Processo migratório, utilização da base e trocas na temporada: futebol europeu mudou drasticamente nos últimos dez anos

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Bayern foi o clube que menos contratou jogadores nos últimos dez anos na elite europeia
Bayern foi o clube que menos contratou jogadores nos últimos dez anos na elite europeia GettyImages

Enquanto países optam por fechar fronteiras e recusar imigrantes, o futebol europeu segue o caminho contrário. Cada vez mais as principais ligas nacionais do continente estão internacionais e investindo mais em contratações. Isso tem gerado, também, o aproveitamento menor da base em algumas competições.

O CIES Football Observatory divulgou nesta quarta-feira levantamento estatístico sobre os últimos dez anos de 31 campeonatos de primeira divisão na Europa. Três itens foram analisados entre 2009 e 2018: treinamento (garotos revelados pelo clube), migração (atletas expatriados) e mobilidade (jogadores que mudaram de time durante o mesmo ano).

São considerados revelações os atletas que, entre 15 e 21 anos, passaram pelo menos três temporadas na mesma equipe. A data limite para o término do estudo foi 31 de outubro, ou seja, foram considerados os elencos até esse dia no mês passado. E, por fim, para entrar na conta, o jogador precisava ter atuado em pelo menos uma partida do campeonato nacional na temporada atual ou nas duas anteriores.

Para comparar regiões, a Europa foi dividida no estudo em cinco grandes áreas de análise:

NORTE
Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia

CENTRO
Áustria, Croácia, Eslováquia, Eslovênia, Hungria, Polônia, República Tcheca e Sérvia

LESTE
Belarus, Bulgária, Romênia, Rússia e Ucrânia

SUL
Chipre, Espanha, Grécia, Portugal, Israel, Itália e Turquia

OESTE
Alemanha, Bélgica, Escócia, França, Holanda, Inglaterra e Suíça

Em 2009, 23.2% dos elencos analisados tinham jogadores revelados no próprio clube; Esse índice caiu para 16.9% neste ano. O norte da Europa segue, desde o início, como a região onde os jovens têm mais oportunidades de estrear no time profissional, mas também sofreu redução: 30.7% para 21.9%. Já no sul, os índices são os menores: 16.7% e 21.8%, respectivamente.

A Liga ha'Al, em Israel, é a qual mais utiliza a base na atualidade com 28%. Já a Serie A, na Itália, tem o irrisório número de 7.4%.

Seguindo caminho proporcionalmente contrário, a migração cresceu no geral de 34.7% para 41.5%. Jogadores expatriados são considerados aqueles que se tornam profissionais no mesmo clube revelador. Isso evita que um ucraniano, por exemplo, desenvolvido e revelado por um clube inglês, entre nesse ranking.

No sul estão os clubes que mais têm atletas expatriados em seus elencos, com 51.8% na atualidade. Há dez anos, a marca era de 44.2% e era menor que no oeste (45.7%). É importante ressaltar que esse movimento de aumento ocorre por causa da migração de europeus, que subiu de 58.5% para 65.5%, reduzindo de sul-americanos e asiáticos, por exemplo.

Em nove das 31 ligas nacionais analisadas havia em 31 de outubro deste ano mais expatriados do que atletas locais, incluindo Alemanha, Inglaterra e Itália. A Premier League é a segunda no ranking continental com 62.7%, atrás apenas do Chipre (66.2%).

Para encerrar o levantamento, o percentual de contratações feitas pelo clube no mesmo ano, algo totalmente condicionado aos itens anteriores.

Neste ano, 44.4% dos elencos foram formados com jogadores que chegaram de fora do clube, 0.6% a menos que em 2017, mas 7.3% acima de 2009. Se analisada a média desse período, em 2018 tivemos 27 dos 31 campeonatos nacionais com índice superior.

Diferentemente do que muitos podem imaginar, os clubes que lideram essa estatística não são os mais poderosos. Afinal, eles podem dar estabilidade a um elenco e contratar jogadores pontuais - e pagar muito caro, naturalmente. Por isso, Bayern (76), Real Madrid e Barcelona ocupam a parte de baixo dessa tabela, com o IK Istra, da Croácia, no topo com incríveis 178 contratações nos últimos dez anos.

Confira o estudo completo do CIES Football Observatory.

Fonte: Gustavo Hofman

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Estrelas, favoritos, novidades: o que você precisa saber sobre a temporada 2019 da MLS

Gustavo Hofman
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Pity Martínez, campeão da Libertadores com o River, agora é jogador do Atlanta United
Pity Martínez, campeão da Libertadores com o River, agora é jogador do Atlanta United MLS

A Major League Soccer inicia neste final de semana sua 24ª temporada e a maior de todas. Serão 24 times, com a inclusão do FC Cincinnati, divididos em duas conferências e que vão jogar entre si até outubro, quando conheceremos o vencedor da MLS Cup.

A cada ano o nível da competição melhora. Uma das últimas evidências foi o impacto positivo que o atacante paraguaio Miguel Almirón, campeão com o Atlanta United em 2018 e melhor jogador do torneio, causou no Newcastle na Premier League.

Reforços importantes chegaram para alguns clubes, técnicos renomados foram contratados e antigas estrelas permaneceram nos Estados Unidos. Uma mudança importante ocorreu no formato dos playoffs: agora os sete primeiros de cada conferência, Leste e Oeste, avançam, sendo que o primeiro ganha folga na primeira rodada e aguarda o vencedor do confronto entre o quarto e o quinto, enquanto segundo e sétimo e terceiro e sexto se enfrentam na outra chave.

Mais uma vez a MLS terá transmissão dos canais ESPN. 

ESTRELAS

Zlatan Ibrahimovic. Aos 37 anos, após marcar 22 gols e distribuir dez assistências em seu primeiro ano nos EUA, Ibra quer causar ainda mais impacto em 2019. Avisou que "já que estão falando que estou velho, quero quebrar todos os recordes da MLS nesta temporada". Não há motivos para duvidar que ele será um fator de desequilíbrio novamente para o LA Galaxy.

Assim como Wayne Rooney, que estreou tardiamente no ano passado, apenas em julho, e mesmo assim contribuiu com 12 gols, sete assistências e jogadas espetaculares, que culminaram em grande campanha do DC United. Entre os veteranos europeus há ainda Bastian Schweinsteiger, pelo Chicago Fire, mas com desempenho bem abaixo dos outros dois.

Nos últimos anos, porém, os clubes da Major League Soccer têm cada vez menos investido nesse perfil de atleta e buscado jogadores mais jovens, muitos sul-americanos. Sem Almirón, o atacante venezuelano Jozef Martínez, 25 anos, se torna o grande nome do Atlanta United na defesa do título. Ignacio Piatti não é mais garoto, mas aos 34 anos o argentino segue como um dos melhores da liga e comandando o Montreal Impact. Assim como o uruguaio Nicolás Lodeiro, ex-Boca, Corinthians e Botafogo, no Seattle Sounders, e o mexicano Carlos Vela, ex-Arsenal e Real Sociedad, no Los Angeles FC.

Por fim, entre os norte-americanos, o goleiro Zach Steffen é quem mais chama atenção. Já negociado com o Manchester City, abre a temporada com seu time, o Columbus Crew, mas pode ser emprestado pelo City a outro clube na metade do ano. Veteranos como Michael Bradley (Toronto FC) e Chris Wondolowski (San Jose Earthquakes) também merecem destaque.

NOVATOS

O Orlando City esteve muito próximo de contratar Diego, que no final recuou e optou por permanecer no Flamengo. O clube da Flórida foi, então, buscar um reforço de peso para, finalmente, se classificar para os playoffs. O português Nani, que estava no Sporting, foi o escolhido e assinou contrato por três temporadas. Aos 32 anos, terá a responsabilidade de ser o líder do Orlando na temporada.

Vai dividir as atenções entre os novatos com o argentino Pity Martínez, campeão e um dos melhores jogadores da última Libertadores da América pelo River Plate. Custou 13.2 milhões de euros, chega para substituir Almirón e formar grande parceria com Martínez.

Outro reforço para esta temporada da MLS é o mexicano Marco Fabián, de 29 anos, campeão da última Copa da Alemanha pelo Eintracht Frankfurt e um dos destaques da equipe na Bundesliga. Não chega para um grande time, o que aumenta sua responsabilidade no Philadelphia Union.

TÉCNICOS

Guillermo Barros Schelotto é o atual treinador do LA Galaxy
Guillermo Barros Schelotto é o atual treinador do LA Galaxy Alejandro Pagni/AFP/Getty

É inegável o impacto que teve nas duas últimas temporadas Tata Martino no comando do Atlanta United. Em 2017 foi vencedor da Conferência Leste e em 2018 ficou com o título da competição - isso nos dois primeiros anos de participação da equipe da Geórgia na MLS. Com isso, mais times foram buscar treinadores estrangeiros.

O substituto de Martino no Atlanta é o experiente Frank de Boer, ex-Ajax, Internazionale e Crystal Palace. O holandês tem a maior fama mundial, muito mais pela carreira de jogador, mas não é o único treinador que chega aos Estados Unidos com enorme expectativa. Afinal, o argentino Guillermo Barros Schelotto, vice-campeão da Libertadores com o Boca, comandará Ibrahimovic na Califórnia.

Quem deixou a liga foi Gregg Berhalter, que subiu para a seleção norte-americana e terá árduo trabalho de reformulação do time nos próximos anos. Para sua vaga, o Columbus Crew acertou com Caleb Porter, campeão com o Portland Timbers em 2015. Ainda entre os norte-americanos, Brad Friedel vai para sua segunda temporada como treinador de futebol, novamente à frente do New England Revolution. Mesma situação do espanhol Domènec Torrent, ex-assistente de Pep Guardiola, no New York City FC.

BRASILEIROS

Em campo, nenhum brasileiro tem grande destaque na MLS atualmente. Já fora... O Orlando City pertence ao empresário Flávio Augusto da Silva e tem em seu organograma diversos profissionais oriundos do Brasil. Nesta temporada contratou Ricardo Moreira, que trabalhava no Columbus Crew, para ser seu novo diretor de Scouting.

O FC Dallas tem André Zanotta como vice-presidente de Operações no Futebol, substituindo Luis Muzzi que foi para o Orlando, e Bruno Paschoalini, com experiência profissional nos Cowboys (NFL) e nos Mavericks (NBA), como Complex Supervisor há três anos. O time também tem o bom lateral-esquerdo Marquinhos Pedroso, ex-Figueirense, em sua segunda temporada de MLS, além do zagueiro Bressan, ex-Grêmio.

A lista completa de jogadores brasileiros é formada por Andre Shinyashiki (Colorado Rapids), Juninho (LA Galaxy), Danilo Silva (LAFC), Everton Luiz (Real Salt Lake), Judson (San Jose Earthquakes), Lucas Venuto, Felipe e PC (Vancouver Whitecaps), Marcelo (Chicago Fire), Artur e Robinho (Columbus Crew), Nicolas Firmino (New England Revolution), Ruan (Orlando City), Auro (Toronto FC) e por fim Sergio Santos, Carlos Miguel Coronel, Fabinho e Ilsinho (Philadelphia Union), totalizando 20.

FAVORITOS

Atlanta United, New York Red Bulls, Sporting Kansas City, Seattle Sounders e New York City FC encabeçam a lista dos favoritos, que nem são tão favoritos assim.

Há muitas dúvidas sobre o rendimento do Atlanta após a saída de Tata Martino e Miguel Almirón, apesar dos substitutos. Assim, não existe hoje um grande time na MLS, capaz de ser o super favorito. O Atlanta está na lista dos melhores, sem dúvida, mas tem companhia e adversários do mesmo nível.

Confira as probabilidades de título e classificação aos playoffs calculadas pelo FiveThirtyEight.

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Hulk e Oscar abrem a temporada na China com mais um título. Aliás, os dois mudariam o tamanho de qualquer time do Brasileirão

Gustavo Hofman
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Primeiro título da Supercopa da China para o Shanghai SIPG
Primeiro título da Supercopa da China para o Shanghai SIPG SIPG

O futebol chinês já virou realidade para o público brasileiro há alguns anos. Afinal, os clubes de lá costumam buscar reforços por aqui e atletas da seleção brasileira também atuam na China. Além de tudo isso, o Campeonato Chinês tem transmissão para o Brasil, e em 2019 será mais uma vez exibido pelos canais ESPN.

Feita a introdução "nariz de cera + calhau", vamos ao jogo.

No último sábado, Shanghai SIPG e Beijing Guoan abriram a temporada do futebol chinês neste ano com a disputa da Supercopa. O atual campeão nacional, Shanghai, bateu o último vencedor da Copa da China, Beijing, por 2 a 0, gols de Wang Shenchao e Lü Wenjun, e levantou o troféu da competição pela primeira vez. A partida aconteceu no Estádio Olímpico de Suzhou, região leste do país.

A equipe dos brasileiros Hulk, Oscar e Elkesson é comandada pelo português Vítor Pereira, ex-Porto, Olympiacos e Fenerbahçe, enquanto Renato Augusto, do outro lado, tem o excelente alemão Roger Schmidt, ex-Red Bull Salzburg e Bayer Leverkusen, como comandante.

Taticamente, as duas equipes são bem organizadas. O Shanghai atuou no 3-4-3 na fase ofensiva e marcava com linha de cinco defensores. É um time que joga em transição de maneira bastante eficiente, e que teve Oscar como um dos dois meias centrais, Hulk aberto pela esquerda e Elkesson como centroavante. Já o Beijing tem estilo oposto, preza pelo controle do jogo a partir da posse de bola. Jogou no 4-3-1-2, com Renato Augusto sendo um meia pela esquerda. A equipe de Pequim merecia mais sorte, e inclusive o goleiro Yan Junling, do Shanghai, foi eleito o melhor jogador em campo com defesas incríveis.

Yan Junling teve grande atuação e fechou o gol do Shaghai
Yan Junling teve grande atuação e fechou o gol do Shaghai SIPG

Assistir todos esses brasileiros em território chinês aguça a imaginação de vê-los em ação por aqui novamente. Elkesson é quem tem menos apelo, mas antes de se transferir para o Guangzhou Evergrande em 2013 se destacou por Vitória e Botafogo. Na China virou ídolo nacional e, se retornasse ao Brasileirão, ajudaria muitos times grandes.

Já a dupla Hulk e Oscar é fora e série. Os dois mudariam status de qualquer time brasileiro, principalmente o atacante paraibano. A potência de seus chutes seria suficiente para garantir diversas vitórias ao longo da temporada. Já o meia ex-São Paulo e Internacional possui talento acima da média, assim como um salário astronômico em território chinês e apenas 27 anos. Muito jovem ainda!

Por fim, Renato Augusto (31 anos), que quando foi negociado pelo Corinthians com o Beijing, era o principal jogador em atividade no Brasil. Ele arrumaria qualquer meio-campo, simples assim. No caso do Beijing, além de Renato, há ainda o espanhol Jonathan Viera - que atuou como o meia mais avançado, atrás dos dois atacantes - e o congolês Cédric Bakambu, que permanecem em Pequim. 

A temporada 2019 para o Shanghai SIPG - que significa Shangai International Port Group, empresa proprietário do clube - teve um baque antes de começar: a saída de Wu Lei. Ele foi o artilheiro do último chinesão com 27 gols, é o principal jogador da seleção e em janeiro deste ano foi negociado com o Espanyol por 2 milhões de euros. Vai fazer falta.

