O que resta para Albert Pujols, um dos maiores da história do beisebol | Semana MLB

Ubiratan Leal


“A Máquina.” Albert Pujols não recebeu esse apelido à toa. Ele era uma máquina. Uma máquina de rebater, de todas as maneiras. Durante os dez primeiros anos de sua carreira (toda a década de 2000), teve mais de 30% de aproveitamento, mais de 40% em base, mais de 30 home runs e mais de 100 corridas impulsionadas em todas as temporadas. Neste período, foi uma vez estreante do ano, três vezes MVP da liga e quatro vezes segundo colocado na eleição de MVP. Não à toa, o Los Angeles Angels ofereceram ao dominicano um contrato de dez anos e US$ 240 milhões.

Avançando uma década, temos um Pujols em seu último ano de contrato. Ele teve algumas boas temporadas em Los Angeles, chegou a ter votos para MVP em 2012 e 14 e foi selecionado uma vez ao All-Star Game. Mas o primeira base mostrou sentir o avanço da idade e a falta de um time competitivo a seu redor (com exceção de Mike Trout, claro) não contribuiu para mudar a percepção de que ele não seria capaz de capitanear os Angels na busca de seu segundo título. Até que, nesta quinta, a franquia anunciou a dispensa do craque.

Pujols rebate home run contra os Red Sox
Pujols rebate home run contra os Red Sox Getty

A medida dói, até porque soa desrespeitosa com um dos melhores jogadores da história. Pujols é o quinto maior rebatedor de home runs da história e o 14º em rebatidas (é o primeiro entre jogadores em atividade nos dois quesitos), vai para o Hall da Fama assim que for elegível. No entanto, ele teve menos de 25% de aproveitamento nos últimos cinco anos. Em 2021, estava com 19,8%. Para uma equipe que tem um bom rebatedor designado (Shohei Ohtani) e um bom primeira base (Jared Walsh) e pretende brigar por vaga em playoff, um jogador com o desempenho do Pujols atual é uma vulnerabilidade. Ele até teria espaço como um reserva que pode entrar para rebater em alguns momentos, mas o dominicano deixou bem claro que não aceitaria esse papel. Então, o rompimento faz sentido técnico para ambos os lados. 

A questão agora é: Pujols vai ter espaço como titular em alguma outra equipe? Pelo desempenho defensivo mais fraco, ele seria mais adequado como rebatedor designado. Ainda assim, seria um rebatedor designado com desempenho fraco, talvez torcendo para melhorar suas estatísticas na medida em que tivesse mais ritmo de jogo. Na Liga Nacional, a brecha é ainda menor, porque ele seria obrigado a jogar na defesa (está longe de ser seu forte nos últimos tempos). 

Desse modo, sobram dois caminhos mais prováveis ao craque dominicano: ou aceita se tornar um reserva que entre pontualmente para rebater contra arremessadores canhotos, ou então entende que só teria sequência de jogos em uma equipe de poucas perspectivas de classificação, que poderiam se dar ao luxo de ter um rebatedor de números baixos, mas que daria retorno pelo peso histórico e, se pegar ritmo, talvez até acrescentasse alguma coisa ao time.

Personagem

Já que o tema são alguns dos maiores jogadores da história, Willie Mays completou 90 anos na última quinta. Por revolucionar o beisebol e por ser a primeira superestrela das grandes ligas americanas, Babe Ruth é normalmente lembrado como o maior jogador da história da MLB. Mas, para muita gente, Mays foi o melhor jogador. O mais completo tecnicamente. Em 23 temporadas, conquistou duas vezes o prêmio de MVP, participou de 24 All-Star Games (em alguns anos, havia dois), foi quatro vezes o líder em home runs, quatro vezes o líder em bases roubadas e cinco vezes em slugging. Defendeu os Giants por 21 anos (seis em Nova York e o restante em São Francisco) e o New York Mets nas duas últimas temporadas na carreira. Ainda foi o autor da que é considerada a maior defesa da história. 

Vídeo da semana

O Chicago Cubs tinha o jogo sob controle. Vencia o Los Angeles Dodgers por 7 a 0, até que Keibert Ruiz rebateu o home run de honra para o time californiano. A bolinha fica com um garotinho. Bom souvenir para voltar para casa? Não, o pai ensinou como a torcida dos Cubs trata a bolinha de home runs do time adversário. Formação de caráter. Confira.

O que vem por aí

Matt Harvey apareceu como a futura cara do New York Mets. Em suas três primeiras temporadas, teve ERA abaixo de 3 e pintava como o grande líder de uma jovem rotação espetacular que surgia na franquia. O título da Liga Nacional em 2015 seria apenas o início de uma fase vitoriosa da equipe nova-iorquina. Até que o arremessador, que chegou a ser apelidado de “Cavaleiro das Trevas” pela torcida, sofreu uma série de graves lesões, seu desempenho nunca mais foi o mesmo e acabou perdendo espaço. Em 2018, foi para o Cincinnati Reds como aposta. Para a atual temporada, Harvey acertou com o Baltimore Orioles e está escalado como o abridor da partida da próxima quarta (dia 12) contra os Mets em Nova York. Será a primeira vez que enfrenta sua ex-equipe, e é bem possível que a torcida nova-iorquina faça algum tipo de celebração ao reencontro.

E, no próximo Sunday Night...

No momento em que esse texto é escrito, o Philadelphia Phillies é o líder da Liga Nacional Leste, com o Atlanta Braves em terceiro lugar. Quando os dois se enfrentarem no Sunday Night Baseball, é possível que a posição esteja invertida. Ou que o líder sejam os Mets. Talvez até o Miami Marlins, com o Washington Nationals acompanhando. Sim, a divisão está nesse nível de equilíbrio. A diferença entre líder (Phillies) e lanterna (Nats) é de 2,5 jogos, menos que uma série. Por isso, o confronto entre Braves e Phillies (como praticamente qualquer confronto direto dentro dessa chave) já ganha contornos de jogo que pode fazer diferença enorme na definição de quem vai aos playoffs. Os abridores serão Aaron Nola e Huascar Ynoa.

#MLBnaESPN #MLBFoxSports na semana

Sexta, 7/mai
20h - Washington Nationals x New York Yankees (ESPN 2)*

Domingo, 9/mai
20h - Philadelphia Phillies x Atlanta Braves (ESPN)

Segunda, 10/mai
21h - Los Angeles Angels x Houston Astros (Fox Sports)

Terça, 11/mai
20h - New York Yankees x Tampa Bay Rays (ESPN)

Quarta, 12/mai
20h30 - St. Louis Cardinals x Milwaukee Brewers (ESPN App)

Sexta, 14/mai
20h - Los Angeles Angels x Boston Red Sox (ESPN 2)

Obs.: Grade sujeita a alteração

* Partida sujeita a mudança de canal ou para o ESPN App por conflito de grade com etapa do Mundial de Surfe

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Jogadores do draft 2021 da NFL com passado no beisebol | Semana MLB

Ubiratan Leal

O Semana MLB é um post em forma de newsletter sobre os principais temas (e a programação de TV) da MLB. Toda sexta uma nova edição

Tom Brady, John Elway, Patrick Mahomes, Dan Marino, Marshall Faulk, Russell Wilson, Golden Tate, Steve McNair, Ricky Williams, Joe Theisman, Jameis Winston, Archie Manning, Kyler Murray, Daunte Culpepper, Matt Cassel, Colin Kaepernick e até Johnny Manziel. Todos esses jogadores têm algo em comum, além de terem se tornado famosos por jogar futebol americano. Todos foram draftado pela Major League Baseball antes de chegarem à NFL.

Não é preciso se inscrever para o Draft da MLB. Os clubes se reúnem e vão selecionando os jogadores universitários ou de ensino médio considerarem mais promissores, sem ter certeza se o jovem está pretende seguir carreira no beisebol. Claro, as equipes pesquisam para ter alguma ideia da pretensão de cada um, mas há uma margem de erro. Assim, vários garotos que mostraram talento arremessando ou rebatendo em um diamante não aceitam o convite do draft, e preferem seguir a vida. E às vezes essa sequência da vida inclui jogar futebol americano.

Não foi diferente no draft 2021 da NFL, ainda que nenhuma das principais promessas do futebol americano deste ano tivesse tanta ligação com o beisebol. No primeiro dia do recrutamento do futebol americano, apenas o quarterback Justin Fields tem histórico consistente no beisebol.

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Fields, escolhido pelo Chicago Bears na 11ª posição geral, atuava como segunda base e shortstop no ensino médio e chegou a participar do Perfect Game National Showcase, torneio que reúne os principais talentos do high school em todos os Estados Unidos. Fields até pensou em atuar nas duas modalidades quando foi para a universidade Ohio State, mas preferiu ficar apenas com a bola oval.

Mas é provável que o novo quarterback dos Bears não fique sozinho nessa lista. Entre os jogadores cotados a serem chamados nas rodadas seguintes, outros quatro têm ligação com o beisebol.

Feleipe Franks, quarterback de Arkansas, chegou a ser selecionado no draft da MLB em 2019. Ele nem jogou no beisebol universitário, mas fez uma sessão de bullpen e impressionou os olheiros do Boston Red Sox, que resolveram apostar no garoto.

Alim McNeil, defensive tackle, chegou a fechar para jogar dois esportes na NC State. Acabou apenas com o futebol americano, o que tirou da equipe de beisebol dos Wolfpacks um defensor externo que rebatia com potência.

Zach McPhearson, cornerback de Georgia Tech, chegou a ser apontado como o oitavo jogador mais promissor do estado de Maryland quando jogava como defensor externo no beisebol escolar (ensino médio). Ele poderia seguir os passos do irmão, Matt, que foi draftado pelo Arizona Diamondbacks e jogou alguns anos nas ligas menores. Mas preferiu a bola oval.

O último caso é o de Ben Cleveland, que teve incríveis 51,2% de aproveitamento no bastão como primeira base no time de sua escola no ensino médio. No entanto, se comprometeu apenas com a linha ofensiva quando foi para a Universidade da Geórgia, deixando o beisebol para trás.

Personagem

Jacob deGrom é a prova de como “vitórias” e “derrotas” devem ser relativizadas ao máximo quando encaradas como estatísticas para arremessadores (mesma discussão que ocorre no futebol americano com quarterbacks). O ás do New York Mets tem uma temporada assombrosa, com ERA de 0,51 (abaixo de 3 já é considerado ótimo) após cinco jogos. Para se ter uma ideia, ele cedeu duas corridas no montinho, mas tem duas corridas impulsionadas e três anotadas como rebatedor. Ainda assim, está com duas vitórias e duas derrotas em 2021. Sua última partida ocorreu nesta quarta, quando ele arremessou seis entradas e cedeu apenas uma corrida contra o Boston Red Sox. Placar do jogo: 1 a o, e mais uma derrota de DeGrom.

Vídeo da semana

Génesis Cabrera, do St. Louis Cardinals, manda uma bola rápida de 97 milhas/hora (156 km/h) direto na cara de Bryce Harper, do Washington Nationals. Claro, Harper deixa o jogo para ser atendido, mas incrivelmente não sofreu nenhuma lesão. Veja aqui.

O que vem por aí

Os confrontos entre Houston Astros e New York Yankees se tornaram programa imperdível para quem gosta de beisebol com intensidade. Duas das principais forças da MLB nos últimos anos, se encontraram duas vezes na final da Liga Americana (em 2017 e 19). Pois a série desta semana -- a ESPN transmite o jogo da terça, veja abaixo -- tem um ótimo duelo de arremessadores na quinta. Lance McCullers, que destruiu o ataque dos Yankees com uma sequência de bolas de curva nos playoffs de 2017, encontra Gerrit Cole, um dos melhores do mundo na atualidade e que estará jogando contra sua antiga equipe pela primeira vez.

Phillie Phanatic exibe tênis exclusivo ao lado de Bryce Harper
Phillie Phanatic exibe tênis exclusivo ao lado de Bryce Harper Getty Images

E, no próximo Sunday Night...

Quando se fala nas maiores rivalidades da MLB, logo se pensa em Yankees x Red Sox, Los Angeles Dodgers x San Francisco Giants e Chicago Cubs x St. Louis Cardinals. Pois uma forte candidata à quarta posição da lista é New York Mets x Philadelphia Phillies, equipes que fazem uma série acirrada neste fim de semana. As duas equipes dividem com o Atlanta Braves a liderança da Liga Nacional Leste, uma divisão em que o lanterna está apenas um jogo atrás do trio de ponteiros. No jogo do domingo à noite, David Peterson abrirá o jogo pelo time nova-iorquino, enquanto que os Phillies terão Zach Eflin. 

#MLBnaESPN #MLBFoxSports na semana

Sexta, 30/abr
20h - Houston Astros x Tampa Bay Rays (ESPN App)

Domingo, 2/mai
20h - New York Mets x Philadelphia Phillies (ESPN)

Segunda, 3/mai
22h30 - Tampa Bay Rays x Los Angeles Angels (Fox Sports)

Terça, 4/mai
20h - Houston Astros x New York Yankees (ESPN 2)*

Quarta, 5/mai
20h30 - Los Angeles Dodgers x Chicago Cubs (ESPN 2)*

Sexta, 7/mai
20h - Washington Nationals x New York Yankees (ESPN 2)*

Obs.: Grade sujeita a alteração

* Partidas que podem ir para o ESPN App por eventual conflito de grade com etapa do Mundial de Surfe

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Jogadores do draft 2021 da NFL com passado no beisebol | Semana MLB

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Sobre José Mourinho, Jorge Jesus, Abel Ferreira e filosofias de trabalho

Ubiratan Leal


Poucos profissionais do futebol conhecem Jorge Jesus como Rúben Amorim. O atual técnico do Sporting trabalhou como jogador de JJ por sete temporadas, duas com o Belenenses e cinco com o Benfica. Quando Amorim fez a transição entre a chuteira e a prancheta, era natural que ele tivesse seu antigo comandante como referência. Mas não foi bem assim.

Em 2019, Amorim deu uma entrevista ao jornal Tribuna Expresso. Na época, o técnico ainda comandava o Braga e começava a aparecer no cenário português. Ele reconheceu a importância de Jorge Jesus sobre o treinador que ele estava se tornando (“Trabalhar com ele dá uma bagagem muito grande taticamente falando, e dentro de campo usa isso a toda a hora. (...) Se me perguntar qual o treinador que mais me influenciou, foi ele”), mas deixou claro que a referência era José Mourinho. 

