Red Sox recebem punição leve da MLB por roubo de sinais. Faz sentido, e não faz

Ubiratan Leal
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Red Sox comemoram vitória sobre os Yankees
Red Sox comemoram vitória sobre os Yankees Getty

Houve um tempo em que pouco se falava de distanciamento social, abaixar a curva, hospitais de campanha, EPIs e respiradores. Isso vinha só no noticiário internacional, algo supostamente distante, lá na Ásia. Naquele momento, que não é tão remoto assim, a vida seguia normalmente. E, no beisebol, o assunto mais quente eram as punições recebidas pelo Houston Astros -- e as boladas que seus jogadores levavam na pré-temporada -- por roubo de sinais e o que poderia vir para o Boston Red Sox.

Tudo isso parece fútil, mas as investigações continuaram e, nesta semana, a MLB anunciou as penas aos Meias Vermelhas. E, como ocorrera com os texanos, a torcida ficou com a sensação de que a liga pegou leve.

O Boston perdeu a segunda escolha do próximo draft. Além disso, o coordenador de vídeo JT Wilkins foi suspenso por um ano. O técnico Alex Cora também recebeu um gancho de uma temporada, mas essa pena é referente à participação dele no escândalo dos Astros em 2017. O treinador foi absolvido pelo papel dele no caso dos Red Sox. E só.

LEIA MAIS: Como o escândalo de roubo de sinais estourou no Boston Red Sox

Sabia-se que o caso do Boston era mais leve que o dos Astros, então é natural que a punição seja menor. Mas parece pouco na comparação direta, pois o Houston teve seu diretor esportivo e seu treinador suspensos por um ano (e o auxiliar técnico, Cora, que entrou no pacote agora), recebeu multa de US$ 5 milhões e perdeu as escolhas das duas primeiras rodadas nos dois próximos drafts. E isso porque houve quem achasse muita generosidade aos texanos.

Mas a chave aí é o que a investigação apontou. O que torna a punição proporcional.

O inquérito da MLB indicou que o uso de tecnologia para roubo de sinais foi iniciativa de Wilkins, ex-catcher que passou a assistente de observação e foi colocado na coordenação de replays para eventuais desafios à arbitragem. Com experiência de ex-jogador, ele tinha bom olho para observar o jogo e captar sinais dos catchers adversários. Por isso, também ajudava a preparar os vídeos utilizados pela comissão técnica para orientar o time. 

Wilkins teria incluído informações de sinais roubados nesse material, o que poderia ser utilizado por um corredor na segunda base, que está em posição de ver a mão do catcher adversário durante um duelo e passar o sinal de volta ao rebatedor. Segundo a liga, essa infração teria ocorrido poucas vezes, e só com alguns jogadores. A franquia teria comunicado a seu funcionário que isso era proibido e não deveria continuar.

Considerando essa informação, a punição leve aos Red Sox até soa proporcional. A irregularidade seria esporádica e de pouco impacto técnico ao longo da temporada. E o clube teria inibido a continuidade dessa prática. A questão é: muita gente acha estranho que teria sido apenas isso. Ainda mais considerando que, em 2017, o Boston já havia recibo um puxão de orelha oficial por usar meios eletrônicos para roubar sinais.

Sem detalhes de como foram conduzidas as investigações da liga é difícil julgar o relatório final. De fato, soa provável que um clube que já tivesse um esquema funcional de roubo de sinais (tinham feito pouco tempo antes, e tinham um profissional especializado nisso com ferramentas na mão) aproveitasse para usar melhor isso. A desconfiança generalizada na liga é que quase todos os times faziam, então imagina-se que os Red Sox fossem além do que foi divulgado pela MLB nesta semana.  Mas, dentro do que é oficial, a punição leve é compreensível. E é nisso que a liga vai se escorar diante das críticas.

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Calendário do esporte americano em 2021

Ubiratan Leal
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A pandemia bagunçou todo o calendário do esporte em 2020. Praticamente todas as competições já retornaram, mas não é que a agenda de 2021 esteja normal. A parada forçou diversas mudanças de datas, de adiamento de um evento do tamanho dos Jogos Olímpicos à mudança (temporária) de período de disputa de ligas.

O esporte americano é um exemplo bastante claro disso. A temporada 2020-21 da NHL será, na prática, uma temporada 2021. A NBA começou quase no Natal e vai invadir julho. Os All-Star Games de NFL, NBA e NHL foram cancelados. E muitas datas importantes ainda nem foram anunciadas, há apenas uma intenção de realizá-la em determinada época do ano.

Para não se perder nessa bagunça toda, aí vai o calendário de 2021. Reforçando que todas as datas estarão sujeitas a mudanças de acordo com restrições que podem surgir pela pandemia.

Obs.: a WNBA ainda não anunciou seu calendário para 2021 e, como ela costuma evitar a concorrência direta com a NBA, não é possível projetar se ela manterá o período de disputa tradicional (maio a outubro) ou se também deslocará sua temporada

JANEIRO

1 - Semifinais do futebol americano universitário
9 - Início dos playoffs da NFL
11 - Final do futebol americano universitário
13 - Início da temporada da NHL

FEVEREIRO

7 - Super Bowl
27 - Início do Spring Training, a pré-temporada da MLB

Raymond James Stadium, sede do Super Bowl programado para 7 de fevereiro
Raymond James Stadium, sede do Super Bowl programado para 7 de fevereiro Joe Robbins/Getty Images Sport

MARÇO

16 - Início do March Madness, os playoffs do basquete universitário

ABRIL

1 - Início da temporada da MLB
5 - Final do March Madness
29 - Draft da NFL

MAIO

Primeira quinzena - Início dos playoffs da NHL (data ainda não definida)
22 - Início dos playoffs da NBA

JUNHO

22 - Início do pré-olímpico masculino de basquete

O Brasil disputará uma vaga no basquete olímpico com Croácia, Tunísia, Alemanha, Rússia e México
O Brasil disputará uma vaga no basquete olímpico com Croácia, Tunísia, Alemanha, Rússia e México MARK RALSTON/AFP/Getty Images

JULHO

? - Finais da Stanley Cup, a decisão da NHL (datas ainda não definidas)
4 - Final do pré-olímpico masculino de basquete 11 - Draft da MLB
13 - All-Star Game da MLB
21 - Início do torneio de softbol dos Jogos Olímpicos de Tóquio
22 - Data de um eventual jogo 7 das finais da NBA
23 - Draft da NHL
24 - Início dos torneios masculino e feminino de basquete 3x3 dos Jogos Olímpicos de Tóquio
25 - Início do torneio masculino de basquete dos Jogos Olímpicos de Tóquio
26 - Início do torneio feminino de basquete dos Jogos Olímpicos de Tóquio
27 - Final do torneio de softbol dos Jogos Olímpicos de Tóquio
28 - Final dos torneios masculino e feminino de basquete 3x3 dos Jogos Olímpicos de Tóquio
28 - Início do torneio de beisebol dos Jogos Olímpicos de Tóquio
Fim do mês - Época provável para o Draft da NBA (pode ser no início de agosto)

AGOSTO

7 - Final do torneio masculino de basquete dos Jogos Olímpicos de Tóquio
7 - Final do torneio de beisebol dos Jogos Olímpicos de Tóquio
8 - Final do torneio feminino de basquete dos Jogos Olímpicos de Tóquio
12 - Jogo do “Campo dos Sonhos” da MLB (Chicago White Sox x New York Yankees)

SETEMBRO

Início do mês - Época provável para o início da temporada 2021-22 do futebol americano universitário
9 - Início da temporada 2021-22 da NFL

OUTUBRO

5 - Início dos playoffs da MLB
Primeira quinzena - Época provável para o início da temporada 2021-22 da NHL
Segunda quinzena - Época provável para o início da temporada 2021-22 da NBA

O San Diego Padres investiu pesado para conquistar o título da MLB pela primeira vez em sua história
O San Diego Padres investiu pesado para conquistar o título da MLB pela primeira vez em sua história Getty Images

NOVEMBRO

Primeira quinzena - Época provável para o início da temporada 2021-22 do basquete universitário
3 - Data de um eventual jogo 7 da World Series
25 - Rodada de Dia de Ação de Graças da NFL

DEZEMBRO

Segunda quinzena - Época provável para o início da temporada de bowls do futebol americano universitário
25 - Rodada de Natal da NBA

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Sem espírito natalino: o dia em que torcedores dos Eagles atacaram Papai Noel

Ubiratan Leal
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Época de festas é sempre assim: a chegada do Natal e a aproximação do reveillon leva as pessoas a se esforçarem para esquecer tudo o que ocorreu durante o ano para se alimentar da esperança que as coisas vão melhorar. Hora de reunir a família e priorizar o que importa. Menos para a torcida do Philadelphia Eagles. Ah, não tem clima natalino que resiste à corneta da Filadélfia. Pior para o Papai Noel.

Essa história começa em 1967. A temporada não havia sido das mais agradáveis para a torcida dos Eagles. O time vinha da quarta posição da NFL no ano anterior, mas caiu de rendimento e fechou o campeonato com 6 vitórias, um empate e 7 derrotas. Foi o suficiente para terminar em segundo lugar na divisão, mas o time ficou de fora dos playoffs. 

A expectativa para 1968 era se recuperar dessa queda, ao menos ser competitivo. Mas nem o mais pessimista torcedor das Águias imaginava o que viria. O Philadelphia caiu na estreia para o Green Bay Packers. Depois perdeu para os rivais New York Giants, Washington Redskins e Dallas Cowboys. E seguiu perdendo: Cowboys de novo, Chicago Bears, Pittsburgh Steelers, St. Louis Cardinals (atual Arizona, não o time de beisebol), Redskins de novo, Giants de novo e Cleveland Browns.

Após 11 rodadas, os Eagles tinham zero vitória, zero empate e 11 derrotas. Era o primeiro time da NFL a perder os primeiros 11 jogos de uma temporada desde os próprios Eagles de 1936 (o Oakland Raiders perdeu os 13 primeiros em 1962, mas isso ocorreu ainda na época de AFL). 

Tudo péssimo, mas a torcida teve um motivo para se animar. Com aquela campanha terrível, os Eagles ficariam com a pior campanha e teriam a primeira escolha no draft. E, naquele ano, todos estavam de olho em um running back fenomenal da USC, um dos melhores da história do futebol americano universitário: OJ Simpson (sim, o mesmo que ficou mais famoso hoje pelas páginas policiais).

[]

Faltando três rodadas para o final do campeonato, ter a prioridade para draftar OJ era o que dava alento ao torcedor dos Eagles. Até que veio a partida contra o Detroit Lions: vitória por 12 a 0. Ainda dava, o Buffalo Bills também tinha apenas uma vitória. Mas, na penúltima partida, o Philadelphia vence mais uma, 29 a 17 no New Orleans Saints.

Aí era demais para a paciência da corneteira torcida dos Eagles. O time igualava recorde de derrotas seguidas, era lanterna da divisão, perdeu de todos os rivais, e nem ao menos teria a primeira escolha do draft. O humor do torcedor filadelfiano era dos piores em 15 de dezembro, quando sua equipe receberia o Minnesota Vikings para a despedida da temporada.

O clima era péssimo. Torcedores tiveram de encarar a neve no caminho para o jogo e mesmo nas cadeiras, já que o estádio não era coberto e os Eagles não tinham limpado as arquibancadas. O clube tinha contratado um Papai Noel para animar a torcida no começo da partida, mas ele não apareceu. Era uma síntese de uma temporada terrível em todos os sentidos para o Philadelphia.

Ainda assim, a diretoria dos Eagles não tinha desistido de dar uma despedida natalina para seus seguidores. Ao ver um torcedor fantasiado de Papai Noel nas arquibancadas, foram chamá-lo. Era Frank Olivo, de 19 anos. Ele vestia uma roupa de Papai Noel barata, mal acabada e desajeitada. Ainda assim, perguntaram se o torcedor topava desfilar no gramado no intervalo da partida. Olivo topou.

Assim, quando acabou o segundo quarto, um torcedor vestindo uma roupa tosca de Papai Noel entrou no gramado e passou diante da torcida acenando. Ah, era muito otimismo esperar uma reação natalina das arquibancadas naquele cenário. Imediatamente começam as vaias. Quando Olivo chegou à endzone, alguns torcedores fizeram bolas com a neve com a qual ainda dividia espaço e atiraram no Papai Noel improvisado. Em resposta, Papai Noel começou a mostrar o dedo médio para a torcida cantando “vocês não vão ganhar nada do Papai Noel neste ano”.

Naquela temporada, o Buffalo Bills ficou com a primeira escolha no draft e selecionou OJ Simpson. Ele bateu o recorde de jardas corridas em uma temporada. Os Eagles tiveram a terceira escolha e recrutaram o running back Leroy Keyes, que foi titular em 1969, virou reserva em 1970, se tornou safety em 1971 para ter mais oportunidades e foi negociado com o Kansas City Chiefs em 1972, sua última temporada na NFL.

Frank Olivo morreu em 2015, aos 66 anos, vítima de problemas cardíacos. Seu obituário no jornal Patriot-News, começava assim: “O homem famoso na história do esporte da Filadélfia como o Papai Noel que foi vaiado e atingido por bolas de neve em um jogo dos Eagles no inverno de 1968 faleceu”.

Fonte: Ubiratan Leal

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Orlando Duarte: dez Olimpíadas e 14 Copas, mas tudo começou com o… beisebol

Ubiratan Leal
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“O Eclético.” O apelido que acompanhava Orlando Duarte já enfatizava sua principal faceta: era um coringa do jornalismo esportivo. Analisou futebol com a mesma naturalidade que teve quando foi comentarista de boxe, escreveu a primeira grande obra de referência dos Mundiais no Brasil (“Todas as Copas do Mundo”), mas fez o mesmo para as demais modalidades com seu “Todos os Esportes do Mundo”.

