Apesar de 'veto' do Palmeiras, árbitros de polêmica final de 2018 são escalados contra o Corinthians

Renata Ruel

A final do Paulistão 2018 ficou marcada na história, mas não simplesmente pelo título corintiano, e sim pela grande polêmica que envolveu a equipe de arbitragem.

Árbitro Marcelo Aparecido conversa com jogadores de Corinthians e Palmeiras na final do Paulista de 2018
Árbitro Marcelo Aparecido conversa com jogadores de Corinthians e Palmeiras na final do Paulista de 2018 Gazeta Press

Naquele jogo não havia VAR, e após a marcação de pênalti em Dudu, o juiz Marcelo Aparecido voltou atrás na sua decisão alegando que o quarto árbitro (Adriano Miranda) o avisou do erro - e muitos acreditam que possa ter ocorrido uma interferência externa, algo proibido pela regra.

Os árbitros assistentes daquele jogo eram Anderson Moraes Coelho e Daniel Paulo Ziolli (veja abaixo a escala completa). O Palmeiras, após o ocorrido, solicitou que essa equipe de arbitragem fosse vetada em seus jogos.

Escala de arbitragem da segunda partida final do Paulistão de 2018
Escala de arbitragem da segunda partida final do Paulistão de 2018 Reprodução FPF

Para o primeiro confronto da final do Paulistão 2020 entre Corinthians e Palmeiras, além da escalação do árbitro Raphael Claus após suas recentes polêmicas, os dois assistentes da final de 2018 também foram escalados.

Ou seja: o primeiro jogo da final contará com Claus no apito, Daniel Ziolli como assistente 2 e Anderson Moraes como quinto árbitro (ambos estavam na final de 2018), juntamente com Vinicius Gonçalves de quarto árbitro (apitou a semifinal Corinthians 1x0 Mirassol) e Thiago Peixoto como responsável pelo VAR (mesma função que exerceu no jogo RB Bragantino 0x1 Corinthians).

Escala da arbitragem para o primeiro jogo da final do Paulistão de 2020
Escala da arbitragem para o primeiro jogo da final do Paulistão de 2020 Reprodução FPF

Não se questiona a competência desses árbitros. Entretanto, após tantas polêmicas, a Federação Paulista (FPF) não poderia ter escalado outros árbitros? Não há mais sorteio, a escala é direcionada - cumprindo o Estatuto do Torcedor por audiência pública, onde a comissão vai a público dizer quais são os árbitros que decidiu escalar para cada partida. A Comissão de Árbitros precisa se atentar a todos os detalhes: gestão e escala não passa simplesmente por colocar algumas preferências nos papéis, há necessidade de conhecer a história do futebol e da arbitragem.

Os mesmos árbitros dos últimos jogos do Corinthians foram escalados para a final, mudando em alguns casos as funções, e Ziolli e Moraes estavam na polêmica de 2018. A partida envolve grande rivalidade, e ao escalar sempre os mesmos dá uma sensação de que no quadro de 600 árbitros da FPF somente esses são capazes de fazer os grandes jogos, até desgastando suas imagens.

Corinthians x Palmeiras: Renata Ruel analisa 'escalação polêmica' do árbitro Raphael Claus para a ida da final

Se a Federação queria escalar os seus árbitros FIFA para as finais, ainda conta com Luiz Flávio de Oliveira, provável nome para o segundo jogo, e Flávio Souza - que vem de boas atuações e poderia ser o nome do primeiro jogo. E, de repente, por que não colocar a Edina Alves, que foi muito bem no Brasileirão 2019?

Opções têm, e um desgaste poderia ter sido evitado com essa escala, onde certamente o Palmeiras vai questionar os dois assistentes envolvidos na final de 2018, e a arbitragem poderia ser preservada.

Agora é esperar pelo jogo. Que as equipes joguem bola e a arbitragem cumpra as regras, tanto no campo como no VAR.

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A ausência do VAR influenciou na classificação dos times para as quartas de final do Paulistão?

Renata Ruel
Renata Ruel
Uso do VAR durante o Campeonato Brasileiro
Uso do VAR durante o Campeonato Brasileiro Getty

A última rodada da primeira fase do Campeonato Paulista foi recheada de polêmicas, sendo que alguns lances tiveram influência direta no resultado final da partida.

O VAR (árbitro de vídeo) não é 100% eficaz, mas sem dúvida ajuda a retificar muitos erros que ocorrem no campo durante uma partida.

No jogo com maior quantidade de polêmicas, Palmeiras 2 x 1 Água Santa, no final do primeiro tempo a equipe alviverde pediu um pênalti que não foi marcado. Willian arremata no gol, o zagueiro salta na trajetória da bola em ação de bloqueio, ampliando o espaço corporal e a bola toca no seu braço, por mais que ele tente tirar o braço após o toque, o jogador assumiu o risco com a sua ação e com o braço ampliando o espaço corporal, ou seja, na minha visão foi pênalti. Este lance ainda conta com um agravante de o chute ter a direção do gol e não haver nenhum outro jogador para uma possível defesa (nem mesmo o goleiro), isso significa que esse braço impediu um gol e o zagueiro deveria ser expulso.

Outro lance deste jogo ocorre quando o árbitro assinalou falta a favor do Palmeiras, mas fora da área e pelas imagens a sensação é que ocorreu dentro área, seria mais um pênalti não dado. E por fim, agora sim o pênalti marcado pelo árbitro à favor do Palmeiras, onde o zagueiro está em movimento de cabeceio, sem estar em uma ação de disputa ou bloqueio, com o braço em movimento natural cabeceia a bola contra o próprio braço, o que a regra entende por braço acidental que não deva ser marcada a infração. Três lances onde o VAR poderia ter agido caso estivesse sendo utilizado.

As outras duas partidas onde o VAR poderia fazer a diferença foram: São Paulo x Guarani, onde a equipe de Campinas teve o que seria o gol de empate anulado por impedimento que não ocorreu, a posição do jogador era legal, o assistente não estava posicionado na linha, isso pode ter gerado paralaxe e entendimento errado do lance; e para fechar a derrota do Santos por 2 x 3 contra o Novo Horizontino, onde o árbitro assinalou pênalti contra a equipe santista, porém a bola bate na barriga do zagueiro e não no braço como entendeu a equipe de arbitragem.

Lance do gol anulado do Guarani contra o São Paulo
Lance do gol anulado do Guarani contra o São Paulo Reprodução

Alguns são à favor do VAR, enquanto outros acreditam que ele estraga o futebol. Uns dizem o VAR tira a emoção do jogo, mas não tem como negar que a ferramenta, mesmo não sendo perfeita, ajuda a corrigir erros do campo, a legitimar resultados e de repente mudar o rumo de um campeonato.

A partir das quartas de final do Paulistão o VAR estará presente, com um formato diferente do que estamos acostumados no Brasil, isto é,  será centralizado na sede da Federação Paulista e além do VAR (árbitro de vídeo principal), só haverá o AVAR1 (um assistente/bandeirinha de vídeo), aqui no Brasil normalmente este assistente é o AVAR2, enquanto o AVAR1 é o um árbitro que será do assistente do VAR, isso significa que haverá um a menos na cabine do VAR para tomar decisões.

As quartas de final serão jogos únicos, uma decisão errada seja por parte da arbitragem ou de um jogador ou até mesmo na escalação ou substituição do treinador pode definir o resultado da partida e a classificação de uma equipe. Tudo isso ajuda a tornar o futebol tão emocionante como ele é.

A seguir a escala das quartas de final, que poderia ter sido diferente com o VAR, e do Troféu do Interior:

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Preparação dos árbitros e VAR centralizado: entrevista com Ana Paula de Oliveira, presidente da comissão de arbitragem da FPF

Renata Ruel
Renata Ruel

Em entrevista, Ana Paula de Oliveira, presidente da Comissão de Árbitros da Federação Paulista de Futebol, conta como foi o trabalho desenvolvido com os árbitros durante o período de isolamento em função da pandemia, o que está sendo feito desde o dia 15 de julho, em Águas de Lindoia, onde estão concentrados e permanecerão até o final do Campeonato Paulista, o protocolo para os jogos e ainda o VAR centralizado para as fases finais do estadual.

Renata Ruel: Ana, como foi o trabalho realizado com a arbitragem durante o período de isolamento social em função da pandemia?

Ana Paula: Nós começamos este momento no dia 16 de março, ali a primeira atitude nossa foi reunir os instrutores, os membros da comissão pois, o nosso desafio era manter esse grupo unido, bem informado e ativo. Então, a partir daí, a gente começou de uma maneira muito simples que foi análises de vídeos por questionários: os árbitros analisavam os vídeos como se fosse um vídeo teste, mas no quesito mesmo de análise, além disso era necessária a justificativa, porque era para estimulá-los a se manterem estudando e, os vídeos eram os deles no campeonato paulista.

Passado um período, nós entendemos que só isso não era o suficiente e precisava de contato direto. Foi então que surgiu a ideia da live “De cara com a Ana”, onde a comissão entendeu que deveria abrir para que os árbitros fizessem perguntas. No primeiro momento a conversa aconteceu com os quadros da A1, A2 e A3. Depois nós abrimos para o quadro básico e fizemos também com os analistas.

Daí surgiram as lives técnicas, físicas e psicológicas. Por exemplo, na parte física fizemos ciclos monitorados, a cada semana iam informações do que eles deveriam fazer, tanto num espaço pequeno como num espaço maior. Trabalhos na parte cognitiva também, foram feitos exercícios para manter concentração, foco, atenção dividida. A nossa comissão teve também uma iniciativa de ligar para todos os árbitros, foram mais de 600 ligações para saber como estava cada um neste momento novo, nós nos preocupamos com o humano, além do trabalho como árbitro.

Nas lives técnicas emplacamos um questionário, onde o departamento de Ciência e Estatística, que hoje trabalha com a gente, detectou que o ideal era propor uma atividade por semana para cada grupo, junto com um bate-papo. Foi um momento de nos reinventarmos como professores, utilizando o ensino à distância. Com a série A1 eu consegui trabalhar em cima de uma possível breve retomada, na A2 e A3 problemas específicos das categorias e na base até um trabalho voltado na escola, esmiuçando a regra para essa categoria que era mais carente.

Nos reinventamos como gestão, como produto de ensino, nos reinventamos como olhar para esse árbitro então foi um crescimento mútuo.

Raphael Claus será o árbitro do clássico Corinthians x Palmeiras, na volta do Paulistão
Raphael Claus será o árbitro do clássico Corinthians x Palmeiras, na volta do Paulistão Gazeta Press

Renata Ruel: Com a notícia da retomada do Paulistão, o que passou a ser feito?

Ana Paula: Com a notícia da retomada do Paulistão, nós já tínhamos um trabalho bem alicerçado tanto na parte física como na técnica, estávamos semiprontos, mas precisávamos de uma concentração. Porque concentração é você tirar esse profissional que estava 100 dias isolado, trazer para o ambiente deles. Agora estamos com três campos aqui na concentração em atividade full time. Criamos uma divisão de seis grupos: foram selecionados 36 profissionais (árbitros e árbitros assistentes). As atividades são feitas em dois turnos. Fica um grupo por campo, ou seja, não tem aglomeração. Um campo só para tratar de questões técnicas, então estou trabalhando o físico com o técnico e dois campos só para trabalhar a parte física, um voltado mais para força, velocidade e intensidade, o outro mais voltado para o CORE respeitando a particularidade de cada árbitro. Estamos tendo o cuidado de controle de carga.  Nas primeiras noites as aulas foram on-line, seguindo à risca o protocolo, com os árbitros isolados nos seus quartos. Na segunda semana entramos na segunda fase do protocolo, que é trabalhar com o pessoal mais próximo, porém respeitando o distanciamento de 2 a 3 metros, sem ser cada um no seu quarto.

