Os desafios de Eduardo Barroca para "alavancar" o Botafogo durante a pausa para a Copa América

Renato Rodrigues
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Eduardo Barroca tem trabalho pela frente e pode melhorar ainda mais o Botafogo
Eduardo Barroca tem trabalho pela frente e pode melhorar ainda mais o Botafogo Vitor Silva/Botafogo

Não há quem questione a campanha do Botafogo até agora no atual Campeonato Brasileiro. Independentemente da derrota para o Grêmio (0 a 1), dentro de casa, nesta quarta-feira, Eduardo Barroca deu novos ares ao alvinegro carioca não só em resultados, mas  elevando desempenho e criando, mesmo que longe de sua totalidade, uma identidade para a equipe que vivia tempos de muita incerteza. Do nada veio uma forma de jogar, uma ideia, um norte...

Com um trabalho que ainda sequer completou três meses, o jovem e promissor treinador tenta, a todo custo, jogar a partir do controle da posse. Pede para que a equipe circule a bola, sempre cobrando que os atletas busquem triangulações e o máximo de linhas de passe por todo campo. Neste sentido é perceptível que equipe demonstrou grandes avanços, com gols bem construídos e um aumento significativo na posse de bola. 

Mas ainda há muito a se desenvolver. 

E talvez a grande questão para o Botafogo atingir novos patamares competitivos envolve a chegada da equipe no terço ofensivo do campo. Com um time titular mais pesado do meio de campo para frente, principalmente pelas presenças de Cícero, João Paulo e Diego Souza, a equipe sofre um tanto nas transições ofensivas. Nem mesmo a velocidade de Erik e as boas conduções/infiltrações de Alex Santana garantem a verticalidade que o jogo pede em alguns momentos. No duelo contra o Tricolor isso ficou bastante evidente.

Por vezes o Botafogo conseguiu recuperar a bola em momentos de pressão mais baixa e com o bloco defensivo um pouco mais recolhido. Teve êxotp, num primeiro momento, nas tentativas de aceleração.  Mas faltou, além de peças de velocidade, uma chegada mais rápida de opções para quem conduzia a bola. Em um lance bem explorado com Alex Santana, ainda no primeiro tempo, essa tônica ficou bastante clara: time baixa a marcação e a bola é recuperada. O passe mais vertical entra perfeitamente, mas o meio-campista acaba precisando retardar a jogada, diminuir suas passada. Justamente para esperar companheiros chegarem na linha da bola. Um lance promissor, mas que não deu em nada.

A grande referência de  velocidade deste Botafogo é  Erik (que faz mais um excelente ano em General Severiano, aliás). Mas esse escape tende a ficar cada vez mais "cantado". Com os adversários tirando essa saída botafoguense, o time acaba necessitando de mais opções desse perfil - talvez esteja aí um dos grandes desafios para a janela de transferências que vai se abrir.  

Luiz Fernando, o outro ponta aberto do 4-3-3 de Barroca, apesar de não ser um jogador lento, tem mais características de meia. Até por isso, tende sempre a sair do lado para se associar por dentro, centralizando um pouco suas jogadas. Diego Souza, apesar de usar bem o corpo para reter a bola em alguns momentos, sofre também com a falta de apoios em saídas mais rápidas.  E, por mais que a proposta seja jogar com o controle da posse, o jogo vai pedir situações mais agudas. Isso é inevitável.

Outro ponto que também tem a ver com essa falta de velocidade e que o Botafogo pode evoluir é na passagem da transição para a fase ofensiva. 

É uma equipe que se propõem a ter controle da posse, mas que em vários momentos demora a "viajar com bola". Conceito muito usado no futebol espanhol, o tal viajar com a bola ou viajar juntos, nada mais é que o time conseguir sair de trás acompanhando a linha da bola. Progredir em campo com o bloco compacto, com jogadores próximos e em sincronia. 

Vale ressaltar que não se trata de um mecanismo tão simples assim. Até por isso, seria até leviano cobrar tal fluidez do Botafogo com tão pouco tempo de trabalho até aqui. Mas, de fato, é algo que claramente pode ser ajustado e ganhar evolução com base nos treinamentos. Principalmente por se tratar de um conceito muito explorado por equipes que buscam este tipo de modelo.

