O motivo do fiasco: Itália não soube escolher justamente onde ainda é melhor que os outros

Gian Oddi
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Gian Piero Ventura: escolha bizarra levou Itália a vexame
Gian Piero Ventura: escolha bizarra levou Itália a vexame GettyImages

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Não chega a ser uma grande surpresa: depois de 60 anos, a seleção italiana, quatro vezes campeã mundial e dona de uma das quatro camisas mais pesadas do futebol no planeta, não jogará uma Copa do Mundo. O baque ocorre após o empate por 0 a 0 com a limitada seleção sueca, no estádio San Siro, nesta segunda-feira.

Muitos motivos podem justificar o fiasco: uma geração distante das mais talentosas do futebol italiano; critérios da Uefa que põem Espanha e Itália para se digladiar nas eliminatórias enquanto outros grupos têm, por exemplo, Islândia e Croácia ou Polônia e Dinamarca como maiores forças; o azar no jogo de ida contra os suecos; a pontaria no jogo de volta; o alinhamento dos planetas, o mapa astral dos atletas ou as fases da lua.

Nada disso, contudo, tem tanto peso no fracasso como a escolha do treinador — curiosamente, talvez a única área do futebol profissional em que a Itália ainda se sobressai em relação aos outros países com relevância na modalidade.

Em uma terra que conta com técnicos da qualidade de Antonio Conte, Carlo Ancelotti, Maurizio Sarri, Luciano Spalletti e Massimiliano Allegri, para ficar apenas nos mais capazes treinadores italianos do momento, a escolha de Gian Piero Ventura, veterano que passou toda a carreira dirigindo times do segundo escalão do país, foi um choque para muita gente em junho do ano passado.

Ainda que atualmente as seleções, com raras exceções (como o Brasil), não contem com os melhores técnicos de seus países por questões financeiras, a escolha de Ventura surpreendeu também pela pouca expressão de seu nome.

Roberto Mancini, Fabio Capello ou até mesmo Claudio Ranieri, técnicos hoje inferiores aos cinco citados acima, certamente causariam menos estranhamento — o que, nestes casos, talvez não significasse um desempenho tão superior.

O fato é que Ventura contou com um grupo muito parecido com o que Antonio Conte teve à disposição na ótima participação da última Eurocopa. Lembremos: na primeira fase, a Itália liderou o grupo considerado mais forte do torneio, com Bélgica, Suécia e Irlanda; nas oitavas, despachou a forte Espanha sem dificuldades; e, cheia de desfalques, caiu nas apenas nos pênaltis nas quartas-de-final, contra a campeã do mundo Alemanha.

Para os confrontos contra a Suécia pela repescagem, Ventura chamou nada menos que 15 dos jogadores que Conte levou à Euro. Ainda teve Verratti, que estava machucado no torneio continental, e contava com os ótimos momentos de atletas como Jorginho, Insigne, El Shaarawy e Immobile, dos quais ele não soube aproveitar.

Vivendo a esquizofrenia entre tentar impor um modelo do jogo ousado e autoral (o 4-2-4) e acatar o clamor dos medalhões pela volta do sistema utilizado por Antonio Conte na Euro, Ventura escreveu seu nome, junto com os de seus empregadores, em um dos capítulos mais tristes e vexatórios do futebol italiano.

Um baque pesado para o calcio justamente no momento em que o Campeonato Italiano renasce com novas ideias de jogo, com a adoção (tardia) de medidas profissionalizantes que serão adotadas na próxima temporada e, também, com novos investimentos estrangeiros.

Para ir à Copa, porém, a Itália não precisava de novidades. Só precisava ter escolhido melhor na única área em que sempre teve excelência.

Fonte: Gian Oddi

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A não adoção do VAR no Brasileirão é uma derrota até para quem é contra o VAR

Gian Oddi
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Árbitro de vídeo sendo utilizado na Série A da Itália
Árbitro de vídeo sendo utilizado na Série A da Itália AIA.it

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É para lamentar, mas não surpreender: o mesmo Conselho Técnico do Campeonato Brasileiro que nesta segunda-feira liberou o absurdo que é a venda de mandos nos jogos do Campeonato Brasileiro até a 33ª rodada, vetou a utilização do árbitro de vídeo na competição em sua edição de 2018.

As decisões não surpreendem por um motivo simples: dinheiro.

Enquanto a venda de mando faz com que os clubes da Série A possam arrancar um dinheirinho de governos municipais ou estaduais pelo país, a utilização da arbitragem de vídeo, pelo contrário, os obrigaria a colocar a mão no bolso.

Em ambos os casos, lamentavelmente, privilegia-se o dinheiro em detrimento dos aspectos técnicos e esportivos.

Mesmo quem acredita que o VAR não traria benefícios ao campeonato deve admitir: embora estejamos falando de uma implementação de alto custo (R$ 20 milhões para todo o Brasileirão), o aspecto econômico não deveria ser o determinante para decisão tão relevante no cenário do futebol nacional.

Manoel Serapião, responsável pelo VAR na CBF, informou que, além do dinheiro, outros motivos foram alegados pelos clubes para tomar a decisão.

Um deles, de tão patético, só escancara o quanto estamos falando apenas de questões financeiras: segundo alguns clubes, seria melhor “esperar o efeito do VAR” nos 64 jogos da Copa do Mundo, como se mais de 680 partidas dos campeonatos nacionais de Alemanha e Itália (sem falar nas Copas) nesta temporada não bastassem para se fazer uma análise e até um aperfeiçoamento do sistema.

Falta vontade de agir, de melhorar e, claro, de gastar.

É até compreensível e louvável que os clubes brasileiros, em sua maioria ainda mal geridos e endividados até o pescoço, digam não para novos gastos. É compreensível que também exijam da milionária (e pelo menos em seu passado recente corrupta) CBF o pagamento da implementação do sistema, como aliás ocorrerá na Copa do Brasil.

Não é compreensível, contudo, que estes mesmos clubes sigam reféns de federações ou confederações parasitas para implementar as melhoras necessárias ao futebol nacional.

A não adoção do VAR, por este motivo, é mais uma derrota do futebol brasileiro. Até para quem é contra o VAR.


PS. Atendendo a muitos pedidos, eis a relação de quais clubes votaram contra e quais votaram a favor da utilização do VAR. A favor: Bahia, Botafogo, Chapecoense, Flamengo, Grêmio, Internacional e Palmeiras. Contra:  América, Atlético-MG, Atlético-PR, Ceará, Corinthians, Cruzeiro, Fluminense, Paraná, Santos, Sport, Vasco e Vitória. O São Paulo não votou porque seu presidente deixou a reunião antes da votação. 

