Craque, mico, Messi decepção, Neymar 'fair play': a arriscada escolha dos melhores e piores da Copa América antes da final

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Messi ficou devendo na Copa América
Messi ficou devendo na Copa América Getty

Na Copa do Mundo de 2002, a escolha de melhor do campeonato entrou para a história. E não foi pela qualidade do vencedor. 

A Fifa resolveu fazer a eleição antes da final entre Brasil e Alemanha. E o eleito foi o goleiro Khan. Já como o craque do Mundial, ele falhou feio na decisão, e Ronaldo Fenômeno, autor de dois gols na final, foi campeão e artilheiro, mas não foi o melhor.

Assim, não é nada prudente escolher os melhores e os piores de um campeonato antes da sua grande decisão. Mas o blog resolveu arriscar e fazer sua lista da Copa América antes de  Brasil x Peru, neste domingo. Também não esperou a disputa pelo terceiro lugar, entre Argentina x Chile (Messi pode até arrebentar, mas não vai mudar o fato que mais uma vez ele foi a decepção). Confira:

 Craque
Escolher um lateral direito é a prova que a Copa América não arrancou suspiros pelo seu futebol ofensivo. Mas Daniel Alves deu um show de eficiência. Aos 36 anos, o brasileiro foi perfeito na marcação. Apareceu no ataque como se ainda fosse um garoto. Deu assistências precisas. E ainda esbanjou liderança.

Volta por cima
Ele já mostrou categoria na sua volta ao futebol no Internacional depois do gancho por um doping que cada vez parece mais injusto. Só por isso ele estar numa final com o Peru já era suficiente para Guerrero ter dado a volta por cima. Mas ele fez gols (luta pela artilharia) e ganhou manchetes e elogios até na Europa.

Técnico
Tite pode, e deve, ganhar o título. Mas nenhum treinador fez tanto com tão pouco como o argentino Ricardo Gareca pelo Peru. Depois de levar o país para uma Copa do Mundo, colocou os peruanos na decisão da Copa América. E brilhando em vários momentos, como na semifinal contra o Chile.

Revelação
Parece estranho falar em revelação numa competição de seleções.  Mas antes da Copa América, pouca gente na Europa sabia quem era Everton Cebolinha. Agora, depois de gols e dribles que tiraram o Brasil da letargia, o gremista é desejado por uma penca de grandes europeus.

Decepção
Um passe aqui, um brilhareco ali. Para um jogador comum, a nota 6 até que estaria OK. Mas para quem é 5 vezes melhor do mundo, Messi, de novo, foi uma decepção. Em alguns jogos, ele parecia ser até pior do que o resto do já fraco time da Argentina. E de novo vai embora do Brasil sem um título.

Mico
Esta talvez é a disputa mais dura, e o "título" fica dividido. Pelo preço dos ingressos e os milhares de lugares vazios nos estádios, a Conmebol é a primeira escolhida. Divide o "prêmio" com o VAR. Muito usado em alguns jogos, quase nada em outros. E longos minutos de espera até para decidir cartão amarelo.

'Fair play'
Não. Este não é o prêmio para quem foi leal. É para quem não "fez falta alguma". E o ganhador é Neymar. O Brasil precisa dele para ganhar uma Copa do Mundo, mas para uma Copa América sua ausência não foi sentida. A seleção chegou na final e viveu numa paz rara sem o seu camisa 10.

Fonte: Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br

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Torci para Rogério Ceni esperar São Paulo, mas é bobagem acusá-lo de trair palavra pelo Flamengo

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Poucas horas antes de Rogério Ceni anunciar que estava deixando o Fortaleza para acertar com o Flamengo, escrevi aqui que ele estava prestes a ter que tomar a decisão mais difícil da sua carreira.

Mas parece que não foi difícil. O maior ídolo da história do São Paulo  desprezou rapidamente  a chance de esperar uma oferta que parecia certa para voltar ao Morumbi em 2021 e escolheu comandar o clube mais poderoso do país.

Minha torcida era por Ceni aguardar o São Paulo. Mas não pelo argumento que ao optar pelo Flamengo estaria traindo o Fortaleza e não cumprindo a promessa que fez há pouco mais de um mês, que desta vez não aceitaria uma proposta para deixar o clube no meio do Brasileiro, como aconteceu com o Cruzeiro no ano passado.

Tenho certeza que muitos são-paulinos que o criticam ficariam encantados se ele deixasse o Fortaleza na mão para voltar imediatamente ao clube e substituir Fernando Diniz.

E aqui não vai nenhum elogio a quem não cumpre a palavra. Mas cada um sabe bem como sua situação profissional pode mudar rapidamente. O caminho das pessoas no trabalho é sim mutante. Ceni tinha a convicção que ficaria até o fim do contrato no Fortaleza. Mas ela mudou, e isso não é nenhum desvio de caráter.

Rogério Ceni respeitou o Fortaleza como poucos nos mais de 1.000 dias que comandou o clube. Foi um exemplo de entrega e resultado. Tem todo o direito de aceitar uma proposta que só um louco recusaria. Assim como o clube também tem o direito sim de demitir um treinador com contrato assinado.

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Acreditem: Abel aceitar oferta do Inter é mais burrice do que o clube o querer

Paulo Cobos
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Abel Braga no Internacional? Ubiratan Leal não gosta da ideia: 'Tudo que o Inter não precisava fazer'

Se ainda faltasse uma prova que os clubes brasileiros quase sempre não têm a mínima ideia do que fazem, o Internacional a forneceu. Ao ficar sem o argentino Coudet, que vai trocar o clube pelo Celta de Vigo, o clube não hesitou em escolher seu substituto: Abel Braga.

