Torcedor foi testar velocidade de seu arremesso durante um jogo. E acabou contratado

Ubiratan Leal
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Nathan Patterson
Nathan Patterson Instagram

Ser um atleta profissional é difícil. Muito difícil. Extremamente difícil. E, toda vez que você vê um atleta de altíssimo rendimento fazer algo e pensar “isso eu também faço” ou, ainda mais ousado, soltar um “eu faria melhor”, pode ter certeza que você tem 99,99999% de chance de não chegar nem perto. Se qualquer um pudesse praticar esporte naquele nível, os atletas não seriam tão bem pagos.

Mas o americano Nathan Petterson está no 0,00001% que, quando pensa “isso eu também faço”, realmente faria.

Como milhares de adolescentes americanos, Patterson havia jogado beisebol durante o ensino médio. Era arremessador no time de sua escola, mas não foi draftado e seguiu sua vida normalmente. Como milhares dos adolescentes, diga-se.

Até que, em agosto de 2018, ele foi a um jogo do Nashville Sounds, time de triple-A (liga menor imediatamente abaixo da MLB). O clube havia colocado uma jaula de arremessos com radar e os torcedores podiam ir lá e testar a velocidade de sua bola rápida. A maioria fica no patamar de amadores, entre 50 e 80 milhas/hora. Mas Patterson soltou o braço e o painel indicou: 96 milhas/hora. Um índice semelhante ao de jogador da MLB.

Patterson não arremessava com energia máxima desde que deixou o ensino médio, mas se animou com a força que seu braço ainda tinha. Resolveu investir em uma carreira tardia no beisebol. Treinou em academias especializadas para ver se mantinha a velocidade com constância e precisão e ainda entrou em uma liga amadora para ter mais experiência em jogo. Nesse meio-tempo, chegou a fraturar o punho em um acidente de carro, mas foi na mão esquerda (ele é destro).

Até que, em julho deste ano, Nathan estava em um jogo do Colorado Rockies e testou novamente seu braço. De novo 96 milhas/hora. Seu irmão, Christian, filmou e jogou nas redes sociais. E o vídeo viralizou.

Duas semanas depois, Patterson anunciou em suas redes sociais que havia assinado um contrato com o Oakland Athletics. Trata-se de um acordo para ligas menores, onde o arremessador iniciará sua preparação em um nível profissional para, eventualmente, ascender e chegar à MLB. Com 23 anos, ele precisa subir rápido para efetivamente ter uma oportunidade.

De acordo com Patterson, a conversa com os A’s vinha desde fevereiro, motivada pela demonstração no jogo do Nashville Sounds (que era filiado ao Oakland no ano passado). Mas a confirmação do contrato veio depois do vídeo no jogo dos Rockies se espalhar nas redes sociais.

Na postagem em que anuncia sua contratação, Patterson diz que a história ainda não acabou. “Estou escrevendo os próximos capítulos e estou animado com essa jornada. Hora de ficar ainda mais focado, trabalhar ainda mais duro, e tudo começa com sua mentalidade.”

Fonte: Ubiratan Leal

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NHL: funcionário da manutenção vira goleiro de última hora e fica com a vitória

Ubiratan Leal
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David Ayres
David Ayres Getty Images

David Ayres ama hóquei e podia se dar por feliz por trabalhar em torno de seu esporte favorito. Ele atuou como goleiro na juventude, mas não teve oportunidade de se profissionalizar. Em 2004, teve de passar por um transplante de rim e a possibilidade de seguir uma carreira se tornou ainda mais remota. Por isso, trabalhar no setor de manutenção e como piloto de zamboni do Toronto Marlies, time de ligas menores, já estava muito bom. Até porque esse emprego o permitia ter uma ou outra chance de entrar como goleiro em alguns treinos da equipe. Aos 42 anos, já era mais contato com o hóquei no gelo profissional do que poderia esperar.

Havia uma questão, porém. Por essa atividade com os Marlies, Ayres estava listado como goleiro de emergência nas partidas em Toronto dos Marlies e dos Maple Leafs.

Goleiro de emergência? Para quem acompanha a NHL, já é um conceito bastante conhecido, mas a explicação simplificada vai para quem ainda não segue -- sugestão: siga! -- o hóquei no gelo.

Se algum goleiro se machuca durante uma partida, o goleiro reserva entra no gelo, lógico. Para esse time não ficar sem nenhuma opção no banco, o goleiro de emergência é chamado de urgência para ir à partida, assina um contrato de um dia (US$ 500 e a camisa com seu nome) e fica como terceiro goleiro. Cada equipe tem um goleiro de emergência listado, e ele pode ser chamado a qualquer momento, para defender qualquer equipe. Basta precisar.

Normalmente esse goleiro de emergência é um veterano que atuou na posição no ensino médio e, no máximo, em ligas menores ou universitárias e toca sua vida comum, com um emprego qualquer. Mas, como teve experiência em algum momento da vida, é mais qualificado para atuar no gol do que improvisar um jogador de linha que vai comprometer tecnicamente e ainda pode se machucar.

Quase nunca dá em nada. O goleiro de emergência fica lá esperando, o reserva que entrou fica no gelo até o final e pronto. Mas no confronto entre Maple Leafs e Carolina Hurricanes deste sábado, o goleiro titular dos Hurricanes machucou, o reserva entrou e também se machucou. Ou seja, Ayres teve de jogar de verdade. A situação foi tão inusitada que o goleiro entrou com a camisa dos Hurricanes, mas usando a calça dos Maple Leafs (seu time de coração) e capacete dos Marlies. 

O goleiro de última hora tomou dois gols nos dois primeiros chutes em direção a seu gol. A tensão cresceu no banco e na torcida dos Hurricanes, mas Ayres se recuperou e pegou todas as finalizações dos Leafs até o final da partida, ficando como goleiro vencedor nos 6 a 3 dos Canes.

Com isso, Ayres se tornou o goleiro mais velho a estrear com vitória na NHL, o segundo jogador mais velho a estrear na história da NHL e o primeiro goleiro de emergência a ser creditado com a vitória na história da NHL.

O veterano foi bastante festejado nos vestiários do Carolina. Recebeu banho de cerveja e foi apontado pelo técnico Rod Brind’Amour como o herói da partida.


A aventura de Ayres na NHL parou por aí. Ele confirmou que não tem pretensão de se apresentar para algum tipo de teste e buscar um contrato profissional. De qualquer forma, vai entrar no folclore dos Hurricanes. A franquia anunciou que vai colocar à venda uma camisa com seu nome, com o lucro sendo direcionado ao goleiro e a alguma instituição que trabalhe com vítimas de problemas renais.

Fonte: Ubiratan Leal

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Novo sistema de playoff da MLB: como seria e o que ele indica

Ubiratan Leal
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Troféu da World Series
Troféu da World Series Getty

A Major League Baseball vai mudar, já está mudando. A queda de popularidade do beisebol entre as novas gerações enfim começou a incomodar a principal liga profissional da modalidade, e a MLB percebeu que era necessário realizar alterações que tornassem seu torneio mais atrativo para os jovens, mais agitados e ultraconectados. A maior parte das medidas visa reduzir o tempo dos jogos, mas há uma mais ousada e polêmica: mudar os playoffs.

Atualmente, o mata-mata da MLB é disputado por cinco equipes na Liga Americana e outras cinco na Nacional. Os três campeões de divisão se classificam automaticamente para as séries divisionais (equivalente a semifinais de liga), onde encontram o vencedor do jogo de wildcard (repescagem) realizado entre os dois melhores times que não venceram divisão alguma. Nas séries divisionais, o time de melhor campanha pega o vencedor do wildcard, enquanto que o segundo cabeça de chave pega o terceiro. Daí temos finais de ligas e a World Series, a decisão geral.

Pela proposta da MLB, seriam sete classificados em cada chave: três campeões de divisão e quatro wildcards. O time de melhor campanha teria uma vaga direta na série divisional. Os outros dois campeões de divisão e o primeiro wildcard enfrentariam os outros três wildcards em séries melhor de três, com todos os jogos na casa dos cabeças de chave. Como seria feito o emparceiramento? Os cabeças de chave escolheriam o adversário. Isso mesmo: seria realizado um evento em que o segundo time de melhor campanha escolhe qual dos wildcards quer enfrentar. Depois o terceiro campeão da divisão escolhe e o melhor wildcard fica com quem sobra.

Obs.: a fase de wildcard seria em melhor de três, mas não precisaria de datas extras em relação ao formato atual. Ela apenas ocuparia os dias de descanso antes e depois dos jogos de wildcards atuais. Ou seja, o time que pulasse essa fase não perderia tanto ritmo de jogo assim.

Nesse formato, a MLB tenta atingir dois alvos: aumentar a quantidade de time envolvidos na temporada regular e criar mais eventos com potencial de atrair a mídia. A primeira parte é fácil de entender: nos últimos anos, cresceu bastante a quantidade de times que não lutaram pela temporada, pensando apenas em economizar dinheiro e atrair jovens para se tornar competitivo no futuro. Ainda que faça sentido como estratégia, isso faz que algumas equipes tenham cerca de 500 jogos de temporada regular valendo muito pouco, alienando seus torcedores. Com mais vagas disponíveis, os playoffs são mais acessíveis e poucas franquias realmente se verão fora da disputa já no começo do ano.

A segunda parte é a mais polêmica. A MLB tem a desvantagem de ver seus playoffs ocorrerem em uma época do ano em que NFL, futebol americano universitário, NBA e NHL estão em disputa. Ou seja, dividindo atenção do público. Por isso, criar momentos de tensão e polêmica ajuda a cutucar o torcedor. E um evento em horário nobre de domingo em que os times escolhem quem enfrentarão (incluindo aí todo o debate que se estenderá nos dias anteriores sobre qual seria a melhor estratégia de cada um) tem um sabor diferente.

Já dá para imaginar o cenário. A MLB inclui no seu pacote de direitos de transmissão a venda do evento em que os cabeças de chave escolhem seus adversários e mais seis séries de wildcard, o que garante de 12 a 18 jogos decisivos (ao invés dos dois jogos atuais). Isso vale milhões diretamente e outros milhões indiretamente, com o espaço conquistado nas conversas pelas ruas, nas redes sociais e na mídia.

O problema é: tudo isso faz sentido comercial, mas soa apelativo esportivamente. Encaixar os sete classificados em um sistema de disputa não é natural, precisa de um contorcionismo grande no regulamento. E dar aos clubes o direito de escolher seus adversários é criar polêmicas fáceis.

Ainda assim, o lado econômico provavelmente falará forte e não haverá muita resistência dentro da liga para aprovar o formato. Os clubes gostarão de saber que os playoffs estão mais acessíveis. O sindicato de jogadores gostará de saber que mais associados disputarão o mata-mata. Os árbitros gostarão de ter mais chances de serem chamados para um trabalho extra em outubro. E todo mundo adorará ratear esse dinheiro extra que entrará. Mesmo a TV, que terá de gastar mais dinheiro, não achará ruim perceber que recuperou isso com a audiência das novas fases e de uma temporada regular com menos jogos irrelevantes.

Mas o sistema que a MLB escolheu para revitalizar os playoffs me fez pensar em outra coisa. Encaixar os sete classificados e a fase de wildcard com três confrontos soa forçado no modelo atual, mas ficaria bastante natural se… cada liga tivesse quatro divisões. Com quatro divisões, a melhor campanha entre os campeões vai direto para a série divisional, enquanto que os três campeões de divisão seguintes escolhem entre três classificados por wildcard. Faz muito mais sentido.

E como a MLB dividiria suas ligas para ter quatro grupos? Hoje, com 15 times na Liga Nacional e outros 15 na Americana, muito difícil. No entanto, se as grandes ligas expandirem para 32 franquias, uma em cada liga, são 16 para dividir em quatro grupos de quatro times. Exatamente como a NFL.

Rob Manfred, comissário da MLB, já disse que a liga pretende ampliar a quantidade de equipes. Para isso, só precisa resolver a questão dos estádios de Tampa Bay Rays e de Oakland Athletics. Talvez essa expansão não esteja tão distante assim e a entidade já faça planos pensando nisso.

Fonte: Ubiratan Leal

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Honda, Parasita e o vírus

Ubiratan Leal
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Honda é apresentado à torcida do Botafogo
Honda é apresentado à torcida do Botafogo Vítor Silva/Botafogo

Milhares de alvinegros invadiram o saguão do aeroporto Tom Jobim, o Galeão. Cantaram músicas tradicionais da torcida, cantaram músicas criadas especificamente para o momento, balançaram bandeiras, fizeram a festa, se deram o direito de curtir o amor ao Botafogo e de ser feliz. Tudo isso com símbolos e mensagens em japonês. Era a AeroFogo para celebrar a chegada do meia Keisuke Honda.