Sem a posse, principalmente no duelo contra o Grêmio, chamou muito a atenção à falta de pressão na bola em vários momentos. Tal deficiência fez com que os gaúchos tivessem controle da mesma por bons períodos, circulando e rodeando a área alvinegra. Dando até a impressão de que a estratégia para a partida podia ser de esperar um pouco mais o adversário, fugindo do que vem sendo tentado até aqui pelo treinador.

Obviamente que essa falta de agressividade sem a bola também pode ter muito a ver com o momento da temporada que vivemos. Por conta das longas maratonas de jogos em sequência, dá para se perceber uma queda de intensidade de várias equipes nesta reta final antes de Copa América. O jogo no Nilton Santos, aliás, teve de um caráter mais pausado.  Mesmo assim, talvez este tenha sido um dos grandes problemas para os cariocas não alcançarem um melhor resultado contra um Grêmio totalmente desfalcado.

Por fim, ainda em transição/fase defensiva, o Botafogo pode crescer no quesito compactação. Este aspecto, aliás, já foi pontuado pelo próprio treinador da equipe em entrevistas recentes e certamente será um ponto a ser trabalhado nesta pausa. Por vezes é possível ver um espaço considerável entre os setores, principalmente quando a primeira (Diego Souza) e a segunda linha (Erik, João Paulo, Alex Santana e Luiz Fernando) avançam um pouco mais no campo para tentar uma pressão mais alta. Com isso, os adversários tentam sempre buscar a bola exatamente nas costas dessa linha de quatro, deixando Cícero - o 1º volante à frente da linha defensiva  - em uma situação desconfortável. 

Vale ressaltar que esse tripé ainda tem João Paulo (também mais posicional e passador, porém menos agressivo) e Alex Santana. Ou seja, falta no setor, em alguns momentos, mais imposição e intensidade. Se levarmos em conta que a linha defensiva também não é das mais rápidas, chega até a ser um pouco arriscado mantê-la um pouco mais alta. Por isso a importância dessa agressividade no meio. Justamente para não deixar Carli & Cia. em situações de mano a mano em velocidade.

É muito importante ressaltar que o desafio assumido por Eduardo Barroca assumiu não era, não é e nem será fácil. Apesar de todas as dificuldades (elenco, problemas financeiros, de estrutura...), trata-se de um trabalho muito promissor e que entrega até mais do que se imaginava num primeiro momento. Mais que isso, é um jogo jogado com ideias. Traz consigo aspectos que acrescentam na diversidade de ideias que por vezes falta ao nosso futebol. Independente de gosto ou certo/errado, o comandante alvinegro tem um norte bem claro e que pode atingir maiores patamares.

E isso, de verdade, já é algo bem louvável. Certamente que Eduardo Barroca e sua comissão técnica já chegaram a estes diagnósticos e esperam ansiosamente por este período mais longo de treinamentos. Com tempo, trabalho e tranquilidade para introduzir ainda mais consistência ao seu modelo de jogo, tem tudo para fazer uma boa segunda parte de Campeonato Brasileiro. Afinal, treino é jogo e jogo é treino.

  


Fonte: Renato Rodrigues, do DataESPN

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Vertical e contundente, Palmeiras constrói primeiro gol com a cara de Abel Ferreira

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Veja como gol da vitória do Fluminense partiu de pressão organizada

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Corinthians pressiona bem a bola e estanca sangria na defesa

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Com armas recentes neutralizadas, Palmeiras e Abel Ferreira precisam aumentar seu repertório ofensivo

Renato Rodrigues
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Abel Ferreira completará 50 jogos no comando do Verdão
Abel Ferreira completará 50 jogos no comando do Verdão Cesar Greco / Palmeiras

Não, esse não é um post para dizer que já deu a cota de Abel Ferreira no Palmeiras. Longe disso, aliás. Continuo achando um dos melhores trabalhos do Brasil nos últimos anos. Principalmente pelas dificuldades que os tempos atuais trazem para os treinadores. 

Mas também é quase que unânime que a equipe alviverde caiu de desempenho nos seus últimos "jogos grandes".

