18º Jogos Olímpicos - 1964 - Tóquio/Japão - Desfile de Encerramento

Wlamir Marques
Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br

Wlamir Marques, 80 anos: veja a homenagem a um dos maiores nomes da história do basquete mundial

VIAGEM DE RETORNO

Na mesma noite em que os jogos foram encerrados logo após a famosa maratona, também foi realizado o desfile de encerramento das delegações presentes. Nesse dia fui notificado de que eu seria novamente o porta bandeira da delegação brasileira. Mais um motivo de grande orgulho.

Isso se justificava porque para os desfiles de encerramento, são sempre escolhidos àqueles atletas que mais se destacaram em suas competições. Como o basquete masculino alcançou a unica medalha para o país (bronze), ficou decidido que eu seria novamente o porta bandeira; eu era o capitão.

O desfile de encerramento possui como característica básica o abandono das formalidades de praxe, tais como desfilar em marcha batida e sem cerimônias respeitosas mostradas no desfile de abertura. As delegações entram no estádio misturadas e com demonstrações de intensa alegria.

Sem qualquer formalidade, me vi empunhando a bandeira brasileira e sendo carregado nos ombros por vários atletas brasileiros. Havia um certo ritual a ser cumprido pelos porta bandeiras, só que dessa vez sem qualquer preparação antecipada, apenas fiquei sabendo aonde me posicionar.

A cerimônia de encerramento é muito linda e triste, é a despedida de um povo e a convivência de um mundo esportivo voltando para casa. Lá estava eu, no meio daquilo tudo sentindo saudades da família e pesaroso por tudo aquilo ter terminado. À partir dali só me restava retornar para minha casa.

Como sempre acontece, não posso deixar de contar sobre o nosso retorno ao Brasil. Um dia depois do desfile de encerramento, fomos avisados que sairíamos de Tokio com toque de despertar às 03:00 horas da madrugada rumo ao aeroporto. Arrumamos nossas malas para serem transportadas.

Wlamir com a seleção brasileira
Wlamir com a seleção brasileira Divulgação

A viagem foi prevista para sairmos de Tokio rumo à cidade de Anchorage no Alaska. Viagem longa, foi quando aproveitamos para terminar a nossa noite mal dormida. Descemos em Anchorage para abastecer a aeronave da Japan Airlines. Em seguida saímos em direção à Kopenhagen pela rota polar.

Naquele mesmo voo estava ao nosso lado a delegação da Polônia. Todos vestidos com os agasalhos de competição. Eles ficaram nas poltronas da frente e nós nas poltronas de trás do avião. Confesso que o odor não era muito agradável, eles não possuíam outra roupa, tempos difíceis do país.

O voo sobre o polo norte foi inesquecível, de longa duração e por demais cansativo, mas até hoje lembro da famosa aurora boreal. Chegamos em Kopenhagen para mais tarde pegarmos um avião da Varig que nos traria de volta para o Brasil com escalas em Lisboa, Dakar, Recife e Rio de Janeiro.

Do Rio de janeiro ainda me restava pegar um outro voo com destino à São Paulo. Posso afirmar que foram muitas horas de voo. Mas tudo valeu à pena parecendo que foi ontem. As lembranças não morreram, muito ao contrário, estão intactas, sempre marcadas em uma medalha de bronze.

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Momento triste em minha carreira

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Após aquele memorável jogo contra o Real Madri, a seleção brasileira foi convidada para uma série de 7 jogos amistosos contra Porto Rico no país caribenho. Por falta de tempo para a preparação a CBB repassou para a Federação Paulista a incumbência de representa-la, era a própria seleção.

O técnico convidado foi o Prof. Moacir Daiuto, meu técnico no Corinthians. Feita a convocação, contando apenas com os jogadores atuando em São Paulo, no principio de Agosto viajamos para San Juan, linda capital porto riquenha. Ficamos alojados em um lindo hotel à beira do mar, maravilhoso.

Foram programados alguns jogos pelo interior do país, fora os realizados em San Juan. Com a falta de ginásios para grandes públicos, jogamos a série em quadra adaptada e montada em estádio de futebol. Um enorme público sempre esteve presente. Era comum esse tipo de iniciativa em tais eventos.

Fizemos a apresentação da seleção paulista vencendo todos os jogos contra a seleção porto riquenha sempre com muitas dificuldades. O basquetebol de Porto Rico sempre foi muito forte, influenciado pela proximidade com os EUA. Após os 7 jogos, fomos convidados à jogar 2 jogos no México.

Saímos de avião em direção à cidade do México com enormes diferenças de altitude. A cidade do México está à 2.235 mts. acima do nível do mar. À bem da verdade já estávamos acostumados com esse tipo de problema e muito pouco sentimos a diferença do ar rarefeito. Fomos para o 1º jogo.

Foi um jogo muito equilibrado, pois o basquetebol mexicano sempre foi muito considerado no basquete mundial. Comecei jogando, pois eu era também o capitão da seleção paulista. Faltando 2 segundos para acabar o 1º tempo e, ao fazer um giro para um arremesso, torci meu joelho direito.

Fui para o vestiário me contorcendo em dores. Não conseguia colocar os pés no chão. Fui prontamente medicado, mas impossibilitado de continuar jogando. No dia seguinte fui colocado em um avião com destino à São Paulo. Chegando em Congonhas uma Komb do Corinthians me aguardava.

Fui levado na mesma hora para um médico ortopedista que engessou a minha perna direita. No dia seguinte fui em outro médico, Dr. João di Vicenzo, que mandou eu retirar o gesso dizendo que perna de atleta não se engessa, somente em ultimo caso. Ali demos início ao longo tratamento.

Fiquei 3 meses e meio afastado das quadras tratando dos ligamentos com injeções de cortizona, para depois ser obrigado a realizar uma cirurgia para a retirada do menisco externo da minha perna direita. No final de ano eu teria que estar apto para a disputa do mundial de clubes na Espanha/Madri.

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Corinthians 118 X 109 Real Madrid (2ª parte)

Wlamir Marques
Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br
Wlamir Marques, 80 anos: veja a homenagem a um dos maiores nomes da história do basquete mundial

Como sempre, a notícia ruím chega muito rápida na boca do povo. A voz corrente era de que eu não jogaria aquele jogo. A Rádio Panamericana (hoje, a Jovem Pan) deu a notícia sobre o meu problema e a dúvida se espalhou,  principalmente no clube, onde muitos diziam que eu não estaria presente naquele confronto.

De minha parte eu sempre achei que não poderia ficar de fora. Após a aplicação do antialérgico voltei para a cama, não havia mais o que fazer a não ser aguardar a reação do remédio. Por volta das 18h levantei e notei que o inchaço havia diminuído, mas ainda com alguns resquícios.

Tomei o lanche habitual com os olhos parcialmente fechados. A minha expectativa era de que com um pouquinho mais de tempo eu voltaria a enxergar normalmente. Fiquei tranquilo quando percebi que mesmo estando com os olhos semi abertos já tinha condições de jogo, dito e feito.

Naquele tempo eu morava em Santana e, com uma certa antecedência, fui para o Corinthians. A minha ansiedade era enorme, precisava estar ao lado dos meus companheiros naquele jogo histórico. Chegando no clube fui inquirido pelos torcedores se eu jogaria? Afinal eu era o capitão do time.

Me lembro de ter dito que jogaria de qualquer jeito, mesmo com o olho esquerdo ainda semi aberto. Fui para o vestiário na esperança de poder jogar, nada poderia me impedir, causando até uma certa surpresa nos meus companheiros que esperavam a minha ausência. Nada disso, estava apto.

Como de praxe entramos na quadra e perfilamos de frente para o público. Em seguida foi tocado o hino do Corinthians, com o ginásio lotado cantando orgulhosamente. Àquele foi um grande momento, emblemático. Depois de algumas cerimônias e homenagens aos visitantes, o jogo foi iniciado.