No final do jogo, o Shanghai teve que fazer duas substituições para atender a regra que exige três chineses sub-23, sendo um titular. Gerou cenas insólitas, com o Beijing tocando a bola e evitando que o jogo fosse interrompido nos acréscimos.

Shanghai SIPG 2x0 Beijing Guoan

Posse de bola: 39% x 61%
Finalizações/certas: 10/5 x 17/8
Passes/certos: 356/260 x 696/599
Aproveitamento nos passes: 73% x 86%

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Tática corinthiana e novo Pirlo chamam atenção na Série B italiana

Gustavo Hofman
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Times muito bem organizados em campo e duelo equilibrado no jogo Palermo x Brescia
Times muito bem organizados em campo e duelo equilibrado no jogo Palermo x Brescia Brescia Calcio

Assistir a Série B italiana é um exercício de amor à tática no futebol. 

O confronto entre Palermo e Brescia, que aconteceu na última sexta-feira, reuniu primeiro e segundo colocados na segunda divisão da Itália. Dois clubes tradicionais e com capacidade de investimento em estrangeiros.

Não esperava, naturalmente, um grande duelo técnico, e sim duas equipes muito bem organizadas em campo. Expectativa correspondida.

Os dois times atuaram no 4-3-2-1 com a bola. Quando tinham que marcar, faziam o combate com a segunda linha de três apenas e somente quando recuados ganhavam mais um atleta na marcação, justamente o 1 do esquema - o macedônio Aleksandar Trajkovski pelos donos da casa e o eslovaco Nikolas Spalek pelos visitantes.

Para trazer a nossa realidade, é algo muito parecido com o que tenta fazer Fabio Carille no Corinthians nesta temporada. Uma segunda linha de marcação que faz o primeiro combate com três jogadores e não quatro ou cinco. A diferença no caso corintiano é o meio-campista recuado ao invés de avançado.

Alertado pelo companheiro Leonardo Bertozzi, fui para o jogo com a devida atenção em Sandro Tonalli, meio-campista de 18 anos do Brescia e tratado por muitos como o "novo Andrea Pirlo".

Gostei do que vi (e vi mais um pouco depois, com vídeos de scout). Trata-se de um meia de muita qualidade com e sem a bola, preenche muito bem o espaço e é ótima na saída de jogo. Deve acontecer com ele o mesmo que passou com Marco Verratti, na época no Pescara: sairá diretamente da Série B para um grande time europeu.

Surpreendeu a decisão do técnico do Brescia, Eugenio Corini, de sacar do time titular o atacante Alfredo Donnarumma. Além de nada ter a ver com o goleiro do Milan, ele é também o artilheiro da equipe e da Série B com 21 gols em 22 partidas. 

O jogo teve pouquíssimas chances de gol, mas ao menos sobrou emoção no final. As duas únicas finalizações certas, uma para cada lado, resultaram em gols.

O primeiro aos 34 minutos da segunda etapa. Ilija Nestorovski, que entrara três minutos antes, anotou de cabeça, após escanteio de Trajkovski. O Palermo teve o controle de todo jogo, ao trabalhar bem a posse de bola, mas vacilou nos acréscimos. Já aos 47, Luca Tremolada, que tinha entrado pouco antes, acertou um chute incrível de fora da área. Tentou, na verdade, o cruzamento, mas a bola tomou um efeito inacreditável e encobriu o goleiro Alberto Brignoli.

Nesta temporada, excepcionalmente, somente 19 times disputam a Série B. Por problemas financeiros, Avellino, Bari e Cesena foram excluídos da competição. O Brescia segue na ponta com 43 pontos, seguido de perto pelo Palermo com um a menos.

E a campanha do representante da Sicília é surpreendente, dada a situação caótica envolvendo seus proprietários. Após a saída do polêmico Maurizio Zamparini, o grupo inglês de investimento que assumiu também foi embora e agora estão no comando Daniela De Angeli e Rino Foschi, em meio a diversas dúvidas sobre a saúde financeira do clube.

Palermo 1x1 Brescia

Posse de bola: 59.2% x 40.8%
Passes/certos: 472/393 x 260/193
Finalizações/certas: 15/1 x 8/1
Escanteios: 5 x 3
Bolas recuperadas/no campo adversário: 68/33 x 63/45
Faltas: 15 x 16

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Maior clássico na Hungria teve confusão fora do estádio e emoção dentro de campo

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Clássico em Budapeste foi decidido no último lance
Clássico em Budapeste foi decidido no último lance Ujpest

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Ujpest e Ferencváros fazem um dos clássicos de maior rivalidade no Leste Europeu. São os dois clubes mais populares da Hungria e os jogos entre si em Budapeste mobilizam a cidade. No último sábado os dois rivais se enfrentaram pela 278a vez, e não faltaram problemas e emoção.

Contrariando a tendência, os húngaros ainda realizam grandes jogos com as duas torcidas. Só que, infelizmente, não têm conseguido controlar a violência também. O público não foi grande, 8719 torcedores, mas os visitantes - em ótimo número - no caminho até o acanhado Szusza Ferenc stadion, com capacidade para 14817 pessoas, não se limitaram apenas a torcer e arranjaram muita confusão com a polícia.

Este foi apenas o segundo final de semana de futebol na Hungria, após a pausa de inverno. Líder do campeonato, o Ferencváros venceu o Honved na rodada anterior, enquanto o Ujpest ficou no 0 a 0 com o Debrecen.

Em campo nenhum jogador conhecido internacionalmente, mas se o assunto é fama futebolística, no banco do Ferencváros há uma lenda do da região. Desde 22 de agosto, Serhiy Rebrov, ídolo do futebol ucraniano e eterno parceiro de Andriy Shevchenko, comanda os Zöld Sasok (Águias Verdes).

Rebrov montou seu time no 4-2-3-1, com variação defensiva para o 4-4-2 para encarar justamente o 4-4-2 do treinador rival, o sérvio Nebojsa Vignjevic.

Os visitantes começaram melhores, tocando mais a bola. Trata-se de um time mais experiente também, com jogadores da seleção húngara. Não demoraram para abrir o placar, e com um belo gol: aos 11 minutos, a defesa do Ujpest tentou a ligação direta e o Ferencváros desarmou. A partir daí e saindo do campo de defesa, foram seis toques, seis jogadores envolvidos e a finalização na pequena área de Roland Varga, completamente livre.

Apesar do golaço coletivo, o jogo em si não é técnico. Futebol de muita força, marcação e dedicação tática, mas com pouca criatividade dos atletas. Quem demonstrou mais talento foi o meia-atacante Dániel Nagy, de 27 anos, que atuou aberto pela esquerda. Quando era adolescente, foi contratado pelo Hamburgo, mas jamais teve uma chance no time principal alemão.

Depois que sofreram o gol, os Lilák (roxos, em húngaro) reagiram e ficaram pouco mais com a posse de bola, mas sem criarem tantas oportunidades. Ainda no primeiro tempo, a melhor chance de gol foi outra do Ferencváros.

Na segunda etapa o cenário de equilíbrio permaneceu, apesar de um pênalti não marcado para o Ujpest aos 35 minutos. As seis substituições foram feitas e as duas últimas merecem explicação maior.

Aos 37, Rebrov colocou em campo o zagueiro brasileiro Leandro de Almeida, 36 anos e há duas décadas atuando no futebol húngaro - jogou pela seleção da Hungria entre 2004 e 2015. Ele entrou em campo para ajudar a segurar a vitória por 1 a 0, mas quatro minutos depois de sua entrada, foi a vez Krisztian Simon ser o escolhido para a última troca, ao entrar no lugar de Nagy.

Já no último minuto de acréscimo, aos 48, o sistema defensivo do Ferencváros cometeu falha terrível. A bola foi levantada na área, passou por quase todo mundo e Gergo Lovrencsics, ao tentar cortar, cruzou novamente, desta vez para a pequena área, onde estava Simon. 

O resultado ampliou a vantagem do Ferencváros na liderança, após 20 rodadas (faltam 13), para nove pontos sobre o MOL Vidi (ex-Videoton), que perdeu na rodada para o Diosgyor.

Foi o empate de número 70 na história dos confrontos, com 131 vitórias para os verdes e brancos e 77 para os roxos. O clássico entre Ferencváros e Ujpest tem uma curiosidade internacional. Os dois clubes usam as mesmas cores de Rapid Viena e Austria Viena, respectivamente. Por conta disso, as torcidas são parceiras e, inclusive, ostentam bandeiras do aliado nos estádios.

O jogo, em si, não foi grande coisa tecnicamente, como já ressaltado alguns parágrafos acima. O clima no estádio, porém, foi muito legal. E aí está uma equação difícil de se resolver, já que os húngaros resistem aos clássicos de torcida única, mas não conseguem resolver o problema da violência desses torcedores. 

Ujpest 1x1 Ferencváros

Posse de bola: 54.4% x 45.6%
Finalizações/certas: 5/1 x 12/4
Passes/certos: 491/388 x 390/303
Aproveitamentos nos passes: 79% x 77.7%
Cruzamentos: 19 x 10
Recuperações de posse de bola: 62 x 73
Escanteios: 4 x 4
Faltas: 21 x 12

Fonte: Gustavo Hofman

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Maior clássico na Hungria teve confusão fora do estádio e emoção dentro de campo

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Novo brasileiro na MLS detém recorde absurdo na escola e é filho de um dos maiores palestrantes do país

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

André foi a quinta escolha do SuperDraft da MLS neste ano
André foi a quinta escolha do SuperDraft da MLS neste ano Colorado Rapids

Shinyashiki. O sobrenome de origem japonesa é bastante conhecido no Brasil, afinal, Roberto Shinyashiki é um dos principais palestrantes motivacionais do país e autor de livros que já venderam cerca de oito milhões de cópias em todo mundo. A partir de 2019, porém, o nome da família estará diretamente ligado ao futebol também. André Bava Shinyashiki, de 22 anos, quarto dos cinco filhos de Roberto, estará na Major League Soccer.

O jovem foi selecionado pelo Colorado Rapids, que pagou US$ 100 mil ao Chicago Fire e trocou a 15ª escolha pela quinta do SuperDraft da liga norte-americana para ficar com o brasileiro, e assinou seu primeiro contrato profissional. "Foi um dia incrível, realizar o sonho de se tornar jogador profissional. Não tenho nem como descrever, uma emoção muito grande, um dos dias mais felizes da minha vida", relembra o último 11 de janeiro, André. "Meu pai teve uma importância incrível. Sempre me apoiando, dando conselhos, mostrando os caminhos e ao mesmo tempo deixando eu ser quem eu era, sem querer interferir", completa.

No Brasil ele atuava pelo Pequeninos do Jóquei, time paulistano bastante tradicional na base e que já revelou muitos atletas, entre eles, o mais famoso foi Zé Roberto. Em 2013 teve a oportunidade de se transferir para a Montverde Academy, escola localizada na Flórida e conhecida pela excelência nos programas esportivos. Lá estão os melhores atletas escolares dos Estados Unidos nas mais diversas modalidades.

O objetivo, porém, não era ficar tanto tempo assim na América do Norte. "Sempre tive muito claro que eu queria ser jogador profissional de futebol, mas quando vim para os Estados Unidos não tinha a intenção de ficar aqui. Vim para ficar um ano só", explica. O sucesso foi maior do que qualquer um poderia imaginar, e André fez parte de um time histórico no high school norte-americano. Foram dois títulos nacionais e uma invencibilidade de 117 jogos.

"Montverde me preparou muito bem para o próximo nível, que era o universitário. Nosso time lá era sacanagem, 117 jogos sem perder, era uma coisa inimaginável, foi incrível o que aconteceu". No final das contas, a permanência nos Estados Unidos foi estendida e ele apareceu na lista dos 100 melhores atletas do país disponíves para as universidades.

Pela Universidade de Denver, André foi um dos destaques nacionais
Pela Universidade de Denver, André foi um dos destaques nacionais Denver Pioneers

A decisão aconteceu pela University of Denver, onde estudou e jogou por quatro anos (2015 a 2018). No Colorado pôde se formar em marketing e conciliar a carreira de atleta e o sonho de se tornar jogador. "A cada ano o time foi melhorando e evoluindo em Denver, o nível é altíssimo no futebol universitário nos Estados Unidos. Não é tão técnico como no Brasil, mas muito tático e físico. Eu me formei em marketing. Não é tão difícil se você sabe lidar com o tempo que tem. Se você não ficar indo muito para festa, saindo à noite, dá tempo de fazer tudo", explica André, que nesse período também passou pelo time sub-23 do Colorado Rapids.

Já como senior, em sua última temporada, o atacante brasileiro concorreu ao Hermann Trophy, prêmio dado ao melhor jogador de futebol universitário dos Estados Unidos. Não venceu a disputa, que ficou com Andrew Gutman, de Indiana, mas sabia que seu nome naturalmente apareceria do draft da MLS. No total, a carreira universitária pelo Denver teve 83 jogos, 51 gols e 15 assistências.

Nas últimas semanas conheceu a rotina profissional do Colorado Rapids e em breve estará em campo contra jogadores como Zlatan Ibrahimovic, Bastian Schweinsteiger e Michael Bradley. A agenda de seu pai, que trabalhou diretamente com o Comitê Olímpico Brasileiro nas Olimpíadas de 2000, está lotada de grandes eventos para 2019, mas certamente haverá espaço para alguns jogos de futebol no Dick's Sporting Goods Park, localizado no subúrbio de Denver.

"O ensinamento que meu pai me passou foi trabalhar mais do que os outros porque o talento é limitado, mas o quanto você trabalha não. Você pode trabalhar mais do que os outros, estar dia e noite determinado, trabalhando duro e corretamente, que é o trabalho inteligente".

Fonte: Gustavo Hofman

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Na Croácia, Dinamo Zagreb goleia, relembra história e segue com boas revelações em campo

Gustavo Hofman
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Goleada, estádio vazio e liderança absoluta
Goleada, estádio vazio e liderança absoluta Matija Habljak/Pixsell

Este é mais um texto da série #AssisteaíHofman. A cada final de semana, o fã de esportes escolhe um jogo para o comentarista assistir em enquete pelo Twitter

Confronto do primeiro colocado do Campeonato Croata contra o último. Líder com sobras, contra o lanterna disparado. Expectativa de goleada, certo? Sim, e confirmada. No domingo, sem dificuldades, o Dinamo Zagreb goleou o Rudes por 7 a 2, em jogo válido pela 19a rodada do Campeonato Croata, que retomou as atividades após a pausa de inverno.

A principal competição do país vice-campeão do mundo tem bom nível técnico. O Dinamo possui uma das melhores bases de toda Europa, revela muitos jogadores e os espalha por todo continente. Para citar alguns, da geração atual, temos Luka Modric, Mateo Kovacic, Milan Badelj, Dejan Lovren e Andrej Kramaric.

A Croácia é o segundo país que mais dá chances para jovens no futebol. Estudo realizado pelo CIES Football Observatory constatou que entre 2009 e 2017 os times da primeira divisão tiveram em média 32.5% de seus elencos formados por atletas da própria base.

