Do grande 9 de área a Arnold no Liverpool: entenda a transformação dos cruzamentos nos últimos anos

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues
Alexander-Arnold, do Liverpool, tem um dos cruzamentos mais precisos do mundo na atualidade
Alexander-Arnold, do Liverpool, tem um dos cruzamentos mais precisos do mundo na atualidade Getty Images

Não tenha dúvida que boa parte dos gols que você acompanhou na sua vida vieram de um cruzamento. Alguns deles vindos dos laterais, muito requisitados neste aspecto nas últimas décadas. Mais lá atrás, dos pontas, acostumados a driblar e ir para a linha de fundo. Em comum: todos jogadores de lado de campo e com grande capacidade de “colocar com a mão” a bola para aquele centroavante grandalhão escorar para dentro do gol.

Obviamente que este segue sendo um artifício muito utilizado no futebol contemporâneo. Por mais que exagerado em alguns momentos, o cruzamento, assim como o futebol no geral, tem vivido suas transformações.

Neste caso, esse tipo de tentativa de assistência tem nos mostrado uma tendência bem clara nas últimas temporadas. Seguem sendo feitos, mas, para serem mais efetivos, mostram uma nova abordagem.

Um dos grandes exemplos de futebol em alto nível de desempenho nas últimas temporadas tem sido o Liverpool. Regular, intenso e muito eficaz, o time treinado por Jurgen Klopp tem no cruzamento uma de suas armas mais mortais. E muito disso por conta de seus laterais: Robertson e Alexander-Arnold – em especial o segundo citado.

 

De onde vieram as mudanças?

 Para contextualizar melhor, acho legal a gente recordar o tipo de cruzamento muito utilizado, por exemplo, nos anos 90 e em meados dos anos 2000. A ideia é de não ir tão longe, justamente para conseguirmos ter referências mais nítidas em nossa memória.

Obviamente que, ao fazer menção a estes tipos de jogadas, estou longe de dizer que eles não ocorrem mais. Mas neste passado recente era bem normal acompanhar equipes que tinham um camisa 9 alto e forte, capaz de subir tão alto quanto o zagueiro e ter grande técnica no cabeceio para tirar a bola dos goleiros.

Muitas vezes, essa bola pelo alto vinha de forma mais viajada e lenta, dando ao atacante um certo tempo e a preparação necessária para se colocar no espaço correto. Por outro lado, pedia um gesto mais técnico para conseguir direcionar bem a bola ao ponto de ficar fora do alcance do goleiro. Resumindo: com uma bola mais lenta, o atacante precisava ter mais força no gesto da conclusão.

Olhando aqui para o Brasil, Jardel, que marcou história no Grêmio, talvez seja um dos maiores exemplos que temos. Era mestre nisso. Luizão, Trezeguet, Fernandão, Elber e Oliver Bierhoff também tinham essas características bem marcantes.

Conforme o tempo foi passando, as linhas defensivas começaram a controlar mais estes tipos de cruzamentos. Principalmente pelo fato de grande parte destas defesas passarem a marcar de forma mais zonal, tendo o espaço como referência, não o adversário a ser marcado. Os zagueiros, num geral, também melhoraram muito suas capacidades de disputar bolas altas. Com perfis mais atléticos, não deixaram de ser fortes, mas passaram a ter mais velocidade e principalmente alcance no salto. Outro fator que melhorou essa abordagem defensiva, foi o melhor posicionamento do corpo dos jogadores que defendem sua área.

Luiz Felipe reconhece a mudança no estilo dos cruzamentos
Luiz Felipe reconhece a mudança no estilo dos cruzamentos Ivan Storti/SFC

Voltando ao cenário brasileiro, é bem comum vermos equipes que rodam e rodam a bola, sem achar espaços para infiltrar. No fim, arriscam o famoso “chuveirinho” da entrada da área. Uma bola que vem lenta, alta e viajada, normalmente de frente para o zagueiro, que fica numa posição muito mais confortável. Luiz Felipe, zagueiro do Santos, explica melhor:

- Minha opinião é que o cruzamento mais viajado é mais fácil de se tirar. Você consegue ter tempo de se posicionar melhor e muitas das vezes acaba não gerando muito perigo. Acaba que você pode ter a ajuda do goleiro, tempo para fazer a leitura e se colocar melhor... Quando a bola vem rápida, você não tem muito tempo – opinou o defensor, ao blog.

Para Fagner, lateral do Corinthians, a característica do atacante conta bastante na hora escolher o tipo de cruzamento. Com passagens recentes pela Seleção Brasileira, o corintiano tem ao todo 5 assistências em 14 jogos na atual temporada. Pelo time de Parque São Jorge, já soma 46 passes para gol.

- Acredito que muda de acordo com as características do atacante que você joga junto. Pelo futebol ter mudado tanto e exigir muito da força física, quanto mais a bola viaja mais pode prevalecer o goleiro e a linha de defesa - afirma.

Fagner tem sido um dos laterais mais regulares do Brasil nas últimas temporadas
Fagner tem sido um dos laterais mais regulares do Brasil nas últimas temporadas Djalma Vassão/Gazeta Press

Por todo este contexto, mais do que normal que treinadores e jogadores passaram a buscar novas alternativas para se buscar o tão necessário gol. O movimento natural do futebol: problema e resposta, problema e resposta... Se pensar em algo novo, se pensar em algo para neutralizar. Algo cíclico e muito necessário para o desenvolvimento de qualquer esporte.

Então voltamos ao Liverpool...

 

 Rápido, rasante e no tempo certo: como Klopp, sem um 9 de ofício, faz tantos gols de cruzamento?

Claro que os pontos que irei abordar usando o Liverpool como exemplo não são de exclusividade do time inglês. Existem equipes que usam deste artifício e de maneira até parecida na própria Premier League, como é o caso do Manchester City. Mas chama a atenção como Klopp conseguiu fazer dos seus cruzamentos uma arma mortal. E mais: sem ter um camisa 9 característico, de força e imposição física.

Ao todo são 46 chances criadas pelo líder da Premier League que vieram de cruzamentos.

O primeiro passo é entender rapidamente as características do trio de ataque dos Reds. Roberto Firmino, o 9 com características de 10 – ou falso 9 no caso –, é um jogador de pouca profundidade e muito mais um armador que recua, gerando opções de apoio. Trabalha sempre se descolando dos zagueiros, com liberdade de circulação, para atrair e gerar espaços. Enquanto isso, Salah e Mané, dois pontas agudos e de capacidade para terminar bem as jogadas, atacam a área em diagonais.

Pois bem, muitas vezes, por gerar uma “falsa não profundidade”, o Liverpool acaba deixando seus adversários com a linha defensiva mais livre para avançar e “encurtar o campo” – lembre-se que, com a linha de defesa mais alta, ela se aproxima das outras e compacta o time, por isso o termo.