Renata Ruel: Qual é o protocolo que está sendo utilizado para essa retomada?

Ana Paula: Primeiro quero agradecer ao presidente Reinaldo por toda essa estrutura, onde foram feitos dois testes da Covid-19 com os árbitros, o primeiro de PCR – tipo de exame de diagnóstico da doença - dez dias antes da concentração, o outro dois dias antes (13 de julho), porque poderia ocorrer de alguém ficar contaminado nesse intervalo, o que ocorreu. Nós tivemos no primeiro teste um caso positivo, de 44 árbitros. Fomos para o reteste, por medida de segurança e, um profissional que no primeiro não tinha acusado, testou positivo e este profissional já estava conosco para a seleção pois, a gente selecionou 36 dos 44 pautados em excelência técnica, comprometimento com as atividades durante o período de isolamento, conhecimento e curso VAR, porque teremos o VAR na segunda fase do Paulistão. Não tinha como ter os 44 árbitros até por questão de segurança, mas o Daniel Luis Marques que estava entre os 36 acabou testando positivo, uma perda para nós! Mas o grupo está muito unido. O sentimento aqui é de que nós estamos trabalhando pelos 44 e pelos 600 árbitros paulistas. Então, o mínimo que podemos fazer pelo Daniel é um bom trabalho, não só por ele, mas por todos os profissionais que não puderam estar aqui.

A gente fez um trabalho de segurança, prévio, forte. Fizemos um monitoramento a cada 3 dias com preenchimento do questionário epidemiológico, que foi proposto pelo comitê de médicos da Federação Paulista para verificar se teve coriza, tosse, febre ou não. Estamos com uma médica do esporte aqui 24h, não só para questões físicas, como para controle da COVID-19 e os árbitros foram testados duas vezes antes de chegarem aqui.

Teremos uma zona azul de acesso nos estádios, onde só entrarão atletas e árbitros. Então, neste primeiro momento, não haverá um teste atrás do outro. Vamos monitorar. Os árbitros receberam kits com máscara e álcool gel, os copos são individuais, tem álcool gel em todo lugar, o cuidado preventivo está sendo feito. Fizemos a locação de oito veículos, cada equipe vai usar um carro para ir aos jogos e quando esse carro retornar passará pelo processo de higienização.

Se alguém apresentar algum sintoma, vamos encaminhar imediatamente para fazer o teste, até porque não podemos pensar só no profissional, mas também em toda equipe que está aqui concentrada.

Outro ponto positivo é que estamos trabalhando com um formato torneio, então a gente começa dia 22 (retomada das partidas), onde esses profissionais vão para os jogos e no dia 27 teremos um primeiro corte de árbitros, de 36 ficarão 26. Vamos para as quartas de final, terminado essa fase dos 26 árbitros passarão a ser 16 e estes ficarão conosco até o dia 08 de agosto (término do Paulistão).

Os assessores de arbitragem serão online, tendo todo um trabalho de jogo prévio e uma devolutiva individual online. Na concentração faremos uma devolução geral com todo o grupo, com os pontos positivos e a melhorar para a próxima rodada.

Os árbitros vão sair da concentração com todos os cuidados, de agasalho, com máscaras. O aquecimento e o jogo sem máscaras, mas em todos os outros momentos os árbitros as usarão.

Renata Ruel: O VAR (árbitro de vídeo) será centralizado a partir das quartas de final?

Ana Paula: Tudo indica que o VAR será centralizado (na sede da Federação Paulista), a sala do VAR já está pronta, montada. Nós estamos discutindo agora as questões voltadas para a tecnologia. Vamos testar o VAR centralizado já no dia 22 e 23 de julho, na 11° rodada, para verificar quais são os pontos que ainda podem ser aprimorados para as quartas de final no dia 29. Estamos trabalhando duro para o VAR centralizado ocorrer no dia 29. Estamos treinando os árbitros, testando tecnologia e vamos fazer tudo com muita segurança para melhor atender aos clubes, ao telespectador, ao público. Então, estamos trabalhando para um Paulistão com o VAR centralizado sim.

Renata Ruel: Tem mais alguma coisa que gostaria de compartilhar?

Ana Paula: Tivemos a notícia da retomada da A2, então já estou pensando nessa retomada, esperando que seja um cenário mais flexível. Que seja um processo mais tranquilo para todos, jogadores, comissão técnica, arbitragem, mas sempre com muita segurança. A palavra de ordem da Federação Paulista é segurança.

Estou muito confiante que faremos uma boa competição e, principalmente, com segurança.

Escala dos árbitros para a rodada de volta do Campeonato Paulista
Escala dos árbitros para a rodada de volta do Campeonato Paulista Reprodução

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Gabigol foi expulso por reclamação e não por 'cera' na substituição

Renata Ruel

O primeiro jogo da final do Campeonato Carioca foi difícil para a arbitragem, principalmente no final do jogo, quando os ânimos estavam bem acirrados.

Flamengo ganhando o jogo por 2 a 1 e aos 47 minutos do segundo tempo sobe a placa de substituição da equipe rubro-negra. A arbitragem não levantou a placa errada: o jogador a ser substituído era mesmo o número 9, ou seja, Gabigol; algumas federações e a CBF têm, inclusive, um papel onde a própria equipe preenche com os dados de substituto e substituído para que não haja um possível erro dos oficiais.

Jorge Jesus, à beira do campo, conversa com Rodrigo Caio passando orientações táticas em função da alteração, algo visível nas imagens, e era somente isso que fazia ali.

Porém, as imagens não mostram o árbitro Wagner do Nascimento Magalhães e Gabriel Barbosa durante esse momento da substituição, e quando eles aparecem fica difícil saber o que ocorreu naquele período. E o atacante do Flamengo acaba sendo expulso.

Conforme apurei, Gabigol foi expulso, após receber o segundo amarelo, por reclamação, e não por fazer "cera" na substituição (retardar o reinício de jogo).

Expulsão justa? Veja no detalhe como subiu a placa e quanto tempo Gabigol demorou para deixar o gramado (Assista abaixo)


         

É possível ver na imagem jogadores do Fluminense reclamando com e do atacante rubro-negro. Outro ponto é que Jorge Jesus, depois do jogo durante a entrevista, não faz nenhuma reclamação acintosa sobre a expulsão.

E por que não recordar a expulsão de Gabigol na final da Libertadores 2019 e ainda a quantidade de cartões no Brasileirão 2019? Isso, de repente, pode ajudar a analisar mais essa expulsão por reclamação.

Gabigol e Jorge Jesus reclama com o árbitro Wagner do Nascimento Magalhães após o Fla-Flu
Gabigol e Jorge Jesus reclama com o árbitro Wagner do Nascimento Magalhães após o Fla-Flu Gazeta Press

Muitas vezes, no campo e durante o jogo, a partida apresenta situações ou momentos dificílimos, que quem está assistindo de fora não consegue ter noção das proporções das reclamações e do grau de dificuldade daquele jogo para a arbitragem.

Em alguns jogos, o desgaste mental da arbitragem é maior do que o físico justamente pelo grau de dificuldade do jogo, mas quem está assistindo da arquibancada ou TV não se dá conta disso. E falo isso por já ter vivenciado muitas vezes essas situações.

Como diz a frase: “Nem tudo o que parece, é.” 

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Gabigol foi expulso por reclamação e não por 'cera' na substituição

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As questões do polêmico pênalti marcado contra a Juventus no clássico de Turim

Renata Ruel

No último sábado, dia 04 de julho, a Juventus enfrentou o Torino e venceu por 4 a 1. O gol dos perdedores foi marcado após um pênalti polêmico marcado pelo árbitro.

Pelas fotos colocadas abaixo, observa-se que o atacante do Torino chuta a bola em direção ao gol, ela toca na perna do zagueiro e sobe para o braço do mesmo. Ele, em ação de bloqueio, se encontrava com o braço em posição antinatural, isto é, ampliando o seu espaço corporal.

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A regra do jogo, que é bem subjetiva e facilmente gera interpretações distintas, traz em seu texto sobre mão/braço alguns pontos relevantes:

“Normalmente haverá infração se o jogador:

• a mão/braço estiver em posição antinatural e com isso ampliando o espaço do corpo;

As infrações acima também se caracterizam quando a bola tocar na mão/braço de um jogador, vinda diretamente da cabeça, do corpo (inclusive do pé) de outro jogador que esteja próximo dele. 

Exceto nas situações acima, normalmente não se considerará infração se a bola tocar na mão/braço:

• diretamente da cabeça ou corpo (inclusive o pé) do próprio jogador;
• se a mão/braço estiver junto ao corpo sem ampliar o espaço em razão de uma posição antinatural.”

Existe a dúvida se quando a bola bater em alguma parte do corpo e em seguida tocar a mão ou braço do jogador, o árbitro deve ou não marcar a infração.

Quando o jogador estiver em ação de bloqueio, como nesse caso do zagueiro da Juventus após um arremate a gol, com o braço em posição antinatural e ampliando o espaço corporal, mesmo que a bola rebata em outra parte do corpo antes de tocar o braço, a infração deverá ser marcada.

Esse lance do Campeonato Italiano se encaixa na descrição acima, então a penalidade foi bem marcada. 

Simples? Não, em lances de mão/braço vários pontos devem ser analisados. Por exemplo: se foi ação de bloqueio ou ação de disputa, se foi acidental ou voluntário, se houve fator surpresa, qual a distância da origem, de quem vem a bola...

Ao fazer a enquete sobre esse lance no meu Instagram, a maioria não marcaria o pênalti.


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A regra da mão/braço ainda gera dúvida, polêmica e por isso é importante que as diretrizes sejam claras, uniformes e de grande acesso. E é como sempre digo “se concordamos ou não com as regras é discutível, mas elas precisam ser cumpridas, principalmente pelos árbitros”.

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Fifa apresenta tecnologia semi-automatizada para impedimento

Renata Ruel

Os países dispõem de tecnologias distintas para o uso do VAR, e a melhor pode ter um custo alto para alguns lugares. E essa tecnologia ainda não é 100% exata para fins de impedimento conforme a Regra do Jogo do futebol, pois o frame onde seria o primeiro contato do jogador com a bola nem sempre está no ponto certo.

Além disso, é o árbitro quem define qual parte do corpo do jogador está mais próxima da linha de fundo para ser traçada a linha, e ocorrem divergências algumas vezes em relação a esse ponto exato dentro da cabine.

A Fifa tem buscado a mais precisa tecnologia para o uso do VAR. Depois do primeiro teste da tecnologia de impedimento semi-automatizado no Mundial de Clubes em dezembro de 2019 no Catar, ela organizou outra demonstração de uma avançada tecnologia de impedimento. Devido às atuais restrições de viagens em função da pandemia, a Fifa convidou os membros do Grupo de Trabalho para a Excelência em Inovação para uma videoconferência online, que foi o terceiro evento de apresentação no roteiro de 2022/23.

Não valeu! Muller aciona Pavard, que encontra Lewandowski livre na pequena área, mas juiz assinala impedimento

Após a bem-sucedida implementação do sistema de árbitros assistentes de vídeo (VAR) e sua incorporação às Regras do Jogo em março de 2018, a Fifa quer melhorar ainda mais a tecnologia em todos os níveis. Em particular, o desenvolvimento de uma tecnologia de impedimento semi-automatizada deve fornecer ao VAR informações adicionais e mais precisas para auxiliar o processo de tomada de decisão do árbitro e tornar o processo de revisão o mais eficiente possível.

