Novo amuleto da sorte do Minnesota Vikings, senhora de 99 anos ganha ingressos para o Super Bowl LII

Linha Ofensiva
Cacau Custódio

Millie Wall e neta ganham ignressos para o SB LII
Millie Wall e neta ganham ignressos para o SB LII Twitter: @NFLNatalie

O jogo foi no domingo, mas até agora a imagem do Milagre de Minnesota dá arrepios em qualquer pessoa que goste de esportes, sejam torcedores dos Vikings ou não. Mas para uma ilustre torcedora de Minnesota, a vitória teve um gostinho ainda mais especial.  

Millie Wall torce pelo time de Minneapolis desde 1961, quando a franquia foi fundada. Nunca, em seus quase 100 anos de idade (completa seu centenário no dia 4 de julho de 2018), ela havia assistido ao vivo a um jogo de playoffs da NFL, mas o Minnesota Vikings resolveu mudar essa história no último domingo, dia 14, quando presenteou Millie com ingressos para o jogo contra o New Orleans Saints.

Na carta enviada pelos Vikings, estava escrito:  

“Nós sabemos que você nos trará sorte quando entrarmos para este jogo de playoff e esperamos trazer a final para casa”.  

Mas nem o próprio autor da carta sabia a profecia que acabará de fazer! Contra todos os santos, um verdadeiro milagre aconteceu naquela noite, quando faltando 10 segundos para o fim da partida, Case Keenum achou Stefon Diggs para virar o jogo e colocar os Vikings nas finais de conferência da NFL.  

E mesmo quando tudo parecia perdido para os torcedores dos Vikes, tão acostumados com tragédias em jogos importantes, Millie Wall acreditava:  

“A melhor parte foi que, como todo torcedor dos Vikings sabem, quando a gente perde a liderança, perdemos a esperança, mas ela continuou acreditando. Ela falava: ‘a gente vai conseguir, só precisamos de uma interceptação. A gente vai vencer’”, contou Ashley Wall, neta da dona Millie. “Ver ela tão esperançosa, não são muitos torcedores dos Vikings que ficam assim”. 

Millie estava certa. Pouco depois, ela gritava “Skol” com toda a torcida, inflamada pelo seu quarterback. E aproveitou para fazer ali a sua própria profecia, em um cartaz no qual escreveu as três coisas que fariam o centésimo ano ser o melhor de sua vida. Entre elas, pode-se ler: ver o Vikings ganhar o Super Bowl.  

Cartaz de Millie Wall dá a receita para o seu centenário perfeito
Cartaz de Millie Wall dá a receita para o seu centenário perfeito Twitter: @ashleyjwall

E olha que Millie chegou ao Super Bowl LII antes mesmo do seu amado Minnesota Vikings. Durante a partida contra os Saints, Roger Goodell, comissário da NFL, foi até o assento da senhora e a presenteou com dois ingressos para a grande final, que agora ela irá com sua neta Ashley, também fanática pelos Vikes. 

Roger Goodell foi até Millie Wall para lhe entregar ingressos para o SB LII
Roger Goodell foi até Millie Wall para lhe entregar ingressos para o SB LII Twitter: @NFLNatalie

Então, só falta o Minnesota Vikings fazer a sua parte e derrotar o Philadelphia Eagles para encontrar dona Millie em casa, no dia 4 de fevereiro, já que o SB LII será disputado justamente no US Bank Stadium, estádio dos Vikes. Convidada para voar com o time para a Filadélfia, ela achou melhor permanecer em Minneapolis com a família, por questões de saúde e conforto, mas estará ligada na televisão, torcendo como nunca para que seu time a presenteie mais uma vez! 


A ESPN transmite as finais de conferência no próximo domingo a partir das 17h. 
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Cheerleaders da NFL denunciam assédio sexual institucionalizado na profissão

Linha Ofensiva

Cheerleaders são polêmica na NFL
Cheerleaders são polêmica na NFL Getty

A NFL terá que lidar com mais uma polêmica, dessa vez suas cheerleaders.

Historicamente conhecidas por animar as torcidas durante os jogos, as cheerleaders não são apenas garotas bonitas que desfilam nas laterais dos campos. Elas são dançarinas profissionais, formadas em ballet, jazz, e outros estilos de dança. Enfrentem rotinas duras de treino e participam de competições de dança durante toda a sua carreira. 

É uma profissão predominantemente feminina na NFL, onde geralmente os homens presentes apenas servem de apoio, como no Indianapolis Colts e Baltimore Ravens. No entanto, essas barreiras já começaram a ser quebradas, já que dois homens passarão a performar da mesma maneira que as mulheres na próxima temporada, pelo LA Rams. Mas a polêmica não é essa!

O NY Times publicou nessa semana uma denúncia de assédio sexual contra as profissionais baseada no depoimento de cheerleaders das principais ligas esportivas dos Estados Unidos, em sua maioria da NFL. Segundo a matéria do jornal norte-americano, existe uma exploração sistemática por parte das franquias, que lucram ao mandar suas cheerleaders para as festas de pré-jogo, conhecidas como tailgates, e outros eventos esportivos, onde elas são verbalmente e fisicamente assediadas pelos fãs, sem nenhuma proteção da equipe de profissionais que as acompanham.

“Não existe nenhuma proteção para nós. Você tem que andar pelos tailgates, entrar nas barracas, interagir com os fãs e lidar com comentários nojentos de velhos bêbados. Isso é comum e a indústria sabe disso”, conta Labriah Lee Holt, ex-cheerleader do Tennessee Titans.

Uma ex-profissional do Washington Redskins, que preferiu não se identificar, se lembra de uma situação muito constrangedora, quando ela e mais cinco colegas foram enviadas para a casa de um torcedor, onde ele e vários amigos estavam bebendo bastante, apenas para fazer companhia enquanto eles assistiam ao jogo.

Outra história, ainda mais perturbadora, vem de uma tradicional cheerleader do Dallas Cowboys. Durante um jogo contra os Eagles, ela e suas colegas estavam passando perto de um grupo de torcedores de Philadelphia quando um rapaz gritou: “Eu espero que você seja estuprada!”. 

“Esse é o tipo de coisa que a gente ouve em jogo, até mesmo dos nossos próprios torcedores. Uma vez que eles ficam bêbados, eles gritam esse tipo de coisa e você pensa, ‘sério?’”, conta a profissional dos Cowboys, que precisa manter sua identidade em sigilo por conta de uma cláusula de confidencialidade que os times as obrigam a assinar.

Alguns times da NFL instruem as meninas na maneira de responder aos fãs, caso alguém faça um comentário inapropriado ou as toque sem permissão. Mas em muitos casos, como no Dallas Cowboys, a ordem principal é nunca chatear os torcedores.

“Eles nos ensinaram a driblar a situação quando alguém te toca sem permissão. Nos mandam dizer coisas como ‘isso não é muito legal’, mas de uma maneira doce, sem ser rude. Nos falam para usar a linguagem corporal para induzir os caras a pararem de nos tocar, sempre de uma maneira elegante e nunca se exaltar”, diz a ex-cheerleader dos Cowboys. “Se não fosse pelos torcedores, nós não estaríamos ali. É assim que eles nos pedem para encarar a situação”.

Procurados pelo jornal, Tenessee Titans e Dallas Cowboys não responderam aos pedidos de entrevistas. A NFL, por outro lado, decidiu não responder a denúncias específicas das dançarinas, mas emitiu um comunicado através do porta-voz da liga:

“A NFL e os clubes membros da NFL apoiam Práticas Justas de Contratação (uma ordem executiva assinada por Roosevelt em 25 de junho de 1941, que banem práticas discriminatórias na contratação de funcionários). Funcionários e sócios da NFL têm o direito de trabalhar em um ambiente positivo e de respeito, livre de toda e qualquer forma de assédio”.

No entanto, não é o que se vê na prática. Bailey Davis, cheerleader do New Orleans Saints, foi demitida pela franquia por postar uma foto de biquíni na sua conta privada do Instagram. Davis agora enfrenta uma batalha na justiça para defender seus direitos, e foi a responsável por dar início a onda de indignação das dançarinas, que acabou por revelar regras bizarras que são impostas a elas.

O New Orlans Saints, por exemplo, proíbe que elas tenham contas públicas no Intagram e também que postem qualquer foto que exiba “nudez, semi-nudez, ou lingerie”. Além disso, a franquia também tem uma política de “não-confraternização” entre as cheerleaders e os jogadores, não só do Saints, mas de todos os 2.000 atletas da NFL. 

A franquia defende essas políticas dizendo que elas servem para proteger as jogadoras de serem assediadas pelos jogadores. Mas o peso de evitar o contato está inteiramente sobre as dançarinas. Por exemplo, se alguma das meninas está em um restaurante e um jogador da liga entra no mesmo estabelecimento, ela é obrigada a se retirar imediatamente. 

A discussão fica ainda mais forte quando a diferença de salário entra em cena. Para quem acha que ser cheerleader é puro glamour, as dançarinas profissionais recebem apenas alguns dólares a mais que o salário mínimo norte-americano, enquanto os jogadores têm contratos astronômicos, como já sabemos, o que as torna mil vezes mais substituíveis que os atletas. 

Os Saints, para justificar a demissão da profissional, usou a foto de biquíni e uma acusação sem provas de que ela teria ido a uma festa de jogadores, que Davis nega veementemente. Agora, para vencer – o que muitos especialistas acham que é o caso -, Davis deverá provar que as normas da franquia não são baseadas em diferenças da profissão de “jogador” e “cheerleader”, mas sim em sexismo.

Já o New Orleans Saints se apoiará na ideia de que as regras são baseadas na neutralidade de gênero. Por exemplo, a obrigação de evitar contato é para o bem da liga, já que escândalos não são desejados. E a obrigação é das cheerleaders pois o cargo em si é menos essencial para a liga do que o de jogador, e não por serem mulheres.  