Orlando Duarte escreveu o livro: Pelé, o supercampeão!
Orlando Duarte escreveu o livro: Pelé, o supercampeão! []

Ainda hoje essa é uma característica rara nas redações de esportes, na década de 1950, quando iniciou sua carreira, mais ainda. Com isso, tornou-se uma figura importante no jornalismo esportivo brasileiro, a ponto de ser destacado para cobrir 14 Copas do Mundo e dez Jogos Olímpicos. Uma história profissional que começou com impulso de uma modalidade improvável, o beisebol.

Duarte nasceu em Rancharia, cidade no oeste paulista a 520 km de São Paulo. Ele cresceu próximo à comunidade japonesa e praticou beisebol na juventude. Poderia ser apenas uma passagem rápida de infância, mas o “esporte da base”, como era conhecido na época, o seguiu quando o jornalista se mudou para trabalhar na capital.

Nota da Gazeta Esportiva destacando a primeira cobertura internacional de Orlando Duarte
Nota da Gazeta Esportiva destacando a primeira cobertura internacional de Orlando Duarte Reprodução A Gazeta Esportiva

Como redator da Gazeta Esportiva, Orlando Duarte era o responsável pela cobertura das competições de beisebol. O dia a dia era de notícias dos jogos que aconteciam pelo estado de São Paulo, mas, em 1956, ele foi convidado para acompanhar a delegação do time da Associação Desportiva Osvaldo Cruz na disputa de um triangular em Buenos Aires. Foi a primeira cobertura internacional da carreira do jornalista.

Um ano depois, São Paulo já fazia planos para celebrar o cinquentenário da imigração japonesa no Brasil. Uma das ideias era construir um grande estádio de beisebol no bairro do Bom Retiro, no local do campo de alguns times amadores do futebol paulistano. Duarte acompanhou as reuniões para o que se tornaria o estádio Mie Nishi não apenas como jornalista, mas também como secretário do Conselho Municipal de Esportes.

Anúncio da construção do estádio de beisebol do Bom Retiro
Anúncio da construção do estádio de beisebol do Bom Retiro Reprodução A Gazeta Esportiva

Com o passar do tempo, Duarte foi ganhando espaço e passou a participar das coberturas mais nobres da pauta. Em seu trabalho enciclopédico com o esporte, o beisebol parecia aos olhos do público apenas mais uma modalidade que O Eclético acompanhava. Mas o beisebol teve um papel fundamental no início da brilhante carreira. E o jornalista retribuiu participando do projeto do maior estádio do “esporte da base” no Brasil.

Orlando Duarte faleceu nesta terça, 15 de dezembro, em São Paulo. Ele já sofria com as consequências de Alzheimer nos últimos anos, mas foi vítima de Covid-19.

Fonte: Ubiratan Leal

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O que o beisebol precisa fazer se quiser voltar (mais uma vez) aos Jogos Olímpicos

Ubiratan Leal
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Eric Pardinho, arremessador da seleção brasileira de beisebol
Eric Pardinho, arremessador da seleção brasileira de beisebol Divulgação/MLB

A comunidade do beisebol nem pôde sentir o gosto de estar de volta aos Jogos Olímpicos que já tem de lamentar sua saída. Nesta semana, o Comitê Olímpico Internacional oficializou o programa para Paris-2024. E o beisebol foi retirado da lista de modalidades. O pior é que, com o adiamento de Tóquio-2020 por causa da pandemia de covid-19, o anúncio da saída ocorreu antes mesmo de ele retornar efetivamente, o que ocorrerá só em julho de 2021.

A notícia não surpreendeu quem acompanha o noticiário em torno dos Jogos. O COI criou uma nova categoria de modalidade olímpica, que podem entrar em uma edição do evento, mas não é permanente. O beisebol - que foi modalidade olímpica de 1992 a 2008 - conseguiu retornar em Tóquio nesse sistema, aproveitando a popularidade que tem no Japão. Não haveria muitos motivos para mantê-lo em Paris.

Em teoria, dá para acreditar que o beisebol volte nos Jogos de Los Angeles em 2028. No entanto, está longe de ser uma garantia. Até porque o beisebol tem enorme popularidade nos Estados Unidos, mas o beisebol de seleções, principalmente o beisebol olímpico, não é visto como algo especialmente atraente ao público. Considerando a cultura de rua da cidade californiana, é provável que o COI aproveite a oportunidade para colocar mais esportes de ação no programa e recuperar mais terreno entre o público jovem.

Seria péssimo para o beisebol se isso ocorresse, mas seria justo. A modalidade fez um grande lobby para voltar aos Jogos Olímpicos, a ponto de fundir as federações internacionais de beisebol e a de softbol em uma única entidade (a World Baseball Softball Confederation) para articular melhor a campanha. No entanto, no que ganhou a disputa para Tóquio-2020, fez tudo errado e deu argumentos para o COI achar que o beisebol -- e o softbol -- não merecem um lugar nas Olimpíadas. E estar no maior evento poliestportivo do planeta é importante ao beisebol, sim. Para as grandes ligas profissionais do mundo não faz tanta diferença, mas a persença nos Jogos ajuda a destinar mais recursos às federações nacionais de vários países de segundo e terceiro escalão do cenário internacional.

Então, o que o beisebol precisa fazer se quiser retornar aos Jogos em 2028?

1) Criar um torneio realmente atraente

Os torneios de beisebol e softbol em Tóquio-2020 são quase uma ofensa ao torcedor. São apenas seis equipes em cada um, muito pouco para representar a força internacional das duas modalidades, deixando várias potências sem vaga. Para piorar, o sistema de disputa que exige formação em matemática avançada para entender, com dois grupos de três em que todos os times se classificam para o mata-mata.

Como os japoneses e sul-coreanos são fanáticos por beisebol e vão disputar o torneio, é até possível que os públicos nas partidas das duas seleções -- caso tenhamos público sem restrição nos estádios, claro -- sejam bons. Mas o nível de interesse da competição será muito baixo tanto na venda de ingressos quanto na atenção da mídia.

2) Disponibilizar bons jogadores

Um torneio com camisas pesadas e regulamento que promove emoção é importante, mas ter bons jogadores em campo é fundamental para chamar a atenção da mídia e do público. Isso não é uma questão para o torneio olímpico de softbol, mas é grave no beisebol. 

Os Jogos Olímpicos são disputados sempre durante a temporada da MLB, da NPB (liga japonesa) e da KBO (liga sul-coreana). Essas duas últimas ligas abrem uma janela no calendário para o evento poliesportivo devido à importância que Japão e Coreia do Sul dão a suas seleções, mas a liga norte-americana não faz o mesmo.

Claro que seria lindo ver os grandes astros da MLB nos Jogos Olímpicos, mas isso não vai acontecer. E nem precisaria para o torneio despertar interesse. Bastaria a MLB e a associação de jogadores se comprometerem em criar um modelo em que bons jogadores fiquem à disposição de suas seleções. Por exemplo, qualquer jogador de liga menor que não esteja no elenco de 40 de uma franquia da MLB. Isso tiraria todas as estrelas da MLB e alguns dos jovens prontos para estrear, mas ainda abriria espaço para a participação de dezenas de jogadores muito promissores, capazes de integrar um time competitivo e que ainda despertaria o interesse do público que quer ver o futuro craque do seu time em ação.

3) Aumentar o comprometimento com o beisebol internacional

A MLB merece muitos elogios pela criação do World Baseball Classic, a Copa do Mundo do beisebol. É um torneio atrativo, com participação de grandes estrelas das grandes ligas. Mas fica só nisso. O beisebol como modalidade não encontrou um modelo para as competições de seleções.

O motivo histórico disso é fácil de entender: antes da cooperação da MLB e da NPB na criação de um novo Mundial, a federação internacional simplesmente tocava a sua vida com “o resto” da modalidade. O antigo Mundial era basicamente amador e não se criou uma cultura de torneios de seleções relevantes.

Pois agora é momento de mudar. As estrelas da MLB são para o WBC, mas dá para criar um calendário que movimente seleções nacionais girando em torno do desenvolvimento de promessas em ligas menores ou descoberta de talentos estrangeiros. Tendo um calendário com lógica, continuidade e promoção bem feita para mobilizar o público, dá para aumentar o interesse por esse tipo de torneio.

O Premier12 é um torneio interessante, disputado a cada dois anos. Mas ele sempre gira em torno das mesmas seleções e soa distante do público das Américas. Talvez a criação de uma Liga das Nações, com divisões, ajudaria a reforçar rivalidades nacionais e a fomentar o beisebol em países de segundo escalão, como Colômbia, Panamá, Itália, Nicarágua e até o Brasil.

4) Ajudar no desenvolvimento do softbol ou do beisebol feminino

É uma medida importante por três caminhos: social, econômico e político. O social se refere à inclusão de centenas de mulheres e garotas que têm talento beisebol e softbol e não têm oportunidade de transformar isso em uma profissão. Até existe uma liga profissional de softbol nos Estados Unidos, a National Pro Fastpitch, mas ela é completamente desconhecida de boa parte do público. No beisebol feminino, não há nada. Do ponto de vista humano, esse é o motivo mais importante para abraçar essa ideia, mas claramente não será esse o motor de uma decisão.

Então vamos às razões mais pragmáticas. Economicamente, ajudar o desenvolvimento do softbol profissional feminino e estabelecer o beisebol feminino é fundamental para aumentar a popularidade da modalidade entre as mulheres. Só ver como o basquete cresceu entre as mulheres americanas a partir da criação da WNBA. É um público potencial de centenas de milhões de pessoas que ajudariam a reforçar o mercado da MLB.

O impacto político, porém, é o que teria mais influência nos Jogos Olímpicos. O COI claramente tenta tornar o evento o mais igualitário entre gêneros. Ainda que o softbol feminino faça espelho ao beisebol masculino, claramente há uma distância muito grande no desenvolvimento econômico e de apelo de público entre as duas modalidades. Ter uma imagem de modalidade “para todos os gêneros” daria força na disputa por uma vaga no programa olímpico de 2028 ou além disso.

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O basquete universitário teve dezenas de jogos adiados antes mesmo de começar

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal


Cento e vinte jogos, 240 times em quadra. Tudo na mesma noite. A NCAA programou uma quarta cheia para abrir a temporada do basquete universitário americano, e isso só contando a primeira divisão do torneio masculino. Contando as demais divisões e o torneio feminino, em quase todo canto dos Estados Unidos haveria uma partida acontecendo. Mas a realidade bateu rápido na porta. Um dia antes, 20 partidas (16,7% do total) foram canceladas ou adiadas por casos de Covid-19 em um ou em ambos os times.

Os campeonatos começaram, mas há dúvidas sobre a capacidade de seguir adiante normalmente. Com a segunda onda da pandemia chegando forte nos Estados Unidos, os casos têm crescido bastante, inclusive entre universitários. Por isso, várias instituições voltaram a realizar apenas aulas à distância ou a fazer rodízio entre quem faz aula presencial e quem acompanha de casa de forma a limitar a aglomeração de alunos.

Isso até pode reduzir o risco de contágio pelo coronavírus entre os estudantes normais, mas os estudantes-atletas vivem em regime diferente. Até podem fazer algumas das aulas de seu alojamento, mas terão de circular pelas instalações da universidade no dia a dia, para treinos ou jogos. Além disso, ficarão viajando por meses de um lado para o outro do país, entrando em contato com pessoas em regiões em nível diferente de gravidade da pandemia.

Por causa disso, muitas universidades relutaram demais em abraçar a temporada 2020-21. Muitas cancelaram temporariamente os programas de modalidades menos lucrativas. No entanto, a decisão é mais difícil quando se trata de futebol americano e basquete, os esportes financeiramente mais pesados. A saúde dos atletas ficou -- como em quase todas as ligas profissionais do mundo -- em segundo plano. A prioridade foi “dar um jeitinho” de os jogos acontecerem.

No futebol americano, algumas universidades adiaram a temporada para o primeiro semestre de 2021, abrindo mão de um título nacional ou de um bowl entre dezembro e janeiro, mas aumentando a chance de completar uma temporada com menos casos de Covid e, com sorte, até botando mais torcedores nos estádios. Ainda assim, a competição é muito facilitada pelo fato de as partidas ocorrerem apenas uma vez por semana, normalmente aos sábados. Dessa forma, há mais condições de trabalhar para reduzir índice de contágio e gerenciar o elenco para o caso de atletas aparecerem com testes positivos para a doença.

O basquete tem situação muito mais delicada. Há muito mais partidas (e viagens) ao longo da temporada, o que aumenta o risco de contágio e reduz a capacidade de gerir o elenco na eventualidade de ocorrer um surto entre jogadores e comissão técnica. Por isso tantos jogos já foram adiados logo na primeira semana.

Preencher as chaves do March Madness: uma das maiores tradições do esporte americano
Preencher as chaves do March Madness: uma das maiores tradições do esporte americano Getty

A esperança da NCAA era realizar torneios de início de temporada dentro de uma bolha em Orlando, como fez a NBA na reta final de temporada regular e nos playoffs entre agosto e outubro. No entanto, a Disney -- dona das instalações utilizadas -- afirmou não haver condições para realizar outra operação semelhante agora. Desse modo, o basquete universitário tem de se arriscar em um campeonato normal, sem bolhas e com os times jogando em seus estádios, contando com protocolos e cuidados individuais de cada atleta e membro de comissão técnica para que todos fiquem em segurança. Só o March Madness (playoffs) iria para uma bolha.

