Campeonato Carioca testará o “novo normal” das transmissões

Erich Beting
Erich Beting
Logomarca do Campeonato Carioca de 2021, uma das novidades do torneio
Logomarca do Campeonato Carioca de 2021, uma das novidades do torneio Divulgação

O Campeonato Carioca que tem data de início prevista para o dia 7 de março trará a nova realidade para algumas competições esportivas que deixaram de ter o Grupo Globo como parceiro de transmissão. O preço a ser pago pela “liberdade”, como muitos gostam de frisar, é receber muito menos da TV e ter, em troca, mais poder de distribuição do conteúdo sem ficar com tudo nas mãos da emissora.

O que os times do Rio acabaram de implementar não é uma novidade, por assim dizer. Já se vão três anos que a Liga Nacional de Basquete faz isso com o NBB. Já têm 30 anos que a Uefa faz isso com a Champions League. Já são mais de 60 anos que, desde o berço, as ligas americanas atuam assim.

O ponto é que, lá fora, esse modelo já está consolidado como parte da relação do esporte com a mídia. As emissoras são o meio de veicular o produto, mas quem detém o poder sobre o conteúdo é o esporte.

O problema é que, no modus operandi do futebol brasileiro, os clubes cariocas decidiram fazer no atropelo essa mudança. Depois de o Flamengo peitar a Globo exigindo R$ 81 milhões pelo Carioca ao argumentar que não estaria sendo repassado a ele o valor que a emissora fatura com o PPV, o sistema entrou em colapso.

O Flamengo, que teria R$ 18 milhões garantidos da emissora, liderou uma revolução dos clubes. E, no final das contas, em vez de faturar isso em 2021, os clubes grandes terão a garantia de receber R$ 1,95 milhão fixo da TV aberta e a promessa de dividirem, entre eles, cerca de R$ 30 milhões do PPV, sendo que a proporção seguirá a quantidade de fãs que cada time tiver dentro da plataforma.

O Carioca saiu de uma receita fixa de R$ 90 milhões sem o Flamengo em 2020 para uma previsão, no melhor cenário, de faturar R$ 45 milhões com todo mundo e um novo modelo de pay-per-view, que vai demandar maior investimento de dinheiro para sair do papel.

Viver sem depender da Globo é obrigação dos clubes brasileiros. A partir de 2021, diversos estaduais já vão nos mostrar essa nova realidade. O problema é que romper o modelo que vigora atualmente representa um enorme risco para a saúde financeira dos times.

O Campeonato Carioca traz um novo modelo, mas será que os clubes terão condições de esperar ele florescer? Para entender um pouco mais como será o Cariocão 2021 na mídia, segue abaixo entrevista com os sócios da Sportsview, agência que montou o projeto de mídia da competição.

Comentários

Campeonato Carioca testará o “novo normal” das transmissões

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Lisca é só mais um doido no sanatório geral do futebol brasileiro

Erich Beting
Erich Beting

Lisca Doido diz que quer se afastar do apelido que o consagra cada vez mais. Só que, a cada nova declaração do treinador, é impossível desapegar-se da alcunha. A maluquice da vez foi a entrevista em tom de desabafo antes do jogo do América-MG pelo Campeonato Mineiro.

"Eu sou pai de família, tenho duas filhas e uma esposa. Eu quero viver, gente", declarou Lisca, pedindo bom senso para as autoridades do futebol brasileiro.

De fato, é surreal o futebol ainda jogar por todo o país, forçando atletas a viajarem, enquanto batemos recordes diários de mortes na pandemia e enfrentamos o colapso dos sistemas público e privado de saúde em diversos municípios.

O problema é que Lisca é só mais um doido no sanatório do futebol brasileiro.

Lisca comemora com Rodolfo gol da vitória do América na casa do Inter
Lisca comemora com Rodolfo gol da vitória do América na casa do Inter Estevão Germano / América

O apelo emocionado do treinador acontece depois de provavelmente ele finalmente entender o perigo real da COVID-19 Em novembro passado, na euforia da conquista do América de uma vaga para a semifinal na Copa do Brasil, o treinador preferiu os louros da fama à racionalidade. Jogou-se nos braços da torcida que fazia festa pela vaga inédita.

Isso não tira a razão do que o treinador falou, quando pediu um choque de realidade ao futebol. O problema é que o futebol não vai parar no Brasil por um simples motivo. É inviável, economicamente, fazer mais uma paralisação do esporte no país, por mais necessária que ela seja. 



A desorganização do futebol cobra, agora, o seu preço. Por mais que entendam que é preciso parar, clubes, federações e CBF não têm condições de fazer a pausa. Não há mais dinheiro no caixa para ficar de pernas cruzadas.

Os clubes não procuraram reduzir suas folhas salariais durante a pandemia. A receita com sócios-torcedores desabou. Os ganhos com patrocínio estão incertos e, se existem, estão em patamares menores que os de 2020, que já ficaram menores que os de 2019. A receita de TV neste começo de ano derreteu, e qualquer paralisação agora significa parar de receber da mídia, que hoje é a maior fonte de receita dos clubes.

Tivemos, em abril de 2020, a oportunidade de unir o futebol para debater de que forma é possível enfrentar os desafios da pandemia. Era para se discutir limite de gastos, divisão mais igualitária da receita da TV, saúde financeira dos clubes, redução de taxas para disputa de torneios, auxílio dos times mais ricos para os times com menos recursos, plano de férias para os atletas para que em 2021 a gente consiga ter a temporada inteira sem estourar os jogadores...

Tudo isso aconteceu em diversos países da Europa. Muitos países e ligas mais fracas sofrem com a redução de receitas e têm apelado ao governo para montar um plano de financiamento dos clubes. Mas, em vez de proporem uma agenda geral de interesses, os dirigentes seguiram procurando olhar apenas para o próprio umbigo, sem entender a relação umbilical que existe entre todos que trabalham no esporte.

É loucura continuar a jogar com o país desse jeito? É claro que é! Só que o futebol brasileiro já é um sanatório. No jogo do cada um por si que fazemos há décadas por aqui, não há possibilidade de parar o futebol. Qualquer semelhança com o que acontece na política pelo país adentro não é mera coincidência. 

Comentários

Lisca é só mais um doido no sanatório geral do futebol brasileiro

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Quem paga a conta da divisão dos direitos de TV?

Erich Beting
Erich Beting

Campeonato Carioca de 2021 testa o novo modelo de divisão de direitos de TV
Campeonato Carioca de 2021 testa o novo modelo de divisão de direitos de TV Divulgação

Nesta terça-feira (2) começa o Campeonato Carioca 2021. A principal novidade fica por conta da nova emissora para transmitir o Estadual. Depois da lambança que foi o torneio sem jogos do Flamengo por um tempo e, depois da pausa da pandemia, com jogos em tudo que era lugar por conta da MP do Mandante, os clubes e a Ferj tiveram o mínimo de bom senso ao levar o Cariocão para a maior quantidade possível de plataformas, num modelo criado no Brasil pelo NBB em 2018 e finalmente implementado no futebol.

A maior vitória do Carioca é ser a Ferj a dona da produção do conteúdo relacionado ao campeonato. Por meio de uma agência, a federação vai controlar como gerar as imagens e, naturalmente, por quais meios distribuí-las.

Foi assim que os clubes aceitaram a proposta de R$ 11 milhões da Record para a TV aberta e passaram a apostar na criação de um PPV do torneio para gerar mais riqueza aos clubes. Assim, deixaram de lado o projeto de exclusividade que a Globo havia oferecido, no valor de R$ 45 milhões.

É mais do que provável que o dinheiro que o combo PPV + Record vai levantar seja insuficiente para cobrir a oferta da Globo para o Carioca. Mas os ganhos de adoção desse novo modelo poderão ser vistos no médio e longo prazos. Até lá, porém, o Estadual do Rio vai mostrar uma nova realidade para o esporte.

Quem paga a conta do fim da exclusividade nos direitos de transmissão?

Durante décadas nos acostumamos a um modelo em que um único grupo de mídia pagava alto para mostrar com exclusividade um evento esportivo. Isso garantia ao esporte uma verba considerável de direitos de transmissão e, para o público, a certeza de que conseguiria ter acesso ao evento sem precisar desembolsar mais do que uma assinatura de TV a cabo para isso.