E é neste momento que Arnold e Robertson se aproveitam de cruzamentos rápidos, e muitas vezes antecipados (sem necessariamente chegar à linha de fundo e já mandar a bola da área da entrada do terço ofensivo), para achar, principalmente a dupla de pontas infiltrando em alta velocidade e usando todo seu arranque para chegar à frente dos zagueiros.

Este movimento gera um total desconforto para a defesa que, normalmente fazendo o movimento de saída, se depara com os atacantes entrando em velocidade.

- Pra mim, sem dúvida alguma, hoje é o tipo de cruzamento mais perigoso pra gente que está defendendo. Até porque a gente está correndo de frente para o gol, quando entra essa bola entre nós zagueiros e o goleiro, fica aquela indefinição. Você não sabe se tira, se o goleiro vai chegar... E pelo fato de estar em velocidade, fica mais difícil de direcionar a bola. Você corre mais riscos de qualquer desvio ou tirada errada, acaba resultando em gol – relata Luiz Felipe.

Na imagem, Arnold acha Salah em cruzamento rápido e rasante
Na imagem, Arnold acha Salah em cruzamento rápido e rasante DataESPN

Perceba na imagem acima o posicionamento da linha defensiva (sem afundar muito dentro de sua própria área) e do espaço que fica entre ela e o goleiro (o retangulo), exatamente o local onde Alexander-Arnold vai cruzar a bola para Salah atacá-la de frente. Obviamente que, dependendo de onde está a bola, a linha defensiva vai se posicionar em uma altura do campo. Quando mais o time ganha campo com a posse, mais ela se aproxima do goleiro, o que deixa a ação de cruzar ainda mais difícil, já que o espaço diminui. 

Agora é Renan Loddi, ex-Athletico-PR, que usa o artifício do cruzamento rápido nas costas da defesa
Agora é Renan Loddi, ex-Athletico-PR, que usa o artifício do cruzamento rápido nas costas da defesa DataESPN

Agora um exemplo pensando em futebol brasileiro. Nas últimas temporadas o Athletico Paranaense, treinado por Tiago Nunes e com Renan Lodi na lateral-esquerda, usou muito este artifício do cruzamento mais rápido e normalmente adiantado, principalmente quando tinha Pablo, hoje no São Paulo, como seu homem mais avançado e com essas características de mais mobilidade e menos imposição física. O perfil deste atacante, obviamente, acaba sendo decisivo para montar uma estratégia de jogo e escolher o melhor tipo de cruzamento a se fazer. Se você tem um 9 de força e estatura, mas sem a velocidade e arranque necessário para ganhar dos zagueiros na infiltração, não fará tanto sentido investir neste tipo de bola.

 

 As mudanças nos comportamentos: quem cruza, quem ataca e quem defende...

 O futebol, naturalmente, vai sofrendo suas variações e mudanças no aspecto coletivo ao longo dos anos. Mas individualmente os atleta também precisam se reinventar para se manterem em alto rendimento. É bem óbvio que, quando isso não acontece, suas carreiras acabam sofrendo um grande declínio. E então é natural que essas percepções de cruzamento acabam fazendo parte do dia a dia destes profissionais, que precisam dar alguma respostas à essas transformações.

Então por que não começar com os laterais, talvez os mais requisitados neste sentido – aliás, não só eles, que passaram a cumprir funções mais variadas nos últimos anos (clique no link).

Paulo Otávio, lateral-esquerdo do Wolfsbug-ALE e com passagens por Coritiba e Santo André, tem essa compreensão. Mais que isso, o atleta formado pelo Atheltico Paranaense, revela até como alguns treinadores tem trabalhado este ponto no dia a dia.

- Com certeza a forma de cruzar tem mudado. Acho que o cruzamento mais alto e viajado perdeu um pouco de força mesmo. Se a gente parar para analisar, faz sentido. Tive até um treinador na temporada passada que dava umas instruções neste sentido: ele passava vídeos para gente dizendo que a gente não precisava olhar para área, mas sim focar num cruzamento rápido pelo chão, visando a primeira trave. Que era onde saiam os maiores índices de gols. E realmente os laterais e pontas tão buscando essa bola mais rápida – explica.

Paulo Otávio atual pelo Wolfsburg da Alemanha
Paulo Otávio atual pelo Wolfsburg da Alemanha Arquivo pessoal

Depois de passar pelo futebol austríaco e pelo Igolstaldt, também da Alemanha, o lateral nascido em Ourinhos-SP também destaca também as dificuldade para se defender deste cruzamento mais rasante. Assim como Luiz Felipe, ele cita muito a questão do risco que envolve desviar esse tipo de bola.

- A grande dificuldade para se adaptar para defender esse cruzamento relação com o posicionamento do corpo. Normalmente a gente está correndo em direção ao gol e precisamos dar um jeito de tirar essa bola para o lado ou para trás. E geralmente, quando você tira para trás, tem um atacante ou um meia atacando esse espaço e podendo ter uma situação mais limpa para finalizar. Tirar para o lado é o mais viável, mas se ela vem rápida e forte, fica mais difícil. Porque aí você acaba correndo o risco da bola espirrar e marcar um gol contra – afirma Paulo Otávio.

 Se por um lado os laterais apontam maior tendência a esse tipo de jogada, os atacantes começam a entender a necessidade se posicionar e se movimentar corretamente para aproveitar essas chances. Felippe Cardoso, centroavante do Fluminense, e que tem essa capacidade de arranque para chegar na frente dos zagueiros, entende que trata-se de uma grande vantagem para quem ataca:

- Essa bola rápida, entre os dois zagueiros e o goleiro, é bem mais difícil para os defensores treinarem. Diria quase que não tem como (risos). Se o centroavante estiver esperto e preparado para se posicionar ali, buscando essa bola mais rápida, é quase que certo que vai ter mais chances de concluir uma jogada em gol. Mais do que a viajada, que oferece mais dificuldade na hora da conclusão – conta o atacante do Flu.

 

As dificuldades do Brasil e a importância de chegar, não de estar

 A fala de Fellipe Cardoso no parágrafo acima pontua algo muito importante para o atacante se dar bem neste tipo de cruzamento: posicionamento. Mais que isso, cabe a quem vai finalizar ter a leitura e saber o tempo certo de romper a linha. Se trata de uma necessidade de chegar na bola e não necessariamente estar onde ela vai chegar, já que como isso o mesmo já terá chamado a atenção de um defensor.

Felippe Cardoso chegou ao Fluminense para a temporada 2020
Felippe Cardoso chegou ao Fluminense para a temporada 2020 Lucas Merçon/Fluminense FC


Se olharmos para o cenário nacional, talvez este seja um dos problemas para a nossa baixa efetividade ofensiva nos últimos anos. Se por um lado organizamos melhor nossas defesas e nos tornamos equipes mais confiáveis neste aspecto, por outro ainda necessitamos desenvolver melhor nossas organizações ofensivas.

