Além dos insultos: o depoimento de dois árbitros sobre o racismo no futebol brasileiro

Renata Ruel
Renata Ruel

         
     

Foram 15 anos pelos mais diversos gramados, desde jogos amadores até profissionais, em que vivenciei de tudo um pouco: preconceito, discriminação e racismo. Essas são situações constantes e comuns para quem trabalha com o futebol.

Em uma partida válida pela Copa Paulista, no tradicional campo do Nacional, em São Paulo, um fato me marcou tanto que até hoje, anos depois, guardo comigo. O mandante era o Juventus, cuja torcida estava atrás de mim, dos bancos de reservas e do quarto árbitro. De repente escuto vozes se referindo ao quarto árbitro Alysson Fernandes Matias como “macaco”.

Olhei para trás e vi dois senhores, de cabelos grisalhos, proferindo a injúria racial. Quis parar o jogo, chamar a polícia, fazer a denúncia. Confesso que aquilo tirou minha concentração do jogo por alguns instantes, fato raríssimo, mas a revolta que senti foi gigantesca. Eu falava para o quarto árbitro parar o jogo e denunciar, mas ele dizia para deixar, para esquecer e se aproximou de mim dizendo “Já estou acostumado com isso”,

 “Como árbitro já sofri muito com racismo”, recorda o próprio Alysson, que ainda atua como árbitro pela Federação Paulista de Futebol, em depoimento ao blog. “Lembro de outro em Osasco, onde estava apitando, alguém na arquibancada começou a me ofender, também me chamou de macaco. Todos ouviram, somente a assistente gritou para parar o jogo, ninguém mais no estádio se manifestou, e a pessoa foi identificada como um dos dirigentes de um dos clubes. Deixei o jogo seguir”.

Não acaba aí.

'Say no to racism': mensagem em telão de estádio durante jogo da Champions League
'Say no to racism': mensagem em telão de estádio durante jogo da Champions League Getty Images

Alysson diz que é comum escutar diversas coisas, como por exemplo quando atua com a cor preta de uniforme: "Está sem roupa juiz, só fez uma tatuagem na perna”.

Outro árbitro que também falou um pouquinho sobre sua vida pelos gramados foi Claudenir Donizeti Gonçalves.

“Na minha opinião o pior tipo de racismo é quando ouço: ‘eu não sou racista.’ No exercício da profissão de árbitro já pude presenciar alguns tipos de insultos, tais como: "Mascote da Ponte Preta"; "Bola 8"; "Se não c*** na entrada, c*** na saída"; "galinha do céu"; "chiclete de onça" entre tantos outros. Em um jogo na cidade do Votuporanga, um torcedor me xingou de "preto, macaco". Quando virei e fiz menção de chamar o árbitro, os torcedores que estavam próximos ao indivíduo trataram de fazer com que o mesmo deixasse a região que estava, e aí não consegui mais identificá-lo”.

Alysson Fernandes não aceita mais sofrer racismo: “De uns anos para cá já diminuiu muito devido à repercussão que isso toma, hoje com certeza já não tolero isso, seja onde for. Acredito que o racismo nunca irá acabar, apenas as pessoas racistas ficam camufladas com vontade de falar, mas as punições e as redes sociais estão ajudando a combater isso”.

Segundo Claudenir Donizeti: “As leis já existem, o que falta é um pouco de boa vontade de aplicá-las. No esporte, que é o meio em que estamos inseridos, acredito que as organizações desportivas deveriam combater com mais afinco e deixar de simplesmente cobrar multas, e passar a empregar algo como desclassificação, perda de mando, rebaixamento, entre outros, de uma forma que a sociedade possa enxergar que algo está sendo feito”,

No futebol vemos muitos jogadores negros, porém pouquíssimos árbitros, treinadores e profissionais de outras funções na chamada elite do esporte mais praticado no mundo.

O que jogadores de PSG e Instanbul fizeram, ao deixar o campo depois de uma injúria racial do quarto árbitro, é uma reação histórica. Entretanto, é preciso que essa solidariedade aconteça sempre, não importa quem cometa o crime ou quem seja a vítima. Isso é pensar e agir em função do ofendido, independentemente de quem tenha sido o ofensor.

Comum sim, normal jamais. E que esse comum deixe de existir o quanto antes. Infelizmente e tristemente o racismo e a falta de consciência sobre o assunto ainda existem. Mas nunca é tarde para evoluirmos como seres e nos tornarmos mais humanos. O futebol é um excelente instrumento para isso.


         
     
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CBF não cumpre protocolo do VAR em caso de invalidar uma partida e pode causar dano ao campeonato

Renata Ruel
Renata Ruel
Árbitro checa o VAR durante jogo entre Santos e Vasco, pelo Brasileiro
Árbitro checa o VAR durante jogo entre Santos e Vasco, pelo Brasileiro Getty

Não é apenas na regra do jogo que a interpretação reina, mas também no protocolo do VAR. O que deveria ser ‘claro e óbvio’, acaba deixando brechas perspectivas distintas e dando margem para os clubes, não somente o Vasco, pedirem a invalidação dos seus jogos, sem entrar no mérito de erro de direito ou de fato da partida.

No protocolo do VAR disponível no site da CBF, é possível observar três detalhes e em lugares diferentes no documento sobre o mesmo assunto.

Na página 25 do protocolo diz:

“Uma partida não pode ser invalidada devido a:  Defeito(s) na tecnologia do VAR (inclusive na tecnologia da linha de gol – GLT);  Decisão errada envolvendo o VAR (dado que o VAR é um membro da arbitragem); decisão de não revisar um incidente; revisão de uma situação não revisável".

Já na página 36 o texto traz:

Em princípio, uma partida não é invalidada devido a: Defeito(s) da tecnologia do VAR (quanto à tecnologia da linha do gol (GLT); Decisão errada envolvendo o VAR (visto que o VAR é um membro da arbitragem); Decisão de não revisar um incidente; Revisão(ões) de situação / decisão não passível de revisão".

E na página 44 está justamente o que a CBF não cumpre:

“5.1.14 Decisões revisadas incorretamente / tecnologia com defeito / ação disciplinar:


         
     

As competições deverão indicar claramente em seus regulamentos que uma partida não será invalidada devido a:  Defeito(s) na tecnologia do VAR (inclusive no que se refere à tecnologia da linha de gol (GLT); Decisão errada envolvendo o VAR (dado que o VAR é um membro da arbitragem); a decisão de não revisar um incidente / decisão; a revisão de uma situação / decisão não revisável.”

O protocolo apresenta primeiro que “não pode” ser invalidade, depois que “em princípio” que significa “em tese, em teoria, de modo geral” não é invalidade, ou seja, não é algo absolutamente impossível a anulação, caso ocorra algo excepcional o “em princípio” dá a entender que uma invalidação possa acontecer, e por último, mas muito importante, que todas as competições devem (essa palavra é relevante – dever) indicar em seus regulamentos por quais motivos uma partida não será invalidada.

A grande questão é justamente que a CBF não tem essa indicação do protocolo do VAR em nenhum dos seus regulamentos, seja no regulamento geral da competição, seja do regulamento específico de cada competição, no caso deveria constar, no mínimo, no regulamento da Série A do Brasileirão e da Copa do Brasil que utilizam o VAR (árbitro de vídeo).

A organização de uma competição é algo muito sério e tudo precisa ser previsto e cumprido para evitar problemas, detalhes são fundamentais.


         
     

Desta forma, será que não torna possível a invalidação de vários jogos do Campeonato Brasileiro, inclusive o do São Paulo onde a CBF admitiu o erro?

Comunicação do VAR

Sobre o áudio e as imagens do VAR disponibilizadas do jogo entre Vasco x Internacional, se percebe uma confusão gigantesca na comunicação, inclusive apressando o procedimento.

Dentro do protocolo do VAR, dois itens sobre isso chamam a atenção:

“7. Seja qual for o processo de revisão, não pode haver pressão para que uma decisão seja revisada rapidamente, pois a precisão é mais importante que a pressa”, página 23

E na página 54 o texto traz:

“A comunicação efetiva entre o árbitro e o VAR (e outras pessoas chave, ex., ROs e RAs) será essencial, sendo que os protocolos, na medida do possível, deverão assegurar uma comunicação de alta qualidade para minimizar erros ou mal-entendidos. Será importante estabelecer os protocolos de comunicação, linguagem e frases e os meios de iniciar e terminar fases de intercâmbio de informações. O IFAB fornecerá a diretriz mas os protocolos exatos de comunicação deverão ser elaborados por cada associação nacional de futebol / competição para estarem consistentes com, e refletirem, os protocolos, linguagem e vocabulário já em uso nos sistemas de comunicação dos membros da arbitragem. Até porque cada país tem sua linguagem e fraseologia de futebol particular. Em termos simples, todos os protocolos de comunicação deverão: incentivar o árbitro a liderar as conversas; usar linguagem simples e clara;  manter a quantidade de comunicação a um mínimo; evitar negativas o máximo possível, ou seja, não dizer ‘não é impedimento’ pois há um risco de não se ouvir a palavra “não”; usar terminologia oficial técnica o máximo possível, ou seja, “Azul 7 é culpado de conduta violenta, por golpear o adversário o Vermelho Nº 7, fora da disputa da bola”;  entender o valor e os perigos de perguntas muito amplas ou muito resumidas (abertas e fechadas);  na medida do possível, o árbitro deverá reconhecer toda a comunicação do VAR (e vice-versa) idealmente, repetindo as informações recebidas para evitar mal-entendidos.”

Não há dúvida que houve falha na comunicação e algo precisa ser feito urgentemente para que seja mais eficaz e clara.

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A expulsão de Rodinei e o cartão laranja - A arte de arbitrar um jogo de futebol

Renata Ruel
Renata Ruel

Rodinei, do Internacional, foi expulso na ‘final' do Campeonato Brasileiro contra o Flamengo em um típico lance para cartão laranja, na minha opinião. Ao disputar a bola, o lateral-direito pisou na altura do tornozelo direito de Filipe Luís, jogada que fica entre intensidade média à alta, cartão amarelo e vermelho, força média,  porém o jogador não é impetuoso, e, desta forma, o árbitro vai analisar outros vários fatores para definir a cor do cartão, como explicarei abaixo. 

Há elementos para segurar o cartão amarelo, sim, entretanto quando ocorre pisão que entorta o tornozelo do adversário os árbitros têm expulsado – até por isso, o árbitro de vídeo sugeriu a revisão.

Ou seja, em um eventual cartão laranja há fatores para defender o cartão amarelo e o vermelho, exatamente o que aconteceu neste lance do Rodinei. E como no futebol a interpretação reina, e critérios muitas vezes são um problema, alguns concordarão com a expulsão enquanto outros, não.

Você já viu um cartão laranja em algum jogo profissional? Ou já escutou alguém dizer: “Era lance para cartão laranja.”? Eu confesso que ao analisar alguns lances já usei esta frase.

Mas o cartão laranja realmente existe?

Não, o cartão laranja de forma física, como matéria, não existe no futebol. Assim como também não existe nas regras do jogo. Entretanto, nas orientações e na prática de arbitragem essa cor de cartão é avaliada pelo árbitro no momento de tomar decisão.

Rodinei acerta Filipe Luís e é expulso contra o Flamengo; veja


O que significa um cartão laranja?