Tecnicamente o confronto entre Dinamo e Rudes foi desigual, afinal, a diferença entre os clubes - estruturalmente e financeiramente - é muito grande. Taticamente, os donos da casa jogaram em um 4-3-3 na fase ofensiva e 4-1-4-1 na defensiva, empurrando o Rudes e seu 4-5-1 para o próprio campo.

Com dez minutos, a partida já estava bem encaminhada com 2 a 0 de vantagem para a equipe da capital. Em duas jogadas muito parecidas, inclusive; no primeiro gol, aos cinco, Mislav Orsic cruzou pela esquerda, a bola passou pelo centroavante Bruno Petkovic e Izet Hajrovic, fazendo a diagonal, apareceu na pequena área, de carrinho, para abrir o placar; no segundo gol, bola pela esquerda, novamente com Orsic e agora em tabela com Petkovic, que Amer Gojak finalizou bloqueado e Hajrovic, em bela meia-bicicleta, completou.

A transmissão croata merece um parágrafo. Eu imaginava uma narração relativamente vibrante, não como as sul-americanas, mas com um mínimo de emoção. Foi exatamente o contrário no caso específico deste jogo. O narrador da Arena Sport se limitou, o tempo todo, a contar o que estava acontecendo em campo, sem subir o tom em qualquer lance.

O terceiro gol, aos 19 minutos, teve polêmica. Aliás, não houve polêmica, e sim reclamação correta do Rudes. O lateral-direito Petar Stojanovic recebeu pela direita em completo e escandaloso impedimento, que não foi marcado; Cruzou na sequência para Petkovic marcar.

Para compensar, o Dinamo "resolveu" entregar um gol para o Rudes. Hajrovic voltou para ajudar na saída de bola e a entregou para Tomislav Strkalj tocar na saída do goleiro da seleção Dominik Livakovic.

Antes do intervalo, porém, os jovens meias Nikola Moro, 20, e Amer Gojak, 21, bósnio, construíram o quarto gol, com cruzamento do primeiro e finalização do segundo, para deixar tudo muito tranquilo.


A partida teve um público bem pequeno, apenas 2237 torcedores foram ao estádio Maksimir, que tem capacidade superior a 35 mil. O clube é o terceiro na média, com 4121, atrás de Hajduk Split (6560) e Rijeka (4785) até esta semana.

Na segunda etapa o quinto gol saiu aos 11, novamente com Orsic e agora com assistência de Gojak. O sexto foi um belo gol pela construção da jogada: roubo de bola no campo de defesa, cinco passes trocados e a finalização de Orsic, de novo, após belo belo corte dentro da área aos 15. E por fim, aos 20, Orsic completou seu hattrick.

A partir daí o jogo perdeu bastante intensidade. O Dinamo Zagreb, mesmo com as três alterações feitas pelo técnico Nenad Bieljca, diminuiu o ritmo e permitiu que o Rudes ficasse mais com a bola. Sofreu o segundo gol faltando 11 minutos para o fim, com Strkalj mais uma vez.

Houve um brasileiro em campo. O meia João Erick, ex-Sport, de apenas 20 anos, foi titular. Ele está no clube desde o início desta temporada.

Orsic, meia-atacante de 26 anos, que joga aberto pela esquerda, e Hajrovic, atacante bósnio de 27 anos, também de lado de campo, foram os destaques com três e dois gols, respectivamente. Moro e Gojak merecem atenção especial e observação maior pelo talento demonstrado. Os dois atuam na faixa central, à frente do primeiro meio-campista. O jogo em si foi bem jogado, com a bola no chão, por parte das duas equipes - e as estatísticas, no final deste texto, colaboram com essa análise.

Vale citar que o atacante espanhol Dani Olmo, de 20 anos e formado na base do Barcelona, considerado um dos mais talentosos do time, foi desfalque.

O Croatão tem dez times na primeira divisão, onde todos se enfrentam quatro vezes por temporada, totalizando 36 jogos para cada. Fundado em 1957, o Rudes (pronuncia-se Rudêsch) é um clube pequeno da Croácia, que na temporada passada jogou pela primeira vez em sua história na elite do futebol local - terminou na oitava colocação. Passadas 19 rodadas em 2018-19, apenas três pontos somados, nenhuma vitória e o rebaixamento já praticamente certo. Enquanto o Dinamo caminha tranquilamente para seu 20o título, com 14 pontos de vantagem sobre o Osijek.

Em seu Instagram, o Dinamo celebrou a goleada relembrando placares semelhantes na história do clube. Como um histórico 7 a 2 contra o Partizan Belgrado, ainda no período iugoslavo.

Dinamo Zagreb 7x2 Rudes

Posse de bola: 57.8% x 42.2%
Passes / certos: 578/499 x 305/228
Cruzamentos: 21 x 11
Lançamentos: 3 x 0
Aproveitamento nos passes: 86.3% x 74.8%
Finalizações/certas: 18/12 x 5/2
Escanteios: 3 x 1
Bolas recuperadas: 61 x 68
Faltas: 8 x 19

Fonte: Gustavo Hofman

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Na Croácia, Dinamo Zagreb goleia, relembra história e segue com boas revelações em campo

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Canadá cria sua Premier League e mira modelo europeu para 2026

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman


"Soccer" ou "Football". Ainda há confusão no Canadá sobre a forma como os canadenses se referem ao esporte mais popular do planeta e que cresce a cada ano no país, até mesmo pelas línguas faladas por lá. Enquanto os mais jovens usam a forma comum dos Estados Unidos, a enorme população de imigrantes e descendentes utiliza o termo comum em todo mundo.

A partir deste ano, todos os fãs de futebol em território canadense terão pela primeira vez uma liga profissional para acompanhar e a chance torcer por um time local do esporte bretão. Em abril começa a Canadian Premier League.

O projeto está sendo desenvolvido há alguns anos e em 2018 se fortaleceu e virou realidade. Serão sete times, que vão formar uma liga inspirada nos campeonatos europeus e não no modelo norte-americano. São clubes, não franquias; E se tudo avançar como os novos dirigentes pretendem, em breve a segunda divisão será criada, o que permitirá acesso e descenso. O Canadá é o único país de toda América que, ainda, não tem um campeonato nacional organizado.

"Vamos seguir o formato da Fifa. Conversei com empresários locais, os proprietários dos times, e na minha opinião estamos alinhados com o modelo europeu ou global. Vai levar um tempo, mas queremos ter em 2026, quando Estados Unidos, México e Canadá receberão a Copa do Mundo, uma segunda divisão. A ideia de rebaixamento e acesso traz outra emoção ao jogo", explica David Clanachan, comissário da CPL.

David Clanachan é quem toma as principais decisões da CPL
David Clanachan é quem toma as principais decisões da CPL CPL

A temporada inaugural terá sete times, de sete cidades diferentes espalhadas por todo país. A liga ainda não informou publicamente o formato da competição, mas adiantou à reportagem da ESPN que a temporada terminará em outubro e cada time disputará um total de 28 jogos - o que permite imaginar algumas formas de disputa.

TIME / Cidade, Estado
CAVALRY FC / Calgary, Alberta
FC EDMONTON / Edmonton, Alberta
FORGE FC / Hamilton, Ontario
HFX WANDERERS FC / Halifax, Nova Scotia
PACIFIC FC / Victoria, British Columbia
VALOUR FC / Winnipeg, Manitoba
YORK 9 FC / York Region, Ontario

Outro personagem importante na história da criação da nova liga é Victor Montagliani. Ele foi presidente da Federação Canadense de Futebol entre 2012 e 2017 e desde 2016, quando venceu a eleição na Concacaf, se tornou o máximo mandatário do futebol na América Central e do Norte. Montagliani agora será importante na busca pela vaga direta à Concachampions para o campeão da Canadian Premier League.

"Trabalhamos muito próximos à federação, é bom para eles termos um campeonato profissional. Eu uso a palavra 'parceiro', porque somos parceiros nesse negócio. Eles acreditam que é importante para o desenvolvimento do futebol no Canadá", completa Clanachan.

Vale ressaltar que os times canadenses que disputam a Major League Soccer - Toronto FC, Montreal Impact e Vancouver Whitecaps - não vão para a principal competição de clubes da região via Estados Unidos, mesmo conquistando o direito pelos campeonatos. Para isso, disputam o Canadian Championship, que na prática é a Copa do Canadá. Até então, apenas com times amadores do país, além do Edmonton, que já existia e jogava a antiga NASL, e do Ottawa Fury, da USL, também nos Estados Unidos.

Agora, com o surgimento da CPL, esse torneio eliminatório se tornará maior e mais competitivo, mas ainda com todo favoritismo dos times da MLS. "Será uma disputa curiosa, entre Davi e Golias", brinca Clanachan, ciente da grande diferença técnica que haverá.

Peneiras estão sendo feitas pelo Canadá nos últimos meses para ajudar na seleção de novos jogadores. Além disso, houve ainda um draft para atletas universitários em novembro do ano passado. No entanto, a maior qualidade para os times vem das contratações que estão sendo feitas.

Os jogadores da seleção do Canadá estão na MLS ou na Europa, como o atacante Cyle Larin que trocou a liga americana pelo Campeonato Turco, para defender o Besiktas. Estrangeiros já foram contratado por times da CPL, casos do sul-coreano Son Yong-chan, que estava na Índia, e vai jogar pelo Edmonton, e o sueco Simon Adjei, que trocou o Assyriska-SUE pelo York 9. Por enquanto, nenhum brasileiro.

A primeira temporada da CPL começa em abril deste ano
A primeira temporada da CPL começa em abril deste ano CPL

O lema da nova liga é "For canadians, by canadians" (Por canadenses, para canadenses), que explica o principal objetivo, como explica David Clanachan. "Desenvolver o futebol local, as pessoas, os jogadores, árbitros, dirigentes". Por isso a CPL terá a exigência de sempre seis jogadores canadenses, no mínimo, em campo, e limite de sete estrangeiros por clube.

Muitos jogadores canadenses que atuavam na Europa em clubes pequenos ou atletas que não tinham chances em equipes maiores estão retornando ao país. O jovem Tristan Borges, de 20 anos, estava nas equipes menores do Heerenveen-HOL e agora defende o Forge; Marcus Haber, de 29 anos e com passagens pela seleção, deixou o Dundee-ESC para se integrar ao Pacific; E tantos outros casos de jovens e experientes, que terão na CPL bem mais minutos em campo.

A expectativa da CPL é que, já em sua fase inicial, atraia bons públicos, é o que garante Clanachan. "Nós temos alguns belíssimos estádios usados na Canadian Football League, a liga canadense de futebol americano, com grande capacidade e estrutura. Alguns novos estádios também estão prontos. Nosso objetivo é ter média de 8 mil pessoas por jogos nos primeiros anos. Isso seria fantástico, é um objetivo pessoal que tenho".

O Canadá disputou uma única Copa do Mundo em toda história. Em 1986, a seleção sofreu três derrotas em três jogos, foi eliminada na primeira fase e terminou na última colocação do Mundial do México. Em 2026, deve ter vaga garantida, algo que será discutido ainda pela Fifa, mas gostaria de carimbar o passaporte já para 2022. A CPL, em todo esse processo evolutivo, certamente vai ajudar muito.

Fonte: Gustavo Hofman

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Canadá cria sua Premier League e mira modelo europeu para 2026

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Falha do goleiro marca clássico sul-africano no palco da final da Copa de 2010

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Clássico foi disputado pelo Campeonato Sul-Africano no último final de semana
Clássico foi disputado pelo Campeonato Sul-Africano no último final de semana Kaizer Chiefs

Este é mais um texto da série #AssisteaíHofman. A cada final de semana, o fã de esportes escolhe um jogo para o comentarista assistir em enquete pelo Twitter

O maior jogo de futebol na África do Sul é, sem dúvida, o clássico de Soweto entre Kaizer Chiefs e Orlando Pirates. Porém, nenhum dos dois rivais é o maior vencedor nacional. A honra cabe ao Mamelodi Sundowns, oito vezes vencedor da South African Premier Division.

No último sábado, o Mamelodi, de Pretória, viajou até a capital, Joanesburgo, para encarar os Chiefs. Partida importante para as duas equipes, pela 16a rodada, na tentativa de captura do líder isolado Bidwest Wits. Não há segredos quanto à fórmula da competição: 16 clubes, turno e returno, seguindo o calendário europeu.

O Mamelodi, por causa das cores de seu uniforme (camisas amarelas e shorts azuis, mas jogou com a vestimenta reserva, toda branca), é chamado de "Os Brasileiros", e tem como presidente um bilionário local, cuja fortuna é oriunda das minas sul-africanas, Patrice Motsepe. O clube foi campeão na última temporada e tem muitos estrangeiros no elenco, incluindo um brasileiro, o zagueiro baiano Ricardo Nascimento, de 31 anos, formado no Friburguense.

Do outro lado, o Kaizer Chiefs é o clube mais popular da África subsariana. Para quem não é tão ligado em futebol, Kaiser Chiefs (com "s" mesmo) na verdade é referência de pop e rock de ótima qualidade. A banda inglesa, de Leeds, leva o nome do clube porque Lucas Radebe, um dos grandes jogadores sul-africanos da história, começou no Kaizer e depois jogou por mais de dez anos no Leeds United. Como todos os jovens músicos são torcedores do Leeds e fãs de Radebe, a homenagem foi espontânea.

Em campo, o técnico alemão Ernst Middendorp, já há muito tempo trabalhando no futebol africano, escalou o Kaizer no 3-5-2, que virava um 5-3-2 na fase defensiva. Já seu adversário, Pitso Mosimane, treinador da África do Sul entre 2010 e 2012, mandou os Sundowns no 4-4-2.

O primeiro gol saiu rápido, logo aos três minutos. Após tabela, o liberiano Anthony Laffor driblou, sem querer, o zimbabuano Willard Katsande ao tentar dominar a bola e depois finalizaou, dentro da pequena área, para fazer 1 a 0 Mamelodi, que pouco ficava com a posse de bola. Ainda na etapa inicial, Katsande pôde se redimir: em cobrança lateral de falta, ele apareceu livre para cabecear de peixinho após desvio e empatar o jogo.

Durante toda primeira etapa o roteiro foi o mesmo. Pressão e posse do Kaizer, que perdeu algumas chances de gol, com o Mamelodi se defendendo e pouco contra-atacando.

Um detalhe absolutamente curioso: a arbitragem sul-africana veste camisas e meiões verdes fosforescentes e calções roxos. Parecem o Coringa.

Jogo foi bastante disputado e o Kaizer criou mais oportunidades
Jogo foi bastante disputado e o Kaizer criou mais oportunidades Kaizer Chiefs

A partida foi disputada no atual FNB Stadium, ex-Soccer City, e teve público superior a 46 mil pessoas (o anel superior nem foi aberto, afinal, lá cabem quase 95 mil). O estádio foi palco de um dos jogos mais emblemáticos na história das Copas, Uruguai 1x1 Gana, além é claro da final que consagrou a Espanha.

No intervalo, Middendorp fez duas alterações, alterou o sistema para uma linha com quatro defensores e manteve o Kaizer Chiefs no ataque. Só que o problema na finalização continuou, mesmo com as chances criadas, tanto é que, no final das contas, somente uma bola chegou ao alvo (e virou gol ainda). Do outro lado, o Mamelodi aumentou a posse de bola e, ao menos, começou a criar também, tanto é que acertou mais o gol do que os mandantes.