E o cruzamento está diretamente ligado a esse momento. Como já citado, nos deparamos muitas vezes com equipe de boa capacidade técnica, mas que não conseguem desenvolver todo seu potencial ofensivo coletivamente. A posse não se resume a infiltração, finalização e muito menos chances de gol. O tempo passa e naturalmente... Começam os incessantes cruzamentos para área. Uma ação muito conectada à ansiedade de se marcar e, muita vezes, a estratégia do adversário que tende a fechar mais o centro do campo e liberar espaços laterais – o que faz sentido, já que quanto mais ao centro, mais perto da meta adversária você está.

Eis que aparecem os tão abordados cruzamentos viajados. Bolas jogadas para área normalmente de uma região recuada, lentas e com grande confortabilidade para os defensores colecionarem rebatidas ao longo dos 90 minutos.

- Tem surtido menos efeito nos jogos de hoje essa bola mais longa. Isso porque os zagueiros de todos os times começaram a trabalhar demais essa bola viajada. Virou algo trabalhado diariamente nos treinos pelas defesas, o que vai dificultando para gente que é centroavante – ressalta Felippe Cardoso, normalmente preso entre os zagueiros nestes momentos e tendo raras chances de concluir uma bola em gol.

Mas isso vai muito além do simples cruzamento. Tem a ver também com quem não está com a bola neste momento.

Vemos no Brasil recorrentes cenários que, a equipe nesta situação, enche a área de gente e sai cruzando bola. E é aí que mora o erro. Você estando num lugar antes da jogada acontecer, você não ataca espaço. Mais que isso, traz para perto a marcação, o que gera zero surpresa. O Flamengo atualmente seja a grande exceção, utilizando Bruno Henrique e Gabriel Barbosa como atacantes. Ambos estão longe de ser aquele 9 típico, e entendem muito bem a necessidade destes deslocamentos em profundidade para gerar chances.

O ideal neste caso é partir do ponto A e finalizar do ponto B. O que mostra a imagem abaixo, de um cruzamento bem recuado de Alexander-Arnold, Salah ataca o espaço nas costas da linha defensiva e, mais rápido, alcança o ponto de chegada da bola para finalizar. Mané, ao seu lado na foto, teve a mesma ação no gol marcado pelo Liverpool.

A dupla Salah e Mané infiltrando na defesa para concluir a jogada
A dupla Salah e Mané infiltrando na defesa para concluir a jogada DataESPN

- Tenho sentido que o pessoal que tem mais essa função de cruzar as bolas para área estão se aprimorando neste tipo de bola – afirma Luiz Felipe, zagueiro do Santos.

Portanto, fica claro que usar este tipo de cruzamento não simplesmente a fórmula para o sucesso. Para que esta jogada seja efetiva, ela depende de todo um mecanismo para torna-la letal. Uma boa batida na bola de quem cruza, estruturas para gerar espaços nas costas da defesa e, principalmente, jogadores que controlem tempo e espaço para escolher e chegar na hora certa para a jogada. Isso, naturalmente, demanda muito treinamento e entrosamento entre as partes. Mais que isso, cooperação coletiva. Por mais que apenas um cruze e outro coloque a bola para dentro. É um trabalho extremamente coletivo.

 

O bom e velho cruzamento para trás

 Muito recorrente por toda a história recente do futebol, o cruzamento para trás, por vezes chamados de passe, também tem papel importante neste jogo de perguntas e respostas, problemas e resoluções, invenções e antídotos. E também tem certa ligação com esse cruzamento mais rápido entre goleiro e linha defensiva.

Conforme foram percebendo que as equipes usam essa bola veloz nas costas dos defensores e que seja um local que o goleiro também não consiga chegar, os adversários começaram a baixar mais a linha defensiva, achatando o espaço onde essa jogada entraria. Deixando zagueiros e laterais muito próximos do seu gol e a postos para rebater estas tentativas.

Com isso, o cruzamento para trás passou a ter, mais uma vez, um papel importante como repertório ofensivo das equipes. Como futebol é um cobertor curto, a partir do momento que a defesa afunda, a entrada da área passa a ser um espaço alvo, já que não dá para estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Pergunta, resposta e problema. Se resolve um problema, o adversário te cria outro. E por aí vai.

Messi ataca a entrada a área e marca pelo Barcelona contra o Sevilla
Messi ataca a entrada a área e marca pelo Barcelona contra o Sevilla DataESPN

A imagem acima mostra exatamente essa contrapartida. O Barcelona ataca pelo lado esquerdo e cria uma possibilidade de cruzamento. Como dois jogadores fazem o movimento para ganhar profundidade (os circulados), a linha defensiva do Sevilla afunda e abre-se o espaço na entrada da área para Messi finalizar. Aliás, o argentino é especialista neste tipo de leitura. Ainda mais por atuar ao lado de Luis Suárez, muito bom neste tipo de movimento sem bola para afundar os defensores.

Cabe a quem defende, neste momento, fechar essa região chamada de funil – entre o meio circulo da área e a pequena área. Estudos comprovam que boa parte dos gols marcados no planeta acontecem nesta região, que geralmente é fechada por médios e volantes, que geralmente estão mais próximos desta região quando a linha defensiva baixa demais.

Como tudo no futebol, o cruzamento também passa, dia após dia, por suas transformações. Se adaptam a quem vai faze-lo e a quem vai recebe-lo, a equipes ofensivas e às defensivas, a “Klopps”, “Guardiolas”, “Simeones” e tantos outros. Seguem sendo um fundamento importantíssimo para se conseguir vitórias. Estudado por ataques e defesas, desenvolvidos desde os primeiros toques na bola de qualquer prodígio.

Entre exageros e quase nulos, os cruzamentos são usados e abusados. Nos fazem rir e chorar também. E, acima de tudo, trazem consigo grandes possibilidades do que mais gostamos: o gol.

 

 

Fonte: Renato Rodrigues

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No Brasileirão sem unanimidade, Flamengo e Rogério Ceni têm méritos difíceis de contestar

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

O Flamengo venceu o Brasileirão mais difícil dos últimos tempos. Não sobrou como na edição anterior, empilhou tropeços e bons jogos ao mesmo tempo. Rogério Ceni, entre elogios e muita desconfiança, trocou o pneu do carro com ele andando e em alta velocidade.

Ninguém que vencesse esta edição seria unanimidade. Nenhum time apresentou "futebol de campeão" ao longo de uma temporada atípica. O que vimos foram momentos. Do São Paulo, do Inter, do Atlético-MG... Sequências fortes que foram se esvaziando tamanha a complexidade de jogar em um ano maluco, cheio de dificuldades.

O Flamengo engatou seu bom momento no final e isso acabou sendo decisivo. Apesar da partida ruim no Morumbi, que garantiu o título rubro-negro, as últimas rodadas foram de crescimento. Ceni, apesar de estar longe de ter seu time pronto, conseguiu atacar problemas importantes para levantar o caneco.

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O que Ceni atacou?

