Antes de definir vaga nas semifinais da Europa League com o Arsenal, Slavia Praga encaminhou o tricampeonato tcheco no dérbi contra o Sparta

Gustavo Hofman

Jogadores do Slavia celebram vitória no dérbi contra o Sparta
Jogadores do Slavia celebram vitória no dérbi contra o Sparta Divulgação

São 125 anos de rivalidade e jogos entre si. No domingo, foi disputado o 298º dérbi de Praga entre Slavia e Sparta, um dos clássicos mais tradicionais de toda Europa. A vitória do Slavia por 2 a 0 ampliou a vantagem da equipe na liderança do Campeonato Tcheco para 17 pontos sobre o grande rival, faltando oito rodadas para o término da competição.

Atual bicampeão nacional, a equipe tem dominado o cenário local e apresentado ótimo desempenho internacional. Na temporada passada fez grandes jogos contra Barcelona, Internazionale e Borussia Dortmund pela Champions League. Em 2018-19 caiu apenas nas quartas de final da Europa League diante do Chelsea e nesta quinta-feira recebe o Arsenal, após empate em 1 a 1 na ida, para tentar a classificação para as semifinais.

Por isso o treinador Jindrich Trpišovský (lê-se Indrijirr Tripshovski), no cargo desde 22 de dezembro de 2017, poupou alguns titulares no domingo. Na comparação com o time que entrou em campo em Londres, foram quatro alterações. Manteve o padrão tático bem estabelecido do Slavia com o 4-3-3 na fase ofensiva e a variação para o 4-1-4-1 sem a bola, mas com linhas bem altas de marcação. O Sparta, do técnico Pavel Vrba, que assumiu há apenas dois meses, se posicionou no 4-2-3-1 quando atacava e usou o 4-4-2 na fase defensiva.

Jogando como visitante, o Sparta começou melhor e poderia ter aberto o placar nos primeiros dez minutos com uma chance clara de gol, evitada pelo goleiro Ondrej Kolar em finalização de Adam Hloek. A partir da metade do primeiro tempo, a partida ficou mais equilibrada, com oportunidades dos dois lados, e assim permaneceu na segunda etapa. O equilíbrio também pode ser constatado pelas estatísticas finais: o Slavia teve um pouco mais da posse de bola (53,5%) e uma finalização a mais (10 x 9, 4 x 3 no alvo). Foi também um jogo muito travado, com 45 faltas no total, apesar da boa técnica das duas equipes, além da organização tática.

O primeiro gol saiu aos 45 minutos, após pressão do Slavia e o erro forçado na saída de bola do Sparta. Após a cobrança de lateral, Tomás Holes e o romeno Nicolae Stanciu tabelaram na entrada da área e o lateral tcheco bateu no canto. Já o segundo tem uma história especial. Não tanto pelo gol em si, absolutamente normal - cruzamento na área, bate-rebate, domínio, giro e finalização -, e sim pelo autor. Stanislav Tecl é um atacante de 31 anos, reserva na maioria dos jogos do Slavia e há muito tempo no clube. Ele entrou em campo aos 23, no lugar de Ondrej Lingr, e 13 minutos depois marcou o primeiro gol dele em um dérbi contra o Sparta. Motivo de muita alegria para o veterano jogador. "Estou esperando por isso há muito tempo. É algo com o qual eu sonhava desde criança, e hoje se tornou realidade", disse Tecl após a partida.

Tecl comemora o gol marcado no clássico
Tecl comemora o gol marcado no clássico Divulgação

Na história, o domínio é do Sparta Praga, 12 vezes campeão tcheco e outras 24 tchecoslovaco. Sempre foi o maior e mais popular clube do país, mas não é campeão nacional desde 2014. De lá para cá, viu a ascensão do Viktoria Plzen e o domínio recente do Slavia. Como Tchecoslováquia, o país foi duas vezes vice-campeão mundial (1934 e 62) e conquistou a Eurocopa de 1976. Nos anos 1990, teve uma geração extremamente talentosa com Pavel Nedved, Karel Poborsky e Patrik Berger, segunda colocada na Euro de 1996. Após o bom time dos anos 2000, que contava com Petr Cech, Tomás Rosicky, Milan Baros e os veteranos remanescentes da década anterior, a seleção vive entresafra de talentos. Não vai a uma Copa do Mundo desde 2006 - aliás, única como Tchéquia.

O Slavia tem colaborado demais com a seleção. Além de fornecer muitos jogadores, recentemente passou a exportar também, casos de Vladimír Coufal e Tomás Soucek, negociados com o West Ham e titulares na equipe inglesa. A experiência internacional para os atletas tchecos é fundamental, já que a liga local apresneta nível bem inferior aos melhores campeonatos da Europa. São 18 times na primeira divisão, aumento de dois em relação à temporada anterior, já que não houve rebaixamento por causa da pandemia de coronavírus. Turno e returno como fórmula de disputa e rebaixamento dos três últimos. Campeão e vice vão para a segunda fase preliminar da Champions League, terceiro e quarto para o mesmo estágio da Europa League.

Na Tchéquia, assim como na maioria dos países, ainda não há permissão para público nas arquibancadas. Em breve, quando isso puder acontecer novamente, o dérbi retomará o clima espetacular criado pelas torcidas de Slavia e Sparta no estádio e também pelas ruas da belíssima Praga.

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Favoritos ao título, curiosidades, adversários mais difíceis para os brasileiros... Definida a fase de grupos da Libertadores!

Gustavo Hofman

Definidos (ou quase) os grupos da Conmebol Libertadores, projeções sobre a vida dos clubes brasileiros na principal competição das Américas começam. Vale ressaltar a especificidade única desta edição do torneio, que será marcado do início ao fim pela pandemia de coronavírus - o que resultará, na prática, com mandos de campo alterados e muitos desfalques.

No grupo A, Palmeiras e Defensa y Justicia-ARG fazem os duelos dos campeões continentais de 2020 e em disputa pela Recopa. Há um time inferior aos demais, o Universitario-PER, mas uma terceira força que virá da terceira fase preliminar. Independiente del Valle-EQU ou Grêmio entrará na chave para brigar pela classificação.

O Internacional teve, teoricamente, vida menos complicada com o sorteio das bolinhas. Enfrentará um gigante do continente, o tricampeão Olimpia-PAR, terá um deslocamento para Táchira, na Venezuela, casa do Deportivo-VEN, e jogará com a grande sensação boliviana, o Always Ready-BOL - clube bancado pelo empresário Fernando Costa Sarmiento, que se tornou presidente da federação boliviana e deixou a equipe sob comando do filho Andrés. Os bolivianos contarão com os quase 4 mil metros de altitude em Potosí.

Assista e conheça os adversários do Flamengo na Libertadores-2021


O grupo C tem um claro favorito, o Boca Juniors, e fica no aguardo do segundo, provavelmente o Santos, que deve eliminar o San Lorenzo após o 3 a 1 da ida. Viagem para as nuvens, em La Paz, e para o nível do mar, em Guaiaquil - casa do Barcelona-EQU. Confirmada a classificação santista, haverá a reedição da semifinal da temporada passada.

Já o Fluminense caiu na chave mais difícil. O River Plate-ARG é um dos favoritos ao título da Libertadores, não apenas de sua chave. Marcelo Gallardo perdeu jogadores importantes, mas segue com uma base fortíssima. O Independiente Santa Fe-COL é o atual vice-campeão colombiano e conta com bons valores individuais, como o meio-campista Kelvin Osorio, artilheiro do time no atual Campeonato Colombiano com seis gols, e o lateral-esquerdo Dairon Mosquera, já bem rodado no futebol latino-americano, que lidera a equipe em assistências com três. Isso sem falar em Sherman Cárdenas, reforço de 2021. Todos sob o comando de Harold Rivera, que assumiu o Santa Fe em agosto de 2019, após subir com o Unión Magdalena e ter trabalhado com as seleções sub-15 e sub-17 da Colômbia.

Por fim, Bolívar-BOL e Junior de Barranquilla-COL jogam ainda para definirem o último classificado - na ida, em La Paz, vitória boliviana por 2 a 1.O  Bolívar foi o terceiro colocado do Apertura e em dezembro anunciou a contratação do treinador espanhol Natxo González, ex-Tondela (Portugal), Deportivo de La Coruña, Zaragoza, entre outros clubes. Ele é o sexto técnico espanhol na história do clube. Já o Junior ficou em primeiro lugar no geral, fora campeão e vice do Colombiano. Possui base já bem conhecida, com o goleiro uruguaio Sebastián Viera e o atacante colombiano Téo Gutiérrez. No ano passado, ficou em terceiro no grupo de Flamengo e Independiente del Valle e depois caiu nas quartas da Copa Sul-Americana para o Coquimbo Unido, do Chile. O time é comandado desde o final do ano passado por Luis Perea, 42 anos, zagueiro do Atlético de Madrid por muito tempo, que passou de assistente técnico a substituto do veterano Julio Comesaña.

O grupo E tem o São Paulo, de Hernán Crespo, como principal força. Naturalmente o Racing-ARG aparece como principal candidato à disputa pela ponta, mas com os dois bem à frente de Rentistas-URU e Sporting Cristal-PER. Os uruguaios, vice-campeões nacionais, ajudaram o time tricolor, porque ao se garantirem na decisão do Uruguaio, fizeram do São Paulo cabeça de chave na Libertadores pelo ranking da Conmebol. Quem tem "vínculo" com o representante brasileiro também é a equipe peruana. O Sporting Cristal, vice-campeão da Libertadores em 1997, é treinado desde o ano passado pelo colombiano naturalizado peruano Roberto Mosquera, em sua segunda passagem pelo clube, onde já conquistou dois títulos nacionais. Mosquera classificou o Binacional para a Libertadores do ano passado, mas deixou o clube antes do torneio e não teve a chance de treinar o time contra o São Paulo.

Assista e conheça os adversários do Palmeiras na Libertadores-2021


O grupo F é o único sem times brasileiros. Toda tradição do Nacional-URU, tricampeão continental, está presente na chave. Nesta sexta-feira (9), el Bolso anunciou a contratação do técnico Alejandro Capuccio. Ele assume no lugar de Martin Ligüera, que estava interinamente no cargo desde o final de março, após a demissão de Jorge Giordano, e treinou em apenas quatro jogos - suficiente para ser campeão uruguaio. O veterano atacante argentino Gonzalo Bergessio, de 36 anos, ainda é a referência ofensiva. Há bons jovens como o lateral-esquerdo Agustín Oliveros, de 22 anos, e o meio-campista Gabriel Neves, de 23 - responsável pela saída de bola da equipe. Além do goleiro Sergio Rochet, todos com convocações pela seleção uruguaia. Universidad Católica-CHI e Argentinos Juniors-ARG já estão garantidos na chave e também aguardam quem passar de Libertad-PAR e Atlético Nacional-COL - 1 a 0 para os paraguaios na ida. A equipe colombiana é comandada pelo experiente Alexandre Guimarães, brasileiro naturalizado costarriquenho, ex-técnico da Costa Rica e do Panamá. Jonatan Álvez, ex-Internacional, é o centroavante.

Por fim, grupos G e H, de Flamego e Atlético Mineiro. Os rubro-negros, principais favoritos ao lado de Palmeiras e River Plate, jogarão contra LDU-EQU, Vélez Sarsfield-ARG e Unión La Calera-CHI (clube no qual joga Jorge Valdivia). Os equatorianos têm um ótimo time, comandado por Pablo Repetto, técnico uruguaio, desde 2017. Cristian Martínez é um dos artilheiros do Campeonato Equatoriano com cinco gols em seis rodadas. Jhojan Julio, 23 anos, e Billy Arce, 22 e emprestado pelo Brighton, são outros destaques ofensivos - o último revelado pelo Independiente del Valle. Já os argentinos possuem no banco uma atração: Mauricio Pellegrino chegou ao Vélez em abril do ano passado para substituir Gabriel Heinze. Foi o retorno dele ao futebol sul-americano após cinco anos na Europa, onde comandou Alavés (vice-campeão da Copa do Rei 2016-2017), Southampton e Leganés. Pellegrino era zagueiro do time campeão em 1994 em cima do São Paulo com Carlos Bianchi como técnico. Juan Martín Lucero está emprestado pelo Tijuana é faz grande temporada, com três gols e quatro assistências até aqui na Argentina. Quem também faz parte da equipe é Ricardo Centurión, ex-atacante do São Paulo.

O Galo tem a qualidade necessária para entrar no top 3 de favoritos. O investimento realizado tem isso como objetivo claramente, ou seja, disputar o título da Libertadores. Nacho Fernández tem sido um dos melhores jogadores do continente nos últimos anos, Hulk é um reforço internacional e assim segue na análise individual do fortíssimo elenco do Atlético. Vai medir forçar com Cerro Porteño-PAR, clube que mais vezes disputou a Libertadores e jamais foi campeão, América de Cali-COL e Deportivo La Guaira, da Venezuela.

O cobiçado troféu da Libertadores da América
O cobiçado troféu da Libertadores da América Amilcar Orfali/Getty Images
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Maior ídolo do futebol macedônio, Goran Pandev também é presidente de clube no país

Gustavo Hofman

Goran Pandev é o maior jogador da Macedônia do Norte em todos os tempos. Na última data FIFA, marcou um dos gols na vitória histórica sobre a Alemanha, por 2 a 1, pelas eliminatórias europeias para a Copa do Mundo. Aos 37 anos, defende o Genoa, segue em alto nível, sonha com a classificação de seu país para o Mundial, mas já se prepara para a disputa da próxima Euro. Sabe, no entanto, que o fim da carreira está próximo.

Quando isso acontecer, Pandev já tem emprego garantido. Ele é o presidente e fundador da Akademija Pandev, um clube profissional de seu país e que desde 2017 frequente a primeira divisão. Neste final de semana, a equipe entrou em campo fora de casa contra o Makedonija GP e conquistou importante vitória por 2 a 1. Após início ruim na temporada, a Akademija Pandev já não perde há cinco rodadas e conseguiu abrir pequena vantagem sobre os adversários na luta contra o rebaixamento.