Esse modelo, porém, começou a entrar em colapso desde 2016, após os Jogos Olímpicos, com os outros esportes. No futebol, com a maioria dos Estaduais sem ter a Globo como a mesma parceira de sempre para a transmissão de seus jogos, começamos a ver isso acontecer também.

O problema é que, para essa conta fechar, o modelo de negócios também precisa mudar. Cada vez mais, no mundo todo, a mídia tem deixado de assumir sozinha os riscos da compra de direitos e se tornado sócias das entidades esportivas na comercialização de pacotes de transmissão. Já era assim com eventos de menor apelo para o público, começa a ser também com os de alta demanda.

O Campeonato Carioca é um exemplo disso. Se, até o ano passado, o torcedor poderia acompanhar pelo menos dois jogos em TV aberta e fechada por rodada, agora será apenas um com transmissão gratuita. O restante das partidas, só pagando para ver.

O futuro chegou. O fim da exclusividade está claro. Mas será que estamos preparados para, do lado do esporte, ganhar menos com direitos de transmissão e, do lado do torcedor, pagar mais para ver os jogos? Porque é assim que será possível pagar a conta da mídia no esporte brasileiro nos próximos anos.

Comentários

Quem paga a conta da divisão dos direitos de TV?

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Flamengo vive a encruzilhada entre ser Bayern ou Barcelona

Erich Beting
Erich Beting

Entre 2012 e 2018, o Flamengo passou por uma reconstrução. O clube rubro-negro finalmente acabou com o discurso de ser a maior potência econômica do futebol brasileiro para se transformar, de fato, num colosso financeiro. A gestão de Eduardo Bandeira de Mello colocou em prática uma política de austeridade nos gastos que permitiu à agremiação carioca ser conduzida ao topo das finanças do futebol brasileiro.

O que mudou de 2019 para cá foi que a gestão Rodolfo Landim decidiu correr mais riscos. Com dinheiro em caixa deixado pela gestão anterior, a diretoria partiu, literalmente, para o ataque. Contratou nomes de peso e passou a ter de sustentar uma folha salarial altíssima, deixando de lado a política de baixo risco nas finanças adotada pela diretoria anterior.

Arrascaeta, Bruno Henrique, Gabigol, Rafinha, Gerson, Filipe Luís e Pedro foram todos investimentos feitos já sob a gestão que tinha o antigo executivo de marketing Bruno Spindel como diretor de futebol. Os milhões que estavam no caixa turbinado pela venda de revelações da base começaram a ser gastos para formar um esquadrão que devolvesse ao Flamengo o que o torcedor mais queria: títulos de expressão.

Gabigol provoca São Paulo após título do Brasileirão no Morumbi: 'Ganhamos no condomínio do Rodrigo Caio'; veja


A contratação de Jorge Jesus fez o objetivo técnico ser cumprido com maestria em 2019. O problema foi que a diretoria bem-sucedida esportivamente em seu primeiro ano abandonou de vez a política de racionalidade nos gastos. Depois do ano mágico de 2019, o Fla projetou que seria pelo menos vice-campeão brasileiro, semifinalista da Libertadores e finalista da Copa do Brasil em 2020. Com esse plano em mente, previu que iria faturar quase R$ 800 milhões ao longo do ano. E projetou seus gastos em cima dessa meta.

Mas veio 2020, a pandemia, Jesus saiu, e o Flamengo desandou em campo. A pressão pelos títulos neste ano não foi só da torcida. Era uma necessidade financeira. Tanto que, com os campeonatos se alongando para 2021 e sem previsão de entrada de receita por premiações, o Fla precisou recorrer a empréstimos para honrar os salários dos atletas. Tomou R$ 50 milhões em abril do banco Daycoval. Em setembro, pegou outros R$ 50 milhões do banco BRB para quitar essa dívida a juros menores. Em fevereiro deste ano, aprovou no Conselho de Administração tomar outros R$ 35 milhões para pagar as contas dos próximos meses.

Título alivia fluxo de caixa, mas põe Fla em perigosa encruzilhada 

O título brasileiro alivia – e muito – a pressão sobre o fluxo de caixa. Só que deixa o Flamengo numa perigosa encruzilhada. Vender jogadores da base para cobrir as despesas não é tão seguro agora, mesmo com o euro nas alturas. O mercado comprador europeu está retraído com a pandemia.

Sem previsão de volta do torcedor aos estádios, se o clube não performar dentro de campo mais uma vez, a estratégia financeira ficará dentro de uma panela de pressão.

Há alguns anos, o Barcelona colocou a meta de ser o primeiro clube de futebol do mundo a faturar € 1 bilhão em uma mesma temporada. Chegou perto disso, mas a política de pagar caro para ter seus astros e esperar mais do desempenho esportivo do que da força da marca para cobrir esses custos cobra agora sua conta. O clube está com mais empréstimos vencendo do que sua capacidade de geração de receita. No curto e médio prazo, a situação é preocupante. O desempenho esportivo não consegue mascarar a situação.

Rogério Ceni leva o prêmio Bola de Prata de melhor técnico do Brasileiro; veja


Perto dali, na Alemanha, o Bayern de Munique mantém sua estratégia de manter sempre a austeridade financeira como premissa para sua estratégia. Depois de três anos de mais gastança com Pep Guardiola no comando técnico, o clube voltou a apostar num treinador alemão e no projeto de que o resultado esportivo é consequência de um trabalho sólido fora de campo. Não por acaso, quando vazou a informação de que Messi tinha um contrato de meio bilhão de euros com o Barcelona, os dirigentes do Bayern rapidamente declararam que isso era ótimo. Para o jogador... 

Embora Gabigol tenha falado que o time é "o Real Madrid do Brasil", o Flamengo vive hoje uma encruzilhada entre modelos de outros dois clubes da Europa: ser Barcelona ou Bayern de Munique. 

É maravilhoso ser campeão todo ano. Mas a ambição precisa ser muito bem calculada para não cobrar o preço mais para a frente. Querer a vitória a qualquer preço foi o que levou o Flamengo, nos anos 1990, ao estado deplorável que só foi ser sanado só 20 anos depois.

Gabigol é o símbolo do Flamengo multicampeão, mas qual o preço a se pagar pelas vitórias?
Gabigol é o símbolo do Flamengo multicampeão, mas qual o preço a se pagar pelas vitórias? Wagner Meier/Getty Images

Comentários

Flamengo vive a encruzilhada entre ser Bayern ou Barcelona

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Por que a Budweiser vai transmitir a NBA?

Erich Beting
Erich Beting

Sim, fã do esporte. Você não leu errado, nem eu enlouqueci. A notícia que sacudiu um pouco o mercado de marketing esportivo na manhã desta quarta-feira foi o anúncio de que a Budweiser transmitirá uma vez por semana jogos da NBA diretamente dentro do canal da empresa no YouTube.

Por que um patrocinador decide virar parceiro de mídia da NBA?

Esqueçamos as declarações protocolares do comunicado de imprensa, que falam em democratização do consumo de conteúdo. Ainda mais em se tratando de NBA, que o fã consegue acompanhar nas mais diferentes plataformas (TV aberta, TV fechada, streaming, PPV, etc.).

O que a Bud faz, agora, é dar um passo à frente numa estratégia que passou a ser adotada por diversas empresas durante a pandemia. O conteúdo começou a ditar tanto o comportamento das marcas que elas começaram a se tornar produtoras desse material, e não meramente anunciantes em produtos de bom conteúdo.

A Ambev, dona da Bud, já havia sinalizado que estava adotando esse caminho com duas outras marcas ligadas à empresa. O primeiro foi o movimento do Guaraná Antarctica no futebol feminino, de patrocinar o Brasileirão e ceder placas de publicidade para que outras marcas investissem no torneio, e depois de abrir espaço em suas latas de Guaraná para quem apoiasse um projeto social na modalidade. A marca de refrigerante virou vendedor de mídia.

NBA, Top 10: Espetáculo de Doncic, força bruta de Giannis; assista


Poucos meses depois, a Brahma decidiu deixar de ser anunciante do pacote de futebol da Globo em 2021. O motivo foi a chance de investir essa verba numa conexão direta com o consumidor nas redes sociais da marca e dos próprios clubes. A marca tem feito programas no Instagram e usado como nunca as dezenas de times patrocinados para se conectar ao fã e, assim, gerar mais dinheiro com venda de cerveja.