E isso tem muito ver com o modelo de jogo de Abel Ferreira que, totalmente estabelecido hoje, também passou a ser mais conhecido pelos adversários. O impacto tem sido diretamente na construção das jogadas, já que defensivamente continuo vendo um Verdão sólido e bem equilibrado.

Quando passou a jogar no 3-5-2, a grande sacada do português foi na dinâmica entre Luiz Adriano e Rony formando uma dupla de atacantes. Com o primeiro baixando para ser o escape na saída rápida, o ex-atacante do Athletico-PR foi potencializado por justamente fazer o que melhor faz: atacar espaços em profundidade.

O primeiro impacto da troca de sistema foi muito positivo. De forma geral os adversários demoraram para entender essa mecânica que também potencializou Raphael Veiga. O meia, que não tem muito de meia no fim das contas, também libertou sua melhor versão: um meia-atacante de chegada, de pisadas na área.

Mas o que de fato freou toda essa ideia de Abel?

Mais especificamente contra São Paulo e Flamengo, a estratégia nítida não foi marcar as "flechas" (Rony e Veiga), mas sim o "arco" (Luiz Adriano). O "ex-centroavante" se viu mais pressionado do que nunca no momento que o Palmeiras recuperava a bola e entrava em transição ofensiva.  Outro positivo na estratégia destes adversários foi o bom controle da profundidade, tirando rapidamente o espaço nas costas da defesa, exatamente onde Rony fazia a festa.

Ambos os adversários, claramente grandes concorrentes para o time alviverde nesta temporada, conseguiram praticamente neutralizar essa saída rápida. Foram poucos os contras encaixados nestas duas partidas e vários momentos do Luiz Adriano baixando bastante no campo para tentar participar.

Em fase ofensiva, ou seja, com o Palmeiras instalado no campo do adversário, o jogador revelado no Internacional ficou encaixotado e escancarou a dificuldade da equipe de Abel Ferreira na hora de propor o jogo, coisa que não é de hoje.

Por isso o momento do time palestrino é de retomada de desempenho. De ajustes e busca por saídas que façam a equipe ter mais fluidez bola. É mais do que necessário aumentar esse repertório ofensivo para se manter competitivo.

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E isso independe de gostar ou não do futebol praticado pelo Palmeiras. A questão aí é se a proposta está sendo bem executada e isso claramente não vem acontecendo. Os ajustes não precisam ser de transformar o Verdão em um time altamente propositivo, mudando da água para o vinho, mas sim de melhorar seu contra-ataque, achar mais escapes, mais formas de "ferir" o adversário no momento da retomada da posse. Por que não?

O grande problema é: quando e como fazer isso já que sessões de treinamento no atual calendário é raridade. Talvez esteja aí o grande dilema de Abel Ferreira, que demonstra incomodo (e com razão) a cada coletiva de imprensa quando o assunto é a agenda de jogos de sua equipe.

O futebol é um jogo de perguntas e respostas. De sobreposição de ideias. E quando a sua já não está levando vantagem sobre a do outro, algo precisa ser feito. O desafio do Palmeiras e Abel Ferreira é esse.

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Na estreia de Sylvinho, Corinthians mostra atitude ‘sem bola’, mas sofre com ela nos pés

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Nacho Fernandez, do Atlético-MG, faz tudo e em todos os lugares. É o melhor jogador da fase de grupos da Libertadores? Veja a análise

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Flamengo já explorou dificuldades da LDU e pode repetir; veja como

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Fonte: Renato Rodrigues

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Por dentro ou por fora? Veja por onde o Cerro Porteño, rival do Atlético-MG, cria suas jogadas

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Fonte: Renato Rodrigues

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A busca por um novo treinador: o Corinthians já patina no ponto de partida

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Duilio Monteiro Alves
Duilio Monteiro Alves Agência Corinthians

O Corinthians foi mais uma equipe de Série A do Brasileirão a demitir treinador na temporada 2021. Com a saída de Mancini, abre-se a caça a um novo nome no mercado. E se olharmos, de cara, para o ponto de partida da diretoria alvinegra, as coisas tendem a não ir muito bem.