Jorge Jesus durante Flamengo x Fluminense, pela final do Carioca de 2020
Jorge Jesus durante Flamengo x Fluminense, pela final do Carioca de 2020 Gazeta Press

Isso poderia levantar um debate sobre preferência por futebol mais ofensivo ou defensivo, mas seria apenas consequência. A questão principal seria metodologia.

“Gosto de ver (...) o United, porque o Mourinho é a minha referência [Mourinho comandava o Manchester United na época da entrevista]. Há treinadores que têm uma forma de ver o jogo que eu gosto, como o Guardiola, mas, para mim, a referência é o Mourinho. Vejo a bola de forma mais parecida com o mister Mourinho, ou seja, analisa muito bem os adversários e mete a sua equipe, não só com um determinado modelo de jogo, mas a pensar muito como é que se adapta para ganhar. E eu sou um bocado assim.” 

Veja que ele não fala necessariamente em estilo de jogo, ele fala em filosofia de trabalho. Ele contrapõe o treinador de times que impõem seu jogo sobre o adversário com o que molda sua equipe jogo a jogo. Ainda que os resultados recentes de Mourinho sejam fracos (desde a entrevista, ele já foi demitido de Manchester United e Tottenham), é essa característica que fascina Amorim. Tanto que, se a questão fosse beleza do jogo, o atual treinador do Sporting reconhece que o outro caminho costuma trazer melhores resultados.

“Claro que o Guardiola que também se adapta, mas nem tanto. A bola é para sair pelo goleiro e vai sempre pelo goleiro. Gostaria de ser assim, porque são os que têm melhor reputação no mundo do futebol, são aqueles caras do futebol bonito. Mas eu me identifico mais com o outro lado, mais a pensar como é que vou bater o adversário e como é que vou tentar que ele não faça gols.”

Jorge Jesus está mais do lado de Guardiola. Não por adotarem o mesmo sistema tático (não adotam) ou por terem o mesmo nível (não têm), mas por essa ideia: adaptações existem de um jogo a outro, mas sempre dentro de seu sistema de jogo. Até por isso seu atual trabalho no Benfica ainda não decolou, pois a formação ideal, capaz de se impor, demorou a chegar. Se é que ela já chegou. Mas, quando JJ encontrou esse time ideal, foi bonito de ver. O torcedor do Flamengo sabe muito bem disso.

Abel Ferreira no comando do Palmeiras
Abel Ferreira no comando do Palmeiras Cesar Greco / Palmeiras

Quando deu uma rodada de entrevistas durante as semanas de folga que tirou em Portugal no início desta temporada, Abel Ferreira também afirmou ter Mourinho como referência, não Jorge Jesus. O treinador do Palmeiras não disse textualmente que teria os mesmos motivos de Amorim, mas deixou evidente em vários momentos como se encanta pela ideia de adaptar seu time para encurralar cada adversário. Descreveu momentos em que fez isso (como nos 4 a 0 sobre o Corinthians), e também em que fizeram isso com ele (na derrota por 2 a 0 para o River Plate). Isso não dá ao Palmeiras uma cara única, mas talvez por isso ele explore tanto as opções do elenco e tenha deixado o time tão competitivo.

Claro, como dois técnicos portugueses com sucesso recente no Brasil, comparações entre Jorge Jesus e Abel Ferreira naturalmente surgiriam. A declaração de Abel, de se espelhar mais em Mourinho que em JJ, acabou acirrando isso. Ainda mais sob a ótica da beleza do futebol praticado pelos times de cada um. Mas talvez a questão principal não seja a estética do jogo. Ela seria apenas resultado das preferências em filosofia de trabalho.

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O que está dando errado com o ataque dos Yankees | Semana MLB

Ubiratan Leal
ESPN

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Bombers, os Bombardeiros. Um dos apelidos criados para o New York Yankees faz referência direta ao estilo de jogo tradicional da equipe: bombas, muitas bombas. Por mais que o time nova-iorquino tenha contado com arremessadores excepcionais ao longo de sua história, a fama foi construída a partir dos grandes rebatedores de força que usaram o boné mais famoso do mundo. Babe Ruth é a referência imediata, mas Lou Gehrig, Mickey Mantle, Joe DiMaggio, Yogi Berra e Alex Rodríguez, entre outros, ajudaram a construir essa história.

Por isso é tão esquisito olhar a campanha dos Yankees após três semanas de temporada 2021. O ataque está anêmico, sofrendo para colocar a bola em jogo, mais ainda para fazê-la sobrevoar o campo e cair na arquibancada. Não à toa, o time chegou nesta sexta com a terceira pior campanha da Liga Americana e a quarta pior de toda a MLB. O que acontece?

Giancarlo Stanton em sua apresentação nos Yankees
Giancarlo Stanton em sua apresentação nos Yankees Alex Trautwig/MLB Photos via Getty Image

O elenco atual dos Yankees foi montado para atacar com a força. Aaron Judge, Giancarlo Stanton, Gary Sánchez, Luke Voit e Gleyber Torres são jogadores que devem garantir ao menos 30 home runs cada em uma temporada completa. Apenas DJ LeMahieu, Gio Urshela e Clint Frazier seriam rebatedores de aproveitamento alto. Assim, a equipe depende muito de seus principais rebatedores de força estarem mandando a bola para fora do campo. E a maioria acabou tendo problema ao mesmo tempo: Voit está contundido e ainda não estreou na temporada, Torres, Sánchez e Stanton vivem fase terrível. Só Judge tem sido uma presença constante.

Sem os home runs, o ataque dependeria de rebatidas mais curtas. E aí faltam jogadores com essa característica. LeMahieu faz um bom ano, mas Urshela está um degrau abaixo dos anos anteriores e Frazier começou mal o ano. Desse modo, os Yankees são antepenúltimos da Liga Americana em home runs e em aproveitamento. Resultado: segundo pior ataque da liga.

Por mais que a torcida e a imprensa de Nova York já falem em tragédia e peçam a demissão do técnico Aaron Boone, é provável que alguns dos rebatedores acabem encontrando ao menos parte de seu jogo ao longo da temporada. Além disso, é possível que a diretoria trabalhe para contratar algum rebatedor de aproveitamento alto para dar mais variação de jogo a esse ataque. Há margem de sobra para os Yankees se recuperarem e chegarem aos playoffs. Mas não dá para ignorar esse susto inicial.

Personagem

Foi divulgado o trailer da terceira temporada de “Call of Duty: Warzone”. O vídeo conta com a participação de diversas figuras conhecidas, como os rappers Young Thug, Saweetie e Jack Harlow, além do meia Jack Grealish (Aston Villa), o armador Dennis Schroeder (Los Angeles Lakers) e… Mookie Betts. O defensor externo do Los Angeles Dodgers aparece na cena final, rebatendo uma granada. Pode parecer algo pequeno, mas o beisebol precisa entrar nesse universo, vendendo suas estrelas como figuras icônicas e capazes de façanhas atléticas incríveis. Confira o vídeo abaixo:


O que vem por aí

Semana pesada para os Dodgers. Depois de enfrentar os Padres em uma série de quatro jogos que promete ser desgastante, o atual campeão recebe o Cincinnati Reds, uma das boas surpresas da temporada. Os Vermelhos têm o melhor ataque da MLB nesse começo de temporada, com 111 corridas anotadas e 31 home runs em 19 jogos. Um desafio interessante para o ótimo trio de abridores escalados para o Los Angeles na série, Julio Urías, Walker Buehler e Clayton Kershaw.

E, no próximo Sunday Night Baseball...

A série entre San Diego Padres e Los Angeles Dodgers no último fim de semana foi espetacular. Um jogo de 12 entradas, um decidido por uma defesa espetacular evitando o empate na nona entrada e outro com virada na oitava entrada. A MLB chegou a chamar o duelo de “a melhor série de temporada regular da história”. Talvez seja exagero, porque era a segunda semana da temporada e o impacto no campeonato será diluído ao longo dos meses, mas o nível técnico e de emoção foram altíssimos. E é o que se espera de mais uma série, iniciada nesta quinta em Los Angeles e que será encerrada no Sunday Night Baseball. No montinho, Joe Musgrove, dono de um no-hitter nesta temporada, e o explosivo Dustin May. Se o jogo for apenas 50% do que foram os anteriores, já será uma partidaça.

#MLBnaESPN #MLBFoxSports na semana

Sexta, 23/abr
21h - Los Angeles Angels x Houston Astros (Fox Sports)

Domingo, 25/abr
20h - San Diego Padres x Los Angeles Dodgers (ESPN)

Segunda, 26/abr
20h - Chicago Cubs x Atlanta Braves (ESPN)

Terça, 27/abr
20h - Boston Red Sox x New York Mets (ESPN 2)

Quarta, 28/abr
19h30 - Boston Red Sox x New York Mets (ESPN 2)

Sexta, 30/abr
20h - Houston Astros x Tampa Bay Rays (ESPN App)

Obs.: Grade sujeita a alteração

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Por que os EUA usam 'liga fechada' e como não dá para comparar com Superliga europeia

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Marlins Park MLB 26/09/2015
Marlins Park MLB 26/09/2015 Rob Foldy/Getty Images

Um campeonato disputado sempre pelos mesmos times, todos com muita força econômica e apelo de público. Não há promoção ou rebaixamento, tampouco critérios esportivos para a entrada de novos integrantes nesse clube fechado, mas há a garantia de que o torneio sempre terá os times com maior potencial de retorno financeiro. É a base da Superliga anunciada por alguns dos maiores clubes da Europa neste domingo. E também é o modelo no qual se desenharam as principais ligas dos Estados Unidos. Por isso, muitos já fizeram a comparação imediata.

A relação não é despropositada, até porque os investidores norte-americanos de clubes como Manchester United, Liverpool e Arsenal também trabalham com esporte nos Estados Unidos e conhecem bem os benefícios de “ligas fechadas”. No entanto, é preciso entender contextos, e esses dois universos -- futebol europeu e esportes americanos -- divergem bastante nesse aspecto.

A primeira liga profissional a surgir nos Estados Unidos foi a NAPBBP (National Association of Professional Base Ball Players), em 1871. Era uma bagunça. O modelo econômico do esporte ainda não estava consolidado e o campeonato reunia clubes com comprometimento muito diferente com a competição. Alguns, os mais fortes, conseguiam atrair torcedores, vender ingressos e, com isso, bancar os salários dos atletas. Os que pertenciam a empresários engajados na ideia de criar uma indústria em torno do esporte também se bancavam esperando o retorno lá na frente. Mas havia muitos aventureiros no meio, que preferiam abandonar o torneio no meio da temporada para ganhar dinheiro em cachês para disputar amistosos pelo interior.

Era impossível uma liga esportiva vingar como negócio dessa forma. Ainda mais em um país com distâncias enormes como os Estados Unidos (o que não ocorre nos países europeus). Ficou evidente que um campeonato forte precisaria que todos os times fossem minimamente sustentáveis para ficar em pé.

Desse modo, o dono do Chicago chamou os colegas de outros clubes para criar uma nova liga, com novo modelo. Quem quisesse participar teria de garantir o respeito ao regulamento e a permanência por toda a temporada. Por isso, priorizaram equipes de grandes cidades, com mais potencial de mercado, mas evitando times da mesma cidade para que não houvesse concorrência interna.

Foi desse modo que surgiu a Liga Nacional (hoje uma das metades da MLB) em 1876. Sim, século 19, da época em que o Brasil era um império com Dom Pedro II no comando. De seus integrantes originais, sobreviveram o Chicago Cubs e o Atlanta Braves. 

As demais ligas norte-americanas que surgiram depois seguiram esse modelo. Lista fechada de integrantes, com controle de finanças forte para que todas as equipes tenham capacidade de competir e de prosperar economicamente. Quando há expansão, procura-se buscar regiões ainda pouco atendidas pela liga, justamente para levar as partidas para o máximo possível de regiões dos Estados Unidos -- e, eventualmente, do Canadá. As cidades menores ficam fora desse sistema, mas quase todas acabam tendo um time universitário por perto, lembrando que as competições universitárias de futebol americano e basquete são mais antigas e enraizadas que as profissionais.

Barcelona e Real Madrid estão entre os fundadores da Superliga europeia
Barcelona e Real Madrid estão entre os fundadores da Superliga europeia Getty Images

É aí que o modelo norte-americano se distancia brutalmente da Superliga europeia de futebol. O modelo de liga fechada surgiu para garantir a própria existência da competição, mas veio casado com mecanismos que assegurem distribuição de recursos, equilíbrio técnico e até uma certa “democracia geográfica” (na falta de um termo melhor). 

Das ligas americanas, a Superliga europeia tem apenas o fato de buscar um formato de membros fechados. A democracia geográfica é nula, com 12 times fundadores representando apenas três países (Espanha, Inglaterra e Itália) e sete cidades (Barcelona, Liverpool, Londres, Madri, Manchester, Milão e Turim). A busca por equilíbrio técnico também não parece ser a tônica, ou alguém acha que alguns dos fundadores se sujeitarão a um teto salarial que limite sua capacidade de contratar craques? Ou que os oito times não-fundadores que entrassem no torneio teriam a mesma cota de TV e ainda a preferência na contratação de jovens (equivalente ao draft)?

Da forma como ela se propõe, a Superliga não apenas dá a seus integrantes o monopólio da possibilidade de se dizer “campeão europeu”, como ainda seria completamente predatória com “o resto”, uma vez que seus clubes querem continuar jogando suas ligas nacionais. Ultrabombados com os bilhões que receberiam pela Superliga, obviamente teriam elencos muito mais poderosos do que qualquer outro em seus países e relegariam ainda mais seus vizinhos. Clubes centenários, muitos com enorme torcida.

Mal comparando, seria como se algumas universidades, que já são dominantes nas competições da NCAA, se fundissem com times da NFL ou da NBA para criar equipes aproveitassem ao máximo os dólares movimentados nesses dois níveis de basquete ou futebol americano (impossível acontecer, só hipótese). Usariam os bilhões do profissional e teriam equipes surreais para o padrão universitário, dominando os torneios da NCAA e destruindo as equipes das demais universidades.

Isso já acontece hoje devido à força econômica da atual Champions League, mas se tornaria ainda mais radical. Até porque o Leicester, o Sevilla ou a Atalanta até podem fazer uma boa temporada, arrecadar alguns milhões de euros a mais jogando um torneio continental e ir gradualmente ganhando terreno. Não conquistarão a Champions, mas podem se meter entre os grandões por um tempo e até levantar um campeonato ou copa nacional pelo caminho. Pela proposta da maioria dos gigantes europeus, nem essa possibilidade haveria mais.

