Kyler Murray vai mesmo trocar a NFL pela MLB?

Ubiratan Leal
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Murray em ação pelos Sooners
Murray em ação pelos Sooners Getty

Não há muito o que se fazer quando seu time toma 28 a 0 da melhor defesa do campeonato logo no início do segundo quarto. Foi esse o cenário que Kyler Murray, quarterback do Oklahoma Sooners, enfrentou nas semifinais do futebol americano universitário contra o Alabama Crimson Tide. Depois desse início catastrófico, seu desempenho foi bom, terminando com dois passes para touchdown e 308 jardas aéreas. Mas não foi suficiente. Os Sooners perderam por 45 a 34 e Murray pode ter feito sua última partida de futebol americano em alto nível antes de se dedicar exclusivamente ao beisebol. Será mesmo?

Como as temporadas escolares das duas modalidades não se chocam, muitos jovens atuam nos dois esportes no ensino médio e alguns conseguem manter essa versatilidade na NCAA. Como os atletas não precisam se inscrever para o draft da MLB (ou seja, podem rejeitar a oferta) e há dezenas - sim, dezenas - de rodadas, é comum o beisebol recrutar atletas que se dedicam ao futebol americano. Há diversos casos famosos, entre eles Tom Brady (Montréal Expos), John Elway (Kansas City Royals e New York Yankees), Jameis Winston (Texas Rangers), Colin Kaepernick (Chicago Cubs), Golden Tate (Arizona Diamondbacks e San Francisco Giants) e Dan Marino (Kansas City Royals). Esses preferiram o chamado da NFL ou seguir no futebol americano universitário ainda esperando a NFL.

Em junho deste ano, o Oakland Athletics draftou na nona posição geral o defensor externo Kyler Murray, da Universidade de Oklahoma. Ele vinha de uma ótima temporada, com aproveitamento de 29,6% de aproveitamento, 10 home runs, 10 bases roubadas e 47 corridas impulsionadas em 51 jogos. Murray também era (ou ainda é?) o quarterback do time de futebol americano. Ele aceitou o contrato com bônus (equivalente às luvas adotadas no futebol brasileiro) de US$ 4,66 milhões para se profissionalizar no beisebol, desde que pudesse pular algumas etapas preparatórias para os recém-draftados para jogar uma última temporada com a bola oval.

Em teoria, Murray se tornou um atleta profissional de beisebol. Ele já anunciou que, em fevereiro, deve se apresentar ao centro de treinamento dos A’s no Arizona para a pré-temporada. A partir daí, teria início sua carreira no beisebol. E o fim dela no futebol americano.

Há bons motivos para essa escolha. Na MLB, o dinheiro é garantido: 100% do que for assinado vai parar na conta do jogador (na NFL, ele deixa de receber uma parte se for dispensado do time), a carreira é normalmente mais longa e a média salarial é mais alta. Além disso, analistas consideram seu potencial no beisebol maior do que no futebol americano. Por fim, pode haver uma questão de preservação física.

No entanto, a temporada espetacular - coroada com a conquista do prestigioso Troféu Heisman, dado ao melhor jogador do futebol americano universitário no ano - fez Murray balançar. O desempenho fez que seu potencial no futebol americano fosse reavaliado, e se equiparasse ao do beisebol. Ele ainda é visto como um quarterback baixo para a NFL (tem 1,78 de altura), mas já há analistas que consideram que seu talento natural pode ser suficiente para ele se consolidar na liga, como ocorre com Drew Brees e Russell Wilson.

Obs.: Russell Wilson traçou um caminho intermediário entre as duas ligas. Foi draftado pela MLB e decidiu se dedicar ao beisebol. Fez duas temporadas fracas nas ligas menores do Colorado Rockies e desistiu do beisebol, aproveitando que ainda era elegível pela NCAA para retornar ao futebol americano universitário. Seu registro e seu vínculo como atleta profissional na MLB ainda existe, e seus direitos foram negociados pelo Texas Rangers e, no início deste ano, com o New York Yankees. Assim, ele se apresenta à pré-temporada para manter a forma, fazer umas ações de marketing e dar palestras aos colegas de beisebol sobre o duro caminho para se tornar um atleta de sucesso.

Isso muda algumas questões, sobretudo no ganho financeiro imediato. Se Murray for draftado na primeira rodada da NFL, ele terá um bônus contratual mais alto do que os US$ 4,66 recebidos dos A’s e ainda há uma possibilidade enorme de receber um bom contrato de patrocínio de um fabricante de material esportivo (nessa área, a NFL traz muito mais dinheiro que a MLB). O ganho em longo prazo talvez seja menor, pois seria uma carreira provavelmente mais curta e com salários mais baixos, mas o futebol americano traria mais dinheiro nesse início de carreira profissional.

Scott Boras, empresário de jogadores mais importante do beisebol e agente de Murray, disse no início do mês que a escolha pela MLB é definitiva. Dias depois, mudou o tom e deu a entender que ainda havia a possibilidade de o cliente ficar no futebol americano. No momento, é essa a posição: teoricamente ele vai ao beisebol, mas ainda pode tentar o futebol americano.

O prazo para inscrição de jogadores no draft da NFL é 14 de janeiro. Até essa data ficará claro o que Murray fará. Se ele não se inscrever, é quase definitivo que ficou exclusivamente no beisebol. Se ele se inscrever, há dois caminhos: ele desiste do beisebol (e devolve o bônus contratual ao Oakland Athletics) ou tenta se tornar um atleta profissional nas duas modalidades.

A segunda opção é a mais deliciosa de imaginar, seria uma nova versão de Bo Jackson e Deion Sanders e Bo Jackson, que brilharam nas duas ligas ao mesmo tempo nas décadas de 1980 e 90. Dificilmente as equipes das duas ligas permitiram. Por isso, meu palpite é que ele tentará um meio-termo. Inicia a pré-temporada do beisebol normalmente, até joga na equipe de liga menor que lhe designarem. Quando ocorrer o draft da NFL, no final de abril, ele verá qual seu cenário no futebol americano - valor do contrato, nível do time em que caiu, potencial de crescimento e potencial de jogar imediatamente - e escolherá entre uma modalidade ou outra.

Fonte: Ubiratan Leal

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Em que situação estão as principais ligas americanas para a retomada das atividades

Ubiratan Leal
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LeBron James e Luka Doncic, dois dos principais nomes da atual temporada da NBA
LeBron James e Luka Doncic, dois dos principais nomes da atual temporada da NBA Getty

Os Estados Unidos são, com muita folga, o país mais atingido pela pandemia de Covid-19. No entanto, os números de novos casos e de mortes já começam a cair, sinais de que o pico já está passando. As ligas esportivas foram no embalo e aceleraram as discussões para retomar as atividades, encerrando a temporada (NBA e NHL) ou iniciando uma (MLB). 

Veja abaixo em que patamar está cada uma para o retorno:

NBA

A maior parte das franquias já teve liberação dos governos de seus estados para voltar a treinar. Ainda é uma atividade parcial, com pequenos grupos e distanciamento, mas a retomada definitiva seria mais rápida. É possível que no começo de julho já tenhamos partidas oficiais da maior liga de basquete do planeta.

Está cada vez mais consolidado o modelo de segurança sanitária que a NBA utilizará: os jogadores ficarão confinados em uma ou duas cidades em que poderiam ficar hospedados, treinar e jogar em ambientes controlados e de poucos deslocamentos. O local que surge com mais força nas discussões é o complexo da Disney World em Orlando, que conta com milhares de quartos em hoteis e ainda tem as arenas e instalações de treino no ESPN Wide World of Sports. Caso uma segunda localidade seja necessária (de preferência mais a Oeste), Las Vegas larga na frente pela capacidade de abrigar todos os times e até parte das atividades esportivas dentro de um mesmo hotel. Como falta pouco para encerrar a temporada, cerca de dois meses, os jogadores parecem dispostos a se sujeitar ao distanciamento de suas próprias famílias.

ESPN Wide World of Sports, em Orlando
ESPN Wide World of Sports, em Orlando Gustavo Hofman

O que ainda se discute muito é dentro de quadra: qual a fórmula para acabar o campeonato. Retomar a temporada de onde parou soa impraticável. Ainda faltavam entre 16 e 19 jogos para as equipes e levaria mais de um mês só para isso, mesmo se o calendário for sobrecarregado. Uma possibilidade é jogar apenas o suficiente para que todos os times terminem a temporada regular com o mesmo número de jogos. Outro caminho seria simplesmente decretar o final da temporada regular e ir direto aos playoffs.

Mas como terminar agora se ainda tinha time com chance de conquistar uma vaga no mata-mata? Justamente por isso, ganham forças os sistemas de disputa que coloquem 20 times na fase decisiva, dez por conferência. Desse modo, quem ainda tem chance seria contemplado. E essa fase decisiva poderia até ter uma etapa em grupos antes de definir as quartas de final (ou semifinais de conferência). Também se fala em misturar as conferências excepcionalmente, misturando todas as equipes.

MLB

O plano da MLB é reiniciar a pré-temporada no início de junho e abrir a temporada regular no primeiro fim de semana de julho, coincidindo com o feriado de 4 de julho (Dia da Independência dos EUA). Aliás, não é só isso que está definido: todo o campeonato já está desenhado. Os times jogariam em seus próprios estádios (sem torcida, claro), permitindo aos jogadores ficarem em casa, com seus familiares. A tabela marcaria apenas confrontos dentro da própria divisão ou com adversários da divisão equivalente da outra liga (leste x leste, central x central, oeste x oeste) para reduzir o desgaste, tempo e riscos de longas viagens. Seriam 82 partidas na temporada regular e os playoffs seriam ampliados para 14 times, sete da Liga Nacional e sete da Americana. A temporada seria encerrada em outubro, como já ocorre normalmente, porque a liga quer evitar uma decisão em novembro, quando poderia haver uma segunda onda da pandemia de acordo com as autoridades de saúde dos Estados Unidos.

Então está tudo pronto, é só jogar, certo? Errado. Em março, no início da quarentena, a liga entrou em acordo com o sindicato de jogadores e ficou combinado que os atletas receberiam os salários proporcionais ao número de partidas que fossem realizadas. Por exemplo, o sistema proposto tem 82 jogos, 50,6% dos 162 disputados normalmente. Assim, os jogadores receberiam 50,6% do salário.

Mookie Betts, grande contratação do Los Angeles Dodgers na temporada, ainda não estreou em partidas oficiais pelo novo time
Mookie Betts, grande contratação do Los Angeles Dodgers na temporada, ainda não estreou em partidas oficiais pelo novo time Getty Images

A rapidez com que saiu esse acordo foi saudada como sinal de melhoria na relação entre liga e sindicato. No entanto, os donos das franquias (que são os controladores da liga) perceberam que a conta era ruim para eles. Afinal, reduzir metade da temporada 2020 não significa que o faturamento será a metade, pois todo o dinheiro que entra em bilheteria e consumo nos estádios seria zerado. Resultado: os clubes decidiram propor um novo acordo, dividindo o faturamento da MLB deste ano em 50-50, com metade dele indo para o pagamento de salários e a outra metade para lucros e outras despesas.

O modelo representa uma enorme redução nos salários dos jogadores, que não detestaram essa parte do plano apresentado pela liga. As negociações estão em andamento, mas o clima entre as partes azedou na última terça, quando a proposta financeira da MLB foi oficialmente apresentada. Há quem tema um cancelamento total da temporada por falta de acordo, o que torna a contraproposta do sindicato tão importante. Ela pode dar o tom que a negociação tomará nas próximas semanas.

NHL

Das três principais ligas que pararam para a pandemia, é a que está mais atrasada no planejamento do retorno. Na última terça, a NHL apresentou o plano oficial para retomada da temporada. Os times se apresentariam para treinos restritos já em junho, mas treinos com toda a equipe só em julho. Não foi apontada uma data para o primeiro jogo oficial, mas talvez ficasse para a segunda quinzena de julho ou mesmo para agosto.

O principal problema da NHL é logístico. No hóquei no gelo, a presença canadense é muito grande, tanto na quantidade de franquias quanto na de jogadores. Por isso, todo o esquema para finalizar a temporada teria de considerar as restrições de trânsito entre Canadá e Estados Unidos, incluindo quarentena de alguns dias para quem atravessar a fronteira. Além disso, cerca de 15% dos atletas da liga estão na Europa neste momento, e também só poderiam treinar após cumprir quarentena quando fossem para a América do Norte.

O goleiro finlandês Pekka Rinne, um dos destaques do Nashville Predators
O goleiro finlandês Pekka Rinne, um dos destaques do Nashville Predators Getty

A vantagem da NHL em relação a NBA e MLB é ter a fórmula de disputa já definido. Para contemplar os times que estavam fora da zona de classificação para os playoffs, mas ainda brigavam por uma vaga, a liga decidiu aumentar o mata-mata de 16 para 24 equipes. Em cada conferência, os quatro primeiros estariam classificados antecipadamente para a primeira fase. Eles enfrentariam as equipes que passassem pela fase preliminar, composta por confrontos eliminatórios entre os times de 5º a 12º lugar.

NFL e NCAA

O futebol americano profissional e universitário, além do basquete universitário, trabalham com a ideia de que realizarão suas temporadas normalmente. A única diferença é que os estádios terão portões fechados, ainda que haja dirigentes da NFL sonhando com a possibilidade de ter torcida na reta final da temporada regular ou nos playoffs.

No caso do esporte universário, uma grande baixa foi o cancelamento da temporada em várias modalidades menos midiáticas (vôlei, ginástica artística, futebol, rugby, atletismo...) em algumas conferências.

