A MLB vai voltar! Mas entenda por que isso não é necessariamente uma boa notícia

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

         
     

Quando astro da MLB esqueceu do jogo, trocou socos e enlouqueceu Rômulo com porradaria generalizada

“Os clubes da MLB votaram unanimemente a proceder com a temporada de 2020 sob os termos do acordo de 26 de março. (...) Estamos requisitando a Associação de Jogadores da MLB a nos informar até às 17h desta terça duas questões. A primeira é se os jogadores conseguirão se apresentar em sete dias (1º de julho). A segunda é se a Associação dos Jogadores concorda com o Manual de Procedimentos que contém os protocolos de saúde e segurança necessários para nos dar a melhor oportunidade de conduzir e completar a temporada regular e os playoffs.”


O trecho acima foi o mais importante e esperado do comunicado emitido pela Major League Baseball na noite desta segunda. Ele oficializa que, salvo algum imprevisto -- uma forte segunda onda da Covid (possibilidade razoável) ou um boicote coletivo dos jogadores (possível em casos isolados, um pouco mais difícil de forma coletiva) --, a temporada de 2020 será realizada. A data de início ainda não foi confirmada, mas deve ser no meio de julho, após duas semanas de uma pré-temporada relâmpago.

Boa notícia, certo? Errrrrrr… mais ou menos.

O lado bom é o óbvio: vai ter beisebol. A temporada acontece, o torcedor terá partidas para ver, muitos trabalhadores que dependem financeiramente da liga também recuperarão seu ganha-pão e ainda dará tempo de a MLB retornar antes da NBA e da NHL, tendo um período saboreando a audiência proporcionada por ser única grande liga em atividade nos Estados Unidos. A parte cheia do copo é importante e não pode ser ignorada. Se você está feliz ou aliviado com a notícia, pode comemorar. Há motivos para isso. Mas não se esqueça que o copo também está meio vazio.

Quando a MLB escreve “sob os termos do acordo de 26 de março”, ela se refere ao documento em que os jogadores aceitavam a redução da temporada que a liga propusesse, desde que se comprometesse a pagar os salários proporcionais à quantidade de jogos que fossem programados. A liga também assinou e se comprometeu a fazer isso, mas depois mudou de ideia e tentou impor descontos extras no pagamento aos atletas se a temporada fosse muito longa (ou seja, se os salários fossem perto dos integrais para o ano).

Para saber mais do acordo de 26 de março, escrevi isso na época. E eu achava que era sinal de melhoria nas relações trabalhistas no beisebol...

Por isso, os dois lados ficaram um mês trocando propostas, buscando um meio-termo em que os jogadores fariam uma grande quantidade de jogos -- ou seja, receberiam uma proporção alta do salário -- e os donos não achassem que teriam muito prejuízo pagando essas proporções altas de salário. Os dois lados não chegaram a um acordo, ainda que as propostas finais fossem muito próximas: 60 jogos para a liga, 72 para os jogadores.

Jogadores dos Yankees comemoram vitória nos playoffs do ano passado
Jogadores dos Yankees comemoram vitória nos playoffs do ano passado ESPN


LEIA MAIS: Por que a MLB tem sofrido muito mais que as outras grandes ligas americanas para voltar da pandemia

Sem novo acordo, a liga decidiu impor unilateralmente o seu calendário. Provavelmente terá 60 jogos. Muitos dos benefícios que foram oferecidos nas propostas, como a adoção do rebatedor designado na Liga Nacional e expansão temporária dos playoffs, devem ser perdidos.

O fato de a temporada acontecer sob imposição da liga, com termos que desagradam os jogadores, é péssimo. Em curto prazo, há a possibilidade de alguns jogadores alegarem preocupação com a saúde e pedirem dispensa da temporada. Em médio prazo, o sindicato deve fazer jogo duro e dificultar qualquer conversa por um novo acordo para 2021, caso ainda não haja vacina e as autoridades não recomendem partida com público. Em longo prazo, vai azedar de vez as negociações pela renovação do acordo trabalhista. O atual tem validade até o final do ano que vem.

Ou seja, o efeito imediato da decisão da MLB é positivo, temos beisebol de volta. Mas a forma como foi feito pode abrir caminho para um futuro preocupante. Então, já se prepare para ler notícias falando em greve de jogadores ou locaute dos donos de times. Entre 2021 e 2022, é bem possível que se fale nisso.

Fonte: Ubiratan Leal

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A MLB vai voltar! Mas entenda por que isso não é necessariamente uma boa notícia

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Resumo da primeira rodada da Eurocopa | Podcast Futebol No Mundo

Ubiratan Leal
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O podcast Futebol No Mundo tem novidade. Durante a Eurocopa, teremos uma edição extraordinária do podcast ao final de cada rodada ou fase do mata-mata (mas as edições regulares de segunda continuam, não se preocupem).

O primeiro já está no ar, estou com Alex Tseng e Leonardo Bertozzi nessa. Para ouvir, vá a seu agregador favorito ou clique aqui (as edições especiais da Euro não terão versão o YouTube).

Podcast Futebol No Mundo 19b
Podcast Futebol No Mundo 19b []
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O caso Eriksen e as melhores e piores contratações da temporada europeia | Podcast Futebol No Mundo

Ubiratan Leal
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Já está no ar a edição desta semana do Podcast Futebol No Mundo. O tema principal, claro, foi o caso Eriksen e como a Uefa conduziu o caso, quase forçando os jogadores de Dinamarca e Finlândia a seguirem a partida no mesmo dia. Ainda fizemos um balanço rápido de melhores e piores contratações da temporada nas cinco principais ligas na Europa.

Você pode encontrar (e assinar) o podcast no seu agregador favorito, pode também ouvir neste link ou ver no YouTube neste outro link.

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Como um produto de strongman virou escândalo no beisebol | Semana MLB

Ubiratan Leal
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O Semana MLB é um post em forma de newsletter sobre os principais temas (e a programação de TV) da MLB. Toda sexta uma nova edição.

James Deffinbaugh e Michael Caruso procuravam alguma substância que os ajudasse nas diversas provas de competições de strongman, como são conhecidos os eventos no estilo “O Homem Mais Forte do Mundo”. Para os atletas, um dos principais desafios não é necessariamente levantar os pesos enormes, mas mantê-los suspensos sem que eles escorreguem pelas mãos e caiam. Por isso, aproveitaram a formação de Caruso em biologia molecular e conhecimentos em química para criar uma substância viscosa que desse mais aderência da mão com o objeto. Assim nascia o Spider Tack.

Julius Bjornsson em competição 'O Homem mais forte do mundo'
Julius Bjornsson em competição 'O Homem mais forte do mundo' Getty Images

Durante um bom tempo, as vendas do produto ficaram concentradas em dois nichos, o de praticantes de strongman e de modalidades em cadeira de rodas, que conseguem mais impulso quando suas mãos não escorregam no momento de girar a roda. Até que perceberam uma quantidade grande de encomendas vindas de equipes da Major League Baseball. Nem eles imaginavam como a substância que eles criaram poderiam ajudar no beisebol.

Essa história foi contada em ótima reportagem de Andrew Beaton no Wall Street Journal. A própria origem do Spider Tack -- e a incredulidade de seus criadores sobre como o produto entrou no beisebol -- mostram até onde os arremessadores foram para ganhar vantagem nos duelos com rebatedores. E isso chegou a um nível em que já prejudica a dinâmica do jogo.

O uso de substâncias para melhorar a aderência das bolas não tem nada de novo. No começo do século 20, era comum usarem terra ou mesmo cuspe. Com a proibição dessas práticas, os arremessadores passaram a manipular a superfície da bola furtivamente, colocando alcatrão ou mesmo protetor solar em alguma parte do corpo ou do uniforme e discretamente passando o dedo ali antes de pegar a bola. A regra proíbe, mas os próprios rebatedores não achavam ruim que se fizesse um pouco disso. Melhor, consideram eles, do que uma bola escorregadia que pode escapar da mão do arremessador e se transformar em uma bolada perigosa.

Mas o Spider Tack é outro nível. A aderência é tamanha que explodiu a quantidade de rotações por minuto da bola em sua trajetória até o home plate. Com isso, arremessadores passam a ter mais controle para lançar bolas rápidas a uma velocidade ainda maior, assim como as bolas de efeito passaram a fazer mais efeito do que faziam. Ou seja, strikeouts para todo lado, e os rebatedores estão sofrendo.

Nesta semana, várias reportagens revelaram quão disseminado se tornou o uso de Spider Tack na MLB. Josh Donaldson, terceira base do Minnesota Twins, chegou a apontar o nome de Gerritt Cole, do New York Yankees, como o de um usuário da substância. Quando perguntado diretamente sobre isso, Cole foi evasivo, mas não negou.

A liga já anunciou que vai estabelecer protocolos para fiscalizar o uso dessas substâncias. Ainda não está definido exatamente como serão os procedimentos, pois a ideia é evitar que todo arremessador seja vistoriado toda vez que vá ao montinho, o que criaria um atraso enorme nas partidas. De qualquer maneira, é bem provável que os arremessadores voluntariamente parem de usar -- ou usem menos -- o Spider Tack já nas próximas semanas. Vale acompanhar se os números dos arremessadores sofrem alguma alteração significativa a partir de agora.

RELEMBRANDO

O ESPN App está transmitindo a Liga Mexicana de Beisebol, onde atuam os brasileiros André Rienzo (Tecolotes de los Dos Laredos), Paulo Orlando (Águila de Veracruz) e Tiago da Silva (Generales de Durango). Todos terão jogos na grade nesta semana. Confira a programação completa toda sexta no Semana MLB.

PERSONAGEM

É bem possível que Vladimir Guerrero Jr ainda seja o tema principal de alguma edição do Semana MLB, mas fica aqui como personagem. Porque a promessa do Toronto Blue Jays, que aparecia como fenômeno em 2019 e só confirmou essa expectativa no Home Run Derby, vem se candidatando como o principal concorrente de Shohei Ohtani para o título de MVP da Liga Americana. O primeira base chegou nesta sexta com 32,9% de aproveitamento no bastão, 18 home runs e 48 corridas impulsionadas. Ele é líder da Liga Americana nas três estatísticas, o que lhe daria uma Tríplice Coroa ofensiva. 

VÍDEO DA SEMANA

O árbitro Erich Bacchus ficou conhecido do público da MLB pelo olho ruim para a zona de strike. Mas, a partir desta semana, ele também será lembrado como “o juiz que contundiu um jogador com um bastão”. No caso, José Abreu, do Chicago White Sox. Clique aqui.

O QUE VEM POR AÍ

O San Francisco Giants surpreende ao ter a melhor campanha de toda a MLB. E vale ficar de olho no que a tabela reserva ao time nesta semana. São séries contra Washington Nationals (quatro jogos fora de casa) e Arizona Diamondbacks (quatro jogos em casa), dois lanternas de suas divisões. Depois, tem confrontos em casa contra Philadelphia Phillies e fora contra o Los Angeles Angels. Da forma como os Giants têm jogado, é plausível acreditar em nove ou dez vitórias nesses 13 jogos. Uma arrancada dessa daria ainda mais fôlego para a equipe a dura disputa com San Diego Padres e Los Angeles Dodgers.

Cardinals Cubs MLB
Cardinals Cubs MLB Getty

E NO PRÓXIMO SUNDAY NIGHT...

O St. Louis Cardinals está em um momento importante de sua temporada. A virada de junho para julho é tida para muita gente dentro do beisebol como o marco para definir se um time vai ou não brigar pela classificação aos playoffs. Os Cards estão no limite dessa linha, e enfrentam o Chicago Cubs, seu maior rival e um dos times à sua frente na divisão, em três jogos em Chicago. Uma vitória na série seria importante não apenas para o St. Louis ganhar terreno no confronto direto, mas também para pegar embalo antes de uma sequência boa de adversários até a virada do mês: Miami Marlins, Atlanta Braves, Detroit Tigers, Pittsburgh Pirates, Arizona Diamondbacks e Colorado Rockies.

PROGRAMAÇÃO DE TV

Sexta, 11/jun
20h - San Francisco Giants x Washington Nationals (ESPN 2)

Domingo, 13/jun
20h - St. Louis Cardinals x Chicago Cubs (ESPN)

Segunda, 14/jun
20h - Chicago Cubs x New York Mets (ESPN 2)

Terça, 15/jun
20h - Chicago Cubs x New York Mets (Fox Sports)
23h - Philadelphia Phillies x Los Angeles Dodgers (Fox Sports)

Quarta, 16/jun
20h - Boston Red Sox x Atlanta Braves (ESPN App)

Sexta, 18/jun
20h - Oakland Athletics x New York Yankees (Fox Sports)

MAIS BEISEBOL NO ESPN APP

Sexta, 11/jun
21h - LMB: Tigres de Quintana Roo x Diablos Rojos de México
21h30 - LMB: Rieleros de Aguascalientes x Acereros de Monclova

Sábado, 12/jun
18h - LMB: Tigres de Quintana Roo x Diablos Rojos de México
19h - LMB: Saraperos de Saltillo x Sultanes de Monterrey

Domingo, 13/jun
15h - LMB: Tigres de Quintana Roo x Diablos Rojos de México
21h30 - LMB: Rieleros de Aguascalientes x Acereros de Monclova

Terça, 15/jun
21h - LMB: Toros de Tijuana x Rieleros de Aguascalientes
21h - LMB: Leones de Yucatán x Guerreros de Oaxaca
21h10 - LMB: Pericos de Puebla x Mariachis de Guadalajara

Quarta, 16/jun
21h - LMB: Olmecas de Tabasco x Diablos Rojos de México
21h10 - LMB: Piratas de Campeche x Bravos de León

Quinta, 17/jun
21h30 - LMB: Sultanes de Monterrey x Sapareros de Saltillo
21h30 - LMB: Tecolotes de los Dos Laredos x Generales de Durango

Sexta, 18/jun
21h - LMB: Sultanes de Monterrey x Rieleros de Aguascalientes
21h - LMB: Piratas de Campeche x Pericos de Puebla

Obs.: Grades sujeitas à alteração

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Como um produto de strongman virou escândalo no beisebol | Semana MLB

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Guia da Eurocopa e entenda a Conference League, a nova competição da Uefa | Podcast Futebol No Mundo

Ubiratan Leal
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Vai começar a Eurocopa! Para marcar o início do torneio, fizemos um guia grupo a grupo na edição desta semana do podcast Futebol No Mundo. Também explicamos o princípio da Conference League, a nova competição de clubes da Uefa, e uma pincelada na Euro Sub-21 conquistada pela Alemanha.

Você pode ouvir no seu agregador de podcast favorito. Ou então clicar neste link para ouvir ou neste link para ver pelo YouTube.

