Torcedor foi testar velocidade de seu arremesso durante um jogo. E acabou contratado

Ubiratan Leal
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Nathan Patterson
Nathan Patterson Instagram

Ser um atleta profissional é difícil. Muito difícil. Extremamente difícil. E, toda vez que você vê um atleta de altíssimo rendimento fazer algo e pensar “isso eu também faço” ou, ainda mais ousado, soltar um “eu faria melhor”, pode ter certeza que você tem 99,99999% de chance de não chegar nem perto. Se qualquer um pudesse praticar esporte naquele nível, os atletas não seriam tão bem pagos.

Mas o americano Nathan Petterson está no 0,00001% que, quando pensa “isso eu também faço”, realmente faria.

Como milhares de adolescentes americanos, Patterson havia jogado beisebol durante o ensino médio. Era arremessador no time de sua escola, mas não foi draftado e seguiu sua vida normalmente. Como milhares dos adolescentes, diga-se.

Até que, em agosto de 2018, ele foi a um jogo do Nashville Sounds, time de triple-A (liga menor imediatamente abaixo da MLB). O clube havia colocado uma jaula de arremessos com radar e os torcedores podiam ir lá e testar a velocidade de sua bola rápida. A maioria fica no patamar de amadores, entre 50 e 80 milhas/hora. Mas Patterson soltou o braço e o painel indicou: 96 milhas/hora. Um índice semelhante ao de jogador da MLB.

Patterson não arremessava com energia máxima desde que deixou o ensino médio, mas se animou com a força que seu braço ainda tinha. Resolveu investir em uma carreira tardia no beisebol. Treinou em academias especializadas para ver se mantinha a velocidade com constância e precisão e ainda entrou em uma liga amadora para ter mais experiência em jogo. Nesse meio-tempo, chegou a fraturar o punho em um acidente de carro, mas foi na mão esquerda (ele é destro).

Até que, em julho deste ano, Nathan estava em um jogo do Colorado Rockies e testou novamente seu braço. De novo 96 milhas/hora. Seu irmão, Christian, filmou e jogou nas redes sociais. E o vídeo viralizou.

Duas semanas depois, Patterson anunciou em suas redes sociais que havia assinado um contrato com o Oakland Athletics. Trata-se de um acordo para ligas menores, onde o arremessador iniciará sua preparação em um nível profissional para, eventualmente, ascender e chegar à MLB. Com 23 anos, ele precisa subir rápido para efetivamente ter uma oportunidade.

De acordo com Patterson, a conversa com os A’s vinha desde fevereiro, motivada pela demonstração no jogo do Nashville Sounds (que era filiado ao Oakland no ano passado). Mas a confirmação do contrato veio depois do vídeo no jogo dos Rockies se espalhar nas redes sociais.

Na postagem em que anuncia sua contratação, Patterson diz que a história ainda não acabou. “Estou escrevendo os próximos capítulos e estou animado com essa jornada. Hora de ficar ainda mais focado, trabalhar ainda mais duro, e tudo começa com sua mentalidade.”

Fonte: Ubiratan Leal

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Torcedor foi testar velocidade de seu arremesso durante um jogo. E acabou contratado

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Washington Nationals, contra tudo e contra… os números?

Ubiratan Leal
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Jornalista torce, claro que torce. Ao contrário do que muita gente pensa, porém, normalmente a torcida não é pelo time de infância ou contra o rival desta equipe. Muitas vezes a torcida é por uma boa história, um jogo emocionante, algo que mobilize o público e faça mais gente perceber como aquele evento que está acontecendo é especial. E jogo 7 de uma final de campeonato sempre parece uma grande pauta em potencial. Como era Houston Astros x Washington Nationals na última quarta. Ou deveria ser, porque dois terços do jogo havia se passado e só um time parecia jogar.

Ao final da sexta entrada, os Nationals tinham conseguido apenas uma rebatida contra Zack Greinke. A mistura de bolas rápidas não-tão-rápidas-assim e muitas bem lentas com bastante efeito tirava todo o tempo dos rebatedores do Washington. Um após o outro, eles não encontravam a forma certa de lidar com cada arremesso. Dava toda a pinta que seria uma daquelas apresentações épicas de um arremessador que deixava o adversário parecer que não tinha entrado em campo.

LEIA TAMBÉM: Os playoffs 2019 podem redefinir o espaço dos Nationals, mesmo que o título não venha

Do outro lado, os Astros já tinham duas corridas. Max Scherzer, o arremessador dos Nats e um dos melhores do mundo (talvez o melhor) na função, estava voltando de lesão e claramente não estava no seu melhor. Os arremessos não se mexiam tanto durante a viagem, a localização não era tão precisa. Com isso, o ataque do Houston causava seus estragos. Cada entrada era como uma tragédia evitada no sufoco por Scherzer, com vários corredores em base antes da terceira eliminação. Se o ataque explodisse em algum momento, seria uma lavada dos texanos.

Como comentarista, foi inevitável pensar: “está só 2 a 0, ainda tem jogo, ainda dá para achar que pode virar. Mas, se o ataque dos Nationals continuar desse jeito, a vitória vai parecer fácil e uma galera que só veio ver o jogo porque era a finalíssima vai achar que foi sem graça. Que pena”. Grande engano. 

Parecia que a grande história de uma final apoteótica para a temporada 2019 da MLB estava murchando. Mas, na verdade, ela estava no meio. Quanto mais morto os Nationals parecessem, mais viva ela estava. Porque essa grande história era justamente sobre o time da capital americana ressurgir do nada para mostrar que sua missão era pisotear nas estatísticas de probabilidades. Foi assim o ano todo.

22%

Em 23 de maio, após 50 jogos (quase um terço da temporada regular), os Nationals tinham uma campanha de 19 vitórias e 31 derrotas. Era a segunda pior da Liga Nacional e a quinta pior de toda a MLB. Somente Miami Marlins, Baltimore Orioles, Detroit Tigers e Kansas City Royals -- todas equipes que sucatearam seus times para gastar pouco enquanto reconstroem o elenco -- estavam piores. De acordo com o site Fangraphs, um dos mais conceituados em estatísticas de beisebol, o Washington tinha apenas 22% de chance de classificação aos playoffs.

A partir de 24 de maio, os Nats iniciaram uma recuperação espetacular, fazendo a melhor campanha da MLB desde esse dia. Muita gente não percebeu, porque o início ruim mascarava isso e nem na briga pelo título da divisão -- conquistada pelo Atlanta Braves -- a franquia da capital americana entrou. Mas foi suficiente para pegar uma vaga no wildcard, que dava direito a um jogo de vida ou morte em casa contra o Milwaukee Brewers.

13%

Scherzer não foi brilhante como de costume e os arremessadores dos Brewers estavam dando conta do recado. O Milwaukee chegou à oitava entrada com vantagem de 3 a 1 e Josh Hader, um dos melhores fechadores (talvez o melhor), da liga no montinho para finalizar a partida. Os cálculos de probabilidade de vitória apontavam em 87% a chance de triunfo dos cervejeiros. Mas, já com dois eliminados na oitava entrada, uma rebatida simples de Ryan Zimmerman e um walk de Andrew Stevenson lotaram bases. Uma rebatida simples de Juan Soto com erro defensivo infantil de Trent Grisham permitiram a virada para 4 a 3, marcador que permaneceu até o final. 

Os Nationals sobreviveram após terem apenas 13% de chance de classificação. Era hora de mostrar esse poder de recuperação na série contra o Los Angeles Dodgers, time de melhor campanha da Liga Nacional.

Nationals comemoram o seu primeiro título da MLB
Nationals comemoram o seu primeiro título da MLB Getty

35%

Os Dodgers lideravam a série por 2 a 1 e anotaram uma corrida logo na primeira entrada do jogo 4. Com o placar em 1 a 0 na terceira entrada, a chance de vitória (e classificação) dos californianos estava em 65%. Mas uma sequência de walk, rebatida simples e rebatida de sacrifício permitiu o empate. A virada veio no decorrer da partida e os Nationals conseguiam ao menos levar a decisão para o jogo 5, em Los Angeles.

11%

O começo deu o tom: depois do susto, os Dodgers fariam seu favoritismo prevalecer em uma série que poderia ser resolvida em menos duelos. Os californianos abrem 3 a 0 logo na segunda entrada e vão tocando a partida. A duas entradas do fim, o máximo que os Nationals conseguiram foi reduzir o placar para 3 a 1. A seis eliminações do fim e com um dos melhores arremessadores do século 21 no montinho (e um dos melhores fechadores aquecendo), não soava estranho ver que os algoritmos apontavam em 89% a chance de vitória do Los Angeles. Mas home runs seguidos de Anthony Rendón e Juan Soto empataram o jogo e um grand slam de Howie Kendrick na décima entrada selaram a improvável vitória do Washington. 

A final da Liga Nacional seria contra o St. Louis Cardinals, mas nem teve graça. O Washington varreu a série e teve ao menos um pouco de descanso nessa saga de contrariar os números. A World Series seria diferente.

-235 x +195

O Washington Nationals parecia fazer hora extra nos playoffs, enquanto que o Houston Astros pintava como o supertime dos supertimes, o sobrevivente da batalha contra o New York Yankees. Antes mesmo do primeiro arremesso, a casa de aposta do Caesars, em Las Vegas, abriu as cotações da World Series com favoritismo de -235 para os Astros, enquanto que os Nationals tinham +195. Para quem não tem intimidade com essa numeralha de apostas, basta dizer que desde 2007 (quando o Boston Red Sox varreu o Colorado Rockies na final) a decisão da MLB não tinha uma equipe tão favorita.

32%

O Washington surpreendeu ao vencerem os dois primeiros jogos em Houston, mas as coisas pareciam voltar ao normal quando os Astros deram o troco e saíram com a vitória nas três partidas na capital americana. Bastava aos texanos seguirem o embalo e fechar a série na partida 6.

Isso vinha acontecendo até a quinta entrada. Os Astros tinham 2 a 1 no placar, Justin Verlander detonando tudo no montinho e chance de vitória em 68%. Mas home runs de Adam Eaton e Juan Soto viraram o placar, mais algumas corridas vieram no final e os Nationals forçaram a realização do sétimo jogo.

14%

E voltamos ao início do texto. Zack Greinke estava moendo o ataque dos Nationals no início da sétima entrada e o comentarista na transmissão brasileira estava lamentando a grande chance de a MLB terminar com um jogo sem graça. De fato, os algoritmos apontavam em 86% a probabilidade de vitória (e título) dos Astros. 

Até que Rendón conseguiu um home run no primeiro contato forte que os Nationals fizeram na bolinha em todo o jogo. Em seguida, Soto consegue um walk e AJ Hinch resolve mudar. Ainda que Greinke não estivesse desgastado, o técnico dos Astros troca de arremessador. Will Harris cede um home run para Kendrick e o placar, de repente, estava em 3 a 2 para o Washington.

O Houston morreu ali. Hinch tomou outras decisões duvidosas com arremessadores e o ataque sentiu o baque da virada inesperada. A diferença foi aumentando naturalmente, terminando em 6 a 2.

Foi a primeira série em melhor-de-sete com vitória dos visitantes em todas as partidas na história das grandes ligas americanas. A cidade de Washington via seu time conquistar um título no beisebol pela primeira vez desde 1924. O Brasil tinha no catcher Yan Gomes seu segundo campeão da MLB (o primeiro foi Paulo Orlando em 2015 com os Royals). Mas a grande história não era o que o título trazia, mas simplesmente ele existir, mesmo quando foi desenganado pelas estatísticas em tantas oportunidades.

