No confronto de estilos, a defesa francesa venceu o ataque croata

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Não houve surpresas na final. Claro que os seis gols marcados, mesmo número das quatro finais de Copa anteriores juntas, surpreenderam, mas não o roteiro do jogo. Croácia e França mantiveram o mesmo estilo que apresentaram durante toda competição.

Posse de bola (61%), controle do jogo, criatividade e ofensividade do lado croata (15 x 8 nas finalizações). Marcação forte, atuação no erro do adversário, contra-ataque e defensivividade. Na tática, a França começou no 4-3-3, com o auxílio de Mbappé e Griezmann na recomposição defensiva no meio-campo. Já a Croácia jogava na sua variação ofensiva-defensiva de 4-2-3-1 para 4-4-2. Além disso, os croatas tinham mais posse de bola, controlavam o jogo e pressionavam os franceses - tudo dentro do script previsto, pelos estilos dos dois times.

Porém, após falta duvidosa marcada pelo árbitro argentino Néstor Pitana aos 18 minutos, saiu mais um gol de bola parada na Copa. Griezmann cruzou e Mandzukic, com um leve desvio, fez 1 a 0 para os franceses. Os croatas não se abalaram e reagiram dez minutos depois, em outro lance de bola parada. Jogada ensaiada pelo time de Zlatko Dalic, que fez a bola sobrar para Perisic, na entrada da área, cortar Kanté e marcar um belo gol.

Polêmicas não faltavam! Aos 38, após escanteio, Perisic cortou cruzamento com a mão depois de mínimo desvio de Matuidi. VAR utilizado, pênalti marcado (interpretação aberta a todos), Griezmann bateu e tirou Subasic da foto.

No segundo tempo, a Croácia manteve o controle total do jogo, pressionando, criando oportunidades e dando mais espaço para a França também. Em contra-ataque aos 14 minutos, Mbappé criou a jogada, Griezmann ajeitou para Pogba, que precisou finalizar duas vezes - mais do que o time francês em todo primeiro tempo - para marcar o terceiro gol. Aí sim os croatas sentiram o baque. Não demorou para os franceses marcarem o quarto gol após belo lance de Lucas Hernandéz, que tocou para Mbappé definir o título. Ao menos era o que parecia, até Hugo Lloris entregar o segundo gol croata a Mandzukic.

A partir daí, mais uma vez vimos uma equipe croata se entregar ao máximo em campo. Lutou com todas as forças possíveis e o restante de energia que havia. Luka Modric, melhor jogador da Copa, comandou seus companheiros. Não foi o suficiente, diante do pragmatismo francês.

Haverá muita discussão nos próximos dias sobre a diferença de estilos apresentada na final da Copa e a eficiência de cada um. Defenderei, sempre, todas as formas de se jogar futebol. Não há um único jeito de montar um time, muito menos ideias certas ou erradas. Há opções, que cada treinador pode tomar, de acordo com as próprias preferências.

Em uma Copa do Mundo marcada pelo jogo coletivo acima das individualidades, gostei mais da Croácia do que da França, mas o futebol não premia gostos pessoais.

Fonte: Gustavo Hofman, de Moscou (RUS)

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Clima de jogo de bairro e muitos gols no dérbi da capital da Letônia e maior cidade dos países bálticos

Gustavo Hofman
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Este é mais um texto da série#AssisteaíHofman. A cada final de semana, o fã de esportes escolhe um jogo para o comentarista assistir em enquete pelo Twitter

Jogadores do Rigas comemoram um dos gols na vitória por 3 a 1
Jogadores do Rigas comemoram um dos gols na vitória por 3 a 1 Rigas

Neste final de semana a Juventus conquistou um inédito octacampeonato na Itália. O feito é tão incrível que em nenhuma grande liga europeia issa tinha acontecido antes. Porém, a Vecchia Signora ainda está longe do recorde de títulos consecutivos nacionais na Europa. Entre 1991 e 2004, o Skonto foi 14 vezes campeão letão consecutivamente. Apenas o Lincoln Red Imps, clube semi-profissional de Gibraltar, igualou tal marca.

Tudo isso aconteceu logo após a dissolução da União Soviética e a independência das repúblicas que a compunham. A Letônia se declarou livre em 4 de maio de 1990 e teve o reconhecimento 6 de setembro de 1991. Pouco tempo depois, em 15 de dezembro, foi fundado o FC Skonto, na belíssima capital do país.

Se as duas primeiras décadas de existência foram maravilhosas para o Skonto, a realidade de maior competitividade local e dificuldades financeiras fizeram com que o clube fechasse as portas no final de 2018. Já não mandava mais no futebol letão e, nem ao menos, era o melhor time de Riga.

Nesta década, surgiram dois clubes na capital que estão dominando a Virsliga, como é chamado o Campeonato Letão. O FK Rigas Futbola Skola foi transformado em profissional em 2011 e o Riga Football Club surgiu em 2014. Na Letônia, por causa do rigoroso inverno, a temporada começa e termina no mesmo ano. Em 2018, o Riga conquistou o inédito título em sua curta história, e neste ano o líder já na reta final é o Rigas. No último sábado, teve clássico!

Pela sétima rodada, o Rigas recebeu o Riga no modesto estádio RTU diante de 550 torcedores, incluindo torcida visitante. Uma mínima arquibancada acomodou quem quis assistir o jogo sentado, enquanto muitos preferiram ficar de pé, ao lado do gramado e sem qualquer alambrado entre eles e os atletas. Trata-se de um ambiente totalmente amador, apesar de a liga ser profissional, em um complexo esportivo no meio da cidade. Praticamente um campo de bairro, mas com gramado sintético.

Rigas mantém 100% de aproveitamento no Campeonato Letão
Rigas mantém 100% de aproveitamento no Campeonato Letão Rigas

Nada que lembrasse o centro histórico de Riga, declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco. A capital letã está entre as mais belas de todo continente e é a maior cidade dos países bálticos - Letônia, Estônia e Lituânia.

No jogo, nível técnico muito baixo, naturalmente, mas ao menos com mínima organização tática. As duas equipes com linhas de quatro defensores, apresentando boa recomposição defensiva. O Rigas mostrou até uma variação maior, porque a saída de bola era feita com três da linha de defesa, liberando o lateral-direito.

Um brasileiro esteve em campo: Felipe Brisola, de 28 anos, que começou a carreira no Anapolina e passou por Atlético-GO, Vila Nova, CRAC e Itumbiara, antes de desembarcar na Bulgária em 2016 para defender o Botev Plovdiv. Desde o ano passado defende o Riga e é quem melhor trata a bola no time, até por isso atua como atacante central e com total liberdade de movimentação.

Aliás, muitos estrangeiros em ação. Dos 27 jogadores que estiveram em campo, 13 nasceram fora da Letônia - um austríaco, um georgiano, um albanês, um francês, um marfinense, um polonês, um eslovaco, um sérvio, dois croatas e dois japoneses, além do brasileiro já citado. Sem falar nos treinadores: Valdas Dambrauskas, lituano, comandante do Rigas, e Oleg Kubarev, bielorrusso, chefe do Riga.

No final das contas, vitória dos donos da casa por 3 a 1, resultado que manteve o Rigas com 100% de aproveitamento após sete rodadas. São nove times na primeira divisão da Letônia e todos se enfrentam quatro vezes até a definição do campeão e classificados às fases preliminares de Champions e Europa leagues.

O primeiro gol do jogo saiu aos 39 minutos, após chutão que o marfinense Alain Kouadio transformou em bela jogada de fundo e cruzamento para o austríaco Tomas Simkovic marcar para o Rigas. O empate veio no segundo tempo, aos 23, em jogada bem trabalhada pelo ataque do Riga e a finalização do letão Oleg Laizans de fora da área.

O personagem do jogo foi o atacante eslovaco Tomas Malec, que saiu do banco aos 24 minutos do segundo tempo para marcar duas vezes e garantir a vitória do Rigas por 3 a 1.


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Quando o jogo é ruim, a solução é buscar jovens promissores e contar boas histórias. Até Drácula vale

Gustavo Hofman
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Jogo foi muito fraco tecnicamente em Cluj-Napoca
Jogo foi muito fraco tecnicamente em Cluj-Napoca FCSB

Em 16 de dezembro do ano passado, o Steaua Bucareste venceu o Botosani por 3 a 1 e toda história da partida foi relatada neste blog, em um dos primeiros textos da série #AssisteaíHofman. De lá para cá as coisas mudaram no time da capital romena.

Nicolae Dica, ídolo do clube e técnico desde a temporada passada, foi demitido dez dias depois desse jogo. Nenhuma surpresa, com o polêmico presidente Gigi Becali à frente de tudo. Aliás, para um resumo da história recente do Steaua, vale clicar no link do parágrafo acima.

A demissão aconteceu após uma derrota em casa para o Cluj por 2 a 0. Justamente o adversário deste último domingo.

Para a vaga de Dica, o escolhido foi outro jovem treinador: Mihai Teja, de 40 anos, que estava no Gaz Metan Medias. Após 11 anos jogando na base do Steaua, Teja descobriu um problema no coração e abandonou o sonho de se tornar jogador. Buscou a formação como técnico.

Após 26 jogos na temporada regular, os 14 times foram divididos em dois grupos. Do sétimo ao 14o, luta contra o rebaixamento; Os seis primeiros decidirão o título, com mais dez partidas cada.

Time de melhor campanha, o Cluj - comandado por Dan Petrescu - perdeu apenas dois jogos e entrou na fase final como o grande favorito. Fundado em 1907 e historicamente pequeno, passou a receber muitos investimentos de empresários locais neste milênio e se tornou grande na lutas pelas taças romenas. Tanto é que seus quatro títulos do Campeonato Romeno aconteceram de 2008 para cá, incluindo o último.

O sucesso se deveu também ao alto número de reforços estrangeiros nesse período, principalmente jogadores portugueses e sul-americanos, incluindo muitos brasileiros. Hoje em dia, apenas o zagueiro Paulo Vinícius, revelado pelo Grêmio Inhumense e de longa carreira em Portugal, é o representante do Brasil por lá.

Aliás, "lá" é a terra onde nasceu Conde Drácula. Essa história já é conhecida de quem teve contato com o Cluj em competições europeias, mas Cluj-Napoca fica na província histórica da Transilvânia que, como todos sabem, é a terra natal do vampirão. Romeno, não o brasileiro. 

Em campo, no estádio Constantin Radulescu, fraco empate em 0 a 0 que manteve o Cluj na liderança com 38 pontos, três a mais que o Steaua com cinco rodadas ainda por disputar. 

Como relatado no texto de dezembro da #AssisteaíHofman, o futebol romeno tem bons jovens jogadores a serem observados - o que foi uma salvação nesse final de semana. O Cluj aposta em atletas experientes, enquanto o Steaua, sim, tem uma base que revela.

Dennis Man, 20 anos, e Florinel Coman, 21, despertam atenção maior. No jogo analisado de dezembro, o segundo teve mais destaque, apesar da fama de promessa ser do primeiro. Neste domingo, Man se destacou atuando aberto pela direita em um jogo bem duro. Duro de assistir.

Durante os 93 minutos as duas equipes tiveram a capacidade de finalizar, somadas, apenas seis vezes ao gol e não acertar o alvo em todas. Dois times preocupados em marcar e pouco inspirados com a bola. De emoção, mesmo, apenas uma boa finalização de fora da área do Man no primeiro tempo e uma bola na trave dos donos da casa na segunda etapa.

Assim, após o apito final, o jogo gerou muito barulho na imprensa romena. Não apenas pelo baixo nível técnico, mas porque os proprietários dos dois clubes - Árpád Pászkány e Gigi Becali - criticaram bastante as atuações de seus empregados publicamente.

Cluj 0x0 Steaua Bucareste

Posse de bola 40% x 60%
Finalizações/certas: 3/0 x 3/0
Escanteios: 2 x 2
Impedimentos: 0 x 1
Faltas: 16 x 18

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Belo confronto de estilos marcou a vitória da Udinese contra o Empoli e o rebaixamento

Gustavo Hofman
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Rodrigo de Paul foi o grande destaque da Udinese
Rodrigo de Paul foi o grande destaque da Udinese Udinese

Foi um confronto de estilos em Údine na luta contra o rebaixamento. Udinese e Empoli fizeram um dos melhores jogos do ano na Itália - ao menos no primeiro tempo, na vitória dos donos da casa por 3 a 2, neste domingo.

As partidas no futebol italiano são sempre muito legais no aspecto tático, com equipes bem organizadas e disciplinadas. A Dacia Arena recebeu dois times montados no 3-5-2, com variação defensiva para 5-3-2, mas com posturas ofensivas bem diferentes em campo.

Apesar do bom início, a Udinese foi quem menos ficou com a bola, mas conseguiu finalizar mais. Enquanto o Empoli, mesmo atuando como visitante, conseguiu impor seu estilo de maior posse, mas desperdiçou muitas oportunidades.

Foram três brasileiros em campo. Do lado da Udinese, o zagueiro titular Samir, ex-Flamengo, e o volante reserva Sandro, ex-Tottenham, que entrou no segundo tempo. Já pelo Empoli, o atacante Diego Farias, ex-Cagliari, começou jogando.

O primeiro gol do jogo foi um exemplo de como os treinamentos são bem aproveitados na Itália. Ismael Bennacer, em cobrança de falta ensaiada na intermediária ofensiva do Empoli, rolou para Rade Krunic, que tocou de primeira para Francesco Caputo já dentro da grande área. O atacante italiano bateu de primeira para fazer 1 a 0 aos 11 minutos.