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Guia da Eurocopa e entenda a Conference League, a nova competição da Uefa | Podcast Futebol No Mundo

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Como os Giants se transformaram na melhor surpresa de 2021 | Semana MLB

Ubiratan Leal
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O Semana MLB é um post em forma de newsletter sobre os principais temas (e a programação de TV) da MLB. Toda sexta uma nova edição.

A Liga Nacional Oeste tinha um cenário bem claro antes de a temporada começar. Los Angeles Dodgers, atual campeão e dono do elenco mais estrelado da MLB, dando as cartas. San Diego Padres, equipe com grandes talentos jovens e alguns ótimos reforços, se apresentando como concorrente principal. O resto… bem… era o resto. Restava a eles aceitarem a inferioridade e trabalhar para a reconstrução do elenco pensando no futuro.

Após cerca de um terço da temporada, porém, o San Francisco Giants tem acompanhado o ritmo dos supertimes do sul da Califórnia. Mais que isso, os Gigantes lideram a divisão com a melhor campanha de toda a MLB. Como isso aconteceu? Mais que isso, como ninguém viu isso acontecendo?

Imagem forte! Com cabeçada no queixo, jogadores dos Padres se chocam e precisam de atendimento na MLB; assista

O San Francisco é o segundo time com mais corridas anotadas na Liga Nacional. Esse ataque tem apenas o nono (de 15) em aproveitamento no bastão e oitavo em bases roubadas, mas compensa ao ser o segundo colocado em home runs (e primeiro em HR com corredores em base). Por si só, essa estatística já soa bizarra. O Oracle Park é sabidamente um dos estádios mais favoráveis aos arremessadores devido às dimensões do campo externo. Tanto que o time tricampeão da World Series em 2010, 12 e 14 contavam muito mais com o jogo curto (rebatidas simples constantes) do que com o jogo longo (home runs).

No montinho, a rotação é a terceira da Liga Nacional em ERA (3,04) e entradas arremessadas (313,? até a última quinta). Ótimo, porque o bullpen é apenas mediano (sexto da Liga Nacional, 13º da MLB, em ERA). 

A temporada dos Giants ainda mais estranha quando se vê de onde vem essa produção toda. Buster Posey é o melhor jogador da equipe, com 31,2% de aproveitamento e dez home runs. Normal, ele é craque. A questão vem depois dele. 

Buster Posey, principal jogador do San Francisco Giants
Buster Posey, principal jogador do San Francisco Giants Getty

Brandon Crawford tem 25,5% de aproveitamento, dentro de sua média histórica, mas já tem 12 home runs. Em apenas um ano (2015) ele teve mais de 14. Salvo uma lesão grave, essa marca será batida com folga. Evan Longoria é outro que surpreende: com 144 em percentual em base + slugging ajustado (índice que considera as diferenças entre estádios em que o jogador atua), está na segunda melhor temporada na carreira. Só em 2012 foi melhor. Brandon Belt, lesionado no momento, também vinha na sua melhor temporada em rebatidas de potência. Esse trio já foi muito produtivo, mas há anos eram vistos como veteranos em fase descendente na carreira.

O mesmo vale para os arremessadores. Kevin Gausman tem sido um monstro na rotação, com 1,4 de ERA. Johnny Cueto (3,45), Alex Wood (3,48) e Anthony DeSclafani (3,51) ajudam a formar um quarteto muito sólido para abrir as partidas. Os quatro entram na mesma categoria de Belt, Longoria e Crawford: jogadores que têm talento para produzirem esses números, mas há anos não davam sinais de que já não conseguiriam mais.

Por isso a surpresa geral. Os Giants não vieram com jovens talentosos que amadureceram mais cedo que o esperado ou com métodos inovadores de avaliar o mercado para se tornar competitivo com um time mediano. A equipe conseguiu recuperar o beisebol de vários jogadores, muitos deles que se arrastavam em seu próprio elenco há anos.

A pulga atrás da orelha que fica é se esse desempenho é sustentável em longo prazo, até porque muitos desses jogadores já são veteranos. De qualquer maneira, dá para acreditar que esse time siga competindo, pois são jogadores de talento reconhecido e experiência em campanhas vitoriosas. 

RELEMBRANDO

O ESPN App está transmitindo a Liga Mexicana de Beisebol, onde atuam os brasileiros André Rienzo (Tecolotes de los Dos Laredos), Paulo Orlando (também Tecolotes) e Tiago da Silva (Generales de Durango). Todos terão jogos na grade nesta semana. Confira a programação completa toda sexta no Semana MLB.

PERSONAGEM

Lou Gehrig é um patrimônio do esporte americano. O primeira base defendeu o New York Yankes de 1923 a 39, colecionando marcas em aproveitamento no bastão, home runs, corridas impulsionadas e qualquer estatística ofensiva que não envolvesse velocidade em base. Foi o nome que ajudou a dar sequência à era vitoriosa dos Yankees depois da saída de cena de Babe Ruth. Em 1939, chegou à incrível marca de 2.130 jogos consecutivos na liga, só superada por Carl Ripken Jr em 1995. A resistência lhe valeu o apelido de “Cavalo de Aço”.

Em 1938, Gehrig começou a ter queda de rendimento ao longo da temporada. No ano seguinte, isso ficou mais evidente ainda até que, em abril, ele encerrou a carreira por não conseguir mais entrar em campo devido ao avanço de uma doença degenerativa. Em 4 de julho daquele ano, fez um dos discursos mais famosos dos esportes americanos em sua despedida diante da torcida. Dois anos depois, em 2 de junho de 1941, faleceu, vítima da Esclerose Lateral Amiotrófica. A ELA era uma doença desconhecida do grande público na época, e ela passou a ser conhecida como “Doença de Lou Gehrig”, como é chamada até hoje nos Estados Unidos.

Pois, na última quarta, 80º aniversário da morte do Cavalo de Aço, a MLB criou o Dia de Lou Gehrig. A partir de agora, em todo 4 de junho, a MLB relembrará o legado do jogador e usará seu espaço para esclarecer e arrecadar fundos para o combate à ELA.

VÍDEO DA SEMANA

Kim Ha-Seong e Tommy Pham assustam ao se encontrarem na busca por uma bola voadora em San Diego Padres x Chicago Cubs. Os dois tiveram de deixar a partida. Kim teve uma concussão, mas nenhum dos dois jogadores teve lesão que exigisse um afastamento de longo prazo. Clique aqui.

E NO PRÓXIMO SUNDAY NIGHT...

Muitos consideram New York Yankees x Boston Red Sox a maior rivalidade dos esportes americanos. A tese é discutível, mas é inegável que o clima no estádio fica diferente quando as duas equipes se enfrentam. Pois a série entre as equipes nesse começo de junho é particularmente interessante. Os Yankees entraram na temporada como favoritos destacados na Liga Americana, mas estão sofrendo para validar essa condição. Enquanto isso, os desacreditados Red Sox tiveram um ótimo início de campanha, mas há quem desconfie que a tabela ajudou, marcando muitos confrontos contra equipes frágeis. O confronto direto pode tirar muitas dúvidas. Os Yankees não vão crescer para os grandes jogos? Os Red Sox são realmente bons? No montinho, Garrett Richards x Domingo Germán, dois arremessadores que têm se mostrado consistentes nesse primeiro terço de temporada.

PROGRAMAÇÃO DE TV

Sexta, 4/jun
20h - Boston Red Sox x New York Yankees (ESPN 2)

Domingo, 6/jun
20h - Boston Red Sox x New York Yankees (ESPN 2)

Segunda, 7/jun
23h - Chicago Cubs x San Diego Padres (Fox Sports)

Terça, 8/jun
23h - Chicago Cubs x San Diego Padres (Fox Sports)
20h30 - NCAA: final da College World Series feminina, jogo 1 (ESPN 2)

Quarta, 9/jun
22h30 - Kansas City Royals x Los Angeles Angels (ESPN 2)
20h30 - NCAA: final da College World Series feminina, jogo 2 (ESPN 2)

Quinta, 10/jun
20h30 - NCAA: final da College World Series feminina, jogo 3 (ESPN 2)

Sexta, 11/jun
20h - San Francisco Giants x Washington Nationals (ESPN 2)

MAIS BEISEBOL NO ESPN APP

Sexta, 4/jun
21h - LMB: Mariachis de Guadalajara x Diablos Rojos de México
21h10 - LMB: Pericos de Puebla x Bravos de León
21h30 - LMB: Algodoneros de Unión Laguna x Saraperos de Saltillo

Sábado, 5/jun
20h - LMB: Tigres de Quintana Roo x Leones de Yucatán
21h30 - LMB: Tecolotes de los Dos Laredos x Acereros de Monclova

Domingo, 6/jun
19h - LMB: Águila de Veracruz x Guerreros de Oaxaca
20h - LMB: Tigres de Quintana Roo x Leones de Yucatán

Terça, 8/jun
21h - LMB: Diablos Rojos de México x Pericos de Puebla
21h30 - LMB: Acereros de Monclova x Generales de Durango

Quarta, 9/jun
21h - LMB: Diablos Rojos de México x Pericos de Puebla
21h15 - LMB: Bravos de León x Mariachis de Guadalajara

Quinta, 10/jun
21h - LMB: Rieleros de Aguascalientes x Tecolotes de los Dos Laredos
23h - LMB: Sultanes de Monterrey x Toros de Tijuana

Sexta, 11/jun
21h - LMB: Tigres de Quintana Roo x Diablos Rojos de México
21h30 - LMB: Rieleros de Aguascalientes x Acereros de Monclova

Obs.: Grades sujeitas à alteração

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Como os Giants se transformaram na melhor surpresa de 2021 | Semana MLB

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A MLB precisa tratar o combate a lesões como questão estratégica | Semana MLB

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

O Semana MLB é um post em forma de newsletter sobre os principais temas (e a programação de TV) da MLB. Toda sexta uma nova edição

Ao olhar de um leigo, beisebol parece um esporte sem tanta exigência física. Um sujeito pega uma bola, joga com força e o outro tenta rebater para depois sair correndo. Não há demonstrações explícitas de força, como trombadas, ou de resistência física, como ação ininterrupta em todos os atletas em campo. Aí, já há quem pense que se trata de uma modalidade de baixo impacto físico. 

Bem, isso já é errado pelo princípio que todo esporte profissional, qualquer que seja, cria uma enorme demanda física e mental quando praticado em seu mais alto nível. A questão é que a exigência atlética do beisebol nem sempre parece tão clara para quem tem como padrão de esporte o futebol. Mas a explosão física de um arremesso ou uma rebatida, ou de um sprint para chegar à primeira base ou evitar que uma bola voadora toque o chão no campo externo, é enorme. Além disso, o impacto de uma bolada pode ser muito pior que muita trombada do futebol americano ou um pontapé no futebol. E, pior, em muitos casos o beisebol ainda cria esforços repetitivos, com sobrecarga em determinados músculos e ligamentos.

Mike Trout, para muitos o melhor jogador do mundo, sofreu uma lesão na panturrilha direita e deve voltar apenas em julho
Mike Trout, para muitos o melhor jogador do mundo, sofreu uma lesão na panturrilha direita e deve voltar apenas em julho Ezra Shaw/Getty Images

Não à toa, a MLB é a grande liga norte-americana que mais tem casos de lesões. Mas isso atingiu patamares alarmantes neste ano. Segundo levantamento de Joe Sherman, colunista de beisebol do New York Post, houve 351 casos de jogadores indo à lista de contundidos até 19 de maio. Entre 2017 e 2019, três últimas temporadas completas, foram entre 281 e 291 casos. O levantamento, claro, não inclui jogadores que foram afastados por Covid-19.

Isso ocorre desde a intensidade crescente dada aos arremessos (cada vez mais fortes) e nas rebatidas (cada vez mais voltadas ao home run), quanto pela epidemia de boladas (também resultado do foco maior na velocidade dos arremessos, em detrimento do controle). Por isso, a tendência é que continue crescendo. Ainda mais quando a fadiga natural de uma longa temporada causa mais e mais lesões.

Esse aumento é preocupante em diversos aspectos. Do lado humano, mostra como o beisebol que se pratica hoje sacrifica mais o corpo dos atletas. Do lado esportivo, desfigura muitas equipes, tirando a oportunidade do torcedor de ver alguns de seus ídolos e dos times a chance de mostrar seu melhor jogo mais vezes. Do ponto de vista econômico, leva muitos dirigentes a pensar se vale a pena gastar tanto dinheiro no salário de estrelas quando há o risco de isso dar pouco retorno devido a problemas físicos.

A MLB tem dado um enfoque muito grande na melhora do ritmo do jogo. Mas a liga precisa também tratar as lesões como algo estratégico para o futuro do beisebol. Nem que seja preciso estudar mudanças de regras que reduzam essa exigência sobre o físico dos jogadores.

RELEMBRANDO

O ESPN App está transmitindo a Liga Mexicana de Beisebol, onde atuam os brasileiros André Rienzo (Tecolotes de los Dos Laredos), Paulo Orlando (também Tecolotes) e Tiago da Silva (Generales de Durango). Todos terão jogos na grade nesta semana. Confira a programação completa toda sexta no Semana MLB.

PERSONAGEM

Na última terça, Joe West arbitrou seu 5.367º jogo de MLB e tornou-se o árbitro com mais partidas na história da liga. “Cowboy Joe” -- que também tem uma carreira como compositor de música country durante as férias do beisebol, daí o apelido -- entrou nas grandes ligas em 1976 e se tornou membro fixo da equipe de arbitragem em 1978. Desde então, trabalhou em seis World Series, três All-Star Games, dez finais de divisão, um jogo perfeito (Félix Hernández) e mais um no-hitter (Clay Buchholz). West superou o recorde de Bill Klem, que arbitrou nas grandes ligas entre 1904 e 1941. 

VÍDEO DA SEMANA

Dois eliminados na entrada. Rebatida para a terceira base, lançamento feito para a primeira. Tudo normal, bastaria Will Allen pisar na base para encerrar o turno ofensivo do Chicago Cubs. Mas Javier Báez decidiu voltar para o home plate. Não mudava nada para Allen, era só pisar na base. Mas aí o jogador do Pittsburgh Pirates ficou todo confuso, esqueceu a regra e teve início um dos erros coletivos mais infantis dos últimos anos.