Obs.: o site da ESPN americana já publicou seu ranking de força para a temporada 2020 da MLB. Mesmo com o título, o Washington Nationals está apenas na oitava posição. Pelo visto, a missão de contrariar os números na próxima temporada já começou

Fonte: Ubiratan Leal

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Cinco motivos para acompanhar a World Series

Ubiratan Leal
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Troféu da World Series
Troféu da World Series Getty

Sete jogos em nove dias, no máximo. Não há nem tempo para respirar direito e, quando menos se espera, já saiu o novo campeão da Major League Baseball. A World Series começa nesta terça, com Washington Nationals e Houston Astros se enfrentando em uma série que deve ser marcada como uma das mais bem arremessadas da história.

Se você estava muito absorvido pelas primeiras rodadas da NFL ou ligado demais nos preparativos para a temporada da NBA, aí vão cinco bons motivos para reservar os próximos dias para dar uma atenção ao beisebol.

Obs.: os jogos serão dias 22, 23, 25, 26, 27, 30 e 31 de outubro, sempre às 21h de Brasília. Para mais informações, acesse a página de programação deste site. Para tirar dúvidas sobre beisebol, fiz um fio no meu Twitter com links para vários texto e vídeos explicativos.

Tem brasileiro na parada

Yan Gomes é o catcher do Washington Nationals. O time promove um rodízio entre o brasileiro e Kurt Suzuki na posição, mas Yan foi melhor ofensivamente nas finais da Liga Nacional -- a MLB o elegeu como melhor na posição nas duas decisões de liga -- e deve ter muitas oportunidades na World Series.

Não é a primeira vez que o catcher chega à finalíssima da MLB. Em 2016 ele estava no time do Cleveland Indians que foi derrotado pelo Chicago Cubs na decisão. No entanto, o brasileiro voltava de contusão e pouco apareceu nos sete jogos.

Caso o título vá à capital americana, Yan -- que é torcedor do Santos e usa a camisa 10 em homenagem a Pelé -- se tornaria o segundo brasileiro a conquistar a World Series. Em 2015, Paulo Orlando foi campeão pelo Kansas City Royals.

Arremessadores

Se alguém fizer um ranking dos cinco melhores arremessadores do mundo neste momento, a lista muitíssimo provavelmente terá três nomes que estarão na World Series: Max Scherzer (Nationals), Justin Verlander e Gerrit Cole (Astros). Se o tal ranking for de dez melhores, aparece mais um, Stephen Strasburg (Nationals), com chance de ainda outro, Zack Greinke (Astros).

Os Astros têm em Verlander e Cole os dois candidatos mais fortes a título de Cy Young (melhor arremessador) da Liga Americana nesta temporada. Os Nationals conseguiram levar dois no-hitters além da sexta entrada contra o St. Louis Cardinals na final da Liga Nacional.

Quer mais evidências? Dos dez arremessadores com mais strikeouts na temporada, cinco estarão na World Series. É apenas o segundo confronto na história da World Series com os dois times com mais strikeouts na temporada regular. Aliás, os Astros são o time com mais percentual de eliminações por strike na história da temporada regular… e os Nationals na história dos playoffs.

As duas rotações são incrivelmente talentosas e tendem a dar o ritmo dos confrontos: jogos de placares baixos, com times tentando transformar em corrida qualquer migalha de produção ofensiva, sobretudo nas primeiras entradas. Isso los leva para o quarto item...

Jogos tensos

O beisebol é um esporte mais relaxado na temporada regular. São 162 jogos, perder algumas dezenas no caminho é aceitável e, com partidas quase todo dia, muitas vezes não vale a pena se matar para ganhar em uma noite se o esforço prejudicar os próximos compromissos.

Nos playoffs é tudo diferente. A intensidade é brutal, pois cada arremesso, cada rebatida, pode fazer todos aqueles meses de jogos e mais jogos irem pela janela. Não se pode dar margem para nada, e a estratégia de treinadores e pressão sobre os jogadores chega ao limite. Claro, isso passa para o torcedor, que tem a oportunidade de ver uma das modalidades mais tensas que existem.

Fim de um tabu?

O Washington Nationals surgiu em 2005, depois de o Montréal Expos se mudar para a capital americana. A franquia nunca conquistou nenhum título (aliás, essa é a primeira vez que chega a uma final). Mas o tabu também se estende à cidade.

Washington teve duas outras franquias, ambas chamadas Washington Senators. A primeira foi fundada em 1901 e ficou na capital americana até 1960. Nesse período, conquistou apenas um título, em 1924, e chegou à World Series em 1925 e 1933. A segunda surgiu em 1961 e ficou apenas 11 anos na cidade (mudou-se para Dallas e virou oTeas Rangers), sem nunca disputar os playoffs.

Dessa forma, a torcida de Washington não vê um título há 95 anos e não vê um jogo sequer da final há 86. Uma vitória dos Nationals recolocaria a capital americana no mapa do beisebol e ajudaria a manter o bom momento da cidade, que celebrou recentemente o título da NHL (Capitals em 2018) e da WNBA (Mystics em 2019).

Dinastia texana?

A MLB tem fama de ser uma liga previsível, mas nada poderia estar mais longe da verdade. Não há campeão repetido desde o New York Yankees em 1998-99-2000. Esses 19 anos são a maior série da história da liga sem repetir campeão, igualando a maior da NBA (entre 1969 e 87). A maior série da NFL é a atual, de 14 anos (desde Patriots 2004-05) e a maior da NHL foi entre 1999 e 2016 (com um ano de greve no meio).

Então, falar em dinastia no beisebol tem sido difícil, mas o Houston Astros talvez se candidate a uma pequena. O time texanos foi campeão em 2017 e caiu na final da Liga Americana em 2018 (seria, digamos, terceiro colocado no campeonato). Agora está na final novamente, com uma base forte e que deve seguir competitiva por mais alguns anos. 

Considerando que a divisão demorará um pouco para ter um concorrente à altura e a gestão do clube é agressiva na busca por título, é uma franquia que tem boas chances de seguir entre as melhores e, eventualmente, levantar um ou outro troféu a mais em um futuro próximo.

Fonte: Ubiratan Leal

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Os playoffs 2019 podem redefinir o espaço dos Nationals, mesmo que o título não venha

Ubiratan Leal
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Torcedores de beisebol talvez sejam os que mais se assemelham, nos Estados Unidos, aos do futebol brasileiro. O sujeito gosta do esporte, mas gosta mesmo é do seu time. E trocar de time é uma coisa inadmissível, mesmo que se mude de cidade ou que um time novo tenha aparecido na sua região e racionalmente não faz sentido continuar preferindo uma equipe do outro lado do país. O Washington Nationals sabe bem disso. E, por isso, a campanha na atual temporada pode dar uma nova dimensão à franquia.

A capital americana sempre teve uma relação complicada com o beisebol. O Washington Senators, franquia original da Liga Americana, era competitiva e teve alguns dos mitos da primeira metade do século 20, mas só conquistou uma World Series, em 1924. Em 1961, a franquia se mudou para Minneapolis e virou o Minnesota Twins, mas foi imediatamente substituída por um novo Senators, que nunca decolou e se mudou para Dallas em 1972, transformando-se no Texas Rangers.

Enquanto Washington tinha de conviver com um time ruim e, depois, ficar sem time algum, a região tinha uma outra potência na MLB. O Baltimore Orioles teve seu melhor momento, montando alguns dos melhores times da história. Entre 1966 e 83, disputou seis World Series (ganhou metade) e mais duas finais de Liga Americana. Isso em uma época em que só duas equipes de cada liga se classificavam aos playoffs.

[]

Naturalmente, os O’s foram adotados como o time de Washington. Tanto que, quando a MLB começou a falar em transformar a capital americana na nova casa do Montréal Expos, o Baltimore tentou barrar. Não queria dividir o espaço no que via como seu território.

Conversa vai, conversa vem, dinheiro vai, dinheiro vem, e Washington voltou a ter um time em 2005. Apesar de tecnicamente serem a mesma franquia dos Expos, os Nationals fizeram questão de aparecer como uma nova equipe, com novo nome, novo escudo, novas cores, novo uniforme. O vínculo com os antigos torcedores dos Expos era pequeno, até porque há uma fronteira política e linguística entre as duas equipes. Não havia também uma história gloriosa, cheia de títulos, para vender. O grande apelo era realmente territorial, e a briga para converter os seguidores dos Orioles na capital era dura.

Por isso, os torcedores dos Nationals encararam como uma grande vitória quando o Washington e o Baltimore se classificaram aos playoffs em 2014 e Kevin Durant anunciou que torceria pelos Nats. A estrela do basquete nasceu na região e admitiu que admitindo era O’s quando criança (afinal, os Nationals não existiam). 

Nos últimos anos, os Nationals montaram muitas equipes competitivas, mas nunca perderam o rótulo de time perdedor. O time teve campanha positiva nas últimas sete temporadas e foi aos playoffs em quatro delas, sem jamais passar da primeira fase do mata-mata. Algumas das eliminações foram traumáticas, com derrotas no jogo cinco da série de divisão por placares como 9 a 7 (2012, com fechador entregando a rapadura), 4 a 3 (2016) e 9 a 8 (2017).

A janela competitiva dessa base está se fechando. O contrato de Bryce Harper, primeira superestrela da franquia na nova sede, acabou e o jogador foi para o Philadelphia Phillies. A expectativa é que o mesmo pode ocorrer em breve com outros ídolos como Max Scherzer, Stephen Strasburg e Anthony Rendón. Com pouca história para promover e um currículo recente de eliminações precoces, os Nationals precisam desesperadamente criar grandes memórias para conquistar definitivamente seus torcedores.

É o que os playoffs de 2019 têm feito. O time era tido como azarão na briga pelos playoffs, mas cresceu no meio da temporada e acabou abocanhando um dos wildcards. Depois, virou o jogo único contra o Milwaukee Brewers na oitava entrada, quando o destino parecia certo. Nesta semana, virou a série contra o Los Angeles Dodgers, atual bicampeão da Liga Nacional, empatando o jogo na oitava entrada com dois home runs sobre um dos melhores arremessadores da história e virando na décima entrada com um grand slam.

Esses jogos criaram memórias afetivas, momentos que ficarão na lembrança de todo torcedores de Washington por décadas. Isso é fundamental para capturar uma geração de seguidores, para forjar um vínculo sentimental entre o time e os moradores da capital americana. Algo forte o suficiente para não morrer caso o elenco perca força nos próximos anos.

Se essa campanha se prolongar por mais uma etapa e chegar à primeira World Series da história da franquia (mesmo na época de Expos), o resultado é ainda maios forte. Mas, mesmo que tudo termine na final da Liga Nacional diante do St. Louis Cardinals, os Nationals já têm saldo mais que positivo. Podem perder o título, mas ganharam alguns milhares de torcedores.

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Os playoffs 2019 podem redefinir o espaço dos Nationals, mesmo que o título não venha

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[FAQ] O que você precisa saber para acompanhar a MLB agora que os playoffs chegaram

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Jogadores dos Yankees comemoram vitória sobre os Twins nos playoffs de 2017
Jogadores dos Yankees comemoram vitória sobre os Twins nos playoffs de 2017 ESPN

Os playoffs da MLB estão chegando. Para quem já acompanha o beisebol, é a melhor época do ano. Para muitos que não acompanham, é a hora em que se dá uma oportunidade para conhecer a modalidade em seu melhor momento. E é com esse segundo grupo que quero falar agora.

É comum as pessoas estranharem quando tentam seguir a MLB pela primeira vez. Por isso, fiz esse rápido FAQ, com perguntas e respostas básicas para entender o esporte e seguir os playoffs. 

Então, boa diversão!

Então, eu já tentei ver a MLB algumas vezes, mas achei meio paradão e demorado. Vale a pena dar uma nova chance ao beisebol nos playoffs?

