O português sincerão e a visão errada que temos do patrocínio

Erich Beting

Medalha de bronze em Tóquio, o português Jorge Fonseca conseguiu atrair os holofotes em todo o mundo ao dedicar a conquista a Puma e Adidas.

“Vou dedicar a medalha para Adidas e Puma. Porque me disseram que eu não tinha capacidade para ser representante da Puma, então eu dedico essa medalha para os dirigentes de Puma e Adidas. Já mostrei que sou bicampeão do mundo, terceiro nos Jogos Olímpicos, qual estatuto mais eu preciso ter para ser patrocinado por eles? Essa medalha eu dedico para eles e um grande beijinho. Força, Portugal!”, declarou o judoca ainda à beira do tatame em que conquistou a 25ª medalha olímpica da história de Portugal.

Jorge Fonseca com a medalha de bronze em Tóquio
Jorge Fonseca com a medalha de bronze em Tóquio Comitê Olímpico Português

O desabafo de Fonseca repercutiu mundialmente pela maneira direta em que ele se dirigiu a dois potenciais patrocinadores com quem não conseguiu ter sucesso. Em muitos grupos de WhatsApp sobre marketing esportivo, o debate rodou sobre o quão inadequada teria sido a atitude de Fonseca.

No final das contas, o que o judoca português fez foi trazer à tona uma realidade que atinge a grande maioria dos atletas olímpicos de esportes individuais. A enorme dificuldade para conseguir patrocínio, mesmo tendo alta performance dentro da modalidade.

Antes do bronze em Tóquio, Fonseca já havia sido duas vezes campeão mundial na categoria até 100kg. Apesar dos resultados, porém, o judoca não consegue atrair patrocínios. E por que isso acontece?

O maior erro do mercado esportivo, especialmente dos atletas, é achar que só a performance esportiva será responsável por assegurar o patrocínio. Possivelmente, Fonseca precise muito mais do que “só” ser bicampeão mundial e medalhista olímpico para atrair a atenção das marcas esportivas.

O primeiro ponto é que, diferentemente de esportes coletivos, o judô sofre para ser atrativo para as marcas. O atleta compete descalço, são poucas as grandes empresas que produzem quimono, o esporte carece de maior popularidade em muitos mercados.

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Além da performance esportiva, Fonseca precisaria de alguns outros “estatutos” para atrair a atenção de uma Adidas ou de uma Puma. O primeiro deles, ser mundialmente reconhecido. Não só dentro da comunidade do judô, mas extrapolando esse mercado. Outro ponto importante, e que não depende só do atleta, é entender o tamanho do mercado que ele representa. Quantos judocas existem em Portugal? Vale a pena para as marcas investirem num atleta dessa modalidade?

No judô, a Adidas patrocinou por anos Teddy Riner, o multicampeão mundial, bicampeão olímpico e que acabou de conquistar a medalha de bronze em Tóquio.  Só deixou de ser o rosto global da marca para a modalidade depois que a Under Armour fez uma proposta para tirar o francês da marca alemã. Já a Puma não tem histórico de investir no judô. No final das contas, mais do que mandar “um grande beijinho” para as marcas, Fonseca deveria olhar para o lado e tentar entender que, para ser patrocinado, é preciso ir muito além dos tatames. Só desempenho, hoje, não assegura negócio.

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O atleta não pode ser calado. O problema não está na rede social!

Erich Beting
Bárbara, goleira que está em sua quarta edição de Olimpíada
Bárbara, goleira que está em sua quarta edição de Olimpíada Sam Robles/CBF

A treta pública, no Instagram, entre a goleira do futebol feminino Bárbara e a canoísta paralímpica Andréa Pontes, reacendeu o debate sobre o uso de redes sociais pelos atletas, especialmente em períodos de grandes competições, como os Jogos Olímpicos.

A briga entre Bárbara e Andréa é lamentável. Serve de alerta para a agressividade da goleira ofendida, serve de ponto de reflexão para até onde vai o limite de provocações entre as pessoas, sejam elas figuras públicas ou não.

Mas o foco da discussão acabou descambando para algo que é absolutamente inútil discutir. Proibir o atleta de usar redes sociais no período em que ele está competindo seria, basicamente, proibir qualquer pessoa de usar suas mídias para se expressar a não ser quando está em folga.

Quando escrevo um post aqui no blog, rapidamente vou às redes divulgá-lo. Da mesma forma, usamos os canais diversos que existem hoje para comunicar coisas de nosso trabalho, comentar assuntos diversos, aplacar a raiva contra juízes de judô, natação, futebol, skate, surfe e o que mais puder. Ah, claro, não poderia deixar de usar as redes para destilar toda a ironia sobre atletas expostos ao mundo todo durante uma performance em Jogos Olímpicos.

Andréa não precisava detonar Bárbara para elogiar Babi, goleira da seleção de handebol. Da mesma forma, Bárbara não precisava detonar pessoas com deficiência para tentar revidar a agressão sofrida. Mas, de forma nenhuma, precisamos acabar com o direito de cada um se manifestar nas redes.

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Não é o uso frenético do Instagram que fará Douglas jogar melhor ou pior no vôlei. O maior sucesso digital da Olimpíada de Tóquio até agora, pelo contrário, precisa ser visto como exemplo a ser, literalmente, seguido.

Douglas sabe usar a rede social. Ele interage com o público de forma aberta, transparente e autêntica. Não por acaso, tem sido um fenômeno na comunicação. E, em quadra, tem sido o ponto alto de um Brasil ainda oscilante no Japão. É a prova de que não há qualquer relação direta entre uso das redes e performance esportiva.

O ponto, naturalmente, é como o atleta vai usar suas redes. E, nesse caso, mais do que proibir o seu uso é preciso ensinar a como utilizar os canais digitais para alavancar a imagem do atleta, melhorar a comunicação com o público e, naturalmente, passar recado para torcedores, patrocinadores e mídia.

O atleta não pode ser calado por não saber utilizar as redes sociais. Ele precisa, isso sim, ser orientado a fazer bom uso delas. Algo que faltou no caso Bárbara e Andréa. Aliás, isso é algo que vale não apenas para o universo esportivo.

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Simone Biles e Naomi Osaka têm um importante recado para nós

Erich Beting

As saídas prematuras de Simone Biles e Naomi Osaka das Olimpíadas de Tóquio revelam muito mais do que crises depressivas das duas atletas, ícones da publicidade mundial e apontadas não apenas como favoritas, mas donas de medalhas olímpicas nesta edição dos Jogos.

“Esses Jogos Olímpicos têm sido muito estressantes... Tem sido uma longa semana, um longo ciclo olímpico e um longo ano. Eu acho que estamos todos muito estressados”, declarou Biles após pedir para deixar a equipe norte-americana na final da ginástica para, segundo ela mesma, “não tirar a medalha” do time, que acabou com a prata, mas sem sua maior estrela.