O sistema americano tem problemas e muitos deles merecem ser contestados. Mas a adoção de liga fechada se deu dentro de um contexto muito particular, com vários mecanismos para garantir não apenas a sustentabilidade econômica de todos, mas também para criar equilíbrio e levar a competição para todas as regiões do país. Tudo o que a Superliga europeia não propõe.

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A melhor atuação do ano, de um jogador que por pouco não foi dispensado | Semana MLB

Ubiratan Leal

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Carlos Rodón talvez nem devesse estar mais na MLB. O arremessador teve lesões sérias todos os anos desde 2016. Não à toa, desde então nunca conseguiu uma temporada com mais de 20 partidas e colocar seu ERA abaixo de 4. Um cenário que ficou ainda pior em 2019 e 2020, com cirurgia Tommy John e lesão no ombro que o limitaram a menos de dez partidas na soma dos dois anos. E com ERA de 5,19 e terríveis 8,22. Sua bola rápida, que já teve velocidade média de 93 milhas/hora, tinha caído para 91.

Com contrato que termina justamente em 2021, com valor de apenas US$ 3 milhões (pouco para uma franquia da MLB), era possível que o Chicago White Sox simplesmente o dispensasse. Afinal, o time enfim tem condições de brigar pelo título e não valeria a pena ocupar uma vaga no elenco com um jogador cujo desempenho só cai. Na época de reconstrução dá para sustentar, mas não quando se tem ambições. Mas os Meias Brancas acreditaram em Rodón.

O arremessador recebeu a informação de que ainda interessava. A comissão técnica via potencial no jogador, bastaria realizar ajustes para a velocidade dos arremessos voltar e para reduzir as lesões. Durante a intertemporada, Rodón trabalhou muito para tornar a mecânica de seu arremesso mais fluida da cintura para baixo, tornando o arremesso mais natural ao corpo e transferindo melhor a energia que vai ao arremesso.

Carlos Rodón, arremessador do Chicago White Sox
Carlos Rodón, arremessador do Chicago White Sox Getty Images

O resultado disso foi uma atuação quase artística de Rodón na última quarta. O arremessador dominou o ataque do Cleveland Indians, conseguindo eliminação atrás de eliminação. A bola rápida chegou a 99 milhas/hora, mas a capacidade de variar e localizar bem os arremessos impressionaram mais que a velocidade em si. Foram 25 eliminações seguidas. Faltavam duas para um jogo perfeito.

Até que um slider fez efeito demais e acertou a ponta do pé de Roberto Pérez. O jogo perfeito foi embora ali, mas Rodón conseguiu as duas eliminações seguintes para fechar um no-hitter. Uma atuação tecnicamente magnífica. De um jogador que ainda acreditava que tinha algo a dar ao beisebol. Jogando por um time que também acreditou nisso.

Personagem

A semana do Chicago White Sox ficará marcada pelo jogo quase perfeito de Carlos Rodón, mas o rebatedor designado Yermín Mercedes também merece seu espaço. O dominicano tinha ido apenas uma vez ao bastão em sua carreira antes do início desta temporada. Mas teve a chance de ser titular no primeiro jogo do ano: conseguiu cinco rebatidas em cinco oportunidades. E ele pegou o embalo. Após duas semanas de temporada, ele lidera a liga com 47,6% de aproveitamento, três home runs (incluindo o mais longo da temporada, com 485 pés, e outro na mesma partida do no-hitter de Rodón). Os White Sox já estão vendendo camisas com o Yermínator.

O que vem por aí

Desde os playoffs do ano passado que a rivalidade entre Los Angeles Dodgers e San Diego Padres virou um dos grandes assuntos da MLB. A expectativa por esse encontro em 2021 ficou ainda maior depois de os Padres contratarem Blake Snell e Yu Darvish. Pois teremos, a partir desta sexta (16) em San Diego, a primeira série entre os dois favoritos ao título da Liga Nacional. E com direito a duelos espetaculares no montinho, como Clayton Kershaw x Yu Darvish no sábado e Trevor Bauer x Blake Snell no domingo. E fica de olho porque, na outra semana, é a vez de os Dodgers receberem esse confronto.

E, no próximo Sunday Night...

Um duelo entre a explosão e a contenção. O Atlanta Braves tem um dos melhores ataques da MLB e conta com Ronald Acuña Jr., líder de home runs (7) e talvez o melhor jogador de toda a liga nessas primeiras semanas de temporada. Do outro, o Chicago Cubs com o segundo pior ataque do campeonato, mas que tem em Kyle Hendricks um arremessador capaz de entregar uma abertura de qualidade (6 ou mais entradas arremessadas, três corridas ou menos cedidas) atrás da outra. Contra os Braves, Hendricks tem 2,66 de ERA na carreira. Contra os Cubs, Acuña Jr tem 41,7% de percentual em base.

#MLBnaESPN #MLBFoxSports na semana

Sexta, 16/abr
20h - Tampa Bay Rays x New York Yankees (ESPN 2)*

Domingo, 18/abr
20h - Atlanta Braves x Chicago Cubs (ESPN)

Segunda, 19/abr
23h - Milwaukee Brewers x San Diego Padres (Fox Sports)

Terça, 20/abr
20h30 - New York Mets x Chicago Cubs (ESPN 2)*

Quarta, 21/abr
19h30 - Atlanta Braves x New York Yankees (ESPN 2)*

Sexta, 23/abr
21h - Los Angeles Angels x Houston Astros (Fox Sports)

Obs.: Grade sujeita a alteração
* Partidas que podem ir para o ESPN App por eventual conflito de grade com etapa do Mundial de Surfe

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A melhor atuação do ano, de um jogador que por pouco não foi dispensado | Semana MLB

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Jackie Robinson é lembrado como um craque dentro de campo, mas foi um gigante fora dele

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Da esq. para dir.: Johnny 'Spider' Jorgensen, Harold 'Pee Wee' Reese e Eddie Stanky no dia da estreia de Jackie Robinson
Da esq. para dir.: Johnny 'Spider' Jorgensen, Harold 'Pee Wee' Reese e Eddie Stanky no dia da estreia de Jackie Robinson Getty

A Major League Baseball se tornou um lugar melhor há exatos 74 anos. Em 15 de abril de 1947, Jackie Robinson entrou em campo com a camisa do Brooklyn Dodgers para enfrentar o Boston Braves. Naquele momento, um marco se estabelecia: a liga tinha seu primeiro atleta negro. Não foi apenas um grande acontecimento dentro do beisebol. A MLB era, de longe, a liga mais popular dos Estados Unidos na época e o impacto da quebra da barreira racial se espalhou em toda a sociedade.

Robinson foi a figura perfeita para esse momento. Dentro de campo, era um jogador espetacular, capaz de mostrar a qualquer racista como um negro poderia competir em igualdade com os melhores brancos. Tanto que o camisa 42 dos Dodgers foi eleito estreante do ano em 1947 e MVP da temporada em 1949, além de ser selecionado para o All-Star Game em seis das nove temporadas completas que disputou. 

LEIA TAMBÉM: Ligas Negras importam

Mas muita gente se esquece de Robinson fora de campo. E sua atuação como ativista foi tão ou mais importante do que seus feitos como atleta.

O primeiro negro da história da MLB sabia muito bem o que sua presença na liga representava, e o impacto que ela teria. Ele tornou-se ídolo imediato de milhões de afro-americanos, e tudo o que ele fazia e dizia passou a ter uma força de mobilização imensa. Robinson se tornou colunista de jornal, com liberdade para escrever sobre questões raciais ou “apenas” sobre os acontecimentos do beisebol do dia. Ele também foi empresário, entrando como sócio em iniciativas que visavam melhorar as condições da população negra, como um banco especializado em dar financiamento para afro-americanos abrirem seus próprios negócios (algo muito difícil nas instituições financeiras mais tradicionais da época).

O Movimento dos Direitos Civis, que cresceu no final da década de 1950 e nos anos 60 teve também sua participação. Ele se tornou amigo de Martin Luther King e era visto no palanque em diversas manifestações, além de ser uma voz sempre procurada quando algo importante acontecia.

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Muito dessa atuação de Robinson foi publicada no livro “First Class Citizenship: the Civil Rights Letters of Jackie Robinson” (“Cidadania de Primeira Classe: as Cartas de Direitos Divis de Jackie Robinson”, sem edição em português). E, como uma pequena amostra de sua atuação fora dos campos, vou destacar uma carta enviada* a um jornalista esportivo de Nova Orleans que era a favor da segregação racial no esporte. O texto é de julho de 1956, último ano da carreira de Robinson.

“Caro Sr. Keefe,

Recebi um artigo em que você faz referência a mim ao falar da aprovação de uma lei favorável à segregação no esporte na Luisiana. Estou escrevendo a você não como Jackie Robinson, mas como um ser humano para outro. Não posso mudar o que você pensa de mim. Eu falo com você apenas como um americano que por um acaso é negro, e que tem orgulho de sua herança.

Não pedimos nada especial. Apenas pedimos que nos permitam viver a vida como você vive a sua, e como nossa Constituição prevê. Pedimos apenas, no esporte, que nos permitam competir em igualdade de condições, e, se não tivermos condições, a competição acabará nos eliminando. Certamente você, e o povo da Luisiana, deveriam ser capaz de lidar com essa competição.

Eu e outros negros na MLB nos hospedamos em hoteis com o resto do time em cidades como St. Louis e Cincinnati. Esses hoteis não faliram. Nenhum investimento foi destruído. Os hoteis estão, acredito eu, prosperando. E não ocorreu nada desagradável

Desejo que você pudesse ver isso como eu vejo, mas eu tenho uma pequena esperança. Eu desenho que você possa compreender quão injusto e anti-americano é uma questão de origem fazer tanta diferença para você. Imagino que você tenha origem irlandesa. Me disseram que, há apenas 50 anos, anúncios de empregos em jornais tinham a observação “irlandeses e italianos não são aceitos” em certas regiões do nosso país. Isso foi esquecido, ou ao menos superado.

Você me chama de ‘insolente’. Admito que eu não tenho sido subserviente, mas você usaria o mesmo adjetivo para descrever um jogador branco? Digamos Ted Williams, que é, mais que eu, envolvido em assuntos controversos? Eu sou insolente ou eu sou apenas ‘insolente para um negro’ (que tem coragem suficiente para falar contra as injustiças como a sua e a de pessoas como você)?

Estou profundamente triste que a Luisiana deu esse passo para trás… Porque seus torcedores, e acredito que muitos sejam pessoas muito boas, perderão a oportunidade de ver grandes atrações por causa disso... Não pelos negros na Luisiana que vão, por causa da sua lei, perderem o direito de uma competição livre e igual -- mas pelo dano que isso faz a nosso país.

Estou feliz por você, por você ter nascido branco. Teria sido extremamente difícil para você se tivesse sido diferente.

Jackie Robinson”

* Dica do fã de esporte Fernando Franca

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Jackie Robinson é lembrado como um craque dentro de campo, mas foi um gigante fora dele

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Qual a real condição de Fernando Tatís Jr? | Semana MLB

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Tatís (de óculos na foto) celebra home run dos Padres na campanha de 2020
Tatís (de óculos na foto) celebra home run dos Padres na campanha de 2020 Getty Images


O Semana MLB é um post em forma de newsletter sobre os principais temas (e a programação de TV) da MLB. Toda sexta uma nova edição

O San Diego Padres sabe o que Fernando Tatís Jr pode representar na história da franquia. Tanto que duas temporadas completas bastaram para a diretoria oferecer um contrato de US$ 340 milhões para ter o shortstop no elenco pelos próximos 14 anos. Por isso, quando o jogador caiu com uma lesão no ombro esquerdo após um violento swing no vazio, todo torcedor dos Padres sentiu quase como se fosse nele as dores.

O lance ocorreu durante a partida contra o San Francisco Giants na última segunda (5). Naquela noite o departamento médico dos Padres já falava em subluxação no ombro, mas a previsão de tratamento e retorno ficaria para após um exame mais detalhado. No dia seguinte saiu o resultado: a subluxação estava confirmada, mas seria mais leve que o imaginado inicialmente e o San Diego tentaria a recuperação sem cirurgia, anunciando que poderia voltar em até dez dias em um cenário otimista.

Alívio da torcida, mas a história despertou desconfiança. A ortopedista Stephania Bell participou do podcast Baseball Tonight, da ESPN americana, e disse que o tipo e tempo de tratamento informados pelos Padres não são os mais comuns para uma lesão como a de Tatís (clique aqui para ouvir, a partir dos 26:00 do episódio de 8 de abril). E que ela, apesar de reconhecer que não teve acesso aos resultados dos exames, acharia mais prudente um tratamento sem pressa, ainda mais considerando o compromisso financeiro entre o clube e o atleta.

Para entender um pouco o que se trata a lesão, a fisioterapeuta especializada em ortopedia e trauma Nágela Freitas, brasileira que está participando em estudo da Universidade do Texas sobre lesões na NFL, fez uma ótima (e didática) postagem em seu Instagram explicando o caso. E por que tanta gente tem desconfiado da informação inicial divulgada pelos Padres.

Personagem

Akil Baddoo estreou na MLB no último domingo (4), na partida contra o Cleveland Indians. Logo no primeiro arremesso que viu na carreira, o defensor externo do Detroit Tigers rebateu um home run. No dia seguinte, contra o Minnesota Twins, fez sua segunda partida na liga. Baddoo rebateu um grand slam. Na terça, conseguiu uma rebatida simples na nona entrada, impulsionando a corrida da vitória dos Tigers sobre os Twins. Eis um sujeito que chegou à MLB fazendo barulho.

O que vem por aí

Chicago Cubs e Milwaukee Brewers são equipes com pretensão de brigar por um lugar nos playoffs, mas (ao menos por enquanto) seus confrontos não estarão entre os que chamarão mais a atenção do torcedor em geral. Por isso, vale o aviso para o confronto da próxima terça (13). Os abridores previstos serão Kyle Hendricks e Brandon Woodruff. Os dois já se encontraram na última quarta (7) e foi o melhor duelo de arremessadores deste começo de temporada. Hendricks cedeu apenas 4 corridas em seis entradas pelos Cubs, enquanto Woodruff foi ainda melhor: no-hitter até a sétima entrada. Os dois juntos tiveram 13 entradas, 5 rebatidas e nenhuma corrida. Os bullpens não mantiveram a eficiência e cederam 6 corridas na vitória dos Brewers por 4 a 2.

E, no próximo Sunday Night...