O Corinthians jogando com o seu uniforme listrado em branco e preto e o Real Madrid de branco, sua marca principal. Desde o inicio o volume de jogo foi de muita velocidade, muitos acertos de ambas as partes, um jogo perfeito com a TV Excelsior fazendo a transmissão ao vivo para a capital paulista.

Não vou abordar mais detalhes técnicos do jogo até porque não quero fazer apologia sobre a minha atuação. Mas posso afirmar com certeza que nesse jogo fiz a minha melhor atuação individual em toda a minha carreira. Dizem que eu fiz 31 pontos no 1º tempo e 20 no segundo, total:  51 pontos.

Wlamir Marques Corinthians Basquete Campeonato Paulista 1969
Wlamir Marques Corinthians Basquete Campeonato Paulista 1969 Gazeta Press

Há controvérsias sobre essa pontuação, mas isso pouco importa, o meu orgulho foi a vitória sobre um adversário poderoso e ainda mais superando os problemas vividos naquela tarde. Joguei com os olhos semi abertos e com febre. Creio ter contribuído mais uma vez para o basquete brasileiro.

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Corinthians 118 X 109 Real Madrid (2ª parte)

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CORINTHIANS 118 X 109 REAL MADRID (1ª PARTE)

Wlamir Marques
Wlamir Marques
Time de basquete do Corinthians na década de 60
Time de basquete do Corinthians na década de 60 Gazeta Press

No dia 05/07/1965, foi realizado no Brasil o jogo mais empolgante entre clubes, ficando marcado até os dias de hoje na história do basquetebol brasileiro. Não me refiro à seleção brasileira, bi campeã mundial. Me refiro a um jogo internacional entre o Corinthians  e o Real Madrid, da Espanha.

O Real Madri vinha precedido de um bi campeonato europeu. Uma equipe muito poderosa contando com dois jogadores norte-americanos. Como  prêmio pela conquista, a direção do clube ofereceu aos jogadores uma excursão pela América do Sul, com o Corinthians aceitando esse desafio.

Os madrilenhos deram início à sua excursão jogando no Peru. Depois, seguíram para o Chile, Argentina e Uruguai, para finalmente jogarem em São Paulo contra o poderoso S.C.Corinthians Paulista no Ginásio do Parque São Jorge, que, hoje, muito honrosamente, recebe meu nome. Estavam invictos.

Havia muita expectativa nas hostes corinthianas pela apresentação da equipe madrilenha, motivada pela formação do Corinthians pela comunidade espanhola residente na capital. Na semana que antecedeu o jogo, não se falava em outra coisa, a não ser nesse jogo muito esperado.

Nesse dia 05/07/65- 2ª feira, fazia muito frio na capital e pior, ainda chovia. No período da manhã, fui trabalhar nos correios. Era dia do meu plantão, e não me encontrava bem de saúde, estava com gripe e isso com certeza seria prejudicial ao meu melhor desempenho naquele jogo tão aguardado.

Na volta para casa, ao redor do meio dia, resolvi parar em uma farmácia e pedi ao farmacêutico que me desse um remédio que pudesse aliviar a coriza e a febre. Ele me receitou um remédio cujo nome jamais esqueci. Kadilan, comprimidos à base de quinino, ocasionando uma forte reação.

Chegando em casa, almocei e tomei a primeira pílula. Em seguida, fui para a cama descansar. Havia acordado muito cedo para o trabalho. Por volta das 16 horas, acordei e percebi que a minha vista estava inchada e quase toda fechada. Confesso que me assustei, já que algo acontecia fora dos padrões.

A minha esposa Cecilia, muito preocupada com meu estado, telefonou para o Corinthians pedindo que mandassem um médico para ver aquela situação alérgica. Isso mesmo, o remédio me ocasionou uma forte alergia. O clube mandou o Dr. Haroldo, médico principal da equipe profissional de futebol.

Logo chegando, o Dr. Haroldo constatou a alergia e me aplicou uma injeção anti-alérgica. Confesso que fiquei muito preocupado, pois logo mais à noite eu teria um forte compromisso com a minha equipe e precisava estar apto a participar daquele confronto. Nunca imaginei que eu pudesse ficar de fora.

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CORINTHIANS 118 X 109 REAL MADRID (1ª PARTE)

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Ginásio Poliesportivo 'Wlamir Marques'

Wlamir Marques
wlamirmarques

Após a conquista do bicampeonato mundial da seleção brasileira no ginásio do Maracanãzinho (Rio de Janeiro), retornamos às nossas atividades clubistas. Durante esse tempo, o S.C. Corinthians Paulista. terminava as obras para a construção do seu  ginásio de esportes.

Como já foi dito em relatos anteriores, o clube mandava seus jogos em quadras alheias ou no complexo esportivo do Pacaembu. Nesse tempo, tivemos 4 representantes corintianos em defesa da seleção: o nosso técnico Moacir Daiuto e os atletas Ubiratan, Rosa Branca e Wlamir.

No mês de maio de 1963, o clube decidiu realizar uma cerimônia de inauguração com um jogo amistoso entre o Corinthians x Macabi da capital, participante do campeonato metropolitano. Foi uma noite fria, com o ginásio ainda necessitando de alguns reparos definitivos.

Não tivemos o ginásio lotado, mas a presença do público foi muito grande, quando pela 1ª vez os corintianos puderam torcer para seu clube de coração em seu próprio ginásio de esportes. Vencemos com facilidade, nesse tempo a equipe já se apresentava muito poderosa.

Ginásio Poliesportivo Wlamir Marques
Ginásio Poliesportivo Wlamir Marques Gazeta Press

Passaram-se 53 anos, e no dia 22 de outubro de 2016, a direção do clube decidiu dar o meu nome para aquele maravilhoso ginásio poli esportivo. Foi uma bela cerimônia com a presença da ESPN, além de ex-atletas e de altas personalidades do esporte da cesta. Momentos emocionantes.

Posso afirmar que, com certeza, essa foi a homenagem mais significativa que eu recebi em toda a minha vida. Afirmo que possuo todas as honrarias possíveis do governo brasileiro, além das homenagens ocorridas até os dias de hoje. Foram 10 anos dedicados ao time alvinegro.

Muito me emociona entrar naquele maravilhoso ginásio. Geralmente tudo volta à minha cabeça, foram momentos que jamais esqueci, não apenas pelos títulos conquistados, mas pelo carinho que eu sempre recebi dos torcedores corintianos. Hoje, sou imortalizado e corintiano.

Agradeço sempre muito emocionado todas as referências dedicadas a mim cada vez que ali estou, é uma troca de amor, um namoro eterno. O tempo irá passar e o basquete brasileiro, bicampeão do mundo, sempre estará ali representado. Companheiros de quadra, meu muito obrigado.

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Ginásio Poliesportivo 'Wlamir Marques'

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O Mundial extra de basquetebol que ninguém conhecia

Wlamir Marques
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Seleção brasileiro disputando os jogos de Tóquio contra os EUA, em 1964.
Seleção brasileiro disputando os jogos de Tóquio contra os EUA, em 1964. Getty Images

ANO: 1965

LOCAL DA DISPUTA: CHILE

CIDADES SEDES: ANTOFAGASTA E SANTIAGO

Terminada as Olimpíadas de Tóquio em 1964, a seleção brasileira deu uma pausa nas suas apresentações. Ficamos apenas em defesa dos nossos clubes disputando os campeonatos da época. No ano seguinte, eu defendia o S.C.Corinthians Pta., sendo uma temporada de muitos fatos, inclusive pessoais.

Ainda no primeiro semestre, a CBB foi convidada a participar de um campeonato mundial extra no Chile, lugar onde fomos campeões pela primeira vez, em 1959. Desta vez, não apresentamos a melhor seleção, com jogadores importantes se ausentando.