Ao colocar nos planos Renato Gaúcho, Carille, Sylvinho e Dorival Junior, como opções, já notamos que não existe um norte, um estilo de jogo que venha sendo pensado para o próximo passo do clube. Os quatro são completamente diferentes.

Outro ponto que chama a atenção é a pouca criatividade na busca por uma solução. Nomes batidos, todos bem conhecidos da torcida, com altos e baixos. No caso de Fábio Carille, seria retomar uma ideia que já havia tentado romper lá atrás. Se a busca é por retomar aquela identidade, nada tem a ver buscar Renato Gaúcho ou Dorival Junior.

Apesar de buscarem um jogo "mais jogado", os dois últimos citados fazem isso de maneira bem diferente também. Enquanto Dorival busca um jogo mais estruturado, com preenchimento de espaços de forma mais rígida, além de marcação por zona, Renato prefere o movimento e marca muito por encaixes individuais.

Favorito da diretoria segundo as pessoas que apuram mais de perto os bastidores alvinegros, Portaluppi traz consigo o trabalho vitorioso no Grêmio. Algo que foi vindo por terra nas últimas temporadas.

Quando de fato precisou recomeçar ideias do zero ou mesmo fazer ajustes mais profundos no Tricolor Gaúcho, Renato mostrou diversos problemas na sua abordagem de jogo. O Grêmio das últimas duas temporadas jogou mal. Teve resultados, chegou a disputar algumas coisas, mas sempre com um desempenho abaixo do que já havia sido alcançado. Um time que veio se definhando mês a mês e que chegou ao limite da imperfeição no início deste ano.

Até a tese de que o "Grêmio de Renato Gaúcho é um time que gosta da bola, que é ofensivo", acabou ficando no caminho. Nas últimas temporadas, a equipe tricolor passou a ser cada vez mais direta. Muito dependente da bola longa, da sustentação de Diego Souza no pivô e da velocidade dos pontas. 

O ex-treinador do Grêmio carrega consigo um perfil mais gestor do que necessariamente "treinador". Sua passagem no Tricolor tem muito a ver com processos internos do clube e um staff com qualidade, que sempre teve um grande peso no desenvolvimento das atividades do elenco. Esse perfil pouco centralizador é um mérito, mas existem alguns limites.

O que de fato segurou o treinador no cargo na sua antiga equipe foram seus feitos e identificação, algo que não terá de cara no Corinthians. O desvio de foco após derrotas, as "não viagens" com o elenco, as cobranças por reforços... As coletivas de Renato Portaluppi nunca falam do jogo. Na capital paulista vai funcionar?

Mais difícil do que demitir um treinador no atual cenário brasileiro é achar alguém para o lugar. O mercado está em baixa e buscar fora tem sido a decisão mais assertiva nos últimos tempos. Até entendo que, para um gringo chegar agora, com o ônibus em movimento e precisando trocar a roda, fica complicado. Um calendário caótico sem tempo para treinar pode ser desfavorável.

Por outro lado, chama muito a atenção a falta de criatividade da diretoria corintiana neste momento. São vários os nomes promissores surgindo na América do Sul (Beccacecce, Osório, Repetto, Heinze, Domínguez). Em Portugal mesmo, centro onde saem grandes treinadores, tem perfis interessantes em equipes menores. Por mais que a questão financeira seja um entrave, tem que ao menos buscar, pelo menos perguntar "quanto o cara quer" .

É hora de pensar um pouco fora da caixa. Tentar estruturar uma ideia que deixe algum legado ao clube, algum norte para daqui para frente. Buscar alguém com conteúdo e fome de fazer acontecer. E isso só será possível se o Corinthians escolher com critério sua próxima escolha.

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Como o Santos cantou jogada do gol contra o Boca Juniors que o 'recolocou' na Libertadores

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Data ESPN: Como o Santos cantou jogada do gol contra o Boca Juniors que o 'recolocou' na Libertadores
Data ESPN: Como o Santos cantou jogada do gol contra o Boca Juniors que o 'recolocou' na Libertadores ESPN


O Santos ganhou vida nova na Conmebol Libertadores. Nesta terça-feira, o Peixe venceu o Boca Juniors por 1 a 0, na Vila Belmiro, pela 4ª rodada da fase de grupos, e pulou para a vice-liderança de sua chave.