As universidades resolveram bancar essa aposta por causa do impacto que a pandemia já teve no basquete universitário na temporada passada. A paralisação das competições esportivas ocorreu bem no meio dos playoffs de conferência, uma semana antes do início do March Madness. O mata-mata do basquete masculino é responsável por 85% do faturamento total da NCAA, cujos direitos comerciais e de transmissão somam US$ 875 milhões por ano. Com o cancelamento do torneio nacional, a entidade teve de distribuir às universidades US$ 375 milhões a menos do que o previsto.

Por isso, a ideia é tentar fazer. No entanto, talvez tenha faltado um pouco de jogo de cintura da entidade e das universidades. E quem mostrou como era possível fazer uma temporada um pouco mais racional foi Rick Pitino. 

O técnico já cometeu diversas violações às regras da NCAA durante sua carreira, mas também é um dos grandes nomes da modalidade e entende bem a realidade do basquete universitário. “Vou dizer para qualquer um que quiser ouvir: empurrem a temporada para março e depois fazemos o May madness. Dê uma chance à vacina, no melhor interesse de todos envolvidos”, tuitou no último dia 23.

Faz todo sentido. Das competições mais importantes do esporte americano, nenhuma depende tanto financeiramente de seus playoffs quanto o basquete universitário. Por isso, preservá-lo seria o mais importante, e é possível fazer uma temporada regular de dois meses se forem programados apenas jogos dentro de cada conferência. 

Mas a NCAA preferiu bancar a ideia de manter o calendário original. Que os atletas e profissionais envolvidos e as universidades não paguem um preço alto por isso.

Fonte: Ubiratan Leal

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Balanço: os premiados, quem sai em alta e quem sai em baixa na temporada 2020 da MLB

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Um jogo acirrado entre duas equipes, decisão polêmica que valerá discussão por algumas semanas (talvez até mais que isso), um campeão incontestável e que tirou de uma fila de décadas uma das franquias mais populares do país e ainda redimiu um dos maiores jogadores deste século. No final das contas, a Major League Baseball tem motivos para se sentir aliviada com o final da temporada 2020 e o título do Los Angeles Dodgers.

A sensação final é realmente de alívio, mas há quem saiu dessa podendo comemorar ou lamentar. E alguns que ficaram com uma sensação agridoce na boca. Então, que tal um balanço do que a temporada deixou de mais impactante?

PRÊMIOS

MVPs:  José Abreu (Chicago White Sox) e Freddie Freeman (Atlanta Braves)
Cy Young (melhores arremessadores): Shane Bieber (Cleveland Indians) e Trevor Bauer (Cincinnati Reds)
Estreantes do ano: Kyle Lewis (Seattle Mariners) e Devin Williams (Milwaukee Brewers)
Técnicos do ano: Kevin Cash (Tampa Bay Rays) e Don Mattingly (Miami Marlins)

EM ALTA

Los Angeles Dodgers

A franquia se planejou por anos para ter o time mais forte da MLB, e conseguiu fazer isso dominando uma divisão que tem o time mais vitorioso da primeira metade desta década. Só faltava carimbar o processo com o título, e ele sempre vinha escapando. O escândalo de roubo de sinais do Houston Astros em 2017 fez a sensação de vazio ficar ainda maior, e até reenergizou o elenco para 2020. 

O título soou justo e até atrasado por tudo o que os Dodgers vinham fazendo. E, além disso, ainda tirou um pouco o peso da indignação pela derrota de três anos atrás.

Jogadores do Los Angeles Dodgers celebram a conquista da World Series em 2020
Jogadores do Los Angeles Dodgers celebram a conquista da World Series em 2020 Getty

Clayton Kershaw

Um dos melhores arremessadores da história era perseguido pelas atuações fracas em playoffs. Na verdade, Kershaw teve várias grandes atuações em playoffs, mas estas eram sempre seguidas de desempenhos para lá de decepcionantes. Ele precisava de uma pós-temporada inteira de alto nível, e teve uma.

Em cinco jogos, teve apenas um que podemos rotular como “decepcionante”, e ainda assim não foi uma porcaria completa. O ERA de 2,31 na World Series quantifica as boas atuações no momento mais importante do ano. Para melhorar, ele ainda termina o ano como o arremessador com mais strikeouts em jogos de playoff na história.

O currículo dele no mata-mata ainda é muito inferior, mas não cobrarão mais dele a falta de um grande desempenho na hora mais decisiva do campeonato. É um dos maiores da história, e agora sem aparecer um “mas vamos lembrar que” quando falarmos de sua capacidade.

San Diego Padres

Há anos que os Padres estão trabalhando para montar um time competitivo. Reuniram um grupo de jovens muito talentosos e contrataram alguns veteranos interessantes. A evolução existia, mas ainda faltava o momento em que esse elenco explodisse para passar a ser visto como potencial concorrente ao título.

Esse momento veio em 2020. É verdade que a temporada curta pode distorcer a percepção, mas os Padres viram seus jovens crescerem demais, os veteranos apareceram bem e a equipe ainda mostrou capacidade de competir contra equipes mais experientes nos momentos decisivos.

Ver os rivais Dodgers ficarem com o título é ruim, mas o sentido de urgência no time de Los Angeles será menor a partir do ano que vem, o que pode até abrir uma pequena brecha para o San Diego brigar pelo topo da divisão nos próximos anos.

Chicago White Sox

A história dos White Sox é muito semelhante à dos Padres. A base jovem enfim mostrou capacidade de competir no alto nível. Ainda não está tão explosivo como os Padres, mas há uma clara sensação de que o time já está pronto para dominar sua divisão por algumas temporadas. 

Novas regras

Rebatedor designado na Liga Nacional, playoffs expandidos, entradas extras começando com corredores em base e rodadas duplas com jogos de 7 entradas. Todas essas mudanças foram implementadas em 2020 com o argumento da pandemia e não voltam para 2021. Ainda assim, dá para dizer que terminam em alta. Não que tenham necessariamente dado certo (há muita discussão entre o público do beisebol sobre elas), mas o fato de terem achado uma brecha para serem usadas aumentam a chance de acabarem oficializadas no futuro (só a última, a das rodadas duplas, soa improvável).

NO LIMBO

Estatísticas avançadas

Os Dodgers têm o melhor time da MLB, mas utilizam bastante as estatísticas avançadas para realizar seu planejamento de elenco e estratégias de jogo. Quanto aos Rays, dá para dizer que nem chegariam aos playoffs se não usassem um apoio pesado da análise de números. É evidente que as estatísticas se tornaram parte fundamental do beisebol, não adianta lutar contra isso.

No entanto, a decisão do técnico dos Rays, Kevin Cash, de substituir o dominante Blake Snell no jogo 6 da World Series não pode ser ignorada. Os números recomendavam a alteração, mas qualquer observador da partida perceberia que o arremessador estava em um dia fora da curva, inclusive de sua curva. Os Dodgers viraram o jogo e fecharam a série a partir dessa alteração, e já há uma discussão forte sobre quando o instinto do treinador pode ser aplicado a despeito das estatísticas.

Atlanta Braves

Os Braves já eram tidos como o time mais talentoso da Liga Nacional depois dos Dodgers. Isso foi confirmado nesta temporada, com desempenho espetacular de Freddie Freeman, Max Fried, Ian Anderson, Travis d’Arnaud e Ozzie Albies, além de momentos explosivos de Ronald Acuña Jr. Na final da Liga Nacional, a equipe da Geórgia ficou a uma vitória de eliminar os futuros campeões e chegar à World Series.

Sinal de que o time realmente é forte e chega como candidato real ao título em 2021? Certamente, mas também fica uma questão: mais uma vez, os Braves mostraram incapacidade de crescer no momento decisivo. Na temporada passada, o Atlanta já era visto como força emergente e falhou nos playoffs, também em uma série que parecia ganha. 

Como a base é jovem, o time deve ser competitivo por alguns anos ainda. Mas a história da franquia já foi marcada por grandes esquadrões que sistematicamente caíam no mata-mata. Talvez seja hora de investir em alguns jogadores pesados para dar mais contundência à equipe.

Houston Astros

Depois do escândalo de roubo de sinais, era evidente que o desempenho dos Astros seria um dos assuntos do campeonato. Na temporada regular, a narrativa de “o Houston só ganhou porque trapaceou” ganhou força. A equipe fez uma campanha bastante apática, ficando abaixo de 50% de aproveitamento e vendo alguns dos jogadores mais importantes, como José Altuve, Alex Bregman e Yuli Gurriel, com estatísticas muito abaixo do que costumam apresentar.

No entanto, os Astros acabaram se classificando aos playoffs devido à fragilidade dos concorrentes em sua divisão. E, no mata-mata, o time ressurgiu. Altuve, Correa e Springer tiveram grandes atuações e o Houston ficou a uma vitória de chegar à terceira World Series em quatro anos. Serviu de alívio, e comprovação de que a franquia até trapaceou, mas o time tem qualidade para ir longe no mata-mata.

Houston Astros celebram corrida durante a World Series de 2017
Houston Astros celebram corrida durante a World Series de 2017 Getty

MLB na TV

A World Series de 2020 teve a pior audiência de sua história na TV americana. Em média, 9,78 milhões de pessoas viram cada partida da decisão da MLB, superando com folga a marca negativa anterior, de 12,64 milhões da final de 2012 entre San Francisco Giants e Detroit Tigers (uma varrida, o que normalmente tira o interesse dos jogos). Sim, isso é uma notícia ruim para o beisebol, então por que o item ficou como “no limbo”.

Os números são baixos na comparação com os anos anteriores, mas a MLB teve indicações positivas também. Os eventos esportivos como um todo tiveram queda brutal de audiência na TV dos EUA neste ano de pandemia. E, na comparação com as finais da NBA, pela primeira (e provavelmente única) vez na história disputada na mesma época do ano e com times de mercados quase iguais (Los Angeles x uma grande cidade da Flórida), a MLB se saiu melhor. A série entre Los Angeles Lakers e Miami Heat teve média de 7,45 milhões de telespectadores.

Além disso, a MLB ainda teve quatro dos cinco eventos esportivos fora da NFL mais vistos na TV americana desde o retorno das ligas após a parada da pandemia. Ou seja, os números absolutos foram ruins, mas o beisebol mostrou força dentro de um ano ruim para o esporte.

EM BAIXA

Kevin Cash

O técnico do Tampa Bay Rays foi um dos melhores da temporada. Manteve sua filosofia de usar as estatísticas como principal fator nas tomadas de decisão durante todo o ano. E, como ocorreu já na temporada passada, teve muito sucesso. Levou os Rays à melhor campanha na temporada regular da Liga Americana e à segunda participação na World Series.

No entanto, isso tudo é meio o que se sabia que ele era capaz de fazer. Quando precisou lidar com uma situação fora do roteiro, como no caso de manter ou não Blake Snell no montinho no jogo 6 da finalíssima, Cash decidiu sacar o arremessador. A decisão era justificável pelos números, nem tanto pelo instinto. E o instinto venceu neste caso: os Rays imediatamente tomaram a virada e o título foi para Los Angeles.

Cash ainda é um dos melhores técnicos da MLB, mas teve de lidar com críticas de seus próprios jogadores após a partida e será visto com desconfiança por torcedores e jornalistas em 2021.

New York Yankees

A MLB viu o surgimento de alguns supertimes nos últimos anos: Astros, Dodgers, Yankees e Red Sox. Era evidente que, deste grupo, o Los Angeles era o que mais tinha urgência pelo título. Investiu fortunas para montar um esquadrão e seguia em uma fila de mais de três décadas. Mas, enfim, esse título veio.

Agora, os Yankees são o único desses supertimes a não conquistou uma World Series nos últimos quatro anos. Pior, a franquia mais rica e vitoriosa do beisebol já passou mais de uma década sem título, sem sequer chegar a uma World Series. O time atual é muito bom, desde já um forte candidato ao título em 2021, mas vai começar a temporada sob uma pressão ainda maior que o normal.

Aaron Judge, principal estrela dos Yankees
Aaron Judge, principal estrela dos Yankees Sean M. Haffey/Getty Images Sport

Boston Red Sox

Sabia-se que os Red Sox teriam uma temporada de baixa. A franquia jogou pesado para reconquistar o título nos últimos anos, e conseguiu o feito em 2018. Para 2020, trocou o general manager, viu seu técnico ser suspenso por um ano pela participação no escândalo de roubo de sinais do Houston Astros (Alex Cora era auxiliar do time texano em 2017) e ainda topou negociar seu melhor jogador, Mookie Betts. 

No entanto, não dava para imaginar que a queda seria tão brutal. O Boston vagou pela temporada em um ambiente melancólico, uma equipe sem rumo que parecia apenas cumprir tabela desde o primeiro jogo da temporada regular. No papel, a equipe ainda tinha capacidade de fazer uma campanha digna e até ficar no pelotão que pegou um dos wildcards da Liga Americana, mas não passou nem perto. Ficou atrás até do Baltimore Orioles, time sabidamente em reformulação total.

Para 2021, Cora estará de volta e os Red Sox terão o retorno de jogadores importantes como Chris Sale (perdeu o ano todo por lesão). Mas talvez a exigente torcida fique uns dois ou três anos vendo a franquia encontrar um novo rumo até voltar a brigar por títulos.

Rob Manfred

A temporada 2020 aconteceu. Foi marcada uma tabela, praticamente todos os jogadores se apresentaram, as partidas foram realizadas, houve playoff -- até com público em parte dele -- e um campeão reconhecido por todos foi consagrado. Isso já é uma ótima notícia para a liga e seu comissário, Rob Manfred. No entanto, todo o resto gera dúvidas a respeito da capacidade do chefão da MLB liderar a liga.