Vitória por 2 a 1 sobre o Makedonija manteve a boa fase da Akademija Pandev
Vitória por 2 a 1 sobre o Makedonija manteve a boa fase da Akademija Pandev Divulgação

O clube surgiu em 2010, quando Pandev era jogador da Internazionale. Praticamente toda trajetória prossional do atacante foi na Itália. Além da Inter, Lazio e Napoli foram outros times marcantes em sua carreira. Na seleção, ele é o recordista de jogos (117) e gols (37), uma verdadeira lenda do futebol macedônio. Obviamente não está presente no dia a dia de seu clube, já que vive e joga na Itália, mas ajuda a tomar as decisões.

"Eu me comprometi com muitas coisas na Macedônia, coisas grandes como um clube de futebol e um centro esportivo. Tenho que dizer que é muito difícil cuidar do trabalho na Macedônia a partir do exterior. Tenho contatos diários com as pessoas do clube e tento ajudar o máximo que posso em algumas decisões", explicou Pandev em entrevista ao site Macedonian Football, no final de 2020. Quem joga pelo time é o irmão mais novo de Goran, Sasko, que esteve em campo na vitória sobre o Makedonija, saindo do banco. "Falo diretamente com o Sasko e sua ajuda com o clube é de grande importância pra mim. He foi um grande talento e todos imaginavam uma carreira brilhante para ele, mas com a transferência para a Croácia, mudando muito de clubes e sem continuidade e sorte, não alcançou o que se imaginava".

Sasko, de 33 anos, foi revelado pelo Belasica, assim como o irmão. Negociado com o Dinamo Zagreb em 2005 como grande promessa, jamais teve sequência no clube, foi emprestado várias vezes e não justificou as expectativas criadas. Desde 2017 carrega o nome da família no peito e nas costas. Curiosamente, a Akademija Pandev se tornou rival, justamente, do Belasica (lanterna do campeonato), com quem divide o estádio Blagoj Istatov em Strumica.

O técnico da equipe é o ex-zagueiro Aleksandar Vasoski, de 41 anos, que jogou por muito tempo no Eintracht Frankfurt e foi companheiro de Goran na seleção. Ele comemorou quando, aos cinco minutos, Mario Krtovski abriu o placar contra o Makedonija, na capital Skopje, com bela cabeçada após cruzamento da direita. O segundo gol veio ainda no primeiro tempo, aos 26, de novo com Krtovski e mais uma vez de cabeça, mas depois de bola alçada na área pelo lado esquerdo. O Makedonija, que conta com três brasileiro (Fernando Augusto, Charleston e Robson) conseguiu diminuir apenas na segunda etapa, com Samir Fazli aos 16 minutos.

A 25a rodada do Campeonato Macedônio teve ainda a vitória do líder Shkendija por 2 a 1 sobre o Sileks, derrota do vice-líder Shkupi para o Renova também por 2 a 1, além do maior clássico do país, Pelister 2x0 Vardar. São dez pontos de vantagem na ponta da tabela, com oito rodadas para o fim da competição. Trata-se de realidade bem diferente da vivida por Goran Pandev ao longo da carreira. Ao invés de grandes e monumentais estádios, campos ruins e arquibancadas simples. Cenário que ele conhece muito bem e quer ajudar a mudar com sua academia.

Goran Pandev posa na foto oficial do time para a temporada
Goran Pandev posa na foto oficial do time para a temporada Divulgação

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Real Sociedad vence o maior dérbi basco de todos os tempos e volta a ser campeã após 34 anos

Gustavo Hofman

Real Sociedad venceu o Athletic por 1 a 0 e se tornou campeã da Copa do Rei 2019-20
Real Sociedad venceu o Athletic por 1 a 0 e se tornou campeã da Copa do Rei 2019-20 Divulgação

Quando Real Sociedad e Athletic se classificaram para a final da Copa do Rei na temporada 2019-20, jamais imaginariam que precisariam esperar tanto tempo para entrarem em campo. Esperaram, aguardaram pela possibilidade de terem suas torcidas nas arquibancadas, torceram por isso. Não foi possível.

Em um belo e vazio La Cartuja, a Real Sociedad derrotou o Athletic por 1 a 0 e levantou a taça neste sábado. Venceu o maior dérbi basco de todos os tempos e voltou a ser campeã após 34 anos.

A pandemia de coronavírus impediu muitas festas no futebol nos últimos 12 meses. O título do Liverpool na Premier League é um dos maiores exemplos, justamente pela similaridade com o que aconteceu com os txuri-urdin (brancos e azuis em basco). Jejum enorme, torcedores ansiosos pela conquista e a necessidade de ficarem em casa. Houve desrespeito aos pedidos em ambos casos, mas sem o inferno provocado pela COVID-19 a festa seria espetacular.

Não apenas em San Sebastián, uma das cidades mais bonitas da Espanha, mas também pelas rodovias que ligam Euskadi à Andaluzia, que teriam conduzido dezenas de milhares de apaixonados para Sevilha, palco da decisão. Certamente eles teriam, também, transformado o jogo. Faltou a energia da torcida em uma final.

Não foi uma grande partida de futebol. Pouquíssimas chances de gol, duas equipes muito preocupadas em não se exporem, arriscando ao mínimo. A Real Sociedad faz uma temporada melhor na comparação direta com o Athletic. Imanol Alguacil está no cargo há três anos, enquanto Marcelino García Toral assumiu em janeiro, no lugar de Gaizka Garitano - que comandou o time em toda campanha. Há mais valores individuais do lado azul e branco, com Mikel Oyarzabal, David Silva e Alexander Isak, por exemplo.

Jogadores da Real Sociedad levantam taça da Copa do Rei e fazem a festa; lenda do Bilbao vê e aplaude

Os dois rivais tiveram ao longo da história grandes confrontos. Como no início da década de 1980, quando dominaram o futebol espanhol. A Real ganhou a temporada 1981-82 com uma vitória no antigo estádio Atotxa por 2 a 1 sobre o Athletic. O troco aconteceu em 1983-84, com o 2 a 1 dos bilbaínos no antigo San Mamés e a conquista de LaLiga. Jamais, no entanto, tinham se enfrentado diretamente por uma taça.

Machucado, capitão da Real Sociedad larga muletas e sobe escadas com ajuda para receber troféu da Copa do Rei

No final das contas, um troféu que premia um time bem organizado, que preza pelo futebol ofensivo. Começou muito bem em LaLiga, caiu de produção, mas se recuperou e permanece na briga por vaga em Champions League. Carrega a Copa do Rei novamente para o País Basco e leva alegria a uma torcida carente de conquistas. A emoção de Oyarzabal na entrevista depois do jogo e o esforço do lesionado Ilarramendi para subir os degraus das arquibancadas e receber a taça expressam bem o significado do futebol para a comunidade txuri-urdin.

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Real Sociedad vence o maior dérbi basco de todos os tempos e volta a ser campeã após 34 anos

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O exemplo armênio da globalização do futebol

Gustavo Hofman

Henrikh Mkhitaryan é um bom exemplo da globalização do futebol. Jogador armênio, com passagem na base do futebol brasileiro pelo São Paulo, destacou-se na Ucrânia pelo Shakhtar Donetsk, ganhou fama internacional no Borussia Dortmund, jogou a Premier League por Manchester United e Arsenal, atualmente vive e joga em Roma. Sem dúvida alguma, é o jogador nascido na Armênia mais famoso da atualidade e, provavelmente, em toda história pela carreira construída.

Poucos dias antes de se apresentar à seleção neste mês para o início das eliminatórias europeias para a Copa do Mundo, Mkhitaryan sofreu uma lesão muscular. Terrível notícia para uma equipe que jamais disputou uma competição internacional importante e que, na prática, tem história curta ainda - o futebol armênio passou a se organizar de maneira independente somente a partir de 1992, com a dissolução da União Soviética. O sorteio colocou os armênios no grupo J, no qual o favoritismo pertence à Alemanha e há muito equilíbrio entre as demais equipes.

Na estreia, no último dia 25, vitória magra fora de casa sobre Liechtenstein por 1 a 0, graças a um gol contra aos 42 minutos do segundo tempo. Três dias depois, na capital Yerevan, 2 a 0 sobre a Islândia, participante da última Euro. Nessa quarta (31), fechando a data Fifa, triunfo emocionante por 3 a 2 contra a Romênia, com os gols da virada marcados aos 41 (impedido, é verdade) e 44 (pênalti) da etapa final. Nove pontos em três jogos e liderança surpreendente na chave, graças também à outra surpresa: derrota alemã para a Macedônia do Norte. Tudo isso alcançado sem seu melhor jogador, que já disputou 88 jogos com a seleção e marcou 30 gols.

Inacreditável! Alemanha perde para a Macedônia; assista


Resultado da globalização

A globalização do futebol tem permitido a evolução de nações periféricas no mundo da bola. Luxemburgo, por exemplo, outra surpresa deste início de eliminatórias - 1 a 0 sobre a Irlanda e derrota cara por 3 a 1 contra Portugal - possui atletas de relevância em nível intermediário europeu. O atacante Gerson Rodrigues defende o Dínamo de Kiev (Ucrânia), Christopher Martins atua no Young Boys (Suíça), o jovem Leandro Barreiro está na Bundesliga, em que joga pelo Mainz, e o zagueiro Maxime Chanot veste a camisa do New York City na Major League Soccer.

A internacionalização de atletas desses países permite às respectivas seleções maior aproveitamento da experiência deles em centros desenvolvidos de futebol. Algo que não aconteceria se permanecessem jogando em Luxemburgo ou na Armênia, por exemplo. Isso agrega ao time nível de competitividade que jamais alcançaria apenas com atletas locais.

Em 5 de outubro de 2019, Sargis Adamyan colocou seu nome na história do Hoffenheim. Ele marcou os dois gols na vitória sobre o Bayern por 2 a 1, pela Bundesliga, em plena Allianz Arena. Foi a primeira vez que o Hoffenheim bateu o gigante da Baviera em seu campo. Ele foi titular nas duas primeiras partidas da Armênia e entrou no intervalo da terceira. Não marcou, mas traz para o grupo de jogadores a experiência de estar entre os melhores do continente semanalmente.

O companheiro de ataque de Adamyan nas duas vitórias iniciais foi Norberto Alejandro Briasco Balekian - substituído por ele na terceira. O nome latino indica a origem de nascimento do jogador de 25 anos, natural de Buenos Aires e revelado pelo Huracán. Em 2018, foi recrutado pela seleção armênia pela ascendência por parte da mãe. Os dois, além de Mkhitaryan e poucos outros que jogam em ligas mais fortes, formam parte importante do elenco que traz ao grupo qualidade técnica e mentalidade competitiva diferentes. Dos 32 convocados, 19 atuam no Campeonato Armênio, onde a estrutura é absolutamente limitada, e outros seis jogam na Rússia ou no Cazaquistão, espectro soviético.

Espanha supera falha bisonha de goleiro e vence; assista


Experiente espanhol comanda a Armênia

À frente de todos está um personagem extremamente importante em toda essa história. Desde março do ano passado, o veterano treinador espanhol Joaquín Caparrós é o comandante da seleção. Villarreal, Sevilla, Deportivo La Coruña, Athletic Bilbao e tantas outras equipes da Espanha estão no currículo do técnico de 65 anos. Esta é a primeira vez que ele assume uma seleção, e isso aconteceu em plena pandemia, com pouco tempo de trabalho e enorme dificuldade em reuniar os jogadores. A estreia aconteceu apenas em setembro, derrota para a Macedônia do Norte por 2 a 1 pela Nations League. Depois se recuperou e venceu o grupo que tinha ainda Geórgia e Estônia, pela liga C, e garantiu o acesso. Ao todo, são apenas nove jogos com Caparrós, mas excelente aproveitamento: seis vitórias, dois empates e um único revés.

Em campo o que se vê é um modelo de jogo baseado no 4-4-2, com pressão sobre a saída de bola adversária, organização na recomposição defensiva, compactação sem a bola e transição ofensiva em velocidade. As estatísticas das vitórias nas eliminatórias ajudam a entender a proposta de Caparrós. Contra os romenos, 34,1% de posse de bola e 16 finalizações a gol, sendo oito no alvo. Diante da Islândia, um pouco mais de tempo com a bola (40,5%) e mais uma vez alto número de tentativas a gol (12, seis no alvo). Somente na estreia, contra Liechtenstein, o roteiro da partida foi diferente, com domínio amplo da Armênia, que não permitiu qualquer finalização do adversário e arrematou 26 vezes para o gol, com 69,1% de posse.

Na prática, os itens citados sobre o modelo de jogo aplicado pelo técnico espanhol são básicos e fundamentais para equipes de qualidade técnica limitada, que pretendem ser competitivas em alto nível. Mesmo com os nove pontos somados, os armênios ainda terão árdua missão para buscar uma vaga no Catar em 2022. A tendência é que a Alemanha, já com novo treinador, termine na primeira posição e deixe a briga pela vaga nos playoffs para Armênia, Macedônia do Norte, Romênia e Islândia.

País com cerca de 3 milhões de habitantes, localizado na região do Cáucaso, marcado por guerras e confrontos internos. Se agora a Armênia aparece como "bola da vez" no tema globalização do futebol pelos resultados obtidos, recentemente a Islândia fortaleceu a pauta, assim como em outros momentos da história foram Bósnia, Bulgária e Romênia, para citar apenas algumas seleções europeias. 

Surpresas sempre existiram no futebol e continuarão surgindo. O que aparece, cada vez mais, nesse contexto é a força ascendente de equipes de centros menos tradicionais do futebol, graças ao maior intercâmbio de seus jogadores. Não estamos falando mais apenas de boas gerações ou um grande talento perdido entre atletas medíocres. Há um fortalecimento generalizado, fruto da maior integração futebolística entre as nações. Muito longe de se tornarem potências, mas com potencial para aumentarem as surpresas.