O bom jogo entre Chiefs e Sundowns teve um final dramático. Aos 36 da etapa final, o goleiro namíbio Virgil Vries, dos donos da casa, falhou feio após longo lançamento, perdeu o tempo da jogada e viu a bola saltar mais alto que imaginava. Lebohang Maboe aproveitou o erro do rival e tocou para o fundo do gol, vazio.

Com o resultado, o Mamelodi Sundowns permanece como o único invicto do Sul-Africanão, mas com muitos empates (sete), o que o deixa distante oito pontos do líder Bidwest. Com quatro pontos a menos e agora na oitava colocação, aparece o Kaizer Chiefs.

Por fim, uma última curiosidade.

Mamelodi foi um bairro criado pelo governo sul-africano durante o Apartheid, nos arredores de Pretória, e designado como apenas para negros em um dos períodos mais horríveis da história da humanidade, marcado pelo racismo. O termo "Mamelodi" era, na verdade, o apelido que o povo deu para o histórico ex-presidente Paul Kruger, que imitava som de passarinhos e por isso ganhou a alcunha de "Mother of melodies", ou Mamelodi.

Kaizer Chiefs 1x2 Mamelodi Sundowns

Finalizações/certas: 10/1 x 11/5
Escanteios: 5 x 3
Impedimentos: 6 x 3
Faltas: 8 x 6

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Falha do goleiro marca clássico sul-africano no palco da final da Copa de 2010

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Velho conhecido de torcidas brasileiras, Raja Casablanca segue em busca do título nacional, que não vem desde 2013

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

O Raja Casablanca é um dos clubes africanos mais conhecidos no Brasil. Corinthians em 2000 e Atlético em 2013 são os motivos. Assim, o clube marroquino venceu com ampla vantagem a enquete do #AssisteaíHofman no Twitter.

Raja Casablanca x Berkane
Raja Casablanca x Berkane Raja Casablanca

O calendário africano passa por grandes mudanças para se adequar ao europeu. Assim, os times que disputam as competições continentais estão com as semanas bastante preenchidas. No último domingo, em jogo atrasado da sexta rodada do Marroquinão, o Raja recebeu no modesto Stade Père-Jégo o Renaissance Sportive de Berkane, da cidade com o mesmo nome, localizada no nordeste do país.

 A última vez que o Raja se sagrou campeão nacional foi justamente na temporada 2012-13, o que lhe garantiu no Mundial de Clubes. De lá para cá venceu a Copa do Marrocos em 2017 e no início do derradeiro mês de 2018 bateu o Vita Club, do Congo, na decisão da CAF Confederation Cup, segunda competição em importância no continente - equivalente a Liga Europa e Copa Sul-Americana.

 O Raja, escalado pelo espanhol Juan Carlos Garrido, (ex-Villarreal, Betis e Brugge), entrou em campo na variação ofensiva/defensiva 4-3-3/4-1-4-1, enquanto o Berkane se armou no 4-3-1-2 com a bola e um 4-3-3 sem a bola, mas que muitas vezes tinha o recuo do bom meia-ofensivo Alain Traoré, de Burkina Faso e ex-Lorient-FRA.

Raja Casablanca x Berkane
Raja Casablanca x Berkane Raja Casablanca

 O jogo começou com os donos da casa tendo mais posse de bola, mas o Berkane tinha postura bastante ofensiva também. Os visitantes jogaram com linhas altas, pressionando a saída do Raja e, muitas vezes, recuperando a posse já no último terço de campo. Não à toa, criou as melhores chances nos primeiros 20 minutos.

 Depois, a situação piorou para o Raja, que não conseguia nem mais fazer a transição com a bola. Passou a ter menos posse e viu o Berkane dominar o primeiro tempo.

 Os jogadores marroquinos são, na média, técnicos. O jogo, portanto, é disputado mais com a bola no chão do que no alto. Basta conferir o baixo número de cruzamentos.

 A torcida do Raja não lotou o estádio, mas é muito participativa. Canta o tempo todo, e isso deixou o jogo com um clima bem legal - ao menos para mim.

 Após o descanso de intervalo, o roteiro da partida não mudou. Assim, no sexto minuto, o goleiro Anas Zniti cobrou tiro de meta e a bola foi rebatida pelo lateral-direito Omar Nemsaoui, do Berkane. Hamdi Laachir recuperou, avançou sozinho pela ponta direita e cruzou para o togolês Kodjo Fo Doh Laba fazer 1 a 0, com a defesa do Raja completamente desorganizada.

 Nos minutos seguintes os visitantes perderam pelo menos mais dois gols. Para complicar ainda mais a vida do Raja, aos 23 o zagueiro Badr Banoum foi expulso por carrinho violento em Laachir. Houve muita reclamação e o jogo ficou parado por cinco minutos.

 O Berkane seguiu perdendo gols, alguns incríveis, cara a cara com o goleiro. Assim, a regra universal mais famosa do futebol entrou em campo mais uma vez: quem não faz, toma (mas com muita polêmica).

 Depois de escanteio, aos 50 minutos, Mouhcine Iajour pegou de primeira e a bola tocou no braço de Nemsaoui, que estava de costas e tinha pulado para cortar o cruzamento, mas errou o tempo da bola. Mais confusão e aos 52,  Mahmoud Benhalib empatou.

 A Raja TV cobriu a partida e disponibilizou no YouTube um resumo.

O Campeonato Marroquino, chamado por lá de Botola, tem 16 times na primeira divisão e é disputado em turno e returno. Com o resultado, o Raja subiu para o sétimo lugar, com 16 pontos, sete a menos do que o grande rival Wydad Casablanca, mas ainda com jogos atrasados. O Berkane é o nono, com 15.

 Raja Casablanca 1x1 Berkane:

Posse de bola: 52.2% x 47.8%
Passes/certos: 287/223 x 280/221
Finalizações/certas: 9/4 x 19/8
Cruzamentos: 9x 19

Fonte: Gustavo Hofman

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Velho conhecido de torcidas brasileiras, Raja Casablanca segue em busca do título nacional, que não vem desde 2013

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Uma noite de Hunter Thompson em Liverpool às vésperas da Copa do Mundo

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Dias de coberturas em grandes eventos são longos. Aquele 3 de junho não fez parte da Copa do Mundo, mas era como se fizesse, afinal, o Brasil entraria em campo para enfrentar a Croácia no penúltimo amistoso antes do torneio.

Fomos antes à casa de uma família brasileira que vive nos arredores do mítico Anfield. Fomos convidados para um churrasco, que viraria parte da pauta. Na verdade, quem foi convidado foi o João Castelo Branco, que chegou com mais dois jornalistas na mala - este que vos escreve e Antonio Strini, repórter do site.

Lá conheci uma bebida gaseificada de limão siciliano que parecia refrigerante, mas não era oficialmente. Não pudemos aceitar as cervejas geladas, afinal, em pouco tempo estaríamos no ar, ao vivo, para todo Brasil e posteriormente nas arquibancadas para o trabalho. Bebi, gostei, balbuciei palavras de elogio e pouco tempo depois, mesmo sem nunca ter visto aquela bebida antes, sem conhecer seu nome, sem jamais ter pesquisado ou clicado em qualquer link dela, apareceu um post patrocinado da maldita em meu Instagram.

Comemos bem, churrasco brasileiro com carne boa e no ponto. Já não como mais carne mal passada como fazia antes, praticamente crua. Aliás, o futuro da humanidade é deixar de comer carnes, mas ainda não estamos preparados para a ausência de churrascos. Meu caso.

Seguimos para Anfield e no caminho entrevistamos brasileiros e croatas. Paramos em uma padaria de trabalho cooperativo da comunidade, que também fazia parte da pauta do João para a matéria do dia. Em uma cobertura assim, fazemos o ao vivo para toda programação, produzimos a matéria contando a história do dia, abastecemos todas redes sociais e nos divertimos muito.

Somente quem já foi a Liverpool deve conseguir descrever, ou tentar descrever, o que é o futebol naquela cidade. A região do estádio é simples, e ao redor dele estão diversos pubs, incluindo o bar onde toda história do Liverpool começou. A partida era entre seleções, mas o clima era espetacular - até mesmo o sol ajudou, algo raro por lá.

Um dos principais assuntos era o retorno de Philippe Coutinho à cidade após a negociação com o Barcelona. Diferentemente do que muitos de fora poderiam imaginar, não havia rancor, ódio ao brasileiro por parte dos reds. O clube é muito maior do que qualquer atleta, e este seguiu sua história depois de ter escrito belo capítulo na Inglaterra.

O jogo, bem, acho que todos se lembram. O Brasil venceu a Croácia por 2 a 0 e Neymar voltou a atuar, entrando no intervalo. Ele e Roberto Firmino, ou Bobby Firmino como os torcedores locais gritaram durante toda partida, marcaram os gols. A seleção brasileira caiu nas quartas de final da Copa e os croatas foram vice-campeões mundiais.

Normalmente, pós-jogo do Brasil é um caos. São muitos jornalistas, muita gente mesmo, e acaba virando bagunça. Em Anfield o local para a zona mista, onde os jogadores passam, não é grande. Na Premier League, não há tanta imprensa nessa situação pela falta de direitos. Daí quando aparece um Neymar ou um Philippe Coutinho vira uma montanha de pessoas com microfones e câmeras, dependendo da boa vontade de outras de banho tomado, cheirosas e nem sempre sorridentes. Ossos do ofício, de ambos lados. Já a coletiva, que aconteceu antes, foi tranquila com Tite, sem aglomerações.

Depois que acaba tudo isso fazemos mais entradas ao vivo. Explicações táticas, relatos do jogo em si, impressões de tudo que vimos e quem estava em casa ou no estúdio não pôde ver, enfim, fechamos a conta. Ou quase.

Aí começa o terceiro turno de trabalho.

Estávamos hospedados em um simpático hotel chamado Beech Mount, relativamente perto do estádio. De acordo com o site dele, possui arquitetura vitoriana. A rua era tranquila, transversal a uma grande avenida e com um McDonald's na esquina. Bem na frente havia uma academia pequena, bem com cara de local. Poucas pessoas circulando por ali durante o dia.

O gerente era extremamente simpático, e o João insistia que ele era muito parecido com um personagem de Breaking Bad, o Gus, dono da rede Pollos Hermanos. Na noite anterior, o alarme de incêndio tocou e o João desceu desesperado para a recepção. Conversou com o nosso amigo gerente que, tranquilamente, informou que não devia ser nada, no máximo clientes fumando no quarto e desligou o alarme.

Os quartos eram confortáveis e simples, mas com péssima internet. Ou seja, impossíveis para quem precisava trabalhar com envio de dados.

Começo de noite, redação improvisada, gravação do podcast
Começo de noite, redação improvisada, gravação do podcast Arquivo pessoal

Depois da vitória brasileira, voltamos ao hotel e montamos uma espécie de redação no restaurante, localizado no térreo, ao lado do bar. Lá a internet era boa e a cerveja gelada. Eu tinha que escrever meu relato do jogo para o blog; o Tonhão precisava fechar as matérias para o site; e o João tinha que finalizar a edição do VT para o SportsCenter, além de gravarmos para o podcast também. E ainda chamamos os colegas Ulisses Neto (Jovem Pan), Fred Caldeira (Esporte Interativo) e Caio Carrieri (UOL) para seguirem conosco até a nossa improvisada redação.

O filho de um amigo, que mora em Manchester, foi até Liverpool para assistir o jogo e depois nos acompanhou nas primeira horas daquela madrugada. Fico aliviado que ele tenha ido embora para a estação de trem antes das cenas de Medo e Delírio que dominaram o local.

À medida que o tempo avançava, cada um de nós finalizava o trabalho. Baldes com Becks apareciam na mesma proporção na mesa. Estranhamente, o bar começava a ficar bem lotado também. Pessoas fantasiadas, homens e mulheres com as mais variadas vestimentas, todos muito alegres. Senhores ficavam nas máquinas de apostas e do lado de fora irlandeses bebiam em mesas, onde mais cedo acompanharam o mundial de dardos.

A graduação alcoólica de todos não parava de subir. Todos os computadores já tinham sido desligados e a interação com os demais hóspedes e visitantes já era intensa. A movimentação no bar era grande, mas seguimos para o bilhar. Os laptops passaram a funcionar como caixas de som. Música brasileira, lógico, e pelo que me lembro, sertaneja.

"Crash"!

Um estrondo vindo do bar. Fomos até lá. Uma mulher, já bem alterada, jogou um copo de vidro no Gus, e felizmente errou. Arremessou na verdade tudo que ela viu pela frente no balcão. Não é fácil entender o inglês do norte da Inglaterra, e naquela situação geral, mais ainda. Aos poucos fomos descobrindo que, na verdade, estávamos em um hotel localizado em um digníssimo bairro de meretrizes e que aquele bar era, digamos, um ponto de encontro de tudo e todos. E os quartos estações de trabalho.

A confusão continuou porque ela não estava sozinha, mas no final das contas foi levada embora por outros. Enquanto isso, já tínhamos nos tornado os melhores amigos de um torcedor do Liverpool que insistia em pagar Sambucas para todos nós. Que bebida horrível.

Esse é o cidadão das Sambucas
Esse é o cidadão das Sambucas Arquivo pessoal

Não citarei o nome, porque ele prometeu nos matar se contássemos sua história. Seu primo foi um dos 96 mortos no desastre de Hillsborough, e por isso ele odeia a imprensa - graças às mentiras contadas pelo The Sun. Assim a noite seguia, entre ameaças dele, declarações de amor a todos nós, vídeos cantando músicas do Liverpool e muitas Sambucas e cervejas.

A madrugada já estava alta. De repente, barulho nas janelas. Zumbis apareceram e começaram a gritar e socar as janelas para as portas serem abertas. Na verdade, não havia portas fechadas, mas eles não tinham condição de perceber isso e insistiam para deixarem-nos entrar. O João conseguiu se comunicar com eles e mostrar o caminho da entrada. Eram amigos da mulher que já tinha ido embora há muito tempo.

Em meio a tudo isso, o garçom que nos atendera no dia anterior no restaurante do hotel apareceu. Não para trabalhar, mas sim para beber. Ainda mais. Com os olhos completamente trincados, insistia em negociar produtos ilícitos.

Não tenho ideia sobre o horário em que tudo acabou. Ou que a bebida parou de ser fornecida. Gus, ou Pollos Hermanos, atuou como o secretário geral da ONU em toda confusão. Paciente, calmo, conhecendo tudo e todos que estavam ali, como se não fosse a primeira vez. Certamente nem imagina que nos forneceu uma noite de Hunter Thompson e muitas histórias.

Fonte: Gustavo Hofman

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Uma noite de Hunter Thompson em Liverpool às vésperas da Copa do Mundo

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Muita neve, gigante em campo e camisas do Celtic fora: mais um jogo qualquer do Campeonato Romeno

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Botosani e Steaua em campo pelo Campeonato Romeno
Botosani e Steaua em campo pelo Campeonato Romeno FCSB

Este é mais um texto da série #AssisteaíHofman. A cada final de semana, o fã de esportes escolhe um jogo para o comentarista assistir em enquete pelo Twitter

Em 2011, após longa batalha judicial, o Ministério da Defesa da Romênia conquistou o direito de utilizar o nome Steuau Bucareste para seu clube. Historicamente os grandes times do país sempre foram ligados ao governo no período comunista, e depois de décadas de sucesso como clube independente, o Steaua voltou a fazer parte do Estado.