A primeira missão foi estancar a fragilidade defensiva da equipe. É verdade que o Flamengo não passou a ser uma fortaleza lá atrás, mas conseguiu dar um salto considerável se olharmos a situação anterior à chegada do atual treinador. Organizou melhor as coberturas, trabalhou melhor a linha defensiva e, principalmente, arrumou o tal do "ataca-marcando", que trata-se da estrutura de jogadores que ficam na retaguarda enquanto a equipe ataca e que precisam estar sempre encaixados em possíveis jogadores que ativarão os contra-ataques.

Outro ponto importante na caminhada rubro-negra com Ceni foi a recuperação de Gabigol. Com mais liberdade de movimentação, o atacante cresceu e se transformou em uma peça-chave nesta arrancada. O camisa 9 é um centroavante diferente daquele convencional. Precisa "fazer o seu jogo" e, principalmente, que seus companheiros o coloquem em condição de finalizar. É um atacador de espaço, usa os movimentos na profundidade para tirar vantagem. Então, a bola precisa entrar nestes espaços.

A entrada de Diego como um dos jogadores mais recuados, alinhado a Gerson, também teve um acréscimo gigante na construção das jogadas. Com o meia em campo, ficou mais confortável achar Everton Ribeiro e Arrascaeta no espaço entrelinhas, normalmente nas costas dos volantes do adversário. A grande dificuldade do Fla contra o São Paulo, aliás, foi isso. Os meias pouco foram acionados neste espaço e, quando foram, mostraram não estar em uma noite feliz.

Brasileirão do caos

Quando eu falo em Brasileirão mais difícil de todos os tempos ou talvez da história, me refiro às condições que TODOS os clubes tiveram que jogar na atual temporada.

Zero chance de treinar, calendário amontoado, excesso de lesões, casos de COVID-19, quebra de meses sem jogos... Foram nítidas as dificuldades de todas as equipes ao longo desta caminhada. 

O Flamengo ainda teve um agravante: trocou de treinador no meio dessa loucura. Ou seja, por mais que não tenha atingido um nível alto de desempenho e tenha oscilado, Rogério Ceni conseguiu um feito considerável e bem complexo. Fez ajustes praticamente sem treinar. Conseguiu mobilizar a equipe e melhorar aspectos importantes na base da conversa e vídeos, por isso ficou longe do ideal. Mas fez tudo isso sem deixar de querer de ser protagonista do próprio jogo.

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Se o Internacional tivesse sido campeão, os méritos de Abel Braga seriam parecidos. As condições que o treinador assumiu a equipe eram bastante parecidas. A diferença está na maneira de jogar, na maneira de se desenvolver seu jogo. Mas isso, sem nenhuma dúvida, não apaga o bom trabalho do treinador, agora o recordista de jogos sob o comando do Inter.

O fim deste Brasileirão é de alegria para o Flamengo. Mas é também de alívio para praticamente todas as equipes que disputaram a competição. Foi uma temporada insana. Com condições desumanas para um esporte praticado em alto nível. Por isso, foi tão difícil cobrar qualidade e intensidade ao longo da competição.

Certamente que foram meses de muito caos para todos envolvidos. O pior é que 2021 promete ser da mesma forma ou pior. E a verdade é que, no final, só um poderia sorrir com uma taça na mão. Os outros, apesar da decepção de não ter terminado na ponta, também têm bastante motivos para estarem orgulhosos.

Rogério Ceni teve seus momentos de irregularidade, mas ajustou o Flamengo
Rogério Ceni teve seus momentos de irregularidade, mas ajustou o Flamengo Alexandre Vidal / Flamengo
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Palmeiras precisa de trabalho e ajustes, não de crise pós-Mundial

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

Vexame, vergonha, fracasso... Chame como você quiser a estadia do Palmeiras no Catar. Mais que não conseguir o título do Mundial de Clubes, a equipe treinada por Abel Ferreira ficou devendo em desempenho. Ganhar ou não a taça passa a ser o menor dos problemas, já que a temporada alviverde ainda não terminou.

A queda de performance do Verdão é nítida e não se resume apenas ao campeonato perdido para o Tigres. O segundo jogo contra o River, a final contra o Santos e algumas partidas do Brasileirão já demonstravam certa instabilidade no desempenho.

Por isso o momento é de reflexão, ajustes e muito trabalho. Por mais que a pressão e a cobrança cresça, a temporada ainda não acabou e pode ser de mais conquistas ainda.

A primeira missão é entender o quão desgastado fisicamente esse Palmeiras está. O ponto alto da temporada nas mãos de Abel foi de um time altamente intenso, agressivo e que resolvia jogos com ações rápidas. Coisa que atualmente se perdeu.

Abel Ferreira, técnico do Palmeiras
Abel Ferreira, técnico do Palmeiras Cesar Greco/Ag Palmeiras

O Palmeiras do Mundial foi um time moroso, sem pegada e sem intensidade. E não digo só sem a bola, mas com ela também. Circulação da bola lenta, pouco movimento de quem não tinha a bola e, principalmente, repertório para agredir as defesas adversárias.

A missão da comissão técnica neste momento é estudar jogador por jogador e as suas necessidades, justamente para recuperar aquela eletricidade que trouxe a equipe para a disputa (e conquistas) de coisas grandes na temporada. Não sou especialista na área, mas é nítido que alguns atletas precisarão de algum descanso ou mesmo uma preparação mais individualizada.



O segundo passo é investir pesado na estrutura ofensiva da equipe. O Palmeiras é muito competitivo quando encaixa ataques rápidos, normalmente com campo e espaço para explorar, mas é hora de ir adiante, ter mais repertório com a bola, ter mais mecânicas e movimentos para gerar brechas nas defesas adversárias.

Querendo ou não, Abel Ferreira terá o Campeonato Brasileiro para isso. Entre uma rotação ou outra de elenco na competição, o treinador português terá um pouco mais de tempo para trabalhar isso no dia a dia, coisa que não teve até agora. Justamente por isso creio que a crítica não deveria ser tão incisiva como vem sendo, já que o comandante praticamente joga e recupera seus jogadores. Não tem treino, não tem trabalho e desenvolvimento do modelo de jogo. É tudo muito atípico.

Mas espantou a incapacidade do Palmeiras de gerar espaços nos seus últimos compromissos. Faltou movimento, coordenação. Organização não é só para defender como muitos pensam. Longe da ideia de engessar, cortar a autonomia do atleta, mas existem formas de quebrar estruturas adversárias, movimentos que desequilibrem e abrem brechas para a qualidade dos jogadores se sobressair.

Até o dia 28 o Palmeiras e todo seu staff tem muito trabalho pela frente. Não tenho dúvidas que estes pontos citados acima já são discutidos internamente. Por mais que a pressão é normal, o foco tem que ser em desempenho. Retomar o bom momento e competir forte de novo.

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Brasileiro 'importantíssimo' e francês destaque: como joga o Tigres, adversário do Palmeiras no Mundial

Renato Rodrigues
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Como a mudança de posição de Arão criou novas estruturas e fez o Flamengo crescer no Brasileiro

Renato Rodrigues
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Desde a saída de Jorge Jesus, o maior pedido da torcida do Flamengo é para que quem chega tente, ao máximo, não mudar as estruturas e mecanismos de jogos que o treinador português conseguiu colocar em prática.

