson (A) - Comprado pela Roma desde o início do ano, o atacante ex-Flu finalmente jogará pelo time, após permanecer emprestado ao clube carioca.

SAMPDORIA
Dodô (LE) - O lateral, ex-Corinthians e Bahia, jogará mais uma temporada na Sampdoria, à qual está emprestado pela Inter.

SASSUOLO
Não tem.

TORINO
Leandro Castan (Z) - Curiosamente, o ex-zagueiro do Corinthians chegou a ser anunciado como reforço pela Sampdoria, onde não ficou nem 40 dias - vai jogar mesmo é pelo Torino. Na Roma, não conseguiu se firmar também por ter se submetido a uma delicada cirurgia no cérebro.
Danilo Avelar (Z) - Outro daqueles com quase toda carreira no exterior. Chegou do Cagliari no meio de 2015, mas jogou muito pouco por causa de seguidas lesões

UDINESE
Danilo (Z) - Aos 32 anos, o ex-zagueiro do Palmeiras está na Udinese desde 2011, quase sempre como titular.
Felipe (Z) - Formado na própria Udinese e com passagens por empréstimo em vários outros times da Itália, está com 31 anos.
Samir (Z) - Chegou do Flamengo esta ano, foi emprestado ao Verona e agora deve ter suas primeiras chances em Údine.
Lucas Evangelista (M) - Meia formado no São Paulo, aos 21 anos volta à Udinese buscando mais espaço depois de um empréstimo ao Panathinaikos.
Ewandro (A) - Formado no São Paulo e com passagem pelo Atlético-PR, fará sua primeira temporada na Itália.
Ryder Matos (A) - Aos 23, o atacante formado no Vitória já passou por Fiorentina, Bahia, Córdoba, Palmeiras e Carpi, mas não vingou. Está em Údine desde o início do ano. 


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Por que o título do Leicester é o maior feito da história do futebol mundial

Gian Oddi
Gian Oddi

É preciso admitir: por motivos que podemos discutir outro dia, volta e meia o jornalismo esportivo abusa de termos como "épico", "histórico" ou "incrível" para adjetivar feitos que, se não são corriqueiros, vão só um pouco além do habitual. Um jogo contra um time medíocre da Bolívia ou do Peru logo vira "épico", uma virada num modorrento campeonato estadual torna-se "histórica" ou "heroica", e por aí vai...

Getty
Ranieri abraça Vardy: parceria entre técnico e elenco foi harmoniosa do início ao fim
Ranieri abraça Vardy: os dois nomes que melhor simbolizam o absurdo da conquista

Então, antes de continuar, é bom deixar claro que não acredito estar incorrendo nesse tipo de banalização ao classificar o título inglês conquistado agora pelo pequeno Leicester. Um time de uma cidade com 340 mil habitantes que, no início do campeonato, com o quarto elenco menos valioso do torneio — à frente apenas dos que vieram da segunda divisão —, era candidatíssimo a cair. Cujo artilheiro, hoje com 29 anos, aos 23 anos ainda jogava na 7ª divisão. E com um simpático técnico que, mesmo renomado, só agora, aos 64, vence seu primeiro campeonato nacional.

Estes são apenas alguns entre os tantos ingredientes que fazem com que as palavras "histórico", "épico" e "heroico" sejam adjetivos até modestos para classificar o que fez o Leicester na temporada 2015-16. Porque a conquista desta segunda-feira foi — e agora vai parecer exagero — o maior feito da história do futebol mundial.

Justifico a seguir. Porque o título do Leicester, entre as raras histórias similares ocorridas em toda a história, é a única a ter em comum os três pontos abaixo.

1) Foi nos pontos corridos.
Esqueça a discussão sobre a "melhor" fórmula de disputa. Existe uma premissa que nem sequer gera debate: a de que, diante da imprevisibilidade do mata-mata, as chances do mais fraco, do azarão, do time menos técnico e menos rico tornam-se bem maiores do que numa disputa por pontos corridos, onde a regularidade (neste caso durante 38 rodadas) é fator determinante para que se chegue ao troféu. Portanto, se você pensou na Grécia campeã da Euro 2004 ou em qualquer outra bizarrice do gênero para "rivalizar" com a conquista do Leicester, já está explicado o descarte feito nesta comparação.