Em 22 de junho, a Fifa organizou uma demonstração remota da avançada tecnologia de impedimento, hospedada por um dos fornecedores, para o Grupo de Trabalho para a Excelência em Inovação. Um dos vários provedores de tecnologia concorrentes apresentou um sistema de tecnologia de impedimento semi-automatizado para 50 participantes de todo o mundo.

O grupo teve a oportunidade de aprender sobre o status atual de desenvolvimento da tecnologia e fazer perguntas detalhadas. O provedor de tecnologia, que já utiliza um sistema virtual de impedimento (VOL) certificado pela Fifa, demonstrou vários aspectos do processo de desenvolvimento e das tecnologias envolvidas, com o objetivo de entregar uma decisão de impedimento semi-automática dentro do menor atraso possível, para que os árbitros em campo possam ser rapidamente auxiliados em situações relevantes.

Tecnologia apresentada sobre situação de impedimento com 'esqueleto' do jogador
Tecnologia apresentada sobre situação de impedimento com 'esqueleto' do jogador Renata Ruel

Um dos principais desafios no desenvolvimento de uma avançada tecnologia de impedimento é a detecção precisa e automatizada do ponto de partida. O fornecedor de tecnologia informou ao grupo sobre possíveis soluções, como rastrear dados da tecnologia de sensores ou dados de vídeo de sistemas de câmeras. 

Além disso, um sistema precisa identificar corretamente qual parte do corpo coloca um atleta em jogo ou fora de jogo. Testes de precisão mostraram que operadores humanos tendem a escolher diferentes partes do corpo para as linhas de impedimento. Também foram feitos progressos nessa área, com o sistema automatizado apresentado aprendendo a modelar corretamente o esqueleto de um jogador. No futuro, os algoritmos desenvolvidos do sistema devem ser capazes de identificar automaticamente qual parte do corpo colocou o jogador em impedimento e a que distância.

"O objetivo é desenvolver uma ferramenta de suporte semelhante à tecnologia da linha de gol: não projetada para tomar a decisão, mas para fornecer evidências instantaneamente aos árbitros", era a mensagem clara da reunião. A Fifa e a International Board (IFAB) sempre sustentaram que a decisão final permanecerá com o árbitro, com a introdução de tecnologia para fornecer aos oficiais o melhor suporte disponível. Outra consideração importante para a Fifa e as partes interessadas é como melhor apresentar essas situações aos torcedores dentro do estádio e em frente à televisão.

Tecnologia apresentada sobre situação de impedimento com 'esqueleto' do jogador
Tecnologia apresentada sobre situação de impedimento com 'esqueleto' do jogador Renata Ruel

"Esses eventos são uma oportunidade muito boa para o Grupo de Trabalho da Fifa entender melhor a complexidade e o status de desenvolvimento de novas tecnologias e fornecer uma plataforma para discutir novas inovações no futebol diretamente com a indústria", disse Johannes Holzmüller, diretor de tecnologia e inovação do futebol da federação.

A próxima reunião do Grupo de Trabalho da Fifa está prevista para o início de julho, e mais testes e demonstrações estão agendados para o segundo semestre deste ano.

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Os pênaltis não marcados na Premier League

Renata Ruel
Renata Ruel

As polêmicas em dois jogos da Premier League fazem refletir se somente o protocolo do VAR é diferente do resto do mundo ou se também as Regras do Jogo foram alteradas por lá sem que o mundo soubesse.

No jogo entre Liverpool e Crystal Palace, a polêmica ocorreu aos 35 minutos, quando Cahill, após chute de Firmino, coloca o braço na bola dentro da sua área penal. Esse braço do zagueiro é aquele que antigamente até chamávamos de “braço intencional”, é uma mão voluntária pela regra de hoje, ação deliberada e ainda cria um bloqueio para a passagem da bola. O árbitro não marcou em campo e o VAR acatou a decisão. Lembrando que no protocolo do VAR na Inglaterra, o árbitro não precisa ir olhar o vídeo e aceita a decisão do árbitro de vídeo mesmo que essa seja contrária à sua no campo.

Não é pênalti? Em Liverpool x Crystal Palace, Firmino tenta balãozinho, Cahill corta com o braço e árbitro manda seguir

No outro jogo da Premier League, entre Leicester e Brighton, houve outra polêmica em lance de braço dentro da área. Nos acréscimos do segundo tempo, Dunk desviou a bola na área com o braço e os jogadores do Leicester pediram o pênalti. O árbitro mandou seguir e não houve intervenção do VAR. Para mim, outro pênalti não marcado. Houve uma ação de bloqueio, na qual o jogador amplia o espaço corporal em um movimento nada natural.

VAR para quê? Jogador do Brighton se atira com a mão na bola, mas juiz 'ignora' recurso de vídeo

Como o protocolo da International Board (que vale para todos os torneios de filiadas da FIFA) diz, e essa parte não foi modificada no Inglês, o VAR deve atuar somente em erros claros e óbvios, não agindo em lances que cabem interpretações. Porém, o VAR não atuou em nenhum dos dois lances polêmicos, nos quais para mim foram erros claros e óbvios, sim, na tomada de decisão dos árbitros em campo. Ou seja, o VAR deveria ter interferido prontamente, a não ser que a regra na Inglaterra de mão/ braço na bola também tenha sido modificada. Sim, estou sendo sarcástica em relação aos ingleses mudarem a regra, pois em qualquer outro lugar do mundo, pênaltis seriam marcados nesses lances, mas lá não foram.

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Em um jogo ocorrem 1.200 situações passíveis de intervenção do árbitro. Quais fatores influenciam a tomada de decisão?

Renata Ruel
Renata Ruel
Pedro Henriques Duarte Araújo, ex-árbitro e hoje instrutor
Pedro Henriques Duarte Araújo, ex-árbitro e hoje instrutor ESPN

Tomada de decisão é umas das coisas mais recorrentes e importantes no campo de jogo, seja por parte dos jogadores ou da equipe de arbitragem. Uma tomada de decisão equivocada pode comprometer um lance, um jogo ou até mesmo o resultado final da partida. Estudos mostram que existem em um jogo mais de 1.200 acontecimentos passíveis de intervenção do árbitro.

Para conhecer mais sobre o assunto, conversei com Pedro Henriques Duarte Araújo, português de 54 anos. Ele foi oficial do exército e árbitro de futebol profissional durante 20 anos. Atualmente é comentarista e colunista esportivo, instrutor de arbitragem, docente em universidade de Portugal e autor dos livros “O Treino da Tomada de Decisão do Árbitro de Futebol”, “Árbitro de Bancada” e com participação no livro “A Ciência da Arbitragem em Portugal”.

Renata Ruel: Quais as diferenças das tomadas de decisões dos árbitros para os jogadores durante o jogo?

Pedro Henriques: São áreas distintas a nível da tomada de decisão. O jogador tem que fazer uma interpretação do adversário, técnica e individual de passe, recepção, arremate, cruzamento, etc. Tem que fazer também uma interpretação tática na ligação com seus colegas, com as instruções recebidas pelos seus treinadores e depois precisa processar isso fisicamente. Os árbitros são circunstâncias distintas, mas acabam por desenvolver as mesmas bases, porque os jogadores partem da base cognitiva e física e os árbitros também. Mas o árbitro tem que fazer a interpretação, conhecer as leis do jogo e o regulamento, tem que conhecer o jogo, porque não basta conhecer as 17 regras, se faz necessário a sensibilidade e o bom senso. Como alguns dizem que seria a 18º regra, que não existe, mas no fundo existe na perspectiva de conhecimento do jogo, dos próprios jogadores, das suas manhas, de como está o jogo e junto com isto tudo fazer uma interpretação cognitiva das regras, ver se há ou não faltas, se há impedimento ou não, etc. E depois a questão física em se movimentar e estar em qualquer parte do campo de jogo para melhor poder decidir e depois ainda tomar a decisão. Portanto, de uma maneira geral, é distinta a tomada de decisão de um jogador e de um árbitro, mas tem os aspectos em comuns, que são os cognitivos e a exigência física.

Renata Ruel: Qual a influência da emoção na tomada de decisão?

PH: As emoções obviamente que são extremamente importantes. Nós temos um conjunto de características ou habilidades ou componentes psicológicos que são fundamentais. Fatores como concentração, autoconfiança, comunicação, autocontrole são fundamentais para a decisão. Quando falamos de emoções, falamos muitas vezes dos componentes que envolvem o jogo, ou seja, aquilo que é interação do público com o resultado que está acontecendo, a forma como os jogadores estão a reagir. E nós sabemos que a postura, a atitude dos jogadores vai mudando ao longo do jogo e isso tem reflexo na maneira como aceitam ou contestam as decisões da equipe de arbitragem. Por isso é fundamental que um árbitro, independentemente de tudo que envolva, todo o ambiente, o resultado, a importância do jogo, o que está acontecendo, se houve advertências, expulsões, se houve agressões, o árbitro precisa ter a capacidade de não ter a sua tomada de decisão influenciada por esses fatores, ou seja, porque uma equipe está jogando com menos jogadores ou uma equipe reclama mais ou um público assobia mais, o árbitro precisa se isolar desses fatores, o que é algo difícil, mas continue a manter a sua tomada de decisão igual no primeiro e no último minuto, independente de todo o ambiente que o envolve. Isso não é simples, por isso a parte da psicologia e do coaching são muito importantes, as questões da concentração, motivação e ativação são fundamentais e há ferramentas na psicologia que permitem que se treine isso. Se o árbitro permitir se deixar influenciar pelo jogador ou torcedor, provavelmente, ou quase certeza, sua tomada de decisão será afetada. E falar em afetar a decisão significa falar em erros. Então, é normal que, se um árbitro se deixar envolver pelas emoções, vai errar muito mais.

Renata Ruel: Os jogos de futebol estão voltando, porém sem torcidas nos estádios. A tomada de decisão do árbitro é diferente quando há silêncio e quando há barulho de torcida?

PH: São três as características fundamentais para a tomada de decisão: uma tem a ver com a própria pessoa, com o indivíduo, ou seja, a sua competência, aspectos cognitivos, conhecimento das regras do jogo, sua condição física, etc.; outra tem a ver com a tarefa, o que o árbitro precisa executar conforme as regras do jogo; e por último, o fator ambiente, que pode ser uma questão física em função do calor, chuva, a altitude, mas também pode ser o fator público. Os árbitros normalmente estão em ambientes onde há muitos assobios, contestações de suas decisões em função dos torcedores, há sempre pessoas a gritar, a aplaudir, assobiar, incentivar os jogadores. Quando se tira pelo menos um dos fatores que está presente em todos os jogos, nesse caso o torcedor, fica estranho e, portanto, isso vai afetar a sua concentração.  Podemos dizer que “o barulho do silêncio”, a falta do barulho, acaba por influenciar, sim, a tomada de decisão. Porque ao desaparecer o barulho que está habituado a ouvir ou a ter neste caso o silêncio, onde se ouve os ecos, aparece um fator novo e estranho. O costume é em tomar decisões com o barulho, de repente, com o silêncio, isso afeta a todos e pode acontecer de o árbitro ficar mais desconcentrado em função do fator ambiente ter mudado. Mas isso é algo treinável atualmente. Eu estava acostumado a fazer jogos com 30.000 pessoas. Ao fazer jogos com 300 pessoas, a minha concentração e meu aspecto cognitivo eram afetados, de repente eu estava desconcentrado e não estava focado no jogo e isso leva, obviamente, ao erro. Os árbitros devem estar preparados para este ambiente, buscando se motivar e concentrar, abstraindo-se deste fator.