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“Nós deveríamos estar nos divertindo, mas não é o caso”, completou a ginasta, que foi apontada pela mídia e, naturalmente, patrocinadores, como ícone do Team USA que está no Japão.

Da mesma forma, Naomi Osaka sucumbiu à pressão pelo ouro olímpico. A tenista criada nos EUA, mas nascida no Japão, perdeu para a tcheca Marketa Vondrousova, que ocupa um modesto 42° lugar do ranking da WTA.

Após o jogo em que foi derrotada, ela disse que não daria entrevista para os jornalistas. A tenista que teve a honra de acender a pira olímpica dos Jogos de Tóquio voltou atrás e aceitou responder apenas a quatro perguntas, em que afirmou que a pressão por resultados foi “um pouco demais” e que a derrota no Japão era “mais doída do que qualquer outra”.

Simone Biles em ação
Simone Biles em ação Getty Images

As duas atletas revelam um problema enorme que acomete os Jogos de Tóquio para muito além da pandemia. A Olimpíada de 2021 traz um componente de pressão sobre os atletas que talvez desde a época da Guerra Fria não acontecesse.

O atleta não está sendo preparado para falhar. Em tudo o que faz, ele precisa beirar a perfeição. E num cenário tão incerto, tão duro e tão desafiador como o da pandemia, a pressão fica ainda maior. Para piorar, o COI adotou uma série de restrições para os atletas viajarem acompanhados de psicólogos ou familiares, o que aumenta a sensação de abandono e, naturalmente, torna ainda mais difícil competir.

Os Jogos Olímpicos de Tóquio mostram um enorme alerta para o esporte. 

A prática esportiva tem de ser, antes de qualquer coisa, uma atitude saudável não só física como mentalmente. Até agora, o peso de representar uma nação em meio a uma pandemia torna ainda mais difícil os desafios diários que os atletas têm. Naomi Osaka e Simone Biles têm um recado para ser dado. E que precisa ser levado bem a sério.

A japonesa Naomi Osaka
A japonesa Naomi Osaka Getty

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Pódios no skate revelam sucesso da estratégia da Nike na modalidade

Erich Beting
Uniformes da Nike para Brasil, EUA, França e Japão na Olimpíada de Tóquio
Uniformes da Nike para Brasil, EUA, França e Japão na Olimpíada de Tóquio Divulgação

Quando o skate se tornou um esporte olímpico, a fabricante americana Nike viu a possiblidade de usar o novo status da modalidade para dar ainda mais força ao seu projeto de crescer com a venda de roupas que representam o lifestyle.

Foco da empresa americana desde os anos 2008, a linha de roupas mais casuais sempre sofreu com as concorrências de marcas mais consolidadas no setor, como Puma e Adidas, que investiam havia alguns anos nesse tipo de produto.

Com os atletas adotando um estilo mais “rebelde”, o skate era o esporte que a marca americana precisava para trazer sua imagem para um público diferente daquele habituado a ver e usar as roupas da empresa.

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Como parte da estratégia de crescimento pelo skate, a Nike decidiu focar em quatro confederações: Brasil e Estados Unidos, as duas principais forças da modalidade, e Japão e França, países que são a sede da atual e da próxima Olimpíada.

A escolha não poderia ser mais precisa. Nas disputas do skate street, tanto no masculino quanto no feminino, o pódio foi 100% de países patrocinados pela Nike. No masculino, Japão, Brasil e Estados Unidos foram ao pódio. No feminino, Japão e Brasil dividiram os lugares mais altos do pódio.

Além disso, a marca conseguiu ativar o patrocínio a Rayssa Leal, a mais jovem brasileira medalhista olímpica da história.

Por trás de toda modalidade olímpica existe um tabuleiro de xadrez das marcas, que disputam os principais nomes do esporte e, ainda, os países que podem alavancar a empresa a ponto de refletirem diretamente nas vendas. Se, antes, o skate era um esporte de nicho para elas investirem, com as Olimpíadas tornou-se uma das maiores apostas para o futuro. E, nesse caminho, a Nike já tem pelo menos uma Olimpíada de vantagem...

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Racha pós-prata expõe o desafio olímpico do skate

Erich Beting

Kelvin Hoefler posa com a medalha de prata no skate
Kelvin Hoefler posa com a medalha de prata no skate Julio Detefon/CBSk

A lavagem de roupa suja que se transformou a conquista da primeira medalha do skate brasileiro com Kelvin Hoefler resume bem o tamanho do desafio que a modalidade terá a partir da aquisição do status de esporte olímpico.

Tradicionalmente, o skate sempre foi o esporte da contra-cultura. A regra no skate é não ter regras. O skatista precisa ser criativo, precisa querer romper as barreiras estabelecidas, precisa não querer seguir um único caminho.

Por conta disso, colocar o skate dentro das regras estabelecidas pelas modalidades que fazem parte de programas olímpicos é algo que rompe com a tradição do esporte que não costuma seguir tradições.

Há praticamente 30 anos, o skate tem nos X Games o seu grande evento. Só que, nos Jogos Olímpicos, o COI decidiu que seriam criadas competições para montar um ranking para a modalidade e, a partir disso, definir quais seriam os classificados para Tóquio 2020.

Isso gera uma mudança tremenda para o funcionamento da modalidade. Se, antes, não havia um ranking dos skatistas, agora ele passa a ser o balizador do esporte. E, por conta disso, as federações nacionais ganham importância e passam a ser as “donas” da modalidade.

Skate estreia nas Olimpíadas e Kelvin Hoefler conquista 1ª medalha do Brasil em Tóquio: Entrou para o Livro


         
     

É exatamente contra esse novo jogo de forças que Kelvin se posicionou. O skatista, que sempre morou nos EUA, se colocou numa posição de não ser tão dependente da confederação. Até então, esse racha existia, mas era assunto restrito ao universo do skate. Não existissem os Jogos Olímpicos e praticamente não haveria qualquer grande repercussão da briga. Assim como não houve, lá atrás, grandes relatos sobre as brigas que Duda Musa e Bob Burnquist tiveram de enfrentar como dirigentes da Confederação Brasileira de Skate quando começaram a determinar as regras para qualificar os atletas para os Jogos.

O pós-Tóquio para o skate deve representar muitas mudanças para a modalidade, já que o interesse das pessoas deve aumentar e, com isso, as próprias marcas devem começar a olhar com mais carinho para o esporte. O enrosco que vem disso é entender de que forma o esporte vai conseguir colocar o skatista dentro de um cenário mais rígido de relacionamento do atleta com sua confederação.

A prata de Kelvin Hoefler deixou claro como o caminho ainda é nebuloso. E com muitos espinhos.