Com a vitória por 2 a 0 sobre o Vasco, o time rubro-negro agora depende apenas de si para ser campeão brasileiro, no caso, bi, já que tem confronto direto contra o Internacional dentro de casa. 

Entre Domènec Torrent e Rogério Ceni, obviamente que o atual treinador é quem mais tenta "emular" o modo JJ na sua forma de jogar. Começando pelo sistema com dois atacantes, em que tem Gabriel e Bruno Henrique. A necessidade do pós-perda de muita pressão, a linha defensiva alta, Filipe Luís como um lateral-construtor... Algumas semelhanças são bastante claras. 

Fla bate Vasco com gols de Gabigol e Bruno Henrique; assista


Mas é um Flamengo diferente. Com alguns mecanismos e peças com funções distintas. Simplesmente porque trata-se de um esporte que exige mudanças. Sempre. 

Um time de futebol é um organismo vivo. Necessita de adaptações e ajustes a cada jogo. Peças sobem e crescem de desempenho. Lesões, suspensões, jovens que chegam e tomam espaço. São vários os motivos para se entender que um time campeão não permanece estático por temporadas. E é o caso do Fla.

Por mais que ainda tenha muita margem de crescimento, o time rubro-negro vive um momento de crescimento justamente por ter sido obrigado a fazer ajustes e criado novas dinâmicas de jogo.

Arão na zaga

O primeiro ponto, que mexe todo o tabuleiro flamenguista, é o recuo de Willian Arão para a zaga. O volante tem dado conta do recado, mas mexeu na posição de vários companheiros.

Diego entrou no time. Com características totalmente diferentes das de Arão, Gerson ganhou novas atribuições. A nova dupla de volantes se alterna bastante nas subidas ao ataque, mas é Gerson quem, nitidamente, está mais contido. Até chega na área, mas não com a frequência da temporada passada. 

Os laterais também passaram a ter mais responsabilidades na hora de defender. Raramente atacam ao mesmo tempo. Justamente para criar um equilíbrio no momento em que a equipe perde a bola, deixando mais jogadores na retaguarda para neutralizar contra-ataques.

Por exemplo: quando Filipe Luís avança um pouco mais no campo, Isla dá alguns passos para trás e fica vigiando um provável contra-ataque. Quando Isla sobe, espetado, Filipe fecha por dentro e joga quase como um terceiro zagueiro, construindo de frente para o jogo - aliás, função que o mesmo se sente mais confortável (veja nas imagens abaixo).

Veja no frame do jogo: Isla espetado, bem aberto e avançando. Filipe fecha por dentro
Veja no frame do jogo: Isla espetado, bem aberto e avançando. Filipe fecha por dentro DataESPN
Agora o contrário: Filipe avança e Isla já começa a se posicionar mais atrás
Agora o contrário: Filipe avança e Isla já começa a se posicionar mais atrás DataESPN


Isso faz com que Bruno Henrique ou Arrascaeta precise "abrir o campo" pelo lado esquerdo, justamente para tentar abrir a defesa, já que não é o lateral quem vai ultrapassar a todo instante por ali.

Como disse acima, o Flamengo ainda é um conjunto em construção. Oscila dentro das próprias partidas e também no campeonato. Mas a qualidade que tem e a melhor organização de suas peças neste momento o recolocaram na disputa pelo título. 

E isso é fruto de mudanças. De saídas e ajustes. De um organismo vivo pedindo transformações.


Rogério Ceni sofre segunda eliminação no comando do Flamengo
Rogério Ceni sofre segunda eliminação no comando do Flamengo Alexandre Vidal / Flamengo


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Como a mudança de posição de Arão criou novas estruturas e fez o Flamengo crescer no Brasileiro

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As fraquezas de Palmeiras e Santos! Em que ambos precisam melhorar para levar o título da Libertadores?

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

Jogadores de Santos e Palmeiras disputam a bola durante clássico pelo Brasileiro
Jogadores de Santos e Palmeiras disputam a bola durante clássico pelo Brasileiro Getty

Palmeiras e Santos fazem a final da Conmebol Libertadores no próximo sábado (30), e separei lances que mostram em que cada equipe precisa ficar esperta para não ser batida pela rival. Uma análise de pontos negativos que os dois finalistas têm mostrado nos últimos jogos e que precisarão ajustar para levar o caneco no Maracanã. 

O FOX Sports transmite ao vivo a final da Conmebol Libertadores, entre Palmeiras e Santos, no próximo sábado, 30 de janeiro, a partir das 17h (horário de Brasília). A decisão também terá acompanhamento em tempo real do ESPN.com.br, com VÍDEOS de lances e gols. E quando a bola parar, a melhor cobertura pós-jogo será na ESPN Brasil e no ESPN App, com entrevistas, festa do título e muita análise e opinião em SportsCenter e Linha de Passe, entre 19h e 0h. 

As fraquezas que Palmeiras e Santos precisam superar; assista


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'Paredão' x 'cara do equilíbrio': quem são os carregadores de piano em Palmeiras e Santos

Renato Rodrigues
Renato Rodrigues

Palmeiras e Santos fazem a final da Conmebol Libertadores no próximo sábado (30), e dois jogadores, um de cada lado, podem ser considerados os pilares de suas equipes. 

FOX Sports transmite ao vivo a final da Conmebol Libertadores, entre Palmeiras e Santos, no próximo sábado, 30 de janeiro, a partir das 17h (horário de Brasília). A decisão também terá acompanhamento em tempo real do ESPN.com.br, com VÍDEOS de lances e gols. E quando a bola parar, a melhor cobertura pós-jogo será na ESPN Brasil e no ESPN App, com entrevistas, festa do título e muita análise e opinião em SportsCenter e Linha de Passe, entre 19h e 0h. 

Um esbanja vigor físico e quase nunca perde uma disputa, seja por baixo ou pelo alto, é um dos líderes do grupo alviverde e não só comanda a zaga como é importante no começo das jogadas.

O outro é o ponto de equilíbrio alvinegro em campo, diminui o espaço como poucos na marcação e compõe a defesa quando um dos zagueiros sai.

É em cima destes dois 'carregadores de piano' que montei mais esta análise no DataESPN, que você vê no vídeo abaixo.

Paredão' x 'cara do equilíbrio' em Palmeiras e Santos; assista


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'Paredão' x 'cara do equilíbrio': quem são os carregadores de piano em Palmeiras e Santos

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Variação de sistema, mais jogo curto e presença ofensiva: como funciona o "novo" Atlético de Diego Simeone?

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Fonte: Renato Rodrigues

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Por que o gol da vitória do São Paulo sobre o Flamengo vai muito além do erro de Hugo Souza?

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Sai Coudet, entra Abel: quais as consequências de tais mudanças no Internacional?