Parece bobagem, mas não faz tanto tempo em que o termo “japonês” era usado no futebol como sinônimo de “jogador ruim”. Quando um time era ruim, falava-se “é tudo japonês”, mesmo que não houvesse nenhum oriental na equipe. Kazu até foi bem em Coritiba, Santos e XV de Jaú na década de 1980, mas não mudou essa visão.

Por isso, ver a torcida de um dos clubes que mais teve craques na seleção brasileira saudar um japonês, fazendo rimas e colocando faixas com a bandeira do Japão, dá uma satisfação. Tecnicamente, até acho que a contratação de Honda está sendo superestimada, que o meia do começo da década seria um excelente reforço, mas o atual, de 33 anos, talvez não seja suficiente para mudar o patamar o Botafogo. 

Dois dias depois, Hollywood também quebrou tabus ao premiar “Parasita”, uma produção sul-coreana, produzida por sul-coreanos, dirigida por um sul-coreano e falada em coreano com o Oscar de melhor filme. Bong Joon-Ho, o diretor, não deixou o momento passar despercebido, se pronunciando em coreano e ainda falando que ia “encher a cara” para comemorar. Houve quem tratasse com surpresa a ideia de um oriental dizer que ficaria bêbado.

Dois eventos completamente isolados e simples, mas se unem ao quebrar estereótipos. No aeroporto do Galeão, por um momento o preconceito com os japoneses no futebol deu uma trégua. Celebrou-se o Honda pelo que ele fez em campo, sem usar a nacionalidade dele como elemento para rotular negativamente sua qualidade. Em Los Angeles, premiou-se um sul-coreano sem que o estranhamento cultural e linguístico se tornasse obstáculo para admirar sua obra. E ainda se lembrou que, da mesma forma que um asiático pode jogar futebol, ele também pode encher a cara de felicidade.

Em qualquer outra circunstância isso seria trivial, mas ganha força nesse começo de ano. Afinal, o surto de coronavírus na China se transformou em pretexto para que se cometesse uma série de preconceitos com orientais. Chineses que não estiveram na China ou não tiveram contato recente com quem esteve eram impedidos de entrar em lojas em diversos países. Marchisio, ex-jogador da Juventus, até escreveu sobre isso em sua coluna no Corriere della Sera (link em italiano). Em São Paulo, um edifício comercial determinou que os funcionários de uma empresa japonesa deveriam usar um elevador separado dos demais.

A ideia de que “japonês é tudo igual” -- e, nesse contexto, “japonês” significa “qualquer pessoa vinda do Leste da Ásia, mesmo que de outros países" -- é mais que uma piadinha sobre a semelhança física. Muitas vezes vira ferramenta de estereótipo e preconceito. De achar que todo “japonês” é um transmissor em potencial de coronavírus. De achar que nenhum “japonês” bebe. De achar que nenhum “japonês” pode jogar futebol.

Como neto de japoneses, obrigado torcedor do Botafogo. A festa no Galeão representou mais do que vocês imaginam.

Fonte: Ubiratan Leal

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Como o escândalo de roubo de sinais estourou no Boston Red Sox

Ubiratan Leal
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Alex Cora (de vermelho) cumprimenta Aaron Boone antes do clássico entre Yankees e Red Sox
Alex Cora (de vermelho) cumprimenta Aaron Boone antes do clássico entre Yankees e Red Sox Getty Images


As atenções estavam voltadas ao Houston Astros, que via sua comissão técnica e diretoria se tornarem alvos principais das punições da MLB pelo escândalo de roubo de sinais. Mas também havia motivos para ficar de olho com o que acontecia no New York Mets e, principalmente, no Boston Red Sox. Não demorou dois dias para ambas equipes anunciarem a demissão de seus treinadores, Carlos Beltrán e Alex Cora. E, no caso das Meias Vermelhas, ainda há expectativa de que venha mais bomba.

A questão imediata dos técnicos é até simples de entender. As investigações da MLB indicaram que ambos teriam sido os mentores do sistema de utilização de tecnologia para roubo de sinais dos adversários, ainda em 2017. Beltrán, então jogador dos Astros, estava com dificuldades no bastão e pediu ajuda a seu amigo Cora, na época auxiliar técnico do time. O resultado disso foi a utilização de câmeras -- utilizadas prioritariamente para os times avaliarem se vale a pena pedir o replay para revisar uma marcação do árbitro -- para filmar o catcher adversário passando sinais. As imagens chegam ao vivo a um monitor colocado no corredor que leva ao banco de reservas, onde qualquer um do Houston podia ver, identificar o arremesso e fazer algum som que o rebatedor identificasse.

ENTENDA:
Ex-jogador diz que time campeão da MLB em 2017 usou trapaça na campanha do título
O que pode acontecer com os Astros depois do escândalo de roubo de sinais?
Punição aos Astros por roubo de sinais: você quer justiça ou justiçamento?

A MLB não anunciou imediatamente as punições aos dois porto-riquenhos. Beltrán escapou porque a trapaça ocorreu quando era jogador, e hoje ele já tenta outra carreira (os Mets de 2020 seriam seu primeiro trabalho como técnico). O time nova-iorquino decidiu demitir por conta própria, para se afastar institucionalmente de um protagonista de escândalo. Cora certamente será punido, mas o tamanho da paulada não foi anunciado porque ainda há mais o que se investigar. É aí que o Boston Red Sox campeão de 2018 entra no caso.

O Boston chegou a ser advertido por criar um sistema de uso de imagens de TV e smart watches para roubo de sinais em 2017. Mas havia especulações de que os Red Sox seguiram roubando sinais irregularmente. Quando a investigação sobre o Houston Astros começou a avançar, acabou surgindo a revelação de que, realmente, os Meias Vermelhas não haviam parado.

Pelas regras da MLB, e o caso dos Red Sox foi um marco para reforçar isso, o roubo de sinais é permitido se realizado dentro de campo pela habilidade e malandragem dos jogadores. Um corredor na segunda base consegue ver os sinais do catcher. Se ele conseguir decodificar a orientação, pode fazer algum movimento que alerte o rebatedor (que fica de frente para a segunda base) do que estaria chegando. Isso sempre aconteceu no beisebol e não há intenção de mudar isso. O que não pode é usar tecnologia para fazer essa leitura. Aí é golpe baixo, passar do limite moralmente aceito no código de conduta da modalidade.

Os Astros pisaram nesse limite como se fosse uma bituca de cigarro que precisa ser apagada. Os Red Sox quiseram dar uma empurradinha no limite para ver se ninguém percebia ou aceitava que foi sem querer.

Em 2018, o Boston contratou Alex Cora como técnico. E o ex-auxiliar dos Astros levou para o Fenway Park o esquema que havia ajudado a implementar no Texas. Só que, calejado da bronca recebida no ano anterior, os Red Sox não foram de cabeça no roubo de sinal com tecnologia. Tentaram um esquema híbrido.

Como no caso do Houston, os Red Sox usavam câmeras para captar imagens dos sinais dos catcher e enviá-las para um monitor nos vestiários. A diferença é como os rebatedores recebiam essa informação. No caso dos Astros, vai de assobios e pauladas em uma lata de lixo até a suspeita de uso de artefato eletrônico preso ao corpo do jogador. Para o Boston, essa parte era mais discreta e, digamos, velha guarda.

Os rebatedores descobriam pelo vídeo quais os códigos de sinais que os adversários usavam. Eles trabalhavam normalmente no bastão, sem receber nenhuma orientação. No entanto, se chegassem à segunda base, eles usavam o conhecimento adquirido com as imagens do monitor do vestiário para ver as orientações dos catchers com os próprios olhos e repassar ao rebatedor. Ou seja, a segunda parte estaria dentro do código de ética que sempre foi aceito e praticado no beisebol. A questão é que a primeira envolvia a filmagem irregular dos oponentes.

E, como ocorreu com os Astros em 2017, os Red Sox acabaram campeões na temporada em que implementaram um sistema de roubo de sinais com a participação de Alex Cora.

Essa parte da investigação ainda está em andamento, pois a prioridade era concluir o caso do Houston. A situação do Boston é menos grave, porque seu próprio mecanismo não permitia a utilização a todo momento (era preciso haver um corredor na segunda base). Ainda assim, é passível de punição, sobretudo porque a franquia é reincidente do caso de 2017. Mas, para Cora, o gancho deve chegar ainda mais pesado, pois teria sido protagonista nos dois casos. Antes mesmo que novidades sobre a investigação dos Red Sox sejam reveladas, a franquia já demitiu o técnico.

E assim, a um mês do início da pré-temporada, três clubes -- incluindo dois dos últimos três campeões -- ficaram sem treinador. E a liga torce para qualquer outro clube que estivesse roubando sinais (suspeita-se que sejam muitos) resolva parar antes que a credibilidade da MLB toda seja colocada em xeque pela opinião pública.

Fonte: Ubiratan Leal

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Como o escândalo de roubo de sinais estourou no Boston Red Sox

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Punição aos Astros por roubo de sinais: você quer justiça ou justiçamento?

Ubiratan Leal
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Catcher dos Dodgers passa sinal em jogo contra os Astros durante a World Series de 2017
Catcher dos Dodgers passa sinal em jogo contra os Astros durante a World Series de 2017 ESPN

Um ano de suspensão para o técnico e para o general manager, dois anos sem primeira e segunda escolha no draft e uma multa de US$ 5 milhões. Foi essa a punição imposta pela Major League Baseball ao Houston Astros por desenvolver e manter um esquema de uso de tecnologia para roubo de sinais dos catchers adversários nas últimas temporadas. Os donos da franquia e os jogadores saíram ilesos, assim como o título da World Series de 2017.

ENTENDA:
Ex-jogador diz que time campeão da MLB em 2017 usou trapaça na campanha do título
O que pode acontecer com os Astros depois do escândalo de roubo de sinais?

A reação inicial de muita gente foi considerar a pena leve. Afinal, os Astros foram campeões enquanto estavam trapaceando. Ou seja, o benefício pelo roubo de sinais foi muito maior que o custo. Qualquer jogador ou qualquer clube faria a mesma troca: perder seu técnico, seu principal dirigente, algumas escolhas de draft e US$ 5 milhões para levar um troféu para casa. “No mínimo, tinham de tirar o título de 2017!”, foi uma afirmação bastante comum no Twitter nesta segunda.

Vamos com calma.

É tentador meter uma paulada federal no Houston Astros, daquela de deixar o time sem rumo. Tira o título, bane o clube de participação de playoffs e ainda o proíbe de negociar jogadores por alguns anos. O time mais consistente da MLB nos últimos anos rapidamente viraria um pária na liga e, em poucas temporadas, já estaria no fundo da tabela. Mas seria mesmo justo? Foi para tudo isso? Não estaria punindo pessoas que não têm nada a ver com isso? Isso é fazer justiça para punir um infrator ou justiçamento para atender a sede de sangue dos torcedores derrotados?

É preciso colocar a punição em perspectiva. Não apenas pelo que realmente representou a infração, mas também dentro do contexto de punições que a MLB (e, de certa forma, as outras ligas americanas) impõe a suas franquias.

Obs.: o caso de Alex Cora e do Boston Red Sox ainda não foi decidido. A MLB reforçou agora sua investigação aos Meias Vermelhas e Cora, que teria criado o esquema em Houston em 2017 e o levado a Boston no ano seguinte, pode pegar o maior gancho de todos. Especulam até um banimento perpétuo da liga.

As punições anunciadas estão entre as maiores já aplicadas pela MLB. A suspensão de um ano para AJ Hinch (técnico) e Jeff Luhnow (general manager) são mais que o dobro da pena para um jogador que foi pego no doping. E a punição em si é pesada não apenas pelo ano em que o sujeito fica sem trabalhar -- e sem receber --, mas também pelo fato de sua imagem ficar suja no mercado. Tanto que, horas após o anúncio da MLB, Hinch e Luhnow foram demitidos por Jim Crane, dono dos Astros. Provavelmente levará alguns anos para ambos recuperarem um posto de destaque na liga, se é que o farão.

Para os Astros, perder Luhnow e escolhas das duas primeiras rodadas nos drafts de 2020 e 21 pode ter implicações maiores do que parecem. O general manager era o grande líder de um dos melhores (talvez o melhor) departamentos de inteligência da MLB, capaz de identificar promessas e desenvolver ainda mais o talento de jogadores já rodados, sobretudo arremessadores. Uma punição a ele não apenas pode tirar a capacidade de articulação desse grupo técnico, mas também jogar a culpa da trapaça nesses profissionais. Muitos já recebem propostas de outras franquias. Desde esta segunda, a chance de alguns aceitarem aumentou sensivelmente.

Além disso, uma instabilidade nessa equipe de inteligência, além de uma eventual má imagem que a franquia deixe no mercado, pode tornar os Astros mais frágeis para negociar com jogadores. E haverá muito trabalho nessa área: cinco jogadores -- Josh Reddick, Yuli Gurriel, Michael Brantley, George Springer e Brad Peacock -- ficarão sem contrato ao final da próxima temporada, e mais oito -- Zack Greinke, Justin Verlander, Roberto Osuna, Joe Smith, Carlos Correa, Martín Maldonado, Lance McCullers e Chris Devenski -- têm vínculo por apenas mais dois anos. Algumas trocas desvantajosas ou não-renovação com alguns desses agentes livres podem desfazer rapidamente a base vitoriosa de hoje.