Treinamos muito pouco, bem diferente das outras vezes, em que nos dedicamos mais tempo. O técnico da seleção foi o Prof. Moacir Daiuto, com quem eu trabalhava no Corinthians, além de ser assistente do Kanela na conquista do bi mundial de 1963, disputado no Rio de Janeiro. 

Voamos para Santiago e lá pegamos outro voo para a cidade de Antofagasta, situada no norte chileno, mais especificamente no centro do deserto do Atacama. Na época, a cidade apresentava um clima muito seco, dificultando a respiração e a hidratação necessária para qualquer atleta.

Jogamos essa fase de classificação com dificuldades, sentimos a falta de treinamentos e o clima era estranho aos nossos hábitos. A alimentação também não era das melhores, e com isso não pudemos desenvolver um melhor rendimento. Mesmo assim nos classificamos para a fase final.

A fase final aconteceu em Santiago, capital do país, agora contando com um ginásio coberto, bem diferente de 1959, quando jogamos em quadra aberta e improvisada no Estádio Nacional do Chile. Outras seis seleções também foram para a final que, junto com os anfitriões, jogaram entre si.

Nessa fase, perdemos apenas para a Iugoslávia, que seria a campeã do torneio. Vencemos a União Soviética mais uma vez, que contava com os seus melhores jogadores, equipe completa. Enquanto isso, a fase de perdedores foi disputada na cidade de Punta Arenas, que ficava ao sul.

Enfim, fomos para esse mundial sem grandes pretensões e acabamos voltando com um vice-campeonato muito honroso devido às dificuldades encontradas. Na fase de classificação, vencemos o Panamá em jogo muito difícil com a torcida chilena dizendo que o Brasil iria para Punta Arenas.

Felizmente não fomos, e foi uma conquista sem qualquer repercussão no nosso país, onde a imprensa pouco noticiou. Infelizmente não há dados estatísticos à disposição, nem detalhes a mais envolvendo esse campeonato. Apenas registro o fato devido a sua importância já esquecida.

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O Mundial extra de basquetebol que ninguém conhecia

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18º Jogos Olímpicos - 1964 - Tóquio/Japão - medalha de bronze do basquete

Wlamir Marques
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Wlamir Marques, 80 anos: veja a homenagem a um dos maiores nomes da história do basquete mundial


18º JOGOS OLÍMPICOS - TÓQUIO/JAPÃO - 1964

PÉRIODO DOS JOGOS: 10/10 à 24/10/1964

Nº DE NAÇÕES PARTICIPANTES: 93

Nº DE ATLETAS: 5151

MODALIDADE: BASQUETEBOL

GRUPO A:
União Soviética- Porto Rico - Polônia - Itália - México - Japão - Hungria - Canadá

GRUPO B:
Estados Unidos- Brasil- Iugoslávia- Uruguai- Finlândia- Austrália- Perú- Coreia do Sul

JOGOS DO BRASIL: 

Brasil 50 x 58 Perú

Brasil 68 x 64 Iugoslávia

Brasil 92 x 65 Coreia

Brasil 61 x 54 Finlândia

Brasil 80 x 68 Uruguai

Brasil 53 x 86 EUA

Brasil 69 x 57 Austrália

JOGOS DO 1º AO 4º

Brasil 47 x 53 União Soviética

Brasil 76 x 60 Porto Rico (Decisão do 3º lugar) 

EUA 73 x 59 União Soviética (Decisão do 1º lugar)

Classificação Final:

1- EUA 
2 - União Soviética
3 -Brasil
4 - Porto Rico
5 - Itália
6 - Polônia
7 - Iugoslávia
8 - Uruguai
9 - Austrália
10 - Japão
11 - Finlândia
12 - México
13 - Hungria
14 - Canadá
15 - Peru 
16 - Coreia do Sul

Wlamir Marques durante jogo da seleção brasileira
Wlamir Marques durante jogo da seleção brasileira Gazeta Press

SELEÇÃO BRASILEIRA: 

TÉCNICO: Renato Brito Cunha
ATLETAS: Amaury - Ubiratan - Mosquito - Fritz - Rosa Branca- Jatyr- Edson Bispo- Sucar- Vitor- Sergio Macarrão - Edvar. 

OBS: No 1º jogo da fase de classificação perdemos de forma surpreendente para o Perú 50x58. À partir dali recuperamos o nosso prestígio sem nenhuma derrota, exceto contra os EUA e a União Soviética na fase final.

Convêm destacar que a medalha de bronze conquistada pelo basquetebol masculino do Brasil foi a única conquistada pelo país. Até os dias de hoje o Brasil só conquistou 3 medalhas de bronze. (1948/1960/1964).

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18º Jogos Olímpicos - 1964 - Tóquio/Japão - medalha de bronze do basquete

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18º Jogos Olímpicos - 1964 - Tóquio/Japão - porta bandeira: desfile de abertura (2ª parte)

Wlamir Marques
Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br

Wlamir Marques, 80 anos: veja a homenagem a um dos maiores nomes da história do basquete mundial

No dia 10/10/1964 foi realizado o desfile de abertura dos 18ºs Jogos Olímpicos da era moderna. O local do evento ocorreu no Estádio Nacional de Tóquio com grande capacidade de público. Lembro que alguns dias antes estive ali participando dos treinamentos à fim de conhecer a cerimonia.

Os encargos de um porta bandeira não se resumem apenas em transportar a bandeira do seu país. Alguns deveres e obrigações são necessárias para o bom andamento do cerimonial. Há um ritual a ser seguido para que nada venha surpreender o porta bandeira, partindo daí o treinamento prático.

Inclusive o respeito aos horários pré estabelecidos, quando os hábitos japoneses nos obrigam a segui-los religiosamente. Confesso que por falta de costume estranhei aquela rígida pontualidade, mas ao senti-la na pratica pude perceber o exemplo. Não há atrasos, não há o jeitinho brasileiro.

Durante o treinamento me entregaram um prospecto sobre o ritual a ser seguido e detalhado em seus horários. Lembro-me de um horário onde dizia que o Brasil romperia a marcha às 16h32. Confesso que à princípio não acreditei, mas notei pelo relógio do estádio a enorme precisão.

Durante o treinamento um fato também me chamou muita atenção. Como sempre acontece, o desfile é feito seguindo a ordem alfabética dos países. O Brasil sempre é um dos primeiros. Quando já na concentração dentro do estádio, notei que algumas bandeiras se curvavam perante às autoridades.

Confesso que ao passar defronte às autoridades não curvei a bandeira como forma de cumprimento ou respeito. Perguntei ao major se eu deveria também curvar a nossa bandeira e recebi a seguinte resposta:  "Wlamir, a bandeira brasileira não se curva para ninguém". A resposta me emocionou.

Na volta ao nosso alojamento falei para meus companheiros sobre a frase do major à fim de motivar ainda mais o nosso ânimo. Creio que ali demos início à conquista da nossa 3ª medalha olímpica, foi de arrepiar. Até hoje recordo com saudades às tantas coisas que vivi naquele dia maravilhoso.

No dia 10/10/1964 à tarde, logo após o almoço, a delegação brasileira já estava preparada para seguir em ônibus especial em direção ao estádio. Todos muito bem trajados e uniformizados, ainda era tempo do terno e gravata. Chegamos e fomos colocados em um espaço reservado ao Brasil.

Wlamir e sua sala de troféus em 1975
Wlamir e sua sala de troféus em 1975 GazetaPress

Só que dessa vez estavam atrás de mim os melhores atletas do pais em suas respectivas modalidades, além dos dirigentes do COB. Na hora exata demos o primeiro passo em direção ao portão de entrada. Marcha triunfal, marcial, todos no mesmo ritmo e eu na frente carregando nossa bandeira.