Pouco depois, aos 15, o talentoso meia Rodrigo de Paul, em seu centésimo jogo pela Serie A, empatou com belo chute de fora da área, após contra-ataque puxado por Stefano Okaka. Na comemoração, o argentino foi até o banco de reservas buscar uma camisa do suíço lesionado Valon Behrami, capitão do time.

O terceiro gol do jogo foi totalmente diferente dos dois primeiros. Com a posse de bola, tocando de pé em pé, Krunic recebeu dentro da área e com o pé direito tocou no canto, sem chances para o goleiro argentino da Udinese, Juan Musso.

Já o quarto gol demorou apenas um pouco mais, e saiu aos 41 depois que o veterano Domenico Maietta puxou gortescamente o atacante dos donos da casa Kevin Lasagna pela camisa. De Paul bateu o pênalti e empatou.

Para fechar os 45 minutos iniciais com mais emoção, ainda deu tempo da virada. Rolando Mandragora pegou o rebote depois de cobrança de falta de De Paul na entrada da área e fez 3 a 2.


Não é tão comum assim termos tempos tão emocionantes no calcio. Logo, era natural que os dois times diminuíssem o ritmo na segunda etapa. Com a expulsão do ala esquerdo holandês Marvin Zeegelaar, que entre o 13o e o 18o recebeu dois cartões amarelos, o recuo foi automático.

A pressão do Empoli aconteceu do início ao fim e aumentou com um jogador a mais em campo. O time ainda melhorou com a entrada do experiente Luca Antonelli, ex-Milan. 

Bennacer teve o terceiro maior número de passes (total e certos) na rodada da Serie A, com 75, sendo 71 certos (aproveitamento de 94.7%).

Pelas estatísticas do Wyscout, Diego Farias foi o jogador com mais chances para marcar em toda 31a rodada do Campeonato Italiano. Foram oito, todas desperdiçadas, sendo sete finalizações.

Já o zagueiro ganês da Udinese, Nicholas Opoku, ficou atrás apenas de Andersen (Sampdoria) e Kessié (Milan) em número de recuperações de posse de bola com dez. Quase marcou um golaço desarmando e avançando por todo campo com a bola no início do segundo tempo.

No final das contas, vitória importantíssima para a Udinese, que vai a 32 pontos, com um jogo a menos e agora cinco de vantagem para o Bologna, primeiro na zona de rebaixamento. O Empoli, por sua vez, com 28, está logo acima do perigo faltando sete rodadas para o término da Serie A.

Udinese 3x2 Empoli

Posse de bola: 43.8% x 56.2%
Passes/certos: 282/193 x 517/452
Finalizações/certas: 17/5 x 15/6
Cruzamentos: 9 x 29
Escanteios: 6 x 6
Bolas recuperadas: 54 x 44
Faltas: 8 x 8
Impedimentos: 1 x 0

Fonte: Gustavo Hofman, blogueiro do ESPN.com.br

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Uma ode ao futebol em Wembley

Gustavo Hofman
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Wembley em dia de decisão e festa do futebol
Wembley em dia de decisão e festa do futebol EFL

São oito títulos da primeira divisão inglesa e quatro FA Cups no total. Dois clubes tradicionais, de duas cidades históricas e importantes da Inglaterra. Nas arquibancadas de Wembley, 85.021 torcedores nas arquibancadas e uma enorme festa do futebol pelas ruas de Londres. Esse foi o espetacular domingo que coroou o Portsmouth campeão da English Football League Trophy em emocionante final contra o Sunderland.

Trata-se da terceira Copa em importância do futebol inglês, destinada aos times que estão na Football League - terceira e quarta divisões. Há dois anos 16 equipes sub-21 dos clubes da Premier League e da Championship também estão na disputa, o que, aliás, gerou enorme discussão e revolta entre os participantes mais antigos.

Quem acompanha futebol internacional há mais tempo, conhece muito bem Portsmouth e Sunderland. O primeiro, inclusive, pelo período de riquezas e decepções vivido nos anos 2000. Já o segundo, para quem talvez não esteja tão ligado assim no que acontece no Velho Continente, tenha conhecido melhor com a série no Netflix. "Sunderland 'Til I Die" mostra o cotidiano do time na temporada passada, na sequência do rebaixamento da Premier League. O fato de estar disputando a terceira divisão agora é o spoiler do seriado.

O técnico Kenny Jacket, campeão da EFL Trophy em 2006 com o Swansea, escalou o Pompey na já tradicional variação do 4-2-3-1 na fase ofensiva para o 4-4-2 na defensiva. Mesma proposta tática dos Black Cats, que vinham em uma sequência de 19 partidas invictos e com elenco mais estrelado. Afinal, a lenda Will Grigg veste a camisa vermelha e branca do Sunderland.

Porém, o craque mesmo do time é o irlandês Aiden McGeady, ex-Celtic, Spartak Moscou e Everton, que joga aberto pela esquerda. Aos 32 anos, ainda tem talento e qualidade suficientes para fazer a diferença nesse nível de futebol.

No primeiro tempo, o Sunderland teve total domínio do jogo. Bem mais posse de bola, com chances criadas e desperdiçadas. Naturalmente, quem se destacou foi o goleiro do Portsmouth, o Craig MacGillivray. Até que, aos 38 minutos, o goleirão nada pôde fazer em cobrança de falta bem colocada por McGeady para abrir o placar. 

Houve bem antes, ainda, um momento de enorme emoção no sexto minuto, quando todo estádio se levantou para homenagear Bradley Lowery, garotinho de seis anos, torcedor fanático do clube, que emocionou todo país após luta contra o câncer. Ele faleceu em 2017 e segue sendo lembrado pela torcida em todas partidas. 

Já no segundo tempo, como tem acontecido com o Portsmouth em toda temporada, o time se apresentou bem melhor em campo. Em 2018-19, apenas o Manchester City marcou mais gols na segunda etapa de seus jogos dentro do cenário doméstico do que o Pompey (62 a 59). E esse quinquagésimo nono saiu já no finalzinho.

Aos 37, em jogada pela esquerda com o Sunderland totalmente acuado no campo de defesa, Gareth Evans cruouz para Nathan Thompson se antecipar à marcação e empatar. Um jogo com dois tempos completamente diferentes, que precisou da prorrogação para seguir.

Foi justamente no tempo extra que o jogo, finalmente, teve equilíbrio. As duas equipes não tiveram medo de jogar e, sem se exporem obviamente, tiveram posturas ofensivas. E o público presente foi premiado com mais dois gols e um final eletrizante.

O tento da virada do Portsmouth saiu aos nove minutos e foi espetacular. Jamal Lowe recebeu lançamento, limpou o marcado com o domínio e tocou por cobertura na saída de Jonathan McLaughlin. Quando faltava, porém, um minuto para o término da prorrogação, McGeady fez metade do estádio explodir em alegria com o gol de empate e a definição do título nas penalidades máximas.

Coube ao destino fazer com que Lee Cattermole, de boa atuação e no Sunderland desde 2009, fosse o único a errar na disputa de pênaltis. Cobrou no canto, para defesa de MacGillivray e festa incrível da sofrida torcida do Portsmouth.

Na terceira divisão, os dois estão na briga pelo acesso direto. O Luton Town lidera com 86 pontos, seguido pelo Barnsley com 79, enquanto Portsmouth tem 74 e um  jogo a menos e o Sunderland está com 73, mas três partidas atrasadas. Terceiro, quarto, quinto e sexto colocados disputarão ainda os playoffs pela vaga restante.

O público em Wembley se tornou recorde na competição e foi, no final de semana, o segundo maior de um jogo de futebol na Europa, atrás apenas de Barcelona 2x0 Espanyol (92.795 torcedores).

Portsmouth (5)2x2(4) Sunderland

Posse de bola: 63% x 37%
Finalizações/certas: 18/5 x 10/4
Escanteios: 3 x 7
Faltas: 20 x 18

Fonte: Gustavo Hofman, blogueiro do ESPN.com.br

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Do sonho à realidade: como a Red Bull se tornou um pesadelo para muitos torcedores em Salzburgo

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

A primeira vez que ouvi falar sobre o time de Salzburgo foi em 1994. Naquele ano, a equipe austríaca chegou na decisão da Copa da Uefa contra a Internazionale de Walter Zenga, Nicola Berti, Rubén Sosa e Dennis Bergkamp. Não levou o título, mas o nome do clube me chamou muita atenção: Casino Salzburg.

Passados 18 anos, tive a oportunidade de conhecer melhor toda história do futebol naquela cidade e como esse clube de nome curioso se tornou um exemplo da lógica lucrativa no futebol, que agora acontece também com o tradicional Bragantino, no interior paulista.

Quando em 1978 a Casinos Salzburg acertou parceria com o SV Austria Salzburg, toda história do clube fundado em 1933 foi preservada, assim como suas tradições. Já em 1997, nova mudança, após troca no patrocinador e acerto com uma empresa do ramo financeiro. Surgiu então o SV Wüstenrot Salzburg, mas os torcedores jamais deixaram de cantar SV Austria Salzburg e de vestir o uniforme violeta tradicional.

Até o dia em que a Red Bull comprou o clube em 2005 e tudo mudou. À distância, sem conhecer a comunidade, parecia apenas um negócio como qualquer outro. E que, inclusive, deixou muita gente feliz na cidade, além de ter elevado o patamar do clube no país e internacionalmente. Mesmo sem nunca mais ter chegado em uma decisão de Liga Europa, o Red Bull Salzburg passou a ser frequente em torneios continentais e a dominar o futebol austríaco. Nove dos 12 títulos nacionais foram conquistados nesse novo período, além de todas cinco copas.

Para muitos torcedores, porém, aquele não era mais o seu clube. Mesmo com todo investimento, contratação de jogadores, chegada de técnicos estrangeiros, tudo aquilo não importava. A mensagem mais clara que puderam receber veio em uma reunião com os novos dirigentes. Em "respeito" às tradições do Austria Salzburg, o goleiro do Red Bull vestiria meiões violetas nos jogos como visitante. O vermelho e o branco eram as novas cores oficiais. Ali houve a ruptura definitiva no envolvimento passional dos torcedores. Foi quando sentiram, definitivamente, que jamais houve intenção de respeitar o que existia. Os compradores queriam - e adquiriram esse direito legalmente - apenas fundar um novo clube, já na elite austríaca.

Narrei toda essa história em matéria no Futebol no Mundo em 2012. Visitei toda estrutura do Red Bull Salzburg, que na época contava com Alan e André Ramalho (que saiu e voltou), assim como fui conhecer a dissidência da cidade. Um grupo grande de torcedores decidiu fundar um outro clube para manter o nome e preservar a história do Austria Salzburg.

Como contado na matéria, os próprios torcedores entraram em campo nos primeiros anos jogando nas divisões menores da Áustria. Foram quatro acessos consecutivos nos quatro primeiros anos, até chegarem em níveis mais profissionais e enfrentarem maiores dificuldades.

Atualmente, o Austria Salzburg está na quarta divisão e segue ansioso para, um dia, enfrentar seu maior rival: o Red Bull Salzburg.

Fonte: Gustavo Hofman, blogueiro do ESPN.com.br

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Bom futebol e muita história no confronto entre Bósnia e Armênia pelas eliminatórias da Euro

Gustavo Hofman
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Pjanic foi o melhor em campo contra a Armênia
Pjanic foi o melhor em campo contra a Armênia Divulgação

Itália, Grécia, Bósnia e Herzegovina, Armênia, Finlândia e Liechtenstein. O Grupo J das eliminatórias para a Euro tem uma potência, quatro times equilibrados e outro muito fraco.

Dificilmente os italianos, apesar dos pesares dos últimos anos, não ficarão em uma das duas primeiras colocações, que garantem a classificação, sem contar a possibilidade de playoffs. Assim, gregos, bósnios, armênios e finlandeses farão árdua disputa pela vaga remanescente. A primeira rodada reservou um confronto direto entre esses países. 

Em Sarajevo, no último sábado, a Bósnia recebeu a Armênia e venceu por 2 a 1. Os dois times possuem talentos individuais, e qualquer um que gosta de futebol internacional conhece jogadores como Miralem Pjanic, Edin Dzeko e Henrikh Mkhitaryan. Não são os únicos, apesar de serem os mais famosos.

São duas nações com histórias recentes de independência e guerra em períodos próximos e por causas similares. Dois países bem diferentes na religião, islamismo entre os bósnios e catolicismo entre os armênios, mas a mesma paixão pela bola.

Em campo, a Bósnia foi o time que propôs o jogo do início ao fim, tendo bem mais posse de bola e criando mais oportunidades. Robert Prosinecki, histórico jogador do Estrela Vermelha-SER campeão europeu em 1991 e da seleção croata terceira colocada na Copa de 98, é o técnico da seleção bósnia desde o início do ano passado. Ele montou o time no 4-3-3 na fase ofensiva e a variação para o 4-1-4-1 sem a bola.

O maestro da equipe é Pjanic, que comanda a saída de bola buscando a bola nos pés dos zagueiros, cobra todas faltas e escanteios e é quem, também, determina a ação defensiva ao ser o jogador entre as linhas de marcação.