Astros comemoram título da World Series de 2017
Astros comemoram título da World Series de 2017 ESPN

O draft também pode ter um impacto, ainda que em longo prazo. Na MLB, há escolhas compensatórias (extras) após a primeira e após a segunda rodada, então, perder as escolhas das duas primeiras rodadas pode significar mais do que dois jogadores que deixam de ser recrutados. E, para uma franquia que pode precisar de talentos novos para se manter no topo quando o time atual envelhecer ou trocar de equipe, ficar sem os melhores talentos em duas classes seguidas deixaria buracos importantes.

Outras punições soariam mais a aplacar sede de sangue do que fazer justiça. Os Astros trapacearam, e isso os ajudou a conseguir resultados melhores nos últimos anos. Mas não muda o fato de que a equipe realmente é boa, competitiva e teria totais condições de conquistar o título de 2017 sem o roubo de sinais. 

Trapaça por trapaça, a justiça esportiva não costuma mudar o resultado de uma competição de esporte coletivo se um jogador -- por mais decisivo que ele tenha sido -- atuou dopado. Seria desproporcional fazer isso pelo roubo de sinais. Ainda mais porque poderia motivar o Houston a querer que todas as franquias fossem submetidas ao mesmo nível de cuidado, forçando a investigação nas práticas de todos os outros 28 times (os Red Sox não entram na conta porque já estão sob investigação). E certamente a MLB encontraria vários outros casos de roubos de sinais, criando um ciclo interminável de punição que poderia ruir a estabilidade política e credibilidade técnica da liga.

Isso não significa que a decisão da MLB tenha sido uma maravilha. Ela foi muito complacente com Crane e com os jogadores dos Astros (e, pelas informações veiculadas pela imprensa, partiu do elenco a ideia do esquema para roubo de sinais e sua aplicação). Mas seria difícil a liga impor uma pena pesada a um de seus sócios (os US$ 5 milhões de multa não fazem nem cócegas) e suspender ou multar jogadores poderia levar a uma longa disputa jurídica com a associação de atletas.

De qualquer modo, a MLB precisa agir rapidamente no caso do Boston Red Sox (que é menos grave, mas não pode ser ignorado). E pensar em uma forma de os sinais serem passados de maneira mais segura. Um ponto eletrônico não seria difícil de implementar. É só querer.

Fonte: Ubiratan Leal

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Ligas brasileiras deviam aproveitar as festas para terem exposição

Ubiratan Leal
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Georginho, do São Paulo
Georginho, do São Paulo Beto Miller/Corinthians

O clássico das duas maiores torcidas de futebol do país, duelos com duas das maiores rivalidades do interior paulista e o dérbi nordestino, além de o campeão da Liga Sul-Americana visitando uma tradicional força. O NBB programou vários encontros marcantes para a rodada dos dias 27 a 29 de dezembro, jogos com potencial de chamar a atenção ao basquete nacional nas arquibancadas e, principalmente, na mídia. Ainda mais porque estamos em uma época especial do calendário: o momento em que o futebol nacional está parado e as pessoas estão com tempo livre de sobra.

Por mais que algumas modalidades tenham públicos bem estabelecidos, como o vôlei e o basquete, o caminho para uma real massificação passa por expandir essa base de torcedores. E isso inevitavelmente significa receber a atenção do enorme grupo de brasileiros que se dedicam exclusivamente ao futebol.

Durante a maior parte do ano, o futebol domina. As demais modalidades acabam programando seus jogos de forma que não concorram diretamente com o esporte mais popular do país, muitas vezes escolhendo horários ou dias da semana menos atrativos ao torcedor da TV ou da arquibancada. É difícil medir o impacto total disso na audiência e na média de público da Superliga, do NBB, da LBF, da Liga Futsal e da Liga Nacional de Handebol, mas certamente as ligas gostariam de trabalhar sem esse obstáculo.

É justamente o que ocorre em dezembro, especialmente nas semanas de Natal e Ano Novo. O futebol profissional está de férias e o torcedor tem apenas as especulações de mercado como motivo de engajamento maior. Momento ideal para as demais modalidades aparecerem. A LBF, a Liga Futsal e as Ligas Nacionais de Handebol masculina e feminina estão de recesso nesse período, mas a Superliga de vôlei e o NBB, não. O basquete percebeu a oportunidade e realizou partidas de bastante apelo dias após o Natal. Teve ótimos públicos em seus ginásios. Mas ainda é algo raro.

A Superliga tem recesso de 22 de dezembro a 5 de janeiro no torneio masculino e de 22 de dezembro a 7 de janeiro no torneio feminino. São duas semanas em que o vôlei teria grande exposição pela falta de futebol, mas desperdiça a oportunidade parando suas competições.

O NBB descobriu isso nos últimos anos. Encheu a tabela de grandes partidas em 2017 e apostou no Super 8 para mobilizar a torcida no ano passado. O retorno não foi tão bom e, na temporada 2019-20, deixaram o Super 8 para janeiro, reservando uma rodada de jogos de bastante apelo para os dias entre Natal e Ano Novo. O público respondeu com boa presença na maioria dos ginásios.

Claro que há resistência a isso. Realizar jogos obriga os clubes e a liga a funcionarem normalmente. Muita gente reclamaria porque gostaria de ter folga para passar as festas com família e amigos. Mas talvez seja o preço a se pagar.

Milhões de brasileiros trabalham normalmente nessa época do ano. Seja porque atua em um setor que não pode parar (transporte público, segurança pública, saúde, imprensa) ou porque atua em uma área que considera importante a sua operação se manter na ativa sempre (comércio, turismo, lazer). Se a liga considerar que a exposição do período de férias do futebol é fundamental, que se aproveite isso. Se for o caso, compense com bônus ou esquema de revezamento (quem joga/trabalha no Natal folga no Ano Novo e vice-versa).

Nos Estados Unidos é assim. As ligas americanas programam rodadas importantes para feriados e nas festas de fim de ano justamente para aproveitar que os torcedores estão de folga. O Dia da Independência é da MLB. O Dia de Ação de Graças é da NFL. O Natal é da NBA. O Réveillon é do futebol americano universitário.

Na Europa não é tão diferente. Por mais que jogadores e técnicos reclamem, as rodadas de fim de ano da Premier League se acumulam porque têm público acima da média. No basquete, a Liga ACB espanhola teve jogos em 28 e 29 dezembro e já retorna no dia 4 de janeiro. Sendo que, nos dias 2 e 3 já tem o retorno da Euroliga.

Por isso, a iniciativa do NBB deve ser saudada. E que deveria inspirar o vôlei. Afinal, se não dar para brigar diretamente com o futebol, que se coma pelas beiradas e aproveite para aparecer quando a bola para de rolar nos gramados.

Fonte: Ubiratan Leal

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Ligas brasileiras deviam aproveitar as festas para terem exposição

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MLB dá passo importante para adotar zona de strike digital nos próximos cinco anos

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Efeito digital simulando a zona de strike em transmissão de TV
Efeito digital simulando a zona de strike em transmissão de TV Reprodução TV

Contagem em 3 bolas e um strike. Bases lotadas, dois eliminados. Parte de baixo da oitava entrada e o time que está no bastão perde por uma corrida. Oportunidade clara de empatar ou mesmo virar o marcador. O arremessador manda uma bola rápida na parte externa, dois centímetros para fora. Walk e placar empatado, mas… o juiz dá strike! O rebatedor faz cara de quem comeu e não gostou, a torcida xinga, o narrador da TV levanta voz para dizer algo como “uma marcação controversa que pode mudar os rumos da partida”. E muda. No arremesso seguinte, o rebatedor, ainda irritado, vai para o swing em uma bola de efeito fora da zona de strike e é eliminado. O placar segue sem alteração e, na nona entrada, o fechador completa o serviço e garante a vitória de sua equipe.

O cenário descrito acima é extremo, mas acontece algumas vezes toda temporada. Se somarmos a isso outros momentos em que uma única marcação errada de bola ou strike teve influência no resultado final, chegamos em dezenas de casos por ano, muitos deles em partidas de playoff que podem decidir a classificação de uma equipe. Por isso, a marcação de bolas e strikes motivam sempre tanta polêmica. Ainda mais porque se trata da ação mais básica do beisebol, pautando cada um dos cerca de 300 arremessos que ocorrem por jogo.

Não à toa, televisão, clubes e empresas especializada em análise de desempenho desenvolveram radares que rastreiam o arremesso. Eles identificam onde a bola passou, se a marcação do árbitro foi correta ou mesmo se o jogador se equivocou na leitura do arremesso. E fica a pergunta: se já há radares disponíveis, por que diabos a MLB não adota definitivamente a marcação eletrônica e tira da mão do árbitro?

Bem, isso pode acontecer em breve. E tivemos um passo importante nesta segunda. Uma reportagem da Associated Press revelou que o novo acordo trabalhista assinado com a Major League Baseball, a Associação de Árbitros da MLB concorda em cooperar no desenvolvimento e no teste de radares para a marcação de bolas e strikes. A entidade também aceita colaborar se a liga decidir colocar a tecnologia em ação.

Pode soar como algo pequeno, mas não é. Pela relação entre a MLB e o sindicato, a aprovação dos árbitros é fundamental para a mudança de uma regra que afetará diretamente sua atividade. Também é preciso haver uma aprovação do sindicato de jogadores, mas essa seria mais simples para esse caso.

O acordo entre a liga e o sindicato de árbitros é válido pelos próximos cinco anos, e, se a marcação eletrônica for adotada, é provável que seja em algum momento dentro desse período. Em 2019, a MLB assinou um acordo com uma liga independente, a Atlantic Coast League, para a experimentação de novas regras no jogo. Uma delas foi o uso de radares para a definição de bolas e strikes e o teste foi considerado bem sucedido. Não houve perda significativa de tempo no anúncio das decisões e os jogadores pareceram aceitar a mudança. Ainda há ajustes a realizar, como no caso de bolas de curva com efeito muito acentuado e que ficam no limite de entrar ou não na zona de strike.

A adoção de radar para bolas e strikes não eliminaria o árbitro do home plate. No sistema que tem sido testado, ele anuncia a marcação normalmente, seguindo a informação que recebe em um ponto eletrônico. Além disso, seguiria a cargo dele a definição de várias outras jogadas, como check swing, se houve eliminação em disputa no home plate, balk e interferência. E, claro, se houver algum problema no sistema de marcação, o árbitro assumiria esse papel.

É provável que a MLB adote a marcação eletrônica em uma liga menor single-A (quarto nível) em 2020 e em uma triple-A (segundo nível) em 2021. Provavelmente seriam os passos finais para a entrada nas grandes ligas. Isso tornaria o beisebol no nível da MLB na modalidade coletiva com uso mais significativo de tecnologia na arbitragem. Afinal, sua ação mais básica, repetida centenas de vezes ao longo do jogo, seria decidida sem participação humana. Não haveria paralelo em futebol, basquete, rugby, futebol americano, vôlei, hóquei no gelo, handebol ou outro esporte de equipes. Só competições individuais com cronometragem eletrônica, como natação e atletismo, dependeriam mais da tecnologia para o desenrolar das competições.

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MLB dá passo importante para adotar zona de strike digital nos próximos cinco anos

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NBA se inspira no futebol europeu e quer criar uma copa durante a temporada

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Toronto Raptors posa para foto de campeão da NBA com o troféu Larry O'Brien
Toronto Raptors posa para foto de campeão da NBA com o troféu Larry O'Brien GETTY


O basquete tem bons motivos para estar otimista com sua popularidade. Vários índices apontam crescimento, com perspectiva futura ainda melhor pela força ser especialmente grande -- ainda mais na comparação com beisebol e futebol americano -- no público mais jovem. Mas há uma questão que incomoda: a audiência de TV. E, de acordo com reportagem de Adrian Wojnarowski e Zach Lowe da ESPN americana, a solução se inspira no futebol europeu.

As finais de 2018-19 tiveram as menores audiência da década na TV norte-americana. É até compreensível, considerando que apenas um dos times era dos Estados Unidos. Ainda assim, os números têm caído nos últimos quatro anos e a decisão de 2018 teve a terceira pior marca desde 2009. Mas essa questão nem é tão preocupante. O fato de a temporada passada ter um finalista canadense (Toronto Raptors) e a overdose de duelos entre Golden State Warriors e Cleveland Cavaliers pode justificar isso. E, na comparação com as World Series dos mesmos anos, a final do basquete tem números melhores.