Vale, e muito. A demora do beisebol é relativa, pois o tempo médio de jogo é semelhante ao de uma partida da NFL, entre 3h e 3h10. A diferença é que, para o público que ainda não conhece tão bem o esporte, parece que o jogo fica muito tempo parado e fica a sensação de demora. Nos playoffs, o cenário é bem diferente. A partida em si até fica mais longa (até pelo regulamento, cada intervalo é um minuto mais longo para a TV americana faturar um pouco mais), mas a intensidade compensa. Com uma temporada regular de 162 jogos em 180 dias, é comum os times jogarem sempre de olho no que pode acontecer no dia seguinte. É normal poupar jogador ou até aceitar uma derrota se o esforço para uma virada improvável provocar um desgaste para a próxima partida. Nos playoffs não tem mais isso. As equipes colocam todas as cartas na mesa, batalhando em cada duelo no bastão e gastando o arsenal de arremessadores para conseguir as eliminações. O duelo tático se torna muito mais quente, assim como o comportamento da torcida.

Ah, isso significa que todo jogo é equilibrado?

Em geral, muito mais que na temporada regular. Mas é claro que acontecem algumas lavadas no meio do caminho. Como ocorrem na NFL, na NBA ou na NHL.

Uma coisa que me incomoda no beisebol é que parece que são sempre os mesmos times ganhando. Os playoffs são previsíveis, não?

Não, mil vezes não! O Boston Red Sox, atual campeão, nem para os playoffs se classificaram. Nos últimos 18 anos, em apenas 8 o campeão mais recente foi ao mata-mata. Aliás, desde o New York Yankees tricampeão entre 1998 e 2000 a MLB não repete o campeão do ano anterior. São 19 temporadas já, a maior série de todos os tempos do beisebol. Para se ter uma ideia, a maior sequência da história da NFL é de 14 anos, de 2005 até hoje. Na NBA também é de 19 anos, mas já faz muito tempo, entre 1969 e 89. E, na NHL, foi de 16 anos entre 1999 e 2016*. Ou seja, é uma das ligas menos previsíveis. Talvez só o da NHL tenha mais surpresas.

* Eu não errei a conta. Nesse período houve uma temporada não-realizada por greve. ;-)

Legal, mas tem um problema. Não adianta você ficar tentando me convencer aqui se eu não entendo muito do jogo. Vou ficar meio perdido na transmissão.

Normal. É um esporte com uma dinâmica muito diferente da que estamos acostumados no Brasil, com uma criação esportiva que se baseia no futebol. Mesmo o futebol americano, que é bem diferente, tem a familiaridade de ver um campo retangular e cada time ocupando um dos lados e tendo de levar a bola a uma meta do outro. No beisebol não tem isso. Mas eu fiz um fio (ou thread) no Twitter com vários links para ajudar. Clica aqui para dar uma olhada. Se tiver alguma dúvida, me manda uma mensagem no Twitter que damos um jeito.

Opa, agora sim! Como é o esquema dos playoffs deste ano?

A MLB se divide em Liga Nacional e Liga Americana, com 15 times em cada uma. Se esse excesso da palavra “liga” o deixou confuso, elas equivalem às conferências da NFL ou da NBA. Mas, voltando, cada liga tem três divisões (grupos) de cinco equipes. Vão ao mata-mata o primeiro colocado de cada divisão e mais dois times de melhor campanha entre os que não ganharam sua chave (são o “wildcard”, nome pomposo para a nossa boa e velha “repescagem”). Assim, cada liga fica com cinco classificados. Os dois times de wildcard se enfrentam em jogo único, com o vencedor se juntando aos campeões de divisão. Cada liga fica com quatro times, que se enfrentam em semifinais (chamadas de “série de divisão”) em melhor de cinco, com os vencedores indo para a final da liga em melhor de sete. O campeão de cada liga vai para a World Series, também em melhor de sete.

Quais são os times na briga?

Na Liga Americana, Houston Astros, New York Yankees e Minnesota Twins venceram suas divisões, enquanto que Oakland Athletics e Tampa Bay Rays farão o confronto de wildcard. Na Liga Nacional, ganharam seus grupos Los Angeles Dodgers, Atlanta Braves e St. Louis Cardinals, e Washington Nationals e Milwaukee Brewers disputam a vaga na repescagem. Escolhe um para torcer, aí você verá como o beisebol pode ser angustiante e emocionante. Se sua preferência for para um dos times eliminados, escolhe um time para secar. Dá o mesmo efeito.

Quem são os favoritos?

Pela campanha na temporada regular, Astros, Yankees e Dodgers. Os Astros parecem o time mais completo, pois os Yankees precisam contornar as vulnerabilidades de seus arremessadores titulares e os Dodgers têm de lidar com a falta de arremessadores reservas confiáveis. Dos demais, os Braves têm um elenco bastante talentoso e jovem, mas ainda há dúvidas se terá experiência suficiente para o mata-mata. Os Cardinals não são tão fortes assim, mas têm tradição de crescer nos playoffs. O Nationals têm uma fama de amarelarem na hora H, mas o time pode criar muitos problemas aos favoritos. Rays, Twins, Athletics e Brewers são azarões. Rays, Brewers e Athletics podem usar estratégias criativas durante os jogos. Os Twins têm potencial de rebater muitos home runs durante suas séries.

Quando serão os playoffs?

Começam nesta terça, dia 1º, e terminam na última semana de outubro. Se a World Series chegar a sete jogos, o derradeiro será em 30 de outubro.

E que jogos a ESPN vai transmitir?

Quase todos, e com exclusividade. E tem partida praticamente todo dia. Os horários podem mudar de um dia para o outro de acordo com o desenrolar das chaves. Por isso, se tiver dúvidas, consulte a página de programação do ESPN.com.br ou do Blog do ESPN League (todo sábado há um post com a programação de esportes americanos).

Fonte: Ubiratan Leal

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[FAQ] O que você precisa saber para acompanhar a MLB agora que os playoffs chegaram

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Por que os Red Sox demitiram seu presidente menos de um ano após ganharem a World Series

Ubiratan Leal
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Dave Dombrowski
Dave Dombrowski Getty Images

A torcida do Boston Red Sox ainda estava pensando na derrota para o New York Yankees na noite deste domingo quando recebeu mais uma paulada: Dave Dombrowski, presidente da franquia, foi demitido menos de um ano depois de construir o elenco campeão da MLB. A notícia apenas reforça a sensação de que as chances de playoffs estão tão pequenas que o próprio clube já considera que a temporada 2019 virtualmente acabou.

Pode soar estranho um time demitir o principal responsável por montar o elenco que levou a World Series, mas há bons motivos para entender essa decisão. E todos eles indicam uma provável mudança na forma de se trabalhar o elenco no Fenway Park.

Dombrowski foi contratado no meio da temporada 2015. Naquele momento, os Red Sox vinham com a pior campanha da Divisão Leste da Liga Americana (posição confirmada ao final da temporada), completando uma sequência de três últimos lugares em um período de quatro anos (curiosamente, a equipe conquistou a World Series na única temporada em que não foi lanterna). Havia um entendimento de que o Boston precisava de resultados imediatos, não podia se dar ao luxo de ficar mais alguns anos no limpo de uma reconstrução.

Para essa missão, Dombrowski era o nome ideal. Quando tem dinheiro de sobra em mãos, ele sabe montar times fortíssimos. Fez isso com o Detroit Tigers no começo da década e não foi diferente em Boston. Manteve os bons jogadores dos Red Sox e não teve pudor em negociar para trazer jogadores de peso nas posições que faltavam. Ao longo de sua passagem, contratou ou trocou para ter Chris Sale, Drew Pomeranz, David Price e Nathan Eovaldi na rotação, Craig Kimbrel como fechador, Mitch Moreland para a primeira base e JD Martínez para preencher o vazio deixado por David Ortiz na posição de rebatedor designado.

Em 2016 e 17, os Red Sox chegaram aos playoffs, mas caíram na série de divisão para Cleveland Indians e Houston Astros. Em 2018, reconquistou o título após uma campanha de 108 vitórias na temporada regular, um recorde na história da franquia.

Missão cumprida.

O problema era o futuro. Dombrowski não é muito bom em pensar o futuro. Para montar seus esquadrões, o dirigente sempre usou dois expedientes muito comuns e, de certa forma, simplista: ofereceu muito (muito mesmo) dinheiro aos melhores agentes livres e não teve medo em ceder as principais promessas da base em troca de jogadores de nome. No curto prazo funciona bem. No longo prazo, a folha salarial fica altamente comprometida e, quando algo sai do planejado, não há de onde buscar uma reposição. Ou porque a base não tem talentos realmente promissores, ou porque o dinheiro para trazer um jogador de fora está limitado.

O Boston Red Sox está neste momento. O time de 2018 foi campeão, mas dando sinais de problemas. O bullpen não funcionava tão bem (um problema crônico de Dombrowski, torcedor dos Tigers que o digam), mas alguns jogadores cresceram nos playoffs e Alex Cora foi habilidoso ao usar membros da rotação que estivessem de folga para cobrir buracos nas entradas finais. Em 2019, esse problema explodiu, ainda mais porque a rotação caiu demais de rendimento.

Para piorar, alguns jogadores-chave, como Mookie Betts e JD Martínez, estão em fase de renegociação de contrato. A torcida quer a permanência de ambos, mas a folha salarial continua muito comprometida com jogadores como Sale e Price, que têm contratos tão grandes quanto a quantidade de jogos que perdem todo ano por problemas físicos.

Os donos dos Red Sox provavelmente perceberam que, se mantivessem a linha de trabalho de Dombrowski, a tendência é que esses problemas se agravariam no longo prazo. Tudo para evitar o risco de o Boston virar uma nova versão dos Tigers, que estão há anos (e ainda passarão mais alguns) no fundo da tabela em um doloroso processo de reconstrução do elenco. Assim, decidiram trocar o comando para tentar uma retomada rápida, que talvez seja feita sem que os resultados em campo caiam tanto assim.

É o que a torcida espera.

Fonte: Ubiratan Leal

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Por que os Red Sox demitiram seu presidente menos de um ano após ganharem a World Series

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Tyler Skaggs morreu após consumo de substâncias proibidas, com suspeita de participação de funcionário do time

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Tyler Skaggs durante a partida entre Los Angeles Angels e Minnesota Twins em maio de 2019
Tyler Skaggs durante a partida entre Los Angeles Angels e Minnesota Twins em maio de 2019 Getty Images

Após dois meses de exames e investigações preliminares, a polícia do Condado de Tarrant (região de Dallas) divulgou o primeiro relatório sobre a causa da morte de Tyler Skaggs, arremessador do Los Angeles Angels. O jogador teria consumido uma mistura de álcool com oxicodone e fentanil, duas drogas utilizadas para o combate a dor, morrendo sufocado no vômito causado pela overdose. Segundo as autoridades, é possível que um funcionário (não houve divulgação do nome) poderia ter ajudado a fornecer as substâncias.

As informações motivaram diversas partes a buscar culpados ou co-responsáveis. Oxicodone e fentanil são opioides proibidos pela Major League Baseball e só podem ser compradas com prescrição médica. Apesar de terem efeito analgésico, elas podem causa dependência e afetarem gravemente a respiração quando misturadas com álcool.

A família Skaggs afirmou em comunicado que a mistura dessas substâncias é fora do perfil de Tyler. Além disso, indicou que deve apertar o cerco contra eventuais co-responsáveis. “Estamos chocados em descobrir que isso pode envolver um funcionário do Los Angeles Angels. Não descansaremos até descobrir a verdade sobre como Tyler teve posse desses narcóticos, incluindo quem forneceu a ele. Para isso, contratamos o advogado Rusty Hardin para nos ajudar.” Hardin é conhecido no meio esportivo do Texas por já ter trabalhado em casos de jogadores como Roger Clemens, um dos maiores arremessadores da história e também envolvido em doping.