Fonte: Gian Oddi

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Felipão lamenta ingratidão de Tite e diz por que não respondeu aos seus chamados

Gian Oddi
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“Esta palavra não existe mais: gratidão.”

Foi esta uma das conclusões de Luiz Felipe Scolari, técnico da seleção brasileira nas Copas do Mundo de 2002 e 2014, ao tratar sobre sua relação com Tite, o atual técnico da seleção, em entrevista no Bola da Vez da ESPN Brasil que vai ao ar à meia noite de terça para quarta-feira.

“Você acha isso correto de quem tu conhece há 30 anos, de quem te abriu todas as portas? Quem te deu a oportunidade de ser jogador do Caxias, de começar na carreira e arranjar lugares fora do Brasil para trabalhar? Essa é a gratidão?”, questionou Felipão.

Scolari se referiu às declarações dadas pelo irmão de Tite, Miro, à jornalista Camila Mattoso, autora da biografia do hoje técnico da seleção. Na ocasião, Miro disse que Felipão, enquanto técnico do Palmeiras, entregara um jogo do Campeonato Brasileiro de 2010 para prejudicar o Corinthians, então treinado por Tite.

“O Felipe é malandragem, é ganhar de qualquer jeito. É um cara de família e eu admiro ele por isso. Mas entra em campo e esquece da vida. Ali acabou a relação”, afirmou Miro no livro “Tite”, lançado no ano passado.   

Sobre a frase do irmão, também em sua biografia, o atual técnico da seleção comentou o seguinte: “Gratidão eu tenho pelo início, por conselhos e orientações. Depois desse jogo de 2010, passou a ser uma relação profissional... Não perdi a gratidão, mas eu comecei a ver com outros olhos”.

Felipão durante sua participação no programa Bola da Vez
Felipão durante sua participação no programa Bola da Vez ESPN

“Eu também”, retrucou Felipão durante o Bola da Vez, para depois revelar por que se recusou a atender Tite quando este o procurou, assim como a todos os técnicos anteriores da seleção brasileira (com exceção de Dunga) ao assumir o cargo.

Foi em entrevista à Folha de S.Paulo, em outubro deste ano, que Tite disse ter tentado conversar “com todos”, mas sem obter sucesso com Felipão: “Ele não foi possível. Tentei contato por e-mail duas vezes e não obtive resposta, aí vi que não ia ter diálogo e desisti".

Um fato que, segundo Felipão revelou no Bola da Vez, tem um motivo óbvio: “Por que eu tenho que atender se quando eu solicitei (uma conversa) eu não fui atendido? Nem ouviu o porquê daquilo. Então tá bom!”

Além de falar sobre a relação com Tite, durante mais de 1h30 da entrevista concedida a João Carlos Albuquerque, André Kfouri e a mim no Bola da Vez, Felipão tratou de assuntos como os 7x1 da Copa de 2014 (claro), do inimigo que fez no Chelsea e prejudicou sua passagem por Londres, da rivalidade com Luxemburgo, de Figo e Cristiano Ronaldo, da ausência de Alex na Copa de 2002 e de seu futuro como técnico, entre outros temas.

Felipão em sua entrevista ao Bola da Vez
Felipão em sua entrevista ao Bola da Vez ESPN

Fonte: Gian Oddi

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Técnico, reforços, promoções e retornos: como será a cara do Palmeiras em 2018

Gian Oddi
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Abel Braga, técnico do Fluminense, é a prioridade do Palmeiras para 2018
Abel Braga, técnico do Fluminense, é a prioridade do Palmeiras para 2018 Gazeta Press

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Sem maiores objetivos para a temporada e com a vaga na fase de grupos da Libertadores assegurada, o Palmeiras passou a pensar definitivamente em 2018 desde a vitória sobre o Sport.

A novela sobre a renovação de Fernando Prass, que deve ser resolvida ainda nesta semana, é apenas um indício que se junta à anunciada contratação do lateral-esquerdo Diogo Barbosa, do Cruzeiro, e à iminente chegada do zagueiro Emerson Santos, do Botafogo.

Lucas Limas é nome realmente próximo do Palmeiras, e a investida pelo goleiro Weverton, do Atlético-PR, também deve ter sucesso — a avaliação da direção é que as todas alternativas para o gol alviverde em 2018 precisam ser nomes experientes.

A lista de reforços pode até não parar por aí, mas, a partir de agora, só deve crescer se houver desejos pontuais do novo treinador alviverde.

O treinador
Se as possibilidade de permanência de Alberto Valentim não eram das maiores nem mesmo após as suas três primeiras vitórias na sequência, hoje elas inexistem.

Abel Braga, que ontem admitiu pela primeira vez contato do alviverde, é há um bom tempo a prioridade do Palmeiras, que considera necessária a chegada de um técnico "cascudo", com mais renome, para 2018 — era este, aliás, um dos principais atributos apreciados pela diretoria na "primeira opção" Mano Menezes.

Pela inexistência de tantos nomes com este perfil no cenário atual, contudo, Roger Machado, considerado um bom técnico mas ainda inexperiente para este Palmeiras, seria alternativa (bem menos apreciada) caso Abel Braga refute o convite.

Retornos, promoções e partidas
Além das contratações citadas no início do post, o elenco passará a contar também com o retorno de jogadores emprestados: o zagueiro Thiago Martins, hoje no Bahia, e os laterais João Pedro e Victor Luis, respectivamente na Chapecoense e Botafogo (este último ainda pode ser negociado, dependendo das propostas que o Palmeiras receber).

Outras caras, estas ainda pouco conhecidas do torcedor, passarão a integrar o elenco profissional vindos da base palmeirense, cujo desempenho recente tem sido muito bom, como comprova esta matéria. O zagueiro Pedrão, os atacantes Artur e Fernando e até o jovem e promissor lateral-esquerdo Luan Candido (de apenas 16 anos) serão promovidos.

Com quatro reforços, os novos garotos e a volta de atletas emprestados, alguns jogadores também precisarão deixar o Palmeiras, em definitivo ou por empréstimo.

Egídio está pronto para voltar ao Cruzeiro. Zé Roberto deve parar. A situação de Roger Guedes com o restante do elenco, como informamos há semanas no Linha de Passe, é complicada e ele deve ser negociado. Garotos como Erik e Hyoran podem ser emprestados para poder jogar mais.
 