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18º JOGOS OLÍMPICOS - 1964 - TOKIO/JAPÃO - INDICAÇÃO PARA PORTA BANDEIRA (1ª PARTE)

Wlamir Marques
Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br
Wlamir Marques com a bandeira na abertura dos Jogos
Wlamir Marques com a bandeira na abertura dos Jogos Divulgação

Como já disse anteriormente, fui o atleta escolhido para ser o porta bandeira da delegação brasileira no desfile de abertura a ser realizado no Estádio Nacional de Tokio, cidade sede dos jogos. Participaram do magnifico desfile 5151 atletas, representando 93 nações do planeta.

O desfile de abertura ocorreu no dia 10/10/64, quando alguns dias antes fui chamado para um encontro com o Major Padilha na principal sede da delegação brasileira. Voltava de um treinamento quando me avisaram do encontro. Na mesma hora atendi o chamado, não deixei para depois.

Peguei uma bicicleta no chão que estava mais próxima e me dirigi à casa da chefia. O Major Padilha na época era o presidente do COB e chefe da delegação brasileira. Lá chegando, fui notificado sobre a minha indicação para ser o porta bandeira do país no desfile de abertura. Foi um choque.

Confesso a minha surpresa, a honra era enorme. Ser o porta bandeira do Brasil em uma Olimpíada é pra ser enaltecido e jamais esquecido. O motivo da escolha se justificava. Não era apenas uma conquista pessoal, mas acima de tudo coletiva, o basquete brasileiro era bicampeão do mundo.

Durante 10 anos, de 1961 até 1970, quando encerrei a minha fase de seleção brasileira, eu fui o capitão da equipe e ali eu representava o basquetebol brasileiro com todas as suas conquistas. Na hora também fui avisado que eu deveria participar de um treinamento para o desfile.

Para esse treinamento, somente eu e o major participamos, o resto da delegação estava dispensada. E lá fomos nós. Chegando ao estádio, fiquei impressionado com a presença do público, o estádio estava lotado, uma simulação perfeita. Era como se fosse o verdadeiro desfile.

Logo nos colocaram à frente de um grupo de jovens japoneses que, ali, representavam em número a delegação brasileira. Sempre com a hora exatamente marcada, o desfile começou. Juro que me assustei ao entrar no estádio, ali senti a vibração do povo japonês aplaudindo o mundo.

Fui orientado pelo Major Padilha que eu deveria transportar a bandeira brasileira de forma ereta, sem deixar pender para um lado ou outro. Lá estava eu à frente e o Major logo atrás. Dei a volta no estádio pela pista de atletismo sempre muito aclamado, eu e o Brasil estávamos presentes.

Fomos colocados na grama central em um local pré-determinado, com aquele bando de jovens japoneses muito sorridentes atrás de mim. Na ficção era a delegação brasileira.

A partir dali deu-se o início de todo o ritual de uma abertura olímpica, como sempre muito emocionante.

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18º Jogos Olímpicos - Tóquio 1964: Viagem e Chegada

Wlamir Marques
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Medalha de Bronze da equipe de Basquete conquistada nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 1964
Medalha de Bronze da equipe de Basquete conquistada nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 1964 Gazeta Press

Depois dos fortes e intensos treinamentos realizados na cidade do Rio de Janeiro, estávamos prontos para mais uma longa viagem ao Japão. Saímos do Aeroporto do Galeão com destino à Paris, com escalas em Dakar e Lisboa. Voo demorado, 12 horas a bordo na classe econômica de um avião.

Embora já estivéssemos acostumados com esse tipo de viagem, para jogadores de basquete era um terrível sofrimento. Espaços apertados onde mal cabiam as nossas pernas em voos da Varig. Saímos à tardinha do Rio e só chegamos à Paris no dia seguinte, às 10 horas da manhã, muito cansados.

O pior estava para acontecer: às 16 horas estava marcado um confronto amistoso contra a seleção francesa no ginásio do Parc dos Principes, lotado e trazendo uma grande expectativa pela nossa apresentação, afinal éramos bicampeões mundiais e o publico francês estava ansioso para nos ver.

Confesso que mal deu para descansarmos. Além do fuso horário, estávamos sem condições físicas para realizarmos qualquer tipo de jogo, ainda mais contra a forte seleção francesa em seus domínios. Vencemos o amistoso, mas com muitas dificuldades. As pernas não obedeciam nosso comando.

Terminado o jogo, fomos para um jantar de confraternização ao lado da  seleção francesa. Logo após a refeição, fomos rapidamente para o hotel, precisávamos resgatar a noite mal dormida. Caímos na cama como uma pedra, pois no dia seguinte seguiríamos a nossa viagem rumo a Tóquio.

Não preciso dizer que enfrentamos mais uma vez uma longa viagem, atravessando a Europa e grande parte do oriente para chegarmos ao nosso destino final. Como sempre acontecia chegamos e fomos recebidos por um comitê de recepção. Imediatamente nos transportaram para a vila olímpica.

A vila olímpica era composta de casebres de madeira e pertencentes ao exercito japonês. Lembro-me de ter ficado na parte de cima, ao lado do meu companheiro de seleção Vitor. O quarto era muito aconchegante e bem arrumado, não faltando nada para a nossa estadia.

Nossas refeições também aconteciam em restaurantes coletivos, com comidas típicas para cada região do planeta. Nosso restaurante era tipo internacional, parecido com os nossos hábitos. Tudo estava perfeito, os japoneses se prepararam da forma prescrita na carta olímpica, muito bom.

Como novidade, foram colocadas à disposição dos atletas centenas de bicicletas. Era a forma de nos deslocarmos dentro da enorme vila olímpica. Era comum vermos varias bicicletas espalhadas pelo chão da vila, bastando apenas pega-las para nos levarem à um destino previsto. Ótima opção.

Como sempre acontece, aos poucos fomos nos adaptando ao fuso horário, afinal eram 12 horas de diferença. Continuamos os nossos treinamentos, realizamos alguns confrontos amistosos com equipes participantes, e isso nos levou ao início da competição, estávamos preparados para as disputas.

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Preparação para a 18ª Olímpiada

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Felipe, Ubiratan, Renê, Ortiz, Ferraz, Bernardo, Peninha, Amauri, Wlamir Marques, Renzo, Fernando e Rosa Branca.
Felipe, Ubiratan, Renê, Ortiz, Ferraz, Bernardo, Peninha, Amauri, Wlamir Marques, Renzo, Fernando e Rosa Branca. Acervo/Gazeta Press

ANO: 1964

LOCAL: TOKIO/JAPÃO

O ano de 1964 foi muito promissor para o basquetebol masculino do Brasil. Eliminando a infelicidade da morte do nosso grande amigo e companheiro Waldemar Blatkauskas, nas quadras continuavamos a elevar cada vez mais o nome do Brasil. Estavamos próximos da 18ª Olimpíada da era moderna.

Havia uma enorme expectativa no país quanto à nossa participação, pois trazíamos no peito o título de bicampeões mundiais, além das duas medalhas de bronze conquistadas em 1948/Londres e 1960/ Roma. Mais uma vez nos credenciávamos à conquista de mais uma medalha olímpica.

Depois de São Paulo conquistar o 5º titulo de campeão brasileiro de forma consecutiva, algum tempo depois a CBB decidiu que o técnico da seleção olímpica seria o Prof. Renato Brito Cunha, muitas vezes auxiliar do técnico Kanela. No mês de Julho fez uma convocação com alguns novos jogadores.

Iniciamos os treinamentos no mês de agosto programado para a cidade do Rio de Janeiro, mais especificamente concentrados no nosso conhecido Hotel das Paineiras, situado na estrada do Corcovado. Confesso que não poderia haver um melhor local, longe mas dispondo de muita comodidade.

Duas vezes por dia desciamos aquele morro com destino ao Tijuca T.C. local escolhido para os treinamentos e muito próximo do hotel, escapando do enorme trânsito reinante naquela região. Uma vez ou outra treinavamos em outras quadras, mas a nossa base estava sempre enraizada no Tijuca.