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Messi x Benzema: veja a função e a movimentação das estrelas de Barça e Real para o esperado El Clásico

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Fonte: Renato Rodrigues

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Como Guardiola usou o "modo Arteta" para fazer o Arsenal cair em sua armadilha? Confira a análise

Renato Rodrigues
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Nesta análise você vai entender como Guardiola usou uma qualidade de Arteta contra ele para vencer o clássico no Etihad Stadium, por 1 a 0, no último sábado, em jogo válido pela Premier League. Assista:



Fonte: Renato Rodrigues

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Otero e Cazares podem jogar juntos? A possível formação do Corinthians

Renato Rodrigues
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As 'pressões quebradas' e os contra-ataques do River: como São Paulo sucumbiu em Buenos Aires?

Renato Rodrigues
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Fernando Diniz divide opiniões sobre seu trabalho no São Paulo
Fernando Diniz divide opiniões sobre seu trabalho no São Paulo []

Análise das principais dificuldades do São Paulo na derrota para o River Plate, por 2 a 1, em Buenos Aires, que acabou eliminando o time do Morumbi da próxima fase da Copa Libertadores:


Fonte: Renato Rodrigues

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As 'pressões quebradas' e os contra-ataques do River: como São Paulo sucumbiu em Buenos Aires?

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Qual foi a estratégia do Grêmio para sair do "desconfortável" primeiro tempo contra a Universad Católica?

Renato Rodrigues
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Renato Gaúcho comemorou muito a vitória Grêmio
Renato Gaúcho comemorou muito a vitória Grêmio Grêmio

Depois de fazer um primeiro tempo ruim dentro de casa, o Grêmio conseguiu se recuperar na segunda etapa e vencer a Universidad Católica por 2 a 0, na última terça-feira, e garantiu sua classificação para as oitavas de final da Copa Conmebol Libertadores. Ao fim do jogo, Renato Gaúcho afirmou que precisou fazer ajustes táticos no intervalo para sair do "desconforto" que os chilenos criavam. Veja na análise em vídeo quais medidas foram tomadas:

Fonte: Renato Rodrigues

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Qual foi a estratégia do Grêmio para sair do "desconfortável" primeiro tempo contra a Universad Católica?

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Como Pedro, além do gol, ajudou o Flamengo a sair de Guayaquil com os três pontos na Libertadores?

Renato Rodrigues
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Pedro comemora gol do Flamengo sobre o Barcelona na Libertadores
Pedro comemora gol do Flamengo sobre o Barcelona na Libertadores Getty

Muito mais que o primeiro gol da vitória por 2 a 1 contra o Barcelona-EQU, nesta terça-feira, pela Conmebol Libertadores, Pedro foi peça importantíssima para o Flamengo voltar para o Rio de Janeiro com os três pontos. O centroavante trabalhou bem no pivô e ajudou a sua equipe a "sair de trás" muita vezes.

Assista à análise:

Fonte: Renato Rodrigues

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Como Pedro, além do gol, ajudou o Flamengo a sair de Guayaquil com os três pontos na Libertadores?

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Como explicar a 'pane' do Flamengo na Libertadores? Veja a análise das falhas graves do 5 a 0 em Quito

Renato Rodrigues
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Gabigol e Bruno Henrique reclama durante Independiente del Valle 5x0 Flamengo
Gabigol e Bruno Henrique reclama durante Independiente del Valle 5x0 Flamengo Getty

Em mais um DataESPN de casa, mostraremos como em dois gols conseguimos explicar quase todos os problemas do Flamengo na derrota por 5 a 0 para o Independiente Del Valle, em Quito, na última quinta-feira, pela Copa Conmebol Libertadores:

Fonte: Renato Rodrigues

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Como explicar a 'pane' do Flamengo na Libertadores? Veja a análise das falhas graves do 5 a 0 em Quito

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A construção de Dome: quais ideias o treinador já instaurou no Flamengo e quais são os ajustes necessários?

Renato Rodrigues
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Com o DataESPN totalmente de casa, analisei as ideias de Domenec Torrent que começaram a surgir nos últimos jogos. Como ataca, como defende, pontos fortes e onde o catalão ainda precisa fazer ajustes. Assista o vídeo:


         
     

Fonte: Renato Rodrigues

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A construção de Dome: quais ideias o treinador já instaurou no Flamengo e quais são os ajustes necessários?

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O desempenho de Neymar na final da Champions e as diferentes formas de se olhar para o jogo

Renato Rodrigues
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Neymar ficou sem o título da Champions League em 2019-20
Neymar ficou sem o título da Champions League em 2019-20 Getty Images

O Bayern de Munique, que se mostrou mais forte coletivamente nos últimos meses, levou a UEFA Champions League contra o PSG. Apesar do equilíbrio no confronto que terminou 1 a 0, no último domingo, a conquista foi bastante merecida dado ao nível de jogo que os bávaros apresentaram sob o comando de Hans Flick e dentro da própria decisão no Estádio da Luz.

Mas como em qualquer fracasso, a missão número 1 de nós brasileiros veio à tona: achar um culpado. E não poderia ser diferente que Neymar seria um dos alvos perfeitos para descarregar a fúria da caça às bruxas. 

Exista também quem tente o defender. Enfim, não podemos negar que o astro divide amor e ódio por onde passa. Mas vamos tentar olhar tudo isso de uma maneira mais fria e racional.

O ponto principal para olharmos para o que foi a atuação de Neymar na final em Lisboa é o posicionamento dele escolhido por Thomas Tuchel. Questão, inclusive, que passou a ser uma crítica a seu treinador após o duelo.

O brasileiro atuou centralizado no ataque ao lado de Mbappé (pela esquerda) e Dí Maria (pela direita) como vemos na foto tirada do jogo logo abaixo. 

Na imagem vemos com Tuchel escalou seu ataque: Dí Maria na direita, Neymar por dentro e Mbappé pela esquerda
Na imagem vemos com Tuchel escalou seu ataque: Dí Maria na direita, Neymar por dentro e Mbappé pela esquerda DataESPN

"Mas como assim?". "Neymar não é centroavante". "Esse treinador dele fez m...". Definitivamente, não é bem assim.

Ao analisar um jogo ou o desempenho de uma equipe/jogador, busco partir sempre do princípio de entender a ideia por trás da escolha. O que o treinador quis a partir daquela decisão. Para aí sim não apenas definir se foi certo ou errado, mas sim tentar entender se fazia sentido a escolha e se ela deu certo ou não no fim das contas.

No caso de Neymar como centroavante: a ideia fazia sentido. Pelo menos na minha interpretação, Thomas Tuchel quis, além de deixar sua principal referência técnica com o mais liberdade possível para se mover, também evitar desgaste físico de Neymar. Deixá-lo inteiro para quando a bola chegasse até ali para corridas em velocidade e duelos de 1x1.

Outro aspecto importante para deixar o brasileiro centralizado foi usá-lo no limite da linha defensiva do Bayern, que joga sempre muito alta e que mostrou alguns problemas com adversários anteriores. O gol do Barcelona, por exemplo, sai de uma infiltração de Jordi Alba neste exato cenário. Então está mais que comprovado que a ideia fazia sentido e que o treinador não foi tão imprudente assim. Mais que isso, estudou seu rival e planejou uma estratégia em cima de suas características.