O QUE VEM POR AÍ

O arremessador Yu Darvish vem no melhor momento de sua carreira. Foi segundo colocado na eleição de Cy Young da Liga Nacional na temporada passada e, na atual, é o quinto da LN em ERA, com 1,75. Defender o time de melhor campanha de toda a MLB também não é ruim. Mas muita gente ainda tem a imagem do arremessador que terminou a World Series de 2017 com ERA de 21,6, resultado de 8 corridas cedidas em 3 ? entradas e duas derrotas para o Houston Astros. Na primeira das derrotas, um home run cedido para Yulieski Gurriel foi seguido por um gesto racista por parte do cubano, que recebeu suspensão para a temporada seguinte. A segunda das derrotas custou ao Los Angeles Dodgers o título daquele ano. Esses números terríveis ganharam uma nova imagem em 2019, quando foi revelado que os Astros roubavam sinais dos arremessadores adversários. O quanto do desempenho de Darvish naquela decisão não foi prejudicado pela trapaça? Claro que o japonês foi perguntado sobre isso, e ele foi um dos atletas que declarou que o título deveria ter sido retirado do time texano.

Pois, neste sábado (29), Darvish está programado para ser o abridor do San Diego Padres no duelo contra os Astros. Será a primeira vez que o japonês enfrentará o Houston desde aquela World Series.

E, NO PRÓXIMO SUNDAY NIGHT...

Jacob deGrom é o melhor arremessador do mundo na atualidade. O abridor do New York Mets já conquistou duas vezes o prêmio Cy Young nos últimos três anos e desponta como favorito a conquistar mais um agora. Em 2021, tem ERA de 0,8 após sete jogos, número que seria o mais baixo da história se mantido até o final da temporada regular (improvável). Ele tem apenas quatro corridas cedidas em sua conta e os rebatedores adversários têm 13,2% de aproveitamento contra ele. Para se ter uma ideia, são números inferiores aos do próprio DeGrom como rebatedor: 6 corridas impulsionadas e 47,1% de aproveitamento. Pois DeGrom está programado para abrir o jogo dos Mets contra o Atlanta Braves no próximo Sunday Night Baseball. Um belo duelo contra Max Fried, canhoto que fez um 2020 espetacular, mas começou mal a atual temporada.

PROGRAMAÇÃO DE TV*

Sexta, 28/mai
21h - San Diego Padres x Houston Astros (ESPN 2)

Domingo, 30/mai
20h - Atlanta Braves x New York Mets (ESPN)

Segunda, 31/mai
14h - Minnesota Twins x Baltimore Orioles (ESPN 2)
17h - Boston Red Sox x Houston Astros (ESPN 2)
21h - Pittsburgh Pirates x Kansas City Royals (Fox Sports)

Terça, 1º/jun
20h - Tampa Bay Rays x New York Yankees (Fox Sports)

Quarta, 2/jun
21h - Boston Red Sox x Houston Astros (Fox Sports)

Sexta, 4/jun
20h - Boston Red Sox x New York Yankees (ESPN 2)

MAIS BEISEBOL NO ESPN APP*

Sexta, 28/mai
21h - LMB: Acereros de Monclova x Toros de Tijuana
22h - LMB: Olmecas de Tabasco x Tigres de Quintana Roo

Sábado, 29/mai
19h - LMB: Pericos de Puebla x Guerreros de Oaxaca
20h - LMB: Diablos Rojos de México x Águila de Veracruz

Domingo, 30/mai
20h - LMB: Diablos Rojos de México x Águila de Veracruz
20h - LMB: Mariachis de Guadalajara x Generales de Durango

Terça, 1º/jun
21h - Sultanes de Monterrey x Tecolotes de los Dos Laredos
21h30 - Toros de Tijuana x Acereros de Monclova

Quarta, 2/jun
21h - Águila de Veracruz x Pericos de Puebla
21h - Generales de Durango x Bravos de León

Quinta, 3/jun
21h - Sultanes de Monterrey x Tecolotes de los Dos Laredos
21h30 - Toros de Tijuana x Acereros de Monclova

Sexta, 4/jun
21h - Mariachis de Guadalajara x Diablos Rojos de México
21h10 - Pericos de Puebla x Bravos de León
21h30 - Algodoneros de Unión Laguna x Saraperos de Saltillo

*Grades sujeitas a alteração

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A MLB precisa tratar o combate a lesões como questão estratégica | Semana MLB

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O futebol brasileiro precisa entender o valor do fim de semana das finais estaduais

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Preâmbulo

Parece impossível falar de campeonatos estaduais no Brasil sem ter de fazer uma nota de rodapé para esfriar os ânimos dos críticos. Então já vamos colocar isso no começo deste texto:

Os estaduais são torneios antiquados, que geram cada vez menos interesse do público, que atrapalham os grandes sem ajudar os pequenos adequadamente, que tornam impraticável o calendário do futebol brasileiro e que são mantidos da forma como estão apenas por interesse político da CBF com as federações estaduais. 

Isso tudo posto, peço licença para falar algo positivo dos estaduais, sempre considerando os parâmetros apontados no parágrafo acima. 

É campeão! São Paulo vence Palmeiras no Morumbi e fica com o título paulista; VEJA os gols

Agora sim, vamos lá

Em todo canto do país, um grito de campeão. Pode não ser o título mais valioso do universo para algumas torcidas, mas, para outras, é o único título possível. E muitos deles são conquistados contra um rival local, o que sempre dá um gosto especial. O Brasil tem isso no dia de finais dos estaduais. Nenhum outro país do mundo tem algo semelhante.

Pode parecer exagero, supervalorização de algo que ficou para trás (veja parágrafo em itálico no início do texto), mas essa tradição não pode ser ignorada. Se há motivos para mantermos os estaduais vivos, há outros mais importantes. O principal é ajudar a viabilizar -- e até a dar sentido -- a vários clubes de cidades de interior ou de capitais de menos tradição, evitar que o futebol brasileiro acabe se limitando a equipes de 12 a 15 cidades. 

No entanto, esse fim de semana com campeões pipocando em cada estado, tem força como um evento diferente, que acaba tendo valor simbólico, histórico e até comercial. Talvez ajude a dar sentido aos estaduais para a grande cobertura nacional, que não se importa muito com o quanto o estadual ajudou a pagar as contas de equipes do interior.

Flamengo bate o Fluminense com dois de Gabigol e é campeão carioca; veja os gols

Entre quem defende a manutenção dos estaduais, é comum o discurso de que precisam diminuir. Na forma atual, eles se tornaram um estorvo para os grandes clubes, o que tira o interesse no torneio e, no final da cadeia, acaba prejudicando também o time pequeno, que capitaliza menos com o raro momento em que poderiam mobilizar o público. 

Ignorando os interesses políticos das federações estaduais -- que podem ser abalroados pelos interesses comerciais dos clubes e das TVs --, há maneiras simples para resolver. Por exemplo, criar grupos pequenos e ir para o mata-mata, que poderiam até ser em jogos apenas de ida. Isso ocuparia de sete a dez datas, bem menos que o calendário atual com 16. Outra possibilidade seria fazer tudo em mata-mata, que teria um resultado parecido em relação à quantidade de datas ocupadas. E, claro, alinhando os torneios de todos os estados para que, depois deles, todos os clubes se integrassem ao calendário nacional de alguma forma.

Qualquer alteração tem de ser acompanhada por uma nova forma de vender os estaduais. E, por mais combalidos que esses torneios estejam no momento, esse grande fim de semana dos campeões é algo especial, único do futebol brasileiro. Um momento enraizado no nosso imaginário futebolístico e que nenhum outro país tem igual. Um evento que tem valor, e os responsáveis pelo futebol brasileiro precisam entender isso.

São Paulo comemora o título paulista
São Paulo comemora o título paulista Miguel Schincariol/saopaulofc.net

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O futebol brasileiro precisa entender o valor do fim de semana das finais estaduais

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Por que a MLB tem visto tantos no-hitters | Semana MLB

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal


O Semana MLB é um post em forma de newsletter sobre os principais temas (e a programação de TV) da MLB. Toda sexta uma nova edição

No-hitters são feitos raros, foram apenas 311 em quase 230 mil jogos na história da MLB. Por isso são tão celebrados. Ao menos por enquanto, porque a liga está com uma epidemia de no-hitters. Sem contar o jogo completo de 7 entradas de Madison Bumgarner contra o Atlanta Braves, foram seis no-hitters em menos de dois meses nesta temporada. Só na última semana foram dois, de Spencer Turnbull do Detroit Tigers (contra o Seattle Mariners) e de Corey Kluber do New York Yankees (contra o Texas Rangers). O que está acontecendo?


Há uma série de fatores que contribuem a isso. O arremessador Clayton Kershaw, do Los Angeles Dodgers, acha que as alterações realizadas na fabricação da bola é a responsável por isso. Realmente, a mudança de padrão visa reduzir a quantidade de home runs, mas essa alteração também faz que a bola tenha mais velocidade quando sai do bastão (ela perde embalo apenas durante o voo), o que deveria ajudar em rebatidas mais fracas.

Ainda que a bola diferente transforme alguns home runs em eliminações no campo externo, o que as avaliações preliminares mostram é que há outros dois fatores muito mais importantes: evolução no posicionamento dos defensores e o enfoque cada vez maior na potência para rebatedores e arremessadores.

Corey Kluber durante jogo dos Yankees
Corey Kluber durante jogo dos Yankees Ronald Martinez/Getty Images

O posicionamento defensivo reduz as rebatidas porque muitos contatos em linha ou rasteiros acabam em eliminação porque há um jogador bem colocado para a defesa. O shift no campo interno é o exemplo mais gritante disso. Há alguns anos, os defensores ficavam espalhados por igual no diamante. Com as novas estratégias, os times colocam seus jogadores de forma a aumentar a densidade (e reduzir os buracos) nos pontos em que cada rebatedor costuma mandar a bola. Muitos contatos que, há cinco anos, encontravam buracos na defesa e se transformavam em rebatidas acabam em eliminação. 

Mas outro fator relevante é a mudança de postura dos atletas em cada ida ao bastão. Cada vez há menos arremessadores focados em forçar contatos ruins e provocar eliminações rápidas. O negócio hoje é mandar bolas a quase 100 milhas/hora e conseguir um strikeout na força. Do outro lado, os rebatedores também estão desistindo de buscar um contato bem colocado para uma rebatida simples ou dupla: o objetivo é girar o bastão com a maior força possível para, se acertar, conseguir direto um home run. Dessa forma, o beisebol de hoje tem mais home runs do que nunca, e também tem menos rebatidas simples e duplas do que nunca. Para um time acabar errando todos os swings e sair de campo sem rebatida, não é tão difícil assim.

A MLB já percebeu esse fenômeno há tempos e mudanças nas regras são pensadas para inibir essa tendência. Porque um no-hitter é legal, mas é legal por ser raro. Que continue sendo.

RELEMBRANDO

Desde a última quinta, o ESPN App está transmitindo a Liga Mexicana de Beisebol. Confira a programação  aqui do Semana MLB.

PERSONAGEM

Tony LaRussa estava aposentado desde 2011, quando levou o St. Louis Cardinals à conquista da World Series. Até que o Chicago White Sox viu no veterano treinador (um dos melhores da história) o homem certo para comandar seu time jovem e talentoso elenco. Os resultados estão vindo, e os Meias Brancas têm a segunda melhor campanha da liga. No entanto, muita coisa mudou nesses dez anos (mais sobre isso em um futuro Semana MLB), e uma delas foi a maneira como os atletas jogam com menos amarras por “respeito ao jogo”.

Na última terça, os White Sox venciam o Minnesota Twins por 15 a 4 na nona entrada. Para evitar o desgaste em mais jogadores do bullpen, Rocco Baldelli, técnico dos Twins, colocou Willians Astudillo para arremessar. O catcher improvisado de arremessador mandou bolas bastante saborosas, e Yermín Mercedes abocanhou: uma paulada para home run. 

LaRussa não gostou. Achou desrespeito ao adversário, desnecessário aproveitar da fragilidade de quem já estava com o jogo perdido. No dia seguinte, o Minnesota ameaçou acertar uma bolada em Mercedes, e o técnico dos White Sox disse que entendia a atitude. Claro, virou um grande debate.

O beisebol mudou. A postura mais blasé dos jogadores vai mudando para uma mais expressiva, com vibração e celebração dos grandes momentos. Mercedes não fez nada errado. LaRussa precisa entender isso.

VÍDEO DA SEMANA

Uma pausa para apreciar a explosiva -- e divertida -- revolta de Davey Martínez, técnico do Washington Nationals, após a eliminação por interferência de Trea Turner na partida contra o Chicago Cubs. Veja aqui.

O QUE VEM POR AÍ

Vamos abrir um espaço aqui para falar da liga mexicana, novidade nos canais esportivos Disney. Porque, no próximo sábado, o ESPN App transmitirá Toros de Tijuana contra Tecolotes de los Dos Laredos. Os Tecos contam com os brasileiros Paulo Orlando (campeão com o Kansas City Royals em 2015) e André Rienzo (ex-Chicago White Sox e Miami Marlins). Os Tecolotes revezam o mando de suas partidas entre duas cidades na fronteira EUA-México: Laredo e Nuevo Laredo. A partida deste sábado está programada para Laredo, no lado texano.

E, NO PRÓXIMO SUNDAY NIGHT...

Os clássicos entre St. Louis Cardinals e Chicago Cubs têm a fama de serem os mais amigáveis dos esportes americanos, com um lado normalmente respeitando o lado do outro. Isso tem muito a ver com a cultura de hospitalidade do meio-oeste americano, mas não significa que um duelo entre ambos seja uma partida comum. Ainda mais a deste domingo, que fechará uma série de três jogos entre as equipes que ocupam as duas primeiras posições da Liga Nacional Central. Os Cardinals estão na dianteira, mas uma varrida dos Cubs (e o domingo será o dia de sacramentá-la caso os Ursinhos vençam na sexta e no sábado) deixaria as duas equipes empatadas. No montinho, Zach Davies e o veterano Adam Wainwright, dois arremessadores com temporadas apenas medianas.