Renata Ruel: A fadiga física influencia na tomada de decisão?

PH: A condição física entra no aspecto indivíduo nas três características fundamentais para a tomada de decisão. O cansaço é basicamente a falta de oxigênio nos músculos e no sistema nervoso central. Um indivíduo que está menos preparado fisicamente cansa mais rápido e terá falta de oxigênio no músculo e no sistema nervoso central, ou seja, no cérebro. Isso quer dizer que a tomada de decisão deste indivíduo vai ser completamente afetada, pois não terá a mesma percepção nem a mesma velocidade de reação. Hoje, com o VAR, os erros claros e óbvios podem ser corrigidos, os rádios comunicadores com os árbitros assistentes também podem ajudar na tomada de decisão. Mas é importante que o árbitro esteja na sua melhor condição física e cognitiva para estar na parte do campo de jogo que entende ser adequada para analisar melhor a jogada que estiver ocorrendo e tenha a capacidade mental, cognitiva e intelectual para fazer a leitura do lance, a interpretação e tomar a decisão. Isto é, a condição física é extremamente importante para o jogo. Se o árbitro estiver cansado, terá mais dificuldades em decidir e maiores chances de se equivocar. É importante citar que um estudo em Portugal mostrou que o árbitro percorre em média 12 km por jogo, uma distância considerável.

Renata Ruel: As características para atuar como VAR podem ser diferentes dos árbitros que atuam em campo?

PH: É claro que ter sido um árbitro de futebol pode ser um fator relevante para se tornar um árbitro de vídeo (VAR), pois quando estiver na frente do vídeo ter a capacidade de entender as regras do jogo, para saber se o árbitro em campo tomou a decisão correta, isso gera uma grande experiência para ser árbitro de vídeo. Porém, as características são muito distintas, um bom árbitro de campo pode não se dar bem como árbitro de vídeo ou vice-versa. Passa-se de uma situação tridimensional quando está em campo para uma bidimensional no VAR, e são totalmente distintas. Há duas características muito importantes no árbitro de vídeo, uma é perceber o jogo e as regras, a outra é a capacidade mais técnica, que é quando se está analisando um lance e precisa dar uma resposta rápida para dentro do campo se a decisão tomada pelo árbitro foi correta ou não. O árbitro de vídeo tem diversos ângulos, quando estamos em casa analisando um lance, o fato de termos diversos ângulos e a melhor imagem faz com que se analise se a decisão do árbitro em campo foi correta ou não. Então, uma característica muito importante para o árbitro de vídeo é ter a capacidade de pedir ao técnico rapidamente a câmera certa ou as câmeras certas para buscar a melhor repetição, pois o estádio e o árbitro estão esperando uma resposta. Por exemplo, alguns jogos do Benfica ou Sporting chegam a ter 19 câmeras e o árbitro de vídeo não vai poder checar as 19, ver 19 ângulos diferentes, pois não terá tempo para isso, a rapidez é primordial. Então vai verificar 2 ou 3 câmeras que tenha certeza que vão dar os melhores ângulos para a sua tomada de decisão. Por isso, um árbitro de vídeo tem que conhecer muito bem todas as câmeras e os ângulos que elas oferecem. Tivemos erros em Portugal porque o árbitro de vídeo não teve a capacidade de pedir ao técnico de imagem as melhores câmeras com os melhores ângulos e por isso são características diferentes as dos árbitros em campo com os de vídeo. Por estes motivos, os árbitros de vídeo pode ser integrados por ex-jogadores ou ex-treinadores, por exemplo, a equipe do VAR ter um árbitro ou ex-árbitro e um VAR ser uma outra pessoa ligada ao futebol que possa trazer uma outra perspectiva, outra análise daquilo que muitas vezes são características do jogador ou do jogo. Ou seja, ser árbitro de vídeo exige outras características que ter sido árbitro ajuda, mas não é primordial.

Renata Ruel: Como treinar a tomada de decisão?

PH: Uma forma de treinar a tomada de decisão, isso faz parte até do meu livro, é recriar as situações que ocorrem no campo, isto é, recriamos situações de penalidades, escanteios, impedimentos. Isso é feito muitas vezes utilizando jogadores da categoria sub-15 que criam situações de jogo. Depois, equipamos os árbitros com tudo que é utilizado por ele nos jogos. Eles precisam tomar as decisões nos treinos, tudo é filmado e mostrado a eles com um feedback. Em Portugal, normalmente treinamos durante a semana as situações que ocorreram nos jogos do final de semana anterior, ou seja, recriamos para o treino de tomada de decisão além do treino físico. A filmagem ajuda para uma analise mais qualitativa do treino, podendo analisar com calma depois cada árbitro e dar um feedback mais completo. No meu livro ''O Treino da Tomada de Decisão do Árbitro de Futebol', eu falo do treino da tomada de decisão do árbitro, como treinar e com exercícios demonstrativos para alcançar esse objetivo.

Renata Ruel: Um árbitro iniciante tem mais dificuldades na tomada de decisão do que um árbitro de elite? Por que?

PH: É comum dizer que são precisos 10 anos de experiências para que uma determinada tese ou teoria se torne base da ciência. No futebol e na arbitragem é basicamente a mesma coisa. A experiência significa que eu vivi determinadas situações, as quais resolvi de determinadas maneiras, posso ter resolvido bem ou mal. A medida que vou tendo mais experiências eu vou repetindo circunstâncias que ocorreram no jogo. Por exemplo, tem uma situação de um pênalti que eu errei e percebi que meu erro foi em função do meu posicionamento em campo e em outro jogo ocorre uma jogada igual. Eu já vou me posicionar de uma forma proativa em um local que provavelmente vai ajudar a uma melhor tomada de decisão, diferentemente de quando tomei a minha decisão equivocada. Outro exemplo é no conflito entre dois jogadores, o árbitro já havia percebido que se “estranhavam” em campo, mas sequer aplicou advertência verbal e isso culminou em expulsões. Em uma próxima partida que isso acontecer com este árbitro, a experiência deve torná-lo mais proativo para tentar evitar que o conflito aconteça. Ou seja, quando o árbitro vai vivenciando situações com características já presenciadas anteriormente, ele vai criando a capacidade de perceber o que vai acontecer em determinado lance e tem a capacidade por já ter vivido essa experiência de não cometer o mesmo erro e antecipar o cenário. Uma grande capacidade de um árbitro que está na elite é de ser proativo, por já ter tomado decisões e poder pensar se vai repetir a ação ou modificar para não cometer o erro do passado. Além do árbitro experiente ter a capacidade de ter vivenciado ambientes distintos com público, torcida com câmeras e ter a capacidade de se isolar de forma que isso não o afete. O árbitro de elite também consegue lidar melhor com o erro pós jogo, com uma crítica mais dura. O árbitro iniciante ou não tão experiente se deixa influenciar mais por estes fatores, não consegue comer, dormir, treinar. Vai para o próximo jogo ansioso e isso aumentará os erros. O árbitro experiente supera isso de forma mais fácil, não deixando que isso o afete para o próximo jogo. Por isso, a experiência é extremamente importante para um árbitro de futebol.

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Em um jogo ocorrem 1.200 situações passíveis de intervenção do árbitro. Quais fatores influenciam a tomada de decisão?

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Os árbitros da Fifa são profissionais em Portugal

Renata Ruel
Renata Ruel
Árbitro em Portugal
Árbitro em Portugal Getty Images

Cada país tem a sua estrutura para arbitragem de futebol. Assim como no Brasil, as federações não seguem um padrão, e cada comissão trabalha com o seu quadro de árbitros conforme a sua gestão.

As diferenças nas estruturas organizacionais podem, por exemplo, fazer com que em certos lugares alguns árbitros possam chegar mais rápido ao quadro da FIFA, e em outros lugares, a caminhada pode ser mais longa.

Para conhecer um pouco de como funciona a arbitragem de futebol em Portugal, conversei com o árbitro português José Alberto Fernandes, 39 anos, motorista-administrativo, árbitro de futebol do quadro nacional, futsal e futebol de praia.

Renata Ruel: Como funciona a carreira do árbitro em Portugal desde a escola/curso para chegar à elite?

José Alberto: Cursos de Futebol e Futsal são administrados pelas Associações de Futebol de cada distrito com o acompanhamento da Federação Portuguesa de Futebol. Existem 22 Associações de Futebol no total. Depois da fase distrital, os árbitros selecionados por cada distrito ascendem à Federação Portuguesa de Futebol, precisando prestar provas na Academia de Rio Maior para ficarem aprovados. O grau de exigência aumenta cada vez mais, tendo de realizar provas semanais de análises de vídeos, interação nos núcleos de arbitragem, treinos físicos presenciais na Academia de arbitragem. Após um conjunto de observações e provas ao longo da temporada, alguns sobem ao nível c2 elite, preparação à Primeira Liga e toda a sua envolvência. Ao atingirem a liga apenas são indicados à  Fifa os melhores e os que cumprem requisito limite de idade e seguem um programa específico de desenvolvimento junto à federação.

RR: A profissionalização dos árbitros é uma realidade em Portugal? Se sim, todos os árbitros são profissionais?

José Alberto: Apenas árbitros com escudo Fifa podem aderir à  profissionalização por terem rendimentos mais altos. A Federação Portuguesa de futebol limita o número de profissionais no contexto da arbitragem por implicar em altos encargos financeiros.

RR: Quais os valores das taxas de arbitragem?

José Alberto: Árbitro profissional aufere subsídio de treino no valor de 500,00 Euros. Geralmente a taxa de jogo ronda 1.476,00 Euros na Primeira Liga, enquanto que na 2 liga ronda os 1.032,00 Euros, quarto arbitro aufere 320,00 Euros, árbitro de vídeo 335,00 Euros. Em contrapartida, um árbitro do distrital aufere num jogo senior 60,00 Euros, juvenis perto de 35,00 Euros, iniciados 30,00 Euros, infantis 20,00 Euros. Árbitros assistentes da liga auferem perto de 600,00 Euros.

RR: Como é feito o treinamento físico e técnico do árbitro em Portugal?

José Alberto: Árbitros da Liga treinam usualmente no centro de treinos indicado pela Liga, com exceções de alguns árbitros que treinam na Academia Militar de Lisboa, com os Árbitros do Polo Distrital.

RR: Há acompanhamento de psicólogo, nutricionista, fisioterapeuta entre outros para todos os árbitros?

José Alberto: Árbitros da Liga e da FPF usufruem de psicólogo, nutricionista, fisioterapeuta  enquanto árbitro do distrital apenas dispõe de fisioterapeuta indicado pela Associação de Futebol Distrital.

RR: Há muitas mulheres na arbitragem? Alguma atuando na elite?

José Alberto: Número de mulheres na Arbitragem tem vindo a crescer tanto na vertente do Futebol como no Futsal.  A própria FPF segue as tendências europeias no aumento do número equipes femininas participantes e a inclusão de árbitras femininas em jogos do masculino. Porém, até o momento, nos jogos masculinos, não há nenhuma atuando no nível elite, somente distrital. 

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Quantas coisas você abdica por amor ao futebol

Renata Ruel
Renata Ruel

Lembro-me de quando comecei a refletir sobre com o que trabalhar na vida.

Ainda adolescente adorava matemática, e a intenção era cursar administração ou economia, mas o grande amor era o futebol, e um dos pensamentos que sempre tinha era “se for para trabalhar aos finais de semana, somente o farei se for para trabalhar com o futebol".