É evidente que, num clube com os recursos do Palmeiras, novidades podem sempre aparecer se surgirem oportunidades no mercado. Hoje, porém, o treinador que chegar avaliará a necessidade de mudanças ou não baseando-se numa lista muito próxima à do elenco abaixo (entre parênteses os reforços ainda não oficializados):    

GOLEIROS
Fernando Prass, Jailson, (Weverton)

ZAGUEIROS
Edu Dracena, Mina (que sai em julho), Luan, Juninho, Thiago Martins, Pedrão e (Emerson Santos) 

LATERAIS DIREITOS
Jean, Mayke e João Pedro 

LATERAIS ESQUERDOS
Diogo Barbosa, Victor Luis e Luan Candido

VOLANTES
Felipe Melo, Tchê Tchê, Bruno Henrique e Thiago Santos  

MEIAS
Moisés, Guerra, (Lucas Lima), Michel Bastos e Raphael Veiga  

ATACANTES
Borja, Dudu, Willian, Keno, Deyverson, Fernando e Artur 

Fonte: Gian Oddi

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E outra escolha (antes discutível) de Tite se tornou incontestável...

Gian Oddi
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Alisson Becker: temporada irretocável com a Roma até aqui
Alisson Becker: temporada irretocável com a Roma até aqui Getty

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Não é só Paulinho, hoje jogador do Barcelona, a ter justificado dentro de campo uma escolha do técnico Tite que parecia bastante questionável alguns meses atrás.

Porém, se o ex-volante corintiano o fez sobretudo em jogos da própria seleção brasileira antes mesmo de se transferir para o Barça, no caso do goleiro Alisson a mudança se dá essencialmente pelos jogos de seu time, a Roma.

O goleiro, que só jogava pelas copas menos importantes na temporada passada e por isso suscitava uma série de (justas) dúvidas sobre suas escalações como titular no gol da seleção iniciadas ainda na Era Dunga, transformou-se em destaque do Campeonato Italiano (mas não só).

Nesta segunda-feira, o jornal italiano La Gazzeta dello Sport traz uma relação com o percentual de defesas em relação às bolas chutadas a gol de todos os goleiros da competição, e é o brasileiro de 25 anos quem lidera a relação.

Alisson aparece com 86,5% das bolas defendidas, marca que o deixa à frente de nomes como Buffon, Handanovic e do badalado goleiro prodígio Donnarumma (curiosamente o último da lista com apenas 55,6% de defesas).

Não é, contudo, apenas uma questão estatística: trata-se de analisar, também, o grau de dificuldade e o momento das defesas que o goleiro revelado pelo Internacional tem feito rodada após rodada.

No último sábado contra o Bologna, por exemplo, Alisson foi pouco acionado. Mas, mesmo frio, garantiu o então 0 a 0 com uma grande defesa poucos minutos antes de El Shaarawy marcar o gol que asseguraria mais uma vitória por 1 a 0 (a terceira seguida) da Roma.

Alisson, ter Stegen, Oblak... veja as grandes defesas das muralhas do fim de semana, que fecharam o gol

Com Alisson sob as traves, o time da capital italiana não tomou gol em 7 das partidas 10 que fez pelo Campeonato Italiano, no qual tem a melhor defesa (5 gols). E na Champions League, uma atuação exuberante do brasileiro garantiu o empate por 0 a 0 contra o Atlético de Madri, em Roma.

Vida de goleiro, sabemos, é sempre ingrata e arriscada: uma sequência de ótimas atuações pode ser esquecida por uma falha num momento decisivo. O goleiro de Novo Hamburgo pode até errar já nesta terça-feira, contra o Chelsea pela Champions League, ou, pior ainda, na Copa do Mundo.

Mas, hoje, por melhores que sejam as atuações de seus "concorrentes" Ederson, Cássio ou até mesmo o esquecido Vanderlei, não há mais ninguém que possa contestar com bons argumentos a escalação de Alisson como titular da seleção brasileira.

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Por que Felipe Melo concedeu entrevista?

Gian Oddi
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Felipe Melo parece ser refém de seu personagem: o Ousado
Felipe Melo parece ser refém de seu personagem: o Ousado Gazeta Press

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Beirou o ridículo a entrevista coletiva concedida por Felipe Melo para falar sobre sua reintegração ao elenco do Palmeiras nesta segunda-feira.

A direção do clube via a coletiva como oportunidade para o jogador limpar sua barra com todos. Com a torcida, que em sua maior parte esqueceu a idolatria pelo volante após a divulgação do fatídico áudio em que Melo chamava o técnico Cuca de mau caráter, mas, sobretudo, com o próprio treinador.

Era, na visão da direção palmeirense, chance de uma manifestação pública com humildade, demonstrando arrependimento.

Felipe Melo garante que não se ofereceu a outros clubes e nega qualquer tipo de arrependimento

Mas não foi o que houve, e o tiro saiu pela culatra.

Em vez de tentar apaziguar a situação, Melo, uma espécie de refém de seu personagem ousado, procurou outro caminho.

Primeiro ao interromper o repórter para ressaltar que não havia pedido perdão a Cuca. Depois, ao dizer que, fosse ele uma “laranja podre”, o time teria “voado” a partir de sua saída, algo que acabou não ocorrendo.

Em que pese sua qualidade como jogador, a verdade é que, desde que chegou ao Palmeiras, Felipe Melo foi e segue sendo muito mais relevante e contundente nas entrevistas do que dentro de campo.

Gian Oddi: 'Por que conceder ao Felipe Melo a possibilidade de falar?'

Após a atrapalhada entrevista, sua tentativa de minimizar o que disse através do Twitter teve pouco efeito, até porque não é a primeira vez que ele o faz — basta lembrarmos do vazamento do áudio e a entrevista ao Linha de Passe horas depois.

Nesta segunda-feira, Felipe Melo foi, no melhor dos casos, pouco cuidadoso para quem sabia que sua entrevista era aguardada com enorme expectativa.

O “ativo do clube”, como ele mesmo se classificou em mais de uma oportunidade na fala de hoje, deve seguir sendo ativo apenas do ponto de vista contratual.

Cuca já não tinha muitos motivos para escalá-lo e certamente não passará a tê-los por causa da mais recente entrevista de seu mais polêmico jogador.

Felipe Melo diz que não pediu perdão ao Cuca diretamente, mas a todos do Palmeiras

Ou seja, a expectativa da direção, de que a entrevista servisse como oportunidade para o jogador tentar convencer o técnico de suas boas intenções, teve efeito contrário. E, convenhamos, ninguém poderá condenar Cuca por manter Felipe Melo fora do time.

Segue, assim, o trâmite protocolar e burocrático que, ninguém fala abertamente, mas está claro só ocorrer por conta de orientações jurídicas.