Fonte: Ubiratan Leal

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The Last Dance: um debate com um dos maiores especialistas em Michael Jordan do Brasil

Ubiratan Leal
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O documentário "Arremesso Final" (que no Brasil ficou mais conhecido pelo seu nome original, "The Last Dance") foi o principal atrativo para o amante de esportes americanos nessas semanas de quarentena devido à pandemia. Sem competições acontecendo, a série co-produzida pela ESPN americana animou os últimos cinco domingos, com o lançamento de dois episódios inéditos de uma hora cada mostrando os bastidores da última campanha de Michael Jordan com o Chicago Bulls.

Michael Jordan faz a cesta do título em seu último jogo pelos Bulls
Michael Jordan faz a cesta do título em seu último jogo pelos Bulls Reprodução TV

A produção aproveitou imagens inéditas gravadas na época, com acesso raro a vestiários e corredores fechados à mídia, e um grande trabalho de pesquisa, produção e reportagem. Michael Jordan é a grande estrela, mas os episódios também mostram o papel de figuras importantes como o técnico Phil Jackson, o gerente geral Jerry Krause e jogadores como Scottie Pippen, Dennis Rodman, Steve Kerr e Toni Kukoc, entre outros.

Para discutir a série, gravei uma conversa em vídeo com Társis Marim, um dos maiores conhecedores de Michael Jordan do Brasil. Confira.


VEJA TAMBÉM

Vários documentários da série 30 por 30 da ESPN contam histórias ou personagens mencionados na série "Arremesso Final", em alguns casos até com mais detalhes. Estão disponíveis no WatchESPN e podem trombar com você na programação regular dos canais ESPN. Veja abaixo:

"Sole Man", sobre Sonny Vaccaro, o executivo da Nike responsável por levar Michael Jordan à empresa
"Jordan Rides the Bus", sobre a passagem de Michael Jordan pelo beisebol
"Once Brothers", conta a história da divisão da Iugoslávia sob o ponto de vista do basquete (o enfoque é maior em Drazen Petrovic e Vlade Divac)
"Bad Boys", apresenta o Detroit Pistons bicampeão da NBA imediatamente antes do início da dinastia dos Bulls
"This Magic Moment", mostra o grande time montado pelo Orlando Magic no meio dos anos 90
"Rodman: For Better or Worse", conta a trajetória de Dennis Rodman

Fonte: Ubiratan Leal

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A lição que a NBA dá sobre volta da pandemia

Ubiratan Leal
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NBA coronavírus
NBA coronavírus Getty Images

O esporte está parado por causa do coronavírus, e é evidente que está perdendo muito dinheiro com isso. Como quase toda a economia, claro. Por isso, discutir, planejar e estabelecer um modelo para a retomada das atividades pós-pandemia não é apenas natural como obrigatório. Afinal, não se imagina que tudo volte ao normal do dia para a noite. O retorno terá de ocorrer no momento certo, e diante de diversos protocolos de segurança. Não é diferente com a NBA, que teve a temporada interrompida pouco antes dos playoffs. E ela parte de um parâmetro mínimo que deveria ser padrão de todos.

A liga já estabeleceu seu plano de retorno. Nem tudo é divulgado oficialmente, até porque muitas medidas dependerão do cenário da pandemia em diferentes regiões dos Estados Unidos, algo em constante mudança. Provavelmente a NBA trabalha com alguns caminhos, cada um entraria em ação de acordo com as situações apresentadas. Mas uma coisa já se sabe: quantos testes de Covid-19 seriam necessários.

Jogadores, comissões técnicas, profissionais de mídia e funcionários de diversos setores operacionais teriam de trabalhar nos jogos. Todos teriam de ser testados para reduzir ao máximo o risco de um surto surgir dentro da liga. Pelos cálculos da direção da NBA, seriam necessários 15 mil testes para concluir a temporada 2019-20. E o que a liga decidiu em cima disso?

A LIGA NÃO TOCARÁ EM NENHUM TESTE enquanto profissionais de saúde e de outros serviços essenciais ou pessoas com sintoma estiverem precisando. Simples assim. 

Nesta sexta, Orlando Magic, Los Angeles Clippers e Los Angeles Lakers se tornaram as primeiras franquias a anunciarem testes em seus jogadores e funcionários. Mas isso só será possível porque as autoridades do Centro da Flórida e do Sul da Califórnia confirmaram que não há escassez de testes para Covid-19 na região. E isso foi confirmado por escrito.

Independentemente de a liga ou suas franquias terem ou não dinheiro para comprar e realizar testes de coronavírus, é evidente que o esporte não é uma atividade essencial à sociedade -- e mesmo à economia -- e pode esperar para realizar. Qualquer teste que apareça deve ser disponibilizado primeiro a quem é mais importante no combate à pandemia. Se o clube conseguiu algum, que ofereça ao hospital mais próximo ou às autoridades de saúde de sua cidade.

Não é o que ocorre com Flamengo, Grêmio e Internacional, que testaram seus elencos nos esforços de retomar os treinos presenciais no momento mais agudo da pandemia no Brasil. Podiam ter a mesma sensibilidade da NBA. Os profissionais da linha de frente e pessoas com sintoma de Covid-19 agradeceriam.

Fonte: Ubiratan Leal

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Sistema de pagamento para atletas universitários é tão óbvio que é difícil entender como demorou tanto

Ubiratan Leal
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LSU Tigers x Louisville Cardinals pelo futebol americano universitário
LSU Tigers x Louisville Cardinals pelo futebol americano universitário Getty Images

Instituições bilionárias, com milhões de torcedores, recebem centenas de milhões de dólares da televisão para ceder o direito de transmissão dos jogos de seus times, acompanhados por dezenas de milhares de torcedores nas arquibancadas, comandados por treinadores bilionários e formados por atletas de alto nível que… jogam de graça. É muito fácil de perceber que algo parece desproporcional no modelo financeiro do esporte universitário nos Estados Unidos. Algo que será reduzido em breve, pois a direção da NCAA aprovou a proposta que permite aos jogadores ganharem dinheiro com o uso de seus nomes e imagens.

O que isso significa?

Tecnicamente, os estudantes-atletas continuam jogando de graça para suas universidades. O pagamento que recebem é a bolsa de estudos, como sempre foi. No entanto, eles estão liberados para negociarem acordos para diversas atividades, como protagonizar campanhas publicitárias, participar de eventos comerciais, venderem anúncios em suas redes sociais, escrever um livro, dar clínicas do seu esporte e até abrir um negócio, entre outras coisas. Tudo isso seria apenas a partir de 2021, ainda não vale para o que resta (se é que resta algo) de 2020.

A grande vantagem desse sistema é que os atletas são remunerados por diversas atividades, mas não recebem dinheiro diretamente das universidades. E, ainda que soe justo que as instituições paguem pelos atletas que permitem que elas faturem tanto com esporte, essa relação seria mais trabalhosa para negociar. Primeiro, porque algumas universidades não aceitariam reduzir seus ganhos para repassar aos jogadores. Segundo, porque parte do público ainda acredita que tudo isso é uma questão educacional (para a maioria dos atletas -- os comuns, que servem para compor elenco -- é, mas isso não se aplica às estrelas, que é basicamente quem gira toda a roda) e resistiria a mudanças.

Sim, o resultado final acaba sendo bom para os dois lados. É tão óbvio que sai fumaça da cabeça pensar por que demorou tanto para chegarem a essa conclusão.

Há ainda outros benefícios. O sistema de recrutamento do esporte universitário é altamente corrompido, com constantes escândalos de pagamentos clandestinos a jogadores. Quando não há remuneração ilegal, cria-se um cenário ainda pior: atletas que vivem na miséria (houve já até casos de moradores de rua) durante as férias escolares. 

Por isso, se torna cada vez mais comum o caso de jogadores saírem do ensino médio e usarem uma liga profissional de desenvolvimento ou na Europa ou Austrália antes de saltarem para a NBA ou a MLB. O futebol americano não tem essa possibilidade, mas uma XFL ou AAF bem sucedida poderia ter esse papel. No sistema atual, as universidades se tornam mais interessantes aos jogadores. 

No entanto, ainda há questões que não são conhecidas. Jogos de videogame da NCAA seguem vetados porque a negociação para exploração de imagem de jogadores é negociada em bloco, e não há um sindicato ou associação que represente os estudantes-atletas. Mas a porta se abriu. Além disso, toda uma rede de exploração comercial desses atletas seria criada, e talvez atuar em universidade X fosse melhor para explorar esse universo do que defender a faculdade Y, eventualmente mudando um pouco a relação de forças das competições.

De qualquer modo, a notícia é boa. É hipocrisia demais tratar o esporte universitário americano como algo amador. Não é. E faz muito tempo. Agora, ao menos, isso se torna mais claro.

Fonte: Ubiratan Leal

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Red Sox recebem punição leve da MLB por roubo de sinais. Faz sentido, e não faz

Ubiratan Leal
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Red Sox comemoram vitória sobre os Yankees
Red Sox comemoram vitória sobre os Yankees Getty

Houve um tempo em que pouco se falava de distanciamento social, abaixar a curva, hospitais de campanha, EPIs e respiradores. Isso vinha só no noticiário internacional, algo supostamente distante, lá na Ásia. Naquele momento, que não é tão remoto assim, a vida seguia normalmente. E, no beisebol, o assunto mais quente eram as punições recebidas pelo Houston Astros -- e as boladas que seus jogadores levavam na pré-temporada -- por roubo de sinais e o que poderia vir para o Boston Red Sox.

Tudo isso parece fútil, mas as investigações continuaram e, nesta semana, a MLB anunciou as penas aos Meias Vermelhas. E, como ocorrera com os texanos, a torcida ficou com a sensação de que a liga pegou leve.

O Boston perdeu a segunda escolha do próximo draft. Além disso, o coordenador de vídeo JT Wilkins foi suspenso por um ano. O técnico Alex Cora também recebeu um gancho de uma temporada, mas essa pena é referente à participação dele no escândalo dos Astros em 2017. O treinador foi absolvido pelo papel dele no caso dos Red Sox. E só.

LEIA MAIS: Como o escândalo de roubo de sinais estourou no Boston Red Sox

Sabia-se que o caso do Boston era mais leve que o dos Astros, então é natural que a punição seja menor. Mas parece pouco na comparação direta, pois o Houston teve seu diretor esportivo e seu treinador suspensos por um ano (e o auxiliar técnico, Cora, que entrou no pacote agora), recebeu multa de US$ 5 milhões e perdeu as escolhas das duas primeiras rodadas nos dois próximos drafts. E isso porque houve quem achasse muita generosidade aos texanos.

Mas a chave aí é o que a investigação apontou. O que torna a punição proporcional.

O inquérito da MLB indicou que o uso de tecnologia para roubo de sinais foi iniciativa de Wilkins, ex-catcher que passou a assistente de observação e foi colocado na coordenação de replays para eventuais desafios à arbitragem. Com experiência de ex-jogador, ele tinha bom olho para observar o jogo e captar sinais dos catchers adversários. Por isso, também ajudava a preparar os vídeos utilizados pela comissão técnica para orientar o time. 

Wilkins teria incluído informações de sinais roubados nesse material, o que poderia ser utilizado por um corredor na segunda base, que está em posição de ver a mão do catcher adversário durante um duelo e passar o sinal de volta ao rebatedor. Segundo a liga, essa infração teria ocorrido poucas vezes, e só com alguns jogadores. A franquia teria comunicado a seu funcionário que isso era proibido e não deveria continuar.

Considerando essa informação, a punição leve aos Red Sox até soa proporcional. A irregularidade seria esporádica e de pouco impacto técnico ao longo da temporada. E o clube teria inibido a continuidade dessa prática. A questão é: muita gente acha estranho que teria sido apenas isso. Ainda mais considerando que, em 2017, o Boston já havia recibo um puxão de orelha oficial por usar meios eletrônicos para roubar sinais.

Sem detalhes de como foram conduzidas as investigações da liga é difícil julgar o relatório final. De fato, soa provável que um clube que já tivesse um esquema funcional de roubo de sinais (tinham feito pouco tempo antes, e tinham um profissional especializado nisso com ferramentas na mão) aproveitasse para usar melhor isso. A desconfiança generalizada na liga é que quase todos os times faziam, então imagina-se que os Red Sox fossem além do que foi divulgado pela MLB nesta semana.  Mas, dentro do que é oficial, a punição leve é compreensível. E é nisso que a liga vai se escorar diante das críticas.

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Acordo da MLB com jogadores é boa notícia para o torcedor

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

A pandemia de Covid-19 obrigou clubes e atletas a buscarem acordos para lidar com as perdas econômicas decorrentes da paralisação ou adiamento das atividades. Claro, isso também aconteceu na Major League Baseball. E o acordo veio rápido: os jogadores concordaram em receber o valor proporcional ao período em que o campeonato será efetivamente disputado e os donos das equipes aceitaram que a temporada será contabilizada nos contratos, mesmo que ela acabe cancelada por completo.

Os dois lados ficaram satisfeitos. Os atletas garantiram o que é mais precioso a eles: capacidade de se tornar agente livre para negociar contratos trilhardários o mais rápido possível. Por exemplo, Mookie Betts está em seu último ano e seria surpreendente se seu próximo contrato não superar os US$ 300 milhões garantidos. Se uma temporada parcial ou totalmente cancelada não fosse computada, ele só poderia fazer isso ao final de 2021, quando estaria um ano mais velho e com mais chance de uma lesão reduzir seu valor de mercado.

Mookie Betts, em ação pelo Los Angeles Dodgers
Mookie Betts, em ação pelo Los Angeles Dodgers Getty Images

Para os donos, correr o risco de ter um jogador em campo por um ano a menos não agrada muito. No entanto, a contrapartida é boa. Pagando o salário proporcional pela duração da temporada, eles garantem que só gastarão pelo que faturarem. Além disso, o acordo dá muito mais segurança jurídica aos clubes. Se eles decidissem pagar só parte dos salários, sem uma negociação prevendo isso, correriam o risco de entrarem em longas e custosas batalhas legais.