Os Angels voltaram a afirmar que estão colaborando com as autoridades texanas desde o início e não puderam dar mais informações pelo fato de a investigação ainda estar em andamento. Se confirmada sua participação de um funcionário seu, o clube provavelmente tentará mostrar que a ação foi independente, sem que a direção ou a comissão técnica tivesse conhecimento. 

É relativamente comum jogadores de beisebol terem treinadores próprios e adotarem rotinas de preparação orientadas por eles, mas isso ocorre mais entre uma temporada e outra. Durante o campeonato, isso fica mais a cargo da comissão técnica do time. De qualquer forma, como Skaggs tinha um histórico de muitas contusões ao longo da carreira, talvez os Angels apostem na ideia de que ele estaria se automedicando contra dores para seguir jogando normalmente.

O caso tende a ficar mais complexo porque as investigações não ficarão apenas com a polícia do Texas e com a equipe do advogado contratado pela família de Skaggs. Por se tratar de um provável doping, a MLB já anunciou que fará sua própria apuração das circunstâncias em torno da morte do arremessador.

Skaggs, 27 anos, foi encontrado morto na tarde de 1º de julho no quarto do hotel em que seu time se concentrava para a partida contra o Texas Rangers naquela noite. A polícia texana não havia divulgado a causa da morte, limitando-se a informar que não havia indícios de violência ou de suicídio. As primeiras informações mais consistentes vieram nesta sexta (30), com a chegada do resultado dos exames toxicológicos.

Fonte: Ubiratan Leal

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Vai começar mais uma temporada do futebol americano universitário. Mas o torneio precisava ser tão inchado?

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Clemson x Alabama
Clemson x Alabama Getty Images

Quando Florida Gators e Miami Hurricanes entrarem no gramado do estádio Camping World, em Orlando, no próximo sábado, estarão dando início a mais uma temporada do futebol americano universitário. Serão centenas de jogos de estádios lotados, bandas marciais com marchinhas, churrasco em estacionamentos e estudantes insanos aproveitando os loucos anos na faculdade. Tudo isso espalhado por 130 instituições. Sim, 130.

Oficialmente, a primeira divisão é dividida em FBS e FCS (na prática, são duas divisões diferentes e só a FBS pode levar ao título nacional), a primeira com 130 e a segunda com 124 universidades. Isso gera inchaço? Sim. Isso gera grande desnível técnico? Com certeza, com várias lavadas quando instituições mais tradicionais enfrentam as mais fracas. Isso dá espaço a muitos times e jogadores ruins? Claro, impossível ter 250 (ou 125) times só com gente de nível alto ou médio.

No entanto, essa é uma das virtudes do futebol americano — e do basquete — universitário. Se a FBS tivesse um formato mais enxuto, teria uma formação parecida com essa: Alabama, Arizona, Arizona State, Army, Auburn, Boise State, California, Clemson, Florida, Florida State, Georgia, Iowa, LSU, Miami, Michigan, Michigan State, Mississippi State, Missouri, Nebraska, Northwestern, Notre Dame, Ohio State, Oklahoma, Oklahoma State, Ole Miss, Oregon, Penn State, South Carolina, Stanford, TCU, Tennessee, Texas, Texas A&M, UCLA, UCF, USC, Virginia Tech, Washington, Washington State e Wisconsin. Fiz essa lista de cabeça, elencando 40 programas esportivos com alguma força e tradição no futebol americano. Algumas certamente mereciam ter entrado, mas a questão não é ranquear as universidades mais fortes, apenas demonstrar o que seria mais ou menos a elite.

Tudo bem, montar um campeonato universitário apenas com esses times seria espetacular, com nível de equilíbrio e emoção equivalente (ou até superior) ao da NFL. No entanto, não podemos perder de vista que, teoricamente, o objetivo de todo esse aparato do esporte universitário americano é dar oportunidades de ensino superior por meio do esporte. A prioridade (ao menos em teoria) não é criar um supercampeonato esportivo, mas dar espaço a mais gente para usar o futebol americano como forma de viabilizar sua formação universitária. Ou seja, esse enxugamento tiraria de centenas de estudantes a oportunidade de terem bolsas de estudo.

Mesmo do ponto de vista esportivo, porém, há bons motivos para defender o inchaço da NCAA. Por mais profissionalizada que seja a captação de talentos no esporte universitário americano, muita gente boa acaba escapando dos principais programas. Até porque nem sempre o tempo de amadurecimento técnico de um adolescente de ensino médio que se transforma em um jovem adulto universitário é linear. Alguns já mostram talento acima da média na high school. Outros demoram mais para estourar. E, pela demora, acabam conseguindo vaga apenas em uma equipe universitária mais fraca.

Carson Wentz, estrela do Philadelphia Eagles, estudou e jogou no North Dakota State Bisons, da FCS. Khalil Mack, do Oakland Raiders, saiu da Universidade de Buffalo. Ben Roethlisberger, símbolo do Pittsburgh Steelers, estudou na Universidade de Miami. Mas não nos Hurricanes, da Miami da Flórida, mas nos RedHawks, da Miami de Ohio. Adam Vinatieri, talvez o maior kicker da história, defendia a South Dakota State Jackrabitts, da segunda divisão. E há dezenas de exemplos como esses na NFL.

A maior parte desses jogadores só foi identificada porque suas equipes tiveram oportunidade de jogar nos inchados torneios da NCAA. Em uma modalidade que praticamente não conta com ligas menores, ligas de desenvolvimento ou ligas estrangeiras como parte do processo de formação de jogadores (algo que existe na NBA, na MLB e na NHL), toda a base é feita na universidade. E, quanto mais gente tiver oportunidade para jogar, melhor.

Fonte: Ubiratan Leal

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O mascote mais carismático dos esportes americanos pode virar free agent e trocar de time

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Phillie Phanatic brinca com torcedor do Philadelphia Phillies durante jogo contra o Arizona Diamondbacks
Phillie Phanatic brinca com torcedor do Philadelphia Phillies durante jogo contra o Arizona Diamondbacks Getty Images

Ele é verde e peludo, tem uma boca-nariz de tamanduá, uma barriga avantajada, faz suas brincadeiras sem noção de onde está o limite e é amado por todos na Filadélfia. Em seus 40 anos de existência, o Phillie Phanatic se tornou um símbolo do Philadelphia Phillies e a referência de mascote nos esportes americanos. Mas ele pode deixar o clube. Inclusive, ele pode até ficar aberto para negociar uma transferência para outra equipe. E isso não é uma historinha para ganhar cliques em redes sociais. É o eventual resultado de uma disputa jurídica que envolve os Phillies e os criadores do Phanatic.

A história começa em 1978. Os Phillies tinham dois mascotes: Phil e Phyllis, um casal vestindo roupas da época da independência americana. A diretoria percebeu que precisava de algo diferente, pois ambos tinham interações limitadas até pela concepção dos bonecos. Assim, o clube contratou a Harrison/Erikson, empresa especializada no desenvolvimento de personagens, mascotes e marionetes que ficou conhecida pela criação de alguns personagens dos Muppets, como Miss Piggy.

A Harrison/Erikson criou o Phanatic. E o impasse está nesse projeto. O que a empresa realmente fez?

Segundo os Phillies, toda a ideia do mascote, do conceito básico de sua forma até a personalidade brincalhona, veio de um dirigente do time e a Harrison/Erikson apenas deu forma ao pedido e desenvolveu uma fantasia. A empresa discorda, alegando que teve uma parcela muito maior na concepção final do personagem, incluindo sua biografia como uma criatura exótica originária das Ilhas Galápagos (Equador).

Na época, os Phillies pagaram US$ 5.900 pelo serviço e teriam direito ao uso do personagem em aparições na TV, em eventos e em ações comerciais. Mas, pelo mesmo acordo, a Harrison/Erikson ganharia uma parcela de direitos autorais pelo desenvolvimento de produtos com tema no Phanatic. Até 1980, a empresa havia recebido US$ 200 mil.

O problema é que a Harrison/Erikson sentiu que tinha pouco controle de sua criação e processou os Phillies já em 1979. A empresa tinha os direitos autorais do personagem, mas o havia registrado como “escultura artística”, medida que foi vista pelo clube como tentativa de burlar o sistema porque, na época, era proibido registrar uma fantasia.

Em 1984, as partes chegaram a um acordo. Os Phillies pagaram US$ 215 mil e a Harrison/Erikson assinou um acordo de “vender, transferir e ceder aos Phillies todos seus direitos, títulos e interesse no e para o mascote e em e para todas as reproduções e retratos de todo ou parte do mascote e qualquer mídia, onde quer que seja e para sempre”.

Esse trecho do contrato, publicado pela Sports Illustrated, parece deixar claro que tudo está nas mãos dos Phillies e não havia mais motivos de preocupação. Mas não é tão simples assim.

Phillie Phanatic em carro de cachorro-quente com Raul Ibanez
Phillie Phanatic em carro de cachorro-quente com Raul Ibanez Getty Images

No ano passado, a Harrison/Erikson enviou uma carta aos Phillies dizendo que pode encerrar o contrato de cessão dos direitos do Phanatic em 15 de junho de 2020. O motivo é que os Phillies não podiam considerar a proteção autoral e produtos que tomassem base no trabalho já existente (a criação do Phanatic), mas que também tinha elementos originais suficientes para ser visto como um trabalho diferente.

Segundo a franquia, a empresa exigiu uma “quantidade absurda de dinheiro” e, se o pedido não for atendido, poderia processar os Phillies, encerrar o contrato e até negociar o uso do Phanatic com outra equipe qualquer. Sim, o Phillie Phanatic poderia virar um agente livre e ser contratado por outro time, que poderia ser até de outro esporte.

Os Phillies processaram a Harrison/Erikson de volta por querer encerrar o acordo válido “para sempre”. Se o caso efetivamente for à Justiça, o time tem boas chances de ganhar. Como o caso se desenrolou no final dos anos 70 e início dos 80, não há registro das conversas (cópia de e-mail, por exemplo), apenas o contrato de prestação de serviço em 1978 e o contrato de 1984 com a cessão dos direitos. Ainda assim, a tendência é que os dois lados negociem um acordo antes que o Phanatic saia de ação por estar em um impasse judicial.

Phillie Phanatic exibe tênis exclusivo ao lado de Bryce Harper
Phillie Phanatic exibe tênis exclusivo ao lado de Bryce Harper Getty Images

Fonte: Ubiratan Leal

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O mercado da MLB está parado a apenas 5 dias de seu fechamento. Por quê?

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Madison Bumgarner está de saída dos Giants?
Madison Bumgarner está de saída dos Giants? Getty Images


Dia 31 de julho, 16h no horário de Nova York (17h de Brasília). É este o prazo limite para a negociação de jogadores da Major League Baseball na atual temporada. Depois disso, nada feito. Não há nem o mês extra de negociações limitadas que existiam nos anos anteriores. Ou seja, quem quer reforçar o seu elenco tem apenas cinco dias restando. E ninguém está fazendo nada. O que acontece?

Um mercado agitado é uma necessidade estratégica de qualquer liga. Basta ver como a NBA tomou conta do noticiário esportivo americano nos dias da abertura da janela de negociação de agentes livres. Seus times, suas marcas e seus patrocínios aparecem mesmo sem algo relevante ocorrendo em campo ou em quadra. A MLB sempre teve isso, com contratos zilionários sendo assinados entre uma temporada e outra. Mas a temperatura baixou demais nos últimos dois anos, mesmo para as trocas finais de meio de campeonato.

Um problema do beisebol é que a janela de transferências se fechava oficialmente em 31 de julho, mas era possível realizar negociações com algumas restrições até 31 de agosto. Para dar mais força a 31 de julho como marco de mercado, a MLB encerrou a janela de agosto. A partir de 2019, tem de trocar até 31 de julho e ponto. A tendência é que tudo ficaria mais agitado, com várias trocas e muita repercussão na mídia.