Afinal, a reintegração do jogador não ocorreu a pedido do técnico e, a julgar pela entrevista, também tem pouco a ver com a vontade do jogador de voltar a vestir a camisa do Palmeiras dentro de campo.

Fonte: Gian Oddi

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Por que Felipe Melo concedeu entrevista?

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Com empurrão de PSG e Milan, mercado bate recorde; veja ranking de ligas mais gastonas (e surpreenda-se)

Gian Oddi
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Graças ao PSG, de Neymar, Liga Francesa investiu 121% a mais que em 2016
Graças ao PSG, de Neymar, Liga Francesa investiu 121% a mais que em 2016 Getty

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Após o fechamento da última janela do mercado europeu, pela primeira vez na história do futebol as cifras das cinco principais ligas da Europa superaram a marca dos 4 bilhões de euros gastos em contratações.

O recorde de 3,9 bilhões do último verão europeu foi superado em mais de 20% segundo um levantamento minucioso realizado pelo jornal italiano La Gazzetta dello Sport — neste ano o montante chegou a mais de 4,7 bilhões gastos*.

É interessante notar, contudo, que embora a Premier League continue sendo com larga margem a competição onde os clubes mais gastam, seu crescimento foi modesto em relação à temporada passada — cerca de 7%, pulando de 1,65 bilhão para 1,76 bi.

Dirigente do Barcelona conta quando soube que Neymar iria para o PSG

A liga responsável pelo maior aumento, não só em valores proporcionais como absolutos, foi a francesa, evidentemente impulsionada pelo PSG. Na França, os gastos passaram de 372 milhões para 822 mi, um crescimento de 121%!

A Itália também passou a gastar consideravelmente mais, cerca de 47%, sobretudo por causa do Milan e seu investimento chinês. Aliás, além dos ingleses, os clubes italianos foram os únicos a gastar (pouco) mais de 1 bilhão de euros em jogadores.
 
Curiosamente, a liga alemã, não à toa a mais sustentável entre as cinco maiores da Europa, foi a única onde as despesas em contratações de jogadores sofreram queda em relação ao último mercado de verão na Europa: de 659 para 608 milhões de euros.   

Segundo dirigente do Barça, Liverpool pediu 200 milhões de euros para vender Coutinho

Já na Espanha, também pela pouca necessidade de investimento do milionário campeão europeu Real Madrid, o aumento do investimento dos clubes no mercado foi pequeno, algo em torno de 8%.

Confira abaixo as listas com os valores em euros investidos pelas ligas e principais clubes, e a relação dos jogadores que mais custaram no último mercado europeu:


Liga

Gastos 2017    Gastos 2016    Variação

1) Premier League (Reino Unido)    

1,76 bi1,65 bi+7%

2) Serie A (Itália)

1,03 bi707 mi+47%

3) Ligue 1 (França)

822 mi372 mi+121%

4) Bundesliga (Alemanha)

608 mi659 mi-8%

5) La Liga (Espanha)

553 mi512 mi+8%


Os 10 times que mais gastaram no mercado 
(milhões de euros)
1) PSG (França) - 383
2) Milan (Itália) - 228
3) Manchester City (Inglaterra) - 209,9
4) Chelsea (Inglaterra) - 204,5
5) Barcelona (Espanha) - 192
6) Manchester United (Inglaterra) - 161,8  
7) Everton (Inglaterra) - 158,6
8) Roma (Itália) - 148,2
9) Juventus (Itália) - 141,2
10) Liverpool (Inglaterra) - 140

Os 10 jogadores mais caros do último mercado (milhões de euros)
1) Neymar (PSG) - 222
2) Mbappé (PSG) - 145
3) Dembelé (Barcelona) - 105
4) Lukaku (Manchester United) - 83
5) Moarata (Chelsea) - 66,5
6) Mendy (Manchester City) - 57,5
   Lacazette (Arsenal) - 57,5
8) Walker (Manchester City) - 50
   Sigurdsson (Everton) - 50
10) Matic (Manchester United) - 44,5

* Diferenças em relação a outras listas similares ocorrem pela contabilização ou não de bônus previstos em contratos. Aqui as contas incluem valores que serão atingidos por metas meramente burocráticas feitas para burlar o Fair Play financeiro (por exemplo, já se considera como 145 milhões de euros o valor pago pelo PSG por Mbappé). 

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Falta uma semana: 11 jogadores que podem fazer Mercado europeu bater recorde

Gian Oddi
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Mbappé: saída do Monaco (por muito dinheiro, claro) é questão de tempo
Mbappé: saída do Monaco (por muito dinheiro, claro) é questão de tempo Getty

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Falta uma semana para o encerramento da janela de mercado mais maluca dos últimos tempos na Europa. Depois que o PSG pagou 222 milhões de euros para tirar Neymar do Barcelona, depois que o Manchester City torrou cerca de 150 milhões de euros em três laterais, depois que o Milan se encheu de dinheiro chinês para sair às compras e voltar a ser forte, o futebol europeu está inflacionado. E muito.

O resultado é que, faltando 7 dias para o fim do mercado, parece iminente que tenhamos, ao final do dia 31 de agosto, um novo recorde de investimento em jogadores para uma janela do mercado europeu considerando as cinco principais ligas nacionais do continente. A maior marca é, ainda, a do último verão da Europa, quando foram gastos nada menos que 3,9 bilhões de euros em contratações.

Para que esta marca (sempre envolvendo exclusivamente as ligas de Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França) seja superada faltam menos de 400 milhões de euros. Uma cifra que, considerando a iminência de contratações ainda grandes que devem ocorrer nesta reta final de mercado, tem chances enormes de ser superada.

Quais as tais contratações iminentes? São muitas, até porque, num mercado inflacionado, é normal que os clubes vendedores esperem até o último momento para liberar seus jogadores mais valiosos, esperando por eles as melhores ofertas. 

O blog selecionou 11 entre os tantos jogadores que podem (e em muitos casos, devem) movimentar estes últimos 7 dias de mercado. Aqueles com mais chances de mexer nas cifras acima de maneira realmente significativa.  

Kylian Mbappé (Monaco)
Atacante francês, 18 anos
Tratado como objetivo dos gigantes Barcelona e Real Madrid no início do mercado, hoje parece apenas questão de tempo para que seja anunciado como (outro) reforço do PSG de Neymar.

Ousmane Dembelé (Borussia Dortmund) 
Meia-atacante francês, 20 anos
Um dos principais objetivos do Barcelona desde o início do mercado, não tem jogado pelo Dortmund por vontade própria e é, ainda, uma alternativa para substituir Neymar.