Todos os jogos da Liga Nacional Leste valem a pena conferir. É a divisão mais equilibrada da MLB, em que até o time mais fraco --- o Miami Marlins -- pode aspirar uma vaga nos playoffs (final, conseguiu isso em 2020). Por isso, toda partida ganha ar de confronto direto pela classificação, mesmo nas primeiras semanas da longa temporada regular. Neste domingo, Philadelphia Phillies e Atlanta Braves se enfrentarão em Atlanta. Os Phillies tentarão manter o embalo de vitórias nas duas séries que fez até agora, enquanto que os Braves precisam desfazer o prejuízo deixado pela varrida sofrida contra esse mesmo tíme da Filadélfia na série que abriu a temporada de ambos.

#MLBnaESPN #MLBFoxSports na semana

Sexta, 9/abr
20h: Philadelphia Phillies x Atlanta Braves (ESPN App)

Domingo, 11/abr
20h: Philadelphia Phillies x Atlanta Braves (ESPN 2)

Segunda, 12/abr
20h30: Chicago Cubs x Milwaukee Brewers (ESPN 2)

Terça, 13/abr
20h: Philadelphia Phillies x New York Mets (ESPN 2)
23h: Cincinnati Reds x San Francisco Giants (ESPN 2)

Quarta, 14/abr
21h: Cleveland Indians x Chicago White Sox (ESPN 2)

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Qual a real condição de Fernando Tatís Jr? | Semana MLB

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Os Rangers jogaram com estádio lotado, mas vamos com calma

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal


Estamos há mais de ano vendo nossos esportes preferidos com estádios vazios. Ou completamente vazios, ou com limitação de 10 ou 30%. Só em imagens vindas da Austrália e da Nova Zelândia que era possível ver cenas recentes de multidões lotando as arquibancadas. Até esta segunda, quando o Texas Rangers fez seu primeiro jogo da temporada da Major League Baseball com os 40 mil assentos ocupados. Sinal de que tudo já está perto do normal por lá? Vamos com calma.

A decisão do Texas Rangers de abrir todo seu estádio -- localizado em Arlington, região metropolitana de Dallas -- para a partida desta segunda contra o Toronto Blue Jays foi motivo de muita polêmica. A base para a medida foi a liberação do governo do Texas para diversas atividades econômicas, o que acabou incluindo esportes realizados em estádios abertos. 

Na MLB, Texas Rangers recebe Toronto Blue Jays com estádio lotado com 40 mil pessoas; veja imagens

De fato, os números da Covid nos Estados Unidos têm caído rapidamente com o avanço da vacinação. Ainda assim, os texanos ainda estão atrasados em relação à média do país. Considerando os 59 estados ou territórios americanos, o Texas é o 48º em percentual da população que tomou ao menos a primeira dose da vacina, com 28%. Os números da doença caem bastante no estado, mas houve um pico de 243 mortes na última quinta, dia de abertura da temporada da MLB.

Além da liberação do público total, também surpreende o fato de não haver nenhuma grande exigência para evitar que a partida seja um vetor de transmissão maior. Não houve restrição de acesso apenas a pessoas com vacinação comprovada por exemplo. Qualquer um poderia comprar ingresso e entrar. As únicas regras foram de usar a máscara o tempo todo (salvo quando estivesse ativamente comendo ou bebendo algo) e respeitar indicações de distanciamento e contato. Por isso, o próprio presidente Joe Biden disse, em entrevista à ESPN americana, que discordava da atitude: "Acho que é um erro. Eles deveriam ouvir o Dr. Anthony Fauci, os cientistas e os especialistas. Mas acho que é irresponsável".

Texas Rangers x Toronto Blue Jays
Texas Rangers x Toronto Blue Jays Getty Images

Não à toa, os times do Texas não abraçaram completamente a ideia de abrir todo seu estádio. O Houston Astros até podia lotar o MinuteMaid Park, mas decidiu por conta própria limitar a 50% a lotação. E até os Rangers, que atuaram com lotação máxima, haviam anunciado que isso valeria apenas para o primeiro jogo. A partir da segunda partida, haveria liberação de apenas 50% da capacidade e medidas para que os torcedores ficassem com distanciamento nas arquibancadas. Nesta semana, o clube voltou atrás e seguirá com 100% de capacidade liberada, mas a própria diretoria não imagina que o interesse da torcida seja alto a ponto de o público pagante se aproximar da lotação máxima.

Na MLB como um todo, os estádios já estão com liberação de público. Ela varia de acordo com o time e com o estado, mas ficam entre 15 e 50%, com a maioria entre 20 e 30%. A expectativa da liga é que, com o avanço da vacinação, esses índices aumentem ao longo da temporada e é possível que, no segundo semestre, todos os estádios já estejam totalmente liberados.

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Quais as perspectivas de cada time para a temporada 2021 da MLB

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal


Três supertimes, dois deles gigantes da liga e um que nunca conquistou um título sequer. A temporada 2021 da MLB começa nesta quinta com três candidatos mais destacados ao título, Los Angeles Dodgers, New York Yankees e San Diego Padres, mas uma série de equipes têm pretensões realistas de levantar o troféu no final de outubro.

É esse o cenário para o Opening Day, mas muita coisa pode mudar ao longo da temporada. Ainda mais porque voltaremos ao calendário tradicional, com 162 jogos na temporada regular e, salvo alguma surpresa de última hora, apenas cinco times classificados aos playoffs em cada liga. Outro elemento mais conhecido é o público, que retornará gradualmente aos estádios (ainda que o Texas Rangers já tenha liberação de 100% de público em seu estádio).

Jogadores do Los Angeles Dodgers celebram a conquista da World Series em 2020
Jogadores do Los Angeles Dodgers celebram a conquista da World Series em 2020 Getty

Da temporada 2020, realizada cheia de excepcionalidades devido à pandemia, ficarão duas mudanças de regras: rodadas duplas terão jogos de apenas sete entradas e as partidas que forem a entradas extras começarão sempre com um corredor na segunda base.

Em todo esse cenário, o que cada time pode fazer? Cravar é sempre difícil na MLB, mas dá para classificar todas as equipes de acordo com suas perspectivas de início da temporada. Confira abaixo e fique ligado nas transmissões da ESPN e do Fox Sports.

LIGA AMERICANA

O FAVORITO

Dos supertimes que formavam a Liga Americana no final da década passada, o New York Yankees é o único que não conquistou nenhum título. E talvez por isso o único que continua como um supertime. O ataque continua com a potência de Aaron Judge, Gary Sánchez (que deve se recuperar de um 2020 muito ruim), Giancarlo Stanton (recuperado de lesão) e DJ LeMahieu. Além disso, o time parece ter uma rotação mais sólida que nos últimos anos, com Gerrit Cole, Corey Kluber, Jameson Taillon, Domingo Germán e Jordan Montgomery, além de Luis Severino (que deve retornar de lesão no meio da temporada). 

Yankees comemoram vitória sobre os Twins' da MLB
Yankees comemoram vitória sobre os Twins' da MLB ESPN

OS DESAFIANTES

O Chicago White Sox é visto como maior ameaça aos Yankees. A rotação tem bons nomes como Lucas Giolito, Lance Lynn e Dallas Keuchel, enquanto o ataque confia na potência de José Abreu, Yoán Moncada, Tim Anderson e Luis Robert. Além disso, contratou Liam Hendricks, um dos melhores fechadores da MLB.

Ainda assim, há quem nem veja os White Sox como o melhor time da Divisão Central. O Minnesota Twins merece muito respeito pelo seu ataque, que conta com Miguel Sanó, Nelson Cruz, Josh Donaldson, Max Kepler, Byron Buxton e Andrelton Simmons. No entanto, a rotação -- problema crônico dos Twins -- com Kenta Maeda, José Berríos, Michael Pineda, JA Happ e Matt Schoemaker ainda não parece ser capaz de segurar uma briga pela World Series. 

Quem ainda deve ser visto como ameaça é o Tampa Bay Rays. A equipe da Flórida perdeu Blake Snell e Charlie Morton, dois desfalques significativos para a rotação. Mas contrataram Michael Wacha e conseguiram Chris Archer de volta. Considerando a capacidade da comissão técnica dos Rays de tirar melhor desempenho dos arremessadores, são jogadores que podem compensar parte das perdas. Além disso, o bullpen continua o melhor da MLB e o ataque é o mesmo que levou o time ao título da Liga Americana em 2020.

CORREM POR FORA

Há um grupo de bons times que brigam por vagas em playoffs e, com uma mistura de sorte com competência na hora certa, pode sonhar com uma grande temporada. O principal integrante desse pelotão é o Oakland Athletics, que tem uma base consistente com Matt Chapman, Stephen Piscotty, Matt Olson e Ramón Laureano. O bullpen também é forte, mesmo com a perda de Liam Hendricks.

Os A’s se transformaram em favoritos da Divisão Oeste, deixando para trás o Houston Astros e o Los Angeles Angels. Essas duas equipes vivem trajetórias opostas. 

Os Astros estão em fase de final da janela competitiva. Perderam Gerrit Cole e George Springer nos últimos dois anos, estarão sem Justin Verlander por lesão, mas ainda contam com jogadores da base campeã da World Series de 2017. Os Angels estão no sentido contrário, com crescimento e formação de um grupo que tente levar a franquia a seu segundo título em alguns anos. Com Mike Trout e Anthony Rendón e José Iglesias, conta com um trio que teve bom desempenho na temporada passada. A rotação ainda não é das melhores, esse é um problema. Ah, e Shohei Ohtani vai novamente arremessar e rebater, o que é sempre espetacular de se ver.

Myke Trout, dono do maior contrato dos esportes americanos
Myke Trout, dono do maior contrato dos esportes americanos Ezra Shaw/Getty Images

Na Costa Leste, o azarão é o Toronto Blue Jays. Talento há de sobra: Vladimir Guerrero Jr, Bo Bichette, Cavan Biggio, e Teoscar Hernández terão a companhia dos recém-contratados George Springer e Marcus Semien. O problema é a rotação, que tem em Ryu Hyun-Jin o único nome realmente confiável.

MELHOR ESPERAR 2022 (ou 2023, 24…)

Das equipes com menos esperanças na temporada, o Boston Red Sox até tem um ou outro motivo para acreditar. A franquia está claramente em processo de reconstrução, se desfazendo de jogadores mais caros para reformular o elenco. No entanto, há bons jogadores no grupo, como JD Martínez, Alex Verdugo, Kiké Hernández, Rafael Devers e Xander Bogaerts, e o ânimo que o retorno do técnico Alex Cora, campeão em 2018, naturalmente traz. Se a rotação fosse melhor (Chris Sale está contundido), poderia entrar no patamar de “corre por fora”.

De resto, a expectativa de Seattle Mariners e Kansas City Royals é seguir em um processo de evolução gradual para se tornarem competitivos em alguns anos. Enquanto Cleveland Indians (na última temporada antes de mudar de nome) e Texas Rangers tentam evitar que o processo de reconstrução no qual entraram não seja tão traumático quanto os de Baltimore Orioles e Detroit Tigers, que dão sinais de melhora após algumas campanhas terríveis.

LIGA NACIONAL

O FAVORITO

Alguns analistas estão tão empolgados com o Los Angeles Dodgers que até projetam se o time seria capaz de bater o recorde de 116 vitórias em temporada regular, estabelecido pelo Chicago Cubs em 1906 e repetido apenas pelo Seattle Mariners em 2001 (curiosidade: nenhum dos dois times venceu a World Series no ano da marca). A equipe já tinha Clayton Kershaw (agora sem a pressão de ganhar um título), Walker Buehler, Mookie Betts, Cody Bellinger, Corey Seager, Max Muncy e Justin Turner. Agora ainda terá o reforço do recém-contratado Trevor Bauer (Cy Young da Liga Nacional em 2020) e David Price (preferiu não jogar a temporada passada para se preservar da Covid-19). Timaço.

OS DESAFIANTES

O principal obstáculo aos Dodgers está em sua própria divisão, em seu próprio estado. O San Diego Padres talvez seja o segundo time mais forte da MLB no momento. O elenco talentoso que chegou aos playoffs em 2020 se manteve. A estrela é Fernando Tatis Jr, mas Manny Machado, Eric Hosmer, Wil Myers, Thommy Pham e Jake Cronenworth formam uma base de respeito. A rotação é ainda melhor: Dinelson Lamet, Chris Paddack e Joe Musgrove terão o reforço de Blake Snell (que calou o ataque dos Dodgers na World Series) e Yu Darvish (segundo colocado no prêmio Cy Young da Liga Nacional em 2020).

San Diego Padres
San Diego Padres Getty Images

Os Padres atrairão as atenções, até pela rivalidade californiana envolvida, mas não é prudente descartar o Atlanta Braves. A equipe da Geórgia ficou a uma vitória de eliminar os Dodgers nos playoffs de 2020 e manteve toda a base, com Ronald Acuña Jr, Ozzie Albies e Austin Riley, além do ótimo Freddie Freeman, MVP da Liga Nacional no ano passado, e Marcell Ozuna. E a rotação também merece respeito, com Max Fried, Charlie Morton, Mike Soroka e Ian Anderson.

Quem quer entrar nessa categoria de desafiante é o New York Mets. O time foi comprado pelo bilionário Steve Cohen, investidor no mercado financeiro que serviu de inspiração para o personagem Bob Axelrod, da série de TV Billions. O Cohen não colocou seu dinheiro pelo retorno financeiro, mas por ser torcedor fanático do time do bairro do Queens. E chegou fazendo barulho, contratando Francisco Lindor, James McCann e Carlos Carrasco. Considerando que o elenco ainda tem Jacob deGrom, Marcus Stroman, Noah Syndergaard (deve retornar de lesão durante o ano), Pete Alonso, Jeff McNeil, Michael Conforto e Dominic Smith, dá para sonhar alto. Claro, se ninguém lesionar, o que acontece com uma frequência incrível nos Mets.

CORREM POR FORA

A Liga Nacional está muito forte nesta temporada, então a lista de equipes que têm motivos para pensar em playoffs não é pequena. O Washington Nationals, campeão de 2019, é um exemplo. A equipe da capital tem uma rotação com Max Scherzer, Stephen Strasburg, Patrick Corbin e Jon Lester, um quarteto capaz de derrotar qualquer equipe da liga a qualquer momento. Ainda tem em Juan Soto uma das novas estrelas do beisebol.

Na mesma divisão, a Leste, o Philadelphia Phillies tem um ataque que impressiona. Bryce Harper e JT Realmuto são as referências, mas Andrew McCutchen e Alec Bohm também contribuem bastante. O problema é o bullpen, talvez o pior entre os times que têm pretensão de chegar ao mata-mata.