Agora, porém, a Bud levou para um outro patamar essa relação. A ideia da marca é se apropriar de tal maneira do basquete que até mesmo provedora de conteúdo para o torcedor ela se tornou. Isso não significa que você terá de brindar a cada cesta marcada pelos times, nem que teremos trocadilhos infames que remeta sempre ao consumo de bebida alcoólica.

A ideia da Bud é que, ao levar jogos diretamente para os torcedores, ela consiga se aproximar de seus hábitos de consumo e, dessa forma, ficar ainda mais próxima na hora de uma compra na gôndola do supermercado.

Como diz a própria propaganda de marca de cerveja: aprecie com moderação.  

Budweiser será mais do que patrocinadora da NBA
Budweiser será mais do que patrocinadora da NBA Divulgação
Comentários

Por que a Budweiser vai transmitir a NBA?

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Nos negócios, tem muito mais do que só gol do Gabigol

Erich Beting
Erich Beting
Gabigol rende ao Flamengo muito mais do que gols dentro de campo
Gabigol rende ao Flamengo muito mais do que gols dentro de campo Maarcelo Cortes / Flamengo


Quando voltou de uma passagem frustrada pela Internazionale e pelo Benfica para o Santos, Gabigol dava a pinta de que seria o típico caso daquele jogador que foi sem nunca ter sido. Era o atleta mediano brasileiro que despontava, desequilibrava por duas temporadas por aqui, chegava com tudo na Europa mas, no final das contas, não conseguia fincar o nome no Velho Continente e voltava sem muito sucesso para o Brasil.

Para mim, corríamos o risco de ver em Gabigol um novo Leandro Damião. Muita distância entre a expectativa e a realidade.

Gabigol, porém, no regresso ao Brasil mostrou que não era para ser descartado. Mais ainda. Junto com Bruno Henrique, liderou um limitado Santos a uma das principais posições do Brasileirão. Até que veio o Flamengo e seu ambicioso projeto de ter o sucesso em campo para cobrir despesas audaciosas. A dupla de ataque saiu da baixada santista para o Rio de Janeiro. E dali veio um colossal fenômeno que fez nascer a brincadeira do “Hoje tem gol do Gabigol”.

O que impressiona, porém, é como Gabigol é muito mais do que um dos principais centroavantes do futebol brasileiro. O jogador soube transformar o sucesso no Flamengo em negócios. Muito negócios. Nesta terça-feira, a Jequiti, empresa de cosméticos do Grupo Silvio Santos, anunciou o lançamento da fragrância Gabigolzinho. Ancorada no sucesso do atacante flamenguista com o público infantil, o perfume é mais um da linha de produtos licenciados com a marca de Gabigol.

Tem chinelo, caneca, copo, boneco de pelúcia...


         
     

Gabigol tem mostrado um caminho para o jogador ótimo no Brasil e que precisará de muito esforço para se tornar protagonista na Europa. Às vezes, é muito mais negócio permanecer no país, tornar-se ídolo de uma grande torcida e trabalhar sua imagem para capitalizar em cima da fama.

Muito melhor do que ser reserva num grande clube europeu é ser titular do ataque do Flamengo. Os ganhos, esportivos e econômicos, são incomparavelmente maiores.

É um caminho que o Palmeiras desperdiçou de trilhar com Dudu, que nunca teve, fora de campo, o tratamento necessário do departamento de marketing do clube.

O Inter soube fazer bom uso da idolatria do torcedor com D’Alessandro. Da mesma forma que o Corinthians começa a dar a atenção devida ao colossal goleiro Cássio.

Os clubes precisam aprender que o ídolo não rende só dentro de campo. Fora dele é que está uma das maiores vantagens do bom jogador. Captar, reter e converter a paixão do torcedor em novos negócios.

Hoje, a relação entre Flamengo e Gabriel vai muito além do que apenas ter gol do Gabigol.

Comentários

Nos negócios, tem muito mais do que só gol do Gabigol

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

O Americanão que todo mundo queria ganhar

Erich Beting
Erich Beting
Gabigol comemora com Gérson o gol da virada do Flamengo
Gabigol comemora com Gérson o gol da virada do Flamengo Alexandre Vidal \ Flamengo

E se estivéssemos nos Estados Unidos? O que iríamos falar sobre a edição de 2020 da Série A do Campeonato Americano de futebol? A edição mais emocionante de todos os tempos, que só foi definir na última rodada quem seria o campeão, numa troca de posições na ponta da tabela raramente vista em mais de 50 anos de história?

É, meus amigos, quem acha ruim o que está acontecendo no Brasileirão 2020 só pode estar impregnado pela ranzinzice que geralmente acomete boa parte de nós da imprensa. Sim, posso dizer que já fui bastante acometido desse mal, mas foi só quando consegui me afastar do dia a dia do futebol como notícia e me aprofundar apenas no futebol como negócio que voltei a ter o olhar do fã mais aguçado.

E é exatamente isso que diferencia a cobertura da mídia americana da brasileira quando falamos do esporte. Por lá, o americano não deixa de ser informativo e jornalista, mas ele entende que o trabalho dele é, acima de tudo, falar com o fã. E isso significa, necessariamente, ressaltar aquilo que há de motivo para fazer o torcedor parar tudo o que está fazendo e dar importância para um jogo ou uma competição.

Por isso, temos tido a dádiva de vivenciar uma das mais inesquecíveis edições do Brasileirão em 2020/2021.

A começar por tudo o que a pandemia causou. Ela primeiro alterou todo o calendário e refez todo o planejamento dos clubes na temporada. Depois, com o aparecimento de casos de Covid dentro dos próprios times, houve uma mudança brusca de performance das equipes ao longo de toda a temporada, o que interfere, diretamente, nas posições da tabela e na imprevisibilidade da competição.

O Flamengo 2x1 Inter deste domingo foi só mais uma prova de que, se bem trabalhada a comunicação do produto futebol, teríamos tido um jogo ainda mais eletrizante. A primeira providência que a CBF deveria ter tomado era a de isolar essa partida na tabela. Deveríamos ter tido a partida decisiva do Maracanã como o único jogo da TV aberta no final de semana. A partida que todos queriam ver, e que em algumas praças foi substituída por jogos completamente insossos, como Corinthians x Vasco, ou pouco impactantes na tabela, como Sport x Atlético-MG.

Jogo polêmico, com lances agudos dos dois lados, expulsão, reviravoltas, etc. Foi uma baita de uma partida decisiva de campeonato, e, no fim das contas, temos um novo líder a uma rodada do fim do Brasileirão.

Não tem como resumir a edição de 2020 do Campeonato Brasileiro com a injusta frase de que é o “Campeonato que ninguém quer ganhar”. Estivéssemos nos EUA e o Americanão de 2020 passaria para a história como o “Campeonato que todos quiseram ganhar”. O campeão será só um time. Mas o que deveríamos ressaltar, agora, é como foi eletrizante chegar à definição de quem é o campeão. É isso o que deveria ficar para a história. Para o bem do próprio futebol, temos de aprender a valorizar mais o imprevisível, em vez de tentar, numa tentativa de se mostrar “imparcial”, desmerecer a competitividade que permeou todo o Brasileirão de 2020.

Comentários

O Americanão que todo mundo queria ganhar

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Colo-Colo e o mito do clube-empresa

Erich Beting
Erich Beting

O terceiro rebaixamento nos últimos 20 anos. Dívidas incontroláveis e cada vez mais incalculáveis. Torcida anestesiada com todo o desgoverno fora de campo que se reflete dentro dele. O Botafogo caminha, a passos largos, para cair no abismo em que já pularam clubes como Portuguesa e Guarani 

Para muitos, a solução do clube é virar empresa. É importante o debate, que vai e volta surge no mercado brasileiro e recentemente ganhou mais protagonismo por termos, no Congresso, deputados a favor de criação de lei facilitando a transformação de clubes em empresas.  

Mas é preciso deixar clara uma condição importantíssima na história do clube-empresa e que o futebol não está pronto para debater.  

VIRAR EMPRESA NÃO VAI TIRAR O TIME DO BURACO!!! 

Desculpem as letras garrafais, mas é surreal as pessoas reduzirem a solução de um clube afundado em dívidas a sua transformação em empresa. Por que virar empresa não é solução? Oras, empresa quebra todos os dias no mundo. Ter um dono não significa, necessariamente, ser bem-sucedido.  

