A MLB levou o título de polêmica mais estúpida da semana nos esportes americanos

Ubiratan Leal
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Fernando Tatis Jr.
Fernando Tatis Jr. Getty


Fernando Tatís Jr vai ao bastão na oitava entrada. Seu San Diego Padres está com a vitória bem encaminhada sobre o Texas Rangers, graças a ele ele próprio, que rebateu um home run de três corridas no turno ofensivo anterior e deixou o placar em 10 a 3. O duelo começa bem para o time californiano, com o arremessador Juan Nicasio mandando três bolas fora da zona de strike. Em seguida, manda uma bem no meio, para tentar se recuperar na contagem. Mas Tatís não fica parado: ele rebate, e rebate longe. Grand slam, 14 a 3 Padres.

Em príncípio, o clímax de uma grande atuação do shortstop do San Diego. Ele ficou a uma base ocupada a mais na sétima entrada de igualar o pai, que rebateu dois grand slams no mesmo jogo (ambos na mesma entrada, inclusive) em 1999. Mas foi o início de mais uma das polêmicas mais estúpidas e nocivas dos esportes americanos: as regras não escritas do beisebol.

Os Rangers consideraram a atitude de Tatís desrespeitosa. Seu time já vencia com folga, o jogo estava perto do final e a contagem era muito negativa para Nicasio, que seria obrigado a arremessar uma bola bem dentro da zona de strike. Para o time texano, não haveria necessidade de ir para a rebatida nessa situação, teria sido uma atitude egoísta de um jogador que quer aparecer às custas de um adversário já no chão.

Logo após o grand slam de Tatís, Nicasio foi substituído. Em seu primeiro arremesso, Ian Gibault mandou a bola por trás de Manny Machado, atitude sabidamente considerada um aviso de “eu gostaria de mandar ela direto em você, da próxima vez eu posso fazer isso”. Depois da partida, Chris Woodward, técnico dos Rangers, criticou o comportamento de Tatís. Jayce Tingler, treinador dos Padres que trabalhou entre 2015 e 19 na franquia texana, fez coro e também considerou errada a decisão de seu jogador. Tatís acabou pedindo desculpas.

Bobagem, uma tremenda bobagem.

Tatís não fez nada de errado. Ele apenas fez o que deve fazer: continuou jogando e se divertindo. Talvez a comemoração dele tenha sido um pouco exagerada considerando que o jogo já estava ganho, mas isso é algo menor. De resto, ele apenas mostrou como grandes jogadores -- e o shorstop dos Padres é um dos maiores talentos da nova geração -- podem dar grandes espetáculos no diamante. A torcida do San Diego certamente adorou.

As “regras não escritas” estão entre as coisas que mais atrapalham a inserção do beisebol com as novas gerações. Jogadores são coibidos de mostrar o quanto estão empolgados e se divertindo, algumas demonstrações de talentos são vistas como tentativa de humilhar o adversário e dar show é desrespeitar a modalidade. Tudo vai ao contrário do que a nova geração quer ver de seus ídolos. Não à toa, o basquete cresce cada vez mais.

Menos mal que há cada vez mais vozes contra esse tipo de cultura. Trevor Bauer, do Cincinnati Reds, incentivou Tatís a fazer isso novamente. E que ele, como arremessador, não se sentiria desrespeitado ou humilhado. Está certo. Não é humilhação.

De resto, se o Texas Rangers ou qualquer outro time se sente constrangido pelo que aconteceu, aí vão algumas dicas de como evitar isso. Formas muito melhores do que dar bolada que pode machucar colegas de profissão.

1) Não tome 10 a 3;

2) Não comece o duelo com 3 arremessos fora da zona de strike;

3) Se ficar com a contagem 3-0, não mande o próximo arremesso no meio da zona de strike.

No final das contas, o que seria mais um grand slam (quase todo dia há um na MLB, seria rapidamente esquecido) virou assunto de uma semana inteira. E todo mundo acabou vendo ainda mais o que fez Tatís, a lavada que os Rangers tomaram, e o arremesso ruim de Nicasio.

Obs.: nos dois dias seguintes, os Padres voltaram a vencer os Rangers rebatendo grand slams nas duas partidas. Foi apenas a quinta vez na história que um time rebate grand slams em três jogos seguidos

Fonte: Ubiratan Leal

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O que ficar de olho na pré-temporada da MLB (atenção: já tem jogo na ESPN)

Ubiratan Leal
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A espera acabou. Após uma semana de preparação apenas física e técnica, é hora de treinar em situação real de jogo. O Spring Training, a pré-temporada da MLB, começa neste domingo. Serão os primeiros arremessos e as primeiras rebatidas do beisebol nos Estados Unidos, e -- teoricamente -- eles só pararão no final de outubro, com a última eliminação da World Series.

Mookie Betts em ação pelo Los Angeles Dodgers no Spring Training de 2020
Mookie Betts em ação pelo Los Angeles Dodgers no Spring Training de 2020 Getty Images

Claro, pré-temporada é pré-temporada, não dá para tirar grandes conclusões com base em jogos-treinos disputados em campo neutro, na Flórida ou no Arizona. Ainda assim, há várias histórias em que valem ficar de olho (e já nesta semana tem transmissão nos canais esportivos Disney). Separei as algumas das principais:

A rivalidade mais quente do momento

A MLB 2021 começa com dois times se destacando entre os favoritos ao título: Los Angeles Dodgers e San Diego Padres. O mais interessante é que ambos já se encontraram nos playoffs do ano passado, estão na mesma divisão, vão se enfrentar 19 vezes só na temporada regular e estão separados por apenas 200 km. O resultado dessa equação é apenas um: rivalidade.

Os confrontos no mata-mata da Liga Nacional de 2020 já foram bastante acirrados. Os Dodgers varreram a série, mas as partidas fora muito disputadas e houve momentos de troca de insultos entre jogadores das duas partes. Os angelenos conquistaram o título e se reforçaram ainda mais, contratando o melhor arremessador disponível no mercado (Trevor Bauer), mas os Padres pegaram Blake Snell (que, pelo Tampa Bay Rays, estraçalhou o ataque dos Dodgers na World Series) e Yu Darvish.

Os confrontos no Spring Training (programados para 6 e 20 de março) não terão a temperatura dos jogos da temporada regular. Mas é provável que sejam partidas observadas com mais atenção que o normal. E talvez membros das duas equipes troquem algumas cutucadas em entrevistas ao longo de toda a pré-temporada (algo que pode se tornar padrão do ano todo).

San Diego Padres
San Diego Padres Getty Images

Quem manda em Nova York

New York Yankees e New York Mets não estão na mesma liga, mas não dá para dizer que não disputam algo. No caso, a atenção da mídia e dos torcedores da maior cidade dos Estados Unidos -- que calhou de ainda ser uma cidade que tem o beisebol como esporte mais popular. Como franquia mais vitoriosa de todas as ligas norte-americanas, os Yankees sempre ganham a disputa, mas qualquer perda de terreno é sentida -- e muito celebrada pelos rivais.

Os Mets aparecem como uma força ascendente, e com uma torcida mobilizada, desde a compra do clube por parte do bilionário Steve Cohen (investidor do mercado de ações que inspirou a criação do personagem Bobby Axelrod na série “Billions”). O novo dono já deixou claro que assumiu o time por ser um torcedor apaixonado como qualquer um, com a diferença que tem bilhões de dólares na conta. De cara, já bancou a negociação que levou o shortstop porto-riquenho Francisco Lindor (ex-Cleveland Indians e talvez um dos cinco melhores jogadores do mundo) para o bairro do Queens.

Os Yankees reagiram. Já tinham o melhor time da Liga Americana (sobretudo após a saída de Snell dos Rays), mas contrataram Corey Kluber, duas vezes vencedor do prêmio Cy Young. O arremessador estava no Texas Rangers e sofreu com problemas físicos nos dois últimos anos, mas, se recuperar a forma dos anos de Indians, pode transformar a dupla com Gerrit Cole como a mais mortal de um início de rotação.

Quem se dará melhor descobriremos apenas ao final da temporada. Mas a disputa pela atenção da mídia e da torcida já veremos em março.

Ajustes após um ano maluco

A temporada 2020 foi estranha, com apenas 60 partidas na temporada regular e muitos jogos sacrificados pelo calendário atropelado como consequência da pandemia (muitos jogos adiados, times de quarentena em hoteis após algum surto, rodadas duplas para compensar os adiamentos…). Com isso, o desempenho de vários jogadores ficou fora do padrão. Alguns se destacaram mais do que o esperado. Outros caíram bastante, sobretudo em aproveitamento no bastão, estatística que encontra seu valor real ao longo do tempo.

Os casos mais notórios de quedas foram os de José Altuve (21,9% de aproveitamento), Christian Yelich (20,5% de aproveitamento), Javier Báez (20,5%), JD Martínez (21,3%) e Kris Bryant (20,6%). Jogadores que tiveram uma temporada ruim em 2020 devem apresentar ajustes já na pré-temporada, seja na mecânica das rebatidas, seja na abordagem em cada duelo.

Altuve comemora home run que levou os Astros à World Series em 2019
Altuve comemora home run que levou os Astros à World Series em 2019 Elsa/Getty Images

Entradas esquisitas

Nas duas primeiras semanas da pré-temporada, os jogos terão uma regra diferente. Um turno ofensivo não acabará necessariamente com três eliminações. Os técnicos poderão encerrar a etapa se o arremessador já tiver feito 20 arremessos e não tiver houver um reliever pronto para entrar. O objetivo é reduzir o sacrifício sobre os homens no montinho em um jogo que, no fundo, é só para treino.

De qualquer modo, os jogos do Spring Training terão a regra normal de três eliminações por entrada a partir de 13 de março.

Negociações trabalhistas

O clima entre a MLB e o sindicato de jogadores está péssimo, o que é uma má notícia quando o acordo trabalhista está em seu último ano e a liga ainda tem de lidar com uma pandemia que causou perdas financeiras para donos e jogadores. Várias propostas de adequação das regras foram propostas, e nem todas foram aceitas. Ao menos não por enquanto.

É provável que as conversas continuem durante a pré-temporada e não estranhem se acabarem chegando a acordos para mudança do regulamento do campeonato (por exemplo, a adoção do rebatedor designado na Liga Nacional e a expansão dos playoffs, que ocorreram em 2020, teoricamente não valerão em 2021). 

Lembrando: a aprovação do aumento dos playoffs em 2020 ocorreu apenas duas horas antes da abertura da temporada regular (e a confirmação dos playoffs em bolha veio com ela já em disputa). Então, aparentemente sempre há tempo para uma mudança em cima da hora.

Na sua TV

A ESPN tem confirmada a transmissão de quatro partidas desse Spring Training já na primeira semana. Confira (horários de Brasília): 

Terça, 2/março: Tampa Bay Rays x Boston Red Sox (ESPN 2, 15h)
Quarta, 3/março: Seattle Mariners x Chicago Cubs (ESPN 2, 17h)
Quinta, 4/março: Washington Nationals x New York Mets (ESPN App, 15h)
Sexta, 5/março: Los Angeles Dodgers x Kansas City Royals (ESPN App, 17h)

Fonte: Ubiratan Leal

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A audiência do Super Bowl nos EUA caiu 9%. E isso não é tão ruim quanto parece

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

A sequência do noticiário do Super Bowl já é conhecida: nos dias anteriores se fala dos preparativos do jogo e da grandiosidade do evento, no domingo é momento da partida em si, na segunda tem repercussão do resultado e das novas propagandas que tiveram mais impacto na transmissão dos EUA e na terça a NFL se gaba de mais um recorde de audiência. Em 2021 foi diferente. Toda a rotina estava sendo seguida, mas a cereja não foi colocada em cima do bolo. A audiência de Tampa Bay Buccaneers x Kansas City Chiefs foi 9% abaixo de Chiefs x San Francisco 49ers, a finalíssima do futebol americano em 2020. Hora de pânico? Não.

Tom Brady em Bucs x Chiefs
Tom Brady em Bucs x Chiefs Getty Images

Não dá para dizer que esse número é desejável. A NFL gosta de vender a ideia de liga em eterno crescimento e o Super Bowl é o grande representante disso por ser o maior evento televisivo dos Estados Unidos. E essa condição se justifica principalmente pelo altíssimo nível de audiência, sempre na casa de 100 milhões de pessoas. Nesse aspecto, uma queda de 9% (de 102 milhões para 91,6 milhões, pior marca em 15 anos) é obviamente uma má notícia.

Tudo, porém, precisa de contexto. Até a audiência do Super Bowl.

Um motivo natural para se avaliar variações de audiência em eventos esportivos é ver os times envolvidos. Neste aspecto, a comparação de 2020 com 2021 não traz tanta diferença: o Kansas City Chiefs estavam nas duas finais, e a troca de São Francisco (49ers) por Tampa (Buccaneers) até explicaria uma queda, mas os números mostraram que a presença de Tom Brady fez Boston ter audiência acima do normal para um Super Bowl sem os Patriots. 

Outro ponto já seria mais relevante: o desenrolar da partida. Chiefs 31 x 20 49ers foi definido apenas nos minutos finais, enquanto que Bucs 31 x 9 Chiefs teve claro domínio do time da Flórida e estava decidido antes do final. Isso costuma desmobilizar alguns torcedores e trazer pequenas quedas. Ainda assim, justificaria uma oscilação de um ponto no máximo.

A questão principal é a pandemia de Covid-19. Ou melhor, o comportamento do público americano com eventos esportivos na TV durante a pandemia.