Sem dúvida é uma burrice tremenda. E nada contra Abel, que claramente é um cara do bem. Mas o Inter, com um elenco apenas razoável, lidera o Campeonato Brasileiro com um jeito de jogar que é tudo ao contrário do que o veterano treinador, que acumula fracassos recentes, prega.

Seria difícil encontrar ideia mais esdrúxula que a feita pela diretoria gaúcha. Mas ela existe: Abel aceitar a proposta.

É evidente que a chance de Abel dar certo neste Internacional é mínima. Claro que o emprego vai lhe dar um bom dinheiro. Mas Abel parece ter uma vida financeira muito bem resolvida. 

Ele faria muito melhor preservando a sua imagem de um dos maiores heróis da história do Internacional, com os títulos da Libertadores e do Mundial de clubes de 2006. Imagem que já ficou chamuscada com uma passagem discreta em 2014.

Abel Braga durante jogo entre Inter e Figueirense, pelo Brasileiro 2014
Abel Braga durante jogo entre Inter e Figueirense, pelo Brasileiro 2014 Cristiano Andujar/Getty Images

Vanderlei Luxemburgo está aí para provar que o passado glorioso no Palmeiras não evitou que ele fosse massacrado quando voltou e já não era o mesmo.

E Abel é hoje muito parecido com Luxemburgo. Ambos foram grandes treinadores. Mas não são mais. Voltar ao Internacional com a chance gigante de um fracasso  só vai dar munição para seus críticos. Saber parar é para sábios.

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Flamengo agora ou esperar o São Paulo? Rogério Ceni pode em breve estar diante da sua maior decisão

Paulo Cobos
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Mauro Cezar: Flamengo já faz consulta a Rogério Ceni, opção número 1 para a vaga de Domènec. Nome de Coudet também agrada

Os torcedores do Flamengo não são tolos como corintianos e palmeirenses. Após mais um vexame de Domènec Torrent na goleada sofrida para o Atlético-MG, os rubro-negros foram às redes sociais pedindo em massa a demissão do espanhol e a contratação de Rogério Ceni.

O treinador do Fortaleza ao que tudo indica também tem o aval dos cartolas flamenguistas para substituir o técnico catalão, demitido nesta segunda-feira.

Esse cenário pode fazer com que Ceni tenha em breve que tomar a decisão mais difícil da sua carreira, seja como jogador ou como treinador. O que fazer entre uma proposta para assumir agora o Flamengo ou esperar um convite que parece certo para voltar ao seu amado São Paulo em 2021?

De primeira, a opção pelo Flamengo parece fácil. Na Gávea está o elenco mais poderoso do futebol sul-americano. Lá ele tem material humano para brigar por todos os títulos no país e no continente. 

Mas no Flamengo a cobrança será imediata. Sua falta de identificação com o clube não lhe daria o benefício da dúvida em caso de maus resultados iniciais. Ceni também teria que trabalhar com medalhões, experiência em que fracassou no Cruzeiro.

Benja diz que Flamengo está próximo de ter Rogério Ceni como novo técnico: 'Praticamente fechado'

No São Paulo, ele teria que enfrentar o fantasma de anos sem títulos, um ambiente político que há muito tempo arruína o futebol no Morumbi. E ainda um cofre vazio, o que significa um elenco em que brigar por grandes títulos será algo muito difícil.

Mas ficar no Fortaleza e esperar o São Paulo também tem muitas vantagens. Começando por cumprir o contrato com o clube cearense. Mas principalmente pela certeza de voltar ao São Paulo mais preparado do que nunca para triunfar na sua casa. 

E com a chance de iniciar um trabalho do zero, com muito mais compreensão da torcida e aval para também errar.  

Rogério Ceni durante jogo entre Fortaleza e Flamengo
Rogério Ceni durante jogo entre Fortaleza e Flamengo Buda Mendes/Getty Images

Tomara que Ceni possa ter sim esse dura decisão. Nenhum treinador brasileiro merece hoje isso mais do que ele. Se eu fosse seu amigo, eu iria palpitar: espere o São Paulo.



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Não dá mais para procurar desculpas: o trabalho de Dome é (muito) ruim no Flamengo

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Se faltava alguma certeza, ela não existe mais. Ao ser massacrado por 4 a 0 por um Atlético-MG que se arrastava nas últimas rodadas do Brasileiro, não há mais como negar: o trabalho de Domènec Torrent no Flamengo é muito ruim!

Chega de culpar a falta de tempo para treinar. Praticamente todos os rivais também não têm, e eles não herdaram a máquina azeitada que o espanhol recebeu do português Jorge Jesus. Pare de reclamar dos desfalques: só o Flamengo no Brasil perde um Gabigol e consegue colocar um Pedro no lugar.

Não diga que o Flamengo está perto dos líderes do Brasileiro e vivo na Conmebol Libertadores e na Copa do Brasil. Até treinadores decadentes como Abel Braga e Vanderlei Luxemburgo seriam capazes de entregar isso com um elenco tão poderoso e rivais tão medíocres.