É sabido que em muitos lances a interpretação reina. Contudo, o árbitro deve analisar cada jogada dentro das regras do jogo e das orientações e diretrizes recebidas através dos instrutores. São vários pontos a serem analisados, em pouquíssimo tempo, para uma tomada de decisão, entre eles: a regra; o tempo jogado; o controle de jogo; a leitura da partida - que pode mudar conforme o desenrolar do jogo; a ‘temperatura’ do jogo e dos envolvidos nele - jogadores, comissão técnica (calmos ou nervosos); estado do gramado - com chuva ou sol; critérios a serem adotados pela arbitragem; fase do campeonato; o próximo jogo daquela equipe; e não param por aí.

Em função disso, dentro das orientações recebidas pelos árbitros, alguns lances se tornam cartão laranja. Isso significa que a infração está entre um cartão amarelo e um cartão vermelho, intensidade e força de médias a altas, a impetuosidade do jogador no lance, o ponto de contato, o momento do jogo e os outros fatores citados acima. Ou seja, o árbitro analisará vários fatores para uma tomada de decisão na escolha do cartão entre o amarelo e o vermelho, já que o laranja não existe na prática.

Participei, em 2019, na França, de um curso da Fifa em que a entidade usou um exemplo de palheta de cores (que começava no branco, evoluía por vários tons de amarelo, passava pelo laranja e, finalmente, chegava ao vermelho) que sugere analisar as faltas entre: sem cartão; entre sem cartão e cartão amarelo; entre cartão amarelo e vermelho; aquele cartão vermelho unânime, ou seja, muito vermelho. Desta forma, ilustrando aos árbitros onde a decisão disciplinar se encaixava em relação aos vídeos-testes realizados.

Costumo dizer que nenhum árbitro consegue terminar um jogo "apitando com um livro de regras embaixo do braço". Arbitrar um jogo envolve muitas coisas, além de conhecer as regras, é preciso conhecer e entender de futebol, conhecer as equipes e os jogadores, entender o ambiente, fazer a leitura correta de cada momento da partida, mudar o estilo de arbitragem conforme o jogo pede. 

Atuar em uma partida de futebol é quase uma arte, não é simples, não é fácil e, por isso, não é qualquer pessoa que chega próximo à excelência na arbitragem. Além de que, a interpretação é fato e, com isso, a uniformidade de critérios é um grande desafio.

Raphael Claus apitou Flamengo x Internacional
Raphael Claus apitou Flamengo x Internacional Gazeta Press

Gol de Pedro anulado e o problema nas arbitragens de Raphael Claus

Pedro roubou a bola com falta e marcou mais um gol para o Flamengo que foi confirmado pela arbitragem no campo. Porém, esse lance é o chamado App pelo protocolo do VAR, quando há uma infração e sai o gol - neste caso, a recuperação de bola ocorreu através de uma falta não marcada em campo e que deu origem ao ataque resultando em gol.

O Raphael Claus é um ótimo árbitro, porém um dos problemas persistentes em sua arbitragem tem sido justamente a não marcação de faltas que tem dado origem a gols. Só recordar o lance do GreNal, ainda no Brasileirão, em que Thiago Galhardo sofreu falta no ataque, Claus não marcou, o Grêmio recuperou a bola e fez o gol. 

Nas eliminatórias para a Copa do Mundo, Claus anulou o gol de Messi na partida entre Argentina e Paraguai, após o VAR sugerir revisão por falta na origem da fase de ataque no meio-campo. 

O fato é que as polêmicas de arbitragem no futebol nunca terão um fim. Mesmo com o VAR.

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Mundial de Clubes é decidido com gol irregular; com o VAR, nada pode passar despercebido

Renata Ruel
Renata Ruel

O Bayern de Munique se sagrou campeão mundial pela quarta vez ao ganhar pelo placar de 1 a 0 da equipe do Tigres do México.

Entretanto, o gol da vitória, marcado por Benjamin Pavard, foi irregular. No campo, o assistente marca impedimento na origem da jogada no cabeceio de Lewandowski, anulando o tento. O árbitro de vídeo faz a checagem protocolar e valida o gol do time alemão.

A questão é que o VAR checou somente o impedimento, mas não todo o lance - como deve ser - e deixou passar um toque de braço, totalmente acidental, de Lewandowski após o cabeceio. A bola, então, sobrou para Pavard, que jogou para dentro das redes.

Árbitro Esteban Ostojich faz o gesto do VAR e confirma o gol (irregular) do Bayern na final do Mundial de Clubes
Árbitro Esteban Ostojich faz o gesto do VAR e confirma o gol (irregular) do Bayern na final do Mundial de Clubes Getty

A regra foi mudada com a justificativa de que o futebol não aceita gol de mão mesmo que seja acidental. E o texto da regra 12 do jogo diz: “Somente será marcada uma mão acidental de um atacante ou de um companheiro, se for criada, imediatamente, uma oportunidade de gol ou marcado um gol.”

Foi justamente o que ocorreu: após o toque acidental no braço de Lewandowski, foi criada uma oportunidade e na sequência um gol foi marcado. Ou seja, o tento foi irregular e o VAR deixou passar, somente se atentou à questão do impedimento.

Se o VAR no jogo Palmeiras x River Plate pela Conmebol Libertadores deu uma aula, não deixou passar absolutamente nada, sendo motivo de grandes elogios, hoje não se pode dizer o mesmo. Infelizmente, a falha na revisão deu o gol do título mundial ao Bayern, porém o mesmo VAR arrumou o erro do assistente que assinalou impedimento no campo e a posição era legal.

A ferramenta VAR é boa, precisa de aprimoramentos sim, mas o investimento em quem trabalha com ela é ainda mais necessário.

Com uma ferramenta desta, nada pode passar despercebido.

Palmeiras perde para o Al Ahly nos pênaltis e termina Mundial com pior posição da história entre os sul-americanos. VEJA!


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Claus e Daronco cometem erros em jogos decisivos do Brasileiro

Renata Ruel
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Ceni chama Claus de 'melhor juiz do Brasil', mas questiona critério em lances de Diego e Léo Matos


O Brasileirão está entrando na reta final, e um erro de arbitragem pode definir título, classificação e rebaixamento.

Dois árbitros do quadro Fifa, que estão entre os melhores do Brasil, apitaram partidas importantes na 34° rodada do campeonato.

Raphael Claus apitou Flamengo 2 x 0 Vasco, assinalou um pênalti em Bruno Henrique após o VAR sugerir revisão. Pênalti bem marcado, em um lance onde não há disputa de bola, somente um empurrão nas costas. 

Porém, mesmo tendo o recurso do vídeo, o Claus não aplicou cartão para Léo Matos que já tinha amarelo na partida. Se o Claus entendesse como uma infração que impediu um ataque promissor seria cartão amarelo (segundo amarelo resultaria no vermelho), se entendesse que era uma oportunidade clara de gol seria para cartão vermelho direto, o que não encaixa na jogada é não ver nenhum dos dois como ganhos táticos ao cometer a infração. 

Eu vejo como ataque promissor em função do goleiro ainda estar na disputa de certa forma e no momento do empurrão a bola não ter um domínio da bola claro. O Flamengo marcou o gol de pênalti e teria um jogador a mais durante o segundo tempo inteiro.

Anderson Daronco apitou um jogo de dois times que brigam contra o rebaixamento, que terminou Fortaleza 3 x 1 Coritiba. O VAR também interveio neste jogo para a análise de um pênalti, onde o árbitro após revisar no vídeo marcou penalidade para o Fortaleza numa ação de bloqueio da bola com a mão do defensor do Coritiba em uma bola que tinha a direção do gol. 

O goleiro Wilson defendeu a cobrança, novamente o VAR entrou em ação e viu que o goleiro se adiantou, desta forma a cobrança tem que ser repetida. Porém, Daronco aplicou cartão amarelo para o goleiro que já tinha e foi expulso. 

Raphael Claus durante final do Paulistão entre Corinthians e Palmeiras
Raphael Claus durante final do Paulistão entre Corinthians e Palmeiras Cesar Greco/Ag Palmeiras

O erro está no segundo cartão amarelo por se adiantar. A regra fala que quando o goleiro se adiantar em uma cobrança de pênalti cometendo uma infração, neste caso defendendo a cobrança, o pênalti deve ser repetido e a primeira advertência será verbal, e somente se o goleiro repetir a infração que receberá cartão amarelo.

Os árbitros Fifa são humanos e também estão sujeitos a erros, mas certos erros, para quem tem esse pesado escudo no peito, ficam difíceis de explicar...

Fonte: Renata Ruel

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Os frutos da Academia x Os Meninos da Vila

Renata Ruel
Renata Ruel

No próximo sábado, teremos uma final inédita da Conmebol Libertadores entre os clubes brasileiros/paulistas, Palmeiras x Santos, após ambos eliminarem times argentinos nas semifinais, respectivamente River Plate e Boca Juniors.

O FOX Sports transmite ao vivo a final da Conmebol Libertadores, entre Palmeiras e Santos, no próximo sábado, 30 de janeiro, a partir das 17h (horário de Brasília). A decisão também terá acompanhamento em tempo real do ESPN.com.br, com VÍDEOS de lances e gols. E quando a bola parar, a melhor cobertura pós-jogo será na ESPN Brasil e no ESPN App, com entrevistas, festa do título e muita análise e opinião em SportsCenter e Linha de Passe, entre 19h e 0h. 

Com situações financeiras bem distintas, sendo que o Santos sofreu punições da FIFA (não podendo contratar e tendo dívidas gigantescas), os dois clubes fizeram ótimas campanhas para chegar a finalíssima. O Palmeiras trocou de técnico durante a competição, de Vanderlei Luxemburgo para o português Abel Ferreira; a equipe santista começou com Jesualdo Ferreira, demitido antes do início do Brasileiro, e contratou Cuca.

Porém, se tem algo que ambas as equipes têm em comum é o fato de darem oportunidades para os meninos da base na equipe principal nesta temporada e obterem sucesso nas apostas.

Paredão' x 'cara do equilíbrio' em Palmeiras e Santos; assista

Quando se revela grandes craques, nem sempre se observa o trabalho desenvolvido na base na vida desses atletas. Na base é onde se desenvolve a técnica, a tática, as habilidades como, por exemplo, a tomada de decisão, trabalho em equipe, liderança. Mas isso só na base? Claro que não, as habilidades são treináveis mesmo depois dos atletas estarem no profissional, entretanto quando se tem um bom trabalho de base o resultado aparece logo de cara.

Outro ponto relevante na carreira de um jogador é o momento de transição de categorias e até mesmo de modalidades se for o caso, pois muitos jogadores começam praticando o futsal e as transições futsal-futebol e base-profissional devem ser feitas de maneira adequada para não se perder um possível talento em um momento crucial.

Para isso é fundamental profissionais muito bem qualificados para trabalhar tanto com a base quanto com a transição dos atletas. O investimento na base traz bons frutos, inclusive financeiramente para os clubes em vendas futuras de seus jogadores.

Jogadores de Santos e Palmeiras disputam a bola durante clássico pelo Brasileiro
Jogadores de Santos e Palmeiras disputam a bola durante clássico pelo Brasileiro Getty

O Santos é tradicionalmente conhecido pelos “Meninos da Vila”, por revelar a garotada da base com êxito, onde a sua torcida, diferenciadamente de outras, apoia e tem paciência com os meninos que estreiam no profissional, onde um bom trabalho de transição base-profissional é fundamental para que esses meninos se solidifiquem no futebol. Dentre os grandes nomes o Santos conta com Neymar, Rodrygo, Diego, Gabigol, Robinho, sendo que estes passaram pelo futsal do clube, uma modalidade que entra como grande referência nas habilidades apresentadas por esses meninos em seu período formativo e que conquistaram seus primeiros títulos no clube através dessa modalidade.