O problema grande mesmo é na temporada regular. Várias cidades parecem desmobilizadas, sobretudo as que têm equipes fracas que apenas cumprem tabela esperando pegar uma boa posição para o próximo draft. A audiência desses jogos, geralmente transmitidos em canais regionais, tem sido particularmente baixa neste início de temporada. E mesmo os times fortes, com muitas partidas em rede nacional, os índices decepcionam.

A NBA considera que isso se deve a diversos fatores:

- Muitas franquias sabem que não têm chance de título e preferem fazer temporadas claramente ruins para se reconstruir ao invés de tentar ao menos uma vaga em playoff;
- A temporada regular é muito longa e a importância relativa de cada partida diminui. A torcida não se mobiliza tanto e...
- ...os times mais fortes, até por saberem que se classificarão ou que vencerão nos duelos contra as equipes mais fracas, acabam poupando suas estrelas em muitas partidas -- algumas delas transmitidas em rede nacional -- para tê-las em melhores condições nos playoffs.

Por isso, o comissário da liga Adam Silver, estuda um pacote de mudanças para a temporada regular:

- Redução da temporada regular de 82 para 78 jogos por equipe;
- Criação de um torneio de meio de temporada, uma espécie de “Copa da NBA” na comparação com as ligas e copas nacionais do futebol pelo mundo;
- Aumento das vagas em playoffs com a criação de uma etapa preliminar;
- Abrir a possibilidade de mudar o chaveamento das semifinais de conferência.

A primeira proposta visa reduzir o desgaste dos jogadores -- permitindo que os times não precisem poupar seus principais ao longo do ano -- e aumentar a importância relativa de cada partida. No entanto, os donos de franquias sempre reagem a ideias de redução da temporada regular, pois isso significa redução do faturamento em bilheteria, consumo no estádio em dia de jogo e direitos de transmissão. 

Adam Silver, comissário da NBA
Adam Silver, comissário da NBA Getty Images

Por isso, Silver sugere a criação de um torneio extra no meio do campeonato. Todos os 30 times participariam em um mata-mata só em jogos únicos. Os times fariam entre um e cinco jogos, dependendo da fase em que entrassem (dois teriam vaga direta nas oitavas de final) e fossem eliminados, nesse torneio, que ocuparia o espaço no calendário entre o Dia de Ação de Graças e o Natal.

O comissário da NBA acredita que esse torneio teria potencial de gerar receita suficiente para compensar as perdas dos jogos a menos que os times fariam na temporada regular. Além disso, daria aos torcedores de todos os times, mesmo os mais fracos, uma possibilidade de título e ainda criaria um evento que poderia ser organizado e comercializado à parte (ou seja, mais dinheiro). A inspiração declarada é o futebol europeu (Silver nunca escondeu que buscava no outro lado do Atlântico ideias para adotar no basquete). 

A ideia soa interessante, pois quebraria o certo marasmo que domina o meio da temporada regular da NBA (aliás, o mesmo comentário valeria para a MLB). Mas há uma questão importante: na Europa, a copa nacional é uma tradição estabelecida há décadas no calendário e clubes, mídia e torcedores dão valor a essa disputa. O torcedor, a mídia e os times da NBA a veriam da mesma forma? Dirigentes e analistas acham provável que essa “Copa da NBA” seria desprezada pelas equipes mais fortes, que a usariam para poupar seus atletas mais caros.

Por isso, a proposta que tem mais chance de vingar é a de criar uma fase preliminar nos playoffs. Hoje, se classificam os oito primeiros de cada conferência, que vão direto para as quartas de final do Leste ou do Oeste. A ideia da NBA é classificar dez times de cada lado, com os seis primeiros garantindo vaga nas quartas de final e sétimo, oitavo, nono e décimo disputando uma fase preliminar em jogo único para definir os dois últimos classificados.

Com isso, Silver acredita que aumentaria a importância de um time já classificado brigar para ficar entre os seis melhores de sua conferência. Além disso, mais equipes chegariam às últimas semanas de temporada regular com chance de playoff. E, bem, mais fanquias disputando playoffs são mais franquias mobilizando suas torcidas e ganhando dinheiro. Ainda que seja uma incômoda banalização do mata-mata (66% dos times estariam tecnicamente classificados), donos de clubes e jogadores não devem criar muitos problemas para aprovar a proposta.

A última mudança seria mais simples: realinhar as semifinais de conferência se necessário. Atualmente, os times são chaveados pela classificação (1 x 8, 2 x 7, 3 x 6 e 4 x 5) e a tabela permanece a mesma até o final. Se o segundo e o terceiro acabam caindo, as semifinais de conferência reúnem 1 x 4 e 6 x 7, ou seja, o primeiro colocado pega o adversário mais forte entre os sobreviventes, tudo por culpa da incompetência do segundo e do terceiro. Pela proposta, se algum cabeça de chave cair nas quartas de final de conferência, as semifinais são realinhadas para que os dois melhores times não possam se enfrentar. Isso já acontece na NFL, na NHL e na WNBA.

Todas as mudanças têm de ser analisadas e aprovadas pelos donos de franquias e pela associação de jogadores. Por isso, ainda há muita negociação para rolar e não há nenhuma certeza se alguma dessas propostas serão adotadas. Mas mostra uma inquietação saudável da NBA com a necessidade de criar mais atrativos para motivar torcedores, jogadores e mídia durante os longos meses de temporada regular.

Fonte: Ubiratan Leal

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O que pode acontecer com os Astros depois do escândalo de roubo de sinais?

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Austin Barnes, catcher do Los Angeles Dodgers, passa sinais para Alex Wood em jogo contra o Houston Astros na World Series de 2017
Austin Barnes, catcher do Los Angeles Dodgers, passa sinais para Alex Wood em jogo contra o Houston Astros na World Series de 2017 ESPN

A informação surgiu como denúncia, mas todos foram rápidos em aceitá-las como verdade. Mesmo os responsáveis não fizeram esforço até agora para negar a acusação. Parece ser um senso comum de que o Houston Astros realmente desenvolveu um esquema com uso de recursos eletrônico para roubo de sinais dos catchers adversários. Uma prática que teria ocorrido em 2017, temporada do título dos texanos, e que possivelmente teria se estendido por 2018 (vice-campeão da Liga Americana) e até 2019 (campeão da Liga Americana, derrotado na World Series).

LEIA MAIS: Ex-jogador diz que time campeão da MLB em 2017 usou trapaça na campanha do título

Para entender o caso e em que pé está a situação, fiz um pequeno Perguntas Mais Frequentes.

Os Astros realmente roubaram sinais?

Tudo indica que sim. A suspeita já era disseminada pelos demais times da MLB, mas ganhou força com o depoimento de Mike Fiers. O arremessador -- que fez parte do elenco dos Astros em 2017 -- não apenas confirmou a existência de um esquema com recursos eletrônicos para roubo de sinais, mas ele detalhou seu funcionamento. Pesquisas em vídeos de arquivo batem com o relato de Fiers. O tuíte abaixo é um exemplo claro.


O que o clube alega?

Nada. Exato, nada. O Houston Astros ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso, revelado há duas semanas. A postura dá a entender ainda mais que a franquia silenciosamente admite o ocorrido e trata apenas de controlar os danos nos bastidores. Membros da diretoria e da comissão técnica, quando procurados por jornalistas, não aceitam dar entrevistas, mas dizer “em off” o conhecido “ah, mas todo mundo faz”.

E todo mundo faz?

Sim e não. É difícil cravar que cada uma das 30 franquias da MLB tenha algum tipo de esquema para roubar sinais dos adversários, mas é bastante possível que várias façam isso. A questão é a forma como isso ocorre. Usar o corredor na segunda base para olhar os sinais e repassá-lo de alguma forma ao rebatedor é visto como algo legítimo, dentro da ética do jogo e que se deve mais a falha do catcher. Ter um funcionário fora de campo fazendo isso já é inaceitável, mas é tido como uma infração “apenas grave”. A forma como os Astros estariam fazendo exigiria todo um sistema de vídeo, com profissionais dedicados a ler os sinais (mesmo quando a dupla catcher-arremessador estiver usando códigos mais complexos) e monitor dentro dos vestiários, passa de qualquer limite. O Boston Red Sox fez isso há dois anos, usando smartwatches para passar a informação, e foi punido como recado para que as demais franquias não repetissem o ato. E os Astros repetiram. De forma ainda mais profunda.

Mas como os Astros perderam os quatro jogos em casa na World Series?

O time texano usará isso como álibi, talvez dando a entender que as infrações reveladas por Fiers ao site The Athletic se referiam apenas à temporada de 2017. Mas é fato conhecido na liga que o Washington Nationals, já desconfiando dos Astros, desenvolveram cinco códigos diferentes de sinais e fizeram revezamento entre eles -- muitas vezes trocando entre uma entrada e outra -- nas partidas em Houston.

Qual a repercussão do caso?

Enormes. A mídia e os torcedores têm tratado como se fosse o maior atentado à lisura do esporte desde o escândalo de doping no começo da década passada. Primeiro, porque envolveu um time que tem sido competitivo ano após ano e que chegou a conquistar o título na temporada em questão. Segundo, porque aumentou a desconfiança de que se trata de algo disseminado pela liga. Mal comparando, é equivalente ao escândalo da bola murcha do New England Patriots nos playoffs de 2015. Entre os jogadores, há quem veja Fiers como traidor por falar sobre algo que deveria ser um segredo de vestiário (a justificativa de Fiers para falar à imprensa foi ver vários colegas arremessadores perderem o emprego após partidas ruins contra adversários que podem estar trapaceando), mas a maioria demonstra indignação com o fato. Ainda assim, não se fala muito em “título manchado” ou “os Astros são farsantes e trapaceiros”. Talvez não falem muito por imaginar que seu próprio clube ou seus próprios companheiros já participaram ou participam desse tipo de esquema.

O que a liga pode fazer?

A MLB está investigando o caso, então as consequências dependerão do que for descoberto e do tamanho da responsabilidade de cada um. Pelo tamanho do esquema, é altamente improvável que seja uma prática isolada de dois ou três funcionários, sem que dirigentes e membros importantes da comissão técnica tenham conhecimento ou participação. A punição mais imediata deve girar em torno de multa e perda de escolhas do draft para a franquia. Mas onde pode ficar feio é na suspensão de figuras altas na hierarquia dos Astros, como o técnico AJ Hinch e o general manager Jeff Luhnow. Retirada do título ou banimento dos playoffs por uma ou mais temporadas são hipóteses muito remotas.

Pode respingar em outros clubes?

Sim. Durante as investigações, os Astros devem tomar como linha de defesa a prova de que todo mundo comete essa infração. Se o Houston conseguir provar algo, é capaz de outro time também sofrer alguma sanção, ainda que mais leve que a dos texanos. Mas onde também pode respingar é na suspensão de pessoas que trabalhavam nos Astros nos últimos anos e que atualmente estão em outras franquias. Por exemplo, já há especulação que Alex Cora, atual técnico do Boston Red Sox e auxiliar de Hinch no Houston em 2017, seria um agente importante no esquema de roubo de sinais. O mesmo já se diz de Carlos Beltrán, que fazia o último ano de sua carreira como jogador pelos Astros em 2017 e foi recentemente contratado como técnico do New York Mets. Expandindo para a área de gestão, há ex-profissionais dos Astros em vários clubes da MLB, que receberam convites justamente após o bom resultado do Houston nos campos.

Fonte: Ubiratan Leal

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Washington Nationals, contra tudo e contra… os números?

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Jornalista torce, claro que torce. Ao contrário do que muita gente pensa, porém, normalmente a torcida não é pelo time de infância ou contra o rival desta equipe. Muitas vezes a torcida é por uma boa história, um jogo emocionante, algo que mobilize o público e faça mais gente perceber como aquele evento que está acontecendo é especial. E jogo 7 de uma final de campeonato sempre parece uma grande pauta em potencial. Como era Houston Astros x Washington Nationals na última quarta. Ou deveria ser, porque dois terços do jogo havia se passado e só um time parecia jogar.

Ao final da sexta entrada, os Nationals tinham conseguido apenas uma rebatida contra Zack Greinke. A mistura de bolas rápidas não-tão-rápidas-assim e muitas bem lentas com bastante efeito tirava todo o tempo dos rebatedores do Washington. Um após o outro, eles não encontravam a forma certa de lidar com cada arremesso. Dava toda a pinta que seria uma daquelas apresentações épicas de um arremessador que deixava o adversário parecer que não tinha entrado em campo.

LEIA TAMBÉM: Os playoffs 2019 podem redefinir o espaço dos Nationals, mesmo que o título não venha

Do outro lado, os Astros já tinham duas corridas. Max Scherzer, o arremessador dos Nats e um dos melhores do mundo (talvez o melhor) na função, estava voltando de lesão e claramente não estava no seu melhor. Os arremessos não se mexiam tanto durante a viagem, a localização não era tão precisa. Com isso, o ataque do Houston causava seus estragos. Cada entrada era como uma tragédia evitada no sufoco por Scherzer, com vários corredores em base antes da terceira eliminação. Se o ataque explodisse em algum momento, seria uma lavada dos texanos.