As aplicações legais dessa batalha são bastante complexas e passam pela predominância de mulheres como cheerleaders e, no caso da NFL, se os times estão contratando apenas mulheres por ser um cargo de apelo sexual direcionado apenas para homens, o que pode, na teoria e na lei, ser considerada uma atitude de discriminação baseada em gênero.

O assunto ainda deve dar muito o que falar ao longo dessa pré-temporada e temporada e o Linha Ofensiva trará os desdobramentos dessa batalha judicial e também das denúncias das profissionais!

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Seleção brasileira feminina de Flag Football entra na reta final de preparação para o Mundial Panamá-2018

Linha Ofensiva
Cacau Custódio

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A offseason da NFL já está bem animada com semana do Combine, mas aqui no Brasil o que tem dado o que falar mesmo é a Seleção de Flag Football Feminina, a Brasil Onças, que nesse mês de março entrou na reta final da preparação para o Mundial do Panamá 2018.

A organização para a edição 2018 começou logo após o último jogo no Mundial de 2016 nos EUA, quando as meninas do Brasil Onças fizeram uma campanha histórica ao conquistar a 6ª colocação dentre as 12 seleções participantes. Uma marca significante para a terceira participação das nossas meninas em Mundiais e a prova de uma evolução constante, já que nas edições anteriores, o Brasil havia terminado em 10º e 12º.

Mas o que era para ser um longo período de estruturação mirando um sucesso ainda maior no Mundial deste ano virou uma corrida contra o tempo. Os planos da comissão técnica do Brasil Onças Feminino acabaram pausados por conta de indefinições causadas por problemas do antigo comando da CBFA, que só foram resolvidos após as eleições e posse do novo presidente.

Mas o atrasos e as dúvidas não impediram a comissão de agir assim que foi possível. Usando um levantamento feito pelo site FlagFootball.com.br(uma iniciativa da QB titular da Seleção Brasileira em 2016, Grasiela Gonzaga), todos os times femininos de Flag do país foram convidados a mandar pelo menos uma de suas atletas para participar das seletivas que tiveram início no dia 11 de novembro.

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Quatro seletivas foram realizadas em diferentes datas nas cidades de São Paulo, Campo Grande e Rio de Janeiro, com a presença de 87 atletas de mais de 40 times de todo o Brasil, para enfim fechar as 32 atletas que foram anunciadas no dia primeiro de março, na primeira convocação oficial do Brasil Onças Feminino para o Mundial 2018 do Panamá.

A Comissão Técnica da Seleção é formada pelo head coach Dan Muller, a coordenadora defensiva Victoria Guglielmo, a assistente defensiva Ingrid Camargo e o coordenador ofensivo Fernando Takai.

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Takai, que também esteve no Mundial de 2016, realizado em Miami, se surpreendeu com o nível das novas atletas:

“Foi muito bom, tivemos as atletas que estiveram no último mundial mantendo a qualidade e atletas até então desconhecidas nos surpreendendo. Temos certeza que a qualidade do Flag nacional continua crescendo”, explica o treinador.

Apesar da qualidade estar crescendo, os desafios ainda são muitos. Principalmente na questão financeira, já que as atletas terão de arcar sozinhas com os custos da viagem para a competição, como foi em 2016. Para ajudar com as despesas e criar laços com a torcida brasileira, a Seleção tem uma linha de camisetas estampadas com o grito de guerra da equipe: “União Coração Brasil!”.

“Contamos com o nosso esforço e ajuda de familiares e amigos [para arcar com os custos], mas boa parte do dinheiro vem da venda de camisetas feitas pela Seleção. Tanto que estaremos em breve lançando um novo modelo para essa nossa 4ª participação em Mundiais!”, diz Takai.

 Abaixo você pode conferir a primeira lista de convocação. Esse grupo ainda passará por mais cortes, já que as delegações do Mundial são formadas por apenas 15 atletas, e o Linha Ofensiva estará atento aos próximos anúncios para que vocês possam conhecer as jogadoras que estarão competindo no Panamá do dia 09 a 12 de agosto.

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Confira as 32 convocadas para a próxima fase de treinos da preparação para o Mundial 2018:

Alessandra Rodrigues– Spartans Football
Amanda Mesquita – Fluminense Guerreiras
Ana Luiza Cazarin – Brasilia Selvagens
Ariane Lozada– São Paulo Storm
Beatriz Messias – Paulínia Mavericks
Carini Camargo – Palmeiras Locomotives
Carla Prado – São Paulo Storm
Carolina Morais de Lima – Red Ladies (Dourados)
Caroliny Machado– Fluminense Guerreiras
Debora Mello – Spartans Football
Ellen Gonçalves – Campo Grande Cobras
Gabriela Bankhardt – Desterro Atlantis
Grasiela Gonzaga – Animalia Football
Hadassa Lopes – Animalia Football
Isabelle Tineui – Palmeiras Locomotives
Jhenyfer Alencar – Jacarés do Pantanal
Karoline Souza – Palmeiras Locomotives
Karolyne Santos – Brasilia Selvagens
Kely Araujo – Big Riders
Lara Torelli – Piedade Hainus
Lara Nersalla – Animalia Football
Ligia Blat – Animalia Football
Luiza Cunha – Campo Grande Cobras
Luíza Calaça– Sem time
Maísa Menezes – Brasilia Selvagens
Marcia Marrie Muller – Jacarés do Pantanal
Mariana Martins – Fluminense Guerreiras
Pamela Peres – Brasilia Selvagens
Rachel Jacob – Fluminense Guerreiras
Suelem Guibu – Campo Grande Cobras
Taisa Alencar – Jacarés do Pantanal
Thamires Soares – Fluminense Guerreiras

espnW e o Linha Ofensiva parabenizam cada uma das atletas e deseja toda a sorte do mundo para elas nos próximos meses.

Além disso, um feliz Dia da Mulher para todas as nossas leitoras!

*Aproveitamos para deixar um convite para vocês: estaremos fazendo a cobertura completa do evento “Bate Papo com os grandes nomes femininos do Futebol Americano no Brasil”, que vai rolar nesta quinta-feira lá na Urlacher’s Shop. Você pode acompanhar TUDO o que vai acontecer no Stories do nosso Instagram, @espnwbrasil

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Seleção brasileira feminina de Flag Football entra na reta final de preparação para o Mundial Panamá-2018

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Líder do ataque e da defesa entre os garotos: conheça a quarterback de 13 anos que impressiona Illinois

Linha Ofensiva
Melissa Isaacson, adaptado por Cláudia Custódio

Lances e momentos de Auburn Roberson, menina de 13 anos que é a líder do time masculino da escola

"Meu deus, é uma garota". Isso é o que um treinador adversário disse ao ver Auburn Robenson lançar para o touchdown da vitória contra seu time e tirar o capacete durante a comemoração. Sim, é uma garota, e não é como as outras. 

Ambiente ainda predominado por atletas masculinos, o futebol americano tem visto aumentar o número de mulheres praticando o esporte. Mas, na maioria das vezes, essas meninas atuam em posições de menor destaque, como kicker ou, no máximo, alguma posição de defesa em equipes de menor expressão. Esse não é o caso da menina de 13 anos da cidade de St. Charles, Illinois. 

Auburn Robenson lidera o time da Thompson Middle School tanto no ataque, quanto na defesa. Jogando de quarterback e middle linebacker, a garota é a referência dos companheiros e os levou ao título do campeonato regional no último dia 12 de outubro.  

"Eu sou a responsável por chamar todas as jogadas. Não sou mandona, nem nada, mas é bom estar no controle porque eu meio que sei exatamente o que vai acontecer e o que está acontecendo ao meu redor. Então, é mais fácil", diz Auburn, que ama Joe Montana e Tom Brady, mas se inspira no seu maior ídolo, Cam Newton, por causa do estilo de jogo. E parece que a sua inspiração fica clara em campo: 

"Robenson é fora da curva, algo como um Cam Newton. Ela consegue lançar, consegue correr, ela pode fazer de tudo! E as pessoas ficam chocadas com ela. Ela é fantástica", diz Max Medernich, seu colega de equipe. 

Quarto da pequena Auburn Robenson mostra a idolatria por Cam Newton
Quarto da pequena Auburn Robenson mostra a idolatria por Cam Newton Melissa Isaacson para espnW

Em campo, seja nos jogos ou treinamentos, Auburn não aceita nenhum tipo de tratamento diferente por ser uma garota. Tanto que uma das vezes em que mais se irritou com seu melhor amigo, Justin Birkelbach, foi quando ele se recusou a dar um tackle forte nela.  

"Foi a primeira vez que jogamos em times diferentes, estávamos na quinta série e eu estava morrendo de medo de dar um tackle nela. Quando tive que dar, fiz bem de leve. Ela não parou de me mandar indiretas dizendo pra eu jogar melhor, jogar normalmente", diz Birkelbach, que não se preocupa mais com a amiga depois que ela o acertou em cheio durante um jogo. 

"Não me preocupo nem um pouco. Na verdade, fico mais preocupado com as pessoas que ela acerta", diz, entre risadas. 

Auburn também joga no time feminino de basquete e no masculino de beisebol. A habilidade atlética da menina é espetacular e a ajuda muito no seu esporte favorito, o futebol americano.  Luke Sharkey, outro colega de equipe, reconhece essas habilidades. "Ela tem um braço fantástico e corre muito bem. Sempre que ela sai do pocket, eu sei que vem uma primeira descida ou uma jogada importante". 