A audiência de praticamente todas as ligas caiu em 2020 (ou 2020-21, no caso da NFL). E não caíram pouco. A World Series teve queda de 32%, atingindo os piores índices de sua história. Parece ruim? Pois a NBA foi ainda pior, com queda de 49% e números sensivelmente piores que os da decisão do beisebol (e as duas finais envolveram mercados parecidos, com Los Angeles x Flórida). E a NHL despencou 61%. 

Obs.: A mesma tendência se identificou ao longo da temporada de todas as ligas e em outras modalidades, mas é importante ressaltar que as decisões de NHL, NBA e MLB ocorreram entre o final de setembro e outubro, no momento mais quente da corrida presidencial americana e alguns jogos da reta final das ligas tiveram até de disputar audiência com debates que tiveram atenção recorde do público. Isso ajudou também a jogar os números ainda mais para baixo


Jogadores do Los Angeles Dodgers celebram a conquista da World Series em 2020
Jogadores do Los Angeles Dodgers celebram a conquista da World Series em 2020 Getty

Nessa comparação, a NFL até teve uma queda leve. Na temporada regular, a audiência média dos jogos foi 7% pior que na temporada anterior. O fato de o Super Bowl ter uma queda um pouco maior pode se explicar por outro fenômeno da pandemia: a redução de aglomerações.

A temporada regular é vista principalmente pelos torcedores. O Super Bowl é diferente, é um grande evento social. Muitas pessoas se reúnem em bares, nas ruas ou na casa de amigos para ver o jogo. Mesmo alguém que não goste de futebol americano acaba indo, pois vai na onda do grupo de amigos e pode ao menos se concentrar nas propagandas ou no show do intervalo. 

Muita gente não se importou com a pandemia e se reuniu de qualquer forma. Mas é natural que ainda há uma quantidade razoável de pessoas que tenham preferido ficar em casa sozinho ou com sua família. E, sem um grupo de amigos em volta, quem não tem interesse especial por NFL talvez tenha preferido fazer outra coisa no horário.

Por isso, há motivos para acreditar que a queda de 9% da audiência do Super Bowl pode ser algo circunstancial. O importante mesmo são os números do próximo. Eles podem indicar o quanto 2021 foi um fenômeno isolado ou é realmente algo que merece atenção especial por parte da NFL.

Fonte: Ubiratan Leal

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A audiência do Super Bowl nos EUA caiu 9%. E isso não é tão ruim quanto parece

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Dois títulos em um ano: como Tampa ficou no ranking de cidades campeãs das ligas americanas

Ubiratan Leal
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Campeão do Super Bowl, campeão da Stanley Cup, vice-campeão da World Series. O esporte de Tampa nunca viveu um momento tão espetacular quanto o atual, tanto que muita gente até coloca o título da USL (segunda divisão do futebol dos Estados Unidos). Realmente, são façanhas incríveis para uma região que não costuma ser tão vitoriosa assim, e que muitas vezes gera desconfiança pela oscilação do engajamento de seu público com os times.

Rob Gronkwoski e Tom Brady celebram o título da NFL pelo Tampa Bay Buccaneers
Rob Gronkwoski e Tom Brady celebram o título da NFL pelo Tampa Bay Buccaneers Getty

Pensando em perspectiva histórica, porém, o que essa sequência de títulos representa no cenário das ligas norte-americanas? Tampa já pode ser considerada uma “Cidade de Campeões” (título que várias cidades se deram ao longo das décadas). E Los Angeles, que também está com dois campeões (NBA e MLB) simultâneos?

LEIA MAIS: Tampa e Los Angeles brigam para ter dois títulos ao mesmo tempo. Quando aconteceu antes?

Bem, então aqui está uma edição atualizada do ranking de cidades campeãs do esporte americano. São três rankings, para cada um escolher o que prefere.

Obs.: os rankings consideram as regiões metropolitanas. Por exemplo, São Francisco e Oakland contam como Bay Area, Anaheim conta como parte de Los Angeles e Nova Jersey conta como parte de Nova York. Para a NFL, foram computados também os títulos da NFL e da AFL pré-Super Bowl)

1) Ranking 1 (NFL + MLB + NBA + NHL + MLS)

1 - Nova York (58 títulos)
2 - Boston (39)
3 - Chicago (30)
4 - Los Angeles (27)
5 - Montreal (26)
6 - Detroit (22)
7 - Bay Area (20)
8 - Filadélfia e Toronto (17)
10 - Pittsburgh (16)
11 - St. Louis (14)
12 - Green Bay e Washington (13)
14 - Baltimore e Cleveland (9)
16 - Minneapolis (8)
17 - Dallas, Denver, Houston, Kansas City e Miami (7)
22 - Cincinnati, Edmonton, San Antonio e Seattle (5)
26 - Ottawa e Tampa (4)
28 - Atlanta, Búfalo, Canton, Columbus, Milwaukee e Portland (2)
34 - Akron, Calgary, Frankfort, Indianápolis, Nova Orleans, Phoenix, Providence, Raleigh, Rochester, Salt Lake City e San Diego (1) 

New York Yankees, a franquia com mais títulos nas principais ligas dos Estados Unidos
New York Yankees, a franquia com mais títulos nas principais ligas dos Estados Unidos ESPN

2) Ranking 2 (apenas as 4 ligas mais tradicionais, sem a MLS)

1 - Nova York (58 títulos)
2 - Boston (39)
3 - Chicago (29)
4 - Montreal (26)
5 - Detroit e Los Angeles (22)
7 - Bay Area (18)
8 - Filadélfia (17)
9 - Pittsburgh e Pittsburgh (16)
11 - St. Louis (14)
12 - Green Bay (13)
13 - Baltimore, Cleveland e Washington (9)
16 - Minneapolis (8)
17 - Dallas e Miami (7)
19 - Denver (6)
20 - Cincinnati, Edmonton, Houston, Kansas City e San Antonio (5)
25 - Ottawa e Tampa (4)
27 - Seattle (3)
28 - Búfalo, Canton e Milwaukee (2)
31 - Akron, Atlanta, Calgary, Frankfort, Indianápolis, Nova Orleans, Phoenix, Portland, Providence, Raleigh, Rochester e San Diego (1) 

O Los Angeles Lakers bateu o Miami heat na final para conquistar o título da NBA em 2020
O Los Angeles Lakers bateu o Miami heat na final para conquistar o título da NBA em 2020 Getty Images

3) Ranking 3 (as 5 principais ligas, mas apenas no século 21)

1 - Los Angeles (14)
2 - Boston (12)
3 - Bay Area (8)
4 - Chicago, Pittsburgh e San Antonio (5)
7 - Miami, Nova York e Tampa (4)
10 - Denver, Detroit, Houston, Kansas City, Seattle, St. Louis e Washington (3)
17 - Baltimore, Columbus, Filadélfia e Toronto (2)
21 - Atlanta, Cleveland, Dallas, Green Bay, Indianápolis, Nova Orleans, Phoenix, Portland, Raleigh e Salt Lake City (1)

Fonte: Ubiratan Leal

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As exigências da NFL para as cidades receberem o Super Bowl

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Super Bowl LV será disputado em Tampa Bay, casa de um dos finalistas da decisão da NFL
Super Bowl LV será disputado em Tampa Bay, casa de um dos finalistas da decisão da NFL Getty Images

A NFL é uma liga formada por 32 franquias, que realiza sua final em estádios pré-definidos. Faz sentido que ela apenas fique rodando as escolhas dentro das arenas de suas franquias, certo? Errado, muito errado. Apesar de sempre designar a casa de uma de suas equipes para sediar o Super Bowl, a liga trata a partida como um evento completamente à parte, e organizar o jogo deve ser visto como um privilégio. E, como tal, ela impõe às cidades candidatas as mais diferentes exigências.

O tipo de demanda se tornou público em 2013, quando documentos da NFL vazaram para o jornal Minneapolis Star Tribune. O documento entregue às cidades candidatas na época tinha 153 páginas. Muitos itens são perfeitamente justificáveis para garantir a operação tranquila e segura da partida, mas alguns causaram polêmica na época por exigir recursos públicos ou por soarem preciosistas demais. Desde então, é provável que alguns dos pedidos já tenham saído da lista (o documento atual segue sigiloso, e não houve novos vazamentos), seja pela repercussão ruim da época, seja pela pandemia de Covid-19.

De qualquer modo, o impacto do Super Bowl em sua cidade-sede virou tema de diversos debates. As prefeituras têm retorno desse investimento?

Há respostas das mais diversas, pois dependem muito de critérios para se calcular o retorno efetivo. É uma conta semelhante à que vimos sobre as cidades ou países que se comprometem a organizar uma Copa do Mundo, uma edição dos Jogos Olímpicos ou mesmo um grande prêmio de Fórmula 1.

Veja algumas das exigências mais polêmicas que a NFL fazia (ao menos até 2013) para a cidade que recebesse o Super Bowl:

- A prefeitura precisa disponibilizar, sem custos à NFL, uma força-tarefa dedicada exclusivamente a combater ingressos falsos;

- Se cair uma nevasca no dia do jogo, as necessidades do Super Bowl têm de receber prioridade nos esforços da cidade em remover a neve e abrir as vias. Esse item só perde validade em situações de perigo à segurança da população).

- A NFL fica isenta de impostos pelo faturamento no jogo e nos eventos ligados ao jogo, desde os ingressos da partida até na venda de produtos e serviços relacionados ao evento. Se a cidade não conseguir garantir essa isenção, o comitê organizador local é obrigado a reembolsar a liga por esses valores;

- A cidade precisa garantir acesso exclusivo e gratuito à liga para três campos de golfe de alto nível e 18 buracos para receber um torneio durante o fim de semana do Super Bowl. Além disso, a liga exige duas pistas de boliche de alto nível, também para torneio durante a semana do Super Bowl;

- A cidade precisa cobrir todas as despesas para que a NFL envie uma equipe de 180 profissionais para inspecionarem a cidade-sede pouco mais de um ano antes do Super Bowl;

- A cidade tem de disponibilizar 110 apartamentos para a equipe de produção e segurança do Super Bowl 40 dias antes do jogo. E esses imóveis não podem estar a mais de 20 minutos de carro do estádio;

- A liga exige um hotel com mil quartos. Tudo de graça, da hospedagem e uso de salas de reuniões até ao frigobar nos quartos;

- Se o sinal para celular estiver fraco nos hoteis dos times, o comitê organizador local tem de instalar estrutura para reforçar esse sinal;

- Todos os hoteis que receberão os times precisam ter a NFL Network nos quartos. Detalhe: desde um ano antes do Super Bowl.

Fonte: Ubiratan Leal

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Como o caos das ações de uma loja de games atingiu uma franquia da MLB

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
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A história da semana em Wall Street é a disputa envolvendo a GameStop. As ações da rede de varejo especializada em games começaram a flutuar de maneira imprevisível após se tornar ponto central em uma batalha entre grandes corretoras de ações e investidores comuns. A confusão ficou tão grande que pode até envolver o New York Mets. Sim, se no Brasil a gente diz que “tem coisas que só acontecem com o Botafogo”, os Mets podem ser os personagens desta frase se dita por um norte-americano. 

A história começa quando corretoras de ações sentiram que a GameStop teria problemas no futuro. Assim, realizaram movimentos contando com a desvalorização dessas ações. A prática não é bem vista pela comunidade de investidores comuns nos Estados Unidos, e muitos se mobilizaram para contra-atacar. Eles se organizaram em grupos no Reddit para forçar a subida das ações da rede. As ações passaram de US$ 20 para mais de US$ 400 em poucas semanas. A disputa se transformou em uma queda de braço dos dois lados, mas os “day traders” (usuários comuns) venceram.

Obs.: o parágrafo acima foi uma explicação bem simplificada do caso. Clique aqui para entender com mais detalhes

Claro, quem apostava na queda das ações se deu mal, muito mal. O prejuízo para as corretoras é calculado em mais de US$ 5 bilhões. Uma das mais afetadas foi a Melvin Capital, controlada por Gabe Plotkin, que perdeu US$ 3,75 bilhões nessa operação. A empresa ficou descapitalizada e teve de receber ajuda de corretoras concorrentes para não ruir (uma quebra poderia causar efeito dominó no mercado). Quase US$ 1 bilhão veio da Point72, de Steve Cohen. 

Cohen ficou conhecido como o homem que inspirou o personagem Bob Axelrod na série de TV Billions, mas, para o mundo do beisebol, desde outubro ele é conhecido como “o novo dono do New York Mets”.

Claro, a notícia já criou ansiedade em torcedores dos Mets. Ainda mais porque os donos anteriores, a Família Wilpon, parou de investir no time depois de envolvida em um escândalo de pirâmide financeira. E a torcida já pensou que, como o universo sempre dá um jeito de conspirar contra os Mets, nem a fortuna aparentemente ilimitada de Cohen (o valor é calculado em US$ 14 bilhões) ficaria ilesa às perdas dessa batalha da GameStop. Não que ele fosse quebrar, mas talvez tivesse de rever alguns de seus gastos, incluindo os do beisebol.

Por isso, Cohen teve de ir às redes sociais para deixar claro que uma coisa não tinha nada a ver com a outra. Ainda assim, muito torcedor dos Mets vai ficar de olho nas movimentações do clube nessas semanas finais de intertemporada, para ver se a franquia segue investindo pesado em reforços.

Fonte: Ubiratan Leal

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Hank Aaron, o homem que foi ídolo até de Muhammad Ali

Ubiratan Leal
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“Que momento maravilhoso para o beisebol. Que momento maravilhoso para Atlanta e para o estado da Geórgia. Que momento maravilhoso para o país e para o mundo. Um homem negro é aplaudido de pé no Sul Profundo por quebrar o recorde de um ídolo de todos os tempos do beisebol.”