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Konami faz aposta total que pode mudar o mercado de games de futebol

Erich Beting
Messi e o game gratuito eFootball são a nova aposta da Konami
Messi e o game gratuito eFootball são a nova aposta da Konami Divulgação

Na última semana, a Konami anunciou uma mudança que pode revolucionar o mercado de games de futebol. A produtora do PES definiu que, a partir de 2022, o game oficial de futebol da marca será o "eFootball". Mais do que a mudança de nome, a grande novidade que a Konami traz para o mercado é o fato de que o game será gratuito. Inspirado na revolução trazida por Fortnite e Free Fire, a marca japonesa aposta numa "radicalização" para o mercado.

Ao oferecer o game gratuitamente para o público, a Konami tentará bater de frente com o domínio da EA Sports com a franquia do FIFA. Além da briga entre as duas marcas pelas principais propriedades, agora o duelo será no ganho de consumidores a partir do oferecimento gratuito do jogo. É uma aposta diferente daquela que vinha sendo feita nos últimos anos. 

É um movimento interessante e que pode mudar bastante o cenário do mercado de games de futebol. Pode ser, também, o último suspiro da Konami no mercado. Nos últimos anos, enquanto o FIFA vendia cerca de 12 milhões de cópias a cada novo lançamento, o PES comercializava por volta de 1 milhão de games. Ao fazer a entrega do game gratuitamente, a Konami espera conseguir pegar uma nova gama de consumidores. O eFootball ficará disponível também para PC, que é a principal aposta, já que o gamer não precisará de um console para ter acesso ao jogo.

A mudança não significa, porém, a queda de receita da Konami com o game.  Assim como fazem Fortnite e Free Fire, diversas funcionalidades poderão ser compradas pelos jogadores dentro do game. Isso pode abrir para a empresa um novo mercado, pouco explorado pelos games de futebol, que são as parcerias pontuais com marcas, algo que hoje é bastante explorado pelo Fortnite. 

A novidade chega ao Brasil a partir de setembro. Nos próximos meses saberemos se a estratégia foi um último suspiro ou uma tacada de mestre.

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Cerimônia de Abertura mostrou bem o tamanho da tensão com as Olimpíadas

Erich Beting

Era para ter sido uma festa high-tech, com diversas inovações tecnológicas, muita interação com o público e a certeza de que o Japão é fora de série. Mas a pandemia tirou até mesmo o brilho de uma cerimônia de abertura das Olimpíadas-2020. Lembro-me com precisão de todas as festas de abertura olímpicas desde Barcelona-1992. Em nenhuma delas houve tão pouca empolgação como na de Tóquio. 

A sobriedade dos japoneses impediu-os de serem festivos em meio a uma pandemia que vitimou milhões de pessoas em todo o mundo. Mais ainda, a falta de grandes inovações no estádio Olímpico de Tóquio deixou claro como devem ter sido tensos os quase 16 meses que se passaram desde que o COI decidiu que adiaria por um ano a organização dos Jogos Olímpicos pela primeira vez na história.

O plano A da Abertura era ela acontecer. O plano B era de ela acontecer. E o C, também. Os organizadores da cerimônia de Tóquio sabiam que não poderiam ser festivos. Não sabiam, porém, como fariam para interagir com o público no estádio. Na dúvida, optaram por algo extremamente simples dentro do que é possível num evento desse porte. Nada muito tecnológico, nada muito interativo. 

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Apenas algumas mensagens passadas diretamente para o público, com simbologias claras. Homem e mulher de porta-bandeira. Médicos conduzindo a tocha olímpica. Cadeirante na reta final da passagem da tocha. Pira Olímpica acesa por Naomi Osaka, uma japonesa mestiça com havaiano e símbolo jovem do ímpeto pela transformação da sociedade. Uma Olimpíada que tenta ser a mais inclusiva e diversa da história. Aceitando todas as cores, credos, raças e preferências sexuais. A ponto de mudar o lema olímpico. 

Eu ainda gostaria de ter visto mais tecnologia na cerimônia. O show dos drones foi muito legal, mas não traz nada de muito inovador. Talvez o que mais tenha se destacado, no final das contas, foi o que teve de menos high-tech entre as novidades, que foi o baile dos 50 pictogramas dos Jogos. Um show de arte pura. Com praticamente nenhum recurso tecnológico. Mas que, em casa, foi o momento mais divertido para as crianças na sala. O que mostra que ao menos nesse ponto o COI conseguiu acertar e reter a atenção de um público mais jovem para os Jogos.

Vamos ver como serão os dias de competições olímpicas. Em todo o mundo, as emissoras detentoras dos direitos devem aproveitar para apresentar novos recursos tecnológicos ao espectador acomodado dentro de casa. É um alento. Não podemos, no momento de maior distância entre público e esporte na história, não usar a tecnologia como ponto de conexão entre as duas pontas.

A cerimônia de abertura de Tóquio mostrou que a tensão envolvendo a realização dos Jogos foi responsável por inibir qualquer tentativa de "pensar diferente". Para uma Olimpíada no Japão, o que mais se espera é exatamente algo fora dos padrões. 

Tenista Naomi Osaka, japonesa mestiça com havaiano, acendeu a pira olímpica
Tenista Naomi Osaka, japonesa mestiça com havaiano, acendeu a pira olímpica Martin Nureau/Getty Images
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Douglas, o sonho olímpico que todos temos e que tira o sono do COI

Erich Beting


O ponteiro Douglas, da seleção masculina de vôlei, ganhou ainda mais notoriedade no seu perfil de Instagram pouco depois de chegar à Vila Olímpica em Tóquio. Usuário frenético das redes sociais, ele não conteve a euforia de desembarcar no Japão e passou a fazer praticamente um relato em tempo real de tudo o que encontrava no famoso espaço que é exclusivo dos atletas em Olimpíadas.

Em um dia de stories com direito a sambadinha em cima da cama de papelão que foi feita para os atletas, Douglas saiu dos 200 mil seguidores para romper a barreira de um milhão de fãs na rede social, que ainda não conheciam seu jeito espontâneo de ser e lidar de forma natural com a homossexualidade num ambiente extremamente machista e retrógrado como o do esporte.

Além de empunhar de forma natural e sem textão a bandeira da causa LGBTQIA+, Douglas conseguiu cativar o público por ser uma pessoa extremamente autêntica naquilo que faz. E, dessa forma, ele traduziu o sentimento de todos que sonharam, um dia, em ir às Olimpíadas.

O que Douglas fez, em seus stories, foi desnudar o que é a Vila Olímpica para nós, reles mortais que nunca seremos atletas olímpicos. Desde sempre o COI tenta trazer uma aura de “fórmula da Coca-Cola” para a Vila. É o santuário dos atletas, em que só eles podem entrar, conviver, conversar, etc.

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Só que, com sua naturalidade, Douglas trouxe para a gente os detalhes de como é a Vila. Foi graças a ele que eu descobri que não tem TV nos quartos, o que em parte deve explicar o porquê de o pessoal usar tanta camisinha durante os Jogos...