Já a Armênia, mais limitada tecnicamente e com postura defensiva, tem um esquema muito pensado - naturalmente - em Mlhitaryan. O meia-atacante do Arsenal, que passou um período da adolescência na base do São Paulo ao lado de Hernanes, tem total liberdade para se movimentar em campo. Os armênios marcam no 4-4-2 e, quando conseguiam atacar, atuavam no 4-4-1-1, justamente por conta de Mkhitaryan (o primeiro 1).

Palco da partida, o estádio Grbavica fica nos arredores da cidade. Durante um dos mais tenebrosos episódios recentes da humanidade, o cerco a Sarajevo, teve sua estrutura seriamente avariada pelos bombardeios diários das tropas sérvias que sufocaram a população local. Após o término do conflito, em 1995, foi reinaugurado com o clássico dos times regionais, Zeljeznicar e Sarajevo.

Dzeko, maior ídolo de todos os tempos do futebol bósnio, teve sua infância roubada pelas bombas e o constante medo da morte. Houve um episódio, em que jogava bola na rua e foi chamado pela mãe para entrar em casa. Minutos depois uma bomba matou seus amigos. Tempos depois, a família Dzeko teve a casa destruída e, diferentemente de tantas outras, não conseguiu deixar a Bósnia durante a guerra. Diante da Armênia, ele se tornou o primeiro bósnio a disputar 100 jogos pela seleção.

O primeiro gol do jogo saiu aos 33 minutos. Em cobrança de escanteio, Pjanic colocou a bola na cabeça de Rade Krunic, meia do Empoli-ITA, que se antecipou à marcação na primeira trave e marcou de cabeça. 

Alexander Karapetyan, atacante centralizado na tática armênia e jogador do Progrès Niederkorn, de Luxemburgo, pouco fez em campo além de trombar com os defensores bósnios na luta pelo alto - para ser justo, teve uma finalização certa no final da primeira etapa. Saiu aos 22 minutos do segundo tempo para dar lugar a Norberto Alejandro Briasco. Chama atenção pelo nome e por esse sobrenome. Quando citado, também, o nome da família materna, Balekian (utilizado na camisa), já não soa tão estranho.

O atacante do Huracán, de 23 anos, nasceu em Buenos Aires, capital da Argentina, mas tem origem armênia por parte da mãe, cuja família faz parte da enorme Diáspora Armênia - aproximadamente 11 milhões espalhados pelo mundo. Nas arquibancadas do Grbavica havia um bom grupo de torcedores da Armênia.

Os dois treinadores fizeram todas alterações que tinham permissão pelas regras da competição, e o jogo ficou mais equilibrado. Mkhitaryan quase empatou aos 27, com belo voleio na entrada da grande área.

Só que aos 35, Deni Milosevic, que entrada 15 minutos antes no lugar de Goran Zakaric, fez o segundo gol bósnio após cruzamento do bom Edin Visca, meia do Istambul Basaksehir-TUR. Isso pouco após uma sequência de três defesas espetaculares do goleiro armênio Aram Ayrapetyan.

Já nos acréscimos, a Bósnia ficou com um jogador a menos em campo, após Elvir Koljic, que subtituiu o aplaudido Dzeko, sair de campo machucado. Mkhitaryan aproveitou para, em cobrança de pênalti aos 48, anotar o gol de honra - e importante no critério de desempate, confronto direto.

Bósnia 2x1 Armênia

Posse de bola: 67% x 33%
Tempo de posse: 37:34 x 18:18
Finalizações/certas: 17/6 x 5/2
Passes/certos: 651/574 x 297/239
Aproveitamento nos passes: 89% x 80%
Cruzamentos: 15 x 7
Escanteios: 10 x 2
Impedimentos: 1 x 4
Interceptações: 26 x 53

Fonte: Gustavo Hofman, blogueiro do ESPN.com.br

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Bom futebol e muita história no confronto entre Bósnia e Armênia pelas eliminatórias da Euro

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Uma semana de quatro jogos, três modalidades e muita cultura esportiva

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman


A cultura esportiva nos Estados Unidos precisa ser muito valorizada. São cinco ligas profissionais de alto nível em cinco modalidades. Além de NBA, NFL, MLB, NHL e MLS - basquete, futebol americano, beisebol, hóquei e futebol - há ainda ligas menores, com salários bem inferiores naturalmente, mas que também movimentam milhares de pessoas por todo país.

Assim, muitas cidades possuem mais de uma equipe em esportes diferentes. Sem falar no esporte universitário, que move paixões de geração em geração entre os norte-americanos.

O hábito dos torcedores também é completamente distinto do resto do mundo. Enquanto no resto do planeta grandes partidas de futebol, por exemplo, mexem com o coração das pessoas, nos Estados Unidos a oportunidade de ir a um jogo assim é um grande evento, muito além do lado esportivo.

Na semana passada estive em Orlando, na Flórida, para acompanhar os bastidores da NBA pela ESPN. Aproveitei os poucos dias por lá para, também, acompanhar MLS e MLB. Na prática, em quatro dias consecutivos fui a quatro jogos de três esportes diferentes sem sair da cidade.

Primeiro a vitória tranquila demais do Orlando Magic contra o Cleveland Cavaliers por 120 a 91, no Amway Center, em uma quinta-feira à noite - que jogador é o Collin Sexton! Ginásio lotado e muita festa para a equipe que luta por um lugar nos playoffs da Conferência Leste.

Jogo do Orlando Magic, na NBA
Jogo do Orlando Magic, na NBA Gustavo Hofman

Na sexta, foi dia de acompanhar a pré-temporada do beisebol nos Estados Unidos, chamada de spring training (treinamento de primavera). Há mais de duas décadas o Atlanta Braves se desloca até Orlando nessa época do ano para treinar e jogar no complexo da ESPN no Walt Disney World. 

Complexo da ESPN
Complexo da ESPN Gustavo Hofman

O adversário foi o Miami Marlins, que venceu por 7 a 6 em uma bela tarde ensolarada.

Jogo de beisebol
Jogo de beisebol Gustavo Hofman

Já no sábado o soccer foi a bola da vez. Mesmo em pleno final de semana do spring break - feriado escolar norte-americano - o Orlando City Stadium recebeu um bom público para torcer pelo time da casa contra o Montreal Impact. Pena que, em campo, os jogadores não corresponderam positivamente: derrota por 3 a 1.

Para completar a quadra esportiva, retornamos ao basquete, com outro triunfo do Magic. Jogo mais equilibrado e a oportunidade de ver, in loco, Trae Young e Vince Carter: vitória por 101 a 91 diante do Atlanta Hawks.

A viagem rendeu uma matéria sobre esse roteiro completo, outra sobre a torcida do Orlando City, uma entrevista exclusiva com Nani e na segunda ainda deu tempo de acompanhar o treino e as coletivas da seleção norte-americana de futebol - que jogou em Orlando na última quinta e venceu o Equador por 1 a 0. Nas mídias sociais - Instagram e Twitter - o fã de esportes pôde acompanhar nossa rotina por lá.

Em todas partidas havia bom público. Claro que a cidade recebe muitos turistas, mas nem de perto eles são a maioria. São os moradores locais que, assim como em toda parte do país, crescem com o hábito de consumir esporte. 

Fonte: Gustavo Hofman, blogueiro do ESPN.com.br

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Uma semana de quatro jogos, três modalidades e muita cultura esportiva

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Na Grécia, clássico da rodada teve famosos alternativos, torcida única e muitas faltas

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Este é mais um texto da série #AssisteaíHofman. A cada final de semana, o fã de esportes escolhe um jogo para o comentarista assistir em enquete pelo Twitter

De um lado Dmytro Chygrynskiy (ex-Barcelona), Marko Livaja (ex-Internazionale) e Alef (ex-Ponte Preta). Do outro Emanuel Insúa (ex-Boca Juniors), Matias Johanson (ex-AZ) e Federico Macheda (ex-Manchester United e tantos outros).

Todos reunidos no estádio olímpico Spyros Louis, em Atenas, para a realização do clássico entre AEK e Panathinaikos, válido pela 24ª rodada do Campeonato Grego no último sábado, que terminou empatado em 0 a 0.

AEK e Panathinaikos não saíram do 0 a 0 no último sábado
AEK e Panathinaikos não saíram do 0 a 0 no último sábado AEK

Antes da temporada começar, o Panathinaikos foi penalizado com a perda de seis pontos por não cumprir todos os requisitos para a licença da temporada. Já o AEK perdeu três após sua torcida promover enorme confusão antes do clássico contra o Olympiacos em outubro.

Tudo isso colaborou para que a temporada do líder PAOK, invicto após 24 jogos, ficasse mais tranquila. Aliás, 2018-19 marca o final do atual modelo do Campeonato Grego, com 16 times na elite em turno e returno. A partir da próxima temporada, serão 14 equipes e playoff para decidir o campeão.

Taticamente o AEK, que luta por vaga na Europa League, atuou na variação do 4-2-3-1 com a bola e 4-4-2 sem a bola. O veterano lateral-direito brasileiro Rodrigo Galo, com longa carreira no futebol português e grego, é uma peça importante no esquema do técnico Manolo Jiménez. Aliás, o treinador espanhol que começou sua trajetória no Sevilla está na terceira passagem pelo clube de Atenas.

Já o Panathinaikos, apenas sexto na tabela e comandado por Giorgos Donis - primeiro grego a atuar na Premier LeaguePremier League (1996-97, pelo Blackburn) -, entrou em campo mais preocupado em marcar com sua linha de cinco defensores do 5-3-2. Naturalmente, quando o time atacava, os alas apoiavam.

Panathinaikos, em temporada muito ruim, entrou em campo com tática defensiva
Panathinaikos, em temporada muito ruim, entrou em campo com tática defensiva Panathinaikos

No primeiro tempo, bastante equilíbrio com duas propostas de jogo bem diferentes e uma chance de gol para cada lado, mas controle da partida para os donos da casa. Aos 45 minutos, o ucraniano Chygrynskiy deixou o gramado machucado para a entrada do croata Uros Cosic (considerado, no início da década, promessa no CSKA Moscou).

De maneira geral, o jogo na Grécia tem bom nível técnico e organização tática. Está entre as ligas de porte médio da Europa, apesar de já ter sido mais forte há alguns anos - a crise financeira do país, obviamente, também atingiu o futebol.

O roteiro da partida na segunda etapa não mudou. Tanto é que Sokratis Dioudis, goleiro alviverde, foi um dos grandes destaques com algumas defesas difíceis. Detalhes importantes foram o alto número de faltas (45), baixo número de cartões (seis amarelos) e a já esperada tensão nos clássicos gregos.

AEK e Panathinaikos dividem ao longo do ano o enorme Estádio Olímpico de Atenas. Para o clássico do final de semana, o anel superior sequer foi aberto e a torcida amarelo e dourada não lotou as demais arquibancadas do clássico - que tem torcida única na Grécia. Mesmo assim, durante a transmissão, foi possível ouvir diversas bombas explodindo, além da enorme vaia da torcida ao apito final.

Para quem se interessar, a AEK TV publica em seu canal no YouTube resumos muito bem editados dos jogos do clube, mas com trilhas sonoras sem muito sentido com o que se assiste. O Panathinaikos, agora, se prepara para o grande dérbi do país diante do Olympiacos, no próximo final de semana.

AEK 0x0 Panathinaikos

Posse de bola: 53% x 47%
Finalizações/certas: 11/4 x 4/1
Escanteios: 2 x 1
Impedimentos: 1 x 4
Faltas: 20 x 25

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Na Grécia, clássico da rodada teve famosos alternativos, torcida única e muitas faltas

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Oito jogos, 48 horas e muito futebol: Libertadores e três Champions Leagues no cardápio

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Foram oito jogos em 48 horas. Champions League, Libertadores da América, Concachampions e Liga dos Campeões asiática também. Quatro torneios continentais, com níveis bem diferentes e muitas histórias para contar.

A maioria dos jogos ao vivo, enquanto a outra parte através de um sistema de scout profissional. Como sei que essa é uma dúvida constante, já coloco a informação no segundo parágrafo: faço parte de um grupo de jornalistas que assinam esse produto para termos acesso a partidas do mundo inteiro.

Linha de quatro defensores e três zagueiros; 4-2-3-1, 4-4-2, 4-3-1-2, nenhum esquema e outras variações táticas; Talisca, Tadic, Diego Alves, Enner Valencia, Lukaku, Rafael Sóbis, Everton e tantos outros personagens.

Guangzhou Evergrande 2x0 Sanfrecce Hiroshima

Mesmo tendo perdido o último Campeonato Chinês para o Shanghai SIPG, o Guangzhou Everngrande segue como um dos melhores times do continente. A estreia na fase de grupos da atual Champions League asiática foi com o pé direito.

A vitória por 2 a 0 contra os japoneses do Sanfrecce foi construída sem dificuldades. Taticamente, o time comandado por Fabio Cannavaro é muito organizado, jogando no 4-4-2 sem a bola e variação de 4-2-3-1 para 4-4-1-1 com a bola. Isso por causa do protagonismo de Anderson Talisca.

Paulinho é mais ídolo, mas o ex-meia de Bahia, Benfica e Besiktas está jogando muito, e arrebentou nesse jogo. Atua com total liberdade para ser um meia central ou segundo atacante. Os brasileiros garantiram os dois gols da vitória do Guangzhou.