O Palmeiras tem o histórico título de “Academia de Futebol”, onde alegava-se que ao ver a equipe jogando era como assistir uma verdadeira “aula de futebol” nos anos 60 e 70. Apesar de não ter a mesma tradição santista ao revelar jogadores, o time da Academia recentemente apresentou ao mundo Gabriel Jesus, atualmente jogador do Manchester City.

Veja quem são os principais “Meninos da Vila” atualmente no profissional do Santos:

Goleiros:

- Jonh, 24 anos, no Santos desde 2011

- João Paulo, 25 anos, no Santos desde 2011

- Vladimir, 31 anos, no Santos de 2003

Zagueiros:

- Lucas Veríssimo, 25 anos, no Santos desde 2013 (2021 – Benfica)

Meio-campistas:

- Sandry, 18 anos, futsal do Santos, no clube desde 2013

- Vinicius Balieiro, 21 anos, no Santos desde 2017

- Ivonei, 18 anos, futsal Santos, no clube desde 2013

- Lucas Lourenço, 20 anos, futsal Santos, no clube desde 2010

Atacantes:

- Kaio Jorge, 19 anos, futsal Santos, no clube desde 2012

- Ângelo, 16 anos, no Santos desde 2015

- Marcos Leonardo, 17 anos, no Santos desde 2014

- Bruno Marques, 21 anos, no Santos desde 2018

As principais apostas da base da Academia do Palmeiras são:

Goleiro:

- Vinicius, 26 anos, no Palmeiras desde 2006

Lateral:

- Lucas Esteves, 20 anos, no Palmeiras desde 2014

Meio-Campistas:

- Danilo, 19 anos, no Palmeiras desde 2018

- Gabriel Menino, 20 anos, no Palmeiras desde 2017

- Patrick de Paula, 21 anos, no Palmeiras desde 2017

- Gabriel Verón, 18 anos, no Palmeiras desde 2017

Atacantes:

- Wesley, 21 anos, no Palmeiras desde 2016

- Gabriel Silva, 18 anos, no Palmeiras desde 2015

Da safra de jogadores atuais que vieram da base do Santos e estão se destacando em times profissionais, ainda pode-se citar o Yuri Alberto do Internacional, o Claudinho do RedBull Bragantino e o Caio Henrique do Monaco com passagens pelo futsal e base do clube santista.

Fonte: Renata Ruel

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Interferência direta nos resultados e na classificação: a rodada mais polêmica do Brasileiro

Renata Ruel
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Jogadores do Grêmio reclamam
Jogadores do Grêmio reclamam RICHARD DUCKER / FRAMEPHOTO / GAZETA PRE

A 32ª rodada foi a mais polêmica do Campeonato Brasileiro para a arbitragem. Interferências diretas em resultados finais e na classificação, bem na reta final da competição, quando erros podem ser fatais para decretar um campeão, classificado para Conmebol Libertadores ou rebaixamento.

Vamos aos fatos:

São Paulo x Coritiba: Luciano poderia ter sido expulso por segundo cartão amarelo após dar uma entrada por trás em jogador do Coritiba, isso aos sete minutos do segundo tempo, ou seja, apenas seis antes de fazer o gol do São Paulo.

Vasco x Atlético-MG: o VAR acertou duas vezes, no primeiro pênalti para o Atlético-MG, o qual há infração de braço na área do jogador do Vasco – e a forma que ocorre realmente torna difícil a visualização do árbitro em campo. E depois para rever o pênalti marcado também a favor da equipe mineira. 

Internacional x Grêmio: pênalti não marcado para o Grêmio em cima de Ferreira, que foi empurrado nas costas no momento que estava saltando, dominando a bola, com os pés no ar e foi tocado dentro da área em uma ação faltosa que o desequilibra. O pênalti do Internacional é polêmico, confesso que, na imagem que tinha visto, à princípio, não vi infração e opinei dizendo que não havia sido penalidade. Porém, após receber novas imagens, com ângulo melhor e câmera lenta, vejo o Kannemann ampliando o espaço corporal com um movimento adicional de braço após a bola ser cabeceada para o gol. Desta forma dentro da regra atual e orientações a arbitragem acertou no pênalti. 







Ceará x Palmeiras: não vejo pênalti. Contato em cima de jogo, não há carga faltosa. Jogador do Ceará já projetava o corpo para frente, e o braço não é o suficiente para derrubar ou desequilibrar o atacante. Embaixo o Patrick pega a bola. Contato de jogo, não marcaria penalidade.

Santos x Goiás: pênalti não marcado para o Santos com um toque de braço na área aos 11 minutos do segundo tempo, quando o jogo estava 2 a 1 para a equipe santista. Os árbitros recebem instruções que aquela "asa" ou "alça de xícara" criado pelo jogador é movimento de ampliar espaço corporal numa ação de bloqueio, então um pênalti deve ser marcado. Foi o que aconteceu no lance. Soteldo cruza a bola na área, e o jogador do Goiás a intercepta de forma faltosa, ampliando o espaço corporal, conhecido na arbitragem como um “braço de xícara”. Pênalti para o Santos não marcado. Muitos pênaltis foram marcados assim no campeonato, mas esse não.
Salvo o jogo Vasco x Atlético-MG, no qual os possíveis erros foram corrigidos, não causando danos, em todas essas outras partidas citadas, os erros interferiram no decorrer dos jogos e em seus resultados finais, no meu entendimento.

A interpretação reina no futebol perante as regras do jogo, que nada têm de claras, porém ainda é preciso aprimorar conceitos e a uniformidade de critérios tanto no campo quanto no VAR – ainda que acabar com as polêmicas do futebol seja praticamente impossível.

Na Série B, quarto árbitro salva arbitragem em jogo do Cruzeiro

Fabio, goleiro do Cruzeiro, foi muito bem expulso após tocar a bola com as mãos fora da área de forma deliberada e impedir uma oportunidade clara de gol do Náutico. O fato pitoresco fica por conta de ter sido o quarto árbitro, Gabriel Murta Barbosa Maciel, o responsável por avisar o juiz da partida Flávio Souza da ação do goleiro. 

A intervenção do quarto árbitro está dentro das regras, foi pertinente, relevante e merece elogios. Isso é trabalho de equipe, contribui para a assertividade e é o que tanto temos cobrado principalmente nos jogos com o VAR (que não é o caso da Série B, onde árbitro, assistentes e quarto árbitro trabalhem em campo, tomando as decisões sem esperar amparo do vídeo).

Fonte: Renata Ruel

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Não vi pênalti para o Internacional e houve um para o Grêmio que não foi marcado

Renata Ruel
Renata Ruel

Pelas imagens que foram disponibilizadas, eu não marcaria a penalidade que o árbitro Luiz Flávio de Oliveira marcou a favor do Internacional e que acabou sendo decisiva para a vitória colorada por 2 a 1 no clássico contra o Grêmio, neste domingo (24), no Beira-Rio.

O braço do Kannemann estava em posição natural, sem ampliar o espaço corporal. E quando a bola chega, ele até tenta tirar o braço, sem contar que a bola chegou em alta velocidade e a uma distância curta. 

A não ser que o VAR tenha uma imagem que mostre algo diferente, repito, eu não teria marcado a penalidade. E ainda tenho dúvida se a bola bate em outra parte do corpo e só depois no braço do zagueiro tricolor.

Inter vira de forma épica sobre o Grêmio; assista aos gols


Pênalti para o Grêmio

Por outro lado, eu daria, sim, pênalti para o Grêmio alguns minutos antes, com o placar ainda em 1 a 1.  Foi aos 46 minutos da etapa final, quando houve um tranco do Nonato, do Inter, nas costas do Ferreirinha.

Pra mim, não houve disputa de bola quando o jogador tricolor estava no ar e fez o domínio da bola. 

Infração não marcada, na minha opinião. O Luiz Flávio de Oliveira estava bem posicionado e disse que não foi, o que deve ter feito o VAR sequer sugerir a revisão.

Jogadores do Grêmio e Renato Gaúcho reclamam com o juiz Luiz Flávio de Oliveira após a derrota por 2 a 1 para o Inter no GreNal 429
Jogadores do Grêmio e Renato Gaúcho reclamam com o juiz Luiz Flávio de Oliveira após a derrota por 2 a 1 para o Inter no GreNal 429 Richard Ducker/Gazeta Press
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Não vi pênalti para o Internacional e houve um para o Grêmio que não foi marcado

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Por que o VAR errou no pênalti que deu empate ao Atlético-MG contra o Red Bull Bragantino

Renata Ruel
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Jogadores do Atlético-MG discutem com Barbieri
Jogadores do Atlético-MG discutem com Barbieri Gazeta Press

Atlético-MG arrancou um empate, em 2 a 2, nos acréscimos contra o Red Bull Bragantino na 29ª rodada do Campeonato Brasileiro após a marcação de uma penalidade.

A grande polêmica foi justamente o gol da igualdade, após um pênalti não dado pelo árbitro de campo, mas que o VAR sugeriu a revisão.

Caio Max, o árbitro do jogo, estava muito bem posicionado, com a visão limpa no momento em que Guilherme Arana caiu na área, em disputa de bola com Ramires, e interpretou que não houve infração no lance, dando sequência ao jogo.

Como é protocolo, o VAR deve analisar possíveis penalidades e sugerir revisão ao árbitro caso entenda que houve um erro claro e óbvio. Neste caso, a revisão foi sugerida pelo VAR Pablo Ramon ao árbitro do jogo.

Pelos vários ângulos que as imagens de vídeos mostram, na minha opinião, Arana pisa na bola e já está caindo ao solo quando Ramires o toca de raspão na panturilha, não atingindo de uma forma que cause a queda e ocasione uma infração, no caso uma penalidade.

Dois pontos importantes sobre o VAR neste lance:

- O árbitro estava bem posicionado, tomou a decisão no campo, o lance pode ser interpretativo, mas eu não vejo erro claro é óbvio no lance para o VAR interferir sugerindo revisão;

- O árbitro de vídeo só libera para o árbitro a imagem da câmera de trás, uma imagem que pode induzir ao erro. Deveria ter mostrado diferentes ângulos, infelizmente não o fez.

A atuação equivocada do VAR neste lance é a grande polêmica do jogo, pois interferiu diretamente no resultado ao sugerir revisão e ao não dar a oportunidade de o árbitro analisar ângulos distintos, permitindo que ele pudesse ser ludibriado pela imagem. 

O árbitro tinha acertado na primeira decisão tomada no campo de jogo, no meu entendimento, e o VAR errou na sua tomada de decisão.

Saber o momento de intervir corretamente e a falta de uniformidade de critérios ainda são os grandes desafios para a arbitragem do VAR, mas não se pode generalizar, pois há, sim, quem esteja cumprindo muito bem a função de árbitro de vídeo.

