Efeito Ricardo Goulart: para fazer gols, Palmeiras vai de ritmo de Fulham a mais veloz que Liverpool

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Ricardo Goulart é titular do Palmeiras e comanda o ataque
Ricardo Goulart é titular do Palmeiras e comanda o ataque Palmeiras

A amostra ainda não é grande. Mas o palmeirense já tem motivos para ter certeza que Ricardo Goulart foi uma contração certeira.

Recuperado de lesão, o meia-atacante soma 291 minutos em campo no clube paulista. E nesse tempo o clube fez sete gols, ou média de um cada 42 minutos. E quase todos com participação direta do camisa 11: marcou 3 e deu assistências para outros 3.

A comparação com o ritmo do Palmeiras para marcar gols quando não teve Ricardo Goulart em campo na temporada mostra o quanto sua presença muda a equipe. Foram 789 minutos sob essas condições, e apenas nove gols anotados, um a cada 88 minutos.

É como se o  time de Luiz Felipe Scolari fosse da velocidade do modesto inglês Fulham para marcar gols na temporada 2018/2019 em jogos oficiais (um a cada 90 minutos) para ser mais rápido que o gigante Liverpool (um tento a cada 44 minutos). E ficar próximo do Barcelona, que fez um gol a cada 37 minutos.

Relembrando que a amostra ainda é modesta, também impressiona a participação direta de Ricardo Goulart na artilharia. Somando os gols que ele mesmo marcou e as assistência, ele tem uma média de um gol produzido a cada 48,5 minutos, marca superior aos 56,8 minutos em que o Barcelona marca um gol com participação direta de Messi.

Resta agora Felipão azeitar a parceria de Ricardo Goulart com Dudu. Enquanto o novo destaque palmeirense esteve em campo, o maior ídolo atual do time não balançou as redes e só deu uma assistência para gol.

 

Fonte: Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

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Suaudeau? Tente entender como revista francesa diz que técnico de 2 títulos é maior do que Zagallo e Felipão

Paulo Cobos
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A France Football tem prestígio e fama de fazer algumas das melhores listas de "melhores de todos os tempos" do futebol. E o último ranking da revista causa enorme polêmica. Ao listar os 50 maiores treinadores da história, só relacionou um brasileiro: Telê Santana, e ainda na modesta 35ª colocação.

Foram estes os critérios para definir os escolhidos:  títulos ganhos em clubes, legado deixado no jogo, personalidade e impacto da carreira deixado pelo profissional. Seria mais honesto deixar claro outro: ter feito sua carreira na Europa.

Só isso explica a falta de consideração com treinadores sul-americanos. A grande escola argentina de treinadores também não foi prestigiada como deveria. Diego Simeone, que, entre nós, não é nenhum colecionador de títulos e muito menos influenciador do futebol, é o 31º. Marcelo Bielsa é o 48º. A lista tem outro nascido na Argentina: Helenio Herrera, mas que depois se naturalizou francês e fez toda sua carreira na Europa.

Pelos seus critérios, a France Football diz considerar apenas títulos de clubes, assim Luiz Felipe Scolari e Zagallo, com as Copas que ganharam, perderiam trunfos para entrarem no ranking

Mas não dá para ignorar que Felipão ganhou 27 títulos na carreira (incluindo duas Libertadores) e Zagallo teve enormes méritos na montagem da seleção de 70 (e poucos times deixaram um legado tão grande como este).

Felipão e Zagallo não estão na lista, mas nela, justamente a fechando, está um francês chamado Jean-Claude Suandeau, que só teve um clube na carreira. O modesto Nantes, no qual foi campeão apenas duas vezes em torneios importantes: levou o Francês de 1983 e 1995.

Jean-Claude Suaudeau posa para foto do Nantes, em 1995
Jean-Claude Suaudeau posa para foto do Nantes, em 1995 Getty Images

Você pode nunca ter ouvido falar de Suandeau, mas ele é tido como inspirador de uma geração de técnicos franceses, incluindo Didier Deschamps, o comandante da conquista da Copa de 2018, na Rússia.  É tido como um grande pensador de futebol e com ideias à frente de seu tempo.

Não duvido. Mas se ele tivesse um passaporte sul-americano, também seria solenemente ignorado pela France Football.

Fonte: Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

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Messi e Cristiano Ronaldo não são melhores do que Pelé; mas são trintões muito melhores do que o Rei

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Eles são espetaculares. Mas, na opinião deste blogueiro, Cristiano Ronaldo e Messi não são, e não serão, melhores do que Pelé! 

Mas uma coisa é certa. Os dois maiores craques deste século são, depois dos 30 anos, muito mais eficientes do que o "Rei do Futebol". Com uma combinação de profissionalismo exemplar e muito mais recursos fisiológicos para seguir jogando em alto nível, os dois ganham fácil de Pelé a partir do momento que chegaram aos 30.

Vamos, primeiro, aos números do brasileiro. 

Cristiano Ronaldo, do Real Madrid, e Messi, do Barcelona, durante jogo por LaLiga
Cristiano Ronaldo, do Real Madrid, e Messi, do Barcelona, durante jogo por LaLiga TF-Images via Getty Images

Até completar 30 anos, em outubro de 1970, Pelé tinha 1.054  gols na carreira e 982 jogos, com a espetacular média de 1,07 gol por partida. Depois dos 30 (quando quase nada jogou pela seleção brasileira), e até parar de vez, no Cosmos, em 1977, foram 385 jogos e "apenas" 228 gols, média de 0,59.

Isso não aconteceu com Messi e Cristiano Ronaldo. Ambos ficaram com praticamente os mesmos números na artilharia depois que se tornaram trintões.

O argentino completou 30 anos em 2017.  Contando as temporadas 17/18 e 18/19, ele fez 84 jogos pelo Barcelona e marcou 91 gols, o que dá a espetacular média de 0,92 gol por partida

O português é dois anos mais velho do que Messi. Chegou aos 30 em 2015. Somando as temporadas 15/16, 16/17, 17/18 e 18/19, já como trintão, ele fez 174 jogos por clubes e marcou 162 gols, o que dá a ainda mais fantástica média de 0,93.