Real Madrid 1x4 Ajax

Na tarde de terça-feira participei do Futebol no Mundo e disse que, na teoria, mesmo com o péssimo momento do time, a vantagem construída pelo Real no jogo de ida deveria ser suficiente para garantir a classificação. Desnecessário comentar mais...

A apatia merengue diante da vontade e do talento do Ajax garantiu um resultado histórico no Santiago Bernabéu. Goleada tranquila dos holandeses em atuação espetacular de Dusan Tadic.

Pelo aspecto brasileiro, jogo terrível de Casemiro e muito triste para Vinícius Junior, que sofreu lesão no tornozelo direito e deve parar por dois meses. Assim, pode abrir vaga na convocação da seleção brasileira para David Neres, que marcou um gol e foi muito bem.

San José 0x1 Flamengo

Resultado excelente, atuação fraca. Combinação que deixou muitos flamenguistas indignados com os comentários feitos em programas esportivos.

Diego Alves, Rodrigo Caio e Bruno Henrique foram os principais pontos positivos. O goleiro garantiu o resultado, o zagueiro foi muito seguro e o atacante atuou como se não houvesse altitude.

Já os pontos negativos passam, obrigatoriamente, pela ideia de jogo e pela tática. O Flamengo foi um time qualquer no primeiro tempo, completamente desorganizado e atuando de maneira pouco inteligente a quase quatro mil metros. Jogadores muito distantes em campo, se livrando da bola, tendo que percorrer enormes distâncias e oferecendo espaço para as finalizações de fora da área do fraco San José.

Entendo que a crítica na vitória é mais válida do que na derrota. O Flamengo vai encarar desafios bem mais difíceis, e a comissão técnica liderada por Abel Braga precisa de auto-crítica para avaliar a necessidade de evolução.

Tolima 1x0 Athletico

Na estreia oficial do time principal do Athletico o resultado não agradou. A atuação, porém, não foi decepcionante. O Furacão merecia sorte melhor no jogo.

Na primeira etapa a equipe colombiana foi superior, após 15 minutos iniciais bem equilibrados. Impressionou a facilidade com que o Tolima levava a melhor nas jogadas pelo alto - e marcou seu gol assim.

Já no segundo tempo o Athletico melhorou, criou oportunidades e poderia ter empatado. Lucho fez muita falta e os problemas na lateral direita deixaram a missão ainda mais complicada. 

Bruno Guimarães merece um destaque à parte. O crescimento desse meio-campista é notório, e jogando fora de casa se impôs, apareceu o tempo todo para construir as jogadas a partir do campo de defesa e chegava com eficiência no ataque. Marco Rubén vai dar certo no Furacão.

Houston Dynamo 0x2 Tigres

Quartas de final da Concachampions e mais um confronto entre times da MLS e equipes mexicanas. E como quase sempre acontece, derrota norte-americana.

O Tigres é melhor do que o Houston Dynamo. Além de ser um time melhor armado taticamente, pelo técnico Ricardo Ferretti, tem bem mais talento individual (e figuras muito conhecidas). A lista de figurinhas carimbadas é grande: Rafael Carioca (importantíssimo na saída de bola a partir do campo de defesa), Eduardo Vargas (meia avançado), Carlos Salcedo (banco, entrou depois), Enner Valencia (marcou um gol e atuou como atacante central), Guido Pizarro (banco, entrou depois)...

O Houston se esforçou, teve chances também - aliás, foi um jogo bastante aberto, porém fraco tecnicamente -, mas carece do talento já citado para definir as jogadas. Há uma diferença grande entre os times atualmente, e será uma missão quase impossível conseguir a virada no México - por mais que a Champions League europeia seja uma boa fonte de inspiração nesta semana.

Paris Saint-Germain 1x3 Manchester United

Tecnicamente o melhor jogo desses dois dias foi a vitória do Ajax. Em termos de emoção, no entanto, nenhum superou a histórica classificação do Manchester United no Parc des Princes.

Muito além de analisar o jogo em si - desfalques do United, vantagem francesa, pênalti bem marcado, falhas individuais -, ressalto a transformação que promoveu Ole Gunnar Solskjaer. 

Na era moderna da Uefa Champions League, pela primeira vez um time que abriu 2 a 0 no mata-mata, fora de casa, acabou eliminado. Antes, 15 equipes tinham ficado nessa situação e, diferentemente do PSG, se classificaram.

Palestino 0x1 Internacional

Jogo difícil, como previsto. O Palestino deixou pelo caminho Independiente de Medellín e Talleres nas fases preliminares da Libertadores e tem qualidade para incomodar qualquer grande do continente. Conseguiu ter mais posse de bola (55.5%) e finalizou mais (15x13), mas parou em Marcelo Lomba ou nos erros dos seus próprios jogadores.

Do outro lado o Inter foi mais um time reativo do que ofensivo, mas também teve suas oportunidades. Tanto é que Ignacio González fez algumas defesas muito difíceis no jogo.

Curioso que, durante a segunda etapa, o rendimento colorado caiu com as substituições (Rodrigo Lindoso pelo lesionado Rodrigo Dourado e Rafael Sóbis por Pedro Lucas), mas nos últimos dez minutos reagiu. E em cobrança de falta de Sóbis garantiu a importante vitória.

Rosario Central 1x1 Grêmio

Resultado decepcionante para o tricolor gaúcho. O Rosario foi a campo com um time repleto de reservas, mas que brigou muito do início ao fim. Vem de enorme crise, que resultou na demissão de Edgardo Bauza e a indicação de Paulo Ferrari como técnico-bombeiro. Segue sem vencer após três jogos.

Com todo esse cenário à frente, o Grêmio entrou em campo para vencer, mas foi surpreendido logo no início na falha de Kanneman. Reagiu rapidamente, empatou com golaço de Everton e mandou no primeiro tempo. Deveria ter feito o segundo gol.

Não o fez, contou com o erro da arbitragem que não marcou pênalti e não expulsou Geromel em jogada desleal e viu o Rosario crescer na segunda etapa. Conseguiu se recuperar novamente com a entrada do excelente Matheus Henrique, mas não a ponto mais de ameaçar o adversário argentino. No final, quase venceu com Jean Pyerre.

O Grêmio poderia ter feito mais porque tem qualidade para isso, deveria ter retornado ao Brasil com três pontos na bagagem.

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Oito jogos, 48 horas e muito futebol: Libertadores e três Champions Leagues no cardápio

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Com time reserva, Junior mantém invencibilidade na Colômbia, encerra marca negativa e se preserva para o Palmeiras

Gustavo Hofman
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Este é mais um texto da série #AssisteaíHofman. A cada final de semana, o fã de esportes escolhe um jogo para o comentarista assistir em enquete pelo Twitter

Junior venceu o Once Caldas fora de casa e agora recebe o Palmeiras pela Libertadores
Junior venceu o Once Caldas fora de casa e agora recebe o Palmeiras pela Libertadores Once Caldas

São oito jogos de invencibilidade no Campeonato Colombiano, com cinco vitórias e três empates. No sábado, mesmo com um time reserva, o Junior venceu o Once Caldas fora de casa por 1 a 0. De quebra, acabou com o jejum de vitórias contra o adversário, em Manizales, que durava pouco mais de sete anos.

Na próxima quarta-feira o atual campeão do Finalización recebe o Palmeiras, pela primeira rodada do grupo F da Libertadores da América.

Para 2019 a diretoria do Junior acertou a contratação do técnico colombiano Luis Fernando Suárez, que estava no La Equidad e comandou as seleções de Equador e Honduras nas Copas de 2006 e 2014, respectivamente. Ele substituiu o experiente uruguaio Julio Comesaña.

A opção no final de semana foi rodar o elenco e preservar os titulares para o confronto diante do Palmeiras - o experiente goleiro uruguaio Sebastián Viera, o meia chileno Matías Fernández e o polêmico atacante colombiano Teófilo Gutiérrez foram três exemplos de atletas que ficaram fora. O adversário de Manizales não tem bom início de temporada, então Suárez não arriscou tanto assim, e no final das contas, os 8.713 torcedores que foram ao estádio Palogrande se decepcionaram com a atuação dos mandantes.

Nos primeiros dez minutos, a posse de bola foi bem dividida, mas as chances de gol foram todas do Once Caldas - em duas oportunidades, incluindo uma bola no travesão em cobrança de falta. Porém, foi o Junior que abriu o placar aos 18 minutos: recuperação de bola no campo de defesa com Róger Torres, passe para a lateral com Fredy Hinestroza e avanço do jogador pelo lado, até inverter a jogada com Daniel Moreno, que cruzou para, justamente, Hinestroza marcar - primeiro gol pelo clube. Tudo muito rápido: 12 segundos para atravessar todo campo.

Taticamente o Junior tem o padrão tático do 4-4-2 na fase defensiva e variação de 4-2-3-1 para 4-4-1-1 quando ataca. O meia-central/segundo atacante com liberdade de movimentação contra o Once Caldas foi Torres, mas o titular é Fernández, com Gutiérrez na referência. 

Até marcar, o Junior conseguia ficar mais com a bola, apesar de oferecer oportunidades ao Once Caldas também. Depois que fez 1 a 0, porém, recuou e adotou uma postura mais reativa. Tanto é que, no final das contas, o destaque da partida foi o goleiro visitante.


No segunda tempo o panorama do jogo não mudou e a posse de bola ficou mais com os donos da casa. Coube ao Junior contra-atacar, e o fez constantemente e criando boas chances para marcar o segundo gol. Houve chances para os dois lados, mas nenhum gol mais foi anotado.

Assim, a má fase do Once Caldas permanece e se fortalece. São três derrotas nas quatro últimas rodadas, em uma temporada que já conta com a precoce eliminação na Copa Sul-Americana para o pequeno Deportivo Santaní, do Paraguai.

Once Caldas 0x1 Junior

Posse de bola: 55.6% x 44.4%
Finalizações/certas: 23/9 x 7/6
Faltas: 10 x 10
Impedimentos: 3 x 1

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Com time reserva, Junior mantém invencibilidade na Colômbia, encerra marca negativa e se preserva para o Palmeiras

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Estrelas, favoritos, novidades: o que você precisa saber sobre a temporada 2019 da MLS

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Pity Martínez, campeão da Libertadores com o River, agora é jogador do Atlanta United
Pity Martínez, campeão da Libertadores com o River, agora é jogador do Atlanta United MLS

A Major League Soccer inicia neste final de semana sua 24ª temporada e a maior de todas. Serão 24 times, com a inclusão do FC Cincinnati, divididos em duas conferências e que vão jogar entre si até outubro, quando conheceremos o vencedor da MLS Cup.

A cada ano o nível da competição melhora. Uma das últimas evidências foi o impacto positivo que o atacante paraguaio Miguel Almirón, campeão com o Atlanta United em 2018 e melhor jogador do torneio, causou no Newcastle na Premier League.

Reforços importantes chegaram para alguns clubes, técnicos renomados foram contratados e antigas estrelas permaneceram nos Estados Unidos. Uma mudança importante ocorreu no formato dos playoffs: agora os sete primeiros de cada conferência, Leste e Oeste, avançam, sendo que o primeiro ganha folga na primeira rodada e aguarda o vencedor do confronto entre o quarto e o quinto, enquanto segundo e sétimo e terceiro e sexto se enfrentam na outra chave.

Mais uma vez a MLS terá transmissão dos canais ESPN. 

ESTRELAS

Zlatan Ibrahimovic. Aos 37 anos, após marcar 22 gols e distribuir dez assistências em seu primeiro ano nos EUA, Ibra quer causar ainda mais impacto em 2019. Avisou que "já que estão falando que estou velho, quero quebrar todos os recordes da MLS nesta temporada". Não há motivos para duvidar que ele será um fator de desequilíbrio novamente para o LA Galaxy.

Assim como Wayne Rooney, que estreou tardiamente no ano passado, apenas em julho, e mesmo assim contribuiu com 12 gols, sete assistências e jogadas espetaculares, que culminaram em grande campanha do DC United. Entre os veteranos europeus há ainda Bastian Schweinsteiger, pelo Chicago Fire, mas com desempenho bem abaixo dos outros dois.

Nos últimos anos, porém, os clubes da Major League Soccer têm cada vez menos investido nesse perfil de atleta e buscado jogadores mais jovens, muitos sul-americanos. Sem Almirón, o atacante venezuelano Jozef Martínez, 25 anos, se torna o grande nome do Atlanta United na defesa do título. Ignacio Piatti não é mais garoto, mas aos 34 anos o argentino segue como um dos melhores da liga e comandando o Montreal Impact. Assim como o uruguaio Nicolás Lodeiro, ex-Boca, Corinthians e Botafogo, no Seattle Sounders, e o mexicano Carlos Vela, ex-Arsenal e Real Sociedad, no Los Angeles FC.

Por fim, entre os norte-americanos, o goleiro Zach Steffen é quem mais chama atenção. Já negociado com o Manchester City, abre a temporada com seu time, o Columbus Crew, mas pode ser emprestado pelo City a outro clube na metade do ano. Veteranos como Michael Bradley (Toronto FC) e Chris Wondolowski (San Jose Earthquakes) também merecem destaque.

NOVATOS

O Orlando City esteve muito próximo de contratar Diego, que no final recuou e optou por permanecer no Flamengo. O clube da Flórida foi, então, buscar um reforço de peso para, finalmente, se classificar para os playoffs. O português Nani, que estava no Sporting, foi o escolhido e assinou contrato por três temporadas. Aos 32 anos, terá a responsabilidade de ser o líder do Orlando na temporada.