Na prática, para o campeão europeu de 1986, pouca coisa mudou além do nome oficial e do escudo. A agremiação passou a se chamar FCSB e manteve todas as glórias do passado, além do lugar na primeira divisão. Neste final de semana, o FCSB, ou Steaua como continua sendo chamado por todos, entrou em campo para enfrentar um dos times mais jovens do país, o Botosani.

Dois anos após todo imbróglio judicial que envolveu o gigante da capital, o Botosani (pronuncia-se Botoshani) alcançou pela primeira vez a elite do futebol romeno. Aliás, feito inédito para times da região que empresta o nome ao pequeno clube, localizada ao norte, na fronteira com Moldávia e Ucrânia.

O confronto entre as equipes no domingo foi válido pela 20a rodada do Campeonato Romeno, que tem o Cluj como atual campeão e 14 times na primeira divisão. Os seis primeiros, após turno e returno, se classificam para a fase final, onde fazem mais dez jogos cada para decidir as vagas nas competições europeias e, naturalmente, o campeão nacional. Os demais oito se digladiam contra o rebaixamento.

Muita neve caiu em Botosani (e em todo país) nas horas anteriores ao jogo, toda devidamente retirada do gramado e alojada nas laterais - o que gerou enormes montanhas de neve como paisagem. Com o frio intenso, os torcedores locais não lotaram as arquibancadas do modesto Estádio Municipal, com capacidade para pouco mais de 10 mil pessoas.

O Steaua é treinado por Nicolae Dica desde o ano passado, um dos grandes na história do time na década passada. Muito jovem ainda, apenas 38 anos, tem o apoio do polêmico presidente Gigi Becali, uma das figuras mais controversas do futebol mundial. Acusado de dezenas de atrocidades, já punido diversas vezes, mas que não perde de maneira alguma o poder no futebol local.

Apenas um brasileiro entrou em campo, o lateral Júnior Morais, ou Júnior Maranhão como também é conhecido, de 32 anos, que atuou mais avançado no jogo, como meio-campista. Revelado pelo São Cristóvão, no Rio de Janeiro, foi para a Europa em 2009 defender o Freamunde, em Portugal, e logo na temporada seguinte se transferiu para o Astra Giurgiu, na Romênia. Jogou por sete anos no clube, até ser contratado pelo FCSB.

Taticamente, o Steaua entrou em campo na variação 4-2-3-1 / 4-4-2 da fase ofensiva para a defensiva. Teve mais posse de bola e, mesmo jogando fora, se impôs no primeiro tempo como o time grande do confronto contra o 4-1-4-1 do Botosani, que quando atacava usava três jogadores por dentro, dois abertos e um atacante central.

O 1 a 0 para os visitantes saiu aos 13 minutos, após ótima jogada do lateral-direito Romario Benzar (sim, homenagem ao Baixinho) e a conclusão na pequena área do centroavante francês Harlem-Eddy Gnohéré, 11 gols na temporada, vice-artilheiro do Romenão 2018-19. Mas tomou o empate pouco tempo depois, aos 23, com Catalin Golofca (lei do ex) em contra-ataque. Depois disso o Botosani cresceu na partida e teve pelo menos duas boas oportunidades para virar, antes de tomar o segundo... Lossemy Karaboué tentou sair jogando por dentro, foi pressionado por três atletas do Steaua e a bola ficou com Florinel Coman, que apenas rolou para o capitão Lucian Filip fazer 2 a 1 aos 38.

Na segunda etapa, o Botosani conseguiu criar mais oportunidades e poderia, tranquilamente, ter empatado - mandou uma bola no travessão em lance claríssimo com o argentino Jonathan Rodríguez. O atacante italiano Diego Fabbrini, ex-vários clubes (Empoli, Udinese, Palermo, Watford, Milwall, Birmingham, Middlesbrough, Real Oviedo...) teve boa atuação e foi quem mais se destacou, ao lado de Golofca.

Porém, depois de tanto pressionar, criar chances para fazer o segundo gol e não marcar, a regra universal do futebol também se fez valer na Romênia: quem não faz, toma. Ou em romeno livre via Google Tradutor: cine nu, conduce. Aos 41, Raul Rusescu, que entrara no decorrer da etapa final, decretou o placar do jogo.

Placar final não mostrou bem o que foi o jogo, com boa atuação do Botosani no segundo tempo
Placar final não mostrou bem o que foi o jogo, com boa atuação do Botosani no segundo tempo FCSB

Dennis Man, meia canhoto de 20 anos, tratado como grande promessa no Steaua, não teve boa atuação aberto pela direita. Percebe-se o talento, mas não estava em um dia inspirado. Já do outro lado, Coman, também de 20 anos, se destacou mais.

Tecnicamente o jogo é bom na Romênia. Os jogadores têm habilidade, tratam bem a bola e mantém boa organização tática. Somados todos esses fatores, a partida se tornou bastante agradável pelo nível apresentado e as muitas chances de gol.

E um último detalhe, absolutamente curioso e que chamou muito minha atenção: os gandulas trabalharam com a camisa do Celtic sobre os agasalhos.

Pesquisei para entender o motivo e descobri que em 2015, quando o Botosani caiu na segunda fase preliminar da Europa League para o Legia Varsóvia, o clube decidiu provocar o adversário polonês. Na temporada anterior, o Legia havia sido eliminado da Champions League por escalar um jogador irregular na partida de volta contra o Celtic, pela terceira fase prévia.

Assim, em Botosani, virou tradição vestir a camisa verde e branca do gigante escocês nos gandulas a cada jogo do time local.

Camisas de Steaua, Botosani e Celtic na mesma foto
Camisas de Steaua, Botosani e Celtic na mesma foto FCSB

Botosani 1x3 Steaua

Posse de bola: 51.6% x 48.4%
Passes/Certos: 350/282 x 348/280
Finalicações/Certas: 12/4 x 9/4 
Cruzamentos: 20 x 15

Fonte: Gustavo Hofman

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Muita neve, gigante em campo e camisas do Celtic fora: mais um jogo qualquer do Campeonato Romeno

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Vários brasileiros, muita correria e quatro gols no clássico saudita do final de semana

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Este é mais um texto da série #AssisteaíHofman. A cada final de semana, o fã de esportes escolhe um jogo para o comentarista assistir em enquete pelo Twitter

O Campeonato Saudita está em alta no Brasil por conta do retorno de Fabio Carille ao Corinthians. Corintianos estavam acompanhando os resultados do Al Wehda e agora apenas aguardam a volta do comandante campeão brasileiro em 2017. Enquanto isso, a bola continua rolando na Arábia Saudita.

Carille foi batido na sexta por 1 a 0 pelo Al Taawon, mas a grande partida da 12a rodada foi entre os dois primeiros da tabela, Al Hilal e Al Nassr. Os dois rivais de Riad disputam um dos maiores clássicos do Oriente Médio.

Recheados de estrangeiros - são permitidos oito por clube - e com treinadores portugueses nos bancos, Jorge Jesus e Hélder Cristóvão, respectivamente, Al Hilal e Al Nassr fizeram um grande jogo no sábado, diante de 23047 torcedores no King Saud University Stadium. Inclusive, com Néstor Pitana no apito.

Quatro brasileiros estiveram em campo: Carlos Eduardo, ex-Nice e Porto, pelos mandantes, e Bruno Uvini, Petros e Giuliano, pelos visitantes. Outras figuras conhecidas do futebol internacional também jogaram, como o atacante francês Bafétimbi Gomis e o meia/atacante peruano André Carrillo, ambos pelo Al Hilal, além do marroquino Nordi Amrabat e o nigeriano Ahmed Musa, pelo Al Nassr.

O primeiro gol do jogo saiu rápido, logo aos três minutos, após Carrillo fazer grande jogada pela esquerda e cruzar na cabeça de Gomis. O Al Nassr reagiu rapidamente e criou três boas chances, antes de sofrer o segundo... Aos 18, novamente com Gomis, desta vez aproveitando cruzamento da direita.

Taticamente, as duas equipes jogaram na variação 4-2-3-1 para 4-4-2 da fase ofensiva para a defensiva. O jogo no primeiro tempo se caracterizou pela velocidade e força física. Bem pouco cadenciado e bastante acelerado, além de pouco compacto defensivamente - as duas equipes jogam bem espaçadas, apesar dos treinadores e dos jogadores estrangeiros, o que deixa a partida bastante franca também. 

O jogo chegou a ser paralisado para limpar o gramado! A torcida do Al Hilal arremessou muito papel, rolos enormes, e o goleiro adversário, Waleed Abdullah, foi obrigado a esvaziar a pequena área e tirar tudo da rede. E tem árbitro de vídeo na Arábia Saudita: aos 32, Pitana foi consultar a imagem para decidir se expulsava ou não o zagueiro espanhol Botía, que permaneceu na partida (fez uso do VAR em outros momentos também).

O quarteto ofensivo do Al Nassr, formado por Amrabat (aberto pela direita), Giuliano (centralizado), Musa (esquerda) e Hamdallah (atacante central) funcionou muito bem para controlar a posse, tendo ainda Petros como um jogador fundamental na saída de bola. Ao mesmo tempo, Carrillo seguia como boa opção de contra-ataque para o Al Hilal e Gomis arriscava tudo que caía em seus pés, e dessa maneira a equipe desperdiçou várias oportunidades para fazer 3 a 0 ainda no primeiro tempo.

Em muitos momentos a transmissão mostrava cartazes com imagens dos sheiks, mas no geral, o que mais se vê nas arquibancadas é uma grande festa. Com torcidas dos dois times, nada de torcida única no clássico - até porque, as leis são bem severas caso haja arruaça. Vale lembrar que a Arábia Saudita enfrenta diversas acusações internacionais sobre direitos humanos.

Voltando ao futebol, em campo na segunda etapa o jogo não mudou muito. A posse de bola continuou com o Al Nassr (bateu em 61%), enquanto o Al Hilal contra-atacava com perigo. A diferença é que os mandantes, desta vez, aproveitaram as oportunidade para empatar uma partida bastante movimentada.


Aos 28, de ombro, Giuliano completou cruzamento de Amrabat, e quatro minutos depois, Hamdallah fez o segundo, novamente com assistência de Amrabat. 

Com uma partida a menos, o Al Hilal lidera o Campeonato Saudita com 29 pontos, seguido de perto pelo Al Nassr com 26. No geral, o clássico de Riad me lembrou um jogo normal do Campeonato Brasileiro, mas com menos técnica.

Al Hilal 2x2 Al Nassr

Posse de bola: 43.5% x 56.5%
Passes/Certos:258/201 x 446/379
Finalicações/Certas: 11/8 x 16/7
Cruzamentos: 15 x 21

Fonte: Gustavo Hofman

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Vários brasileiros, muita correria e quatro gols no clássico saudita do final de semana

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Na Turquia, clássico tenso entre Besiktas e Galatasaray foi decidido (corretamente) graças ao VAR

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Este é mais um texto da série #AssisteaíHofman. A cada final de semana, o fã de esportes escolhe um jogo para o comentarista assistir em enquete pelo Twitter

O Campeonato Turco desta temporada tem sido bastante alternativo. Afinal, nenhum dos gigantes do país aparece na primeira posição após 14 rodadas. O líder é o Istambul Basaksehir, de história bem mais recente, mas com muitos investimentos nos últimos anos e que tenta repetir o feito do Bursaspor, campeão nacional em 2010 - único nos últimos 34 anos a quebrar a hegemonia dos três grandes. 

Para se ter uma ideia da força do time, conta atualmente com Arda Turan, Emre Belözoglu, Gaël Clichy, Eljero Elia e até mesmo o veterano Emmanuel Adebayor, além dos brasileiros Júnior Caiçara e Márcio Mossoró.

Enquanto isso, o Fenerbahçe é apenas o 15o, uma colocação acima da zona de rebaixamento. Galatasaray e Besiktas não estão mal dessa maneira, e no domingo se enfrentaram em Istambul. O jogo vali a terceira colocação, já que a amarela e vermelha estava três pontos na frente, mas com o mesmo saldo de gols do rival alvinegro.

Jogadores do Besiktas comemoram o único gol do clássico com o Galatasaray
Jogadores do Besiktas comemoram o único gol do clássico com o Galatasaray Besiktas

O jogo, no Vodafone Stadium, teve arquibancada completamente lotada, mas apenas com torcedores do Besiktas. Na Turquia, os clássicos têm apenas torcida mandante. 

A partida teve muitas caras conhecidas, então, para começo de conversa, os times titulares escalados pelos técnicos Senol Gunes e Fatih Terim (que estava suspenso e foi substituído na beira do campo pelo assistente Umit Davala), de Besiktas e Galatasaray respectivamente, e ambos com passagens pela seleção turca neste século.

Besiktas, no 4-2-3-1, com variação para o 4-4-2 na fase defensiva: Loris Karius, Adriano, Necip Uysal, Domagoj Vida, e Caner Erkin; Gary Medel e Dorukhan Tokoz; Ricardo Quaresma, Adem Ljajic e Mustafa Pektemek; Guven Yalcin.

Galatasaray no 3-5-2, com variação defensiva para o 5-3-2, que em alguns momentos era um 4-4-2, com um dos alas adiantados: Fernando Muslera, Ozan Kabak, Maicon e Ahmet Çalik; Mariano, Sofiane Feghouli, Fernando, Selçuk Inan e Yuto Nagatomo; Henry Onyekuru e Eren Derdiyok.

Os donos da casa começaram melhores, com mais posse de bola e criando oportunidades de gol, principalmente pelos lados, com o apoio de Adriano/Quaresma e Erkin/Pektemek. O Galatasaray respondia nos contra-ataques, principalmente com os avanços de Mariano. Até que aos 15 minutos, após o experiente árbitro Cuneyt Çakir marcar corretamente jogada perigosa de Kabak em Pektemek dentro da grande área e cobrança em dois toques, a polêmica surgiu.

Ljajic rolou para Erkin, que pisou na bola e o sérvio bateu. A bola explodiu na barreira e o jogo seguiu, apesar das reclamações dos jogadores do Besiktas de uma possível penalidade. Quarenta e três segundos se passaram até que a bola saísse pela lateral. Foi quando Çakir parou o jogo para consultar o árbitro de vídeo. Sim, há VAR na Turquia.

De maneira rápida e eficiente, o pênalti foi corretamente marcado. Derdiyok, quando pulou junto com os companheiros na barreira, abriu o braço direito e a bola bateu em seu cotovelo. O árbitro anotou a infração, deu cartão amarelo para o atacante do Galatasaray e Ljajic cobrou para fazer 1 a 0, um minuto e meio após a paralisação da partida.

Depois do gol sofridos, os visitantes melhoraram e quase empataram aos 33 minutos, quando Kabak mandou a bola no travessão após cobrança de escanteio. O jogo ficou tenso, com muita discussão, quatro cartões amarelos nos últimos sete minutos e duas reclamações não correspondidas de pênalti para o Gala - em uma o VAR novamente foi utilizado.