Douglas fez com que a gente pudesse viver nosso sonho olímpico. E, ao mesmo tempo, mostrou o porquê de o COI sempre ter sido tão preocupado com a produção de conteúdo vinda dos atletas. Se, antes, o comitê conseguia ter nos competidores pessoas que sabiam que era para deixar de lado a necessidade de postar e compartilhar tudo o que vivenciavam fora do ambiente da competição, agora isso não é mais possível.

Com uma geração cada vez mais jovem, é natural que tenhamos mais atletas como Douglas, que não só produzem conteúdo, mas sabem como produzir e cativar o público.

A pira olímpica ainda nem foi acesa, mas Douglas já subiu no pódio de melhor repórter da Vila Olímpica. Nunca foi tão divertido acompanhar uma pré-Olimpíada. Obrigado, Douglas! 

Douglas fez sucesso com seu Instagram ao chegar na Vila Olímpica de Tóquio
Douglas fez sucesso com seu Instagram ao chegar na Vila Olímpica de Tóquio Reprodução/Instagram

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Baixa venda de ingressos do Flamengo é bom alerta ao futebol

Erich Beting


É interessante notar como o Brasil tem tomado decisões durante a pandemia como uma espécie de “espelho" das atitudes tomadas no exterior. A novidade da vez é a aceleração em promover a volta de torcedores aos estádios. Talvez empolgados com o que foi visto na Euro, nossos dirigentes resolveram que já estava na hora de abrir a porta dos estádios na América do Sul para a volta do torcedor.

Só que a primeira resposta do público à abertura de porteira promovida para o jogo do Flamengo contra o Defensa Y Justicia mostra que o torcedor pensa um pouco diferente dos cartolas sul-americanos.

Sem dúvida que há diversos fatores para explicar por que menos de 50% dos ingressos colocados à venda em Brasília não tenham sido negociados. Mas um dos claros motivos é o medo que as pessoas ainda estão de se aglomerar para ir a um evento. Em um país em que ainda morremos em 1.500 pessoas por dia, só no mundo da fantasia alguém poderia supor que haveria fila de espera para a compra de ingressos para os jogos.

Em todo o mundo, a retomada do público aos eventos passou por um processo inicial de adesão em massa a vacinação e, principalmente, por uma segurança de que a pandemia estivesse minimamente controlada, algo que está muito longe de acontecer por aqui.

Em busca do tri! Todo mundo juntinho!'; Gabigol inicia discurso nos vestiários do Flamengo antes de encarar o Bahia


         
     

Para os dirigentes que tinham certeza de que o povo não via a hora de voltar aos estádios, a dificuldade do Flamengo em esgotar seus ingressos para a partida decisiva da Libertadores fica como alerta.

O problema não é só a pandemia. A experiência do torcedor em ver um jogo dentro de casa, hoje, não apenas é mais segura, mas bem mais confortável do que dentro de um estádio. É isso o que o futebol brasileiro teima em não perceber.

Apesar de parte das pessoas estarem cansadas de ficar em casa, o torcedor também está cansado de não ter uma experiência nova ao ir a um jogo. O fenômeno de novas arenas que impulsionou a ida do público aos jogos já é coisa da década passada.

O alerta está dado. Pensar que só a pandemia atrapalha é ignorar os sinais que já vinham de antes de as portas serem fechadas.

Gabigol não é o diferencial para torcida do Flamengo esgotar ingressos da Libertadores
Gabigol não é o diferencial para torcida do Flamengo esgotar ingressos da Libertadores Alexandre Vidal / Flamengo

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O que há por trás do 'não' de montadora japonesa à propaganda em Tóquio

Erich Beting

A Toyota decidiu que não fará qualquer propaganda no Japão que esteja relacionada às Olimpíadas de Tóquio, que começam nesta sexta-feira (23).

O “não” da montadora foi mais uma ducha de água fria nos organizadores da Olimpíada, que sofrem com todos os problemas causados pela pandemia e a insistência em fazer o evento acontecer em meio a uma das piores ondas de contaminação em Tóquio.

Só que o “não” da Toyota pode significar muita coisa além do receio com os protestos crescentes dos japoneses contra a realização da Olimpíada. Marca com maior participação no mercado automobilístico do Japão, a Toyota tinha para os Jogos de Tóquio uma importância parecida com a que o Bradesco teve em 2016, nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Olimpíadas vão começar! Veja todos os eventos do primeiro dia de competições em Tóquio

Com mais dinheiro e maior presença de marca que a maioria dos demais patrocinadores olímpicos, esperava-se que a Toyota puxasse as ativações ligadas ao evento. No fim das contas, Tóquio 2020 precisava muito mais do patrocinador do que ele da competição.

Na prática, para uma marca “ganhar” uma Olimpíada, ela precisa fazer um trabalho consistente de ativação de patrocínio e comunicação da associação com o evento que vai muito além das dezenas de dias em que ele acontece. Nesse quesito, a Toyota soube trabalhar bem as ativações pré-Olimpíadas. Até o começo de 2020, pré-pandemia, a montadora era a maior incentivadora dos Jogos.

Agora, na semana em que finalmente teremos a Cerimônia de Abertura das Olimpíadas, o silêncio da Toyota não muda em nada o tamanho da marca e a própria associação que ela tem com o evento. Assim, usar a pandemia como justificativa para retirar o time de campo parece uma boa saída para a Toyota fechar um pouco a torneira dos investimentos em mídia num momento em que os olhos do mundo vão se voltar, cheio de dúvidas, para o Japão.

Nunca a recusa a um patrocínio olímpico parece fazer tanto sentido como agora.

Toyota tem time de atletas patrocinados para ativar Olimpíadas
Toyota tem time de atletas patrocinados para ativar Olimpíadas Reprodução/Site Toyota

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União de clubes por liga é fenômeno raro no futebol brasileiro

Erich Beting
Organização comercial para o Brasileirão recoloca o país no mapa da bola
Organização comercial para o Brasileirão recoloca o país no mapa da bola Lucas Figueiredo/CBF

Depois de quase 12 anos de implosão do Clube dos 13, parece que finalmente os clubes brasileiros entenderam que precisam se organizar coletivamente para poderem dar voos mais altos. Toda a cautela que cercam os dirigentes na condução do projeto da Liga de Clubes, agora, mostra que existe uma rara união de pensamento em quem tem o poder dentro das instituições.

Desde a origem do C13, em 1987, que havia um erro de princípio entre os dirigentes brasileiros. Quando falávamos em ligas, pensávamos em união de clubes apenas, sem se preocupar de fato com a gestão de competições. Isso era reflexo do espólio da Copa União, que durou apenas dois anos, foi tirada na canetada em 1989 e, por 20 anos, virou uma colcha de retalhos típica do futebol brasileiro.

Agora, porém, o negócio parece caminhar para uma solução racional e coerente. Clubes unidos, representando duas competições e programando a venda coletiva de direitos, tanto de mídia quanto comercial.

O Brasil começa a querer adentrar nos anos 1990, quando a Premier League trouxe o conceito americano de gestão de ligas para o ambiente do futebol. Foram necessários 20 anos para que os ingleses fizessem o seu país voltar a ser o centro da bola.