Em 1964 eu estava com 27 anos, casado, com 2 filhos menores e jogando no S.C. Corinthians Pta. Trabalhava na agência dos correios, situado na Av. São João esquina com o vale do Anhangabaú. Mais uma vez me apresentei atrasado para os treinamentos devido a falta de dispensa do meu trabalho.

Me apresentei ao técnico Renato Brito Cunha atrasado. Ele já conhecia os meus problemas. Deixava que a CBB resolvesse a situação junto ao DCT central. Muitas vezes voltava para o país sem resolver o impasse e era impedido de assumir minhas funções por processo de abandono de cargo.

No final a situação era resolvida, afinal eu estava fora do país em defesa da pátria, possuia direitos por lei. Era a minha 3ª participação olímpica e muito honrosa pela conquista pessoal e coletiva. Fomos outra vez medalha de bronze e, fui escolhido para ser o porta bandeira da delegação brasileira.

Deixarei para o próximo capítulo a narração de toda a minha passagem como porta bandeira da delegação brasileira e a medalha de bronze conquistada, ou seja, a única medalha conquistada pelo país na olímpiada de Tokio. É com muita emoção que retorno ao passado.

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Preparação para a 18ª Olímpiada

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A morte de Waldemar Blatkauskas

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Cesta de basquete no Ginásio Sebastião Rafael da Silva
Cesta de basquete no Ginásio Sebastião Rafael da Silva Gazeta Press

ANO: 1964.

LOCAL: Recife-PE.

SELEÇÃO PAULISTA: 5º título consecutivo.

MORTE DO WALDEMAR BLATKAUSKAS

Em 1964 a seleção paulista de basquetebol masculino conquistou o 5º título consecutivo de campeão brasileiro. A competição foi realizada no 1º semestre na cidade de Recife-PE. Como já foi dito anteriormente, a seleção paulista era muito forte, era a base da seleção brasileira, sem rivais no país.

Foi uma seleção marcada pela conquista e pela morte do bicampeão mundial e companheiro, Waldemar Blatkauskas. Foi convocado para disputar o brasileiro, mas por motivos particulares não aceitou o chamado. Chegando em Recife, já no 1º dia, recebemos a noticia da sua morte.

Foi um tremendo choque para todos nós, pois era um grande amigo e uma pessoa muito querida por todos. Sofreu um acidente na região de Campinas quando seu carro ficou prensado entre uma enorme carreta e uma moto niveladora na via Anhanguera. Infelizmente vindo a falecer no local.

Em sua homenagem, nos reunimos e prometemos vencer todos os nossos adversários com contagens acima dos 100 pontos. Naquela época essa seleção recebeu o apelido de "seleção cem-cem". Dito e feito, não deu outra, entravamos em quadra sempre dispostos à cumprir a nossa promessa.

Jamais pensamos em qualquer menosprezo aos adversários, nosso objetivo era jogar sério e acima das nossas forças. Hoje pode parecer uma decisão infantil, mas na época era uma forma de prestar ao amigo a nossa melhor homenagem, que era tentar jogar o nosso melhor basquetebol.

Na época o nosso maior adversário era o Rio de Janeiro, mas não chegamos a enfrenta-los na final, pois na fase de classificação, eles alem de perderem para São Paulo, também perderam para o Ceará. Sendo assim, o título foi decidido no jogo final entre São Paulo 138 x 67 Ceará. 

Convém dizer que disputamos a fase de classificação em Garanhuns-PE. Jogando contra Roraima, chegamos aos 199 pontos, não fazendo 200 à pedido dos diretores da federação de Roraima. Respeitamos o pedido e paramos de pontuar faltando ainda 2 minutos para o final do jogo.

Desejo citar também que joguei ao lado do Waldemar no XV de Piracicaba por 3 anos seguidos, quando juntos e ao lado do Pecente, fomos pela 1ª vez campeões do mundo no Chile no ano de 1959. Em 1963, no Rio de Janeiro eu e o Waldemar conquistamos o honroso bicampeonato mundial.

Ao retornarmos para São Paulo, viajamos até a cidade de Campinas à fim de prestarmos a nossa ultima homenagem, contando também com a presença da imprensa e dos seus familiares. Piracicaba prestou sua homenagem dando o seu nome ao ginásio municipal de esportes da cidade.

Faço questão de citar essa conquista para que fique registrado nos anais do basquetebol brasileiro a homenagem prestada ao nosso amigo e grande companheiro das quadras brasileiras e internacionais. Hoje é um fato esquecido no tempo, quando poucos sabem ou vivenciaram essa história.

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A morte de Waldemar Blatkauskas

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1963 - Ano dourado do basquetebol brasileiro

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Lembranças eternas:

Sem dúvida nenhuma o ano de 1963 foi o ano mais produtivo e o mais profícuo do basquetebol masculino do Brasil. Demos inicio à essa caminhada ainda no ano de 1962, quando nos preparávamos para o Mundial das Filipinas, sendo esse cancelado por motivos políticos.

No mês de Janeiro de 1963 voltamos aos treinamentos para a disputa do Campeonato Sul-Americano a ser disputado em Lima, no Peru. Essa seleção brasileira foi uma mescla de Corinthians e Sírio da capital paulista, conquistando para o país o nosso 4º título sul-americano consecutivo.

Em seguida continuamos os nossos preparativos para a disputa dos 4ºs Jogos Panamericanos a ser realizado na cidade de São Paulo. Para esses jogos a seleção foi reformulada contando com os melhores jogadores do país segundo o técnico Kanela. Infelizmente não conseguimos o ouro.

Perdemos a final para os Estados Unidos (78x66) com o ginásio do Ibirapuera completamente lotado. Naquela noite os americanos realizaram uma partida impecável, merecendo o resultado. Em seguida fomos para o Rio de Janeiro disputar o 4º Campeonato Mundial no Maracanãzinho.

Wlamir Marques em ação com a camisa da seleção brasileira
Wlamir Marques em ação com a camisa da seleção brasileira Gazeta Press

Ali conquistamos de forma invicta o bicampeonato mundial reprisando a conquista do Chile no ano de 1959. Já tive a oportunidade de escrever aqui algumas passagens sobre esse mundial, sendo até os dias de hoje a maior conquista do basquetebol masculino do Brasil em todos os tempos.

Algum tempo depois a seleção paulista realizou uma linda excursão para o Japão a convite da Federação Japonesa de basquetebol. Foram 7 jogos realizados em várias cidades do país onde fomos sempre maravilhosamente  bem recepcionados, deixando a nossa marca de bicampeões mundiais.  

No segundo semestre de 1963 a seleção reuniu-se novamente para disputarmos os 2ºs Jogos Lusos Brasileiros em Belém, do Pará. Realizamos 2 jogos contra a seleção portuguesa, quando mais uma vez vencemos com muitas facilidades. Após Belém não aconteceram mais esses confrontos.

Ao final do ano de 1963 a equipe do Corinthians já se consolidava como uma das mais fortes do país, contando em sua base com 3 campeões do mundo: Wlamir, Ubiratan e Rosa Branca. Com a inauguração do ginásio que hoje recebe o meu nome, conseguiamos lotar as suas dependências.

É claro que na sequência outros títulos foram conquistados, mas o ano de 1963 deixou marcas lembradas até os dias de hoje ao sermos citados como pioneiros e incrementadores da modalidade no país. O tempo passou, 55 anos já se foram; mas ficaram as minhas lindas e eternas lembranças.

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1963 - Ano dourado do basquetebol brasileiro

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Seleção paulista de basquetebol no Japão

Wlamir Marques
Wlamir Marques, blogueiro do ESPN.com.br

Wlamir Marques, 80 anos: veja a homenagem a um dos maiores nomes da história do basquete mundial

ANO: 1963 (2º SEMESTRE)

Ainda sob o efeito da maravilhosa conquista do Bicampeonato Mundial de Basquetebol em 1963, a CBB recebeu da Federação Japonesa um honroso convite para disputar uma série de jogos (7) amistosos em seu país como preparação para as Olimpíadas de 1964 à ser realizada em Tóquio (Japão).