A realidade é que Dome entrega um time com uma defesa capenga e que vive hoje do brilho individual de seus craques (e sorte que eles são muitos). E que acumula derrotas vexaminosas, como as goleadas sofridas para o  Independiente del Valle-EQU e São Paulo. E que não é capaz de chegar ao aproveitamento de 50% contra os times mais fortes do Brasileiro.

Quatro meses depois de chegar na Gávea, Dome não pode mais dar desculpas. Chegou a hora de seu Flamengo jogar melhor e parar de acumular derrotas como se fosse um time comum. Não é!

Domenèc Torrent (à esquerda) com Jorge Sampaoli ao fundo durante Atlético-MG x Flamengo
Domenèc Torrent (à esquerda) com Jorge Sampaoli ao fundo durante Atlético-MG x Flamengo Yuri Laurindo/Gazeta Press

Fonte: Paulo Cobos

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Não teve a sorte de Messi e Cristiano Ronaldo: Neymar sofre com técnicos meia-boca na Europa

Paulo Cobos
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Cristiano Ronaldo foi lapidado por Alex Ferguson. Depois, trabalhou com José Mourinho e Zidane. Messi foi lançado por Frank Rijkaard e virou o melhor jogador do mundo com Guardiola. 

Já Neymar teve quatro treinadores na Europa: Gerardo Martino, Luis Enrique, Unay Emery e Thomas Tuchel. Se você dúvida que um técnico de ponta é importante para um super craque, preste atenção nesses nomes.

Entre os três maiores jogadores do planeta hoje, só o brasileiro nunca teve no futebol europeu um treinador realmente de ponta (ou um que tenha sido super craque como jogador). Alguém que pudesse tirar o melhor de Neymar. Ou simplesmente colocá-lo em seu lugar quando fizesse algo errado (e ele cansou de errar).

Messi e Ronaldo já tiveram treinadores que eram tão grandes como ele. Neymar sempre respondeu na Europa a quem não tinha esse tamanho todo.

O argentino Martino não conseguiu nem ter boa relação com o compatriota Messi. Luis Enrique até teve resultados, mas nunca foi um Guardiola. No PSG, Emery e Tuchel deram um show de "não estou pronto" para trabalhar com estrelas.

E Neymar está perto de ter seu quinto treinador na Europa. A imprensa francesa aponta que o PSG se prepara para demitir Tuchel, que além de não controlar o vestiário é incapaz de fazer um time com Neymar e Mbappé brilhar.

Neymar chora no banco de reservas após a derrota do PSG na final da Champions
Neymar chora no banco de reservas após a derrota do PSG na final da Champions Getty

O PSG deveria saber que chegou a hora de Neymar ter um treinador que seja grande e não olhe para ele de baixo para cima.


Fonte: Paulo Cobos

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Corinthians e São Paulo são medíocres; a diferença é que um espera Ceni e o outro só pode sonhar com Tite

Paulo Cobos
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A quarta-feira foi cruel para corintianos e são-paulinos. As eliminações, respectivamente na Copa do Brasil e na Sul-Americana, mostraram que os dois gigantes em seus atuais momentos só serão campeões por um verdadeiro milagre.

No caso do alvinegro, por incompetência de uma diretoria que montou um elenco que é caro e ruim. O Corinthians simplesmente não tem força para ganhar nada.

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O São Paulo está longe de ser um esquadrão. Mas tinha sim a obrigação de conquistar uma competição longe de ter rivais poderosos como a Sul-Americana. Mas o clube hoje não é campeão por que simplesmente não sabe como fazer isso. O clube que já foi o mais vencedor do futebol brasileiro acumula agora amareladas e derrotas inexplicáveis. 

Unidos pelo fracasso em 2020, os dois rivais podem ter sorte diferente em 2021.

Fernando Diniz, do São Paulo, e Vagner Mancini, do Corinthians, durante as eliminações de suas equipes
Fernando Diniz, do São Paulo, e Vagner Mancini, do Corinthians, durante as eliminações de suas equipes Getty e Agência Corinthians

Está claro que Fernando Diniz nunca terá o apoio e a paciência necessária para triunfar no Morumbi. Só não é demitido agora por que logo o clube terá eleições. E seja quem for, o novo presidente terá como alvo trazer Rogério Ceni de volta do Fortaleza após o fim do Brasileiro.

Não que ele tenha o poder de resolver de imediato os problemas de anos do São Paulo. Mas de uma coisa não tenho dúvidas: nenhum técnico é tão capaz de acabar com a maldição que abate o São Paulo há quase dez anos.

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O Corinthians também terá um novo presidente até o final do ano. Mas não existe um treinador no mercado que mude de cara a trajetória de decadência que parece não ter fim. Vágner Mancini tem contrato até o final de 2021. E aposto que fica para a próxima temporada com um medíocre 10º lugar no Brasileiro.

Até existe um treinador para o Corinthians que poderia ter o mesmo efeito de Ceni no São Paulo. Mas não acho que trocaria a seleção brasileira pelo caos do Parque São Jorge.

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De Dome e Diniz a Guardiola: técnicos são muito cobrados por que são elogiados demais e ganham muito

Paulo Cobos
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Quem gosta de falar ou escrever sobre futebol deveria ter uma obrigação todas as quartas-feiras e domingos. Ler a coluna de Tostão na "Folha de S. Paulo".  Sem a pressa de "verdades instantâneas" das redes sociais, ele faz as melhores análises do futebol brasileiro.