Sim, eu abdiquei e ainda abdico os meus finais de semana por essa paixão, e isso não é nenhum sacrifício. Perdi alguns amigos, deixei algumas pessoas chateadas por não estar presente em datas importantes como aniversário, casamentos, batizados, festas, encontros, pois para a maioria o jogo de futebol é o momento de lazer, enquanto que para mim é a hora do trabalho, ou melhor, de atuar com aquilo que tanto sou apaixonada.

Renata Ruel: 'Mas quem disse que há explicação para o amor?'
Renata Ruel: 'Mas quem disse que há explicação para o amor?' Arquivo pessoal

Na verdade, quando comecei - e durante bons anos -, eram jogos de segunda a segunda, aos finais de semana praticamente o dia todo em um campo ou mais de um, além dos treinos, estudos, cursos, palestras e outros trabalhos, sempre foi gratificante e com muito amor.

Mas tenho certeza que não sou somente eu quem renuncia muitas coisas em função do futebol, seja como árbitra ou como comentarista: você que adora esse esporte também. Domingo pela manhã tem a “pelada” com os amigos(as), depois o almoço de domingo com a família nem sempre acontece, pois seu time jogará à tarde - e se tiver polêmica no jogo a discussão rola até segunda-feira.

Ah, e não dá para negar que às vezes vou embora de uma festa mais cedo porque vai começar o jogo na TV, ou que estou em um barzinho e paro de conversar para assistir ao jogo no telão (até mesmo em casa deixo os convidados com os outros familiares e vou me sentar na sala para ver o futebol, isso já aconteceu muito em comemorações do meu aniversário).

Porém, aqueles que nos amam apoiam a nossa paixão e até acompanham, se possível. Às vezes tento encontrar uma explicação para esse sentimento, algo que justifique tanta abdicação em função do futebol. Mas quem disse que há explicação para o amor? Algumas coisas apenas sentimos e não tem como explicar, não é?

A velha frase atribuída a Confúcio diz bem: "Trabalhe com o que você ama e nunca mais precisará trabalhar na vida".

Não há sacrifícios quando há amor. E esse sentimento  pelo futebol não diminui o amor pelos nossos familiares, amigos, viagens, eventos, lazer, apenas completa.

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Regra pede punição, mas Fifa acerta com ‘bom senso’

Renata Ruel
Renata Ruel

A Fifa emitiu uma nota na qual reitera sua posição contra o racismo e a discriminação e se posiciona sobre a trágica circunstância da morte de George Floyd nos Estados Unidos.

A entidade máxima do futebol pediu “bom senso” aos organizadores das competições em relação às possíveis punições aos atletas que se manifestaram com mensagens políticas nos jogos.

Jadon Sancho, do Borussia Dortmund, protesta contra racismo em comemoração na Bundesliga
Jadon Sancho, do Borussia Dortmund, protesta contra racismo em comemoração na Bundesliga Getty Images

Foi o caso, por exemplo, de Jadon Sancho e Hakimi, que ao marcarem seus gols na vitória do Borussia Dortmund, no último fim de semana, pela Bundesliga, mostraram uma camisa por baixo da oficial com os dizeres “Justiça para George Floyd”.

Pela regra do jogo, mensagens de cunho político, religioso ou pessoal não são permitidas, e a organização da competição deve aplicar a punição. 


No caso das mensagens, o árbitro não aplica cartão, somente relata em súmula os fatos, ou seja, o jogador vai para tribunal, e a competição o pune com multa e/ou jogos de suspensão.

Porém, a Fifa percebe a importância dos Direitos Humanos e da luta contra o racismo e preconceito, solicitando dessa forma que as entidades tenham “bom senso” nas aplicações das Leis do Jogo, mostrando assim que não é só futebol.

É muito mais que um jogo.

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O cartão amarelo de Sancho ao comemorar gol e protestar contra o racismo

Renata Ruel
Renata Ruel

O Borussia Dortmund goleou o Paderborn por 6 x 1 pela Bundesliga e em algumas comemorações jogadores protestaram contra o racismo, onde pediam “Justiça por George Floyd”, em mensagens escritas nas camisas que estavam por baixo da oficial usada durante o jogo.

A questão é que Jadon Sancho, com direto a hat-trick na partida, levou cartão amarelo em sua comemoração, já Achraf Hakimi não levou ao comemorar seu gol, porém ambos exibiram a mesma mensagem.

Sancho e Hakimi comemoram gol pedindo 'justiça por George Floyd'
Sancho e Hakimi comemoram gol pedindo 'justiça por George Floyd' Getty Images

Apesar de Sancho e Hakimi mostrarem a mesma mensagem em suas comemorações, há diferença entre as ações e isso engloba mais de uma regra.

Na regra 12, Faltas e Incorreções, há o item da comemoração de gol, onde diz que o jogador deverá receber cartão amarelo se, ao marcar um gol e comemora-lo, tirar a camisa ou cobrir a cabeça com a camisa. E essa foi a atitude tomada por Sancho na comemoração de um dos seus gols, tirando a camisa e levando cartão amarelo por este motivo.

Hakimi não tirou a camisa, somente a levantou até a altura do peito, mostrando assim a mensagem, por isso não foi advertido com cartão.

Porém, ambos os jogadores cometeram infrações à regra 4, O Equipamento dos Jogadores, ao exibirem as mensagens, a questão é que essas atitudes não são punidas pelo árbitro do jogo, mas sim pela entidade organizadora da competição. Ou seja, esses jogadores serão relatados pelo árbitro em súmula, deverão ir à julgamento, onde as punições podem ser multas e/ou até suspensões a serem cumpridas nos próximos jogos.

O texto da regra 4 diz:

“O equipamento não pode conter qualquer mensagem política, religiosa ou pessoal. Os jogadores não podem exibir roupa interior com slogans, declarações ou imagens políticas, religiosas, pessoais ou de publicidade, além do logotipo do fabricante. Se for cometida qualquer infração, o jogador e/ou a equipe serão punidos pela entidade de organização da competição, pela respectiva Associação Nacional ou pela FIFA.”

As regras não permitem manifestações políticas, religiosas ou pessoais por parte dos jogadores e os punem quando isso acontece.

Mas o jargão popular diz: “não é só futebol".


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Regras mudam, e o comportamento do goleiro em campo também

Renata Ruel

As mudanças nas regras ocorrem todos os anos, normalmente numa escala pequena, porém sempre acontecem conforme a International Board considere que serão benéficas ao futebol.

Ao longo dos anos muitas regras relacionadas ao goleiro foram alteradas, algumas delas foram:
- 1871: surge o goleiro e este podia tocar as bolas com as mãos em quaisquer partes do campo, pois  não existiam as áreas;
- 1873: goleiros não podem mais carregar a bola com as mãos;
- 1874: as mãos podem ser usadas pelos goleiros só para defender sua própria meta;
- 1887: as defesas com as mãos pelo goleiro só podem ocorrer na sua metade do campo;
- 1892: é proibida a carga sobre o goleiro;
- 1901: torna-se permitido o toque com as mãos pelo goleiro em todo momento, não apenas para defender seu gol;
- 1902: as áreas de meta e penal são criadas e dentro dela o goleiro não podia ser atacado pelos adversários;
- 1912: apenas neste ano se proíbe o goleiro de tocar a bola com as mãos  fora da sua própria área penal;
- 1929: goleiros são proibidos de se movimentar sobre a linha de meta na cobrança do pênalti;
- 1931: até este momento os goleiros podiam dar 2 passos carregando a bola, neste ano são autorizados a darem 4 passos;
- 1936: os goleiros ficam proibidos de receber a bola em suas mãos a partir da cobrança de um tiro de meta, antes que essa saísse da área penal;
- 1992: surge a proibição do recuo, os goleiros não podem mais pegar a bola com a mão que ocorre de um passe com os pés de um companheiro de equipe;
- 1997: a bola vinda de um arremesso lateral da própria equipe fica proibida de ser defendida com as mãos pelos goleiros;
- 2000: entra a regra dos 6 segundos, onde o goleiro pode manter a bola em suas mãos por no máximo este tempo e cai a regra dos 4 passos;
- 2019: na cobrança do tiro de meta a bola não precisa mais sair da área para entrar em jogo;
- 2019: na cobrança de pênalti é permitido ao goleiro manter apenas um pé sobre a linha de meta.

Com o intuito de tornar o futebol mais divertido, mais ofensivo, sem a conhecida “cera” para se ganhar tempo, duas das grandes mudanças, mais recentes, ocorreram em 1992, sobre a proibição do recuo, e em 2000, com os 6 segundos de posse de bola com as mãos, onde ajudaram a mudar o comportamento dos goleiros em campo.

Para entender melhor essa alteração de comportamento dos goleiros em função das mudanças de regras, conversei com Rafael Kiyasu, treinador de goleiros do Santos F.C. e instrutor da CBF Academy.

Kiyasu contou como as modificações nas regras com o passar dos anos interferiram nas ações dos goleiros:

“Podemos entender as mudanças das regras, e sua influência na posição do goleiro e mesmo no futebol como um todo, criando um paralelo à teoria do Caos iniciando com Edward Lorenz, em meados da década de 60, a partir de um fenômeno que se intitulou como o conhecido Efeito Borboleta (aquele mesmo do filme), quando uma pequena mudança no estado de qualquer sistema (incluindo os sistemas dinâmicos, como a vida ou até mesmo o futebol), poderia levar a mudanças drásticas no seu decorrer, gerando resultados inesperados e incertos (como qualquer ação dentro de um jogo).

Nos casos específicos dessas regras citadas, tendo influência direta nos comportamentos tático-técnicos individuais dos goleiros, o que por si, gera comportamentos tático técnicos coletivos, influenciando seus companheiros, adversários e consequentemente o jogo como um todo.

Como vimos inicialmente, o futebol era jogado com 11 jogadores, dos quais um era o goleiro (e neste ponto a regra ainda continua a mesma e o vê do mesmo jeito), porém sua atuação era livre pelo campo todo, o que era facilmente visível sua participação e influência no jogo coletivo. Conforme as regras foram se alterando e sua permissão em utilizar as mãos foi se restringindo, até culminar em 1912, quando só então o goleiro passa a reduzir a utilização das mãos em sua área de meta, criando uma espécie de “prisão ilusória”, ou como os  irmãos portugueses bem chamam a posição um “Guarda Metas”, local que assim como um policial (ou guarda) deveria vigiar (ou manter-se em guarda), não podendo sair dali. 

Talvez neste momento o futebol foi compreendendo ou talvez seja melhor dizer, descompreendendo a posição do goleiro como coletiva, individualizando suas ações, tornando-o não somente único como “separado”.

Isso aumentou ainda mais quando também em meados de 70, em nosso país, surgiu a figura do treinador de goleiros, que entendendo da sua especificidade, talvez tenha cometido o erro de o retirar do jogo, e treinar todas essas especificidades fora do jogo, retirando não só o jogo, mas como também o importante contexto e imprevisibilidades do jogo no qual ele está inserido, que o permitia entender suas ações com um significado mais “tático” e significativo, passando a priorizar o ensino do “como fazer” (técnica) em detrimento ao “porquê fazer” (tática), ganhando assim a técnica um status de prioridade absoluta no treino, deixando de ser uma ferramenta solucionadora de problemas para ser a única resposta aos atos do jogo treinada (ou adestrada) fora do jogo para depois de dominá-la (ou domá-la), e colocá-la  de volta no jogo, acreditando que essa mecanização isolada e parcial seja transferida de forma plena em uma dinâmica interativa e sistêmica do jogo.