Obs.: para quem se perguntou, salários de funcionários de salários mais baixos e de jogadores de ligas menores foi garantido por completo para a temporada.

Mas quem tem mais a comemorar com o acordo são os torcedores. A questão não é o que cada lado pediu ou concedeu, mas o simples fato de o consenso ser atingido rapidamente e aparentemente sem tensões. Parece pouco, mas é um sinal alvissareiro considerando o clima ruim que dominava as conversas entre a liga e o sindicato de jogadores nos últimos anos.

O atual acordo trabalhista da MLB vence em dezembro de 2021. Mas já se sabe que os atletas estão descontentes com vários pontos e pedirão mudanças sensíveis para a nova versão do documento. Além disso, vários elementos novos serão incluídos no debate, como mudanças nas regras do jogo ou no regulamento do campeonato.

Por isso, as conversas para a renovação foram bastante antecipadas, com encontros ocorrendo desde 2018. Houve avanços em algumas áreas, mas ainda há motivos de impasse e, em determinado momento, a possibilidade de greve ou de locaute em 2022 era considerada razoável. O ambiente melhorou no segundo semestre de 2019, mas a discussão ainda é delicada.

Nesse cenário, os dois lados terem achado um termo comum para um momento de crise em que muito dinheiro será perdido é notável. E talvez mude o humor de dirigentes e jogadores na continuidade das conversas pelo próximo acordo trabalhista.

Fonte: Ubiratan Leal

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Acordo da MLB com jogadores é boa notícia para o torcedor

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NBA olha para a China novamente, agora atrás de uma solução ao calendário

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Jimmer Fredette, durante o All-Star Game da liga chinesa
Jimmer Fredette, durante o All-Star Game da liga chinesa Getty

O crescimento incessante da economia chinesa atraiu a NBA há muito tempo. A liga norte-americana de basquete realiza diversas ações na China para abocanhar alguns milhões de dólares da maior população do mundo. Mas, em momentos de crise pela pandemia de Covid-19, o que mais leva os olhares dos dirigentes americanos ao Extremo Oriente não é o dinheiro, e sim as opções para a retomada das atividades pós-quarentena e como terminar um campeonato em andamento.

Como país de origem do novo coronavírus, a China também foi o primeiro a sentir seus efeitos, o primeiro a decretar o fechamento do país e o primeiro a ver o recuo nos números de novos infectados e de mortos. Por isso, provavelmente será o primeiro entre as maiores economias do mundo a voltar à vida cotidiana, mesmo que o processo seja gradual. O que inclui a realização de eventos esportivos.

A NBA entrou em contato com a CBA (Chinese Basketball Association, a liga chinesa de basquete) para saber quais seus planos para a retomada da temporada. O basquete chinês está parado desde 24 de janeiro e ainda não anunciou quando e como será reiniciado. Mas a sinalização dada aos americanos é de um plano de colocar a liga toda em uma bolha. A informação foi publicada pelo repórter Brian Windhorst da ESPN americana.

A ideia seria colocar todos os 20 times da CBA em uma ou duas cidades, as candidatas principais seriam Dongguan e Qingdao, pouco afetadas pela Covid-19. Todas as delegações ficariam isoladas em um hotel. Lá eles não teriam contato com ninguém de fora e seriam submetidos a constante acompanhamento médio. Só sairiam da concentração para ir ao ginásio, onde disputariam as partidas contra adversários que estão no mesmo regime de isolamento. Todas as instalações estariam desinfectadas e os profissionais envolvidos na operação também estariam na bolha. E, claro, os eventos seriam com portões fechados a torcedores.

No cenário ideal, essa medida seria implementada para o resto da temporada regular. Nos playoffs, já seria possível os times voltarem a suas cidades e jogar com torcedores nas arquibancadas.

Esse tipo de regime vem sendo adotado no Japão e na Coreia do Sul. No Japão, a J-League (futebol) e a NPB (beisebol) estão suspensas, mas as equipes estão de quarentena em hotéis e saem para treinar ou disputar jogos-treino. O brasileiro Thyago Vieira, arremessador do Yomiuri Giants, me confirmou que os clubes da NPB até liberaram os jogadores a ficarem com a família na concentração, desde que as esposas e os filhos também se submetessem ao isolamento do resto do mundo.

A NBA já considera uma solução dessas. Entre outras opções, como reduzir o que resta da temporada ou reduzir as férias, a liga estuda a viabilidade de concentrar todas as equipes em uma cidade ou duas cidades -- que nem precisariam ter uma franquia -- e realizar jogos sem torcida. A bolha seria feita preferencialmente no Meio-Oeste, região com menos casos de covid-19 até agora, e poderia usar a infraestrutura de alguma universidade ou menos algum hotel de Las Vegas que tenha ginásio (assim, todos os times poderiam ficar no mesmo prédio).

A diferença da NBA para a CBA é que, na China, o governo pode impor uma ideia e todos teriam de aceitá-la. Nos Estados Unidos, seria preciso negociar com jogadores, e certamente haveria resistência a uma solução que afastasse os atletas de suas famílias por várias semanas. A Premier League também estuda solução semelhante à chinesa para concluir sua temporada e também teria o mesmo obstáculo.

Ainda não dá para dizer que a NBA realmente fará isso. Mas vale ficar de olho ao que acontece na China, pois medidas que funcionem lá podem ser replicadas nos demais países quando a pandemia der uma trégua. Isso vale principalmente para a retomada da vida normal e da economia. Mas também para o reinício das competições esportivas.

Fonte: Ubiratan Leal

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NBA olha para a China novamente, agora atrás de uma solução ao calendário

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Começar a temporada em dezembro (para sempre) seria bom para a NBA?

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Rodada de Natal da NBA
Rodada de Natal da NBA Divulgação


A NBA está diante de duas opções para a atual temporada: ou ela não terminará na data prevista, 21 de junho para caso de final em sete jogos, ou terá de reduzir o que falta do campeonato para caber no calendário. É com isso que a liga trabalha no momento, mas talvez a paralisação geral pela pandemia de coronavírus seja grande demais e nenhum desses dois caminhos sejam possíveis. Pensando nisso, o diretor executivo do Atlanta Hawks, Steve Koonin, veio com uma sugestão radical: mudar o período do ano em a temporada da NBA é disputada. Para sempre.

A sugestão parece estranha, mas faz sentido em vários aspectos. Em curto prazo, daria à liga muito mais margem para encerrar o campeonato. Se a próxima edição mantiver seu início para o final de outubro, a atual temporada teria de ser concluída até julho, no máximo chegando a agosto. Isso ainda daria aos jogadores um mês de férias e mais algumas semanas de preparação antes de recomeçar as disputas. Para concluir as disputas em julho ou agosto, os jogos precisariam ser retomados até o final de maio, no máximo no começo de junho. É possível que isso não seja viável.

Por isso, se a próxima temporada começar apenas no final de dezembro, a atual ganharia mais dois meses para ser encerrada, podendo avançar até setembro ou começo de outubro. Pensando no campeonato atual, seria ótimo ganhar essa margem de manobra. O problema é que estouraria na próxima temporada, que teria de se espremer entre o fim de dezembro e o meio de junho. A NBA teria de reduzir a quantidade de jogos na temporada regular ou congestionar o calendário com menos intervalo entre as partidas.

E aí vem a segunda parte do plano de Koonin: fazer da mudança de data algo permanente. A partir de 2020-21, a NBA jogaria entre o final de dezembro e agosto.

A lógica é principalmente econômica. No modelo atual, de outubro a junho, a primeira metade da temporada é ofuscada pela NFL, a reta final da luta pelos playoffs tem de disputar espaço com o March Madness e o mata-mata ocorre simultaneamente ao da NHL (ainda que o basquete seja bem mais popular na maioria das cidades em que as duas ligas estão presentes). Isso não impede a NBA de ser a liga que mais cresce entre as quatro maiores da América do Norte, mas mostra como o potencial poderia ser mais bem aproveitado.

No modelo previsto por Koonin, a liga tem início no meio de dezembro. Teria de concorrer com os bowls do futebol americano universitário e as últimas duas rodadas da temporada regular da NFL, mas é uma época do ano em que a NBA já fincou sua bandeira, sobretudo com a rodada de Natal. Depois disso, a temporada tomaria fôlego em janeiro e fevereiro, quando os playoffs da NFL atraem muito a atenção da mídia, mas várias equipes (leia-se: cidades) já foram eliminadas e seus torcedores não acharão ruim desviar seus olhares para o basquete. Além disso, a reta final da temporada regular e os playoffs disputariam espaço apenas com a temporada regular da MLB e da MLS.

Analisando apenas pelo calendário, parece o plano perfeito. Mas não é. Talvez os jogadores não aceitem perder as férias de verão, transformando isso em um tema de discussão trabalhista, e a possibilidade de disputar os Jogos Olímpicos. Também é preciso ver se haveria problema com a agenda de muitos ginásios, que aproveitam que NHL e NBA terminam em junho para receber a temporada de verão de shows e eventos em geral. E, como toda mudança cultural, essa talvez sofresse rejeição dos mais tradicionalistas.

De qualquer modo, é uma proposta das mais ousadas. E a NBA está abertamente estudando caminhos para melhorar ainda mais sua média de público e sua audiência na TV. Não apenas pela paralisação causada pelo coronavírus, mas porque quer aproveitar ainda mais seu potencial.

Fonte: Ubiratan Leal

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Quais ligas americanas potencialmente sofrerão mais os impactos do coronavírus

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal


Champions League com portões fechados, Six Nations com jogos adiados, Campeonato Italiano suspenso no mínimo até abril, Masters de Indian Wells cancelado. O mundo do esporte tem cortado na carne para lidar com a epidemia de coronavírus. Nas grandes ligas norte-americanas, a NBA foi a primeira: anunciou a suspensão da temporada até segunda ordem. Além disso, as autoridades de Seattle e San José proibiram eventos que reúnam milhares de pessoas nas suas cidades.

É questão de tempo para que medidas como essas sejam anunciadas em outras ligas nos EUA. E, no momento entre eu escrever esse texto e você lê-lo, é bem possível que haja já novidades. De alguma forma, todas serão atingidas. Mas em quais os impactos seriam maiores?

A resposta precisa não existe, pois ainda não se sabe qual será o ciclo da epidemia, principalmente a quantidade de pessoas infectadas e o tempo até ela ser controlada. Ainda assim, dá para estimar quais têm mais potencial para lidar com isso sem tantos problemas e quais sofreriam mais.

Veja abaixo, na ordem da que potencialmente sentiria menos para a que sentiria mais.

NFL e futebol americano universitário

A temporada do futebol americano, seja o profissional, seja o estudantil, tem seu início apenas em agosto e setembro. Se as medidas de controle dos Estados Unidos forem eficientes agora em março, é possível que o pico da epidemia já tenha passado no segundo semestre e já seja seguro realizar jogos com portões fechados ou com limitação na venda de ingressos.

O Kansas City Chiefs, atual campeão da NFL, talvez consiga abrir a temporada na data prevista
O Kansas City Chiefs, atual campeão da NFL, talvez consiga abrir a temporada na data prevista Getty

Na NCAA, haveria um grande impacto na temporada da primavera, quando as equipes fazem a triagem de jogadores e treinam (em alguns casos, com grandes públicos -- e faturamento com bilheteria -- nos estádios) para a temporada regular. Seria uma perda de receita considerável e os times talvez tivessem uma preparação prejudicada, mas os jogos oficiais em si talvez fossem realizados sem tantos problemas.

Na NFL, a pré-temporada é bem mais curta e mesmo ela poderia escapar do período mais sério da pandemia. O problema maior seria no draft, programado para 23 a 25 de abril em Las Vegas. É bem possível que o evento seja realizado sem público ou mesmo ser realizado remotamente, com cada time trabalhando dentro de seus escritórios e os jogadores aguardando seus nomes vendo a TV de casa. 

Ainda assim, a elite do futebol americano profissional e universitário ficaria longe do olho do furacão.

MLB

A Major League Baseball está prestes a começar. A pré-temporada está rolando e o início da temporada regular está marcado para 26 de março. É óbvio que o início da temporada será impactado, pois ocorrerá (ou deveria ocorrer, o tempo verbal pode mudar rapidamente) bem no momento em que os norte-americanos estão tomando as medidas mais drásticas para evitar o aumento da epidemia. E isso não é pouca coisa, pois o Opening Day é um dos dias mais importantes no calendário da MLB, com todos os estádios cheios e calendário feito para o beisebol dominar o dia na TV americana.

Fenway Park, casa do Boston Red Sox, em um Opening Day
Fenway Park, casa do Boston Red Sox, em um Opening Day Getty

Isso posto, a MLB teria muita capacidade de absorver o “fechamento” dos EUA (as pessoas ficarem prioritariamente em casa, só atividades fundamentais funcionarem normalmente) se ele durar dois ou até três meses. A temporada regular tem 162 jogos e há poucos dias livres para remarcar eventos adiados, mas não é preciso refazer a tabela inteira. Como os times podem jogar vários dias seguidos sem problema, é bem possível realizar uma temporada regular de 90 a 100 jogos em quatro meses ou de 80 jogos em três meses. Seria um campeonato legítimo pela grande amostragem de jogos e que chegaria aos playoffs em outubro, quando talvez não haja tantas restrições a grande aglomerações.

E o Opening Day? Bem, a MLB deve adiar o início da temporada. Mas ela começaria seus jogos quando fosse seguro realizá-los com portões fechados ou apenas quando houver condições para venda de ingressos? Para preservar o imaginário da abertura da temporada do beisebol, a liga teria bons motivos para esperar o momento em que poderá vender ingressos. Dependendo do caso, até poderia ser um marco sentimental ao público americano do “momento em que as pessoas voltarão a sair de casa”.