Vai dividir as atenções entre os novatos com o argentino Pity Martínez, campeão e um dos melhores jogadores da última Libertadores da América pelo River Plate. Custou 13.2 milhões de euros, chega para substituir Almirón e formar grande parceria com Martínez.

Outro reforço para esta temporada da MLS é o mexicano Marco Fabián, de 29 anos, campeão da última Copa da Alemanha pelo Eintracht Frankfurt e um dos destaques da equipe na Bundesliga. Não chega para um grande time, o que aumenta sua responsabilidade no Philadelphia Union.

TÉCNICOS

Guillermo Barros Schelotto é o atual treinador do LA Galaxy
Guillermo Barros Schelotto é o atual treinador do LA Galaxy Alejandro Pagni/AFP/Getty

É inegável o impacto que teve nas duas últimas temporadas Tata Martino no comando do Atlanta United. Em 2017 foi vencedor da Conferência Leste e em 2018 ficou com o título da competição - isso nos dois primeiros anos de participação da equipe da Geórgia na MLS. Com isso, mais times foram buscar treinadores estrangeiros.

O substituto de Martino no Atlanta é o experiente Frank de Boer, ex-Ajax, Internazionale e Crystal Palace. O holandês tem a maior fama mundial, muito mais pela carreira de jogador, mas não é o único treinador que chega aos Estados Unidos com enorme expectativa. Afinal, o argentino Guillermo Barros Schelotto, vice-campeão da Libertadores com o Boca, comandará Ibrahimovic na Califórnia.

Quem deixou a liga foi Gregg Berhalter, que subiu para a seleção norte-americana e terá árduo trabalho de reformulação do time nos próximos anos. Para sua vaga, o Columbus Crew acertou com Caleb Porter, campeão com o Portland Timbers em 2015. Ainda entre os norte-americanos, Brad Friedel vai para sua segunda temporada como treinador de futebol, novamente à frente do New England Revolution. Mesma situação do espanhol Domènec Torrent, ex-assistente de Pep Guardiola, no New York City FC.

BRASILEIROS

Em campo, nenhum brasileiro tem grande destaque na MLS atualmente. Já fora... O Orlando City pertence ao empresário Flávio Augusto da Silva e tem em seu organograma diversos profissionais oriundos do Brasil. Nesta temporada contratou Ricardo Moreira, que trabalhava no Columbus Crew, para ser seu novo diretor de Scouting.

O FC Dallas tem André Zanotta como vice-presidente de Operações no Futebol, substituindo Luis Muzzi que foi para o Orlando, e Bruno Paschoalini, com experiência profissional nos Cowboys (NFL) e nos Mavericks (NBA), como Complex Supervisor há três anos. O time também tem o bom lateral-esquerdo Marquinhos Pedroso, ex-Figueirense, em sua segunda temporada de MLS, além do zagueiro Bressan, ex-Grêmio.

A lista completa de jogadores brasileiros é formada por Andre Shinyashiki (Colorado Rapids), Juninho (LA Galaxy), Danilo Silva (LAFC), Everton Luiz (Real Salt Lake), Judson (San Jose Earthquakes), Lucas Venuto, Felipe e PC (Vancouver Whitecaps), Marcelo (Chicago Fire), Artur e Robinho (Columbus Crew), Nicolas Firmino (New England Revolution), Ruan (Orlando City), Auro (Toronto FC) e por fim Sergio Santos, Carlos Miguel Coronel, Fabinho e Ilsinho (Philadelphia Union), totalizando 20.

FAVORITOS

Atlanta United, New York Red Bulls, Sporting Kansas City, Seattle Sounders e New York City FC encabeçam a lista dos favoritos, que nem são tão favoritos assim.

Há muitas dúvidas sobre o rendimento do Atlanta após a saída de Tata Martino e Miguel Almirón, apesar dos substitutos. Assim, não existe hoje um grande time na MLS, capaz de ser o super favorito. O Atlanta está na lista dos melhores, sem dúvida, mas tem companhia e adversários do mesmo nível.

Confira as probabilidades de título e classificação aos playoffs calculadas pelo FiveThirtyEight.

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Hulk e Oscar abrem a temporada na China com mais um título. Aliás, os dois mudariam o tamanho de qualquer time do Brasileirão

Gustavo Hofman
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Primeiro título da Supercopa da China para o Shanghai SIPG
Primeiro título da Supercopa da China para o Shanghai SIPG SIPG

O futebol chinês já virou realidade para o público brasileiro há alguns anos. Afinal, os clubes de lá costumam buscar reforços por aqui e atletas da seleção brasileira também atuam na China. Além de tudo isso, o Campeonato Chinês tem transmissão para o Brasil, e em 2019 será mais uma vez exibido pelos canais ESPN.

Feita a introdução "nariz de cera + calhau", vamos ao jogo.

No último sábado, Shanghai SIPG e Beijing Guoan abriram a temporada do futebol chinês neste ano com a disputa da Supercopa. O atual campeão nacional, Shanghai, bateu o último vencedor da Copa da China, Beijing, por 2 a 0, gols de Wang Shenchao e Lü Wenjun, e levantou o troféu da competição pela primeira vez. A partida aconteceu no Estádio Olímpico de Suzhou, região leste do país.

A equipe dos brasileiros Hulk, Oscar e Elkesson é comandada pelo português Vítor Pereira, ex-Porto, Olympiacos e Fenerbahçe, enquanto Renato Augusto, do outro lado, tem o excelente alemão Roger Schmidt, ex-Red Bull Salzburg e Bayer Leverkusen, como comandante.

Taticamente, as duas equipes são bem organizadas. O Shanghai atuou no 3-4-3 na fase ofensiva e marcava com linha de cinco defensores. É um time que joga em transição de maneira bastante eficiente, e que teve Oscar como um dos dois meias centrais, Hulk aberto pela esquerda e Elkesson como centroavante. Já o Beijing tem estilo oposto, preza pelo controle do jogo a partir da posse de bola. Jogou no 4-3-1-2, com Renato Augusto sendo um meia pela esquerda. A equipe de Pequim merecia mais sorte, e inclusive o goleiro Yan Junling, do Shanghai, foi eleito o melhor jogador em campo com defesas incríveis.

Yan Junling teve grande atuação e fechou o gol do Shaghai
Yan Junling teve grande atuação e fechou o gol do Shaghai SIPG

Assistir todos esses brasileiros em território chinês aguça a imaginação de vê-los em ação por aqui novamente. Elkesson é quem tem menos apelo, mas antes de se transferir para o Guangzhou Evergrande em 2013 se destacou por Vitória e Botafogo. Na China virou ídolo nacional e, se retornasse ao Brasileirão, ajudaria muitos times grandes.

Já a dupla Hulk e Oscar é fora e série. Os dois mudariam status de qualquer time brasileiro, principalmente o atacante paraibano. A potência de seus chutes seria suficiente para garantir diversas vitórias ao longo da temporada. Já o meia ex-São Paulo e Internacional possui talento acima da média, assim como um salário astronômico em território chinês e apenas 27 anos. Muito jovem ainda!

Por fim, Renato Augusto (31 anos), que quando foi negociado pelo Corinthians com o Beijing, era o principal jogador em atividade no Brasil. Ele arrumaria qualquer meio-campo, simples assim. No caso do Beijing, além de Renato, há ainda o espanhol Jonathan Viera - que atuou como o meia mais avançado, atrás dos dois atacantes - e o congolês Cédric Bakambu, que permanecem em Pequim. 

A temporada 2019 para o Shanghai SIPG - que significa Shangai International Port Group, empresa proprietário do clube - teve um baque antes de começar: a saída de Wu Lei. Ele foi o artilheiro do último chinesão com 27 gols, é o principal jogador da seleção e em janeiro deste ano foi negociado com o Espanyol por 2 milhões de euros. Vai fazer falta.

No final do jogo, o Shanghai teve que fazer duas substituições para atender a regra que exige três chineses sub-23, sendo um titular. Gerou cenas insólitas, com o Beijing tocando a bola e evitando que o jogo fosse interrompido nos acréscimos.

Shanghai SIPG 2x0 Beijing Guoan

Posse de bola: 39% x 61%
Finalizações/certas: 10/5 x 17/8
Passes/certos: 356/260 x 696/599
Aproveitamento nos passes: 73% x 86%

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Hulk e Oscar abrem a temporada na China com mais um título. Aliás, os dois mudariam o tamanho de qualquer time do Brasileirão

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Tática corinthiana e novo Pirlo chamam atenção na Série B italiana

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

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Times muito bem organizados em campo e duelo equilibrado no jogo Palermo x Brescia
Times muito bem organizados em campo e duelo equilibrado no jogo Palermo x Brescia Brescia Calcio

Assistir a Série B italiana é um exercício de amor à tática no futebol. 

O confronto entre Palermo e Brescia, que aconteceu na última sexta-feira, reuniu primeiro e segundo colocados na segunda divisão da Itália. Dois clubes tradicionais e com capacidade de investimento em estrangeiros.

Não esperava, naturalmente, um grande duelo técnico, e sim duas equipes muito bem organizadas em campo. Expectativa correspondida.

Os dois times atuaram no 4-3-2-1 com a bola. Quando tinham que marcar, faziam o combate com a segunda linha de três apenas e somente quando recuados ganhavam mais um atleta na marcação, justamente o 1 do esquema - o macedônio Aleksandar Trajkovski pelos donos da casa e o eslovaco Nikolas Spalek pelos visitantes.

Para trazer a nossa realidade, é algo muito parecido com o que tenta fazer Fabio Carille no Corinthians nesta temporada. Uma segunda linha de marcação que faz o primeiro combate com três jogadores e não quatro ou cinco. A diferença no caso corintiano é o meio-campista recuado ao invés de avançado.

Alertado pelo companheiro Leonardo Bertozzi, fui para o jogo com a devida atenção em Sandro Tonalli, meio-campista de 18 anos do Brescia e tratado por muitos como o "novo Andrea Pirlo".

Gostei do que vi (e vi mais um pouco depois, com vídeos de scout). Trata-se de um meia de muita qualidade com e sem a bola, preenche muito bem o espaço e é ótima na saída de jogo. Deve acontecer com ele o mesmo que passou com Marco Verratti, na época no Pescara: sairá diretamente da Série B para um grande time europeu.

Surpreendeu a decisão do técnico do Brescia, Eugenio Corini, de sacar do time titular o atacante Alfredo Donnarumma. Além de nada ter a ver com o goleiro do Milan, ele é também o artilheiro da equipe e da Série B com 21 gols em 22 partidas. 

O jogo teve pouquíssimas chances de gol, mas ao menos sobrou emoção no final. As duas únicas finalizações certas, uma para cada lado, resultaram em gols.

O primeiro aos 34 minutos da segunda etapa. Ilija Nestorovski, que entrara três minutos antes, anotou de cabeça, após escanteio de Trajkovski. O Palermo teve o controle de todo jogo, ao trabalhar bem a posse de bola, mas vacilou nos acréscimos. Já aos 47, Luca Tremolada, que tinha entrado pouco antes, acertou um chute incrível de fora da área. Tentou, na verdade, o cruzamento, mas a bola tomou um efeito inacreditável e encobriu o goleiro Alberto Brignoli.

Nesta temporada, excepcionalmente, somente 19 times disputam a Série B. Por problemas financeiros, Avellino, Bari e Cesena foram excluídos da competição. O Brescia segue na ponta com 43 pontos, seguido de perto pelo Palermo com um a menos.

E a campanha do representante da Sicília é surpreendente, dada a situação caótica envolvendo seus proprietários. Após a saída do polêmico Maurizio Zamparini, o grupo inglês de investimento que assumiu também foi embora e agora estão no comando Daniela De Angeli e Rino Foschi, em meio a diversas dúvidas sobre a saúde financeira do clube.

Palermo 1x1 Brescia

Posse de bola: 59.2% x 40.8%
Passes/certos: 472/393 x 260/193
Finalizações/certas: 15/1 x 8/1
Escanteios: 5 x 3
Bolas recuperadas/no campo adversário: 68/33 x 63/45
Faltas: 15 x 16

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Tática corinthiana e novo Pirlo chamam atenção na Série B italiana

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Maior clássico na Hungria teve confusão fora do estádio e emoção dentro de campo

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Clássico em Budapeste foi decidido no último lance
Clássico em Budapeste foi decidido no último lance Ujpest

Este é mais um texto da série #AssisteaíHofman. A cada final de semana, o fã de esportes escolhe um jogo para o comentarista assistir em enquete pelo Twitter

Ujpest e Ferencváros fazem um dos clássicos de maior rivalidade no Leste Europeu. São os dois clubes mais populares da Hungria e os jogos entre si em Budapeste mobilizam a cidade. No último sábado os dois rivais se enfrentaram pela 278a vez, e não faltaram problemas e emoção.

Contrariando a tendência, os húngaros ainda realizam grandes jogos com as duas torcidas. Só que, infelizmente, não têm conseguido controlar a violência também. O público não foi grande, 8719 torcedores, mas os visitantes - em ótimo número - no caminho até o acanhado Szusza Ferenc stadion, com capacidade para 14817 pessoas, não se limitaram apenas a torcer e arranjaram muita confusão com a polícia.

Este foi apenas o segundo final de semana de futebol na Hungria, após a pausa de inverno. Líder do campeonato, o Ferencváros venceu o Honved na rodada anterior, enquanto o Ujpest ficou no 0 a 0 com o Debrecen.