Apesar de termos muitos anos perdidos, o lado bom é que hoje temos um intercâmbio de ideias e interesse de toda a cadeia do futebol em fazer o Brasil crescer. Tanto que a liga já começa podendo trocar figurinhas com LaLiga, Premier League e Bundesliga sobre modelos de negócios e iniciativas que geraram frutos para as competições.

A pandemia escancarou diversos problemas de nosso futebol, mas uma coisa ela trouxe de positivo: conseguiu gerar um pensamento coletivo como raramente foi visto na história da modalidade no país. A união dos clubes pela liga é um fenômeno raro no futebol brasileiro. E, dessa vez, parece que ela não será quebrada por fatores políticos.

Essa talvez seja a notícia mais promissora para quem é fã de futebol no Brasil atualmente.

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União de clubes por liga é fenômeno raro no futebol brasileiro

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Pacaembu, Concha Acústica e Tobogã. Modernizar não deveria significar acabar com a história

Erich Beting

Começou no Pacaembu nesaa terça-feira (29) o processo de demolição do Tobogã. Para muitos, a queda daquela parte de arquibancada é uma afronta à história do estádio. Fruto da memória afetiva de acompanhar diversas partidas no espaço, o torcedor sente aquela dor no coração ao ver que parte de sua infância e adolescência está sendo colocada abaixo com a ação.

O problema é que, na realidade, o que o consórcio Allegra Pacaembu faz com a demolição é exatamente tentar devolver um pouco da origem do Paulo Machado de Carvalho para o torcedor. Não sou da época da Concha Acústica, mas sempre ouvi meu pai contar com tristeza o que tinha significado, em 1970, eliminar o espaço que fazia do Pacaembu um estádio único no Brasil, em que era possível acompanhar não apenas futebol, mas concertos e apresentações naquele espaço atrás do gol do campo.

Fim de uma era: tobogã do Pacaembu começa a ser demolido; assista

Em 70, a preocupação dos dirigentes era aumentar a capacidade do Pacaembu e dessa forma elevar a receita com bilheteria, já que, com o Morumbi recém-construído, os grandes jogos começavam a migrar para o estádio do São Paulo, aumentando os ganhos do clube tricolor e reduzindo o dos seus dois principais rivais, Corinthians e Palmeiras.

O Tobogã trazia mais gente para o estádio e aumentava os lucros dos times. Em nome da modernidade, acabou-se com a Concha Acústica e assim foi embora o conceito multiúso que o estádio Paulo Machado de Carvalho tinha desde sua concepção.

Agora, em nome de nova modernidade, o Pacaembu vai colocar abaixo o Tobogã. Não para fazer uma concha acústica, mas um prédio que terá seu espaço de eventos numa concepção mais atual. O maior atrativo será uma área de escritórios compartilhados, uma arena para jogos eletrônicos, cafés e restaurantes. É praticamente um shopping center com um nome gourmetizado.

Para um estádio que hoje não tem time para chamar de seu, é muito mais lógico viver de um centro de lazer e trabalho do que de uma arena esportiva. Mas, em nome da modernidade, mais uma vez mudamos um pouco a nossa história e apagamos o nosso passado.

Estimulado por meu pai na infância, sempre tive interesse em saber como seria o Pacaembu com a Concha Acústica. O Novo Pacaembu perdeu a chance de usar a modernidade para relembrar o passado. Por que não redesenhar o projeto original e retomar o costume de ver shows e concertos no estádio?

Na Alemanha, em 2006, o estádio Olímpico de Berlim foi todo modernizado para a Copa do Mundo. Preservou-se, porém, a arquitetura e o conceito inicial do estádio. O alemão sabe, pela dureza das Guerras, que não se pode apagar o passado, mas dar a ele um novo e mais atual significado.

Muito provavelmente terei agora de apenas contar a meus filhos como era legal ir ao Pacaembu com o Tobogã lotado, 'sentar' nas cadeiras atrás do gol e ver um jogo apenas quando ficasse em pé. Infelizmente, o Brasil acostumou-se a, toda vez que se constrói algo novo, apagar a história que existia ali. O moderno não deveria apagar o passado, mas enaltecê-lo.

Tobogã do Pacaembu sendo demolido
Tobogã do Pacaembu sendo demolido Flávio Ortega/ESPN Brasil
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Pacaembu, Concha Acústica e Tobogã. Modernizar não deveria significar acabar com a história

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Vasco, Bahia e a causa LGBTQIA+ no esporte

Erich Beting

O último final de semana foi um divisor de águas no apoio dado pelo principal esporte no Brasil, o futebol, à causa LGBTQIA+. No domingo (27), o Vasco trouxe uma ação sem precedentes no mercado brasileiro, com o time entrando em campo trocando a tradicional faixa preta da sua camisa por uma com as cores do arco-íris.

Na segunda-feira (28), o Bahia anunciou que aquela camisa que colocava as cores do arco-íris no lugar do tradicional tricolor do uniforme do clube finalmente seria lançada, dois anos depois de ter sido “apresentada” ao torcedor como uma sugestão de apoio à diversidade dada pelo time que sempre foi vanguardista nessa história.

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O que Vasco e Bahia vivenciaram nos últimos dois dias mostra uma questão interessante que nos ensina bastante sobre estratégias de posicionamento de marca e de lançamento de produtos. Nem sempre a ação de lançamento de um produto é um fracasso. Às vezes, ela está à frente do seu tempo. Foi o caso do Bahia. Se tivesse lançado a camisa do arco-íris lá em 2019, o clube muito provavelmente teria fracassado e, talvez, desistido de ser tão contundente em abraçar causas sociais.

Felizmente, a persistência do Bahia permitiu, agora, que outros times também decidissem sair do armário. Mas, neste ano, ao entrar em campo com as cores do arco-íris, quem ganhou os holofotes foi o Vasco. Como diz o próprio hino do clube, "Vasco da Gama, tua fama assim se fez".

O que mudou de dois anos para cá? Muita coisa. 

A adesão cada vez maior das marcas em torno do chamado marketing de causa ajuda o consumidor a respeitar e aceitar a diversidade. Não todos, muito menos em quem comenta nas redes sociais. Mas o apoio à causa LGBTQIA+ já se tornou muito maior desde 2019.

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Naquele ano, quando o Bahia apresentou a camisa com o arco-íris nas redes sociais, lembro de ter comentado com Lênin Franco, executivo de marketing do clube, que o Bahia poderia buscar a Doritos para uma parceria e colocar aquela camisa para entrar em campo. A marca da Elma Chips tinha acabado de lançar o Doritos Rainbow e feito ações monumentais em favor da causa LGBTQIA+ durante o Rock In Rio. Era, até então, a única empresa das gigantescas a tão abertamente sair do armário.