Jogadores armênios comemoram um dos gols sobre a Romênia
Jogadores armênios comemoram um dos gols sobre a Romênia Divulgação

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O exemplo armênio da globalização do futebol

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Nove seleções mantém 100% de aproveitamento com dois jogos nas eliminatórias europeias. Deveriam ser dez...

Gustavo Hofman

Gnabry marcou o gol da vitória alemã contra a Romênia
Gnabry marcou o gol da vitória alemã contra a Romênia Divulgação

Devido à pandemia de coronavírus, as rodadas das eliminatórias europeias para a Copa do Mundo de 2022 terão rodadas triplas. Neste final de semana, em todo continente, aconteceu a segunda. Suécia, Itália, Suíça, Dinamarca, Turquia, Montenegro, Rússia, Inglaterra e Alemanha são as únicas seleções com 100% de aproveitamento em dois jogos.

Zlatan Ibrahimovic mais uma vez esteve em campo e deu assistência na vitória sueca, desta vez sobre Kosovo por 3 a 0, fora de casa. Lidera o Grupo B, à frente da Espanha que, após empatar na estreia com a Grécia, somou três pontos graças a um gol de Dani Olmo, no último minuto, garantir o triunfo sobre a Geórgia por 2 a 1.

A Azzurra ampliou a invencibilidade para 24 jogos com o 2 a 0 sobre a Bulgária. Além disso, a seleção italiana ainda estabeleceu novo recorde histórico para si, com seis partidas seguidas sem sofrer gol como visitante. Italianos e suíços têm seis pontos no Grupo C, graças ao sofrido e inusitado 1 a 0 (Xherdan Shaqiri) da Suíça contra a Lituânia. Além do placar apertado diante um dos times mais fracos do continente, a partida atrasou porque uma das traves precisou ser trocada, já que estava fora das medidas oficiais.

No Grupo F, a maior goleada da competição até aqui: Dinamarca 8x0 Moldávia. Apenas Kasper Dolberg e Mikkel Damsgaard marcaram mais de uma vez, dois gols para cada. Já o Grupo G tem a forte seleção turca na ponta, após o 3 a 0 aplicado na Noruega, com Erling Haaland em campo, no estádio La Rosaleda, em Málaga. Quem divide a liderança é Montenegro, que se aproveitou de duas rodadas iniciais contra adversários fracos (Letônia e Gibraltar). Ambas estão à frente da Holanda, que venceu a primeira ao fazer 2 a 0 nos letões.

Os russos, jogando em Sochi e com dois gols de Artem Dzyuba, bateram a Eslovênia por 2 a 1, adversário direto na briga por uma vaga na Copa de 2022. O primeiro colocado garante lugar no Catar, enquanto o segundo avança para os playoffs. O Grupo H tem ainda a Croácia, atual vice-campeão mundial, que conquistou a primeira vitória. Bateu o Chipre por 1 a 0, em dia histórico para Luka Modric. O meia do Real Madrid atingiu 135 partidas pela seleção e superou Darijo Srna como novo recordista.

Por fim, Inglaterra e Alemanha confirmaram seus favoritismos e venceram suas segundas partidas pelas eliminatórias europeias. Em Tirana, o jogo correu o risco de ser adiado pela alegação da polícia albanesa de que não tinha condições de garantir a segurança das equipes. No final das contas, a partida aconteceu e os ingleses venceram com gols de Harry Kane e Mason Mount. O Grupo I promete uma disputa sensacional até o final, com os bons times de Polônia e Hungria.

Os alemães, em Bucareste, venceram os romenos por 1 a 0, gol de Serge Gnabry. A estreia contra a Islândia (3x0) foi bem convincente, e Joachim Löw repetiu a escalação. Sem ser dominante como no primeiro jogo, Die Mannschaft, mesmo assim, atuou melhor e mereceu a vitória. Manteve a variação tática do 3-5-2 com a bola e 4-4-2 na fase defensiva; correu alguns riscos, mas fez de Florin Nita, goleiro do Sparta Praga, o melhor jogador em campo.

Quem não manteve 100% de aproveitamento, mas deveria, foi a seleção portuguesa. Cristiano Ronaldo marcou o gol da vitória nos acréscimos, mas a arbitragem não viu a bola ultrapassar a linha do gol no Marakana, em Belgrado. Inacreditavelmente, não há VAR ou tecnologia da linha gol disponíveis pela UEFA para as eliminatórias. Assim, com o placar final em 2 a 2, Portugal e Sérvia dividem a liderança do Grupo A com quatro pontos.

Adendo: quem acompanha o blog, já sabe da absoluta imparcialidade na torcida por São Cristóvão e Névis. Pois bem, também estamos com 100% de aproveitamento! Após a vitória por 1 a 0 sobre Porto Rico na estreia, a equipe do técnico brasileiro Léo Neiva fez 4 a 0 contra Bahamas, fora de casa. Vai brigar com Trinidad e Tobago pela primeira posição do Grupo F, único posto que garante classificação a segunda fase.

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Nove seleções mantém 100% de aproveitamento com dois jogos nas eliminatórias europeias. Deveriam ser dez...

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Da Suécia de Zlatan Ibrahimovic ao Canadá de Alphonso Davies, um resumão das eliminatórias

Gustavo Hofman

Claesson marcou o gol da vitória da Suécia contra a Geórgia com passe de Ibrahimovic
Claesson marcou o gol da vitória da Suécia contra a Geórgia com passe de Ibrahimovic Divulgação

Um dos games de maior sucesso nos anos 1990 foi FIFA: Road to World Cup 98. O legal do jogo era disputar as eliminatórias para a Copa do Mundo e buscar a classificação. Poderia ser fácil, com a Alemanha por exemplo, ou mais complicado com alguma seleção alternativa. Na vida real, todos lembram bem como terminou aquele Mundial. Agora, para 2022, o caminho começou  para muitas equipes nesta semana. 

A Europa teve a primeira rodada das eliminatórias disputadas. Alguma zebra? Nada alarmante, somente empates de França e Espanha, jogando em casa, contra Ucrânia e Grécia em 1 a 1. A derrota da Holanda para a Turquia por 4 a 2 chama atenção pelo placar, mas não necessariamente pelo resultado.

Portugal venceu o Azerbaijão por 1 a 0 rodando o elenco, enquanto a Bélgica bateu Gales por 3 a 1, a Itália fez 2 a 0 na Irlanda do Norte, a Alemanha venceu tranquilamente a Islândia por 3 a 0 e a Inglaterra com alguns reservas passeou contra San Marino (5x0).

Houve alguns grandes jogos, como os empates em 3 a 3 entre Hungria e Polônia (Robert Lewandowski garantiu co um gol no final) e 2 a 2 entre Escócia e Áustria. A vitória da Sérvia por 3 a 2 sobre a Irlanda também merece destaque. Além disso, vale citar o retorno de Zlatan Ibrahimovic à seleção sueca com assistência no 1 a 0 sobre a Geórgia.

A segunda rodada das eliminatórias da UEFA para a Copa do Catar já acontece neste domingo. Ao todo são dez grupos nesta primeira fase, com os primeiros colocados garantindo vaga no Mundial. Os times na segunda posição das chaves avançam para os playoffs, com mais dois oriundos da Nations League, em três novos grupos.

Seleção canadense quer jogar sua segunda Copa, após participação em 1986
Seleção canadense quer jogar sua segunda Copa, após participação em 1986 Divulgação

A bola não rolou apenas na Europa com os olhos voltados para 2022. A Concacaf deu início ao seu torneio também. Por lá, formato bem diferente: primeira fase com seis grupos de cinco seleções, com a primeira de cada avançando. Na segunda, mata mata entre todos, para definir os três que irão à terceira fase com Costa Rica, Estados Unidos, Honduras, Jamaica e México.

Assim, o mundo alternativo predomina nesse momento nos jogos na América Central e do Norte. A história de São Cristóvão e Névis já foi relatada neste blog, que se declara totalmente parcial na torcida pelos são-cristovenses, que venceram na estreia Porto Rico por 1 a 0.

Curaçao, do técnico holandês Guus Hiddink, começou a trajetória com um 5 a 0 contra São Vicente e Granadinas. Com menos gols, Trinidad e Tobago bateu Guiana por 3 a 0 mesmo placar para o Suriname contra as Ilhas Cayman. São duas seleções com muitos jogadores de dupla cidadania.

Mesmo entre tantas partidas "fora do eixo", é possível encontrarmos alguns dos principais jogadores do futebol mundial. Alphonso Davies, atleta do Bayern, liderou o Canadá na goleada sobre Bermuda por 5 a 1. Toda criação ofensiva da equipe passa pelos seus pés, mas o grande destaque foi o atacante Cyle Larin, do Besiktas, com um hat-trick.

Por fim, houve um jogo isolado das eliminatórias asiáticas. Nesta quinta, pelo Grupo F da segunda fase, o Tadjiquistão bateu a Mongólia sem dificuldades por 3 a 0. Pela primeira vez os mongóis conseguiram avançar, após eliminar Brunei no playoff inicial. Agora, apenas cumprem tabela em uma chave com o Japão, virtualmente classificado, e os tajiques na briga com uzbeques pela segunda vaga.

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No menor país da América, treinador brasileiro inicia 'missão impossível' em busca de vaga na Copa

Gustavo Hofman

São apenas 53 mil habitantes em 261 km2 de terra. Não há país soberano menor na América, em população e território, do que São Cristóvão e Névis. A vida é calma e pacata, como em uma cidade do interior do Brasil. As praias são belíssimas e o governo local, nos últimos meses, combateu a pandemia de Coronavírus com seriedade, baseado na ciência. Foram confirmados apenas 44 casos positivos de COVID-19 em todo período, sem qualquer óbito, segundo dados da Organização Mundial da Saúde.

São Cristóvão e Névis, desde 1983 quando conquistou a independência dos britânicos, faz parte dos Reinos das Comunidades das Nações, logo tem a rainha Elizabeth II como monarca. De qualquer modo, o estado é independente e mantém a economia forte para uma nação tão pequena - 45º melhor PIB per capita no mundo, pouco superior a 19 mil dólares. O futebol, no entanto, ainda precisa evoluir muito.

As duas ilhas, São Cristóvão e Névis, que compõem o país estão localizadas no Caribe
As duas ilhas, São Cristóvão e Névis, que compõem o país estão localizadas no Caribe Divulgação

O futebol local é semiprofissional, ou seja, os atletas possuem um emprego além de jogarem bola. Há um campeonato nacional, com dez times e nome pomposo (Premier League), mas a seleção jamais alcançou qualquer feito notório. A maior conquista pode ser considerada a classificação para a terceira fase das eliminatórias da Concacaf para a Copa de 2006. Terminou massacrada por México e Trinidad e Tobago, que avançaram, e ainda perdeu ambos jogos para São Vicente e Granadinas. Além disso, há um vice-campeonato da extinta Copa do Caribe em 1997.

A Associação de Futebol de São Cristóvão e Névis, para tentar mudar essa realidade, deu um passo importante em fevereiro deste ano, ao contratar o técnico brasileiro Léo Neiva. Carioca, 43 anos, larga experiência na África e na América Central, o treinador aceitou o desafio de conduzir a seleção são-cristovense em uma missão quase impossível, ainda mais em pleno cenário de pandemia no mundo.

"A preparação não está sendo ideal devido ao COVID. As restrições da ilha são muito fortes e exigentes. Não pudemos, por exemplo, fazer amistosos internacionais, porque qualquer seleção que viajasse para lá teria que fazer quarentena de 14 dias, e nós também se jogássemos fora. A preparação começou há duas semanas, apenas". Léo se refere ao país como "lá", porque a seleção de São Cristóvão e Névis irá estrear, contra Porto Rico, nas eliminatórias para o Mundial de 2022 na República Dominicana, como mandante. "Nós viemos para a República Dominicana para podermos chamar os jogadores internacionais. Perdemos o mando de campo, que seria em São Cristóvão. Viemos jogar em campo neutro, como se fosse uma bolha, e conseguimos chamar os atletas que atuam na Inglaterra. Mesmo assim já perdi três, dois por COVID e um por lesão", completa.

Léo Neiva assumiu a seleção de São Cristóvão e Névis no final de fevereiro
Léo Neiva assumiu a seleção de São Cristóvão e Névis no final de fevereiro Divulgação

Quando a Jamaica surpreendeu o mundo e se classificou para a Copa do Mundo de 1998, uma mudança importante aconteceu no futebol caribenho. Renê Simões, treinador brasileiro dos Reggae Boys, foi um dos precursores na busca por jogadores de dupla nacionalidade. Ou seja, filhos e netos de caribenhos que migraram para a América do Norte ou Europa. "Encontrei bar man, motorista de táxi, desempregados, semiamadores no futebol. Os jogadores treinavam só à tarde e não eram pagos mensalmente. Criamos o projeto de adoção de atletas por empresas, pagávamos mil dólares mensais. A empresa podia usar a imagem do jogador. Com isso, criamos a seleção permanente e viajamos a 28 países em todos os continentes, internacionalizando a experiência dos atletas. Depois, já na terceira fase de classificação, trouxemos três jogadores da primeira divisão da Inglaterra, filhos de jamaicanos, mas que nasceram lá", lembra Renê Simões. "Hoje, a seleção jamaicana tem quase todo o elenco jogando fora do país. Esse tem que ser o caminho de outras seleções".

O principal jogador são-cristovense é o meio-campista Romaine Sawyers, de 29 anos, que defende o West Brom na Premier League. "Quando eu tinha 14 anos eles contataram o West Brom para verificar se havia uma ligação. Havia, mas naquela época, o West Brom não queria que eu desse esse passo. Entre 16 e 19 anos apareci em listas da seleção inglesa. Pela perspectiva do clube, como um produto, é melhor se você joga pela Inglaterra, acrescenta mais valor", contou Sawyers em entrevista de 2017 ao portal MyLondon.