Auburn entrou para o time de futebol americano da escola depois de levantar a mão quando o técnico entrou na sala perguntando quem tinha o interesse de jogar. Brandon Petersen nunca tinha visto uma garota se voluntariar antes, mas essa não foi a única surpresa. 

"Nunca tinha acontecido isso antes. E por curiosidade, perguntei em qual posição ela queria jogar e ela respondeu 'quarterback'. Eu achei isso muito interessante", diz o treinador. Mas as preocupações com relação ao vestiário e a parte física do jogo estavam muito presentes. Isso é, até ele vê-la em ação.  

"Eu fiquei impressionado! Pensei: 'agora eu sei porque ela quer jogar de quarterback'. E quando a gente faz exercícios de tackle, ela entra com tudo em qualquer jogador. Em um dos nossos jogos, ela jogou um garoto de quase 90 kg no chão, como se ele não fosse nada", se derrete o professor.  

Peterson diz que Auburn tem ótima liderança e controla muito bem o huddle. Ele nota que ela estuda o jogo como ninguém e já reconhecia ataques e defesas antes dele as apresentar a ela. Com essa postura, os garotos do time logo viram o quanto ela era boa e o gênero nunca chegou perto de ser um problema. 

No outro time que Auburn joga, o Tri-City, do seu bairro, o treinador não sabia que ela era uma garota antes do draft. Quando descobriu, disse a sua mulher que talvez iria draftar uma menina:  

"Você não entende! Ela é, de longe, melhor que a maioria dos garotos da idade dela", disse o técnico Brian Glon para a esposa, na época.  

Ele diz que Auburn é a melhor jogadora que eles têm. Ela sabe dar tackles perfeitos, tem o melhor stiff arm da liga, uma potência muito grande e um sentimento forte de confiança, competitividade e liderança.  

Mas o tamanho da menina ainda pode ser um problema, como lembra o técnico, que se preocupa com o momento que os meninos entrarem na puberdade e começarem a crescer de maneira desproporcional a ela. 

"Agora, ela é uma das jogadoras mais rápidas e fortes do time e consegue lançar a bola umas 40, 50 jardas. Mas ela vai conseguir crescer com eles?", questiona. 

Rob Pomazak, técnico da St. Charles North, escola de ensino médio que Auburn e seus colegas de equipe devem frequentar daqui um ano, acredita que a garota tem potencial. 

"Atualmente, ela é a melhor quarterback do nível dela e eu não vejo razão para ela não jogar de quarterback como caloura aqui. Depois disso, se ela continuar como quarterback ou tivermos que mudar sua posição para running back ou qualquer outra, faremos. Desde que seja para seu melhor desempenho", diz Pomazak. 

Eles sabem que vai ficar mais difícil para ela, mas caso o físico se torne um problema por conta do crescimento dos garotos, eles mantê-la em uma posição de aprendizado no jogo, para talvez ser uma treinadora ou scout. 

"Se o futuro dela é ser treinar, vamos contribuir para isso da melhor forma possível, mas eu espero que ela jogue os quatro anos de high school, pra ser honesto. Nós não temos muita gente com a qualidade e liderança que Auburn tem. Não queremos desperdiçar isso de maneira alguma", declara Pomazak, que já mandou 13 de seus jogaores para Universidades da Divisão I. 

Para os pais, Brian e Autumn, essa possibilidade já é normal. O choque até aconteceu ao saber que a filha jogaria futebol americano de contato com os garotos aos 7 anos de idade. Enquanto a mãe achava loucura, o pai tentava confortá-la: 

"Eu sempre senti que ela estava destinada a fazer isso, foi uma decisão fácil da minha parte", diz o pai, que afirma que o talento dela é nato. Quando tinha 1 ano e seis meses, ela já tinha uma habilidade diferente para lançar: 

"Ela tinha a mira perfeita. Ela conseguia lançar em uma linha reta e mandar direto pra você!", conta Brian. 

O amor pelo esporte também foi essencial. Auburn estudava a NFL desde que se entendeu por gente, e um dos primeiros livros que ela retirou sozinha na biblioteca da escola foi "A história do Green Bay Packers". O primeiro de muitos sobre as franquias da liga. 

"Eu acabava sabendo mais da história dos times do que eu queria", revela o pai. 

Auburn ama o esporte e quer continuar a jogar no high school, na universidade e quem sabe até na NFL. Ela não descarta a possibilidade de jogar nas ligas profissionais femininas, desde que não seja no Legends Football League, já que o uniforme de lingeries e biquinis não faz muito seu estilo. 

"Se fossem uniformes normais, como na NFL, eu provavelmente iria querer jogar lá", brinca a garota.

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Ela já protegeu Obama e hoje é chefe de segurança da NFL. Conheça Cathy Lanier, a mulher do momento

Linha Ofensiva
Tisha Thompson and Michael Sciallo*

Cathy é a chefe de segurança da NFL
Cathy é a chefe de segurança da NFL Michael McElroy para ESPN

Diversão, churrasco, cerveja, amigos e futebol americano. A ida a qualquer jogo da NFL é, com certeza, uma experiência fantástica. Mas para que somente boas lembranças sejam levadas pelos torcedores, há uma grande equipe de especialistas trabalhando para garantir a segurança de todos dentro e fora do estádio. Quem comanda essa equipe hoje é uma experiente chefe de segurança, de 49 anos.  

Cathy Lynn Lanier é a chefe de segurança da NFL, cargo pelo qual largou a chefia da polícia de Washington, depois de 26 anos de carreira policial. Ela foi a primeira mulher a comandar um departamento de polícia norte-americano. É preciso muita personalidade para ocupar os lugares que ela escolheu, coisa que nunca faltou para Cathy. 

Natural de Maryland, cresceu em um bairro difícil e teve uma vida complicada. Quando adolescente, deu muito trabalho para a mãe.  

"Minha mãe criou três filhos. Eu fui, provavelmente, a mais difícil de educar. Teimosa, sabe? Adolescente besta. Cresci em um lugar difícil e frequentei uma escola barra pesada", revela a chefe de segurança da NFL em entrevista ao espnW.

Rebelde e revoltada, teve seu primeiro filho aos 15 anos. Fato que, provavelmente, apesar da gravidez acidental, mudou os rumos da sua vida. 

"Eu era uma mãe solteira sem o colegial completo. O cérebro de uma adolescente não funciona como o de uma pessoa normal, como um adulto. Quando meu filho nasceu, percebi com todo o senso comum que me faltava antes, que toda a vida dele dependia de mim. Se eu não quisesse pra ele a infância que tive, de morar em um bairro perigoso, ir pra escolas pesadas, eu precisaria terminar os meus estudos", diz. 

E foi o que ela fez.  

Cathy Lanier já protegeu Obama e hoje é a Chefe de Segurança da NFL

Estudou e trabalhou em dois empregos por muito tempo. O sonho de dar uma vida melhor para sua criança a moveu pela vida. Chegou à polícia depois de ler sobre uma vaga que oferecia reembolso dos estudos e não deixou a oportunidade escapar. Fazendo uma matéria por semestre, ela levaria 25 anos para se formar se não tivesse conseguido esse emprego. 

A CARREIRA NA POLÍCIA 

O começo foi duro. Já na primeira semana, enfrentou uma manifestação grande por má-conduta de uma policial e teve que se virar no confronto entre polícia e manifestantes, sem nem saber como colocar a máscara de gás.   

Depois da prova de fogo, mais problemas durante os primeiros anos. A reputação da delegacia de Washington não era boa na década de 90, e segundo Cathy, por motivos fortes: o assédio sexual era algo recorrente e institucionalizado no departamento de polícia. 

"Não era um flerte em ambiente de trabalho. Lá, você trabalhava em turnos noturnos, trabalha até tarde. Você é a única mulher no prédio. Uma vez um policial me agarrou fisicamente. Ele era um abusador crônico, sabe? Ele já tinha assediado muitas outras mulheres. Foi agressivo", lembra. 

A personalidade forte, mais uma vez, entrou em cena. Cathy e uma outra policial decidiram entrar com uma ação por assédio sexual e aceitaram um acordo de $75,000 para cada. Ouviram de muita gente que esse processo acabaria com a carreira das duas na delegacia, mas o que se viu foi bem diferente. 

Além do abusador ser afastado e depois demitido, a cultura da polícia de Washington mudou drasticamente e se tornou um lugar um pouco mais acolhedor para as mulheres. E desde então, sua carreira decolou. 

Com trabalho duro e reconhecimento, passou pela liderança da unidade de narcóticos e gangues da cidade, da Unidade de Operações Especiais, que cuidava da parte de ameaça de bombas, confrontos armados e grandes eventos públicos e depois pela Segurança Nacional e departamento antiterrorismo, até chegar ao posto de Chefe de Polícia de Washington. Tudo isso enquanto estudava e se especializava com dois mestrados em Segurança Nacional. 

Permaneceu no cargo da chefia por 10 anos e derrubou em 23% o nível de criminalidade da capital, até que resolveu sair do departamento para trabalhar para a NFL, no ano passado. 

TERRORISMO E O ESPORTE 

Alvo de diversos ataques terroristas nas últimas décadas, os Estados Unidos tentam se prevenir cada vez mais, não só de grupos extremistas, mas também de ataques domésticos que ocorrem com certa frequência dentro do seu território. Como reúnem milhares de pessoas e chamam muita atenção da mídiatodo evento esportivo tem potencial para quem quer espalhar o terror.  

Lanier é especialista em prevenção de eventos terroristas
Lanier é especialista em prevenção de eventos terroristas Michael McElroy para a ESPN

ocorrência de atentados nesses eventos não é algo novo. Nos Jogos Olímpicos de 1972 e 1996, tivemos atletas e torcedores mortos. Na semifinal da Champions League de 2002, entre Real Madrid x Barcelona, dezenas de feridos. E nos últimos anos, percebemos uma retomada do esporte como alvo de grupos terroristas. As explosões da Maratona de Boston, dEstade de France e, mais recentemente, do ônibus do Borussia Dortmund, deixam claro que a segurança não pode mais se dar ao luxo de falhar.  