As negociações com os jogadores sobre como seria o acordo financeiro para a disputa da temporada 2020 foi repleta de problemas e acirrou o clima entre liga e sindicato para a renovação do acordo trabalhista no ano que vem. Além disso, foi preciso ocorrer surtos de covid em alguns clubes para que a liga conseguisse mobilizar os jogadores sobre como respeitar os protocolos de saúde durante a temporada regular. E, ainda assim, a MLB teve de ver atletas reclamando -- com razão -- de dividirem hoteis com hóspedes comuns, que não estariam necessariamente respeitando as normas de segurança.

Por fim, Manfred viu a temporada acabar com um caso de Covid-19 que surgiu no meio do que deveria ser uma bolha da MLB em Dallas, com Justin Turner descobrindo seu caso durante a última partida e se negando a manter o isolamento na hora de celebrar o título. 

O comissário terá muito trabalho para retomar sua força aos olhos do público.

Saúde financeira da liga

Segundo cálculos da própria liga, a MLB teve prejuízo de US$ 3,1 bilhões por fazer uma temporada curta e sem público em 2020. Já se imaginava que seria um ano de perdas, mas é inevitável que isso tenha um impacto nos próximos anos: mais dificuldade para negociar o próximo acordo trabalhista, jogadores com salários mais baixos nos novos contratos e busca por novas formas de arrecadação para minimizar as perdas. Em médio prazo, esse prejuízo pode ainda acelerar a busca pela expansão da liga para 32 franquias.

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Balanço: os premiados, quem sai em alta e quem sai em baixa na temporada 2020 da MLB

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Para que times torcem Joe Biden e Kamala Harris

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Uma tradição de presidentes norte-americanos é fazer o arremesso cerimonial na abertura da temporada da MLB, normalmente em seu primeiro ano de mandato e no primeiro jogo em casa do time de Washington. A tradição surgiu com William Taft em 1910, quando o representante da capital no beisebol era o Washington Senators. Desde então, passaram por isso Woodrow Wilson, Warren Harding, Calvin Coolodge, Herbert Hoover, Franklin Roosevelt, Harry Truman, Dwight Eisenhower, John Kennedy, Lyndon Johnson, Richard Nixon, Gerald Ford, Jimmy Carter, Ronald Reagan, George HW Bush, Bill Clinton, George W Bush e Barack Obama. Donald Trump não seguiu a série (ele já fez o arremesso cerimonial, mas em 2006, bem antes de se tornar presidente dos Estados Unidos), mas já está aberto o caminho para Joe Biden retomá-la.

Kamala Harris e Joe Biden
Kamala Harris e Joe Biden Getty Images

Horas após a vitória de a imprensa cravar a vitória de Biden nas eleições, o Washington Nationals postou no Twitter um convite para o futuro presidente fazer o arremesso inaugural da próxima temporada. Na última vez em que isso aconteceu, Obama foi ao montinho com um boné dos Nationals, mas usando uma jaqueta do seu time de coração, o Chicago White Sox (como também é Bears na NFL e Bulls na NBA). O que levanta a questão: para que time torce Joe Biden?


O fato de Obama se identificar como torcedor dos White Sox não foi um problema porque a franquia de Chicago é da Liga Americana e não disputa diretamente nada com os Nationals, não há rivalidade. Mas Biden talvez tenha de pensar duas vezes antes de misturar sua equipe com o Washington.

Biden cresceu em Wilmington, cidade no estado de Delaware próxima a Filadélfia. Além disso, sua mulher, Jill, também é filadelfiana. Com isso, é natural que o presidente eleito adotasse os times da região. 

Ele sempre se mostrou fanático pelo Philadelphia Phillies, rival justamente do Washington Nationals. Antes da abertura da temporada 2020, ele até gravou um vídeo para o time da Filadélfia.

Obs.: Biden também se disse um grande simpatizante do New York Yankees por causa de seu avô, fanático pelo clube nova-iorquino e responsável por sua paixão pelo beisebol. Os Yankees são o time de Donald Trump (assim como o New York Knicks na NBA)

Em 2017, o presidente eleito estava no estádio US Bank, em Minneapolis, durante a vitória do Philadelphia Eagles sobre o New England Patriots no Super Bowl 52.


Outro momento em que o Biden-torcedor foi visto ocorreu no Brasil. Ainda vice-presidente de Obama, ele estava em Natal para ver a vitória dos Estados Unidos sobre Gana na estreia da Copa do Mundo de 2014.


Kamala Harris, a futura vice-presidente, é ainda mais explícita em suas preferências clubísticas. Nascida em Oakland, ela preferiu seguir as equipes do outro lado da baía de São Francisco. Adotou os 49ers na NFL e os Giants na MLB, deixando Raiders e Athletics para trás. 

Na NBA não há polêmica: a região tem apenas um time, e Kamala segue o Golden State Warriors.


No entanto, a vice da chapa vencedora teve uma polêmica no início deste ano. Antes de um debate entre pré-candidatos do Partido Democrata, Kamala chegou ao palco usando um boné do Los Angeles Dodgers, rivalíssimo dos Giants. Ela afirmou que pegou o boné do marido, Doug Emhoff, torcedor dos Dodgers. Inclusive, a imagem da futura vice-presidente usando o boné do rival chegou ao público justamente por meio do Twitter de Emhoff.


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Um guia rápido (e com palpite) para acompanhar a World Series

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
World Series de 2020
World Series de 2020 ESPN

A temporada da MLB chega em seu grande momento. Nesta terça, Los Angeles Dodgers e Tampa Bay Rays começarão a disputa da World Series, a grande final do beisebol. É um momento em que cada torcedor fica a um arremesso ruim de um ataque cardíaco, e, considerando que são dado cerca de 300 arremessos por jogo, dá para imaginar o potencial de emoção dos jogos.

Para você que já está acompanhando ou chegou agora só para ver as finais, aí vai um mini-guia em forma de perguntas e respostas da grande decisão da MLB.

Quais são os times?

Bem, eu já disse lá em cima, né? Mas, vamos lá: Los Angeles Dodgers e Tampa Bay Rays.

Nossa, que coincidência! Essas duas cidades acabaram de ganhar título, né?

Você está esperto! Os Lakers ganharam a NBA há umas semanas e o Lightning ganhou a NHL no finalzinho de setembro.

Já tivemos uma cidade com dois times campeões ao mesmo tempo?

Várias vezes. Já tivemos um caso até de uma cidade ter o título de três ligas ao mesmo tempo. O que nunca teve foi a mesma cidade ganhar dois títulos em um mês, o que vai acontecer agora. Escrevi sobre isso neste link.

Mas, voltando para a World Series, como esses times chegaram à final?

As duas equipes tiveram a melhor campanha na temporada regular em suas ligas. Os Rays tiveram 40 vitórias e 20 derrotas, enquanto que os Dodgers ficaram com 43 e 17. Nos playoffs, o Tampa Bay eliminou Toronto Blue Jays por 2 a 0, o New York Yankees por 3 a 2 e o Houston Astros por 4 a 3. Os Dodgers passaram por Milwaukee Brewers (2 a 0), San Diego Padres (3 a 0) e Atlanta Braves (4 a 3).

Dá para dizer que há alguma surpresa nessa final?

Mais ou menos. Os Dodgers já eram favoritos muito antes de a temporada começar. Os Rays são encarados como zebra por alguns por terem um time barato e não ter tradição, mas a equipe era boa, já vinha de uma ótima campanha em 2019 e muita gente (inclusive eu, deixa eu me gabar um pouco, vai?) a colocava entre as candidatas mais fortes ao título.

Time barato? Como é isso?

Sim! Os Dodgers têm a segunda maior folha salarial da MLB, com US$ 107,9 milhões. Só os Yankees gastaram mais. Os Rays têm a terceira menor, com US$ 28,3 milhões. Só Pittsburgh Pirates e Baltimore Orioles gastaram menos.

Tem algum jogador dos Dodgers que, sozinho, ganhe mais que o Tampa Bay inteiro?

O maior salário dos Dodgers é do arremessador Clayton Kershaw, com US$ 31 milhões. Mas o salário dele não é maior que todo o time dos Rays, porque o valor da resposta anterior já é corrigido para a temporada de 60 jogos. Os US$ 31 milhões do Kershaw estão no contrato, mas valem para um ano normal, de 162 jogos. Com uma temporada de 60 partidas, como foi a de 2020 por causa da parada da pandemia, ele vai ganhar apenas US$ 16,3 milhões.

Ah, então os times tiveram redução salarial com a pandemia?

Isso. Mas a conta foi simples: pegaram o salário integral e pagaram apenas o proporcional pela quantidade de jogos que a temporada teve. A temporada teve 60 jogos, que equivalem a 37% de uma temporada normal de 162 jogos. Então, os jogadores receberam 37% do salário.

Teve mais coisa que mudou com a pandemia?

Várias. Os playoffs estão sendo disputados em bolhas (San Diego e Los Angeles na Liga Americana, Dallas e Houston na Liga Nacional. A World Series é toda em Dallas), a regra do rebatedor designado foi adotada pelas duas ligas neste ano, houve regras para reduzir a duração das partidas na temporada regular e os times tiveram elencos mais cheios, entre outras coisas.

Beleza, mas o que eu tenho de prestar atenção nesta final?

Os dois times adotam largamente as estatísticas para delinear a estratégia de jogo. No entanto, o resultado disso são duas equipes com diferenças razoáveis. Os Dodgers têm um ataque poderoso e valorizam muito os abridores (arremessadores da rotação, os que iniciam os jogos em forma de rodízio). Os Rays têm um ataque que vem jogando mal, mas contam com um bullpen (arremessadores reservas, que entram durante o jogo) bastante confiável e uma defesa capaz de jogadas espetaculares. No papel, os californianos são favoritos. Mas o Tampa Bay é uma equipe bastante inteligente na tática e tentará dar um nó no adversário para levar o título.

Quais os jogadores mais interessantes de cada time?

Nos Rays, o cubano Randy Arozarena vem rebatendo demais, destruindo recordes para jogadores estreantes em uma edição dos playoffs. Também vale ficar atento às jogadas defensivas de Manuel Margot, Willy Adames e Joey Wendle e aos arremessos de Charlie Morton e Tyler Glasnow. Nos Dodgers, o grande nome vem sendo Corey Seager, mas Mookie Betts é capaz de grandes jogadas defensivas e Justin Turner tem sido uma figura importante no ataque, jovens arremessadores como Walker Buehler e Julio Urías estão aparecendo bem. E, claro, vale ficar de olho no que acontece com Clayton Kershaw, um dos grandes arremessadores da história, mas que tem seu legado muitas vezes contestado por não ter uma atuação convincente nos playoffs no currículo.

Quantos títulos esses times já têm?

Os Dodgers têm seis títulos, o último é de 1988. Os Rays nunca foram campeões, têm apenas um vice-campeonato, em 2008.

Já são 32 anos sem título do Los Angeles, hein? É um tabu grande?

A MLB já teve fila de 108 (Chicago Cubs), 88 (Chicago White Sox), 86 (Boston Red Sox) e 77 (Philadelphia Phillies) anos. Atualmente, há uma fila de 72 anos (Cleveland Indians). Nesse aspecto, os 32 anos de jejum dos Dodgers até parecem poucos, mas é uma sequência negativa que incomoda bastante. Sobretudo porque trata-se de uma das franquias mais populares e ricas do esporte americano e já se investiu muito dinheiro para conquistar um título nos últimos anos.

Hmm, achei interessante. Acho que vou torcer pelos Dodgers. Ou tem algo interessante do Tampa Bay levar o título?

Bem, se você gosta do livro ou do filme Moneyball, os Rays são a sua cara. O time segue os mesmos princípios do Oakland Athletics, com o uso de formas inovadoras de avaliar o jogo para montar times competitivos com pouco dinheiro. E, hoje, o Tampa é mais bem sucedido nisso do que os A’s. Se você quiser ver mais do sistema adotado pelos Rays, tem o livro “The Extra 2%: How Wall Street Strategies Took a Major League Baseball Team from Worst to First” (“Os 2% Extra: Como Estratégias de Wall Street Levaram um Time da MLB de Pior para Melhor”), de Jonah Keri. Não foi publicado em português.

Quando são os jogos?

Anota aí: 20 (terça), 21 (quarta), 23 (sexta), 24 (sábado), 25 (domingo), 27 (terça) e 28 (quarta) de outubro, sempre às 21h. Evidentemente, os jogos dos dias 25, 27 e 28 só serão realizados se a série não for concluída até lá.

A ESPN vai passar todos os jogos?

Claro!

Legal! E qual seu palpite?

Acho que os Dodgers levam por 4 a 2.

Fonte: Ubiratan Leal

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Tampa e Los Angeles brigam para ter dois títulos ao mesmo tempo. Quando aconteceu antes?

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Edmonton, Canadá, 28 de setembro. O Tampa Bay Lightning bate o Dallas Stars por 2 a 0 e conquista a Stanley Cup ao fechar a série decisiva por 4 a 2. Foi o segundo título da equipe da Flórida na NHL.

Orlando, Estados Unidos, 11 de outubro. O Los Angeles Lakers vence o Miami Heat por 106 a 93 e leva o título da NBA. Foi o 17º troféu da franquia, igualando o Boston Celtics como os maiores campeões no basquete americano.