Se jogasse nos tempos atuais, Pelé, que era tão profissional como Cristiano Ronaldo e Messi, também teria esses números após os 30. Garanto!





Fonte: Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

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Veja como Real Madrid terá novo estádio de R$ 2,5 bilhões e craques para Zidane; e fazer o próximo mercado da bola imperdível

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Imagine pagar a casa própria dos sonhos em suaves prestações e ainda ter um carrão de luxo na garagem? Se a taxa de juros do empréstimo é camarada, e ainda você tem dinheiro de sobra, isso é fácil, como no caso do Real Madrid.

O clube espanhol tem uma conta imensa para pagar. A obra do novo Santiago Bernabéu está prestes a começar. E o valor do orçamento não para de crescer. Começou com 400 milhões de euros (R$ 1,720 bilhão) e agora já está em 575 milhões de euros (R$ 2,472 bilhões).

Parece muito, mas a força da marca Real Madrid,  além de uma realidade bancária muito diferente, faz com que o financiamento seja uma moleza. O clube, segundo a imprensa espanhola, já tem um acordo com bancos americanos para ter todo o valor para o estádio eu um empréstimo de 30 anos.

Com taxa de juros de apenas 2,5% (ao ano, e não ao mês, como é comum no Brasil), o Real Madrid vai pagar cerca de 25 milhões de euros por ano pelo financiamento.  Isso equivale a apenas 3,3% do orçamento de 752 milhões de euros (R$ 3,233 bilhões) do clube para esta temporada.

O Real Madrid ainda fez nos últimos anos uma política de investimentos modestos para seus padrões, e ainda vendendo jogadores.

Nas últimas quatro temporadas, o saldo no gasto de jogadores, a diferença entre o que vendeu e comprou, é de um gasto de apenas 26 milhões de euros, uma migalha quando comparado com os pesados investimentos do Barcelona (que já torrou faz tempo os 222 milhões da venda de Neymar).

Com esse cenário, e depois de uma temporada trágica, não vai faltar dinheiro para o clube buscar os reforços exigidos por Zidane. E transformar a próxima janela de transferência da Europa em uma das mais esperadas de todos os tempos.


Fonte: Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

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Técnicos brasileiros não 'são um Guardiola', e ficam piores com atacantes que não 'são um Cristiano Ronaldo'

Paulo Cobos
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O debate tomou conta das mesas redondas. Os técnicos brasileiros estão defasados, têm propostas de jogo antiquada, conservadora. Tudo isso em parte é real, mas também é verdade que os profissionais da prancheta parecem ainda piores pela incompetência dos jogadores que atuam no país na hora de finalizar.

Vejamos o que aconteceu com os quatro grandes paulistas na rodada de final de semana do Paulista. Juntos, Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo somaram 57 finalizações. E apenas 12, ou só 21%, exigiram defesa de goleiro ou resultaram em gol (e foram só dois).

E isso está longe de ser um caso isolado. Pelo TruMedia, a ferramenta de estatísticas da ESPN, é possível fazer um exercício de um imaginário ranking juntando os 38 times que jogam o Paulista e a Premier League.

A lista de finalizações certas seria comandada pelo Manchester United, com 46%, seguido por Liverpool (41%)  e City (39%). O primeiro grande paulista seria o Santos, com acerto de 35% na 14ª posição. E o "Trio de Ferro" passaria vergonha, sendo superado até pelo Huddersfield.

Borja cai após sofrer pênalti durante jogo entre Palmeiras e Mirassol
Borja cai após sofrer pênalti durante jogo entre Palmeiras e Mirassol José Luís Silva/Agência F8/Gazeta Press

O Corinthians ficaria na 31ª posição, com apenas 28,3% das finalizações certas. O Palmeiras seria o 32°, com 27,7% e o São Paulo o 33° (27,5%).

A ruindade dos jogadores que atuam no futebol brasileiro nas finalizações não é exclusividade dos grandes paulistas. É só ver o gol bizarro perdido pelo flamenguista Rodinei no clássico contra o Vasco...

Se o colombiano Borja tivesse feito algo melhor do que só três em gols nas 28 chances que teve para marcar em 2019, menos gente estaria "cornetando" Felipão no Palmeiras.


Fonte: Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

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'Neycraque, Neyseleção e Neymídia': por que Neymar, para gente do dinheiro, ainda é o jogador mais valioso do mundo

Paulo Cobos
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Você pode implicar com Neymar, mas quem entende de dinheiro no mundo segue adorando o craque brasileiro.

Independente do que faz dentro de campo, o camisa 10 do Paris Saint-Germain e da seleção brasileira segue em alta em todos os rankings de valor mercado de jogadores. Um deles, da consultoria KPMG, ajuda a entender por que Neymar não desvaloriza.

Na sua última lista, divulgada em janeiro, a KPMG colocou Neymar como o jogador de futebol mais valioso do planeta, com 229 milhões de euros, ou quase R$ 1 bilhão. Atrás dele ficaram Mbappé e Messi.

Os 10 itens que servem como parâmetros para o ranking deixam claro o motivo do brasileiro que acumula polêmicas ser tão desejado. Vamos a eles:

Posição do jogador: Todo mundo pode elogiar goleiros, zagueiros e volantes, mas quem vale mais sempre é atacante.

Idade e nacionalidade: Neymar ainda está no auge, aos 27 anos. E brasileiros, principalmente os que já estão na Europa, são bem cotados.

Neymar durante o Carnaval do Rio de Janeiro, em março de 2019
Neymar durante o Carnaval do Rio de Janeiro, em março de 2019 Buda Mendes/Getty Images

Contrato do jogador com seu atual clube: Ganhando mais de 30 milhões de euros por ano, Neymar é um dos três jogadores mais bem pagos do futebol hoje.

Desempenho esportivo individual: Dá para reclamar do comportamento do Neymar, mas não do seu talento enorme.