A CARREIRA NA NFL 

Com o planejamento de segurança das duas posses do Presidente Obama no currículo, ela foi escolhida por Roger Goodell para proteger os torcedores da NFL durante as partidas. Com apenas um ano no cargo, já planejou e coordenou o Super Bowl LI e o Draft 2017, dois dos maiores eventos da NFL, além de inúmeras partidas de temporada regular e playoffs. 

A coordenação do Super Bowl é, com certeza, a que mais exige atenção. Os maiores nomes da Segurança Nacional e da polícia local se unem para garantir um evento tranquilo fora de campo. São mais de 40 agências de segurança, desde o FBI até agências privadas, e a nomeação de Cathy foi bastante comemorada por todos, apesar de sempre ser a única mulher nas mesas de reunião. 

Lanier é responsável tanto pela segurança nos jogos quanto pelas investigações dentro da NFL
Lanier é responsável tanto pela segurança nos jogos quanto pelas investigações dentro da NFL Michael McElroy para a ESPN

"Já era hora da NFL contratar algum nome grande entre chefes de polícia, que conheça outro lado da moeda. Que saiba os desafios que as polícias locais enfrentam.", diz o chefe do departamento de polícia de Houston, Art Acevedocom quem ela trabalhou durante o Super Bowl. "Relacionamento é uma parte muito importante no mundo dos negócios, mas especialmente em planejamento de segurança"- continua Acevedo - "Se eu tivesse qualquer problema, eu ligava e ela resolvia. A NFL foi inteligente de trazer alguém que conhece bem a maioria dos chefes de polícia do país". 

Antenada a todo e qualquer ataque terrorista que ocorre no mundo, Cathy os usa para aprender as diferentes formas que um terrorista pensa e, assim, consegue bolar planos de prevenção cada vez mais completos, como por exemplo, camadas de cercas ao redor do estádio para que nenhum motorista consiga jogar seu carro sobre a multidão, já que esse tipo de ataque tem se tornado cada vez mais comum. Além disso, tecnologia de rastreamento facial, escaneamento de veículos, veto a objetos e diversos outros métodos são aplicados com rigor. 

Além da segurança dos fãs da NFL, ela também é responsável por investigar qualquer violação de conduta por parte de jogadores e times, como o caso atual de Ezekiel Elliott e a investigação sobre violência doméstica que tem provocado uma verdadeira novela entre a Associação dos Jogadores na justiça comum e a NFL. Mas perguntada sobre o caso, Cathy não quis comentar sobre a investigação, apenas sobre a situação toda: 

"Eles ficam em um outro patamar, como deveriam mesmo. Então quando existe má conduta, de qualquer tipo, é um impacto enorme", conta para o espnW. 

RESPEITO EM UM AMBIENTE MASCULINO

Cathy Lanier sabe melhor do que ninguém que ser mulher em um ambiente dominado por homens é algo desafiador. Mas ela dá a receita para conseguir o respeito que hoje ela tem de todos: "Você não pode deixar as pessoas tirarem vantagem de você. Eu não deixo ninguém me desrespeitar". 

Cathy Lanier foi a primeira mulher a chefiar um departamento de polícia nos Estados Unidos
Cathy Lanier foi a primeira mulher a chefiar um departamento de polícia nos Estados Unidos Michael McElroy para a ESPN

E não é só isso. Acima do gênero, ou talvez até de maneira mais intensa por ser mulher, trabalho sério e duro é algo essencial.  

"A chave para mim foi que eu cheguei para trabalhar todo dia e fiz bem o meu trabalho. Se você é trabalhadora, as pessoas querem trabalhar com você. Se você não é, elas não querem trabalhar com você. Então, respeito é algo que se desenvolve desta maneira. As pessoas me respeitam por que veem que eu venho trabalhar e que eu faço o meu melhor todos os dias", declara. 

FAMÍLIA 

Toda a carreira de Cathy Lanier se desenvolveu pelo desejo de dar uma vida melhor para família. Então, como o filho está? Muito bem obrigada! Com mais de 30 anos e já formado, teve uma vida bem distante da realidade que ela própria enfrentou. Agora, a preocupação dela é cuidar da mãe. 

"Assim que meu filho foi embora, eu sabia que ia sentir aquele vazio. Mas minha mãe logo se mudou lá para casa. Eu não trocaria o tempo que passo cuidando da minha mãe por nada no mundo. Por nada", revela Cathy, que apensar de trabalhar viajando todo o país, volta para casa toda semana para poder preparar tudo para sua mãe.  

O filho de Lanier é o principal responsável pela carreira de sucesso da mãe
O filho de Lanier é o principal responsável pela carreira de sucesso da mãe Michael McElroy para a ESPN

Ela sempre prepara e congela as refeições para que sua mãe possa comer durante o tempo que ela não está. Mesmo quando o trabalho é fora do país, como nos jogos em Londres, ela se desdobra para voltar para casa. Da última vez que foi para a Inglaterra, passou 6 dias por lá, voltou para casa nos dois dias de folga para ver a mãe, voou novamente para Londres por seis dias e retornou para casa logo depois, antes de seguir para o próximo destino que seu trabalho exigiu. 

O prazer da vida de sua mãe é vê-la na TV. Antes nos noticiários policiais e agora pela NFL. Ela até assistiu o Combine 2017 só pela chance de vê-la nas telinhas! Para o filho, ter a mãe trabalhando na NFL é um sonho, assim como muita gente pensa, coisa que Cathy só começa a entender agora. 

"Você pensaria que ser a chefe de polícia da capital do seu país seria um trabalho legal, né? Futebol Americano é algo impressionante. Não acredito no quanto as pessoas se...." - ela procura uma palavra para explicar - "Eu sou uma pessoa muito mais importante agora", brinca a chefe de segurança da NFL. 

Esse é o máximo que vamos saber dos dois maiores tesouros da vida de Cathy Lanier. Ela não permite que os dois sejam entrevistados e sequer revela os nomes. Mas a gente pode entender a proteção toda com sua família, considerando tudo o que Cathy já presenciou em sua vida e trabalho.


*Reportagem de Tisha Thompson and Michael Sciallo, do espnW, e edição de Cláudia Custódio, do espnW Brasil.

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Ela já protegeu Obama e hoje é chefe de segurança da NFL. Conheça Cathy Lanier, a mulher do momento

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Ela já jogou contra homens e foi a primeira mulher a treinar um time da NFL. Conheça a história de amor de Jen Welter com o futebol americano

Linha Ofensiva

Jen Welter treinando o time Texas Revolution, da liga profissional de Indoor Football
Jen Welter treinando o time Texas Revolution, da liga profissional de Indoor Football []

Uma forte corrente elétrica invadiu seus pés assim que que eles tocaram a arquibancada vibrante. O corpo arrepiado, os olhos cerrados, tentando se acostumar com as luzes. Quantas luzes! É sexta-feira. A pequena Jennifer havia esperado a semana toda por este momento. O clima agitado da geralmente pacata cidade de Vero Beach, na Flórida, já anunciava: era sexta-feira de futebol americano!

Assim começou a linda história de Jen Welter com o futebol americano. Cresceu com o esporte, como se não existisse outra forma possível de viver. O Vero Beach Football Indians, time da única escola local, era a grande sensação. Acompanhá-los era um estilo de vida.

“Desde muito pequena, eu sou apaixonada. Eu ia assistir aos jogos e era o maior evento, a cidade parava. O estádio parecia tão grande! Os caras eram como super-heróis para mim. Eu sempre quis jogar, mesmo não tendo oportunidade nenhuma na época”, contou Jen Welter ao Linha Ofensiva.

A tal oportunidade ainda demoraria para se apresentar, mas sua própria vida se desenvolveu como um jogo de futebol americano: com muitos tackles, diferentes rotas e cortes de direção.

A INFÂNCIA E OS ESPORTES

Quando criança, jogava tênis. Foi federada na Flórida e viajava muito para competir. Chegou a pensar que seu futuro estaria nas quadras, com uma raquete na mão, até que um treinador disse a ela que lhe faltava altura e força para que pudesse ser profissional.

Passou, então, a praticar esportes coletivos. Jogou futebol durante o high school e foi capitã do time por dois anos seguidos. Sonhava com uma bolsa para jogar na Universidade de Stanford, mas nunca recebeu a oferta. Então, trocou a bola redonda pela sua primeira oval, a de rugby, esporte que jogou durante toda a faculdade. Mas faltava alguma coisa, talvez uma costura na bola que carregava em suas mãos.

FINALMENTE, DENTRO DE CAMPO

Depois que se formou, Jen finalmente conheceu a Women’s Football Alliance, liga feminina de futebol americano fullpad (jogo com contato) dos Estados Unidos. Agora, ela vestia uma jersey com o nome WELTER estampado nas costas. Desde então, foram 14 anos jogando. Ganhou muitos títulos, prêmios e uma nova e enorme família. Passou a colecionar recordes de pioneirismo.

No dia 15 de fevereiro de 2014, se tornou a primeira running back mulher a jogar em uma liga profissional masculina, pelo Texas Revolution. Mas o início dessa nova etapa não foi nada fácil. Welter precisou, mais uma vez, provar que era capaz.

“Tinham muitos desafios, sabe? A parte física era um desafio todos os dias. Eu dei uma entrevista para o Michael Strahan esses dias e foi muito engraçado porque ele falava: ‘Jen, você jogou contra homens, seria como eu te dar tackles todos os dias. Como você fazia isso? ’. E eu não tinha outra resposta além de ‘eu reajo bem’”, nos contou Jen Welter.