Da esq. à dir. - Steven Stamkos, Nikita Kucherov e Victor Hedman, do Tampa Bay Lightining, com a Stanley Cup da NHL
Da esq. à dir. - Steven Stamkos, Nikita Kucherov e Victor Hedman, do Tampa Bay Lightining, com a Stanley Cup da NHL Getty

As duas metrópoles comemoraram bastante as conquistas, mas já estão de olho na possibilidade de uma segunda. Tampa Bay Rays e Los Angeles Dodgers estão nas finais de liga na MLB. Como a World Series terá sua decisão entre os dias 25 e 28 de outubro (depende de ser decidida em 5, 6 ou 7 partidas), é possível que um mercado conquiste dois títulos em menos de 30 dias. Já aconteceu antes? E já tivemos casos de cidades com títulos de mais de uma liga ao mesmo tempo?

A resposta à primeira pergunta é mais simples: nunca ocorreu de uma região metropolitana conquistar dois títulos em menos de 30 dias. Isso só seria possível se o mesmo mercado vencesse a NHL e a NBA ao mesmo tempo, pois as duas ligas costumam terminar em junho (a NFL encerra a temporada em janeiro ou fevereiro e a MLB, em outubro). Incrivelmente, hóquei no gelo e basquete nunca tiveram campeões da mesma cidade ao mesmo tempo.

Em 2020, com a pandemia, a final da NHL e da NBA foram empurradas para outubro, coincidindo com a decisão do beisebol. Isso criou uma nova possibilidade, e é nessa brecha que a Baía de Tampa (aqui vale a região pq o ginásio do Lightning e o estádio dos Rays ficam em municípios diferentes dentro da mesma conurbação) e Los Angeles podem entrar.

No entanto, a pergunta se já houve casos de a mesma cidade ter título de mais de uma liga ao mesmo tem resposta bem diferente. Há um caso único de cidade que teve três ligas ao mesmo tempo: Detroit em 1935, acumulando os troféus da World Series de 1935, a NFL (ainda antes do Super Bowl) e a Stanley Cup em 1936. Boston teve a chance de repetir o feito no ano passado, mas o St. Louis Blues frustrou a torcida bostoniana ao bater os Bruins na decisão da NHL.

Leia mais: Boston tem chance de repetir feito de 80 anos atrás: ser campeã de três ligas ao mesmo tempo

Mas ganhar dois títulos ao mesmo tempo, como tentam a Baía de Tampa e Los Angeles, é mais comum. Ocorreu várias vezes, com regiões tradicionalmente muito vitoriosas como Nova York e Pittsburgh e até com outras de sucesso mais esporádico, como Baltimore.

Veja a lista (em parênteses, as ligas conquistadas na ordem em que os títulos vieram):

- NOVA YORK  NOVA JERSEY: 1938-39 (MLB e NFL), 1956-57 (MLB e NFL), 1969 (NFL e MLB), 1969-70 (MLB, mesmo título da série anterior, e NBA) e 2000 (NHL e MLB), 

- CHICAGO: 1934 (NFL e NHL) 

- DETROIT: 1954 (NFL e NHL)

- BALTIMORE: 1970-71 (MLB e NFL)

- PITTSBURGH: 1979-80 (NFL e MLB, e depois o bi da NFL substituindo o título anterior na série) e 2009 (NFL e NHL)

- LOS ANGELES: 1981-82 (MLB e NBA), 1988 (NBA e MLB) e 2002 (NBA e MLB)

- SÃO FRANCISCO / OAKLAND: 1989-90 (MLB e NFL)

- BOSTON: 2004 (NFL e MLB, e depois o bi da NFL substituindo o título anterior na série) e 2007-08 (MLB e NBA)

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Tampa e Los Angeles brigam para ter dois títulos ao mesmo tempo. Quando aconteceu antes?

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Playoffs da MLB: um guia rápido para entender o que vai rolar

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
[]

Foi muito rápido. A temporada regular da MLB mal começou e já estamos nos playoffs. Claro, consequência das adaptações exigidas pela pandemia de Covid-19. Mas o mata-mata começa nesta terça-feira com quatro séries pela Liga Americana. Nesta quarta começa a pós-temporada da Liga Nacional.

Em uma temporada sui generis, os playoffs também estão diferentes. Por isso, veja um guia rápido para não se perder nas novidades e entender o que vai acontecer.

Quem se classificou?

São 16 times nos playoffs: Atlanta Braves, Chicago Cubs, Chicago White Sox, Cincinanti Reds, Cleveland Indians, Houston Astros, Los Angeles Dodgers, Miami Marlins, Milwaukee Brewers, Minnesota Twins, New York Yankees, Oakland Athletics, San Diego Padres, St. Louis Cardinals, Tampa Bay Rays e Toronto Blue Jays

Qual o formato?

São oito equipes na Liga Nacional e oito na Americana. Em cada liga, os times farão quartas de final (chamada de “séries de wildcard”) em melhor de três jogos (todos na casa do cabeça de chave), semifinal (“séries de divisão”) em melhor de cinco e final (“final da liga”) em melhor de sete. O campeão de cada lado vai para a World Series, em melhor de sete partidas.

E quais são os confrontos?

Na Liga Americana, Indians x Yankees, Rays x Blue Jays, Athletics x White Sox e Twins x Astros. Na Liga Nacional, Dodgers x Brewers, Padres x Cardinals, Braves x Reds e Cubs x Marlins.

Hmmmm, está diferente do ano passado. Vai ser assim a partir de agora?

Em princípio, não. O formato foi criado para dar mais chances as equipes, que poderiam ser prejudicadas pelo fato de a temporada regular ter apenas 60 jogos, menos da metade da duração de uma temporada regular em ano sem pandemia (162). Em teoria, volta ao normal em 2021, apesar de já existir especulações de que a MLB pretende mudar o formato do mata-mata e, se houver boa aceitação ao sistema de 2020, é capaz de ele ser mantido ou inspirar a nova versão.

Ah, você disse que as primeiras séries serão na casa do time de melhor campanha. E depois, o time de melhor campanha passa a ter vantagem do mando ou faz todos os jogos em casa? 

Nem uma coisa, nem outra. A primeira fase dos playoffs dá ao cabeça de chave o direito de receber todas as partidas. Mas, a partir da etapa seguinte, os times vão para bolhas. A Liga Nacional realizará seus jogos no Texas, nos estádios de Dallas (Texas Rangers) e Houston (Astros). A Liga Americana será disputada no sul da Califórnia, em Los Angeles (estádio dos Dodgers) e San Diego (Padres). A World Series será em Arlington, região metropolitana de Dallas.

Quem são os favoritos?

Os times considerados mais fortes antes da temporada -- Dodgers e Yankees -- continuam bastante cotados para conquistar o título. No entanto, a temporada fez que Rays e Padres também se tornassem candidatos reais a levar a World Series. Entre as equipes que podem surpreender estão Reds, Braves, Athletics, White Sox e Twins.

O novo formato muda alguma coisa?

Muda em vários aspectos. A primeira fase em melhor de três permite muita surpresa. Um time limitado que tenha dois arremessadores espetaculares na rotação é capaz de conseguir duas vitórias contra qualquer adversário. Por isso, as chances de Indians, Reds e Marlins contra Yankees, Braves e Cubs são bem razoáveis, muito maiores do que seriam em melhor de cinco ou melhor de sete. Além disso, só haverá dias de folga entre uma série e outra. Ou seja, séries que forem para cinco, seis ou sete jogos se tornarão maratonas, desgastando as equipes e exigindo muito cuidado no gerenciamento dos arremessadores, seja da rotação, seja do bullpen.

Os canais esportivos Disney transmitirão as partidas?

Sim, todos os jogos serão transmitidos em alguma plataforma, entre os canais ESPN e Fox Sports e o ESPN App.

Fonte: Ubiratan Leal

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Acha que as grandes ligas americanas sofrem com a pandemia? Então veja a NCAA

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Clemson x Alabama
Clemson x Alabama Getty Images

NBA e NHL têm meses de paralisação, depois voltam com calendário reduzido justamente na reta final da temporada regular e fazem os playoffs em bolhas de operação milionária. A MLB também paralisou, reduziu sua temporada regular a um terço do normal e improvisará uma bolha também para o mata-mata. A NFL ainda manteve o calendário, mas prejudicou a preparação dos atletas e viu estrelas pedirem dispensa. Ah, e todas elas perdendo milhões e milhões em bilheteria com partidas de portões fechados ou com enorme restrição de público.

Sim, o esporte americano está sofrendo com a pandemia. Mas isso parece o resfriado da estação perto do que está ocorrendo no esporte universitário. Onde o impacto é enorme nas competições em si, com o agravante que os atletas ainda estão em formação e podem perder um ano precioso de seu desenvolvimento.

O basquete foi a primeira vítima de peso. A pós-temporada foi cancelada em cima da hora, durante as finais de conferência e semanas antes do bilionário March Madness. Isso tirou uma receita gigantesca das universidades e a última chance dos jogadores de mostrar seu potencial para o draft.

Obs.: no meio disso, toda a temporada do beisebol universitário também foi cancelada. Mas o impacto econômico dela é bem menor

O golpe nos programas esportivos da universidade já foi grande. Mas aí veio a segunda onda da pandemia nos Estados Unidos, que coincidiu com a temporada do futebol americano.

A NCAA começou a trabalhar para realizar a temporada do futebol americano. É a modalidade mais lucrativa do esporte universitário e ajudaria a atenuar as perdas pelo cancelamento do basquete. No entanto, havia muitas dúvidas sobre a capacidade de realizar um campeonato com segurança para as gigantescas delegações das equipes em cada partida.

Em agosto, algumas conferências anunciaram a intenção de adiar suas temporadas de futebol americano para disputá-la apenas no primeiro semestre de 2021. Entre essas, estavam duas das chamadas Power Five, o grupo de conferências mais poderosas: Big Ten e Pac-12. A Big Ten voltou atrás e decidiu organizar uma temporada reduzida, com início em outubro. Ainda assim, a saída da Pac-12 tirou equipes tradicionais como UCLA, USC, Cal-Berkeley, Oregon e Stanford da disputa.

Isso não significa que está tudo bem com o resto do campeonato, incluindo as outras três do Power Five, ACC, SEC e Big 12. Elas reorganizaram seu calendário para que as equipes enfrentem apenas adversários dentro das conferências, evitando longas viagens. O custo de deslocamento também diminui, mas a conta fica no vermelho, pois vários confrontos lucrativos entre gigantes de conferências diferentes foram cancelados.

Até o momento, a expectativa é que a pós-temporada seja realizada. Claro, com restrição de público e dentro das limitações impostas pelas mudanças dentro de cada conferência. No entanto, é evidente que o esporte universitário americano está perdendo bilhões de dólares. Nesse cenário, como fazer a conta fechar?

Quando se fala em NCAA, imagina-se automaticamente o futebol americano e o basquete, talvez beisebol e softbol. O que nem sempre é lembrado é que os lucros dessas modalidades ajudam também a sustentar as dezenas de modalidades deficitárias, que são mantidas por tradição e uma compreensão do papel social e educativo que o esporte tem na educação.

Devido às perdas com a pandemia, as universidades cancelaram programas esportivos de esportes como vôlei, luta, atletismo, ginástica artística, natação, rugby, futebol, tênis, golfe, esgrima, remo, lacrosse, tiro e polo aquático, entre outras. Os estudantes-atletas tiveram suas bolsas de estudos preservadas e ao menos poderão concluir seu curso superior, mas estão sem o treinamento de alto nível que recebiam. E muitos nem sabem se esses programas voltarão tão cedo.

Cesar Cielo com as medalhas conquistadas nos Jogos Olímpicos de 2008
Cesar Cielo com as medalhas conquistadas nos Jogos Olímpicos de 2008 Getty

Quão forte é essa preparação? Bem, Cesar Cielo defendeu a natação da Universidade de Auburn de 2005 a 2007. Em 2008, foi medalha de ouro nos 50 metros nado livre nos Jogos Olímpicos de Pequim. No Mundial do ano seguinte, foi ouro nos 50 e nos 100 metros livre. Dividiu o pódio com o francês Frédérick Bousquet, prata nos 50 e bronze nos 100 metros e ex-colega do brasileiro na equipe de Auburn.

Por isso, o grande impacto da pandemia no esporte universitário americano nem é no basquete e no futebol americano, mas nas centenas de atletas de alto nível em esportes olímpicos que finalizam sua preparação em algum programa da NCAA. Para esses, a torcida é para que o dinheiro da bola oval e da bola laranja voltem a entrar, até o ponto de novamente sobrar alguma coisa para os programas secundários.

Fonte: Ubiratan Leal

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Acha que as grandes ligas americanas sofrem com a pandemia? Então veja a NCAA

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A MLB enfim adota uma 'bolha'

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

A informação havia vazado na última semana, mas a confirmação veio apenas na última terça-feira. A Major League Baseball vai entrar em uma “bolha” para encerrar sua temporada. A partir da segunda fase dos playoffs, os times se dividirão entre dois locais, onde ficarão confinados dentro do circuito hotel-estádio até o último jogo da World Series.

Veja o formato:

- A primeira fase de playoffs, criada especialmente para a temporada 2020, será em séries melhor de três com todas as partidas no estádio do cabeça de chave (campeões de divisão e o melhor segundo colocado);

- A partir da série de divisão (semifinal de liga), as equipes da Liga Nacional se deslocarão para o Texas, onde jogarão no estádio do Texas Rangers -- na região metropolitana de Dallas -- ou no do Houston Astros. As equipes da Liga Americana vão para o sul da Califórnia, atuando no estádio do Los Angeles Dodgers ou no do San Diego Padres;

- As finais de liga serão nos estádios de Rangers e Dodgers;

- A World Series será no estádio dos Rangers.