A CBB aceitou de pronto o convite e repassou à Federação Paulista a incumbência de representá-la. Naqueles tempos a seleção paulista era quase que permanente em função dos campeonatos brasileiros onde o Estado de São Paulo predominava. Basicamente era a seleção brasileira.

Realizamos alguns treinos em São Paulo sob o comando do Prof. Moacir Daiuto, assistente técnico do Kanela no Mundial do Rio de Janeiro. Em seguida viajamos para o Japão em uma viagem inesquecível. Saímos com a Varig até Kopenhagen para ali fazermos conexão com a Japan Airlines.

Aguardamos no aeroporto algumas horas para em seguida seguirmos viagem rumo ao Japão. 

Wlamir Marques
Wlamir Marques Reprodução ESPN

VIAGEM:
Escalas:

1ª- São Paulo/Kopenhagen (Dinamarca)

2ª- Kopenhagen/Cairo (Egito)

3ª- Cairo/Karachi (Paquistão)

4ª- Karachi/Calcutá (india)

5ª- Calcutá/Bangkok (Tailândia)

6ª- Bangkok/Hong Kong (China)

7ª- Hong Kong/Tokio (Japão)

É claro que chegamos exaustos em Tóquio, pois alem do cansaço da viagem o fuso-horário também era algo à ser vencido. Chegamos e fomos diretamente para o hotel à fim de dormirmos e descansarmos da longa viagem. No dia seguinte fomos submetidos à exames biométricos.

Os japoneses tinham interesse em conhecer tudo à respeito das nossas  qualidades físicas e o que nos levaram à ser bicampeões do mundo. Bateria de testes foram programados e registrados, logicamente com enormes diferenças em relação ao jogador do basquetebol japonês.

Foram programados 7 jogos contra a seleção japonesa em várias cidades do interior, começando por Tóquio. Depois, jogamos em Niigata, Kioto, Osaka, Hiroshima, Yokohama e último jogo novamente em Tóquio. Todas as nossas viagem foram feitas de trem, sempre de forma muito confortável.

Vencemos todos os jogos com muita facilidade, sempre festejados com jantares após os jogos regados à cerveja e Sakê. É incrível como o povo japonês é adepto de bebidas alcoólicas, fugindo em muito dos nossos hábitos estritamente esportivos. Bebíamos sempre de forma moderada.

Foi uma excursão maravilhosa, deixamos a nossa marca de bi campeões do mundo e os nossos exemplos ficaram marcados para sempre no basquetebol japonês. Vivemos no Japão momentos maravilhosos, sendo altamente respeitados e aplaudidos em todos os jogos. Voltei em 1964.

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Seleção paulista de basquetebol no Japão

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"GINÁSIO POLIESPORTIVO WLAMIR MARQUES" - SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA

Wlamir Marques
Wlamir Marques

Ginásio do Parque São Jorge, batizado com o nome do ex-jogador de Basquete, Wlamir Marques
Ginásio do Parque São Jorge, batizado com o nome do ex-jogador de Basquete, Wlamir Marques Gazeta Press
INAUGURAÇÃO: Maio de 1963

Terminado o 4º campeonato mundial disputado no Rio de Janeiro, quando o Brasil sagrou-se bi-campeão mundial (59/63), retornei ao meu clube de origem para dar continuidade às minhas atividades. Convêm lembrar que até então o clube não possuía o seu próprio ginásio de esportes.

Éramos obrigados a jogar no ginásio do Pacaembu ou em quadras emprestadas de outras agremiações. Algumas veze,s treinávamos em quadra aberta, mas sempre com sérios prejuízos em função das chuvas e dos ventos reinantes na capital, além do frio à que eramos submetidos.

A construção do ginásio teve seu início no final da década de 1950, ficando paralisado alguns anos por falta de recursos financeiros. Foi quando o Dr. Wadi Helú, presidente do clube resolveu dar continuidade às obras no ano de 1962. O ginásio ostentava inicialmente apenas o seu arcabouço.

No ano de 1963, mais especificamente no mês de Maio, fizemos a inauguração oficial daquele majestoso ginásio, ainda incompleto, mas já nos servindo de amparo para nossas atividades rotineiras. Já tínhamos um local coberto com uma quadra de madeira adaptada em seu centro.

Até ali tudo era provisório, até que o clube pudesse de forma definitiva completar a quadra e as tabelas de jogo de forma regular. Ainda restava o acabamento final e os vestiários também estavam em obras, mas já nos serviam de forma satisfatória. À partir dali iniciamos uma linda história.

Nesse espaço de tempo a equipe foi reforçada com a vinda de outros grandes jogadores, inclusive com os campeões mundiais Ubiratan, Rosa Branca e eu, fora outros jogadores de grande renome nacional. Nossos treinos e jogos eram muito concorridos, sempre muito prestigiados.

Foi realizado um jogo amistoso para a inauguração do ginásio contra a equipe do Macabi da capital, clube integrante do campeonato da cidade com boa participação. Vencemos com facilidades. Ali, demos inicio à uma década vitoriosa com grandes jogos nacionais e internacionais.

Minha passagem pelo Corinthians durou 10 anos (1962/1972). Tivemos jogos memoráveis, alguns deixando lembranças até os dias de hoje, quando vencemos a fortíssima equipe do Real Madri da Espanha, bi campeã da Europa, no dia 05/07/65 por 118 x 109. Jogo inesquecível. 

Hoje muito me orgulha ter feito parte de tantas conquistas para o basquetebol corinthiano e brasileiro, pois no dia 22 de Outubro de 2016, 53 anos após, foi dado o meu nome àquele majestoso ginásio, passando a se chamar: "GINÁSIO POLIESPORTIVO WLAMIR MARQUES".

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"GINÁSIO POLIESPORTIVO WLAMIR MARQUES" - SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA

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BRASIL BI CAMPEÃO MUNDIAL (3ª PARTE)

Wlamir Marques
Wlamir Marques

BRASIL BI CAMPEÃO MUNDIAL (3ª PARTE)

4º CAMPEONATO MUNDIAL DE BASKETBALL MASCULINO
ANO: 1963
LOCAL: RIO DE JANEIRO/BRASIL
REPERCUSSÕES DA CONQUISTA: HOMENAGENS

Ao final da partida contra os Estados Unidos, quando vencemos por 85x81 e conquistamos o bi campeonato mundial, houve uma enorme explosão de alegria com a torcida brasileira invadindo a quadra para nos carregar nos ombros. Uma verdadeira avalanche de gente correndo em nossa direção.

Após o jogo, voltamos para o Hotel das Paineiras para nos recompor, pois iriamos comemorar a conquista na Churrascaria Recreio, situada na praia do Flamengo. No dia seguinte, de manhã, saímos das paineiras e fomos para o Hotel Luxor em Copacabana, pois varias homenagens foram programadas.

Fazendo parte das homenagens, fomos desfilar em carro dos bombeiros no Jóquei Club da Gávea, sendo aclamados por um grande numero de pessoas presentes ao evento. Após o desfile, foi oferecido um coquetel com as altas autoridades da cidade presentes, além dos órgãos esportivos do governo.

Também fomos à Brasilia à convite da Câmara dos Deputados, onde os discursos inflamados aclamavam o nosso feito como grande exemplo à nação. Após a cerimonia, fomos direto para um encontro com o presidente do país, João Goulart, onde nos foi oferecido um almoço no Planalto.

Fomos recebidos de forma maravilhosa pelo Presidente João Goulart que,  à exemplo de 1959, com Juscelino Kubitchek, saudou o nosso feito de forma emocionada. Sentei ao seu lado na mesa como capitão da seleção e logo de imediato deixou-me à vontade, sem qualquer tipo de cerimonia.