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Fluminense ganhou 1 ponto, mas conseguiu 'mexer bem' na defesa do Junior Barranquilla; veja análise

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O Fluminense sofreu, mas segue invicto na Conmebol Libertadores. Na noite da quinta-feira, em Guayaquil, o time saiu atrás com gol, mas buscou empate com Kayky e ficou no 1 a 1 contra o Junior Barranquilla.


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Rival do São Paulo e ainda se ajeitando na temporada, Racing aposta em bolas longas; veja análise

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São Paulo x Racing-ARG acontece nesta quarta-feira (5 de maio), às 19h; veja AO VIVO no FOX Sports e em tempo real no ESPN.com.br.

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Experiente e cascudo, Olimpia mostra dificuldade na recomposição defensiva. Inter pode aproveitar; veja como

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Internacional x Olimpia-PAR acontece nesta quarta-feira (5 de maio), às 21h; veja AO VIVO no FOX Sports e em tempo real no ESPN.com.br.

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Região central fechada, compactação e velocidade: Atlético-MG terá de ter paciência contra o Cerro Porteño

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Palmeiras encara time organizado e ofensivo: veja como o Defensa y Justicia ‘abre’ a defesa dos rivais

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LDU é forte em casa, mas coleciona bobeadas na defesa; como o Flamengo pode se aproveitar disso?

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Em jogo decisivo, Santos precisar atacar a linha defensiva do The Strongest; entenda

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Como Fluminense explorou fraqueza rival e teve Fred nos 'espaços curtos' decidindo contra o Santa Fe

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DataESPN: Como Fluminense explorou fraqueza rival e teve Fred nos 'espaços curtos' decidindo contra o Santa Fe
DataESPN: Como Fluminense explorou fraqueza rival e teve Fred nos 'espaços curtos' decidindo contra o Santa Fe ESPN


Fred em ação pelo Fluminense
Fred em ação pelo Fluminense Gazeta Press
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Típico time uruguaio, Rentistas aposta em organização e saídas rápidas para surpreender o São Paulo; veja análise

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Três zagueiros não é retranca. E isso vai muito além do Palmeiras de Abel

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Abel Ferreira comanda o Palmeiras invicto na Libetadores
Abel Ferreira comanda o Palmeiras invicto na Libetadores Cesar Greco / Palmeiras

Basta um time mudar seu sistema tático e passar a jogar com três zagueiros que o papo começa: "Iiiih, retranqueiro", "Vixi, vai fechar o time"... Mas esses velhos clichês de "análise" de futebol já foram por terra faz um tempo. O primeiro ponto a entender é que ser ofensivo ou defensivo vai muito além do sistema. 

Essa discussão foi novamente levantada principalmente após o treinador do Palmeiras, Abel Ferreira, começar a usar um sistema com três zagueiros em um momento de turbulência da equipe. 

Curiosamente o desempenho melhorou e o time alviverde, inclusive, passou a ter uma melhor performance ofensiva. Mas a questão nem é essa no fim das contas - até porque o português usou este tipo de plataforma por onde passou antes de desembarcar no Brasil. Portanto, era de conhecimento de todos que essa abordagem poderia aparecer mais cedo ou mais tarde.

Palmeiras atropela Del Valle com 2 de Rony; assista aos melhores momentos


De volta à discussão sobre sistemas ofensivos ou defensivo, a grande verdade é: qualquer formação (4-4-2, 3-5-2, 4-3-3, 4-3-1-2, etc) pode ter uma veia para atacar mais ou menos. O primeiro ponto a observar é a altura que o time joga no campo. Um exemplo claro é o Barcelona atual. Veja onde estão os "três zagueiros". Entre aspas, já que com a bola são três construtores de jogo, atuando no campo do adversário. Se liga na imagem abaixo:

Barcelona na atual temporada com Ronald Koeman usa três zagueiros
Barcelona na atual temporada com Ronald Koeman usa três zagueiros DataESPN

Perceba como o time catalão tenta sufocar o adversário no seu campo. Alas bem espetados, avançando e muita gente tentando atacar a linha defensiva do oponente. O Barça tem o melhor ataque da La Liga, com 76 gols marcados. E são três zagueiros, acha isso defensivo?