Fonte: Renata Ruel

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Por que o VAR errou no pênalti que deu empate ao Atlético-MG contra o Red Bull Bragantino

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Brasileiras Edina Alves e Neuza Back fazem história no Mundial de Clubes: as mulheres podem mais do que apenas sonhar

Renata Ruel
Renata Ruel


E a utopia está se tornando realidade. A Fifa e as confederações de futebol passam a enxergar a arbitragem feminina por sua excelência, qualificação e competência sem distinguir gênero para atuar em suas competições masculinas e femininas.

A Fifa divulgou hoje o seu quadro de arbitragem selecionado para o Mundial de Clubes no Catar e com uma grande novidade, um trio feminino que será comandado pela árbitra brasileira Edina Alves.

Após a francesa Stéphanie Frappart ser a primeira mulher a apitar uma Champions League, a Fifa surpreende novamente com um trio feminino no Mundial. Um ganho histórico para a arbitragem feminina e também para o Brasil.

Edina, que atualmente é a única mulher a apitar a Série A do Campeonato Brasileiro, terá como assistentes a também brasileira Neuza Back e a argentina Mariana de Almeida.

A luta da arbitragem feminina é antiga, iniciada pela brasileira Léa Campos, reconhecida pela Fifa como a primeira árbitra do mundo

As brasileiras Edina Alves (centro) e Neuza Back (primeira à esq.) na semifinal da Copa do Mundo feminina, na França
As brasileiras Edina Alves (centro) e Neuza Back (primeira à esq.) na semifinal da Copa do Mundo feminina, na França GettyImages


As mulheres no Brasil começaram a ganhar espaço nas partidas masculinas em meados dos anos 2000, quando o chamado "Trio de Ferro", liderado por Silvia Regina, atuava em grandes jogos pelo país. Demorou quase 14 anos para ter Edina Alves apitando a Série A (em 2019) após Silvia se aposentar dos gramados.

Hoje, ela está fazendo história, assim como Neuza Back, que se aproxima dos cem jogos na Série A como assistente e é a mulher com mais jogos em competições nacionais do mundo.

Para atuarem em jogos masculinos, as mulheres precisam alcançar os índices masculinos nas provas físicas, que são distintos dos índices femininos. A exigência física se torna maior e de alguns anos para cá a maioria das mulheres têm obtido êxito nos testes, tornando assim a distinção de avaliação nesse quesito igualitário aumentando, de certa forma, a pressão para escalas em grandes competições.

A nomeação do trio feminino que terá o comando de Edina faz parte da trajetória iniciada na Copa do Mundo sub-17  de 2017, na Índia, onde a árbitra suíça Esther Staubli apitou um jogo, seguida pela uruguaia Claudia Umpierrez, esta com dois jogos na Copa do Mundo sub-17 de 2019, no Brasil.

Quem sabe não seja mais um passo dado pela Fifa  para incluir a arbitragem feminina na próxima Copa do Mundo masculina, que será no Catar (como o Mundial agora), em 2022.

O torneio entre clubes acontece entre 1º e 11 de fevereiro. A final será disputada no Education City Stadium, em Doha.

É como eu sempre digo, o profissional deve ser analisado por suas competências, qualificações, capacidades profissionais que cumprem as exigências daquela função e assim ter as oportunidades. Não se pode avaliar um profissional por gênero, raça, altura, cor dos olhos, idade, entre outros. Quando a competência prevalece é possível ver os melhores profissionais atuando, a distinção por ser mulher diminui e as chances aumentam.

As atuais designações de arbitragem feminina pela Fifa é só o início de uma nova era para as mulheres no mundo do futebol, pois lugar de mulher é onde ela quiser e temos muitas com competência suficiente para atuar nesse universo futebolístico.

Veja os árbitros selecionados para o Mundial de Clubes:

Árbitros e árbitras

Edina Alves (Brasil)

Mario Escobar (Guatemala)

Leodan González (Uruguai)

Mohammed Abdulla (Emirados Árabes)

Danny Makkelie (Holanda)

Maguette N'Diaye (Senegal)

Abdelkader Zitouni (Tunísia)

Assistentes

Mohamed  Alhammadi (Emirados Árabes)

Hasan Almahri (Emirados Árabes)

Nicholas Anderson (Jamaica)

Neuza Back (Brasil)

Mariana de Almeida (Argentina)

Mario Dinks (Holanda)

Humberto Panjoj (Guatemala)

 El Hadji Malick Samba (Senegal)

Hessel Steegastra (Holanda)

Nicolas Taran (Uruguai)

Richard Trinidad (Uruguai)

Árbitros/Assistentes VAR

Khamis Al Marri (Catar)

Julio Bascunan (Chile)

Kevin Blom (Holanda)

Drew Fischer (Canadá)

Nicolas Gallo (Colômbia)

Redouane Jiyed (Marrocos)

Jochem Kamphuis (Holanda)


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Fonte: Renata Ruel

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CBF divulga árbitros brasileiros do quadro da Fifa em 2021, incluindo novidade no VAR

Renata Ruel
Renata Ruel

A CBF divulgou hoje a lista dos árbitros brasileiros que farão parte do quadro da FIFA em 2021, incluindo os que serão FIFA do VAR.

O árbitro de vídeo tem uma força tão grande e mostrou que veio para ficar a ponto de a FIFA criar um quadro específico de VAR. Nessa novidade seis árbitros brasileiros ganharam o escudo para 2021 da entidade máxima do futebol, são eles: Igor Junio Benevenuto de Oliveira (MG), José Claudio Rocha Filho (SP), Rodrigo D'Alonso Ferreira (SC), que fez o curso pela Federação de Paulista de Futebol e posteriormente se mudou para Santa Catarina, Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral (SP), eleito o melhor árbitro de vídeo pela CBF em 2019, Rodrigo Nunes de Sá (RJ) e Wagner Reway (PB). A CBF é a entidade com o maior número de VAR FIFA na Conmebol.

Outro ponto positivo para a arbitragem da CBF foi o aumento de número de vagas para o quadro feminino no total de 12, sendo seis árbitras centrais e seis assistentes e se tornando a Confederação com maior quantidade de mulheres no quadro FIFA ao lado da Espanha. Daiane Muniz do Mato Grosso do Sul (árbitra central) e Brigida Cirilo de Alagoas (assistente) passam a fazer parte da FIFA em 2021.

Veja a lista completa de árbitros e assistentes brasileiros da FIFA para o próximo ano:

Árbitros e árbitras

Anderson Daronco (RS)

Bráulio da Silva Machado (SC)

Bruno Arleu de Araújo (RJ)

Charly Wendy Straud Deretti (SC)

Daiane Caroline Muniz dos Santos (MS)

Deborah Cecília Cruz Correia (PE)

Edina Alves Batista (SP)

Flavio Rodrigues de Souza (SP)

Luiz Flavio de Oliveira (SP)

Rafael Traci (SC)

Raphael Claus (SP)

Rejane Caetano da Silva (RJ)

Rodolpho Toski Marques (PR)

Thayslane de Melo Costa (SE)

Wagner do Nascimento Magalhães (RJ)

Wilton Pereira Sampaio (GO)

Assistentes

Alessandro Rocha Matos (BA)

Bárbara Roberta da Costa Loiola (PA)

Brigida Cirilo Ferreira (AL)

Bruno Boschilia (PR)

Bruno Raphael Pires (GO)

Danilo Ricardo Simon Manis (SP)

Fabricio Vilarinho da Silva (GO)

Fabrini Bevilaqua Costa (SP)

Fernanda Nândrea Gomes Antunes (MG)

Guilherme Dias Camilo (MG)

Kleber Lucio Gil (SC)

Leila Naiara Moreira da Cruz (DF)

Marcelo Carvalho Van Gasse (SP)

Neuza Ines Back (SP)

Rafael da Silva Alves (RS)

Rodrigo Henrique Correia (RJ)

Árbitros assistentes de vídeo (VAR)

Igor Junio Benevenuto de Oliveira (MG)

José Claudio Rocha Filho (SP)

Rodrigo D'Alonso Ferreira (SC)

Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral (SP)

Rodrigo Nunes de Sá (RJ)

Wagner Reway (PB)

Fonte: Renata Ruel

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Finalista do Brasileirão feminino, Avaí Kindermann carrega tragédia na bagagem

Renata Ruel
Renata Ruel

Até carrinho da maca entra em celebração do Avaí Kindermann por ida à final do Brasileirão feminino


Neste domingo, ocorre a grande final de Brasileirão feminino. Corinthians e Avaí Kinderemann se enfrentarão às 20h (de Brasília), na Neo Química Arena, com transmissão ao vivo pela ESPN Brasil. No primeiro confronto as equipes ficaram no 0 a 0.

O Corinthians é uma forte equipe. Já a equipe de Santa Catarina também é tradicional no futebol feminino, mas conta com uma tragédia em sua história.

A final de 2020 ocorre cinco anos após assassinato do técnico do Kindermann na época, José Herinque  Kaercher, morto por Carlos Corrêa, ex-treinador da equipe de futsal Pantera Negra, também comandado pela família Kindermann.

O assassinato ocorreu no hotel da família, na cidade de Caçador-SC, onde a motivação de Corrêa foi vingança após ser demitido por justa causa. À época, foi alegado que ele se apresentava atrasado para os jogos e aparentava embriaguez.

Inconformado com a demissão, Carlos invadiu armado o hotel dos donos do Kindermann, solicitou a presença de algumas pessoas ligados ao clube entre elas dirigentes e o técnico Josué Kaercher. 

Após algumas ameaças, disparou duas vezes, uma atingindo o técnico e no segundo disparo, que seria contra outra pessoa, a arma falhou. Josué não resistiu ao ferimento e faleceu.

O Kindermann iria disputar a Libertadores Feminina em 2016, adquirindo o direito após o título da Copa do Brasil em 2015. Entretanto, o clube divulgou, logo após o corrido, uma nota paralisando todas as atividades por tempo indeterminado.

Veja a nota da época:

É com muito pesar que comunicamos à sociedade, em especial à comunidade caçadorense, que a Associação Esportiva Kindermann está encerrando suas atividades por tempo indeterminado.

Orgulhamos-nos de ter sido um expoente no futebol de campo e futsal femininos e por representar tão bem a nossa cidade em diversos campeonatos estaduais, nacionais e internacionais.

O sonho da Kindermann sempre foi trazer alegria e entretenimento às pessoas, mas infelizmente, esta trajetória foi interrompida quando a vida de nosso treinador, Josué Henrique Kaercher, foi tragicamente abreviada e outras vidas ameaçadas.

Agradecemos a todos que apoiaram o nosso projeto e que estiveram ao nosso lado ao longo destes dezenove anos de atividades, batalhas e conquistas. Agradecemos particularmente às nossas atletas, colaboradores e patrocinadores, que tanto agregaram para alcançarmos nossos objetivos.

Desejamos um futuro de sucesso e conquistas ao esporte caçadorense.

Direção da Associação Esportiva Kindermann

Jogadoras do Avaí Kindermann antes de treino, em 22 de novembro de 2020
Jogadoras do Avaí Kindermann antes de treino, em 22 de novembro de 2020 Avaí Kindermann

Em janeiro de 2017, pouco mais de um ano após o ocorrido, a equipe anunciou a volta das atividades. Em 2019 foi selada a parceria Kindermann e Avaí por dois anos, em função da obrigatoriedade da CBF em os times da Série A terem futebol feminino.

O Kindermann volta a ser protagonista no cenário nacional após a tragédia e retomada das atividades, um clube marcado por um fato hediondo, mas também por muitas vitórias e conquistas no futebol feminino.