Como um cheque de $ 12 mudou a vida de Jen Welter, primeira mulher a treinar um time da NFL

Mas o físico, apesar de ser um grande desafio, não foi o mais complicado.

“O mais difícil foi me tornar parte do time. Demonstrar para os caras que eu estava ali pelos motivos certos. E não só que eu pertencia ao time, mas que a gente poderia se dar bem. Para mim, esse foi o maior desafio e também o que fez tudo ser tão especial”, diz.

Depois de jogar o ano todo, Jen foi nomeada treinadora de linebackers e speacial teams da equipe, se tornando a primeira mulher a treinar um time masculino em uma liga profissional.

A ENTRADA NA NFL

O jogo mudou sua vida. Ou melhor, ela mudou toda a sua vida para se dedicar ao jogo. Conseguiu conciliar os treinamentos e campeonatos com as especializações: mestrado em psicologia do esporte e doutorado em psicologia. A agora Dra. Jen Welter alcançaria, então, um posto que jamais sequer sonhou.

Depois de uma conversa do técnico principal do Revolution com o técnico da NFL Bruce Arians, do Arizona Cardinals, Welter foi chamada para integrar a equipe de treinadores-assistentes da pré-temporada de 2015, sendo a responsável pelos inside linebackers. A assinatura do contrato a tornou a primeira mulher a treinar um time da NFL na história da liga.

Ao contrário do que se possa imaginar, ser mulher não foi um problema dentro do centro de treinamento.

“Não tinha nada relacionado ao gênero, além do fato de ser algo totalmente novo. Tinham muitas dúvidas do lado de fora sobre se os jogadores obedeceriam uma mulher. E uma das melhores coisas que resultaram dessa situação é que a resposta foi um enorme sim. Os caras foram fenomenais e acho que era até um ponto de orgulho para eles. Eram muito conscientes de que aquilo era a história sendo feita e ficavam orgulhosos de fazer parte dela. Foi muito especial."

Jen Welter participou dos jogos de pré-temporada dos Cardinals
Jen Welter participou dos jogos de pré-temporada dos Cardinals Getty

Depois de sair da NFL, Welter entendeu a proporção da sua conquista e se orgulha de ter aberto as portas da liga para que outras mulheres tivessem a oportunidade.

“Me perguntaram, esses dias, se algum dia a gente verá uma mulher ser treinadora principal na NFL. Claro que vamos, eventualmente. Mas é uma questão de tempo. Leva muito tempo para um homem ou mulher se desenvolver e se tornar um bom treinador de futebol e se tornar o técnico principal. Então, eu acho que a oportunidade está ali e a porta está aberta. Depende de cada mulher que entrar lá fazer o seu melhor e crescer como pessoa e como profissional e agarrar cada oportunidade que aparecer."

Ela entende que o principal fator que dificulta esse objetivo para as treinadoras é o atraso para entrar em contato com o futebol americano.

“A complexidade do jogo é um desafio que todo treinador tem, seja ele homem ou mulher. O problema para as mulheres, usando meu exemplo, é que comecei a jogar depois dos meus 22 anos, sabe? Enquanto os meninos começam a jogar com cinco, seis anos de idade. É um jogo complicado que requer anos de estudo para qualquer um, mas se você entra no jogo mais tarde que os outros, tem mais tempo de aprendizado pela frente”, explica.

Welter ainda identifica algumas oportunidades que não foram exploradas por nenhuma mulher e que são essenciais para o cargo de técnico principal: observação e recrutamento de jogadores.

“Para conseguir os melhores talentos, precisamos criar de uma rede extensa de contatos na qual podemos achar os jogadores. E precisamos saber avaliá-los pela perspectiva do draft. Isso é algo que as mulheres no nosso esporte ainda não fizeram ou tiveram que fazer”, diz a doutora.

MULHERES JOGANDO NA NFL

E quando o assunto é sobre mulheres jogarem na NFL, não pensa diferente. Para ela, isso também é uma questão de tempo.

“Não tem motivo algum, especialmente com as mulheres começando a jogar cada vez mais cedo, para que a gente não veja isso acontecer. Mas é tem que ser por mérito. A Becca (Longo) tem uma ótima oportunidade agora de liderar isso, por estar no sistema universitário e ter acesso aos melhores programas de treinamento e exercícios que estão disponíveis para que ela tenha sucesso. Só que vai levar um tempo."

LEVANDO O FUTEBOL AMERICANO PARA MULHERES DO MUNDO INTEIRO

Além de publicar o livro “Play Big: lições sobre viver sem limites da primeira mulher a treinar um time da NFL”, em que compartilha sua experiência para que possa inspirar cada vez mais pessoas, Jen Welter vive com uma agenda cheia de projetos. Desde 2015, ela se dedica a ensinar o futebol americano para meninas e mulheres do mundo inteiro. E, por enquanto, não tem planos de voltar para a NFL, mas confessa que se uma oportunidade surgisse seria muito difícil não se entregar.

Ano passado, rodou os Estados Unidos com o Camp GrrriDiron Girls, para meninas de 6 a 18 anos. Foram 12 cidades diferentes que reuniram milhares de jogadoras interessadas em aprender com sua maior referência.

Também criou o “A day in the NFL” (Um dia na NFL), no qual leva mulheres para o complexo de um time da liga para vivenciar uma rotina comum dos atletas. Ela comanda treinamentos, mostra filmes de jogadas, passa pelo playbook, entre outras atividades.

Jen ainda se juntou a Snoop Dog, em um projeto que ensina o futebol americano para crianças portadoras de todos os tipos de necessidades especiais.

Fora dos EUA, já comandou treinamentos no Canadá e na Austrália, onde passou meses treinando o primeiro time nacional feminino de futebol americano do país, para ajudá-las na preparação para uma competição internacional.

“O que eu vou fazer em seguida ainda é um trabalho de progresso”.


PARA O BRASIL, TALVEZ?

Durante a conversa com o Linha Ofensiva, Jen Welter explicou um pouco mais sobre as dificuldades que as jogadoras internacionais enfrentam. A partir de sua própria experiência treinando mulheres fora dos Estados Unidos, disse que a falta de imersão na cultura do jogo, o que acontece com todos os americanos desde criança, dificulta a prática dos fundamentos do jogo, por conta de sua complexidade.

“Vocês estão tentando ensinar a vocês mesmos o futebol americano com o que conseguem achar na internet. É um bom começo, mas o problema disso é a integração, ver como todos os elementos se juntam em uma coisa só!.”

Quando a convidei para vir ao Brasil, ela afirmou que adoraria essa oportunidade. Mas enquanto Welter não está em terras tupiniquins, ela deixou suas impressões e dicas de treinamento para nós, brasileiras! Quer saber tudo? Assiste aí!

Jen Welter conta sua experiência ensinando futebol americano fora dos Estados Unidos

E para fechar com chave de ouro, ela ainda mandou um recadinho para todas as leitoras do nosso blog:

Jen Welter manda recado para leitoras do Linha Ofensiva

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Tackles e bloqueios entre os homens: primeira mulher selecionada para um All-Star Game joga na linha ofensiva

Linha Ofensiva
Linha Ofensiva

Eriana Pula foi a primeira mulher a ser selecionada para um jogo All-Star
Eriana Pula foi a primeira mulher a ser selecionada para um jogo All-Star Reprodução Twitter - Marin Austin

Não existe muita coisa que Eriana Pula não consiga fazer. No  ataque do time de futebol americano da Centennial High School, ela era um dos guards. Na de defesa, um dos tackles. Na sala de aula, sempre teve as melhores notas e ainda sobrava tempo para ser a presidente do corpo estudantil da escola.

 Esse é o perfil da primeira mulher a ser chamada para jogar um All-Star das escolas da Califórnia. Hoje, Pula é jogadora da linha ofensiva do La Verne Leopards, universidade da Divisão III da NCAA.

Com 1,77m e 113kg, Pula foi escolhida para a edição 2017 do jogo all-star por avaliadores que não estavam cientes do seu gênero, apenas de seus lances, números e notas. A posição principal da jogadora é a de guard da linha ofensiva, onde atua pelos dois lados.

“Eu não sabia que ela era uma garota quando a selecionei”, disse Kevin Steele, um dos responsáveis por avaliar os atletas all-star da Califórnia. “Eu não sabia, nem vi isso. Ela é uma ótima jogadora”.

E não só os avaliadores deixaram esse detalhe escapar. Muitos oponentes da Compton Centennial só percebiam que estavam sendo bloqueados por uma garota no fim de jogo.

“Nossa, você é um monstro”, disse um adversário de Pula, ao perceber que o jogador que o anulou o jogo todo era, na verdade, uma jogadora.

LINHA OFENSIVA - COMO FUNCIONA?

De modo geral, o papel principal dos jogadores de linha do ataque é proteger e abrir espaço para que as grandes estrelas da equipe consigam jogar, ou seja, os quarterbacks, running backs e, por tabela, wide receivers. Sem uma linha sólida, o risco de lesões e a dificuldade do jogo corrido aumentam muito, colocando a pressão em um jogo aéreo que precisa ser extremamente rápido e habilidoso para compensar a falta de proteção.

Eriana Pula, alinhada com a jersey  #55
Eriana Pula, alinhada com a jersey #55 Reprodução Twitter

A linha ofensiva é composta por cinco jogadores. O center, líder do setor, é o jogador que fica no meio, responsável por iniciar todas as jogadas (ele que solta o snap para o QB, ou seja, joga a bola para trás, por baixo de suas pernas) e fazer a leitura e ajuste da caixa (número e posicionamento de bloqueadores em comparação aos defensores).  A partir do momento que o center faz o snap, ele se torna um dos bloqueadores.