Foi assim nesta quarta-feira. Depois de dias em que vários técnicos do futebol brasileiro, incluindo Doménec Torrent e Fernando Diniz, e até Guardiola reclamaram da pressão por resultados imediatos, Tostão colocou o dedo na ferida. 

"Uma das razões de os treinadores brasileiros serem exageradamente criticados quando perdem é o fato de que são excessivamente elogiados quando ganham". Bingo.

E isso serve para o mundo todo. Nunca vi um treinador se queixar de análises "precipitadas" da crítica quando alguém diz que eles deram "um nó tático" em um rival numa partida nem tão importante assim. Muito menos quando vários, inclusive eu com Jorge Jesus no Flamengo, afirmam que um técnico é mais importante que o craque do time na conquista de um título. 



Só no futebol entre os grandes esportes coletivos o salário dos treinadores rivaliza com os dos melhores jogadores. Na NBA, mais de uma centena de atletas fatura mais de Gregg Popovich, provavelmente o melhor treinador da sua geração.

Claro que os treinadores precisam de um certo tempo e boas condições de trabalho para apresentarem resultados. Mas eles precisam aprender: a cobrança será igual aos elogios e proporcional ao salário milionário que recebem nos grandes times. 



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Jesus deixou o Flamengo tão europeu como chegou; Dome já virou 'brasileiro' em quatro meses

Paulo Cobos
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Jorge Jesus chegou, reinou, brilhou e foi embora do Flamengo com o mesmo estilo europeu que escancarou o quanto os técnicos brasileiros, com raras exceções, estão defasados.

Bem diferente de seu sucessor, o espanhol Domènec Torrent. Bastaram 4 meses para ele abraçar alguns dos piores vícios de seus colegas brasileiros. 

Domènec Torrent, técnico do Flamengo, durante jogo contra o Internacional
Domènec Torrent, técnico do Flamengo, durante jogo contra o Internacional Getty

Quando o Flamengo perde, e com ele no comando perde muito mais do que deveria, Dome repete o mesmo choro dos treinadores nacionais. "A arbitragem decidiu. Não tive tempo de treinar. A torcida faz falta. A maratona de jogos do Brasil é surreal". Agora ainda tem o mantra: "o Klopp ficou 3 anos no Liverpool sem ganhar nada".

Tudo isso pode ser verdade. Mas temos que ser justos. Quando é um treinador brasileiro que fala isso ele imediatamente é criticado.

Dome debocha de pergunta, responde que seus defensores são muito ruins e se irrita durante fala

E Dome é o treinador que tem menos motivos de se queixar. O Flamengo é um oásis no meio da mediocridade administrativa e esportiva da maioria dos grandes clubes brasileiros. Ninguém tem um elenco tão poderoso, turbinado ainda por uma categoria de base que não para de revelar talentos. Ainda teve a sorte de herdar um time montado por Jesus.

O Flamengo de Dome briga pela liderança do Brasileiro e está nas oitavas de final da Libertadores. Nas duas competições, e também na Copa do Brasil, tem toda a pinta de favorito.  Claro que o espanhol tem seus méritos. 

Mas, em 2019, qualquer um vai dizer que o maior responsável pela coleção de títulos do Flamengo foi Jorge Jesus. Duvido que isso vai acontecer com Dome caso o clube carioca repita os títulos do ano passado.

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O dia que minha missão era entregar uma carta para Maradona em São Bernardo do Campo, e fracassei

Paulo Cobos
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Quando Pelé fez 80 anos, lembrei aqui que tive a sorte de ganhar um autógrafo e um aperto de mão do Rei do Futebol. Nesta sexta-feira, quando Maradona completa 60 anos, o sentimento é de frustração por ter fracassado em uma "missão" que não tinha mesmo como dar certo.  

Era o ano de 2006. Eu trabalhava na editoria de esporte da "Folha de S. Paulo". Chegou a notícia. Maradona iria participar de um torneio de showbol em São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

Na época, o jornal realizava grandes sabatinas com personagens de todas as áreas. Alguém teve a ideia: por que não aproveitar que Maradona está tão perto e convidá-lo? E alguém lembrou: o Cobos mora em São Bernardo. Mandem ele lá com uma carta para entregar em mãos ao Maradona e formalizar o convite.

Sim. Maradona estava hospedado também em São Bernardo.  E lá fui eu ao hotel, bem próximo de casa e com certeza não foi dos  melhores que ele ficou. O ambiente era uma festa. O saguão estava lotado. 

Veja lances geniais de Maradona!  

Depois de várias tentativas com assessores, com a gerência do hotel e longas horas esperando Maradona passar,  o fracasso da missão era evidente. Depois de muita insistência, consegui falar com Mancuso, que jogou por Palmeiras e Flamengo.

Ele também fazia parte do time de showbol e na época era muito próximo de Maradona. Contei  todo o plano da sabatina. Ele foi muito atencioso. Entreguei a carta. Falou que iria repassar a Maradona. Deixei meu contato e saí de lá com a esperança que minha tarefa havia sido um sucesso. Mancuso nunca me ligou de volta.

Maradona brinca com Ronaldo durante o Fifa The Best
Maradona brinca com Ronaldo durante o Fifa The Best Getty

Claro que gostaria de ter cumprido a missão de entregar a carta a Maradona e convencê-lo a participar da sabatina. Mas a frustração maior foi  a chance perdida de falar, por alguns minutos,  com o cara que não é o melhor jogador da história, mas é o atleta de futebol mais fascinante da história. 