Phillie Phanatic exibe tênis exclusivo ao lado de Bryce Harper
Phillie Phanatic exibe tênis exclusivo ao lado de Bryce Harper Getty Images

A Divisão Leste da Liga Nacional é a mais forte da MLB e sobram times fortes, exatamente o contrário da Divisão Central. O favorito é o St. Louis Cardinals, que contratou Nolan Arenado e manteve Paul Goldschmidt, Yadier Molina e Paul DeJong. Os arremessadores também são competentes, mas não chega a ser um time que salta aos olhos como candidato a título. A consistência é a principal marca, e talvez ela que o diferencie dos demais vizinhos de grupo.

O Milwaukee Brewers conta com Christian Yelich, um dos melhores jogadores da liga e que estará motivado para mostrar que a má temporada de 2020 foi uma aberração de um ano confuso. O ataque como um todo funciona, mas ainda é uma equipe que precisa contar com o limite da rotação e do bullpen para ser competitiva, o que nem sempre é possível.

Ainda na Divisão Central, Cincinnati Reds e Chicago Cubs deram um passo para trás. Perderam jogadores importantes, como Trevor Bauer (Reds) e Yu Darvish e Jon Lester (Cubs). Em teoria, seriam equipes que poderiam estar no grupo de “melhor esperar 2022”, mas ambos ainda contam com alguns bons jogadores e a concorrência na divisão não é das mais fortes. Assim, até dá para acreditar em playoffs caso tudo dê certo.

MELHOR ESPERAR 2022 (ou 2023, 24…)

Com os supertimes de Dodgers e Padres, ficou difícil para os outros times da Divisão Oeste. Arizona Diamondbacks, Colorado Rockies e San Francisco Giants entraram firme no processo de reconstrução. O Pittsburgh Pirates já está nessa reformulação desde o ano passado, e é candidato forte a pior campanha de toda a MLB.

Quem entra nesse grupo e nem merecia é o Miami Marlins. O time tem bons jogadores -- Starling Marté, Corey Dickerson e Sandy Alcántara -- e até se classificou para os playoffs em 2020, eliminando o Chicago Cubs na primeira fase. O problema é que a Divisão Leste está muito forte neste ano e, em uma temporada de 162 jogos, é difícil que o jovem grupo dos Marlins consiga se manter na zona de classificação até o final. Mas é um elenco realmente promissor para os próximos anos.

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Conheça o bananabol, uma versão alternativa e maluca para o beisebol

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

O Savannah Bananas é um dos grandes fenômenos de público no beisebol dos Estados Unidos. O time com nome que rima lotou todos seus jogos em casa desde 2017, somando já 88 partidas seguidas com todos os ingressos vendidos. É verdade que o estádio Grayson tem apenas 4 mil lugares, ainda assim é notável lotar tantos jogos atuando em uma liga amadora criada para manter a atividade de jogadores universitários durante o recesso das aulas no verão e treiná-los com bastões de madeira. Pois, em 2021, a equipe tem se preparado para a temporada no novo esporte que criaram: o bananabol.

Savannah Bananas em jogo da temporada 2020
Savannah Bananas em jogo da temporada 2020 Twitter / Savannah Bananas

Bem, não é exatamente um novo esporte. É o beisebol com algumas novas regras que, segundo os Bananas, seria mais curta, dinâmica e divertida para o público. E o pessoal do time de Savannah -- cidade histórica na Geórgia -- não teve pudor em propor maluquices (final, “banana” também é uma gíria para “louco” em inglês americano). Até porque não é de se esperar algo diferente de uma equipe que já chegou a disputar um clássico de temporada regular contra seu maior rival -- o Macon Bacon (sim, é esse o nome do time de Macon, Geórgia) -- com todos os jogadores usando kilts, as saias escocesas.

Então veja as nove regras que diferenciam o bananabol do beisebol:

1) Mudar a contagem dos placar

A pontuação do beisebol continua sendo por corridas. No entanto, a forma de definir o vencedor do jogo mudaria. Ao invés de contar a soma de corridas ao longo da partida, cada entrada seria como um set de vôlei ou tênis. O time com mais corridas na primeira entrada faz um ponto. O time com mais corridas na segunda entrada faz outro ponto. Não importa se a primeira entrada foi 5 a 0 e a segunda foi 1 a 2. O jogo está 1 a 1, não 6 a 2. Isso poderia criar várias rebatidas de walk off no mesmo jogo. 

2) Limite de duas horas

O jogo dura duas horas. Quem tiver mais pontos (ou entradas conquistadas) ganha.

3) Desempate no mano a mano

Se a partida estiver empatada ao final das duas horas, é o momento de desempate. A inspiração é na disputa de pênaltis do futebol: mano a mano, arremessador contra rebatedor. Só os dois (e o catcher para pegar os arremessos, claro). O arremessador precisa do strikeout. Se o rebatedor rebater dentro do campo de jogo, o arremessador que precisa ir atrás da bola para impedir o corredor de anotar a corrida. 

4) Walks viram corrida contra o tempo

Normalmente, o walk é uma caminhada tranquila para a primeira base. Ponto. No bananabol, seria a oportunidade de avançar mais. O rebatedor sai em disparada pelas bases, enquanto que a defesa precisa lançar a bola de um jogador para o outro. O corredor para apenas quando a bola passar pela mão de todos os defensores.

5) Bunts estão proibidos

Eliminação imediata do rebatedor que tentar.

6) Sem visitas ao montinho

Proibidas também.

7) Permitido roubar a primeira base

Se o catcher não pegar um arremesso e a bola ficar solta, o rebatedor pode disparar para a primeira base, não importa a contagem.

8) O torcedor pode eliminar o jogador

Se uma foul ball for para a arquibancada, o rebatedor está eliminado se o torcedor pegar a bola no ar.

9) Rebatedor não pode sair da sua área

Se o rebatedor sair da área de rebatida, é contado um strike. E pode sofrer um strikeout dessa forma.

Quem quiser ver se o bananabol realmente resulta em um jogo mais dinâmico e emocionando, pode ver a demonstração que o Savannah Bananas fez na última semana contra o Party Animals neste link.

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MLB vai começar com público em quase todos os estádios, com caso até de lotação total liberada

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
Globe Life Field durante a World Series 2020
Globe Life Field durante a World Series 2020 Getty Images

Doze de março de 2020. A Major League Baseball estava no meio de sua pré-temporada, mas já se sabia que talvez aquela quinta não tivesse jogo algum. A liga seguia com seus jogos preparatórios normalmente, mas o noticiário mostrava o avanço diário da epidemia (ainda não havia virado pandemia) de Covid-19 nos Estados Unidos -- sobretudo Arizona e Flórida, sedes do Spring Training -- e se debatia fortemente se seria possível organizar as partidas nesse cenário. Mas, naquele dia 12, já se imaginava que era momento de fechar tudo. Na noite anterior, o francês Rudy Gobert se tornou o primeiro atleta das quatro principais ligas norte-americanas a ter teste positivo de coronavírus e a NBA interrompeu sua temporada. O beisebol dificilmente faria diferente.

Avançando um ano no tempo, chegando a março de 2021. A pandemia ainda não acabou (pelo contrário, acabou de passar por um de seus piores momentos nos EUA), mas a MLB decidiu seguir suas atividades. Não apenas realiza sua pré-temporada normalmente como tem recebido público, em quantidade limitada, nas partidas.

Nenhuma grande novidade aí. A NFL já fez sua temporada com público em vários jogos no segundo semestre de 2020. A NBA e a NHL também têm jogado com torcedores. Até por isso, não surpreende que a temporada de 2021 da MLB seja mais uma com torcedores nos estádios. Mesmo que os Estados Unidos estejam com números ainda ruins -- 62,4 mil novos casos e 1,5 mil novas mortes nesta quinta --, já há uma melhoria em relação aos índices de algumas semanas atrás.

Ainda assim, imagina-se que o país não esteja pronto para receber um evento com aglomeração total. No caso, um jogo com lotação máxima. Mas é o que deve acontecer.

Nesta semana, o governador do Texas, Greg Abbott, aprovou projeto para que todos os estabelecimentos do estado funcionem com capacidade máxima. Isso inclui o esporte. O Texas Rangers aproveitou a oportunidade e já confirmou que pretende colocar à venda ingressos para os 40.318 lugares do Globe Life Field para os dois últimos jogos da pré-temporada e para a primeira partida em casa na temporada regular, em 5 de abril contra o Toronto Blue Jays.

A decisão já causaria polêmica se o Texas tivesse avançado na imunização. Não é o caso, pois o estado está entre os dez que vacinaram proporcionalmente menos pessoas. Além disso, a determinação da franquia em aproveitar a brecha na lei também chama a atenção. Até porque a vacinação está avançando rápido nos EUA e a MLB espera que efetivamente possa abrir todos os seus estádios no segundo semestre. Tanto que o Houston Astros, outra equipe texana na liga, ainda não confirmou se permitirá lotação máxima em seu estádio.

Veja qual o índice de ocupação que cada time terá em seu estádio na abertura da temporada da MLB, em 1º de abril:

100%
Texas Rangers

50%
Baltimore Orioles

42,6%
Colorado Rockies

33%
Atlanta Braves

32%
St. Louis Cardinals

30%
Cincinnati Reds, Cleveland Indians, Kansas City Royals

25%
Arizona Diamondbacks, Miami Marlins, Milwaukee Brewers

20%
Chicago Cubs, Chicago White Sox, Los Angeles Angels, Los Angeles Dodgers, Oakland Athletics, Philadelphia Phillies, Pittsburgh Pirates, San Francisco Giants

15%
Toronto Blue Jays*

12%
Boston Red Sox

10%
New York Mets, New York Yankees

1.000 torcedores
Detroit Tigers

Ainda sem definição, mas provável que tenha público
Houston Astros, Minnesota Twins, San Diego Padres, Seattle Mariners, Tampa Bay Rays

Sem público
Washington Nationals

* Disputará suas partidas, ao menos na primeira metade da temporada, no centro de treinamento da franquia em Dunedin, região metropolitana de Tampa (Flórida)

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MLB vai começar com público em quase todos os estádios, com caso até de lotação total liberada

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Ranking dos melhores All-Star Games dos esportes americanos

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

O Jogo das Estrelas é uma marca do esporte americano. Toda liga que se dê ao respeito cria o seu, nem que essa partida seja, na verdade, uma corrida. Sim, a Nascar tem a All-Star Race. Cada um desses eventos tem suas peculiaridades, mas todos são tratados como grandes momentos e têm lotação total nas arquibancadas. O que não significa que seja tudo maravilhoso. A All-Star Games que são criticados, cornetados e mudam constantemente de formato justamente para deixá-los mais atraentes ou tecnicamente relevantes.

Por isso, preparamos um ranking dos principais ASGs das ligas dos Estados Unidos. E, para criar um suspense de araque, vou colocar em contagem regressiva.

6) NFL

Como é: Único All-Star Game que não é disputado no meio da temporada. No fim de semana entre as finais de conferência e o Super Bowl, os melhores da Conferência Nacional enfrentam os da Americana. O público escolhe os jogadores.

O que é legal nele: Pouca coisa. Talvez o fato de ser a penúltima oportunidade do público ver futebol americano antes de meses de parada, o que motiva pessoas a darem audiência incrível a um espetáculo bizarro. Por ser um jogo sem importância real para o campeonato, dá margem para jogadores brincarem mais em campo. E, nos últimos anos, criaram um concurso de habilidades que antecede a partida em si que é até divertido, apesar de ainda não ter o apelo de público de um Home Run Derby ou Concurso de Enterradas.

O que não é legal: O futebol americano se baseia muito na criação de jogadas pré-combinadas, com cada jogador de ataque tendo uma função determinada e o quarterback sabendo quais serão as opções possíveis para o avanço. Como fazer isso com jogadores que mal se juntaram e não puderam combinar nada muito elaborado? Além disso, pelo fato de a partida anteceder a decisão do campeonato, os jogadores dos times finalistas ficam de fora. Ou seja, algumas das estrelas mais em alta não jogam. E, claro, na véspera de entrar oficialmente de férias, nenhum jogador vai se arriscar em uma marcação forte e correr o risco de trocar meses tomando sol por uma sala de fisioterapia devido a contusão em um amistoso.

Conclusão: O jogo é uma grande pelada entre os craques. E não, não é legal de ver. O fator “show” se limita à esperança de ver o Chad Ochocinco chutar ou não um field goal. Não à toa, já se cogitou a extinção do Pro Bowl.

Pro Bowl
Pro Bowl Getty Images

5) MLS

Como é: Uma seleção de jogadores da MLS enfrenta um grande time europeu em turnê de pré-temporada pelos Estados Unidos. O último, em 2019, foi o Atlético de Madrid. Mas vai mudar para 2021, com um jogo entre as Estrelas da MLS contra as Estrelas da Liga MX (Campeonato Mexicano).

O que é legal nele: O público tem a oportunidade de ver os craques do clube europeu. Não é muita coisa, pois vários clubes europeus já fazem parte de sua pré-temporada em gramados norte-americanos. Por isso ficou em quinto lugar no ranking, mas tem potencial para subir algumas posições no futuro. A proposta de um duelo MLS x Liga MX é ótima, pois leva a um amistoso toda a rivalidade entre seleções, público, jogadores e ligas de México e Estados Unidos. E, sim, essa rivalidade é enorme.

O que não é legal: A ideia é criar um evento que meça a qualidade do futebol da MLS com a da elite europeia, e a imprensa de futebol dos Estados Unidos fala nisso incessantemente, mas é difícil acreditar. O clube europeu está claramente em pré-temporada e não se esforça realmente para vencer. Parece um amistoso como qualquer outro.

Conclusão: Vamos esperar os próximos All-Star Games da MLS. Essa proposta de MLS x Liga MX é realmente muito boa.

4) Nascar

Como é: Faz parte de uma semana cheia de eventos em Charlotte, incluindo a imortalização de uma nova turma no Hall da Fama, concurso de pit stop, corrida da Truck e a Coca-Cola 600 (as 600 Milhas de Charlotte, não é a garrafa de refrigerante). Na All-Star Race em si, correm os pilotos que venceram alguma prova nos últimos 365 dias e os pilotos na ativa que já conquistaram o título ou alguma edição anterior da ASR. Mais duas vagas ficam abertas para uma corrida de repescagem e escolha do público. O vencedor ganha US$ 1 milhão.