No ponto de vista da operação dentro da bolha, será um sistema mais parecido com o da NHL do que o da NBA. Ao invés de deixar todos os profissionais envolvidos dentro de um complexo, como no basquete, o beisebol deixará elencos, comissões técnicas, delegados e outras pessoas ligadas aos jogos em hoteis, que atenderão apenas à MLB. Os atletas poderão receber visitas de seus familiares, que terão de passar por exames de COVID-19 e quarentena.

Ele enterrou a cara no chão e ainda aguentou seu companheiro descontrolado rindo da sua desgraça

A solução adotada pela MLB foi engenhosa, sobretudo na escolha das sedes. Dividir a operação em dois estádios por bolha eliminam as rodadas duplas, permitindo que os times treinem no local das partidas, eliminando a necessidade de estruturas específicas para treinamento. 

Além disso, a escolha de duas arenas da Liga Nacional para os jogos da Liga Americana e vice-versa acaba com qualquer possibilidade de uma equipe se beneficiar por conhecimento prévio do campo. E a preferência por Texas e sul da Califórnia se justifica pelo clima nas duas regiões, mais quente em outubro e novembro (para o caso de algum adiamento por casos de Covid-19).

Vista aéra do Dodger Stadium
Vista aéra do Dodger Stadium Getty

No entanto, a operação não será tão simples quanto a MLB quer fazer parecer. Ainda que a liga fale em duas bolhas, na prática são quatro (Los Angeles, San Diego, Dallas e Houston), pois as distâncias entre Los Angeles e San Diego e entre Dallas e Houston são grandes o suficiente para ser impraticável deixar todos os jogadores no mesmo hotel, por exemplo. Além disso, esse formato exigirá que os times viagem ao final de cada série, aumentando o risco de a bolha furar.

Ainda assim, será uma operação de quatro semanas apenas, muito menos do que a bolha criada pela NBA e a da NHL. Desse modo, a chance de ela funcionar bem o suficiente para encerrar o campeonato sem sobressaltos é grande. O que já seria uma vitória para uma temporada tão afetada pela pandemia de coronavírus.

Fonte: Ubiratan Leal

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Fechamento do mercado reforçou o recado: os Padres são candidatos ao título, sim

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
San Diego Padres
San Diego Padres Getty Images

O San Diego Padres foi fundado em 1969. São 51 anos de vida e o máximo que o time conseguiu foi aparecer duas vezes na World Series. Mas nem dá para dizer que sentiu o gosto do título: perdeu para o Detroit Tigers por 4 a 1 em 1984 e foi varrido pelo New York Yankees em 1998. Contando a partir da série contra os nova-iorquinos, os Padres perderam 10 dos 11 jogos de playoffs que disputaram. 

Tudo bem, ficar sem título não é o fim do mundo para uma franquia de cinco décadas. O Texas Rangers é mais antigo e também tem apenas dois vices. O Milwaukee Brewers tem a mesma idade e chegou à World Series apenas uma vez. E tem o Seattle Mariners, alguns anos mais novo, mas que sequer tem um título de sua liga. A questão é que os Padres são azarados até naqueles momentos pontuais de comemoração ao longo do ano. Por exemplo, são a única franquia de toda a MLB que nunca conseguiu um no-hitter. E a única a saber qual a sensação de ceder um home run para Bartolo Colón.

É compreensível o torcedor dos Padres ficar desconfiado, achar que algo dará errado. Mas há bons motivos para acreditar que o título é possível já em 2020, mas também estaria no horizonte no futuro próximo. Nos últimos anos, o San Diego reestruturou suas categorias de base, reunindo um grupo de promessas -- Fernando Tatis Jr, Chris Paddack, Jake Cronenworth -- que poderiam recolocar a franquia nos playoffs, o que não ocorre desde 2006. Para dar mais força ao grupo, a direção contratou jogadores mais rodados, como Eric Hosmer e Manny Machado.

Com essa base, os Padres despontaram como uma força na encurtada temporada 2020. O ataque é explosivo, com a liderança em home runs e em corridas impulsionadas, o segundo melhor aproveitamento no bastão e o terceiro melhor percentual em base de toda a MLB. Consolidou-se na segunda posição da Divisão Oeste da Liga Nacional (atrás apenas do supertime do Los Angeles Dodgers) e a vaga no mata-mata está bastante próxima.

O cenário, porém, ficou ainda melhor após o fechamento da janela de transferências da MLB em 31 de agosto. Os Padres foram, talvez ao lado do Toronto Blue Jays, os grandes vencedores do dia. O elenco conseguiu o reforço de Mitch Moreland, um confiável e experiente primeira base, e Austin Nola, um dos catchers com mais qualidades com o bastão. Além disso, melhorou significativamente seu grupo de arremessadores, ponto fraco da equipe, com o abridor Mike Clevinger e o reliever Trevor Rosenthal.

Beisebol é um esporte traiçoeiro e o desempenho dos jogadores podem oscilar bruscamente de um dia para o outro, mas, em teoria, os Padres ficaram com uma equipe bem acertada. Para melhorar, esses reforços têm contratos que vão além desta temporada, podendo render ao time californiano por futuras temporadas. E o custo de todos esses reforços: várias promessas da base, mas nenhuma delas ranqueada entre as dez melhores do San Diego. Ou seja, os melhores garotos ainda estão sob controle do clube.

De acordo com o site Fangraphs, um dos mais importantes no uso de estatística para avaliação da MLB, essas movimentações no mercado fizeram os Padres aumentarem em 1,4 ponto percentual (chegando a 98% agora) a chance de ir aos playoffs, terceiro maior salto do fechamento da janela. A possibilidade de chegar à World Series cresceu 0,6 ponto percentual, o segundo maior da MLB.

O cenário é cruel com os Padres porque estão na mesma divisão dos Dodgers, melhor time da MLB no momento e que também conta com margem para seguir competitivo por alguns anos. Mas o San Diego entrou na briga.

Fonte: Ubiratan Leal

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A MLB levou o título de polêmica mais estúpida da semana nos esportes americanos

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Fernando Tatis Jr.
Fernando Tatis Jr. Getty


Fernando Tatís Jr vai ao bastão na oitava entrada. Seu San Diego Padres está com a vitória bem encaminhada sobre o Texas Rangers, graças a ele ele próprio, que rebateu um home run de três corridas no turno ofensivo anterior e deixou o placar em 10 a 3. O duelo começa bem para o time californiano, com o arremessador Juan Nicasio mandando três bolas fora da zona de strike. Em seguida, manda uma bem no meio, para tentar se recuperar na contagem. Mas Tatís não fica parado: ele rebate, e rebate longe. Grand slam, 14 a 3 Padres.

Em príncípio, o clímax de uma grande atuação do shortstop do San Diego. Ele ficou a uma base ocupada a mais na sétima entrada de igualar o pai, que rebateu dois grand slams no mesmo jogo (ambos na mesma entrada, inclusive) em 1999. Mas foi o início de mais uma das polêmicas mais estúpidas e nocivas dos esportes americanos: as regras não escritas do beisebol.

Os Rangers consideraram a atitude de Tatís desrespeitosa. Seu time já vencia com folga, o jogo estava perto do final e a contagem era muito negativa para Nicasio, que seria obrigado a arremessar uma bola bem dentro da zona de strike. Para o time texano, não haveria necessidade de ir para a rebatida nessa situação, teria sido uma atitude egoísta de um jogador que quer aparecer às custas de um adversário já no chão.

Logo após o grand slam de Tatís, Nicasio foi substituído. Em seu primeiro arremesso, Ian Gibault mandou a bola por trás de Manny Machado, atitude sabidamente considerada um aviso de “eu gostaria de mandar ela direto em você, da próxima vez eu posso fazer isso”. Depois da partida, Chris Woodward, técnico dos Rangers, criticou o comportamento de Tatís. Jayce Tingler, treinador dos Padres que trabalhou entre 2015 e 19 na franquia texana, fez coro e também considerou errada a decisão de seu jogador. Tatís acabou pedindo desculpas.

Bobagem, uma tremenda bobagem.

Tatís não fez nada de errado. Ele apenas fez o que deve fazer: continuou jogando e se divertindo. Talvez a comemoração dele tenha sido um pouco exagerada considerando que o jogo já estava ganho, mas isso é algo menor. De resto, ele apenas mostrou como grandes jogadores -- e o shorstop dos Padres é um dos maiores talentos da nova geração -- podem dar grandes espetáculos no diamante. A torcida do San Diego certamente adorou.

As “regras não escritas” estão entre as coisas que mais atrapalham a inserção do beisebol com as novas gerações. Jogadores são coibidos de mostrar o quanto estão empolgados e se divertindo, algumas demonstrações de talentos são vistas como tentativa de humilhar o adversário e dar show é desrespeitar a modalidade. Tudo vai ao contrário do que a nova geração quer ver de seus ídolos. Não à toa, o basquete cresce cada vez mais.

Menos mal que há cada vez mais vozes contra esse tipo de cultura. Trevor Bauer, do Cincinnati Reds, incentivou Tatís a fazer isso novamente. E que ele, como arremessador, não se sentiria desrespeitado ou humilhado. Está certo. Não é humilhação.

De resto, se o Texas Rangers ou qualquer outro time se sente constrangido pelo que aconteceu, aí vão algumas dicas de como evitar isso. Formas muito melhores do que dar bolada que pode machucar colegas de profissão.

1) Não tome 10 a 3;

2) Não comece o duelo com 3 arremessos fora da zona de strike;

3) Se ficar com a contagem 3-0, não mande o próximo arremesso no meio da zona de strike.

No final das contas, o que seria mais um grand slam (quase todo dia há um na MLB, seria rapidamente esquecido) virou assunto de uma semana inteira. E todo mundo acabou vendo ainda mais o que fez Tatís, a lavada que os Rangers tomaram, e o arremesso ruim de Nicasio.

Obs.: nos dois dias seguintes, os Padres voltaram a vencer os Rangers rebatendo grand slams nas duas partidas. Foi apenas a quinta vez na história que um time rebate grand slams em três jogos seguidos

Fonte: Ubiratan Leal

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Por que a NFL e a MLB não fazem bolhas como a NBA e a NHL

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Disney, em Orlando, receberá o restante da temporada da NBA
Disney, em Orlando, receberá o restante da temporada da NBA Divulgação


Dezenas de times viajando pelos Estados Unidos. Reunindo-se em centros de treinamento e estádios, em aeroportos e hotéis. A MLB decidiu encarar o desafio de realizar sua temporada nessas circunstâncias, as mesmas que a NFL enfrentará a partir de setembro. Que são as mesmas do futebol nos campeonatos nacionais da Europa e mesmo do Brasil, diga-se. Mas, no beisebol, começou a dar problema. Miami Marlins e St. Louis Cardinals tiveram surtos de covid-19 na delegação e veio a pergunta: por que não fizeram uma “bolha”, como a NBA e a NHL?

O conceito de “bolha” apareceu primeiro na China, como possível solução para conclusão da liga chinesa de basquete. A ideia era colocar todos os times em uma ou duas cidades, que receberiam todas as partidas restantes da temporada. Hotéis e ginásios utilizados seriam todos higienizados, e os atletas passariam por testes frequentes e ficariam em isolamento social, indo apenas do hotel para o ginásio, do ginásio para o hotel. Com isso, todos estariam em ambientes livre do coronavírus e a chance de contaminação entre as pessoas envolvidas na disputa e operação dos jogos seria muito menor.

A NBA embarcou na ideia e fez sua bolha no ESPN Wide World of Sports, dentro do complexo da Disney em Orlando, Flórida. O mesmo espaço é utilizado também pela MLS. A WNBA escolheu outro espaço, também na Flórida, e a NHL foi para o Canadá, com estruturas em Toronto e Edmonton. A Copa do Nordeste escolheu Salvador para concluir sua edição 2020. Até a Uefa fará isso, com a reta final da Champions League concentrada em Lisboa e da Liga Europa no leste da Alemanha.

Mas há uma questão fundamental nessas competições: elas já estavam em andamento e precisavam apenas completar seu calendário. Não é o que ocorre na MLB e na NFL. Em ambos os casos, a perspectiva seria de realizar o campeonato inteiro (seja ele na versão integral ou em uma versão reduzida) na pandemia.

A demanda por uma “bolha” para o beisebol e o futebol americano seria muito maior em diversos aspectos:

- Na comparação com basquete e hóquei no gelo (mas nem tanto com o futebol), as delegações de beisebol e futebol americano são muito maiores e exigiriam muito mais infraestrutura para receber todos os times em apenas um ou dois locais;
- Como a temporada inteira será na pandemia, a “bolha” precisaria funcionar por muitos meses e a chance de ela acabar furando em algum momento seria maior;
- Com uma temporada longa dentro da bolha, o esforço de milhares de pessoas (não apenas atletas, mas funcionários de arenas esportivas e hotéis, jornalistas, funcionários dos clubes) para lidar com o confinamento seria muito grande, e muitos não estariam dispostos a ficar tanto tempo longe da família;
- Beisebol e futebol americano são esportes de partidas longas, é mais difícil programas quatro ou cinco partidas em sequência no mesmo campo. O máximo que daria seriam rodadas triplas, o que exigiria a utilização de muitos estádios com infraestrutura de alto padrão no mesmo lugar.