Tudo tem um tempo de maturação para acontecer. Neste último final de semana, no futebol, tivemos ótimos exemplos, além desse do Vasco e do usual do Bahia, de que abraçar causas não é somente uma questão de responsabilidade social, mas pode ser uma nova fonte de geração de receitas para o clube.

No dia em que diversos clubes começaram a timidamente a sair do armário e adotar mais a causa da diversidade, o Vasco se juntou ao Bahia na vanguarda deste movimento. É um caminho sem volta. E que ajudará, muito, no empoderamento de minorias e na formação de uma sociedade cada vez mais diversa.


Cano celebra gol do Vasco levantando a bandeira da causa LGBTQIA+
Cano celebra gol do Vasco levantando a bandeira da causa LGBTQIA+ RUDY TRINDADE / FRAMEPHOTO / GAZETA PRES
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Corinthians deveria ser muito maior do que a cor da chuteira de um jogador

Erich Beting

Jô calça chuteiras verdes em empate do Corinthians com o Bahia
Jô calça chuteiras verdes em empate do Corinthians com o Bahia Getty Images

A notícia de que a diretoria do Corinthians decidiu multar o atacante Jô por utilizar uma chuteira de uma cor que remetia ao verde no empate alvinegro com o Bahia é a típica história que parece ter saído diretamente dos anos 90.

Autoritária, inócua e beirando o absurdo, a multa é uma tentativa pífia de se preservar os valores do corintianismo. Muito mais importante do que reclamar da cor da chuteira do jogador, a diretoria do Corinthians deveria estar preocupada com a melhoria na gestão do clube, em dar aos atletas condições boas de trabalho e, mais do que isso, em não permitir que novamente o Timão perca seu rumo com gastos exorbitantes e gestões temerárias como as que afundaram o clube nos últimos anos.

A multa a Jô é a típica ação tomada pela diretoria para “jogar para a torcida”, aproveitando-se do buzz causado nas redes sociais. O que é ainda mais estapafúrdio nessa história toda é o fato de que Jô foi a campo com a chuteira sem ter chamado a atenção de nenhum funcionário do clube. Ou seja, é algo que realmente não importa, mas que depois virou uma estúpida “questão de honra”.

Clube que puxou a fila do grito para a democracia nos anos 80, o Corinthians de hoje tenta resgatar esse passado para se dizer “moderno”, mas ao mesmo tempo toma atitudes completamente contraditórias com o que há de democrático como essa de agora.

Sim, o Corinthians não deve abraçar e amar o verde. Mas tolerar a cor não seria uma atitude condizente com um mundo mais moderno, mais plural, mais democrático, mais acolhedor ao diferente? É inacreditável que, em 2021, estejamos discutindo uma coisa tão banal quanto a repulsa à cor de uma chuteira. O clube que soube criar a história de que vive de Corinthians não deveria ter com o que se preocupar. O Corinthians é, ou pelo menos deveria ser, muito maior do que isso. 

Jô é multado após usar chuteiras verdes em Bahia x Corinthians; VEJA


         
     

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Crise na CBF mostra que política está à frente dos negócios

Erich Beting

A união recente dos clubes para pressionar a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) a aceitar a criação de uma Liga e mudar o estatuto da entidade para dar maior poder aos clubes nas votações é a típica situação que mostra que, no fundo, o que move as entidades esportivas não é o negócio, mas a política.

Os clubes poderiam se unir para exigir da CBF um calendário mais organizado, a proteção das finanças dos times, a adoção de medidas para melhorar a competitividade e equilibrar a geração de receitas, a criação de projetos consistentes para desenvolvimento do futebol de base, diretrizes para ampliar a qualidade dos profissionais que trabalham na indústria, etc.

Presidente do São Paulo explica qual é a ideia da liga que os clubes brasileiros querem organizar; assista

A adoção de uma série de práticas que faça com que os quase R$ 1 bilhão que a CBF arrecada anualmente sejam investidos na melhoria, de fato, do futebol, é o mínimo que poderia se esperar da entidade. E essa exigência precisaria partir dos clubes, parte importante do ecossistema do futebol e que, nos últimos anos, começaram de fato a melhorar um pouco a qualidade dos seus dirigentes.

O problema é que, em vez de olharem para o negócio, os presidentes de clubes estão preocupados com o poder. Sim, todos vão usar a justificativa de que, para melhorar o negócio, é preciso existir uma mudança política primeiro. Isso é meia-verdade.

A criação de uma liga não depende de poder. A lei já dá aos clubes essa possibilidade. O que falta é vontade de fazê-la acontecer. Para os dirigentes do futebol brasileiro, mais importante do que fazer o negócio dos clubes ser melhor é ter o poder para mandar mais.

É a típica lógica que atrapalha, e muito, o desenvolvimento do futebol no Brasil. Quando olhamos para as grandes ligas americanas, cometemos o erro de achar que bastaria para o futebol adotar o mesmo estilo de gestão que o negócio fluiria facilmente. Isso só acontecerá se a vontade econômica conseguir ser maior do que a vontade política.

A sorte dos clubes brasileiros é que, diferentemente da Europa, em que as entidades organizadoras de competições são fortes, por aqui a CBF está em total ebulição. Seria a hora perfeita para a liga nascer. O problema é que a política, mais uma vez, está à frente dos negócios.

Afastamento de Rogério Caboclo colocou mais pressão na panela fervente da CBF
Afastamento de Rogério Caboclo colocou mais pressão na panela fervente da CBF Lucas Figueiredo/CBF
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Crise na CBF mostra que política está à frente dos negócios

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Para o negócio, Liga é movimento muito mais importante que clube-empresa

Erich Beting
Clubes e CBF, agora, brigam pelo Brasileirão
Clubes e CBF, agora, brigam pelo Brasileirão Lucas Figueiredo/CBF

A união inédita dos clubes, pressionando publicamente a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para a criação de uma liga pode não dar em nada. Talvez seja uma ação feita de forma pensa a apenas conceder maior poder político aos clubes em detrimento da força que as federações têm hoje em dia, sem ter a liga como interesse maior de fato.

Mas, para o negócio do futebol, ter hoje uma liga coordenando pelo menos a Série A do Campeonato Brasileiro é algo muito mais importante do que forçar por lei a criação de clube-empresa ou a mudança do detentor do direito de mídia das competições.

O Brasileirão é, hoje, um monstro. Os direitos de mídia são vendidos individualmente pelos clubes. O patrocínio principal do campeonato é negociado pela CBF. A Feng, agência digital, vende patrocínios para a rede social do torneio, que é gerenciada por ela. Já os clubes passaram para a Sportpromotion a venda da publicidade estática no campo de jogo.

No fim, o latifúndio do Brasileirão está loteado em diversos pequenos negócios. O que causa confusão de direitos para quem compra e afasta ações mais consistentes de promoção do campeonato. Assim, a união dos clubes em torno de interesses comuns pode mudar de figura essa relação.