MLS

O cenário é semelhante ao da MLB. A temporada teve duas rodadas realizadas e talvez tenha de suspender a temporada por um tempo. Ainda assim, ela tem como absorver sem tantos traumas. Por exemplo, na temporada regular os times se enfrentam em ida e volta dentro de suas conferências e em ida com dez times da outra conferência. Dependendo de quanto tempo durar o “fechamento” dos EUA, bastaria adaptar a tabela e excluir os jogos interconferências, o que reduziria o calendário das equipes em dez jogos e manteria a legitimidade esportiva da classificação para os playoffs. 

A MLS só não tem um cenário tão confortável quanto a MLB porque teria boa margem para absorver só dois meses de interrupção. Mais que isso, precisaria ganhar outras datas, eventualmente cancelando a US Open Cup (Copa dos EUA), reduzindo o intervalo entre jogos no segundo semestre ou mesmo cortando uma fase dos playoffs.

NHL

Minutos depois de a NBA anunciar a interrupção da temporada, a NHL emitiu um comunicado dizendo que estava ciente do ocorrido no basquete, que consultaria especialistas e avaliaria as opções, eventualmente apresentando alguma novidade nesta quinta. Quando você ler esse texto, talvez a temporada já tenha sido suspensa também.


A situação na NHL tem uma ligeira vantagem sobre a NBA por ter uma presença canadense muito mais forte. Não apenas na quantidade de times na parte norte da fronteira, mas também do número de fãs. O canadense gasta mais que o dobro com a NHL que o americano. E a situação no Canadá é, por enquanto, mais controlada do que nos EUA (117 casos confirmados de covid-19, contra 1.312).

Ainda assim, a NHL teria um problema sério a resolver: uma interrupção neste momento afetará duramente a reta final da temporada regular e os playoffs (previstos para começar em 8 de abril). Se a temporada for suspensa, possivelmente os playoffs serão empurrados para frente, com possibilidade de realizar alguns jogos -- sobretudo nas primeiras fases -- com portões fechados e até reduzir as séries para acelerar a decisão, saindo do melhor de sete jogos para melhor de cinco ou mesmo melhor de três. Ainda assim, a decisão poderia ficar para o meio do verão e talvez atrasasse o início da próxima temporada para respeitar um período mínimo de férias dos jogadores.

Tecnicamente não há problemas em jogar no gelo no meio do verão, mas certamente a liga gostaria de evitar esse cenário.

NBA

Cenário muito parecido com o da NHL. As temporadas são quase simultâneas, com o basquete ficando uma semana e meia atrasado: os playoffs estão programados para começar em 18 de abril e terminar em 21 de junho. Isso pode fazer diferença na hora de acomodar a reta final da temporada no calendário após a retomada dos jogos, pois poderia invadiria o draft, programado para 25 de junho, e os Jogos Olímpicos, que devem ser adiados, mas ainda têm 24 de julho como data oficial de abertura.

Se isso acontecer, a NBA dará uma banana ao COI e a Olimpíada que se vire sem os jogadores da liga norte-americana. Mas também será um cenário desconfortável para o basquete e que poderia afetar o início da próxima temporada, como no caso da NHL.

XFL

A XFL teve uma temporada mal sucedida em 2001 e esperou 19 anos para retornar. Tudo para planejar direito e ter o cenário de mídia, torcida e investidores adequado para prosperar. O início da nova tentativa é oscilante, com média de público e de audiência de TV aceitáveis, mas sem convencer completamente. Até porque a sensação é de que as arquibancadas estão mais vazias do que indicam os borderôs de alguns jogos.

Tudo o que a XFL não precisa é de uma interrupção de sua temporada -- ou partidas de portões fechados -- justo quando chegaria na sua reta final e a atenção do público poderia aumentar. Em um cenário pessimista, isso poderia ser fatal para o futuro da liga, mas o mais realista é imaginar que pode tirar o embalo e prejudicar a temporada quando for reiniciada. Ou talvez nem seja encerrada e a edição de 2021 se transforme no retorno definitivo da XFL.

Basquete universitário

É o caso mais dramático. A temporada está nos playoffs de conferência, que ajudam a definir os times que disputarão o torneio que define o campeão nacional. A NCAA resiste em interromper seu calendário e anunciou que essa etapa será realizada com portões fechados, no máximo alguns familiares de jogadores terão permissão para acompanhar as partidas nos ginásios.

Wisconsin enfrenta North Carolina no March Madness
Wisconsin enfrenta North Carolina no March Madness Getty

Já há muita contestação sobre essa decisão, mas se tornará insustentável no March Madness. O supermata-mata do basquete universitário é um dos principais eventos do calendário esportivo americano, gerando bilhões de dólares. Realizar o torneio com portões fechados seria uma perda imensa de faturamento e de imagem, pelos jogos frios diante de assentos vazios. Adiá-lo seria complicado pois poderia cair para o período de final de ano letivo para os jogadores-estudantes e ainda prejudicar a preparação de muitos para o draft da NBA.

Há quem considere a possibilidade de a temporada terminar sem que se defina o campeão nacional.

Fonte: Ubiratan Leal

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Premier League vai criar seu Hall da Fama. E como eles são nas ligas americanas?

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Hall da Fama do futebol americano universitário
Hall da Fama do futebol americano universitário Getty

Um local para celebrar o Campeonato Inglês e os craques que ajudaram a torná-lo a melhor liga doméstica do mundo. A Premier League anunciou nesta quinta que criará seu Hall da Fama, com lançamento oficial e detalhes do projeto marcados para 19 de março -- quando também serão anunciados os dois primeiros imortais e a lista de jogadores que serão submetidos a voto popular para engrossar a turma inaugural.

A entidade não informou qual o método utilizado para a definição dos dois primeiros membros do Hall da Fama, tampouco se o voto popular será o método de escolha apenas nesse momento ou se será mantido para o futuro. De qualquer modo, esse é um elemento fundamental para um projeto como esse, pois a dificuldade de ser imortalizado ajuda a valorizar quem consegue entrar nesse local reservado para poucos. E isso não costuma rimar com “voto popular”, em que clubismo e apreço pessoal podem ofuscar a avaliação do que o jogador realmente representou.

Nos Estados Unidos, há Halls da Fama para todas as ligas americanas. Ainda que a maioria não seja específico da liga principal (o da Nascar é exceção), mas da modalidade como um todo, na prática ele serve como museu da NFL, da MLB, da NBA ou da NHL. Todos esses espaços adotam sistemas bastante rígidos de aceitação de novos membros. Mesmo que isso signifique deixar ídolos de diversas torcidas e jogadores de talento e currículo inquestionável de fora.

Veja como cada uma delas faz para definir os novos imortais (inclui apenas os critérios para jogadores. Para treinadores, dirigentes e outros profissionais os critérios variam bastante):

NFL

Nome: Pro Football Hall of Fame
Local: Canton (Ohio, EUA)
Inauguração: 1963
Jogadores imortalizados: 299
Quem é elegível: jogadores que se aposentaram há cinco anos
Grandes nomes fora do Hall (entre os elegíveis): Charles Haley, Jerry Kramer, Andre Reed, Bob Kuechenberg

O Comitê de Seleção é formado por 48 jornalistas com atuação em todas as cidades com franquias da NFL. Eles recebem sugestões de candidatos enviadas por torcedores comuns e colaboradores. A partir daí, é elaborada uma lista de 25 nomes, depois reduzida para 18. Membros do Comitê de Seleção se reúnem para votar, e apenas quem receber voto de pelo menos 80% dos eleitores é imortalizado.

MLB

Nome: National Baseball Hall of Fame and Museum
Local: Cooperstown (Nova York, EUA)
Inauguração: 1939
Jogadores imortalizados: 267
Quem é elegível: jogadores que participaram de dez ou mais temporadas na MLB e que se aposentaram há cinco anos
Grandes nomes fora do Hall (entre os elegíveis): Ozzie Smith, Mark McGwire, Curt Schilling, Barry Bonds, Roger Clemens

Um comitê da BBWAA (Associação dos Repórteres de Beisebol da América) divulga uma cédula a cada ano com os candidatos. A lista inclui jogadores que se aposentaram há cinco temporadas e ex-jogadores que não foram eleitos nos anos anteriores. Os eleitores são membros da BBWAA que cobrem a MLB diariamente há dez anos ou mais e só é permitido votar em até dez jogadores por cédula. Os jogadores que receberem 75% ou mais dos votos são imortalizados. Os que receberem entre 74,9 e 5,1% são mantidos para a eleição do ano seguinte. Quem ficar com 5% ou menos dos votos é excluído. Cada ex-jogador tem dez chances de ser eleito. Se não for imortalizado nesse período, é retirado da votação. Quem não foi eleito pode acabar imortalizado por comitês especiais formados por ex-jogadores, mas é um processo mais difícil por ter de concorrer com outros profissionais do beisebol (dirigentes, treinadores etc).

NBA

Nome: Naismith Memorial Basketball Hall of Fame
Local: Springfield (Massachusetts, EUA)
Inauguração: 1959
Jogadores imortalizados: 154
Quem é elegível: ex-jogadores que se aposentaram há três anos ou mais
Grandes nomes fora do Hall (entre os elegíveis): Shawn Kemp, Tim Hardaway, Rebecca Lobo, Chris Webber, Toni Kukoc

É o mais global dos salões da fama dos esportes americanos. Além das estrelas da NBA, o Naismith Memorial também celebra os grandes nomes do basquete internacional, casos dos brasileiros Oscar, Ubiratan e Hortência. Por isso, há quatro comitês que avaliam potenciais homenageados: América do Norte, basquete feminino, basquete internacional e veteranos. Os candidatos são avaliados e, a partir da quantidade de indicações que receberem, vão para o Comitê de Honra, formado por 24 membros. O ex-jogador é eleito se tiver 18 votos (75%) desse comitê.

Oscar em seu discurso de entrada no Hall da Fama do basquete
Oscar em seu discurso de entrada no Hall da Fama do basquete Getty

NHL

Nome: Hockey Hall of Fame / Temple de la renommée du hockey}
Local: Toronto (Canadá)
Inauguração: 1943
Jogadores imortalizados: 284
Quem é elegível: jogadores que não participam de uma partida internacional há três anos ou mais
Grandes nomes fora do Hall (entre os elegíveis): Kevin Lowe, Doug Wilson, Grant Fuhr, Alexander Mogilny

Teoricamente, é um espaço para o hóquei no gelo como um todo, mas o foco (que virou motivo de crítica) é na NHL. Todo ano, cada um dos 18 membros do comitê de seleção -- formado por membros do Hall da Fama, jornalistas e dirigentes -- apresenta um nome de possível membro do Hall da Fama. Os candidatos são submetidos a votação de todo o comitê e são aprovados se receberem 75% dos votos. São imortalizados no máximo quatro ex-jogadores por ano.

Futebol americano universitário

Nome: College Football Hall of Fame
Local: Atlanta (Georgia, EUA)
Inauguração: 1978
Jogadores imortalizados: 997
Quem é elegível: jogadores que já foram eleitos para a seleção da temporada e que deixaram o futebol americano universitário há dez anos no mínimo e 50 anos no máximo
Grandes nomes fora do Hall (entre os elegíveis): Joe Montana, Drew Brees e Derrick Thomas

Como a rotatividade dos jogadores universitários é grande (cada um fica no máximo quatro anos antes de se profissionalizar), a quantidade de jogadores que marcaram o futebol americano da NCAA é imensa, mas representa apenas 0,02% de todos que já atuaram. Além disso, torna sem sentido cláusulas como número mínimo de temporadas para um ex-jogador ser elegível. Antes, era necessário que o jogador tivesse concluído seu curso, mas essa cláusula já foi derrubada. Membros da National Football Foundation selecionam os jogadores a cada ano.

NASCAR

Nome: Nascar Hall of Fame
Local: Charlotte (Carolina do Norte, EUA)
Inauguração: 2010
Pilotos imortalizados: 35
Quem é elegível: pilotos com dez temporadas disputadas na Nascar e aposentados há pelo menos três anos
Grandes nomes fora do Hall (entre os elegíveis): Mike Stefanik e Neil Bonnett

O Hall da Fama da Nascar não homenageia apenas a Cup Series, principal divisão da categoria, mas todas as competições sancionadas pela entidade, da Xfinity Series até corridas em circuitos de terra. Como a quantidade de atletas des destaque é muito menor do que em esportes coletivos, a Nascar consegue evitar grandes polêmicas de nomes deixados de fora. Um comitê de 20 membros (incluindo historiador da categoria, membros da entidade e donos de circuitos) elaboram uma lista de candidatos a cada ano. A relação é submetida a um comitê eleitoral formado por 48 pessoas, entre jornalistas, ex-pilotos, ex-donos de equipes, ex-chefes de equipe, o atual campeão da Cup Series e até um voto dos torcedores (coletado via internet). Os cinco mais votados são eleitos.

Fonte: Ubiratan Leal

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NHL: funcionário da manutenção vira goleiro de última hora e fica com a vitória

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
David Ayres
David Ayres Getty Images

David Ayres ama hóquei e podia se dar por feliz por trabalhar em torno de seu esporte favorito. Ele atuou como goleiro na juventude, mas não teve oportunidade de se profissionalizar. Em 2004, teve de passar por um transplante de rim e a possibilidade de seguir uma carreira se tornou ainda mais remota. Por isso, trabalhar no setor de manutenção e como piloto de zamboni do Toronto Marlies, time de ligas menores, já estava muito bom. Até porque esse emprego o permitia ter uma ou outra chance de entrar como goleiro em alguns treinos da equipe. Aos 42 anos, já era mais contato com o hóquei no gelo profissional do que poderia esperar.