PROGRAMAÇÃO DE TV

Sexta, 21/mai
20h - New York Yankees x Chicago White Sox (Fox Sports)

Domingo, 23/mai
20h - Chicago Cubs x St. Louis Cardinals (Fox Sports)

Segunda, 24/mai
20h - St. Louis Cardinals x Chicago White Sox (Fox Sports)

Terça, 25/mai
20h - Toronto Blue Jays x New York Yankees (ESPN 2)*

Quarta, 26/mai
20h30 - Los Angeles Dodgers x Houston Astros (ESPN 2) 

Sexta, 28/mai
21h - San Diego Padres x Houston Astros (ESPN 2)

MAIS BEISEBOL NO ESPN APP

Sexta, 21/mai
21h - LMB: Guerreros de Oaxaca x Pericos de Puebla
21h - LMB: Saraperos de Saltillo x Rieleros de Aguascalientes

Sábado, 22/mai
18h - LMB: Águila de Veracruz x Diablos Rojos de México
21h - LMB: Toros de Tijuana x Tecolotes de los Dos Laredos
21h30 - LMB: Sultanes de Monterrey x Acereros de Monclova

Domingo, 23/mai
13h - LMB: Algodoneros de Unión Laguna x Bravos de León

Terça, 25/mai
21h - LMB: Diablos Rojos de México x Guerreros de Oaxaca
21h30 - LMB: Rieleros de Aguascalientes x Algodoneros de Unión Laguna
23h - LMB: Mariachis de Guadalajara x Saraperos de Saltillo

Quarta, 26/mai
21h30 - LMB: Pericos de Puebla x Águilas de Veracruz
21h30 - LMB: Rieleros de Aguascalientes x Algodoneros de Unión Laguna

Quinta, 27/mai
22h - LMB: Piratas de Campeche x Tigres de Quintana Roo
23h - LMB: Acereros de Monclova x Toros de Tijuana

Sexta, 28/mai
21h - LMB: Acereros de Monclova x Toros de Tijuana
22h - MLB: Olmecas de Tabasco x Tigres de Quintana Roo

Obs.: Grades sujeitas a alteração

* Partida sujeita a mudança de canal ou para o ESPN App por conflito de grade com o Mundial de Surfe

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Na semana de Alisson e Enzo Pérez, precisamos apreciar o que faz Shohei Ohtani

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Ohtani nos Angels
Ohtani nos Angels Getty Images


“O Shohei Ohtani brasileiro.”

Foi assim que o perfil no Twitter do podcast americano Men In Blazers, especializado em futebol, descreveu o gol de Alisson que deu a vitória do Liverpool sobre o West Brom na rodada do último fim de semana na Premier League. Pela mesma lógica, também poderiam chamar o volante Enzo Pérez de “Shohei Ohtani” argentino após fazer uma partida inteira improvisada como goleiro na vitória de seu River Plate sobre o Independiente Santa Fé. Duas comparações válidas e espirituosas, mas o que o japonês do Los Angeles Angels tem feito é ainda maior.


No beisebol, rebatedores e arremessadores são funções completamente diferentes. Tanto que a formação, desde que passa a integrar as categorias de base das equipes profissionais, é feita já considerando que o atleta só fará uma das duas coisas: ou rebate, ou arremessa. Até ocorre de um arremessador ter de rebater ou um rebatedor ter de arremessar, mas nunca se espera nada muito produtivo desses momentos. Como de um jogador de linha que vai ao gol ou de um goleiro que vai ao ataque.

Pois é o que Ohtani faz. E não é um momento ou outro, no improviso ou no desespero -- como nos casos de Pérez e Alisson --, é por vocação. O japonês foi contratado em 2018 já com essa dupla função, mas teve apenas uma temporada plena como arremessador e rebatedor ao mesmo tempo. Em 2018 foi bem no bastão, mas sofreu uma lesão que limitou seu tempo arremessando. Em 2019, essa mesma lesão o impediu de arremessar, mas ele pôde apenas rebater (ele arremessa como destro e rebate como canhoto, então a lesão que o atrapalhou no montinho não o atrapalhou com o bastão). Em 2019, também teve contusão e praticamente não arremessou.

Na atual temporada, tudo pareceu se alinhar. Os Angels adotaram uma postura mais cuidadosa para lidar com suas aparições como arremessador, mas permitiram que ele rebatesse nos jogos em que fosse ao montinho. Tem funcionado, e muito. Neste momento, Ohtani é o líder de home runs da MLB, é um dos 20 que mais roubou base (líder em sua equipe) e o melhor arremessador da rotação do Los Angeles, com 2,37 de ERA (mais de duas corridas a menos que o segundo colocado). São números fantásticos em três fundamentos totalmente diferentes.

Para seguir com a comparação futebolística, não é como Alisson indo para a área uma vez para fazer um gol, ou Enzo Pérez fazendo uma partida como goleiro. É como se um dos melhores goleiros do campeonato e ainda fosse o artilheiro da liga e o líder de desarmes de sua equipe.

Isso significa que Ohtani tem muito talento? Não, é mais que isso. Ter muito talento vários jogadores têm. Conseguir tal desempenho em situações tão diversas, sabendo que o tempo dedicando a treinar um fundamento limita o tempo para desenvolver os outros, é coisa para um superatleta. Alguém que tem constituição física e capacidade mental únicas em sua geração. Não apenas no beisebol americano, mas no esporte mundial. E isso precisa ser apreciado devidamente.

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Na semana de Alisson e Enzo Pérez, precisamos apreciar o que faz Shohei Ohtani

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O que significa a ameaça de mais um time deixar Oakland | Semana MLB

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

O Semana MLB é um post em forma de newsletter sobre os principais temas (e a programação de TV) da MLB. Toda sexta uma nova edição

O lema dos Athletics nas últimas temporadas tem sido #RootedInOakland, “enraizado em Oakland”. O motivo era evidente, reforçar o compromisso da franquia com a cidade, em contraste com os Raiders, que se mudaram para Las Vegas, e com os Warriors, que atravessaram a baía e agora jogam em São Francisco. Muito bom para engajar a torcida local, mas talvez as tais raízes não estejam tão profundas.

Na última quarta, a Major League Baseball deu sinal verde para os A’s procurarem novos mercados. Em bom português, ver se alguma cidade estaria disposta a fazer os investimentos para receber o time. As informações até indicavam Las Vegas como favorita, com Nashville, Montreal, Charlotte, Vancouver e Portland aparecendo como outras interessadas.

Isso significa que Oakland realmente ficará sem representante algum nas principais ligas norte-americanas? Vamos com calma.

O RingCentral Coliseum tem um lance de arquibancada construído apenas para o futebol americano, apesar de não ter mais time da NFL na cidade
O RingCentral Coliseum tem um lance de arquibancada construído apenas para o futebol americano, apesar de não ter mais time da NFL na cidade Reprodução

Os Athletics sempre mostraram interesse em permanecer em Oakland. A questão é ter um novo estádio. O RingCentral Coliseum é antiquado e defasado, apresenta diversos problemas em suas instalações (houve até caso de vazamento de esgoto nos vestiários) e mal localizado, sendo pouco atrativo para o público. A diretoria sabe que é preciso ter uma casa nova, mais moderna, confortável e bem localizada para impulsionar a média de público -- e o faturamento -- da franquia.

Nessas situações, é comum o clube fazer chantagem com o poder público e ameaçar a mudança se a prefeitura ou o governo estadual não bancarem a construção de um novo estádio. Na Califórnia, essa tática dificilmente traria bons resultados. Tanto que os A’s sempre deixaram claro que querem um novo estádio, mas ele seria inteiramente financiado pela iniciativa privada. A questão é que o projeto, para se tornar viável, inclui não apenas o estádio, mas também habitação de médio padrão, escritórios, comércio e um hotel. seriam investidos US$ 12 bilhões.

O empreendimento impressiona, mas a prefeitura reluta em aprová-lo. Apesar da promessa de contar apenas com recursos privados, um complexo imobiliário deste tamanho exigiria várias melhorias na infraestrutura da região. De acordo com os responsáveis pelo projeto, o investimento público seria de US$ 855 milhões. Mas as autoridades temem que tivessem de injetar ainda mais dinheiro, por isso a demora na avaliação do plano.

A MLB tem pressa para resolver a questão do Oakland. Se a aprovação vier ainda neste ano, toda a obra só ficaria pronta em 2027, quatro anos de atraso em relação ao que os A’s tinham planejado quando lançaram o projeto. Além disso, já há pressões externas e internas para expandir a liga para 32 times, e isso só pode acontecer depois que todas as equipes estiverem com bons acordos de estádios. Além dos Athletics, o Tampa Bay Rays também tem questões pendentes nesse aspecto.

Por isso, a liberação da MLB para que os A’s procurem novos mercados é até real. Mas, neste primeiro momento, é mais uma ferramenta de pressão à prefeitura de Oakland. Como se dissesse “decide logo se a gente vai poder fazer o novo estádio, se não a gente procura outro lugar para jogar”.

Palpite: os A’s acabam ficando em Oakland.

NOVIDADE NOS CANAIS DISNEY

A partir da próxima quinta, o ESPN App passará a transmitir a Liga Mexicana de Beisebol. Trata-se de uma das ligas mais fortes fora dos Estados Unidos e conta com os brasileiros André Rienzo (Tecolotes de los Dos Laredos), Paulo Orlando (também Tecolotes) e Tiago da Silva (Generales de Durango).  Toda sexta, a grade da LMB no ESPN App aparecerá aqui no Semana MLB.

Personagem

Muita gente ainda tem a imagem do Madison Bumgarner autoritário, dominante, indestrutível. O jogador que foi ao montinho com apenas dois dias de descanso para fazer cinco entradas finais de um jogo sete de World Series. Uma das figuras que representava melhor o tricampeonato do San Francisco Giants nos anos pares entre 2010 e 2014. Pois esse Bumgarner tinha ficado em São Francisco. 

O arremessador assinou um contrato de US$ 85 milhões por cinco anos com o Arizona Diamondbacks no começo do ano passado e, desde então, se transformou em um dos piores abridores da MLB. Teve ERA de 6,48 em 2020 (só não foi o segundo mais alto da liga porque ele não fez o número mínimo de jogos para se qualificar) e vinha com horrorosos 8,68 após quatro jogos na atual temporada.

Em Phoenix, o trabalho em cima de Bumgarner focava em tentar aumentar a taxa de rotações de seus arremessos, o que costuma gerar bolas mais elétricas, com mais movimentos. Claramente não vinha dando certo. Então o arremessador passou a jogar mais com seu instinto, procurando apenas aplicar seu repertório da forma mais natural possível. Desde então, foram quatro jogos, com 25 entradas arremessadas e apenas duas corridas cedidas (ERA de 0,72 no período). 

Vídeo da semana

Drew Robinson rebateu um home run em um jogo do Sacramento Rivercats (triple-A do San Francisco Giants) contra o Las Vegas Aviators. Robinson chegou a jogar 100 partidas da MLB, mas não vingou. Entrou em depressão e tentou o suicídio. Sobreviveu, mas perdeu o olho direito. Ainda assim, recebeu um convite dos Giants para tentar retornar ao beisebol. Estreou em 6 de maio e agora rebateu seu primeiro home run. Vou contar melhor essa história em breve aqui no blog.


O que vem por aí

Ainda é passível de confirmação, mas vale muito ficar de olho no duelo de terça (dia 18) entre Houston Astros e Oakland Athletics. Os A’s já anunciaram os arremessadores prováveis para os jogos de quarta e quinta da série (Sean Manaea e Frankie Montas), mas não o de terça. Por quê? Pela ordem da rotação, seria o jogo de Mike Fiers, campeão pelos Astros em 2017 e responsável por denunciar todo o esquema de roubo de sinais do Houston na temporada do título. Esse reencontro todos estão esperando. E, mesmo que Fiers seja poupado dessa partida, o confronto vale a pena pelo duelo entre as equipes mais fortes da Liga Americana Oeste.

E, no próximo Sunday Night...

San Diego Padres e St. Louis Cardinals fizeram uma das melhores séries nos playoffs do ano passado. Os Padres se classificaram com duas vitórias na melhor-de-três, mas precisaram de uma virada espetacular no jogo dois para sobreviver no confronto. As duas equipes fazem campanhas sólidas na busca dos playoffs novamente, e se reencontrarão neste fim de semana em San Diego. No Sunday Night Baseball, o sul-coreano Kim Kwang-Hyun abrirá para os Cardinals, enquanto que o surpreendente Ryan Weathers (ERA de 0,81) arremessará pelos Padres.

#MLBnaESPN #MLBFoxSports na semana

Sexta, 14/mai
20h - Los Angeles Angels x Boston Red Sox (ESPN 2)

Domingo, 16/mai
20h - St. Louis Cardinals x San Diego Padres (Fox Sports)

Segunda, 17/mai
20h - New York Mets x Atlanta Braves (Fox Sports)

Terça, 18/mai
21h - New York Yankees x Texas Rangers (ESPN 2)*

Quarta, 19/mai
20h - New York Mets x Atlanta Braves (ESPN 2)*

Quinta, 20/mai
21h30 - LMB: Sultanes de Monterrey x Acereros de Monclova (ESPN App)

Sexta, 21/mai
20h - New York Yankees x Chicago White Sox (Fox Sports)
21h - LMB: Guerreros de Oaxaca x Pericos de Puebla (ESPN App)
21h - LMB: Saraperos de Saltillo x Rieleros de Aguascalientes (ESPN App)

Obs.: Grade sujeita a alteração

* Partida sujeita a mudança de canal ou para o ESPN App por conflito de grade com o Mundial de Surfe

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O que resta para Albert Pujols, um dos maiores da história do beisebol | Semana MLB

Ubiratan Leal
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“A Máquina.” Albert Pujols não recebeu esse apelido à toa. Ele era uma máquina. Uma máquina de rebater, de todas as maneiras. Durante os dez primeiros anos de sua carreira (toda a década de 2000), teve mais de 30% de aproveitamento, mais de 40% em base, mais de 30 home runs e mais de 100 corridas impulsionadas em todas as temporadas. Neste período, foi uma vez estreante do ano, três vezes MVP da liga e quatro vezes segundo colocado na eleição de MVP. Não à toa, o Los Angeles Angels ofereceram ao dominicano um contrato de dez anos e US$ 240 milhões.

Avançando uma década, temos um Pujols em seu último ano de contrato. Ele teve algumas boas temporadas em Los Angeles, chegou a ter votos para MVP em 2012 e 14 e foi selecionado uma vez ao All-Star Game. Mas o primeira base mostrou sentir o avanço da idade e a falta de um time competitivo a seu redor (com exceção de Mike Trout, claro) não contribuiu para mudar a percepção de que ele não seria capaz de capitanear os Angels na busca de seu segundo título. Até que, nesta quinta, a franquia anunciou a dispensa do craque.

Pujols rebate home run contra os Red Sox
Pujols rebate home run contra os Red Sox Getty

A medida dói, até porque soa desrespeitosa com um dos melhores jogadores da história. Pujols é o quinto maior rebatedor de home runs da história e o 14º em rebatidas (é o primeiro entre jogadores em atividade nos dois quesitos), vai para o Hall da Fama assim que for elegível. No entanto, ele teve menos de 25% de aproveitamento nos últimos cinco anos. Em 2021, estava com 19,8%. Para uma equipe que tem um bom rebatedor designado (Shohei Ohtani) e um bom primeira base (Jared Walsh) e pretende brigar por vaga em playoff, um jogador com o desempenho do Pujols atual é uma vulnerabilidade. Ele até teria espaço como um reserva que pode entrar para rebater em alguns momentos, mas o dominicano deixou bem claro que não aceitaria esse papel. Então, o rompimento faz sentido técnico para ambos os lados. 