Curiosamente na mesma década de 70, na Alemanha, um autor chamado Freindrich Mahlo lança uma obra chamada “O acto tático no jogo”, contrariando essa linha extremamente isolada do ato técnico treinado fora de contexto, e tornando imprescindível perceber e analisar a situação, buscar então uma solução mental para só então transformar esse processo em uma solução motora.  Desde então, outras grandes obras foram lançadas  (e aparentemente passadas despercebidas pelos treinadores da posição).

Apenas na década de 80, o holandês Cruyff, treinador do Ajax, e influenciado pelo seu antecessor Rinus Michels, recupera nosso personagem de seu isolamento (e porque não considerá-lo social também?) incorporando o goleiro de volta aos 10 jogadores que estavam no campo a sua frente e o libertando das linhas (não apenas imaginárias) de sua área, considerando o goleiro como parte fundamental da equipe, como dizia ele: “se o goleiro ficar estático no gol, seria muito distante do que aquilo que é jogado pelo resto da equipe. Atuando como jogador, o goleiro dá a sua equipe um jogador extra contra seus oponentes. Na realidade jogamos com 11 jogadores, enquanto os adversários com 10 e meio”. 

Porém este advento só começaria mesmo a ser mais e melhor explorado na década seguinte, quando o fator da regra proibir o uso das mãos no recuo, o goleiro passa a ter que incluir em seu repertório motor as ações com o uso dos pés dos jogadores.

Ano passado tivemos mais uma alteração na regra, permitindo que o tiro de meta seja cobrado dentro da área, e seu efeito reverberou, aumentando a proximidade e com isso os elementos de pressão, cada vez mais próximos ao goleiro, obrigando ao goleiro a ter cada vez mais “habilidade motora”, para se sobressair sobre os adversários.

Como vimos não só as regras alteram o jogo, como seus elementos sofrem fortes influências culturais e históricas na sua forma de jogar, e com isso devemos refletir em uma conhecida frase, “treina-se como se joga”; esta deve ser cada vez mais verdadeira em sua essência, reconhecendo os aspectos inerentes do jogo, (entre eles a imprevisibilidade, dinamismo, técnica aberta, tomadas de decisão constantes) e transformando o jogar no seu verdadeiro treinar, retornando ao jogo de futebol com 11 jogadores e claro, trazendo na bagagem um verdadeiro e inestimável legado, sobre as especificidades da posição.

Em síntese poderíamos ponderar:  muda-se a regra, muda-se o jogo, muda-se o treino”.

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VAR, preparação na quarentena, jogo marcante e dificuldades na carreira: entrevista com Raphael Claus

Renata Ruel
Renata Ruel
Raphael Claus apita Flamengo x Fortaleza, pelo Campeonato Brasileiro de 2019
Raphael Claus apita Flamengo x Fortaleza, pelo Campeonato Brasileiro de 2019 Gazeta Press

Raphael Claus está com 40 anos, é Educador Físico, proprietário do Estúdio RC Pilates e Assessoria de corrida RC Running e, atualmente, um dos principais árbitros do Brasil, da América do Sul e talvez se possa dizer do mundo, pois está na lista preparatória para o Mundial em 2022.

Em entrevista exclusiva, Claus falou um pouco sobre sua trajetória, sobre o VAR e até mesmo sobre jogadores “polêmicos”.

Renata Ruel: O que te levou a ser árbitro de futebol?

“O fato de ter vivenciado o futebol na família durante a vida toda, com meu pai, meu irmão e eu também quando jogava pesou muito, mas quem me convenceu a realizar o curso de árbitro foi meu grande amigo e árbitro CBF Vinicius Furlan.”

RR: Qual o seu maior objetivo dentro da arbitragem?

“Meus objetivos são diários, não gosto de pensar a longo prazo e sim no presente e no meu próximo jogo, meu próximo treino e assim vou construindo meu caminho.”

RR: Você está na lista para a Copa do Mundo de 2022. Como é a preparação do árbitro?

“Na verdade a lista está aberta, todos têm chances e está apenas no início do processo. Tem que se dedicar muito em todos os pilares (técnico, físico, mental e social) para poder aproveitar as oportunidades que tiver em todos os jogos e treinamentos.”

RR: Como está sendo a sua rotina nesse momento de isolamento social?

“Muito focado na família e na saúde não só minha, mas de todos, só assim passaremos por essa fase tão crítica e dura, pensando no coletivo e não no individual. Treino todos os dias fisicamente, mesmo que com espaço reduzido e também trabalhando a parte técnica e mental com os trabalhos online que a FPF, CBF e CONMEBOL têm realizado conosco.”

RR: O árbitro é um ser humano e vai cometer erros. Como você lida com isso quando comete um erro no jogo?

“É difícil, particularmente eu sofro por que não estou ali pra competir com ninguém, mas sim para aplicar a regra e a justiça e existem muitos profissionais envolvidos numa partida de futebol. Quando uma decisão infeliz sua compromete esse trabalho é triste. É importante também tirar lições e aprender com os erros para que não voltem a acontecer.”

RR: Quando atua em uma partida na qual há jogadores com fama de “cai cai" ou “maldoso", como você procura agir em relação a estes jogadores?

“Como disse anteriormente, não estamos ali para competir com os jogadores, e ter uma ação preventiva ou até mesmo educativa vale muito a pena. A maioria deles entende e assimila de forma positiva, afinal os jogadores são ídolos e espelhos para muitos jovens e crianças e isso reflete diretamente neles.”

RR: O que você acha do VAR? Como é trabalhar com a ferramenta tanto no campo quanto na cabine? O que acredita que precisa melhorar?

“Fundamental. Devido à velocidade do futebol, muitas coisas ficaram impossíveis de se ver a olho nu e a tecnologia pode corrigir uma injustiça que por falta de ângulo ou uma ilusão de ótica tenha se equivocado dentro do campo e que reflete em jogos que valem milhões para as equipes. Com o VAR fica mais justo, sem dúvidas.”

RR: Qual foi o jogo mais marcante até hoje que você atuou e qual foi o momento mais significativo na sua carreira até o momento?

“Acredito que a semifinal da Libertadores entre River e Boca Jrs foi um desses momentos, tanto que a Mirror o considera o maior clássico do mundo. Outro momento importante foi minha estreia com o escudo da FIFA em 2015, em um Palmeiras vs Corinthians no Allianz.”

RR: Quais as maiores dificuldades que o árbitro enfrenta na carreira?

“Acredito que no começo da carreira para conciliar sua profissão com a arbitragem, gera um desgaste no emprego, quando ainda a arbitragem não é sua principal fonte de renda.”

RR: Qual mensagem você gostaria de deixar para o árbitro que está iniciando a carreira ou para quem pretende se tornar um árbitro de futebol?

“Para se dedicar, pensar no seu objetivo e não no dos outros, buscar sempre se aperfeiçoar, sempre é possível evoluir por melhor que você seja, buscando sempre a excelência.”

RR: E para os torcedores, jornalistas, jogadores, treinadores, dirigentes, ou seja, para o público que ama e vive o futebol, você gostaria de passar alguma mensagem?

“Que quando nos ver dentro de campo, saiba que estamos nos esforçando ao máximo para acertar em todas as decisões e que quando acertamos ou erramos sejamos julgados como profissionais e com respeito.”

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VAR, preparação na quarentena, jogo marcante e dificuldades na carreira: entrevista com Raphael Claus

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Lance 'apitoresco' de Palmeiras x Flamengo muda a regra do jogo

Renata Ruel
Renata Ruel
Leandro Vuaden conversa com jogadores de Palmeiras e Flamengo
Leandro Vuaden conversa com jogadores de Palmeiras e Flamengo Gazeta Press

Palmeiras e Flamengo é uma das maiores rivalidades do Brasil e isso não é recente, em função de brigas por títulos dos últimos anos.

Em julho de 2011, as duas equipes se enfrentavam no Pacaembu pelo Brasileirão e nos minutos finais um lance “apitoresco” ocorreu. O árbitro da partida, Leandro Vuaden, paralisou o jogo quando o lateral do Flamengo se machucou e precisou ser atendido pelos médicos.

A polêmica começou no momento do reinício do jogo com bola ao chão, onde Kleber “Gladiador” pegou a bola e saiu em direção à meta do Flamengo para tentar fazer o gol. A bola saiu pela linha de fundo e os jogadores do Flamengo foram para cima de Kleber para cobrar o Fair Play, a confusão já estava armada.


As regras podem mudar depois de alguns lances inusitados que ocorrem nos jogos. Por exemplo, vimos em matéria anterior, que após o massagista entrar em campo e impedir um gol do adversário na série D do Brasileiro, a regra mudou, pois até aquele momento o jogo seria reiniciado com bola ao chão. Ao avaliar a International Board decidiu punir lances do tipo com tiro livre direto ou penalidade se um oficial da partida interferir no jogo ao entrar em campo sem autorização.

O mesmo aconteceu depois desse lance do Kleber no jogo entre Palmeiras e Flamengo, se naquela jogada a bola entrasse seria gol na época, hoje não é mais. A polêmica foi tão grande que, novamente um lance que aconteceu no futebol brasileiro, fez a Board rever a regra do bola ao chão.

Atualmente a regra do bola ao chão diz:

“Se a bola entrar em uma meta sem tocar em pelo menos dois jogadores, o jogo reiniciará com:

• Um tiro de meta, se a bola entrar na meta adversária;

• Um tiro de canto, se a bola entrar na meta do jogador que tocou na bola.”

Ou seja, o futebol brasileiro com seus fatos “apitorescos” faz de tempo em tempo a regra do jogo mudar. Seria a falta de Fair Play a grande culpada de tudo isso?

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Primeira árbitra do mundo, brasileira Léa Campos passa necessidade e pede ajuda

Renata Ruel
Renata Ruel

A arbitragem feminina, assim como o futebol feminino, vem de uma história de luta, preconceito, determinação. Não se pode falar de mulher na arbitragem sem citar Asaléa de Campos Fornero Medina, conhecida historicamente por “Léa Campos”. Ela simplesmente foi a primeira mulher reconhecida pela FIFA, no mundo, como árbitra de futebol. Nascida em 1945 na cidade de Abaeté, Minas Gerais, graduada em educação física e jornalismo, Léa também lutou Boxe e atualmente mora nos Estados Unidos, fez parte do quadro da FIFA entre os anos de 1971 e 1974.

Com a pandemia do COVID-19 muitas pessoas estão passando por dificuldades e não somente no Brasil. Léa e o marido, Luiz Medina que está com câncer, estão sem poder trabalhar com o isolamento social, foram despejados do apartamento que moravam e momentaneamente vivendo em um quartinho na casa de uns amigos, porém brevemente pode ser que precisem deixa-lo, pois o filho dos amigos deve retornar.

Léa, agora com 75 anos e usando um colar cervical, pois há pouco tempo cai e precisou ser socorrida de ambulância, está pedindo ajuda financeira para os colegas da arbitragem e do futebol.

 

 

Os árbitros e dirigentes resolveram fazer uma campanha junto com uma “vaquinha” para poder ajudar a grande pioneira da arbitragem feminina no Brasil e no mundo.

Ao conversar com a Léa pelo WhatsApp e perguntar como está a situação dela e do marido, a resposta foi:

“Bem difícil. O dono do apartamento trabalha na mesma empresa que meu esposo trabalha. Ficou acertado que assim que normalizar vamos pagar a ele. Nossa alimentação e comprada por nós. O governo americano deu uma ajuda financeira à todos que perderam o emprego. Mas é incômodo a liberdade nunca é a mesma. Com a campanha que as árbitras e árbitros estão fazendo para arrecadar dinheiro vamos sair dessa se Deus quiser e Ele quer.”