O que a liga não esperava é que a temporada estivesse tão incerta até esse momento. Entre times que lutam por título de divisão ou por uma vaga de wildcard, apenas sete das 30 equipes podem se considerar completamente fora da briga por playoff. A saber: Chicago White Sox, Toronto Blue Jays, Kansas City Royals, Detroit Tigers, Baltimore Orioles, Seattle Mariners e Miami Marlins. Outros seis times (Texas Rangers, San Diego Padres, Colorado Rockies, Pittsburgh Pirates, Cincinnati Reds e New York Mets) vivem situação muito difícil, mas estão a uma sequência de cinco vitórias de entrar na disputa. E três (Arizona Diamondbacks, Los Angeles Angels e San Francisco Giants) estão no meio da confusão, mas não se sabe se terão fôlego para seguir ali até o fim da temporada.

O resultado disso é que poucos times têm motivos claros para se desfazer de seus jogadores. Na realidade, apenas os times completamente fora da briga estarão abertos a negociar seus melhores jogadores. As franquias que correm por fora até sabem que não passarão de fase, mas viram que os times atuais não são tão ruins e talvez valesse a pena manter a base para, com alguns reforços, entrar firme na temporada 2020. Isso significa que até devem negociar seus atletas, mas farão jogo duro -- leia-se: pedir alto por cada troca -- com os interessados porque não têm tanto interesse assim em se desfazer do elenco.

Esse cenário torna o mercado muito arriscado. Muitos times estão em um limbo de não saber se vão ou não brigar pela classificação, ou seja, se entram nas conversas para trazer ou para fornecer reforços. E, entre os que devem fornecer, o preço cobrado (nível dos jovens exigidos) por cada jogador que saia será alto.


No meio disso, aparecem nomes como Madison Bumgarner e Will Smith (Giants), Noah Syndergaard (Mets), Zack Greinke (Diamondbacks), Felipe Vázquez (Pirates), Hunter Pence e Mike Minor (Rangers). Jogadores que certamente farão barulho se trocarem de camisa.

O resultado disso é que muito time está esperando até este fim de semana para saber de que lado da mesa de negociação está. E também para avaliar bem qual o poder de barganha do time do outro lado da conversa. O mercado deve ficar agitado a partir da próxima segunda, mas provavelmente alguns negócios bombásticos não ocorrerão simplesmente porque não haverá tempo hábil para os dois times chegarem a um acordo ou porque algumas equipes não sabiam se brigavam ou não pela classificação.

Uma boa notícia (temporada equilibrada e emocionante) acaba tendo um efeito colateral (mercado frio). Fica a lição, e talvez a ideia de a MLB mudar a data-limite para negociação, talvez para 15 de agosto, por exemplo.

Fonte: Ubiratan Leal

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Há 50 anos, acontecia algo mais improvável que o homem chegar à lua: um home run de Gaylord Perry

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

A data não é precisa, porque a história não foi registrada no momento e acabou virando lembrança contada tempos depois. Há até quem conteste a veracidade dela. Mas teria ocorrido em 1962 ou 63. Gaylord Perry, arremessador do San Francisco Giants, fazia aquecimento como rebatedor antes de uma partida e acertava várias rebatidas em linha. Contatos relativamente fortes, o que deixou Harry Jupiter, repórter do San Francisco Examiner, animado.

O jornalista comentou com Alvin Dark, técnico dos Giants, que o tal arremessador parecia ter força nas rebatidas. Talvez até conseguisse um home run mais hora, menos hora. Naquela altura, era compreensível Jupiter não conhecer Perry. O arremessador estava em suas primeiras temporadas, e só se tornou membro fixo da rotação do San Francisco justamente em 1963. Isso não impediu Dark de ser taxativo ao responder:

- Esquece. Um homem chegará à lua antes de Perry rebater um home run.

A referência lunar não era tão acidental. Os Estados Unidos estavam iniciando seu projeto de levar o homem à lua e a corrida espacial era tema recorrente. Mas o técnico sabia do que estava falando. Perry passou a se destacar como um dos melhores arremessadores da MLB. Em 1964, teve um ERA de 2,75. Teve uma queda em 1965, mas se recuperou em 66, iniciando uma série de quinze temporadas seguidas com ERA abaixo de 3,5. Nesse período todo, levou dois prêmios Cy Young. Claro, foi para o Hall da Fama. Mas ele não sabia rebater.

Considerando apenas temporadas completas, seu aproveitamento no bastão nunca chegou a 19%. Força também não era a dele: apenas quatro rebatidas extrabase (todas duplas) nos sete primeiros anos de carreira.

Enquanto Perry não descobria como rebater, os cientistas norte-americanos aprendiam rápido o que era preciso fazer para colocar o homem à lua antes da União Soviética. Em 16 de julho, a Nasa lançou o foguete Saturno 5, dando início à missão Apollo 11. Quatro dias depois, exatos 50 anos atrás, o módulo Eagle aterrissou no solo lunar. De lá saiu Neil Armstrong, que deu "um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade". O homem, enfim, havia chegado à lua.

Neil Armstrong pisando na lua, em 1969
Neil Armstrong pisando na lua, em 1969 Divulgação - Nasa

Perry não pôde ver esse momento histórico. Ele estava em campo, defendendo os Giants contra o Los Angeles Dodgers. Eram 13h17 em São Francisco. Às 13h51, Claude Osteen, arremessador dos Dodgers, deixou uma bola rápida pendurada na parte alta da zona de strike. Gaylord Perry foi para o swing com força. A bola voou, voou, voou e... foi para a arquibancada. Perry, enfim, havia rebatido um home run.

A previsão de Alvin Dark estava certa. Por 34 minutos.

Fonte: Ubiratan Leal

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Há 50 anos, acontecia algo mais improvável que o homem chegar à lua: um home run de Gaylord Perry

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Londres recebeu um dos jogos do ano no último domingo em qualquer esporte, e não estou falando de Wimbledon

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal


Era mais que uma questão de talento ou qualidade técnica, era também de resistência. Dois oponentes lutam por horas e horas sob o sol de um domingo de verão londrino em busca do título. O equilíbrio era tamanho que foi necessária a aplicação de uma nova regra para desempatar a decisão. Não, não é Novak Djokovic x Roger Federer na decisão de Wimbledon. Foi a batalha entre Inglaterra e Nova Zelândia na final da Copa do Mundo de Críquete, provavelmente o maior jogo da história da competição e um dos maiores da história da modalidade.

Para completos iniciantes no críquete, como provavelmente são 90% dos leitores desse texto, é difícil entender o quão equilibrado foi o jogo. Mas a matemática dá uma ajuda. A Copa do Mundo adota o formato ODI (one-day international), com 50 overs de 6 arremessos. Ou seja, são 300 arremessos recebidos por cada time. E os dois lados terminaram iguais em 241 corridas.

Quão raro é isso? Já foram realizados mais de 4 mil partidas de ODI entre seleções, em apenas 40 o placar terminou empatado (menos de 0,01%). Em Copas do Mundo, esse foi o quinto caso.

Mas a própria forma como esse empate se desenhou foi especialmente angustiante. A Nova Zelândia estabeleceu a meta, e, durante todo seu innings (turno ofensivo), a Inglaterra -- que é chamada apenas de “Inglaterra”, mas representa ingleses e galeses -- tinha dificuldade em seguir no mesmo ritmo de corridas/overs. Só conseguiu igualar no final com duas jogadas surreais, com o defensor neozelandês pisando na borda do campo com a bola na mão (transformando uma eliminação em seis corridas) e com um arremesso da defesa batendo no bastão de um inglês que se atirava desesperadamente para se salvar, desviando a bola para fora do campo. Mais seis corridas.

Jogadores durante a final da Copa do Mundo de críquete
Jogadores durante a final da Copa do Mundo de críquete Getty Images

Com o placar empatado, hora do superover. Mais um empate, dessa vez em 15 corridas. Até a edição de 2015 do Mundial, o título seria dividido. Mas, neste ano, o Conselho Internacional de Críquete determinou que o troféu ficaria com a seleção que tivesse mais rebatidas para fora do campo. Seria como definir o campeão da NBA por cestas de três após empate no tempo normal e na prorrogação do jogo 7. Melhor para a Inglaterra.

Uma decisão cardíaca como essa, mesmo após nove horas de jogo, mostrou quão espetacular o críquete pode ser, mesmo em seus formatos mais longos. Mostrou também como a Inglaterra ainda se importa com o esporte, a ponto de a Sky (TV fechada) abrir mão da exclusividade dos direitos de transmissão para que a também BBC pudesse mostrar a partida. A audiência somada dos dois canais teve pico semelhante à da final de Wimbledon.

Isso não muda o fato de que o futuro do esporte caminha para o formato mais curto, o twenty20, com partidas de aproximadamente três horas de duração. Mas talvez essa final tenha ajudado a reposicionar o críquete em sua terra de origem. E, com ele forte na Inglaterra, ele tem um impulso extra para seguir crescendo globalmente. O que não é pouco para o esporte que já é um dos mais populares do planeta.

Fonte: Ubiratan Leal

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O que a MLB aprendeu em sua passagem por Londres

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Yankees e Red Sox se enfrentaram em Londres
Yankees e Red Sox se enfrentaram em Londres Getty Images

Dois jogos muito intensos e muito longos, com pontuação alta, público recorde e emoção acima da média. New York Yankees e Boston Red Sox foram um bom cartão de visitas da MLB em Londres. A liga teve sucesso em seus dois primeiros jogos em território europeu, e o comissário Rob Manfred fez um balanço positivo (e com conclusões interessantes) sobre a experiência inglesa em entrevista ao podcast Baseball Tonight da ESPN norte-americana.

LEIA MAIS: O primeiro título inglês do Tottenham e o West Ham campeão mundial: a estranha história do beisebol na Inglaterra

Veja os principais pontos:

1) Beisebol é atitude

A venda de produtos licenciados explodiu durante a London Series. O público inglês -- e os americanos expatriados que foram conferir o evento -- formaram enormes filas nos pontos de vendas de bonés, camisas, jaquetas, souvenires e afins que foram montados na capital britânica. Nem nos dias do All-Star Game a venda é tão grande.

Esse fato chamou a atenção da liga de que, fora dos Estados Unidos, o beisebol tem um alto potencial como ícone cultural, como elemento de moda. Os símbolos e o estilo visual ligado ao beisebol -- e não apenas o boné dos Yankees -- passam uma imagem de cultura americana, e explorar esse caminho pode ser uma forma de internacionalizar o esporte e a MLB, torná-la mais familiar ao público estrangeiro.

2) Há demanda por público

Foram 60 mil ingressos colocados à venda em cada um dos dois jogos realizados no estádio Olímpico de Londres. Todos foram vendidos, fazendo desses dois duelos os recordistas de público na temporada (até porque não há estádio na MLB com essa capacidade).

Ficou evidente que há potencial para um evento como esse, ainda que boa parte do público tenha sido de curiosos que quisessem apenas explorar uma tarde estilo americano. Com novas edições da London Series, é possível que muitos ingleses retornem, e tragam consigo outros que perderam a oportunidade em 2019 e tenham se arrependido.

3) Ir a outras cidades é bom

A MLB já tem realizado eventos pontuais em outros locais. Foi o caso do jogo no Fort Bragg, maior complexo militar dos Estados Unidos, do jogo anual em Williamsport nas vésperas da Little League World Series, do jogo em Omaha que precede a College World Series e das séries no México e em Porto Rico realizadas nos últimos anos. E, segundo Manfred, há interesse e margem para mais.

Com uma temporada incrivelmente longa, com 162 jogos para cada time, há margem para pegar um ou outro e realizar um evento especial sem prejudicar o equilíbrio da tabela. Para a MLB, há interesse em manter a London Series e até em organizar partidas em outras cidades na Europa (sugestão minha: Roma). Além disso, já buscam outros locais dentro dos Estados Unidos que tivessem um simbolismo para o beisebol, tornando o calendário de séries especiais ainda mais amplo e levando a MLB para mais pontos no território americano.