Diego Costa (Chelsea) 
Atacante brasileiro, 28 anos
Dispensado por Antonio Conte no Chelsea, com quem ainda tem vínculo, quer voltar ao Atlético de Madri, que, contudo, só poderá contratar em janeiro. E até lá? O Milan chegou a ser tratado como alternativa.

Philippe Coutinho (Liverpool) 
Meia-atacante brasileiro, 25 anos
Principal alternativa para substituir Neymar, é mais um que não tem jogado enquanto o mercado não fecha. Ele quer o Barcelona, que se dispõe a pagar 140 milhões de euros, mas o Liverpool (ainda?) não libera.

Alexis Sanchez (Arsenal) 
Atacante chileno, 28 anos
Após interesse de Inter e Milan, é hoje objetivo do Manchester City, que jogará a Champions League, ao contrário do Arsenal. Sua saída já pareceu mais provável, mas certeza de permanência mesmo só após o dia 31.  

Fabinho (Monaco) 
Lateral e volante brasileiro, 23 anos
Já foi cotado para pelo menos uma dúzia de gigantes do futebol europeu. Hoje, o Arsenal, o Manchester United e, claro, o PSG parecem ser os clubes mais interessados em sua contratação.

Andrea Belotti (Torino) 
Atacante italiano, 23 anos
Já foi objetivo de Chelsea e Milan, mas os 100 milhões de euros exigidos pelo time de Turim dificultam o negócio. Hoje, buscando substituto para a iminente saída de Mbappé, o Monaco mira o italiano.

Jean Michel Seri (Nice) 
Meia marfinense, 26 anos
Alternativa bem mais modesta que Dembelé e Coutinho, a ida do jogador ao Barcelona chegou a ser dada como certa pela imprensa europeia. Seu empresário, porém, disse que (adivinhem?) o PSG atrapalhou o negócio.  

Julian Draxler (PSG)
Meia-atacante alemão, 23 anos
Comprando tanto, para correr menos riscos com o Fair Play financeiro, o PSG precisa vender. E o alemão é um jogador que interessa (ou já interessou) a muita gente: Liverpool, Arsenal, Internazionale, Bayern, Barcelona...

Patrik Shick (Sampdoria) 
Atacante tcheco, 21 anos  
A grande promessa tcheca chegou a acertar tudo com a Juventus, mas problemas médicos fizeram o negócio melar. Hoje, Roma e Internazionale, mas não só, estão tentando contratá-lo.

Thomas Lemar (Monaco)
Atacante francês, 21 anos
Mais um atacante francês, mais um atacante do Monaco, mais um suposto objetivo do PSG. Mas não só: o Arsenal também estaria interessado no jovem, sobretudo se Sanchez for mesmo embora.


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O essencial do Italiano 2017-18: candidatos ao título, outros destaques, lista de brasileiros e probabilidades

Gian Oddi
Gian Oddi
Estrelas do Campeonato Italiano 2017-18
Estrelas do Campeonato Italiano 2017-18 ESPN

Times importantes mais fortes, e a equipe mais forte (um pouco) menos forte. Entendeu? Se não, leia de novo, porque a frase resume bem a expectativa para a temporada 2017-18 do Campeonato Italiano. Se esta expectativa for confirmada, e ao mesmo tempo for mantida a média de gols que fez com que o futebol da Itália tivesse (surpreendentemente) a maior marca entre as principais ligas europeias na última temporada, não há motivo para pessimismo em relação à competição que começa na tarde deste sábado, com os jogos de Juventus (13h) e de Napoli (15h30) ao vivo na ESPN Brasil

Interromper a série de seis conquistas seguidas da toda poderosa Juventus continua sendo missão duríssima, mas equipes como Napoli (principalmente), Milan, Roma, Inter e Lazio têm motivos para acreditar no feito — ok, em alguns destes casos, o termo sonhar talvez seja mais realista. Além disso, a ambição de atingir a Champions League da próxima temporada, com o aumento de três para quatro vagas destinadas aos clubes do país, será objetivo de mais times por boa parte do campeonato.  

Veja abaixo um resumo sobre as preparações e as formações dos principais times do Italiano 2017-18, alguns destaques entre as equipes menores, a lista com todos os (por enquanto*) 38 brasileiros que disputam o campeonato e as probabilidades de cada time segundo o FiveThyrtyEight, ferramenta da ESPN criada com esta finalidade.



  •  Juventus

A poderosa hexacampeã italiana até se reforçou bem do meio para frente com as boas contratações do volante Matuidi (PSG), do promissor meia Bernardeschi (Fiorentina) e do atacante brasileiro Douglas Costa (Bayern de Munique). Resta saber como fará para compensar em campo as saídas de Daniel Alves e, principalmente, do zagueiro e líder Leonardo Bonucci, duas peças essenciais do que era até então seu ponto mais forte: a sua quase intransponível defesa. Além disso, após ganhar de forma inédita seis títulos seguidos na Itália, cada vez mais a prioridade dos comandados de Massimiliano Allegri deve ser a Champions League. Manter o foco na briga pelo scudetto com a mesma intensidade, portanto, passa a ser um desafio. 

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  •  Roma

Apesar da chegada do badalado diretor esportivo espanhol Monchi, a vice-campeã não saiu fortalecida do mercado. O capitão Francesco Totti encerrou a carreira e virou dirigente, uma perda simbólica. Em campo, o zagueiro Rudiger (que foi para o Chelsea) e o atacante Salah (Liverpool) farão mais falta. Monchi fez de tudo para repor o último contratando Riyad Mahrez, do Leicester, mas 37 milhões de euros não bastaram. Chegaram nomes promissores como o lateral-direito holandês Karsdorsp e o meia-atacante turco Under, o zagueiro da seleção mexicana Hector Moreno, o experiente lateral Kolarov e dois franceses, o meia Gonalons e o atacante Defrel, que trabalhou com o (novo) técnico Di Francesco no Sassuolo nas últimas temporadas. Muitos nomes, mas poucas certezas. É esperar para ver.

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  •  Napoli 

A manutenção de todo o elenco do Napoli foi a grande notícia para seus torcedores. Afinal, pelo futebol que jogaram, nomes como o belga Dries Mertens e o italiano  Lorenzo Insigne foram cogitados por alguns gigantes do futebol europeu. Com um futebol vistoso e nada menos que 94 gols marcados no último campeonato, a equipe do (agora badalado) técnico Maurizio Sarri é provavelmente o principal desafiante da Juventus. O problema é que, apesar de mantido, como não chegaram reforços relevantes (o atacante Ounas, ex-Bordeaux, e o lateral Mario Rui, ex-Roma são as novidades), o elenco continua curto para conciliar a disputa do Italiano com a Champions League. Ou seja: a posição final na briga pelo scudetto pode depender de quanto o time avançará no torneio continental.