Fonte: Paulo Cobos

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Falar bobagens é universal: a semana que uniu Klopp e Fernando Diniz

Paulo Cobos
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Separados por um oceano e milhares de quilômetros, Jurgen Klopp e Fernando Diniz tiveram um momento em comum esta semana: falar uma grande bobagem. Os dois treinadores, que já foram elogiados neste blog por suas personalidades, provaram que ninguém neste mundo está imune de declarações desastrosas. 

O festival de tolices começou com o alemão do Liverpool. Ao comentar a lesão de Fabinho, ele ironizou.

 “Não sei se o Tite está preocupado, porque ele nunca o põe para jogar. Então, ele provavelmente só não vai ficar sentado no banco da seleção nos próximos jogos.” Foi mais do que deselegante a declaração de um técnico que já pagou mico este ano ao usar argumentos tolos para justificar uma eliminação com duas derrotas para o Atlético de Madrid nas oitavas de final da Champions League.

Pela ótica de Klopp, só é importante quem começa jogando. Não importa ter o melhor elenco, um banco de reservas com opções para mudar um jogo ou eventuais emergências. Pelo seu raciocínio raso, o Liverpool não deveria ter investido dezenas de milhões de libras nesta temporada para reforçar um time que já era brilhante.

Jurgen Klopp e Fernando Diniz
Jurgen Klopp e Fernando Diniz Getty Images - Montagem ESPN

Nessa quarta-feira, foi a vez de Fernando Diniz abrir a boca e produzir uma grande bobagem. Ao justificar a derrota do São Paulo para o Lanús, ele simplesmente fez pouco caso que o rival argentino não disputava um jogo oficial há sete meses.

"A gente pode falar que estamos em uma sequência muito carregada de jogos. Estávamos cansados, e o Lanús descansado."  O São Paulo até pode estar estafado. Mas considerar que um time sem uma mísera partida oficial em mais de 200 dias leva vantagem por estar "descansado" é bizarro.

Klopp e Diniz sempre estarão entre os melhores entrevistados do futebol. Mas eles são humanos. E falam bobagens também.

Gol anulado de maneira questionável, São Paulo cansado e mais: Fernando Diniz explica derrota para o Lanús

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Um massacre cruel: a obsessão espanhola de levar Vinicius Jr. de craque a perna de pau em minutos

Paulo Cobos
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Nenhum jogador do planeta recebe um tratamento tão cruel da crítica como o que Vinícius Jr. sofre na Espanha. Em uma semana, ele é um craque que "não pode sair" do time titular do Real Madrid. Na outra, é um "perna de pau" incapaz de acertar um chute no gol. 

O sentimento em relação ao brasileiro muda até em minutos. Quando ele entra durante a partida e coloca fogo no jogo vira uma espécie de salvador da pátria de um Real Madrid, que hoje não é gigante como sua história. Mas basta um passe errado ou uma finalização equivocada para se ouvir o "como esse jogador custou 45 milhões de euros".

É normal um jogador caro de um time tão importante ser dissecado nas redes sociais e pela imprensa. Mas o que acontece com o ex-flamenguista passa de todos os limites. É só comparar com o tratamento dado a Rodrygo, praticamente com o mesmo preço e a mesma idade no Real Madrid.


Veja como foram os jogos da terça-feira na Champions!  

Cada vez é mais evidente. Vinícius Jr. não é um jogador pronto. Tem sim falhas claras na hora de tomar decisões. Mas tem um talento enorme. E tenho certeza de uma qualidade que nenhum jogador se sua idade tem: ninguém tão jovem tem tamanha personalidade para apanhar tanto e seguir trabalhando.

Vinicius Jr. com a camisa do Real Madrid
Vinicius Jr. com a camisa do Real Madrid Getty Images

Que ele seja avaliado pelos espanhóis por seus defeitos e suas virtudes. Não como se fosse um garoto que não merece respeito.



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Aqui ele nunca será como Pelé: com Messi, Barcelona é triturador de técnicos e presidentes

Paulo Cobos
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Presidente do Barcelona admite que Messi ficou irritado, mas diz: 'Espero que ele decida renovar e terminar sua carreira aqui'


Josep Maria Bartomeu não é mais presidente do Barcelona. Medíocre, jogou o clube mais charmoso do mundo na vala comum. Escândalos, dívidas, decadência técnica, distâncias dos grandes títulos.

Sua renúncia é um alívio para os torcedores do clube catalão. E também escancara uma diferença gigantesca entre Messi e Pelé. 

Com o craque argentino, o Barcelona virou um grande triturador de treinadores. Bartomeu é o 2º presidente do clube que renúncia desde que Messi estreou no time profissional. Antes dele, Sandro Rosell foi obrigado a deixar o cargo por denúncias de irregularidades na contratação de Neymar.

O único cartola que chegou ao fim do mandato com Messi  esteve longe de ter a paz que o maior jogador do mundo deveria proporcionar. Em 2008, ele também sofreu uma moção de censura dos sócios. A maioria votou por sua saída (61%), mas sem atingir os dois terços exigidos pelo estatuto.

Bem diferente do Santos de Pelé. Nos quase 20 anos de Vila Belmiro, o Rei só teve que tratar de renovações de contrato com dois presidentes, sendo que Athiê Jorge Cury foi seu "chefe" até 1971, já na sua reta final no clube.

Se pode alegar que não tem interferência na administração do clube (o que é uma meia verdade), Messi não tem como fugir da responsabilidade da rotatividade dos treinadores do Barcelona.