Colo-Colo mostra que ser clube-empresa não significa ser bom dentro de campo
Colo-Colo mostra que ser clube-empresa não significa ser bom dentro de campo Getty Images

No futebol, para piorar, confundimos o sucesso ou o fracasso do modelo empresarial de clubes ao desempenho esportivo. O exemplo da vez é o Colo-Colo. Há meia década, o time chileno foi apontado como exemplo de clube que virou empresa. O motivo? O time vinha bem na Libertadores. Nesta quarta-feira, o Colo-Colo joga para permanecer na primeira divisão chilena, posto do qual nunca saiu em sua história. Teve até faixa de torcida ameaçando de morte os jogadores caso o rebaixamento aconteça. Fico pensando em qual empresa os funcionários seriam ameaçados de morte pelos consumidores após um lançamento ruim de produto e queda vertiginosa nas vendas... 

O Colo-Colo é a prova de que achar que um clube virar empresa vai resolver sua vida não é verdade. Da mesma forma, achar que um rebaixamento prova que um clube não pode ser empresa é uma tremenda bobagem. 

A solução para o Botafogo e a grandessíssima maioria dos times de futebol no Brasil não é se tornar empresa, mas assumir uma mentalidade empresarial em sua gestão. Por isso, entenda-se reduzir ao máximo a influência política nas tomadas de decisão.  

Seria, basicamente, viver num mundo utópico em que o presidente não queira se consagrar quando estiver no cargo, mantendo os funcionários contratados pelo clube seguindo seu trabalho sem grandes solavancos.  

Essa talvez seja a principal diferença do mundo empresarial para o mundo político. Quando mudamos a gestão pública, temos o péssimo hábito de trocar praticamente todos os funcionários e, ainda, a forma de pensar e atuar. Isso serve para a política e para o futebol, em que a troca de poder acontece no mesmo modus operandi de Brasília. 

Obviamente que não cogitamos privatizar a presidência da República ou qualquer cargo público, mas dentro do universo do futebol a transformação do clube em empresa é um mecanismo plenamente viável.  

O problema, porém, não se resolverá se essa empresa vier a tomar as mesmas decisões atabalhoadas e irresponsáveis que os atuais dirigentes esportivos tomam. Mais ainda, corre-se o risco de, numa gestão desastrosa, o clube falir e, aí sim, desaparecer do mapa, como acontece com qualquer empresa. 

A solução para o futebol não é privatizar os clubes. É fazer com que os dirigentes entendam que, acima do sucesso esportivo, está o sucesso gerencial da instituição. O mundo esportivo e o corporativo comprovam isso: quando você está com a casa arrumada, os resultados naturalmente aparecem. 

Comentários

Colo-Colo e o mito do clube-empresa

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

O problema não é o VAR, mas quem o opera

Erich Beting
Erich Beting
Árbitro checa o VAR durante jogo entre Santos e Vasco, pelo Brasileiro
Árbitro checa o VAR durante jogo entre Santos e Vasco, pelo Brasileiro Getty

Mais uma rodada de Campeonato Brasileiro termina e as acusações voltam-se para o VAR. O sistema que implementa a revisão em vídeo de lances capitais dos jogos é mais uma vez colocado como vilão do “bom futebol”, ou pelo menos do “futebol raiz”.

O ponto é que, mais uma vez, apontamos a carabina para onde não está o problema, achando que a solução será encontrada a partir disso. O VAR talvez seja uma das melhores inovações que o futebol implementou desde a vitória passar a valer 3 pontos em vez de 2.

Não concorda? Tudo bem. Vou tentar trazer algumas percepções que tenho assistindo ao futebol atualmente.

Qual foi a última simulação que vimos de jogador caindo dentro da área para pedir pênalti? Antes da Copa de 2018, você consegue se lembrar como era assistir a um jogo? Quantos jogadores caíam na área com os braços erguidos? Quantas vezes isso acontecia num jogo? E as simulações nas disputas de bola mais duras? Cotoveladas fora do lance?

A simples existência do VAR conseguiu fazer com que, em dois anos, os gestos teatrais dos jogadores fossem reduzidos sensivelmente.

Da mesma forma, a rodinha de reclamação contra marcações da arbitragem tem caído. Ainda se fala muito com o juiz, questiona-se demais os sopros do apito (algumas vezes com razão), mas é um fato que a pressão sobre a arbitragem, especialmente em lances duvidosos, também caiu.

Sim, é insuportável ter de esperar para saber se o gol foi gol mesmo, ou se o dedo mindinho do lateral-direito dava ou não condição para o atacante. Isso tira a essência do futebol? Não. O gol continua a ser gol. A comemoração segue valendo. Melhor ainda quando não há margem para questioná-la.

O que acontece, especialmente no Brasil, é que os operadores do VAR estão destruindo toda a boa reputação que poderia ser construída em torno do sistema.

Como resolver esse problema?

No final das contas, as falhas do VAR brasileiro são reflexo dos próprios problemas estruturais do futebol por aqui. Não temos tempo para treinar!!!

Quando foram implementar o VAR, Inglaterra e Alemanha fizeram quase um ano de testes com a arbitragem, com o sistema, treinando diferentes situações de clima, etc. Os árbitros estavam preparados para fazer uso da ferramenta.

Por aqui, não há qualquer treinamento ou padrão. Sim, a CBF vai argumentar que houve testes e treinos. Só que eles não foram suficientes. E aí a entidade máxima do futebol é refém do próprio calendário que não permite folga nas datas para aperfeiçoar o trabalho dos juízes.

A arbitragem deveria ter, por padrão, resolver um lance de gol em até 1min. É o tempo de os atletas celebrarem e voltarem para o centro do campo. Até lá, já foi feita a comunicação e um veredicto foi dado. Para lances mais complexos, no máximo mais 30s para tomar a decisão. E, aí, se ainda persistirem as dúvidas, a consulta chega ao árbitro da partida.

O que vemos, porém, é uma total demora para resoluções simples. O tempo que se tomou para concluir que o primeiro gol do Flamengo, de William Arão, não tinha irregularidade, beirou o inacreditável. Em um replay de TV era claro que não havia qualquer problema.

Da mesma forma, a checagem de toda a aparelhagem do VAR deve ser feita antes da partida. É inconcebível ter um erro como o deste domingo em Vasco x Inter. Mais uma vez, o problema até estava no VAR, mas como não foi detectado com antecedência?

Além da falta de treino, a falta de coragem em tomar a decisão parece ser um problema que afeta toda a arbitragem do futebol brasileiro. A cada consulta ao VAR, o que assistimos é um show de transferência de responsabilidades. A arbitragem de campo deixa para o árbitro de vídeo, que então leva uma eternidade para se definir, com medo de errar.

O VAR é uma invenção fantástica. É usado há décadas em esportes americanos, só agora chegou ao futebol, mas já tem melhorado – e muito – a qualidade do jogo. O problema, no Brasil, é que quem opera o sistema não está preparado para isso.

Seria, basicamente, dizer que o telefone celular não presta porque não sabemos utilizá-lo.

Comentários

O problema não é o VAR, mas quem o opera

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

A Fifa terá de rever seu projeto de Mundial de Clubes

Erich Beting
Erich Beting

O Palmeiras terminou o Mundial de Clubes com a pior participação de um time sul-americano desde que o torneio passou a ter o formato atual. Na decisão entre Bayern e Tigres, Manuel Neuer poderia ter ficado deitado no gramado do estádio que não mudaria o placar de 1 a 0 para os alemães. 

Mais uma vez ficou provado que não tem mais bobo no futebol. Nenhum clube europeu, desde 2012, chega em condições de ser ameaçado a perder o título do Mundial. O Chelsea que perdeu do Corinthians tinha entrado em remontagem pós-título da Champions League naquele ano. Não fosse por isso, dificilmente teria dado espaço para a espetacular vitória do Timão. E tem sido assim desde sempre. O time sul-americano, quando não é campeão, tem no goleiro adversário o melhor jogador da partida.  

Isso não apaga as falhas palmeirenses de 2021, muito menos tira o mérito de Flamengo e Grêmio, os últimos brasileiros vice-campeões mundiais. Mas deixa claro que, hoje, ser campeão mundial virou uma tarefa praticamente impossível. 