2) É o triunfo de um favorito ao rebaixamento.
Ok, se a gente fuçar a história dos campeonatos por pontos corridos pelo planeta certamente acharemos muitas conquistas de times que não eram apontados como favoritos ao título. Isso é uma coisa. Outra coisa, bem diferente, será encontrar, entre estes campeões, aqueles que eram apontados como favoritos ao rebaixamento no início da temporada. Times cuja chance de ser campeão fossem iguais as de, como mostravam as apostas no caso do Leicester, alguém provar que Elvis Presley está vivo ou que o monstro do lago Ness existe e está à espera de um turista mais atento para sair em sua próxima selfie.

3) Ocorreu contra gigantes milionários donos de seleções mundiais.
Não sabemos, mas podemos até admitir que num campeonato do Congo, da Armênia, da Finlândia ou do Paquistão (será que por pontos corridos?) um time inicialmente favorito ao rebaixamento tenha conquistado o título. Pode ser. Agora, ainda que isso tenha ocorrido, o nivelamento (por baixo) e a (pouca) qualidade dos adversários terá colaborado para a surpresa. Ou alguém acha que em algumas destas ligas o azarão da vez terá superado os bilhões de chelseas, cities e uniteds e derrotado nomes como rooneys, mourinhos e agueros? A força dos rivais é um dos principais pontos a engrandecer o feito do Leicester.

Mesmo considerando os três quesitos acima, não deixa de ser tentador comparar a conquista do time de Claudio Ranieri com outros campeões épicos (de verdade), certo? Então vamos lá.

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Derby County - campeão inglês em 1972
Derby County - campeão inglês em 1972


Derby County
(Inglaterra, 1972)
Embora tenha subido à primeira divisão em 1969, o surpreendente time de Brian Clough ficou na parte de cima da tabela, especificamente no 9º lugar, na temporada anterior à conquista. Portanto, embora não fosse um "candidato ao título" em 1972, também não era nem de longe favorito a cair — como foi o Leicester nesta temporada.

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Nottingham Forest - campeão inglês em 1978
Nottingham Forest - campeão inglês em 1978


Nottingham Forest
(Inglaterra, 1978)
Outro time de Clough, talvez seja o maior rival ao feito do Leicester. Não pelo posterior bicampeonato europeu (no mata-mata), mas por ter sido o título de um time vindo da segunda divisão e, portanto, também candidato a cair. A diferença: numa época em que a Inglaterra não contava com a grana de bilionários estrangeiros e na qual as ligas nacionais praticamente não tinham jogadores de outros países, o time não combatia contra quatro ou cinco seleções intercontinentais como fez a equipe de Ranieri. 

Hellas Verona/Divulgação
Hellas Verona - campeão italiano em 1985
Hellas Verona - campeão italiano em 1985


Verona (Itália, 1985)

Já neste caso o poderio dos rivais até pode ser comparado: naquele ano, cada time italiano passou a poder contar com dois jogadores estrangeiros e por isso, para chegar à incrível conquista, o modesto Verona superou nada menos que o Napoli de Maradona, a Juventus de Platini, a Roma de Falcão, a Udinese de Zico... O Verona, porém, não era um candidato ao rebaixamento como o Leicester: no ano anterior tinha sido o 6º colocado e, uma temporada antes, chegara a obter uma vaga na Copa da Uefa.

Getty
Blackburn Rovers - campeão inglês em 1995
Blackburn Rovers - campeão inglês em 1995


Blackburn (Inglaterra, 1995)

Como Mauro Cezar Pereira já explicou detalhadamente em seu blog (clique aqui se quiser saber mais a respeito), "os Rovers tiveram forte investimento na época e vinham ensaiando a conquista do título há dois anos". O efeito surpresa, dessa forma, não se compara com o que aconteceu neste ano na Inglaterra. 

Getty
Kaiserslautern - campeão alemão em 1998
Kaiserslautern - campeão alemão em 1998



Kaiserslautern
(Alemanha, 1998)
Assim como o caso do Forest, o time chegara da 2ª divisão, era candidato a cair e foi campeão. Também aqui, porém, o nível dos rivais não pode ser comparado com os times milionários que o Leicester pegou. Além disso, o Kaiserslautern é um time tradicional e que já havia conquistado o título nacional três vezes antes de 1998.


Convencido? Chegue-se ou não à conclusão de que o feito do Leicester nesta temporada foi o mais incrível e inesperado da história do futebol mundial, uma coisa é certeza: os termos "histórico, épico e heroico", neste caso, podem ser usados sem moderação.

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