Léa ainda agradece toda a mobilização para ajuda-la e fica feliz com o espaço ocupado pelas mulheres no futebol e na mídia.


Léa Campos e Pioneirismo

Nada melhor do que conhecer esta história contada pela própria Léa.

““Puta merda, essa mulher não desiste nunca”. Foi isso que João Havelange, na época presidente da CBD (Confederação Brasileira de Desportos), em 1971, disse sobre a minha persistência.””, segundo Léa.

Quando terminou o curso de arbitragem em 1967, queria receber o diploma como todos os outros alunos, mas não foi o que aconteceu. Quatro anos depois da conclusão, Léa recebeu um convite da Fifa para arbitrar um amistoso e também o primeiro Campeonato Mundial de futebol feminino, no México, mas para isso precisava do diploma.

“Para conseguir o diploma, levei uma carta, na verdade, um foi um bilhete, do Presidente do Brasil, Médici, ao Havelange. Médici era minha penúltima alternativa, pois a última seria o Papa. Eu já tinha esgotado tudo com João Havelange, já não tinha mais saída para mim. A última frase dele para mim foi que enquanto ele presidisse a CBF [na época, CBD], nenhuma mulher atuaria no futebol”., conta Léa.

Médici passaria rapidamente por Belo Horizonte, cidade onde ela morava, desta forma solicitou uma audiência rápida, de apenas 30 segundos e conseguiu, garantindo que ainda sobraria tempo.

“Era uma sexta-feira. Fui lá no hotel onde ele recebia o pessoal da imprensa, e ele leu meu nome no papel e mandou me chamar: ‘você pediu 30 segundos de audiência, dá tempo de piscar o olho’. E eu falei ‘para mim é o suficiente’”, relembra. “Eu preciso que você mande uma carta para o João Havelange, porque recebi um convite para arbitrar futebol feminino no México, porque aqui futebol feminino não existe e eu preciso de autorização para esse convite e representar o Brasil, muito obrigada é isso que eu quero”.

“Precisei de 26 segundos e o presidente já tinha uma resposta. Ele me disse que esses 4 segundos que sobraram, ele me esperava em Brasília na segunda-feira para almoçar com ele”.

“Eu fiquei muito ansiosa, com medos e receios. Meu pai me dizia: ‘Léa, por que você está assim? Você quebrou tantas barreiras, você vai se coroar, sem medo, sem receio. Com pensamentos positivos na sua mente, você vai conseguir’. E eu peguei o ônibus no domingo à noite para ir até Brasília.”

“Estava trêmula, o almoço com o presidente estava confirmado e ele escreveu um bilhete de próprio punho afirmando que eu representaria o Brasil no México como árbitra.”

Léa conta detalhes do almoço: “Ele me levou até o quarto do filho dele. Ele tinha mais coisas sobre mim do que eu. O cara era meu fã, menina. Incrível! Eu nunca esperava isso, ‘nunca dos nuncas’, como eu costumo dizer. E ele ainda me deu uma revista francesa, a mesma que elege os melhores jogadores do mundo e disse que tinha certeza que o filho dele tinha mais, porque tudo sobre minha vida ele comprava em duplicata.”

“Ele me mandou com um avião das Forças Armadas Brasileiras (FAB) para o Rio de Janeiro, para que eu falasse com o João Havelange no dia da despedida do Pelé”, relembra.

Léa conta que, ao chegar no Rio de Janeiro, bateu na porta de João Havelange com o bilhete em mãos. No dia, aconteceria uma coletiva de imprensa no final da tarde por conta da despedida de Pelé.

Dentro da sala, ela entregou o bilhete e conta que Havelange optou por adiantar a entrevista coletiva. Todos foram para a sala de imprensa e Léa reproduziu o discurso:

“Estou com a felicidade incontida hoje. Porque eu tenho a oportunidade de, no meu mandato, poder levar ao mundo a primeira mulher árbitra de futebol profissional, e é na minha gestão. É com muito orgulho e com muita felicidade que eu faço o mundo saber que a primeira árbitra de futebol é brasileira e vai sair do mundo como representante máxima do futebol brasileiro”.


Léa Campos
Léa Campos Divulgação


A luta por reconhecimento durante a Ditadura Militar

A luta da mulher no futebol em época de Ditadura Militar, como estudado anteriormente no “Surgimento do Futebol Feminino”, na Era Getúlio Vargas, onde a constituição brasileira instituiu que mulher jogando futebol seria um crime, também causou problemas à Léa Campos. “Eu não queria jogar, apenas arbitrar. Porém, muitas vezes não resistia e acabava jogando nos campinhos do bairro, mas o que era para ser diversão, terminava na delegacia.”

“Nunca deixei nenhuma menina ir presa por minha causa. A polícia vinha, falava para todo mundo correr e eu ficava sozinha. A bola era minha, a ideia era minha”, conta Léa.

Mas completa: “As meninas me repudiavam por causa disso, mas nunca dei importância para elas, era meu desejo que tinha que ser realizado, não tinha cerca que eu não pulasse”.

Léa conta que algumas mulheres de São Paulo fizeram um abaixo-assinado, enviado para a CBF não liberar seu diploma e em Belo Horizonte, fizeram uma passeata na Avenida Afonso Pena, lutando também contra ela.

“Tudo isso rendeu muitas idas a delegacia e uma amizade com o delegado que, certa vez, desistiu de me manter por lá e me disse: “você vai continuar fazendo, vão continuar te prendendo, por minha conta, está liberada. A polícia pode te trazer, mas você entra por uma porta e sai pela outra.’”


Léa além das quatro linhas


Sua primeira experiência foi no México, apitando um jogo entre Itália x Uruguai. Na ocasião, tocaram o hino do Brasil em sua homenagem.

Em 1974, próximo a três Corações-MG, a árbitra sofreu um acidente de ônibus e teve que encerrar a carreira, no dia da fatalidade. Léa ficou muito tempo internada, quase perdeu a perna esquerda e levou 10 anos para se recuperar totalmente.

Léa Campos foi pioneira na arbitragem e também no jornalismo esportivo, pois foi uma das primeiras repórteres de campo e passou por muitas indagações todas as vezes que precisava entrevistar jogadores dentro do vestiário.

Em 1993, Léa foi morar nos Estados Unidos da América com seu marido, Luiz Medina. Em 2013, Léa venceu um câncer de mama. E hoje não se pode falar de arbitragem feminina sem contar a história e luta desta pioneira.

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Você é o árbitro! Qual a sua decisão nesse lance inusitado?

Renata Ruel
Renata Ruel
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O futebol é recheado de lances “apitorescos” e que muitas vezes deixa o árbitro atordoado podendo até tomar decisões equivocadas.

Um arremesso lateral em abril de 2017, há exatos 2 anos em jogo válido pela Premier League entre Arsenal e Leicester, foi marcado por infrações e fez Alexis Sánchez terminar a partida com o lábio inchado como se pode ver no vídeo.


Fuchs estava tentando cobrar um arremesso lateral e seu adversário Alexis Sánchez não cumpria a distância regulamentar e o atrapalhava, saltando na sua frente. O árbitro ou o assistente deveria ter ido até o local e advertir verbalmente o jogador do Arsenal, mas como isso não foi feito, Fuchs cobra o lateral e acerta o rosto de Sánchez propositalmente.

Você é o árbitro e ao ver este lance:

- Advertiria verbalmente o jogador do Arsenal antes da cobrança?

- Daria cartão para o Sánchez pelos gestos e a distância da linha?

- Daria cartão para o Fuchs pela forma que arremessou a bola?

- Ambos merecem cartões?

- Qual a cor do cartão?

- Acontece mais de 1 infração?

- Se sim, qual ocorreu primeiro ou as duas acontecem ao mesmo tempo?

- Marcaria infração do jogador do Arsenal ou do Leicester?

- Como reiniciaria o jogo: arremesso Lateral, tiro livre indireto ou tiro livre direto e a favor de qual equipe?

Agora é hora de descobrir o que as regras dizem.

O arremesso lateral tem sua própria regra e alguns itens são fundamentais para analisar este lance:

- todos os adversários devem estar a pelo menos 2 metros de distância do ponto da linha lateral de onde o arremesso lateral deve ser executado;

- se um jogador, ao efetuar de forma correta um arremesso lateral, jogar a bola intencionalmente em um adversário com objetivo de voltar a jogá-la, sem que o faça de modo imprudente (falta de atenção ao cometer uma falta sem cartão), temerário (desconsidera o risco ao adversário, cartão amarelo deve ser aplicado) ou com uso de força excessiva (assume o risco de lesionar o adversário, punível com cartão vermelho), o árbitro permitirá que o jogo continue;

- um adversário que distrair ou impedir o executante de cobrar o arremesso lateral (inclusive aproximando-se a menos de 2 metros do local do arremesso) será advertido com cartão amarelo por conduta antidesportiva e, se o arremesso já tiver sido executado, será marcado um tiro livre indireto.

Já na regra 12, Faltas e Incorreções, tem uma parte que diz:

Se um jogador que esteja dentro ou fora do campo de jogo arremessar ou chutar um objeto (ou a bola que não a do jogo) em um jogador adversário, ou jogar ou chutar um objeto (inclusive a bola do jogo) em um substituto adversário, em um substituído ou em um jogador expulso, ou em um oficial de equipe, ou em um oficial de arbitragem, ou na bola do jogo, o jogo deve ser reiniciado com um tiro livre direto, cobrado do local onde o objeto atingir ou poderia atingir a pessoa ou a bola.

Na regra 5, o Árbitro, consta:

- O árbitro: • punirá a infração mais grave, considerando a punição, o reinício do jogo, a gravidade do contato físico e o impacto tático, quando ocorrerem mais do que uma infração ao mesmo tempo;

- o árbitro deve tomar as decisões do jogo com o máximo de sua capacidade, de acordo com as regras e o “espírito do jogo”, segundo sua opinião. O árbitro deve tomar as decisões do jogo com o máximo de sua capacidade, de acordo com as regras e o “espírito do jogo”, segundo sua opinião.

As regras muitas vezes se cruzam em um mesmo lance, por isso é fundamental o árbitro conhecer e dominar todas as regras, saber o conceito e aplica-la em campo, ainda mais em situações de jogo nada corriqueiras.

Alexis Sánchez com o lábio inchado após a partida
Alexis Sánchez com o lábio inchado após a partida Twitter/Alexis Sánchez

Alexis Sánchez não cumpriu a distância de 2 metros que diz a regra, ainda fez gestos para distrair o adversário. Fuchs cobra o arremesso lateral de forma correta, porém pode-se considerar uma ação bem no mínimo imprudente, porém mais temerária à uso de força excessiva. A própria regra diz que o árbitro vai tomar a decisão segundo sua opinião, o que muitas vezes dá margem à interpretações. E ainda tem o ponto da regra que se 2 infrações ocorrerem ao mesmo tempo, deve punir a mais grave.

Às vezes um lance que aparentemente é simples envolve várias indagações onde o árbitro precisa tomar uma decisão em pouquíssimos segundos. Se você viu o vídeo mais de uma vez para responder essas questões, lembre-se que principalmente em jogos sem o VAR (que é a maioria) ou mesmo com esse equipamento que só pode ser usado em casos específicos, o árbitro tem a única imagem do momento e deve tomar as decisões cabíveis.