Ações disciplinares: Ele está longe de ser um santo dentro de campo, mas apanha muito mais e provoca mais cartões do que recebe.

Números com seleções: Neymar não ganhou a Copa, mas se aproxima rápido para 100 jogos com a camisa da seleção e pode até passar Pelé como maior artilheiro do time nacional mais vitorioso de todos os tempos.

Avaliação da mídia do jogador e potencial comercial: Aí é covardia. Ele só perde para Cristiano Ronaldo nas redes sociais, e como garoto propaganda é craque com carisma de sobra.

Resultados esportivos, competitividade da liga, aspectos financeiros do clube: O PSG não é Barcelona, mas também não é um time do pelotão intermediário da Espanha.

Dependência para seu time: Sem Neymar, o PSG foi eliminado em duas Champions seguidas.

Perfil de possíveis compradores: O principal deles é o Real Madrid. Não precisa nem falar como o clube é gigante.

Fonte: Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

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Antes do Catar, PSG tinha menos dinheiro que Corinthians; hoje, bilionário, segue longe do Porto na Europa

Paulo Cobos
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A história do PSG é a prova que dinheiro é ótimo para fazer bonito na lista de ricaços da revista Forbes. Mas, pelo menos nem sempre, não é suficiente para fazer um time ganhar as competições mais importantes do futebol. 

Antes da chegada dos bilionários do Catar, que já injetaram o equivalente a mais de R$ 5 bilhões na contração de reforços, o clube de Paris faturava menos dinheiro até do que clubes brasileiros.

Pelo câmbio da época, o Corinthians teve em 2010 receitas equivalentes a 120 milhões de euros. No mesmo ano, o último antes da chegada dos árabes,  o PSG faturou 82,7 milhões de euros.

Com esse dinheiro, o clube não tinha tamanho nem para entrar na lista dos 30 clubes da Europa com mais receitas, elaborada pela consultoria Deloitte.

Antes dos bilhões do Catar, o PSG tinha menos grana do que equipes como Valencia-ESP, Stuttgart-ALE e Fulham-ING.

Com a injeção de uma montanha de dinheiro em publicidade, o PSG está agora na lista dos ricaços do futebol mundial. Na última lista da mesma Deloitte, aparece na 6ª posição, com receitas de 542 milhões de euros, à frente de gigantes tradicionais como Liverpool e Juventus.

Mbappé lamenta eliminação do PSG para o Manchester United
Mbappé lamenta eliminação do PSG para o Manchester United EFE/YOAN VALAT

Segundo a Forbes, o PSG tem um valor mercado de quase R$ 4 bilhões.

Tanto dinheiro não trouxe a felicidade mais desejada por um clube europeu. Desde que passou a ter muitos dos maiores jogadores do mundo, o PSG nunca passou das quartas de final da Champions.

Nesta temporada, parou nas oitavas. O muito mais modesto, em termos financeiros, Porto já está nas quartas. E o time português já foi campeão europeu duas vezes. 

E com recursos próprios...

Fonte: Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

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Real Madrid fez 'economia porca' ao recusar aumento a Cristiano Ronaldo; veja a conta da burrice

Paulo Cobos
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Havia um desgaste na relação. Mas o principal motivo da saída de Cristiano Ronaldo do Real Madrid foi financeiro. Além de ganhar 100 milhões de euros (R$ 427 milhões) com a venda para a Juventus, o clube se recusava em aumentar o salário do craque português.

Ele ganhava o equivalente a R$ 89,7 milhões por temporada e queria receber R$ 132,4 milhões. Por quatro anos, o prazo do contrato do craque com o time italiano, isso representaria um gasto extra de "apenas" R$ 170,8 milhões para o Real Madrid, o clube mais rico do mundo. 

E a prova que o Real fez uma "economia burra" está na fortuna que o clube perde sem o craque, que foi o protagonista da conquista de quatro Champions Leagues em apenas cinco anos.

SAIBA MAIS: 
Real Madrid: Veja os 7 pecados capitais que levaram ao vexame
Vinicius Jr. tem lesão, e Real Madrid não dá prazo para retorno

No ano passado, o Real recebeu da Uefa 88,5 milhões de euros, ou R$ 378 milhões, pelo título europeu. Com o aumento de 40% na premiação para este ano, o campeão vai receber cerca de R$ 530 milhões.  Caindo nas oitavas de final depois da humilhação sofrida diante do jovem Ajax, o Real vai sair desta Champions com R$ 299 milhões.

Sem Champions, o clube perde a chance de faturar um trocado de R$ 23 milhões pela participação no Mundial de Clubes.

Getty
Getty Cristiano Ronaldo nos tempos de Real Mad

Ainda existe o prejuízo na venda de ingressos. Na temporada passada, o Real Madrid levou 475 mil torcedores ao Santiago Bernabéu para seus jogos na Champions. Agora, encerrou sua participação com 265 mil ingressos vendidos.

No Espanhol, a média de público também diminuiu, e deve despencar com o clube cada vez mais distante no Barcelona.

E o Real Madrid ainda torrou uma fortuna para comprar um novo camisa 7. Foram 24,5 milhões de euros para contratar Mariano, do Lyon. Contando salários, ele vai custar quase R$ 200 milhões para o clube em quatro anos.

Sabem onde estava o novo camisa 7 do Real Madrid no jogo contra o Ajax? Na arquibancada, já quem nem para o banco ele vem sendo escalado mais. Haja burrice.

Fonte: Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

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Avenida Carille: Corinthians tem agora a pior defesa do Brasil

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Fábio Carille ganhou fama como um mago na montagem da defesa na sua primeira passagem pelo Corinthians, entre 2017 e 2018. Mas, agora, na sua volta ao Parque São Jorge,  é o comandante da pior defesa do país em 2019 entre os 20 clubes da primeira divisão.