Vin Scully é um dos maiores narradores esportivos da história da TV. Como responsável pelas transmissões do Los Angeles Dodgers, ele estava na cabine do estádio de Fulton County quando a equipe californiana visitava o Atlanta Braves na abertura da temporada de 1974. Naquela noite, Hank Aaron rebateu o 714º home run de sua carreira, batendo o recorde de Babe Ruth e Scully presenteou o público com uma das melhores narrações de sua carreira.

A referência social em torno do feito de Hank Aaron poderia ser apenas simbologia, uma licença poética do narrador. Mas a narração descreve bem o que ocorria no momento. A superação da marca de Ruth era mais do que apenas um recorde histórico mudando de mãos, era uma questão racial.

LEIA TAMBÉM: Ligas Negras importam

Aaron mostrava ser um fenômeno desde o início de sua carreira na MLB, quando os Braves ainda atuavam em Milwaukee. Em seu segundo ano, 1955, foi o líder da liga em rebatidas duplas e teve 31,4% de aproveitamento no bastão. Na temporada seguinte, foi o melhor em rebatidas e em aproveitamento. Mais um ano se passa e ele foi o campeão de home runs e corridas impulsionadas. O único fundamento ofensivo em que ele não se destacava era roubos de base, ele acabou se tornando um ladrão de base bem decente no auge de sua carreira, já na década de 1960.

Até aí, a MLB teve vários rebatedores fenomenais: Ted Williams, Stan Musial, Willie Mays, Mickey Mantle… Ainda assim, o recorde de home runs de Babe Ruth permanecia intocado. Eram 714. Willie Mays tinha 660, Mickey Mantou parou em 536, Ted Williams ficou em 521, Lou Gehrig em 493 e Stan Musial em 475. Ou seja, ninguém chegou realmente perto da marca de Ruth. Era uma verdade absoluta, consolidada. O beisebol se desenvolveu por décadas tendo esse ícone rechonchudo, bonachão, neto de alemães, que construiu o maior templo e o time mais vitorioso da liga e ainda estabeleceu um patamar inatingível de home runs.

Hank Aaron
Hank Aaron Getty Images

Mas Aaron tinha uma virtude além do talento absurdo para rebater bolas: longevidade. O defensor externo dos Braves não parava de acumular temporadas em altíssimo nível. Teve um início de carreira explosivo na segunda metade da década de 1950 e viveu o auge nos anos 60, mas continuou na elite da MLB no início da década de 1970. E aí a marca de Ruth ficou em risco.

Seria normal que Aaron tivesse uma queda brutal a partir de 1969, quando chegou aos 35 anos. Mas ele seguiu forte: foram 44 home runs naquela temporada, 38 em 1970, 47 em 1971 e 34 em 72. Neste momento, ele já havia passado Mays e se tornado o segundo maior rebatedor de home runs da história. Estava a 40 de Ruth. Salvo uma grave lesão, o recorde ia cair.

Quando a ficha cai, Aaron se transforma em alvo dos mais diversos ataques racistas. Cartas e mais cartas chegavam, várias com insultos e até ameaças de morte. Algumas não se limitavam a jogar uma ameaça vazia no ar, mas também indicavam em que dia e jogo que ocorreria o assassinato. Mesmo torcedores dos Braves, desde 1966 jogando em Atlanta, faziam parte dos ataques. Nenhuma surpresa considerando o cenário no sul dos Estados Unidos, região onde se concentra a maior parte da torcida do Atlanta Braves e até hoje local com problemas raciais profundos.

O clube passou a registrar seu craque com nomes falsos em hoteis para enganar potenciais agressores ou assassinos. Além disso, ele passou a ser acompanhado por seguranças. Ainda assim, o Atlanta Journal chegou a escrever um obituário* de Aaron, já considerando que o atentado poderia ocorrer.

* Obituário: texto sobre a trajetória de uma pessoa famosa ou importante publicado quando ela morre. É comum veículos deixarem obituários prontos quando alguma figura importante pode morrer a qualquer momento, normalmente por doença grave

Apesar de todo esse clima, a temporada de 1973 é fantástica para Aaron. Ele rebate 40 home runs, empatando com Ruth. O novo recorde ficaria para 1974. Por isso, sabia-se que a abertura da temporada, contra os Dodgers. Jimmy Carter, governador da Geórgia na época, foi ao jogo presenciar o momento histórico.

O home run do recorde veio na quarta entrada. A torcida dos Braves festeja, claro. Apesar de tudo, os bons ainda são maioria. Ao pisar no home plate, Aaron recebe um abraço forte de Estella, sua mãe. Mais tarde, ela disse que não abraçou o filho para parabenizá-lo ou para dar um carinho no momento de glória, mas com medo que algum atirador aproveitasse o momento para agir. Aaron também não conseguia separar a alegria pelo feito esportivo de todo o contexto racial que esteve em torno de sua perseguição ao recorde, e a sensação de alívio pelo fim daquele processo -- e potencialmente das ameaças -- era tão forte quanto a satisfação profissional.

Aaron rebateu mais 19 home runs naquele ano. E mais 12 em 1975 e 10 em 76. Enfim a idade chegou. Encerrou a carreira com 755 home runs, marca só superada por Barry Bonds por meio de uso de doping, e 2.297 corridas impulsionadas e 6.856 bases totais, ainda hoje recordes da MLB. Foi selecionado para 25 All-Star Games consecutivos.

Terminou a carreira como o maior nome do esporte de Atlanta, de longe (mesmo na comparação com mitos como Dominique Wilkins e Evander Holyfield). Ele também chegou a ser ranqueado como o maior atleta do esporte do Wisconsin, à frente até de Kareem Abdul Jabbar, Aaron Rodgers e Brett Favre. 

Também engajou-se na questão racial, até usando sua experiência pessoal como exemplo do que ocorria com negros nos Estados Unidos. Inclusive, manteve guardada todas as cartas de ódio que recebeu ao longo da carreira, para nunca esquecer tudo o que passou. Não à toa, Muhammad Ali, provavelmente o maior símbolo mundial de união de desempenho esportivo de altíssimo nível com engajamento social, chegou a dizer que Hank Aaron era a única pessoa pela qual ele tinha mais consideração do que por ele próprio. 

Hank Aaron faleceu na última sexta, dia 22, aos 86 anos. Seu legado vai muito além do Atlanta Braves e da MLB. Atlanta Falcons (NFL) e Atlanta United (MLS) decidiram retirar seu número, o 44, por um ano como reconhecimento do que Aaron fez pela Geórgia. E os Estados Unidos perderam uma figura que deu seu melhor ao país, mesmo quando muitas vezes recebia de volta o pior.

Fonte: Ubiratan Leal

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Hank Aaron, o homem que foi ídolo até de Muhammad Ali

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Ligas Negras importam

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Major League Baseball, a liga maior. Suas estatísticas são a referência de grandeza do beisebol, assim como suas marcas são os recordes que valem. Ligas de outros países até têm relevância local, mas esta é a única reconhecida mundialmente. Pois, a partir deste ano, essas estatísticas e marcas receberão o histórico das Ligas Negras que existiram na primeira metade do século 20. Alguns recordes terão de ser redefinidos e, como praticamente tudo no mundo de hoje, virou tema de debate, contestação e acusação de politização do esporte.

As Ligas Negras foram diversas competições realizadas principalmente na primeira metade do século 20 apenas por jogadores negros. E, por “negros”, entenda-se “negros e latino-americanos de pele um mais escura que a média entre americanos brancos”, de acordo com os critérios da época. Na época, esses jogadores eram barrados na MLB por um acordo não-escrito entre donos de clubes e tiveram de criar suas próprias ligas para poderem viver de seu talento. 

Com o início da integração racial, em 1947, as principais estrelas das Ligas Negras foram contratadas por times da MLB. Aos poucos, essas ligas perderam seus principais nomes, o público foi migrando para a Major League e elas acabaram extintas em alguns anos.

Jackie Robinson, primeiro jogador a sair das Ligas Negras para se tornar estrela da MLB
Jackie Robinson, primeiro jogador a sair das Ligas Negras para se tornar estrela da MLB Getty

A aceitação do legado das Ligas Negras foi gradual. Em 2006, foi criado um comitê para imortalizar seus principais nomes no Hall da Fama do Beisebol. O Hall da Fama das Ligas Negras se tornou mais conhecido e respeitado pela comunidade do esporte. Ainda assim, as façanhas técnicas em campo não eram equiparadas às da MLB. Suas marcas não valiam.

Quando a própria MLB anunciou que colocava as Ligas Negras no patamar de “Grande Liga”, uma parcela de torcedores reclamou, alegando que a liga pretendia apenas melhorar sua imagem diante da comunidade negra, pois não seria justo equiparar o nível técnico. Mas será que é tão injusto assim?

Há dois argumentos fundamentais nessa questão. Primeiro: até a integração racial ser realmente efetiva, e aí já falamos do meio de década de 1950 ou talvez a de 1960, não dá para cravar que a MLB representava o que de melhor havia no beisebol. Dá para dizer que era o melhor que havia no beisebol praticado por brancos. Por mais que o nível técnico fosse claramente alto, não dá para ignorar que atletas negros e latinos tinham talento para estar naquele cenário, eventualmente dificultando (jogando para baixo) algumas das estatísticas coletadas até aquele momento.

Então, se até a integração são consideradas as marcas do “melhor beisebol entre brancos”, por que não valerem também as estatísticas do “melhor beisebol entre negros e latinos”? Não é justo considerar as duas equivalentes, cada uma dentro da divisão racial existente na época (essa sim, injusta e inaceitável)?

Além disso, é preciso lembrar que as estatísticas aceitas como as das “Grandes Ligas” não se referem apenas à MLB, a união de Liga Nacional e Liga Americana. Há décadas, a Major League Baseball já reconhecia também o valor de ligas criadas nos primórdios do beisebol, algumas delas concorrentes da própria MLB: American Association (1882-1891), Union Association (1884), Players’ League (1890) e Federal League (1914-1915). De acordo com pesquisadores, apenas a AA e a UA tinham nível técnico realmente equivalente ao da Liga Nacional (a Liga Americana não havia sido fundada, então o que entendemos hoje por MLB era apenas a Liga Nacional). Ah, todas essas ligas eram brancas também.

Então, por que é aceito sem tanta contestação que as estatísticas da Liga dos Jogadores e da Liga Federal sejam computadas dentro do guardachuva da MLB, e a das Ligas Negras recebe contestação?

Dessa forma, a decisão de equiparar as Ligas Negras à MLB pode até causar um estranhamento pelo fato de que alguns recordes famosos mudarão de mãos, mas é justo. Justo e atrasado, diga-se.

Fonte: Ubiratan Leal

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Os Indians vão mudar de nome, mas quais seriam as melhores opções?

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

A notícia veio efetivamente em dezembro, mas já estava na cara que ia acontecer. Após décadas de manifestações, sobretudo da comunidade indígena norte-americana, o Cleveland Indians decidiu mudar de nome. A decisão faz parte do mesmo movimento que transformou o Washington Redskins em Washington Football Team (e futuramente em um Washington Qualquer-Apelido-que-Anunciarem-em-Breve).

Francisco Lindor, principal figura do Cleveland Indians nos últimos anos
Francisco Lindor, principal figura do Cleveland Indians nos últimos anos GettyImages

Já era esperado que o time mudaria de nome porque, em junho, anunciou que havia iniciado uma avaliação interna sobre essa possibilidade. Considerando que isso ocorreu justamente durante o movimento que levou milhões de norte-americanos às ruas para pedir o fim do racismo, a franquia não ia falar que “estava avaliando mudar um nome racialmente contestado” se não fosse para efetivamente mudar.

De qualquer forma, ainda não se sabe qual será o futuro nome dos Indians. Em 2021, o time ainda utilizará seu nome tradicional, mas já se sabe que estará de nome novo em 2022. Mas quais são os nomes favoritos da torcida até agora?

Obs.: a franquia deixou claro que não pretende adotar referências nativo-americanas

SPIDERS

Motivo: Cleveland Spiders foi um dos primeiros times (já extinto) de beisebol da cidade

É um dos favoritos pela torcida de acordo com pesquisas da imprensa de Cleveland. E é meu preferido pessoal também. A aranha é um animal amedrontador, algo sempre buscado por times profissionais. Além disso, elas foram estranhamente ignoradas nas principais ligas profissionais da América do Norte, então seria um nome único. E até já consigo imaginar ações como transformar as redes de proteção do estádio em teias (só pendurar aranhas no alto) e alguma ação ligada ao Homem-Aranha, já que o uniforme do heroi e do time têm as mesmas cores.

GUARDIANS

Motivo: um dos símbolos de Cleveland é a ponte Hope Memorial, famosa por duas grandes esculturas de guardiões (o s “Guardiões do Trânsito”)

O nome não tem tanto apelo fora de Cleveland, mas tem sido bastante defendido pela torcida. Sinal de que a população da cidade realmente vê os guardiões como ícones da cidade. E, convenhamos, é um nome portentoso para um time. Ainda mais se ele tiver um histórico muito bom jogando em seu estádio.

ROCKERS

Motivo: o nome “rock and roll” teria sido utilizado pela primeira vez por uma rádio de Cleveland para descrever o estilo musical que estava surgindo. Por isso, o Hall da Fama do rock fica em Cleveland

É o meu segundo preferido, porque, bem, eu gosto de rock. Mas, motivos egoístas à parte, seria realmente um bom nome. Além de fazer referência a um elemento histórico de Cleveland, ainda é uma palavra forte e ainda chamaria a atenção do planeta ao papel da cidade na história de um dos estilos musicais mais globalizados. O lado ruim é que ficaria muito parecido com o Colorado Rockies (referência às Montanhas Rochosas, “Rocky Mountains”).