A questão agora é: Pujols vai ter espaço como titular em alguma outra equipe? Pelo desempenho defensivo mais fraco, ele seria mais adequado como rebatedor designado. Ainda assim, seria um rebatedor designado com desempenho fraco, talvez torcendo para melhorar suas estatísticas na medida em que tivesse mais ritmo de jogo. Na Liga Nacional, a brecha é ainda menor, porque ele seria obrigado a jogar na defesa (está longe de ser seu forte nos últimos tempos). 

Desse modo, sobram dois caminhos mais prováveis ao craque dominicano: ou aceita se tornar um reserva que entre pontualmente para rebater contra arremessadores canhotos, ou então entende que só teria sequência de jogos em uma equipe de poucas perspectivas de classificação, que poderiam se dar ao luxo de ter um rebatedor de números baixos, mas que daria retorno pelo peso histórico e, se pegar ritmo, talvez até acrescentasse alguma coisa ao time.

Personagem

Já que o tema são alguns dos maiores jogadores da história, Willie Mays completou 90 anos na última quinta. Por revolucionar o beisebol e por ser a primeira superestrela das grandes ligas americanas, Babe Ruth é normalmente lembrado como o maior jogador da história da MLB. Mas, para muita gente, Mays foi o melhor jogador. O mais completo tecnicamente. Em 23 temporadas, conquistou duas vezes o prêmio de MVP, participou de 24 All-Star Games (em alguns anos, havia dois), foi quatro vezes o líder em home runs, quatro vezes o líder em bases roubadas e cinco vezes em slugging. Defendeu os Giants por 21 anos (seis em Nova York e o restante em São Francisco) e o New York Mets nas duas últimas temporadas na carreira. Ainda foi o autor da que é considerada a maior defesa da história. 

Vídeo da semana

O Chicago Cubs tinha o jogo sob controle. Vencia o Los Angeles Dodgers por 7 a 0, até que Keibert Ruiz rebateu o home run de honra para o time californiano. A bolinha fica com um garotinho. Bom souvenir para voltar para casa? Não, o pai ensinou como a torcida dos Cubs trata a bolinha de home runs do time adversário. Formação de caráter. Confira.

O que vem por aí

Matt Harvey apareceu como a futura cara do New York Mets. Em suas três primeiras temporadas, teve ERA abaixo de 3 e pintava como o grande líder de uma jovem rotação espetacular que surgia na franquia. O título da Liga Nacional em 2015 seria apenas o início de uma fase vitoriosa da equipe nova-iorquina. Até que o arremessador, que chegou a ser apelidado de “Cavaleiro das Trevas” pela torcida, sofreu uma série de graves lesões, seu desempenho nunca mais foi o mesmo e acabou perdendo espaço. Em 2018, foi para o Cincinnati Reds como aposta. Para a atual temporada, Harvey acertou com o Baltimore Orioles e está escalado como o abridor da partida da próxima quarta (dia 12) contra os Mets em Nova York. Será a primeira vez que enfrenta sua ex-equipe, e é bem possível que a torcida nova-iorquina faça algum tipo de celebração ao reencontro.

E, no próximo Sunday Night...

No momento em que esse texto é escrito, o Philadelphia Phillies é o líder da Liga Nacional Leste, com o Atlanta Braves em terceiro lugar. Quando os dois se enfrentarem no Sunday Night Baseball, é possível que a posição esteja invertida. Ou que o líder sejam os Mets. Talvez até o Miami Marlins, com o Washington Nationals acompanhando. Sim, a divisão está nesse nível de equilíbrio. A diferença entre líder (Phillies) e lanterna (Nats) é de 2,5 jogos, menos que uma série. Por isso, o confronto entre Braves e Phillies (como praticamente qualquer confronto direto dentro dessa chave) já ganha contornos de jogo que pode fazer diferença enorme na definição de quem vai aos playoffs. Os abridores serão Aaron Nola e Huascar Ynoa.

#MLBnaESPN #MLBFoxSports na semana

Sexta, 7/mai
20h - Washington Nationals x New York Yankees (ESPN 2)*

Domingo, 9/mai
20h - Philadelphia Phillies x Atlanta Braves (ESPN)

Segunda, 10/mai
21h - Los Angeles Angels x Houston Astros (Fox Sports)

Terça, 11/mai
20h - New York Yankees x Tampa Bay Rays (ESPN)

Quarta, 12/mai
20h30 - St. Louis Cardinals x Milwaukee Brewers (ESPN App)

Sexta, 14/mai
20h - Los Angeles Angels x Boston Red Sox (ESPN 2)

Obs.: Grade sujeita a alteração

* Partida sujeita a mudança de canal ou para o ESPN App por conflito de grade com etapa do Mundial de Surfe

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O que resta para Albert Pujols, um dos maiores da história do beisebol | Semana MLB

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Jogadores do draft 2021 da NFL com passado no beisebol | Semana MLB

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

O Semana MLB é um post em forma de newsletter sobre os principais temas (e a programação de TV) da MLB. Toda sexta uma nova edição

Tom Brady, John Elway, Patrick Mahomes, Dan Marino, Marshall Faulk, Russell Wilson, Golden Tate, Steve McNair, Ricky Williams, Joe Theisman, Jameis Winston, Archie Manning, Kyler Murray, Daunte Culpepper, Matt Cassel, Colin Kaepernick e até Johnny Manziel. Todos esses jogadores têm algo em comum, além de terem se tornado famosos por jogar futebol americano. Todos foram draftado pela Major League Baseball antes de chegarem à NFL.

Não é preciso se inscrever para o Draft da MLB. Os clubes se reúnem e vão selecionando os jogadores universitários ou de ensino médio considerarem mais promissores, sem ter certeza se o jovem está pretende seguir carreira no beisebol. Claro, as equipes pesquisam para ter alguma ideia da pretensão de cada um, mas há uma margem de erro. Assim, vários garotos que mostraram talento arremessando ou rebatendo em um diamante não aceitam o convite do draft, e preferem seguir a vida. E às vezes essa sequência da vida inclui jogar futebol americano.

Não foi diferente no draft 2021 da NFL, ainda que nenhuma das principais promessas do futebol americano deste ano tivesse tanta ligação com o beisebol. No primeiro dia do recrutamento do futebol americano, apenas o quarterback Justin Fields tem histórico consistente no beisebol.

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Fields, escolhido pelo Chicago Bears na 11ª posição geral, atuava como segunda base e shortstop no ensino médio e chegou a participar do Perfect Game National Showcase, torneio que reúne os principais talentos do high school em todos os Estados Unidos. Fields até pensou em atuar nas duas modalidades quando foi para a universidade Ohio State, mas preferiu ficar apenas com a bola oval.

Mas é provável que o novo quarterback dos Bears não fique sozinho nessa lista. Entre os jogadores cotados a serem chamados nas rodadas seguintes, outros quatro têm ligação com o beisebol.

Feleipe Franks, quarterback de Arkansas, chegou a ser selecionado no draft da MLB em 2019. Ele nem jogou no beisebol universitário, mas fez uma sessão de bullpen e impressionou os olheiros do Boston Red Sox, que resolveram apostar no garoto.

Alim McNeil, defensive tackle, chegou a fechar para jogar dois esportes na NC State. Acabou apenas com o futebol americano, o que tirou da equipe de beisebol dos Wolfpacks um defensor externo que rebatia com potência.

Zach McPhearson, cornerback de Georgia Tech, chegou a ser apontado como o oitavo jogador mais promissor do estado de Maryland quando jogava como defensor externo no beisebol escolar (ensino médio). Ele poderia seguir os passos do irmão, Matt, que foi draftado pelo Arizona Diamondbacks e jogou alguns anos nas ligas menores. Mas preferiu a bola oval.

O último caso é o de Ben Cleveland, que teve incríveis 51,2% de aproveitamento no bastão como primeira base no time de sua escola no ensino médio. No entanto, se comprometeu apenas com a linha ofensiva quando foi para a Universidade da Geórgia, deixando o beisebol para trás.

Personagem

Jacob deGrom é a prova de como “vitórias” e “derrotas” devem ser relativizadas ao máximo quando encaradas como estatísticas para arremessadores (mesma discussão que ocorre no futebol americano com quarterbacks). O ás do New York Mets tem uma temporada assombrosa, com ERA de 0,51 (abaixo de 3 já é considerado ótimo) após cinco jogos. Para se ter uma ideia, ele cedeu duas corridas no montinho, mas tem duas corridas impulsionadas e três anotadas como rebatedor. Ainda assim, está com duas vitórias e duas derrotas em 2021. Sua última partida ocorreu nesta quarta, quando ele arremessou seis entradas e cedeu apenas uma corrida contra o Boston Red Sox. Placar do jogo: 1 a o, e mais uma derrota de DeGrom.

Vídeo da semana

Génesis Cabrera, do St. Louis Cardinals, manda uma bola rápida de 97 milhas/hora (156 km/h) direto na cara de Bryce Harper, do Washington Nationals. Claro, Harper deixa o jogo para ser atendido, mas incrivelmente não sofreu nenhuma lesão. Veja aqui.

O que vem por aí

Os confrontos entre Houston Astros e New York Yankees se tornaram programa imperdível para quem gosta de beisebol com intensidade. Duas das principais forças da MLB nos últimos anos, se encontraram duas vezes na final da Liga Americana (em 2017 e 19). Pois a série desta semana -- a ESPN transmite o jogo da terça, veja abaixo -- tem um ótimo duelo de arremessadores na quinta. Lance McCullers, que destruiu o ataque dos Yankees com uma sequência de bolas de curva nos playoffs de 2017, encontra Gerrit Cole, um dos melhores do mundo na atualidade e que estará jogando contra sua antiga equipe pela primeira vez.

Phillie Phanatic exibe tênis exclusivo ao lado de Bryce Harper
Phillie Phanatic exibe tênis exclusivo ao lado de Bryce Harper Getty Images

E, no próximo Sunday Night...

Quando se fala nas maiores rivalidades da MLB, logo se pensa em Yankees x Red Sox, Los Angeles Dodgers x San Francisco Giants e Chicago Cubs x St. Louis Cardinals. Pois uma forte candidata à quarta posição da lista é New York Mets x Philadelphia Phillies, equipes que fazem uma série acirrada neste fim de semana. As duas equipes dividem com o Atlanta Braves a liderança da Liga Nacional Leste, uma divisão em que o lanterna está apenas um jogo atrás do trio de ponteiros. No jogo do domingo à noite, David Peterson abrirá o jogo pelo time nova-iorquino, enquanto que os Phillies terão Zach Eflin. 

#MLBnaESPN #MLBFoxSports na semana

Sexta, 30/abr
20h - Houston Astros x Tampa Bay Rays (ESPN App)

Domingo, 2/mai
20h - New York Mets x Philadelphia Phillies (ESPN)

Segunda, 3/mai
22h30 - Tampa Bay Rays x Los Angeles Angels (Fox Sports)

Terça, 4/mai
20h - Houston Astros x New York Yankees (ESPN 2)*

Quarta, 5/mai
20h30 - Los Angeles Dodgers x Chicago Cubs (ESPN 2)*

Sexta, 7/mai
20h - Washington Nationals x New York Yankees (ESPN 2)*

Obs.: Grade sujeita a alteração

* Partidas que podem ir para o ESPN App por eventual conflito de grade com etapa do Mundial de Surfe

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Jogadores do draft 2021 da NFL com passado no beisebol | Semana MLB

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Sobre José Mourinho, Jorge Jesus, Abel Ferreira e filosofias de trabalho

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal


Poucos profissionais do futebol conhecem Jorge Jesus como Rúben Amorim. O atual técnico do Sporting trabalhou como jogador de JJ por sete temporadas, duas com o Belenenses e cinco com o Benfica. Quando Amorim fez a transição entre a chuteira e a prancheta, era natural que ele tivesse seu antigo comandante como referência. Mas não foi bem assim.

Em 2019, Amorim deu uma entrevista ao jornal Tribuna Expresso. Na época, o técnico ainda comandava o Braga e começava a aparecer no cenário português. Ele reconheceu a importância de Jorge Jesus sobre o treinador que ele estava se tornando (“Trabalhar com ele dá uma bagagem muito grande taticamente falando, e dentro de campo usa isso a toda a hora. (...) Se me perguntar qual o treinador que mais me influenciou, foi ele”), mas deixou claro que a referência era José Mourinho. 

Jorge Jesus durante Flamengo x Fluminense, pela final do Carioca de 2020
Jorge Jesus durante Flamengo x Fluminense, pela final do Carioca de 2020 Gazeta Press

Isso poderia levantar um debate sobre preferência por futebol mais ofensivo ou defensivo, mas seria apenas consequência. A questão principal seria metodologia.

“Gosto de ver (...) o United, porque o Mourinho é a minha referência [Mourinho comandava o Manchester United na época da entrevista]. Há treinadores que têm uma forma de ver o jogo que eu gosto, como o Guardiola, mas, para mim, a referência é o Mourinho. Vejo a bola de forma mais parecida com o mister Mourinho, ou seja, analisa muito bem os adversários e mete a sua equipe, não só com um determinado modelo de jogo, mas a pensar muito como é que se adapta para ganhar. E eu sou um bocado assim.” 

Veja que ele não fala necessariamente em estilo de jogo, ele fala em filosofia de trabalho. Ele contrapõe o treinador de times que impõem seu jogo sobre o adversário com o que molda sua equipe jogo a jogo. Ainda que os resultados recentes de Mourinho sejam fracos (desde a entrevista, ele já foi demitido de Manchester United e Tottenham), é essa característica que fascina Amorim. Tanto que, se a questão fosse beleza do jogo, o atual treinador do Sporting reconhece que o outro caminho costuma trazer melhores resultados.

“Claro que o Guardiola que também se adapta, mas nem tanto. A bola é para sair pelo goleiro e vai sempre pelo goleiro. Gostaria de ser assim, porque são os que têm melhor reputação no mundo do futebol, são aqueles caras do futebol bonito. Mas eu me identifico mais com o outro lado, mais a pensar como é que vou bater o adversário e como é que vou tentar que ele não faça gols.”

Jorge Jesus está mais do lado de Guardiola. Não por adotarem o mesmo sistema tático (não adotam) ou por terem o mesmo nível (não têm), mas por essa ideia: adaptações existem de um jogo a outro, mas sempre dentro de seu sistema de jogo. Até por isso seu atual trabalho no Benfica ainda não decolou, pois a formação ideal, capaz de se impor, demorou a chegar. Se é que ela já chegou. Mas, quando JJ encontrou esse time ideal, foi bonito de ver. O torcedor do Flamengo sabe muito bem disso.