Outro exemplo bastante claro neste sentido é a Atalanta. Melhor ataque da Série A com 78 gols anotados, o time de Bergamo é uma sensação mundial no quesito ataque faz algumas temporadas. E veja a coincidência, atuando com três zagueiros desde sempre. 

Tente também observar como a equipe se comporta com e sem a bola. Normalmente os sistemas variam. Existem espaços a serem preenchidos em fase ofensiva e defensiva. Verifique também qual é a reação da equipe quando perde a bola: pressiona alto, baixo, pressiona de imediato...

Mas vamos para um segundo ponto a se observar para entender se um time é mais ofensivo ou defensivo: a função dos jogadores. Qual o tamanho da liberdade deles? Quais movimentos eles têm desenvolvido desde do sistema? Em qual altura do campo eles pressionam o adversário?

Vamos a um exemplo bem nítido e recente no futebol brasileiro. O Internacional de Eduardo Coudet era tido como um time defensivo porque, no papel, jogava com três volantes. Mas será que era isso mesmo? 

Internacional de Coudet buscava sempre pressionar o adversário no campo ofensivo
Internacional de Coudet buscava sempre pressionar o adversário no campo ofensivo DataESPN

Conforme vimos na imagem acima, nada mais nada menos que sete jogadores do Inter tentando recuperar a bola do adversário no campo ofensivo. E são três volantes em tese. Mas aí vem uma outra coisa a se observar, que é entender a características de cada jogador dentro do sistema.

Por exemplo, Edenilson e Patrick, no exemplo do Colorado, são volantes de origem. Mas são apenas marcadores? É aí que conseguimos entender as intenções do treinador em questão. A dupla do Inter é extremamente rápida, tem qualidade para organizar e, principalmente, chegar na área do adversário. Veja na imagem abaixo que eles se posicionam alinhados ao meia em fase ofensiva, prontos para pisar na área e finalizar.

Edenilson e Patrick era praticamente meias-ofensivos com Coudet
Edenilson e Patrick era praticamente meias-ofensivos com Coudet DataESPN

Mas existem sistemas com três zagueiros que vai muito além de ser defensivo. É praticamente um ferrolho. O Irã na última Copa do Mundo é talvez um dos maiores exemplos disso. Aí sim, ter três defensores na zaga era simplesmente para tirar espaço do adversário e se defender acima de tudo. Olhe bem o frame abaixo, no 5-4-1 de Carlos Queiroz. Bloco baixo, defesa da área e muita intensidade para pressionar a bola.

Irã na Copa do Mundo era um dos ferrolhos mais difíceis de furar
Irã na Copa do Mundo era um dos ferrolhos mais difíceis de furar DataESPN

E o que você me diria sobre o 4-4-2? Sistema raiz, com dois meias, dos atacantes, time para frente... Bom, não é bem assim. Existem casos e casos. Olhe esse abaixo. 

Bordalás levou o Getafe à Liga Europa com retranca no 4-4-2
Bordalás levou o Getafe à Liga Europa com retranca no 4-4-2 DataESPN

Trata-se do Getafe de Bordalás. Um time que tem o 4-4-2 como sistema mais utilizado nas últimas temporadas, inclusive conseguindo resultados expressivos assim: bloco baixo, marcação forte e jogo direto para os dois atacantes brigarem na frente. Dois volantes pegadores, físicos e o "meia" aqui pela direita é Nyom, lateral de origem. Um jogador extremamente forte, agressivo e vertical. Quase zero de construção de jogo. Pois é...

No fim das contas, o sistema é só um ponto de partida para os jogadores. Uma referência para ocupar espaços e de onde partir para onde chegar. Não importa a plataforma tática que você utilize, mas sim a suas intenções com ela. Dá para ser ofensivo e defensivo com todos os desenhos. 

É muito importante entender, acima de tudo as características e funções dos jogadores que farão parte deste imenso tabuleiro. E para isso, infelizmente (ou felizmente) é necessário assistir o jogo. Não tem outro jeito. Conclusões precipitadas não vão ajudar.

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Três zagueiros não é retranca. E isso vai muito além do Palmeiras de Abel

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