Josep Maria Bartomeu e Lionel Messi
Josep Maria Bartomeu e Lionel Messi JOSEP LAGO,LLUIS GENE/AFP via Getty Imag

Ronald Koeman é seu 8º treinador no clube, sendo que quatro foram apenas nos últimos três anos. 

Em 18 anos como profissional no Santos, Pelé teve apenas cinco técnicos. Sendo que no auge foram apenas dois: Lula, entre 1956 e 1966, e Antoninho Fernandes, de 1967 a 1971.

Na paz para cartolas e treinadores, Messi nunca será Pelé. 

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Melhores que ele existem aos montes, mas ninguém hoje é tão essencial para o futebol como Ibrahimovic

Paulo Cobos
Paulo Cobos

Imagine um jogador que defendeu Ajax, Juventus, Inter de Milão, Barcelona, Milan, PSG e Manchester United. E mesmo assim nunca ganhou uma Champions League. Imagine ainda que apesar de quase 500 gols na carreira ele nunca esteve entre os 3 melhores do mundo.

Ibrahimovic não fez por merecer ganhar uma Champions e nunca foi mesmo um dos 3 melhores jogadores do mundo em uma temporada.  Na verdade, não é difícil fazer uma lista com 10 atacantes melhores do que ele nos últimos dez anos.

Mas futebol não é só o que acontece dentro de campo. Se fosse, seria algo muito chato.  E justamente por ser assim que o mais importante esporte do mundo tem em Ibrahimovic a sua figura mais essencial hoje.


O sueco de origem croata é um oásis no ambiente de declarações pensadas com assessores. Sim, ele exala marra. E muitas vezes é uma grande mala. Mas ninguém fica alheio ao que Ibrahimovic diz. 

Ibra provoca. Tem sacadas espetaculares, como o vírus da COVID-19 se dando mal em desafiá-lo. Mas seria medíocre o colocar nesse patamar de importância apenas por sua língua ácida. 

Aos 39 anos, o atacante arrebenta no Milan e mostra que idade não é obstáculo para jogar em alto nível. E prova que sempre foi um profissional exemplar, capaz de chegar aos 40 com uma forma física exemplar mesmo depois de contusões graves.

Ibrahimovic comemora após marcar para o Milan sobre a Roma
Ibrahimovic comemora após marcar para o Milan sobre a Roma EFE

Se todos os jogadores fossem geniais como Messi o futebol poderia até ser mais bonito. Mas tenho certeza que seria muito mais divertido se todos fossem com Ibrahimovic.


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Daniel Alves era craque como coadjuvante; no São Paulo, ele é o dono da bola e não entrega como antes

Paulo Cobos
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Daniel Alves mostrou por quase duas décadas que um jogador de futebol não precisa de protagonismo para ser um craque. No Barcelona, na Juventus, no Paris Saint-Germain e na seleção, ele foi sempre um jogador brilhante jogando ao lado de companheiros mais decisivos.

Perguntem, por exemplo, a Messi se o então lateral-direito não tem contribuição enorme na sua carreira no clube catalão.

Mas na volta ao Brasil, pelo São Paulo, Daniel Alves decidiu abandonar a lateral direita e vestir a camisa 10. O resultado, quase dois anos depois, é irregular. E no atual momento é decepcionante!

Em jogo insano, Brenner faz dois, mas Fortaleza busca empate contra o São Paulo aos 47 do 2º tempo; assista abaixo


         
     

Os números do TruMedia, a ferramenta de estatísticas da ESPN, mostram o quanto Daniel Alves tem números que provam o quanto ele é o 'dono do time', com médias de protagonismo muito acima de seus tempos de Europa.

No Campeonato Paulista, como meia, ele teve  a maior quantidade de passes feitos em uma competição da sua carreira. Foram, em média, 100 passes por jogo. Em todas as suas temporadas de Barcelona, o máximo que conseguiu por LaLiga foram 67, na temporada 2013/2014.

Só que pelo estadual, Daniel Alves teve a modesta média de 0,09 assistência por partida ou, em uma conta mais simples, praticamente uma a cada dez jogos. No Espanhol de 2013/2014, foram um passe para gol a cada quatro partidas. 

Pelo São Paulo, como camisa 10, Daniel Alves finaliza também como nunca na sua carreira.  No Paulista, sua média foi de 2,91 conclusões por jogo. No  Brasileiro, 1,63. Números muito acima até do que fez no Campeonato Francês pelo PSG, quando finalizava só 1,13 vez por partida. No Espanhol, não chegava a uma por jogo.

Daniel Alves, na reta final da sua carreira, resolveu também ser craque como estrela principal. E está aprendendo que isso não é nada simples.

Daniel Alves em ação pelo São Paulo
Daniel Alves em ação pelo São Paulo Thiago Rodrigues/Gazeta Press

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Daniel Alves era craque como coadjuvante; no São Paulo, ele é o dono da bola e não entrega como antes

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Mandem o VT para todos os técnicos brasileiros: Inter e Flamengo fizeram o jogo do ano

Paulo Cobos
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Flamengo comemora contra o Internacional
Flamengo comemora contra o Internacional Getty Images
Escrevo esse texto minutos depois de Internacional e Flamengo fazerem o jogo do ano. E faço isso sem olhar as estatísticas. Não importa posse de bola, finalizações, etc.  Elas podem até traduzir o que aconteceu no Beira Rio (ou não).