Abel Ferreira no comando do Palmeiras
Abel Ferreira no comando do Palmeiras Cesar Greco / Palmeiras

Quando deu uma rodada de entrevistas durante as semanas de folga que tirou em Portugal no início desta temporada, Abel Ferreira também afirmou ter Mourinho como referência, não Jorge Jesus. O treinador do Palmeiras não disse textualmente que teria os mesmos motivos de Amorim, mas deixou evidente em vários momentos como se encanta pela ideia de adaptar seu time para encurralar cada adversário. Descreveu momentos em que fez isso (como nos 4 a 0 sobre o Corinthians), e também em que fizeram isso com ele (na derrota por 2 a 0 para o River Plate). Isso não dá ao Palmeiras uma cara única, mas talvez por isso ele explore tanto as opções do elenco e tenha deixado o time tão competitivo.

Claro, como dois técnicos portugueses com sucesso recente no Brasil, comparações entre Jorge Jesus e Abel Ferreira naturalmente surgiriam. A declaração de Abel, de se espelhar mais em Mourinho que em JJ, acabou acirrando isso. Ainda mais sob a ótica da beleza do futebol praticado pelos times de cada um. Mas talvez a questão principal não seja a estética do jogo. Ela seria apenas resultado das preferências em filosofia de trabalho.

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O que está dando errado com o ataque dos Yankees | Semana MLB

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

O Semana MLB é um post em forma de newsletter sobre os principais temas (e a programação de TV) da MLB. Toda sexta uma nova edição

Bombers, os Bombardeiros. Um dos apelidos criados para o New York Yankees faz referência direta ao estilo de jogo tradicional da equipe: bombas, muitas bombas. Por mais que o time nova-iorquino tenha contado com arremessadores excepcionais ao longo de sua história, a fama foi construída a partir dos grandes rebatedores de força que usaram o boné mais famoso do mundo. Babe Ruth é a referência imediata, mas Lou Gehrig, Mickey Mantle, Joe DiMaggio, Yogi Berra e Alex Rodríguez, entre outros, ajudaram a construir essa história.

Por isso é tão esquisito olhar a campanha dos Yankees após três semanas de temporada 2021. O ataque está anêmico, sofrendo para colocar a bola em jogo, mais ainda para fazê-la sobrevoar o campo e cair na arquibancada. Não à toa, o time chegou nesta sexta com a terceira pior campanha da Liga Americana e a quarta pior de toda a MLB. O que acontece?

Giancarlo Stanton em sua apresentação nos Yankees
Giancarlo Stanton em sua apresentação nos Yankees Alex Trautwig/MLB Photos via Getty Image

O elenco atual dos Yankees foi montado para atacar com a força. Aaron Judge, Giancarlo Stanton, Gary Sánchez, Luke Voit e Gleyber Torres são jogadores que devem garantir ao menos 30 home runs cada em uma temporada completa. Apenas DJ LeMahieu, Gio Urshela e Clint Frazier seriam rebatedores de aproveitamento alto. Assim, a equipe depende muito de seus principais rebatedores de força estarem mandando a bola para fora do campo. E a maioria acabou tendo problema ao mesmo tempo: Voit está contundido e ainda não estreou na temporada, Torres, Sánchez e Stanton vivem fase terrível. Só Judge tem sido uma presença constante.

Sem os home runs, o ataque dependeria de rebatidas mais curtas. E aí faltam jogadores com essa característica. LeMahieu faz um bom ano, mas Urshela está um degrau abaixo dos anos anteriores e Frazier começou mal o ano. Desse modo, os Yankees são antepenúltimos da Liga Americana em home runs e em aproveitamento. Resultado: segundo pior ataque da liga.

Por mais que a torcida e a imprensa de Nova York já falem em tragédia e peçam a demissão do técnico Aaron Boone, é provável que alguns dos rebatedores acabem encontrando ao menos parte de seu jogo ao longo da temporada. Além disso, é possível que a diretoria trabalhe para contratar algum rebatedor de aproveitamento alto para dar mais variação de jogo a esse ataque. Há margem de sobra para os Yankees se recuperarem e chegarem aos playoffs. Mas não dá para ignorar esse susto inicial.

Personagem

Foi divulgado o trailer da terceira temporada de “Call of Duty: Warzone”. O vídeo conta com a participação de diversas figuras conhecidas, como os rappers Young Thug, Saweetie e Jack Harlow, além do meia Jack Grealish (Aston Villa), o armador Dennis Schroeder (Los Angeles Lakers) e… Mookie Betts. O defensor externo do Los Angeles Dodgers aparece na cena final, rebatendo uma granada. Pode parecer algo pequeno, mas o beisebol precisa entrar nesse universo, vendendo suas estrelas como figuras icônicas e capazes de façanhas atléticas incríveis. Confira o vídeo abaixo:


O que vem por aí

Semana pesada para os Dodgers. Depois de enfrentar os Padres em uma série de quatro jogos que promete ser desgastante, o atual campeão recebe o Cincinnati Reds, uma das boas surpresas da temporada. Os Vermelhos têm o melhor ataque da MLB nesse começo de temporada, com 111 corridas anotadas e 31 home runs em 19 jogos. Um desafio interessante para o ótimo trio de abridores escalados para o Los Angeles na série, Julio Urías, Walker Buehler e Clayton Kershaw.

E, no próximo Sunday Night Baseball...

A série entre San Diego Padres e Los Angeles Dodgers no último fim de semana foi espetacular. Um jogo de 12 entradas, um decidido por uma defesa espetacular evitando o empate na nona entrada e outro com virada na oitava entrada. A MLB chegou a chamar o duelo de “a melhor série de temporada regular da história”. Talvez seja exagero, porque era a segunda semana da temporada e o impacto no campeonato será diluído ao longo dos meses, mas o nível técnico e de emoção foram altíssimos. E é o que se espera de mais uma série, iniciada nesta quinta em Los Angeles e que será encerrada no Sunday Night Baseball. No montinho, Joe Musgrove, dono de um no-hitter nesta temporada, e o explosivo Dustin May. Se o jogo for apenas 50% do que foram os anteriores, já será uma partidaça.

#MLBnaESPN #MLBFoxSports na semana

Sexta, 23/abr
21h - Los Angeles Angels x Houston Astros (Fox Sports)

Domingo, 25/abr
20h - San Diego Padres x Los Angeles Dodgers (ESPN)

Segunda, 26/abr
20h - Chicago Cubs x Atlanta Braves (ESPN)

Terça, 27/abr
20h - Boston Red Sox x New York Mets (ESPN 2)

Quarta, 28/abr
19h30 - Boston Red Sox x New York Mets (ESPN 2)

Sexta, 30/abr
20h - Houston Astros x Tampa Bay Rays (ESPN App)

Obs.: Grade sujeita a alteração

Fonte: ESPN

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Por que os EUA usam 'liga fechada' e como não dá para comparar com Superliga europeia

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Marlins Park MLB 26/09/2015
Marlins Park MLB 26/09/2015 Rob Foldy/Getty Images

Um campeonato disputado sempre pelos mesmos times, todos com muita força econômica e apelo de público. Não há promoção ou rebaixamento, tampouco critérios esportivos para a entrada de novos integrantes nesse clube fechado, mas há a garantia de que o torneio sempre terá os times com maior potencial de retorno financeiro. É a base da Superliga anunciada por alguns dos maiores clubes da Europa neste domingo. E também é o modelo no qual se desenharam as principais ligas dos Estados Unidos. Por isso, muitos já fizeram a comparação imediata.

A relação não é despropositada, até porque os investidores norte-americanos de clubes como Manchester United, Liverpool e Arsenal também trabalham com esporte nos Estados Unidos e conhecem bem os benefícios de “ligas fechadas”. No entanto, é preciso entender contextos, e esses dois universos -- futebol europeu e esportes americanos -- divergem bastante nesse aspecto.

A primeira liga profissional a surgir nos Estados Unidos foi a NAPBBP (National Association of Professional Base Ball Players), em 1871. Era uma bagunça. O modelo econômico do esporte ainda não estava consolidado e o campeonato reunia clubes com comprometimento muito diferente com a competição. Alguns, os mais fortes, conseguiam atrair torcedores, vender ingressos e, com isso, bancar os salários dos atletas. Os que pertenciam a empresários engajados na ideia de criar uma indústria em torno do esporte também se bancavam esperando o retorno lá na frente. Mas havia muitos aventureiros no meio, que preferiam abandonar o torneio no meio da temporada para ganhar dinheiro em cachês para disputar amistosos pelo interior.

Era impossível uma liga esportiva vingar como negócio dessa forma. Ainda mais em um país com distâncias enormes como os Estados Unidos (o que não ocorre nos países europeus). Ficou evidente que um campeonato forte precisaria que todos os times fossem minimamente sustentáveis para ficar em pé.

Desse modo, o dono do Chicago chamou os colegas de outros clubes para criar uma nova liga, com novo modelo. Quem quisesse participar teria de garantir o respeito ao regulamento e a permanência por toda a temporada. Por isso, priorizaram equipes de grandes cidades, com mais potencial de mercado, mas evitando times da mesma cidade para que não houvesse concorrência interna.

Foi desse modo que surgiu a Liga Nacional (hoje uma das metades da MLB) em 1876. Sim, século 19, da época em que o Brasil era um império com Dom Pedro II no comando. De seus integrantes originais, sobreviveram o Chicago Cubs e o Atlanta Braves. 

As demais ligas norte-americanas que surgiram depois seguiram esse modelo. Lista fechada de integrantes, com controle de finanças forte para que todas as equipes tenham capacidade de competir e de prosperar economicamente. Quando há expansão, procura-se buscar regiões ainda pouco atendidas pela liga, justamente para levar as partidas para o máximo possível de regiões dos Estados Unidos -- e, eventualmente, do Canadá. As cidades menores ficam fora desse sistema, mas quase todas acabam tendo um time universitário por perto, lembrando que as competições universitárias de futebol americano e basquete são mais antigas e enraizadas que as profissionais.

Barcelona e Real Madrid estão entre os fundadores da Superliga europeia
Barcelona e Real Madrid estão entre os fundadores da Superliga europeia Getty Images

É aí que o modelo norte-americano se distancia brutalmente da Superliga europeia de futebol. O modelo de liga fechada surgiu para garantir a própria existência da competição, mas veio casado com mecanismos que assegurem distribuição de recursos, equilíbrio técnico e até uma certa “democracia geográfica” (na falta de um termo melhor). 

Das ligas americanas, a Superliga europeia tem apenas o fato de buscar um formato de membros fechados. A democracia geográfica é nula, com 12 times fundadores representando apenas três países (Espanha, Inglaterra e Itália) e sete cidades (Barcelona, Liverpool, Londres, Madri, Manchester, Milão e Turim). A busca por equilíbrio técnico também não parece ser a tônica, ou alguém acha que alguns dos fundadores se sujeitarão a um teto salarial que limite sua capacidade de contratar craques? Ou que os oito times não-fundadores que entrassem no torneio teriam a mesma cota de TV e ainda a preferência na contratação de jovens (equivalente ao draft)?

Da forma como ela se propõe, a Superliga não apenas dá a seus integrantes o monopólio da possibilidade de se dizer “campeão europeu”, como ainda seria completamente predatória com “o resto”, uma vez que seus clubes querem continuar jogando suas ligas nacionais. Ultrabombados com os bilhões que receberiam pela Superliga, obviamente teriam elencos muito mais poderosos do que qualquer outro em seus países e relegariam ainda mais seus vizinhos. Clubes centenários, muitos com enorme torcida.

Mal comparando, seria como se algumas universidades, que já são dominantes nas competições da NCAA, se fundissem com times da NFL ou da NBA para criar equipes aproveitassem ao máximo os dólares movimentados nesses dois níveis de basquete ou futebol americano (impossível acontecer, só hipótese). Usariam os bilhões do profissional e teriam equipes surreais para o padrão universitário, dominando os torneios da NCAA e destruindo as equipes das demais universidades.

Isso já acontece hoje devido à força econômica da atual Champions League, mas se tornaria ainda mais radical. Até porque o Leicester, o Sevilla ou a Atalanta até podem fazer uma boa temporada, arrecadar alguns milhões de euros a mais jogando um torneio continental e ir gradualmente ganhando terreno. Não conquistarão a Champions, mas podem se meter entre os grandões por um tempo e até levantar um campeonato ou copa nacional pelo caminho. Pela proposta da maioria dos gigantes europeus, nem essa possibilidade haveria mais.

O sistema americano tem problemas e muitos deles merecem ser contestados. Mas a adoção de liga fechada se deu dentro de um contexto muito particular, com vários mecanismos para garantir não apenas a sustentabilidade econômica de todos, mas também para criar equilíbrio e levar a competição para todas as regiões do país. Tudo o que a Superliga europeia não propõe.

Fonte: Ubiratan Leal

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A melhor atuação do ano, de um jogador que por pouco não foi dispensado | Semana MLB

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

O Semana MLB é um post em forma de newsletter sobre os principais temas (e a programação de TV) da MLB. Toda sexta uma nova edição

Carlos Rodón talvez nem devesse estar mais na MLB. O arremessador teve lesões sérias todos os anos desde 2016. Não à toa, desde então nunca conseguiu uma temporada com mais de 20 partidas e colocar seu ERA abaixo de 4. Um cenário que ficou ainda pior em 2019 e 2020, com cirurgia Tommy John e lesão no ombro que o limitaram a menos de dez partidas na soma dos dois anos. E com ERA de 5,19 e terríveis 8,22. Sua bola rápida, que já teve velocidade média de 93 milhas/hora, tinha caído para 91.

Com contrato que termina justamente em 2021, com valor de apenas US$ 3 milhões (pouco para uma franquia da MLB), era possível que o Chicago White Sox simplesmente o dispensasse. Afinal, o time enfim tem condições de brigar pelo título e não valeria a pena ocupar uma vaga no elenco com um jogador cujo desempenho só cai. Na época de reconstrução dá para sustentar, mas não quando se tem ambições. Mas os Meias Brancas acreditaram em Rodón.

O arremessador recebeu a informação de que ainda interessava. A comissão técnica via potencial no jogador, bastaria realizar ajustes para a velocidade dos arremessos voltar e para reduzir as lesões. Durante a intertemporada, Rodón trabalhou muito para tornar a mecânica de seu arremesso mais fluida da cintura para baixo, tornando o arremesso mais natural ao corpo e transferindo melhor a energia que vai ao arremesso.

Carlos Rodón, arremessador do Chicago White Sox
Carlos Rodón, arremessador do Chicago White Sox Getty Images

O resultado disso foi uma atuação quase artística de Rodón na última quarta. O arremessador dominou o ataque do Cleveland Indians, conseguindo eliminação atrás de eliminação. A bola rápida chegou a 99 milhas/hora, mas a capacidade de variar e localizar bem os arremessos impressionaram mais que a velocidade em si. Foram 25 eliminações seguidas. Faltavam duas para um jogo perfeito.