De cada lado do center, se posicionam os guards, e é aqui que a Eriana Pula joga. São jogadores altos e fortes, responsáveis por enfrentar os defensores mais potentes do time adversário. Eles precisam mover os seus oponentes de modo que buracos se abram na linha de defesa e o seu corredor consiga passar, além de impedir que seus oponentes cheguem ao quarterback em jogadas de passe. Atuar do lado esquerdo ou direito não faz tanta diferença para o jogador, sendo mais fácil improvisar os guards de um time em diferentes lados quando eles se machucam.

Do lado de cada guard, ficam os tackles, e aqui o lado em que se atua faz muita diferença. No geral, são jogadores grandes, com braços longos e passadas largas, além de muito fortes. Eles protegem o quarterback das investidas dos defensores mais atléticos do time adversário, os caras que tentam passar pelas extremidades da linha para conseguir um sack (derrubar o QB). Por isso, precisam ser jogadores ágeis, apesar do seu tamanho, já que cobrem um espaço maior do campo.

Geralmente quando uma linha ofensiva tem um grande problema, é com o left tackle (tackle esquerdo). Ele é responsável por proteger o lado cego do quarterback, ou seja, o lado para o qual ele vira as costas na hora do lançamento (se ele for destro). Assim, quando um jogador de defesa chega pela esquerda do seu QB, ele tem menos chances de conseguir se livrar do sack. Por isso, os left takcles são muito mais valorizados (e consequentemente mais cobrados) que os right tackles (tackles da direita).

ESCOLAS DO SUL DA CALIFÓRNIA - BERÇO DE GRANDES JOGADORES

Apesar de só ter começado a jogar futebol americano há dois anos, Eriana Pula foi selecionada no rol dos melhores atletas justamente em uma das regiões mais competitivas do futebol americano dos Estados Unidos, tanto no nível escolar quanto universitário.

Dessa região saíram nomes como John Elway, Ronnie Lott, Marcus Allen, Clay Matthews, Richard Sherman, Carson Palmer e Alex Smith. Só no ano de 2017, as escolas da Califórnia tiveram 253 jogadores selecionados durante o draft da NFL.

Eu tenho muita sorte de ter essa oportunidade de jogar contra os melhores e um monte de garotos

Eriana Pula

Mas sorte pouco tem relação com a conquista da jogadora. Quando a filha lhe contou que queria jogar futebol americano com os meninos, Emo Pula se agarrou em uma certeza para driblar o aperto no coração:

“Claro que eu me preocupada, mas também sabia que com a habilidade e atletismo dela, ia ficar tudo bem”, desabafa a mãe, que é professora na Centennial High School.

Ela estava certa. Eriana Pula superou a desconfiança inicial do time do colégio, que nunca havia contado com uma garota antes.

Muitos duvidaram de mim, mas quando viram que eu conseguia jogar eles até pediam para o treinador me colocar

Eriana Pula


Poucas semanas depois do jogo all-star, Pula entrou para a Universidade de La Verne, na Califórnia. Mais uma vez, provou o seu valor: participou das seletivas para o time de futebol americano e conseguir um lugar na equipe.  Apesar de ainda não ter feito sua estreia nos três primeiros jogos dos Leopards, ela espera surgir a oportunidade para que possa mostrar suas habilidade e, quem sabe, se destacar na Divisão III do College Football!

E você, teria coragem de encarar essa guard?

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Tackles e bloqueios entre os homens: primeira mulher selecionada para um All-Star Game joga na linha ofensiva

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Sem medo de pancadas e field goal de 45 jardas: conheça a primeira mulher a receber uma bolsa para jogar futebol americano

Linha Ofensiva
Becca Longo é a primeira mulher a receber uma bolsa da NCAA
Becca Longo é a primeira mulher a receber uma bolsa da NCAA AAron Ontiveroz for ESPN

Se você ainda não ouviu falar dela, não deve demorar. Rebecca Longo, ou somente Becca Longo, entrou para a história em março deste ano ao se tornar a primeira mulher a receber uma bolsa de estudos de uma universidade da NCAA para jogar futebol americano. Isso mesmo, ela foi recrutada para jogar entre os homens do college football 

"Meu queixo caiu, não acreditei! Eu só lembro de estar sentada lá e o treinador dizer que eu era a primeira garota a fazer isso", conta. 

Além de Becca, existem documentos que mostram que cerca de 12 mulheres já atingiram este feito, mas nenhuma havia recebido uma bolsa do programa antes. 

Nascida em Chandler, no Arizona, Longo começou a jogar futebol americano ainda criança, junto com o irmão mais velho, Bobby. A grande inspiração veio, justamente, de uma companheira do time dele: Heidi Garret era a kicker da equipe e a fez perceber que seu sonho seria possível.  

Mas Becca só começou a competir no esporte no segundo ano do colegial, na Queen Creek HighAo passar pelo campo de futebol americano, percebeu que não tinha nenhuma mulher entre os jogadores. Lembrou de Heidi e pensou, por que não? Ela sabia que tinha um bom chute, pelos anos que praticou soccer (nosso futebol). No ano seguinte, avisou o diretor da atlética que participaria dos testes para o time de futebol americano e recebeu uma risada como resposta. 

Ele duvidou de mim. E ficou espantado quando eu entrei para o time!

Becca Longo, kicker dos Grizzlies
 

No seu primeiro ano como jogadora, foi treinada por Alex Zendejas, que comandou sete dos melhores kickers de Arizona e tem quatro familiares que já foram kickers da NFL. Para ele, Becca tem um talento natural. 

"Eu fiquei impressionado com a potência que Becca tem nas pernas. Senti que algo muito grande aconteceria se ela mantivesse o ritmo", confessa Zendejas. 

No ano seguinte, transferiu-se para a Basha High School e teve que ficar de fora dos jogos por conta das regras de transferência e de uma lesão nas costas. Lesão essa que quase a impediu de continuar a praticar esportes. 

"Os médicos me disseram que eu nunca mais poderia jogar, mas eu usei isso como motivação para provar que eles estavam errados. Amo demais os esportes que pratico e dediquei muito tempo, dinheiro e esforço para simplesmente desistir", disse em entrevista à ABC News. 

Becca Longo converteu 35 de 38 pontos-extra pelos Basha Bears
Becca Longo converteu 35 de 38 pontos-extra pelos Basha Bears Carlos Salcedo/Special to the Arizona Re

É justamente pela persistência e dedicação que coloca em tudo o que faz que Becca ficou conhecida. Nos treinamentos da pré-temporada de 2016, impressionou o treinador Gerald Todd ao acertar um field goal de 42 jardas e ganhou a vaga de titular

No último ano do colégio, foram 35 de 38 chutes de ponto-extra convertidos, além do único field goal de 30 jardas pelos Bears (time de Basha High School). Becca contou à ESPN que se sente à vontade em chutar field goals a partir das 45 jardas, mas seu time geralmente tentava a quarta descida já que contava com um dos melhores quarterbacks da competição. 

Em uma cerimônia da escola, o treinador Todd conta que quando decidiu que a vaga seria de Longo, foi buscar o conselho de seu irmão mais velho, que em 2003 treinou a primeira mulher a pontuar em um jogo de college football da Divisão I-A, Katie Hnida.  

"Eu perguntei como se treinava uma garota. Ele me respondeu que não sabe como se treina 'uma garota', só sabe treinar jogadores de futebol americano",  diz o treinador, que percebeu que o gênero não a impedia de ser tão boa quanto qualquer outro kicker. 

Becca Longo é a primeira mulher a receber uma bolsa da NCAA


A força de vontade e competitividade de Becca é algo que qualquer treinador deseja para um membro de seu time. Assim como o ex-quarterback da NFL, Timm Rosenbach, que hoje é técnico do Adams State Grizzlies, nova casa da atleta, que vai disputar a Divisão II da NCAA.

Eu a vejo como uma atleta que mereceu.Foicomo recrutar qualquer outro jogador!Não tenho nenhuma dúvida de que ela será competitiva. Ela tem uma perna forte e uma mira muito precisa

Timm Rosenbach, ex-QB dos Cardinals


Becca só decidiu que queria jogar futebol americano na faculdade no final do seu último ano de escola. Foi quando entrou em contato com a Adams State para enviar seus vídeos e manifestar interesse. Depois do fim do campeonato, a universidade a procurou. 

"O coordenador ofensivo Josh Blankenship disse que queria que eu fosse visitá-los. Eu me apaixonei pelo lugar", disse Becca Longo à ESPN. 

Ela participou das seletivas da universidade e terminou com 23 de 25 tentativas de chute. Um desempenho sensacional para qualquer um, menos para ela, que se irritou muito com os dois chutes perdidos. 

"Ela coloca mais pressão em si mesma do que nós poderíamos um dia colocar", disse Ross Brunelle, coordenador do special teams dos Grizzlies. 

Becca Longo treinando com os companheiros de Grizzlies
Becca Longo treinando com os companheiros de Grizzlies AAron Ontiveroz for ESPN

Becca Longo disputa a vaga de kicker com Montana Gomez, titular da equipe. Nesta temporada, o time já jogou quatro jogos, sendo duas vitórias e duas derrotas. Mas a caloura ainda não fez sua estreia. Enquanto isso, se dedica aos treinos e, segundo o seu atual quarterback, trabalho pesado não é um problema para a atleta. 

"Ela treina como todos nós. Ela não está aqui só para fazer parte do time, ela está aqui para jogar", disse Jorge Hernandez, quarterback veterano dos Grizzlies 

A pergunta que sempre surge quando Becca é entrevistada é a possibilidade de levar um tackle. Mas ela não tem medo, confia nos bloqueios dos seus companheiros, os quais chama de irmãos.