Como comentarista, foi inevitável pensar: “está só 2 a 0, ainda tem jogo, ainda dá para achar que pode virar. Mas, se o ataque dos Nationals continuar desse jeito, a vitória vai parecer fácil e uma galera que só veio ver o jogo porque era a finalíssima vai achar que foi sem graça. Que pena”. Grande engano. 

Parecia que a grande história de uma final apoteótica para a temporada 2019 da MLB estava murchando. Mas, na verdade, ela estava no meio. Quanto mais morto os Nationals parecessem, mais viva ela estava. Porque essa grande história era justamente sobre o time da capital americana ressurgir do nada para mostrar que sua missão era pisotear nas estatísticas de probabilidades. Foi assim o ano todo.

22%

Em 23 de maio, após 50 jogos (quase um terço da temporada regular), os Nationals tinham uma campanha de 19 vitórias e 31 derrotas. Era a segunda pior da Liga Nacional e a quinta pior de toda a MLB. Somente Miami Marlins, Baltimore Orioles, Detroit Tigers e Kansas City Royals -- todas equipes que sucatearam seus times para gastar pouco enquanto reconstroem o elenco -- estavam piores. De acordo com o site Fangraphs, um dos mais conceituados em estatísticas de beisebol, o Washington tinha apenas 22% de chance de classificação aos playoffs.

A partir de 24 de maio, os Nats iniciaram uma recuperação espetacular, fazendo a melhor campanha da MLB desde esse dia. Muita gente não percebeu, porque o início ruim mascarava isso e nem na briga pelo título da divisão -- conquistada pelo Atlanta Braves -- a franquia da capital americana entrou. Mas foi suficiente para pegar uma vaga no wildcard, que dava direito a um jogo de vida ou morte em casa contra o Milwaukee Brewers.

13%

Scherzer não foi brilhante como de costume e os arremessadores dos Brewers estavam dando conta do recado. O Milwaukee chegou à oitava entrada com vantagem de 3 a 1 e Josh Hader, um dos melhores fechadores (talvez o melhor), da liga no montinho para finalizar a partida. Os cálculos de probabilidade de vitória apontavam em 87% a chance de triunfo dos cervejeiros. Mas, já com dois eliminados na oitava entrada, uma rebatida simples de Ryan Zimmerman e um walk de Andrew Stevenson lotaram bases. Uma rebatida simples de Juan Soto com erro defensivo infantil de Trent Grisham permitiram a virada para 4 a 3, marcador que permaneceu até o final. 

Os Nationals sobreviveram após terem apenas 13% de chance de classificação. Era hora de mostrar esse poder de recuperação na série contra o Los Angeles Dodgers, time de melhor campanha da Liga Nacional.

Nationals comemoram o seu primeiro título da MLB
Nationals comemoram o seu primeiro título da MLB Getty

35%

Os Dodgers lideravam a série por 2 a 1 e anotaram uma corrida logo na primeira entrada do jogo 4. Com o placar em 1 a 0 na terceira entrada, a chance de vitória (e classificação) dos californianos estava em 65%. Mas uma sequência de walk, rebatida simples e rebatida de sacrifício permitiu o empate. A virada veio no decorrer da partida e os Nationals conseguiam ao menos levar a decisão para o jogo 5, em Los Angeles.

11%

O começo deu o tom: depois do susto, os Dodgers fariam seu favoritismo prevalecer em uma série que poderia ser resolvida em menos duelos. Os californianos abrem 3 a 0 logo na segunda entrada e vão tocando a partida. A duas entradas do fim, o máximo que os Nationals conseguiram foi reduzir o placar para 3 a 1. A seis eliminações do fim e com um dos melhores arremessadores do século 21 no montinho (e um dos melhores fechadores aquecendo), não soava estranho ver que os algoritmos apontavam em 89% a chance de vitória do Los Angeles. Mas home runs seguidos de Anthony Rendón e Juan Soto empataram o jogo e um grand slam de Howie Kendrick na décima entrada selaram a improvável vitória do Washington. 

A final da Liga Nacional seria contra o St. Louis Cardinals, mas nem teve graça. O Washington varreu a série e teve ao menos um pouco de descanso nessa saga de contrariar os números. A World Series seria diferente.

-235 x +195

O Washington Nationals parecia fazer hora extra nos playoffs, enquanto que o Houston Astros pintava como o supertime dos supertimes, o sobrevivente da batalha contra o New York Yankees. Antes mesmo do primeiro arremesso, a casa de aposta do Caesars, em Las Vegas, abriu as cotações da World Series com favoritismo de -235 para os Astros, enquanto que os Nationals tinham +195. Para quem não tem intimidade com essa numeralha de apostas, basta dizer que desde 2007 (quando o Boston Red Sox varreu o Colorado Rockies na final) a decisão da MLB não tinha uma equipe tão favorita.

32%

O Washington surpreendeu ao vencerem os dois primeiros jogos em Houston, mas as coisas pareciam voltar ao normal quando os Astros deram o troco e saíram com a vitória nas três partidas na capital americana. Bastava aos texanos seguirem o embalo e fechar a série na partida 6.

Isso vinha acontecendo até a quinta entrada. Os Astros tinham 2 a 1 no placar, Justin Verlander detonando tudo no montinho e chance de vitória em 68%. Mas home runs de Adam Eaton e Juan Soto viraram o placar, mais algumas corridas vieram no final e os Nationals forçaram a realização do sétimo jogo.

14%

E voltamos ao início do texto. Zack Greinke estava moendo o ataque dos Nationals no início da sétima entrada e o comentarista na transmissão brasileira estava lamentando a grande chance de a MLB terminar com um jogo sem graça. De fato, os algoritmos apontavam em 86% a probabilidade de vitória (e título) dos Astros. 

Até que Rendón conseguiu um home run no primeiro contato forte que os Nationals fizeram na bolinha em todo o jogo. Em seguida, Soto consegue um walk e AJ Hinch resolve mudar. Ainda que Greinke não estivesse desgastado, o técnico dos Astros troca de arremessador. Will Harris cede um home run para Kendrick e o placar, de repente, estava em 3 a 2 para o Washington.

O Houston morreu ali. Hinch tomou outras decisões duvidosas com arremessadores e o ataque sentiu o baque da virada inesperada. A diferença foi aumentando naturalmente, terminando em 6 a 2.

Foi a primeira série em melhor-de-sete com vitória dos visitantes em todas as partidas na história das grandes ligas americanas. A cidade de Washington via seu time conquistar um título no beisebol pela primeira vez desde 1924. O Brasil tinha no catcher Yan Gomes seu segundo campeão da MLB (o primeiro foi Paulo Orlando em 2015 com os Royals). Mas a grande história não era o que o título trazia, mas simplesmente ele existir, mesmo quando foi desenganado pelas estatísticas em tantas oportunidades.

Obs.: o site da ESPN americana já publicou seu ranking de força para a temporada 2020 da MLB. Mesmo com o título, o Washington Nationals está apenas na oitava posição. Pelo visto, a missão de contrariar os números na próxima temporada já começou

Fonte: Ubiratan Leal

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Cinco motivos para acompanhar a World Series

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Troféu da World Series
Troféu da World Series Getty

Sete jogos em nove dias, no máximo. Não há nem tempo para respirar direito e, quando menos se espera, já saiu o novo campeão da Major League Baseball. A World Series começa nesta terça, com Washington Nationals e Houston Astros se enfrentando em uma série que deve ser marcada como uma das mais bem arremessadas da história.

Se você estava muito absorvido pelas primeiras rodadas da NFL ou ligado demais nos preparativos para a temporada da NBA, aí vão cinco bons motivos para reservar os próximos dias para dar uma atenção ao beisebol.

Obs.: os jogos serão dias 22, 23, 25, 26, 27, 30 e 31 de outubro, sempre às 21h de Brasília. Para mais informações, acesse a página de programação deste site. Para tirar dúvidas sobre beisebol, fiz um fio no meu Twitter com links para vários texto e vídeos explicativos.

Tem brasileiro na parada

Yan Gomes é o catcher do Washington Nationals. O time promove um rodízio entre o brasileiro e Kurt Suzuki na posição, mas Yan foi melhor ofensivamente nas finais da Liga Nacional -- a MLB o elegeu como melhor na posição nas duas decisões de liga -- e deve ter muitas oportunidades na World Series.

Não é a primeira vez que o catcher chega à finalíssima da MLB. Em 2016 ele estava no time do Cleveland Indians que foi derrotado pelo Chicago Cubs na decisão. No entanto, o brasileiro voltava de contusão e pouco apareceu nos sete jogos.

Caso o título vá à capital americana, Yan -- que é torcedor do Santos e usa a camisa 10 em homenagem a Pelé -- se tornaria o segundo brasileiro a conquistar a World Series. Em 2015, Paulo Orlando foi campeão pelo Kansas City Royals.

Arremessadores

Se alguém fizer um ranking dos cinco melhores arremessadores do mundo neste momento, a lista muitíssimo provavelmente terá três nomes que estarão na World Series: Max Scherzer (Nationals), Justin Verlander e Gerrit Cole (Astros). Se o tal ranking for de dez melhores, aparece mais um, Stephen Strasburg (Nationals), com chance de ainda outro, Zack Greinke (Astros).

Os Astros têm em Verlander e Cole os dois candidatos mais fortes a título de Cy Young (melhor arremessador) da Liga Americana nesta temporada. Os Nationals conseguiram levar dois no-hitters além da sexta entrada contra o St. Louis Cardinals na final da Liga Nacional.

Quer mais evidências? Dos dez arremessadores com mais strikeouts na temporada, cinco estarão na World Series. É apenas o segundo confronto na história da World Series com os dois times com mais strikeouts na temporada regular. Aliás, os Astros são o time com mais percentual de eliminações por strike na história da temporada regular… e os Nationals na história dos playoffs.

As duas rotações são incrivelmente talentosas e tendem a dar o ritmo dos confrontos: jogos de placares baixos, com times tentando transformar em corrida qualquer migalha de produção ofensiva, sobretudo nas primeiras entradas. Isso los leva para o quarto item...

Jogos tensos

O beisebol é um esporte mais relaxado na temporada regular. São 162 jogos, perder algumas dezenas no caminho é aceitável e, com partidas quase todo dia, muitas vezes não vale a pena se matar para ganhar em uma noite se o esforço prejudicar os próximos compromissos.

Nos playoffs é tudo diferente. A intensidade é brutal, pois cada arremesso, cada rebatida, pode fazer todos aqueles meses de jogos e mais jogos irem pela janela. Não se pode dar margem para nada, e a estratégia de treinadores e pressão sobre os jogadores chega ao limite. Claro, isso passa para o torcedor, que tem a oportunidade de ver uma das modalidades mais tensas que existem.

Fim de um tabu?

O Washington Nationals surgiu em 2005, depois de o Montréal Expos se mudar para a capital americana. A franquia nunca conquistou nenhum título (aliás, essa é a primeira vez que chega a uma final). Mas o tabu também se estende à cidade.

Washington teve duas outras franquias, ambas chamadas Washington Senators. A primeira foi fundada em 1901 e ficou na capital americana até 1960. Nesse período, conquistou apenas um título, em 1924, e chegou à World Series em 1925 e 1933. A segunda surgiu em 1961 e ficou apenas 11 anos na cidade (mudou-se para Dallas e virou oTeas Rangers), sem nunca disputar os playoffs.

Dessa forma, a torcida de Washington não vê um título há 95 anos e não vê um jogo sequer da final há 86. Uma vitória dos Nationals recolocaria a capital americana no mapa do beisebol e ajudaria a manter o bom momento da cidade, que celebrou recentemente o título da NHL (Capitals em 2018) e da WNBA (Mystics em 2019).

Dinastia texana?

A MLB tem fama de ser uma liga previsível, mas nada poderia estar mais longe da verdade. Não há campeão repetido desde o New York Yankees em 1998-99-2000. Esses 19 anos são a maior série da história da liga sem repetir campeão, igualando a maior da NBA (entre 1969 e 87). A maior série da NFL é a atual, de 14 anos (desde Patriots 2004-05) e a maior da NHL foi entre 1999 e 2016 (com um ano de greve no meio).

Então, falar em dinastia no beisebol tem sido difícil, mas o Houston Astros talvez se candidate a uma pequena. O time texanos foi campeão em 2017 e caiu na final da Liga Americana em 2018 (seria, digamos, terceiro colocado no campeonato). Agora está na final novamente, com uma base forte e que deve seguir competitiva por mais alguns anos. 

Considerando que a divisão demorará um pouco para ter um concorrente à altura e a gestão do clube é agressiva na busca por título, é uma franquia que tem boas chances de seguir entre as melhores e, eventualmente, levantar um ou outro troféu a mais em um futuro próximo.