A desolação de Neymar, vice-campeão da Champions League

A execução por outro lado, não saiu dentro do esperado. E muito por conta do que o próprio Bayern impôs no confronto. Para se lançar essa bola em profundidade por trás da defesa, o PSG precisaria, pelo menos por alguns instantes, ter situações que não tivesse tanta pressão na bola, para justamente alguém levantar a cabeça e enfiar essa bola no espaço. 

Mas isso pouco aconteceu. Os bávaros dominaram o confronto no aspecto físico. Pressionaram a bola freneticamente durante os 95 minutos de futebol em Lisboa. A saída de bola do PSG foi nitidamente quebrada por essas subidas de pressão e impactou muito no desempenho de Neymar e seus companheiros de frente, que também estiveram posicionados para receber essa bola nas costas da defesa durante boa parte do confronto.

Com isso, Neymar passou a receber bolas, muitas vezes, de costas para o gol, como na imagem abaixo. Aí sim um cenário totalmente desconfortável para ele, que tem como forte jogar de frente, arrancando e superando adversários no drible. Com os zagueiros usando a força física e encurtando, pouco rendeu o brasileiro que, com o passar do tempo, foi se irritando e recuando de forma significativa para tentar pegar a bola. Aí, com muitos metros longe do gol, ficou mais difícil atingir seu objetivo.

Neste lance, Neymar recebe a bola de costas, com o zagueiro pressionando
Neste lance, Neymar recebe a bola de costas, com o zagueiro pressionando DataESPN

Ao decorrer da partida, Tuchel jogou Neymar para a esquerda na tentativa de ajustar a equipe e sua influência nas ações ofensivas do PSG cresceu. Mesmo assim, não foi uma noite muito brilhante do camisa 10, que tomou decisões ruins e tem sua parcela de culpa em seu desempenho. Chorou e sentiu o baque de uma derrota dolorida. Traz consigo uma série de erros na sua trajetória no futebol, mas sente uma noite triste como qualquer ser humano.

Mais que isso, deixa também uma lição importante: que existem diversas formas de olhar para o jogo e entender os porquês dele. E dá sim para criticar personagem e questionar as decisões dele, mas podendo fazer isso de forma honesta e respeitosa. Assim só o futebol triunfa.

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Sai Boselli, entra Jô: Renato Rodrigues analisa diferenças com a troca de centroavantes no Corinthians

Renato Rodrigues
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Fonte: Renato Rodrigues

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O São Paulo do 'falso controle'

Renato Rodrigues
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Fernando Diniz divide opiniões sobre seu trabalho no São Paulo
Fernando Diniz divide opiniões sobre seu trabalho no São Paulo []

O São Paulo protagonizou uma eliminação dura na noite desta quarta-feira, no Morumbi. Sucumbiu frente a um Mirassol valente e organizado (3 a 2), mas que perdeu 8 jogadores titulares durante a pausa da pandemia. Mais do que isso, mostrou problemas estruturais e de escolhas que pairam no clube nos últimos anos e que, mais uma vez, questiona as diretrizes de uma direção pressionada.

E a queda nas quartas de final do Campeonato Paulista se torna ainda mais dura pelo fato de o Tricolor ter sido a equipe mais promissora entre as grandes antes da parada. Muito por demérito dos seus rivais, que não decolaram, mas com pontos positivos e, principalmente, mostrando certa ascensão em cima das ideias de Fernando Diniz. Alguns velhos problemas, no entanto, sempre estiveram ali e vieram à tona.

Tentar entender a situação que o São Paulo se encontra hoje e nos últimos anos requer mais do que achar um culpado. Trata-se de muitas variáveis, um contexto extremamente complexo que vai do campo à direção. Das escolhas, seja para o comando técnico ou escalações, e também uma questão de identidade, raramente vista na última década.

Se olharmos para dentro de campo, para as últimas atuações em si, talvez a palavra que mais me venha à cabeça é controle. Ou melhor, falso controle. Por isso o título do post.

Controle talvez seja uma das coisas mais preciosas que se tenha no futebol. E justamente pelo fato de ninguém tê-lo 100% dentro do campo de jogo. Mas é quase que uma unanimidade: quanto mais controle você tem, mais perto da vitória está. Por isso, trabalha para maximalizá-lo. Tentar ter nas mãos o máximo da narrativa do confronto, antecipando e neutralizando movimentos.

A expressão controle no futebol também vai muito além de ter ou não a bola. Mais uma vez não entrarei no discussão de melhor vs pior ou mesmo bonito vs feio. Mas é fato que existem formas e formas para se dominar um adversário. Para ser mais simples e direto: com ou sem a bola. E por isso é importante contextualizar toda essa perspectiva para entender esse São Paulo de Fernando Diniz.

 

Problemas estruturais



Jogadores do São Paulo antes de jogo contra o Mirassol, pelo Paulista
Jogadores do São Paulo antes de jogo contra o Mirassol, pelo Paulista Rubens Chiri/São Paulo FC

Não precisa ser amante das táticas para entender qual tipo de jogo Fernando Diniz pratica e quer praticar. Quem o contrata também sabe para o que é. Definitivamente essa não deveria ser uma crítica ao treinador. O ponto aí é: como executar todas essas ideias? E é aí que os problemas acabam expostos.

Vamos começar pela fase ofensiva, momento em que a equipe tem a bola. O fato de querer ter a bola, de ser protagonista no jogo é, sim, elogiável. A saída de bola, por exemplo, tem mecanismos bem estabelecidos a meu ver. O time flui nesta etapa de construção. A ideia de ter Tchê Tchê e Dani Alves por ali, se revezando, nessa iniciação, tem bastante lógica.

Mas é quando a bola chega perto do terço ofensivo que as coisas não encaminham bem. Vemos números de 20, 25, 30 finalizações em alguns jogos... Números frios que, por vezes, podem nos trazer uma falsa métrica. Mas quantas chances realmente foram cristalinas? Quantas partiram de uma finalização que nem deveria ser feita? Em quantas existia pressão na bola? Quantas no alvo? Quantas para fora?

Essa é uma impressão recorrente acerca deste São Paulo. Uma equipe que tem volume ofensivo, mas que não tem consistência, “punch”, nas ações com bola. E isso tem a ver com a filosofia também.

Um time que tem a bola, mas, do meio para frente, parece um pouco aleatório em seus movimentos. Uma espécie de “movimentem-se!”, mas não necessariamente como. Uma liberdade mal programada, extremamente intuitiva e que acredita no talento dos seus jogadores. Obviamente que não explorar suas qualidades seria um erro. Engessar a estrutura não é o caminho, mas o ideal seria sair do extremo. Criar situações e padrões que potencializassem essas qualidades, já que o São Paulo tem isso no elenco.