Seguramente, neste domingo teremos um grande jogo entre Corinthians e Kindermann. Junto com você, fã de esporte, estaremos na ESPN Brasil eu, Renata Ruel, Leonardo Bertozzi, Mariana Spinelli e a narração de Renata Silveira.

 

Fonte: Renata Ruel

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Finalista do Brasileirão feminino, Avaí Kindermann carrega tragédia na bagagem

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Polêmicas em Fortaleza x Corinthians: o que diz a regra sobre a expulsão de Jô e o que vi do pênalti em Gabriel

Renata Ruel
Renata Ruel

Árbitro expulsa Jô em jogo contra o Fortaleza
Árbitro expulsa Jô em jogo contra o Fortaleza CAIO ROCHA / FRAMEPHOTO / GAZETA PRESS

Jô foi expulso após o VAR sugerir revisão por agressão na partida entre Fortaleza e Corinthians. Ultimamente tem ocorrido muitos lances de golpear o adversário, seja aquele braço ou mão ou cabeçada no rosto, pescoço, peito, costas, nuca, que geram polêmicas e interpretações, vide o lance do goleiro Volpi no jogo contra o Bahia.

A regra do jogo não foi feita especificamente para a arbitragem, mas sim para o futebol. Desta forma, todos que o praticam ou trabalham com esse esporte deveriam conhecê-la para, no mínimo, terem argumentações bem pautadas para questionar as decisões da arbitragem seja em campo ou, nos tempos atuais, no VAR.

Em função disto, segue uma pequena parte do texto da regra 12 que cita o ato de golpear:

Será concedido um tiro livre direto a favor da equipe adversária do jogador que praticar uma das seguintes ações, se consideradas pelo árbitro como imprudente, temerária ou com uso de força excessiva:

Golpear ou tentar golpear (incluindo cabeçada) um adversário.

Imprudência significa que um jogador demonstra falta de atenção ou atua sem precaução ‘em relação a um adversário. Não há necessidade de cartão.

Temeridade significa que um jogador não considera o risco ou, as consequências para seu adversário. Lance para aplicação de Cartão Amarelo.

Uso de força excessiva significa que um jogador excede a força necessária e assume risco de causar lesão em um adversário. O jogador infrator deve ser expulso.”

Birner define vermelho de Jô como 'expulsão de futebol modinha' e vê pênalti não marcado em Fortaleza x Corinthians

Como mostra a regra, cabe sim interpretação no ato de golpear, o árbitro para considerar uma infração deve analisar se foi uma ação imprudente, temerária ou com uso de força excessiva, ou nenhuma delas e permitir que o jogo siga.

A arbitragem vive recebendo instruções de seus comandantes e sobre o uso dos braços entre os elementos a serem considerados estão: velocidade, intensidade, disputa ou não de bola, ponto de contato (sensível ou não), força empregada entre outros.

É algo simples assim? Não, não é. Os árbitros precisam entender o jogo, conhecer de futebol, dominar as regras e seguir as diretrizes passadas pelos instrutores para ter uma análise mais correta possível e os critérios serem mais uniformes.

Contudo é fundamental reforçar que a segurança e integridade física do jogador deve prevalecer. A famosa faltinha é falta, diferente de um contato físico não faltoso.

A regra em nenhum momento fala em intenção, costumo dizer que não posso saber sua intenção a não ser que você me conte, então o árbitro não tem como julgá-la. Em função disto deve analisar os elementos do lance conforme as diretrizes e as regras para tomar decisões.

Cabe interpretação em lances de golpear, entretanto não se pode banalizar uma agressão ou tentativa dê como se algo assim fizesse parte do futebol, o Fair Play também significa não assumir o risco de lesionar ou agredir um adversário. E pela regra uma ação que ocorre fora da disputa da bola se torna um agravante.

É importante ressaltar que isso aqui é uma pequenina, mas somente uma parte bem pequena das regras do jogo e com todo respeito e admiração que tenho pelo Arnaldo Cesar Coelho, para mim a regra não tem nada de clara e não é simples entendê-la.

A ação do Jô foi de golpear o adversário sim. Porém, desta vez deixo a pergunta para você:

Foi um golpear faltoso pelas regras e diretrizes? Se sim, de forma imprudente, temerária ou com uso de força excessiva?

Mauro não entende expulsão de Jô, brinca sobre 'função social do VAR' e acha que filme de tubarão daria mais audiência do que jogo do Corinthians

O polêmico pênalti não marcado em Gabriel

O jogador do Corinthians chega primeiro no lance, toca a bola e é atingido na coxa com a trava da chuteira, por Felipe do Fortaleza, de forma temerária que o impede de prosseguir na jogada. Pênalti, de certa forma fácil de ser marcado e o cartão amarelo deveria ser aplicado. O que não aconteceu em campo e o VAR não sugeriu revisão.

Fonte: Renata Ruel

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Polêmicas em Fortaleza x Corinthians: o que diz a regra sobre a expulsão de Jô e o que vi do pênalti em Gabriel

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Lambança do VAR pode gerar erro de direito e permitir anulação de Ceará x São Paulo; entenda a situação

Renata Ruel
Renata Ruel
Luciano durante jogo entre São Paulo e Ceará, pelo Campeonato Brasileiro
Luciano durante jogo entre São Paulo e Ceará, pelo Campeonato Brasileiro Miguel Schincariol/saopaulofc.net

Ceará e São Paulo se enfrentaram em jogo atrasado válido pela 16ª rodada do Brasileirão e algo apitoresco ocorreu na partida em um gol anulado, validado, anulado novamente da equipe paulista.

 O São Paulo estava no ataque, Reinaldo chuta a bola para a área que desvia no jogador do Ceará e sobra para o Pablo que estava em posição de impedimento e na sequência sai o gol. O assistente marca impedimento em campo, entretanto como pede o protocolo do VAR todo lance de gol é checado e neste caso começa a polêmica.

 Em lance de impedimento factual, aquele que é somente para analisar se o jogador atacante está ou não em posição de impedimento, o VAR analisa e informa ao árbitro se mantém ou muda a decisão de campo, por ser questão de linha traçada não cabe análise ou interpretação. 

Porém, pode ocorrer lances interpretativos na regra do impedimento, por exemplo, se um jogador em posição de impedimento bloqueia ou não o campo visual do goleiro, ou se quando a bola bater em um defensor e sobrar para um atacante em posição de impedimento, se este jogador da defesa executou uma ação deliberada, ou foi um desvio ou um rebote o toque da bola neste defensor. 

Se houve uma ação deliberada, isso habilita o jogador em posição de impedimento, mas se o que aconteceu foi um desvio ou um rebote a infração deverá ser marcada.

No gol do São Paulo, verifica-se um desvio, sendo assim o impedimento deve ser marcado, o que ocorreu em campo pelo assistente. Pelo protocolo do VAR, a checagem ocorre e o VAR se não concordar com a decisão em campo deve sugerir que o árbitro revise o lance, pois não é factual e sim interpretativo, caso concorde com a decisão em campo o árbitro segue a partida normalmente. 

O protocolo também deixa claro que o árbitro deve ter conhecimento e habilidade para tomar a decisão, não podendo outros membros da arbitragem revisar as imagens no ARA, contudo em casos excepcionais o árbitro poderá solicitar auxílio do membro da arbitragem que esteve envolvido no lance.

Primeiro erro: o VAR discorda da decisão em campo, dá o gol, entretanto não sugere revisão ao árbitro como diz o protocolo por não ser um lance factual.

Segundo erro: a imagem deixa claro que o árbitro com o som do apito autoriza o reinício de jogo e logo depois paralisa novamente a partida, provavelmente por ter escutado do VAR que não era para reiniciar ainda. O VAR volta atrás, se auto corrige, e anula o gol.

Além do erro protocolar, há um erro grave de Regra do Jogo, na regra 8, onde o texto cita que: “o tiro de saída: o árbitro dá o sinal autorizando o tiro de saída; a bola entra em jogo logo após ser tocada e se mover claramente.” Isso tudo ocorreu claramente pelas imagens, inclusive o som do apito.

Após a partida ser reiniciada, o árbitro não pode voltar atrás em uma decisão técnica, ou seja, em um gol, um pênalti marcado ou não. Ao apitar autorizando o reinício, a equipe do Ceará cobrar corretamente o tiro de saída e a bola entrar em jogo, o gol dado não poderia mais ser retirado, mesmo assim o árbitro o fez, podendo ter gerado um erro de direito.

Que o gol foi irregular não há dúvida, mas o procedimento do VAR também, prejudicando o árbitro em campo.

Em relação ao erro de direito fica claro que há equívoco da arbitragem no campo e no VAR, contudo o protocolo do VAR cita:

“Em princípio, uma partida não é invalidada devido a: Defeito(s) da tecnologia do VAR (quanto à tecnologia da linha do gol (GLT); Decisão errada envolvendo o VAR (visto que o VAR é um membro da arbitragem); Decisão de não revisar um incidente; Revisão(ões) de situação / decisão não passível de revisão.”

Raí diz que São Paulo vai 'fazer de tudo' para obter respostas sobre polêmica com VAR


Se pelo protocolo do VAR fica difícil anular uma partida, a Regra 5 diz:

“O árbitro não pode alterar uma decisão de reinício de jogo, ainda que se convença do erro, quer por entendimento próprio ou em razão da opinião de outro árbitro da partida, se já houver reiniciado o jogo; terminado o primeiro ou segundo tempo do jogo (inclusive da prorrogação) e saído do campo de jogo; ou encerrado a partida definitivamente.”

Desta forma, caso o São Paulo entre com um pedido de anulação do jogo, ratificando que houve infração de impedimento no gol, no meu entendimento, pelo protocolo do VAR, ficará difícil o êxito. Todavia, pela regra do jogo, o erro de direito pode se caracterizar.

O VAR cometeu um erro de certa foram até infantil em um lance de fácil interpretação e tomada de decisão. Lembrando que o problema não está na ferramenta em si, no entanto em que a manipula a melhoria se faz necessária urgentemente, treinamento, meritocracia, uniformidade nos critérios, a arbitragem precisa ser aprimorada, pois alguns erros são compreensíveis, enquanto outros inexplicáveis.

Fonte: Renata Ruel

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As polêmicas de São Paulo x Flamengo (e quando o VAR deve intervir)

Renata Ruel
Renata Ruel

Com dois de Luciano, São Paulo 'sobra', vence Flamengo e vai à semifinal da Copa do Brasil

O São Paulo venceu Flamengo por 3 a 0 no jogo de volta das quartas de final da Copa do Brasil e se classificou para a semifinal, tendo o Grêmio como próximo rival. Porém, foi mais um jogo com polêmicas de arbitragem.

Vamos começar pela penalidade marcado a favor da equipe do Flamengo. A bola foi alçada na área, Willian Arão e Brenner sobem para disputar a bola, o jogador flamenguista leva a melhor, cabeceia e a bola toca na mão do jogador são-paulino. Em campo o árbitro manda seguir, o VAR (árbitro de vídeo) analisa o lance, pois todo possível penal é passível de checagem, e sugere revisão ao árbitro que após análise decide pela marcação o penal. Um pênalti bem marcado em função do texto da regra do jogo, o qual entende que o braço acima da linha do ombro é um motivo para a infração ser sancionada. 