O que é legal nele: A ideia é bem engenhosa, ainda mais aproveitando a série de eventos para incentivar o torcedor da Nascar a ficar dez dias na maior cidade das Carolinas. A corrida com pré-classificação é interessante e o concurso de pit stops é bastante animado. E a corrida em si, apesar de um regulamento confuso pela criação de etapas dentro dela, é animada e tem nível de intensidade semelhante ao de qualquer corrida de temporada da Nascar.

O que não é legal: Para criar emoção e interesse do público durante toda a duração da prova, a ação é dividida em várias etapas com um regulamento que fica confuso para o torcedor de ocasião (e Jogos -- ou Corrida -- das Estrelas têm muito fã de ocasião) e artificial para os mais tradicionalistas. 

Conclusão: O fato de parecer realmente uma competição de temporada normal é bastante relevante. Só podia ter um regulamento ligeiramente mais simples.

3) NHL

Como é: Já adotou diversos formatos, do tradicional duelo de conferências até América do Norte x Resto do Mundo e um Seleção da NHL x União Soviética. Atualmente, falar em “All-Star Game” é injusto. É um “All-Star Tournament”, pois são formados seleções de cada divisão da liga. Elas disputam um mini-torneio em mata-mata. Ah, e os jogos são com times de três jogadores mais o goleiro no gelo.

O que é legal nele: Ver sua divisão se mostrar a melhor tem algum apelo para o público e para os jogadores, além de ter a pequena emoção de um campeonato. Além disso, colocar equipes com dois atletas a menos no rinque aumenta os espaços e a ação da partida, reduzindo também a quantidade de impactos que poderiam causar lesões. E os concursos do sábado são bastante disputados.

O que não é legal: A partida é um festival de ataques, pois ninguém está a fim de marcar forte e correr o risco de se machucar em uma trombada mal calculada. Soa legal, mas o jogo fica caricato (e sem ganhar tanto no fator show como o ASG da NBA).

Conclusão: Os concursos de sábado são realmente bons, e valem muitos pontos para o ranking.

Justin Bieber participa do jogo das estrelas da NHL e é amassado por defensor do hall da fama
Justin Bieber participa do jogo das estrelas da NHL e é amassado por defensor do hall da fama Getty Images

2) MLB

Como é: Os melhores da Liga Nacional contra os melhores da Americana. O público elege os jogadores titulares, os técnicos definem os reservas. Até 2016, a liga vencedora tinha vantagem do mando de campo na World Series. Ou seja, era o único Jogo das Estrelas que realmente vale algo. Um dia antes do jogo, é feito o Home Run Derby.

O que é legal nele: O Home Run Derby teve vários formatos ao longo dos anos, e talvez tenha achado o modelo ideal em 2015. Tornou-se um evento espetacular pela emoção e por mostrar o talento e força de um grande jogador de potência da MLB. O jogo em si não sofre de alguns problemas dos ASGs de outras ligas: a falta de marcação. Como há menos impacto no beisebol, o jogo se desenrola de modo similar ao de uma partida de temporada regular. Alguns arremessadores baixam um pouco sua intensidade, os técnicos também não entram em duelo tático tão profundo, mas parece uma partida convencional. E isso é bom.

O que não é legal: Há muita troca de jogadores, o que normalmente nos tira a possibilidade de ver um arremessador fazer mais de duas entradas e de um rebatedor ir ao bastão mais de duas vezes (aliás, se for duas vezes já é muito). E como o beisebol é como o futebol, quem é substituído não volta mais, o final da partida tem apenas os reservas em campo. São grandes jogadores ainda, claro, mas provavelmente não são os craques que mais motivaram o torcedor a ir ao estádio ou ligar a TV.

Conclusão: Tem potencial, o jogo é o menos descaracterizado em relação a uma partida oficial, mas podia trabalhar melhor a emoção do final da partida. Inclusive testando regras diferentes, como poder voltar alguns rebatedores ou iniciar a nona entrada do ponto que quiser do alinhamento ofensivo.

1) NBA e WNBA*

Como é: Os jogadores são eleitos por votação, mas não têm time definido. As ligas escolhem dois craques para serem os capitães, e eles selecionam seus companheiros de equipe como qualquer criança quando junta a turma para jogar bola no campo do bairro ou na escola. A partida usa o Elam Ending, sistema em que os times jogam três quartos normalmente, mas o quarto período não tem tempo definido. É definida uma meta de pontuação (24 pontos a mais do que tem o time na liderança do marcador após três quartos) e vence quem alcançar antes. Nos dias anteriores, há duelo de seleção de estreantes contra segundanistas, jogo com celebridades e ex-jogadores e concurso de habilidades, enterradas e três pontos.

Zach LaVine e Aaron Gordon em um dos maiores duelos da história do Concurso de Enterradas
Zach LaVine e Aaron Gordon em um dos maiores duelos da história do Concurso de Enterradas Reprodução/ESPN

O que é legal nele: Não há marcação, então os ataques podem protagonizar um espetáculo de habilidade e acrobacias com uma bola, mostrando o nível de técnica e capacidade atlética dos jogadores. A adoção do Elam Ending tornou o jogo mais emocionante porque toda a partida acaba tendo uma cesta da vitória, mesmo que seja um lance livre.

O que não é legal: A partida em si é espetacular pelas jogadas, mas incomoda a falta de marcação das defesas. Não parece um jogo normal. Ah, e já se foi o tempo em que os craques entravam no concurso de enterradas.

Conclusão: No basquete, o apelo de montar times cheios de craques funciona e os eventos dos dias anteriores ajudam a criar o clima. Parece realmente ser um fim de semana de celebração ao basquete.

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O que ficar de olho na pré-temporada da MLB (atenção: já tem jogo na ESPN)

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

A espera acabou. Após uma semana de preparação apenas física e técnica, é hora de treinar em situação real de jogo. O Spring Training, a pré-temporada da MLB, começa neste domingo. Serão os primeiros arremessos e as primeiras rebatidas do beisebol nos Estados Unidos, e -- teoricamente -- eles só pararão no final de outubro, com a última eliminação da World Series.

Mookie Betts em ação pelo Los Angeles Dodgers no Spring Training de 2020
Mookie Betts em ação pelo Los Angeles Dodgers no Spring Training de 2020 Getty Images

Claro, pré-temporada é pré-temporada, não dá para tirar grandes conclusões com base em jogos-treinos disputados em campo neutro, na Flórida ou no Arizona. Ainda assim, há várias histórias em que valem ficar de olho (e já nesta semana tem transmissão nos canais esportivos Disney). Separei as algumas das principais:

A rivalidade mais quente do momento

A MLB 2021 começa com dois times se destacando entre os favoritos ao título: Los Angeles Dodgers e San Diego Padres. O mais interessante é que ambos já se encontraram nos playoffs do ano passado, estão na mesma divisão, vão se enfrentar 19 vezes só na temporada regular e estão separados por apenas 200 km. O resultado dessa equação é apenas um: rivalidade.

Os confrontos no mata-mata da Liga Nacional de 2020 já foram bastante acirrados. Os Dodgers varreram a série, mas as partidas fora muito disputadas e houve momentos de troca de insultos entre jogadores das duas partes. Os angelenos conquistaram o título e se reforçaram ainda mais, contratando o melhor arremessador disponível no mercado (Trevor Bauer), mas os Padres pegaram Blake Snell (que, pelo Tampa Bay Rays, estraçalhou o ataque dos Dodgers na World Series) e Yu Darvish.

Os confrontos no Spring Training (programados para 6 e 20 de março) não terão a temperatura dos jogos da temporada regular. Mas é provável que sejam partidas observadas com mais atenção que o normal. E talvez membros das duas equipes troquem algumas cutucadas em entrevistas ao longo de toda a pré-temporada (algo que pode se tornar padrão do ano todo).

San Diego Padres
San Diego Padres Getty Images

Quem manda em Nova York

New York Yankees e New York Mets não estão na mesma liga, mas não dá para dizer que não disputam algo. No caso, a atenção da mídia e dos torcedores da maior cidade dos Estados Unidos -- que calhou de ainda ser uma cidade que tem o beisebol como esporte mais popular. Como franquia mais vitoriosa de todas as ligas norte-americanas, os Yankees sempre ganham a disputa, mas qualquer perda de terreno é sentida -- e muito celebrada pelos rivais.

Os Mets aparecem como uma força ascendente, e com uma torcida mobilizada, desde a compra do clube por parte do bilionário Steve Cohen (investidor do mercado de ações que inspirou a criação do personagem Bobby Axelrod na série “Billions”). O novo dono já deixou claro que assumiu o time por ser um torcedor apaixonado como qualquer um, com a diferença que tem bilhões de dólares na conta. De cara, já bancou a negociação que levou o shortstop porto-riquenho Francisco Lindor (ex-Cleveland Indians e talvez um dos cinco melhores jogadores do mundo) para o bairro do Queens.

Os Yankees reagiram. Já tinham o melhor time da Liga Americana (sobretudo após a saída de Snell dos Rays), mas contrataram Corey Kluber, duas vezes vencedor do prêmio Cy Young. O arremessador estava no Texas Rangers e sofreu com problemas físicos nos dois últimos anos, mas, se recuperar a forma dos anos de Indians, pode transformar a dupla com Gerrit Cole como a mais mortal de um início de rotação.

Quem se dará melhor descobriremos apenas ao final da temporada. Mas a disputa pela atenção da mídia e da torcida já veremos em março.

Ajustes após um ano maluco

A temporada 2020 foi estranha, com apenas 60 partidas na temporada regular e muitos jogos sacrificados pelo calendário atropelado como consequência da pandemia (muitos jogos adiados, times de quarentena em hoteis após algum surto, rodadas duplas para compensar os adiamentos…). Com isso, o desempenho de vários jogadores ficou fora do padrão. Alguns se destacaram mais do que o esperado. Outros caíram bastante, sobretudo em aproveitamento no bastão, estatística que encontra seu valor real ao longo do tempo.

Os casos mais notórios de quedas foram os de José Altuve (21,9% de aproveitamento), Christian Yelich (20,5% de aproveitamento), Javier Báez (20,5%), JD Martínez (21,3%) e Kris Bryant (20,6%). Jogadores que tiveram uma temporada ruim em 2020 devem apresentar ajustes já na pré-temporada, seja na mecânica das rebatidas, seja na abordagem em cada duelo.

Altuve comemora home run que levou os Astros à World Series em 2019
Altuve comemora home run que levou os Astros à World Series em 2019 Elsa/Getty Images

Entradas esquisitas

Nas duas primeiras semanas da pré-temporada, os jogos terão uma regra diferente. Um turno ofensivo não acabará necessariamente com três eliminações. Os técnicos poderão encerrar a etapa se o arremessador já tiver feito 20 arremessos e não tiver houver um reliever pronto para entrar. O objetivo é reduzir o sacrifício sobre os homens no montinho em um jogo que, no fundo, é só para treino.

De qualquer modo, os jogos do Spring Training terão a regra normal de três eliminações por entrada a partir de 13 de março.

Negociações trabalhistas

O clima entre a MLB e o sindicato de jogadores está péssimo, o que é uma má notícia quando o acordo trabalhista está em seu último ano e a liga ainda tem de lidar com uma pandemia que causou perdas financeiras para donos e jogadores. Várias propostas de adequação das regras foram propostas, e nem todas foram aceitas. Ao menos não por enquanto.

É provável que as conversas continuem durante a pré-temporada e não estranhem se acabarem chegando a acordos para mudança do regulamento do campeonato (por exemplo, a adoção do rebatedor designado na Liga Nacional e a expansão dos playoffs, que ocorreram em 2020, teoricamente não valerão em 2021). 

Lembrando: a aprovação do aumento dos playoffs em 2020 ocorreu apenas duas horas antes da abertura da temporada regular (e a confirmação dos playoffs em bolha veio com ela já em disputa). Então, aparentemente sempre há tempo para uma mudança em cima da hora.

Na sua TV

A ESPN tem confirmada a transmissão de quatro partidas desse Spring Training já na primeira semana. Confira (horários de Brasília): 

Terça, 2/março: Tampa Bay Rays x Boston Red Sox (ESPN 2, 15h)
Quarta, 3/março: Seattle Mariners x Chicago Cubs (ESPN 2, 17h)
Quinta, 4/março: Washington Nationals x New York Mets (ESPN App, 15h)
Sexta, 5/março: Los Angeles Dodgers x Kansas City Royals (ESPN App, 17h)

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A audiência do Super Bowl nos EUA caiu 9%. E isso não é tão ruim quanto parece

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

A sequência do noticiário do Super Bowl já é conhecida: nos dias anteriores se fala dos preparativos do jogo e da grandiosidade do evento, no domingo é momento da partida em si, na segunda tem repercussão do resultado e das novas propagandas que tiveram mais impacto na transmissão dos EUA e na terça a NFL se gaba de mais um recorde de audiência. Em 2021 foi diferente. Toda a rotina estava sendo seguida, mas a cereja não foi colocada em cima do bolo. A audiência de Tampa Bay Buccaneers x Kansas City Chiefs foi 9% abaixo de Chiefs x San Francisco 49ers, a finalíssima do futebol americano em 2020. Hora de pânico? Não.

Tom Brady em Bucs x Chiefs
Tom Brady em Bucs x Chiefs Getty Images

Não dá para dizer que esse número é desejável. A NFL gosta de vender a ideia de liga em eterno crescimento e o Super Bowl é o grande representante disso por ser o maior evento televisivo dos Estados Unidos. E essa condição se justifica principalmente pelo altíssimo nível de audiência, sempre na casa de 100 milhões de pessoas. Nesse aspecto, uma queda de 9% (de 102 milhões para 91,6 milhões, pior marca em 15 anos) é obviamente uma má notícia.

Tudo, porém, precisa de contexto. Até a audiência do Super Bowl.

Um motivo natural para se avaliar variações de audiência em eventos esportivos é ver os times envolvidos. Neste aspecto, a comparação de 2020 com 2021 não traz tanta diferença: o Kansas City Chiefs estavam nas duas finais, e a troca de São Francisco (49ers) por Tampa (Buccaneers) até explicaria uma queda, mas os números mostraram que a presença de Tom Brady fez Boston ter audiência acima do normal para um Super Bowl sem os Patriots. 

Outro ponto já seria mais relevante: o desenrolar da partida. Chiefs 31 x 20 49ers foi definido apenas nos minutos finais, enquanto que Bucs 31 x 9 Chiefs teve claro domínio do time da Flórida e estava decidido antes do final. Isso costuma desmobilizar alguns torcedores e trazer pequenas quedas. Ainda assim, justificaria uma oscilação de um ponto no máximo.