Fonte: Ubiratan Leal

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O primeiro título inglês do Tottenham e o West Ham campeão mundial: a estranha história do beisebol na Inglaterra

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Estádio do West Ham irá receber Boston Red Sox New York Yankees
Estádio do West Ham irá receber Boston Red Sox New York Yankees Getty Images

Quando New York Yankees e Boston Red Sox entrarem em campo neste fim de semana, em uma série de dois jogos no estádio Olímpico de Londres (oficialmente London Stadium, casa do West Ham), estarão escrevendo um novo capítulo na história do beisebol na Inglaterra. Uma história com idas e vindas, mas que ficou décadas em virtual hibernação, dando a falsa sensação de que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Um grande engano.

Um ponto importante é que o beisebol é um esporte de origem britânica. A modalidade como a conhecemos foi criada e formalizada pelo Knickerbocker Club de Nova York, mas a partir do rounders, um dos diversos jogos de bola e bastão que eram disputados nas ilhas britânicas desde o século 16 (sendo o críquete o mais famoso e bem sucedido deles). 

O rounders acabou atravessando o Oceano Atlântico e tendo um filho que virou passatempo nacional nos Estados Unidos, mas não prosperou em sua terra. Tanto que o rounders é mais conhecido atualmente como “beisebol britânico” ou “beisebol galês”, pois sua prática se concentra na região de Liverpool e do País de Gales.

O parentesco -- e, claro, a semelhança em diversos pontos -- com o críquete fez do beisebol um jogo muito procurado por ingleses que se mudavam aos Estados Unidos no século 19 e começo do século 20. Um deles, Henry Chadwick, trocou Exeter pelo Brooklyn com a família aos 12 anos. 

Nos EUA, ele tornou-se jornalista com especial interesse na cobertura do beisebol. Ele aplicou os princípios já consagrados na cobertura do críquete, sobretudo o uso de estatísticas para registrar o desempenho dos jogadores. Seu trabalho foi importante na disseminação do beisebol profissional nas últimas décadas do século 19, dando origem à cultura de uso de números que até hoje é tão forte em todos os esportes americanos. Não à toa, Chadwick ficou conhecido como “pai do beisebol”.

Na virada do século 19 para o 20, foi a vez de o beisebol voltar a sua origem. Francis Ley, um rico industrial inglês, se apaixonou pelo beisebol em um período em que morou nos Estados Unidos. Ele era um grande entusiasta do críquete, mas viu no beisebol um esporte parecido que era muito mais dinâmico e curto, com potencial de atrair um público que não poderia se dedicar aos jogos de até cinco dias de duração da modalidade britânica.

Em 1890, Ley incentivou a criação de uma liga profissional de beisebol no Reino Unido, a National Baseball League of Great Britain and Ireland. Muitas das equipes eram clubes profissionais de futebol que usaram o beisebol como uma forma de manter seus jogadores em forma -- e de ter uma renda -- durante as férias do Campeonato Inglês. O Aston Villa conquistou o primeiro título. 

Ley também apostou em um time próprio. Em Derby, o empresário criou um campo de beisebol para o lazer dos funcionários de sua fábrica. Com o tempo, esse time foi se incrementando, com a contratação de técnicos e até jogadores americanos.

A empreitada não teve sucesso. A equipe despertou interesse e chegou a levar até 5 mil torcedores em alguns jogos, mas era tão boa que massacrava os adversários da liga inglesa, formada ainda em boa parte por jogadores de futebol buscando uma renda extra nas férias. A falta de competitividade levou o resto da liga a contestar os investimentos do Derby, e Ley acabou fechando o time. O Baseball Ground foi vendido ao Derby County Football Club, que mandou seus jogos lá até 1997.

Mesmo depois de a liga perder sua condição profissional, alguns times de futebol seguiram na competição pela ocupação extra que representava a seus jogadores. O Tottenham conquistou seus dois primeiros títulos de campeão inglês no beisebol, em 1906 e 08. Os Spurs só celebraram um campeonato nacional no futebol 43 anos depois, em 1951. O Nottingham Forest também conquistou o Inglesão do beisebol (1900) décadas antes de fazê-lo no futebol (1978).

O último momento de proximidade entre o beisebol e a Inglaterra veio na década de 1930, pelas mãos de John Moores. Como Ley, ele era um empresário que passou um tempo nos Estados Unidos, se apaixonou pelo beisebol e decidiu investir em uma nova liga profissional.

Moores era de Liverpool e conhecia o rounders. Por isso, pagou jogadores de rounders para se adaptarem ao beisebol e formar a North of England League, reunindo equipes da região de Liverpool e do País de Gales. Com o tempo, o campeonato se expandiu para Londres e conheceu sua grande potência, o West Ham.

Os Hammers dominaram o beisebol inglês na segunda metade da década de 1930. Sua grande estrela era o canadense Roland Gladu, apelidado de Babe Ruth do Canadá e que depois jogou no Boston Braves (atual Atlanta Braves). A torcida abraçou o time, que levava até 10 mil torcedores ao estádio com alguma frequência.

O sucesso foi tamanho que incentivou a realização de uma série de jogos entre os West Ham, representando o Reino Unido, contra a seleção americana amadora, campeã olímpica -- como esporte de demonstração -- de 1936. Os Estados Unidos eram largamente favoritos, mas os britânicos venceram quatro dos cinco confrontos e foram proclamados primeiros campeões do Mundial de Beisebol. O torneio cresceu e foi disputado até 2011 e nunca mais teve um título britânico.

A liga de Moores tinha potencial, mas teve de ser interrompida por causa da Segunda Guerra Mundial. Vários jogadores foram convocados pelo Exército e, quando os conflitos terminaram, acabaram seguindo caminhos diversos. O próprio empresário preferiu se dedicar a outros investimentos e a liga de beisebol acabou.

Desde então, o beisebol se tornou um esporte de nicho, praticado por aficionados ingleses e alguns expatriados norte-americanos. Ainda assim, houve um crescimento na última década, com o aumento da cultura dos esportes americanos nas Ilhas Britânicas. E é esse público que chamou a atenção da MLB quando decidiu realizar seus primeiros jogos de temporada regular na Europa. E já levando seu clássico mais midiático justamente para o novo estádio do West Ham, clube que foi símbolo do maior momento do beisebol na Inglaterra.

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O primeiro título inglês do Tottenham e o West Ham campeão mundial: a estranha história do beisebol na Inglaterra

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Qual a cidade mais vitoriosa dos esportes americanos? Com título dos Raptors, Toronto surpreende

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Um dos primeiros textos que fiz nesse blog foi um ranking com as cidades mais vitoriosas das principais ligas norte-americanas (veja aqui). Na verdade, não foi um ranking, mas quatro. Afinal, medir o sucesso esportivo de cada região metropolitana é mais difícil do que parece. Vários recortes são possíveis, e cada um pode considerar um critério mais válido que outro.

A versão original do levantamento foi feita em dezembro de 2018. Desde então, três troféus foram levantados (NFL, NHL e NBA) e já dá para fazer uma atualização. Até porque, em um dos critérios, houve mudança na primeira posição. Tudo por conta da vitória do Toronto Raptors sobre o Golden State Warriors.

Veja os dados abaixo. Não há verdade absoluta, são apenas quatro possibilidades para cada um ver qual considera a mais adequada e usar isso para conversar com os amigos. Ah, e não esqueça de olhar as observações no final da página, explicando alguns dos critérios.

Toronto Raptors posa para foto de campeão da NBA com o troféu Larry O'Brien
Toronto Raptors posa para foto de campeão da NBA com o troféu Larry O'Brien GETTY

RANKING 1

Esse é o mais simples: somar os títulos das cinco ligas. Soma direta, sem rodeios.

1) Nova York - 58
2) Boston - 39
3) Chicago - 30
4) Los Angeles - 27
5) Montreal - 26
6) Detroit - 22
7) São Francisco/Bay Area - 20
8) Filadélfia e Toronto - 17
10) Pittsburgh - 16
11) St. Louis - 14
12) Green Bay - 13
13) Washington - 12
14) Baltimore e Cleveland - 9
16) Minneapolis - 8
17) Dallas, Houston e Miami - 7
20) Denver - 6
21) Cincinnati, Edmonton, Kansas City e San Antonio - 5
25) Ottawa e Seattle - 4
27) Atlanta, Buffalo, Canton, Milwaukee, Portland e Tampa - 2
33) Akron, Calgary, Columbus, Frankfort, Indianápolis, Nova Orleans, Phoenix, Providence, Raleigh, Rochester, Salt Lake City, San Diego e Syracuse - 1

RANKING 2 (apenas século 21)

Kobe Bryant foi o grande nome dos Lakers multicampeões da década de 2000
Kobe Bryant foi o grande nome dos Lakers multicampeões da década de 2000 ESPN

Muito torcedor - sobretudo no Brasil - não se importa muito se um time X ou Y foi campeão em 1915 ou em 1937. O que vale é o agora, é o período em que o esporte americano entrou no dia a dia do brasileiro. Para esses, os resultados recentes contam mais na hora de escolher um time para torcer ou para ver se a escolha já feita foi boa. Para facilitar o recorte, peguei os títulos deste século (desde 2001).

1) Los Angeles e Boston - 12
3) São Francisco/Bay Area - 8
4) Chicago, Pittsburgh e San Antonio - 5
7) Miami e Nova York - 4
9) Denver, Detroit, Houston e St. Louis - 3
12) Baltimore, Filadélfia, Kansas City, Seattle, Tampa, Toronto e Washington - 2
20) Atlanta, Cleveland, Columbus, Dallas, Green Bay, Indianápolis, Nova Orleans, Phoenix, Portland, Raleigh e Salt Lake City - 1

RANKING 3 (sem MLS)

Só as quatro ligas mais tradicionais, sem contar a MLS. Los Angeles e Washington não gostam muito dessa versão.

1) Nova York - 58
2) Boston - 39
3) Chicago - 26
4) Montreal - 26
5) Detroit e Los Angeles - 22
7) São Francisco/Bay Area - 18
8) Filadélfia - 17
9) Pittsburgh e Toronto - 16
10) St. Louis - 14
11) Green Bay - 13
13) Baltimore e Cleveland - 9
15) Minneapolis e Washington - 8
17) Dallas e Miami - 7
19) Cincinnati, Denver, Edmonton, Houston e San Antonio - 5
24) Ottawa - 4
25) Kansas City e Seattle - 3
27) Buffalo, Canton, Milwaukee e Tampa - 2
33) Akron, Atlanta, Calgary, Frankfort, Indianápolis, Nova Orleans, Phoenix, Portland, Providence, Raleigh, Rochester, San Diego e Syracuse - 1

RANKING 4 (títulos / temporadas disputadas)

Jogadores do New England Patriots comemoram touchdown sobre o Oakland Raiders
Jogadores do New England Patriots comemoram touchdown sobre o Oakland Raiders Getty Images


Esse é o mais complicado. O ranking absoluto (o número 1) acaba dando muita força a cidades que tiveram franquias dominantes nas primeiras décadas da MLB, da NHL e da NFL pré-Super Bowl. Cidades de desenvolvimento econômico mais recentes acabam prejudicadas por terem criado times profissionais há menos tempo.

Por isso, montei um ranking que balanceia títulos conquistados com temporadas disputadas pelas equipes, incluindo as franquias já extintas. Assim, cidades que têm clubes há mais tempo ou que têm mais de um clube terão mais chance de levantar o troféu, mas também terão mais oportunidades de frustrar suas torcidas.