Em 2012, porém, ele deu o passo seguinte. O jogador aceitou a convocação de São Cristóvão e Névis para as eliminatórias olímpicas, pelo time sub-23. Na sequência passou a ser convocado, naturalmente, para a seleção principal e se tornou uma referência para o futebol no país. O meio-campista, pelas regras impostas pelo governo britânico devido à pandemia de Coronavírus, não pôde se apresentar ao técnico Léo Neiva e desfalcará a equipe contra Porto Rico e Bahamas, segundo adversário na rodada da data FIFA, fora de casa.

Para a estreia contra os porto-riquenhos nesta quarta-feira, Léo Neiva já sabe como vai armar o time. "Duas linhas de quatro, bloco médio, vou esperar o adversário, até porque Porto Rico está se preparando há muito tempo. Fizeram três amistosos internacionais e, em níveis físico e tático, estão à frente. Busco um futebol mais vertical, minha ideia é chegar no campo adversário com o menor número de passes possíveis, até para não me expor". A missão é complicadíssima, pelo nível de um dos adversários do grupo. "Trinidad e Tobago é a mais forte, com nome internacional, seus jogadores competem nos torneios mais pesados. Além disso, possuem experiência de Copa do Mundo e estão com um trabalho desde setembro. A Guiana tem um técnico brasileiro, Márcio Máximo, que está no cargo há dois anos, com trabalho consolidado". Bahamas é a quinta seleção no grupo F da primeira fase das eliminatórias da Concacaf, onde apenas o vencedor de cada chave segue em frente.

São Cristóvão e Névis mantém scouts fixos na Inglaterra, no Canadá e na Escócia. A busca por atletas que possuam origem familiar no país é constante. "Acabaram de mapear um jogador que é capitão do Leicester sub-23. Já vai ser chamado para a próxima rodada. Menino de 23 anos, imagina a base e a filosofia de trabalho que ele tem? Totalmente diferente do jogador local. Meu objetivo é diminuir essa diferença. O jogador local tem habilidade natural, absurda, mas a parte tática é muito pobre. Jogam um futebol muito velho. A primeira linha de quatro não sobe, jogadores ficam estáticos. Parece o futebol inglês dos anos 1960, 70", relata Neiva. Dos 23 convocados finais, 11 são locais e 12 internacionais. "Pra ser titular, temos apenas dois ou três locais. Meu objetivo é desenvolver o jogador local, para que ele tenha chance de jogar pela seleção e também para tirar o atleta de fora da zona de conforto".

Léo Neiva, que terá o preparador de goleiros brasileiro Gerhard Benthin Jr. ao lado no desafio caribenho, possui uma trajetória curiosa no futebol. Ex-jogador profissional, parou cedo de jogar e iniciou a carreira na comissão técnica do América, no Rio, em 2007, time que tinha Júnior Baiano, entre outros. Foi para a África do Sul contratado para trabalhar na base do Platinum Stars e ficou lá por dois anos. A partir daí acumulou experiências na Tanzânia, em Mianmar, na Tailândia e na Jamaica. No futebol jamaicano, foi campeão nacional no comando do Montego Bay United na temporada 2015-16.

Jamaica enfrentou Croácia, Argentina e Japão na fase de grupos da Copa de 1998
Jamaica enfrentou Croácia, Argentina e Japão na fase de grupos da Copa de 1998 Divulgação

A chegada a São Cristóvão e Névis aconteceu há apenas um mês, sendo que as duas primeiras semanas foram de quarentena. Na prática, teve pouco tempo com os jogadores locais e conheceu, pessoalmente, os internacionais nos únicos treinos antes da partida contra Porto Rico, já na República Dominicana. "A gente consegue acompanhar a minutagem do jogador de fora, passes certos, passes errados, finalizações... Inclusive está vindo um jogador de Honduras, que seria opção para banco, porque o titular é da Inglaterra. Mas pelo acompanhamento do Wyscout (sistema profissional de scout no futebol), sei que ele está sem jogar há muito tempo, então vai dar espaço ao jogador local, que substituirá o 'inglês'", afirma o treinador, cujo contrato vai até fevereiro de 2022.

Atualmente, essa busca por atletas de dupla nacionalidade se tornou padrão para diversas seleções do Caribe. Curaçao é um bom exemplo. A seleção é comandada pelo veterano Guus Hiddink, de três Copas do Mundo (Holanda, 1998; Coreia do Sul, 2002; Austrália, 2006), e possui bom nível internacional graças ao elenco formado, basicamente, por jogadores que atuam na Europa, como os irmãos Leandro (Cardiff) e Juninho Bacuna (Huddersfield), além de Vurnon Anita, revelado pelo Ajax e atualmente no RKC Waalwijk-HOL, e Cuco Martina, lateral de 31 anos, ex-Everton, atualmente sem clube. A Jamaica, já tão citada nesta história, convenceu, recentemente, Andre Gray (Watford) e Michail Antonio (West Ham) aceitaram a convocação da seleção caribenha.

"Quando o jogador tem o DNA do país, ou seja, é filho de pai ou mãe local, eu aceito. Quando lhe é dado o passaporte, parabéns, que jogue, mas não gosto. Mesmo que tenha vivido no país por algum tempo. Falta o sangue correndo na veia", defende Renê Simões, que após a passagem de sucesso pela seleção jamaicana entre 1994 e 2000, comandou Trinidad e Tobago. Pelo atual formato de eliminatórias, Costa Rica, Honduras, México, Estados Unidos e a própria Jamaica entram apenas na terceira e última fase, com as três equipes que avançarem da segunda - composta pelo vencedores dos seis grupos iniciais. As oito seleções jogarão entre si, turno e returno, com as três primeiras garantindo vaga no Catar e a quarta para o playoff entre confederações.

São Cristóvão e Névis, diante dessa "missão impossível, sonha. Para uma nação tão pequena, possui boa estrutura, com campos de futebol em todas escolas e clubes, além de dois estádios maiores. O são-cristovense possui habilidade, mas ainda carece de maior compreensão técnica e tática do jogo. O futebol é o esporte mais popular entre os 53 mil habitantes. Léo Neiva apresentou aos dirigentes a ideia de criação de seleções de base, do sub-11 ao sub-20, já que atualmente trabalham apenas com a última categoria. Ele é parte integrante do sonho de conseguir algo além. "Disse para os jogadores que não adianta ganhar apenas os dois primeiros jogos. Podemos surpreender".

O futebol está acostumado a grandes histórias. Por que não acreditar em mais uma?

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No dérbi de Casablanca, uma rivalidade brasileira também marca presença

Gustavo Hofman

Berço da humanidade e fonte inesgotável de cultura, o continente africano vive o futebol de maneira apaixonante. As seleções há muito tempo competem com as melhores do mundo em igualdade de condições, assim como os principais atletas brilham em grandes clubes da Europa. Já os campeonatos locais não possuem o mesmo destaque.

Mesmo assim, dentro desse universo esportivo, naturalmente surgiram enormes rivalidades nacionais entre equipes do continente. Alguns dos maiores clássicos do mundo estão na África, e um deles aconteceu nesse domingo (21).

Wydad e Raja disputam o dérbi de Casablanca, no Marrocos. A cidade é um símbolo de Magrebe, região noroeste do continente, e possui história milenar - fundada no século XII a.C. Nesse cenário de cultura, história e tradição, os dois clubes disputam a hegemonia do país.

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O formato do Campeonato Marroquino é muito simples, com 16 times e disputa em turno e returno. Em todos os tempos, ninguém venceu mais vezes a Botola Pro - nome oficial da primeira divisão - do que o Wydad, com 20 títulos, seguido de Raja (atual campeão) e ASFAR de Rabat, com 12 troféus.

No final de semana, o Wydad aproveitou duas cobranças de escanteios muito parecidas para, aos quatro e aos 15 minutos de jogo, fazer 2 a 0 no Raja, gols marcados por Ayoub El Amloud e Achraf Dari, respectivamente. 

O stade Mohamed V, normalmente lotado com mais de 60 mil torcedores, esteve vazio pela pandemia de coronavírus e a proibição de público nas arquibancadas. O jogo foi antecipado da décima rodada, que acontecerá daqui dois finais de semana, para que os gigantes do futebol local não tivessem problemas de desfalques pela data Fifa.

As duas equipes possuem treinadores de estilos bem diferentes. O Wydad é comandado por Faouzi Benzatti, veterano de 71 anos, multicampeão por toda África. Já o Raja aposta desde 2019 em Jamal Sellami, de 50 anos e carreira ainda inicial. A partida foi boa tecnicamente, mas com pouca organização tática. O Wydad usou a variação do 4-2-3-1 na fase ofensiva para o 4-4-2 na defensiva, enquanto o Raja tinha o 4-3-3 como base. Há jogadores com potencial dos dois lados, como por exemplo o zagueiro Dari, autor do segundo gol, de apenas 21 anos.

Mesmo depois de abrir dois gols de vantagem, o Wydad manteve postura ofensiva, assim como o Raja em busca do empate. O problema, em ambos lados, foi a qualidade ruim nas finalizações. O Raja ficou mais com a posse de bola (54%) e também teve mais finalizações (8x6), mas com pouca pontaria (1x3). No índice de gols esperados pelas chances criadas (xG), números baixíssimos dos dois lados: 0,79 pelos vencedores e 0,87 pelos derrotados.

Cruzeiro x Atlético-MG na África?

A partida marcou também um fato curioso relacionado ao Brasil. O Raja possui três títulos da Champions League africana, mas em 2013 recebeu o direito de disputar o Mundial de Clubes por ser o atual campeão nacional do país, sede do torneio. Foi protagonista da vitória por 3 a 1 sobre o Atlético-MG nas semifinais e depois acabou batido pelo Bayern de Munique por 2 a 0 na decisão. O ocorrido, naturalmente, aproximou os torcedores do Cruzeiro do time marroquino.

Pois no sábado, 20 de março, data de aniversário do Raja (1972), o Cruzeiro anunciou parceria com os marroquinos para interação e divulgação de ações em redes sociais. No mesmo dia já houve mensagem de parabéns e no domingo de incentivo pré-clássico. Não deu muito certo com a vitória por 2 a 0 do Wydad e a primeira posição do grande rival na tabela, com 22 pontos, três a mais que o Raja, em nove jogos (um a menos).


A história das rivalidades africanas vai além do dérbi de Casablanca. Viaja até a vizinha Tunísia para Club Africain e Espérance; passa pela África do Sul no confronto entre Kaizer Chiefs e Orlando Pirates; obrigatoriamente apresenta Ah Ahly e Zamalek no Egito; reúne Hearts of Oak x Asante Kotoko (Gana), Simba x Young x Africans (Tanzânia) e Asec Mimosas x Africa Sport (Costa do Marfim).

Em 1942, o filme "Casablanca" foi lançado durante a II Guerra Mundial e se tornou um clássico. Estrelado por Humphrey Bogart, Ingrid Bergman e Paul Henreid, dirigido por Michael Curtiz, a obra narra a relação de Ilsa Lund, Rick Blaine e Victor Laszlo no norte da África durante a II Guerra. Ficou eternizado como uma obra prima e um dos maiores filmes de toda história. Culturalmente, segue como uma das maiores referências possíveis da cidade. Para quem vive o futebol, no entanto, o dérbi de Casablanca é o clássico imperdível.

Jogadores do Wydad comemoram no vestiário a vitória sobre o Raja
Jogadores do Wydad comemoram no vestiário a vitória sobre o Raja Divulgação

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As ruas de Lecce, padrões táticos bem estabelecidos e a beleza na Serie B italiana

Gustavo Hofman

Pérola da arquitetura e da cultura no sul da Itália, Lecce é uma cidade belíssima. São mais de dois mil anos de história, com relíquias da influência grega na região do Império Romano espalhadas por suas ruas e igrejas barrocas compondo um cenário incrível. Seus 95 mil habitantes vivem no ritmo harmonioso e ao mesmo tempo agitado do estilo de vida do sul italiano.

Localizada em Salento, bem no calcanhar da "bota", na região da Puglia, Lecce vive a paixão giallorossa. A Unione Sportiva Lecce é um dos clubes mais tradicionais no sul do país, frequentador da Serie A e com diversos títulos nas divisões menores. Na temporada passada, caiu da elite italiana e agora busca o acesso novamente. No último sábado (13), recebeu o ChievoVerona pela 28a rodada da Serie B e não decepcionou sua torcida, que ainda não pode frequentar as arquibancadas do Stadio Via del Mare.

A vitória por 4 a 2 sobre o ChievoVerona mantém o time na briga pelas primeiras posições. O Lecce é o quarto, com 46 pontos, apenas um a menos que Salernitana e Monza, logo acima na tabela. O Empoli abriu vantagem no final de semana e agora soma 53 - os dois primeiros sobem diretamente, enquanto entre o terceiro e oitavo avançam para o playoff de acesso. O Chievo é o sétimo com 42 pontos, mas perdeu fôlego com apenas uma vitória nas seis última rodadas.

Partidas da Serie B italiana são belas demonstrações de padrões táticos bem estabelecidos, treinados e executados. Os donos da casa, comandados por Eugenio Corini, começaram no 4-3-1-2, com o meia escocês Liam Henderson como jogador de ligação na fase ofensiva e de colaboração defensiva na faixa central nas linhas baixas. Alfredo Aglietti, treinador do Chievo, montou seu time com bastante variação tática: atacava no 4-3-3, com o nigeriano Joel Obi (ex-Inter) como responsável pela saída de bola próximo aos zagueiros; marcava no 4-4-2 com linhas altas e recuava para um 4-1-4-1, justamente com Obi entre as linhas.

O primeiro gol saiu em jogada bem tranalhada pelo lado direito do Lecce. Stefano Pettinari saiu do ataque e se deslocou para o setor, próximo a Henderson, que acertou lindo toque de calcanhar para o lateral-direito Christian Maggio, no alto de seus 39 anos, finalizar com o pé esquerdo na entrada da grande área. Maggio esteve no grupo da seleção italiana na Copa de 2010, na Euro de 2012 e na Copa das Confederações em 2013.