A questão principal é a pandemia de Covid-19. Ou melhor, o comportamento do público americano com eventos esportivos na TV durante a pandemia.

A audiência de praticamente todas as ligas caiu em 2020 (ou 2020-21, no caso da NFL). E não caíram pouco. A World Series teve queda de 32%, atingindo os piores índices de sua história. Parece ruim? Pois a NBA foi ainda pior, com queda de 49% e números sensivelmente piores que os da decisão do beisebol (e as duas finais envolveram mercados parecidos, com Los Angeles x Flórida). E a NHL despencou 61%. 

Obs.: A mesma tendência se identificou ao longo da temporada de todas as ligas e em outras modalidades, mas é importante ressaltar que as decisões de NHL, NBA e MLB ocorreram entre o final de setembro e outubro, no momento mais quente da corrida presidencial americana e alguns jogos da reta final das ligas tiveram até de disputar audiência com debates que tiveram atenção recorde do público. Isso ajudou também a jogar os números ainda mais para baixo


Jogadores do Los Angeles Dodgers celebram a conquista da World Series em 2020
Jogadores do Los Angeles Dodgers celebram a conquista da World Series em 2020 Getty

Nessa comparação, a NFL até teve uma queda leve. Na temporada regular, a audiência média dos jogos foi 7% pior que na temporada anterior. O fato de o Super Bowl ter uma queda um pouco maior pode se explicar por outro fenômeno da pandemia: a redução de aglomerações.

A temporada regular é vista principalmente pelos torcedores. O Super Bowl é diferente, é um grande evento social. Muitas pessoas se reúnem em bares, nas ruas ou na casa de amigos para ver o jogo. Mesmo alguém que não goste de futebol americano acaba indo, pois vai na onda do grupo de amigos e pode ao menos se concentrar nas propagandas ou no show do intervalo. 

Muita gente não se importou com a pandemia e se reuniu de qualquer forma. Mas é natural que ainda há uma quantidade razoável de pessoas que tenham preferido ficar em casa sozinho ou com sua família. E, sem um grupo de amigos em volta, quem não tem interesse especial por NFL talvez tenha preferido fazer outra coisa no horário.

Por isso, há motivos para acreditar que a queda de 9% da audiência do Super Bowl pode ser algo circunstancial. O importante mesmo são os números do próximo. Eles podem indicar o quanto 2021 foi um fenômeno isolado ou é realmente algo que merece atenção especial por parte da NFL.

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Dois títulos em um ano: como Tampa ficou no ranking de cidades campeãs das ligas americanas

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal


Campeão do Super Bowl, campeão da Stanley Cup, vice-campeão da World Series. O esporte de Tampa nunca viveu um momento tão espetacular quanto o atual, tanto que muita gente até coloca o título da USL (segunda divisão do futebol dos Estados Unidos). Realmente, são façanhas incríveis para uma região que não costuma ser tão vitoriosa assim, e que muitas vezes gera desconfiança pela oscilação do engajamento de seu público com os times.

Rob Gronkwoski e Tom Brady celebram o título da NFL pelo Tampa Bay Buccaneers
Rob Gronkwoski e Tom Brady celebram o título da NFL pelo Tampa Bay Buccaneers Getty

Pensando em perspectiva histórica, porém, o que essa sequência de títulos representa no cenário das ligas norte-americanas? Tampa já pode ser considerada uma “Cidade de Campeões” (título que várias cidades se deram ao longo das décadas). E Los Angeles, que também está com dois campeões (NBA e MLB) simultâneos?

LEIA MAIS: Tampa e Los Angeles brigam para ter dois títulos ao mesmo tempo. Quando aconteceu antes?

Bem, então aqui está uma edição atualizada do ranking de cidades campeãs do esporte americano. São três rankings, para cada um escolher o que prefere.

Obs.: os rankings consideram as regiões metropolitanas. Por exemplo, São Francisco e Oakland contam como Bay Area, Anaheim conta como parte de Los Angeles e Nova Jersey conta como parte de Nova York. Para a NFL, foram computados também os títulos da NFL e da AFL pré-Super Bowl)

1) Ranking 1 (NFL + MLB + NBA + NHL + MLS)

1 - Nova York (58 títulos)
2 - Boston (39)
3 - Chicago (30)
4 - Los Angeles (27)
5 - Montreal (26)
6 - Detroit (22)
7 - Bay Area (20)
8 - Filadélfia e Toronto (17)
10 - Pittsburgh (16)
11 - St. Louis (14)
12 - Green Bay e Washington (13)
14 - Baltimore e Cleveland (9)
16 - Minneapolis (8)
17 - Dallas, Denver, Houston, Kansas City e Miami (7)
22 - Cincinnati, Edmonton, San Antonio e Seattle (5)
26 - Ottawa e Tampa (4)
28 - Atlanta, Búfalo, Canton, Columbus, Milwaukee e Portland (2)
34 - Akron, Calgary, Frankfort, Indianápolis, Nova Orleans, Phoenix, Providence, Raleigh, Rochester, Salt Lake City e San Diego (1) 

New York Yankees, a franquia com mais títulos nas principais ligas dos Estados Unidos
New York Yankees, a franquia com mais títulos nas principais ligas dos Estados Unidos ESPN

2) Ranking 2 (apenas as 4 ligas mais tradicionais, sem a MLS)

1 - Nova York (58 títulos)
2 - Boston (39)
3 - Chicago (29)
4 - Montreal (26)
5 - Detroit e Los Angeles (22)
7 - Bay Area (18)
8 - Filadélfia (17)
9 - Pittsburgh e Pittsburgh (16)
11 - St. Louis (14)
12 - Green Bay (13)
13 - Baltimore, Cleveland e Washington (9)
16 - Minneapolis (8)
17 - Dallas e Miami (7)
19 - Denver (6)
20 - Cincinnati, Edmonton, Houston, Kansas City e San Antonio (5)
25 - Ottawa e Tampa (4)
27 - Seattle (3)
28 - Búfalo, Canton e Milwaukee (2)
31 - Akron, Atlanta, Calgary, Frankfort, Indianápolis, Nova Orleans, Phoenix, Portland, Providence, Raleigh, Rochester e San Diego (1) 

O Los Angeles Lakers bateu o Miami heat na final para conquistar o título da NBA em 2020
O Los Angeles Lakers bateu o Miami heat na final para conquistar o título da NBA em 2020 Getty Images

3) Ranking 3 (as 5 principais ligas, mas apenas no século 21)

1 - Los Angeles (14)
2 - Boston (12)
3 - Bay Area (8)
4 - Chicago, Pittsburgh e San Antonio (5)
7 - Miami, Nova York e Tampa (4)
10 - Denver, Detroit, Houston, Kansas City, Seattle, St. Louis e Washington (3)
17 - Baltimore, Columbus, Filadélfia e Toronto (2)
21 - Atlanta, Cleveland, Dallas, Green Bay, Indianápolis, Nova Orleans, Phoenix, Portland, Raleigh e Salt Lake City (1)

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As exigências da NFL para as cidades receberem o Super Bowl

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Super Bowl LV será disputado em Tampa Bay, casa de um dos finalistas da decisão da NFL
Super Bowl LV será disputado em Tampa Bay, casa de um dos finalistas da decisão da NFL Getty Images

A NFL é uma liga formada por 32 franquias, que realiza sua final em estádios pré-definidos. Faz sentido que ela apenas fique rodando as escolhas dentro das arenas de suas franquias, certo? Errado, muito errado. Apesar de sempre designar a casa de uma de suas equipes para sediar o Super Bowl, a liga trata a partida como um evento completamente à parte, e organizar o jogo deve ser visto como um privilégio. E, como tal, ela impõe às cidades candidatas as mais diferentes exigências.

O tipo de demanda se tornou público em 2013, quando documentos da NFL vazaram para o jornal Minneapolis Star Tribune. O documento entregue às cidades candidatas na época tinha 153 páginas. Muitos itens são perfeitamente justificáveis para garantir a operação tranquila e segura da partida, mas alguns causaram polêmica na época por exigir recursos públicos ou por soarem preciosistas demais. Desde então, é provável que alguns dos pedidos já tenham saído da lista (o documento atual segue sigiloso, e não houve novos vazamentos), seja pela repercussão ruim da época, seja pela pandemia de Covid-19.

De qualquer modo, o impacto do Super Bowl em sua cidade-sede virou tema de diversos debates. As prefeituras têm retorno desse investimento?

Há respostas das mais diversas, pois dependem muito de critérios para se calcular o retorno efetivo. É uma conta semelhante à que vimos sobre as cidades ou países que se comprometem a organizar uma Copa do Mundo, uma edição dos Jogos Olímpicos ou mesmo um grande prêmio de Fórmula 1.

Veja algumas das exigências mais polêmicas que a NFL fazia (ao menos até 2013) para a cidade que recebesse o Super Bowl:

- A prefeitura precisa disponibilizar, sem custos à NFL, uma força-tarefa dedicada exclusivamente a combater ingressos falsos;

- Se cair uma nevasca no dia do jogo, as necessidades do Super Bowl têm de receber prioridade nos esforços da cidade em remover a neve e abrir as vias. Esse item só perde validade em situações de perigo à segurança da população).

- A NFL fica isenta de impostos pelo faturamento no jogo e nos eventos ligados ao jogo, desde os ingressos da partida até na venda de produtos e serviços relacionados ao evento. Se a cidade não conseguir garantir essa isenção, o comitê organizador local é obrigado a reembolsar a liga por esses valores;

- A cidade precisa garantir acesso exclusivo e gratuito à liga para três campos de golfe de alto nível e 18 buracos para receber um torneio durante o fim de semana do Super Bowl. Além disso, a liga exige duas pistas de boliche de alto nível, também para torneio durante a semana do Super Bowl;

- A cidade precisa cobrir todas as despesas para que a NFL envie uma equipe de 180 profissionais para inspecionarem a cidade-sede pouco mais de um ano antes do Super Bowl;

- A cidade tem de disponibilizar 110 apartamentos para a equipe de produção e segurança do Super Bowl 40 dias antes do jogo. E esses imóveis não podem estar a mais de 20 minutos de carro do estádio;

- A liga exige um hotel com mil quartos. Tudo de graça, da hospedagem e uso de salas de reuniões até ao frigobar nos quartos;

- Se o sinal para celular estiver fraco nos hoteis dos times, o comitê organizador local tem de instalar estrutura para reforçar esse sinal;

- Todos os hoteis que receberão os times precisam ter a NFL Network nos quartos. Detalhe: desde um ano antes do Super Bowl.

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As exigências da NFL para as cidades receberem o Super Bowl

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Como o caos das ações de uma loja de games atingiu uma franquia da MLB

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal
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A história da semana em Wall Street é a disputa envolvendo a GameStop. As ações da rede de varejo especializada em games começaram a flutuar de maneira imprevisível após se tornar ponto central em uma batalha entre grandes corretoras de ações e investidores comuns. A confusão ficou tão grande que pode até envolver o New York Mets. Sim, se no Brasil a gente diz que “tem coisas que só acontecem com o Botafogo”, os Mets podem ser os personagens desta frase se dita por um norte-americano. 

A história começa quando corretoras de ações sentiram que a GameStop teria problemas no futuro. Assim, realizaram movimentos contando com a desvalorização dessas ações. A prática não é bem vista pela comunidade de investidores comuns nos Estados Unidos, e muitos se mobilizaram para contra-atacar. Eles se organizaram em grupos no Reddit para forçar a subida das ações da rede. As ações passaram de US$ 20 para mais de US$ 400 em poucas semanas. A disputa se transformou em uma queda de braço dos dois lados, mas os “day traders” (usuários comuns) venceram.

Obs.: o parágrafo acima foi uma explicação bem simplificada do caso. Clique aqui para entender com mais detalhes

Claro, quem apostava na queda das ações se deu mal, muito mal. O prejuízo para as corretoras é calculado em mais de US$ 5 bilhões. Uma das mais afetadas foi a Melvin Capital, controlada por Gabe Plotkin, que perdeu US$ 3,75 bilhões nessa operação. A empresa ficou descapitalizada e teve de receber ajuda de corretoras concorrentes para não ruir (uma quebra poderia causar efeito dominó no mercado). Quase US$ 1 bilhão veio da Point72, de Steve Cohen. 

Cohen ficou conhecido como o homem que inspirou o personagem Bob Axelrod na série de TV Billions, mas, para o mundo do beisebol, desde outubro ele é conhecido como “o novo dono do New York Mets”.

Claro, a notícia já criou ansiedade em torcedores dos Mets. Ainda mais porque os donos anteriores, a Família Wilpon, parou de investir no time depois de envolvida em um escândalo de pirâmide financeira. E a torcida já pensou que, como o universo sempre dá um jeito de conspirar contra os Mets, nem a fortuna aparentemente ilimitada de Cohen (o valor é calculado em US$ 14 bilhões) ficaria ilesa às perdas dessa batalha da GameStop. Não que ele fosse quebrar, mas talvez tivesse de rever alguns de seus gastos, incluindo os do beisebol.

Por isso, Cohen teve de ir às redes sociais para deixar claro que uma coisa não tinha nada a ver com a outra. Ainda assim, muito torcedor dos Mets vai ficar de olho nas movimentações do clube nessas semanas finais de intertemporada, para ver se a franquia segue investindo pesado em reforços.

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Hank Aaron, o homem que foi ídolo até de Muhammad Ali

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal


“Que momento maravilhoso para o beisebol. Que momento maravilhoso para Atlanta e para o estado da Geórgia. Que momento maravilhoso para o país e para o mundo. Um homem negro é aplaudido de pé no Sul Profundo por quebrar o recorde de um ídolo de todos os tempos do beisebol.”

Vin Scully é um dos maiores narradores esportivos da história da TV. Como responsável pelas transmissões do Los Angeles Dodgers, ele estava na cabine do estádio de Fulton County quando a equipe californiana visitava o Atlanta Braves na abertura da temporada de 1974. Naquela noite, Hank Aaron rebateu o 714º home run de sua carreira, batendo o recorde de Babe Ruth e Scully presenteou o público com uma das melhores narrações de sua carreira.

A referência social em torno do feito de Hank Aaron poderia ser apenas simbologia, uma licença poética do narrador. Mas a narração descreve bem o que ocorria no momento. A superação da marca de Ruth era mais do que apenas um recorde histórico mudando de mãos, era uma questão racial.