Fonte: Ubiratan Leal

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Cinco motivos para acompanhar a World Series

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Os playoffs 2019 podem redefinir o espaço dos Nationals, mesmo que o título não venha

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Torcedores de beisebol talvez sejam os que mais se assemelham, nos Estados Unidos, aos do futebol brasileiro. O sujeito gosta do esporte, mas gosta mesmo é do seu time. E trocar de time é uma coisa inadmissível, mesmo que se mude de cidade ou que um time novo tenha aparecido na sua região e racionalmente não faz sentido continuar preferindo uma equipe do outro lado do país. O Washington Nationals sabe bem disso. E, por isso, a campanha na atual temporada pode dar uma nova dimensão à franquia.

A capital americana sempre teve uma relação complicada com o beisebol. O Washington Senators, franquia original da Liga Americana, era competitiva e teve alguns dos mitos da primeira metade do século 20, mas só conquistou uma World Series, em 1924. Em 1961, a franquia se mudou para Minneapolis e virou o Minnesota Twins, mas foi imediatamente substituída por um novo Senators, que nunca decolou e se mudou para Dallas em 1972, transformando-se no Texas Rangers.

Enquanto Washington tinha de conviver com um time ruim e, depois, ficar sem time algum, a região tinha uma outra potência na MLB. O Baltimore Orioles teve seu melhor momento, montando alguns dos melhores times da história. Entre 1966 e 83, disputou seis World Series (ganhou metade) e mais duas finais de Liga Americana. Isso em uma época em que só duas equipes de cada liga se classificavam aos playoffs.

[]

Naturalmente, os O’s foram adotados como o time de Washington. Tanto que, quando a MLB começou a falar em transformar a capital americana na nova casa do Montréal Expos, o Baltimore tentou barrar. Não queria dividir o espaço no que via como seu território.

Conversa vai, conversa vem, dinheiro vai, dinheiro vem, e Washington voltou a ter um time em 2005. Apesar de tecnicamente serem a mesma franquia dos Expos, os Nationals fizeram questão de aparecer como uma nova equipe, com novo nome, novo escudo, novas cores, novo uniforme. O vínculo com os antigos torcedores dos Expos era pequeno, até porque há uma fronteira política e linguística entre as duas equipes. Não havia também uma história gloriosa, cheia de títulos, para vender. O grande apelo era realmente territorial, e a briga para converter os seguidores dos Orioles na capital era dura.

Por isso, os torcedores dos Nationals encararam como uma grande vitória quando o Washington e o Baltimore se classificaram aos playoffs em 2014 e Kevin Durant anunciou que torceria pelos Nats. A estrela do basquete nasceu na região e admitiu que admitindo era O’s quando criança (afinal, os Nationals não existiam). 

Nos últimos anos, os Nationals montaram muitas equipes competitivas, mas nunca perderam o rótulo de time perdedor. O time teve campanha positiva nas últimas sete temporadas e foi aos playoffs em quatro delas, sem jamais passar da primeira fase do mata-mata. Algumas das eliminações foram traumáticas, com derrotas no jogo cinco da série de divisão por placares como 9 a 7 (2012, com fechador entregando a rapadura), 4 a 3 (2016) e 9 a 8 (2017).

A janela competitiva dessa base está se fechando. O contrato de Bryce Harper, primeira superestrela da franquia na nova sede, acabou e o jogador foi para o Philadelphia Phillies. A expectativa é que o mesmo pode ocorrer em breve com outros ídolos como Max Scherzer, Stephen Strasburg e Anthony Rendón. Com pouca história para promover e um currículo recente de eliminações precoces, os Nationals precisam desesperadamente criar grandes memórias para conquistar definitivamente seus torcedores.

É o que os playoffs de 2019 têm feito. O time era tido como azarão na briga pelos playoffs, mas cresceu no meio da temporada e acabou abocanhando um dos wildcards. Depois, virou o jogo único contra o Milwaukee Brewers na oitava entrada, quando o destino parecia certo. Nesta semana, virou a série contra o Los Angeles Dodgers, atual bicampeão da Liga Nacional, empatando o jogo na oitava entrada com dois home runs sobre um dos melhores arremessadores da história e virando na décima entrada com um grand slam.

Esses jogos criaram memórias afetivas, momentos que ficarão na lembrança de todo torcedores de Washington por décadas. Isso é fundamental para capturar uma geração de seguidores, para forjar um vínculo sentimental entre o time e os moradores da capital americana. Algo forte o suficiente para não morrer caso o elenco perca força nos próximos anos.

Se essa campanha se prolongar por mais uma etapa e chegar à primeira World Series da história da franquia (mesmo na época de Expos), o resultado é ainda maios forte. Mas, mesmo que tudo termine na final da Liga Nacional diante do St. Louis Cardinals, os Nationals já têm saldo mais que positivo. Podem perder o título, mas ganharam alguns milhares de torcedores.

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[FAQ] O que você precisa saber para acompanhar a MLB agora que os playoffs chegaram

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Jogadores dos Yankees comemoram vitória sobre os Twins nos playoffs de 2017
Jogadores dos Yankees comemoram vitória sobre os Twins nos playoffs de 2017 ESPN

Os playoffs da MLB estão chegando. Para quem já acompanha o beisebol, é a melhor época do ano. Para muitos que não acompanham, é a hora em que se dá uma oportunidade para conhecer a modalidade em seu melhor momento. E é com esse segundo grupo que quero falar agora.

É comum as pessoas estranharem quando tentam seguir a MLB pela primeira vez. Por isso, fiz esse rápido FAQ, com perguntas e respostas básicas para entender o esporte e seguir os playoffs. 

Então, boa diversão!

Então, eu já tentei ver a MLB algumas vezes, mas achei meio paradão e demorado. Vale a pena dar uma nova chance ao beisebol nos playoffs?

Vale, e muito. A demora do beisebol é relativa, pois o tempo médio de jogo é semelhante ao de uma partida da NFL, entre 3h e 3h10. A diferença é que, para o público que ainda não conhece tão bem o esporte, parece que o jogo fica muito tempo parado e fica a sensação de demora. Nos playoffs, o cenário é bem diferente. A partida em si até fica mais longa (até pelo regulamento, cada intervalo é um minuto mais longo para a TV americana faturar um pouco mais), mas a intensidade compensa. Com uma temporada regular de 162 jogos em 180 dias, é comum os times jogarem sempre de olho no que pode acontecer no dia seguinte. É normal poupar jogador ou até aceitar uma derrota se o esforço para uma virada improvável provocar um desgaste para a próxima partida. Nos playoffs não tem mais isso. As equipes colocam todas as cartas na mesa, batalhando em cada duelo no bastão e gastando o arsenal de arremessadores para conseguir as eliminações. O duelo tático se torna muito mais quente, assim como o comportamento da torcida.

Ah, isso significa que todo jogo é equilibrado?

Em geral, muito mais que na temporada regular. Mas é claro que acontecem algumas lavadas no meio do caminho. Como ocorrem na NFL, na NBA ou na NHL.

Uma coisa que me incomoda no beisebol é que parece que são sempre os mesmos times ganhando. Os playoffs são previsíveis, não?

Não, mil vezes não! O Boston Red Sox, atual campeão, nem para os playoffs se classificaram. Nos últimos 18 anos, em apenas 8 o campeão mais recente foi ao mata-mata. Aliás, desde o New York Yankees tricampeão entre 1998 e 2000 a MLB não repete o campeão do ano anterior. São 19 temporadas já, a maior série de todos os tempos do beisebol. Para se ter uma ideia, a maior sequência da história da NFL é de 14 anos, de 2005 até hoje. Na NBA também é de 19 anos, mas já faz muito tempo, entre 1969 e 89. E, na NHL, foi de 16 anos entre 1999 e 2016*. Ou seja, é uma das ligas menos previsíveis. Talvez só o da NHL tenha mais surpresas.

* Eu não errei a conta. Nesse período houve uma temporada não-realizada por greve. ;-)

Legal, mas tem um problema. Não adianta você ficar tentando me convencer aqui se eu não entendo muito do jogo. Vou ficar meio perdido na transmissão.

Normal. É um esporte com uma dinâmica muito diferente da que estamos acostumados no Brasil, com uma criação esportiva que se baseia no futebol. Mesmo o futebol americano, que é bem diferente, tem a familiaridade de ver um campo retangular e cada time ocupando um dos lados e tendo de levar a bola a uma meta do outro. No beisebol não tem isso. Mas eu fiz um fio (ou thread) no Twitter com vários links para ajudar. Clica aqui para dar uma olhada. Se tiver alguma dúvida, me manda uma mensagem no Twitter que damos um jeito.

Opa, agora sim! Como é o esquema dos playoffs deste ano?

A MLB se divide em Liga Nacional e Liga Americana, com 15 times em cada uma. Se esse excesso da palavra “liga” o deixou confuso, elas equivalem às conferências da NFL ou da NBA. Mas, voltando, cada liga tem três divisões (grupos) de cinco equipes. Vão ao mata-mata o primeiro colocado de cada divisão e mais dois times de melhor campanha entre os que não ganharam sua chave (são o “wildcard”, nome pomposo para a nossa boa e velha “repescagem”). Assim, cada liga fica com cinco classificados. Os dois times de wildcard se enfrentam em jogo único, com o vencedor se juntando aos campeões de divisão. Cada liga fica com quatro times, que se enfrentam em semifinais (chamadas de “série de divisão”) em melhor de cinco, com os vencedores indo para a final da liga em melhor de sete. O campeão de cada liga vai para a World Series, também em melhor de sete.

Quais são os times na briga?

Na Liga Americana, Houston Astros, New York Yankees e Minnesota Twins venceram suas divisões, enquanto que Oakland Athletics e Tampa Bay Rays farão o confronto de wildcard. Na Liga Nacional, ganharam seus grupos Los Angeles Dodgers, Atlanta Braves e St. Louis Cardinals, e Washington Nationals e Milwaukee Brewers disputam a vaga na repescagem. Escolhe um para torcer, aí você verá como o beisebol pode ser angustiante e emocionante. Se sua preferência for para um dos times eliminados, escolhe um time para secar. Dá o mesmo efeito.

Quem são os favoritos?

Pela campanha na temporada regular, Astros, Yankees e Dodgers. Os Astros parecem o time mais completo, pois os Yankees precisam contornar as vulnerabilidades de seus arremessadores titulares e os Dodgers têm de lidar com a falta de arremessadores reservas confiáveis. Dos demais, os Braves têm um elenco bastante talentoso e jovem, mas ainda há dúvidas se terá experiência suficiente para o mata-mata. Os Cardinals não são tão fortes assim, mas têm tradição de crescer nos playoffs. O Nationals têm uma fama de amarelarem na hora H, mas o time pode criar muitos problemas aos favoritos. Rays, Twins, Athletics e Brewers são azarões. Rays, Brewers e Athletics podem usar estratégias criativas durante os jogos. Os Twins têm potencial de rebater muitos home runs durante suas séries.

Quando serão os playoffs?

Começam nesta terça, dia 1º, e terminam na última semana de outubro. Se a World Series chegar a sete jogos, o derradeiro será em 30 de outubro.

E que jogos a ESPN vai transmitir?

Quase todos, e com exclusividade. E tem partida praticamente todo dia. Os horários podem mudar de um dia para o outro de acordo com o desenrolar das chaves. Por isso, se tiver dúvidas, consulte a página de programação do ESPN.com.br ou do Blog do ESPN League (todo sábado há um post com a programação de esportes americanos).

Fonte: Ubiratan Leal

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Por que os Red Sox demitiram seu presidente menos de um ano após ganharem a World Series

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Dave Dombrowski
Dave Dombrowski Getty Images

A torcida do Boston Red Sox ainda estava pensando na derrota para o New York Yankees na noite deste domingo quando recebeu mais uma paulada: Dave Dombrowski, presidente da franquia, foi demitido menos de um ano depois de construir o elenco campeão da MLB. A notícia apenas reforça a sensação de que as chances de playoffs estão tão pequenas que o próprio clube já considera que a temporada 2019 virtualmente acabou.

Pode soar estranho um time demitir o principal responsável por montar o elenco que levou a World Series, mas há bons motivos para entender essa decisão. E todos eles indicam uma provável mudança na forma de se trabalhar o elenco no Fenway Park.

Dombrowski foi contratado no meio da temporada 2015. Naquele momento, os Red Sox vinham com a pior campanha da Divisão Leste da Liga Americana (posição confirmada ao final da temporada), completando uma sequência de três últimos lugares em um período de quatro anos (curiosamente, a equipe conquistou a World Series na única temporada em que não foi lanterna). Havia um entendimento de que o Boston precisava de resultados imediatos, não podia se dar ao luxo de ficar mais alguns anos no limpo de uma reconstrução.