Havia uma questão, porém. Por essa atividade com os Marlies, Ayres estava listado como goleiro de emergência nas partidas em Toronto dos Marlies e dos Maple Leafs.

Goleiro de emergência? Para quem acompanha a NHL, já é um conceito bastante conhecido, mas a explicação simplificada vai para quem ainda não segue -- sugestão: siga! -- o hóquei no gelo.

Se algum goleiro se machuca durante uma partida, o goleiro reserva entra no gelo, lógico. Para esse time não ficar sem nenhuma opção no banco, o goleiro de emergência é chamado de urgência para ir à partida, assina um contrato de um dia (US$ 500 e a camisa com seu nome) e fica como terceiro goleiro. Cada equipe tem um goleiro de emergência listado, e ele pode ser chamado a qualquer momento, para defender qualquer equipe. Basta precisar.

Normalmente esse goleiro de emergência é um veterano que atuou na posição no ensino médio e, no máximo, em ligas menores ou universitárias e toca sua vida comum, com um emprego qualquer. Mas, como teve experiência em algum momento da vida, é mais qualificado para atuar no gol do que improvisar um jogador de linha que vai comprometer tecnicamente e ainda pode se machucar.

Quase nunca dá em nada. O goleiro de emergência fica lá esperando, o reserva que entrou fica no gelo até o final e pronto. Mas no confronto entre Maple Leafs e Carolina Hurricanes deste sábado, o goleiro titular dos Hurricanes machucou, o reserva entrou e também se machucou. Ou seja, Ayres teve de jogar de verdade. A situação foi tão inusitada que o goleiro entrou com a camisa dos Hurricanes, mas usando a calça dos Maple Leafs (seu time de coração) e capacete dos Marlies. 

O goleiro de última hora tomou dois gols nos dois primeiros chutes em direção a seu gol. A tensão cresceu no banco e na torcida dos Hurricanes, mas Ayres se recuperou e pegou todas as finalizações dos Leafs até o final da partida, ficando como goleiro vencedor nos 6 a 3 dos Canes.

Com isso, Ayres se tornou o goleiro mais velho a estrear com vitória na NHL, o segundo jogador mais velho a estrear na história da NHL e o primeiro goleiro de emergência a ser creditado com a vitória na história da NHL.

O veterano foi bastante festejado nos vestiários do Carolina. Recebeu banho de cerveja e foi apontado pelo técnico Rod Brind’Amour como o herói da partida.


A aventura de Ayres na NHL parou por aí. Ele confirmou que não tem pretensão de se apresentar para algum tipo de teste e buscar um contrato profissional. De qualquer forma, vai entrar no folclore dos Hurricanes. A franquia anunciou que vai colocar à venda uma camisa com seu nome, com o lucro sendo direcionado ao goleiro e a alguma instituição que trabalhe com vítimas de problemas renais.

Fonte: Ubiratan Leal

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NHL: funcionário da manutenção vira goleiro de última hora e fica com a vitória

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Novo sistema de playoff da MLB: como seria e o que ele indica

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Troféu da World Series
Troféu da World Series Getty

A Major League Baseball vai mudar, já está mudando. A queda de popularidade do beisebol entre as novas gerações enfim começou a incomodar a principal liga profissional da modalidade, e a MLB percebeu que era necessário realizar alterações que tornassem seu torneio mais atrativo para os jovens, mais agitados e ultraconectados. A maior parte das medidas visa reduzir o tempo dos jogos, mas há uma mais ousada e polêmica: mudar os playoffs.

Atualmente, o mata-mata da MLB é disputado por cinco equipes na Liga Americana e outras cinco na Nacional. Os três campeões de divisão se classificam automaticamente para as séries divisionais (equivalente a semifinais de liga), onde encontram o vencedor do jogo de wildcard (repescagem) realizado entre os dois melhores times que não venceram divisão alguma. Nas séries divisionais, o time de melhor campanha pega o vencedor do wildcard, enquanto que o segundo cabeça de chave pega o terceiro. Daí temos finais de ligas e a World Series, a decisão geral.

Pela proposta da MLB, seriam sete classificados em cada chave: três campeões de divisão e quatro wildcards. O time de melhor campanha teria uma vaga direta na série divisional. Os outros dois campeões de divisão e o primeiro wildcard enfrentariam os outros três wildcards em séries melhor de três, com todos os jogos na casa dos cabeças de chave. Como seria feito o emparceiramento? Os cabeças de chave escolheriam o adversário. Isso mesmo: seria realizado um evento em que o segundo time de melhor campanha escolhe qual dos wildcards quer enfrentar. Depois o terceiro campeão da divisão escolhe e o melhor wildcard fica com quem sobra.

Obs.: a fase de wildcard seria em melhor de três, mas não precisaria de datas extras em relação ao formato atual. Ela apenas ocuparia os dias de descanso antes e depois dos jogos de wildcards atuais. Ou seja, o time que pulasse essa fase não perderia tanto ritmo de jogo assim.

Nesse formato, a MLB tenta atingir dois alvos: aumentar a quantidade de time envolvidos na temporada regular e criar mais eventos com potencial de atrair a mídia. A primeira parte é fácil de entender: nos últimos anos, cresceu bastante a quantidade de times que não lutaram pela temporada, pensando apenas em economizar dinheiro e atrair jovens para se tornar competitivo no futuro. Ainda que faça sentido como estratégia, isso faz que algumas equipes tenham cerca de 500 jogos de temporada regular valendo muito pouco, alienando seus torcedores. Com mais vagas disponíveis, os playoffs são mais acessíveis e poucas franquias realmente se verão fora da disputa já no começo do ano.

A segunda parte é a mais polêmica. A MLB tem a desvantagem de ver seus playoffs ocorrerem em uma época do ano em que NFL, futebol americano universitário, NBA e NHL estão em disputa. Ou seja, dividindo atenção do público. Por isso, criar momentos de tensão e polêmica ajuda a cutucar o torcedor. E um evento em horário nobre de domingo em que os times escolhem quem enfrentarão (incluindo aí todo o debate que se estenderá nos dias anteriores sobre qual seria a melhor estratégia de cada um) tem um sabor diferente.

Já dá para imaginar o cenário. A MLB inclui no seu pacote de direitos de transmissão a venda do evento em que os cabeças de chave escolhem seus adversários e mais seis séries de wildcard, o que garante de 12 a 18 jogos decisivos (ao invés dos dois jogos atuais). Isso vale milhões diretamente e outros milhões indiretamente, com o espaço conquistado nas conversas pelas ruas, nas redes sociais e na mídia.

O problema é: tudo isso faz sentido comercial, mas soa apelativo esportivamente. Encaixar os sete classificados em um sistema de disputa não é natural, precisa de um contorcionismo grande no regulamento. E dar aos clubes o direito de escolher seus adversários é criar polêmicas fáceis.

Ainda assim, o lado econômico provavelmente falará forte e não haverá muita resistência dentro da liga para aprovar o formato. Os clubes gostarão de saber que os playoffs estão mais acessíveis. O sindicato de jogadores gostará de saber que mais associados disputarão o mata-mata. Os árbitros gostarão de ter mais chances de serem chamados para um trabalho extra em outubro. E todo mundo adorará ratear esse dinheiro extra que entrará. Mesmo a TV, que terá de gastar mais dinheiro, não achará ruim perceber que recuperou isso com a audiência das novas fases e de uma temporada regular com menos jogos irrelevantes.

Mas o sistema que a MLB escolheu para revitalizar os playoffs me fez pensar em outra coisa. Encaixar os sete classificados e a fase de wildcard com três confrontos soa forçado no modelo atual, mas ficaria bastante natural se… cada liga tivesse quatro divisões. Com quatro divisões, a melhor campanha entre os campeões vai direto para a série divisional, enquanto que os três campeões de divisão seguintes escolhem entre três classificados por wildcard. Faz muito mais sentido.

E como a MLB dividiria suas ligas para ter quatro grupos? Hoje, com 15 times na Liga Nacional e outros 15 na Americana, muito difícil. No entanto, se as grandes ligas expandirem para 32 franquias, uma em cada liga, são 16 para dividir em quatro grupos de quatro times. Exatamente como a NFL.

Rob Manfred, comissário da MLB, já disse que a liga pretende ampliar a quantidade de equipes. Para isso, só precisa resolver a questão dos estádios de Tampa Bay Rays e de Oakland Athletics. Talvez essa expansão não esteja tão distante assim e a entidade já faça planos pensando nisso.

Fonte: Ubiratan Leal

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Novo sistema de playoff da MLB: como seria e o que ele indica

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Honda, Parasita e o vírus

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Honda é apresentado à torcida do Botafogo
Honda é apresentado à torcida do Botafogo Vítor Silva/Botafogo

Milhares de alvinegros invadiram o saguão do aeroporto Tom Jobim, o Galeão. Cantaram músicas tradicionais da torcida, cantaram músicas criadas especificamente para o momento, balançaram bandeiras, fizeram a festa, se deram o direito de curtir o amor ao Botafogo e de ser feliz. Tudo isso com símbolos e mensagens em japonês. Era a AeroFogo para celebrar a chegada do meia Keisuke Honda.

Parece bobagem, mas não faz tanto tempo em que o termo “japonês” era usado no futebol como sinônimo de “jogador ruim”. Quando um time era ruim, falava-se “é tudo japonês”, mesmo que não houvesse nenhum oriental na equipe. Kazu até foi bem em Coritiba, Santos e XV de Jaú na década de 1980, mas não mudou essa visão.

Por isso, ver a torcida de um dos clubes que mais teve craques na seleção brasileira saudar um japonês, fazendo rimas e colocando faixas com a bandeira do Japão, dá uma satisfação. Tecnicamente, até acho que a contratação de Honda está sendo superestimada, que o meia do começo da década seria um excelente reforço, mas o atual, de 33 anos, talvez não seja suficiente para mudar o patamar o Botafogo. 

Dois dias depois, Hollywood também quebrou tabus ao premiar “Parasita”, uma produção sul-coreana, produzida por sul-coreanos, dirigida por um sul-coreano e falada em coreano com o Oscar de melhor filme. Bong Joon-Ho, o diretor, não deixou o momento passar despercebido, se pronunciando em coreano e ainda falando que ia “encher a cara” para comemorar. Houve quem tratasse com surpresa a ideia de um oriental dizer que ficaria bêbado.

Dois eventos completamente isolados e simples, mas se unem ao quebrar estereótipos. No aeroporto do Galeão, por um momento o preconceito com os japoneses no futebol deu uma trégua. Celebrou-se o Honda pelo que ele fez em campo, sem usar a nacionalidade dele como elemento para rotular negativamente sua qualidade. Em Los Angeles, premiou-se um sul-coreano sem que o estranhamento cultural e linguístico se tornasse obstáculo para admirar sua obra. E ainda se lembrou que, da mesma forma que um asiático pode jogar futebol, ele também pode encher a cara de felicidade.

Em qualquer outra circunstância isso seria trivial, mas ganha força nesse começo de ano. Afinal, o surto de coronavírus na China se transformou em pretexto para que se cometesse uma série de preconceitos com orientais. Chineses que não estiveram na China ou não tiveram contato recente com quem esteve eram impedidos de entrar em lojas em diversos países. Marchisio, ex-jogador da Juventus, até escreveu sobre isso em sua coluna no Corriere della Sera (link em italiano). Em São Paulo, um edifício comercial determinou que os funcionários de uma empresa japonesa deveriam usar um elevador separado dos demais.

A ideia de que “japonês é tudo igual” -- e, nesse contexto, “japonês” significa “qualquer pessoa vinda do Leste da Ásia, mesmo que de outros países" -- é mais que uma piadinha sobre a semelhança física. Muitas vezes vira ferramenta de estereótipo e preconceito. De achar que todo “japonês” é um transmissor em potencial de coronavírus. De achar que nenhum “japonês” bebe. De achar que nenhum “japonês” pode jogar futebol.

Como neto de japoneses, obrigado torcedor do Botafogo. A festa no Galeão representou mais do que vocês imaginam.

Fonte: Ubiratan Leal

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Honda, Parasita e o vírus

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Como o escândalo de roubo de sinais estourou no Boston Red Sox

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Alex Cora (de vermelho) cumprimenta Aaron Boone antes do clássico entre Yankees e Red Sox
Alex Cora (de vermelho) cumprimenta Aaron Boone antes do clássico entre Yankees e Red Sox Getty Images


As atenções estavam voltadas ao Houston Astros, que via sua comissão técnica e diretoria se tornarem alvos principais das punições da MLB pelo escândalo de roubo de sinais. Mas também havia motivos para ficar de olho com o que acontecia no New York Mets e, principalmente, no Boston Red Sox. Não demorou dois dias para ambas equipes anunciarem a demissão de seus treinadores, Carlos Beltrán e Alex Cora. E, no caso das Meias Vermelhas, ainda há expectativa de que venha mais bomba.

A questão imediata dos técnicos é até simples de entender. As investigações da MLB indicaram que ambos teriam sido os mentores do sistema de utilização de tecnologia para roubo de sinais dos adversários, ainda em 2017. Beltrán, então jogador dos Astros, estava com dificuldades no bastão e pediu ajuda a seu amigo Cora, na época auxiliar técnico do time. O resultado disso foi a utilização de câmeras -- utilizadas prioritariamente para os times avaliarem se vale a pena pedir o replay para revisar uma marcação do árbitro -- para filmar o catcher adversário passando sinais. As imagens chegam ao vivo a um monitor colocado no corredor que leva ao banco de reservas, onde qualquer um do Houston podia ver, identificar o arremesso e fazer algum som que o rebatedor identificasse.