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  •  Milan

Bonucci, zagueiro da Juventus. Biglia, volante da Lazio. André Silva, atacante do Porto. Çalhanoglu, meia do Bayer Leverkusen. Conti, lateral da Atalanta, de onde também veio o volante Kessie. Musacchio, zagueiro do Villareal. Rodriguez, lateral do Wolfsburg. Borini, atacante do Sunderland. Kalinic, atacante da Fiorentina (falta oficializar). Os novos proprietários chineses do Milan mostraram por que chegaram, abriram a carteira e montaram uma equipe nova, com promessas e realidades, levando o clube a vender carnês para os jogos da temporada como não acontecia há mais de uma década. Embora no clube ninguém fale na conquista do scudetto já para esta temporada, a torcida está empolgada como há muito não esteve, e caberá ao jovem técnico Vincenzo Montella mostrar que toda esta empolgação faz sentido.

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  •  Internazionale 

Embora com uma política mais austera do que a do arquirrival, a Inter também se reforçou: o meia Borja Valero (Fiorentina), os laterais Cancelo (Valencia) e Dalbert (brasileiro do Nice), o volante Vecino (Fiorentina), o zagueiro Skriniar (Sampdoria) e a volta do atacante Jovetic são as principais novidades em campo. Mas a maior esperança para evoluir está no banco, com a chegada do técnico Luciano Spalletti, cujo trabalho na pré-temporada empolgou a torcida a ponto de a estreia contra a Fiorentina já ter vendido mais de 40 mil ingressos - marca que a Inter não tinha para um jogo em agosto desde os tempos de José Mourinho. Em relação aos principais rivais, o time tem a vantagem de não participar de nenhuma copa europeia, podendo assim se concentrar totalmente no Italiano.

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  •  Lazio

Embora o título da Supercopa da Itália contra a Juventus, obtida após emocionante vitória por 3 a 2, tenha empolgado a torcida e quebrado um longo jejum contra a hexacampeã italiana, brigar pelo scudetto parece um objetivo distante da realidade.  Até porque, em relação ao time que foi 5º colocado no último Italiano, as mudanças foram poucas: Lucas Leiva chegou do Liverpool como maior contratação da temporada, mas seu objetivo é repor a saída de Biglia para o Milan. Keita não deve mesmo permanecer, e portanto as esperanças de gols ficam depositadas na boa dupla formada pelo brasileiro Felipe Anderson e pelo atacante da seleção italiana Ciro Immobile. Hoje, brigar por uma das quatro vagas na Champions parece ser uma meta mais realista para o time de Simone Inzaghi.

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OUTROS DESTAQUES (com um olhar brasileiro)

Após o surpreendente 4º lugar no ano passado, a Atalanta de Giampiero Gasperini, apesar de perdas importantes, busca afirmação com a manutenção da estrela argentina Papu Gomez e reforços como o brasileiro João Schmidt, ex-São Paulo. O Torino desponta como primeira força após os favoritos, não só porque conseguiu manter o cobiçadíssimo Belotti, mas por ter se reforçado com nomes como o goleiro Sirigu, o ex-zagueiro são-paulino Lyanco (que começou bem) e o volante Rincon, da Juventus. Já a Fiorentina, agora com o técnico Pioli, ex-Inter, viu uma debandada no elenco, mas aposta no ex-palmeirense Vitor Hugo para acertar sua zaga e no atacante Giovanni 'Cholito' Simeone, filho do técnico do Atlético de Madri, para formar o ataque de outro filho com "grife", o jovem Chiesa. No Genoa, a curiosidade ficará por conta do desempenho do argentino Centurión, ex-São Paulo, que poderá formar dupla com outro argentino, Maxi Lopez (negócio ainda não fechado). Outra dupla de ataque interessante do torneio será Pazzini e Cerci no Verona, que também contratou o zagueiro/lateral uruguaio Cáceres. No já não mais surpreendente Sassuolo, o cobiçado Berardi seguirá como estrela por outro ano. No Bologna, a contratação do argentino Palácio, após tantos anos de Inter, é a que chama mais atenção. A Udinese terá uma dupla de zaga toda brasileira, formada por Danilo e Samir


38 BRASILEIROS 

Entre os 20 times que disputarão o Campeonato Italiano 2017-18, apenas quatro não contam com nenhum brasileiro em seu elenco. São eles o novato Benevento, Crotone, Chievo e Genoa. Entre as demais equipes, a Roma é a mais brasileira da Itália, com seis jogadores, seguida por Napoli, Lazio, Udinese e Cagliari (quatro cada um). Saiba quem são eles*: 

Atalanta
Rafael Tolói (zagueiro), João Schmidt (volante)

 Bologna
Angelo da Costa (goleiro)

Cagliari
Rafael (goleiro), João Pedro (meia), Diego Farias (atacante)

Fiorentina
Vitor Hugo (zagueiro)

Internazionale
Miranda (zagueiro), Dalbert (lateral-esquerdo), Gabriel (atacante)

Juventus
Alex Sandro (lateral-esquerdo), Douglas Costa (atacante)

Lazio
Maurício (zagueiro), Wallace (zagueiro), Lucas Leiva (volante), Felipe Anderson (meia-atacante)

Milan
Gabriel (goleiro)

Napoli
Rafael (goleiro), Allan (volante), Jorginho (volante), Leandrinho (atacante)

Roma
Alisson (goleiro), Juan Jesus (zagueiro), Leandro Castan (zagueiro), Bruno Peres (lateral-direito), Emerson Palmieri (lateral-esquerdo), Gerson (meia)

Sampdoria
Dodô (ala/lateral-esquerdo)

Sassuolo
Rogério (lateral-esquerdo)

Spal
Felipe (zagueiro)

Torino
Lyanco (zagueiro), Danilo Avelar (lateral-esquerdo)

Udinese
Danilo (zagueiro), Samir (zagueiro), Ewandro (atacante), Ryder Matos (atacante)

Verona
Nicolas (goleiro), Daniel Bessa (meia)


PROBABILIDADES
A expectativa e as chances de cada equipe de acordo com este blog é possível compreender nos textos acima sobre cada um dos seis favoritos. Se quiser, você pode conferir também quais as probabilidades de cada time segundo os dados e estatísticas da ferramenta FiveThirtyEight, criada pela ESPN com esta finalidade. Um breve resumo da ordenação dos favoritos está na imagem abaixo. Mas, se quiser mais detalhes, clique aqui para acessar o FiveThirtyEight.