Foram 12 gols sofridos em 10 jogos oficiais até agora. A média de 1,2 é a única entre os times da elite que supera a marca de um gol por partida (Bahia, Inter e São Paulo têm a exata média de um tento sofrido).  O Corinthians só não foi vazado em dois jogos na temporada (Palmeiras e Ponte Preta). 

Tudo bem diferente do que aconteceu nas campanhas dos três títulos do clube sob às ordens de Carille. No Paulista,17, o Corinthians teve média de 0,61 gol sofrido por partida. No Brasileiro-17,  0,79. No Paulista-18, 0,72. 

Fábio Carille durante jogo entre Corinthians e São Caetano, pelo Paulista
Fábio Carille durante jogo entre Corinthians e São Caetano, pelo Paulista Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

E a peneira corintiana está longe de ter como motivo o acaso. Em 2019, o clube tem a elevada média de 13,3 finalizações sofridas por jogo, contra, por exemplo, apenas 9,4 no Paulista do ano passado;

Mais triste para o corintiano é saber que o clube já foi vazado duas vezes no mesmo jogo por rivais do nível de Red Bull, Ferroviário-CE e Avenida-RS. 

Fonte: Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

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Chegou a hora do São Paulo falar de democracia, rejuvenescer e ter mais transparência

Paulo Cobos
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Um clube em que só 240 pessoas, a maioria esmagadora há décadas por lá, elegem o presidente.  O mandatário mais novo eleito no milênio  com 64 anos (e outros dois setentões).  Promessas de transparência não cumpridas

O São Paulo precisa começar a falar de mais democracia, renovar seus dirigentes e se tornar uma entidade mais cristalina. E não resumir seus problemas a quem é o treinador ou que jogador foi culpado por mais um fracasso.

O colégio eleitoral são-paulino não acompanha o aumento no número de votantes que outros grandes tiveram.  Até a última eleição, só 240 conselheiros (sendo que 160 vitalícios) escolhiam o presidente. O novo estatuto aumentou a lista em apenas 20 eleitores. E só quem está neste conselho pode ser candidato, dificultando ao máximo que alguém novo no Morumbi possa competir pelo cargo.

A última eleição do Palmeiras tinha mais de 8 mil eleitores. As de Corinthians e Flamengo tiveram mais de 3 mil sócios votando. Nem se fala do que acontece com Grêmio (38 mil eleitores) e Internacional (64 mil).

Nada contra pessoas mais velhas no comando. Muito pelo contrário: geralmente sobra experiência, sabedoria e competência nelas. Mas existe algo de errado com um clube que não consegue ter um presidente com menos de 60 anos.

Em 2000, Paulo Amaral foi eleito no São Paulo com 64 anos, mesma idade com que seu sucessor, Marcelo Portugal Gouvêa, chegou ao poder. Depois voltou Juvenal Juvêncio, com 72 anos, cinco a mais do que Carlos Miguel Aidar (outro que já havia sido presidente, quando era jovem e teve sucesso).

Leco ao lado de Raí, executivo de futebol do São Paulo, no CT da Barra Funda
Leco ao lado de Raí, executivo de futebol do São Paulo, no CT da Barra Funda GazetaPress

Agora, o São Paulo é comandado por Leco, que foi eleito com 77 anos.

E o clube que já foi modelo de administração precisa urgente de mais transparência. Este blogueiro, logo após a posse de Leco, esteve no Morumbi para uma conversa com o presidente. Ouviu que em "poucos meses" praticamente todas as contas do São Paulo estariam abertas no site do clube de forma transparente o mais rápido possível. Segue esperando.


Fonte: Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

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Silêncio do Flamengo é uma tragédia para imagem do clube (e isso para quem entende do assunto)

Paulo Cobos
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Poucas horas depois da tragédia de Brumadinho, que já deixou quase 200 mortos em Minas Gerais, o presidente da Vale, dono da barragem rompida, estava diante de dezenas de microfones e jornalistas para tentar explicar o que aconteceu. Obviamente não tinha respostas para muitas perguntas e em outras não convenceu ninguém.

Mas, ao se colocar à disposição para responder dezenas de perguntas, o que voltou a fazer nos dias seguintes, e sem rodeios pedir desculpas pelo que aconteceu, fez o que especialistas em crises de grandes empresas recomendam em momentos como este.

Bem diferente do que o Flamengo fez até agora com o incêndio em seu CT que deixou dez jovens jogadores das suas categorias de base mortos.

Amigos e familiares de Samuel Thomas, morto no incêndio do Ninho do Urubu
Amigos e familiares de Samuel Thomas, morto no incêndio do Ninho do Urubu Getty Images

Recentemente, a revista americana "Forbes", uma das bíblias dos negócios (e afinal o Flamengo é sim uma empresa grande), ouviu especialistas para relatar o que essas corporações precisam fazer para enfrentar momentos de crise aguda para suas imagens (incluindo acidentes que resultaram em mortes de seus clientes).

São 13 'mandamentos', e em muitos deles a gestão de Rodolfo Landim, presidente do Flamengo, está reprovada (e não adianta dizer que na comunicação da tragédia a culpa é da gestão anterior).

A primeira dica da Forbes é "assumir a responsabilidade". "Não tente encobrir a crise, isso só vai piorar as coisas", diz a revista. O Flamengo aponta o dedo para uma sobrecarga de energia gerada após as fortes chuvas que castigaram o Rio dia antes do incêndio como provável motivo para o início do fogo.

No segundo conselho, a publicação afirma que os executivos de empresas em crise sejam "transparentes".  Desde que o acidente aconteceu, nenhum dirigente da diretoria flamenguista teve coragem de responder qualquer questionamento da imprensa, falando apenas com comunicados curtos e pouco esclarecedores.

Outro especialista ouvido pela "Forbes" aponta que a instituição em crise deve ficar à frente da história. "Chegar à frente da história é a estratégia. Faça no fim de semana os detalhes do que fazer. Mas comece a se comunicar, pedir desculpas, reembolsar (os afetados pela crise) imediatamente". O Flamengo demorou horas até para colocar em suas redes sociais o que aconteceu no CT.