Palmeiras teve a pior participação de um time sul-americano no Mundial
Palmeiras teve a pior participação de um time sul-americano no Mundial Cesar Greco / Palmeiras

A Europa joga um outro nível de futebol. É, hoje, parecido com a relação da NBA com o restante do mundo no que diz respeito ao basquete.  

Pense no que seria um Mundial de Clubes de basquete se o campeão da NBA fosse à quadra. Haveria como competir? 

Assim como acontece na bola laranja, no futebol a diferença técnica dos clubes também é fruto do abismo de capacidade de investimento que existe dos europeus em relação ao restante do mundo. Com investimentos milionários tanto na aquisição de talentos quanto na formação de base, os times da Europa hoje estão em outro patamar de disputa em relação aos demais países. 

Não há jogador de alto nível entre 23 e 30 anos de idade atuando na América do Sul, quando se atinge o ápice da forma física e técnica. O talento de alta qualidade já está, nessa altura, jogando na Europa. Não temos como competir técnica e financeiramente.  

Palmeiras perde para o Al Ahly nos pênaltis e termina Mundial com pior posição da história entre os sul-americanos. VEJA!

E isso vai ficar claro pelo menos uma vez a cada ano, quando os times se encontrarem para disputar o Mundial. A ideia da Fifa de colocar todos para se enfrentarem num Mundial mais amplo do que o antigo América do Sul x Europa é excelente. O problema é que, assim como acontece em algumas ligas europeias, o torneio é só para decidir quem será o vice-campeão.  

Assim que o novo formato de Mundial for definido, com mais times europeus, nem isso será possível almejar. A Europa joga um outro nível de futebol. A Fifa tem um pepinaço para resolver nos próximos anos se quiser mesmo criar um torneio global entre clubes. Talvez o melhor caminho fosse deixar os europeus se fecharem em sua Superliga e aliviar a pressão sobre o calendário de jogos, focando em torneios mais bem organizados para seleções no lugar das modorrentas Data-Fifa.

Comentários

A Fifa terá de rever seu projeto de Mundial de Clubes

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Athletico no Club House mostra que o clube deve ser dono do conteúdo

Erich Beting
Erich Beting
Propaganda feita pelo Athletico para divulgar transmissão via áudio de jogo no app Club House
Propaganda feita pelo Athletico para divulgar transmissão via áudio de jogo no app Club House Reprodução/Twitter/Athletico


O Athletico Paranaense costuma ser um “peixe fora d'água” quando o assunto é a relação dos clubes de futebol com a mídia. Sob a batuta de Mario Celso Petraglia, o Furacão faz jus ao apelido. É, quase sempre, um ponto fora da curva quando vai discutir como deve ser a relação dos detentores de direitos de transmissão e os clubes, que são os provedores do conteúdo a ser transmitido.

No começo dos anos 2000, o então Atlético-PR era o único clube a discutir, de forma séria, como seria a relação das emissoras de rádio com o futebol. Acostumadas a transmitir jogos sem pagar e receber bastante dinheiro com isso, as rádios sofreram nas mãos do Furacão. Mas, sozinho, o Atlético acabou sendo tragado pela inércia dos seus companheiros. A ideia de criar um pacote dentro do Clube dos 13 para vender direitos de transmissão do Brasileiro para a rádio caiu por terra a cada nova negociação em que o interesse dos clubes era saber quanto receberiam de adiantamento de verba e quando o dinheiro cairia nos combalidos cofres.

Mais de duas décadas se passaram, a rádio passou a ter a companhia da internet e, agora, as redes sociais e o streaming mudam radicalmente a relação do torcedor com o conteúdo. E os clubes, olham o que? O dinheiro no bolso, sem se preocupar com a entrega e produção de conteúdo.

Novamente, o peixe fora da água é o Furacão. O Athletico usou a brecha que apareceu com a MP do Mandante, criada atabalhoadamente pelo governo em junho de 2020, para conseguir vender diretamente para o torcedor um pacote com os jogos em que atua como mandante.


         
     

Agora, o clube vem testando formatos para atrair e reter a atenção da torcida a partir da geração de conteúdo exclusivo. Foram jogos transmitidos no Twitch, agora tem sido uma câmera-robô que traz a visão da arquibancada da Arena da Baixada. E, nesta semana, a novidade será usar o aplicativo Club House, que troca mensagens de voz, para fazer a transmissão do jogo contra o Corinthians, na noite desta quarta-feira (10).

O alcance de todas essas ações continua a ser mínimo, e o clube segue sem faturar quase nada, muito menos o que tinha de mínimo garantido da Globo com o PPV do Brasileirão (R$ 6 milhões, que o Furacão considerou ser "pouco"). Mas o que faz o Athletico, hoje, é mostrar o caminho para o futebol. A produção de conteúdo não deve ser da mídia, mas do clube.

A mídia é um meio de levar para mais gente, ganhando bastante dinheiro, o principal produto dos clubes, que é o jogo. Mas ao redor desse produto gravitam diversos outros, com muito poder de criação e ramificação, que devem ser produzidos e gerados pelo clube para os seus clientes.

Nesta semana, no mesmo dia em que o Furacão anunciou a transmissão no Club House, o Milan apresentou seu estúdio para geração de conteúdo, seguindo modelo adotado há mais de um ano pelo Barcelona.

É esse o caminho que o futebol precisa seguir. Produzir conteúdo para reter e conhecer quem é o seu torcedor. A transmissão do jogo não é o único produto que o torcedor quer consumir. 

Comentários

Athletico no Club House mostra que o clube deve ser dono do conteúdo

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Tom Brady e a história como só os americanos sabem contar

Erich Beting
Erich Beting
Super Bowl LV foi disputado em Tampa Bay, casa de um dos finalistas da decisão da NFL
Super Bowl LV foi disputado em Tampa Bay, casa de um dos finalistas da decisão da NFL Getty Images

O esperado e decantado duelo entre Tom Brady e Patrick Mahomes vai ter de esperar. Pelo menos não foi no Super Bowl LV que o jovem QB do Kansas City Chiefsconseguiu fazer frente ao megacampeão Brady, que liderou o Tampa Bay para ser o primeiro campeão da NFL atuando em seu próprio estádio.

O que mais impressiona em relação ao confronto, porém, é que os Estados Unidos, mais uma vez, deram aula de como fazer um evento “cair nas graças” do público, seja ele fanático ou não pelo esporte. Os EUA conseguem elevar qualquer evento ao status de um momento único, que o torna um acontecimento imperdível. Existe na cultura americana uma visão muito clara de que, para um evento ter sucesso, é preciso forçar a barra na promoção daquele acontecimento.

Não por acaso, as estatísticas, das mais variadas, são usadas para tentar engajar o torcedor e fazê-lo se conectar ao jogo. Sempre há um recorde a ser quebrado, um duelo histórico ou um fato inédito que circunda o evento.

O jogo do último domingo foi chamado de duelo entre o “Maior de Todos” (Brady) e o “Pequeno Maior de Todos” (Mahomes). A mídia lembrou que nunca um time havia jogado em casa o Super Bowl. Os recordes alcançados pelo GOAT eram repetidos à exaustão antes, durante e após os 31 a 9.

Tudo isso serviu de argumento para mesmo quem não é fã do futebol americano querer acompanhar o duelo. Por mais que você não estivesse ligado no jogo, não tinha como não saber que ele aconteceria.

Além de reforçar, e muito, o apelo de uma partida, essa estratégia de comunicação adotada pelos americanos ajuda a promover cada vez mais o esporte mesmo para o não-fanático.

No mesmo domingo do Super Bowl, tivemos a disputa da primeira semifinal do Mundial de Clubes da Fifa. Sem tantas histórias ao redor da partida, com foco apenas na performance esportiva, o jogo do Palmeiras com o Tigres, do México, ficou restrito ao fã de futebol.

Prova disso foram os índices de audiência da partida. Continuaram extremamente próximos de um domingo qualquer de futebol na televisão aberta no Brasil. Não fez diferença o fator decisivo da partida. Apenas o fanático foi impactado pela comunicação ao redor do jogo.

Esporte absurdamente popular, o futebol nunca precisou se esforçar muito para obter grande audiência. Talvez por isso façamos pouquíssimo esforço para ampliar o desejo de se consumir uma partida decisiva. É preciso aprender com os americanos como transformar qualquer disputa num grande evento. Isso que não estou nem falando do espetáculo dentro de campo. Por que, aí, a concorrência é ainda mais desleal.