Mas não, esse livre caos, sem alguma lógica, traz a falsa sensação de controle. Porque ele não se resume a gols necessariamente. E acaba empilhando jogadores num mesmo setor, confundindo posições e funções.

Uma questão muito nítida contra o Mirassol foi a falta de “abrir o campo”. Não que isso seja uma regra. Mas foi perceptível que todos os jogadores se concentravam por dentro, fazendo exatamente o que o adversário queria. Com jogadores um pouco mais na amplitude, talvez espaços pelo centro seriam melhor utilizados. Ou mesmo trocas de lado, para gerar desequilíbrio. Mas o que vimos foram dois laterais jogando na base, com abrindo pouco o campo e dando quase nada de profundidade.

Sem a bola, os problemas ficam muito em cima das transições defensivas, momento da famosa recomposição. É bem verdade que, antes da parada, o São Paulo mostrava certo crescimento neste sentido e sofria cada vez menos nos contra-ataques. Mas esse é um ponto negativo que acompanha o trabalho de Fernando Diniz em outros clubes. O que deixa, muitas vezes, o jogo aberto, sempre a um passo de escorrer das mão. O tal do controle que tanto falo.

Momento em que o São Paulo disputa e perde 1ª e 2ª bola antes do gol do Mirassol: não existe linha defensiva
Momento em que o São Paulo disputa e perde 1ª e 2ª bola antes do gol do Mirassol: não existe linha defensiva DataESPN

Os dois primeiros gols sofridos na noite desta quarta-feira, principalmente, não podem acontecer num nível de competitividade que o São Paulo joga. O primeiro, de um escanteio sem rebotes, e um jogador se aproveitando de todo um espaço por trás da marcação. O segundo, perda de segunda bola e time totalmente desequilibrado para sofrer o ataque rápido. Essa transição descoordenada custou caro. Jogar bem é defender bem também.

Mas todas essas falhas estruturais também passam por escolhas individuais.

 

Priorização do talento “sem fome”


Jogar no modelo de jogo que Fernando Diniz tenta implementar exige muito mais que qualidade técnica. Essa organização deve sempre partir do princípio da intensidade, seja com ou sem bola. Jogar com uma linha defensiva alta, com muitos espaços nas costas dos zagueiros, pede muita proatividade dos atletas no momento em que a posse é perdida. Com ela, a necessidade é de um jogo dinâmico, com passes rápidos e mais profundidade.

Não sofrer o contra-ataque está muito atrelado ao que você faz no momento em que perde a bola. E isso falta ao Tricolor. Por vezes nem por ausência de vontade mesmo, mas por características individuais dos atletas escolhidos. Pegando de trás para frente, partindo do ponto que o São Paulo vai pressionar alto, Vitor Bueno e Pato, por exemplo. Ninguém dúvida da qualidade técnica de ambos. Mas e no momento em que se é necessário reagir rapidamente e pressionar a bola “como se não houvesse amanhã”?. A dupla, definitivamente, não entrega agressividade. Não se encaixa no plano. Igor Gomes até tenta, mas também não é algo destacável nas suas características.

Pato em disputa de bola contra o Mirassol
Pato em disputa de bola contra o Mirassol Rubens Chiri (São Paulo FC)

Então vamos lá: se sua ideia é pressionar alto, ser agressivo lá na frente e asfixiar seu adversário, como fazer isso com três jogadores que não tem essas virtudes? Realmente é uma lógica que não faz sentido e que, por mais que funcione em jogos e jogos, uma hora outra pode estourar num contra-ataque letal. E nem que isso tenha sido um problema contra o Mirassol, mas essa bola saindo de uma primeira pressão é um problema.

Se instalar no campo do adversário também exige resistência, capacidade de se repetir movimentos. Joga, perde, pressiona, recupera, joga, perde, pressiona, recupera... Essa é a dinâmica necessária para fazer esse tipo de jogo ser efetivo. Outro ponto é a capacidade dos jogadores de lado percorrerem longas distâncias durante todo o jogo. Reinaldo e Juanfran, apesar de terem suas qualidades, estão longe de ser esses caras. Até por isso não geram amplitude/profundidade pelos lados. Deixa-se de abrir o campo e empurrar o adversário para trás, ganhando espaço entre os jogadores de defesa do rival e na entrada da área.

Por mais que Igor Vinícios e Léo tenham seus defeitos, os vejo com com essas características. Força e resistência para subir e descer, além da capacidade de se impor fisicamente nos duelos. As recentes atuações da dupla, aliás, também credenciam uma maior regularidade no time titular e, por suas particularidades, poderiam acrescentar equilíbrio ao time, principalmente sem a posse da bola.

É simples escolha. Você ganha de um lado e perde do outro. Juanfran e Reinaldo te trazem mais experiência e qualidade técnica, mas deixam a desejar em outros aspectos. É a mesma lógica com os laterais mais jovens. Mas vejo necessidade de mais fisicalidade neste São Paulo. E talvez seja um dos times com mais material humano no Brasil para poder mudar um cenário com seu próprio elenco. São muitos jogadores promissores vindo de Cotia para trazer qualidade com a bola e fome sem ela.

 

O dilema da demissão


A problematização sobre manter ou não Fernando Diniz no cargo não se trata de “passar pano” como muita gente tende a acusar. É o simples fato de entender ser uma escolha complexa. Justamente por ser algo feito com certa recorrência no clube nas últimas temporadas e que só jogou o clube ainda mais para trás. Por isso é uma decisão difícil.

Um dos grandes erros do time do Morumbi nesta década foi a falta de norte. Uma gestão técnica mais coerente. Já repeti isso algumas vezes. Escolhas para o comando técnico que iam de Bauza a Osório, Doriva a Jardine, Cuca a Jardine... Sem entrar no mérito da qualidade desses profissionais, que são capazes, mas sim no tipo de trabalho que cada um tentava propor. Extremos totais, fazendo com que o clube rompesse com linhas diversas vezes, e deixando de criar qualquer identidade que seja.

Presidente Leco e Raí tem dura missão pela frente
Presidente Leco e Raí tem dura missão pela frente GazetaPress

Ao apostar em Diniz, a diretoria são-paulina deu o recado que a linha que querem seguir é a mesma de Jardine, Rogério Ceni e Osório. Mas trocar agora seria em qual sentido? Romper de novo ou apostar mais uma vez nesse estilo? Quem escolher? Vão sustentar e apoiar a próxima escolha? São todas perguntas muito necessárias e difíceis de serem respondidas pelo histórico recente da atual administração.

Por mais que o baque dessa última eliminação tenha sido forte, vejo o São Paulo com problemas ajustáveis. E pelo próprio Diniz. Em questão de ambiente e condução de trabalho, as referências são as melhores. É um treinador trabalhador e preocupado com os detalhes, agregador e que tem o grupo ao seu lado. Resta saber o quão disposto ele está de se desprender de algumas convicções e tentar essa volta por cima.

Fonte: Renato Rodrigues

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O São Paulo do 'falso controle'

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