Até que um slider fez efeito demais e acertou a ponta do pé de Roberto Pérez. O jogo perfeito foi embora ali, mas Rodón conseguiu as duas eliminações seguintes para fechar um no-hitter. Uma atuação tecnicamente magnífica. De um jogador que ainda acreditava que tinha algo a dar ao beisebol. Jogando por um time que também acreditou nisso.

Personagem

A semana do Chicago White Sox ficará marcada pelo jogo quase perfeito de Carlos Rodón, mas o rebatedor designado Yermín Mercedes também merece seu espaço. O dominicano tinha ido apenas uma vez ao bastão em sua carreira antes do início desta temporada. Mas teve a chance de ser titular no primeiro jogo do ano: conseguiu cinco rebatidas em cinco oportunidades. E ele pegou o embalo. Após duas semanas de temporada, ele lidera a liga com 47,6% de aproveitamento, três home runs (incluindo o mais longo da temporada, com 485 pés, e outro na mesma partida do no-hitter de Rodón). Os White Sox já estão vendendo camisas com o Yermínator.

O que vem por aí

Desde os playoffs do ano passado que a rivalidade entre Los Angeles Dodgers e San Diego Padres virou um dos grandes assuntos da MLB. A expectativa por esse encontro em 2021 ficou ainda maior depois de os Padres contratarem Blake Snell e Yu Darvish. Pois teremos, a partir desta sexta (16) em San Diego, a primeira série entre os dois favoritos ao título da Liga Nacional. E com direito a duelos espetaculares no montinho, como Clayton Kershaw x Yu Darvish no sábado e Trevor Bauer x Blake Snell no domingo. E fica de olho porque, na outra semana, é a vez de os Dodgers receberem esse confronto.

E, no próximo Sunday Night...

Um duelo entre a explosão e a contenção. O Atlanta Braves tem um dos melhores ataques da MLB e conta com Ronald Acuña Jr., líder de home runs (7) e talvez o melhor jogador de toda a liga nessas primeiras semanas de temporada. Do outro, o Chicago Cubs com o segundo pior ataque do campeonato, mas que tem em Kyle Hendricks um arremessador capaz de entregar uma abertura de qualidade (6 ou mais entradas arremessadas, três corridas ou menos cedidas) atrás da outra. Contra os Braves, Hendricks tem 2,66 de ERA na carreira. Contra os Cubs, Acuña Jr tem 41,7% de percentual em base.

#MLBnaESPN #MLBFoxSports na semana

Sexta, 16/abr
20h - Tampa Bay Rays x New York Yankees (ESPN 2)*

Domingo, 18/abr
20h - Atlanta Braves x Chicago Cubs (ESPN)

Segunda, 19/abr
23h - Milwaukee Brewers x San Diego Padres (Fox Sports)

Terça, 20/abr
20h30 - New York Mets x Chicago Cubs (ESPN 2)*

Quarta, 21/abr
19h30 - Atlanta Braves x New York Yankees (ESPN 2)*

Sexta, 23/abr
21h - Los Angeles Angels x Houston Astros (Fox Sports)

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A melhor atuação do ano, de um jogador que por pouco não foi dispensado | Semana MLB

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Jackie Robinson é lembrado como um craque dentro de campo, mas foi um gigante fora dele

Ubiratan Leal
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Da esq. para dir.: Johnny 'Spider' Jorgensen, Harold 'Pee Wee' Reese e Eddie Stanky no dia da estreia de Jackie Robinson
Da esq. para dir.: Johnny 'Spider' Jorgensen, Harold 'Pee Wee' Reese e Eddie Stanky no dia da estreia de Jackie Robinson Getty

A Major League Baseball se tornou um lugar melhor há exatos 74 anos. Em 15 de abril de 1947, Jackie Robinson entrou em campo com a camisa do Brooklyn Dodgers para enfrentar o Boston Braves. Naquele momento, um marco se estabelecia: a liga tinha seu primeiro atleta negro. Não foi apenas um grande acontecimento dentro do beisebol. A MLB era, de longe, a liga mais popular dos Estados Unidos na época e o impacto da quebra da barreira racial se espalhou em toda a sociedade.

Robinson foi a figura perfeita para esse momento. Dentro de campo, era um jogador espetacular, capaz de mostrar a qualquer racista como um negro poderia competir em igualdade com os melhores brancos. Tanto que o camisa 42 dos Dodgers foi eleito estreante do ano em 1947 e MVP da temporada em 1949, além de ser selecionado para o All-Star Game em seis das nove temporadas completas que disputou. 

LEIA TAMBÉM: Ligas Negras importam

Mas muita gente se esquece de Robinson fora de campo. E sua atuação como ativista foi tão ou mais importante do que seus feitos como atleta.

O primeiro negro da história da MLB sabia muito bem o que sua presença na liga representava, e o impacto que ela teria. Ele tornou-se ídolo imediato de milhões de afro-americanos, e tudo o que ele fazia e dizia passou a ter uma força de mobilização imensa. Robinson se tornou colunista de jornal, com liberdade para escrever sobre questões raciais ou “apenas” sobre os acontecimentos do beisebol do dia. Ele também foi empresário, entrando como sócio em iniciativas que visavam melhorar as condições da população negra, como um banco especializado em dar financiamento para afro-americanos abrirem seus próprios negócios (algo muito difícil nas instituições financeiras mais tradicionais da época).

O Movimento dos Direitos Civis, que cresceu no final da década de 1950 e nos anos 60 teve também sua participação. Ele se tornou amigo de Martin Luther King e era visto no palanque em diversas manifestações, além de ser uma voz sempre procurada quando algo importante acontecia.

VEJA MAIS:  Hank Aaron, o homem que foi ídolo até de Muhammad Ali

Muito dessa atuação de Robinson foi publicada no livro “First Class Citizenship: the Civil Rights Letters of Jackie Robinson” (“Cidadania de Primeira Classe: as Cartas de Direitos Divis de Jackie Robinson”, sem edição em português). E, como uma pequena amostra de sua atuação fora dos campos, vou destacar uma carta enviada* a um jornalista esportivo de Nova Orleans que era a favor da segregação racial no esporte. O texto é de julho de 1956, último ano da carreira de Robinson.

“Caro Sr. Keefe,

Recebi um artigo em que você faz referência a mim ao falar da aprovação de uma lei favorável à segregação no esporte na Luisiana. Estou escrevendo a você não como Jackie Robinson, mas como um ser humano para outro. Não posso mudar o que você pensa de mim. Eu falo com você apenas como um americano que por um acaso é negro, e que tem orgulho de sua herança.

Não pedimos nada especial. Apenas pedimos que nos permitam viver a vida como você vive a sua, e como nossa Constituição prevê. Pedimos apenas, no esporte, que nos permitam competir em igualdade de condições, e, se não tivermos condições, a competição acabará nos eliminando. Certamente você, e o povo da Luisiana, deveriam ser capaz de lidar com essa competição.

Eu e outros negros na MLB nos hospedamos em hoteis com o resto do time em cidades como St. Louis e Cincinnati. Esses hoteis não faliram. Nenhum investimento foi destruído. Os hoteis estão, acredito eu, prosperando. E não ocorreu nada desagradável

Desejo que você pudesse ver isso como eu vejo, mas eu tenho uma pequena esperança. Eu desenho que você possa compreender quão injusto e anti-americano é uma questão de origem fazer tanta diferença para você. Imagino que você tenha origem irlandesa. Me disseram que, há apenas 50 anos, anúncios de empregos em jornais tinham a observação “irlandeses e italianos não são aceitos” em certas regiões do nosso país. Isso foi esquecido, ou ao menos superado.

Você me chama de ‘insolente’. Admito que eu não tenho sido subserviente, mas você usaria o mesmo adjetivo para descrever um jogador branco? Digamos Ted Williams, que é, mais que eu, envolvido em assuntos controversos? Eu sou insolente ou eu sou apenas ‘insolente para um negro’ (que tem coragem suficiente para falar contra as injustiças como a sua e a de pessoas como você)?

Estou profundamente triste que a Luisiana deu esse passo para trás… Porque seus torcedores, e acredito que muitos sejam pessoas muito boas, perderão a oportunidade de ver grandes atrações por causa disso... Não pelos negros na Luisiana que vão, por causa da sua lei, perderem o direito de uma competição livre e igual -- mas pelo dano que isso faz a nosso país.

Estou feliz por você, por você ter nascido branco. Teria sido extremamente difícil para você se tivesse sido diferente.

Jackie Robinson”

* Dica do fã de esporte Fernando Franca

Fonte: Ubiratan Leal

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Jackie Robinson é lembrado como um craque dentro de campo, mas foi um gigante fora dele

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Qual a real condição de Fernando Tatís Jr? | Semana MLB

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Tatís (de óculos na foto) celebra home run dos Padres na campanha de 2020
Tatís (de óculos na foto) celebra home run dos Padres na campanha de 2020 Getty Images


O Semana MLB é um post em forma de newsletter sobre os principais temas (e a programação de TV) da MLB. Toda sexta uma nova edição

O San Diego Padres sabe o que Fernando Tatís Jr pode representar na história da franquia. Tanto que duas temporadas completas bastaram para a diretoria oferecer um contrato de US$ 340 milhões para ter o shortstop no elenco pelos próximos 14 anos. Por isso, quando o jogador caiu com uma lesão no ombro esquerdo após um violento swing no vazio, todo torcedor dos Padres sentiu quase como se fosse nele as dores.

O lance ocorreu durante a partida contra o San Francisco Giants na última segunda (5). Naquela noite o departamento médico dos Padres já falava em subluxação no ombro, mas a previsão de tratamento e retorno ficaria para após um exame mais detalhado. No dia seguinte saiu o resultado: a subluxação estava confirmada, mas seria mais leve que o imaginado inicialmente e o San Diego tentaria a recuperação sem cirurgia, anunciando que poderia voltar em até dez dias em um cenário otimista.

Alívio da torcida, mas a história despertou desconfiança. A ortopedista Stephania Bell participou do podcast Baseball Tonight, da ESPN americana, e disse que o tipo e tempo de tratamento informados pelos Padres não são os mais comuns para uma lesão como a de Tatís (clique aqui para ouvir, a partir dos 26:00 do episódio de 8 de abril). E que ela, apesar de reconhecer que não teve acesso aos resultados dos exames, acharia mais prudente um tratamento sem pressa, ainda mais considerando o compromisso financeiro entre o clube e o atleta.

Para entender um pouco o que se trata a lesão, a fisioterapeuta especializada em ortopedia e trauma Nágela Freitas, brasileira que está participando em estudo da Universidade do Texas sobre lesões na NFL, fez uma ótima (e didática) postagem em seu Instagram explicando o caso. E por que tanta gente tem desconfiado da informação inicial divulgada pelos Padres.

Personagem

Akil Baddoo estreou na MLB no último domingo (4), na partida contra o Cleveland Indians. Logo no primeiro arremesso que viu na carreira, o defensor externo do Detroit Tigers rebateu um home run. No dia seguinte, contra o Minnesota Twins, fez sua segunda partida na liga. Baddoo rebateu um grand slam. Na terça, conseguiu uma rebatida simples na nona entrada, impulsionando a corrida da vitória dos Tigers sobre os Twins. Eis um sujeito que chegou à MLB fazendo barulho.

O que vem por aí

Chicago Cubs e Milwaukee Brewers são equipes com pretensão de brigar por um lugar nos playoffs, mas (ao menos por enquanto) seus confrontos não estarão entre os que chamarão mais a atenção do torcedor em geral. Por isso, vale o aviso para o confronto da próxima terça (13). Os abridores previstos serão Kyle Hendricks e Brandon Woodruff. Os dois já se encontraram na última quarta (7) e foi o melhor duelo de arremessadores deste começo de temporada. Hendricks cedeu apenas 4 corridas em seis entradas pelos Cubs, enquanto Woodruff foi ainda melhor: no-hitter até a sétima entrada. Os dois juntos tiveram 13 entradas, 5 rebatidas e nenhuma corrida. Os bullpens não mantiveram a eficiência e cederam 6 corridas na vitória dos Brewers por 4 a 2.

E, no próximo Sunday Night...

Todos os jogos da Liga Nacional Leste valem a pena conferir. É a divisão mais equilibrada da MLB, em que até o time mais fraco --- o Miami Marlins -- pode aspirar uma vaga nos playoffs (final, conseguiu isso em 2020). Por isso, toda partida ganha ar de confronto direto pela classificação, mesmo nas primeiras semanas da longa temporada regular. Neste domingo, Philadelphia Phillies e Atlanta Braves se enfrentarão em Atlanta. Os Phillies tentarão manter o embalo de vitórias nas duas séries que fez até agora, enquanto que os Braves precisam desfazer o prejuízo deixado pela varrida sofrida contra esse mesmo tíme da Filadélfia na série que abriu a temporada de ambos.

#MLBnaESPN #MLBFoxSports na semana

Sexta, 9/abr
20h: Philadelphia Phillies x Atlanta Braves (ESPN App)

Domingo, 11/abr
20h: Philadelphia Phillies x Atlanta Braves (ESPN 2)

Segunda, 12/abr
20h30: Chicago Cubs x Milwaukee Brewers (ESPN 2)

Terça, 13/abr
20h: Philadelphia Phillies x New York Mets (ESPN 2)
23h: Cincinnati Reds x San Francisco Giants (ESPN 2)

Quarta, 14/abr
21h: Cleveland Indians x Chicago White Sox (ESPN 2)

Fonte: Ubiratan Leal

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Qual a real condição de Fernando Tatís Jr? | Semana MLB

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Os Rangers jogaram com estádio lotado, mas vamos com calma

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal


Estamos há mais de ano vendo nossos esportes preferidos com estádios vazios. Ou completamente vazios, ou com limitação de 10 ou 30%. Só em imagens vindas da Austrália e da Nova Zelândia que era possível ver cenas recentes de multidões lotando as arquibancadas. Até esta segunda, quando o Texas Rangers fez seu primeiro jogo da temporada da Major League Baseball com os 40 mil assentos ocupados. Sinal de que tudo já está perto do normal por lá? Vamos com calma.

A decisão do Texas Rangers de abrir todo seu estádio -- localizado em Arlington, região metropolitana de Dallas -- para a partida desta segunda contra o Toronto Blue Jays foi motivo de muita polêmica. A base para a medida foi a liberação do governo do Texas para diversas atividades econômicas, o que acabou incluindo esportes realizados em estádios abertos. 