Ohio State Buckeyes comemora título no futebol americano universitário
Ohio State Buckeyes comemora título no futebol americano universitário Joe Robbins/Getty Images Sport

BUCKEYES

Motivo: foi o nome de um time de Cleveland nas ligas negras (buckeye é nome da árvore-símbolo de Ohio e se tornou apelido para qualquer coisa referente ao estado)

Nome simpático, tem aceitação no estado e a referência às ligas negras é sempre bem-vinda. No entanto, há um problema sério: Buckeyes já é o apelido dos times da universidade Ohio State, uma das mais fortes do futebol americano. Se o Cleveland tentasse adotar o Buckeyes, a universidade poderia contestar, os torcedores da universidade que não ligam para os Indians poderiam contestar e até o Cincinnati Reds, outro time de Ohio na MLB, teria motivo para reclamar, pois poderia soar como uma tentativa do invasão de território de seu vizinho.

BASEBALL TEAM

Motivo: para que tanta dor de cabeça pensando em um mascote? Precisa ter um mesmo? Por que não deixar só “Baseball Team”, assim como os times de futebol são “Football Club”?

Paul Dolan, dono do Cleveland Indians, já disse que não gosta da ideia de usar um nome provisório e, por isso, a franquia não seria o Cleveland Baseball Team em 2021, como fez o Washington da NFL. Isso já enfraquece muito a ideia de o Cleveland adotar permanentemente esse nome com cara mais futebolística. Outro problema é que, se a franquia fica “vazia” no apelido, pode haver um incentivo para os defensores de “Indians” continuarem usando o nome antigo para se referir ao time. Dando um novo mascote, é mais fácil deixar para trás o antigo.

Fonte: Ubiratan Leal

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Calendário do esporte americano em 2021

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

A pandemia bagunçou todo o calendário do esporte em 2020. Praticamente todas as competições já retornaram, mas não é que a agenda de 2021 esteja normal. A parada forçou diversas mudanças de datas, de adiamento de um evento do tamanho dos Jogos Olímpicos à mudança (temporária) de período de disputa de ligas.

O esporte americano é um exemplo bastante claro disso. A temporada 2020-21 da NHL será, na prática, uma temporada 2021. A NBA começou quase no Natal e vai invadir julho. Os All-Star Games de NFL, NBA e NHL foram cancelados. E muitas datas importantes ainda nem foram anunciadas, há apenas uma intenção de realizá-la em determinada época do ano.

Para não se perder nessa bagunça toda, aí vai o calendário de 2021. Reforçando que todas as datas estarão sujeitas a mudanças de acordo com restrições que podem surgir pela pandemia.

Obs.: a WNBA ainda não anunciou seu calendário para 2021 e, como ela costuma evitar a concorrência direta com a NBA, não é possível projetar se ela manterá o período de disputa tradicional (maio a outubro) ou se também deslocará sua temporada

JANEIRO

1 - Semifinais do futebol americano universitário
9 - Início dos playoffs da NFL
11 - Final do futebol americano universitário
13 - Início da temporada da NHL

FEVEREIRO

7 - Super Bowl
27 - Início do Spring Training, a pré-temporada da MLB

Raymond James Stadium, sede do Super Bowl programado para 7 de fevereiro
Raymond James Stadium, sede do Super Bowl programado para 7 de fevereiro Joe Robbins/Getty Images Sport

MARÇO

16 - Início do March Madness, os playoffs do basquete universitário

ABRIL

1 - Início da temporada da MLB
5 - Final do March Madness
29 - Draft da NFL

MAIO

Primeira quinzena - Início dos playoffs da NHL (data ainda não definida)
22 - Início dos playoffs da NBA

JUNHO

22 - Início do pré-olímpico masculino de basquete

O Brasil disputará uma vaga no basquete olímpico com Croácia, Tunísia, Alemanha, Rússia e México
O Brasil disputará uma vaga no basquete olímpico com Croácia, Tunísia, Alemanha, Rússia e México MARK RALSTON/AFP/Getty Images

JULHO

? - Finais da Stanley Cup, a decisão da NHL (datas ainda não definidas)
4 - Final do pré-olímpico masculino de basquete 11 - Draft da MLB
13 - All-Star Game da MLB
21 - Início do torneio de softbol dos Jogos Olímpicos de Tóquio
22 - Data de um eventual jogo 7 das finais da NBA
23 - Draft da NHL
24 - Início dos torneios masculino e feminino de basquete 3x3 dos Jogos Olímpicos de Tóquio
25 - Início do torneio masculino de basquete dos Jogos Olímpicos de Tóquio
26 - Início do torneio feminino de basquete dos Jogos Olímpicos de Tóquio
27 - Final do torneio de softbol dos Jogos Olímpicos de Tóquio
28 - Final dos torneios masculino e feminino de basquete 3x3 dos Jogos Olímpicos de Tóquio
28 - Início do torneio de beisebol dos Jogos Olímpicos de Tóquio
Fim do mês - Época provável para o Draft da NBA (pode ser no início de agosto)

AGOSTO

7 - Final do torneio masculino de basquete dos Jogos Olímpicos de Tóquio
7 - Final do torneio de beisebol dos Jogos Olímpicos de Tóquio
8 - Final do torneio feminino de basquete dos Jogos Olímpicos de Tóquio
12 - Jogo do “Campo dos Sonhos” da MLB (Chicago White Sox x New York Yankees)

SETEMBRO

Início do mês - Época provável para o início da temporada 2021-22 do futebol americano universitário
9 - Início da temporada 2021-22 da NFL

OUTUBRO

5 - Início dos playoffs da MLB
Primeira quinzena - Época provável para o início da temporada 2021-22 da NHL
Segunda quinzena - Época provável para o início da temporada 2021-22 da NBA

O San Diego Padres investiu pesado para conquistar o título da MLB pela primeira vez em sua história
O San Diego Padres investiu pesado para conquistar o título da MLB pela primeira vez em sua história Getty Images

NOVEMBRO

Primeira quinzena - Época provável para o início da temporada 2021-22 do basquete universitário
3 - Data de um eventual jogo 7 da World Series
25 - Rodada de Dia de Ação de Graças da NFL

DEZEMBRO

Segunda quinzena - Época provável para o início da temporada de bowls do futebol americano universitário
25 - Rodada de Natal da NBA

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Sem espírito natalino: o dia em que torcedores dos Eagles atacaram Papai Noel

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal


Época de festas é sempre assim: a chegada do Natal e a aproximação do reveillon leva as pessoas a se esforçarem para esquecer tudo o que ocorreu durante o ano para se alimentar da esperança que as coisas vão melhorar. Hora de reunir a família e priorizar o que importa. Menos para a torcida do Philadelphia Eagles. Ah, não tem clima natalino que resiste à corneta da Filadélfia. Pior para o Papai Noel.

Essa história começa em 1967. A temporada não havia sido das mais agradáveis para a torcida dos Eagles. O time vinha da quarta posição da NFL no ano anterior, mas caiu de rendimento e fechou o campeonato com 6 vitórias, um empate e 7 derrotas. Foi o suficiente para terminar em segundo lugar na divisão, mas o time ficou de fora dos playoffs. 

A expectativa para 1968 era se recuperar dessa queda, ao menos ser competitivo. Mas nem o mais pessimista torcedor das Águias imaginava o que viria. O Philadelphia caiu na estreia para o Green Bay Packers. Depois perdeu para os rivais New York Giants, Washington Redskins e Dallas Cowboys. E seguiu perdendo: Cowboys de novo, Chicago Bears, Pittsburgh Steelers, St. Louis Cardinals (atual Arizona, não o time de beisebol), Redskins de novo, Giants de novo e Cleveland Browns.

Após 11 rodadas, os Eagles tinham zero vitória, zero empate e 11 derrotas. Era o primeiro time da NFL a perder os primeiros 11 jogos de uma temporada desde os próprios Eagles de 1936 (o Oakland Raiders perdeu os 13 primeiros em 1962, mas isso ocorreu ainda na época de AFL). 

Tudo péssimo, mas a torcida teve um motivo para se animar. Com aquela campanha terrível, os Eagles ficariam com a pior campanha e teriam a primeira escolha no draft. E, naquele ano, todos estavam de olho em um running back fenomenal da USC, um dos melhores da história do futebol americano universitário: OJ Simpson (sim, o mesmo que ficou mais famoso hoje pelas páginas policiais).

[]

Faltando três rodadas para o final do campeonato, ter a prioridade para draftar OJ era o que dava alento ao torcedor dos Eagles. Até que veio a partida contra o Detroit Lions: vitória por 12 a 0. Ainda dava, o Buffalo Bills também tinha apenas uma vitória. Mas, na penúltima partida, o Philadelphia vence mais uma, 29 a 17 no New Orleans Saints.

Aí era demais para a paciência da corneteira torcida dos Eagles. O time igualava recorde de derrotas seguidas, era lanterna da divisão, perdeu de todos os rivais, e nem ao menos teria a primeira escolha do draft. O humor do torcedor filadelfiano era dos piores em 15 de dezembro, quando sua equipe receberia o Minnesota Vikings para a despedida da temporada.

O clima era péssimo. Torcedores tiveram de encarar a neve no caminho para o jogo e mesmo nas cadeiras, já que o estádio não era coberto e os Eagles não tinham limpado as arquibancadas. O clube tinha contratado um Papai Noel para animar a torcida no começo da partida, mas ele não apareceu. Era uma síntese de uma temporada terrível em todos os sentidos para o Philadelphia.

Ainda assim, a diretoria dos Eagles não tinha desistido de dar uma despedida natalina para seus seguidores. Ao ver um torcedor fantasiado de Papai Noel nas arquibancadas, foram chamá-lo. Era Frank Olivo, de 19 anos. Ele vestia uma roupa de Papai Noel barata, mal acabada e desajeitada. Ainda assim, perguntaram se o torcedor topava desfilar no gramado no intervalo da partida. Olivo topou.

Assim, quando acabou o segundo quarto, um torcedor vestindo uma roupa tosca de Papai Noel entrou no gramado e passou diante da torcida acenando. Ah, era muito otimismo esperar uma reação natalina das arquibancadas naquele cenário. Imediatamente começam as vaias. Quando Olivo chegou à endzone, alguns torcedores fizeram bolas com a neve com a qual ainda dividia espaço e atiraram no Papai Noel improvisado. Em resposta, Papai Noel começou a mostrar o dedo médio para a torcida cantando “vocês não vão ganhar nada do Papai Noel neste ano”.

Naquela temporada, o Buffalo Bills ficou com a primeira escolha no draft e selecionou OJ Simpson. Ele bateu o recorde de jardas corridas em uma temporada. Os Eagles tiveram a terceira escolha e recrutaram o running back Leroy Keyes, que foi titular em 1969, virou reserva em 1970, se tornou safety em 1971 para ter mais oportunidades e foi negociado com o Kansas City Chiefs em 1972, sua última temporada na NFL.

Frank Olivo morreu em 2015, aos 66 anos, vítima de problemas cardíacos. Seu obituário no jornal Patriot-News, começava assim: “O homem famoso na história do esporte da Filadélfia como o Papai Noel que foi vaiado e atingido por bolas de neve em um jogo dos Eagles no inverno de 1968 faleceu”.

Fonte: Ubiratan Leal

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Orlando Duarte: dez Olimpíadas e 14 Copas, mas tudo começou com o… beisebol

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal


“O Eclético.” O apelido que acompanhava Orlando Duarte já enfatizava sua principal faceta: era um coringa do jornalismo esportivo. Analisou futebol com a mesma naturalidade que teve quando foi comentarista de boxe, escreveu a primeira grande obra de referência dos Mundiais no Brasil (“Todas as Copas do Mundo”), mas fez o mesmo para as demais modalidades com seu “Todos os Esportes do Mundo”.

Orlando Duarte escreveu o livro: Pelé, o supercampeão!
Orlando Duarte escreveu o livro: Pelé, o supercampeão! []

Ainda hoje essa é uma característica rara nas redações de esportes, na década de 1950, quando iniciou sua carreira, mais ainda. Com isso, tornou-se uma figura importante no jornalismo esportivo brasileiro, a ponto de ser destacado para cobrir 14 Copas do Mundo e dez Jogos Olímpicos. Uma história profissional que começou com impulso de uma modalidade improvável, o beisebol.

Duarte nasceu em Rancharia, cidade no oeste paulista a 520 km de São Paulo. Ele cresceu próximo à comunidade japonesa e praticou beisebol na juventude. Poderia ser apenas uma passagem rápida de infância, mas o “esporte da base”, como era conhecido na época, o seguiu quando o jornalista se mudou para trabalhar na capital.

Nota da Gazeta Esportiva destacando a primeira cobertura internacional de Orlando Duarte
Nota da Gazeta Esportiva destacando a primeira cobertura internacional de Orlando Duarte Reprodução A Gazeta Esportiva

Como redator da Gazeta Esportiva, Orlando Duarte era o responsável pela cobertura das competições de beisebol. O dia a dia era de notícias dos jogos que aconteciam pelo estado de São Paulo, mas, em 1956, ele foi convidado para acompanhar a delegação do time da Associação Desportiva Osvaldo Cruz na disputa de um triangular em Buenos Aires. Foi a primeira cobertura internacional da carreira do jornalista.

Um ano depois, São Paulo já fazia planos para celebrar o cinquentenário da imigração japonesa no Brasil. Uma das ideias era construir um grande estádio de beisebol no bairro do Bom Retiro, no local do campo de alguns times amadores do futebol paulistano. Duarte acompanhou as reuniões para o que se tornaria o estádio Mie Nishi não apenas como jornalista, mas também como secretário do Conselho Municipal de Esportes.