Em campo nenhum jogador conhecido internacionalmente, mas se o assunto é fama futebolística, no banco do Ferencváros há uma lenda do da região. Desde 22 de agosto, Serhiy Rebrov, ídolo do futebol ucraniano e eterno parceiro de Andriy Shevchenko, comanda os Zöld Sasok (Águias Verdes).

Rebrov montou seu time no 4-2-3-1, com variação defensiva para o 4-4-2 para encarar justamente o 4-4-2 do treinador rival, o sérvio Nebojsa Vignjevic.

Os visitantes começaram melhores, tocando mais a bola. Trata-se de um time mais experiente também, com jogadores da seleção húngara. Não demoraram para abrir o placar, e com um belo gol: aos 11 minutos, a defesa do Ujpest tentou a ligação direta e o Ferencváros desarmou. A partir daí e saindo do campo de defesa, foram seis toques, seis jogadores envolvidos e a finalização na pequena área de Roland Varga, completamente livre.

Apesar do golaço coletivo, o jogo em si não é técnico. Futebol de muita força, marcação e dedicação tática, mas com pouca criatividade dos atletas. Quem demonstrou mais talento foi o meia-atacante Dániel Nagy, de 27 anos, que atuou aberto pela esquerda. Quando era adolescente, foi contratado pelo Hamburgo, mas jamais teve uma chance no time principal alemão.

Depois que sofreram o gol, os Lilák (roxos, em húngaro) reagiram e ficaram pouco mais com a posse de bola, mas sem criarem tantas oportunidades. Ainda no primeiro tempo, a melhor chance de gol foi outra do Ferencváros.

Na segunda etapa o cenário de equilíbrio permaneceu, apesar de um pênalti não marcado para o Ujpest aos 35 minutos. As seis substituições foram feitas e as duas últimas merecem explicação maior.

Aos 37, Rebrov colocou em campo o zagueiro brasileiro Leandro de Almeida, 36 anos e há duas décadas atuando no futebol húngaro - jogou pela seleção da Hungria entre 2004 e 2015. Ele entrou em campo para ajudar a segurar a vitória por 1 a 0, mas quatro minutos depois de sua entrada, foi a vez Krisztian Simon ser o escolhido para a última troca, ao entrar no lugar de Nagy.

Já no último minuto de acréscimo, aos 48, o sistema defensivo do Ferencváros cometeu falha terrível. A bola foi levantada na área, passou por quase todo mundo e Gergo Lovrencsics, ao tentar cortar, cruzou novamente, desta vez para a pequena área, onde estava Simon. 

O resultado ampliou a vantagem do Ferencváros na liderança, após 20 rodadas (faltam 13), para nove pontos sobre o MOL Vidi (ex-Videoton), que perdeu na rodada para o Diosgyor.

Foi o empate de número 70 na história dos confrontos, com 131 vitórias para os verdes e brancos e 77 para os roxos. O clássico entre Ferencváros e Ujpest tem uma curiosidade internacional. Os dois clubes usam as mesmas cores de Rapid Viena e Austria Viena, respectivamente. Por conta disso, as torcidas são parceiras e, inclusive, ostentam bandeiras do aliado nos estádios.

O jogo, em si, não foi grande coisa tecnicamente, como já ressaltado alguns parágrafos acima. O clima no estádio, porém, foi muito legal. E aí está uma equação difícil de se resolver, já que os húngaros resistem aos clássicos de torcida única, mas não conseguem resolver o problema da violência desses torcedores. 

Ujpest 1x1 Ferencváros

Posse de bola: 54.4% x 45.6%
Finalizações/certas: 5/1 x 12/4
Passes/certos: 491/388 x 390/303
Aproveitamentos nos passes: 79% x 77.7%
Cruzamentos: 19 x 10
Recuperações de posse de bola: 62 x 73
Escanteios: 4 x 4
Faltas: 21 x 12

Fonte: Gustavo Hofman

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Maior clássico na Hungria teve confusão fora do estádio e emoção dentro de campo

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Novo brasileiro na MLS detém recorde absurdo na escola e é filho de um dos maiores palestrantes do país

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

André foi a quinta escolha do SuperDraft da MLS neste ano
André foi a quinta escolha do SuperDraft da MLS neste ano Colorado Rapids

Shinyashiki. O sobrenome de origem japonesa é bastante conhecido no Brasil, afinal, Roberto Shinyashiki é um dos principais palestrantes motivacionais do país e autor de livros que já venderam cerca de oito milhões de cópias em todo mundo. A partir de 2019, porém, o nome da família estará diretamente ligado ao futebol também. André Bava Shinyashiki, de 22 anos, quarto dos cinco filhos de Roberto, estará na Major League Soccer.

O jovem foi selecionado pelo Colorado Rapids, que pagou US$ 100 mil ao Chicago Fire e trocou a 15ª escolha pela quinta do SuperDraft da liga norte-americana para ficar com o brasileiro, e assinou seu primeiro contrato profissional. "Foi um dia incrível, realizar o sonho de se tornar jogador profissional. Não tenho nem como descrever, uma emoção muito grande, um dos dias mais felizes da minha vida", relembra o último 11 de janeiro, André. "Meu pai teve uma importância incrível. Sempre me apoiando, dando conselhos, mostrando os caminhos e ao mesmo tempo deixando eu ser quem eu era, sem querer interferir", completa.

No Brasil ele atuava pelo Pequeninos do Jóquei, time paulistano bastante tradicional na base e que já revelou muitos atletas, entre eles, o mais famoso foi Zé Roberto. Em 2013 teve a oportunidade de se transferir para a Montverde Academy, escola localizada na Flórida e conhecida pela excelência nos programas esportivos. Lá estão os melhores atletas escolares dos Estados Unidos nas mais diversas modalidades.

O objetivo, porém, não era ficar tanto tempo assim na América do Norte. "Sempre tive muito claro que eu queria ser jogador profissional de futebol, mas quando vim para os Estados Unidos não tinha a intenção de ficar aqui. Vim para ficar um ano só", explica. O sucesso foi maior do que qualquer um poderia imaginar, e André fez parte de um time histórico no high school norte-americano. Foram dois títulos nacionais e uma invencibilidade de 117 jogos.

"Montverde me preparou muito bem para o próximo nível, que era o universitário. Nosso time lá era sacanagem, 117 jogos sem perder, era uma coisa inimaginável, foi incrível o que aconteceu". No final das contas, a permanência nos Estados Unidos foi estendida e ele apareceu na lista dos 100 melhores atletas do país disponíves para as universidades.

Pela Universidade de Denver, André foi um dos destaques nacionais
Pela Universidade de Denver, André foi um dos destaques nacionais Denver Pioneers

A decisão aconteceu pela University of Denver, onde estudou e jogou por quatro anos (2015 a 2018). No Colorado pôde se formar em marketing e conciliar a carreira de atleta e o sonho de se tornar jogador. "A cada ano o time foi melhorando e evoluindo em Denver, o nível é altíssimo no futebol universitário nos Estados Unidos. Não é tão técnico como no Brasil, mas muito tático e físico. Eu me formei em marketing. Não é tão difícil se você sabe lidar com o tempo que tem. Se você não ficar indo muito para festa, saindo à noite, dá tempo de fazer tudo", explica André, que nesse período também passou pelo time sub-23 do Colorado Rapids.

Já como senior, em sua última temporada, o atacante brasileiro concorreu ao Hermann Trophy, prêmio dado ao melhor jogador de futebol universitário dos Estados Unidos. Não venceu a disputa, que ficou com Andrew Gutman, de Indiana, mas sabia que seu nome naturalmente apareceria do draft da MLS. No total, a carreira universitária pelo Denver teve 83 jogos, 51 gols e 15 assistências.

Nas últimas semanas conheceu a rotina profissional do Colorado Rapids e em breve estará em campo contra jogadores como Zlatan Ibrahimovic, Bastian Schweinsteiger e Michael Bradley. A agenda de seu pai, que trabalhou diretamente com o Comitê Olímpico Brasileiro nas Olimpíadas de 2000, está lotada de grandes eventos para 2019, mas certamente haverá espaço para alguns jogos de futebol no Dick's Sporting Goods Park, localizado no subúrbio de Denver.

"O ensinamento que meu pai me passou foi trabalhar mais do que os outros porque o talento é limitado, mas o quanto você trabalha não. Você pode trabalhar mais do que os outros, estar dia e noite determinado, trabalhando duro e corretamente, que é o trabalho inteligente".

Fonte: Gustavo Hofman

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Novo brasileiro na MLS detém recorde absurdo na escola e é filho de um dos maiores palestrantes do país

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Na Croácia, Dinamo Zagreb goleia, relembra história e segue com boas revelações em campo

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Goleada, estádio vazio e liderança absoluta
Goleada, estádio vazio e liderança absoluta Matija Habljak/Pixsell

Este é mais um texto da série #AssisteaíHofman. A cada final de semana, o fã de esportes escolhe um jogo para o comentarista assistir em enquete pelo Twitter

Confronto do primeiro colocado do Campeonato Croata contra o último. Líder com sobras, contra o lanterna disparado. Expectativa de goleada, certo? Sim, e confirmada. No domingo, sem dificuldades, o Dinamo Zagreb goleou o Rudes por 7 a 2, em jogo válido pela 19a rodada do Campeonato Croata, que retomou as atividades após a pausa de inverno.

A principal competição do país vice-campeão do mundo tem bom nível técnico. O Dinamo possui uma das melhores bases de toda Europa, revela muitos jogadores e os espalha por todo continente. Para citar alguns, da geração atual, temos Luka Modric, Mateo Kovacic, Milan Badelj, Dejan Lovren e Andrej Kramaric.

A Croácia é o segundo país que mais dá chances para jovens no futebol. Estudo realizado pelo CIES Football Observatory constatou que entre 2009 e 2017 os times da primeira divisão tiveram em média 32.5% de seus elencos formados por atletas da própria base.

Tecnicamente o confronto entre Dinamo e Rudes foi desigual, afinal, a diferença entre os clubes - estruturalmente e financeiramente - é muito grande. Taticamente, os donos da casa jogaram em um 4-3-3 na fase ofensiva e 4-1-4-1 na defensiva, empurrando o Rudes e seu 4-5-1 para o próprio campo.

Com dez minutos, a partida já estava bem encaminhada com 2 a 0 de vantagem para a equipe da capital. Em duas jogadas muito parecidas, inclusive; no primeiro gol, aos cinco, Mislav Orsic cruzou pela esquerda, a bola passou pelo centroavante Bruno Petkovic e Izet Hajrovic, fazendo a diagonal, apareceu na pequena área, de carrinho, para abrir o placar; no segundo gol, bola pela esquerda, novamente com Orsic e agora em tabela com Petkovic, que Amer Gojak finalizou bloqueado e Hajrovic, em bela meia-bicicleta, completou.

A transmissão croata merece um parágrafo. Eu imaginava uma narração relativamente vibrante, não como as sul-americanas, mas com um mínimo de emoção. Foi exatamente o contrário no caso específico deste jogo. O narrador da Arena Sport se limitou, o tempo todo, a contar o que estava acontecendo em campo, sem subir o tom em qualquer lance.

O terceiro gol, aos 19 minutos, teve polêmica. Aliás, não houve polêmica, e sim reclamação correta do Rudes. O lateral-direito Petar Stojanovic recebeu pela direita em completo e escandaloso impedimento, que não foi marcado; Cruzou na sequência para Petkovic marcar.

Para compensar, o Dinamo "resolveu" entregar um gol para o Rudes. Hajrovic voltou para ajudar na saída de bola e a entregou para Tomislav Strkalj tocar na saída do goleiro da seleção Dominik Livakovic.

Antes do intervalo, porém, os jovens meias Nikola Moro, 20, e Amer Gojak, 21, bósnio, construíram o quarto gol, com cruzamento do primeiro e finalização do segundo, para deixar tudo muito tranquilo.


A partida teve um público bem pequeno, apenas 2237 torcedores foram ao estádio Maksimir, que tem capacidade superior a 35 mil. O clube é o terceiro na média, com 4121, atrás de Hajduk Split (6560) e Rijeka (4785) até esta semana.

Na segunda etapa o quinto gol saiu aos 11, novamente com Orsic e agora com assistência de Gojak. O sexto foi um belo gol pela construção da jogada: roubo de bola no campo de defesa, cinco passes trocados e a finalização de Orsic, de novo, após belo belo corte dentro da área aos 15. E por fim, aos 20, Orsic completou seu hattrick.

A partir daí o jogo perdeu bastante intensidade. O Dinamo Zagreb, mesmo com as três alterações feitas pelo técnico Nenad Bieljca, diminuiu o ritmo e permitiu que o Rudes ficasse mais com a bola. Sofreu o segundo gol faltando 11 minutos para o fim, com Strkalj mais uma vez.

Houve um brasileiro em campo. O meia João Erick, ex-Sport, de apenas 20 anos, foi titular. Ele está no clube desde o início desta temporada.

Orsic, meia-atacante de 26 anos, que joga aberto pela esquerda, e Hajrovic, atacante bósnio de 27 anos, também de lado de campo, foram os destaques com três e dois gols, respectivamente. Moro e Gojak merecem atenção especial e observação maior pelo talento demonstrado. Os dois atuam na faixa central, à frente do primeiro meio-campista. O jogo em si foi bem jogado, com a bola no chão, por parte das duas equipes - e as estatísticas, no final deste texto, colaboram com essa análise.