Comentários

Tom Brady e a história como só os americanos sabem contar

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Brenner foi só o começo: é a partir de 2022 que a MLS vai decolar

Erich Beting
Erich Beting
Alex Leitão, CEO do Orlando City
Alex Leitão, CEO do Orlando City Mark Thor/Orlando City

contratação de Brenner pelo FC Cincinnati, da Major League Soccer (MLS), gerou um enorme barulho no mercado. Como pode uma revelação de um grande time brasileiro, tendo uma proposta de transferência para a Atalanta, da Itália, optar por jogar na MLS? A decisão de Brenner surpreende o brasileiro acostumado, no máximo, a ligar nos canais ESPN para acompanhar a liga americana. Mas revela algo que pode vir a ser uma grande tendência nos próximos anos.

A MLS deve se tornar nos próximos anos uma das mais ricas ligas esportivas do mundo. Obviamente ela ainda estará bastante distante de uma Premier League ou LaLiga, mas a tendência é que os clubes americanos tenham para dividir um bolo cada vez maior de direitos de transmissão. No próximo ano, haverá a renovação do contrato de mídia.  Além de ESPN, Fox e Univision, parceiras atuais da liga e que pagam US$ 90 milhões por temporada, a Turner deve entrar no páreo. Isso deve ampliar os valores de TV, ainda mais por uma esperada disputa no aquecido mercado americano de streaming. Seguindo a lógica de negócio das ligas americanas, isso fará com que aumente o poder de compra dos clubes da MLS. Como a verba da TV é repartida igualmente entre os times, um aumento do teto salarial também deve entrar na pauta, assim como mais patrocínios trazidos pelo aumento de exposição da liga na mídia. 

Além da questão do novo contrato de mídia, em 2022, a realização da Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos é outro fator que deve impulsionar - e muito - o futebol por lá. O maior mercado consumidor do mundo é uma terra a ser explorada pela bola redonda. E devemos ter um salto gigantesco, como foi em 1994, para o "soccer". No ano do tetra, o futebol era um esporte totalmente desconhecido pelos americanos. A boa campanha dos EUA, que caiu para o Brasil nas oitavas de final, ajudou a despertar a curiosidade pelo esporte, tanto que foi ali que surgiu a MLS. Agora, a expectativa é outra. Mais um Mundial no país deve forjar uma nova geração de fãs. E isso fará com que o negócio cresça colocando a MLS em pé de igualdade com as demais ligas do mundo.

Um terceiro fator que ajuda, bastante, é a exportação de pé de obra que a Major League Soccer começa a representar para seus talentos. Alguns jogadores têm saído da liga para brilhar no futebol de alguns dos principais países da Europa, como o canadense Alphonso Davies, ex-Vancouver Whitecaps, no Bayern de Munique. Para ajudar ainda mais na rota exportadora, alguns clubes europeus são também donos de times no futebol dos EUA, como o City Group, que já começa a levar atletas do NYFC para o Manchester City.  A MLS pode vir a ser o atalho do atleta sul-americano para o mercado europeu de primeira linha. Mais ou menos como é hoje Portugal para parte dos jogadores brasileiros.   

Na última semana, antes do anúncio da venda de Brenner para o Cincinnati, conversei com Alex Leitão, brasileiro que é o CEO do Orlando City. No bate-papo, o executivo revela um pouco mais desses planos da MLS. Da conversa com ele veio a sensação confirmada dois dias depois. Os EUA podem se tornar o próximo destino dos jovens atletas brasileiros antes da parada final na Europa.

Comentários

Brenner foi só o começo: é a partir de 2022 que a MLS vai decolar

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Pelo bem do futebol, precisamos ter menos clubes no Brasil

Erich Beting
Erich Beting
Álvaro, do Salgueiro, comemora gol sobre o Náutico
Álvaro, do Salgueiro, comemora gol sobre o Náutico Carlos Ezequiel Vannoni/Agência Eleven

Na última semana de janeiro, a Fifa anunciou o lançamento de um site que contém diversas informações sobre o futebol em todo o mundo. Clubes registrados, atletas profissionais, calendário de campeonatos. A ideia do Fifa Professional Football Landscape é traçar um panorama de como o futebol se apresenta ao redor do planeta. 

Nesta semana, o Salgueiro, atual campeão Pernambucano, causou polêmica ao anunciar que abria mão de disputar as Copas do Nordeste e do Brasil por estar em dificuldades financeiras. A justificativa é de que, apesar das boas premiações em dinheiro que os torneios asseguravam, o clube não conseguiria arcar com os custos de montar o time e viajar para a disputa de partidas. A ausência do clube, no final, foi proibida pela CBF e pela Liga do Nordeste, que proibiram o acordo que faria o Salgueiro dar lugar para o Náutico nos dois torneios, ficando porém com a verba adiantada pelas duas entidades referentes à vaga conquistada.

O negócio, claramente, parecia jogo de cartas marcadas. O Salgueiro tirava o time de campo, e o Náutico, com mais estrutura, se beneficiava das premiações que os torneios regional e nacional podem dar sem ter tido o mérito esportivo para estar nelas. O caso chama a atenção por representar uma situação cada vez mais comum no futebol brasileiro e que pode ser explicada por esse site que a Fifa lançou. 

NÃO EXISTE ESPAÇO PARA TANTO CLUBE DE FUTEBOL NO BRASIL!!!!

Pelos dados da plataforma da Fifa, temos hoje 656 clubes de futebol profissional no Brasil. O vice-líder da lista é o México, com 245 equipes. Em terceiro lugar está a Turquia, com 126, com a Argentina no cangote (124). O quinto lugar de país com mais clubes é a Itália. São 100 equipes profissionais registradas. Sim, somos um país muito maior - em tamanho e população - do que os outros dessa lista. Mas é nítido que temos um grande problema para ser encarado.

MAIS UMA VEZ! NÃO EXISTE ESPAÇO PARA TANTO CLUBE DE FUTEBOL NO BRASIL!!!!

Respondemos por praticamente 15% de todos os clubes que existem no mundo. Um país, num universo de mais de 200, concentra quase 15% dos clubes existentes. Está errado! Muito errado! E o caso do Salgueiro é uma prova clara de como essa disparidade é maléfica para o desenvolvimento do próprio futebol no país.

No passado, em que as exigências financeiras para se manter um clube eram quase inexistentes, era comum cada cidade montar seu time de futebol e sonhar em jogar um dia no campeonato estadual.  A forma como montamos o futebol profissional, primeiro com torneios locais e somente depois com os nacionais, contribuiu para que isso virasse quase que uma regra. Com a força da legislação que prendia o jogador ao clube mesmo ao término do contrato, ficou ainda melhor surgirem clubes pequenos, que viviam de montar bons times, fazer uma ou outra boa aparição, vender os atletas e depois esse dinheiro ser pulverizado pelas cartolas furadas que existiam. 

O calendário, que tinha meio ano reservado para os Estaduais, ajudava a formar ainda mais essa cultura. Times surgiam bancados por políticos, magnatas, empresas locais e até criminosos. Ter uma equipe jogando contra os grandes era garantia de prestígio local. 

Só que, com a mudança do futebol como negócio, em meados dos anos 90, o cenário mudou radicalmente. Com mais dinheiro da TV, do patrocínio e da venda de jogadores nos grandes clubes, o abismo que os separa dos pequenos ficou ainda maior. 

A realidade, hoje, é que existe espaço para termos no máximo, no máximo, 200 clubes no Brasil. Pelo menos para poder considerá-los clubes profissionais. Ou semiprofissionais, como é na Itália, na França, na Inglaterra e na Espanha. A elite continuará restrita para no máximo 15 times, com outros 15 oscilando entre as Séries A e B. Outro grupo de 20 clubes viverá entre as Séries B e C, com o restante não conseguindo ter acesso a nada, absolutamente nada, a não ser uma ou outra aparição esporádica numa competição um pouco maior. 

Copa do Nordeste: sorteio define os grupos com Bahia e Ceará no grupo A e Fortaleza e Sport no grupo B


O Salgueiro não jogar a Copa do Brasil e a Copa do Nordeste faz total sentido. Não há como competir de forma minimamente igualitária com os clubes que fazem parte desses torneios. Não é só uma questão de um acordão para dar ao Náutico o que ele não soube ganhar dentro de campo. É financeiro. O Salgueiro é a prova de que não há mais como mantermos tantos clubes para existirem apenas pelos meses de um Campeonato Estadual. 