Anúncio da construção do estádio de beisebol do Bom Retiro
Anúncio da construção do estádio de beisebol do Bom Retiro Reprodução A Gazeta Esportiva

Com o passar do tempo, Duarte foi ganhando espaço e passou a participar das coberturas mais nobres da pauta. Em seu trabalho enciclopédico com o esporte, o beisebol parecia aos olhos do público apenas mais uma modalidade que O Eclético acompanhava. Mas o beisebol teve um papel fundamental no início da brilhante carreira. E o jornalista retribuiu participando do projeto do maior estádio do “esporte da base” no Brasil.

Orlando Duarte faleceu nesta terça, 15 de dezembro, em São Paulo. Ele já sofria com as consequências de Alzheimer nos últimos anos, mas foi vítima de Covid-19.

Fonte: Ubiratan Leal

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O que o beisebol precisa fazer se quiser voltar (mais uma vez) aos Jogos Olímpicos

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Eric Pardinho, arremessador da seleção brasileira de beisebol
Eric Pardinho, arremessador da seleção brasileira de beisebol Divulgação/MLB

A comunidade do beisebol nem pôde sentir o gosto de estar de volta aos Jogos Olímpicos que já tem de lamentar sua saída. Nesta semana, o Comitê Olímpico Internacional oficializou o programa para Paris-2024. E o beisebol foi retirado da lista de modalidades. O pior é que, com o adiamento de Tóquio-2020 por causa da pandemia de covid-19, o anúncio da saída ocorreu antes mesmo de ele retornar efetivamente, o que ocorrerá só em julho de 2021.

A notícia não surpreendeu quem acompanha o noticiário em torno dos Jogos. O COI criou uma nova categoria de modalidade olímpica, que podem entrar em uma edição do evento, mas não é permanente. O beisebol - que foi modalidade olímpica de 1992 a 2008 - conseguiu retornar em Tóquio nesse sistema, aproveitando a popularidade que tem no Japão. Não haveria muitos motivos para mantê-lo em Paris.

Em teoria, dá para acreditar que o beisebol volte nos Jogos de Los Angeles em 2028. No entanto, está longe de ser uma garantia. Até porque o beisebol tem enorme popularidade nos Estados Unidos, mas o beisebol de seleções, principalmente o beisebol olímpico, não é visto como algo especialmente atraente ao público. Considerando a cultura de rua da cidade californiana, é provável que o COI aproveite a oportunidade para colocar mais esportes de ação no programa e recuperar mais terreno entre o público jovem.

Seria péssimo para o beisebol se isso ocorresse, mas seria justo. A modalidade fez um grande lobby para voltar aos Jogos Olímpicos, a ponto de fundir as federações internacionais de beisebol e a de softbol em uma única entidade (a World Baseball Softball Confederation) para articular melhor a campanha. No entanto, no que ganhou a disputa para Tóquio-2020, fez tudo errado e deu argumentos para o COI achar que o beisebol -- e o softbol -- não merecem um lugar nas Olimpíadas. E estar no maior evento poliestportivo do planeta é importante ao beisebol, sim. Para as grandes ligas profissionais do mundo não faz tanta diferença, mas a persença nos Jogos ajuda a destinar mais recursos às federações nacionais de vários países de segundo e terceiro escalão do cenário internacional.

Então, o que o beisebol precisa fazer se quiser retornar aos Jogos em 2028?

1) Criar um torneio realmente atraente

Os torneios de beisebol e softbol em Tóquio-2020 são quase uma ofensa ao torcedor. São apenas seis equipes em cada um, muito pouco para representar a força internacional das duas modalidades, deixando várias potências sem vaga. Para piorar, o sistema de disputa que exige formação em matemática avançada para entender, com dois grupos de três em que todos os times se classificam para o mata-mata.

Como os japoneses e sul-coreanos são fanáticos por beisebol e vão disputar o torneio, é até possível que os públicos nas partidas das duas seleções -- caso tenhamos público sem restrição nos estádios, claro -- sejam bons. Mas o nível de interesse da competição será muito baixo tanto na venda de ingressos quanto na atenção da mídia.

2) Disponibilizar bons jogadores

Um torneio com camisas pesadas e regulamento que promove emoção é importante, mas ter bons jogadores em campo é fundamental para chamar a atenção da mídia e do público. Isso não é uma questão para o torneio olímpico de softbol, mas é grave no beisebol. 

Os Jogos Olímpicos são disputados sempre durante a temporada da MLB, da NPB (liga japonesa) e da KBO (liga sul-coreana). Essas duas últimas ligas abrem uma janela no calendário para o evento poliesportivo devido à importância que Japão e Coreia do Sul dão a suas seleções, mas a liga norte-americana não faz o mesmo.

Claro que seria lindo ver os grandes astros da MLB nos Jogos Olímpicos, mas isso não vai acontecer. E nem precisaria para o torneio despertar interesse. Bastaria a MLB e a associação de jogadores se comprometerem em criar um modelo em que bons jogadores fiquem à disposição de suas seleções. Por exemplo, qualquer jogador de liga menor que não esteja no elenco de 40 de uma franquia da MLB. Isso tiraria todas as estrelas da MLB e alguns dos jovens prontos para estrear, mas ainda abriria espaço para a participação de dezenas de jogadores muito promissores, capazes de integrar um time competitivo e que ainda despertaria o interesse do público que quer ver o futuro craque do seu time em ação.

3) Aumentar o comprometimento com o beisebol internacional

A MLB merece muitos elogios pela criação do World Baseball Classic, a Copa do Mundo do beisebol. É um torneio atrativo, com participação de grandes estrelas das grandes ligas. Mas fica só nisso. O beisebol como modalidade não encontrou um modelo para as competições de seleções.

O motivo histórico disso é fácil de entender: antes da cooperação da MLB e da NPB na criação de um novo Mundial, a federação internacional simplesmente tocava a sua vida com “o resto” da modalidade. O antigo Mundial era basicamente amador e não se criou uma cultura de torneios de seleções relevantes.

Pois agora é momento de mudar. As estrelas da MLB são para o WBC, mas dá para criar um calendário que movimente seleções nacionais girando em torno do desenvolvimento de promessas em ligas menores ou descoberta de talentos estrangeiros. Tendo um calendário com lógica, continuidade e promoção bem feita para mobilizar o público, dá para aumentar o interesse por esse tipo de torneio.

O Premier12 é um torneio interessante, disputado a cada dois anos. Mas ele sempre gira em torno das mesmas seleções e soa distante do público das Américas. Talvez a criação de uma Liga das Nações, com divisões, ajudaria a reforçar rivalidades nacionais e a fomentar o beisebol em países de segundo escalão, como Colômbia, Panamá, Itália, Nicarágua e até o Brasil.

4) Ajudar no desenvolvimento do softbol ou do beisebol feminino

É uma medida importante por três caminhos: social, econômico e político. O social se refere à inclusão de centenas de mulheres e garotas que têm talento beisebol e softbol e não têm oportunidade de transformar isso em uma profissão. Até existe uma liga profissional de softbol nos Estados Unidos, a National Pro Fastpitch, mas ela é completamente desconhecida de boa parte do público. No beisebol feminino, não há nada. Do ponto de vista humano, esse é o motivo mais importante para abraçar essa ideia, mas claramente não será esse o motor de uma decisão.

Então vamos às razões mais pragmáticas. Economicamente, ajudar o desenvolvimento do softbol profissional feminino e estabelecer o beisebol feminino é fundamental para aumentar a popularidade da modalidade entre as mulheres. Só ver como o basquete cresceu entre as mulheres americanas a partir da criação da WNBA. É um público potencial de centenas de milhões de pessoas que ajudariam a reforçar o mercado da MLB.

O impacto político, porém, é o que teria mais influência nos Jogos Olímpicos. O COI claramente tenta tornar o evento o mais igualitário entre gêneros. Ainda que o softbol feminino faça espelho ao beisebol masculino, claramente há uma distância muito grande no desenvolvimento econômico e de apelo de público entre as duas modalidades. Ter uma imagem de modalidade “para todos os gêneros” daria força na disputa por uma vaga no programa olímpico de 2028 ou além disso.

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O que o beisebol precisa fazer se quiser voltar (mais uma vez) aos Jogos Olímpicos

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O basquete universitário teve dezenas de jogos adiados antes mesmo de começar

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal


Cento e vinte jogos, 240 times em quadra. Tudo na mesma noite. A NCAA programou uma quarta cheia para abrir a temporada do basquete universitário americano, e isso só contando a primeira divisão do torneio masculino. Contando as demais divisões e o torneio feminino, em quase todo canto dos Estados Unidos haveria uma partida acontecendo. Mas a realidade bateu rápido na porta. Um dia antes, 20 partidas (16,7% do total) foram canceladas ou adiadas por casos de Covid-19 em um ou em ambos os times.

Os campeonatos começaram, mas há dúvidas sobre a capacidade de seguir adiante normalmente. Com a segunda onda da pandemia chegando forte nos Estados Unidos, os casos têm crescido bastante, inclusive entre universitários. Por isso, várias instituições voltaram a realizar apenas aulas à distância ou a fazer rodízio entre quem faz aula presencial e quem acompanha de casa de forma a limitar a aglomeração de alunos.

Isso até pode reduzir o risco de contágio pelo coronavírus entre os estudantes normais, mas os estudantes-atletas vivem em regime diferente. Até podem fazer algumas das aulas de seu alojamento, mas terão de circular pelas instalações da universidade no dia a dia, para treinos ou jogos. Além disso, ficarão viajando por meses de um lado para o outro do país, entrando em contato com pessoas em regiões em nível diferente de gravidade da pandemia.

Por causa disso, muitas universidades relutaram demais em abraçar a temporada 2020-21. Muitas cancelaram temporariamente os programas de modalidades menos lucrativas. No entanto, a decisão é mais difícil quando se trata de futebol americano e basquete, os esportes financeiramente mais pesados. A saúde dos atletas ficou -- como em quase todas as ligas profissionais do mundo -- em segundo plano. A prioridade foi “dar um jeitinho” de os jogos acontecerem.

No futebol americano, algumas universidades adiaram a temporada para o primeiro semestre de 2021, abrindo mão de um título nacional ou de um bowl entre dezembro e janeiro, mas aumentando a chance de completar uma temporada com menos casos de Covid e, com sorte, até botando mais torcedores nos estádios. Ainda assim, a competição é muito facilitada pelo fato de as partidas ocorrerem apenas uma vez por semana, normalmente aos sábados. Dessa forma, há mais condições de trabalhar para reduzir índice de contágio e gerenciar o elenco para o caso de atletas aparecerem com testes positivos para a doença.

O basquete tem situação muito mais delicada. Há muito mais partidas (e viagens) ao longo da temporada, o que aumenta o risco de contágio e reduz a capacidade de gerir o elenco na eventualidade de ocorrer um surto entre jogadores e comissão técnica. Por isso tantos jogos já foram adiados logo na primeira semana.

Preencher as chaves do March Madness: uma das maiores tradições do esporte americano
Preencher as chaves do March Madness: uma das maiores tradições do esporte americano Getty

A esperança da NCAA era realizar torneios de início de temporada dentro de uma bolha em Orlando, como fez a NBA na reta final de temporada regular e nos playoffs entre agosto e outubro. No entanto, a Disney -- dona das instalações utilizadas -- afirmou não haver condições para realizar outra operação semelhante agora. Desse modo, o basquete universitário tem de se arriscar em um campeonato normal, sem bolhas e com os times jogando em seus estádios, contando com protocolos e cuidados individuais de cada atleta e membro de comissão técnica para que todos fiquem em segurança. Só o March Madness (playoffs) iria para uma bolha.

As universidades resolveram bancar essa aposta por causa do impacto que a pandemia já teve no basquete universitário na temporada passada. A paralisação das competições esportivas ocorreu bem no meio dos playoffs de conferência, uma semana antes do início do March Madness. O mata-mata do basquete masculino é responsável por 85% do faturamento total da NCAA, cujos direitos comerciais e de transmissão somam US$ 875 milhões por ano. Com o cancelamento do torneio nacional, a entidade teve de distribuir às universidades US$ 375 milhões a menos do que o previsto.

Por isso, a ideia é tentar fazer. No entanto, talvez tenha faltado um pouco de jogo de cintura da entidade e das universidades. E quem mostrou como era possível fazer uma temporada um pouco mais racional foi Rick Pitino. 

O técnico já cometeu diversas violações às regras da NCAA durante sua carreira, mas também é um dos grandes nomes da modalidade e entende bem a realidade do basquete universitário. “Vou dizer para qualquer um que quiser ouvir: empurrem a temporada para março e depois fazemos o May madness. Dê uma chance à vacina, no melhor interesse de todos envolvidos”, tuitou no último dia 23.

Faz todo sentido. Das competições mais importantes do esporte americano, nenhuma depende tanto financeiramente de seus playoffs quanto o basquete universitário. Por isso, preservá-lo seria o mais importante, e é possível fazer uma temporada regular de dois meses se forem programados apenas jogos dentro de cada conferência. 

Mas a NCAA preferiu bancar a ideia de manter o calendário original. Que os atletas e profissionais envolvidos e as universidades não paguem um preço alto por isso.

Fonte: Ubiratan Leal

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Balanço: os premiados, quem sai em alta e quem sai em baixa na temporada 2020 da MLB

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Um jogo acirrado entre duas equipes, decisão polêmica que valerá discussão por algumas semanas (talvez até mais que isso), um campeão incontestável e que tirou de uma fila de décadas uma das franquias mais populares do país e ainda redimiu um dos maiores jogadores deste século. No final das contas, a Major League Baseball tem motivos para se sentir aliviada com o final da temporada 2020 e o título do Los Angeles Dodgers.