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Massagista impede gol e elimina o próprio time

Renata Ruel
Renata Ruel

Romildo Fonseca da Silva evita gol do Tupi
Romildo Fonseca da Silva evita gol do Tupi Leonardo Costa/Tribuna de Minas

O que não falta no futebol são polêmicas e lances “apitorescos”.

E em setembro de 2013 jogavam Tupi e Aparecidense pelas oitavas de final do Campeonato Brasileiro série D, o primeiro jogo em Goiás terminou empatado em 1 x 1, já o jogo de volta em 2 x 2, mas com um lance inusitado onde o Fair Play passou bem longe.

No finalzinho do jogo, o massagista da equipe do Aparecidense, Romildo Fonseca da Silva, estava bem próximo da trave onde o goleiro de sua equipe defendia a meta, o atacante do Tupi finalizou com direção certa, a bola iria entrar, se o massagista não tivesse invadido o campo e tirado aquele que seria o gol da vitória da equipe Mineira e consequentemente sua classificação para a próxima fase.

A confusão foi criada, todos correndo atrás do massagista que conseguiu entrar no túnel para o vestiário antes de ser pego pelos adversários.

A situação gerou uma grande revolta e o árbitro teve trabalho para administrar, porém pela regra do jogo daquele ano, o correto a se fazer era paralisar a partida e reiniciar com bola ao chão e justamente foi a atitude tomada por Arílson da Anunciação que comandava o espetáculo.

Romildo provavelmente acreditou que classificaria sua equipe com aquela atitude, mas o jogo foi parar no STJD, que após julgamento excluiu a Aparecidense da série D em função de seu massagista impedir o gol e classificou o Tupi para a próxima fase da competição.

A regra mudou um pouco depois desse lance curioso, até então os oficiais de equipes relacionados em súmula eram considerados “agentes externos” e quaisquer interferências em campo punidas com um bola ao chão. Atualmente a regra diferencia os oficiais de equipes dos agentes externos (quem não está em súmula, gandulas, jornalistas, torcedores, etc.), atribuindo punições distintas para infrações cometidas. Em 2013 a punição para este lance seria bola ao chão, hoje um tiro penal contra a equipe do massagista seria marcado por ter entrado em campo e interferido no jogo impedindo um gol.

Às vezes é necessário que algo assim aconteça no campo para a International Board ajustar e mudar as regras do jogo de forma a contribuir para um justo resultado final.

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International Board difere ombro de braço para infrações

Renata Ruel
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Árbitro Damir Skomina sinaliza infração por 'mão na bola' durante PSG x Manchester United
Árbitro Damir Skomina sinaliza infração por 'mão na bola' durante PSG x Manchester United Getty Images


A Internacional Board (IFAB) responsável pelas alterações nas regras, definiu as que entrarão em vigor a partir de 1 de junho. Deixando à cargo das instituições se os campeonatos suspensos em função do COVID-19 ao reiniciarem seguem com as regras antigas ou adotam as novas. Também aos que começarão antes de junho, como costuma acontecer com o Brasileirão, se adotarão as novas regras ao início da competição ou deixarão para a próxima temporada.

A análise feita em relação à utilização do VAR é de grande valia e aceitação.

As mudanças não são tantas como já vistas alguns anos atrás, mas têm as mais significativas e dentre elas estão:

- Quando uma partida for definida nas decisões por pênaltis, os cartões aplicados aos jogadores durante o tempo normal e a prorrogação não serão considerados nas penalidades;

- Nas cobranças de pênaltis se o goleiro cometer uma infração a primeira advertência será verbal e se houver reincidência cartão amarelo;

- Cartão amarelo para o jogador que não respeitar os 4 metros de distância no bola ao chão;

- Os goleiros não serão penalizados por qualquer infração se, após a execução de uma penalidade, a bola não entrou no gol nem se recuperou dele (sem ser tocada pelo goleiro), a menos que o ataque afete claramente o atirador. Antes pela regra o pênalti deveria ser cobrado novamente se o goleiro se adiantasse e o cobrador chutasse na trave, para fora ou houvesse a defesa;

-  A mão "acidental" de um atacante ou companheiro de equipe será marcada se o contato ocorrer imediatamente antes de marcar um gol ou uma chance clara. Aclarando o ponto de interferência de uma mão factual, mas acidental;

- Infração por mão: o limite superior do braço coincide com o ponto mais baixo da axila (vide figura 1).

Ilustração de infração por 'mão'
Ilustração de infração por 'mão' []

Agora é aguardar as alterações entrarem em vigor e ver como o futebol as recebem.

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A descontração dos torcedores nas cantadas pelos estádios

Renata Ruel
Renata Ruel

Foram 15 anos pelos campos atuando, e a quantidade de coisas que escutei, vi e vivenciei daria um livro.

Mas aqui quero falar de algumas passagens engraçadas em que realmente a criatividade das pessoas me fizeram rir.

Eu sempre fui muito focada para os jogos: se às vezes os jogadores falavam comigo e com tamanha concentração não os ouvia, o que dizer então de escutar torcedores em momentos de tomadas de decisões - parecia que eu entrava numa bolha e nada escutava. Raramente olhava para a arquibancada ou para o que não fizesse parte do que exigia a minha função.

Porém, ao entrar em campo para aquecer, fazer vistoria, sair no intervalo ou término, retornar para o segundo tempo, por vezes eu conseguia escutar algumas coisas.

Renata Ruel em ação pelo Campeonato Paulista no duelo entre São Bernardo e São Paulo
Renata Ruel em ação pelo Campeonato Paulista no duelo entre São Bernardo e São Paulo Gazeta Press

Ao ir me posicionar saindo do meio-campo, caminhando em direção à linha lateral para o início do segundo tempo, em um estádio lotado e com o alambrado bem próximo, um torcedor grita: “Bandeira, você com esse coxão/colchão e eu dormindo no chão.” Confesso que olhei para o torcedor, dei risada junto com os parabéns pela criatividade e me posicionei para o jogo.

A outra foi quando entramos no gramado e em função dos procedimentos fomos toda a equipe de arbitragem vistoriar as redes. Atrás de um dos gols, um torcedor grita: “Bandeirinha, se você fosse um sanduíche seria uma X-Princesa.” Não somente eu, mas todos os árbitros que estavam comigo começaram a rir muito e até olhamos para o torcedor rindo.

Gaciba explica como árbitros estão mantendo a forma durante parada por conta do coronavírus

Tiveram pedidos de casamento, jogadores que paravam e ficavam olhando, treinador falando do perfume, assim como jamais conseguiria citar muitas coisas de tão asquerosas.

Os xingamentos que sofri não chamavam minha atenção, posso dizer que de certa forma até ajudavam a manter o foco, por mais estranho que possa parecer. Mas as falas criativas, quando as escutava, trazia um ar de descontração.

Lembrando que "não é não".

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Profissionalização dos árbitros de futebol: utopia ou realidade?

Renata Ruel
Renata Ruel
Leandro Vuaden e assistentes, antes de Atlético-MG x Botafogo
Leandro Vuaden e assistentes, antes de Atlético-MG x Botafogo Gazeta Press

Será utopia ou realidade a tão falada profissionalização do árbitro de futebol?

A Lei que regulamenta a profissão existe desde outubro de 2013 e se restringe somente ao árbitro de futebol. Entretanto, nada de concreto foi feito para a arbitragem.

Dentro da arbitragem há várias categorias, onde os árbitros de elite praticamente vivem das taxas de arbitragem, pois fazem jogos em torno de duas vezes por semana e as viagens são constantes sendo difícil conciliar com emprego fixo. Já os árbitros que atuam mais em categorias de base precisam trabalhar além dos jogos das suas federações para complementar a renda, onde muitos árbitros vão para o futebol amador, isto é, em campeonatos internos de clubes, de empresários, os torneios de várzea, pois também é um dinheiro extra que ganham.

A remuneração é feita por jogo, ou seja, se o árbitro trabalhar ele ganha, caso contrário não. Os árbitros de elite tem jogos de Janeiro à dezembro, já os outros dependem muito de cada federação, por exemplo, na Federação Paulista em janeiro tem a Copa São Paulo de Futebol Júnior, depois os árbitros das categorias inferiores só voltam a trabalhar em abril e a quantidade significativamente de jogos já começam a diminuir em setembro/outubro.

Ou seja, muito se fala da elite da arbitragem, mas pouco dos outros árbitros que normalmente conseguem uma renda melhor durante apenas 6/7 meses no ano.

Outro ponto relevante é que as escalas são feitas através de escolhas das comissões de arbitragem, ou seja, um árbitro pode ter 5 jogos em um mês e outro apenas 1 e não se pode deixar de citar os árbitros que são punidos e também ficam sem jogos.

Há de se dizer também que os valores das taxas mudam conforme os campeonatos, as categorias e as funções dos árbitros, isso aqui no Brasil, onde Brasileirão masculino é um valor bem distinto do feminino, ainda difere das taxas da Copa do Brasil, por exemplo. A Conmebol paga a mesma taxa para o árbitro, assistente e quarto árbitro, a distinção dos valores fica por conta dos torneios.

Com os campeonatos paralisados em função do COVID-19, os árbitros não têm ganho algum, muitos esperam as escalas, consequentemente as taxas, para pagarem as contas, fazendo uma projeção de ganhos, já que as escalas não são certas.

A Federação de Pernambuco, após ajudar os clubes, repassou o aporte financeiro de R$10.000,00 para o sindicato dos árbitros justamente alegando que muitos vivem exclusivamente da arbitragem.

A Federação Paulista e a CBF até o momento não se pronunciaram em relação à arbitragem. O presidente do Sindicato dos Árbitros de SP solicitou à FPF um aporte, mas ainda não obteve resposta.

A Federação Paulista todo ano tem uma verba destinada à premiação dos melhores árbitros do Paulistão, uma quantia significativa que ajudaria muito neste momento que não há jogos, uma quantia que poderia ser dividida para toda categoria e não somente para a elite da arbitragem. Poderia ser uma alternativa para estes tempos difíceis de pandemia.

Porém, estas alternativas imediatistas resolvem a questão da arbitragem à curto prazo. É no caso pensar em realmente profissionalizar, que seja com contrato Pessoa Jurídica, que seja criando entidades de arbitragem concorrentes (como já acontece na várzea), desvinculando à arbitragem de federações e CBF.

O futebol está em constante evolução, cada vez se exige mais do árbitro de futebol, é sabido que aprimoramentos são feitos, investimentos em psicologia, mas é necessário mais, a lei que regulamenta a profissão existe, é preciso coloca-la em prática.

“Presidência da República

Casa Civil

Subchefia para Assuntos Jurídicos

LEI Nº 12.867, DE 10 DE OUTUBRO DE 2013.

Mensagem de veto

Regula a profissão de árbitro de futebol e dá outras providências.

A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º A profissão de árbitro de futebol é reconhecida e regulada por esta Lei, sem prejuízo das disposições não colidentes contidas na legislação vigente.

Art. 2º O árbitro de futebol exercerá atribuições relacionadas às atividades esportivas disciplinadas pela Lei nº 9.615, de 24 de março de 1998, destacando-se aquelas inerentes ao árbitro de partidas de futebol e as de seus auxiliares.

Art. 3º (VETADO).

Art. 4º É facultado aos árbitros de futebol organizar-se em associações profissionais e sindicatos.

Art. 5º É facultado aos árbitros de futebol prestar serviços às entidades de administração, às ligas e às entidades de prática da modalidade desportiva futebol.

Art. 6º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 10 de outubro de 2013; 192º da Independência e 125º da República.

DILMA ROUSSEFF

Manuel Dias

Aldo Rebelo

Luís Inácio Lucena Adams”

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