Instabilidade na CBF e maior interação: Pedro Ivo Almeida traz os detalhes do acordo entre clubes para a criação de uma nova Liga


Isso poderia fazer com que, finalmente, houvesse um interesse real em tornar o Campeonato Brasileiro em um produto, algo que, por pior que fosse feito, acontecia quando o Clube dos 13 gerenciava alguns acordos comerciais da competição.

Resta saber se o interesse desse movimento de agora é meramente político ou, de fato, os clubes querem fazer do seu principal campeonato uma mina de geração de receita.

Uma coisa é certa. Para começar a colocar o futebol nos trilhos é muito mais eficiente uma liga que reúna todos os clubes em torno de um bem comum do que apostar em mudanças na lei para criar novas situações que só vão ajudar consultores e advogados, e não os clubes.

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Cristiano Ronaldo e a “rejeição” à Coca-Cola

Erich Beting
Cristiano Ronaldo em entrevista na véspera da estreia de Portugal na Eurocopa
Cristiano Ronaldo em entrevista na véspera da estreia de Portugal na Eurocopa Getty Images
A história começou a circular nas redes sociais, foi notícia em alguns sites portugueses e, logicamente, já roda o mundo. Ao se sentar para a entrevista coletiva da seleção portuguesa na véspera da estreia na Euro, Cristiano Ronaldo fez questão de colocar para o lado, longe do campo de visão de sua imagem, duas garrafas de Coca-Cola estrategicamente posicionadas próximas ao microfone no qual o craque daria suas respostas à imprensa de todo o mundo.

Por trás da atitude de Ronaldo está não apenas um apelo para sermos mais saudáveis e bebermos água, como o próprio CR7 insinuou ao levantar uma outra garrafa e falar “água”, enquanto afastava o refrigerante. O português, que é o jogador de futebol que mais recebe por patrocínios no mundo, claramente não queria ver sua imagem fazendo uma propaganda “gratuita” à Coca-Cola. Tanto que a água que ele mostrou estava sem qualquer rótulo.

As entrevistas coletivas viraram, para os organizadores de eventos como a Euro, a oportunidade de associar as marcas de seus patrocinadores aos principais astros da bola. Para permitir à Coca-Cola estar ao lado do microfone durante a entrevista coletiva de craques como Cristiano Ronaldo, a Uefa quantifica o valor do patrocínio conforme a exposição que haverá das marcas tanto nos painéis ao fundo dos jogadores quanto na frente dele.

Numa era em que atletas e organizadores tornam-se concorrentes pela verba de patrocínio, qualquer movimento deve ser estrategicamente calculado. Muito mais do que rejeitar o refrigerante por defender um alimento mais “saudável”, Cristiano Ronaldo sabe que sua imagem associada à bebida vale alguns milhões de euros que não cairão na sua conta bancária.

A favor do gajo está, também, o fato de que ele não faz propaganda de nenhuma marca de refrigerante. É, claramente, um defensor da saudabilidade, palavrinha tão na moda hoje em dia. Mas sua “rejeição” pública à Coca-Cola tem, também, um imenso motivo comercial.

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Atlético-MG troca dívida por patrocínio. Se a moda pega...

Erich Beting

O Atlético-MG anunciou um acordão com a família Guimarães, dona do banco BMG, para zerar a dívida de mais de R$ 150 milhões que o clube tem com o clã. O negócio é daqueles que nenhum banco aceitaria fazer com qualquer reles mortal.

Imagine você que o banco perdoou todos os juros sobre o dinheiro emprestado, deu um desconto de quase 13% sobre o valor total da dívida no acordo, transformou outros 42% do débito em troca de serviços e, por fim, aceitou receber o restante parcelado em 8 anos, com parcelas menores mensais e maiores anuais.

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O fim da dívida com um de seus maiores credores era um negócio necessário para o Atlético. O curioso é que o clube colocou praticamente 40% do total da dívida numa permuta. Cederá o patrocínio máster da camisa por pelo menos seis anos e meio para o BMG. Ou seja, não vai precisar pagar o banco, mas não terá como arrecadar com seu espaço mais nobre na camisa por um bom período.

No fim das contas, o Atlético fez aquele movimento de risco calculado. Conseguiu estabelecer um bom valor para a cota máster, que dificilmente conseguiria atualmente no mercado, e vai em busca de outras fontes de receita a partir de uma casa mais bem arrumada.

Agora, se a moda pega...

O problema é se a moda pegar. Não são poucos os clubes brasileiros com dívidas milionárias com bancos. Até aí, nenhuma novidade. Mas existe hoje uma mudança grande em curso na relação das instituições financeiras com o cliente. Diversas alterações promovidas pelas fintechs e aceleradas pela pandemia têm obrigado os bancos a serem mais agressivos para conseguirem atrair e reter clientes e, mais ainda, a poder faturar com o dinheiro dos outros.

Nesse cenário, aparecer com a marca no patrocínio máster de um clube de grande expressão é um bom negócio. Com o futebol endividado, a permuta começa a se mostrar uma saída de mestre. O clube ganha um alívio no pagamento de contas. O risco é saber qual a real capacidade de geração de receita que o time tem sem a cota máster do uniforme.

O Atlético, com a inauguração da Arena MRV prevista para, no máximo, 2023, com certeza terá um aumento de receita que ajudará a suprir a entrada da verba do patrocínio máster do futebol masculino. Outros clubes talvez não consigam ter algo que os faça aliviar o peso da conta mensal. E, aí, o que poderia ser solução pode virar um pesadelo. Permuta de patrocínio é a última saída para o futebol equacionar suas dívidas. E não vai funcionar para a maioria deles.

Betano vai deixar o patrocínio máster do Atlético a partir de 2022
Betano vai deixar o patrocínio máster do Atlético a partir de 2022 Getty Images

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Por que as marcas se afastam da Copa América?

Erich Beting

Taça da Copa América
Taça da Copa América Getty Images

A decisão de patrocinadores como Ambev e Mastercard de, literalmente, tirarem seus times de campo nas ações voltadas para a Copa América mostra o tamanho do prejuízo que foi a demora para a tomada de uma decisão da Conmebol de onde realizar o torneio.

De certa forma, o imbróglio envolvendo a troca de sedes, motivado pelo desejo inicial da Conmebol de ter um local que aceitasse público nos estádios e, depois, por um país que aceitasse fazer o torneio sem muitas exigências, acabou sendo decisivo para a fuga dos patrocinadores.

A escolha do Brasil como sede, que há 10 dias parecia ser uma aposta arriscada, porém sem muitas dificuldades, terminou como uma combinação explosiva. Conseguimos misturar, no prazo de uma semana, a politização sobre o apoio da presidência da República em realizar o evento, o uso político da CPI da COVID em cima do tema, a decisão do Ministério Público de fiscalizar as ações dos patrocinadores durante o evento, a entrada do STF para julgar se pode ou não haver competição e, por fim, a implosão de Rogério Caboclo do comando da CBF.