Na MLB, Texas Rangers recebe Toronto Blue Jays com estádio lotado com 40 mil pessoas; veja imagens

De fato, os números da Covid nos Estados Unidos têm caído rapidamente com o avanço da vacinação. Ainda assim, os texanos ainda estão atrasados em relação à média do país. Considerando os 59 estados ou territórios americanos, o Texas é o 48º em percentual da população que tomou ao menos a primeira dose da vacina, com 28%. Os números da doença caem bastante no estado, mas houve um pico de 243 mortes na última quinta, dia de abertura da temporada da MLB.

Além da liberação do público total, também surpreende o fato de não haver nenhuma grande exigência para evitar que a partida seja um vetor de transmissão maior. Não houve restrição de acesso apenas a pessoas com vacinação comprovada por exemplo. Qualquer um poderia comprar ingresso e entrar. As únicas regras foram de usar a máscara o tempo todo (salvo quando estivesse ativamente comendo ou bebendo algo) e respeitar indicações de distanciamento e contato. Por isso, o próprio presidente Joe Biden disse, em entrevista à ESPN americana, que discordava da atitude: "Acho que é um erro. Eles deveriam ouvir o Dr. Anthony Fauci, os cientistas e os especialistas. Mas acho que é irresponsável".

Texas Rangers x Toronto Blue Jays
Texas Rangers x Toronto Blue Jays Getty Images

Não à toa, os times do Texas não abraçaram completamente a ideia de abrir todo seu estádio. O Houston Astros até podia lotar o MinuteMaid Park, mas decidiu por conta própria limitar a 50% a lotação. E até os Rangers, que atuaram com lotação máxima, haviam anunciado que isso valeria apenas para o primeiro jogo. A partir da segunda partida, haveria liberação de apenas 50% da capacidade e medidas para que os torcedores ficassem com distanciamento nas arquibancadas. Nesta semana, o clube voltou atrás e seguirá com 100% de capacidade liberada, mas a própria diretoria não imagina que o interesse da torcida seja alto a ponto de o público pagante se aproximar da lotação máxima.

Na MLB como um todo, os estádios já estão com liberação de público. Ela varia de acordo com o time e com o estado, mas ficam entre 15 e 50%, com a maioria entre 20 e 30%. A expectativa da liga é que, com o avanço da vacinação, esses índices aumentem ao longo da temporada e é possível que, no segundo semestre, todos os estádios já estejam totalmente liberados.

Fonte: Ubiratan Leal

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Quais as perspectivas de cada time para a temporada 2021 da MLB

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal


Três supertimes, dois deles gigantes da liga e um que nunca conquistou um título sequer. A temporada 2021 da MLB começa nesta quinta com três candidatos mais destacados ao título, Los Angeles Dodgers, New York Yankees e San Diego Padres, mas uma série de equipes têm pretensões realistas de levantar o troféu no final de outubro.

É esse o cenário para o Opening Day, mas muita coisa pode mudar ao longo da temporada. Ainda mais porque voltaremos ao calendário tradicional, com 162 jogos na temporada regular e, salvo alguma surpresa de última hora, apenas cinco times classificados aos playoffs em cada liga. Outro elemento mais conhecido é o público, que retornará gradualmente aos estádios (ainda que o Texas Rangers já tenha liberação de 100% de público em seu estádio).

Jogadores do Los Angeles Dodgers celebram a conquista da World Series em 2020
Jogadores do Los Angeles Dodgers celebram a conquista da World Series em 2020 Getty

Da temporada 2020, realizada cheia de excepcionalidades devido à pandemia, ficarão duas mudanças de regras: rodadas duplas terão jogos de apenas sete entradas e as partidas que forem a entradas extras começarão sempre com um corredor na segunda base.

Em todo esse cenário, o que cada time pode fazer? Cravar é sempre difícil na MLB, mas dá para classificar todas as equipes de acordo com suas perspectivas de início da temporada. Confira abaixo e fique ligado nas transmissões da ESPN e do Fox Sports.

LIGA AMERICANA

O FAVORITO

Dos supertimes que formavam a Liga Americana no final da década passada, o New York Yankees é o único que não conquistou nenhum título. E talvez por isso o único que continua como um supertime. O ataque continua com a potência de Aaron Judge, Gary Sánchez (que deve se recuperar de um 2020 muito ruim), Giancarlo Stanton (recuperado de lesão) e DJ LeMahieu. Além disso, o time parece ter uma rotação mais sólida que nos últimos anos, com Gerrit Cole, Corey Kluber, Jameson Taillon, Domingo Germán e Jordan Montgomery, além de Luis Severino (que deve retornar de lesão no meio da temporada). 

Yankees comemoram vitória sobre os Twins' da MLB
Yankees comemoram vitória sobre os Twins' da MLB ESPN

OS DESAFIANTES

O Chicago White Sox é visto como maior ameaça aos Yankees. A rotação tem bons nomes como Lucas Giolito, Lance Lynn e Dallas Keuchel, enquanto o ataque confia na potência de José Abreu, Yoán Moncada, Tim Anderson e Luis Robert. Além disso, contratou Liam Hendricks, um dos melhores fechadores da MLB.

Ainda assim, há quem nem veja os White Sox como o melhor time da Divisão Central. O Minnesota Twins merece muito respeito pelo seu ataque, que conta com Miguel Sanó, Nelson Cruz, Josh Donaldson, Max Kepler, Byron Buxton e Andrelton Simmons. No entanto, a rotação -- problema crônico dos Twins -- com Kenta Maeda, José Berríos, Michael Pineda, JA Happ e Matt Schoemaker ainda não parece ser capaz de segurar uma briga pela World Series. 

Quem ainda deve ser visto como ameaça é o Tampa Bay Rays. A equipe da Flórida perdeu Blake Snell e Charlie Morton, dois desfalques significativos para a rotação. Mas contrataram Michael Wacha e conseguiram Chris Archer de volta. Considerando a capacidade da comissão técnica dos Rays de tirar melhor desempenho dos arremessadores, são jogadores que podem compensar parte das perdas. Além disso, o bullpen continua o melhor da MLB e o ataque é o mesmo que levou o time ao título da Liga Americana em 2020.

CORREM POR FORA

Há um grupo de bons times que brigam por vagas em playoffs e, com uma mistura de sorte com competência na hora certa, pode sonhar com uma grande temporada. O principal integrante desse pelotão é o Oakland Athletics, que tem uma base consistente com Matt Chapman, Stephen Piscotty, Matt Olson e Ramón Laureano. O bullpen também é forte, mesmo com a perda de Liam Hendricks.

Os A’s se transformaram em favoritos da Divisão Oeste, deixando para trás o Houston Astros e o Los Angeles Angels. Essas duas equipes vivem trajetórias opostas. 

Os Astros estão em fase de final da janela competitiva. Perderam Gerrit Cole e George Springer nos últimos dois anos, estarão sem Justin Verlander por lesão, mas ainda contam com jogadores da base campeã da World Series de 2017. Os Angels estão no sentido contrário, com crescimento e formação de um grupo que tente levar a franquia a seu segundo título em alguns anos. Com Mike Trout e Anthony Rendón e José Iglesias, conta com um trio que teve bom desempenho na temporada passada. A rotação ainda não é das melhores, esse é um problema. Ah, e Shohei Ohtani vai novamente arremessar e rebater, o que é sempre espetacular de se ver.

Myke Trout, dono do maior contrato dos esportes americanos
Myke Trout, dono do maior contrato dos esportes americanos Ezra Shaw/Getty Images

Na Costa Leste, o azarão é o Toronto Blue Jays. Talento há de sobra: Vladimir Guerrero Jr, Bo Bichette, Cavan Biggio, e Teoscar Hernández terão a companhia dos recém-contratados George Springer e Marcus Semien. O problema é a rotação, que tem em Ryu Hyun-Jin o único nome realmente confiável.

MELHOR ESPERAR 2022 (ou 2023, 24…)

Das equipes com menos esperanças na temporada, o Boston Red Sox até tem um ou outro motivo para acreditar. A franquia está claramente em processo de reconstrução, se desfazendo de jogadores mais caros para reformular o elenco. No entanto, há bons jogadores no grupo, como JD Martínez, Alex Verdugo, Kiké Hernández, Rafael Devers e Xander Bogaerts, e o ânimo que o retorno do técnico Alex Cora, campeão em 2018, naturalmente traz. Se a rotação fosse melhor (Chris Sale está contundido), poderia entrar no patamar de “corre por fora”.

De resto, a expectativa de Seattle Mariners e Kansas City Royals é seguir em um processo de evolução gradual para se tornarem competitivos em alguns anos. Enquanto Cleveland Indians (na última temporada antes de mudar de nome) e Texas Rangers tentam evitar que o processo de reconstrução no qual entraram não seja tão traumático quanto os de Baltimore Orioles e Detroit Tigers, que dão sinais de melhora após algumas campanhas terríveis.

LIGA NACIONAL

O FAVORITO

Alguns analistas estão tão empolgados com o Los Angeles Dodgers que até projetam se o time seria capaz de bater o recorde de 116 vitórias em temporada regular, estabelecido pelo Chicago Cubs em 1906 e repetido apenas pelo Seattle Mariners em 2001 (curiosidade: nenhum dos dois times venceu a World Series no ano da marca). A equipe já tinha Clayton Kershaw (agora sem a pressão de ganhar um título), Walker Buehler, Mookie Betts, Cody Bellinger, Corey Seager, Max Muncy e Justin Turner. Agora ainda terá o reforço do recém-contratado Trevor Bauer (Cy Young da Liga Nacional em 2020) e David Price (preferiu não jogar a temporada passada para se preservar da Covid-19). Timaço.

OS DESAFIANTES

O principal obstáculo aos Dodgers está em sua própria divisão, em seu próprio estado. O San Diego Padres talvez seja o segundo time mais forte da MLB no momento. O elenco talentoso que chegou aos playoffs em 2020 se manteve. A estrela é Fernando Tatis Jr, mas Manny Machado, Eric Hosmer, Wil Myers, Thommy Pham e Jake Cronenworth formam uma base de respeito. A rotação é ainda melhor: Dinelson Lamet, Chris Paddack e Joe Musgrove terão o reforço de Blake Snell (que calou o ataque dos Dodgers na World Series) e Yu Darvish (segundo colocado no prêmio Cy Young da Liga Nacional em 2020).

San Diego Padres
San Diego Padres Getty Images

Os Padres atrairão as atenções, até pela rivalidade californiana envolvida, mas não é prudente descartar o Atlanta Braves. A equipe da Geórgia ficou a uma vitória de eliminar os Dodgers nos playoffs de 2020 e manteve toda a base, com Ronald Acuña Jr, Ozzie Albies e Austin Riley, além do ótimo Freddie Freeman, MVP da Liga Nacional no ano passado, e Marcell Ozuna. E a rotação também merece respeito, com Max Fried, Charlie Morton, Mike Soroka e Ian Anderson.

Quem quer entrar nessa categoria de desafiante é o New York Mets. O time foi comprado pelo bilionário Steve Cohen, investidor no mercado financeiro que serviu de inspiração para o personagem Bob Axelrod, da série de TV Billions. O Cohen não colocou seu dinheiro pelo retorno financeiro, mas por ser torcedor fanático do time do bairro do Queens. E chegou fazendo barulho, contratando Francisco Lindor, James McCann e Carlos Carrasco. Considerando que o elenco ainda tem Jacob deGrom, Marcus Stroman, Noah Syndergaard (deve retornar de lesão durante o ano), Pete Alonso, Jeff McNeil, Michael Conforto e Dominic Smith, dá para sonhar alto. Claro, se ninguém lesionar, o que acontece com uma frequência incrível nos Mets.

CORREM POR FORA

A Liga Nacional está muito forte nesta temporada, então a lista de equipes que têm motivos para pensar em playoffs não é pequena. O Washington Nationals, campeão de 2019, é um exemplo. A equipe da capital tem uma rotação com Max Scherzer, Stephen Strasburg, Patrick Corbin e Jon Lester, um quarteto capaz de derrotar qualquer equipe da liga a qualquer momento. Ainda tem em Juan Soto uma das novas estrelas do beisebol.

Na mesma divisão, a Leste, o Philadelphia Phillies tem um ataque que impressiona. Bryce Harper e JT Realmuto são as referências, mas Andrew McCutchen e Alec Bohm também contribuem bastante. O problema é o bullpen, talvez o pior entre os times que têm pretensão de chegar ao mata-mata.

Phillie Phanatic exibe tênis exclusivo ao lado de Bryce Harper
Phillie Phanatic exibe tênis exclusivo ao lado de Bryce Harper Getty Images

A Divisão Leste da Liga Nacional é a mais forte da MLB e sobram times fortes, exatamente o contrário da Divisão Central. O favorito é o St. Louis Cardinals, que contratou Nolan Arenado e manteve Paul Goldschmidt, Yadier Molina e Paul DeJong. Os arremessadores também são competentes, mas não chega a ser um time que salta aos olhos como candidato a título. A consistência é a principal marca, e talvez ela que o diferencie dos demais vizinhos de grupo.

O Milwaukee Brewers conta com Christian Yelich, um dos melhores jogadores da liga e que estará motivado para mostrar que a má temporada de 2020 foi uma aberração de um ano confuso. O ataque como um todo funciona, mas ainda é uma equipe que precisa contar com o limite da rotação e do bullpen para ser competitiva, o que nem sempre é possível.

Ainda na Divisão Central, Cincinnati Reds e Chicago Cubs deram um passo para trás. Perderam jogadores importantes, como Trevor Bauer (Reds) e Yu Darvish e Jon Lester (Cubs). Em teoria, seriam equipes que poderiam estar no grupo de “melhor esperar 2022”, mas ambos ainda contam com alguns bons jogadores e a concorrência na divisão não é das mais fortes. Assim, até dá para acreditar em playoffs caso tudo dê certo.

MELHOR ESPERAR 2022 (ou 2023, 24…)

Com os supertimes de Dodgers e Padres, ficou difícil para os outros times da Divisão Oeste. Arizona Diamondbacks, Colorado Rockies e San Francisco Giants entraram firme no processo de reconstrução. O Pittsburgh Pirates já está nessa reformulação desde o ano passado, e é candidato forte a pior campanha de toda a MLB.

Quem entra nesse grupo e nem merecia é o Miami Marlins. O time tem bons jogadores -- Starling Marté, Corey Dickerson e Sandy Alcántara -- e até se classificou para os playoffs em 2020, eliminando o Chicago Cubs na primeira fase. O problema é que a Divisão Leste está muito forte neste ano e, em uma temporada de 162 jogos, é difícil que o jovem grupo dos Marlins consiga se manter na zona de classificação até o final. Mas é um elenco realmente promissor para os próximos anos.

Fonte: Ubiratan Leal

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