Lecce está na região da Puglia, no sul da Itália
Lecce está na região da Puglia, no sul da Itália Divulgação

A vantagem amarela e vermelha durou pouco, já que aos 22 minutos Francesco Renzetti cobrou escanteio e Obi cabeceou forte, sem chances para o goleiro brasileiro Gabriel, campeão mundial sub-20 com a seleção brasileira, desde 2019 no Lecce e de trajetória com muitos empréstimos no Milan. O Chievo não soube aproveitar o momento e rapidamente sucumbiu. Massimo Coda marcou aos 25 e aos 38, alcançou 16 gols e a liderança isolada na artilharia da competição. Aliás, na carreira, aos 32 anos, Coda tem 73 gols em 174 partidas da Serie B.

Com o Chievo em busca da recuperação, o Lecce passou a encontrar mais espaço em campo. Em transição ofensiva rápida, aos 42 minutos, praticamente definiu o jogo. Henderson achou Maggio pela direita, que colocou a bola na cabeça de Pettinari para o quarto gol. O placar de 4 a 1 obrigou os visitantes a saírem mais para o jogo, mas sem se exporem tanto. Terminaram a partida com um pouco mais de posse de bola (52%) e algumas finalizações a mais também (10x8), mas o Lecce marcou nas quatro certas que teve.

Mesmo assim, a segunda etapa teve seus momentos de emoção. Obi saiu no intervalo, dando lugar a Luca Palmiero e definindo o esquema no 4-4-2. O Chievo conseguiu marcar o segundo gol aos oito minutos, com o moldavo Vasile Mogos em cobrança de falta na meia-lua. A situação poderia ter melhorado para a equipe de Verona aos 17, mas o zagueiro francês Maxime Leverbe - que entrou durante a primeira etapa na vaga do finlandês Sauli Väisänen - desperdiçou o pênalti marcado a favor do Chievo, chutando por cima do travessão. Manuel de Luca, que sofreu a penalidade, queria cobrar, mas não convenceu os companheiros. Pouco depois, ele perdeu um gol cara a cara com Gabriel.

No final das contas, vitória por 4 a 2 para o Lecce, que segue embalado na Serie B, com apenas uma derrota nas últimas 14 rodadas, apesar de muitos empates (sete). A cidade de Lecce, aliás, é berço de dois jogadores extremamente marcantes nas últimas décadas do futebol italiano: Antonio Conte e Marco Materazzi. Nenhum deles, no entanto, jogou pelo Lecce. O atual técnico da Inter iniciou a trajetória principal com a camisa do Arezzo, na Toscana, enquanto o anti-herói de Zinédine Zidane passou pela base de Lazio e Messina, antes de se profissionalizar.

O Lecce é o único representante da Puglia nas duas primeiras divisões italianas. Na Serie C, regionalizada, estão outras equipes tradicionais da região, como Bari e Foggia. Faltam apenas dez rodadas para a torcida giallorossa saber se poderá comemorar, certamente com muitas garrafas de vinho Primitivo, o acesso à Serie A do calcio.

Lecce venceu por 4 a 2 o Chievo e segue na briga pelo acesso
Lecce venceu por 4 a 2 o Chievo e segue na briga pelo acesso Divulgação

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Contra Superliga Europeia, Athletic Bilbao busca expansão 'glocal'

Gustavo Hofman

O Athletic Bilbao terá duas finais de Copa do Rei pela frente no mesmo mês, em abril, algo inédito no futebol espanhol. No dia 3, enfrentará a Real Sociedad no clássico basco valendo o título da temporada 2019/2020. Quatorze dias depois, decidirá com o Barcelona qual time fica com a taça de 2020/2021. A temporada deu uma guinada completa com a demissão de Gaizka Garitano e a contratação de Marcelino García Toral. A equipe ainda não está, efetivamente, na briga por vagas continentais, mas a recuperação pode culminar nisso.

Clube grande na Espanha, o Athletic jamais foi rebaixado e tem história de sucesso no futebol local. É o quarto maior campeão de LaLiga, com oito títulos, além de 23 Copas do Rei. Se desconsiderarmos as Supercopas vencidas em 2015 e neste ano, o clube não conquista uma competição nacional desde a histórica temporada do doblete, em 1984/1985. Isso, no entanto, jamais diminuiu a agremiação, que sempre se manteve fiel à política de contratação e formação apenas de jogadores de origem basca.

Nos últimos anos, a diretoria permitiu algumas aberturas na tradição do Athletic. Passou, por exemplo, em 2008, a contar com um patrocinador no uniforme. O clube basco, agora, quer dar passos maiores, em busca de novas fronteiras. 

"Todas as culturas baseadas em identidades locais precisam de ferramentas inovadoras para compartilhar suas histórias com o resto do mundo. A digitalização e o gerenciamento de dados nos ajudarão nisso e nos ajudarão a ser descobertos como uma marca glocal [junção das palavras global e local]", afirmou nesta semana Aitor Elizegi, presidente do Athletic Club, durante um evento virtual com a mídia internacional organizado por LaLiga.

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"Achamos importante compartilhar modelos de responsabilidade social com a comunidade, como proteção e nutrição infantil", afirmou o dirigente. "Queremos compartilhar isso onde quer que formos. Embora respeitando todos os nossos adversários, queremos compartilhar a lenda de como entendemos o futebol e o esporte por 120 anos. Esperamos que esta mensagem, que pode ser compartilhada de forma inteligente por meio de ferramentas digitais e conteúdo de qualidade, possa fornecer retornos sociais e econômicos também."

Lezama, o centro de treinamentos do Athletic, é um caso de sucesso no futebol mundial. Pela política de utilização apenas de jogadores de origem basca, a formação se torna ainda mais importante em Bilbao. Com 50 anos completados recentemente e a revelação incessante de talentos, a cada temporada, Lezama foca muito na formação social de seus jovens também, através da importância da cultura basca para as novas gerações. Algo totalmente identificado com o nacionalismo basco, afinal, o Athletic é um símbolo deste movimento.

"Sabemos que pode ser uma limitação, mas também é a nossa força porque nos permite construir um espírito de equipe quando competimos e essa é a mensagem que queremos espalhar para os outros. Reunir a soma dos esforços individuais pode ser melhor do que uma equipe com muito talento individual", disse Elizagi, no cargo desde 2018. Ao todo, são mais de 130 acordos com clubes da região e olheiros espalhados por Navarra, Álava e Euskadi - estados que compõem Euskal Herria, a grande e histórica região basca, junto com o território no sul da França. Em recente vitória sobre o Cádiz, por exemplo, 14 dos 16 jogadores presentes no elenco do Athletic  passaram pela academia.

Aitor Elizegi preside o Athletic desde o final de 2018
Aitor Elizegi preside o Athletic desde o final de 2018 LaLiga

O Athletic tem realizado várias iniciativas por meio de colaborações em Ásia, América do Sul e África, lideradas pela fundação do próprio clube. 

Aitor Elizegi faz questão de valorizar a cultura local em suas entrevistas, vinculando com sua profissão. Além de empresário e presidente do clube, ele é também chef de cozinha. 

"Podemos olhar para a gastronomia basca para encontrar os valores que estão presentes neste setor, como o respeito pela tradição, pelos produtos locais, pelos fornecedores e pelos colegas. Costumo transmitir a ideia de seguir chefs, personalidades da mídia e escritores que têm uma compreensão real de sua profissão, porque muitas dessas lições são aplicáveis ao esporte de elite", disse. A rica gastronomia basca tem, como um de seus maiores símbolos, os mundialmente famosos pinchos.

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Filosofia é uma palavra muito presente no dia a dia do clube. Muito além do futebol, ela determina como o trabalho é realizado e com qual propósito. O Athletic possui seus valores muito bem definidos e alinhados com as expectativas dos torcedores. Por esse ponto de vista, o clube é radicalmente contra a criação da Superliga Europeia, competição que reuniria grandes clubes do continente e enfraqueceria os campeonatos nacionais. 

"O futebol europeu é ótimo e admirado em todo o mundo justamente porque há grandes times nas competições nacionais. Fanbases criaram rivalidades e histórias pelas quais nos apaixonamos. Para quebrar esse equilíbrio, esse know-how e essa compreensão podem ser perigosos. O produto atual é um ótimo produto", afirmou.

Bilbao é uma das cidades mais importantes para a economia da Espanha. Assim como o Athletic para o futebol espanhol.

Lezama é uma das maiores fontes de talento do futebol espanhol
Lezama é uma das maiores fontes de talento do futebol espanhol LaLiga

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Contra Superliga Europeia, Athletic Bilbao busca expansão 'glocal'

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Em um dos dérbis mais tradicionais da Europa, Austria Viena e Rapid não saem do zero; Red Bull Salzburg agradece

Gustavo Hofman

Dérbi de Viena terminou empatado em 0 a 0 neste domingo
Dérbi de Viena terminou empatado em 0 a 0 neste domingo Divulgação

Atualmente, quando se fala em futebol austríaco de clubes, imediatamente o Red Bull Salzburg se destaca. Não à toa, afinal, o representante da gigante de bebidas energéticas domina o cenário nacional e caminha para o octacampeonato. Obviamente não foi sempre assim.

A Europa Central é um dos berços do jogo moderno, com ideias muito avançadas para o futebol na primeira metade do século passado. A Hungria esteve na vanguarda, com sua seleção de ouro, mas a Áustria também teve sua equipe inesquecível, o Wunderteam. Infelizmente, um time que surge nos anos 1930 e acaba marcado pela década perdida de 1940. Na base de tudo isso, Viena. 

A capital austríaca, conhecida mundialmente pelos seus museus e belíssimo centro histórico, é a casa do segundo dérbi mais antigo da Europa. Depois do clássico entre Rangers e Celtic, não há clubes que se enfrentaram mais no Velho Continente do que Austria Viena e Rapid. Neste domingo, o encontro de número 332 foi marcado por empate em 0 a 0, que ajuda o Salzburg na tabela.

Após 20 rodadas, a equipe da Red Bull lidera a Bundesliga austríaca com 46 pontos, cinco a mais que o Rapid. O Austria Viena faz campanha fraca, com apenas 25 pontos, na oitava posição - fora da zona de classificação para a fase final, com os seis primeiros colocados. Não há clube com mais títulos da primeira divisão do que o Rapid com 32. Mesmo com o domínio recente do Salzburg, 14 vezes campeão, o Austria Viena segue tranquilo na segunda posição entre os maiores vencedores com 24 troféus.

Foi no Austria Viena que jogou Matthias Sindelar, maior jogador austríaco de todos os tempos e um dos grandes de sua geração na Europa. O atacante jogou pelo clube vienense de 1924 a 39. Com a anexação da Áustria pela Alemanha nazista, Sindelar se recusou a defender a nova seleção. Em 23 de janeiro de 1939, ele e sua namorada, Camila Castagnola, foram achado mortos em seu apartamento. A causa oficial da morte foi envenenamento por monóxido de carbono, teoricamente causado por um vazamento de gás no local. Sua morte gerou várias teorias conspiratórias e o transformou em mito nacional.

Sindelar se tornou uma lenda em toda Áustria
Sindelar se tornou uma lenda em toda Áustria Divulgação

A realidade atual para Austria Viena e Rapid é menos dramática, mas ainda complicada no âmbito esportivo. Enquanto o primeiro foi campeão nacional pela última vez em 2012-13, o segundo não vence a Bundesliga desde 2007-08. Outrora os dois clubes mais fortes do país, hoje em dia sabem que não possuem mais essa condição e correm atrás do poder financeiro e da organização que a Red Bull implantou no antigo Austria Salzburg.

No clássico deste final de semana, disputado na Generali Arena, os tradicionais uniformes violeta do Austria Viena e verde e branco do Rapid estiveram em campo para um confronto de muita força física e organização tática, marcas características da Bundesliga austríaca. Peter Stöger voltou ao Austria Viena no ano passado. Campeão austríaco com o clube em 2013, o ex-técnico do Borussia Dortmund escalou sua equipe no 4-4-2, com muita compactação, diminuindo ao máximo os espaços para o Rapid trabalhar a bola no ataque. Do outro lado, Dietmar Kühbauer, no cargo desde 2018, montou seu time na variação do 4-2-3-1 na fase ofensiva para as duas linhas de quatro sem a bola. Não há jogadores brasileiros nos dois elencos ou grandes promessas entre jovens austríacos. 

O jogo foi marcado pela força ofensiva do Rapid, que buscou muito mais o gol do que o Austria Viena, que teve 40% da posse de bola e finalizou apenas sete vezes ao gol, com três no alvo, mas índice de expected goals (xG) baixíssimo, apenas 0,24. Já o Rapid teve 18 finalizações, também três corretas, mas índice de 1,94 e muita pressão sobre o adversário - permitiu, em média, trocas de apenas 4,3 passes por ação defensiva.

No final das contas, o goleiro Patrick Pentz, de 24 anos, do Austria Viena, foi o destaque do dérbi com defesas que impediram a vitória do Rapid. Se bem que, aos 45 minutos do segundo tempo, apenas pôde observar a bola cabeceada por Christoph Knasmüllner bater no travessão e definir o empate sem gols.

Pentz, goleiro do Austria Viena, foi o melhor jogador em campo
Pentz, goleiro do Austria Viena, foi o melhor jogador em campo Divulgação

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Com jogos neste mês contra Colômbia e Argentina, seleção brasileira não sabe quando conseguirá anunciar convocados

Gustavo Hofman

Tite durante partida entre Brasil e Venezuela
Tite durante partida entre Brasil e Venezuela Getty

A seleção brasileira ainda não tem data definida para anunciar os convocados para os jogos contra Colômbia e Argentina, neste mês, pelas eliminatórias para a Copa do Mundo. A expectativa, inclusive da comissão técnica, era que a lista fosse divulgada na próxima sexta-feira, 5 de março, mas isso não vai acontecer graças à pandemia de coronavírus.

A alteração na relação entre clubes e seleções, feita pela FIFA, que não obrigará as equipes a liberarem seus jogadores para países onde há necessidade de quarentena de pelo menos cinco dias, no chegada ou no retorno, mudou todo planejamento da CBF. O objetivo da medida é não desfalcar os clubes por muito tempo. O Brasil enfrenta os colombianos no dia 26, em Barranquilla, e os argentinos quatro dias depois, em Recife. A Data FIFA começa oficialmente em 22 de março.