Também nos foi outorgada a Cruz do Mérito Esportivo Brasileiro, à exemplo de 1959, quando recebemos a Medalha do Mérito Esportivo. A Cruz do Mérito é considerada a maior comenda do esporte brasileiro, outorgada até então a muito poucos atletas e representantes do esporte brasileiro. 

A repercussão no Brasil foi muito grande. Onde íamos jogar sempre eramos agraciados com medalhas, troféus e diplomas, além de nos oferecerem títulos pessoais de grande valor no mercado, dando-nos total anuência como associados. Motivado pelas distâncias, jamais pude usufruí-los.

Torna-se importante dizer que o jogo final contra os Estados Unidos foi transmitido ao vivo para a capital paulista pela Tv Tupi ou Record, não me lembro bem. Vários links na Via Dutra faziam as imagens chegarem até São Paulo. Naqueles tempos não existiam transmissões de longas distâncias.

Já se passaram 55 anos e até hoje esse ainda é considerado o maior titulo conquistado pelo basquetebol masculino do Brasil. Tudo isso à custa de muito esforço e abnegação de uma geração hoje muito pouco reconhecida. Cito essas histórias inéditas para que fiquem marcadas ao longo dos anos.


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BRASIL BI CAMPEÃO MUNDIAL (3ª PARTE)

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BRASIL BI CAMPEÃO MUNDIAL: 4º CAMPEONATO MUNDIAL DE BASKET-BALL- 1963 (2ª PARTE)

Wlamir Marques
Wlamir Marques

BRASIL BI CAMPEÃO MUNDIAL

4º CAMPEONATO MUNDIAL DE BASKET-BALL- 1963- (2ª PARTE)
DATA: 12/05 à 25/05/1963
LOCAL: Rio de Janeiro/Brasil (finais)-Maracanãzinho.
PAÍSES PARTICIPANTES- 13

América do Sul:  Brasil- Peru- Uruguai- Argentina
América do Norte:  Estados Unidos- México- Canadá
América Central:  Porto Rico
Europa: União Soviética- Iugoslávia- Itália- França
Ásia: Japão

FASE DE CLASSIFICAÇÃO:  (classificados os 2 primeiros de cada grupo)

CIDADES-SEDE:
BELO HORIZONTE:   GRUPO A: França- Uruguayi União Soviética- Canadá
CURITIBA:   GRUPO B- Iugoslávia- Peru- Porto Rico- Japão
SÃO PAULO:  GRUPO C- Estados Unidos- México- Argentina- Itália

FASE FINAL:  RIO DE JANEIRO- ( 7 Países)

Brasil
União Soviética
França
Iugoslávia
Porto Rico
Estados Unidos
Itália 

JOGOS DO BRASIL:

Brasil 62 x 55 Porto Rico
Brasil 81 x 62 Italia
Brasil 90 x 71 Iugoslávia
Brasil 77 x 63 França
Brasil 90 x 79 União Soviética
Brasil 85 x 81 Estados Unidos 

SELEÇÃO BRASILEIRA:  Técnico Kanela- Asist. Técnico:  Moacir Daiuto.

JOGADORES: 

Amaury Pasos--Ubiratan--Mosquito--Paulista--Rosa Branca--Jathyr--Menon--Sucar--Victor--Waldemar--Fritz--Wlamir Marques.

CLASSIFICAÇÃO FINAL: 

1º-- Brasil
2º-- Iugoslávia
3º-- União Soviética
4º--Estados Unidos
5º--França
6º--Porto Rico
7º--Itália
8º--Argentina
9º--México
10º--Uruguai
11º--Canadá
12º--Peru
13º-- Japão

OBS: Esse foi, até os dias de hoje, o título mais importante conquistado pelo basquetebol masculino do Brasil em todos os tempos. Tratando-se de mundiais, eu possuo 2 títulos mundiais (1959 e 1963) e 2 vices (1954 e 1970). Esses muito pouco valorizados ou comentados.

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BRASIL BI CAMPEÃO MUNDIAL: 4º CAMPEONATO MUNDIAL DE BASKET-BALL- 1963 (2ª PARTE)

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4º Campeonato Mundial- 1963

Wlamir Marques
Wlamir Marques

4º CAMPEONATO MUNDIAL DE BASKET-BALL- 1963

LOCAL: Rio de Janeiro/Brasil
PERÍODO: 12/05 à 25/05/63
PAÍSES PARTICIPANTES: 13

Terminado os Jogos Panamericanos em São Paulo, demos continuidade aos treinamentos para a disputa do 4º Campeonato Mundial de basquetebol masculino à ser realizado na cidade do Rio de Janeiro, mais especificamente  no grandioso e maravilhoso ginásio poli esportivo do Maracañazinho.

O técnico Kanela deu 2 dias de descanso à sua equipe, para em seguida via ponte aérea rumarmos para a cidade maravilhosa. Chegando ao Rio fomos diretos para o América F.C. onde haveria uma apresentação da seleção brasileira para a imprensa, contando com grande numero de jornalistas.

Convêm recordar que a cidade do Rio de Janeiro conseguiu sediar esse mundial após as Filipinas desistirem do patrocínio em outubro de 1962. O mês de Maio de 63 foi o escolhido, dando tempo para que a cidade se preparasse melhor para o evento. Em seguida iniciamos os treinamentos.

Nossa concentração dessa vez foi também no Hotel das Paineiras que, à exemplo das outras vezes era de total agrado dos atletas e da comissão técnica. Um hotel situado na estrada para o Corcovado, muito tranquilo e sem o assédio dos torcedores e de pessoas querendo nos conhecer.

Entretanto, no começo dos treinamentos fomos obrigados à cumprir um compromisso assumido pela CBB para uma exibição na cidade de Petropolis. Por falta de equipes de valor para nos enfrentar, a exibição foi marcada pela equipe A jogando contra a B, formadas pela comissão técnica. 

Ficamos um dia na cidade com pernoite no Hotel Quitandinha, muito famoso pelas chachadas do Oscarito e Grande Otelo, dois comediantes com enorme prestígio no país. Jogamos à noite, dormimos em Petropolis e no dia seguinte cedo partimos de onibus de volta para o Hotel das Paineiras. 

Nossos treinamentos eram realizados no ginásio do Tijuca T.C. por ser mais próximo do hotel e sem a necessidade de pegar o forte trânsito da cidade do Rio de Janeiro. Os treinamentos eram realizados em dois períodos, manhã e tarde, enquanto aguardavamos a disputa da fase de classificação.

As cidades de São Paulo, Curitiba e Belo Horizonte sediaram as fases de classificação, enquanto o Brasil por ser o país anfitrião apenas aguardava a disputa da fase final. Da fase de classificação viriam 6 países para o Rio de Janeiro, ou seja,  os dois melhores colocados de cada grupo:  A B e C. 

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4º Campeonato Mundial- 1963

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4ºs JOGOS PANAMERICANOS - 1963

Wlamir Marques
Wlamir Marques

LOCAL DA DISPUTA:  São Paulo/Brasil

PERÍODO: 20/04/63 até 05/05/63

PARTICIPANTES: 1655 atletas

PAÍSES PARTICIPANTES: 22

DELEGAÇÃO BRASILEIRA: 385 atletas

Terminado o Campeonato Sulamericano disputado em Lima/Peru onde o Brasil conquistou o 4º titulo consecutivo, voltamos para o país e o técnico Kanela fez uma nova convocação para a disputa do 4º Jogos Panamericanos,  a serem realizados em São Paulo. Em seguida iniciamos os treinamentos.

Convêm salientar que São Paulo ganhou o direito de sediar o evento em disputa com a cidade de Winnipeg/Canadá, vencendo por (18x5). É importante afirmar que poucas obras foram necessárias, pois a cidade já possuia uma ótima infraestrutura, restando apenas alguns ajustes.