Neste caso, o VAR assertivamente sugeriu revisão e o árbitro corretamente, em função da regra, assinalou o pênalti. Discutível a regra? Sim, e muito. 

É proibido saltar no futebol? Não, não é. Mas se não é, como um jogador consegue fazer o movimento de saltar com os braços colados ao corpo? É possível saltar e cometer uma ação de bloqueio ampliando o espaço corporal, algo que já ocorreu, entretanto na maioria dos pênaltis que a regra atual considera infração, se pode considerar que o jogador simplesmente fez um gesto biomecânico natural do movimento e está sendo punido por isso. Sobre esse assunto há mais informações em uma matéria anterior, onde especialistas e quem vive o futebol comenta sobre a posição do braço e a regra do jogo, acesse o link para saber mais.

E na cobrança do pênalti, que Vitinho bateu para fora, houve invasão na área, mas nem o árbitro e tampouco o VAR mandaram voltar. Pela regra do jogo, como ocorreu a invasão do jogador defensor e não foi gol, o tiro penal deveria ser repetido, contudo isso deveria ter sido visto pelo árbitro em campo. O VAR só irá intervir em invasão de área na cobrança de penalidades se o jogador invasor ganhar uma vantagem direta no lance, por exemplo, pegando o rebote de uma defesa ou depois de tocar na trave.

Isolou! Vitinho cobra pênalti horroroso, manda muito longe do gol do São Paulo e perde grande chance


Como isso não ocorreu, o chute foi para fora, o árbitro de vídeo não pode intervir. E de repente, a regra poderia mudar para a punição em uma invasão ocorrer somente quando suceder a interferência direta.

E no 3º gol do São Paulo, Willian Arão primeiro faz um passe e na sequência sofre uma carga nas costas feita por Daniel Alves, a bola sobra para o Pablo que marcou o tento tricolor. 

Pela regra, o árbitro para considerar que uma carga foi faltosa deve entender que foi uma ação imprudente (atua sem precaução), temerária (desconsidera o risco) ou com uso de força excessiva (assume o risco), se isso não acontecer, pode-se entender como uma carga normal e nada marcar. O famoso, polêmico e, também, controverso “APP”, a revisão da fase inicial de ataque pelo protocolo do VAR, deve verificar como se deu a origem do ataque que resultou no gol e somente deve intervir se for um erro claro e óbvio, não em um lance que caiba interpretação. 

O São Paulo recuperou a bola em um toque errado de Arão que somente após completar o passe sofreu a carga, a ação de Daniel Alves no meu entendimento foi faltosa, mas é algo para ser assinalado pelo árbitro no campo de jogo e cabe sim interpretações em relação à carga realizada, não havendo assim erro claro e óbvio. 

Luciano comemora após marcar para o São Paulo sobre o Flamengo
Luciano comemora após marcar para o São Paulo sobre o Flamengo Miguel Schincariol/saopaulofc.net

Desta forma, o VAR não tem como intervir já que o protocolo diz que para ser um “APP” há a necessidade de erro claro e óbvio, nada que possa ser interpretativo, principalmente se o árbitro viu em campo claramente e decidiu.

As polêmicas ocorreram sim, porém desta vez podem ter ficado mais a cargo da arbitragem do campo de jogo do que do VAR.

Fonte: Renata Ruel

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As polêmicas de São Paulo x Flamengo (e quando o VAR deve intervir)

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Primeira expulsão de Abel Ferreira no Palmeiras não surpreende ex-árbitro português: 'Vai ser muitas vezes, como foi cá'

Renata Ruel
Renata Ruel

Após três partidas comandando o Palmeiras, o novo treinador Abel Ferreira foi expulso de campo pelo árbitro Bráulio da Silva Machado na ida das quartas de final da Copa do Brasil. O jogo no Allianz Parque contra o Ceará fez o técnico reclamar acintosamente com a arbitragem após a marcação de uma penalidade para a equipe adversária e o VAR sugerir revisão - no meu entendimento, não ocorreu infração no lance; há contato de jogo, sem carga faltosa no adversário.

Abel Ferreira, após a expulsão, disse em entrevista: "Na igreja, tenho que estar calado. Mas estou no futebol, não na igreja". Não se pode ser hipócrita e dizer que em uma partida palavrões não são ditos. Obviamente que são, às vezes ao vento ou durante uma discussão com o companheiro e até mesmo adversário. Porém, é necessário diferenciar o contexto nos quais ocorrem: quando é simplesmente um desabafo espontâneo, de quando a ofensa for diretamente dirigida à arbitragem e, nesse último caso, a expulsão no Brasil é praticamente certa - exemplos não faltam, lembra do Kleber ‘Gladiador’ com Raphael Claus?

Irritado com expulsão, Abel Ferreira desabafa após vitória do Palmeiras: 'Antes de treinador, sou homem'

A cultura brasileira pode ser nova para Abel, que irá se adaptar com o tempo, mas as expulsões em sua carreira não são novidades. Na temporada 2018-19 colecionou três expulsões pelo Braga e chegou a dizer em entrevista coletiva: "Injustiça é algo que me deixa revoltado. Quando eu erro, sou o primeiro a dizer que errei. Fui três vezes expulso esse ano, e muito bem expulso nas duas primeiras. Foram vergonhosas as multas que me deram, era para ser um valor muito maior".

Conversei, de forma exclusiva para esse blog, com Duarte Gomes, ex-árbitro Fifa de Portugal e atualmente comentarista e colunista. Ele revelou: "Abel é um tipo extraordinário. Do melhor que conheço como homem e pessoa. De verdade. Mas é daqueles que em campo perde-se, vive o jogo intensamente. Mas tem bom caráter. Ele foi expulso muitas vezes sim, mas quase sempre pedia desculpa no fim e reconhecia o descontrole. É muito humilde e muito, muito boa pessoa mesmo. Tem que aprender a se controlar". Duarte completa: "Vai é ser expulso muitas vezes, como foi cá".

Entender todo o contexto que envolve o futebol, seja na questão cultural, social, econômica, é fundamental para trabalhar com ele e colher bons frutos. Cada árbitro tem seu estilo de trabalho, sua personalidade, assim como cada treinador, e se esses forem estudados antes do jogo por ambas as partes, pode-se evitar problemas durante a partida.

Técnico do Palmeiras, Abel Ferreira conversa com árbitro assistente após ser expulso
Técnico do Palmeiras, Abel Ferreira conversa com árbitro assistente após ser expulso Gazeta Press

O treinador é um líder, e ser exemplo é de total relevância, suas ações podem dizer mais que suas palavras: como exigir respeito se não o der; como pedir calma quando está dando pulos de raiva, gesticulando de forma ofensiva ou gritando; como passar controle emocional, segurança nas tomadas de decisões quando suas reações são divergentes disto? Veja o relato da expulsão na súmula do jogo, as palavras proferidas por Abel Ferreira:

"Expulsei diretamente o referido treinador por ter sido informado pelo assistente de número 01, senhor henrique neu ribeiro, que no momento que me dirigia a "ara", ter proferido as seguintes palavras em minha direção "vai se foder, vai tomar no cú, vem ver que não foi nada". fato esse presenciado também pelo quarto árbitro da partida, senhor ilbert estevam da silva".

A Regra do Futebol cita alguns dos motivos pelos quais um membro da comissão técnica deve ser advertido verbalmente, com cartão amarelo ou com cartão vermelho, e entre estes consta: “Entre as infrações que podem ser punidas com Expulsão-CV, embora não se limitem a essas, se incluem: Empregar linguagem ou gesto grosseiro, ofensivo ou injurioso".

Que a regra foi cumprida, não tenho dúvida. E esse tipo de expulsão pode ser evitada. Sempre pode.

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Árbitro ganha processo após diretora de clube ofendê-lo nas redes sociais. Entenda a importância e relevância da decisão

Renata Ruel
Renata Ruel

Ofensas aos árbitros são constantes e comuns - ao entrar em campo, mesmo antes de dar início à partida e tomar decisões, e principalmente durante e/ou o término da partida. Além da torcida nos estádios (no momento proibidas em função da pandemia) com as redes sociais, os insultos à arbitragem ganharam uma proporção ainda maior.

Em partida válida pela Copa do Brasil em fevereiro de 2020, o Paysandu eliminou o Brasiliense da competição. O jornal Metrópoles teria afirmado que o árbitro da partida comemorou a eliminação da equipe de Brasília, e desta forma a diretoria do clube foi em suas redes sociais acusando-o de crimes.

O juiz Flavio Fernando Almeida da Fonseca condenou a diretoria a indenizar o árbitro no valor de R$ 7.000,00 e se retratar publicamente.

Na sentença consta ainda: "Significa dizer que as partes não podem exceder sua liberdade de expressão, causando um prejuízo à honra de outrem".

A decisão do árbitro em processar um dirigente é algo raro, o que torna a sentença do juiz ainda mais importante e relevante. O árbitro de futebol ainda tem medo de se posicionar, pronunciar, processar - na verdade, sua voz muitas vezes é calada por medo de sofrer retaliações, ficar fora de escalas e ter sua carreira prejudicada, numa "queda de braço" com jogadores, dirigentes, por exemplo, pode se achar o "lado mais fraco".

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É relevante citar que críticas fazem parte da profissão não só dos árbitros, mas sempre estamos vendo treinadores, jogadores, dirigentes, jornalistas, comentaristas entre tantos outros fazendo-as, entretanto também as recebendo.

Para curiosidade, todo ano, ao fazer a inscrição para ser parte do quadro de arbitragem da Federação Paulista e CBF, lembro que entre os documentos a serem entregues estavam SPC e SERASA, antecedentes civis e criminais e caso constasse algo no nome a chance de ficar fora das escalas era extremamente grande.

Não há como negar a questão cultural que está enraizada e estruturada no futebol brasileiro, como os árbitros são vistos e tratados. Entretanto há como se mudar tudo isso - a distinção entre críticas, pensamentos e opiniões de ofensas, declarações caluniosas e difamatórias tem andado em uma linha tênue, e o respeito precisa prevalecer.

Já se imaginou trabalhando na mesa do seu escritório com pessoas atrás de você lhe ofendendo, insultando, cuspindo em você, jogando coisas e a sua concentração, foco seguirem intactos? É isso que acontece constantemente com quem está em um campo de futebol, e não me refiro só aos árbitros.

Veja a sentença completa clicando aqui.

Jogador reclama com Renata Ruel durante partida
Jogador reclama com Renata Ruel durante partida Reprodução
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A subjetividade do VAR na falta que gera um gol

Renata Ruel
Renata Ruel

No Brasileirão 2020, algumas polêmicas nas origens de jogadas de gols foram muito questionadas pelos clubes, e a dúvida de quando o VAR deve ou não intervir paira no ar.

Somente no mês de outubro três casos parecidas:

- No Gre-Nal, Galhardo sofre uma carga nas costas, que entendo como faltosa, próxima a entrada da área adversária. O árbitro nada marca, o Grêmio recupera a bola e numa sequência de troca de passes faz o gol;


- No gol do Grêmio contra o Botafogo, o time gaúcho recupera a posse de bola no campo de ataque com um possível toque de braço que o árbitro não marca. Após alguns passes, marca o seu gol;


- Em Vasco e Corinthians uma possível infração no meio campo, entendo como falta, na recuperação de bola da equipe paulista também foi questionada, pois resultou em gol.