Não é que os Estaduais precisam acabar. É que, na realidade, o futebol hoje mudou. Se, até 1971, não havia sentido existir um Campeonato Brasileiro de clubes regular, agora a situação é inversa. O que não tem sentido, para o grupo que realmente movimenta dinheiro no futebol, disputar torneios contra times que existem só para um instante. Até mesmo o torcedor já não tem mais o orgulho pela equipe local. Ele quer, mesmo, torcer pelos times que vão para a Libertadores, Sul-Americana, Brasileirão.

O Salgueiro é só mais um recado. Não existe mais espaço para tanto clube de futebol no Brasil...

Comentários

Pelo bem do futebol, precisamos ter menos clubes no Brasil

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Sem eleição e com COVID, Super Bowl será teste para marcas

Erich Beting
Erich Beting

No próximo domingo, os olhos do mercado americano vão se voltar para o Super Bowl. A grande decisão do futebol americano acontece dentro de um contexto bem diferente dos últimos cinco anos. Sem a disputa e polarização eleitoral após a saída de Donald Trump e ainda sob o efeito da pandemia, haverá uma disputa completamente nova para as marcas que geralmente aproveitam a partida para fazer grandes campanhas publicitárias.

Foi apenas a uma semana do evento que a rede CBS anunciou ter “virtualmente vendido” todos os espaços publicitários disponíveis para a transmissão da partida. Propaganda mais cara da indústria da televisão, os anúncios do Super Bowl este ano vão ser muito diferentes do habitual.

Marcas que anunciavam há décadas decidiram que não estarão mais na transmissão. A Coca-Cola é uma das que puxa a lista. Para entender o porquê disso, é preciso compreender a enorme mudança que os dois fatores – política e pandemia – possuem dentro do comportamento do americano.

A tensão gerada na saída de Trump da Casa Branca causou uma enorme ferida no orgulho americano. O flerte com um golpe de estado deixou o cidadão “neutro” mais alerta sobre a polarização da política. As marcas, que usaram bastante o Super Bowl nos últimos anos para defender minorias, mandar recados e tudo o mais, perceberam em pesquisas de mercado que o tema começa a dar sinais de saturação. Com isso, gastar uma enorme quantia em publicidade parece algo plenamente adiável neste instante.

Da mesma forma, o COVID gera novos desafios para as empresas. Da mesma forma que não é mais tão negócio investir na polarização política, começa a ser urgente, para a marca, repensar sua função social. O caso mais emblemático disso foi a Budweiser, que em vez de ocupar a publicidade no Super Bowl com sua marca vai ceder espaço para falar de iniciativas criadas por terceiros durante a pandemia.

Por fim, além da questão da estratégia de comunicação, o impacto financeiro do COVID também atrapalha. As empresas enxugaram suas verbas de publicidade e, embora a CBS tenha reduzido em 10% o valor do anúncio (de US$ 5,5 milhões cobrados em 2020, o espaço de 30s agora custa “módicos” US$ 5 milhões às empresas), foi muito mais difícil conseguir vender todos os espaços.

Só para se ter uma ideia de como o mercado foi impactado nos EUA, em novembro de 2019 a FOX já tinha vendido toda a publicidade para o Super Bowl 2020. Agora, só a uma semana do evento os espaços foram 100% comercializados. Enquanto o público estará de olho no épico duelo entre Tom Brady e Patrick Mahomes, o mercado anunciante ficará vidrado na movimentação quando a bola não estiver em jogo. O Super Bowl LV pode ser um divisor de águas para o mercado publicitário americano.

Super Bowl LV será disputado em Tampa Bay, casa de um dos finalistas da decisão da NFL
Super Bowl LV será disputado em Tampa Bay, casa de um dos finalistas da decisão da NFL Getty Images
Comentários

Sem eleição e com COVID, Super Bowl será teste para marcas

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

São Paulo hoje é o Palmeiras de 2014

Erich Beting
Erich Beting

Fernando Diniz foi demitido do São Paulo. Consequência natural do pavoroso mês de janeiro do Tricolor Paulista, a demissão do treinador pode até resolver o problema de curto prazo do clube, que agora vê até a vaga direta para a Libertadores ficar bastante ameaçada. O fato é que o São Paulo precisava trocar de técnico. Diniz não dava mais. O time chegou ao limite. Entregou o máximo que dava com o treinador. 

Mas, no médio e longo prazo, é indiferente o São Paulo ter um novo treinador, por mais que tenha um "DNA vencedor", como pediu o presidente Júlio Casares na entrevista coletiva após anunciar a saída de Diniz e Raí, dono de um dos DNAs mais vencedores da história do clube.

O problema do São Paulo está muito além da questão técnica. O Tricolor de 2021 lembra, em muitos aspectos, o Palmeiras de 2014.

Alan Kardec saúda Carlos Miguel Aidar em sua apresentação no São Paulo, em 2014
Alan Kardec saúda Carlos Miguel Aidar em sua apresentação no São Paulo, em 2014 Divulgação

No ano de seu centenário, a situação do Verdão beirava o caos. Torcida revoltada, jogadores pressionados e uma incômoda situação dentro de campo, em que o flerte com o rebaixamento no ano da volta à Série A era real. Chegaram e saíram treinadores, mas pouca coisa mudou. Na parada para a Copa do Mundo, uma decisão tomada pelo presidente Paulo Nobre, porém, mudou os rumos do clube. O mandatário decidiu ajustar o que era um dos maiores problemas do time naquela época: o fluxo de caixa.

Nobre quitou todas as dívidas de curto prazo do Palmeiras. Tirou dinheiro do bolso, montou um plano de pagamento do empréstimo  que concedeu e, a partir dali, começou a dar a paz que o clube precisava para começar a ajustar a casa. Curiosamente, um dos motivos que levou a essa tomada de decisão foi uma derrota do Palmeiras para o São Paulo nos bastidores.  A saída de Alan Kardec, em abril, revoltou o presidente. O atacante preferiu deixar o protagonismo no Alviverde para tentar um espaço no Tricolor.

O São Paulo de 2021 vive exatamente o problema do Palmeiras de sete anos atrás. Um time que tinha alguns nomes consagrados, que foram ídolos no passado, mas que não tinha condições de honrar seus compromissos financeiros, gerando enorme desgaste entre jogadores e diretoria. O caos financeiro fora de campo refletia-se dentro dele. 

Troca de técnico, entra e sai de jogadores, atletas jovens negociados rapidamente por ficarem "queimados". Tudo isso compunha o cenário do Palmeiras. Qualquer semelhança com o São Paulo de atualmente não é mera coincidência. 

Presidente do São Paulo, Casares diz que decisão de demitir Diniz foi ‘pelo resultado’ e fala em ‘planejamento futuro’

O São Paulo só vai conseguir voltar ao rumo das vitórias quando a casa estiver organizada. Mais do que um treinador vitorioso, jogadores renomados ou algo do gênero, o que o clube precisa é de organização fora dele. E essa temporada 2020-2021 deixou claro que organização não é meramente da área técnica. De nada adianta o departamento de futebol estar arrumado se o clube não conseguir honrar com o que precisa para os atletas e funcionários. 

O Tricolor Paulista precisa da mesma reconstrução que Bandeira de Mello fez no Flamengo de 2012 a 2016, ou que Nobre cacifou no Palmeiras em 2014. O clube não vai conseguir andar enquanto não reordenar as finanças. Porque, por mais organizada que esteja a área técnica, uma hora a falta de grana pesa. Numa competição longa como o Brasileirão, o que o Tricolor conseguiu fazer nesta temporada foi quase um milagre. Chegou até a reta final no topo, mesmo com diversos problemas fora de campo.

Comentários

São Paulo hoje é o Palmeiras de 2014

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

O nó tático de Abel Ferreira

Erich Beting
Erich Beting

Mais do que conquistar em tempo recorde a América, Abel Ferreira mostrou-se um mestre da comunicação nesses três meses de Lua de Mel que ele tem vivido com o Palmeiras, sua torcida, e a mídia.