A MLB até teria opções, e por isso considerou a ideia de usar a bolha. Metade dos times têm centro de treinamento com campos oficiais no Arizona e a outra metade tem na Flórida. Com algum esforço, seria possível reunir todas as equipes na região metropolitana de Phoenix ou dividir a liga em duas bolhas. Mas os planos ruíram diante da mobilização operacional necessária e da falta de disposição dos jogadores em ficarem confiados por quatro ou cinco meses (no final das contas, a temporada durará só três meses, mas a perspectiva quando se discutia a bolha do beisebol era de retornar em junho ou começo de julho). Para piorar, Arizona e Flórida se tornaram centros tardios da pandemia, acabando de vez com qualquer proposta de bolha.

Na NFL, o desafio é muito maior. Na questão de estádios, até seria possível pensar em dividir os 32 times em duas regiões e aproveitar arenas da NFL e da NCAA. A Califórnia -- tanto em Los Angeles / San Diego quanto em São Francisco / Oakland -- seria uma opção interessante. O Texas também teria infraestrutura para as partidas. O problema é o tamanho da operação.

Uma delegação de NFL tem centenas de pessoas. Mesmo com otimização de pessoal, com alguns trabalhando remotamente, seriam mais de 100 indivíduos por time precisando de hospedagem, transporte e circular dentro do estádio. A tabela também é um problema, pois o futebol americano é uma modalidade fisicamente brutal, que exige muitos dias de descanso entre cada jogo. Inviável apertar o calendário para reduzir a duração da temporada como as outras ligas fizeram. Ou seja, a temporada longa é praticamente inevitável, o que exigiria muito esforço operacional e pessoal de todos os envolvidos.

Resta à MLB e à NFL contar com o protocolo e sorte. No beisebol, há forte suspeita que os surtos em dois times surgiram depois de atletas abandonarem seus hotéis para sair na rua, indo a restaurantes e até a cassinos. A liga reforçou a ordem de que os jogadores precisam praticar o distanciamento social mesmo quando estiverem viajando com suas equipes. A NFL tem o mesmo desafio, sendo que há mais dias de folga entre uma partida e outra -- e mais oportunidades de alguém sair do isolamento.

Resolveram correr o risco de ficar fora da bolha. Que saibam lidar com isso.

Fonte: Ubiratan Leal

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Por que a NFL e a MLB não fazem bolhas como a NBA e a NHL

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A MLB tentou conviver com o vírus por perto, e agora está no limite de suspender a temporada

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Marlins na MLB
Marlins na MLB Getty Images

A Major League Baseball estudou diversas opções, inclusive de criar uma ou duas bolhas, mas concluiu que o mais viável era disputar sua temporada com os times em suas cidades e estabelecer uma série de regras para que todos os envolvidos ficassem distantes da Covid-19. Uma semana após o início da temporada, um time já teve um surto interno, outros já tiveram casos, partidas foram adiadas, a tabela foi refeita e a pergunta já surgiu: “o que precisa acontecer para a temporada parar de vez?”.

Resposta: a liga não tem a menor ideia. Rob Manfred, o comissário da MLB, parece não ter considerado fortemente essa hipótese. E todo o procedimento da entidade, dos clubes e dos jogadores levavam isso em conta. O protocolo de segurança foi divulgado, listando uma série de procedimentos para viagens, estadia em outras cidades, treinos e jogos. Testes eram feitos a cada dois dias e, quando alguém dava positivo, era afastado como se tivesse uma lesão.

Até aí, não era muito diferente do que estamos vendo em outras competições. Inclusive no futebol brasileiro. Até que veio o Miami Marlins. Após uma partida contra o Philadelphia Phillies no último sábado, o time teve quase 20 resultados positivos entre jogadores e comissão técnica praticamente de uma vez (alguns casos foram conhecidos um ou dois dias depois).

Isso mudou toda a abordagem da liga. Teoricamente, o protocolo tinha mecanismos para os times seguirem na disputa mesmo neste cenário. Cada franquia conta com uma lista de atletas para serem acionados em uma emergência, o que seria suficiente para recompor o elenco dos Marlins. Mas isso funcionava bem no papel, a vida real é mais complicada.

Uma coisa é continuar sua vida -- e seu trabalho -- quando há um caso de Covid-19 no grupo. Outra é quando mais da metade da equipe foi infectada. Os Marlins ficaram de quarentena na Filadélfia. Os Phillies também passaram por vários testes para conferir se não tinham sido infectados também. E o estádio em que ambos se enfrentaram -- sobretudo o vestiário do time visitante -- teve de ser higienizado intensamente para que outro time (New York Yankees) pudesse ocupá-lo nos dias seguintes.

No final das contas, os confrontos entre Yankees e Phillies foram adiados, assim como Orioles x Marlins e Washington Nationals x Marlins. Para não ficarem ociosos, Yankees e Orioles tiveram uma série antecipada, mas já se vê um efeito cascata na tabela. Para piorar, nesta sexta houve casos positivos no St. Louis Cardinals, adiando a partida desta sexta contra o Milwaukee Brewers.

Claramente o sistema idealizado pela MLB não está funcionando. Imaginavam que casos isolados provocariam apenas afastamento de atletas, não que fosse necessário colocar elencos inteiros de quarentena. E não há um plano B muito claro. A liga pensa em realizar várias rodadas duplas no final da temporada para repor os jogos e houve até especulação que algumas equipes ficariam com menos jogos que outras, definindo a classificação pelo aproveitamento (e não por vitórias).

Nesta sexta, Manfred enviou um recado a Tony Clark, presidente do sindicato de jogadores. A mensagem alertava para a necessidade de os atletas respeitarem com mais rigor os protocolos estabelecidos, ou a temporada teria de ser suspensa de vez. Basicamente, o comissário da liga insinua que os jogadores não estão cumprindo os procedimentos recomendados, e isso estaria facilitando a entrada do coronavírus na MLB.

É bem possível que os atletas realmente tenham parte da culpa. Tanto que a liga havia reforçado na última quarta que os jogadores não podem deixar seus hotéis quando estiverem atuando fora de casa, o que indicaria que alguns ou vários estariam indo às ruas em dias de partidas como visitante. Mas também é difícil acreditar que essa seja a única causa, e que eventualmente os clubes também estejam falhando na aplicação de procedimentos de higienização das instalações e de distanciamento de seus profissionais.

Nesse ambiente, a próxima semana é chave para o prosseguimento da temporada. Se tivermos alguns dias sem novos casos de Covid-19, é sinal de que o alerta pode ter funcionado e a bolha talvez tenha sido reconstruída. Mas já dá uma sensação forte de que a MLB deveria ter investido na formação de uma bolha como a NBA, a MLS e a WNBA.

Obs.: ah, e o que está acontecendo com o beisebol já deveria soar um alarme do tamanho do estádio do Dallas Cowboys na NFL, porque os desafios talvez sejam ainda maiores no futebol americano

Fonte: Ubiratan Leal

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A MLB tentou conviver com o vírus por perto, e agora está no limite de suspender a temporada

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Como a MLB decidiu mudar o regulamento do campeonato duas horas antes do jogo de abertura

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Yankees e Nationals abriram a MLB na quinta
Yankees e Nationals abriram a MLB na quinta ob Carr/Getty Images

Rodada dupla de futebol em Salvador. O Bahia recebe o Bangu, em seguida o Vitória enfrenta o América carioca. O Campeonato Brasileiro de 1988 começava em uma sexta à noite e as equipes ainda não sabiam o que deveriam fazer se alguma partida terminasse empatada. O que aconteceu nos dois jogos. Na dúvida, os times seguiram a informação passada pela CBF e realizaram disputa de pênaltis. Sim, o torneio começou e apenas horas antes do pontapé inicial foi definido um item importante do regulamento: que as vitórias valeriam 3 pontos, empate com vitória nos pênaltis valeriam 2, empate com derrota nos pênaltis valeriam 1.

Esse tipo de coisa não surpreende quando se fala de futebol no Brasil. Mas aconteceu nesta quinta, em uma das normalmente elogiadas ligas norte-americanas: a Major League Baseball. A temporada 2020 começou às 20h (horário de Brasília) desta quinta. Apenas duas horas antes surgiu a informação de que sindicato de jogadores e a liga haviam chegado a um acordo sobre uma mudança no formado dos playoffs, aumentando de 10 para 16 os participantes do mata-mata.

Agora, se classificarão os dois primeiros de cada divisão e mais dois times de cada liga (Nacional e Americana) de melhor índice técnico. Essas equipes farão as quartas de final de liga, com séries de até três partidas, todas na casa da equipe de melhor campanha. Depois, as semifinais de liga (série divisional) voltam ao formato tradicional, com confrontos em melhor de cinco. As finais de liga e a World Series seguem em melhor de sete jogos.

A notícia veio como surpresa pelo momento: com alguns times já aquecendo para sua estreia, imaginava-se que nada mais mudaria. Mas não é uma discussão que surgiu do nada, que foi decidida sem debate apropriado.

Quando MLB e sindicato de atletas tentavam chegar a um acordo sobre o pagamento de salários em uma temporada reduzida e sem bilheteria, a ideia de reformular os playoffs havia sido colocada à mesa. A ideia era potencializar os ganhos de TV com mais partidas decisivas e, desse modo, compensar um pouco a perda de receita da venda de ingressos. Os dois lados concordaram que ampliar a pós-temporada seria bom, mas o acordo não saiu por discordâncias em outros pontos.

Assim, a retomada da liga veio com o regulamento orginal e o assunto pareceu esquecido. Pelo visto, as conversas continuaram fora dos holofotes, e as duas partes concordaram em criar uma versão de playoff que lembra mais a NBA e a NHL do que a MLB. Como uma fórmula temporária, para um ano atípico, é uma iniciativa válida. Mas, quando tudo voltar ao normal, o beisebol deve repensar sua pós-temporada. Uma ampliação já era discutida antes de pandemia virar um tema, mas valorizar a disputa jogo a jogo pelo título de cada divisão faz parte do espírito da liga. Assim, qualquer modelo deve preservar a dificuldade de jogar em outubro. Que a surpresa desta tarde de quinta fique só neste ano.

Fonte: Ubiratan Leal

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A MLB está voltando. Veja o que há de diferente nesta temporada de pandemia

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
O Washington Nationals, atual campeão, abrirá a temporada contra o New York Yankees
O Washington Nationals, atual campeão, abrirá a temporada contra o New York Yankees Getty


Foi um longo e frio inverno. E um longo outono. E um verão que não estava dos mais empolgantes. A pandemia de Covid-19 fez o público americano ter de esperar bastante pelo retorno do esporte. O futebol voltou no começo de julho com a NWSL e a MLS, mas as quatro ligas mais populares só retomam a ação no final do mês. E a primeira será a Major League Baseball, que terá sua primeira partida oficial na próxima quinta (23).

Será uma temporada bastante diferente. Os quase três meses de paralisação forçaram uma mudança radical no formato da temporada regular, até porque a liga não cogitou a hipótese de atrasar o término do campeonato com medo de uma segunda onda da pandemia (que acabou chegando já em julho nos Estados Unidos). Mas as novidades não ficaram apenas na quantidade de partidas. Várias alterações foram implementadas para se adaptar à realidade de um campeonato disputado em meio a uma pandemia.

Veja abaixo o básico para entender essa temporada de cara nova. As mudanças nos times em si ficarão para um post aqui no blog na semana que vem.

Quando começa

A abertura da temporada é em 23 de julho, com rodada dupla: New York Yankees x Washington Nationals e San Francisco Giants x Los Angeles Dodgers. As demais equipes estreiam no dia seguinte: Atlanta Braves x New York Mets, Detroit Tigers x Cincinnati Reds, Toronto Blue Jays x Tampa Bay Rays, Miami Marlins x Philadelphia Phillies, Kansas City Royals x Cleveland Indians, Milwaukee Brewers x Chicago Cubs, Baltimore Orioles x Boston Red Sox, Colorado Rockies x Texas Rangers, Minnesota Twins x Chicago White Sox, Pittsburgh Pirates x St. Louis Cardinals, Seattle Mariners x Houston Astros, Arizona Diamondbacks x San Diego Padres e Los Angeles Angels x Oakland Athletics.

Quando termina

A World Series está programada para começar em 20 de outubro e, se for decidida em sete jogos, iria até o dia 28.

Temporada regular

A temporada regular foi bastante reduzida: os tradicionais 162 jogos caíram para 60. Mas a mudança não se refere apenas ao número de partidas, mas também a quem cada equipe enfrenta. Para reduzir as viagens -- e a exposição a eventual infecção por sars-cov-2 --, os confrontos serão mais regionalizados. Assim, os times farão 10 jogos contra cada time de sua própria divisão e 20 duelos interligas, sempre respeitando a geografia (ou seja, Divisão Leste da Liga Americana pega a Divisão Leste da Liga Nacional, a Central da LA enfrenta a Central da LN e a Oeste da LA joga contra a Oeste da LN). Com isso, teremos o reencontro entre Dodgers e Astros, muito aguardado após as revelações de roubo de sinais por parte do time texano na World Series de 2017. Pelo regulamento original, as duas equipes só se enfrentariam neste ano em uma eventual World Series.

Houston Astros venceu Los Angeles Dodgers no jogo 6 da World Series da MLB
Houston Astros venceu Los Angeles Dodgers no jogo 6 da World Series da MLB Getty

Playoffs

Continuam como sempre. Passam para o mata-mata o campeão de cada divisão e mais dois times de cada liga com melhor campanha para a repescagem (wildcard) de jogo único. Os vencedores desta etapa se juntam aos campeões de divisão para formar a série divisional (semifinal de liga) em melhor de cinco. As finais de liga e a World Series são em melhor de sete.

Onde serão as partidas

A ideia de criar uma “bolha” como a NBA e a NHL foi cogitada, mas as equipes jogarão em seus próprios estádios. Sem torcida, claro.