A sensação final é realmente de alívio, mas há quem saiu dessa podendo comemorar ou lamentar. E alguns que ficaram com uma sensação agridoce na boca. Então, que tal um balanço do que a temporada deixou de mais impactante?

PRÊMIOS

MVPs:  José Abreu (Chicago White Sox) e Freddie Freeman (Atlanta Braves)
Cy Young (melhores arremessadores): Shane Bieber (Cleveland Indians) e Trevor Bauer (Cincinnati Reds)
Estreantes do ano: Kyle Lewis (Seattle Mariners) e Devin Williams (Milwaukee Brewers)
Técnicos do ano: Kevin Cash (Tampa Bay Rays) e Don Mattingly (Miami Marlins)

EM ALTA

Los Angeles Dodgers

A franquia se planejou por anos para ter o time mais forte da MLB, e conseguiu fazer isso dominando uma divisão que tem o time mais vitorioso da primeira metade desta década. Só faltava carimbar o processo com o título, e ele sempre vinha escapando. O escândalo de roubo de sinais do Houston Astros em 2017 fez a sensação de vazio ficar ainda maior, e até reenergizou o elenco para 2020. 

O título soou justo e até atrasado por tudo o que os Dodgers vinham fazendo. E, além disso, ainda tirou um pouco o peso da indignação pela derrota de três anos atrás.

Jogadores do Los Angeles Dodgers celebram a conquista da World Series em 2020
Jogadores do Los Angeles Dodgers celebram a conquista da World Series em 2020 Getty

Clayton Kershaw

Um dos melhores arremessadores da história era perseguido pelas atuações fracas em playoffs. Na verdade, Kershaw teve várias grandes atuações em playoffs, mas estas eram sempre seguidas de desempenhos para lá de decepcionantes. Ele precisava de uma pós-temporada inteira de alto nível, e teve uma.

Em cinco jogos, teve apenas um que podemos rotular como “decepcionante”, e ainda assim não foi uma porcaria completa. O ERA de 2,31 na World Series quantifica as boas atuações no momento mais importante do ano. Para melhorar, ele ainda termina o ano como o arremessador com mais strikeouts em jogos de playoff na história.

O currículo dele no mata-mata ainda é muito inferior, mas não cobrarão mais dele a falta de um grande desempenho na hora mais decisiva do campeonato. É um dos maiores da história, e agora sem aparecer um “mas vamos lembrar que” quando falarmos de sua capacidade.

San Diego Padres

Há anos que os Padres estão trabalhando para montar um time competitivo. Reuniram um grupo de jovens muito talentosos e contrataram alguns veteranos interessantes. A evolução existia, mas ainda faltava o momento em que esse elenco explodisse para passar a ser visto como potencial concorrente ao título.

Esse momento veio em 2020. É verdade que a temporada curta pode distorcer a percepção, mas os Padres viram seus jovens crescerem demais, os veteranos apareceram bem e a equipe ainda mostrou capacidade de competir contra equipes mais experientes nos momentos decisivos.

Ver os rivais Dodgers ficarem com o título é ruim, mas o sentido de urgência no time de Los Angeles será menor a partir do ano que vem, o que pode até abrir uma pequena brecha para o San Diego brigar pelo topo da divisão nos próximos anos.

Chicago White Sox

A história dos White Sox é muito semelhante à dos Padres. A base jovem enfim mostrou capacidade de competir no alto nível. Ainda não está tão explosivo como os Padres, mas há uma clara sensação de que o time já está pronto para dominar sua divisão por algumas temporadas. 

Novas regras

Rebatedor designado na Liga Nacional, playoffs expandidos, entradas extras começando com corredores em base e rodadas duplas com jogos de 7 entradas. Todas essas mudanças foram implementadas em 2020 com o argumento da pandemia e não voltam para 2021. Ainda assim, dá para dizer que terminam em alta. Não que tenham necessariamente dado certo (há muita discussão entre o público do beisebol sobre elas), mas o fato de terem achado uma brecha para serem usadas aumentam a chance de acabarem oficializadas no futuro (só a última, a das rodadas duplas, soa improvável).

NO LIMBO

Estatísticas avançadas

Os Dodgers têm o melhor time da MLB, mas utilizam bastante as estatísticas avançadas para realizar seu planejamento de elenco e estratégias de jogo. Quanto aos Rays, dá para dizer que nem chegariam aos playoffs se não usassem um apoio pesado da análise de números. É evidente que as estatísticas se tornaram parte fundamental do beisebol, não adianta lutar contra isso.

No entanto, a decisão do técnico dos Rays, Kevin Cash, de substituir o dominante Blake Snell no jogo 6 da World Series não pode ser ignorada. Os números recomendavam a alteração, mas qualquer observador da partida perceberia que o arremessador estava em um dia fora da curva, inclusive de sua curva. Os Dodgers viraram o jogo e fecharam a série a partir dessa alteração, e já há uma discussão forte sobre quando o instinto do treinador pode ser aplicado a despeito das estatísticas.

Atlanta Braves

Os Braves já eram tidos como o time mais talentoso da Liga Nacional depois dos Dodgers. Isso foi confirmado nesta temporada, com desempenho espetacular de Freddie Freeman, Max Fried, Ian Anderson, Travis d’Arnaud e Ozzie Albies, além de momentos explosivos de Ronald Acuña Jr. Na final da Liga Nacional, a equipe da Geórgia ficou a uma vitória de eliminar os futuros campeões e chegar à World Series.

Sinal de que o time realmente é forte e chega como candidato real ao título em 2021? Certamente, mas também fica uma questão: mais uma vez, os Braves mostraram incapacidade de crescer no momento decisivo. Na temporada passada, o Atlanta já era visto como força emergente e falhou nos playoffs, também em uma série que parecia ganha. 

Como a base é jovem, o time deve ser competitivo por alguns anos ainda. Mas a história da franquia já foi marcada por grandes esquadrões que sistematicamente caíam no mata-mata. Talvez seja hora de investir em alguns jogadores pesados para dar mais contundência à equipe.

Houston Astros

Depois do escândalo de roubo de sinais, era evidente que o desempenho dos Astros seria um dos assuntos do campeonato. Na temporada regular, a narrativa de “o Houston só ganhou porque trapaceou” ganhou força. A equipe fez uma campanha bastante apática, ficando abaixo de 50% de aproveitamento e vendo alguns dos jogadores mais importantes, como José Altuve, Alex Bregman e Yuli Gurriel, com estatísticas muito abaixo do que costumam apresentar.

No entanto, os Astros acabaram se classificando aos playoffs devido à fragilidade dos concorrentes em sua divisão. E, no mata-mata, o time ressurgiu. Altuve, Correa e Springer tiveram grandes atuações e o Houston ficou a uma vitória de chegar à terceira World Series em quatro anos. Serviu de alívio, e comprovação de que a franquia até trapaceou, mas o time tem qualidade para ir longe no mata-mata.

Houston Astros celebram corrida durante a World Series de 2017
Houston Astros celebram corrida durante a World Series de 2017 Getty

MLB na TV

A World Series de 2020 teve a pior audiência de sua história na TV americana. Em média, 9,78 milhões de pessoas viram cada partida da decisão da MLB, superando com folga a marca negativa anterior, de 12,64 milhões da final de 2012 entre San Francisco Giants e Detroit Tigers (uma varrida, o que normalmente tira o interesse dos jogos). Sim, isso é uma notícia ruim para o beisebol, então por que o item ficou como “no limbo”.

Os números são baixos na comparação com os anos anteriores, mas a MLB teve indicações positivas também. Os eventos esportivos como um todo tiveram queda brutal de audiência na TV dos EUA neste ano de pandemia. E, na comparação com as finais da NBA, pela primeira (e provavelmente única) vez na história disputada na mesma época do ano e com times de mercados quase iguais (Los Angeles x uma grande cidade da Flórida), a MLB se saiu melhor. A série entre Los Angeles Lakers e Miami Heat teve média de 7,45 milhões de telespectadores.

Além disso, a MLB ainda teve quatro dos cinco eventos esportivos fora da NFL mais vistos na TV americana desde o retorno das ligas após a parada da pandemia. Ou seja, os números absolutos foram ruins, mas o beisebol mostrou força dentro de um ano ruim para o esporte.

EM BAIXA

Kevin Cash

O técnico do Tampa Bay Rays foi um dos melhores da temporada. Manteve sua filosofia de usar as estatísticas como principal fator nas tomadas de decisão durante todo o ano. E, como ocorreu já na temporada passada, teve muito sucesso. Levou os Rays à melhor campanha na temporada regular da Liga Americana e à segunda participação na World Series.

No entanto, isso tudo é meio o que se sabia que ele era capaz de fazer. Quando precisou lidar com uma situação fora do roteiro, como no caso de manter ou não Blake Snell no montinho no jogo 6 da finalíssima, Cash decidiu sacar o arremessador. A decisão era justificável pelos números, nem tanto pelo instinto. E o instinto venceu neste caso: os Rays imediatamente tomaram a virada e o título foi para Los Angeles.

Cash ainda é um dos melhores técnicos da MLB, mas teve de lidar com críticas de seus próprios jogadores após a partida e será visto com desconfiança por torcedores e jornalistas em 2021.

New York Yankees

A MLB viu o surgimento de alguns supertimes nos últimos anos: Astros, Dodgers, Yankees e Red Sox. Era evidente que, deste grupo, o Los Angeles era o que mais tinha urgência pelo título. Investiu fortunas para montar um esquadrão e seguia em uma fila de mais de três décadas. Mas, enfim, esse título veio.

Agora, os Yankees são o único desses supertimes a não conquistou uma World Series nos últimos quatro anos. Pior, a franquia mais rica e vitoriosa do beisebol já passou mais de uma década sem título, sem sequer chegar a uma World Series. O time atual é muito bom, desde já um forte candidato ao título em 2021, mas vai começar a temporada sob uma pressão ainda maior que o normal.

Aaron Judge, principal estrela dos Yankees
Aaron Judge, principal estrela dos Yankees Sean M. Haffey/Getty Images Sport

Boston Red Sox

Sabia-se que os Red Sox teriam uma temporada de baixa. A franquia jogou pesado para reconquistar o título nos últimos anos, e conseguiu o feito em 2018. Para 2020, trocou o general manager, viu seu técnico ser suspenso por um ano pela participação no escândalo de roubo de sinais do Houston Astros (Alex Cora era auxiliar do time texano em 2017) e ainda topou negociar seu melhor jogador, Mookie Betts. 

No entanto, não dava para imaginar que a queda seria tão brutal. O Boston vagou pela temporada em um ambiente melancólico, uma equipe sem rumo que parecia apenas cumprir tabela desde o primeiro jogo da temporada regular. No papel, a equipe ainda tinha capacidade de fazer uma campanha digna e até ficar no pelotão que pegou um dos wildcards da Liga Americana, mas não passou nem perto. Ficou atrás até do Baltimore Orioles, time sabidamente em reformulação total.

Para 2021, Cora estará de volta e os Red Sox terão o retorno de jogadores importantes como Chris Sale (perdeu o ano todo por lesão). Mas talvez a exigente torcida fique uns dois ou três anos vendo a franquia encontrar um novo rumo até voltar a brigar por títulos.

Rob Manfred

A temporada 2020 aconteceu. Foi marcada uma tabela, praticamente todos os jogadores se apresentaram, as partidas foram realizadas, houve playoff -- até com público em parte dele -- e um campeão reconhecido por todos foi consagrado. Isso já é uma ótima notícia para a liga e seu comissário, Rob Manfred. No entanto, todo o resto gera dúvidas a respeito da capacidade do chefão da MLB liderar a liga.

As negociações com os jogadores sobre como seria o acordo financeiro para a disputa da temporada 2020 foi repleta de problemas e acirrou o clima entre liga e sindicato para a renovação do acordo trabalhista no ano que vem. Além disso, foi preciso ocorrer surtos de covid em alguns clubes para que a liga conseguisse mobilizar os jogadores sobre como respeitar os protocolos de saúde durante a temporada regular. E, ainda assim, a MLB teve de ver atletas reclamando -- com razão -- de dividirem hoteis com hóspedes comuns, que não estariam necessariamente respeitando as normas de segurança.

Por fim, Manfred viu a temporada acabar com um caso de Covid-19 que surgiu no meio do que deveria ser uma bolha da MLB em Dallas, com Justin Turner descobrindo seu caso durante a última partida e se negando a manter o isolamento na hora de celebrar o título. 

O comissário terá muito trabalho para retomar sua força aos olhos do público.

Saúde financeira da liga

Segundo cálculos da própria liga, a MLB teve prejuízo de US$ 3,1 bilhões por fazer uma temporada curta e sem público em 2020. Já se imaginava que seria um ano de perdas, mas é inevitável que isso tenha um impacto nos próximos anos: mais dificuldade para negociar o próximo acordo trabalhista, jogadores com salários mais baixos nos novos contratos e busca por novas formas de arrecadação para minimizar as perdas. Em médio prazo, esse prejuízo pode ainda acelerar a busca pela expansão da liga para 32 franquias.