Abel conseguiu um feito em meio às sempre tensas entrevistas coletivas após os jogos. Ele parece sempre estar em paz quando vai falar com a mídia. Passa claramente o que pensa, tem como maior característica a humildade e, até agora, não mostrou qualquer incoerência entre discurso e prática.

Nas últimas duas décadas, acostumamo-nos a ver um verdadeiro show de baixarias durante as entrevistas. Insinuações, ameaças, revoltas, agressões verbais, discursos egocêntricos, reclamações que não procedem, xingamentos e muita, mas muita mesmo, inutilidade verborrágica. Parte do problema está na mídia. É muita pergunta para pouco assunto. É muita necessidade de aparecer do jornalista numa pergunta bombástica. É muito ego para pouco microfone disponível. A outra parte está no treinador. Que não entende que, naquele momento em que ele vai falar, não representa a pessoa física, mas a jurídica. Ele não fala por ele ou pelo torcedor, mas pela instituição. Ele pode se colocar como personagem, mas não fugir da realidade ou atacar para se defender. É por isso que vemos tanto clima de guerra, no mundo todo, na hora de uma entrevista.

Abel nos dá a impressão, porém, de que é possível estar em paz com a mídia.

Abel Ferreira revela o que conversou com Gallardo, técnico do River, após semifinal: ‘Disse a ele que íamos ganhar a Libertadores’

É lógico que o resultado dentro de campo ajuda. Mas mesmo na situação mais adversa até agora, que foi a derrota e quase eliminação para o River Plate, o treinador mostrou-se pronto para admitir que o time não foi bem e precisava se recuperar do quase desastre. Mais do que isso, admitiu que ele era inferior ao treinador adversário, e disse que aprenderia com aquela dura derrota. Ele poderia ter reclamado da bola, do clima, da falta de torcida, do que fosse. Preferiu assumir o caminho de reconhecimento das falhas e do aprendizado que isso traz.

Da mesma forma, quando foi campeão da Libertadores, Abel mostrou-se apenas mais um na engrenagem. 

Dedicou o título a Luxemburgo e a Gallardo. Disse que a vitória era de todos e que, claro, ele estava muito feliz com o feito. Fez isso de forma cristalina, sem dar a entender que, por trás, existe aquela falsa humildade que acompanha diversos treinadores. Mais ainda, lembrou da família e reconheceu que, para ser um melhor técnico de futebol, precisou ser pior pai, marido, filho e irmão. Derrubou, ali, o estúpido discurso de que o sucesso profissional é conquistado só com trabalho, sem quaisquer sacrifícios pessoais.

Abel Ferreira, técnico do Palmeiras
Abel Ferreira, técnico do Palmeiras Getty Images

Quando era jogador, Abel era o típico jogador defensivo português. Aguerrido, disciplinado, extremamente competitivo e lutador. Durante sete anos em que comentei o Campeonato Português, vi Abel deixar a alma em campo, discutir muito com atletas e equipes de arbitragem, mas raramente se exaltando nas entrevistas. É muito parecido com o Abel Ferreira treinador campeão da CONMEBOL Libertadores pelo Palmeiras.

Como jornalista, confesso que assistir a uma entrevista coletiva com Abel é um raro momento de prazer em meio a um ambiente que, há pelo menos 20 anos, é marcado pela agressividade. Pode ser que tudo desmorone e alguns comportamentos se alterem num cenário futuro. Mas, pelo menos até agora, Abel Ferreira dá um nó tático na mídia e nos coleguinhas na hora de falar.

Avanti, Abel!

Comentários

O nó tático de Abel Ferreira

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Palmeiras e Santos podem agradecer ao Covid pela final da Libertadores

Erich Beting
Erich Beting
Final da CONMEBOL Libertadores foi um presente dos céus a Palmeiras e Santos
Final da CONMEBOL Libertadores foi um presente dos céus a Palmeiras e Santos Twitter: @CONMEBOL

Outubro de 2020. Nem o mais fanático palmeirense e nem o mais fanático santista poderiam prever que, dali três meses, um dos dois seria o dono da América. Os dois times sentiam, de formas distintas, os reflexos da pandemia do coronavírus em suas estruturas.

O Palmeiras, apesar do título paulista, não engrenava dentro de campo. Para piorar, após cinco anos de bonança financeira, o clube precisava rever seus gastos com a ausência da magnífica receita de bilheteria que o Allianz Parque lhe assegurou desde novembro de 2014. A sorte alviverde é que a época do frenético entra e sai de contratações da era Alexandre Mattos já havia sido colocada em segundo plano e entrado uma gestão mais racional e preocupada em usar a base para reduzir os custos do clube.

Já o Santos era (e ainda é) só problemas fora de campo. Dívidas na Fifa, falta de verba para pagar os jogadores, descrença nos nomes mais rodados e total falta de perspectiva no curto prazo. Cuca, que voltou para tentar dar um rumo ao time que Jesualdo Ferreira não tinha conseguido montar, precisou olhar para a base e “se virar com o que tinha”.

A Conmebol Libertadores voltou a ser jogada nesse cenário para os dois times. O Palmeiras, num grupo mais fácil, caminhava para mais uma classificação tranquila na primeira fase. O Peixe foi se acertando dentro de um grupo mais complicado e conseguiu também a vaga.

Mas o que esperar na hora do mata-mata?

Do limão, os dois times fizeram uma limonada.

O Palmeiras engatou após a saída de Vanderlei Luxemburgo do comando técnico, enquanto Cuca encontrou um time santista mesclando alguns talentos da base com a estrela de Marinho.

Ambos mostraram que a gestão técnica é uma coisa completamente diferente da gestão administrativa. O clube pode ter milhões no caixa ou enorme capacidade de investir no time. Mas, se a coisa não funcionar dentro de campo, o que é um sucesso fora dele vira fracasso retumbante.

Da mesma forma, o clube pode estar completamente endividado e com dificuldade até para pagar os salários do mês, mas, quando encaixa um time dentro de campo, os problemas fora dele são sufocados.

Não fosse a pausa do futebol por três meses, Palmeiras e Santos não teriam tido a calma para encontrar seus caminhos na Libertadores. Se o ano tivesse sido normal, muito possivelmente o calendário teria atropelado os dois times ainda em setembro, quando a competição entraria em sua fase de mata-mata. 

Palmeirenses e santistas podem, tranquilamente, agradecerem ao Covid por essa inédita final da Libertadores.

Comentários

Palmeiras e Santos podem agradecer ao Covid pela final da Libertadores

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

Um outro olhar para o esporte

Erich Beting
Erich Beting

Olá, fã do esporte!

Seja bem-vindo a esse novo espaço de relacionamento da Máquina do Esporte, aqui no ESPN.com.br. A partir de hoje, queremos fazer com que este blog traga a você um outro olhar para o esporte. Como sempre fazemos desde 2005, quando a Máquina do Esporte foi lançada, nossa proposta é deixar para quem sabe as análises esportivas. 

O nosso negócio são os números. Mas não os que destrincham esquemas táticos, trazem recordes quebrados ou as marcas que jamais serão alcançadas. Tratamos dos números que movimentam toda a máquina do esporte e que interferem, muitas vezes, no desempenho esportivo. 

Por aqui, abordaremos temas como gestão, marketing e negócios do esporte. Falaremos, claro, de Cristiano Ronaldo, Marta e Messi. Do Super Bowl, da Conmebol Libertadores, da Champions League. Teremos muito espaço para Copa do Mundo e Jogos Olímpicos. Mas sempre com o olhar do negócio, da comunicação, do marketing. Afinal, para cada vitória em quadra, na piscina, no ringue ou no campo, existem fatores que vão além da competição esportiva que ajudam a explicar o sucesso ou o fracasso de um atleta.

Traremos aqui análises e curiosidades para permitir a você a construção de um outro olhar para o esporte. Existe toda uma indústria hoje alimentada por um único ingrediente. A paixão do fã do esporte. 

Espero que você curta esse espaço e consiga perceber ainda mais sobre o negócio por trás do jogo.

Comentários

Um outro olhar para o esporte

COMENTÁRIOS

Use a Conta do Facebook para adicionar um comentário no Facebook Termos de usoe Politica de Privacidade. Seu nome no Facebook, foto e outras informações que você tornou públicas no Facebook aparecerão em seu cometário e poderão ser usadas em uma das plataformas da ESPN. Saiba Mais.

mais postsLoading