"Em todos os times que joguei, eu formei grandes famílias. Confio neles", conta.  

Becca Longo treina pesado na musculação
Becca Longo treina pesado na musculação AAron Ontiveroz for ESPN

E se o tackle vier, ela encara! Quando jogava no high school, foi atingida por um oponente que escapou da linha pela direita, depois de um chute de ponto-extra. Becca o empurrou de volta e lembra que ele ficou espantado ao perceber que ela era uma garota. 

E tem outro oponente que Longo precisa sempre superar, o machismo que assombra a sociedade ao ver uma mulher se destacar em um esporte dominado por homens. Desde que começou a jogar, ela ouve comentários de que não conseguiria jogar futebol americano e de que a jersey que veste é a do namorado. Um cenário agressivo, que sempre tende a afastar meninas do ambiente.  

Mas dessa vez encontraram uma oponente que não se deixa controlar facilmente. "Sempre duvidaram de mim em tudo o que eu fiz. Ter a mentalidade forte é o único mecanismo de defesa que tenho". Hoje, ela tem a chance de inspirar outras meninas, assim como foi inspirada na infância pela kicker do time do seu irmão! A mãe dela conta que essa é a parte favorita da atleta. 

"Tantas garotinhas seguindo ela, comentando e reconhecendo que podem fazer o mesmo. 'Ela fez isso. Se ela fez, eu posso também'", disse a mãe em entrevista ao espnW. 

Entre as várias mensagens no Instagram de Beccapodemos ler frases como "vou jogar futebol americano, assim como você!" e "minhas filhas se espelham em você!" 

Jogando entre homens, Becca Longo bate recorde no futebol americano universitário

E a história de Longo não deve parar por aí. Para muitos, Becca tem potencial para ser a primeira mulher a jogar na NFL. Ela já domina chutes de 45 jardas nos treinamentos, mas para atrair o interesse das franquias da liga, precisaria fortalecer ainda mais sua perna. O recorde de chute feminino mais longo em um jogo oficial é justamente da mulher que a inspirou a ser kickerHeidi Garret, colega de time do seu irmão, que em 2004 converteu um field goal de 48 jardas. Distância essa que Becca já atingiu em alguns treinos. 

Para se ter uma noção da potência do chute dela, a média da atual temporada da NFL dos field goals mais longos dos kickers é 46.42 jardas. O maior de 2017 aconteceu na última rodada, no jogo entre Philadelphia Eagles e New York Giants, quando o calouro Jake Elliott converteu um field goal de 61 jardas para fechar o jogo e garantir a vitória para Philly 

Mas Becca quer manter o foco e deixa a NFL para o futuro. Afinal, ela tem pelo menos três anos para se firmar na NCAA.  

"Se a oportunidade surgir, eu com certeza vou aproveitar! Mas agora só estou tentando lidar com tudo o que está acontecendo", desabafa a atleta. 

E se a oportunidade não vier, Becca também vai jogar basquete pela Adams State,  no time feminino. A certeza é de que, dos esportes, ela não sai! 

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Sem medo de pancadas e field goal de 45 jardas: conheça a primeira mulher a receber uma bolsa para jogar futebol americano

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De repórter a cartola e árbitra: conheça cinco mulheres pioneiras na história da NFL

Linha Ofensiva

Sarah Thomas, a primeira árbitra da NFL
Sarah Thomas, a primeira árbitra da NFL Getty

Na semana passada, falamos muito sobre Beth Mowins, a primeira mulher a narrar um jogo de NFL em rede nacional. Também falamos de Paula Ivoglo, que comandou os comentários do Monday Night Football na transmissão aqui do Brasil, ao lado de Antony Curti. Mas você sabe quais são os outros grandes nomes femininos relacionados à NFL? Hoje, o Linha Ofensiva conta um pouco sobe cinco mulheres que fazem parte da história da liga. 

  • PHYLLIS GEORGE 

Phyllis George foi uma das primeiras mulheres a cobrir a NFL
Phyllis George foi uma das primeiras mulheres a cobrir a NFL Getty

Em 1975, uma mulher já bem conhecida nos Estados Unidos invadiu os estúdios do The NFL Today, na CBS. O programa era comandado pelo âncora Brent Musburguer e pelo ex-jogador Irv Cross, como analista, e passou, então, a contar com a participação da Miss América de 1971, Phyllis George, como repórter e comentarista. Ela foi uma das primeiras mulheres a cobrir NFL e, no ano em que, estreou, o programa ganhou 13 prêmios do Emmy. Phyllis, aliás, era extremamente versátil e já fez quase tudo nessa vida: foi empresária, atriz, primeira-dama de Kentucky e repórter esportiva. Ela ficou fora do programa entre 1978 e 1980, quando retornou e permaneceu por mais três anos. 

  • MICHELLE TAFOYA

Michelle Tafoya na cobertura do Orange Bowl de 2011
Michelle Tafoya na cobertura do Orange Bowl de 2011 Getty

Ao falar em repórteres, não podemos nos esquecer de Michele Tafoya. Ela entrou no mundo dos esportes no começo da década de 90, ao cobrir o Minnesota Vikings para a KFAN-AM, uma rádio local de Minneapolis. 

Mas não foi só na NFL que ela fez história. Depois de sair de Minnesota, se mudou para Charllote e se tornou a primeira mulher a comentar o basquete masculino da Universidade da Carolina do Norte. O currículo é extenso: cobriu o Minnesota Timberwolves para o Midwest Sports Channel, foi comentarista das transmissões da elite universitária de basquete e volleybol femininos e foi repórter e âncora de esportes na TV WCCO, da CBS de Minneapolis.  

Isso alavancou a carreira da jornalista, que entrou para a CBS Sports, onde ficou por 5 anos. Em 1996, se tornou a primeira mulher a comentar uma transmissão da NCAA. Ela também foi repórter e apresentadora de programas como CBS Sports Spetacular e At the Half, cobriu basquete e futebol americano universitários, tênis profissional e até os Jogos Olímpicos de 1996. 

Firmou sua presença na NFL quando foi para a ESPN, onde trabalhou por mais de dez anos. Ela foi a repórter oficial do Monday Night Football por anos e cobriu o Super Bowl XL, em Detroit, para a emissora. Depois, trabalhando pela NBC, passou a ser a repórter oficial do Sunday Night Football. 

Tafoya foi protagonista de um episódio curioso que acabou marcando a sua carreira. Enquanto acompanhava, como torcedora, um jogo de futebol americano universitário entre Minnesota Golden Gophers  e University of Michigan Wolverines, ela se irritou com dois torcedores do time rival que estavam no andar de baixo e lhes deu um banho de cerveja. O assunto rendeu muito espaço na imprensa, Tafoya se desculpou e disse que estava muito arrependida por ter perdido a cabeça.

  • KATHERINE BLACKBURN

Katie Blackburn é a vice presidente do Cincinnati Bengals
Katie Blackburn é a vice presidente do Cincinnati Bengals GETTY

Da imprensa para os escritórios. Katherine Blackburn, ou Katie, é a vice-presidente executiva do Cincinnati Bengals e tem mais de 20 anos de experiência no cargo. Formada em direito, chegou ao clube em 1991, após ganhar a confiança do dono da franquia, Mike Brown, que também é seu pai. 

Ela foi a primeira e, por muito tempo, única mulher na NFL a trabalhar com negociação de contratos dos jogadores, tendo toda a estrutura de teto salarial da NFL como parte do seu domínio. Katie sempre preferiu se esconder das câmeras, mesmo tomando conta da TV e do rádio dos Bengals e conectando franquia e comunidade por meio de ações pontuais com os principais jogadores. É, com certeza, uma das mulheres mais poderosas da liga! 

Katie começou o caminho que muitas mulheres seguiram! A partir de 91, o número de cargos executivos ocupados por mulheres nas franquias aumentou constantemente. Vimos por aí Kelly Flanagan  (Jaguars) , Jeanne M. Bonk (Chargers), Cipora Herman (49ers), Jenneen Kaufman (Titans), Marilan Logan (Texans), Allison Maki (Lions), Karen Murphy (Bears), Christine Procops (Giants) e Karen Spencer (Seahawks). 

  • AMY TRASK

Amy Trask, a primeira CEO de uma franquia da NFL
Amy Trask, a primeira CEO de uma franquia da NFL Getty

No meio da avalanche de mulheres tomando conta dos clubes na NFL, uma foi além. Conhecida como a Princesa das trevas pelos torcedores dos Raiders, ela se tornou a primeira presidente da franquia, tendo ocupado o cargo de 1997 até 2013. E não foi nada fácil chegar até lá! Trask entrou na franquia como estagiária, depois de ligar para o escritório do clube dizendo que trabalharia para eles até de graça. 

Hoje, Trask trabalha como analista na CBS Sports, com presença constante no That Other Pregame Show e no The NFL Today. Ela é uma das veteranas do programa de esportes comandado só por mulheres, o We need to talk (A gente precisa conversar) e também escreveu um livro chamado You negotiate like a girl (Você negocia como uma garota), que conta sua experiência como executiva na NFL.  

No livro, ela fala sobre a primeira reunião de presidentes da NFL da qual participou. Um dos donos de franquia, sem saber que Trask respresentava os Raiders, pediu que ela buscasse café para ele. Sem entender o que estava acontecendo, ela olhou ao seu redor e percebeu que era a única mulher na sala. 

  • SARAH THOMAS

Sarah Thomas, a primeira árbitra da história da NFL
Sarah Thomas, a primeira árbitra da história da NFL Getty

Quem aqui gosta das zebras? Ninguém, né? Mas tem uma que a gente precisa aplaudir. Sarah Thomas foi a primeira mulher a apitar um jogo da NFL. Thomas começou a apitar jogos de ensino fundamental e depois passou para o ensino médio, onde o futebol americano já é bem competitivo. 