ENTENDA:
Ex-jogador diz que time campeão da MLB em 2017 usou trapaça na campanha do título
O que pode acontecer com os Astros depois do escândalo de roubo de sinais?
Punição aos Astros por roubo de sinais: você quer justiça ou justiçamento?

A MLB não anunciou imediatamente as punições aos dois porto-riquenhos. Beltrán escapou porque a trapaça ocorreu quando era jogador, e hoje ele já tenta outra carreira (os Mets de 2020 seriam seu primeiro trabalho como técnico). O time nova-iorquino decidiu demitir por conta própria, para se afastar institucionalmente de um protagonista de escândalo. Cora certamente será punido, mas o tamanho da paulada não foi anunciado porque ainda há mais o que se investigar. É aí que o Boston Red Sox campeão de 2018 entra no caso.

O Boston chegou a ser advertido por criar um sistema de uso de imagens de TV e smart watches para roubo de sinais em 2017. Mas havia especulações de que os Red Sox seguiram roubando sinais irregularmente. Quando a investigação sobre o Houston Astros começou a avançar, acabou surgindo a revelação de que, realmente, os Meias Vermelhas não haviam parado.

Pelas regras da MLB, e o caso dos Red Sox foi um marco para reforçar isso, o roubo de sinais é permitido se realizado dentro de campo pela habilidade e malandragem dos jogadores. Um corredor na segunda base consegue ver os sinais do catcher. Se ele conseguir decodificar a orientação, pode fazer algum movimento que alerte o rebatedor (que fica de frente para a segunda base) do que estaria chegando. Isso sempre aconteceu no beisebol e não há intenção de mudar isso. O que não pode é usar tecnologia para fazer essa leitura. Aí é golpe baixo, passar do limite moralmente aceito no código de conduta da modalidade.

Os Astros pisaram nesse limite como se fosse uma bituca de cigarro que precisa ser apagada. Os Red Sox quiseram dar uma empurradinha no limite para ver se ninguém percebia ou aceitava que foi sem querer.

Em 2018, o Boston contratou Alex Cora como técnico. E o ex-auxiliar dos Astros levou para o Fenway Park o esquema que havia ajudado a implementar no Texas. Só que, calejado da bronca recebida no ano anterior, os Red Sox não foram de cabeça no roubo de sinal com tecnologia. Tentaram um esquema híbrido.

Como no caso do Houston, os Red Sox usavam câmeras para captar imagens dos sinais dos catcher e enviá-las para um monitor nos vestiários. A diferença é como os rebatedores recebiam essa informação. No caso dos Astros, vai de assobios e pauladas em uma lata de lixo até a suspeita de uso de artefato eletrônico preso ao corpo do jogador. Para o Boston, essa parte era mais discreta e, digamos, velha guarda.

Os rebatedores descobriam pelo vídeo quais os códigos de sinais que os adversários usavam. Eles trabalhavam normalmente no bastão, sem receber nenhuma orientação. No entanto, se chegassem à segunda base, eles usavam o conhecimento adquirido com as imagens do monitor do vestiário para ver as orientações dos catchers com os próprios olhos e repassar ao rebatedor. Ou seja, a segunda parte estaria dentro do código de ética que sempre foi aceito e praticado no beisebol. A questão é que a primeira envolvia a filmagem irregular dos oponentes.

E, como ocorreu com os Astros em 2017, os Red Sox acabaram campeões na temporada em que implementaram um sistema de roubo de sinais com a participação de Alex Cora.

Essa parte da investigação ainda está em andamento, pois a prioridade era concluir o caso do Houston. A situação do Boston é menos grave, porque seu próprio mecanismo não permitia a utilização a todo momento (era preciso haver um corredor na segunda base). Ainda assim, é passível de punição, sobretudo porque a franquia é reincidente do caso de 2017. Mas, para Cora, o gancho deve chegar ainda mais pesado, pois teria sido protagonista nos dois casos. Antes mesmo que novidades sobre a investigação dos Red Sox sejam reveladas, a franquia já demitiu o técnico.

E assim, a um mês do início da pré-temporada, três clubes -- incluindo dois dos últimos três campeões -- ficaram sem treinador. E a liga torce para qualquer outro clube que estivesse roubando sinais (suspeita-se que sejam muitos) resolva parar antes que a credibilidade da MLB toda seja colocada em xeque pela opinião pública.

Fonte: Ubiratan Leal

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Como o escândalo de roubo de sinais estourou no Boston Red Sox

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Punição aos Astros por roubo de sinais: você quer justiça ou justiçamento?

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Catcher dos Dodgers passa sinal em jogo contra os Astros durante a World Series de 2017
Catcher dos Dodgers passa sinal em jogo contra os Astros durante a World Series de 2017 ESPN

Um ano de suspensão para o técnico e para o general manager, dois anos sem primeira e segunda escolha no draft e uma multa de US$ 5 milhões. Foi essa a punição imposta pela Major League Baseball ao Houston Astros por desenvolver e manter um esquema de uso de tecnologia para roubo de sinais dos catchers adversários nas últimas temporadas. Os donos da franquia e os jogadores saíram ilesos, assim como o título da World Series de 2017.

ENTENDA:
Ex-jogador diz que time campeão da MLB em 2017 usou trapaça na campanha do título
O que pode acontecer com os Astros depois do escândalo de roubo de sinais?

A reação inicial de muita gente foi considerar a pena leve. Afinal, os Astros foram campeões enquanto estavam trapaceando. Ou seja, o benefício pelo roubo de sinais foi muito maior que o custo. Qualquer jogador ou qualquer clube faria a mesma troca: perder seu técnico, seu principal dirigente, algumas escolhas de draft e US$ 5 milhões para levar um troféu para casa. “No mínimo, tinham de tirar o título de 2017!”, foi uma afirmação bastante comum no Twitter nesta segunda.

Vamos com calma.

É tentador meter uma paulada federal no Houston Astros, daquela de deixar o time sem rumo. Tira o título, bane o clube de participação de playoffs e ainda o proíbe de negociar jogadores por alguns anos. O time mais consistente da MLB nos últimos anos rapidamente viraria um pária na liga e, em poucas temporadas, já estaria no fundo da tabela. Mas seria mesmo justo? Foi para tudo isso? Não estaria punindo pessoas que não têm nada a ver com isso? Isso é fazer justiça para punir um infrator ou justiçamento para atender a sede de sangue dos torcedores derrotados?

É preciso colocar a punição em perspectiva. Não apenas pelo que realmente representou a infração, mas também dentro do contexto de punições que a MLB (e, de certa forma, as outras ligas americanas) impõe a suas franquias.

Obs.: o caso de Alex Cora e do Boston Red Sox ainda não foi decidido. A MLB reforçou agora sua investigação aos Meias Vermelhas e Cora, que teria criado o esquema em Houston em 2017 e o levado a Boston no ano seguinte, pode pegar o maior gancho de todos. Especulam até um banimento perpétuo da liga.

As punições anunciadas estão entre as maiores já aplicadas pela MLB. A suspensão de um ano para AJ Hinch (técnico) e Jeff Luhnow (general manager) são mais que o dobro da pena para um jogador que foi pego no doping. E a punição em si é pesada não apenas pelo ano em que o sujeito fica sem trabalhar -- e sem receber --, mas também pelo fato de sua imagem ficar suja no mercado. Tanto que, horas após o anúncio da MLB, Hinch e Luhnow foram demitidos por Jim Crane, dono dos Astros. Provavelmente levará alguns anos para ambos recuperarem um posto de destaque na liga, se é que o farão.

Para os Astros, perder Luhnow e escolhas das duas primeiras rodadas nos drafts de 2020 e 21 pode ter implicações maiores do que parecem. O general manager era o grande líder de um dos melhores (talvez o melhor) departamentos de inteligência da MLB, capaz de identificar promessas e desenvolver ainda mais o talento de jogadores já rodados, sobretudo arremessadores. Uma punição a ele não apenas pode tirar a capacidade de articulação desse grupo técnico, mas também jogar a culpa da trapaça nesses profissionais. Muitos já recebem propostas de outras franquias. Desde esta segunda, a chance de alguns aceitarem aumentou sensivelmente.

Além disso, uma instabilidade nessa equipe de inteligência, além de uma eventual má imagem que a franquia deixe no mercado, pode tornar os Astros mais frágeis para negociar com jogadores. E haverá muito trabalho nessa área: cinco jogadores -- Josh Reddick, Yuli Gurriel, Michael Brantley, George Springer e Brad Peacock -- ficarão sem contrato ao final da próxima temporada, e mais oito -- Zack Greinke, Justin Verlander, Roberto Osuna, Joe Smith, Carlos Correa, Martín Maldonado, Lance McCullers e Chris Devenski -- têm vínculo por apenas mais dois anos. Algumas trocas desvantajosas ou não-renovação com alguns desses agentes livres podem desfazer rapidamente a base vitoriosa de hoje.

Astros comemoram título da World Series de 2017
Astros comemoram título da World Series de 2017 ESPN

O draft também pode ter um impacto, ainda que em longo prazo. Na MLB, há escolhas compensatórias (extras) após a primeira e após a segunda rodada, então, perder as escolhas das duas primeiras rodadas pode significar mais do que dois jogadores que deixam de ser recrutados. E, para uma franquia que pode precisar de talentos novos para se manter no topo quando o time atual envelhecer ou trocar de equipe, ficar sem os melhores talentos em duas classes seguidas deixaria buracos importantes.

Outras punições soariam mais a aplacar sede de sangue do que fazer justiça. Os Astros trapacearam, e isso os ajudou a conseguir resultados melhores nos últimos anos. Mas não muda o fato de que a equipe realmente é boa, competitiva e teria totais condições de conquistar o título de 2017 sem o roubo de sinais. 

Trapaça por trapaça, a justiça esportiva não costuma mudar o resultado de uma competição de esporte coletivo se um jogador -- por mais decisivo que ele tenha sido -- atuou dopado. Seria desproporcional fazer isso pelo roubo de sinais. Ainda mais porque poderia motivar o Houston a querer que todas as franquias fossem submetidas ao mesmo nível de cuidado, forçando a investigação nas práticas de todos os outros 28 times (os Red Sox não entram na conta porque já estão sob investigação). E certamente a MLB encontraria vários outros casos de roubos de sinais, criando um ciclo interminável de punição que poderia ruir a estabilidade política e credibilidade técnica da liga.

Isso não significa que a decisão da MLB tenha sido uma maravilha. Ela foi muito complacente com Crane e com os jogadores dos Astros (e, pelas informações veiculadas pela imprensa, partiu do elenco a ideia do esquema para roubo de sinais e sua aplicação). Mas seria difícil a liga impor uma pena pesada a um de seus sócios (os US$ 5 milhões de multa não fazem nem cócegas) e suspender ou multar jogadores poderia levar a uma longa disputa jurídica com a associação de atletas.

De qualquer modo, a MLB precisa agir rapidamente no caso do Boston Red Sox (que é menos grave, mas não pode ser ignorado). E pensar em uma forma de os sinais serem passados de maneira mais segura. Um ponto eletrônico não seria difícil de implementar. É só querer.

Fonte: Ubiratan Leal

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Punição aos Astros por roubo de sinais: você quer justiça ou justiçamento?

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Ligas brasileiras deviam aproveitar as festas para terem exposição

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Georginho, do São Paulo
Georginho, do São Paulo Beto Miller/Corinthians

O clássico das duas maiores torcidas de futebol do país, duelos com duas das maiores rivalidades do interior paulista e o dérbi nordestino, além de o campeão da Liga Sul-Americana visitando uma tradicional força. O NBB programou vários encontros marcantes para a rodada dos dias 27 a 29 de dezembro, jogos com potencial de chamar a atenção ao basquete nacional nas arquibancadas e, principalmente, na mídia. Ainda mais porque estamos em uma época especial do calendário: o momento em que o futebol nacional está parado e as pessoas estão com tempo livre de sobra.

Por mais que algumas modalidades tenham públicos bem estabelecidos, como o vôlei e o basquete, o caminho para uma real massificação passa por expandir essa base de torcedores. E isso inevitavelmente significa receber a atenção do enorme grupo de brasileiros que se dedicam exclusivamente ao futebol.

Durante a maior parte do ano, o futebol domina. As demais modalidades acabam programando seus jogos de forma que não concorram diretamente com o esporte mais popular do país, muitas vezes escolhendo horários ou dias da semana menos atrativos ao torcedor da TV ou da arquibancada. É difícil medir o impacto total disso na audiência e na média de público da Superliga, do NBB, da LBF, da Liga Futsal e da Liga Nacional de Handebol, mas certamente as ligas gostariam de trabalhar sem esse obstáculo.

É justamente o que ocorre em dezembro, especialmente nas semanas de Natal e Ano Novo. O futebol profissional está de férias e o torcedor tem apenas as especulações de mercado como motivo de engajamento maior. Momento ideal para as demais modalidades aparecerem. A LBF, a Liga Futsal e as Ligas Nacionais de Handebol masculina e feminina estão de recesso nesse período, mas a Superliga de vôlei e o NBB, não. O basquete percebeu a oportunidade e realizou partidas de bastante apelo dias após o Natal. Teve ótimos públicos em seus ginásios. Mas ainda é algo raro.

A Superliga tem recesso de 22 de dezembro a 5 de janeiro no torneio masculino e de 22 de dezembro a 7 de janeiro no torneio feminino. São duas semanas em que o vôlei teria grande exposição pela falta de futebol, mas desperdiça a oportunidade parando suas competições.

O NBB descobriu isso nos últimos anos. Encheu a tabela de grandes partidas em 2017 e apostou no Super 8 para mobilizar a torcida no ano passado. O retorno não foi tão bom e, na temporada 2019-20, deixaram o Super 8 para janeiro, reservando uma rodada de jogos de bastante apelo para os dias entre Natal e Ano Novo. O público respondeu com boa presença na maioria dos ginásios.