O quinto item da revista é tão importante para o Flamengo que aqui ele vai de forma literal. "Dizer 'você vai investigar' não faz ninguém se sentir melhor. Dizer que você está profundamente entristecido com o que aconteceu e vai fazer as coisas melhores é importante. Em seguida, compartilhe imediatamente como políticas serão implementadas para que isso não aconteça novamente. Aja rápido antes que as pessoas percam a fé em sua marca". Essa Landim deveria anotar o quanto antes.

A falta de desculpas publicas consistentes do Flamengo é um grande pecado no mundo dos negócios em casos de crise. "Estender um pedido sincero de desculpas é a chave para seguir em frente. Não fazê-lo adiciona combustível ao fogo e muda a narrativa.", aponta a revista americana.

Sem permitir perguntas da mídia, o clube carioca comete outra falha.  "Quando perguntado sobre o assunto, nunca diga 'sem comentários'.  Se você não tem voz no assunto, as pessoas imediatamente assumem a culpa da empresa ou assumem suas próprias suposições".

Será que dá tempo do Flamengo mudar seu desastre na comunicação no capítulo mais trágico da sua história?

Fonte: Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

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Tiki taka que é um desastre: Corinthians de Carille tem recordes de posse de bola e passes do Paulista

Paulo Cobos
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Em 2017 e 2018, o Corinthians de Fábio Carille ganhou três títulos com uma estratégia em que posse de bola não era a prioridade. Agora, na sua volta ao Parque São Jorge, o treinador resolveu fazer de seu time o representante brasileiro do tiki taka. E o resultado é um desastre.

Segundo números do TruMedia, a ferramenta de estatísticas da ESPN, o Corinthians é o recordista de posse de bola e troca de passes do Paulista, em que o clube só venceu uma vez em quatro jogos e marcou apenas quatro gols (e isso sem nenhum clássico até agora). O time ainda é quem mais acerta passes.

Depois da derrota em casa para o Red Bull Brasil, a equipe de Carille tem uma média de 64,2% de posse de bola, bem à frente do Santos de Jorge Sampaoli, com 58,3%.  O número de passes corintiano não faria feio até no futebol europeu: em média, foram 604 trocas de bola por jogo. Segundo colocado, o Palmeiras fica muito atrás, com média de 465.

Acertar passes curtos e inúteis também não é grande problema. O índice de acerto do Corinthians também é o maior do Paulista: 86,5%. O Santos é o vice-líder, com 84,6%. O problema é que o tiki taka corintiano tem uma produção ofensiva que é pífia.

Os comandados de Carille têm apenas a 10ª maior média de finalizações por partida do Estadual, com só 11 chances criadas por jogo, atrás de times como Ferroviária, Ituano e Ponte Preta. O Santos de Sampaoli tem seis finalizações a mais por jogo. 

Fonte: Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

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Flamengo e Palmeiras já têm dinheiro para estar entre 30 clubes mais ricos do mundo, e top 20 não está longe

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Nesta quinta-feira, a consultoria Deloitte publicou seu tradicional estudo com os rankings das finanças dos clubes mais ricos do mundo. Além de detalhar os números dos 20 primeiros, ainda divulga os 30 times com mais receitas na temporada passada.

Se você acha que é impossível um clube brasileiro estar nesse seleto grupo de ricaços está enganado. Com o faturamento atual, tanto Flamengo quanto Palmeiras têm tamanho para estar hoje entre os 30 clubes com mais receitas do mundo, e o top 20 não está muito longe.

A estimativa é que o clube paulista tenha arrecadado R$ 650 milhões em 2018. Pelo câmbio atual, isso equivale hoje a R$ 151,1 milhões de euros. Com esse valor, entraria justamente na 30ª posição dos times que mais faturam no mundo, desbancando, segundo a lista do Deloitte, o português Benfica, com 150,7 milhões de euros.

O Flamengo  não fechou uma previsão sobre suas receitas no ano passado (até setembro já tinha R$ 510 milhões). Mas o clube já divulgou seu orçamento para 2019, com um valor que o colocaria com folga na lista dos 30 mais ricos do planeta.

Gabigol e Dudu em ação por Flamengo e Palmeiras
Gabigol e Dudu em ação por Flamengo e Palmeiras Getty/ESPN

Sempre pelo câmbio atual, o Flamengo terá o equivalente a 174,8 milhões de euros em receitas neste ano (R$ 750 milhões). Com esse valor, entraria na 23ª posição do ranking dos mais ricos, logo atrás do Leicester, com 179,4 milhões de euros, e Napoli (182,8 milhões).

Com receitas subindo em ritmo acelerado (o Palmeiras acaba de renovar patrocínio com a Crefisa e ainda negocia direitos de TV no pay per view), os dois clubes mais ricos do país não estão longe até de entrar no grupo de 20 mais ricos do mundo. 

O 20º colocado no ranking da Deloitte é o West Ham, com 197,9 milhões de euros. O poderoso Milan é o 18º, com 207,7 milhões. O céu é o limite para Flamengo e Palmeiras.

Fonte: Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

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Flamengo e Palmeiras já têm dinheiro para estar entre 30 clubes mais ricos do mundo, e top 20 não está longe

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Mesmo com BMG, camisa do Corinthians rende menos do que em 2009, com Fenômeno

Paulo Cobos
Paulo Cobos


O Corinthians acabou com um jejum de dois anos e enfim voltou a ter um patrocínio master. O acordo com o BMG vai melhorar de forma considerável o caixa do clube. Mas a camisa do segundo clube mais popular do país vai render em 2019 menos do que valeu em 2009, com valores atualizados pela inflação.

A previsão é que, contando o dinheiro da Nike, do BMG e dos outros patrocinadores da sua camisa, o Corinthians tenha R$ 75 milhões em patrocínios na temporada. 

Há 10 anos, quando trouxe Ronaldo "Fenômeno" e iniciou o ciclo mais vitorioso da história, o clube arrecadou R$ 49,049 milhões com patrocínios, segundo seu balanço patrimonial.