Mas o que importa é a aula de futebol que dois técnicos estrangeiros deram para seus colegas brasileiros.

 O VT do empate de 2 a 2 deveria ser aula obrigatória para todos os treinadores nacionais. Se pelo menos um terço de todos os jogos realizados no Brasil fossem como este muito mais gente gostaria de futebol.

E não é por que foi um jogo em que todo mundo atacou. Coudet, com um elenco muito mais modesto, mostrou que é muito mais completo que Jorge Sampaoli. Seu Internacional sabe atacar, e defender (nesse ponto o Atlético-MG é bem fraco).

O espanhol Domènec Torrent mostrou de novo que tem personalidade. Não faz mal que ele  herdou a máquina mais azeitada do futebol brasileiro. Seu Flamengo promete ser tão bom quanto o de Jorge Jesus.

Que sonho se todo domingo de futebol brasileiro fosse assim.


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Mandem o VT para todos os técnicos brasileiros: Inter e Flamengo fizeram o jogo do ano

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Um drible em Sérgio Ramos é muito pouco: Messi virou um jogador comum no Barcelona

Paulo Cobos
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Se a derrota neste sábado foi o último clássico de Messi contra o Real Madrid no Camp Nou, a imagem da despedida será triste. Como nos piores tempos de seleção argentina, o segundo melhor jogador da história nunca pareceu um jogador tão comum.

No Barcelona de 2020, até um garoto de 17 anos como Ansu Fati parece ser muito mais importante. Em 90 minutos do clássico, Messi até teve um lance brilhante (mas pela metade). Um belo drible em Sérgio Ramos, mas que teve uma finalização que não deu em nada. Algo insignificante para alguém do seu tamanho.

Messi durante clássico contra o Real, no Camp Nou
Messi durante clássico contra o Real, no Camp Nou GettyImages

O Messi que brigou para deixar o Barcelona há poucos meses é hoje mais notado por aparecer nas imagens da TV com cara de frustração, tipo de quem não sabe o que fazer.  E ainda acabou o jogo levando um cartão amarelo tolo e justo.

Por muitos anos, Messi brilhou destruindo o Real Madrid cheio de estrelas. Neste sábado, foi medíocre diante do pior Real Madrid dos últimos anos.

Não adianta falar no que já aconteceu. Messi e Barcelona hoje são uma parceria amargurada. Hora de mudar para os dois lados.

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Um drible em Sérgio Ramos é muito pouco: Messi virou um jogador comum no Barcelona

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O dia, há 38 anos, que conheci Pelé e ele fez uma criança emburrada com uma 'roubada' ficar feliz

Paulo Cobos
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Dizem que plebeus não podem tocar em reis e rainhas. Papo furado. Eu, há 38 anos, dei a mão para o Rei mais famoso de todos os tempos. E foi a salvação de uma noite que parecia uma grande "roubada" para um menino de 12 anos.

Foi o dia que vi, toquei e ganhei um autógrafo de Pelé. Depois, como jornalista, o encontrei outras vezes. Mas nenhuma foi como naquela noite de calor insuportável em Sevilha, durante a Copa do Mundo disputada na Espanha, em 1982 (quando o agora 'oitentão' tinha 42 anos).

Estava lá só com meu pai. Em um intervalo dos jogos do inesquecível time de Telê Santana, ele me levou para um programa em que lembro bem como fiquei emburrado. Hoje, um show de música e dança flamenca seria imperdível. Mas para um garoto brasileiro aquilo não era nada atrativo

A noite parecia não acabar nunca. Mas de repente o "milagre aconteceu".

Amigo de infância relembra quem ensinou Edson a virar Rei; assista

Já com metade do show, entra no lugar Pelé com mais uma turma grande de homens e mulheres. Eu era um garoto muito tímido, e não teria coragem de ir lá para pedir o aperto de mão e o autógrafo do Rei. 

Mas meu pai não tinha nada de envergonhado. Ele logo pediu uma caneta para o garçom, tirou duas folhas de papel não sei de que lugar e me pegou pela mão.  Fomos para a mesa onde estava Pelé e sua turma.

Com o mesmo sorriso que sempre encantou o mundo, não hesitou em dar o autógrafo pedido e um aperto de mão breve que nunca vou esquecer.

Pelé sorri após a conquista de sua primeira Copa do Mundo, em 1958
Pelé sorri após a conquista de sua primeira Copa do Mundo, em 1958 Getty Images

Ainda bem que há 38 anos não havia telefones celulares e suas selfies. Nem era tão comum levar uma máquina de fotografar nas mãos. Prefiro muito mais deixar a lembrança do dia em que vi o Rei pela primeira vez na memória do cérebro humano mesmo. Ganhei tempo para por poucos segundos ser o plebeu mais feliz do mundo.

Pelé faz 80 anos e manda breve recado a todos os fãs; assista abaixo

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O dia, há 38 anos, que conheci Pelé e ele fez uma criança emburrada com uma 'roubada' ficar feliz

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O fracasso de Griezmann no Barcelona, o jogador mais supervalorizado do século

Paulo Cobos
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Antoine Griezmann não é mau jogador. Mas duvido que neste século algum jogador tenha sido mais supervalorizado que o atacante francês. Assim, não é nenhuma surpresa seu retumbante fracasso no Barcelona, onde nunca caiu nas graças de Messi e agora ainda é reserva em um time cheio de garotos.