No intervalo, Yalcin foi sacado de campo e o meio-campista canadense Atiba Hutchinson entrou, mudando o esquema do Besiktas para o 4-1-4-1. Do outro lado, o Galatasaray cresceu, passou a atacar e ter bem mais posse de bola. Aliás, a partida na segunda etapa foi um belo duelo tático, porque Gunes percebeu o domínio adversário e retomou o 4-2-3-1 aos 25 minutos, colocando o holandês Jeremain Lens na vaga do chileno Medel e depois ainda trocou Pektemek pelo agora carequinha Vagner Love. Davala respondeu com a alteração do 3-5-2 para o 4-4-2 nos últimos dez minutos, em busca do empate.

De maneira geral, na segunda etapa, o Galatasaray controlava o ritmo a partir da posse de bola (59% nesse período), mas não criava tantas chances de gol. Quando teve oportunidade, Karius apareceu bem, como em um chute de fora da área do volante Fernando, que o goleiro alemão espalmou com segurança.

O Besiktas ameaçava na retomada de bola e chegou a empatar aos 17 minutos, quando Quaresma recebeu lançamento e bateu na saída de Muslera. O atacante português, porém, estava impedido, o que foi prontamente informado ao árbitro do jogo pelos assistentes de vídeo. Pouco depois, Ljajic, que passou a atuar aberto pela esquerda quando o esquema mudou, quase fez um golaço puxando para dentro.

Aos 21, o grande personagem do jogo voltou a entrar em ação. Onyekuru foi derrubado na área por Uysal e Cuneyt Çakir marcou pênalti. Alertado pelo VAR, mais uma vez foi até a beira do campo e viu o domínio de bola com o braço feito pelo jogador do Galatasaray. Penalidade máxima bem anulada. Já na base do desespero, Maicon quase marcou um golaço de letra aos 42, antes do Besiktas perder dois gols incríveis em contra-ataques.

No final das contas, um jogo bastante tenso e que exigiu muito da arbitragem, mas uma partida bem jogada, com a bola no chão. O resultado fez com que o Besiktas empatasse em 24 pontos com o Galatasaray, mas ultrapassasse o rival nos critérios de desempate (confronto direto e saldo de gols), assumindo o terceiro lugar atrás de Kasimpasa e Istambul Basaksehir.

Besiktas 1x0 Galatasaray

Posse de bola: 48% x 52%
Finalizações: 14 x 9
Finalizações certas: 5 x 2 
Total de passes: 367 x 388
Passes certos: 280 x 299
Total de Cruzamentos: 13 x 15
Cruzamentos certos: 5 x 7
Interceptações: 48 x 48
Rebatidas: 21 x 13

Fonte de vídeo e estatísticas: Wyscout

Fonte: Gustavo Hofman

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Na Turquia, clássico tenso entre Besiktas e Galatasaray foi decidido (corretamente) graças ao VAR

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Gerrard, jovens talentosos, estádio cheio e vitória do Rangers: um sábado de futebol no Escocesão

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Steven Gerrard mantém o Rangers na briga pelo título escocês
Steven Gerrard mantém o Rangers na briga pelo título escocês Rangers

Sem sustos, o Rangers venceu o Livingston por 3 a 0 no último sábado, pela 14a rodada do Campeonsto Escocês. Esse foi o primeiro jogo da série #AssisteaíHofman deste blog. Como prometido no Twitter, relato abaixo.

A Premiership tem 12 times na primeira divisão e todos se enfrentam em turno, returno e mais um turno, totalizando 33 partidas para cada. Depois a competição se divide em duas: disputa pelo título e luta contra o rebaixamento, com os seis primeiros colocados no grupo melhor e os demais fugindo do descenso.

A sequência de cinco jogos sem perder, apesar dos tropeços na Uefa Europa League e também na Copa da Liga escocesa, indicavam o bom momento do Rangers no Escocês. Vinha, inclusive, de goleada por 7 a 1 contra o Motherwell antes da Data Fifa. Só que a última derrota havia sido justamente para o Livingston, adversário do sábado e promovido nesta temporada.

Apenas 53 km separam a cidade com o mesmo nome do time de Glasgow, capital do país. Na tabela, a diferença também era pequena: somente cinco pontos entre o terceiro e o sétimo.

O público, como sempre acontece nos jogos do Rangers, compareceu em ótimo número. Ao todo, 49.448 torcedores foram ao Ibrox Stadium acompanhar o confronto de dois times que passaram nos últimos anos por diversos problemas financeiros e tiveram que se reerguer a partir da terceira divisão.

Steven Gerrard, em seu primeiro emprego como técnico, escalou o Rangers na variação 4-3-3 na fase ofensiva e 4-1-4-1 na defensiva. McGregor, Tavernier, McAuley, Goldson e Halliday; Arfield, Jack e Ejaria; Candeias, Lafferty e Middleton foram os escolhidos como titulares.

Já o Livingston variou do 4-2-3-1 para o 4-4-2 com Kelly, Gallagher, Halkett, Lithgow e Lamie; Jacobs e Byrne; Pittman, Lawson e Burns; Robinson.

Os donos da casa começaram melhores, atacando muito pela esquerda com Halliday e Middleton, mas a primeira chance de gol foi dos visitantes, que acertaram a bola na trave após jogada de bola parada. E só. A partir daí, só deu Rangers, que cruzou muito na área e dominou totalmente a posse.

Logo aos 20 minutos o português Candeias, depois de cobrança de escanteio do jovem e talentoso Middleton (apenas 18 anos), apareceu completamente livre na pequena área, se antecipou ao goleiro Kelly e fez 1 a 0 de cabeça.

Candeias cabeceia para fazer o primeiro gol do jogo
Candeias cabeceia para fazer o primeiro gol do jogo Rangers

A diferença técnica entre as equipes era evidente. Estamos falando de um gigante escocês contra um pequeno. O Rangers controlou o jogo pela posse de bola, mas não é uma equipe de passes curtos e jogo apoiado. Opta pela ligação direta e a velocidade pelos lados do campo, mas tem qualidade na saída por dentro com o meio-campista Ryan Jack, mais recuado no setor. O Livingston entrou em campo para marcar, contra-atacar e jogar no erro do adversário, como as estatísticas deixam claro - principalmente no total de passes certos.

Um outro aspecto importante do time de Gerrard é a juventude. Apesar de veteranos como o norte-irlandês Lafferty (31) e o goleiro McGregor (36), o time tem jovens talentosos. Além do já citado Middleton, o Rangers conta por empréstimo com o meia do Liverpool Ovie Ejaria, de 21 anos, oriundo das categorias menores da seleção inglesa.

Gary Holt, técnico do Livingston, é um novato na profissão, assim como Gerrard. Aos 45 anos, o ex-meia da seleção escocesa dirige apenas o segundo time na carreira. E pouco mostrou  com seus limitados jogadores nos 90 minutos no Ibrox.

O jogo - que ainda teve Jon Flanagan, outro ex-Liverpool, entrando - seguiu com o roteiro de pressão dos Gers até o final e poucas chances do Livingston, mas o placar só aumentou na reta final. Já com o colombiano Alfredo Morelos - outro jovem, 22 anos, e que já tem música da torcida - em campo no lugar do limitado Lafferty, o Rangers fez 2 a 0 aos 38 minutos do segundo tempo. Oitavo gol de Morelos na Premiership, artilheiro da competição. O canadense Scott Arfield, ex-Burnley, aos 43, fechou a conta.

Com o resultado e após 13 jogos, o Rangers ultrapassou o Hearts e assumiu o segundo lugar na tabela do Escocesão, dois pontos atrás do Celtic. Desde 2011 o clube não é campeão nacional; Nesse período, o grande rival conquistou o heptacampeonato escocês.

Rangers 3x0 Livingston

Posse de bola 66% x 34%
Finalizações: 22 x 10
Finalizações certas: 7 x 3
Total de passes: 426 x 230
Passes certos: 353 x 165
Total de Cruzamentos: 29 x 10
Cruzamentos certos: 14 x 5
Interceptações: 31 x 47
Rebatidas: 25 x 23

Fonte de vídeo e estatísticas: Wyscout

Fonte: Gustavo Hofman

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Gerrard, jovens talentosos, estádio cheio e vitória do Rangers: um sábado de futebol no Escocesão

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Quatro anos para uma das Copas do Mundo mais polêmicas de todos os tempos

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Gianni Infantino visitou em outubro as obras do estádio Al Wakrah
Gianni Infantino visitou em outubro as obras do estádio Al Wakrah Fifa.com

Faltam quatro anos para o início da Copa do Mundo no Qatar. No dia 21 de novembro de 2022, a bola vai rolar para a primeira partida oficial do próximo Mundial, que ainda tem mais dúvidas do que certezas. Não está definido o total de cidades e estádios que sediarão as 32 ou 48 seleções participantes. Além disso, denúncias de péssimas condições para os trabalhadores que preparam o país para receber milhões de turistas continuam aparecendo, a sombra da corrupção jamais abandonou a candidatura vencedora e a crise diplomática com outras nações árabes permanece.

O cenário atual mais provável e trabalhado pelo Comitê Organizador Local é de construção de seis novas arenas e renovação de dois antigos estádios, tudo isso em apenas cinco localidades e com distância máxima de 55km entre elas, o que vai criar um clima incrível entre as torcidas. A Fifa sofre pressão política para antecipar a ampliação do total de equipes, prevista e aprovada para 2026, já para o Qatar - proposta que não tem apoio do governo local.

Nos últimos anos, o país tem investido muito no futebol. Basta citar a compra do Paris Saint-Germain como maior exemplo internacional, enquanto regionalmente busca reforços estrangeiros para evoluir. Xavi, hoje no Al Sadd, se tornou um embaixador praticamente dessa política, e a seleção já há alguns anos tem naturalizado atletas também, como o brasileiro Rodrigo Tabata, que desde 2011 atua no futebol qatari. A imprensa foi outra que mereceu atenção governamental, com a criação do beIN Sports, braço esportivo do canal Al Jazeera.

A Copa de 2022 vai também provocar uma enorme confusão no calendário do futebol mundial, já que será a primeira a ser realizada entre novembro e dezembro. Para o Brasil, a adequação, na prática, será mínima, já que vai inclusive facilitar a vida dos dirigentes por se tratar de final de temporada. Na Europa, porém, interromperá tudo que estiver acontecendo. Entre junho e julho, a temperatura na região atinge rotineiramente mais de 40oC, enquanto no final do ano cai pelo menos dez graus.

Mesmo assim, todas as arenas, que devem se tornar elefantes brancos depois do Mundial, serão climatizadas. Al Duhail e Al Sadd, por exemplo, os dois times mais fortes do país, atuam em estádio para 10 mil e 15 mil pessoas, respectivamente. Para minimizar esse provável problema, a organização doará 170 mil cadeiras depois da Copa, reduzindo a capacidade de boa parte das nababescas obras, que mesmo assim permanecerão grandes para a demanda local.

Imagens divulgadas pelos organizadores mostram o andamento das obras nas sedes.








O custo de tudo isso, no entanto, vai muito além dos milhões de dólares investidos pelo Qatar, oriundos da terceira maior reserva mundial de gás natural e petróleo. A Anistia Internacional divulgou amplamente denúncias graves sobre trabalho forçado, restrição de liberdade e passaportes confiscados dos trabalhadores, quase todos estrangeiros. Segundo a Anistia, há hoje 1.7 milhão de imigrantes em todos setores produtivos do Qatar.

A organização denuncia que a maioria dos imigrantes que chegam para trabalhar nos estádios paga entre 500 e 4.300 dólares para empresas que os recrutam em seus países de origem - Nepal, Bangladesh e Paquistão formam o maior contingente. Em território qatari, recebem em média 200 dólares por mês - fora os atrasos ou ausência de pagamentos, comuns pelos depoimentos. De qualquer modo, são incontáveis os registros de documentos retidos pelos empregadores. Além do passaporte, a licença de trabalho não é fornecida, o que, na prática, torna os imigrantes cidadãos ilegais. Situação absurda que, por sua vez, faz com que eles tenham medo de deixar o local de trabalho para não serem presos pela polícia. 

Não há também um número oficial de mortos; Sabe-se porém, que é altíssimo. As precárias condições fizeram com que o Governo do Emir Tamim bin Hamad Al Thani criasse o Workers'Welfare, um documento que regulamenta e exige tratamento adequado para todos trabalhadores. O último relatório, com dados de 2017, aponta 237 inspeções, mais de 2 mil horas investidas e 2.335 pessoas ouvidas. "Continuamos a introduzir iniciativas que demonstram grande independência, maiores direitos, melhores condições para os trabalhadores. O Qatar está inspirando todo mundo com suas políticas e programas", garantiu Hassan Al Thawadi, presidente do Comitê Organizador e secretário Geral do Comitê Supremo para Entrega e Legado. Tudo contrasta com os relatórios independentes produzidos pela Anistia Internacional e outras organizações de direitos humanos.

Aliado a tudo isso, desde a metade do ano passado o Qatar enfrenta grave crise diplomática na região. Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos e Bahrein romperam relações após acusarem o vizinho de apoio ao terrorismo. Antes mesmo dos últimos eventos, a atuação da Al Jazeera na Primavera Árabe já irritara as nações árabes. Há ainda o bom relacionamento do Qatar com os Estados Unidos e o Irã, principal rival saudita, como pontos precários no relacionamento entre os países do Oriente Médio.

Some ainda mais as suspeitas de corrupção na escolha do Qatar como sede da Copa, apontadas pelo Relatório Garcia, e há um cenário bastante controverso para a próxima sede da Copa do Mundo. O que, mais uma vez na história, deixa a pergunta: qual é o verdadeiro custo do maior evento de futebol do planeta?

Fonte: Gustavo Hofman

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Quatro anos para uma das Copas do Mundo mais polêmicas de todos os tempos

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10 filmes de basquete no Watch ESPN que você precisa assistir

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman


Certamente não existe ranking que não cause polêmica. É, praticamente, um pressuposto para gerar um bom debate. A lista abaixo e acima, em texto e em vídeo, oferece uma lista espetacular de filmes sobre basquete disponíveis no Watch ESPN. Alguns vão discordar da ordem ou lembrar de outros que poderiam ser citados, mas o mais importante é que você assista todos. Não vai se arrepender.

10. Dominique belongs to us

https://es.pn/2RukmS5

9. Bad Boys

https://es.pn/2RC5elM

8. The Fab Five

https://es.pn/2RGHflo 

7. This Magic Moment

https://es.pn/2RB7BoD 

6. Maravich

https://es.pn/2Ryly6V 

5. Son of the Congo

https://es.pn/2Ea9i9Z 

4. I hate Christian Laettner

https://es.pn/2RAnMmb 

3. Celtics/Lakers: Best of Enemies

Parte 1 - https://es.pn/2RC3WXY 
Parte 2 - https://es.pn/2E6U9pQ 
Parte 3 - https://es.pn/2E4L8h6 

2. The Announcement

https://es.pn/2E6U85g 

1. Once Brothers

https://es.pn/2E6JkEd 

Fonte: Gustavo Hofman

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Balões, bambolês e bonés: como um brasileiro está inovando os treinamentos na NBA

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Desenhos na parede para os treinos do Phoenix Suns
Desenhos na parede para os treinos do Phoenix Suns Arquivo pessoal

Quando Nandes chegou ao ginásio de treinamentos do Phoenix Suns, os jogadores se assustaram. Assim que o brasileiro começou a colocar os equipamento de trabalho sobre uma mesa, a curiosidade tomou conta de todos. Balões, bambolês, lasers, bonés, óculos de várias cores... Tudo aquilo para um treino de basquete.