Vale citar que o atacante espanhol Dani Olmo, de 20 anos e formado na base do Barcelona, considerado um dos mais talentosos do time, foi desfalque.

O Croatão tem dez times na primeira divisão, onde todos se enfrentam quatro vezes por temporada, totalizando 36 jogos para cada. Fundado em 1957, o Rudes (pronuncia-se Rudêsch) é um clube pequeno da Croácia, que na temporada passada jogou pela primeira vez em sua história na elite do futebol local - terminou na oitava colocação. Passadas 19 rodadas em 2018-19, apenas três pontos somados, nenhuma vitória e o rebaixamento já praticamente certo. Enquanto o Dinamo caminha tranquilamente para seu 20o título, com 14 pontos de vantagem sobre o Osijek.

Em seu Instagram, o Dinamo celebrou a goleada relembrando placares semelhantes na história do clube. Como um histórico 7 a 2 contra o Partizan Belgrado, ainda no período iugoslavo.

Dinamo Zagreb 7x2 Rudes

Posse de bola: 57.8% x 42.2%
Passes / certos: 578/499 x 305/228
Cruzamentos: 21 x 11
Lançamentos: 3 x 0
Aproveitamento nos passes: 86.3% x 74.8%
Finalizações/certas: 18/12 x 5/2
Escanteios: 3 x 1
Bolas recuperadas: 61 x 68
Faltas: 8 x 19

Fonte: Gustavo Hofman

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Na Croácia, Dinamo Zagreb goleia, relembra história e segue com boas revelações em campo

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Canadá cria sua Premier League e mira modelo europeu para 2026

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman


"Soccer" ou "Football". Ainda há confusão no Canadá sobre a forma como os canadenses se referem ao esporte mais popular do planeta e que cresce a cada ano no país, até mesmo pelas línguas faladas por lá. Enquanto os mais jovens usam a forma comum dos Estados Unidos, a enorme população de imigrantes e descendentes utiliza o termo comum em todo mundo.

A partir deste ano, todos os fãs de futebol em território canadense terão pela primeira vez uma liga profissional para acompanhar e a chance torcer por um time local do esporte bretão. Em abril começa a Canadian Premier League.

O projeto está sendo desenvolvido há alguns anos e em 2018 se fortaleceu e virou realidade. Serão sete times, que vão formar uma liga inspirada nos campeonatos europeus e não no modelo norte-americano. São clubes, não franquias; E se tudo avançar como os novos dirigentes pretendem, em breve a segunda divisão será criada, o que permitirá acesso e descenso. O Canadá é o único país de toda América que, ainda, não tem um campeonato nacional organizado.

"Vamos seguir o formato da Fifa. Conversei com empresários locais, os proprietários dos times, e na minha opinião estamos alinhados com o modelo europeu ou global. Vai levar um tempo, mas queremos ter em 2026, quando Estados Unidos, México e Canadá receberão a Copa do Mundo, uma segunda divisão. A ideia de rebaixamento e acesso traz outra emoção ao jogo", explica David Clanachan, comissário da CPL.

David Clanachan é quem toma as principais decisões da CPL
David Clanachan é quem toma as principais decisões da CPL CPL

A temporada inaugural terá sete times, de sete cidades diferentes espalhadas por todo país. A liga ainda não informou publicamente o formato da competição, mas adiantou à reportagem da ESPN que a temporada terminará em outubro e cada time disputará um total de 28 jogos - o que permite imaginar algumas formas de disputa.

TIME / Cidade, Estado
CAVALRY FC / Calgary, Alberta
FC EDMONTON / Edmonton, Alberta
FORGE FC / Hamilton, Ontario
HFX WANDERERS FC / Halifax, Nova Scotia
PACIFIC FC / Victoria, British Columbia
VALOUR FC / Winnipeg, Manitoba
YORK 9 FC / York Region, Ontario

Outro personagem importante na história da criação da nova liga é Victor Montagliani. Ele foi presidente da Federação Canadense de Futebol entre 2012 e 2017 e desde 2016, quando venceu a eleição na Concacaf, se tornou o máximo mandatário do futebol na América Central e do Norte. Montagliani agora será importante na busca pela vaga direta à Concachampions para o campeão da Canadian Premier League.

"Trabalhamos muito próximos à federação, é bom para eles termos um campeonato profissional. Eu uso a palavra 'parceiro', porque somos parceiros nesse negócio. Eles acreditam que é importante para o desenvolvimento do futebol no Canadá", completa Clanachan.

Vale ressaltar que os times canadenses que disputam a Major League Soccer - Toronto FC, Montreal Impact e Vancouver Whitecaps - não vão para a principal competição de clubes da região via Estados Unidos, mesmo conquistando o direito pelos campeonatos. Para isso, disputam o Canadian Championship, que na prática é a Copa do Canadá. Até então, apenas com times amadores do país, além do Edmonton, que já existia e jogava a antiga NASL, e do Ottawa Fury, da USL, também nos Estados Unidos.

Agora, com o surgimento da CPL, esse torneio eliminatório se tornará maior e mais competitivo, mas ainda com todo favoritismo dos times da MLS. "Será uma disputa curiosa, entre Davi e Golias", brinca Clanachan, ciente da grande diferença técnica que haverá.

Peneiras estão sendo feitas pelo Canadá nos últimos meses para ajudar na seleção de novos jogadores. Além disso, houve ainda um draft para atletas universitários em novembro do ano passado. No entanto, a maior qualidade para os times vem das contratações que estão sendo feitas.

Os jogadores da seleção do Canadá estão na MLS ou na Europa, como o atacante Cyle Larin que trocou a liga americana pelo Campeonato Turco, para defender o Besiktas. Estrangeiros já foram contratado por times da CPL, casos do sul-coreano Son Yong-chan, que estava na Índia, e vai jogar pelo Edmonton, e o sueco Simon Adjei, que trocou o Assyriska-SUE pelo York 9. Por enquanto, nenhum brasileiro.

A primeira temporada da CPL começa em abril deste ano
A primeira temporada da CPL começa em abril deste ano CPL

O lema da nova liga é "For canadians, by canadians" (Por canadenses, para canadenses), que explica o principal objetivo, como explica David Clanachan. "Desenvolver o futebol local, as pessoas, os jogadores, árbitros, dirigentes". Por isso a CPL terá a exigência de sempre seis jogadores canadenses, no mínimo, em campo, e limite de sete estrangeiros por clube.

Muitos jogadores canadenses que atuavam na Europa em clubes pequenos ou atletas que não tinham chances em equipes maiores estão retornando ao país. O jovem Tristan Borges, de 20 anos, estava nas equipes menores do Heerenveen-HOL e agora defende o Forge; Marcus Haber, de 29 anos e com passagens pela seleção, deixou o Dundee-ESC para se integrar ao Pacific; E tantos outros casos de jovens e experientes, que terão na CPL bem mais minutos em campo.

A expectativa da CPL é que, já em sua fase inicial, atraia bons públicos, é o que garante Clanachan. "Nós temos alguns belíssimos estádios usados na Canadian Football League, a liga canadense de futebol americano, com grande capacidade e estrutura. Alguns novos estádios também estão prontos. Nosso objetivo é ter média de 8 mil pessoas por jogos nos primeiros anos. Isso seria fantástico, é um objetivo pessoal que tenho".

O Canadá disputou uma única Copa do Mundo em toda história. Em 1986, a seleção sofreu três derrotas em três jogos, foi eliminada na primeira fase e terminou na última colocação do Mundial do México. Em 2026, deve ter vaga garantida, algo que será discutido ainda pela Fifa, mas gostaria de carimbar o passaporte já para 2022. A CPL, em todo esse processo evolutivo, certamente vai ajudar muito.

Fonte: Gustavo Hofman

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Canadá cria sua Premier League e mira modelo europeu para 2026

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Falha do goleiro marca clássico sul-africano no palco da final da Copa de 2010

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Clássico foi disputado pelo Campeonato Sul-Africano no último final de semana
Clássico foi disputado pelo Campeonato Sul-Africano no último final de semana Kaizer Chiefs

Este é mais um texto da série #AssisteaíHofman. A cada final de semana, o fã de esportes escolhe um jogo para o comentarista assistir em enquete pelo Twitter

O maior jogo de futebol na África do Sul é, sem dúvida, o clássico de Soweto entre Kaizer Chiefs e Orlando Pirates. Porém, nenhum dos dois rivais é o maior vencedor nacional. A honra cabe ao Mamelodi Sundowns, oito vezes vencedor da South African Premier Division.

No último sábado, o Mamelodi, de Pretória, viajou até a capital, Joanesburgo, para encarar os Chiefs. Partida importante para as duas equipes, pela 16a rodada, na tentativa de captura do líder isolado Bidwest Wits. Não há segredos quanto à fórmula da competição: 16 clubes, turno e returno, seguindo o calendário europeu.

O Mamelodi, por causa das cores de seu uniforme (camisas amarelas e shorts azuis, mas jogou com a vestimenta reserva, toda branca), é chamado de "Os Brasileiros", e tem como presidente um bilionário local, cuja fortuna é oriunda das minas sul-africanas, Patrice Motsepe. O clube foi campeão na última temporada e tem muitos estrangeiros no elenco, incluindo um brasileiro, o zagueiro baiano Ricardo Nascimento, de 31 anos, formado no Friburguense.

Do outro lado, o Kaizer Chiefs é o clube mais popular da África subsariana. Para quem não é tão ligado em futebol, Kaiser Chiefs (com "s" mesmo) na verdade é referência de pop e rock de ótima qualidade. A banda inglesa, de Leeds, leva o nome do clube porque Lucas Radebe, um dos grandes jogadores sul-africanos da história, começou no Kaizer e depois jogou por mais de dez anos no Leeds United. Como todos os jovens músicos são torcedores do Leeds e fãs de Radebe, a homenagem foi espontânea.

Em campo, o técnico alemão Ernst Middendorp, já há muito tempo trabalhando no futebol africano, escalou o Kaizer no 3-5-2, que virava um 5-3-2 na fase defensiva. Já seu adversário, Pitso Mosimane, treinador da África do Sul entre 2010 e 2012, mandou os Sundowns no 4-4-2.

O primeiro gol saiu rápido, logo aos três minutos. Após tabela, o liberiano Anthony Laffor driblou, sem querer, o zimbabuano Willard Katsande ao tentar dominar a bola e depois finalizaou, dentro da pequena área, para fazer 1 a 0 Mamelodi, que pouco ficava com a posse de bola. Ainda na etapa inicial, Katsande pôde se redimir: em cobrança lateral de falta, ele apareceu livre para cabecear de peixinho após desvio e empatar o jogo.

Durante toda primeira etapa o roteiro foi o mesmo. Pressão e posse do Kaizer, que perdeu algumas chances de gol, com o Mamelodi se defendendo e pouco contra-atacando.

Um detalhe absolutamente curioso: a arbitragem sul-africana veste camisas e meiões verdes fosforescentes e calções roxos. Parecem o Coringa.

Jogo foi bastante disputado e o Kaizer criou mais oportunidades
Jogo foi bastante disputado e o Kaizer criou mais oportunidades Kaizer Chiefs

A partida foi disputada no atual FNB Stadium, ex-Soccer City, e teve público superior a 46 mil pessoas (o anel superior nem foi aberto, afinal, lá cabem quase 95 mil). O estádio foi palco de um dos jogos mais emblemáticos na história das Copas, Uruguai 1x1 Gana, além é claro da final que consagrou a Espanha.

No intervalo, Middendorp fez duas alterações, alterou o sistema para uma linha com quatro defensores e manteve o Kaizer Chiefs no ataque. Só que o problema na finalização continuou, mesmo com as chances criadas, tanto é que, no final das contas, somente uma bola chegou ao alvo (e virou gol ainda). Do outro lado, o Mamelodi aumentou a posse de bola e, ao menos, começou a criar também, tanto é que acertou mais o gol do que os mandantes.

O bom jogo entre Chiefs e Sundowns teve um final dramático. Aos 36 da etapa final, o goleiro namíbio Virgil Vries, dos donos da casa, falhou feio após longo lançamento, perdeu o tempo da jogada e viu a bola saltar mais alto que imaginava. Lebohang Maboe aproveitou o erro do rival e tocou para o fundo do gol, vazio.

Com o resultado, o Mamelodi Sundowns permanece como o único invicto do Sul-Africanão, mas com muitos empates (sete), o que o deixa distante oito pontos do líder Bidwest. Com quatro pontos a menos e agora na oitava colocação, aparece o Kaizer Chiefs.

Por fim, uma última curiosidade.

Mamelodi foi um bairro criado pelo governo sul-africano durante o Apartheid, nos arredores de Pretória, e designado como apenas para negros em um dos períodos mais horríveis da história da humanidade, marcado pelo racismo. O termo "Mamelodi" era, na verdade, o apelido que o povo deu para o histórico ex-presidente Paul Kruger, que imitava som de passarinhos e por isso ganhou a alcunha de "Mother of melodies", ou Mamelodi.