O próprio clube catalão ajudou a dar um status ao atacante que ele nunca mereceu. Sedento por agradar Messi, pagou inacreditáveis 120 milhões de euros no ano passado por um jogador que já tinha 28 anos.

Pode ter feito isso baseado na cotação do site transfermarkt, especializado no assunto, mas que também exagerou na valorização de Griezmann. Quando o Barcelona o contratou, ele era avaliado pelo site em 130 milhões de euros (valia com boa vontade metade disso).

Antoine Griezmann em ação pelo Barcelona
Antoine Griezmann em ação pelo Barcelona Getty Images

Por clubes, Griezmann tem uma média de gols nada espetacular: 0,40 por jogo.

Mas já chegou a ser eleito o terceiro melhor jogador do mundo em 2018 pela famosa Bola de Ouro da revista "France Football". Para não dizer que a supervalorização é feita apenas pelos compatriotas, vale destacar lista do jornal inglês "The Guardian".

No ano passado, já mergulhado na mesma mediocridade atual, Griezmann ainda aparecia como o 25º melhor jogador do mundo, ou seis posições à frente de Neymar. E só um lunático para alguém achar que o francês é melhor que o brasileiro. 

Griezmann nunca vai ser o super craque que o Barcelona sonhou que seria.

Griezmann erra passe bizarro, e Vaughan fica inconformado: 'Uma bola dessas para um cara que custou 100 milhões de euros...'

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Ramírez errou em dizer 'não' ao Palmeiras; trocar de clube com contrato não é pecado

Paulo Cobos
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Desta vez não vou concordar com o colega Carlos Sartori, que agora leva ao ESPN.com.br diariamente análises certeiras e corajosas do futebol brasileiro e virou leitura obrigatória. Ao dizer "não" para o Palmeiras, Miguel Ángel Ramírez errou.

Claro que é admirável o jovem treinador espanhol cumprir seu contrato com um modesto clube de um país da periferia da bola. Entendo, mas não concordo, quem diz que treinadores não devem fazer como os clubes que os demitem e deixá-los na mão no meio de um campeonato. 

Mas Ramírez não teria nem um pouco seu tamanho diminuído por deixar o Independiente Del Valle para trabalhar no Palmeiras. 

Miguel Ángel Ramírez, técnico do Independiente del Valle, durante entrevista coletiva
Miguel Ángel Ramírez, técnico do Independiente del Valle, durante entrevista coletiva Getty

Não é pecado mandar um treinador que não corresponde embora. E muito menos pecado é qualquer trabalhador, incluindo treinadores, deixar um emprego por um muito melhor. Só haveria falha se as cláusulas de rescisão não fossem cumpridas (tudo indica que o Palmeiras iria pagar a multa prevista no contrato de Ramírez). 

Qualquer trabalhador de 35 anos, como Ramírez, deve pensar em crescer na carreira, dar passos à frente, tanto financeiramente como pelos desafios profissionais.

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E não há como negar. Não é possível comparar o organizado clube equatoriano com um gigante como Palmeiras. No Allianz Parque, Ramírez teria jogadores melhores, mais estrutura, muito mais projeção, ganhar mais dinheiro. Seria um treinador ainda melhor

Ramírez, tenho certeza, está em paz com sua decisão. Que seja muito feliz (claramente merece e será um grande técnico). Mas errou agora ao recusar o Palmeiras.


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Ramírez errou em dizer 'não' ao Palmeiras; trocar de clube com contrato não é pecado

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Mais perto do Sevilla do que do City: o número que mostra como vai ser difícil Neymar ganhar Champions no PSG

Paulo Cobos
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O PSG tem Neymar e Mbappé. Mas, pelo que vale o elenco todo, não é dos mais cotados para ganhar a Champions 2020/2021, que arranca com sua fase de grupos nesta terça-feira. 

Segundo levantamento da consultoria KPMG, o bilionário clube francês tem apenas o oitavo elenco mais valioso da competição. Na frente do PSG estão Bayern de Munique, Real Madrid, Manchester City, Liverpool, Chelsea, Barcelona e Manchester United.

Neymar na chegada a treino do Paris Saint-Germain antes de estreia na Champions 2020/2021
Neymar na chegada a treino do Paris Saint-Germain antes de estreia na Champions 2020/2021 Getty

O plantel do PSG está longe de valer trocados.  De acordo com esse estudo, custa 763 milhões de euros. Mas esse valor tem uma diferença menor para o elenco do mediano Sevilla que para o líder City.

O time espanhol é avaliado em 396 milhões de euros, ou 367 milhões a menos que o PSG. Já o City tem um elenco estipulado em 1,175 bilhão de euros, ou 412 milhões a mais do que o clube francês. 

A posição intermediária do valor do elenco do PSG tem um fator importante. É assim mesmo com o clube tendo o jogador mais caro do mundo, Mbappé (200 milhões de euros, e o quarto, Neymar (130 milhões).

Quais equipes passam para a próxima fase em cada grupo da  Champions League? Veja os palpites

Os dois valem praticamente metade de todo o grupo dos franceses. Se eles por azar estarem machucados e suspensos ao mesmo tempo, o PSG terá um elenco com um valor inferior também a de Atlético de Madrid, Juventus, Inter e até do RB Leipzig.

Desta vez, os bilionários árabes donos do PSG não abriram o cofre. E melhor chance de Neymar enfim ganhar a Champions em Paris não será agora.

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