Claro que há resistência a isso. Realizar jogos obriga os clubes e a liga a funcionarem normalmente. Muita gente reclamaria porque gostaria de ter folga para passar as festas com família e amigos. Mas talvez seja o preço a se pagar.

Milhões de brasileiros trabalham normalmente nessa época do ano. Seja porque atua em um setor que não pode parar (transporte público, segurança pública, saúde, imprensa) ou porque atua em uma área que considera importante a sua operação se manter na ativa sempre (comércio, turismo, lazer). Se a liga considerar que a exposição do período de férias do futebol é fundamental, que se aproveite isso. Se for o caso, compense com bônus ou esquema de revezamento (quem joga/trabalha no Natal folga no Ano Novo e vice-versa).

Nos Estados Unidos é assim. As ligas americanas programam rodadas importantes para feriados e nas festas de fim de ano justamente para aproveitar que os torcedores estão de folga. O Dia da Independência é da MLB. O Dia de Ação de Graças é da NFL. O Natal é da NBA. O Réveillon é do futebol americano universitário.

Na Europa não é tão diferente. Por mais que jogadores e técnicos reclamem, as rodadas de fim de ano da Premier League se acumulam porque têm público acima da média. No basquete, a Liga ACB espanhola teve jogos em 28 e 29 dezembro e já retorna no dia 4 de janeiro. Sendo que, nos dias 2 e 3 já tem o retorno da Euroliga.

Por isso, a iniciativa do NBB deve ser saudada. E que deveria inspirar o vôlei. Afinal, se não dar para brigar diretamente com o futebol, que se coma pelas beiradas e aproveite para aparecer quando a bola para de rolar nos gramados.

Fonte: Ubiratan Leal

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MLB dá passo importante para adotar zona de strike digital nos próximos cinco anos

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Efeito digital simulando a zona de strike em transmissão de TV
Efeito digital simulando a zona de strike em transmissão de TV Reprodução TV

Contagem em 3 bolas e um strike. Bases lotadas, dois eliminados. Parte de baixo da oitava entrada e o time que está no bastão perde por uma corrida. Oportunidade clara de empatar ou mesmo virar o marcador. O arremessador manda uma bola rápida na parte externa, dois centímetros para fora. Walk e placar empatado, mas… o juiz dá strike! O rebatedor faz cara de quem comeu e não gostou, a torcida xinga, o narrador da TV levanta voz para dizer algo como “uma marcação controversa que pode mudar os rumos da partida”. E muda. No arremesso seguinte, o rebatedor, ainda irritado, vai para o swing em uma bola de efeito fora da zona de strike e é eliminado. O placar segue sem alteração e, na nona entrada, o fechador completa o serviço e garante a vitória de sua equipe.

O cenário descrito acima é extremo, mas acontece algumas vezes toda temporada. Se somarmos a isso outros momentos em que uma única marcação errada de bola ou strike teve influência no resultado final, chegamos em dezenas de casos por ano, muitos deles em partidas de playoff que podem decidir a classificação de uma equipe. Por isso, a marcação de bolas e strikes motivam sempre tanta polêmica. Ainda mais porque se trata da ação mais básica do beisebol, pautando cada um dos cerca de 300 arremessos que ocorrem por jogo.

Não à toa, televisão, clubes e empresas especializada em análise de desempenho desenvolveram radares que rastreiam o arremesso. Eles identificam onde a bola passou, se a marcação do árbitro foi correta ou mesmo se o jogador se equivocou na leitura do arremesso. E fica a pergunta: se já há radares disponíveis, por que diabos a MLB não adota definitivamente a marcação eletrônica e tira da mão do árbitro?

Bem, isso pode acontecer em breve. E tivemos um passo importante nesta segunda. Uma reportagem da Associated Press revelou que o novo acordo trabalhista assinado com a Major League Baseball, a Associação de Árbitros da MLB concorda em cooperar no desenvolvimento e no teste de radares para a marcação de bolas e strikes. A entidade também aceita colaborar se a liga decidir colocar a tecnologia em ação.

Pode soar como algo pequeno, mas não é. Pela relação entre a MLB e o sindicato, a aprovação dos árbitros é fundamental para a mudança de uma regra que afetará diretamente sua atividade. Também é preciso haver uma aprovação do sindicato de jogadores, mas essa seria mais simples para esse caso.

O acordo entre a liga e o sindicato de árbitros é válido pelos próximos cinco anos, e, se a marcação eletrônica for adotada, é provável que seja em algum momento dentro desse período. Em 2019, a MLB assinou um acordo com uma liga independente, a Atlantic Coast League, para a experimentação de novas regras no jogo. Uma delas foi o uso de radares para a definição de bolas e strikes e o teste foi considerado bem sucedido. Não houve perda significativa de tempo no anúncio das decisões e os jogadores pareceram aceitar a mudança. Ainda há ajustes a realizar, como no caso de bolas de curva com efeito muito acentuado e que ficam no limite de entrar ou não na zona de strike.

A adoção de radar para bolas e strikes não eliminaria o árbitro do home plate. No sistema que tem sido testado, ele anuncia a marcação normalmente, seguindo a informação que recebe em um ponto eletrônico. Além disso, seguiria a cargo dele a definição de várias outras jogadas, como check swing, se houve eliminação em disputa no home plate, balk e interferência. E, claro, se houver algum problema no sistema de marcação, o árbitro assumiria esse papel.

É provável que a MLB adote a marcação eletrônica em uma liga menor single-A (quarto nível) em 2020 e em uma triple-A (segundo nível) em 2021. Provavelmente seriam os passos finais para a entrada nas grandes ligas. Isso tornaria o beisebol no nível da MLB na modalidade coletiva com uso mais significativo de tecnologia na arbitragem. Afinal, sua ação mais básica, repetida centenas de vezes ao longo do jogo, seria decidida sem participação humana. Não haveria paralelo em futebol, basquete, rugby, futebol americano, vôlei, hóquei no gelo, handebol ou outro esporte de equipes. Só competições individuais com cronometragem eletrônica, como natação e atletismo, dependeriam mais da tecnologia para o desenrolar das competições.

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NBA se inspira no futebol europeu e quer criar uma copa durante a temporada

Ubiratan Leal
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Toronto Raptors posa para foto de campeão da NBA com o troféu Larry O'Brien
Toronto Raptors posa para foto de campeão da NBA com o troféu Larry O'Brien GETTY


O basquete tem bons motivos para estar otimista com sua popularidade. Vários índices apontam crescimento, com perspectiva futura ainda melhor pela força ser especialmente grande -- ainda mais na comparação com beisebol e futebol americano -- no público mais jovem. Mas há uma questão que incomoda: a audiência de TV. E, de acordo com reportagem de Adrian Wojnarowski e Zach Lowe da ESPN americana, a solução se inspira no futebol europeu.

As finais de 2018-19 tiveram as menores audiência da década na TV norte-americana. É até compreensível, considerando que apenas um dos times era dos Estados Unidos. Ainda assim, os números têm caído nos últimos quatro anos e a decisão de 2018 teve a terceira pior marca desde 2009. Mas essa questão nem é tão preocupante. O fato de a temporada passada ter um finalista canadense (Toronto Raptors) e a overdose de duelos entre Golden State Warriors e Cleveland Cavaliers pode justificar isso. E, na comparação com as World Series dos mesmos anos, a final do basquete tem números melhores.

O problema grande mesmo é na temporada regular. Várias cidades parecem desmobilizadas, sobretudo as que têm equipes fracas que apenas cumprem tabela esperando pegar uma boa posição para o próximo draft. A audiência desses jogos, geralmente transmitidos em canais regionais, tem sido particularmente baixa neste início de temporada. E mesmo os times fortes, com muitas partidas em rede nacional, os índices decepcionam.

A NBA considera que isso se deve a diversos fatores:

- Muitas franquias sabem que não têm chance de título e preferem fazer temporadas claramente ruins para se reconstruir ao invés de tentar ao menos uma vaga em playoff;
- A temporada regular é muito longa e a importância relativa de cada partida diminui. A torcida não se mobiliza tanto e...
- ...os times mais fortes, até por saberem que se classificarão ou que vencerão nos duelos contra as equipes mais fracas, acabam poupando suas estrelas em muitas partidas -- algumas delas transmitidas em rede nacional -- para tê-las em melhores condições nos playoffs.

Por isso, o comissário da liga Adam Silver, estuda um pacote de mudanças para a temporada regular:

- Redução da temporada regular de 82 para 78 jogos por equipe;
- Criação de um torneio de meio de temporada, uma espécie de “Copa da NBA” na comparação com as ligas e copas nacionais do futebol pelo mundo;
- Aumento das vagas em playoffs com a criação de uma etapa preliminar;
- Abrir a possibilidade de mudar o chaveamento das semifinais de conferência.

A primeira proposta visa reduzir o desgaste dos jogadores -- permitindo que os times não precisem poupar seus principais ao longo do ano -- e aumentar a importância relativa de cada partida. No entanto, os donos de franquias sempre reagem a ideias de redução da temporada regular, pois isso significa redução do faturamento em bilheteria, consumo no estádio em dia de jogo e direitos de transmissão. 

Adam Silver, comissário da NBA
Adam Silver, comissário da NBA Getty Images

Por isso, Silver sugere a criação de um torneio extra no meio do campeonato. Todos os 30 times participariam em um mata-mata só em jogos únicos. Os times fariam entre um e cinco jogos, dependendo da fase em que entrassem (dois teriam vaga direta nas oitavas de final) e fossem eliminados, nesse torneio, que ocuparia o espaço no calendário entre o Dia de Ação de Graças e o Natal.

O comissário da NBA acredita que esse torneio teria potencial de gerar receita suficiente para compensar as perdas dos jogos a menos que os times fariam na temporada regular. Além disso, daria aos torcedores de todos os times, mesmo os mais fracos, uma possibilidade de título e ainda criaria um evento que poderia ser organizado e comercializado à parte (ou seja, mais dinheiro). A inspiração declarada é o futebol europeu (Silver nunca escondeu que buscava no outro lado do Atlântico ideias para adotar no basquete). 

A ideia soa interessante, pois quebraria o certo marasmo que domina o meio da temporada regular da NBA (aliás, o mesmo comentário valeria para a MLB). Mas há uma questão importante: na Europa, a copa nacional é uma tradição estabelecida há décadas no calendário e clubes, mídia e torcedores dão valor a essa disputa. O torcedor, a mídia e os times da NBA a veriam da mesma forma? Dirigentes e analistas acham provável que essa “Copa da NBA” seria desprezada pelas equipes mais fortes, que a usariam para poupar seus atletas mais caros.

Por isso, a proposta que tem mais chance de vingar é a de criar uma fase preliminar nos playoffs. Hoje, se classificam os oito primeiros de cada conferência, que vão direto para as quartas de final do Leste ou do Oeste. A ideia da NBA é classificar dez times de cada lado, com os seis primeiros garantindo vaga nas quartas de final e sétimo, oitavo, nono e décimo disputando uma fase preliminar em jogo único para definir os dois últimos classificados.

Com isso, Silver acredita que aumentaria a importância de um time já classificado brigar para ficar entre os seis melhores de sua conferência. Além disso, mais equipes chegariam às últimas semanas de temporada regular com chance de playoff. E, bem, mais fanquias disputando playoffs são mais franquias mobilizando suas torcidas e ganhando dinheiro. Ainda que seja uma incômoda banalização do mata-mata (66% dos times estariam tecnicamente classificados), donos de clubes e jogadores não devem criar muitos problemas para aprovar a proposta.

A última mudança seria mais simples: realinhar as semifinais de conferência se necessário. Atualmente, os times são chaveados pela classificação (1 x 8, 2 x 7, 3 x 6 e 4 x 5) e a tabela permanece a mesma até o final. Se o segundo e o terceiro acabam caindo, as semifinais de conferência reúnem 1 x 4 e 6 x 7, ou seja, o primeiro colocado pega o adversário mais forte entre os sobreviventes, tudo por culpa da incompetência do segundo e do terceiro. Pela proposta, se algum cabeça de chave cair nas quartas de final de conferência, as semifinais são realinhadas para que os dois melhores times não possam se enfrentar. Isso já acontece na NFL, na NHL e na WNBA.

Todas as mudanças têm de ser analisadas e aprovadas pelos donos de franquias e pela associação de jogadores. Por isso, ainda há muita negociação para rolar e não há nenhuma certeza se alguma dessas propostas serão adotadas. Mas mostra uma inquietação saudável da NBA com a necessidade de criar mais atrativos para motivar torcedores, jogadores e mídia durante os longos meses de temporada regular.

Fonte: Ubiratan Leal

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O que pode acontecer com os Astros depois do escândalo de roubo de sinais?

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Austin Barnes, catcher do Los Angeles Dodgers, passa sinais para Alex Wood em jogo contra o Houston Astros na World Series de 2017
Austin Barnes, catcher do Los Angeles Dodgers, passa sinais para Alex Wood em jogo contra o Houston Astros na World Series de 2017 ESPN

A informação surgiu como denúncia, mas todos foram rápidos em aceitá-las como verdade. Mesmo os responsáveis não fizeram esforço até agora para negar a acusação. Parece ser um senso comum de que o Houston Astros realmente desenvolveu um esquema com uso de recursos eletrônico para roubo de sinais dos catchers adversários. Uma prática que teria ocorrido em 2017, temporada do título dos texanos, e que possivelmente teria se estendido por 2018 (vice-campeão da Liga Americana) e até 2019 (campeão da Liga Americana, derrotado na World Series).

LEIA MAIS: Ex-jogador diz que time campeão da MLB em 2017 usou trapaça na campanha do título

Para entender o caso e em que pé está a situação, fiz um pequeno Perguntas Mais Frequentes.