Atualizado pelo IGP-M, um dos principais índice inflacionários do país, os R$ 49 milhões de 2009 representam R$ 85,6 milhões agora. 

Ronaldo 'Fenômeno' durante jogo do Corinthians no Brasileirão 2009
Ronaldo 'Fenômeno' durante jogo do Corinthians no Brasileirão 2009 Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Se o contrato do BMG prever verba extra além dos R$ 30 milhões por temporada já adiantados,  a camisa corintiana de 2019 pode até superar a rentabilidade de 10 anos atrás, mas se isso acontecer ainda será por uma pequena margem.

Prova disse é que patrocínio responde hoje por uma fatia muito menor no total de receitas corintianas. 

Em 2009, na "onda Fenômeno", o dinheiro de publicidade representava 27% de todo o faturamento do clube. 


Agora, em 2019, com os previstos R$ 75 milhões, patrocínio ficaria com uma fatia de apenas 17% dos R$ 399 milhões previstos pela diretoria no orçamento de 2019.

Fonte: Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

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Dinheiro da TV ajuda, mas conta menos para o Flamengo do que para o resto do futebol brasileiro

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Virou moda entre os rivais. "A força do Flamengo para fazer contratações milionárias vem do farto dinheiro que o clube carioca recebe pelos direitos de transmissão de TV". É verdade que isso ajuda muito, mas é irracional afirmar que a opulência do clube da Gávea só tem esse motivo.

A verba de TV tem um peso menor para o Fla do que para os principais clubes do país como um todo. É o que mostra estudo feito pelo Itaú BBA com as finanças dos clubes brasileiros nos últimos anos. 

Em 2017, a equipe carioca teve receitas de R$ 595 milhões, e R$ 199,1 milhões, ou 33% do total, tiveram a televisão como fonte. Segundo o banco, a participação dos direitos de transmissão no bolo total dos clubes da elite do país foi bem mais alta: 42%. Em alguns casos, foi até maior. No Cruzeiro, por exemplo, o dinheiro da TV respondeu por 57% do faturamento do clube.

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Entre 2013 e 2016, só uma vez a verba de TV do Flamengo ficou acima da média: em 2016, com 51%

O time rubro-negro tem desempenho acima da média brasileira em outros tipos de receita. É o caso, por exemplo, das verbas obtidas com bilheteria e sócio torcedor em 2017, que garantiram 18% do caixa do clube, contra uma média de 15% no país.

Segundo o orçamento para 2019, o patamar da TV no bolo das receitas do Fla também ficará em patamar parecido. Dos R$ 767 milhões previstos, R$ 260 milhões, ou 34%, têm a televisão como fonte.

A dependência do dinheiro da televisão da equipe da Gávea é parecida a de gigantes europeus. Segundo levantamento da consultoria Deloitte, nos casos de Manchester United e Barcelona a fatia é de 33%. Na do Real Madrid, só um pouco maior: 35%.

Fonte: Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

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Dinheiro da TV ajuda, mas conta menos para o Flamengo do que para o resto do futebol brasileiro

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Com Arrascaeta, Flamengo passou Corinthians com Tevez e tem o jogador mais caro da história? Depende

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Quem tem o jogador mais caro contratado por um clube brasileiro? Muita gente se apressa e diz que esse feito pertence agora ao Flamengo, com os R$ 63,7 milhões, pelo câmbio atual, que o time carioca vai pagar ao Cruzeiro por Arrascaeta. Esse valor superaria os R$ 60 milhões que o Corinthians teria pago ao Boca Juniors no final de 2004 por Tevez. 

Mas a história não é bem assim...

A conta de R$ 60 milhões não bate. Esse valor é baseado no que a MSI, antiga e controversa parceira corintiana, diz que pagou pelo argentino: US$ 22 milhões. Mas poucos meses depois do negócio, o Clarín, maior jornal argentino, revelou que o negócio na verdade foi fechado por US$ 16 milhões. Pelo câmbio da época, seriam R$ 43,84 milhões. Menos do que Arrascaeta, certo?

Tevez comemora gol pelo Corinthians na Libertadores de 2006
Tevez comemora gol pelo Corinthians na Libertadores de 2006 MAURICIO LIMA/AFP/Getty Images

Mais uma vez, não é bem assim. Existe uma coisa nada bacana chamada inflação. E aplicado o IGP-M, um dos principais índices brasileiros, os R$ 43,84 milhões de novembro de 2004 equivalem  hoje a R$ 95,2 milhões.

Então Tevez, pela correção do dinheiro, custou muito mais que Arrascaeta? Novamente, depende.

A contratação do uruguaio será feita com recursos próprios do Flamengo, e feita no Brasil. Mesmo fatias eventualmente pagas a estrangeiros terão como ponto de partida a moeda nacional. O clube usará reais, fará o câmbio em dólares ou euros e mandará para o exterior.

Tudo muito diferente do que aconteceu na nebulosa contratação de Tevez. Na verdade, nem é possível dizer que sua contratação pelo Corinthians foi uma transação de um clube brasileiro. O dinheiro da transação não passou pelo Banco Central. Foi direto da MSI para contas do Boca Juniors nos Estados Unidos e no Canadá, o que causou até investigação do Ministério Público.

Quem é então o mais caro jogador contratado por um clube brasileiro? Pela matemática, fico com Tevez. Pela lisura do negócio, Arrascaeta no Flamengo.


Fonte: Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

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Cruzeiro, Flamengo, agentes e Arrascaeta (este não 100%) estão todos certos

Paulo Cobos
Paulo Cobos

A discussão tomou conta dos bares do Rio de Janeiro e Belo Horizonte e dos programas de debate das rádios e televisões.  O Flamengo foi desleal ao fazer oferta por Arrascaeta? O Cruzeiro reagiu de forma exagerada? Os empresários estão sendo gananciosos? O craque uruguaio não está sendo um exemplo de profissional?