Em 2007, depois de uma entrevista de 45 minutos pelo telefone, recebeu a notícia de que apitaria o college football. Essa já era uma grande conquista: ela se tornou a primeira mulher a apitar jogos importantes do futebol americano universitário, a primeira a apitar um Bowl do college football. Mas Thomas queria mais. 

Em 2013 e 2014, participou do programa de desenvolvimento da NFL, apitou jogos de pré-temporada e fechou seu contrato com a liga no dia 02 de abril de 2015. Assim, se tornou a primeira mulher a ser uma das zebras da NFL no dia 13 de setembro do mesmo ano, entrando para sempre na história do futebol americano profissional! 

Gostou? Pode esperar que vem mais! 

O Linha Ofensiva sempre trará novos nomes de mulheres que ajudam a liga a evoluir. Pode acreditar, temos muitas outras para apresentar a vocês!

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De repórter a cartola e árbitra: conheça cinco mulheres pioneiras na história da NFL

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Calma?! Beth Mowins revela 'arrepios' de nervoso antes do Monday Night

Linha Ofensiva
Cacau Custódio

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O primeiro Monday Night Football da temporada foi para lá de especial.  Não somente pela quase virada espetacular do Los Angeles Chargers para cima do Denver Broncos, que só não aconteceu pelo bloqueio sensacional de Shelby Harris no chute que levaria a partida para a prorrogação! Não. Pela primeira vez na história da NFL, uma mulher narrou o jogo do horário nobre em rede nacional.

Beth Mowins, jornalista e narradora da ESPN, comandou o microfone da partida ao lado de Rex Ryan, ex-técnico do New York Jets. Ao contrário de Ryan, que nunca havia participado de uma transmissão ao vivo de jogos de futebol americano, Mowins já sabia exatamente o que fazer. 

Desde sua entrada na emissora, em 1994, ela tem narrado uma grande variedade de esportes, e só no futebol americano são mais de 10 anos de experiência: ela é uma das vozes do College Football desde 2005 e dos jogos de pré-temporada do Oakland Raiders há dois anos. Mowins só precisava de uma oportunidade para provar seu domínio sobre a narração do esporte. Não falhou. Também pudera, ela se preparou a vida inteira para este momento.

A melhor para o cargo: americana se torna primeira mulher da história a narrar o Monday Night Football e vira inspiração

“Eu sabia desde muito jovem que queria entrar para a transmissão de esportes. Eu amava jogar e falar sobre esportes durante a minha adolescência. E percebi, mesmo sendo muito nova, que a narração lance a lance era a direção que eu queria seguir. Eu sabia que não tinham muitas outras mulheres fazendo isso, então se eu fosse muito boa, isso poderia ser uma porta de entrada em vários lugares”, disse em entrevista à ESPN Brasil.

Apesar de ser uma oportunidade para as pioneiras, a ausência de vozes femininas nas narrações das grandes ligas profissionais acaba por afastar jovens garotas da possibilidade de trabalhar no ramo. E já de cara, a escalação de uma mulher para narrar o Monday Night surtiu efeito em uma pequena torcedora do Denver Broncos: Avery levou um cartaz ao estádio, pedindo um estágio na ESPN para trabalhar com Beth Mowins.

Mowins já deixa uma dica para todas as meninas que, assim como Avery, sonham em entrar para a narração da NFL. Foco! Ela sempre soube que a prática a levaria à perfeição. “Eu faço narrações lance a lance há décadas, seja por conta própria ou sendo paga por isso. Quando eu entrei na ESPN, em 1994, eu estava disposta a ser versátil e fazer outras coisas, trabalhar dentro do estúdio ou estar nas laterais dos campos, se fosse preciso. Mas eu sempre estive muito focada na arte da narração lance a lance”.

Todo esse foco a levou ao Colorado na última segunda-feira, dia 11 de setembro, para ser a primeira mulher a narrar um jogo da NFL em 30 anos. E a primeiríssima a fazê-lo em rede nacional.

“Foi fantástico fazer parte do Monday Night Football. Eu assisto aos jogos do Monday Night desde criancinha. Você pode ver os grandes nomes da narração nesses jogos. Então, me juntar à restrita lista de pessoas que narram o MNF foi um grande prazer e uma enorme honra”, declarou.

Quem assistiu à narração de Mowins, não imagina que ela tenha ficado nervosa em momento algum. Só que não foi bem assim. “Para ser honesta com vocês, tive alguns arrepios antes do jogo! Mas quando começa o jogo, a sua preparação toma conta, sua zona de conforto aparece e a sua competitividade fala mais alto e você quer fazer um bom trabalho”.

Ela mandou até um oi pro Linha Ofensiva, olha aí:

Antes de Mowins, Gayle Sierens já havia narrado um jogo da NFL em 1987, mas era uma transmissão regional entre Seattle Seahawks e Kansas City Chiefs, válido pela última rodada da temporada regular. Já aqui no Brasil, seguimos no mesmo caminho. Nós convidamos a Paula, do NFL de Bolsa, para comentar o Monday Night conosco! E ela mandou muito bem. Você pode conferir tudo sobre a trajetória dela até os nossos estúdios aqui.

O próximo compromisso de Beth Mowins com a NFL será uma transmissão regional do jogo Cleveland Browns x Indianapolis Colts, no dia 24 de setembro.

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Calma?! Beth Mowins revela 'arrepios' de nervoso antes do Monday Night

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Futebol Americano é coisa de mulher, SIM!

Linha Ofensiva

 

Katie Sowers trabalhará como assistente técnica na NFL
Katie Sowers trabalhará como assistente técnica na NFL Divulgação

A espera acabou! Hoje começa mais uma temporada da NFL e o espnW aproveita para trazer uma novidade para as fãs de esporte: um blog totalmente dedicado à participação feminina no futebol americano!

O Linha Ofensiva vai abordar todo o universo do esporte e explorar a sua relação com as mulheres.  Vamos trazer histórias dos principais nomes femininos da NFL e do futebol americano universitário dos Estados Unidos, falar sobre o crescimento do esporte aqui no Brasil, das modalidades alternativas que existem e muito mais.

Um ponto importante para começar a nova temporada é saber que o interesse da NFL de se tornar mais inclusiva para as mulheres tem surtido efeito. Esse interesse pode ser notado na nomeação de três mulheres para cargos importantes dentro dos escritórios da NFL, entre elas a Samantha Rapoport, diretora de desenvolvimento de futebol americano da liga.

Ocupando o cargo há apenas um ano, Samantha já atingiu resultados inéditos: 55 mulheres estão trabalhando nas operações do esporte dentro dos clubes. Entre elas, tivemos um recorde de quatro treinadoras em estágio nos training camps de 2017: Odessa Jenkins (Atlanta), Phoebe Schecter (Buffalo), Collette Smith (New York Jets) e Katie Sowers, que foi oficialmente contratada pelo San Francisco 49ers e será treinadora-assistente do corpo de recebedores da franquia.

A ESPN acompanhou essa evolução e anunciou a primeira comentarista mulher da NFL desde 1987. Beth Mowins vai participar da narração do primeiro Monday Night Football da temporada, um jogo eletrizante entre Los Angeles Chargers e Denver Broncos!

Para o futuro, discute-se até a possibilidade de termos uma mulher jogando na NFL como kicker, tamanho é o sucesso que Becca Longo está fazendo depois de se tornar a primeira mulher a ganhar uma bolsa de estudos de futebol americano em uma universidade da Divisão I e II. Já imaginou?  E temos também meninas jogando entre os homens no high school dos Estados Unidos, olha aqui:

Quarterback mulher faz passe inédito para touchdown em jogo de futebol americano colegial nos EUA

Mas não é só da NFL que a gente vai falar aqui no blog.

Você já ouviu falar do Women's World Football Games? O evento é um training camp dedicado ao desenvolvimento do futebol americano feminino e conta com a participação de treinadores (e treinadoras), árbitros(as) e jogadores da NFL. 

A USA Football, instituição sem fins lucrativos que cuida do futebol americano amador, é quem organiza, anualmente, jogadoras de todo o mundo para participar. O legal é que se trata da modalidade tackle (com contato), que muita gente acha que não existe no jogo entre mulheres. Já teve até uma bandeira do Brasil estampada no capacete durante o programa, da Dayany Souza, que joga na Noruega.

Não é a Liga de Lingerie, nem flag: futebol americano feminino tem Mundial e cresce a cada ano

Por falar no Brasil, você sabia que a popularidade do futebol americano tem crescido muito entre as mulheres? Cada vez mais mulheres estão envolvidas no esporte, seja praticando, assistindo ou fazendo a cobertura jornalística de jogos, tanto da NFL como de campeonatos nacionais.  

O Brasil já conta até com o Campeonato Brasileiro Feminino de Futebol Americano, na modalidade tackle, com seis equipes participando em 2017. Temos também diversos campeonatos regionais e nacionais de flag (sem contato), um pouco mais popular entre as brasileiras. Nessa modalidade, temos até uma forte Seleção Feminina Nacional, a Brasil Onças, que representou nosso país no Campeonato Mundial IFAF de Flag Football 5x5.

Agora você deve estar se perguntando: “Cacau, que raios é flag 5x5??”. Pois é, acompanhando o Linha Ofensiva você vai ficar sabendo de absolutamente tudo sobre o futebol americano. Vamos juntas destrinchar as modalidades existentes no Brasil e descobrir um pouco mais sobre as atletas, além de falar de NFL! 

Quem sabe você não se junta a elas, hein?!

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Agora temos um espaço especialmente reservado para mulheres no futebol americano!

Linha Ofensiva

Joga ou curte futebol americano?! Fique ligado!

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