O protocolo do VAR se “contradiz” no assunto, quando uma infração que resulta em gol não foi marcada pelo árbitro em campo deve ser revisada, e desta forma sugerir ao árbitro que reveja a jogada.

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Como podemos observar, o famoso “APP” (Attacking Possesseion Phase), ou seja, a fase de ataque, cita que o período de revisão é desde o ponto onde a equipe obtém a posse de bola. Entretanto, outro ponto do protocolo diz que onde a fase ataque que é armada ou se inicia é subjetiva, e alguns elementos devem ser considerados. Por exemplo: o período de posse de bola e o ponto em que se inicia uma fase clara de jogada de avanço. 

Como o próprio protocolo diz, realmente é algo bem subjetivo, pois o que é tempo de posse de bola suficiente para se considerar um APP? 15, 30 segundos, 1 minutos ou 2? Um árbitro de campo e um árbitro de vídeo podem ter interpretações distintas para definir este tempo.

Sempre digo que é necessário o árbitro conhecer de futebol, além das regras e das dinâmicas de arbitragem. Entender o que são transições e organizações defensivas e ofensivas, o que ajuda na leitura do jogo, na tomada de decisão e no que a arbitragem chamam de “antecipação mental”, para poder buscar um bom posicionamento prevendo a próxima jogada. Contudo, mesmo tendo familiaridade com o futebol, é subjetivo dizer onde literalmente se iniciou uma fase clara ou um avanço de ataque e se isso é ou não um “APP”.

O protocolo também cita que a interferência deve ocorrer somente se a possível infração for um erro claro e óbvio, caso contrário, a decisão de campo deve ser mantida. 

A subjetividade descrita no protocolo da VAR, o “segundo a opinião do árbitro” no texto da Regra 5, constatam as interpretações e isso gera falta de critérios, apesar das diretrizes que existem. 

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O único gol desse tipo anulado até o momento neste Brasileirão 2020 foi o do Botafogo contra o Internacional, no qual houve uma infração no meio campo, o árbitro deixou seguir, o jogador que cometeu a falta cruzou a bola e saiu o gol. O VAR interveio e o gol foi anulado. Nas três partidas citadas anteriormente, o gol foi mantido e o VAR não sugeriu revisão, não entendendo como um “APP”,  jogada de revisão para as infrações cometidas nas recuperações de bolas pelos times que marcaram gols.

É relevante reforçar que o protocolo não fala em imediatez, em tempo exato, em quantos toques a equipe atacante deu na bola, em qual parte do campo a recuperação da bola ocorreu. Para uma infração de braço/mão acidental que gera um gol ou cria uma oportunidade de gol, o fator imediatez é preponderante, porém isso não procede no “APP”.

Como há subjetividade, há interpretação e automaticamente uma marcação que ocorreu em um jogo, pode não ocorrer em outro. Desta forma, se tornam necessárias diretrizes mais claras também no protocolo do VAR, facilitando o trabalho da arbitragem, aproximando critérios e diminuindo as polêmicas. O VAR é uma ferramenta nova que precisa ser lapidada. Aprimorar a tecnologia e seu protocolo trará benefícios ao futebol.

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Não importa se estava de costas: lance polêmico de Flamengo x Bragantino foi pênalti, sim!

Renata Ruel
Renata Ruel

O empate por 1 a 1 entre Flamengo e Red Bull Bragantino, quinta-feira (15), pelo Campeonato Brasileiro, ficou marcado por um possível pênalti para o time rubro-negro, lance muito polêmico não marcado em campo e nem sugerido para revisão pelo VAR. Foi, portanto, mantida a decisão de campo.

A bola foi alçada na área, passou por Weverson e sobrou para Lincoln, atacante do Flamengo, que a chutou. Ela bateu no braço do jogador do Bragantino, que estava de costas para o lance.

Pênalti? Veja o lance polêmico de 'mão da bola' em Flamengo x RB Bragantino

O jogador do Bragantino assumiu o risco: olhou para trás, viu o adversário e fez, no meu entendimento, um movimento adicional, uma ação de bloqueio, ampliando o espaço corporal. Por isso, o pênalti deveria ter sido marcado.

O fato do jogador estar de costas não significa absolutamente nada na regra, pois é possível ampliar o espaço corporal e fazer uma ação de bloqueio dessa forma. Estudos mostram que os jogadores conseguem fazer a chamada “antecipação mental” da próxima jogada, prevendo onde a bola pode ir e antecipando assim a sua ação.

Um exemplo aconteceu na Copa do Mundo da Rússia, em 2018, na partida entre Espanha e Rússia. Um pênalti claro foi marcado após ação do zagueiro Gerard Piqué em sua área. A bola foi cruzada, Piqué subiu para cabecear com um adversário e, mesmo de costas, manteve os braços erguidos em uma ação de bloqueio (veja na imagem abaixo). Era uma distância curta, uma bola rápida, jogador de costas, mas mesmo assim a infração é clara.

Piqué em lance na Copa do Mundo de 2018
Piqué em lance na Copa do Mundo de 2018 Getty Images

Ou seja, diversas análises são feitas ao se considerar uma ação deliberada de mão para marcar uma falta, porém o fato do jogador estar de costas não é determinante.

Analisar os lances de braços/mãos não é simples – os árbitros que o digam. Essa chamada “antecipação mental” é cobrada dos árbitros, que necessitam da habilidade de antever o jogo, a próxima jogada, se antecipar à uma situação, um lance.

Outra questão é a dificuldade nos critérios uniformes em lances “iguais” que deveriam sofrer as mesmas sanções, por exemplo na aplicação de um cartão por um árbitro e não pelo outro em diferentes partidas.

Como sempre digo, não basta só conhecer as regras do jogo, é preciso conhecer de arbitragem, que tampouco basta, pois é fundamental conhecer o futebol e tudo que o envolve.

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Disputa de Avelar com João Paulo e o gol do Corinthians: foto, imagem e até câmera lenta podem distorcer a realidade

Renata Ruel
Renata Ruel

O clássico paulista entre Corinthians e Santos, pela 14ª rodada do Brasileirão, terminou empatado em 1 a 1, entretanto há alguns questionamentos sobre o gol corintiano.

Gil sobe para cabecear na área santista, o árbitro Marcelo de Lima Henrique leva o apito à boca, contudo deixa o lance seguir, na sequência Avelar leva a melhor na disputa da bola com o goleiro santista e marca o gol de empate.

O VAR verifica o lance e ratifica a decisão de campo, o gol. Porém, há fotos do lance circulando nas mídias sociais, trazendo a falsa sensação de falta no goleiro santista, onde o braço de Avelar ao subir para cabecear encosta no braço do goleiro que tenta defender a bola. Já pelo vídeo em velocidade normal é possível observar o contato, porém uma ‘briga’ por espaço, sem intensidade na disputa ou movimento adicional para caracterizar falta.

E não é a primeira vez que foto, imagem congelada ou até mesmo câmera lenta distorce a realidade do lance.

Danilo Avelar, do Corinthians, disputa bola aérea com João Paulo, do Santos
Danilo Avelar, do Corinthians, disputa bola aérea com João Paulo, do Santos Gazeta Press

O lance no qual o árbitro marcou pênalti e depois de olhar o VAR definiu falta fora da área para o Athletico contra o Flamengo, por exemplo, para alguns traz um possível toque na bola em câmera lenta que não deveria ser falta. A jogada em velocidade normal traz outra visão do lance e é importante considerar que há diferença quando o jogador toca somente a bola e depois tem contato com o adversário sem ser faltoso, de quando o jogador atinge bola e o adversário juntos de forma faltosa, ou ainda, após tocar a bola o contato com o jogador da equipe adversária não é de disputa normal e caracteriza falta.

Há vários exemplos de como uma imagem se não for bem analisada dentro de todo o cenário pode alterar o que realmente aconteceu, inclusive lances de expulsões onde ao analisar uma foto e câmera lenta da jogada alguns dizem que o atingido buscou o contato e não ao contrário.

Segundo o protocolo do VAR, a câmera lenta deve ser usada para analisar o ‘ponto de contato’ em relação as infrações físicas e mão na bola, para verificar a ‘intensidade’ é necessário usar a velocidade normal.

Claro que a interpretação faz parte do futebol e muitos lances dividem opiniões, porém é preciso ter muito cuidado e critérios bem definidos ao analisar lances fora do enquadramento geral - através de fotos, câmera lenta - e trazê-los para todo o contexto, desta forma as chances de assertividade aumentarão. Por isso que não basta entender somente de regras ou arbitragem, mas a necessidade de se conhecer também o futebol é cada vez maior.

Fonte: Renata Ruel

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'Braços amarrados' para jogar futebol? A polêmica bola na mão e a opinião de quem vive o futebol

Renata Ruel
Renata Ruel

Se tem uma regra que causa controvérsia é da mão/braço na bola. Quantos pênaltis marcados onde os árbitros estão apenas cumprindo as orientações que recebem, mas que parece uma posição natural do braço, do movimento do atleta e se torna difícil concordar que a regra entenda tal lance como infração. Regra que muitos acreditam que era mais simples antes, quando o árbitro analisava somente se o jogador teve a intenção ou não de colocar a mão/braço na bola, definida em praticamente uma linha, bem distinta da atual.

O assunto é relevante e polêmico não somente no Brasil, mas no mundo - há quem diga que os jogadores vão passar a jogar com os "braços amarrados". As regras são feitas pela International Board, e os árbitros recebem orientações de suas federações e confederações para aplica-las, porém a dificuldade em se padronizar as marcações pode partir justamente do fato de haver margem para diversas e distintas interpretações, principalmente ao analisar o movimento e a ação do jogador.

Para aprofundar neste assunto tão apitoresco, conversei de forma exclusiva para este blog com Osman, atacante da Ponte Preta; Paulo Calçade, comentarista dos canais Disney;  Rafael Kiyasu, treinador de goleiros do Santos e instrutor da CBF Academy; e com o professor Felipe Arruda, especialista em Biomecânica.

Paulo Calçade vê a necessidade de mudança: "De repente nos tornamos especialistas em biomecânica, capazes de afirmar o que é ou não a posição normal dos braços em relação ao corpo em ações e gestos que jamais experimentamos. Especialmente nos pênaltis, a regra do momento é a normalização do absurdo em prol de comportamentos que geram preocupação e medo nos jogadores. Como disputar uma bola no alto sem usar os braços como apoio para a impulsão e o equilíbrio? Por conta de um tecnicismo equivocado, vários placares são forjados por conta de uma verdade que simplesmente não existe. É hora de consultar os verdadeiros especialistas e mudar!".

Indo de encontro com o pensamento do Calçade, é possível ver a preocupação dos jogadores em relação aos braços nas jogados em campo através da fala do atacante Osman.

Rafael Kiyasu, instrutor da CBF Academy, questiona alguns pontos da regra e exemplifica com movimentos de atletas de outras modalidades: "Pode parecer uma ironia que o texto da regra inicie com a seguinte frase: 'Com o objetivo de determinar com clareza as infrações de mão/braço na direção da bola...'. E as controvérsias do texto não param por aí, principalmente quando a regra fala em braços e mãos em posição antinatural: me pergunto o que seria algo antinatural? Quando falamos e estudamos corpo humano, devemos entender alguns princípios básicos de movimento como, por exemplo, acelerações e desacelerações, tão comuns nos lances decisivos no futebol - nos tornamos instáveis por determinado momento e neste instante os braços tornam-se partes essências do corpo em busca de estabilidade, basta ver como qualquer equilibrista abre os brações para se manter. Até mesmo em movimentos lineares como uma prova de 100 metros rasos - sem curva, sem adversário influenciando seu movimento, sem bola para acertar -, observe o comportamento dos braços com movimentos mais amplos para iniciar o impulso da corrida e braços mais abertos para frear rapidamente o corpo, chamariam isso de movimento antinatural, ou o movimento mais natural possível para impedir que o corpo desequilibre e vá de encontro ao chão?”