Probabilidade para o título Italiano segundo o Five Thirty Eight
Probabilidade para o título Italiano segundo o Five Thirty Eight reprodução

* até o dia 31 de agosto os times e a lista de brasileiros podem e devem sofrer alterações. O blog será atualizado com as novas informações.

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O essencial do Italiano 2017-18: candidatos ao título, outros destaques, lista de brasileiros e probabilidades

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Na Inglaterra, brasileiros (quase) só jogam em candidatos ao título. Saiba por que e quem são todos eles

Gian Oddi
Gian Oddi
Gabriel Jesus: um dos principais brasileiros da Premier League 2017-18
Gabriel Jesus: um dos principais brasileiros da Premier League 2017-18 Getty

Começa nesta sexta-feira a temporada 2017-18 da Premier League, o mais rico e disputado campeonato nacional do planeta.

Quando o assunto é número de brasileiros, porém, o Campeonato Inglês fica bem abaixo de outras ligas da Europa, como Espanha, Itália, Portugal e França. Nesta edição são, por enquanto*, apenas 13 os brasileiros que iniciam a competição (e alguns com poucas perspectivas de jogar).

É compreensível: na Inglaterra, jogadores de fora da comunidade europeia precisam preencher certos pré-requisitos que atestem sua importância ou capacidade (como passagem por seleções, por exemplo) para poder jogar a liga nacional. São, portanto, jogadores mais caros.

Estes critérios técnicos nem sempre são seguidos com rigor, pois existe um comitê para avaliar caso a caso a intenção de contratação de estrangeiros dos clubes britânicos. Assim, muitas vezes acabam por ser subjetivas as razões que dão “aval” para contratações de estrangeiros no país.

De qualquer forma, o método funciona. Tanto é que os brasileiros estão quase que exclusivamente nos times mais ricos, os candidatos ao título (a exceção é o modesto Watford, do goleiro Gomes e do recém-contratado atacante Richarlison, ex-Fluminense).

Das 20 equipes que disputam a competição, nada menos que 15 delas não contam com brasileiro algum. São elas: Arsenal, Bornemouth, Brighton, Burnley, Crystal Palace, Everton, Huddersfield, Leicester, Newcastle, Southampton, Stoke City, Swansea, Tottenham, West Bromwich e West Ham.

Os cinco quatro times que têm brasileiros, além do já citado Watford, são todos gigantes, com ambições grandes no campeonato. Veja como estão distribuídos os 16 brasileiros* do Campeonato Inglês entre estas equipes, que têm o Chelsea e o City como times que mais apostam em jogadores nascidos por aqui:

ARSENAL
Gabriel Paulista (zagueiro) 

CHELSEA
David Luiz (zagueiro), Willian (meia), Wallace (lateral), Nathan (meia), Kenedy (meia)

LIVERPOOL
Phillipe Coutinho (meia), Roberto Firmino (atacante), Allan (meia)

MANCHESTER CITY
Ederson (goleiro), Danilo (lateral), Fernandinho (volante), Gabriel Jesus (atacante)

MANCHESTER UNITED
Andreas Pereira (meia)

WATFORD
Gomes (goleiro), Richarlison (atacante)  

* Até o dia 31 de agosto, quando fecha o mercado europeu, mudanças podem e devem ocorrer (Coutinho pode sair, Kenedy deve ser emprestado...). O blog será atualizado conforme o andamento dos negócios.

Fonte: Gian Oddi

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A recusa de Roger Machado é motivo de elogios

Gian Oddi
Gian Oddi


Roger Machado: atitude inédita para muitos técnicos consagrados
Roger Machado: atitude inédita para muitos técnicos consagrados Bruno Cantini/Atlético-MG

Nesta segunda-feira, durante o Linha de Passe na ESPN Brasil, tivemos uma mesa dividida, com opiniões diferentes ao avaliar a recusa de Roger Machado após o técnico receber uma sondagem sobre a possibilidade de assumir o comando técnico do Flamengo.



Conforme apurou Mauro Cezar Pereira, Roger ouviu uma sondagem do Fla (não chegou a receber convite formal), mas reforçou sua posição: após a demissão no Atlético, não pretende voltar a trabalhar em 2017.

Não havia na mesa, porém, dúvida alguma de que  assumir este Flamengo já fora da briga pelo título nas duas principais competições do ano, mas com o melhor elenco do Brasil, enorme margem de melhora pela frente e a chance de levantar duas taças — Copa do Brasil e Sul-Americana — seria boa oportunidade de consagração para o treinador.

O que só torna sua atitude mais elogiável.

Roger Machado recusa convite do Flamengo e divide opiniões no 'Linha de Passe'

A fartura de demissões de treinadores em uma temporada do futebol brasileiro é alvo de críticas constantes, sobretudo da imprensa e, claro, dos próprios treinadores, que em todo momento alegam não ter tempo para desenvolver bons trabalhos.


Roger, pela segunda vez em sua ainda curta carreira, faz mais do que reclamar ao agir com a personalidade que outros técnicos mais renomados não agiram em décadas de carreira: recusar sondagens ou propostas tentadoras, dos dois clubes com mais torcida no país, por princípios e convicções sobre o que é (ou deveria ser) o trabalho de um treinador.

Evidentemente choverão críticas a Roger na linha do “quem ele pensa que é?”, “ainda não é nada para recusar Corinthians e Flamengo” e “está se achando demais para quem ainda não ganhou nenhum título relevante”.

O principal debate causado por sua recusa, contudo, não deveria ser sobre sua capacidade, que de fato ainda carece de comprovação depois de um início promissor e ideias tão promissoras quanto. Até porque a recusa a convites tão tentadores é bem mais rara que a escolha equivocada de técnicos por parte de grandes clubes.

Gian diz que Rueda é a melhor opção para o Flamengo: 'Teria muito mais crédito para trabalhar'

Antonio Rueda até parece, hoje, um nome mais adequado ao Flamengo: não apenas por sua qualidade, mas porque, no Brasil, quanto mais crédito um treinador tem no momento de sua chegada, mais tempo terá para trabalhar sem depender de resultados. E hoje Rueda tem muito mais crédito do que Roger, inclusive com os torcedores.

A atitude de Roger, porém, é um passo, ainda que pequeno, para que os técnicos no Brasil não dependam mais de “créditos” para ter o mínimo de tempo necessário para trabalhar. 

Que outros técnicos parem de reclamar e copiem seu exemplo.