A equipe do Arizona não é, definitivamente, a melhor da NBA. Muito longe disso, mas mesmo assim possui no elenco jovens e talentosos jogadores, como o armador Devin Booker e a primeira escolha do último draft, Deandre Ayton. Além deles, tem ainda veteranos como Ryan Anderson, há dez anos na liga. Todos se surpreenderam com o que viram nas quadras dos Suns.

Fernando Pereira, mais conhecido como Nandes, tem 30 anos, foi jogador de basquete, é formado em educação física, professor da UniBH e atualmente trabalha no Instituto Superação e no Minas Tênis Clube, nas categorias sub-13 e sub-15, além do desenvolvimento de jogadores da equipe profissional que joga o NBB. Ele criou uma metodologia de treinamentos focada na cognição e na ação. Ou seja, exercícios específicos para criar autonomia de membros e sobrecargas motoras e perceptivas, com o intuito de aproximar ao máximo um movimento de treino ao que se realiza em um jogo.

Booker, ainda com a mão direita imobilizada por causa de uma cirurgia, participou de uma atividade com balões. Cercado por quatro treinadores e sob o comando de Nandes, batia a bola, recebia passes e não podia deixar os balões tocarem o chão. Outros atletas trabalharam com bambolês, bonés e até mesmo bolas de futebol, como Dragan Bender.

"Qualquer objeto é um elemento. A bola é o elemento um, o bambolê ou o balão é o elemento dois. O bambolê serve para ocasionar sobrecarga motora. Enquanto tem o elemento um em uma mão, o atleta tem o elemento dois na outra fazendo outro movimento dentro do programa motor. O cérebro precisa criar autonomia de membros, porque se ele faz uma coisa de um lado e outra do outro, isso se chama dissociação. No jogo, os atletas estão o tempo todo sob sobrecarga, marcados, com a mão precisa se deslocar entre os defensores e a bola precisa ser conduzida automaticamente. Colocar outros elemento significa 'enganar' o cérebro. O balão é um pouco parecido, também como outro elemento, mas é uma sobrecarga perceptiva, porque é um elemento aleatório. O atleta precisa treinar o olho, visão periférica e dar o toque no balão para não cair e o tempo todo está batendo bola", explica Nandes, sempre sob a supervisão e autorização do técnico Igor Kokoskov.

Como tudo começou

Toda história de Fernando Pereira está ligada ao basquete mineiro. No Minas ele foi treinado por Raul Togni, pai de Raulzinho, e se tornou jogador. Conheceu o brasileiro do Utah Jazz ainda garoto e criou bom relacionamento com a família. Parou de jogar cedo, em 2008, em uma época de vacas magras para a bola ao cesto brasileira. Foi estudar e conseguiu, em São João del Rey, vaga na Federal e também como técnico de um time local. Ralou muito no início, nas mais variadas funções que um formando em educação física se habilita até uma mudança radical em 2015.

Foi o ano em que a Federação Mineira contratou um técnico argentino, Ricardo Bojanich, para trabalhar com a base do estado. Muito amigo de Rubén Magnano, ele dava treinos e clínicas nos clubes. Flávio Davies, que fora técnico de Nandes no adulto do Minas, o indicou para o cargo de assistente. Meses depois, Demétrius, que treinava o Minas, foi contratado pelo Bauru e Cristiano Grama subiu do sub-19 para o principal. Todos abaixo também subiram uma categoria e assim surgiu a oportunidade de retornar ao clube que o formou.

Já em junho de 2016, houve o reencontro com Raulzinho, que passava férias em Belo Horizonte e foi no clube treinar. Na oportunidade, Nandes apenas "pegou bola" para o jogador da NBA, mas um ano depois, já com a metodologia diferenciada sendo desenvolvida, não foi apenas um auxiliar do armador, mas sim seu técnico. "O Raulzinho deu um feedback muito positivo, disse que nunca tinha visto isso na NBA e fez o convite para ir até o Jazz, ficar na casa dele".

No dia 14 de janeiro de 2018, Nandes pegou o avião e foi pela primeira vez aos Estados Unidos. Viajou apenas com a expectativa de conhecer todas instalações do Utah Jazz e trabalhar em alguns treinos com Raulzinho. Logo no primeiro dia, foi ao ginásio para acompanhar a partida contra o New York Knicks. Assim como todos do time, chegou bem cedo e assistiu todo aquecimento.

Igor Kokoskov, técnico sérvio com quase 20 anos de experiência no basquete norte-americano entre NCAA e NBA, campeão em 2004 como assistente no Detroit Pistons e medalha de ouro no Europeu de 2017 no comando da Eslovênia fazia parte do staff do treinador Quin Snyder em Salt Lake City. Raulzinho foi o responsável pela apresentação de Nandes a todos. Igor agradeceu pelos treinos ao armador brasileiro nas férias e se sentou na arquibancada. Nandes viu, ali, a oportunidade de estabelecer uma relação mais forte e criticou o aquecimento dos jogadores do Jazz a Kokoskov.

"Ali minha vida mudou. Eu critiquei o aquecimento dele e ele me ouviu. Mostrei que os exercícios estavam aquecendo a área motora, mas precisava aquecer a área cognitiva também, para as tomadas de decisão. Ele me pediu para explicar mais e fui explicando, mostrando vídeos que eu tinha com o Raulzinho. No terceiro vídeo, ele pegou o celular da minha mão e ficou analisando, pedindo mais explicações. Em dez minutos ele ficou doido", relembra.

No dia seguinte, convocado pelo sérvio, Nandes foi ao ginásio para trabalhar. Mais cedo, foi ao Wallmart comprar todo material necessário: balões, lanternas, lasers, frisbees, bambolês... "Umas coisas meio doidas, ligadas à neuroaprendizagem", brinca com seu 'mineirês'.

As vítimas foram os armadores. Além de Raulzinho, o espanhol Ricky Rubio participou das atividades, com Igor acompanhando tudo. Foram 17 dias participando ativamente da rotina do time e, no final, o convite do técnico Quin Snyder para voltar na pré-temporada. Quando retornou ao Brasil, a primeira coisa que Nandes fez foi buscar um professor de inglês particular para desenvolver o novo idioma. 

Fernando Pereira agradou à comissão técnica dos Suns com seus treinos inovadores
Fernando Pereira agradou à comissão técnica dos Suns com seus treinos inovadores Arquivo pessoal

Outra mudança de rumo

Não houve qualquer acerto oficial ou contrato assinado, apenas um aperto de mão. Só que em maio de 2018, após o Houston Rockets eliminar o Jazz nos playoffs, Igor Kokoskov recebeu o convite para se tornar treinador do Phoenix Suns. Justamente o maior elo de Nandes na franquia de Utah. De qualquer modo, havia esperança ainda.

Em agosto deste ano, Raulzinho veio ao Brasil acompanhado do pivô Rudy Gobert para um camp voltado a crianças em São Paulo e com um pedido específico de Quin Snyder: Nandes deveria treinar o gigante francês; se ele gostasse, o plano de viajar para a pré-temporada do time poderia ser reativado.

Na quadra do Clube Alto dos Pinheiros, na capital paulista, Gobert foi orientado por Nandes durante 25 minutos. Trabalhou com bambolês, balões e lasers sob os olhares das câmeras da NBA. Gobert gostou muito. 

Só que o pivô não estava muito interessado em se apresentar tão cedo ao seu time nos Estados Unidos e resolveu esticar as férias. Isso afetou diretamente o sonho de Fernando, porque não haveria mais tempo na agenda do Jazz para seus treinos específicos. Com isso, tudo voltava à estaca zero. Mais ou menos... "Pedi para o câmera da NBA os vídeos. Quando ele me mandou, repassei para o Igor. Ele viu e depois de três dias me mandou uma mensagem: quando você pode vir a Phoenix?". As passagens chegaram nos dias seguintes, assim como a reserva no hotel bem em frente ao ginásio dos Suns. 

Em 14 de setembro, Nandes partiu pela segunda vez aos Estados Unidos, já com o inglês afiado. Kokoskov o buscou pessoalmente no hotel. "Ele me falou que não era uma data muito boa, porque já estava treinando jogadas, mas queria que eu fosse para o staff me conhecer, porque estava pensando em mim na próxima pré-temporada". O head coach apresentou as quadras, a academia, o escritório e toda estrutura do time no primeiro dia. Antes de irem para a quadra, Nandes pediu para apresentar novamente os conceitos dos seus treinamentos. 

Deandre Ayton, primeira escolha do Draft 2018 da NBA, junto a Nandes
Deandre Ayton, primeira escolha do Draft 2018 da NBA, junto a Nandes Arqu

"A parede do escritório é o quadro, tudo um quadro branco. Usei a metade que estava vazia. O que era para durar 15 minutos, durou três horas. Por culpa dele, que ficou tão empolgado, que pedia exemplos, explicação. E meu inglês nos últimos seis meses melhorou bastante Depois disso, na primeira reunião, às nove da manhã, ele me apresentou para toda comissão técnica. Falou para o pessoal olhar para a parede, lá estava tudo escrito. Disse que tinha me trazido para sugarmos tudo, que eu era um cientista do basquete. Imagina o head coach falando isso! Então todo mundo quis ouvir, ninguém teve preconceito", conta.

Deandre Ayton, Dragan Bender, Mikal Bridges, Isaiah Canaan todos passaram pelos treinos. Ryan Anderson foi quem mais se interessou. "A maioria deles, com cinco minutos, já entendia rápido. O Ryan Anderson foi quem mais percebeu isso, dizia que é um jogador que precisa disso, de inteligência, não é muito físico. Ele foi quem mais me surpreendeu, ficava conversando comigo nos corredores".

A maior estrela dos Suns também se empolgou com o que fez. "Com o Devin Booker o trabalho foi mais básico, porque ele só pôde treinar com uma mão. Mesmo lesionado, ele se interessou muito pelo trabalho e fez movimentos mais simples, como bater para dentro, leitura, bandeja de esquerda, se acende a lanterna passa, se não vai para a cesta. Ele me via e já cobrava o treinamento do dia seguinte. Um cara fora de série, de uma inteligência absurda", explica. "No treino com balão, havia quatro pessoas ao redor. O balão não podia cair no chão, cheguei a colocar dois balões. Ele tinha que receber o passe, mandar de volta com a mão esquerda e não deixar os balões caírem. Cada técnico era um número, eu falava quatro e o correspondente passava, ele dava um tapa de volta e não deixava os balões caírem". 

Durante uma semana, Nandes foi testado de todas maneiras possíveis pelos assistentes técnicos. Era questionado o tempo todo sobre o objetivo de cada exercício e passou a ser chamado também para outras atividades dos jogadores. No último dia, Igor e o general manager na época, Ryan McDonough, o convidaram para retornar em janeiro.

Fernando Pereira e Igor Kokoskov, técnico do Phoenix Suns
Fernando Pereira e Igor Kokoskov, técnico do Phoenix Suns Arquivo pessoal

"No processo de repetição, os jogadores da NBA erram pouco, acertam 23 de 25, o cara é fera, está na melhor liga do mundo. Mas quando você vai para o processo aleatório, os exercícios que eu faço, o cara erra demais. Ele precisa entender que são os processos cognitivos que estão sendo alterados, dentro da sinapse, dentro dos neurônios. Precisam entender para estarem motivados. O Isaiah Canaan se interessou muito e para ele eu consegui explicar bem os conceitos, então ele absorveu a ideia de longo prazo. Errava bastante, mas entendia que era uma mudança de processos no cérebro. Um atleta que dribla um cone, outro cone, faz a bandeja, não está tão perto do jogo. Um atleta que está girando um bambolê, exige mais do cérebro, utiliza regiões similares às do jogo. O cérebro está sobrecarregado o tempo todo. O jogo é uma tempestade de sobrecargas. Tem que atacar, marcar, está livre, está marcado. Tem que fazer o atleta ficar sobrecarregado, não o tempo todo, mas buscar exercícios que fiquem mais próximos do jogo".

Ao que parece, Nandes tem conseguido isso. E está cada vez mais perto da NBA.

Fonte: Gustavo Hofman

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Balões, bambolês e bonés: como um brasileiro está inovando os treinamentos na NBA

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Os caminhos da fé de Lyon a Jerusalém

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Marcelo, Marçal e Rafael, jogadores do Lyon, estiveram em Israel recentemente
Marcelo, Marçal e Rafael, jogadores do Lyon, estiveram em Israel recentemente Arquivo pessoal

Jerusalém é considerada o berço de três das maiores religiões do mundo. Cristãos, muçulmanos e judeus tratam o local, um dos berços da civilização, como sagrado.

Cerca de 3.5 milhões de turistas visitam anualmente a cidade, considerada capital de Israel e Palestina, e consequentemente centro de disputa entre as duas nações. Recentemente, em maio deste ano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gerou enorme polêmica internacional ao mudar a embaixada norte-americana em território israelense de Tel Aviv para a cidade santa, a reconhecendo oficialmente como capital do estado de Israel.

Distantes mais de 3000 km de Jerusalém, três brasileiros, jogadores profissionais do Lyon, resolveram seguir o caminho da própria fé. No período da última data Fifa, no final de agosto e início de setembro, fizeram uma viagem espiritual a Israel e foram batizados no Rio Jordão.

O mais experiente deles é o zagueiro Marcelo, de 31 anos, revelado pelo Santos e com longa carreira no futebol europeu. Já o mais conhecido é o lateral Rafael, 28, que defendeu o Manchester United ao lado do irmão gêmeo Fábio entre 2008 e 2015. Por fim, Fernando Marçal, 29, formado no Guaratinguetá e que, como tantos outros atletas saídos do Brasil, mudou bastante de clube até se firmar, agora, com a camisa dos Les Gones.

Os três, em comum, além da cidadania e a paixão pela bola, têm a religião. Todos são evangélicos. "Foi incrível. Imaginei que seria maravilhoso, mas não imaginei que fosse tanto. Renovou a minha fé, aumentou meu conhecimento. É a Bíblia viva! Jerusalém é totalmente especial. Me arrepiava em passar pelos lugares aonde Jesus esteve, relembrar e conhecer mais dos fatos bíblicos estando ali presente. O Rio Jordão também é muito emocionante. Não tem como você não sair de lá diferente, impactado", conta Rafael.

Os três brasileiros foram batizados no Rio Jordão
Os três brasileiros foram batizados no Rio Jordão Arquivo pessoal

Na atual temporada, o Lyon ocupa a sétima posição da Ligue 1 após cinco rodadas, com duas vitórias, um empate e duas derrotas. Marcelo e Rafael são titulares absolutos na linha de defesa do técnico Bruno Génésio, enquanto Marçal, lesionado, ainda não jogou. O clube foi heptacampeão francês entre 2001 e 2008, em uma histórica equipe que teve como grande símbolo o meia Juninho Pernambucano.

"Eu procuro colocar Deus na frente de tudo. Acredito que o futebol seja parte da minha vida, mas tenho minha vida pessoal também. Seguir Deus é mais importante pra mim do que o futebol", explica Marcelo, ressaltando a importância da fé em sua trajetória. "Essa viagem significou muito. Tenho fé, creio no que leio na Bíblia e quando você está lá, vê, toca, sente realmente e lembra daquilo que você leu, percebe naquele momento onde as coisas aconteceram", completa.