Um problema dessa lista é favorecer cidades que têm poucos times, mas vitoriosos (casos claros de Green Bay, Montreal, Edmonton e San Antonio). Assim, restringi apenas a mercados campeões em mais de uma liga ou com ao menos 180 temporadas disputadas na soma de suas equipes.

Admito que esta é minha lista preferida, a que parece mais justa. O número que aparece é o de temporadas disputadas na soma dos times para cada título conquistado. Ou seja, se uma cidade tem um time em cada uma das cinco ligas e está com o índice de 10, isso significa que ela conquista em média um título a cada dois anos.

Essa lista teve mudança na liderança em relação à edição anterior. Boston levou o título com o New England Patriots e Toronto com os Raptors, mas, na proporção, a cidade canadense acabou passando a norte-americana. Curiosamente, se os Bruins tivessem vencido o jogo 7 da final da Stanley Cup, Boston seguiria na primeira posição com vantagem de 0,005.

1) Toronto - 10,71
2) Boston - 10,97
3) Nova York - 12,98
4) Baltimore - 15,22
5) Pittsburgh - 16,13
6) Detroit - 16,36
7) Los Angeles - 16,33
8) São Francisco / Bay Area - 16,65
9) Chicago - 18,17
10) Miami - 20,14
11) St. Louis - 20,71
12) Filadélfia - 22,88
13) Washington - 23,83
14) Houston - 24,71
15) Denver - 26,14
16) - Minneapolis - 27
17) - Cleveland - 28,44
18) - Dallas - 28,43
19) Portland - 29
20) - Kansas City - 32
21) Seattle - 34,25
22) Cincinnati - 37
23) Tampa - 48,5
24) Buffalo - 61,5
26) Milwaukee - 62
27) Atlanta - 90

Obs.: Se colocarmos todas as cidades, sem restrições, a primeira colocada seria Canton, com um título a cada 3 temporadas, seguida por Montreal (um a cada 6,15), Akron (7), Green Bay (7,46), Edmonton e Frankfort (8), San Antonio (8,8), Rochester (9), Providence (10) e Ottawa (10,5). Também ficaram de fora pelos critérios de corte Raleigh (21), Columbus (38), Calgary (46), Salt Lake City (59), Buffalo (61,5), Nova Orleans (75), Indianápolis (84), San Diego (116) e Phoenix (127).

OBSERVAÇÕES

1) A avaliação é por região metropolitana, não por município. Fazer uma lista por município é completamente despropositada nos esportes americanos, pois Arlington, Foxborough, Nova Jersey e Sunrise, por exemplo, só têm times profissionais por questão de sede da arena. Os públicos/mercados de suas equipes são, pela ordem, os de Dallas, Boston, Nova York e Miami. Da mesma forma, Oakland e San Jose ficam na região metropolitana da Baía de São Francisco (chamei de São Francisco/Bay Area para deixar bem claro) e Anaheim na de Los Angeles;

2) Para times que mudaram de sede, os títulos contam para a cidade em que a equipe jogava na época da conquista;

3) Para o futebol americano, foram contabilizadas as conquistas da NFL e da AFL da era pré-Super Bowl como forma de atenuar o peso das conquistas de MLB e NHL (ligas mais antigas);

4) Contam os títulos de NFL, MLB, NBA, NHL e MLS (que, em algumas cidades, já é a quarta ou terceira liga mais vista), a não ser quando houver indicação de algo diferente.

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Boston tem chance de repetir feito de 80 anos atrás: ser campeã de três ligas ao mesmo tempo

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Bruins
Bruins Getty

“Cidade dos Campeões.”

Várias cidades americanas já se deram esse título, ou receberam de presente do jornal local, quando enfileirou uma sequência de conquistas nas grandes ligas esportivas da América do Norte. A mais recente foi Pittsburgh, quando Penguins e Steelers passaram por bons momentos e levantaram muitos troféus em sequência. Agora é o momento de Boston, que levou a temporada mais recente da MLB e da NFL. Uma fase que pode ser reforçada nesta quarta (12) se os Bruins vencerem o St. Louis Blues e levarem a Stanley Cup.

Boston é a dona da World Series e da NFL, com as conquistas de Red Sox e Patriots entre outubro de 2018 e fevereiro deste ano. Se levar a NHL, teria o título de três das quatro grandes ligas norte-americanas ao mesmo tempo. E, como o Toronto Raptors não fechou a série decisiva da NBA nesta segunda contra o Golden State Warriors, seria o terceiro título seguido de Boston. Feito raro, mas não inédito.

Ter dois títulos ao mesmo tempo não é algo particularmente raro. Nos moldes atuais, isso se tornou possível em 1927, com a criação da NHL. No ano seguinte, os nova-iorquinos comemoraram em dose dupla, com os Rangers no hóquei no gelo e os Yankees no beisebol.

Desde então, Nova York (1938-39, 56-57, 69-70 e 2000), Chicago (1934), Detroit (1954), Baltimore (1970-71), Pittsburgh (1979 e 2009), Los Angeles (1981-82, 1988 e 2002), São Francisco/Oakland (1989-90) e Boston (2004 e 2007-08) tiveram duas franquias campeãs ao mesmo tempo. Mas três títulos é algo bastante raro. Boston esteve perto na década passada. Os Red Sox venceram a World Series de 2007 e os Celtics ficaram com o título da NBA em 2008. Faltou uma taça entre as duas, e poderia ser a dos Patriots no Super Bowl. Mas o New York Giants e a recepção de capacete de David Tyree não permitiu.

Desse modo, três título ficaram na mesma cidade apenas uma vez*. O esporte fechou 1935 com o título do Detroit Tigers na MLB e do Detroit Lions em uma NFL pré-Super Bowl. O ano seguinte, o primeiro título foi o da NHL, vencido pelo… Detroit Red Wings. Como não existia NBA na época, essa sequência só terminou na World Series de 1936, conquistada pelo New York Yankees.

O feito foi bastante celebrado na época. Detroit recebeu o apelido de “Cidade dos Campeões” e o jornal Windsor Daily Star chamou “a mais incrível varrida de feitos esportivos já creditada a uma única cidade”. A onda positiva contava ainda com a ascensão de Joe Louis, criado na região, no ranking mundial de pesos pesados -- se tornaria campeão em 1937 -- e até de ligas menores.

Frank Fitzgerald, governador do estado de Michigan, decretou que 18 de abril, uma semana após a conquista do título dos Red Wings, seria o Dia dos Campeões. Vários eventos foram realizados na cidade, que até hoje carrega a condição de “Cidade dos Campeões” original.

*Nova York também conquistou três títulos seguidos, entre 1932 e 33. No entanto, não existiam a NBA e a NFL na época. Assim, as conquistas em sequência foram em duas ligas, com os Yankees na MLB em 1932, os Rangers na NHL e os Yankees novamente na MLB em 1933. Foram três títulos seguidos, mas jamais a cidade teve três times campeões ao mesmo tempo.

Fonte: Ubiratan Leal

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O que representaria para o Canadá um título dos Raptors

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Era comum a Fórmula 1 ter a manchete principal do caderno de esportes do jornal nas segundas após uma corrida, mas o dia anterior teve clássico paulista, então dava para mudar a ordem de prioridade. A primeira página esportiva da Folha de São Paulo em 26 de outubro de 1992 ficou com os repórteres Ricardo González e Paulo Ricardo Calçade (soa familiar?) na cobertura da vitória de virada ao Santos sobre o Corinthians no Morumbi, 3 a 1 com triplete de Guga. Na página 2, tabelão, uma tradição. Na 3, a vitória do São Paulo prestes a se tornar campeão mundial sobre o Guarani de Edílson Capetinha. A F1 ficou só na página 4, com Flávio Gomes escrevendo sobre a vitória de Riccardo Patrese e o primeiro ponto da carreira de Christian Fittipaldi no GP do Japão. Mas, a centímetros dali, um título me chamou a atenção.

“Bluejays ganham a primeira para o Canadá”

Bem, eu lia o caderno de esportes inteirinho -- costume que mantive enquanto assinei jornal impresso -- e ver algum assunto diferente era até mais legal. E o texto de Silvio Lancellotti contava como o Toronto Bluejays (assim mesmo, tudo junto) havia conquistado o primeiro título da World Series de um time canadense. Eu já conhecia o beisebol do colégio, o professor de Educação Física dava a modalidade nas aulas, mas não era familiarizado com a MLB e seus times. E com a cabeça de torcedor de futebol que via os campeonatos divididos por países, achei curiosa a existência de um time do Canadá na liga dos Estados Unidos. Pensamento imediato:

“Devem ser um time muito alternativo. Vou torcer por eles.”

Matéria sobre beisebol
Matéria sobre beisebol reprodução

Deu certo por um tempo, precisamente um ano. Em 1993, os Blue Jays conquistaram o bicampeonato e até foi possível seguir a reta final dia a dia no esporte da Folha (já separando o nome do time). Depois disso, só frustração. O retorno aos playoffs demorou 22 anos. O título mesmo só vejo quando ligo o celular e aparece o Joe Carter comemorando o maior home run da história (atenção: essa afirmação pode conter clubismo) no fundo de tela.

Dizer que eu sofro por isso seria um mastodôntico exagero. Primeiro, porque todo torcedor de beisebol começa o ano sabendo que verá seu time perder de 70 a 100 jogos na temporada. Ser derrotado é uma rotina. Segundo, porque não sou fanático. Terceiro, porque trabalhar com um esporte o obriga a vê-lo como um todo e até a se desligar de seu time em alguns momentos. Mas o torcedor canadense de verdade não tem essa escolha. E ele sofre.

Desde a World Series dos Blue Jays em 1993, o Canadá não viu nenhuma de suas franquias conquistar uma das quatro grandes ligas norte-americanas. O título da NBA nunca atravessou a fronteira. A Stanley Cup, antes de domínio canadense, não sai dos Estados Unidos desde o Montréal Canadiens de 1992-93. E a NFL é 100% americana.

Essa seca não é ignorada. O Canadá já é ofuscado em diversas coisas pelo gigantismo econômico de seu vizinho do sul, e o esporte acaba sendo mais uma delas. As equipes canadenses sofrem para ser competitivas, tendo de enfrentar problemas como regime tributário mais rígido, eventuais perda de valor de sua moeda em relação ao dólar e até o fato de alguns jogadores preferirem não mudar de país ao se transferir de time. Ao menos, sobretudo no caso de Raptors e Blue Jays, têm a torcida de toda a nação.

Kawhi Leonard
Kawhi Leonard Getty Images

Uma vitória dos Raptors sobre o Golden State Warriors, talvez o melhor time deste século na NBA, soa improvável. Mas mesmo essa pequena possibilidade já é suficiente para o Canadá inteiro se juntar em apoio ao Toronto. Não é apenas um time, é um país inteiro que não vê um título em suas principais ligas há 26 anos. Um país que sabe que seus representantes são vistos por muitos como alternativos e que só existem -- aí excetuemos o hóquei no gelo -- por uma concessão dos poderosos americanos aos simpáticos vizinhos. Ganhar o troféu é passar por cima de tudo isso. É mostrar que uma equipe canadense até pode ser alternativa, mas não é café-com-leite.

Fonte: Ubiratan Leal

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Japão entra na disputa, e MLB talvez tenha de rever salários nas ligas menores

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Kyler Murray foi selecionado pelo Oakland Athletics na sexta posição geral do draft de 2018 da Major League Baseball. Chegou a assinar um contrato e a acertar o bônus (luvas), mas desistiu de tudo para seguir o sonho de jogar na NFL. O tema gerou muita discussão e até um post neste blog, mas talvez nem seja a renúncia mais importante de um jogador draftado pelo beisebol no ano passado. Porque a não-assinatura de Carter Stewart com o Atlanta Braves pode ter um impacto de médio prazo muito maior para a MLB.