Para essa missão, Dombrowski era o nome ideal. Quando tem dinheiro de sobra em mãos, ele sabe montar times fortíssimos. Fez isso com o Detroit Tigers no começo da década e não foi diferente em Boston. Manteve os bons jogadores dos Red Sox e não teve pudor em negociar para trazer jogadores de peso nas posições que faltavam. Ao longo de sua passagem, contratou ou trocou para ter Chris Sale, Drew Pomeranz, David Price e Nathan Eovaldi na rotação, Craig Kimbrel como fechador, Mitch Moreland para a primeira base e JD Martínez para preencher o vazio deixado por David Ortiz na posição de rebatedor designado.

Em 2016 e 17, os Red Sox chegaram aos playoffs, mas caíram na série de divisão para Cleveland Indians e Houston Astros. Em 2018, reconquistou o título após uma campanha de 108 vitórias na temporada regular, um recorde na história da franquia.

Missão cumprida.

O problema era o futuro. Dombrowski não é muito bom em pensar o futuro. Para montar seus esquadrões, o dirigente sempre usou dois expedientes muito comuns e, de certa forma, simplista: ofereceu muito (muito mesmo) dinheiro aos melhores agentes livres e não teve medo em ceder as principais promessas da base em troca de jogadores de nome. No curto prazo funciona bem. No longo prazo, a folha salarial fica altamente comprometida e, quando algo sai do planejado, não há de onde buscar uma reposição. Ou porque a base não tem talentos realmente promissores, ou porque o dinheiro para trazer um jogador de fora está limitado.

O Boston Red Sox está neste momento. O time de 2018 foi campeão, mas dando sinais de problemas. O bullpen não funcionava tão bem (um problema crônico de Dombrowski, torcedor dos Tigers que o digam), mas alguns jogadores cresceram nos playoffs e Alex Cora foi habilidoso ao usar membros da rotação que estivessem de folga para cobrir buracos nas entradas finais. Em 2019, esse problema explodiu, ainda mais porque a rotação caiu demais de rendimento.

Para piorar, alguns jogadores-chave, como Mookie Betts e JD Martínez, estão em fase de renegociação de contrato. A torcida quer a permanência de ambos, mas a folha salarial continua muito comprometida com jogadores como Sale e Price, que têm contratos tão grandes quanto a quantidade de jogos que perdem todo ano por problemas físicos.

Os donos dos Red Sox provavelmente perceberam que, se mantivessem a linha de trabalho de Dombrowski, a tendência é que esses problemas se agravariam no longo prazo. Tudo para evitar o risco de o Boston virar uma nova versão dos Tigers, que estão há anos (e ainda passarão mais alguns) no fundo da tabela em um doloroso processo de reconstrução do elenco. Assim, decidiram trocar o comando para tentar uma retomada rápida, que talvez seja feita sem que os resultados em campo caiam tanto assim.

É o que a torcida espera.

Fonte: Ubiratan Leal

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Tyler Skaggs morreu após consumo de substâncias proibidas, com suspeita de participação de funcionário do time

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Tyler Skaggs durante a partida entre Los Angeles Angels e Minnesota Twins em maio de 2019
Tyler Skaggs durante a partida entre Los Angeles Angels e Minnesota Twins em maio de 2019 Getty Images

Após dois meses de exames e investigações preliminares, a polícia do Condado de Tarrant (região de Dallas) divulgou o primeiro relatório sobre a causa da morte de Tyler Skaggs, arremessador do Los Angeles Angels. O jogador teria consumido uma mistura de álcool com oxicodone e fentanil, duas drogas utilizadas para o combate a dor, morrendo sufocado no vômito causado pela overdose. Segundo as autoridades, é possível que um funcionário (não houve divulgação do nome) poderia ter ajudado a fornecer as substâncias.

As informações motivaram diversas partes a buscar culpados ou co-responsáveis. Oxicodone e fentanil são opioides proibidos pela Major League Baseball e só podem ser compradas com prescrição médica. Apesar de terem efeito analgésico, elas podem causa dependência e afetarem gravemente a respiração quando misturadas com álcool.

A família Skaggs afirmou em comunicado que a mistura dessas substâncias é fora do perfil de Tyler. Além disso, indicou que deve apertar o cerco contra eventuais co-responsáveis. “Estamos chocados em descobrir que isso pode envolver um funcionário do Los Angeles Angels. Não descansaremos até descobrir a verdade sobre como Tyler teve posse desses narcóticos, incluindo quem forneceu a ele. Para isso, contratamos o advogado Rusty Hardin para nos ajudar.” Hardin é conhecido no meio esportivo do Texas por já ter trabalhado em casos de jogadores como Roger Clemens, um dos maiores arremessadores da história e também envolvido em doping.

Os Angels voltaram a afirmar que estão colaborando com as autoridades texanas desde o início e não puderam dar mais informações pelo fato de a investigação ainda estar em andamento. Se confirmada sua participação de um funcionário seu, o clube provavelmente tentará mostrar que a ação foi independente, sem que a direção ou a comissão técnica tivesse conhecimento. 

É relativamente comum jogadores de beisebol terem treinadores próprios e adotarem rotinas de preparação orientadas por eles, mas isso ocorre mais entre uma temporada e outra. Durante o campeonato, isso fica mais a cargo da comissão técnica do time. De qualquer forma, como Skaggs tinha um histórico de muitas contusões ao longo da carreira, talvez os Angels apostem na ideia de que ele estaria se automedicando contra dores para seguir jogando normalmente.

O caso tende a ficar mais complexo porque as investigações não ficarão apenas com a polícia do Texas e com a equipe do advogado contratado pela família de Skaggs. Por se tratar de um provável doping, a MLB já anunciou que fará sua própria apuração das circunstâncias em torno da morte do arremessador.

Skaggs, 27 anos, foi encontrado morto na tarde de 1º de julho no quarto do hotel em que seu time se concentrava para a partida contra o Texas Rangers naquela noite. A polícia texana não havia divulgado a causa da morte, limitando-se a informar que não havia indícios de violência ou de suicídio. As primeiras informações mais consistentes vieram nesta sexta (30), com a chegada do resultado dos exames toxicológicos.

Fonte: Ubiratan Leal

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Vai começar mais uma temporada do futebol americano universitário. Mas o torneio precisava ser tão inchado?

Ubiratan Leal
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Clemson x Alabama
Clemson x Alabama Getty Images

Quando Florida Gators e Miami Hurricanes entrarem no gramado do estádio Camping World, em Orlando, no próximo sábado, estarão dando início a mais uma temporada do futebol americano universitário. Serão centenas de jogos de estádios lotados, bandas marciais com marchinhas, churrasco em estacionamentos e estudantes insanos aproveitando os loucos anos na faculdade. Tudo isso espalhado por 130 instituições. Sim, 130.

Oficialmente, a primeira divisão é dividida em FBS e FCS (na prática, são duas divisões diferentes e só a FBS pode levar ao título nacional), a primeira com 130 e a segunda com 124 universidades. Isso gera inchaço? Sim. Isso gera grande desnível técnico? Com certeza, com várias lavadas quando instituições mais tradicionais enfrentam as mais fracas. Isso dá espaço a muitos times e jogadores ruins? Claro, impossível ter 250 (ou 125) times só com gente de nível alto ou médio.

No entanto, essa é uma das virtudes do futebol americano — e do basquete — universitário. Se a FBS tivesse um formato mais enxuto, teria uma formação parecida com essa: Alabama, Arizona, Arizona State, Army, Auburn, Boise State, California, Clemson, Florida, Florida State, Georgia, Iowa, LSU, Miami, Michigan, Michigan State, Mississippi State, Missouri, Nebraska, Northwestern, Notre Dame, Ohio State, Oklahoma, Oklahoma State, Ole Miss, Oregon, Penn State, South Carolina, Stanford, TCU, Tennessee, Texas, Texas A&M, UCLA, UCF, USC, Virginia Tech, Washington, Washington State e Wisconsin. Fiz essa lista de cabeça, elencando 40 programas esportivos com alguma força e tradição no futebol americano. Algumas certamente mereciam ter entrado, mas a questão não é ranquear as universidades mais fortes, apenas demonstrar o que seria mais ou menos a elite.

Tudo bem, montar um campeonato universitário apenas com esses times seria espetacular, com nível de equilíbrio e emoção equivalente (ou até superior) ao da NFL. No entanto, não podemos perder de vista que, teoricamente, o objetivo de todo esse aparato do esporte universitário americano é dar oportunidades de ensino superior por meio do esporte. A prioridade (ao menos em teoria) não é criar um supercampeonato esportivo, mas dar espaço a mais gente para usar o futebol americano como forma de viabilizar sua formação universitária. Ou seja, esse enxugamento tiraria de centenas de estudantes a oportunidade de terem bolsas de estudo.

Mesmo do ponto de vista esportivo, porém, há bons motivos para defender o inchaço da NCAA. Por mais profissionalizada que seja a captação de talentos no esporte universitário americano, muita gente boa acaba escapando dos principais programas. Até porque nem sempre o tempo de amadurecimento técnico de um adolescente de ensino médio que se transforma em um jovem adulto universitário é linear. Alguns já mostram talento acima da média na high school. Outros demoram mais para estourar. E, pela demora, acabam conseguindo vaga apenas em uma equipe universitária mais fraca.

Carson Wentz, estrela do Philadelphia Eagles, estudou e jogou no North Dakota State Bisons, da FCS. Khalil Mack, do Oakland Raiders, saiu da Universidade de Buffalo. Ben Roethlisberger, símbolo do Pittsburgh Steelers, estudou na Universidade de Miami. Mas não nos Hurricanes, da Miami da Flórida, mas nos RedHawks, da Miami de Ohio. Adam Vinatieri, talvez o maior kicker da história, defendia a South Dakota State Jackrabitts, da segunda divisão. E há dezenas de exemplos como esses na NFL.

A maior parte desses jogadores só foi identificada porque suas equipes tiveram oportunidade de jogar nos inchados torneios da NCAA. Em uma modalidade que praticamente não conta com ligas menores, ligas de desenvolvimento ou ligas estrangeiras como parte do processo de formação de jogadores (algo que existe na NBA, na MLB e na NHL), toda a base é feita na universidade. E, quanto mais gente tiver oportunidade para jogar, melhor.

Fonte: Ubiratan Leal

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Vai começar mais uma temporada do futebol americano universitário. Mas o torneio precisava ser tão inchado?

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O mascote mais carismático dos esportes americanos pode virar free agent e trocar de time

Ubiratan Leal
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Phillie Phanatic brinca com torcedor do Philadelphia Phillies durante jogo contra o Arizona Diamondbacks
Phillie Phanatic brinca com torcedor do Philadelphia Phillies durante jogo contra o Arizona Diamondbacks Getty Images

Ele é verde e peludo, tem uma boca-nariz de tamanduá, uma barriga avantajada, faz suas brincadeiras sem noção de onde está o limite e é amado por todos na Filadélfia. Em seus 40 anos de existência, o Phillie Phanatic se tornou um símbolo do Philadelphia Phillies e a referência de mascote nos esportes americanos. Mas ele pode deixar o clube. Inclusive, ele pode até ficar aberto para negociar uma transferência para outra equipe. E isso não é uma historinha para ganhar cliques em redes sociais. É o eventual resultado de uma disputa jurídica que envolve os Phillies e os criadores do Phanatic.

A história começa em 1978. Os Phillies tinham dois mascotes: Phil e Phyllis, um casal vestindo roupas da época da independência americana. A diretoria percebeu que precisava de algo diferente, pois ambos tinham interações limitadas até pela concepção dos bonecos. Assim, o clube contratou a Harrison/Erikson, empresa especializada no desenvolvimento de personagens, mascotes e marionetes que ficou conhecida pela criação de alguns personagens dos Muppets, como Miss Piggy.

A Harrison/Erikson criou o Phanatic. E o impasse está nesse projeto. O que a empresa realmente fez?

Segundo os Phillies, toda a ideia do mascote, do conceito básico de sua forma até a personalidade brincalhona, veio de um dirigente do time e a Harrison/Erikson apenas deu forma ao pedido e desenvolveu uma fantasia. A empresa discorda, alegando que teve uma parcela muito maior na concepção final do personagem, incluindo sua biografia como uma criatura exótica originária das Ilhas Galápagos (Equador).

Na época, os Phillies pagaram US$ 5.900 pelo serviço e teriam direito ao uso do personagem em aparições na TV, em eventos e em ações comerciais. Mas, pelo mesmo acordo, a Harrison/Erikson ganharia uma parcela de direitos autorais pelo desenvolvimento de produtos com tema no Phanatic. Até 1980, a empresa havia recebido US$ 200 mil.

O problema é que a Harrison/Erikson sentiu que tinha pouco controle de sua criação e processou os Phillies já em 1979. A empresa tinha os direitos autorais do personagem, mas o havia registrado como “escultura artística”, medida que foi vista pelo clube como tentativa de burlar o sistema porque, na época, era proibido registrar uma fantasia.