Há ainda a possibilidade de os governos locais concederem isenções aos jogadores, o que retiraria a necessidade de quarentena e, consequentemente, a barreira para a convocação. Tite e sua comissão técnica já sabiam que não teriam muitos dos jogadores dos grandes clubes europeus à disposição. Por isso aguardam uma reunião que acontecerá ainda nesta semana, na CBF, para definir os próximos passos. Devido a isso, se tornou impossível fechar a lista de convocados na sexta.

Tite analisa Brasileirão 2020 e elogia trabalhos de Cuca, Abel, Guto Ferreira e mais

A seleção trabalha, sempre, com quatro a cinco nomes por posição. À medida que a data da convocação se aproxima, essa lista vai reduzindo até chegar aos nomes finais. Nos últimos dias, porém, as opções foram ampliadas já prevendo a dificuldade em contar com os atletas oriundos da Europa. A observação de jogos nacionais se tornou ainda mais importante.

A situação de pária no mundo, diante do combate à pandemia, isola o Brasil e afeta também o próprio planejamento da seleção. A ideia inicial era fazer a apresentação dos jogadores já na Colômbia, como forma de preparação para a Copa América também, que acontecerá no país e na Argentina, entre junho e julho. Inviável com a pandemida de COVID-19 incontrolável e em seu pior momento em território brasileiro.

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A vanguarda do futebol já esteve na Hungria

Gustavo Hofman

A cada rodada, o Campeonato Húngaro promove partidas históricas. Não pela qualidade de seus jogos, afinal, a competição está bem distante das melhores do continente, mas pelos encontros entre times que ajudaram a moldar o futebol moderno.

O termo vanguarda vem do francês "avant-garde", que é a reunião de intelectuais e artistas de um país, responsáveis pela introdução de novas e avançadas ideias, concepções e técnicas no âmbito artístico e cultural, segundo o dicionário Michaelis. Aplicada ao futebol, a vanguarda do esporte bretão muda de país com o passar das décadas.

Em "A Pirâmide Invertida", o autor Jonathan Wilson dedica mais de um capítulo ao papel preponderante na evolução tática do futebol que a Europa central teve. "O futebol na Europa central era um fenômeno quase totalmente urbano, assentado ao redor de Viena, Budapeste e Praga. E nessas cidades é que a cultura dos cafés era mais forte. Os cafés floresceram perto do final do Império Habsburgo, transformando-se em salões públicos onde homens e mulheres de todas as classes se misturavam, lugares que passaram a ser notados especialmente por seu aspecto artístico, boêmio".

Eram ainda os anos 1920, e o que se viu nas décadas seguintes foi um avanço que ditaria as tendências do futebol por tantas outras. Nos anos 1950, a Hungria foi a nação que mais inovou no futebol. Introduziu novas ideias, concepções táticas diferentes de tudo que era jogado até então e apresentou ao mundo a preparação física como fator fundamental no desenvolvimento do jogo. A seleção húngara venceu as Olimpíadas de 1952 e perdeu um único jogo entre 1950 e 54, justamente a final da Copa do Mundo para a Alemanha, por 3 a 2.  Antes, humilhou os ingleses em Wembley e depois em Budapeste.

Seleção húngara mudou a forma de se jogar futebol no início da década de 1950
Seleção húngara mudou a forma de se jogar futebol no início da década de 1950 Divulgação

A seleção de ouro marca o imaginário nacional até os dias atuais. Ferenc Puskás, craque desse time e um dos melhores jogadores de futebol em todos os tempos, ultrapassa todas as barreiras do esporte mais popular do planeta. Sua história de perseguição política após o Mundial de 54 aumentou ainda mais o tamanho de sua lenda dentro da Hungria. Puskás é um herói nacional, reverenciado por todos e com camisas e adereços encontrados em todas lojas de souvenirs para turistas em Budapeste.

Neste final de semana, seu legado esteve em campo. A Puskás Akadémia, clube fundado para homenagear o ex-jogador e focado na formação de jovens atletas, recebeu o Budapest Honvéd, eterno time de Puskás, antes de ele se transferir para o Real Madrid em 1958. A partida aconteceu em Felcsút, distante 40 minutos da capital, sede da jovem equipe, fundada em 2005. A Pancho Arena, lembrança do apelido de cheinho de Puskás, recebe um bom jogo, que terminou com surpreendente vitória, de virada, do Honvéd por 2 a 1.  

Puskás Akadémia joga em um moderno estádio
Puskás Akadémia joga em um moderno estádio Divulgação

A Puskás Akadémia soma 39 pontos e ocupa a segunda posição da Nemzeti Bajnokság I, enquanto o Honvéd é o 11o, penúltimo colocado, com 11 pontos a menos. Quem lidera é o Ferencváros, atual bicampeão e maior potência do país com 31 títulos. Desde que foi fundado, em 3 de maio de 1899, o Fradi não conquistou a primeira divisão somente na década de 1950, justamente quando o Honvéd dominou o futebol húngaro - na semana passada, os dois se encontraram, com vitória do Ferencváros.

Bem além de Buda, a cidade alta à margem esquerda do Rio Danúbio, e Peste, a cidade baixa na margem direita do rio, há vários distritos que contam a história da população e do futebol local. Os trams que saem do centro histórico levam a Kispest, distante bairro, local de trabalhadores e gente simples. Lá está a origem do Kispest Honvéd, que depois se transformaria no Budapest Honvéd e formaria a base da Geração de Ouro.

József Bozsik, Zoltán Czibor, László Budai, Gyula Grosics, Sándor Kocsis fizeram do Honvéd, ao lado de Puskás, uma equipe lendária. Eram tempos difíceis no país, o continente ainda estava arrasado pela II Guerra Mundial e o governo comunista impunha regras duras à população. O clube foi abraçado pelo exército da Hungria e seus jogadores ganharam cargos - como Ferénc Puskás, que se tornou major e ganhou outro apelido: Major Galopante. A derrota para a Alemanha rendeu perseguições a muitos ídolos e alguns, como Puskás, optaram pelo exílio futebolístico/político.

Até pouco tempo atrás, ainda era possível pegar um dos trams para Kispest e acompanhar um jogo do Honvéd no Bozsik József Stadion. A antiga casa foi demolida em 2019 e o clube está construindo uma nova e moderna arena. Sinal dos tempos modernos, que já tiveram a vanguarda futebolística justamente nesse bairro.

Nesse passado glorioso, os treinadores húngaros passaram a ser procurados para comandar times e seleções pelo mundo. Béla Guttmann deixou o Honvéd em 1957 e partiu para a América do Sul, onde comandou o São Paulo e foi mente influente no estilo de jogo brasileiro.

A linda e marcante Budapeste
A linda e marcante Budapeste Divulgação

A última vez que a seleção húngara disputou uma Copa do Mundo foi em 1986. Na Euro, após longo hiato, voltou à competição em 2016 e surpreendeu o continente com a classificação para as oitavas de final. Só que o tempo parou na linha evolutiva do futebol húngaro. Após toda magia dos anos 1950, os anos seguintes foram de estagnação, pouco investimento e um país fechado à inovações, enquanto toda Europa se divertia com os ensinamentos que os húngaros apresentaram ao mundo.

Há como recuperar o tempo perdido? Não, hoje em dia é possível apenas valorizar o tempo passado. O futebol segue como o esporte mais popular da Hungria, as torcidas dos grandes clubes são completamente apaixonadas, mas a nação - assim como tantas outras no leste da Europa - sofre com a economia e a baixa renda de sua população. O futebol está inserido nesse contexto e é praticamente impossível para um clube húngaro, atualmente, brigar de igual para igual com as potências ricas europeias.

O bom do esporte, no entanto, é que sonhos não são proibidos. Nem que seja um sonho perdido em uma gelada noite de Champions League em Budapeste. Sob os olhares de Puskás e a Mágicos Magiares.

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Granada elimina Napoli, avança na Europa League e aumenta feito histórico

Gustavo Hofman

Montoro foi autor do decisivo gol marcado em Nápoles
Montoro foi autor do decisivo gol marcado em Nápoles Divulgação

O maior feito na história do Granada é o segundo lugar conquistado na longínqua Copa do Rei de 1958-59, na época ainda chamada de Copa del Generalísimo, graças ao ditador Francisco Franco. Após eliminar o Valencia nas semifinais, a equipe do sul da Espanha não suportou a força do Barcelona na decisão e tombou por 4 a 1.

O clube é pequeno, mas tradicional na Espanha. Sempre esteve mais presente nas divisões menores do que na elite do país, e é na segunda divisão que os torcedores do Granada encontram os troféus - foram três, conquistados em 1940-41, 56-57 e 67-68. A história recente marca a queda para a quarta divisão no início do século, a venda para a família Pozzo, o retorno à LaLiga e a aquisição do clube pelo empresário chinês Jiang Lizhang.

Nesta quinta-feira, 25 de fevereiro, o Granada Club de Fútbol escreveu um novo e marcante capítulo em sua história. No estádio Diego Armando Maradona, em Nápoles, o representante da Andaluzia perdeu para o Napoli por 2 a 1, após ter feito 2 a 0 pelo jogo de ida, e garantiu classificação para as oitavas de final da Europa League. Esta é a primeira vez que o Granada disputa uma competição continental, após ter alcançado a melhor colocação de todos os tempos na primeira divisão espanhola, o sétimo lugar na temporada 2019-20.


         
     

É um feito enorme, não só pelo clube espanhol em si, mas muito também pelo adversário, campeão da Copa da UEFA em 1989. "Quando eu assumi o Granada, se me dissessem que eu estaria aqui... Nem o mais otimista, nem o mais louco de toda cidade teria dito isso. O único objetivo era chegar em dezembro sem cortarem minha cabeça. É um momento único, histórico, para aproveitar", afirmou Diego Martínez, jovem técnico da equipe, antes da classificação garantida.

Martínez tem apenas 40 anos, assumiu o time em 2018 e faz parte de todo esse processo. Assim como o goleiro português Rui Silva, que defendeu Portugal na base, mas depois não obteve o destaque que se imaginava no Nacional e, desde 2017, está na Andaluzia. Personagens mais recentes do clube também foram determinantes, principalmente o brasileiro Kenedy. O atacante de 25 anos, revelado pelo Fluminense, está em seu quarto clube emprestado pelo Chelsea. Pouco jogou em Stamford Bridge, não se adaptou ao Watford, se destacou no Newcastle, teve problemas no Getafe e agora volta a demonstrar o talento que o levou à seleção brasileira do sub-17 ao sub-20.

A histórica trajetória continental do Granada começou na Albânia, com uma vitória por 2 a 0 sobre o Teuta e o avanço para a terceira fase qualificatória. Lokomotiv Tbilisi, em casa, e o Malmö, na Suêcia, ficaram pelo caminho até a fase de grupos. Contra PSV Eindhoven (Holanda), PAOK (Grécia) e Omonia Nicosia (Chipre), os espanhóis garantiram o segundo lugar e o direito ao confronto com o Napoli. A história segue sendo escrita, no aguardo agora do próximo oponente.

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Sinal de alerta ligado no Atlético de Madrid

Gustavo Hofman

Passamos muitas semanas especulando sobre a liderança do Atlético de Madrid em LaLiga. Seis, nove, 11 pontos? Tudo por causa dos dois jogos a menos dos colchoneros na tabela, resultado da pandemia do novo coronavírus e da tempestade Filomena. Após a 24a rodada, já temos uma noção melhor do que acontece na briga pelo título.

Foram cinco pontos perdidos contra o Levante em menos de uma semana. O empate em 1 a 1empate em 1 a 1 na última quarta-feira (17) e a derrota por 2 a 0 neste sábado abalam a confiança do Atleti. Duas partidas nas quais os comandados de Diego Simeone criaram muitas chances de gol, mas pararam nas mãos de Aitor Fernández e Dani Cárdenas.

Eram 25 partidas de invencibilidade no Wanda Metropolitano, em todas competições. O Atlético não perdia em casa desde 1o de dezembro de 2019, quando o Barcelona fez 1 a 0 com gol de Lionel Messi e assistência de Luis Suárez. O uruguaio, artilheiro da equipe com 16 gols, não marcou nos três últimos jogos, mas o que mais tem preocupado a torcida rojiblanca é, por incrível que pareça, a defesa. São sete partidas seguidas sofrendo ao menos um gol.

Show de goleiro e gol do meio-campo: Levante bate Atlético; veja


Por outro lado, feito incrível de Paco López, técnico do Levante, que venceu pela primeira vez o Atlético de Madrid como treinador. Amplia sua marca contra os grandes da Espanha, já que soma duas vitórias sobre o Barcelona e três sobre o Real Madrid. Neste sábado, mudou meio time em relação à escalação do meio de semana, alterou taticamente para uma linha de cinco defensores e executou com maestria a estratégia definida para o jogo, de forte marcação e transição em velocidade.

Simeone, outrora criticado pela falta de ofensividade, agora precisa recuperar a força defensiva. Diante do Levante, começou no 3-4-3, mudou para o 3-5-2 e terminou no 4-4-2. Sofre com os desfalques, é bem verdade - não teve neste final de semana Kieran Trippier, Stefan Savic, Saúl, Héctor Herrera e Yannick Carrasco.

A alteração tática promovida pelo treinador argentino nesta temporada vinha funcionando. Porém, pelas últimas atuações, se mostra muito dependente de alguns jogadores, especificamente, para funcionar bem. Casos, notórios, de Trippier e Carrasco, os dois carrilleros escolhidos por Simeone, que dão profundidade e agressividade com e sem a bola. Por mais que Marcos Llorente execute várias funções em campo, incluindo a ala pela direita, o melhor rendimento dele é como meia interior. Com tantos problemas, Llorente também acaba bastante sacrificado. Há, ainda, a queda técnica de João Félix e Ángel Correa, ineficazes nas duas partidas contra o Levante.