Elencos

Como os times não tiveram a preparação adequada e disputarão a temporada sob o risco de perder atletas com Covid-19, a regra de elencos será diferente. Ao invés de usar 26 ao longo da temporada, como previa o regulamento original, os times terão até 30 nomes no elenco nos primeiros 15 dias da temporada regular, 28 nos 15 dias seguintes e 26 a partir de então. Além disso, os clubes terão de anunciar uma lista de 60 atletas disponíveis para a temporada, incluindo os inscritos e outros que podem ser chamados a qualquer momento caso alguém fique fora de ação por queda de desempenho, contusão e, claro, Covid-19. Quando estiver com uma sequência de compromissos fora de casa, a equipe pode levar até três atletas extras. Eles não estão inscritos para o jogo, mas já ficam à disposição para o caso de algum companheiro se contundir.

Janela de transferências

Ficará aberta até 31 de agosto.

Se um jogador pega Covid-19

Foi criada uma lista de contundidos extra, apenas para o caso de Covid-19. O jogador será colocado nessa relação se tiver algum teste positivo de coronavírus, se apresentar sintoma ou se alguém muito próximo a ele teve exame positivo. Quem estiver nessa condição passará por quarentena e exames até ser liberado, mas receberá seus salários normalmente pelo período afastado.

Jogador com receio de pegar Covid-19

O jogador que não se sentir seguro dentro dos protocolos sanitários da liga estão livres para pedir dispensa. Eles receberão os salários como se tivessem jogador normalmente.

Buster Posey, estrela dos Giants, é um dos jogadores a pedir dispensa da temporada por causa do coronavírus
Buster Posey, estrela dos Giants, é um dos jogadores a pedir dispensa da temporada por causa do coronavírus Getty

Rebatedor designado universal

A Liga Nacional, pela primeira vez, terá rebatedor designado em todos os jogos, como mandante e visitante. A mudança só vale para 2020, e visa preservar fisicamente os arremessadores.

Entradas extras diferentes

As entradas extras começarão sempre com um corredor na segunda base. Esse corredor será o último eliminado da equipe na entrada anterior (ou alguém que o substitua na partida). O objetivo é facilitar o surgimento de corridas e evitar partidas muito longas em uma temporada que terá ritmo acelerado pelo pouco tempo e elencos sacrificados.

Substituição de arremessadores

Para reduzir o tempo gasto com substituições nas entradas finais, cada arremessador será obrigado a enfrentar um mínimo três rebatedores ou ficar até o final da entrada (caso falte apenas uma ou duas eliminações). Essa mudança de regra já estava prevista pela MLB e não tem relação com a pandemia.

Distanciamento social

Os clubes terão de aumentar o espaço de vestiários e bullpen disponível para seu elenco e o do time visitante. Para os jogos em si, a liga proibiu cuspes no campo e no banco, orientou jogadores a ficarem distantes quando não houver necessidade (bola parada, por exemplo) e reforçará punições por discussões cara a cara e brigas. Arremessadores também não poderão passar a mão na boca (terão direito a usar um trapo molhado no bolso de trás para umedecer a mão).

Salários e metas por desempenho

Os jogadores receberão seus salários pela proporção de partidas (37%) em relação à temporada completa. O mesmo vale para bônus ou cláusulas de contrato condicionadas a número de partidas ou metas alcançadas.

Fonte: Ubiratan Leal

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A MLB está voltando. Veja o que há de diferente nesta temporada de pandemia

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Como o futebol catarinense tenta se reerguer de 2019 trágico e das perdas da pandemia

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal


O futebol catarinense vivia um dos melhores momentos de sua história em 2015, com quatro equipes no Brasileirão (Avaí, Chapecoense, Figueirense e Joinville) e uma na Série B (Criciúma, quase sempre um candidato a brigar no topo quando está na Segundona). Só São Paulo tinha uma representatividade maior, com quatro na primeira divisão e três na segunda. Avançando cinco anos, o cenário de Santa Catarina é o oposto. Após uma temporada com três rebaixamentos e apenas uma promoção, o estado não tem nenhum time na Série A, apenas dois na B e dois na C. O que aconteceu?

"Cada time tem sua história própria", afirma o jornalista Rodrigo Santos, diretor da TV Brusque. "A Chapecoense se perdeu na gestão e entrou em grave crise financeira, o Avaí veio da Série B em 2018, mas não investiu no time para jogar a primeira divisão em 2019", exemplifica, citando os casos das equipes catarinenses que caíram da Série A no ano passado.

O comentário fez parte do debate sobre futebol catarinense realizado pelo blog. A conversa girou em torno da situação dos principais clubes do estado neste momento, desde a crise da temporada passada até a tentativa de retomada após a pandemia. Também falou da ascensão do Brusque, campeão da Série D de 2019 e que fazia boa campanha na Copa do Brasil deste ano, e até da concorrência do futebol local com os clubes de outros estados e com o futsal.

A conversa foi gravada na tarde desta quinta, dia 9, e está na íntegra no canal da ESPN Brasil no YouTube: 
https://www.youtube.com/watch?...

Fonte: Ubiratan Leal

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Como o futebol catarinense tenta se reerguer de 2019 trágico e das perdas da pandemia

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Como funcionam os “canais de clube” nas ligas americanas

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal


A confusão na disputa pelos direitos de transmissão do Campeonato Carioca fez que o público tivesse a oportunidade de ter como única opção ver as partidas em TVs oficiais (na verdade, canais no YouTube) de clubes. A Fla TV mostrou as partidas do Flamengo contra Boavista e Volta Redonda, enquanto que a Flu TV teve o Fla-Flu decisivo da Copa Rio com exclusividade. Com a MP que deu aos mandantes todo o direito de transmissão de uma partida, tornou-se comum falar em um cenário em que clubes invistam em seus próprios canais para transmitir os jogos em que forem mandantes. Mas é a melhor opção?

Os Estados Unidos têm o mercado de mídia mais rico e desenvolvido do planeta, sobretudo na área esportiva. E três das quatro maiores ligas -- NBA, MLB e NHL -- adotam sistema misto de direitos de TV: contratos para transmissão em rede nacional -- incluindo playoffs -- são negociados em bloco, e cada franquia pode procurar seu próprio acordo para transmissão em alcance local (o Renan do Couto fez um bom fio no Twitter explicando como funciona a questão jornalística, com conteúdo clubista).

O modelo adotado não é o do desenvolvimento de canais próprios com programação totalmente institucional. A prioridade é aproveitar ao máximo o potencial econômico das transmissões de alcance regional em TV e, por isso, o caminho foi o da criação de canais esportivos regionais. Eles firmam contratos com franquias de sua região metropolitana e têm conteúdo mais próximo dessas equipes, tanto na transmissão de jogos como na criação programas voltados a seus torcedores. 

Claro que a cobertura tem viés favorável a essas equipes, mas são canais comerciais comuns, distribuídos por operadoras de TV por assinatura e que, pensando em atrair assinantes, audiência e anunciantes (ou seja, dinheiro), procuram manter uma programação diversificada no cenário esportivo da região e nível de clubismo relativamente controlado. Até porque parte do público não é necessariamente torcedor daquele time -- seja porque acompanha um outro time que tem parceria com o mesmo canal, seja porque o canal veio junto no pacote da TV por assinatura --, mas a audiência que ele proporciona é importante. 

Apenas em situações pontuais a franquia é proprietária de uma emissora. E, mesmo nesses casos, o clube sempre tem ligação ou sociedade com alguma empresa de mídia, que é quem efetivamente opera o dia a dia do canal.

Veja abaixo como é o cenário das TVs esportivas regionais (a versão americana das “TVs de clube”). Para o artigo não ficar desnecessariamente longo, já que o objetivo é apenas dar uma noção aos leitores de como funciona esse mercado, enfoquei apenas nas ligas com transmissões locais de partidas (MLB, NBA e NHL) e nas cidades com franquias nas três. Mas muitas outras -- como Salt Lake City, Houston, San Diego, Nashville, Indianápolis, Milwaukee, Nova Orleans e Pittsburgh, por exemplo -- também têm seus canais próprios para as equipes locais. 

NOVA YORK

Na região metropolitana com mais franquias profissionais, é natural que surjam mais canais esportivos. O New York Yankees ajudou a criar o YES, canal do qual possui 26% das ações. A mesma emissora fez parceria para transmitir os jogos do Brooklyn Nets da NBA. Outro time que tem participação em seu canal também é da MLB, os Mets, donos de 65% da SNY (SportsNet New York). É também a emissora oficial dos Jets, da NFL, mas apenas para programação relacionada ao time, sem a transmissão de partidas.

Mas o canal que abraça a maior quantidade de equipes nova-iorquinas é o MSG Network. A Madison Square Garden Company é dona da emissora, do ginásio Madison Square Garden, do New York Knicks e do New York Rangers. Claro, os jogos das franquias mais populares da cidade na NBA e na NHL vão para a MSG. Mas a programação ainda conta com os direitos de New York Islanders e New Jersey Devils, monopolizando as transmissões regionais da NHL.

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LOS ANGELES

Os times de Los Angeles se dividem em quatro canais, mas representando dois grupos. A Charter é dona de 50% de duas emissoras: o Spectrum SportsNet e o Spectrum SportsNet LA. O primeiro é uma sociedade da empresa com os Lakers e o segundo com os Dodgers. Claro, as partidas dessas equipes são transmitidas nesses canais.

As demais franquias angelenas ficam com a Fox Sports, que tem dois canais na região, o Fox Sports West (Angels, Kings e Ducks) e o Prime Ticket (Clippers).

Obs.: os canais esportivos regionais de todos os EUA fizeram parte do pacote adquirido pelo grupo Disney na compra de propriedades da Fox. Posteriormente, o Cade norte-americano determinou que esses canais teriam de ser colocados à venda, e hoje eles fazem parte do grupo de comunicação Sinclair. Ainda assim, continuam utilizando o nome “Fox Sports”, mas já anunciaram que criarão uma nova marca para todos eles

CHICAGO

O mercado de TV esportiva em Chicago teve uma agitação com a criação do Marquee Sports Network, uma sociedade do Chicago Cubs com a Sinclair. O canal terá as partidas dos Ursinhos na MLB, mas ainda não teve a oportunidade de estrear suas transmissões por causa da pandemia de Covid-19.

A NBC Sports Chicago fica com as demais franquias da cidade. O canal 50% das ações com Jerry Reinsdorf, dono de Bulls e White Sox, que estabeleceu 25% da participação em cada uma das duas equipes. A emissora ainda adquiriu os direitos dos Blackhawks da NHL.

SÃO FRANCISCO / OAKLAND

A NBC controla o mercado da região, dividindo as equipes em três canais. O NBC Bay Area fica com uma parte dos jogos do San Francisco Giants. O NBC Sports Bay Area tem a outra parte dos Giants e todo o calendário regional do Golden State Warriors. O NBC Sports California transmite o Oakland Athletics e o San Jose Sharks.

BOSTON

O Fenway Sports Group, empresa que controla o Boston Red Sox e o Liverpool, tem 80% das ações da New England Sports Network, que transmite os jogos das Meias Vermelhas. O NESN ainda firmou uma parceria para ser o canal oficial dos Bruins na NHL.

O Boston Celtics tem seus jogos no NBC Sports Boston, canal que tem 20% das ações sob controle da franquia.

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DALLAS

Mavericks, Rangers e Stars têm seus jogos transmitidos pela Fox Sports Southwest. O mesmo canal ainda tem os jogos do San Antonio Spurs.

TORONTO

O esporte em Toronto recebe forte investimento de grupos de comunicação. A Rogers é dona dos Blue Jays na MLB e de parte dos Raptors na NBA e dos Maple Leafs na NHL. Nessas duas equipes, curiosamente, a sociedade é com a Bell Canada, outro grupo de comunicação.

Com isso, a Sportsnet (canal esportivo da Rogers) transmite as partidas dos Blue Jays e parte dos jogos de Raptors e Leafs. A outra parte dos compromissos das franquias de basquete e hóquei no gelo ficam na TSN, emissora controlada pela Bell Canada (e que tem a ESPN como sócia minoritária).

FILADÉLFIA

Phillies, 76ers e Flyers têm seus jogos transmitidos pela NBC Sports Philadelphia. Os Phillies são donos de 25% do canal.

FLÓRIDA

Miami e Centro da Flórida (Orlando e Tampa) são mercados diferentes, mas eles dividem entre si os canais esportivos do estado. O grupo Sinclair tem dois canais com a marca Fox Sports na região, o Fox Sports Sun e o Fox Sports Florida. O primeiro transmite os jogos de Miami Heat, Tampa Bay Lightning e Tampa Bay Rays. O segundo fica com Miami Marlins, Florida Panthers e Orlando Magic.

WASHINGTON  / BALTIMORE

Mais um mercado controlado por empresas de mídia ligadas a franquias. A Munumental Sports network é dona de Wizards e Capitals e coloca os jogos dos dois times na NBC Sports Washington, canal do qual é sócia.

O outro canal esportivo da capital norte-americana é o Mid-Atlantic Sports Network, uma sociedade entre dois times da MLB: Baltimore Orioles (75% das ações) e Washington Nationals (25%). Claro, os jogos das duas equipes são transmitidos pela MASN.

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DETROIT

Pistons, Tigers e Red Wings têm seus jogos transmitidos pela Fox Sports Detroit.

PHOENIX

Suns, Diamondbacks e Coyotes têm seus jogos transmitidos pela Fox Sports Arizona.

MINNEAPOLIS

Timberwolves, Twins e Wild têm seus jogos transmitidos pela Fox Sports North.

Fonte: Ubiratan Leal

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