É um caso raro em que, na opinião deste blog, todos estão corretos (só o jogador não de forma integral). Pelo menos para os padrões do futebol brasileiro, em que infelizmente é raro um clube contar com os próprios recursos para montar o elenco (esse é outro assunto).

Um dos períodos mais animados do futebol é justamente a janela de transferências. E, neste momento da temporada, todo mundo fez o seu papel. Com dinheiro em caixa, o Flamengo resolveu fazer uma oferta por uma das melhores oportunidades de negócio do mercado: um jogador acima da média e com idade para uma revenda com lucro daqui a alguns anos.

Arrascaeta durante jogo entre Cruzeiro e Atlético-MG, pela final do Mineiro
Arrascaeta durante jogo entre Cruzeiro e Atlético-MG, pela final do Mineiro Washington Alves/Light Press

E não há nada de errado em fazer a proposta primeiro aos empresários que são donos da maioria dos direitos federativos do jogador. Afinal foram eles que fizeram o investimento, já há quatro anos e que trouxe grande lucro esportivo ao Cruzeiro. Se isso ainda ocorresse durante a temporada, no meio da disputa de um campeonato, seria um problema. Mas não agora.

Não dá para imaginar que alguém que faça um investimento na compra de um jogador e o coloque em um clube não pense em um dia em ter lucro

O Cruzeiro está no seu absoluto direito de dizer "não" à primeira oferta e abrir o caminho para manter o jogador ou lucrar mais com uma oferta melhorada. O time tem contrato em vigor com o uruguaio, garante que seu salário está em dia e tem a legislação da Fifa ao seu lado. Tudo que lhe dá direito de dizer "não".

Arrascaeta também está certo de querer mudar de emprego. Iria para um grande clube como o Cruzeiro e com um salário que é o triplo do que ganha hoje. Quem no mercado de trabalho não ficaria tentado com uma oferta deste tamanho?

Todo mundo estava certo até o camisa 10 resolver pisar na bola. Com a recusa do Cruzeiro, resolveu não se apresentar para o primeiro treino na volta das férias. E não adianta culpar os empresários. Já é maduro o suficiente para tomar as próprias decisões.




Fonte: Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

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Andrés Sanchez some da Câmara em dias de jogos do Corinthians e vira campeão de faltas em ritmo para perder mandato

Paulo Cobos
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Antes de voltar à presidência do Corinthians, Andrés Sanchez (PT-SP) era um dos deputados federais mais presentes nas sessões da Câmara. De volta ao clube, virou um campeão de faltas. E todas elas "sem justificativa".

Segundos dados do site da casa, foram 20 dias de sessões entre o começo do ano até 2 de abril. E o cartola corintiano faltou em nada menos do que 11. O índice de 55% de ausências o coloca entre os campeões de faltas da Câmara. No ano passado, quem teve mais faltas "sem justificativa" foi Nivaldo Albuquerque (PRP-AL), que não esteve presente em 26% das sessões possíveis.

Quando um parlamentar tem uma falta "sem justificativa" ele tem um desconto no seu salário. E, pelas leis nacionais, pode até perder o mandato: isso acontece se um deputado faltar, sempre sem justificativa, a mais de um terço das sessões de um ano.

A maioria das faltas do deputado petista acontece em dias de jogos do Corinthians durante a semana.  Foi o que aconteceu por exemplo entre 27 de fevereiro e 1º de março, quando o time estava em Bogotá para jogo da Libertadores.

No dia 14 de março, Andrés até esteve em sessão durante o dia em Brasília. Mas faltou em uma noturna, quando estava em Itaquera onde o Corinthians enfrentava o Deportivo Lara, também pela Libertadores. Também faltou no dia seguinte na Câmara.

Ao ganhar a eleição para a presidência do Corinthians, Andrés prometeu deixar o cargo de deputado federal para se dedicar exclusivamente ao clube. Até agora não cumpriu a promessa.


Fonte: Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

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Andrés Sanchez some da Câmara em dias de jogos do Corinthians e vira campeão de faltas em ritmo para perder mandato

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Vetar Flamengo e perder dinheiro? Pelo estatuto do Botafogo, ao pé da letra, isso pode até fazer presidente perder mandato

Paulo Cobos
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Mosaico da torcida do Botafogo no Engenhão
Mosaico da torcida do Botafogo no Engenhão GazetaPress

O companheiro Mauro Cezar Pereira fez as contas.  A insistência do Botafogo em negar o Engenhão para os jogos do Flamengo faz o alvinegro perder milhões. Só em 2017, o clube perdeu a chance de arrecadar até R$ 10 milhões. Muito dinheiro para o clube brasileiro que mais deve: ao final de 2016 (o balanço de 2017 ainda não foi divulgado) a agremiação carioca tinha dívida de R$ 751,5 milhões.

É fato que nos últimos anos o Botafogo foi muito mais responsável no controle de suas finanças. Mas ainda falta muito para o time ter uma situação saudável e possa voltar a ter um time de acordo com sua enorme tradição. E a decisão do presidente Nelson Mufarrej de negar o estádio para o maior rival pode, pelo que está escrito no estatuto do clube, até fazer com que ele perca o mandato que acaba de conquistar.

No artigo 88 de seu novo estatuto social, aprovado no ano passado, o Botafogo lista "gestões temerárias" de seus dirigentes. Movimentos que de acordo com o artigo 86 podem fazer o dirigente ser afastado imediatamente do cargo e ficar fora de eleições no clube por até dez anos.

No item sete do artigo 88, o clube classifica como "gestão temerária" o ato de "atuar com inércia administrativa na tomada de providências que assegurem a diminuição dos défices fiscal e trabalhista".

Simples: se abre mão de faturar, como no caso de negar o Engenhão para o Flamengo, o Botafogo perde a oportunidade de quitar uma parte de suas dívidas. 

Será difícil alguém da oposição usar o artigo para pedir a saída de Mufarrej. Se isso acontecer o cartola ainda poderá se apegar no artigo que diz que a "gestão temerária" não sofrerá punição caso o dirigente "não tenha agido com culpa grave ou dolo ou comprove que agiu de boa-fé e que as medidas realizadas visavam a evitar prejuízo maior ao Botafogo".