Em 1984, as partes chegaram a um acordo. Os Phillies pagaram US$ 215 mil e a Harrison/Erikson assinou um acordo de “vender, transferir e ceder aos Phillies todos seus direitos, títulos e interesse no e para o mascote e em e para todas as reproduções e retratos de todo ou parte do mascote e qualquer mídia, onde quer que seja e para sempre”.

Esse trecho do contrato, publicado pela Sports Illustrated, parece deixar claro que tudo está nas mãos dos Phillies e não havia mais motivos de preocupação. Mas não é tão simples assim.

Phillie Phanatic em carro de cachorro-quente com Raul Ibanez
Phillie Phanatic em carro de cachorro-quente com Raul Ibanez Getty Images

No ano passado, a Harrison/Erikson enviou uma carta aos Phillies dizendo que pode encerrar o contrato de cessão dos direitos do Phanatic em 15 de junho de 2020. O motivo é que os Phillies não podiam considerar a proteção autoral e produtos que tomassem base no trabalho já existente (a criação do Phanatic), mas que também tinha elementos originais suficientes para ser visto como um trabalho diferente.

Segundo a franquia, a empresa exigiu uma “quantidade absurda de dinheiro” e, se o pedido não for atendido, poderia processar os Phillies, encerrar o contrato e até negociar o uso do Phanatic com outra equipe qualquer. Sim, o Phillie Phanatic poderia virar um agente livre e ser contratado por outro time, que poderia ser até de outro esporte.

Os Phillies processaram a Harrison/Erikson de volta por querer encerrar o acordo válido “para sempre”. Se o caso efetivamente for à Justiça, o time tem boas chances de ganhar. Como o caso se desenrolou no final dos anos 70 e início dos 80, não há registro das conversas (cópia de e-mail, por exemplo), apenas o contrato de prestação de serviço em 1978 e o contrato de 1984 com a cessão dos direitos. Ainda assim, a tendência é que os dois lados negociem um acordo antes que o Phanatic saia de ação por estar em um impasse judicial.

Phillie Phanatic exibe tênis exclusivo ao lado de Bryce Harper
Phillie Phanatic exibe tênis exclusivo ao lado de Bryce Harper Getty Images

Fonte: Ubiratan Leal

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O mercado da MLB está parado a apenas 5 dias de seu fechamento. Por quê?

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Madison Bumgarner está de saída dos Giants?
Madison Bumgarner está de saída dos Giants? Getty Images


Dia 31 de julho, 16h no horário de Nova York (17h de Brasília). É este o prazo limite para a negociação de jogadores da Major League Baseball na atual temporada. Depois disso, nada feito. Não há nem o mês extra de negociações limitadas que existiam nos anos anteriores. Ou seja, quem quer reforçar o seu elenco tem apenas cinco dias restando. E ninguém está fazendo nada. O que acontece?

Um mercado agitado é uma necessidade estratégica de qualquer liga. Basta ver como a NBA tomou conta do noticiário esportivo americano nos dias da abertura da janela de negociação de agentes livres. Seus times, suas marcas e seus patrocínios aparecem mesmo sem algo relevante ocorrendo em campo ou em quadra. A MLB sempre teve isso, com contratos zilionários sendo assinados entre uma temporada e outra. Mas a temperatura baixou demais nos últimos dois anos, mesmo para as trocas finais de meio de campeonato.

Um problema do beisebol é que a janela de transferências se fechava oficialmente em 31 de julho, mas era possível realizar negociações com algumas restrições até 31 de agosto. Para dar mais força a 31 de julho como marco de mercado, a MLB encerrou a janela de agosto. A partir de 2019, tem de trocar até 31 de julho e ponto. A tendência é que tudo ficaria mais agitado, com várias trocas e muita repercussão na mídia.


O que a liga não esperava é que a temporada estivesse tão incerta até esse momento. Entre times que lutam por título de divisão ou por uma vaga de wildcard, apenas sete das 30 equipes podem se considerar completamente fora da briga por playoff. A saber: Chicago White Sox, Toronto Blue Jays, Kansas City Royals, Detroit Tigers, Baltimore Orioles, Seattle Mariners e Miami Marlins. Outros seis times (Texas Rangers, San Diego Padres, Colorado Rockies, Pittsburgh Pirates, Cincinnati Reds e New York Mets) vivem situação muito difícil, mas estão a uma sequência de cinco vitórias de entrar na disputa. E três (Arizona Diamondbacks, Los Angeles Angels e San Francisco Giants) estão no meio da confusão, mas não se sabe se terão fôlego para seguir ali até o fim da temporada.

O resultado disso é que poucos times têm motivos claros para se desfazer de seus jogadores. Na realidade, apenas os times completamente fora da briga estarão abertos a negociar seus melhores jogadores. As franquias que correm por fora até sabem que não passarão de fase, mas viram que os times atuais não são tão ruins e talvez valesse a pena manter a base para, com alguns reforços, entrar firme na temporada 2020. Isso significa que até devem negociar seus atletas, mas farão jogo duro -- leia-se: pedir alto por cada troca -- com os interessados porque não têm tanto interesse assim em se desfazer do elenco.

Esse cenário torna o mercado muito arriscado. Muitos times estão em um limbo de não saber se vão ou não brigar pela classificação, ou seja, se entram nas conversas para trazer ou para fornecer reforços. E, entre os que devem fornecer, o preço cobrado (nível dos jovens exigidos) por cada jogador que saia será alto.


No meio disso, aparecem nomes como Madison Bumgarner e Will Smith (Giants), Noah Syndergaard (Mets), Zack Greinke (Diamondbacks), Felipe Vázquez (Pirates), Hunter Pence e Mike Minor (Rangers). Jogadores que certamente farão barulho se trocarem de camisa.

O resultado disso é que muito time está esperando até este fim de semana para saber de que lado da mesa de negociação está. E também para avaliar bem qual o poder de barganha do time do outro lado da conversa. O mercado deve ficar agitado a partir da próxima segunda, mas provavelmente alguns negócios bombásticos não ocorrerão simplesmente porque não haverá tempo hábil para os dois times chegarem a um acordo ou porque algumas equipes não sabiam se brigavam ou não pela classificação.

Uma boa notícia (temporada equilibrada e emocionante) acaba tendo um efeito colateral (mercado frio). Fica a lição, e talvez a ideia de a MLB mudar a data-limite para negociação, talvez para 15 de agosto, por exemplo.

Fonte: Ubiratan Leal

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O mercado da MLB está parado a apenas 5 dias de seu fechamento. Por quê?

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Há 50 anos, acontecia algo mais improvável que o homem chegar à lua: um home run de Gaylord Perry

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

A data não é precisa, porque a história não foi registrada no momento e acabou virando lembrança contada tempos depois. Há até quem conteste a veracidade dela. Mas teria ocorrido em 1962 ou 63. Gaylord Perry, arremessador do San Francisco Giants, fazia aquecimento como rebatedor antes de uma partida e acertava várias rebatidas em linha. Contatos relativamente fortes, o que deixou Harry Jupiter, repórter do San Francisco Examiner, animado.

O jornalista comentou com Alvin Dark, técnico dos Giants, que o tal arremessador parecia ter força nas rebatidas. Talvez até conseguisse um home run mais hora, menos hora. Naquela altura, era compreensível Jupiter não conhecer Perry. O arremessador estava em suas primeiras temporadas, e só se tornou membro fixo da rotação do San Francisco justamente em 1963. Isso não impediu Dark de ser taxativo ao responder:

- Esquece. Um homem chegará à lua antes de Perry rebater um home run.

A referência lunar não era tão acidental. Os Estados Unidos estavam iniciando seu projeto de levar o homem à lua e a corrida espacial era tema recorrente. Mas o técnico sabia do que estava falando. Perry passou a se destacar como um dos melhores arremessadores da MLB. Em 1964, teve um ERA de 2,75. Teve uma queda em 1965, mas se recuperou em 66, iniciando uma série de quinze temporadas seguidas com ERA abaixo de 3,5. Nesse período todo, levou dois prêmios Cy Young. Claro, foi para o Hall da Fama. Mas ele não sabia rebater.

Considerando apenas temporadas completas, seu aproveitamento no bastão nunca chegou a 19%. Força também não era a dele: apenas quatro rebatidas extrabase (todas duplas) nos sete primeiros anos de carreira.

Enquanto Perry não descobria como rebater, os cientistas norte-americanos aprendiam rápido o que era preciso fazer para colocar o homem à lua antes da União Soviética. Em 16 de julho, a Nasa lançou o foguete Saturno 5, dando início à missão Apollo 11. Quatro dias depois, exatos 50 anos atrás, o módulo Eagle aterrissou no solo lunar. De lá saiu Neil Armstrong, que deu "um pequeno passo para um homem, um salto gigantesco para a humanidade". O homem, enfim, havia chegado à lua.

Neil Armstrong pisando na lua, em 1969
Neil Armstrong pisando na lua, em 1969 Divulgação - Nasa

Perry não pôde ver esse momento histórico. Ele estava em campo, defendendo os Giants contra o Los Angeles Dodgers. Eram 13h17 em São Francisco. Às 13h51, Claude Osteen, arremessador dos Dodgers, deixou uma bola rápida pendurada na parte alta da zona de strike. Gaylord Perry foi para o swing com força. A bola voou, voou, voou e... foi para a arquibancada. Perry, enfim, havia rebatido um home run.

A previsão de Alvin Dark estava certa. Por 34 minutos.

Fonte: Ubiratan Leal

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Há 50 anos, acontecia algo mais improvável que o homem chegar à lua: um home run de Gaylord Perry

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Londres recebeu um dos jogos do ano no último domingo em qualquer esporte, e não estou falando de Wimbledon

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal


Era mais que uma questão de talento ou qualidade técnica, era também de resistência. Dois oponentes lutam por horas e horas sob o sol de um domingo de verão londrino em busca do título. O equilíbrio era tamanho que foi necessária a aplicação de uma nova regra para desempatar a decisão. Não, não é Novak Djokovic x Roger Federer na decisão de Wimbledon. Foi a batalha entre Inglaterra e Nova Zelândia na final da Copa do Mundo de Críquete, provavelmente o maior jogo da história da competição e um dos maiores da história da modalidade.

Para completos iniciantes no críquete, como provavelmente são 90% dos leitores desse texto, é difícil entender o quão equilibrado foi o jogo. Mas a matemática dá uma ajuda. A Copa do Mundo adota o formato ODI (one-day international), com 50 overs de 6 arremessos. Ou seja, são 300 arremessos recebidos por cada time. E os dois lados terminaram iguais em 241 corridas.

Quão raro é isso? Já foram realizados mais de 4 mil partidas de ODI entre seleções, em apenas 40 o placar terminou empatado (menos de 0,01%). Em Copas do Mundo, esse foi o quinto caso.

Mas a própria forma como esse empate se desenhou foi especialmente angustiante. A Nova Zelândia estabeleceu a meta, e, durante todo seu innings (turno ofensivo), a Inglaterra -- que é chamada apenas de “Inglaterra”, mas representa ingleses e galeses -- tinha dificuldade em seguir no mesmo ritmo de corridas/overs. Só conseguiu igualar no final com duas jogadas surreais, com o defensor neozelandês pisando na borda do campo com a bola na mão (transformando uma eliminação em seis corridas) e com um arremesso da defesa batendo no bastão de um inglês que se atirava desesperadamente para se salvar, desviando a bola para fora do campo. Mais seis corridas.

Jogadores durante a final da Copa do Mundo de críquete
Jogadores durante a final da Copa do Mundo de críquete Getty Images

Com o placar empatado, hora do superover. Mais um empate, dessa vez em 15 corridas. Até a edição de 2015 do Mundial, o título seria dividido. Mas, neste ano, o Conselho Internacional de Críquete determinou que o troféu ficaria com a seleção que tivesse mais rebatidas para fora do campo. Seria como definir o campeão da NBA por cestas de três após empate no tempo normal e na prorrogação do jogo 7. Melhor para a Inglaterra.

Uma decisão cardíaca como essa, mesmo após nove horas de jogo, mostrou quão espetacular o críquete pode ser, mesmo em seus formatos mais longos. Mostrou também como a Inglaterra ainda se importa com o esporte, a ponto de a Sky (TV fechada) abrir mão da exclusividade dos direitos de transmissão para que a também BBC pudesse mostrar a partida. A audiência somada dos dois canais teve pico semelhante à da final de Wimbledon.

Isso não muda o fato de que o futuro do esporte caminha para o formato mais curto, o twenty20, com partidas de aproximadamente três horas de duração. Mas talvez essa final tenha ajudado a reposicionar o críquete em sua terra de origem. E, com ele forte na Inglaterra, ele tem um impulso extra para seguir crescendo globalmente. O que não é pouco para o esporte que já é um dos mais populares do planeta.

Fonte: Ubiratan Leal

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Londres recebeu um dos jogos do ano no último domingo em qualquer esporte, e não estou falando de Wimbledon

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