A classificação de LaLiga tem agora o Atlético com 55 pontos, apenas três a mais que o Real, após a vitória sobre o Valladolid, mas uma partida a menos ainda. A recuperação na tabela está diante de Simeone e companhia: após encarar o Chelsea, na terça, pela Champions, joga com Villarreal (fora), Real Madrid (casa) e Athletic Bilbao (casa). Contra o Submarino Amarillo, terá um desafio enorme perante a ótima equipe do técnico Unai Emery. Precisa somar três pontos, para chegar no Wanda Metropolitano com vantagem sobre os merengues. Na sequência, disputará, finalmente, a partida que tem a menos no campeonato.

Assim, nos próximos 20 dias, LaLiga vai encarar dois cenários possíveis. No primeiro, o Atlético volta a vencer, passa pelos rivais e recupera a vantagem na primeira posição, caminhando fortemente para o título. No segundo, Real Madrid e Barcelona crescem e deixam a disputa pelo título emocionante.

Está nas mãos do Atlético.

Luis Suárez tem 16 gols, mas não marca há três rodadas em LaLiga
Luis Suárez tem 16 gols, mas não marca há três rodadas em LaLiga Divulgação

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Em campo coberto de neve, CSKA Sofia venceu o clássico contra o Slavia com grande atuação de Busatto

Gustavo Hofman

Nevasca atingiu Sofia durante o clássico entre Slavia e CSKA
Nevasca atingiu Sofia durante o clássico entre Slavia e CSKA Divulgação

O cenário era belíssimo. Não necessariamente o melhor para se jogar futebol, mas garantiu imagens espetaculares de um estádio coberto de neve.

No sábado, em Sofia, o CSKA visitou o Slavia e venceu o clássico por 1 a 0. Vitória importante, para manter a equipe segunda posição e na briga pelo título do Campeonato Búlgaro com Ludogorets e Lokomotiv Plovdiv, as novas forças do interior que têm desbancado os grandes da capital nos últimos anos. O Ludogorets busca o decacampeonato nesta temporada.

A rodada 17 marcou o retorno do futebol na Bulgária, após a pausa de inverno. Não que a temperatura tenha amenizado... A Efbet Liga, nome oficial e patrocinado da primeira divisão búlgara, reúne 14 times, que jogam entre si em turno e returno. Os seis primeiros colocados avançam para mais dez rodadas e a definição do campeão.

A quantidade de neve no gramado transformou o futebol praticado em uma modalidade esportiva de Olimpíadas de Inverno. Para as linhas do campo serem visualizadas, foram pintadas de vermelho e houve a necessidade de retirar parte da neve acumulada, incluindo durante o jogo. As condições climáticas interferiram negativamente na partida. Os jogadores tinham dificuldade em correr, porque estava muito escorregadio. O domínio da bola também era muito difícil, as trocas de passes duravam pouco e em momento algum a neve parou de cair - pelo contrário, se tornou nevasca durante os 90 minutos. Ao final do primeiro tempo e durante a segunda etapa, as linhas chegaram a desaparecer embaixo de tanta neve.

Em meio a tudo isso, aos 24 minutos, o atacante gambiano Ali Sowe conseguiu marcar o único gol do jogo após aproveitar o avanço pela esquerda e o cruzamento na área do congolês Bradley Mazikou. Sowe dominou no peito com categoria e tocou na saída de Svetoslav Vutsov. 

Sowe marcou o único gol da congelada partida
Sowe marcou o único gol da congelada partida Divulgação

Há enorme imbróglio envolvendo o direito sobre a história do CSKA Sofia e a utilização do nome. Na temporada 2014-15, o clube terminou a primeira divisão na quinta posição, mas devido a muitos problemas financeiros, perdeu a licença profissional e foi obrigado a recomeçar na amadora terceira divisão búlgara. Até aí, nenhuma grande novidade no futebol europeu, afinal, outros grandes dos mais variados países passaram por processos similares e se recuperaram.

O CSKA, no entanto, optou pelo caminho mais curto. Começou bem a nova trajetória, com o título da terceira divisão e também da Copa da Bulgária na temporada 2015-16. Deveria ter disputado, na sequência, a segunda divisão, mas comprou a licença profissional do Litex Lovech e pulou direto para a elite do país. Nem todos concordaram com a decisão da diretoria, encabeçada pelo milionário Grisha Ganchev. Assim, em 2016, surgiu o CSKA Sofia 1948, que contesta para si a história do clube e todos seus títulos. O novo clube partiu do zero e subiu degrau por degrau na pirâmide do futebol búlgaro, até ser campeão da segunda divisão na temporada passada e garantir a estreia na primeira - e tem feito bom papel, na sexta posição atualmente.

Busatto foi o melhor jogador do CSKA em campo, ou melhor, na neve
Busatto foi o melhor jogador do CSKA em campo, ou melhor, na neve Divulgação

Enquanto isso, o CSKA - que tem Hristo Stoichkov como um dos principais acionistas - mantém a condição de herdeiro de toda história do clube e luta para impedir o décimo título seguido do Ludogorets. Para isso, conta com três jogadores brasileiros também: o goleiro Gustavo Busatto, de 30 anos, ex-Grêmio, foi o destaque do time na vitória do clássico, com grandes defesas; além dele estão lá o lateral-esquerdo Geferson, ex-Internacional, desfalque na vitória sobre o Slavia, e o atacante Henrique, ex-Atlético Mineiro, banco na partida. No final das contas, o clássico foi equilibrado, mas o CSKA teve mais finalizações (13 x 9) e mais posse de bola (55,6%).

"Foi um dos jogos mais difíceis da minha vida. Não só pela neve, mas pelo gramado congelado. Não tinha firmeza para se movimentar, trocar a direção. O goleiro precisa ter o pé de apoio firme para reagir, então foi difícil demais. Não tinha como se posicionar também, porque tenho as referências pela área e a neve cobriu tudo. Foi um jogo atípico, há cerca de 30 anos não acontecia um jogo assim aqui", explicou Busatto, com exclusividade, ao blog. 

O Slavia, sete vezes campeão nacional contra 31 do recordista CSKA, luta pela permanência na elite búlgara. É o penúltimo na tabela, com somente 12 pontos após 17 jogos. Os dois adversários de domingo são rivais, mas não mantém a principal rivalidade de Sofia. Os jogos contra o Levski são considerados pelos torcedores os principais em seus respectivos clubes, mas a principal força tem vindo do interior do país. "Estou muito feliz no CSKA, clube com estrutura muito bacana, torcida apaixonada, maior da Bulgária, muito tradicional. Nosso objetivo é sermos campeões. Daqui duas rodadas vamos enfrentar o Ludogorets, para diminuir a vantagem de pontos deles", finaliza o herói do clássico da neve. 

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Em crise, Deportivo olha para o passado em busca de ajuda para o presente

Gustavo Hofman

Mauro Silva é um dos maiores ídolos na história do Deportivo
Mauro Silva é um dos maiores ídolos na história do Deportivo Divulgação

Alguns ídolos têm a própria história confundida com a de seus clubes. Pelé é parte integrante do Santos, assim como Zico do Flamengo. Ao falarmos de Diego Armando Maradona, a camisa do Napoli surge em nossa mente. Ainda na Europa, Alex é um símbolo do Fenerbahçe, assim como Mauro Silva no Deportivo de La Coruña.

Em crise há anos e atualmente na terceira divisão, o Depor passa por enorme processo de reestruturação. Após dois rebaixamentos consecutivos, despencando de LaLiga para a regionalizada Segunda División B, o clube passou a ser administrado pelo banco galego Abanca, que aumentou sua participação acionária para 75%, perdoando dívidas antigas.

O processo teve início em fevereiro, ou seja, concomitante à pandemia de coronavírus desde então. Mauro Silva foi o nome escolhido pelo banco para ser uma peça chave. Nesta quarta-feira, em publicação no Instagram, o meio-campista, campeão com a seleção brasileira na Copa do Mundo de 1994, declinou do convite pelos compromisso que mantém com a Federação Paulista de Futebol.

"Todos conhecem bem meu amor, carinho e gratidão pelo muito que o Deportivo e esta cidade me proporcionaram. Treze anos da minha vida dediquei integralmente ao clube. Nos últimos dias, o acionista majoritário do Deportivo manteve conversas comigo para conhecer minha disponibilidade de colaborar no processo de reestruturação do clube. Por ocupar o posto de vice-presidente eleito na Federação Paulista de Futebol e por morar em São Paulo, não estou em condições de participar na gestão do Deportivo", explicou Mauro Silva.

Esta não foi a primeira vez que o Deportivo procurou um de seus maiores ídolos para ajudar nos atuais momentos difíceis. Em maio de 2019, um grupo de empresários da Galícia convidou Mauro Silva para assumir a presidência do clube. Uma reunião final chegou a acontecer, mas, "entre lágrimas", segundo descrito pelo próprio Mauro em entrevista ao jornal La Voz de Galícia, recusou o convite devido aos compromissos que possuía no Brasil.

A campanha na terceira divisão é ruim, sem vitórias desde novembro e sem gols marcados em 2021. No Grupo A, com outros nove clubes oriundos de Galícia, Astúrias e Castilla y León, o Depor é apenas o quinto colocado com 17 pontos após 13 jogos. Os três primeiros avançam para a disputa pelo acesso à segunda divisão (LaLiga Smartbank), com representantes das outras nove chaves. Do quarto ao sétimo, a classificação será para os grupos que lutarão pela promoção à nova terceira divisão, que se chamará Primera División RFEF. Do sétimo ao décimo, a briga é contra o rebaixamento à quarta divisão, ou a nova Segunda División RFEF. Apesar da confusão de nomes, fica evidente o risco de rebaixamento do Depor.

Na década de 1990 e início dos anos 2000, o La Coruña, como ficou mais conhecido no Brasil, se tornou um dos times mais fantásticos do mundo, com duas versões Super Depor. Desafiou o poder dos grandes da Espanha e conquistou LaLiga na histórica temporada 1999-2000, duas Copas do Rei e três Supercopas. Mauro esteve em todos esses times, com gerações e outros ídolos distintos, desde Bebeto a Roy Makaay, Miroslav Djukic a Noureddine Naybet, Donato a Djalminha, passando pelo eterno companheiro Fran - recordista de jogos pelo Depor, com 435, seguido por Mauro com 369.

Em 2018, A Coruña passou a ter uma "Calle Mauro Silva", perto do estádio Riazor, como homenagem a alguém que ama incondicionalmente um clube e uma cidade. Poucos brasileiros possuem o respeito que Mauro Silva construiu e preserva na Galícia.

"De qualquer modo, me coloquei à disposição para ajudar desde à distância no que seja possível e beneficioso para o clube pelo qual sinto paixão e uma imensa gratidão. Seguirei torcendo para que o clube consiga rapidamente o êxito e a recuperação", finalizou o dirigente da FPF, ao menos até 2022. Depois disso, não há dúvidas de que o futuro do Deportivo cruzará novamente o caminho de Mauro Silva. Uma nova união, talvez ainda distante, parece inevitável. Assim espera o deportivismo.

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Em crise, Deportivo olha para o passado em busca de ajuda para o presente

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A complexa geopolítica cipriota explicada em um jogo de futebol

Gustavo Hofman

Jogo entre AEK e Anorthosis terminou empatado em 0 a 0
Jogo entre AEK e Anorthosis terminou empatado em 0 a 0 Divulgação

No sábado, pela 23a rodada do Campeonato Cipriota, AEK Larnaca e Anorthosis Famagusta empataram em 0 a 0. Partida importante na luta pela classificação para a final final da competição, que leva os seis primeiros colocados à disputa pelo título. O Anorthosis é o quarto colocado com 44 pontos, quatro a menos que o líder AEL, enquanto o AEK aparece na sequência com 38.

A complexidade geopolítica do Chipre, no entanto, transforma um simples jogo de futebol em uma aula sobre a história da região. Como Franklin Foer já explicou, o futebol é capaz de explicar o mundo.

Os dois clubes estão na mesma cidade, Larnaca, terceira maior da ilha do Chipre com quase 150 mil habitantes em toda região metropolitana. O AEK, fundado em 1994 a partir da fusão de dois clubes de Larnaca, leva o nome da cidade em seu escudo, mas e Famagusta? Seria um bairro ou distrito local? Não, Famagusta é um município na costa leste, dentro da República Turca de Chipre do Norte, um estado de facto.

Em 1974, após um golpe de Estado com apoio da Grécia no Chipre, que conquistara a independência em 1960 do governo britânico, a Turquia promovou uma invação no norte do país com a premissa de proteger os cidadãos turco-cipriotas. Isso fez com que dezenas de milhares de greco-cipriotas abandonassem suas casas e fugissem para outras partes do país. A ilha do Chipre é a terceira maior do Mar Mediterrâneo, atrás apenas da Sicília e da Sardenha, e fica muito próxima da costa turca. Desde então, a RTCP possui autonomia administrativa, sob a soberania do Governo do Chipre, e é unicamente reconhecida internacionalmente pela Turquia.

Jornal inglês anuncia a invasão turca no Chipre
Jornal inglês anuncia a invasão turca no Chipre Divulgação

O Anorthosis, como tantos outros clubes da região, é um refugiado. Por causa da sua origem grego-cipriota, toda comunidade do clube fugiu de Famagusta na década de 1970 e jamais pôde retornar. A equipe se estabeleceu em Larnaca, mas jamais abandonou o nome e as raízes. O Anorthosis, com 13 títulos, só fica atrás de APOEL (28) e Omonia (20), times da dividida capital Nicosia. O AEK jamais foi campeão nacional, possui quatro vice-campeonatos nacionais e duas Copas do Chipre.

Em campo, no último sábado, no estádio George Karapatakis, apenas dois jogadores cipriotas entre os 22 titulares. Thomas Ioannou, pelo AEK, que possui uma base espanhola muito grande, com seis atletas, e Kostakis Artymatas, pelo Anorthosis, mais parecido com a mítica Torre de Babel pela diversidade de nacionalidades no elenco. Há um brasileiro, inclusive, o lateral-esquerdo Anderson Correia, ex-Santo André e Paulista, contratado no ano passado pelo clube.