Muita discussão que uma pequena pitada de bom senso evitaria.

Fonte: Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

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Migalha de faturamento e lucro, 36% de salários milionários e um terço de jatinho e helicóptero: o que custo do VAR pesaria para a CBF

Paulo Cobos
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Sede da CBF, que se recusa a pagar árbitro de vídeo
Sede da CBF, que se recusa a pagar árbitro de vídeo Divulgação/CBF

Os clubes não quiseram pagar a conta, e o Campeonato Brasileiro irá continuar sem o agora famoso VAR, o sistema de arbitragem por vídeo. Em um cenário em que lucro é algo raro e as dívidas são enormes, até é possível compreender a economia "porca". Difícil é justificar que a CBF não possa pagar os R$ 20 milhões estimados para cobrir as despesas dos 380 jogos da competição.

Pelos números do balanço oficial da entidade, essa quantia não faria "cócegas" nas finanças da entidade. Os valores são das contas da CBF de 2016. Os de 2017 não foram divulgados e os de 2018 devem ser bem maiores, já que em ano de Copa entre ainda mais dinheiro nos cofres.

Em 2016, a CBF faturou R$ 598 milhões, Ou seja: o custo da arbitragem por vídeo consumiria apenas 3% das receitas da entidade. A maior parte do dinheiro da confederação vem de patrocínios: R$ 411 milhões.

De 2013 a 2016, ou apenas quatro anos, a CBF teve lucro líquido (depois até do pagamento de impostos) de R$ 222 milhões, o que significa dizer que o VAR representaria só 10% do lucro do período.

A confederação que rejeita pagar a arbitragem de vídeo torra muito dinheiro com seus cartolas e outros luxos.

Pelo balanço de 2016, a CBF, que não divulga no documento seu número de funcionários, torrou R$ 55 milhões em salários. Apenas o então presidente Marco Polo del Nero, hoje afastado pela Fifa por suspeitas de corrupção, ganhava mais de R$ 200 mil mensais. Contando encargos, sua conta anual se aproxima dos R$ 5 milhões.

Naquele ano, a entidade pagava também uma "ajuda de custo" de R$ 20 mil mensais para cada um dos 27 presidentes das federações estaduais, em uma despesa anual, sem contar encargos, de R$ 6,5 milhões.

No total, a CBF diz que repassou R$ 26 milhões para as federações estaduais. Dava para pagar o VAR e ainda sobrariam R$ 6 milhões.

A entidade ainda afirmou ter gasto R$ 119 milhões em "despesas administrativas". Foram R$ 53,5 milhões para "despesas gerais referentes a administração predial, utilidades, serviços gerais das áreas de apoio", outros R$ 32,5 milhões para "despesas referentes aos serviços profissionais, tais como: assessoria contábil, auditorias, consultorias, taxas e serviços advocatícios, serviços de tecnologia da informação, além de outros prestadores de serviços especializados" e mais R$ 33,2 milhões para  "despesas de ativação, operação, intermediação e despesas gerais referentes as atividades de marketing e publicidade de seleções e competições".

O VAR então custaria só 17% das "despesas administrativas" da CBF.

Se quisesse vender suas "aeronaves", a confederação poderia pagar a arbitragem de vídeo por 3 anos. Em seu balanço de 2016, a entidade estima em R$ 60 milhões o valor de um jatinho e um helicóptero que possui e que rasgam os céus para transportar os cartolas.

O avião é um Cessna 680, modelo luxuoso e que teve um modelo recentemente também comprado por Neymar por quase R$ 40 milhões.




Fonte: Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

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Mais gols que Inter de Milão e Atlético de Madrid e 'garçom' de Cavani; Neymar é o melhor da temporada, mas toma vaia

Paulo Cobos
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Neymar em jogo do PSG
Neymar em jogo do PSG Getty Images

Nenhum jogador na elite do futebol europeu brilha tanto nesta temporada como Neymar. Contando jogos da Champions League e do Campeonato Francês, ele é responsável direto por 35 gols do PSG, sendo 21 marcados por ele mesmo e 14 em que colocou companheiros na cara do gol.

Isso em apenas 21 jogos, o que dá a fantástica média de 1,67 gol por jogo com sua assinatura. Nenhum outro jogador que atua nas grandes ligas da Europa e também disputa a competição continental consegue chegar perto do brasileiro.

Messi é responsável direto por 29 tentos do Barcelona (20 gols e 9 assistências). Kane por 26 do Tottenham (26 e 3). Salah é quem mais chega perto, com 30 (23 gols e 7 passes para os colegas). Cristiano Ronaldo então é goleado: o astro só participou de 16 gols do Real Madrid na temporada (13 dele e 3 assistências).

Sozinho, Neymar produz mais gols até que times inteiros e milionários que disputam as primeiras posições nas grandes ligas. O Atlético de Madrid, somando Espanhol e Champions, marcou 33 gols, e em 26 jogos (cinco a mais do que Neymar). A Inter de Milão tem 35 gols no Italiano.

O nível do Campeonato Francês não é dos melhores, mas na Champions Neymar também tem números arrebatadores: foi responsável direto por 9 gols do PSG, sendo seis dele mesmo e três assistências. Mais do que isso só os dez de Cristiano Ronaldo, que marcou 9 e deu passe para mais um.

Com todos esses números e depois de uma atuação brilhante contra o Dijon, quando marcou quatro gols e produziu jogadas que já estão na lista das melhores do ano, ele saiu de campo vaiado pela torcida do PSG por não deixar Cavani bater um pênalti.

Neymar está longe de ser fominha com  o uruguaio com a bola rolando. Das 14 assistências para gol do brasileiro, seis tiveram Cavani como presenteado.

Não basta ser o melhor em campo para virar ídolo e ser favorito popular a melhor do mundo.



Fonte: Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

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