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Para que times torcem Joe Biden e Kamala Harris

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Uma tradição de presidentes norte-americanos é fazer o arremesso cerimonial na abertura da temporada da MLB, normalmente em seu primeiro ano de mandato e no primeiro jogo em casa do time de Washington. A tradição surgiu com William Taft em 1910, quando o representante da capital no beisebol era o Washington Senators. Desde então, passaram por isso Woodrow Wilson, Warren Harding, Calvin Coolodge, Herbert Hoover, Franklin Roosevelt, Harry Truman, Dwight Eisenhower, John Kennedy, Lyndon Johnson, Richard Nixon, Gerald Ford, Jimmy Carter, Ronald Reagan, George HW Bush, Bill Clinton, George W Bush e Barack Obama. Donald Trump não seguiu a série (ele já fez o arremesso cerimonial, mas em 2006, bem antes de se tornar presidente dos Estados Unidos), mas já está aberto o caminho para Joe Biden retomá-la.

Kamala Harris e Joe Biden
Kamala Harris e Joe Biden Getty Images

Horas após a vitória de a imprensa cravar a vitória de Biden nas eleições, o Washington Nationals postou no Twitter um convite para o futuro presidente fazer o arremesso inaugural da próxima temporada. Na última vez em que isso aconteceu, Obama foi ao montinho com um boné dos Nationals, mas usando uma jaqueta do seu time de coração, o Chicago White Sox (como também é Bears na NFL e Bulls na NBA). O que levanta a questão: para que time torce Joe Biden?


O fato de Obama se identificar como torcedor dos White Sox não foi um problema porque a franquia de Chicago é da Liga Americana e não disputa diretamente nada com os Nationals, não há rivalidade. Mas Biden talvez tenha de pensar duas vezes antes de misturar sua equipe com o Washington.

Biden cresceu em Wilmington, cidade no estado de Delaware próxima a Filadélfia. Além disso, sua mulher, Jill, também é filadelfiana. Com isso, é natural que o presidente eleito adotasse os times da região. 

Ele sempre se mostrou fanático pelo Philadelphia Phillies, rival justamente do Washington Nationals. Antes da abertura da temporada 2020, ele até gravou um vídeo para o time da Filadélfia.

Obs.: Biden também se disse um grande simpatizante do New York Yankees por causa de seu avô, fanático pelo clube nova-iorquino e responsável por sua paixão pelo beisebol. Os Yankees são o time de Donald Trump (assim como o New York Knicks na NBA)

Em 2017, o presidente eleito estava no estádio US Bank, em Minneapolis, durante a vitória do Philadelphia Eagles sobre o New England Patriots no Super Bowl 52.


Outro momento em que o Biden-torcedor foi visto ocorreu no Brasil. Ainda vice-presidente de Obama, ele estava em Natal para ver a vitória dos Estados Unidos sobre Gana na estreia da Copa do Mundo de 2014.


Kamala Harris, a futura vice-presidente, é ainda mais explícita em suas preferências clubísticas. Nascida em Oakland, ela preferiu seguir as equipes do outro lado da baía de São Francisco. Adotou os 49ers na NFL e os Giants na MLB, deixando Raiders e Athletics para trás. 

Na NBA não há polêmica: a região tem apenas um time, e Kamala segue o Golden State Warriors.


No entanto, a vice da chapa vencedora teve uma polêmica no início deste ano. Antes de um debate entre pré-candidatos do Partido Democrata, Kamala chegou ao palco usando um boné do Los Angeles Dodgers, rivalíssimo dos Giants. Ela afirmou que pegou o boné do marido, Doug Emhoff, torcedor dos Dodgers. Inclusive, a imagem da futura vice-presidente usando o boné do rival chegou ao público justamente por meio do Twitter de Emhoff.


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Um guia rápido (e com palpite) para acompanhar a World Series

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
World Series de 2020
World Series de 2020 ESPN

A temporada da MLB chega em seu grande momento. Nesta terça, Los Angeles Dodgers e Tampa Bay Rays começarão a disputa da World Series, a grande final do beisebol. É um momento em que cada torcedor fica a um arremesso ruim de um ataque cardíaco, e, considerando que são dado cerca de 300 arremessos por jogo, dá para imaginar o potencial de emoção dos jogos.

Para você que já está acompanhando ou chegou agora só para ver as finais, aí vai um mini-guia em forma de perguntas e respostas da grande decisão da MLB.

Quais são os times?

Bem, eu já disse lá em cima, né? Mas, vamos lá: Los Angeles Dodgers e Tampa Bay Rays.

Nossa, que coincidência! Essas duas cidades acabaram de ganhar título, né?

Você está esperto! Os Lakers ganharam a NBA há umas semanas e o Lightning ganhou a NHL no finalzinho de setembro.

Já tivemos uma cidade com dois times campeões ao mesmo tempo?

Várias vezes. Já tivemos um caso até de uma cidade ter o título de três ligas ao mesmo tempo. O que nunca teve foi a mesma cidade ganhar dois títulos em um mês, o que vai acontecer agora. Escrevi sobre isso neste link.

Mas, voltando para a World Series, como esses times chegaram à final?

As duas equipes tiveram a melhor campanha na temporada regular em suas ligas. Os Rays tiveram 40 vitórias e 20 derrotas, enquanto que os Dodgers ficaram com 43 e 17. Nos playoffs, o Tampa Bay eliminou Toronto Blue Jays por 2 a 0, o New York Yankees por 3 a 2 e o Houston Astros por 4 a 3. Os Dodgers passaram por Milwaukee Brewers (2 a 0), San Diego Padres (3 a 0) e Atlanta Braves (4 a 3).

Dá para dizer que há alguma surpresa nessa final?

Mais ou menos. Os Dodgers já eram favoritos muito antes de a temporada começar. Os Rays são encarados como zebra por alguns por terem um time barato e não ter tradição, mas a equipe era boa, já vinha de uma ótima campanha em 2019 e muita gente (inclusive eu, deixa eu me gabar um pouco, vai?) a colocava entre as candidatas mais fortes ao título.

Time barato? Como é isso?

Sim! Os Dodgers têm a segunda maior folha salarial da MLB, com US$ 107,9 milhões. Só os Yankees gastaram mais. Os Rays têm a terceira menor, com US$ 28,3 milhões. Só Pittsburgh Pirates e Baltimore Orioles gastaram menos.

Tem algum jogador dos Dodgers que, sozinho, ganhe mais que o Tampa Bay inteiro?

O maior salário dos Dodgers é do arremessador Clayton Kershaw, com US$ 31 milhões. Mas o salário dele não é maior que todo o time dos Rays, porque o valor da resposta anterior já é corrigido para a temporada de 60 jogos. Os US$ 31 milhões do Kershaw estão no contrato, mas valem para um ano normal, de 162 jogos. Com uma temporada de 60 partidas, como foi a de 2020 por causa da parada da pandemia, ele vai ganhar apenas US$ 16,3 milhões.

Ah, então os times tiveram redução salarial com a pandemia?

Isso. Mas a conta foi simples: pegaram o salário integral e pagaram apenas o proporcional pela quantidade de jogos que a temporada teve. A temporada teve 60 jogos, que equivalem a 37% de uma temporada normal de 162 jogos. Então, os jogadores receberam 37% do salário.

Teve mais coisa que mudou com a pandemia?

Várias. Os playoffs estão sendo disputados em bolhas (San Diego e Los Angeles na Liga Americana, Dallas e Houston na Liga Nacional. A World Series é toda em Dallas), a regra do rebatedor designado foi adotada pelas duas ligas neste ano, houve regras para reduzir a duração das partidas na temporada regular e os times tiveram elencos mais cheios, entre outras coisas.

Beleza, mas o que eu tenho de prestar atenção nesta final?

Os dois times adotam largamente as estatísticas para delinear a estratégia de jogo. No entanto, o resultado disso são duas equipes com diferenças razoáveis. Os Dodgers têm um ataque poderoso e valorizam muito os abridores (arremessadores da rotação, os que iniciam os jogos em forma de rodízio). Os Rays têm um ataque que vem jogando mal, mas contam com um bullpen (arremessadores reservas, que entram durante o jogo) bastante confiável e uma defesa capaz de jogadas espetaculares. No papel, os californianos são favoritos. Mas o Tampa Bay é uma equipe bastante inteligente na tática e tentará dar um nó no adversário para levar o título.

Quais os jogadores mais interessantes de cada time?

Nos Rays, o cubano Randy Arozarena vem rebatendo demais, destruindo recordes para jogadores estreantes em uma edição dos playoffs. Também vale ficar atento às jogadas defensivas de Manuel Margot, Willy Adames e Joey Wendle e aos arremessos de Charlie Morton e Tyler Glasnow. Nos Dodgers, o grande nome vem sendo Corey Seager, mas Mookie Betts é capaz de grandes jogadas defensivas e Justin Turner tem sido uma figura importante no ataque, jovens arremessadores como Walker Buehler e Julio Urías estão aparecendo bem. E, claro, vale ficar de olho no que acontece com Clayton Kershaw, um dos grandes arremessadores da história, mas que tem seu legado muitas vezes contestado por não ter uma atuação convincente nos playoffs no currículo.

Quantos títulos esses times já têm?

Os Dodgers têm seis títulos, o último é de 1988. Os Rays nunca foram campeões, têm apenas um vice-campeonato, em 2008.

Já são 32 anos sem título do Los Angeles, hein? É um tabu grande?

A MLB já teve fila de 108 (Chicago Cubs), 88 (Chicago White Sox), 86 (Boston Red Sox) e 77 (Philadelphia Phillies) anos. Atualmente, há uma fila de 72 anos (Cleveland Indians). Nesse aspecto, os 32 anos de jejum dos Dodgers até parecem poucos, mas é uma sequência negativa que incomoda bastante. Sobretudo porque trata-se de uma das franquias mais populares e ricas do esporte americano e já se investiu muito dinheiro para conquistar um título nos últimos anos.

Hmm, achei interessante. Acho que vou torcer pelos Dodgers. Ou tem algo interessante do Tampa Bay levar o título?

Bem, se você gosta do livro ou do filme Moneyball, os Rays são a sua cara. O time segue os mesmos princípios do Oakland Athletics, com o uso de formas inovadoras de avaliar o jogo para montar times competitivos com pouco dinheiro. E, hoje, o Tampa é mais bem sucedido nisso do que os A’s. Se você quiser ver mais do sistema adotado pelos Rays, tem o livro “The Extra 2%: How Wall Street Strategies Took a Major League Baseball Team from Worst to First” (“Os 2% Extra: Como Estratégias de Wall Street Levaram um Time da MLB de Pior para Melhor”), de Jonah Keri. Não foi publicado em português.

Quando são os jogos?

Anota aí: 20 (terça), 21 (quarta), 23 (sexta), 24 (sábado), 25 (domingo), 27 (terça) e 28 (quarta) de outubro, sempre às 21h. Evidentemente, os jogos dos dias 25, 27 e 28 só serão realizados se a série não for concluída até lá.

A ESPN vai passar todos os jogos?

Claro!

Legal! E qual seu palpite?

Acho que os Dodgers levam por 4 a 2.

Fonte: Ubiratan Leal

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Um guia rápido (e com palpite) para acompanhar a World Series

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Tampa e Los Angeles brigam para ter dois títulos ao mesmo tempo. Quando aconteceu antes?

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Edmonton, Canadá, 28 de setembro. O Tampa Bay Lightning bate o Dallas Stars por 2 a 0 e conquista a Stanley Cup ao fechar a série decisiva por 4 a 2. Foi o segundo título da equipe da Flórida na NHL.

Orlando, Estados Unidos, 11 de outubro. O Los Angeles Lakers vence o Miami Heat por 106 a 93 e leva o título da NBA. Foi o 17º troféu da franquia, igualando o Boston Celtics como os maiores campeões no basquete americano.

Da esq. à dir. - Steven Stamkos, Nikita Kucherov e Victor Hedman, do Tampa Bay Lightining, com a Stanley Cup da NHL
Da esq. à dir. - Steven Stamkos, Nikita Kucherov e Victor Hedman, do Tampa Bay Lightining, com a Stanley Cup da NHL Getty

As duas metrópoles comemoraram bastante as conquistas, mas já estão de olho na possibilidade de uma segunda. Tampa Bay Rays e Los Angeles Dodgers estão nas finais de liga na MLB. Como a World Series terá sua decisão entre os dias 25 e 28 de outubro (depende de ser decidida em 5, 6 ou 7 partidas), é possível que um mercado conquiste dois títulos em menos de 30 dias. Já aconteceu antes? E já tivemos casos de cidades com títulos de mais de uma liga ao mesmo tempo?

A resposta à primeira pergunta é mais simples: nunca ocorreu de uma região metropolitana conquistar dois títulos em menos de 30 dias. Isso só seria possível se o mesmo mercado vencesse a NHL e a NBA ao mesmo tempo, pois as duas ligas costumam terminar em junho (a NFL encerra a temporada em janeiro ou fevereiro e a MLB, em outubro). Incrivelmente, hóquei no gelo e basquete nunca tiveram campeões da mesma cidade ao mesmo tempo.

Em 2020, com a pandemia, a final da NHL e da NBA foram empurradas para outubro, coincidindo com a decisão do beisebol. Isso criou uma nova possibilidade, e é nessa brecha que a Baía de Tampa (aqui vale a região pq o ginásio do Lightning e o estádio dos Rays ficam em municípios diferentes dentro da mesma conurbação) e Los Angeles podem entrar.

No entanto, a pergunta se já houve casos de a mesma cidade ter título de mais de uma liga ao mesmo tem resposta bem diferente. Há um caso único de cidade que teve três ligas ao mesmo tempo: Detroit em 1935, acumulando os troféus da World Series de 1935, a NFL (ainda antes do Super Bowl) e a Stanley Cup em 1936. Boston teve a chance de repetir o feito no ano passado, mas o St. Louis Blues frustrou a torcida bostoniana ao bater os Bruins na decisão da NHL.