Os três estiveram também em Tel Aviv e Nazaré, sempre acompanhados de Leonardo Scheinkman, que é judeu e o responsável pelas carreiras de Marcelo e Rafael. Partiu dele a iniciativa que encantou o trio.

"Pra mim foi como voltar no tempo e entrar na história. Foi um lugar emocionante. Quando estava na prisão onde Jesus ficou, eu sentia as chicotadas, sentia Jesus carregando a cruz. Senti o amor dele para curar os paralíticos quando estivemos no Tanque de Betesda. Foram dois dias de visita que fortaleceram muito minha fé como eu não imaginava, e espero voltar com minha família", afirma Marçal.

O esporte mais popular do planeta é palco de diversas demonstrações de fé no dia a dia. Nos vestiários brasileiros é absolutamente normal o espaço destinado às rezas. Torcedores fazem o sinal da cruz nas arquibancadas para torcer que a cobrança de pênalti vá para fora. Santos e santas fazem parte de preleções de diversos treinadores, mais velhos ou mais jovens. A fé é, praticamente, um elemento a mais do jogo e precisa ser compreendida.

"Minha fé ajuda muito. É muito bom ter essa certeza de que as coisas não dependem só de você. Que você tem um Deus que te guia, que trabalha por você. Entender que tudo tem um propósito e que só ele sabe a hora", sintetiza Rafael.

Nesta quarta-feira, o Lyon enfrenta o Manchester City, fora de casa, pela primeira rodada da Uefa Champions League. Um enorme compromisso dentro de campo, que também vai exigir muita fé.

Fonte: Gustavo Hofman

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Imagine estrear com apenas 16 anos pelo Corinthians

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

O Campeonato Brasileiro de 1993 já começou bagunçado. Após a virada de mesa promovida pela CBF, que subiu 12 times da Série B e não derrubou os últimos do ano anterior, a competição teve fórmula diferente. Foram 32 clubes divididos em quatro grupos, com os três primeiros de A e B avançando, além dos dois primeiros de C e B, que ainda jogariam um playoff. Bagunça total, mas com grandes elencos no futebol brasileiro.

Era a época da Parmalat no Palmeiras, que sem dúvida tinha o melhor time - e no final das contas foi o campeão ao bater o Vitória de Dida, Paulo Isidoro e Alex Alves na decisão. O grande rival do alviverde, o Corinthians, era praticamente o oposto em termos de futebol. Comandado por Mário Sérgio, era uma equipe de pouca técnica, mas que priorizava demais a tática. Em junho, nos clássicos que decidiram o Campeonato Paulista, o fim do jejum palmeirense.

Logo na primeira rodada do Brasileiro, o Corinthians enfrentou o Cruzeiro, no Mineirão. Quase 22 mil pessoas foram ao estádio, para acompanhar o time do coração e também um jovem atacante que começava a despontar na Raposa, de nome Ronaldo. Do lado alvinegro, porém, houve uma grande novidade.

Durante a semana, Mário Sérgio convocou da base um volante, muito talentoso com o pé esquerdo, que estava quase trocando o futebol de campo pelo futsal. Assim, aos 16 anos, José Elias se tornou na época o jogador mais jovem a vestir a camisa do Corinthians - depois foi superado por Jô.

Hugo, Leandro Silva, Marcelo, Henrique e Admílson; Zé Elias (Embu), Marcelinho Paulista (Elias), Ezequiel e Válber; Tupãzinho e Rivaldo. Com essa escalação e gols de Leandro e Tupã, o Timão venceu por 2 a 0 fora de casa, abrindo a campanha que seria encerrada com apenas uma derrota, na segunda fase, diante do Vitória.

Ali, há exatos 25 anos, começou a surgir o Zé da Fiel, um dos grandes ídolos corintianos dos anos 1990.

Matéria da Folha, no dia da estreia de Zé Elias
Matéria da Folha, no dia da estreia de Zé Elias Acervo Folha

Fonte: Gustavo Hofman

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Imagine estrear com apenas 16 anos pelo Corinthians

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A vida do atleta brasileiro expatriado, muito além do estrelato

Gustavo Hofman
Gustavo Hofman

Expatriados.

Em tempos de xenofobia e intolerância, a palavra soa forte. Na prática, ela pode ter dois significados bem diferentes. Refere-se a alguém que saiu da própria pátria de maneira voluntária ou por obrigação.

Viver em um país estrangeiro sempre será um desafio para qualquer pessoa. Cultura, língua em muitos casos, clima, culinária, religião, são vários aspectos que podem tornar a vida fora do Brasil mais complicada para milhões de pessoas. No universo esportivo a situação não é diferente.

Muito longe das grandes estrelas internacionais, que ganham milhões, são paparicadas por seus clubes e torcedores, vivem em mansões e nem se preocupam com declarações de imposto de renda (quando não o driblam...) existem os personagens que formam a maioria dos atletas brasileiros expatriados. Quase sempre o lado financeiro é o que pesa, ainda mais com a economia brasileira em frangalhos e o Real cada vez mais desvalorizado, mas o desafio de atuar fora inclui muitos outros aspectos também.

No futebol, não há nação que mais fornece pé-de-obra para o mundo. Segundo o CIES Football Observatory, centro de estudos localizado na Suíça, a temporada 2017-18 terminou com 1236 jogadores brasileiros atuando em campeonatos nacionais espalhados pelo planeta. Muito à frente de França e Argentina, segunda e terceira colocadas no ranking com 821 e 760 atletas, respectivamente.

Como Alemão e Anderson Lopes, dois dos representantes brasileiros no futebol sul-coreano. O primeiro é um veterano zagueiro de 32 anos, com longa trajetória em diversos clubes do Brasil, entre eles Santa Cruz, Vila Nova, Ituano e Náutico. Já o segundo, aos 24 anos, é um atacante revelado pelo Avaí, com passagem pelo Atlético Paranaense e também pelo Sanfrecce Hiroshima, do Japão. Os dois chegaram na Coreia do Sul neste ano.

Alemão foi reforço do Pohang Steelers, time grande da Coreia do Sul
Alemão foi reforço do Pohang Steelers, time grande da Coreia do Sul Pohang Steelers

"Na grande maioria das vezes tem a questão financeira quando você vem para fora do país e no meu caso não foi diferente. Fui atrás de informações do futebol e dos clubes coreanos e as respostas sempre foram positivas, então como o país é muito bom para viver e morar, aceitei o desafio", explica Alemão, jogador do Pohang Steelers. 

Naturalmente o valor alto oferecido por equipes asiáticas chamam a atenção, mas muito além disso, a segurança no final do mês é o que mais atrai os estrangeiros. "A faixa salarial aqui é muito boa, paga tudo em dia. Não só o meu clube, mas todos os outros. Não atrasam salário, nem bicho. Não tenho o que reclamar da cidade. Moramos na capital, temos muitas opções, minha família adora aqui. É muito bom viver e morar aqui", garante Anderson Lopes, reforço do Seoul FC para a temporada. "Dependendo do clube que você está não tem comparação, mas até mesmo jogando em clube pequeno por aqui ganha mais do que no Brasil em clubes principalmente da Série B, além da questão do salário estar sempre em dia. Não atrasa em clube nenhum", completa Alemão.

Em média, estrangeiros ganham entre US$ 20 mil e US$ 50 mil no futebol sul-coreano.

Nos campos e nas quadras

Bem distante da Coreia do Sul, na região dos Balcãs, não apenas jogadores de futebol constroem a carreira longe do Brasil. Vítor Benite e Augusto Lima, jogadores da seleção brasileira de basquete, foram reforços do Cedevita para a atual temporada.

O clube, com sede na capital Zagreb, tem estrutura impressionante, com três quadras em seu centro de treinamentos, academia exclusiva para os atletas, quatro fisioterapeutas à disposição e muito investimento para voltar a se colocar entre os grandes da Europa. O Cedevita disputa a forte Liga Adriática, basicamente um Campeonato Iugoslavo com adversários de Sérvia, Bósnia, Macedônia e Montenegro, e a Eurocup, segundo torneio mais forte do continente. Além disso, montou um time B para o Campeonato Croata.

Benite vai defender o Cedevita, da Croácia, nesta temporada
Benite vai defender o Cedevita, da Croácia, nesta temporada Divulgação

"A escolha em vir para a Croácia não foi em relação ao país, e sim ao clube. Pelas ligas que eu vou jogar e a ambição do clube. É um país maravilhoso, tem uma costa linda, o pessoal aqui é muito bacana, educado, mas a minha maior motivação foi jogar em um clube com uma estrutura muito grande, com objetivo de jogar novamente a Euroliga. Hoje estou jogado a Eurocup, uma liga superior à que eu jogava em Murcia. Jogando também a Liga Adriática, que é a ex-Iugoslávia, times da Sérvia, Croácia, Montenegro, Macedônia e Bósnia. Tudo isso me motivou a fazer essa mudança e buscar um caminho diferente nesse momento", explica Benite, um dos grandes talentos do basquete brasileiro na atualidade, revelado pelo Clube Regatas, de Campinas.

A cada ano que passa o Novo Basquete Brasil cresce e se torna uma competição mais forte. Financeiramente, porém, assim como no futebol, a distância para os grandes clubes europeus é enorme. Para se ter ideia, um destaque do NBB ganha cerca de R$ 80 mil - poucos acima disso; Para um atleta de médio destaque, varia entre R$ 20 mil e R$ 30 mil; Há ainda os demais jogadores que compõem um time, cuja faixa salarial fica entre R$ 3 mil e R$ 6 mil. Na Espanha, onde atuavam Benite e Augusto Lima, o jogador médio ganha tranquilamente 8 mil euros, quase R$ 40 mil. 

"Financeiramente, em relação aos grandes times da Europa, o basquete brasileiro está bem atrás. Temos orçamentos de times top na Europa muito mais altos, de 23 milhões de euros por ano. Em relação à liga croata não, mas o Cedevita é um time top europeu, então tem um orçamento bem mais alto, eu diria, do que os times brasileiros. Além da estrutura, que é uma das partes mais importantes", diz Benite. "Tive tempo para conhecer um pouco de Zagreb. Uma cidade com um ambiente muito legal, povo muito educado, como o croata é difícil, todos falam inglês. A gente se vira de maneira bem rápida. Apesar de não ser uma cidade tão grande, tem muita coisa para fazer, na parte cultural, bares, restaurantes, as pessoas estão sempre nas ruas aqui".

Quem passou pela Croácia recentemente, mas nos gramados de futebol, foi o meia Bady, meia de 29 anos, com experiência em clubes do interior paulista, além de Figueirense e Atlético Paranaense. Em 2017 teve a primeira oportunidade internacional da carreira, ao ser contratado pelo Gençlerbirligi, da Turquia. Pouco aproveitado pelo treinador, foi se aventurar por seis meses no NK Istra e deu certo: marcou um gol, deu três assistências e ajudou a pequena equipe a se manter na primeira divisão através do playoff contra o rebaixamento.

"Quem trabalha com futebol sabe a importância de estar jogando, poder atuar, a diferença que faz. Por isso aceitei esse desafio e graças a Deus deu certo. Joguei a maioria dos jogos e isso facilitou a minha volta ao clube turco. Foi muito bom ter ido para lá", se lembra Bady, que agora retornou ao Gençlerbiligi para a disputa da segundona turca. "Tem sido uma experiência fantástica pra mim. Não só financeiramente, mas também a experiência de viver outra cultura, poder conhecer mais sobre o futebol europeu. Algo que a maioria dos jogadores tem como sonho, poder jogar na Europa. Estou gostando bastante, sempre com muita dedicação. Sempre buscamos coisas maiores na nossa carreira, principalmente no futebol".

No caso das duas modalidades esportivas já citadas, a realidade no Brasil ainda permite o sonho de se tornar atleta profissional. Com todas dificuldades possíveis, é verdade, mas em campeonatos fortes e bem organizados. Já no handebol a situação é bem diferente.

Rangel atua fora do Brasil há três anos
Rangel atua fora do Brasil há três anos Arquivo pessoal

"O que mais me motivou a ir para a Romênia foi o desafio de conhecer uma cultura nova, um idioma novo e uma liga diferente, além da boa oferta e condições que o clube ofereceu. Financeiramente tem muita diferença em comparação ao Brasil, aqui você vive só do handebol, e no Brasil muitas vezes os atletas têm que estudar ou trabalhar. Poucos conseguem viver só do esporte. Outra grande diferença é que aqui o esporte é profissional, somos pagos como um trabalhador normal, no Brasil muitas vezes não temos nem contrato".

O depoimento acima é do goleiro da seleção brasileira Rangel, de 22 anos, praticamente expatriado do Brasil por obrigação. Em 2016 ele foi contratado pelo Odorhei Secuiesc, clube romeno da região da Transilvânia, após defender o Villa de Aranda, time espanhol. Em dificuldades financeiras, a equipe fechou as portas no início deste ano, mas com a carreira em crescimento, Rangel não precisou voltar ao Brasil. Fechou contrato com o Bidasoa Irún, clube do País Basco, na Espanha.

Professores e head coaches

É notória a dificuldade do treinador brasileiro de futebol em trabalhar na Europa. Diversos profissionais com grandes carreiras fracassaram nas oportunidades que tiveram em grandes clubes - casos mais famosos de Vanderlei Luxemburgo e Luiz Felipe Scolari, no Real Madrid e no Chelsea, respectivamente. Já no Oriente Médio e na Ásia o técnico oriundo do Brasil sempre teve bom mercado.

Recentemente a Arábia Saudita levou o campeão brasileiro Fábio Carille para trabalhar no Al Wehda, e tantos outros estão na região. O Japão sempre foi um porto seguro para os professores daqui, até mesmo pela abertura que Zico, como jogador nos anos 1990, deu ao futebol brasileiro em terras nipônicas. Há outro desbravador agora, mas com uma bola de basquete.

Após conquistar quatro títulos do NBB, uma Liga das Américas e um Mundial com o Flamengo e ter atuado como assistente técnico da seleção brasileira por mais de dez anos, José Neto aceitou o desafio de iniciar um projeto no basquete japonês.

Neto e seus novos comandados no basquete japonês
Neto e seus novos comandados no basquete japonês Arquivo pessoal

"Tenho recebido convites para trabalhar fora do Brasil há alguns anos, mas os compromissos com a seleção brasileira e os clubes onde estava trabalhando no Brasil eram prioridades até então. Agora, como já não estou mais trabalhando com a seleção e terminou meu contrato com o Flamengo, onde trabalhei nos últimos seis anos, pensei que era o momento de iniciar uma carreira como treinador em uma equipe fora do Brasil", relata Neto, de 47 anos.

Após intervenção da Fiba no basquete japonês, houve a união das duas ligas nacionais em uma só há dois anos. Assim surgiu a B.League, com três divisões e 46 times. Na elite está o Levanga Hokkaido, da cidade de Sapporo e comandado por Neto. "Tive propostas de alguns países, mas a do Japão me atraiu mais por ser uma equipe que está buscando crescer como equipe na liga nacional japonesa e também por ter uma estrutura muito boa para esse desenvolvimento, mas principalmente por apresentarem um interesse grande na minha proposta em criar uma metodologia de trabalho na equipe. Para implementar esta metodologia, pude trazer o preparador fisico Diego Falcão que está trabalhando comigo há 12 anos".

Histórias e motivos não faltam para explicar e contar um pouco sobre essa "diáspora" esportiva brasileira.

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