Stewart foi draftado na oitava posição em 2018. Arremessador da Eau Gallie High School, da Flórida, ele receberia US$ 2 milhões como bônus de contrato e seria integrado ao sistema de ligas menores dos Braves. Tudo bem, receber US$ 2 milhões de uma vez é tentador para qualquer garoto de 19 anos. No entanto, as perspectivas de médio prazo para ele não eram tão seguras assim.

Carter Stewart, draftado pelo Atlanta Braves em 2018
Carter Stewart, draftado pelo Atlanta Braves em 2018 Getty Images

Pela sua posição no draft, claramente Stewart era visto como uma grande promessa pelo Atlanta. No entanto, ele não fugiria do sistema tradicional: ficaria algumas temporadas nas ligas menores para terminar de desenvolver seu potencial técnico e físico até receber uma chance na MLB. Nada garante, porém, que ele não explodisse tecnicamente ou não sofresse lesões no caminho, e que talvez essa chance nas grandes ligas nunca chegasse.

Essa “chance nunca chegar” é problemático. Ainda que o bônus de US$ 2 milhões seja bastante apetitoso, os anos de ligas menores não são tanto. Os jogadores recebem salários bem baixos, muitos deles perto do salário mínimo, e são obrigados a viver em repúblicas ou alugar quartos em casa de família para morar durante a temporada. Além disso, não recebem pagamento durante o período de recesso da liga, tampouco pelo tempo da pré-temporada. E a rotina é desgastante, com viagens -- algumas bem longas -- sempre de ônibus pelo interior dos Estados Unidos.

A perspectiva de esse cenário mudar em curto prazo não é grande, pois o último acordo trabalhista entre a MLB e a associação de jogadores apertou ainda mais o cinto nas ligas menores. A maioria dos jovens que estão entrando no sistema agora não tem escolha, e alguns ainda preferem ganhar mal do que ir à universidade e não ganhar nada (a bolsa de estudos tem seu valor, mas, para jovens de famílias carentes, a necessidade de dinheiro é imediata). Mas Stewart pode se dar ao luxo de escolher, pois ainda é muito novo e, principalmente, tem poder de barganha pelo fato de ser uma grande promessa.

Assim, o empresário Scott Boras intermediou uma negociação e acertou a ida de Stewart para o Fukuoka Softbank Hawks, da liga japonesa. No Japão, ele receberá US$ 7 milhões em salários por um contrato de seis anos. Ainda que ele também tenha de passar pelas ligas menores japonesas, são US$ 5 milhões -- garantidos -- a mais. Além disso, a chance de ele efetivamente chegar ao time principal é muito maior, até pelas informações que recebeu dos Hawks. Por fim, ele terá apenas 26 anos ao final do vínculo, idade ainda boa para assinar um bom contrato com a MLB.

Se o caso de Stewart for bem sucedido, pode abrir o caminho para vários jovens americanos escolherem o beisebol profissional de outro país ao invés de seguir em categorias de formação que pagam mal (ou, no caso da NCAA, não pagam) nos EUA.

Essa tendência já está presente no basquete. O caso mais midiático foi dos irmãos LaMello e LiAngelo Ball, que preferiram o basquete profissional da Lituânia ao invés de jogar no universitário americano. Mas ele também ocorreu com Terrance Ferguson, que jogou na Austrália antes de ser draftado pelo Oklahoma City Thunder, e Emmanuel Mudiay, que teve passagem pela China.

Se os casos começarem a se acumular, pode provocar uma rediscussão no sistema de formação de jogadores nas ligas menores do beisebol e no universitário do basquete e do futebol americano. Seria mais um argumento para melhorar a remuneração desses atletas em formação, pois começariam a surgir opções que não eram consideradas até pouco tempo.

Fonte: Ubiratan Leal

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Trocar a MLB pela NFL já valeu a pena para Kyler Murray. Ao menos no dinheiro

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Murray em ação pelos Sooners
Murray em ação pelos Sooners Getty


Você recebeu uma oferta de emprego para fazer o que gosta. Mais que isso, lhe pagam US$ 4,9 milhões antes mesmo de você começar a trabalhar, só por aceitar a proposta. Convenhamos, não há muitos empregos que podem ser melhores que esse, mesmo se for para jogar na liga esportiva mais rica do mundo. Por isso que muitos achavam que Kyler Murray se tornaria jogador do Oakland Athletics. Dificilmente a NFL apresentaria uma proposta melhor. Mas apresentou.

Na última semana foi anunciado o acordo de Murray com o Arizona Cardinals. O ex-quarterback (e outfielder) do Oklahoma Sooners terá um contrato de quatro ano, com uma opção do time de renovar por mais um. O valor garantido -- ou seja, que o jogador receberá de qualquer forma, mesmo que seja dispensado no meio do vínculo -- é de US$ 35,16 milhões, valor que se soma aos US$ 23,6 milhões de bônus na assinatura (equivalente às luvas do futebol brasileiro).

Isso é muito mais que os A’s davam de garantia a Murray. Como defensor externo recém-saído da primeira rodada do draft, ele recebeu um bônus alto (US$ 4,9 milhões) e… só. Como ocorre com jogadores de beisebol, Murray entraria em algum nível das ligas menores, recebendo salários baixos e tendo de encarar dois ou três anos morando em repúblicas de atletas jovens e viajando de ônibus. Se conseguisse crescer na modalidade, seria promovido ao time principal, ficaria alguns anos recebendo salários medianos para, quem sabe em alguns anos, virar free-agent e ganhar um contratão.

Se esse contrato de agente livre viesse, Murray talvez recebesse mais dinheiro do que verá em toda sua carreira no futebol americano. Considerando valor total do acordo, dos 20 maiores contratos da história dos esportes americanos, 16 são da MLB e nenhum da NFL. No entanto, o ex-Sooners não tem certeza se entrará nesse grupo dos craques do beisebol. Essa resposta só chegaria em uns cinco anos, para ser otimista. Na NFL, como quarterback de primeira escolha geral do draft, ele ainda não é um craque. Mas já recebe tratamento e dinheiro como tal.

Fonte: ubiratan leal

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Nada é tão cardíaco quanto uma prorrogação nos playoffs da NHL

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Pat Maroon abraça colegas de St. Louis Blues após a vitória no Jogo 7 contra o Dallas Stars
Pat Maroon abraça colegas de St. Louis Blues após a vitória no Jogo 7 contra o Dallas Stars Getty Images

Dallas Stars e St. Louis Blues se embrenharam em um épico de quatro horas para definir quem seria o primeiro finalista da Conferência Oeste dos playoffs da NHL. Era jogo 7 e o vencedor manteria suas chances de título. O perdedor podia arrumar as malas, ir ao aeroporto e sair de férias. No final, os Blues venceram por 2 a 1, com gol na segunda prorrogação. E nada pode ser mais cardíaco que a prorrogação de um jogo de mata-mata do hóquei no gelo.

Partidas de playoffs são, por definição, emocionantes. Confronto direto para definir o destino das duas equipes, um precisa superar o outro para seguir vivo. A NHL aproveita bem isso, até porque tem a fase de mata-mata mais imprevisível das grandes ligas americanas. Nesta temporada, por exemplo, os times de pior campanha passaram em cinco dos oito confrontos. Entre as vítimas esteve o Tampa Bay Lightning, equipe com mais vitórias em uma temporada regular na história da liga.

Mas a NHL é ainda mais especial quando o duelo chega ao tempo extra. Prorrogação na NBA, na MLB e na NFL também são emocionantes, mas são diferentes. Na NBA, os dois times desenvolvem um mini-jogo em que vão tentando ter melhor situação possível para o minuto final, quando o encontro é efetivamente decidido. Na MLB, um arremesso ruim pode definir a partida a qualquer momento, mas cada time tem seu momento de atacar e, se esse arremesso ruim for do time da casa, ele ainda terá uma oportunidade de se recuperar. Na NFL, é comum o time que perde o cara ou coroa sequer tocar na bola no prolongamento.

O hóquei no gelo é o caos. É um vaivém do disco, com jogadores patinando loucamente de um lado para o outro. Os turnos ofensivos não são tão demarcados como no beisebol e no futebol americano, e o tempo extra pode ser encerrado a qualquer momento, ao contrário do basquete. Na NHL, se sai um gol, fim de papo.

E esse gol pode realmente sair de formas aleatórias, desde uma articulada troca de passes até em uma finalização sem muito sentido que dá a sorte de passar em uma fresta de menos 5 centímetros entre o goleiro e a trave. Ou, como no caso de Blues e Stars, de um puck que bate na trave e na nuca do goleiro antes de se apresentar apetitoso ao atacante do St. Louis.

O único descanso para o coração do torcedor são os pedidos de tempo e o intervalo da TV. Fora isso, há uma sensação constante de que toda a campanha do time pode ser definida em cada ataque. Algo único do hóquei na prorrogação. E isso torna os playoffs da NHL ainda mais espetaculares e imperdíveis.

Fonte: Ubiratan Leal

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Nada é tão cardíaco quanto uma prorrogação nos playoffs da NHL

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[Programação] Warriors e Rockets se reencontram nos playoffs da NBA

ESPN League
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Stephen Curry marca James Harden
Stephen Curry marca James Harden ESPN

Desde que teve início a dinastia do Golden State Warriors, apenas dois oponentes pareceram fortes o suficiente para superar os californianos: o Cleveland Cavaliers nas finais de 2015-16 e o Houston Rockets em 2017-18. O primeiro, comandado por LeBron James e Kyrie Irving, conseguiu bater os Warriors em uma virada espetacular na decisão. O segundo ficou "apenas" com a melhor campanha na temporada regular, mas caiu na final da Conferência Oeste.

Pois os texanos têm chance da revanche. Nesta semana, Houston e Golden State se encontram nas semifinais do oeste e o fã de esporte poderá conferir esse duelo nos canais ESPN a partir deste domingo. 

Além disso, a ESPN também segue na cobertura do Draft da NFL, dos playoffs da NHL e das temporadas da MLB e da LBF. Veja a programação e não perca nada.

SÁBADO, 27 DE ABRIL

NFL
13h - Draft, quarta a sétima rodadas (ESPN)

NHL (playoffs)
21h - Columbus Blue Jackets x Boston Bruins (ESPN)

E-SPORTS
20h - Madden NFL 19 Bowl (ESPN Extra)

DOMINGO, 28 DE ABRIL

NBA (playoffs)
14h - Boston Celtics x Milwaukee Bucks (ESPN)
16h30 - Houston Rockets x Golden State Warriors (ESPN)

MLB
20h - Cleveland Indians x Houston Astros (ESPN)

SEGUNDA, 29 DE ABRIL

20h - ESPN LEAGUE (ESPN)

NHL (playoffs)
21h - St. Louis Blues x Dallas Stars (ESPN)

MLB
20h - Oakland Athletics x Boston Red Sox (ESPN 2)

TERÇA, 30 DE ABRIL

NBA (playoffs)
23h30 - Jogo não definido (ESPN)

MLB
20h - St. Louis Cardinals x Washington Nationals (ESPN 2)

QUARTA, 1º DE MAIO

NHL (playoffs)
20h - New York Islanders x Carolina Hurricanes (ESPN)

MLB
21h - Houston Astros x Minnesota Twins (ESPN 2)

QUINTA, 2 DE MAIO

NHL (playoffs)
23h - San Jose Sharks x Colorado Avalanche (ESPN)

LBF
19h - Sorocaba x São Bernardo (ESPN Extra)

SEXTA, 3 DE MAIO

20h - ESPN LEAGUE (ESPN)

NBA (playoffs)
21h - Jogo não definido (ESPN)
23h30 - Jogo não definido (ESPN)

MLB
20h - Minnesota Twins x New York Yankees (ESPN 2)

A programação pode ser alterada sem aviso prévio. Para ver a programação completa, clique aqui. Última atualização: 27 de abril, 11h30.

Fonte: Ubiratan Leal

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