O patrocinador, quase sempre, decide investir num torneio para poder se relacionar com os torcedores. Usa a competição e a “conversa” sobre ela para engajar o fã e, a partir disso, realizar ações de venda. É por isso que, muitas vezes, as marcas decidem entrar em patrocínios aparentemente controversos, mas que trazem bons resultados assim que o evento começa. Copa do Mundo e Jogos Olímpicos mostraram isso para o mercado. Por mais turbulento que fosse o ambiente pré-evento, o durante foi espetacular e valeu cada milhão investido nele.

Agora, porém, a situação é outra. A pandemia e a polarização política tiraram o clima favorável à Copa América. Talvez com uma eventual presença do Brasil na final possamos ter um clamor pelo evento que faça as marcas se arrependerem da atitude tomada. Mas, hoje, praticamente a três dias do pontapé inicial da Copa América, a melhor coisa a se fazer é ficar quieto.

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Copa América é 'tempestade perfeita' para ejetar Caboclo da CBF

Erich Beting
O presidente da CBF, Rogério Caboclo, está cada vez mais isolado
O presidente da CBF, Rogério Caboclo, está cada vez mais isolado Lucas Figueiredo/CBF

A discussão dos jogadores brasileiros de boicotar ou não a Copa América se transformou na tempestade perfeita para a implosão da alta cúpula da CBF. Há quase meio ano que uma guerra de bastidores toma conta da entidade. Nesse período, o presidente Rogério Caboclo foi se isolando cada vez mais no cargo.

Até pouco tempo atrás, essa briga era mais restrita aos presidentes de clubes, externada com o vídeo daquela pavorosa reunião em que Caboclo força os clubes a não pararem o futebol dizendo que todos “estão f...”. Pouco depois, com o caso envolvendo a funcionária do cerimonial da entidade, revelado pela ESPN, a situação deteriorou-se também com os dirigentes e funcionários da CBF.

O que mudou, agora, é que a insatisfação chegou aos jogadores da seleção brasileira. A reunião desastrosa (mais uma) de Caboclo com os atletas, a queda de braço com o técnico Tite e a promessa dos atletas e do treinador de um posicionamento formal na próxima terça-feira indicam que a Copa América vai ser usada como motivo para um ultimato.


         
     

Ambiente muito pesado' e 'jogadores muito insatisfeitos'; Gustavo Hofman faz 'raio-x' de momento da seleção brasileira e CBF

Ao que tudo indica, a pressão será para que as coisas se alterem no comando da entidade ou quem estaria ali para “defender a pátria” vai, literalmente, tirar o time de campo.

A única forma de acalmar os ânimos, ao que tudo indica, seria na segunda-feira o Comitê de Ética da CBF acelerar a queda de Rogério Caboclo. Seria uma mudança histórica para a entidade, que sempre viu seus dirigentes comandarem com mãos fortes o futebol e cartolas e atletas abaixarem a cabeça para as decisões tomadas.

A Copa América, no final das contas, é só um dos ingredientes para temperar um molho que vem sendo cozinhado há meio ano. E não será surpresa alguma na terça-feira de noite ouvirmos os atletas dizerem que vão jogar o torneio, mas apenas se as coisas mudarem dentro da CBF. Resta saber se, dessa vez, realmente teremos um sopro de novidade para o futebol brasileiro ou seguiremos a trocar Ricardos por Marcos e esses por Rogérios, num triste roteiro de centralização de poder e praticamente nenhuma mudança efetiva de investimento no futebol do país.

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O caso Naomi Osaka e o debate sobre o atleta ser uma mídia

Erich Beting

A desistência de Naomi Osaka de disputar Roland Garros após uma queda de braço com a organização do Grand Slam sobre dar entrevistas coletivas após os jogos gerou dois debates distintos em torno do tema. O primeiro, mais claro e direto, é sobre a falta de empatia dos organizadores com o enfrentamento da depressão por parte da atleta.

Roland Garros foi intransigente com Osaka. E pesou demais a mão ao fazer isso. Deveria ter ponderado, negociado e conversado com a atleta, mais do que simplesmente criar uma narrativa de “cumpra-se o contrato”, mesmo que isso só tenha acontecido após conversas infrutíferas com a atleta. Qualquer abuso de autoridade, por mais que contratualmente faça sentido, é malvisto pelo público. É uma regra básica que uma entidade centenária deveria saber.

O segundo ponto da discussão, e esse sim é algo que tem sido cada vez mais recorrente, é sobre o status do atleta nos dias de hoje como uma plataforma de mídia. Hoje, em seus perfis nas redes sociais, Naomi Osaka pode falar com mais gente do que numa entrevista coletiva de Grand Slam. Ou, pelo menos, fala de forma controlada, sem questionamentos impertinentes ou com a possibilidade de apertar o botão “silenciar” quando for conveniente.

Naomi Osaka abandonou Roland Garros após pressão para participar de entrevistas coletivas
Naomi Osaka abandonou Roland Garros após pressão para participar de entrevistas coletivas Getty

Dessa forma, é muito mais cômodo, para qualquer atleta do tamanho de Naomi Osaka, esquivar-se das entrevistas coletivas e usar apenas seus canais oficiais para falar com o fã. Qualquer semelhança com Donald Trump e Jair Bolsonaro não é mera coincidência. As perguntas que precisam ser feitas pela mídia, para lembrar a todos que temos obrigações, quase nunca partem dos fãs e, muito menos, podem ser ignoradas durante uma entrevista coletiva.

Sim, com certeza não se pode desprezar a depressão enfrentada por Naomi Osaka. Mas o que está em discussão é algo que vai, hoje, além disso. Qualquer um pode ser uma mídia. Só que isso gera enormes desafios para a forma como se comunicar com o público. A vida é feita de questionamentos e de enfrentamentos. Não podemos simplesmente “bloquear” quem pensa diferente ou quem nos traz questionamentos desfavoráveis.

Naomi Osaka se recusar a dar entrevistas coletivas por conta de uma depressão é justo, mas ela deveria, então, ponderar se o problema de saúde que ela atravessa não a impediria, também, não só de falar com a imprensa, mas de se expor publicamente durante partidas de tênis. Hoje ela tem uma posição que a permite tirar um “sabático” para cuidar melhor da saúde. E, dada a situação delicada que é a depressão, com certeza terá apoio de patrocinadores e da própria WTA para isso.

Roland Garros poderia usar o caso Osaka como ponto de partida para uma tremenda discussão sobre o papel das mídias sociais no afastamento de princípios de vida em sociedade. Trazer Osaka e jornalistas para um debate maior, de nosso papel coletivo e dos exemplos que devem ser dados por quem está “na mídia”.

O atleta hoje é a própria mídia. Mas ele precisa ainda do jornalismo tradicional para impulsioná-lo a ser cada vez mais uma poderosa mídia. Em vez de queda de braço, o que precisa acontecer é os dois lados estenderem as mãos para fazerem, juntos, produtos melhores para o fã e, claro, para os patrocinadores, a mídia e os atletas.

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