Leia mais: Boston tem chance de repetir feito de 80 anos atrás: ser campeã de três ligas ao mesmo tempo

Mas ganhar dois títulos ao mesmo tempo, como tentam a Baía de Tampa e Los Angeles, é mais comum. Ocorreu várias vezes, com regiões tradicionalmente muito vitoriosas como Nova York e Pittsburgh e até com outras de sucesso mais esporádico, como Baltimore.

Veja a lista (em parênteses, as ligas conquistadas na ordem em que os títulos vieram):

- NOVA YORK  NOVA JERSEY: 1938-39 (MLB e NFL), 1956-57 (MLB e NFL), 1969 (NFL e MLB), 1969-70 (MLB, mesmo título da série anterior, e NBA) e 2000 (NHL e MLB), 

- CHICAGO: 1934 (NFL e NHL) 

- DETROIT: 1954 (NFL e NHL)

- BALTIMORE: 1970-71 (MLB e NFL)

- PITTSBURGH: 1979-80 (NFL e MLB, e depois o bi da NFL substituindo o título anterior na série) e 2009 (NFL e NHL)

- LOS ANGELES: 1981-82 (MLB e NBA), 1988 (NBA e MLB) e 2002 (NBA e MLB)

- SÃO FRANCISCO / OAKLAND: 1989-90 (MLB e NFL)

- BOSTON: 2004 (NFL e MLB, e depois o bi da NFL substituindo o título anterior na série) e 2007-08 (MLB e NBA)

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Tampa e Los Angeles brigam para ter dois títulos ao mesmo tempo. Quando aconteceu antes?

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Playoffs da MLB: um guia rápido para entender o que vai rolar

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
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Foi muito rápido. A temporada regular da MLB mal começou e já estamos nos playoffs. Claro, consequência das adaptações exigidas pela pandemia de Covid-19. Mas o mata-mata começa nesta terça-feira com quatro séries pela Liga Americana. Nesta quarta começa a pós-temporada da Liga Nacional.

Em uma temporada sui generis, os playoffs também estão diferentes. Por isso, veja um guia rápido para não se perder nas novidades e entender o que vai acontecer.

Quem se classificou?

São 16 times nos playoffs: Atlanta Braves, Chicago Cubs, Chicago White Sox, Cincinanti Reds, Cleveland Indians, Houston Astros, Los Angeles Dodgers, Miami Marlins, Milwaukee Brewers, Minnesota Twins, New York Yankees, Oakland Athletics, San Diego Padres, St. Louis Cardinals, Tampa Bay Rays e Toronto Blue Jays

Qual o formato?

São oito equipes na Liga Nacional e oito na Americana. Em cada liga, os times farão quartas de final (chamada de “séries de wildcard”) em melhor de três jogos (todos na casa do cabeça de chave), semifinal (“séries de divisão”) em melhor de cinco e final (“final da liga”) em melhor de sete. O campeão de cada lado vai para a World Series, em melhor de sete partidas.

E quais são os confrontos?

Na Liga Americana, Indians x Yankees, Rays x Blue Jays, Athletics x White Sox e Twins x Astros. Na Liga Nacional, Dodgers x Brewers, Padres x Cardinals, Braves x Reds e Cubs x Marlins.

Hmmmm, está diferente do ano passado. Vai ser assim a partir de agora?

Em princípio, não. O formato foi criado para dar mais chances as equipes, que poderiam ser prejudicadas pelo fato de a temporada regular ter apenas 60 jogos, menos da metade da duração de uma temporada regular em ano sem pandemia (162). Em teoria, volta ao normal em 2021, apesar de já existir especulações de que a MLB pretende mudar o formato do mata-mata e, se houver boa aceitação ao sistema de 2020, é capaz de ele ser mantido ou inspirar a nova versão.

Ah, você disse que as primeiras séries serão na casa do time de melhor campanha. E depois, o time de melhor campanha passa a ter vantagem do mando ou faz todos os jogos em casa? 

Nem uma coisa, nem outra. A primeira fase dos playoffs dá ao cabeça de chave o direito de receber todas as partidas. Mas, a partir da etapa seguinte, os times vão para bolhas. A Liga Nacional realizará seus jogos no Texas, nos estádios de Dallas (Texas Rangers) e Houston (Astros). A Liga Americana será disputada no sul da Califórnia, em Los Angeles (estádio dos Dodgers) e San Diego (Padres). A World Series será em Arlington, região metropolitana de Dallas.

Quem são os favoritos?

Os times considerados mais fortes antes da temporada -- Dodgers e Yankees -- continuam bastante cotados para conquistar o título. No entanto, a temporada fez que Rays e Padres também se tornassem candidatos reais a levar a World Series. Entre as equipes que podem surpreender estão Reds, Braves, Athletics, White Sox e Twins.

O novo formato muda alguma coisa?

Muda em vários aspectos. A primeira fase em melhor de três permite muita surpresa. Um time limitado que tenha dois arremessadores espetaculares na rotação é capaz de conseguir duas vitórias contra qualquer adversário. Por isso, as chances de Indians, Reds e Marlins contra Yankees, Braves e Cubs são bem razoáveis, muito maiores do que seriam em melhor de cinco ou melhor de sete. Além disso, só haverá dias de folga entre uma série e outra. Ou seja, séries que forem para cinco, seis ou sete jogos se tornarão maratonas, desgastando as equipes e exigindo muito cuidado no gerenciamento dos arremessadores, seja da rotação, seja do bullpen.

Os canais esportivos Disney transmitirão as partidas?

Sim, todos os jogos serão transmitidos em alguma plataforma, entre os canais ESPN e Fox Sports e o ESPN App.

Fonte: Ubiratan Leal

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Playoffs da MLB: um guia rápido para entender o que vai rolar

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Acha que as grandes ligas americanas sofrem com a pandemia? Então veja a NCAA

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Clemson x Alabama
Clemson x Alabama Getty Images

NBA e NHL têm meses de paralisação, depois voltam com calendário reduzido justamente na reta final da temporada regular e fazem os playoffs em bolhas de operação milionária. A MLB também paralisou, reduziu sua temporada regular a um terço do normal e improvisará uma bolha também para o mata-mata. A NFL ainda manteve o calendário, mas prejudicou a preparação dos atletas e viu estrelas pedirem dispensa. Ah, e todas elas perdendo milhões e milhões em bilheteria com partidas de portões fechados ou com enorme restrição de público.

Sim, o esporte americano está sofrendo com a pandemia. Mas isso parece o resfriado da estação perto do que está ocorrendo no esporte universitário. Onde o impacto é enorme nas competições em si, com o agravante que os atletas ainda estão em formação e podem perder um ano precioso de seu desenvolvimento.

O basquete foi a primeira vítima de peso. A pós-temporada foi cancelada em cima da hora, durante as finais de conferência e semanas antes do bilionário March Madness. Isso tirou uma receita gigantesca das universidades e a última chance dos jogadores de mostrar seu potencial para o draft.

Obs.: no meio disso, toda a temporada do beisebol universitário também foi cancelada. Mas o impacto econômico dela é bem menor

O golpe nos programas esportivos da universidade já foi grande. Mas aí veio a segunda onda da pandemia nos Estados Unidos, que coincidiu com a temporada do futebol americano.

A NCAA começou a trabalhar para realizar a temporada do futebol americano. É a modalidade mais lucrativa do esporte universitário e ajudaria a atenuar as perdas pelo cancelamento do basquete. No entanto, havia muitas dúvidas sobre a capacidade de realizar um campeonato com segurança para as gigantescas delegações das equipes em cada partida.

Em agosto, algumas conferências anunciaram a intenção de adiar suas temporadas de futebol americano para disputá-la apenas no primeiro semestre de 2021. Entre essas, estavam duas das chamadas Power Five, o grupo de conferências mais poderosas: Big Ten e Pac-12. A Big Ten voltou atrás e decidiu organizar uma temporada reduzida, com início em outubro. Ainda assim, a saída da Pac-12 tirou equipes tradicionais como UCLA, USC, Cal-Berkeley, Oregon e Stanford da disputa.

Isso não significa que está tudo bem com o resto do campeonato, incluindo as outras três do Power Five, ACC, SEC e Big 12. Elas reorganizaram seu calendário para que as equipes enfrentem apenas adversários dentro das conferências, evitando longas viagens. O custo de deslocamento também diminui, mas a conta fica no vermelho, pois vários confrontos lucrativos entre gigantes de conferências diferentes foram cancelados.

Até o momento, a expectativa é que a pós-temporada seja realizada. Claro, com restrição de público e dentro das limitações impostas pelas mudanças dentro de cada conferência. No entanto, é evidente que o esporte universitário americano está perdendo bilhões de dólares. Nesse cenário, como fazer a conta fechar?

Quando se fala em NCAA, imagina-se automaticamente o futebol americano e o basquete, talvez beisebol e softbol. O que nem sempre é lembrado é que os lucros dessas modalidades ajudam também a sustentar as dezenas de modalidades deficitárias, que são mantidas por tradição e uma compreensão do papel social e educativo que o esporte tem na educação.

Devido às perdas com a pandemia, as universidades cancelaram programas esportivos de esportes como vôlei, luta, atletismo, ginástica artística, natação, rugby, futebol, tênis, golfe, esgrima, remo, lacrosse, tiro e polo aquático, entre outras. Os estudantes-atletas tiveram suas bolsas de estudos preservadas e ao menos poderão concluir seu curso superior, mas estão sem o treinamento de alto nível que recebiam. E muitos nem sabem se esses programas voltarão tão cedo.

Cesar Cielo com as medalhas conquistadas nos Jogos Olímpicos de 2008
Cesar Cielo com as medalhas conquistadas nos Jogos Olímpicos de 2008 Getty

Quão forte é essa preparação? Bem, Cesar Cielo defendeu a natação da Universidade de Auburn de 2005 a 2007. Em 2008, foi medalha de ouro nos 50 metros nado livre nos Jogos Olímpicos de Pequim. No Mundial do ano seguinte, foi ouro nos 50 e nos 100 metros livre. Dividiu o pódio com o francês Frédérick Bousquet, prata nos 50 e bronze nos 100 metros e ex-colega do brasileiro na equipe de Auburn.

Por isso, o grande impacto da pandemia no esporte universitário americano nem é no basquete e no futebol americano, mas nas centenas de atletas de alto nível em esportes olímpicos que finalizam sua preparação em algum programa da NCAA. Para esses, a torcida é para que o dinheiro da bola oval e da bola laranja voltem a entrar, até o ponto de novamente sobrar alguma coisa para os programas secundários.

Fonte: Ubiratan Leal

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A MLB enfim adota uma 'bolha'

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

A informação havia vazado na última semana, mas a confirmação veio apenas na última terça-feira. A Major League Baseball vai entrar em uma “bolha” para encerrar sua temporada. A partir da segunda fase dos playoffs, os times se dividirão entre dois locais, onde ficarão confinados dentro do circuito hotel-estádio até o último jogo da World Series.

Veja o formato:

- A primeira fase de playoffs, criada especialmente para a temporada 2020, será em séries melhor de três com todas as partidas no estádio do cabeça de chave (campeões de divisão e o melhor segundo colocado);

- A partir da série de divisão (semifinal de liga), as equipes da Liga Nacional se deslocarão para o Texas, onde jogarão no estádio do Texas Rangers -- na região metropolitana de Dallas -- ou no do Houston Astros. As equipes da Liga Americana vão para o sul da Califórnia, atuando no estádio do Los Angeles Dodgers ou no do San Diego Padres;

- As finais de liga serão nos estádios de Rangers e Dodgers;

- A World Series será no estádio dos Rangers.

No ponto de vista da operação dentro da bolha, será um sistema mais parecido com o da NHL do que o da NBA. Ao invés de deixar todos os profissionais envolvidos dentro de um complexo, como no basquete, o beisebol deixará elencos, comissões técnicas, delegados e outras pessoas ligadas aos jogos em hoteis, que atenderão apenas à MLB. Os atletas poderão receber visitas de seus familiares, que terão de passar por exames de COVID-19 e quarentena.

Ele enterrou a cara no chão e ainda aguentou seu companheiro descontrolado rindo da sua desgraça

A solução adotada pela MLB foi engenhosa, sobretudo na escolha das sedes. Dividir a operação em dois estádios por bolha eliminam as rodadas duplas, permitindo que os times treinem no local das partidas, eliminando a necessidade de estruturas específicas para treinamento. 

Além disso, a escolha de duas arenas da Liga Nacional para os jogos da Liga Americana e vice-versa acaba com qualquer possibilidade de uma equipe se beneficiar por conhecimento prévio do campo. E a preferência por Texas e sul da Califórnia se justifica pelo clima nas duas regiões, mais quente em outubro e novembro (para o caso de algum adiamento por casos de Covid-19).

Vista aéra do Dodger Stadium
Vista aéra do Dodger Stadium Getty

No entanto, a operação não será tão simples quanto a MLB quer fazer parecer. Ainda que a liga fale em duas bolhas, na prática são quatro (Los Angeles, San Diego, Dallas e Houston), pois as distâncias entre Los Angeles e San Diego e entre Dallas e Houston são grandes o suficiente para ser impraticável deixar todos os jogadores no mesmo hotel, por exemplo. Além disso, esse formato exigirá que os times viagem ao final de cada série, aumentando o risco de a bolha furar.

Ainda assim, será uma operação de quatro semanas apenas, muito menos do que a bolha criada pela NBA e a da NHL. Desse modo, a chance de ela funcionar bem o suficiente para encerrar o campeonato sem sobressaltos é grande. O que já seria uma vitória para uma temporada tão afetada pela pandemia de coronavírus.

Fonte: Ubiratan Leal

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