LEIA TAMBÉM: Ligas Negras importam

Aaron mostrava ser um fenômeno desde o início de sua carreira na MLB, quando os Braves ainda atuavam em Milwaukee. Em seu segundo ano, 1955, foi o líder da liga em rebatidas duplas e teve 31,4% de aproveitamento no bastão. Na temporada seguinte, foi o melhor em rebatidas e em aproveitamento. Mais um ano se passa e ele foi o campeão de home runs e corridas impulsionadas. O único fundamento ofensivo em que ele não se destacava era roubos de base, ele acabou se tornando um ladrão de base bem decente no auge de sua carreira, já na década de 1960.

Até aí, a MLB teve vários rebatedores fenomenais: Ted Williams, Stan Musial, Willie Mays, Mickey Mantle… Ainda assim, o recorde de home runs de Babe Ruth permanecia intocado. Eram 714. Willie Mays tinha 660, Mickey Mantou parou em 536, Ted Williams ficou em 521, Lou Gehrig em 493 e Stan Musial em 475. Ou seja, ninguém chegou realmente perto da marca de Ruth. Era uma verdade absoluta, consolidada. O beisebol se desenvolveu por décadas tendo esse ícone rechonchudo, bonachão, neto de alemães, que construiu o maior templo e o time mais vitorioso da liga e ainda estabeleceu um patamar inatingível de home runs.

Hank Aaron
Hank Aaron Getty Images

Mas Aaron tinha uma virtude além do talento absurdo para rebater bolas: longevidade. O defensor externo dos Braves não parava de acumular temporadas em altíssimo nível. Teve um início de carreira explosivo na segunda metade da década de 1950 e viveu o auge nos anos 60, mas continuou na elite da MLB no início da década de 1970. E aí a marca de Ruth ficou em risco.

Seria normal que Aaron tivesse uma queda brutal a partir de 1969, quando chegou aos 35 anos. Mas ele seguiu forte: foram 44 home runs naquela temporada, 38 em 1970, 47 em 1971 e 34 em 72. Neste momento, ele já havia passado Mays e se tornado o segundo maior rebatedor de home runs da história. Estava a 40 de Ruth. Salvo uma grave lesão, o recorde ia cair.

Quando a ficha cai, Aaron se transforma em alvo dos mais diversos ataques racistas. Cartas e mais cartas chegavam, várias com insultos e até ameaças de morte. Algumas não se limitavam a jogar uma ameaça vazia no ar, mas também indicavam em que dia e jogo que ocorreria o assassinato. Mesmo torcedores dos Braves, desde 1966 jogando em Atlanta, faziam parte dos ataques. Nenhuma surpresa considerando o cenário no sul dos Estados Unidos, região onde se concentra a maior parte da torcida do Atlanta Braves e até hoje local com problemas raciais profundos.

O clube passou a registrar seu craque com nomes falsos em hoteis para enganar potenciais agressores ou assassinos. Além disso, ele passou a ser acompanhado por seguranças. Ainda assim, o Atlanta Journal chegou a escrever um obituário* de Aaron, já considerando que o atentado poderia ocorrer.

* Obituário: texto sobre a trajetória de uma pessoa famosa ou importante publicado quando ela morre. É comum veículos deixarem obituários prontos quando alguma figura importante pode morrer a qualquer momento, normalmente por doença grave

Apesar de todo esse clima, a temporada de 1973 é fantástica para Aaron. Ele rebate 40 home runs, empatando com Ruth. O novo recorde ficaria para 1974. Por isso, sabia-se que a abertura da temporada, contra os Dodgers. Jimmy Carter, governador da Geórgia na época, foi ao jogo presenciar o momento histórico.

O home run do recorde veio na quarta entrada. A torcida dos Braves festeja, claro. Apesar de tudo, os bons ainda são maioria. Ao pisar no home plate, Aaron recebe um abraço forte de Estella, sua mãe. Mais tarde, ela disse que não abraçou o filho para parabenizá-lo ou para dar um carinho no momento de glória, mas com medo que algum atirador aproveitasse o momento para agir. Aaron também não conseguia separar a alegria pelo feito esportivo de todo o contexto racial que esteve em torno de sua perseguição ao recorde, e a sensação de alívio pelo fim daquele processo -- e potencialmente das ameaças -- era tão forte quanto a satisfação profissional.

Aaron rebateu mais 19 home runs naquele ano. E mais 12 em 1975 e 10 em 76. Enfim a idade chegou. Encerrou a carreira com 755 home runs, marca só superada por Barry Bonds por meio de uso de doping, e 2.297 corridas impulsionadas e 6.856 bases totais, ainda hoje recordes da MLB. Foi selecionado para 25 All-Star Games consecutivos.

Terminou a carreira como o maior nome do esporte de Atlanta, de longe (mesmo na comparação com mitos como Dominique Wilkins e Evander Holyfield). Ele também chegou a ser ranqueado como o maior atleta do esporte do Wisconsin, à frente até de Kareem Abdul Jabbar, Aaron Rodgers e Brett Favre. 

Também engajou-se na questão racial, até usando sua experiência pessoal como exemplo do que ocorria com negros nos Estados Unidos. Inclusive, manteve guardada todas as cartas de ódio que recebeu ao longo da carreira, para nunca esquecer tudo o que passou. Não à toa, Muhammad Ali, provavelmente o maior símbolo mundial de união de desempenho esportivo de altíssimo nível com engajamento social, chegou a dizer que Hank Aaron era a única pessoa pela qual ele tinha mais consideração do que por ele próprio. 

Hank Aaron faleceu na última sexta, dia 22, aos 86 anos. Seu legado vai muito além do Atlanta Braves e da MLB. Atlanta Falcons (NFL) e Atlanta United (MLS) decidiram retirar seu número, o 44, por um ano como reconhecimento do que Aaron fez pela Geórgia. E os Estados Unidos perderam uma figura que deu seu melhor ao país, mesmo quando muitas vezes recebia de volta o pior.

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Ligas Negras importam

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

Major League Baseball, a liga maior. Suas estatísticas são a referência de grandeza do beisebol, assim como suas marcas são os recordes que valem. Ligas de outros países até têm relevância local, mas esta é a única reconhecida mundialmente. Pois, a partir deste ano, essas estatísticas e marcas receberão o histórico das Ligas Negras que existiram na primeira metade do século 20. Alguns recordes terão de ser redefinidos e, como praticamente tudo no mundo de hoje, virou tema de debate, contestação e acusação de politização do esporte.

As Ligas Negras foram diversas competições realizadas principalmente na primeira metade do século 20 apenas por jogadores negros. E, por “negros”, entenda-se “negros e latino-americanos de pele um mais escura que a média entre americanos brancos”, de acordo com os critérios da época. Na época, esses jogadores eram barrados na MLB por um acordo não-escrito entre donos de clubes e tiveram de criar suas próprias ligas para poderem viver de seu talento. 

Com o início da integração racial, em 1947, as principais estrelas das Ligas Negras foram contratadas por times da MLB. Aos poucos, essas ligas perderam seus principais nomes, o público foi migrando para a Major League e elas acabaram extintas em alguns anos.

Jackie Robinson, primeiro jogador a sair das Ligas Negras para se tornar estrela da MLB
Jackie Robinson, primeiro jogador a sair das Ligas Negras para se tornar estrela da MLB Getty

A aceitação do legado das Ligas Negras foi gradual. Em 2006, foi criado um comitê para imortalizar seus principais nomes no Hall da Fama do Beisebol. O Hall da Fama das Ligas Negras se tornou mais conhecido e respeitado pela comunidade do esporte. Ainda assim, as façanhas técnicas em campo não eram equiparadas às da MLB. Suas marcas não valiam.

Quando a própria MLB anunciou que colocava as Ligas Negras no patamar de “Grande Liga”, uma parcela de torcedores reclamou, alegando que a liga pretendia apenas melhorar sua imagem diante da comunidade negra, pois não seria justo equiparar o nível técnico. Mas será que é tão injusto assim?

Há dois argumentos fundamentais nessa questão. Primeiro: até a integração racial ser realmente efetiva, e aí já falamos do meio de década de 1950 ou talvez a de 1960, não dá para cravar que a MLB representava o que de melhor havia no beisebol. Dá para dizer que era o melhor que havia no beisebol praticado por brancos. Por mais que o nível técnico fosse claramente alto, não dá para ignorar que atletas negros e latinos tinham talento para estar naquele cenário, eventualmente dificultando (jogando para baixo) algumas das estatísticas coletadas até aquele momento.

Então, se até a integração são consideradas as marcas do “melhor beisebol entre brancos”, por que não valerem também as estatísticas do “melhor beisebol entre negros e latinos”? Não é justo considerar as duas equivalentes, cada uma dentro da divisão racial existente na época (essa sim, injusta e inaceitável)?

Além disso, é preciso lembrar que as estatísticas aceitas como as das “Grandes Ligas” não se referem apenas à MLB, a união de Liga Nacional e Liga Americana. Há décadas, a Major League Baseball já reconhecia também o valor de ligas criadas nos primórdios do beisebol, algumas delas concorrentes da própria MLB: American Association (1882-1891), Union Association (1884), Players’ League (1890) e Federal League (1914-1915). De acordo com pesquisadores, apenas a AA e a UA tinham nível técnico realmente equivalente ao da Liga Nacional (a Liga Americana não havia sido fundada, então o que entendemos hoje por MLB era apenas a Liga Nacional). Ah, todas essas ligas eram brancas também.

Então, por que é aceito sem tanta contestação que as estatísticas da Liga dos Jogadores e da Liga Federal sejam computadas dentro do guardachuva da MLB, e a das Ligas Negras recebe contestação?

Dessa forma, a decisão de equiparar as Ligas Negras à MLB pode até causar um estranhamento pelo fato de que alguns recordes famosos mudarão de mãos, mas é justo. Justo e atrasado, diga-se.

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Os Indians vão mudar de nome, mas quais seriam as melhores opções?

Ubiratan Leal
Ubiratan Leal

A notícia veio efetivamente em dezembro, mas já estava na cara que ia acontecer. Após décadas de manifestações, sobretudo da comunidade indígena norte-americana, o Cleveland Indians decidiu mudar de nome. A decisão faz parte do mesmo movimento que transformou o Washington Redskins em Washington Football Team (e futuramente em um Washington Qualquer-Apelido-que-Anunciarem-em-Breve).

Francisco Lindor, principal figura do Cleveland Indians nos últimos anos
Francisco Lindor, principal figura do Cleveland Indians nos últimos anos GettyImages

Já era esperado que o time mudaria de nome porque, em junho, anunciou que havia iniciado uma avaliação interna sobre essa possibilidade. Considerando que isso ocorreu justamente durante o movimento que levou milhões de norte-americanos às ruas para pedir o fim do racismo, a franquia não ia falar que “estava avaliando mudar um nome racialmente contestado” se não fosse para efetivamente mudar.

De qualquer forma, ainda não se sabe qual será o futuro nome dos Indians. Em 2021, o time ainda utilizará seu nome tradicional, mas já se sabe que estará de nome novo em 2022. Mas quais são os nomes favoritos da torcida até agora?

Obs.: a franquia deixou claro que não pretende adotar referências nativo-americanas

SPIDERS

Motivo: Cleveland Spiders foi um dos primeiros times (já extinto) de beisebol da cidade

É um dos favoritos pela torcida de acordo com pesquisas da imprensa de Cleveland. E é meu preferido pessoal também. A aranha é um animal amedrontador, algo sempre buscado por times profissionais. Além disso, elas foram estranhamente ignoradas nas principais ligas profissionais da América do Norte, então seria um nome único. E até já consigo imaginar ações como transformar as redes de proteção do estádio em teias (só pendurar aranhas no alto) e alguma ação ligada ao Homem-Aranha, já que o uniforme do heroi e do time têm as mesmas cores.

GUARDIANS

Motivo: um dos símbolos de Cleveland é a ponte Hope Memorial, famosa por duas grandes esculturas de guardiões (o s “Guardiões do Trânsito”)

O nome não tem tanto apelo fora de Cleveland, mas tem sido bastante defendido pela torcida. Sinal de que a população da cidade realmente vê os guardiões como ícones da cidade. E, convenhamos, é um nome portentoso para um time. Ainda mais se ele tiver um histórico muito bom jogando em seu estádio.

ROCKERS

Motivo: o nome “rock and roll” teria sido utilizado pela primeira vez por uma rádio de Cleveland para descrever o estilo musical que estava surgindo. Por isso, o Hall da Fama do rock fica em Cleveland

É o meu segundo preferido, porque, bem, eu gosto de rock. Mas, motivos egoístas à parte, seria realmente um bom nome. Além de fazer referência a um elemento histórico de Cleveland, ainda é uma palavra forte e ainda chamaria a atenção do planeta ao papel da cidade na história de um dos estilos musicais mais globalizados. O lado ruim é que ficaria muito parecido com o Colorado Rockies (referência às Montanhas Rochosas, “Rocky Mountains”).

Ohio State Buckeyes comemora título no futebol americano universitário
Ohio State Buckeyes comemora título no futebol americano universitário Joe Robbins/Getty Images Sport

BUCKEYES

Motivo: foi o nome de um time de Cleveland nas ligas negras (buckeye é nome da árvore-símbolo de Ohio e se tornou apelido para qualquer coisa referente ao estado)

Nome simpático, tem aceitação no estado e a referência às ligas negras é sempre bem-vinda. No entanto, há um problema sério: Buckeyes já é o apelido dos times da universidade Ohio State, uma das mais fortes do futebol americano. Se o Cleveland tentasse adotar o Buckeyes, a universidade poderia contestar, os torcedores da universidade que não ligam para os Indians poderiam contestar e até o Cincinnati Reds, outro time de Ohio na MLB, teria motivo para reclamar, pois poderia soar como uma tentativa do invasão de território de seu vizinho.

BASEBALL TEAM

Motivo: para que tanta dor de cabeça pensando em um mascote? Precisa ter um mesmo? Por que não deixar só “Baseball Team”, assim como os times de futebol são “Football Club”?

Paul Dolan, dono do Cleveland Indians, já disse que não gosta da ideia de usar um nome provisório e, por isso, a franquia não seria o Cleveland Baseball Team em 2021, como fez o Washington da NFL. Isso já enfraquece muito a ideia de o Cleveland adotar permanentemente esse nome com cara mais futebolística. Outro problema é que, se a franquia fica “vazia” no apelido, pode haver um incentivo para os defensores de “Indians” continuarem usando o nome antigo para se referir ao time. Dando um novo mascote, é mais fácil deixar para trás o antigo.

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