Kaizer Chiefs 1x2 Mamelodi Sundowns

Finalizações/certas: 10/1 x 11/5
Escanteios: 5 x 3
Impedimentos: 6 x 3
Faltas: 8 x 6

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Falha do goleiro marca clássico sul-africano no palco da final da Copa de 2010

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Velho conhecido de torcidas brasileiras, Raja Casablanca segue em busca do título nacional, que não vem desde 2013

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

O Raja Casablanca é um dos clubes africanos mais conhecidos no Brasil. Corinthians em 2000 e Atlético em 2013 são os motivos. Assim, o clube marroquino venceu com ampla vantagem a enquete do #AssisteaíHofman no Twitter.

Raja Casablanca x Berkane
Raja Casablanca x Berkane Raja Casablanca

O calendário africano passa por grandes mudanças para se adequar ao europeu. Assim, os times que disputam as competições continentais estão com as semanas bastante preenchidas. No último domingo, em jogo atrasado da sexta rodada do Marroquinão, o Raja recebeu no modesto Stade Père-Jégo o Renaissance Sportive de Berkane, da cidade com o mesmo nome, localizada no nordeste do país.

 A última vez que o Raja se sagrou campeão nacional foi justamente na temporada 2012-13, o que lhe garantiu no Mundial de Clubes. De lá para cá venceu a Copa do Marrocos em 2017 e no início do derradeiro mês de 2018 bateu o Vita Club, do Congo, na decisão da CAF Confederation Cup, segunda competição em importância no continente - equivalente a Liga Europa e Copa Sul-Americana.

 O Raja, escalado pelo espanhol Juan Carlos Garrido, (ex-Villarreal, Betis e Brugge), entrou em campo na variação ofensiva/defensiva 4-3-3/4-1-4-1, enquanto o Berkane se armou no 4-3-1-2 com a bola e um 4-3-3 sem a bola, mas que muitas vezes tinha o recuo do bom meia-ofensivo Alain Traoré, de Burkina Faso e ex-Lorient-FRA.

Raja Casablanca x Berkane
Raja Casablanca x Berkane Raja Casablanca

 O jogo começou com os donos da casa tendo mais posse de bola, mas o Berkane tinha postura bastante ofensiva também. Os visitantes jogaram com linhas altas, pressionando a saída do Raja e, muitas vezes, recuperando a posse já no último terço de campo. Não à toa, criou as melhores chances nos primeiros 20 minutos.

 Depois, a situação piorou para o Raja, que não conseguia nem mais fazer a transição com a bola. Passou a ter menos posse e viu o Berkane dominar o primeiro tempo.

 Os jogadores marroquinos são, na média, técnicos. O jogo, portanto, é disputado mais com a bola no chão do que no alto. Basta conferir o baixo número de cruzamentos.

 A torcida do Raja não lotou o estádio, mas é muito participativa. Canta o tempo todo, e isso deixou o jogo com um clima bem legal - ao menos para mim.

 Após o descanso de intervalo, o roteiro da partida não mudou. Assim, no sexto minuto, o goleiro Anas Zniti cobrou tiro de meta e a bola foi rebatida pelo lateral-direito Omar Nemsaoui, do Berkane. Hamdi Laachir recuperou, avançou sozinho pela ponta direita e cruzou para o togolês Kodjo Fo Doh Laba fazer 1 a 0, com a defesa do Raja completamente desorganizada.

 Nos minutos seguintes os visitantes perderam pelo menos mais dois gols. Para complicar ainda mais a vida do Raja, aos 23 o zagueiro Badr Banoum foi expulso por carrinho violento em Laachir. Houve muita reclamação e o jogo ficou parado por cinco minutos.

 O Berkane seguiu perdendo gols, alguns incríveis, cara a cara com o goleiro. Assim, a regra universal mais famosa do futebol entrou em campo mais uma vez: quem não faz, toma (mas com muita polêmica).

 Depois de escanteio, aos 50 minutos, Mouhcine Iajour pegou de primeira e a bola tocou no braço de Nemsaoui, que estava de costas e tinha pulado para cortar o cruzamento, mas errou o tempo da bola. Mais confusão e aos 52,  Mahmoud Benhalib empatou.

 A Raja TV cobriu a partida e disponibilizou no YouTube um resumo.

O Campeonato Marroquino, chamado por lá de Botola, tem 16 times na primeira divisão e é disputado em turno e returno. Com o resultado, o Raja subiu para o sétimo lugar, com 16 pontos, sete a menos do que o grande rival Wydad Casablanca, mas ainda com jogos atrasados. O Berkane é o nono, com 15.

 Raja Casablanca 1x1 Berkane:

Posse de bola: 52.2% x 47.8%
Passes/certos: 287/223 x 280/221
Finalizações/certas: 9/4 x 19/8
Cruzamentos: 9x 19

Fonte: Gustavo Hofman

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Velho conhecido de torcidas brasileiras, Raja Casablanca segue em busca do título nacional, que não vem desde 2013

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Uma noite de Hunter Thompson em Liverpool às vésperas da Copa do Mundo

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Dias de coberturas em grandes eventos são longos. Aquele 3 de junho não fez parte da Copa do Mundo, mas era como se fizesse, afinal, o Brasil entraria em campo para enfrentar a Croácia no penúltimo amistoso antes do torneio.

Fomos antes à casa de uma família brasileira que vive nos arredores do mítico Anfield. Fomos convidados para um churrasco, que viraria parte da pauta. Na verdade, quem foi convidado foi o João Castelo Branco, que chegou com mais dois jornalistas na mala - este que vos escreve e Antonio Strini, repórter do site.

Lá conheci uma bebida gaseificada de limão siciliano que parecia refrigerante, mas não era oficialmente. Não pudemos aceitar as cervejas geladas, afinal, em pouco tempo estaríamos no ar, ao vivo, para todo Brasil e posteriormente nas arquibancadas para o trabalho. Bebi, gostei, balbuciei palavras de elogio e pouco tempo depois, mesmo sem nunca ter visto aquela bebida antes, sem conhecer seu nome, sem jamais ter pesquisado ou clicado em qualquer link dela, apareceu um post patrocinado da maldita em meu Instagram.

Comemos bem, churrasco brasileiro com carne boa e no ponto. Já não como mais carne mal passada como fazia antes, praticamente crua. Aliás, o futuro da humanidade é deixar de comer carnes, mas ainda não estamos preparados para a ausência de churrascos. Meu caso.

Seguimos para Anfield e no caminho entrevistamos brasileiros e croatas. Paramos em uma padaria de trabalho cooperativo da comunidade, que também fazia parte da pauta do João para a matéria do dia. Em uma cobertura assim, fazemos o ao vivo para toda programação, produzimos a matéria contando a história do dia, abastecemos todas redes sociais e nos divertimos muito.

Somente quem já foi a Liverpool deve conseguir descrever, ou tentar descrever, o que é o futebol naquela cidade. A região do estádio é simples, e ao redor dele estão diversos pubs, incluindo o bar onde toda história do Liverpool começou. A partida era entre seleções, mas o clima era espetacular - até mesmo o sol ajudou, algo raro por lá.

Um dos principais assuntos era o retorno de Philippe Coutinho à cidade após a negociação com o Barcelona. Diferentemente do que muitos de fora poderiam imaginar, não havia rancor, ódio ao brasileiro por parte dos reds. O clube é muito maior do que qualquer atleta, e este seguiu sua história depois de ter escrito belo capítulo na Inglaterra.

O jogo, bem, acho que todos se lembram. O Brasil venceu a Croácia por 2 a 0 e Neymar voltou a atuar, entrando no intervalo. Ele e Roberto Firmino, ou Bobby Firmino como os torcedores locais gritaram durante toda partida, marcaram os gols. A seleção brasileira caiu nas quartas de final da Copa e os croatas foram vice-campeões mundiais.

Normalmente, pós-jogo do Brasil é um caos. São muitos jornalistas, muita gente mesmo, e acaba virando bagunça. Em Anfield o local para a zona mista, onde os jogadores passam, não é grande. Na Premier League, não há tanta imprensa nessa situação pela falta de direitos. Daí quando aparece um Neymar ou um Philippe Coutinho vira uma montanha de pessoas com microfones e câmeras, dependendo da boa vontade de outras de banho tomado, cheirosas e nem sempre sorridentes. Ossos do ofício, de ambos lados. Já a coletiva, que aconteceu antes, foi tranquila com Tite, sem aglomerações.

Depois que acaba tudo isso fazemos mais entradas ao vivo. Explicações táticas, relatos do jogo em si, impressões de tudo que vimos e quem estava em casa ou no estúdio não pôde ver, enfim, fechamos a conta. Ou quase.

Aí começa o terceiro turno de trabalho.

Estávamos hospedados em um simpático hotel chamado Beech Mount, relativamente perto do estádio. De acordo com o site dele, possui arquitetura vitoriana. A rua era tranquila, transversal a uma grande avenida e com um McDonald's na esquina. Bem na frente havia uma academia pequena, bem com cara de local. Poucas pessoas circulando por ali durante o dia.

O gerente era extremamente simpático, e o João insistia que ele era muito parecido com um personagem de Breaking Bad, o Gus, dono da rede Pollos Hermanos. Na noite anterior, o alarme de incêndio tocou e o João desceu desesperado para a recepção. Conversou com o nosso amigo gerente que, tranquilamente, informou que não devia ser nada, no máximo clientes fumando no quarto e desligou o alarme.

Os quartos eram confortáveis e simples, mas com péssima internet. Ou seja, impossíveis para quem precisava trabalhar com envio de dados.

Começo de noite, redação improvisada, gravação do podcast
Começo de noite, redação improvisada, gravação do podcast Arquivo pessoal

Depois da vitória brasileira, voltamos ao hotel e montamos uma espécie de redação no restaurante, localizado no térreo, ao lado do bar. Lá a internet era boa e a cerveja gelada. Eu tinha que escrever meu relato do jogo para o blog; o Tonhão precisava fechar as matérias para o site; e o João tinha que finalizar a edição do VT para o SportsCenter, além de gravarmos para o podcast também. E ainda chamamos os colegas Ulisses Neto (Jovem Pan), Fred Caldeira (Esporte Interativo) e Caio Carrieri (UOL) para seguirem conosco até a nossa improvisada redação.

O filho de um amigo, que mora em Manchester, foi até Liverpool para assistir o jogo e depois nos acompanhou nas primeira horas daquela madrugada. Fico aliviado que ele tenha ido embora para a estação de trem antes das cenas de Medo e Delírio que dominaram o local.

À medida que o tempo avançava, cada um de nós finalizava o trabalho. Baldes com Becks apareciam na mesma proporção na mesa. Estranhamente, o bar começava a ficar bem lotado também. Pessoas fantasiadas, homens e mulheres com as mais variadas vestimentas, todos muito alegres. Senhores ficavam nas máquinas de apostas e do lado de fora irlandeses bebiam em mesas, onde mais cedo acompanharam o mundial de dardos.

A graduação alcoólica de todos não parava de subir. Todos os computadores já tinham sido desligados e a interação com os demais hóspedes e visitantes já era intensa. A movimentação no bar era grande, mas seguimos para o bilhar. Os laptops passaram a funcionar como caixas de som. Música brasileira, lógico, e pelo que me lembro, sertaneja.

"Crash"!

Um estrondo vindo do bar. Fomos até lá. Uma mulher, já bem alterada, jogou um copo de vidro no Gus, e felizmente errou. Arremessou na verdade tudo que ela viu pela frente no balcão. Não é fácil entender o inglês do norte da Inglaterra, e naquela situação geral, mais ainda. Aos poucos fomos descobrindo que, na verdade, estávamos em um hotel localizado em um digníssimo bairro de meretrizes e que aquele bar era, digamos, um ponto de encontro de tudo e todos. E os quartos estações de trabalho.

A confusão continuou porque ela não estava sozinha, mas no final das contas foi levada embora por outros. Enquanto isso, já tínhamos nos tornado os melhores amigos de um torcedor do Liverpool que insistia em pagar Sambucas para todos nós. Que bebida horrível.

Esse é o cidadão das Sambucas
Esse é o cidadão das Sambucas Arquivo pessoal

Não citarei o nome, porque ele prometeu nos matar se contássemos sua história. Seu primo foi um dos 96 mortos no desastre de Hillsborough, e por isso ele odeia a imprensa - graças às mentiras contadas pelo The Sun. Assim a noite seguia, entre ameaças dele, declarações de amor a todos nós, vídeos cantando músicas do Liverpool e muitas Sambucas e cervejas.

A madrugada já estava alta. De repente, barulho nas janelas. Zumbis apareceram e começaram a gritar e socar as janelas para as portas serem abertas. Na verdade, não havia portas fechadas, mas eles não tinham condição de perceber isso e insistiam para deixarem-nos entrar. O João conseguiu se comunicar com eles e mostrar o caminho da entrada. Eram amigos da mulher que já tinha ido embora há muito tempo.

Em meio a tudo isso, o garçom que nos atendera no dia anterior no restaurante do hotel apareceu. Não para trabalhar, mas sim para beber. Ainda mais. Com os olhos completamente trincados, insistia em negociar produtos ilícitos.

Não tenho ideia sobre o horário em que tudo acabou. Ou que a bebida parou de ser fornecida. Gus, ou Pollos Hermanos, atuou como o secretário geral da ONU em toda confusão. Paciente, calmo, conhecendo tudo e todos que estavam ali, como se não fosse a primeira vez. Certamente nem imagina que nos forneceu uma noite de Hunter Thompson e muitas histórias.

Fonte: Gustavo Hofman

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Uma noite de Hunter Thompson em Liverpool às vésperas da Copa do Mundo

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