Os Astros realmente roubaram sinais?

Tudo indica que sim. A suspeita já era disseminada pelos demais times da MLB, mas ganhou força com o depoimento de Mike Fiers. O arremessador -- que fez parte do elenco dos Astros em 2017 -- não apenas confirmou a existência de um esquema com recursos eletrônicos para roubo de sinais, mas ele detalhou seu funcionamento. Pesquisas em vídeos de arquivo batem com o relato de Fiers. O tuíte abaixo é um exemplo claro.


O que o clube alega?

Nada. Exato, nada. O Houston Astros ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso, revelado há duas semanas. A postura dá a entender ainda mais que a franquia silenciosamente admite o ocorrido e trata apenas de controlar os danos nos bastidores. Membros da diretoria e da comissão técnica, quando procurados por jornalistas, não aceitam dar entrevistas, mas dizer “em off” o conhecido “ah, mas todo mundo faz”.

E todo mundo faz?

Sim e não. É difícil cravar que cada uma das 30 franquias da MLB tenha algum tipo de esquema para roubar sinais dos adversários, mas é bastante possível que várias façam isso. A questão é a forma como isso ocorre. Usar o corredor na segunda base para olhar os sinais e repassá-lo de alguma forma ao rebatedor é visto como algo legítimo, dentro da ética do jogo e que se deve mais a falha do catcher. Ter um funcionário fora de campo fazendo isso já é inaceitável, mas é tido como uma infração “apenas grave”. A forma como os Astros estariam fazendo exigiria todo um sistema de vídeo, com profissionais dedicados a ler os sinais (mesmo quando a dupla catcher-arremessador estiver usando códigos mais complexos) e monitor dentro dos vestiários, passa de qualquer limite. O Boston Red Sox fez isso há dois anos, usando smartwatches para passar a informação, e foi punido como recado para que as demais franquias não repetissem o ato. E os Astros repetiram. De forma ainda mais profunda.

Mas como os Astros perderam os quatro jogos em casa na World Series?

O time texano usará isso como álibi, talvez dando a entender que as infrações reveladas por Fiers ao site The Athletic se referiam apenas à temporada de 2017. Mas é fato conhecido na liga que o Washington Nationals, já desconfiando dos Astros, desenvolveram cinco códigos diferentes de sinais e fizeram revezamento entre eles -- muitas vezes trocando entre uma entrada e outra -- nas partidas em Houston.

Qual a repercussão do caso?

Enormes. A mídia e os torcedores têm tratado como se fosse o maior atentado à lisura do esporte desde o escândalo de doping no começo da década passada. Primeiro, porque envolveu um time que tem sido competitivo ano após ano e que chegou a conquistar o título na temporada em questão. Segundo, porque aumentou a desconfiança de que se trata de algo disseminado pela liga. Mal comparando, é equivalente ao escândalo da bola murcha do New England Patriots nos playoffs de 2015. Entre os jogadores, há quem veja Fiers como traidor por falar sobre algo que deveria ser um segredo de vestiário (a justificativa de Fiers para falar à imprensa foi ver vários colegas arremessadores perderem o emprego após partidas ruins contra adversários que podem estar trapaceando), mas a maioria demonstra indignação com o fato. Ainda assim, não se fala muito em “título manchado” ou “os Astros são farsantes e trapaceiros”. Talvez não falem muito por imaginar que seu próprio clube ou seus próprios companheiros já participaram ou participam desse tipo de esquema.

O que a liga pode fazer?

A MLB está investigando o caso, então as consequências dependerão do que for descoberto e do tamanho da responsabilidade de cada um. Pelo tamanho do esquema, é altamente improvável que seja uma prática isolada de dois ou três funcionários, sem que dirigentes e membros importantes da comissão técnica tenham conhecimento ou participação. A punição mais imediata deve girar em torno de multa e perda de escolhas do draft para a franquia. Mas onde pode ficar feio é na suspensão de figuras altas na hierarquia dos Astros, como o técnico AJ Hinch e o general manager Jeff Luhnow. Retirada do título ou banimento dos playoffs por uma ou mais temporadas são hipóteses muito remotas.

Pode respingar em outros clubes?

Sim. Durante as investigações, os Astros devem tomar como linha de defesa a prova de que todo mundo comete essa infração. Se o Houston conseguir provar algo, é capaz de outro time também sofrer alguma sanção, ainda que mais leve que a dos texanos. Mas onde também pode respingar é na suspensão de pessoas que trabalhavam nos Astros nos últimos anos e que atualmente estão em outras franquias. Por exemplo, já há especulação que Alex Cora, atual técnico do Boston Red Sox e auxiliar de Hinch no Houston em 2017, seria um agente importante no esquema de roubo de sinais. O mesmo já se diz de Carlos Beltrán, que fazia o último ano de sua carreira como jogador pelos Astros em 2017 e foi recentemente contratado como técnico do New York Mets. Expandindo para a área de gestão, há ex-profissionais dos Astros em vários clubes da MLB, que receberam convites justamente após o bom resultado do Houston nos campos.

Fonte: Ubiratan Leal

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O que pode acontecer com os Astros depois do escândalo de roubo de sinais?

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Washington Nationals, contra tudo e contra… os números?

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Jornalista torce, claro que torce. Ao contrário do que muita gente pensa, porém, normalmente a torcida não é pelo time de infância ou contra o rival desta equipe. Muitas vezes a torcida é por uma boa história, um jogo emocionante, algo que mobilize o público e faça mais gente perceber como aquele evento que está acontecendo é especial. E jogo 7 de uma final de campeonato sempre parece uma grande pauta em potencial. Como era Houston Astros x Washington Nationals na última quarta. Ou deveria ser, porque dois terços do jogo havia se passado e só um time parecia jogar.

Ao final da sexta entrada, os Nationals tinham conseguido apenas uma rebatida contra Zack Greinke. A mistura de bolas rápidas não-tão-rápidas-assim e muitas bem lentas com bastante efeito tirava todo o tempo dos rebatedores do Washington. Um após o outro, eles não encontravam a forma certa de lidar com cada arremesso. Dava toda a pinta que seria uma daquelas apresentações épicas de um arremessador que deixava o adversário parecer que não tinha entrado em campo.

LEIA TAMBÉM: Os playoffs 2019 podem redefinir o espaço dos Nationals, mesmo que o título não venha

Do outro lado, os Astros já tinham duas corridas. Max Scherzer, o arremessador dos Nats e um dos melhores do mundo (talvez o melhor) na função, estava voltando de lesão e claramente não estava no seu melhor. Os arremessos não se mexiam tanto durante a viagem, a localização não era tão precisa. Com isso, o ataque do Houston causava seus estragos. Cada entrada era como uma tragédia evitada no sufoco por Scherzer, com vários corredores em base antes da terceira eliminação. Se o ataque explodisse em algum momento, seria uma lavada dos texanos.

Como comentarista, foi inevitável pensar: “está só 2 a 0, ainda tem jogo, ainda dá para achar que pode virar. Mas, se o ataque dos Nationals continuar desse jeito, a vitória vai parecer fácil e uma galera que só veio ver o jogo porque era a finalíssima vai achar que foi sem graça. Que pena”. Grande engano. 

Parecia que a grande história de uma final apoteótica para a temporada 2019 da MLB estava murchando. Mas, na verdade, ela estava no meio. Quanto mais morto os Nationals parecessem, mais viva ela estava. Porque essa grande história era justamente sobre o time da capital americana ressurgir do nada para mostrar que sua missão era pisotear nas estatísticas de probabilidades. Foi assim o ano todo.

22%

Em 23 de maio, após 50 jogos (quase um terço da temporada regular), os Nationals tinham uma campanha de 19 vitórias e 31 derrotas. Era a segunda pior da Liga Nacional e a quinta pior de toda a MLB. Somente Miami Marlins, Baltimore Orioles, Detroit Tigers e Kansas City Royals -- todas equipes que sucatearam seus times para gastar pouco enquanto reconstroem o elenco -- estavam piores. De acordo com o site Fangraphs, um dos mais conceituados em estatísticas de beisebol, o Washington tinha apenas 22% de chance de classificação aos playoffs.

A partir de 24 de maio, os Nats iniciaram uma recuperação espetacular, fazendo a melhor campanha da MLB desde esse dia. Muita gente não percebeu, porque o início ruim mascarava isso e nem na briga pelo título da divisão -- conquistada pelo Atlanta Braves -- a franquia da capital americana entrou. Mas foi suficiente para pegar uma vaga no wildcard, que dava direito a um jogo de vida ou morte em casa contra o Milwaukee Brewers.

13%

Scherzer não foi brilhante como de costume e os arremessadores dos Brewers estavam dando conta do recado. O Milwaukee chegou à oitava entrada com vantagem de 3 a 1 e Josh Hader, um dos melhores fechadores (talvez o melhor), da liga no montinho para finalizar a partida. Os cálculos de probabilidade de vitória apontavam em 87% a chance de triunfo dos cervejeiros. Mas, já com dois eliminados na oitava entrada, uma rebatida simples de Ryan Zimmerman e um walk de Andrew Stevenson lotaram bases. Uma rebatida simples de Juan Soto com erro defensivo infantil de Trent Grisham permitiram a virada para 4 a 3, marcador que permaneceu até o final. 

Os Nationals sobreviveram após terem apenas 13% de chance de classificação. Era hora de mostrar esse poder de recuperação na série contra o Los Angeles Dodgers, time de melhor campanha da Liga Nacional.

Nationals comemoram o seu primeiro título da MLB
Nationals comemoram o seu primeiro título da MLB Getty

35%

Os Dodgers lideravam a série por 2 a 1 e anotaram uma corrida logo na primeira entrada do jogo 4. Com o placar em 1 a 0 na terceira entrada, a chance de vitória (e classificação) dos californianos estava em 65%. Mas uma sequência de walk, rebatida simples e rebatida de sacrifício permitiu o empate. A virada veio no decorrer da partida e os Nationals conseguiam ao menos levar a decisão para o jogo 5, em Los Angeles.

11%

O começo deu o tom: depois do susto, os Dodgers fariam seu favoritismo prevalecer em uma série que poderia ser resolvida em menos duelos. Os californianos abrem 3 a 0 logo na segunda entrada e vão tocando a partida. A duas entradas do fim, o máximo que os Nationals conseguiram foi reduzir o placar para 3 a 1. A seis eliminações do fim e com um dos melhores arremessadores do século 21 no montinho (e um dos melhores fechadores aquecendo), não soava estranho ver que os algoritmos apontavam em 89% a chance de vitória do Los Angeles. Mas home runs seguidos de Anthony Rendón e Juan Soto empataram o jogo e um grand slam de Howie Kendrick na décima entrada selaram a improvável vitória do Washington. 

A final da Liga Nacional seria contra o St. Louis Cardinals, mas nem teve graça. O Washington varreu a série e teve ao menos um pouco de descanso nessa saga de contrariar os números. A World Series seria diferente.

-235 x +195

O Washington Nationals parecia fazer hora extra nos playoffs, enquanto que o Houston Astros pintava como o supertime dos supertimes, o sobrevivente da batalha contra o New York Yankees. Antes mesmo do primeiro arremesso, a casa de aposta do Caesars, em Las Vegas, abriu as cotações da World Series com favoritismo de -235 para os Astros, enquanto que os Nationals tinham +195. Para quem não tem intimidade com essa numeralha de apostas, basta dizer que desde 2007 (quando o Boston Red Sox varreu o Colorado Rockies na final) a decisão da MLB não tinha uma equipe tão favorita.

32%

O Washington surpreendeu ao vencerem os dois primeiros jogos em Houston, mas as coisas pareciam voltar ao normal quando os Astros deram o troco e saíram com a vitória nas três partidas na capital americana. Bastava aos texanos seguirem o embalo e fechar a série na partida 6.

Isso vinha acontecendo até a quinta entrada. Os Astros tinham 2 a 1 no placar, Justin Verlander detonando tudo no montinho e chance de vitória em 68%. Mas home runs de Adam Eaton e Juan Soto viraram o placar, mais algumas corridas vieram no final e os Nationals forçaram a realização do sétimo jogo.

14%

E voltamos ao início do texto. Zack Greinke estava moendo o ataque dos Nationals no início da sétima entrada e o comentarista na transmissão brasileira estava lamentando a grande chance de a MLB terminar com um jogo sem graça. De fato, os algoritmos apontavam em 86% a probabilidade de vitória (e título) dos Astros. 

Até que Rendón conseguiu um home run no primeiro contato forte que os Nationals fizeram na bolinha em todo o jogo. Em seguida, Soto consegue um walk e AJ Hinch resolve mudar. Ainda que Greinke não estivesse desgastado, o técnico dos Astros troca de arremessador. Will Harris cede um home run para Kendrick e o placar, de repente, estava em 3 a 2 para o Washington.

O Houston morreu ali. Hinch tomou outras decisões duvidosas com arremessadores e o ataque sentiu o baque da virada inesperada. A diferença foi aumentando naturalmente, terminando em 6 a 2.

Foi a primeira série em melhor-de-sete com vitória dos visitantes em todas as partidas na história das grandes ligas americanas. A cidade de Washington via seu time conquistar um título no beisebol pela primeira vez desde 1924. O Brasil tinha no catcher Yan Gomes seu segundo campeão da MLB (o primeiro foi Paulo Orlando em 2015 com os Royals). Mas a grande história não era o que o título trazia, mas simplesmente ele existir, mesmo quando foi desenganado pelas estatísticas em tantas oportunidades.

Obs.: o site da ESPN americana já publicou seu ranking de força para a temporada 2020 da MLB. Mesmo com o título, o Washington Nationals está apenas na oitava posição. Pelo visto, a missão de contrariar os números na próxima temporada já começou

Fonte: Ubiratan Leal

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