Atletas partem para a final dos 100 metros rasos na Olimpíada de Londres em 2012
Atletas partem para a final dos 100 metros rasos na Olimpíada de Londres em 2012 Getty

Chegada da final dos 100 metros com barreiras nos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008
Chegada da final dos 100 metros com barreiras nos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008 Getty

Rafael também discorre sobre a questão da infração por estar com os braços acima da linha do ombro: "Outro movimento é o salto, e outro ponto controverso da regra se dá quando ela fala em braços acima da linha do ombro. O movimento mais 'natural' nesse caso seria que o atleta saltasse com grande auxílio dos braços, principalmente em movimentos de cabeceio. Observe atletas de futevôlei com a tarefa de saltar e cabecear, porém sem adversário influenciando, sem disputa física pelo espaço, ainda sim qualquer jogador terá um forte auxílio, tanto para impulso como para seu equilíbrio e ataque à bola. Como não elevar os braços acima da linha dos ombros em lances como esse?".

Movimento dos braços no futevôlei
Movimento dos braços no futevôlei Arquivo pessoal

"E um último aspecto que acredito ser bem relevante é: somos seres complexos, com milhares de graus de liberdade articular, isso fará com que não se tenha um padrão único e idêntico de movimento de braços entre duas pessoas e nem mesmo a mesma pessoa fará o mesmo movimento em um lance semelhante. Limitar movimentos de braços em ações rápidas limitará não somente performance de qualquer jogador nesses lances decisivos, como também corremos o risco de lesões a partir do ponto que os atletas terão esses movimento de força e potência restringidos", concluiu Kiyasu.

O professor Felipe Arruda Moura, que possui mestrado em Ciências da Motricidade e doutorado em Educação Física, é um dos responsáveis pelo Laboratório de Biomecânica Aplicada da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e também contribuiu com o seu conhecimento sobre o assunto.

Renata Ruel: O que é a biomecânica e como se aplica no futebol? Essa ciência considera movimento natural e antinatural do braço de um jogador?

Felipe Arruda Moura: A Biomecânica é a Ciência que estuda o movimento sob a perspectiva das leis da Mecânica, da Física. Na Biomecânica estudamos as forças que agem no corpo, e seus efeitos. Nas Ciências dos Esportes, incluindo o futebol, a Biomecânica é essencial. É por meio da Biomecânica que, por exemplo, jogadores e árbitros são rastreados para a obtenção de informações sobre distâncias percorridas, faixas de velocidade, acelerações, posição em campo, entre outras. No entanto, uma das linhas de investigação da Biomecânica consiste em estudar os padrões de movimento das pessoas. Conhecendo quais são as características do movimento e sua faixa de variação, é possível identificar quais movimentos fogem do “normal”. É assim, por exemplo, quando desejamos estudar lesões. Sabemos qual é o movimento esperado, e identificamos qualquer variação além dessa faixa. Nesse caso, respondendo à pergunta, é possível identificar esses padrões para cada habilidade motora nos esportes. O problema é que, quanto maior for o nível de habilidade de um indivíduo, como atletas de alto nível, maior é a capacidade dele de variar seus movimentos e ter um padrão individual. Desse modo, para atletas do esporte de elite, a capacidade de variação de movimentos é grande, o que dificulta a definição do que é um movimento natural ou não.

Qual seria a melhor ou mais justa definição nas regras e orientações para os atletas não jogarem com os "braços amarrados ao corpo" sem correrem riscos de uma infração ser assinalada contra a sua equipe, se o movimento que está fazendo é o natural da biomecânica?

Esse é um ponto que requer muita discussão. Criar uma regra que obrigue um atleta a não realizar movimentos que são determinantes em sua função pode ser injusto. Os braços exercem ação fundamental na mecânica de movimento dos atletas, desde a função de gerar momento linear (o que pode ser didaticamente entendido como impulso) como também para ajudar o atleta a estabelecer e reestabelecer o equilíbrio. Assim, entendo que a regra deve buscar punir aqueles que deliberadamente desejam se beneficiar da infração, colocando a mão na bola ou aumentando sua área de ação. O problema é, de acordo com as orientações da regra, entende-se que se o jogador estiver com os braços muito afastados ou acima do ombro ele está deliberadamente aumentando sua área de ação, o que não é sempre verdade. Para correr, saltar, dar um carrinho, fazer um grande afastamento das pernas para um desarme, o jogador muitas vezes precisa colocar os braços nessas posições, ou terá um desempenho muito menor, o que pode ser injusto. O exemplo mais claro disso é que, quando caminhamos, os cotovelos estão estendidos, mas para correr, nossos cotovelos ficam flexionados. Trata-se de uma demanda da corrida e nos indica que cada movimento pode exigir uma posição específica dos membros superiores. Portanto, é essencial que os profissionais que atuam no futebol, incluindo árbitros e os próprios jogadores, conheçam os padrões de movimento das ações motoras para compreender como os atletas executam o movimento.

O pênalti marcado do Thiago Silva, na final da Copa América de 2019, contradiz a regra na questão do braço de apoio. O carrinho é permitido pela regra, desde que não seja de forma imprudente, temerária ou com uso de força excessiva, e observamos uma imagem do material da Fifa considerando o braço de apoio como não infração, mas se a bola bater no braço que está erguido uma infração deverá ser assinalada, em função do jogador ampliar o espaço corporal e assumir o risco de bloquear a passagem da bola. As posições de ambos os braços fazem parte da biomecânica do jogador em uma ação, carrinho, que é permitida pela regra ou realmente ou não?

Thiago Silva intercepta bola com a mão apoiada no chão na final da Copa América 2019
Thiago Silva intercepta bola com a mão apoiada no chão na final da Copa América 2019 Getty Images

Situação similar à de Thiago Silva
Situação similar à de Thiago Silva Reprodução Fifa

Acredito que as duas imagens nos dão uma clara ideia do que é o padrão de movimento do atleta. Dois jogadores de alto nível, de diferentes nacionalidades, executam a ação motora com características muito semelhantes. Um dos membros superiores fica afastado do corpo, mas serve para apoio no gramado, o que de acordo com a FIFA não é uma infração. Porém, se observarmos o outro, vemos que ambos os jogadores apresentam o mesmo padrão, o que se identificado em vários outros carrinhos, pode representar claramente um padrão, um movimento natural. Desse modo, penalizar o atleta pode ser injusto uma vez que o mesmo precisa dos membros nessa posição para conseguir minimamente executar o movimento. Cabe à FIFA decidir se é isso que ela deseja. Se for, a escolha do atleta em executar o carrinho dentro da área, por mais necessário que seja, será sempre um risco.

Em um movimento do jogador ao saltar (braço acima da linha do ombro segundo a regra é infração), girar, mudar de direção, ao ir disputar a bola com o adversário, ao se posicionar em uma ação de bloqueio ou até mesmo na corrida, quais os fatores que a Regra do Jogo e as orientações aos árbitros devem levar em considerações para se marcar ou não uma infração? O que é o braço para o equilíbrio do corpo do atleta ao se movimentar?

Os árbitros devem considerar que os braços exercem função fundamental para que os atletas consigam executar o movimento com excelência. Vamos usar a corrida para exemplificar essa importância. Para dar um passo durante a corrida, colocamos um dos nossos membros inferiores para frente. Esse movimento geraria uma grande rotação do corpo inteiro, o que não é o objetivo porque queremos nos deslocar para frente. Para compensar e gerar um equilíbrio, no lado oposto também movimentamos os membros superiores para frente. Assim, um movimento anula o outro e o atleta não gira, mas sim se desloca para frente com um gasto energético muito menor. A mesma interpretação serve para todos os outros movimentos. Não há como saltar com a máxima potência do atleta se ele não utilizar o movimento dos braços. Não há como executar um carrinho com excelência e segurança sem utilizar os braços para apoio ou gerar equilíbrio. Nesse ponto, reforço a importância de capacitação em Biomecânica para que os personagens envolvidos nessa avaliação no futebol saibam quais são as características do movimento. O grande problema é que, ter uma ideia do padrão de movimento para ações mais recorrentes, como correr, chutar, saltar, é até possível. No entanto, para movimento atípicos, como muitas vezes ocorre em lances polêmicos, definir o que é natural ou não é muito questionável. Nesse aspecto, caberá ao árbitro a interpretação do lance, e caberá aos jogadores, comissão técnica, torcedores e jornalistas respeitá-lo, concordando ou não com sua posição.

Vamos com exemplos de lances polêmicos e o que a Biomecânica nos mostra sobre esses lances no Brasileirão: Santos x Atlético-MG, Junior Alonso; Bragantino x Palmeiras; e Fluminense x Corinthians, Bruno Méndez.

Lances polêmicos de bola na mão/mão na bola no Brasileirão
Lances polêmicos de bola na mão/mão na bola no Brasileirão Reprodução

A partir das imagens, chegar a uma conclusão se esse movimento representa o padrão normal ou se o atleta fez a ação deliberada para aumentar o espaço de ação, é um grande desafio e questiono se nesse momento haveria uma solução tecnológica que contemple todas as situações. O que nesse caso, de um movimento atípico, representaria um movimento natural? Não temos uma resposta definitiva. Além do que foi explicitado acima, sobre a mecânica padrão de movimento, é preciso verificarmos a velocidade com que todo evento ocorre. Se o atleta já estava com aquela posição dos braços por um grande período, pode ser que ele o estivesse fazendo deliberadamente para ganhar vantagem. No entanto, em eventos extremamente rápidos, provavelmente não há ação deliberada. O tempo de reação de uma pessoa é da ordem de 200 milissegundos, logo, qualquer ação abaixo desse tempo não representa uma reação do atleta ao movimento de seu adversário. Nesse caso, câmeras com boas resoluções espaciais e temporais dariam bons indicativos, mas não acredito que chegariam a uma conclusão definitiva. Nesses casos, particularmente, acredito na interpretação do árbitro que certamente possui uma vasta experiência para a tomada de decisão.

Texto livro de Regras do site da CBF

Regras da CBF sobre bola na mão/mão na bola
Regras da CBF sobre bola na mão/mão na bola Reprodução

Entre as orientações recebidas pelos árbitros para nortear as Regras e facilitar as análises, algumas considerações são fundamentais para discernir o que marcar ou não: posição natural ou antinatural; distância curta ou longa, havia tempo para uma ação;  bola vem do adversário ou de um companheiro; bola vem de forma inesperada, fator surpresa, mudança de direção; mão voluntária ou acidental; o jogador estava em ação de disputa ou bloqueio no momento do toque? Se sim, ampliando o espaço corporal?

As regras e as orientações, assim como os árbitros e todos que trabalham com o futebol, necessitam entender, conhecer e considerar tudo que envolve a prática da modalidade, inclusive os movimentos dos atletas para o esporte se tornar simples e justo.

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