Complexos esportivos de clubes, do municipio e do estado, garantiam o  sucesso da competição sem grandes dispêndios financeiros. Todas as modalidades esportivas tiveram os seus espaços reservados e muito bem conservados. O Ginásio do Ibirapuera serviu para o basquetebol.

A única obra construída foram as dependências da Vila Panamericana situada na USP (Universidade de São Paulo) para o alojamentos das delegações visitantes. Recém construída e ainda sem calçamento era um enorme transtorno em dias de chuva, muita lama e de difícil acesso.

A população da cidade de São Paulo acolheu muito bem a realização desse evento internacional, comparecendo sempre com um grande número de torcedores em todos os eventos. O basquetebol masculino e o feminino, além do futebol, foram os eventos mais procurados e assistidos. 

Cabe também ressaltar a alimentação oferecida aos atletas, sempre feita com muito esmero, não faltando nada para os novos e estranhos paladares. Terceirizada por grandes restaurantes da capital, foi o ponto alto da vila, sempre muito farta e bastante elogiada por todos os participantes.

O Estádio do Pacaembu prestou-se para o desfile de abertura dos jogos. Totalmente lotado, com uma estimativa de 40 mil pessoas. Foi uma linda festa, com as delegações desfilando em cadência marcial ao som da banda da força pública de São Paulo. Com certeza foi um lindo espetáculo.

A concentração das delegações para o desfile de abertura deu-se na Praça Charles Miller, defronte ao estádio, com a delegação brasileira sendo a última a entar no recinto debaixo de uma enorme ovação popular. Honras de praxe aconteceram, com a chegada da tocha e discursos de abertura.

 

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4ºs JOGOS PANAMERICANOS - 1963

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1963: 20º Campeonato Sulamericano

Wlamir Marques
Wlamir Marques
 Wlamir Marques, jogador da seleção brasileira de basquete, em ação
Wlamir Marques, jogador da seleção brasileira de basquete, em ação Gazeta Press


20º CAMPEONATO SULAMERICANO

ANO- 1963

LOCAL- LIMA/PERÚ

PERÍODO: 16/02/63 à 04/03/63

PREPARAÇÃO PARA O CAMPEONATO:

Em Dezembro de 1962 o técnico Kanela fez uma nova convocação de jogadores para a disputa do 20º Campeonato Sulamericano na cidade de Lima, capital do Peru Por falta de maior tempo para os treinamentos, a seleção foi formada na base de 2 clubes da capital paulista:  Corinthians e Sirio.

Iniciamos os treinamentos no mês de janeiro na cidade de São Paulo. Os treinamentos eram feitos no ginásio do DEFE, situado no bairro da Água Branca. Treinamos aproximadamente por 1 mês nos períodos da manhã e noite. Somente 3 convocados não pertenciam à essas duas agremiações.

Não tivemos dificuldades para o entrosamento, até porque a base era da seleção paulista e já nos conhecíamos de outros campeonatos. Além é claro, de sermos adversários nas quadras, mas sempre nos respeitando. Os outros 3 jogadores foram prontamente se adaptando; sem problemas.

Cabe aqui dizer que essa forma de seleção brasileira não era a ideal para o técnico Kanela. Muito exigente, ele sempre realizava suas preparações em longos períodos, à exemplo das conquistas olímpicas e mundiais, quando os nossos treinamentos nunca foram inferiores à 4 meses de preparação.

Como sempre acontecia, eu enfrentava problemas no emprego, pois sendo funcionário público federal eu, necessitava de autorização oficial, inclusive para deixar o país. Dificilmente eu conseguia estar à disposição do técnico no dia marcado para o inicio dos treinamentos, causando-me mal estar.

Sempre chegava atrasado e com a CBB apelando para as autoridades competentes exigindo que me liberassem com antecedência. Mas isso nunca aconteceu. Algumas vezes me apresentava sem licença. Mas no retorno ao trabalho era impedido de trabalhar por abandono de cargo.

Enfrentei nos correios 5 processos por abandono de cargo, mas sempre recuperava a minha função ao chegar a licença com muito tempo de atraso. Em 1968, ao retornar da Olimpíada do México, mais uma vez  enfrentei um novo processo de abandono. À partir dali, abandonei o correio de vez.

No dia 13/03/63 saímos de São Paulo em avião da Varig com destino à Lima/Peru. Chegamos com 3 dias de antecedência na cidade de Lima e, alí terminamos a nossa fase de preparação. O campeonato foi de longa duração com 9 países participantes, jogando todos contra todos.

O campeonato foi disputado novamente em um estádio de futebol com quadra aberta no Estádio Nacional do Peru.  A cidade de Lima, a exemplo de Santiago do Chile também não possuía ginásios para grandes públicos. A estimativa era para 20 mil pessoas, quase alcançando sua lotação máxima.

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1963: 20º Campeonato Sulamericano

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1962: O Mundial de Basquete que não aconteceu

Wlamir Marques
Wlamir Marques

"PREPARAÇÃO PARA O 4º CAMPEONATO MUNDIAL"

O MUNDIAL QUE NÃO ACONTECEU

ANO: 1962

LOCAL: FILIPINAS

No início do mês de Agosto de 1962 o tecnico Kanela convocou uma nova seleção brasileira para a disputa do 4º Campeonato Mundial à ser realizado nas Filipinas. Por questões financeiras, a CBB pediu ao E.C.Banespa de São Paulo o uso das suas dependências para os treinamentos e concentração.

De pronto o clube aceitou, mas o local destinado ao nosso alojamento era pequeno, ocasionando com isso um privilégio dado aos atletas residentes na capital ao ficaram isentos da concentração. Eu, já residente na cidade fui um dos escolhidos para ficar em casa, indo ao Banespa apenas para treinar.

Não era comum isso acontecer, mas dessa vez foi a solução encontrada muito à contra gosto do técnico. Confesso que não era a melhor solução, mas eram épocas dificéis, quando o basquete vivia muito mais à custa dos  militares, clubes, ou das prefeituras que a auxiliavam nas necessidades.

A CBB vivia de verbas públicas nem sempre o suficiente para os grandes eventos. Nunca usufruimos de qualquer vantagem financeira, eramos amadores e viviamos do trabalho e das ajudas de custos dada pelos clubes. Sem qualquer tipo de reclamação ou atrito, era assim que tudo funcionava.

No meu caso eu só participava do treino noturno, pois me via impedido de treinar de manhã devido ao meu trabalho nos correios. Sem licença oficial eu não podia me ausentar do serviço. Isso sempre foi um enorme problema para as minhas apresentações e participações na seleção brasileira.

Treinamos até o mês de outubro do jeito que podiamos, não era o ideal mas foi a única forma encontrada. Já estavamos quase prontos para o embarque quando recebemos a notícia que o mundial havia sido suspenso. Confesso que o motivo não ficou muito claro, alguns diziam que foi politico.

Lembro que na época também foi dito que devido a um surto de meningite no país séde, acharam melhor transferir o mundial para outro local. À partir dalí a seleção foi dispensada aguardando novas determinações. Foi quando a CBB entrou com um pedido junto à FIBA pedindo o patrocínio do evento.

O motivo politico foi a negação das Filipinas em dar aos países da cortina de ferro o visto de entrada em seu país. Sendo assim, pela falta de  países interessados no evento, foi dado ao Brasil a organização do 4º Campeonato Mundial de Basquetebol à ser realizado no Rio de Janeiro em Abril de 1963.

No mês de Dezembro de 1962 foi feita uma nova convocação pelo técnico Kanela, dessa vez para a disputa do 20º Campeonato Sulamericano a ser realizado em Janeiro de 1963 na cidade de Lima/Perú.  À partir dali demos inicio a uma série de eventos, culminando com o bi campeonato mundial.

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