Quem já enfrentou a realidade esportiva e política da ilha do Chipre é Zé Elias, ex-jogador do Omonia Nicosia entre 2006 e 2007, após carreira em grandes clubes como Corinthians, Santos, Bayer Leverkusen, Internazionale e Olympiacos. "No dia a dia, não há qualquer problema entre os cidadãos turco-cipriotas e os greco-cipriotas. Todo mundo convive super bem", explica o comentarista dos canais ESPN e FOX Sports.

O futebol cipriota está bem distante das ligas mais competitivas da Europa. O APOEl é o único representante com resultados expressivos no continente: quartas de final da Champions em 2011-12 e oitavas na Europa League de 2016-17. O Anorthosis já conseguiu, também, classificação à fase de grupos da Champions em 2008-09. A seleção cipriota jamais se classificou para a Copa do Mundo ou a Eurocopa e não tem, hoje em dia, qualquer jogador com destaque internacional.

A República Turca de Chipre do Norte possui sua própria federação e campeonato nacionais. Em um nível técnico inferior ao Campeonato Cipriota, até mesmo pelas dificuldades financeiras da região. "Há uma avenida em Nicosia, a principal, que corta a cidade. De um lado fica o Chipre e do outro o Chipre do Norte. Ali fica evidente a divisão, com soldados entrincheirados de cada lado", se recorda Zé Elias.

O Chipre, membro da União Europeia, segue protestando e denunciando a invasão. O futebol é uma de suas bandeiras.

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Cultura e muita história em um simples jogo do Bohemians pelo Campeonato Tcheco

Gustavo Hofman

Em casa, o Bohemians foi batido pelo Slovácko por 3 a 1
Em casa, o Bohemians foi batido pelo Slovácko por 3 a 1 Divulgação

O distrito de Vršovice, em Praga, é uma das atrações da capital tcheca. Os diversos cafés espalhados pelas ruas movimentadas, os bares que agitam a noite e as muitas lojas chiques revigoraram a região nos últimos anos. As linhas retas e cinzas do período comunista foram substituídas pelas cores e pelos turistas nas ruas, cortadas pelos tradicionais trams tchecos. Símbolos de mudanças e transformações, sem perder a tradição e a identidade com o passado.

O futebol está presente no cotidiano de Vršovice. Aifnal, lá estão dois times muito tradicionais da cidade e que representam bem a própria região. O poderoso Slavia Praga, que rivaliza com o Sparta pelo status de maior clube do país, simboliza a força e a tradição do distrito. Já o Bohemians resgata a história e a formação de Vršovice.

Com capacidade para pouco mais de 6 mil torcedores, o pequeno estádio Dolícek é a casa do alternativo clube. As arquibancadas cercam apenas metade do gramado, enquanto a outra fica exposta para as ruas e as casas ao lado, separada apenas por um simples muro. No último sábado, foi palco de mais um jogo pela Fortuna Liga, como é chamado o Campeonato Tcheco. Na luta para se distanciar do rebaixamento, o Bohemians recebeu o Slovácko, da cidade de Uherské Hradište. A vitória fez com que os visitantes subissem para a quarta posição, com 30 pontos, o dobro dos donos da casa, que estão cinco acima da zona de descenso.

Jogos assim, no entanto, permitem ao apaixonado por futebol e por história mergulhar no passado da região. Afinal, o contexto do Bohemians Praha 1905 é absolutamente particular. O clube surge como AFK Vršovice, em 1905, mas muda de nome 22 anos depois devido a uma peculiar excursão pela Austrália. Assim, para facilitar a compreensão dos australianos, o clube passa a se chamar Bohemians, homenagem à região de Praga (Boêmia) e seus habitantes. Ao final do tour, que contou com 19 jogos por todo território australianos, os tchecos foram presenteados com dois cangurus, que acabaram doados ao zoológico de Praga. A relação histórica, de qualquer modo, já estava sacramentada, e assim o Bohemians passou a ter o canguru como mascote e parte integrante do escudo oficial do clube.

As curiosidades não param por aí, afinal, o Bohemians é um dos poucos times na Tchéquia a contar com grupos de torcida declaradamente de esquerda. Há, evidentemente, diversidade política entre todos os torcedores, mas há setores bem definidos em relação ao posicionamento ideológico, mantendo, inclusive, relações com o St. Pauli, da Alemanha, outro clube marcado por essa questão. Em 2005, quando o Bohemians enfrentou a maior crise financeira de sua história, foram os torcedores que salvaram o clube da extinção, com o pagamento de dívidas. De qualquer modo, não foi o suficiente para impedir o rebaixamento à terceira divisão e a briga pelo nome, contestado por um grupo de empresários. A disputa perdurou alguns anos, mas se encerrou com o desaparecimento do novo "Bohemians".

Aliás, a própria nomenclatura oficial mudou durante as décadas e acompanhou a história da Tchecoslováquia. Entre as décadas de 1940 e 60, o clube se chamou Sokol Železnicari Praha, Sokol CKD Stalingrad Praha, Spartak Praha Stalingrad e CKD Praha, até recuperar o Bohemians em 1965. Em campo, as duas décadas seguintes foram as mais marcantes. Cada vez mais popular no país, o Bohemians se acostumou a disputar os títulos regionais e a participar de competições continentais.

Estreou na Copa da UEFA de 1975-76, quando foi eliminado pelo mítico Honvéd, da Hungria, logo na primeira rodada. A temporada inesquecível, no entanto, aconteceu em 1982-83, quando o Bohemians superou todos os rivais tchecoslovacos e se consagrou campeão nacional - seu único na elite. Além disso, ainda alcançou as semifinais da Copa da UEFA, caindo para o Anderlecht. O feito histórico em casa garantiu participação inédita da Copa dos Campeões da Europa, onde eliminou o Fenerbahçe na primeira rodada, mas depois caiu no confronto da Europa Central contra o Rapid Viena. A partir dos anos 1990, com a crise financeira da região e a separação da Tchéquia e da Eslováquia, o Bohemians perdeu relevância esportiva e se acostumou a frequentar a segunda divisão.

Antonín Panenka é presidente do Bohemians
Antonín Panenka é presidente do Bohemians Divulgação

O clube se reorganizou nos últimos anos e vive o momento de maior estabilidade na Fortuna Liga, com oito temporadas consecutivas na elite. Por trás de tudo isso, há um ídolo do Bohemians e referência para o futebol tcheco: Antonín Panenka. Considerado um dos maiores jogadores na história da Tchecoslováquia, ele defendeu o Bohemians de 1967 a 81. Panenka empresta seu nome ao que, no Brasil, chamamos de cavadinha, ou seja, o pênalti cobrado com uma batida leve, por baixo da bola. Isso porque em 1976, na decisão da Eurocopa contra a Alemanha Ocidental, ele converteu a última penalidade máxima cobrando dessa maneira e supreendendo o goleiro Sepp Maier. Desde então, na Europa, esse tipo de cobrança leva o nome Panenka. Ele é presidente do Bohemians atualmente, e no ano passado superou uma das maiores adversidade de sua vida. Após ficar em condições críticas por causa da Covid-19, Panenka se recuperou e, aos 71 anos, voltou às atividade no clube do coração.

O rendimento do time, porém, certamente não agrada o dirigente. Na partida do último sábado, foi superado pelo Slovácko que teve mais posse de bola, criou bem mais oportunidades de gols e dominou o confronto, para decepção dos torcedores que se apoiavam no muro na rua para assistir a peleja. O Bohemians é comandado em campo pelo experiente meio-campista Josef Jindrišek, de 39 anos, desde 2009 no clube. Ele é um dos jogadores centrais no meio, dentro do 4-2-3-1 definido pelo técnico Ludek Klusácek. Há ainda outro jogador relativamente conhecido no futebol internacional: o centroavante tcheco Tomáš Necid, 31 anos, que rodou por vários países e clubes.

São 18 times na primeira divisão da Tchéquia, acréscimo de dois em relação à temporada passada, quando não houve rebaixamento por causa da pandemia de coronavírus. O campeonato tem sido dominado nos últimos seis anos por Viktoria Plzen e Slavia Praga, atual bicampeão. Enquanto os dois primeiros colocados se garantem na segunda fase qualificatória da Champions League, os três últimos são rebaixados.

Aos 25 minutos, Jan Kalabiška abriu o placar para o Slovácko. A partida foi definida poucos minutos depois, aos 32 e 37, com dois pênaltis marcados para os visitantes e convertidos por Jan Kliment. No segundo tempo, David Puškác descontou para os mandantes aos 28 e Necid, quatro minutos depois, teve a chance de fazer o segundo, em mais um pênalti, mas chutou para fora. Vale ressaltar: nenhuma cobrança à la Panenka.

O mais incrível, ao assistir o jogo, foi sentir o clima do local, mesmo sem a festa da torcida. Os poucos torcedores nos muros, cantando, colaboraram, mas a atmosfera desse clube é definitivamente especial. Portanto, na sua próxima viagem a Praga, reserve um tempo para conhecer o distrito de Vršovice. Depois que todo esse inferno da pandemia passar, quem sabe até mesmo garantir um lugar nas arquibancadas do Dolícek e voltar ao Brasil com uma camisa do Bohemians Praha 1905.

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Para Alex, possível sucesso de Özil no Fenerbahçe estará ligado à motivação dele em campo

Gustavo Hofman

Mesut Özil já treinou com os novos companheiros
Mesut Özil já treinou com os novos companheiros Divulgação

Após dias de negociação, Mesut Özil foi confirmado neste domingo como reforço do Fenerbahçe. O meia alemão, de 32 anos, deixa o Arsenal após sete temporadas no clube londrino.

Campeão do mundo com a Alemanha em 2014, Özil já não era aproveitado pelo técnico Mikel Arteta e ficou de fora da relação de atletas para a Premier League 2020-21. Entrou em atrito com a diretoria e foi responsável por algumas polêmicas. A última, durante a pandemia de coronavírus, foi quando se ofereceu para pagar o salário do Gunnersaurus, mascote do clube, que acabou demitido. Em 2019-20, disputou 23 jogos em todas competições e marcou um único gol.

Özil nasceu em Gelsenkirchen, na Alemanha, e tem ascendência turca. Quando criança, sempre foi torcedor do Fenerbahçe e manteve as tradições de seus avós e bisavós em sua formação, incluindo a religião muçulmana. Agora, em Istambul, reencontrará as origens de seus antepassados, mas será capaz de recuperar o bom futebol?

Para Alex, um dos maiores nomes na história do Fenerbahçe, dependerá de sua vontade. Talento, todos sabem que o meio-campista possui de sobra. Atitude positiva, no entanto, será muito necessária em um ambiente de enorme cobrança e expectativa.

"A minha expectativa é saber o que ele quer para ele, enquanto jogador de futebol. Se estiver motivado, quiser marcar o momento, acredito que ele ajude muito o time do Fenerbahçe na temporada atual, na qual briga com o Besiktas pelas primeiras posições. O Fenerbahçe fez muitas contratações e o Özil será a cereja do bolo. Se o desejo dele for de marcar história, marcar o momento no país da família dele, com o qual ele tem uma relação muito boa, acredito que vá fazer sucesso", afirma Alex, três vezes campeão turco com o Fener e autor de 172 gols e 139 assistências em 344 partidas pelo clube.

Özil chegou ao Arsenal em 2013, vindo do Real Madrid, contratado por 42,4 milhões de libras, recorde na época dos Gunners. Conquistou três FA Cups e marcou 44 gols em 254 jogos. No anúncio dos ingleses, sobre a saída do jogador alemão, o diretor técnico, Edu Gaspar, elogiou a solução alcançada. "Gostaríamos de agradecer Mesut e sua equipe pelo profissionalismo durante as recentes negociações. Sei que todos ligados ao Arsenal vão se juntar a mim no desejo a Mesut e sua família de saúde, sucesso e felicidade no próximo capítulo de sua carreira".

Em Londres, Özil ganhava cerca de 18 milhões de libras por temporada. Já em Istambul, o valor anual deve ser reduzido para 3,5 milhões. Mesmo assim, o presidente do Fener, Ali Koç, afirmou que contará com o apoio dos torcedores para uma larga campanha de arrecadação de fundos. O Fenerbahçe tem dívidas de aproximadamente 460 milhões de libras e não é campeão turco desde 2014. Além disso, estão previstas eleições no clube para o meio do ano.

"Ele é um baita nome no futebol mundial, campeão do mundo com a Alemanha. Jogou muito tempo no Real Madrid, no Arsenal. Sai da Inglaterra bem discutido, se podia mais ou não por lá. Ele tem essa relação com a Turquia, pela família dele, mas também jogando, porque todo mundo sabe que há uma comunidade turca grande na Alemanha. Nesse período todo ele sempre teve uma relação com o país e o próprio Fenerbahçe. Sempre foi visto próximo às pessoas ligadas ao clube. A recepção será enorme, infelizmente, com esse momento da pandemia, não vai ser aquela festa toda que a gente conhece, mas a recepção e a expectativa em cima da ida dele são muito grandes", completa Alex.

Mesut Özil sempre se declarou partidário do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan - padrinho de casamento do jogador. Ainda no campo político, em dezembro de 2019 o jogador alemão denunciou o governo chinês pelo tratamento à minoria muçulmana Uyghur, o que gerou represálias de canais de televisão chineses, que cortaram as transmissões de jogos do Arsenal no país. O clube inglês se prontificou a manter distanciamento das declarações de Özil.

Na atual temporada, após 20 jogos, o Besiktas lidera a Süper Lig turca com 44 pontos, cinco a mais que Galatasaray e Fenerbahçe, que entra em campo nesta segunda, em casa, contra o Kayserispor, para encerrar a rodada. Ainda sem Özil em campo, mas já vivendo a expectativa de uma nova era vitoriosa, assim como foi com Alex.

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