Fonte: Gian Oddi

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A recusa de Roger Machado é motivo de elogios

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Entenda por que a transação de Neymar mudará o futebol mundial

Gian Oddi
Gian Oddi
Neymar na capa do Le Parisien: transferência do século
Neymar na capa do Le Parisien: transferência do século reprodução

222 milhões de euros era, até outro dia, um valor maluco daqueles que os clubes colocavam como multa em caso de rescisão de contrato apenas para ter a certeza de que ninguém lhes “roubaria” um craque.

Não é mais, como vimos nesta semana, ainda que tal valor só possa ser pago por clubes cuja origem do dinheiro é, para dizer o mínimo, duvidosa.

Disse Jürgen Klopp, técnico do Liverpool, a respeito da ida de Neymar ao PSG: “Existem apenas dois clubes que podem pagar um valor como este, e eles são PSG e Manchester City” (dois clubes que, lembremos, já foram multados em 2014 por descumprir as regras do Fair Play Financeiro da Uefa).

Tenha ou não razão Klopp, sejam ou não apenas este dois os clubes capazes de torrar tanto dinheiro, o fato é que a Uefa parece ter percebido a necessidade de mudar as regras do Fair Play Financeiro, instituído em 2011 com o objetivo básico de evitar que os clubes gastem um dinheiro que não têm, prática que conhecemos tão bem por aqui.

O Fair Play financeiro atual pode não ser perfeito, mas reduziu consideravelmente, na média, as dívidas dos clubes europeus. Seus benefícios e resultados são inegáveis, como demonstra o especialista no tema Giovanni Armanini em entrevista a Leonardo Bertozzi em seu blog.

Entretanto, a Uefa e seu presidente, o esloveno Aleksander Ceferin, chegaram à conclusão que é preciso fazer mais. Não apenas com a investigação específica do caso Neymar, conforme antecipou o diretor-executivo de Fair Play Financeiro e sustentabilidade da entidade, Andrea Traverso.

Concluiu-se que é preciso mudar as regras, ampliá-las, e a negociação de Neymar deixou tudo ainda mais evidente. Sua transação não apenas deve acelerar a adoção das novas medidas, como pode torná-las ainda mais rígidas.

Entenda abaixo quais são as principais medidas que já estão sendo discutidas e que a Uefa pode aplicar em breve para alterar não só a lógica do mercado no futebol europeu, mas também a maneira como os clubes mais abastados precisarão planejar seus elencos.

Imposto sobre altos gastos
A exemplo do que ocorreu no futebol chinês, a Uefa estuda cobrar um percentual de imposto sobre salários e/ou transações de jogadores que superarem certos limites. Esse dinheiro seria distribuído entre clubes, ligas nacionais e competições da Uefa.

Teto salarial
A ideia é limitar o valor que um clube pode gastar com salários. É hoje improvável que se defina um teto para jogadores, e mais provável a limitação de um valor máximo para a folha salarial – que poderia ter também limites de jogadores por faixa salarial.

Teto de gastos por janela
Neste caso, os clubes teriam um valor máximo para gastar numa janela de mercado (ou nas duas, de verão e inverno, somadas). Exemplo: se o teto fosse 222 milhões de euros, o PSG poderia contratar Neymar e ninguém mais nesta temporada.

Regulamentação de empréstimos
A principal meta é evitar que os empréstimos sirvam apenas para amortizar os valores de vendas em vários anos: virou comum clubes emprestarem jogadores com obrigação de compra depois. Limitar a idade de atletas emprestados é uma ideia.

Fonte: Gian Oddi

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Áudio e entrevista de Felipe Melo mudaram postura do Palmeiras em relação à liberação

Gian Oddi
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Mattos e Melo na apresentação do atleta: após áudio vazado, relação mudou
Mattos e Melo na apresentação do atleta: após áudio vazado, relação mudou Gazeta Press

No último sábado, após o técnico Cuca anunciar a decisão de liberar Felipe Melo para, nas palavras do técnico, “seguir outro caminho”, a ideia da diretoria alviverde era clara: tentar a melhor alternativa de saída para o clube, mas sem impor grandes obstáculos para que o jogador assinasse com outra equipe.

O plano inicial considerava não apenas a possibilidade de liberá-lo sem receber valor algum como contrapartida (afinal, o clube já deixaria de arcar com o ônus de seu alto salário) como avaliava, eventualmente, o pagamento de parte dos seus honorários em outra equipe.

O áudio em que Felipe Melo chama Cuca de covarde, fala do interesse da vários times e diz que “nunca esteve tão fácil” para o Flamengo contratá-lo irritou a direção palmeirense, que também ficou incomodada com as justificativas concedidas na sequência em entrevista ao vivo ao Linha de Passe.

Na avaliação da direção alviverde, ao contrário do que muita gente acredita, é pequena a chance de o áudio ter vazado propositalmente. E, de fato, é difícil enxergar benefícios para o jogador no vazamento — sejam eles no aspecto contratual como na relação com os torcedores palmeirenses.

Depois do problema no vestiário do Palmeiras após a eliminação contra o Cruzeiro pela Copa do Brasil, a decisão por seu afastamento já estava tomada pelo técnico, como admitiu o próprio jogador à ESPN Brasil.

Lembremos o que disse Melo: “Errei, porque naquele dia sim eu falei alguma coisa contra o Cuca. Nesse momento de erro eu pedi desculpa perante ao grupo, pedi desculpa à diretoria e fui muito claro na minha desculpa, olhando nos olhos do Cuca. Ele me desculpou, apertou minha mão e disse que não trabalharia mais comigo, na frente dos outros jogadores”.

Passado o episódio, uma conversa entre o diretor de futebol Alexandre Mattos e o presidente do Palmeiras, Maurício Galiotte, definiu a estratégia para anunciar a saída de Melo: Cuca daria a entrevista alegando questões táticas (o que não deixava de ser verdade, embora não fosse toda ela) e a provável insatisfação do jogador com a reserva.

Desta forma, o clube não desvalorizaria seu patrimônio externando (ou mesmo relembrando) a existência de outras questões que pesaram no aval da diretoria para a liberação, como uma série de problemas (alguns pequenos, é verdade) ocorridos com Roger Guedes, Dudu, o preparador físico Omar Feitosa e, enfim, Cuca.

Mas o áudio e a entrevista estragaram a estratégia.

Foi só então que a direção resolveu convocar a entrevista coletiva de Alexandre Mattos para demonstrar firmeza por parte do clube: "O Felipe Melo é um ativo do Palmeiras, vale dinheiro. Se algum clube o quiser, que procure o Palmeiras, porque até hoje ninguém procurou. E não vai ser ‘facinho’. No áudio, ficou parecendo que está fácil".

A partir de agora, embora ainda precise pesar o ônus da permanência de Melo no elenco, o Palmeiras de fato não está disposto a liberar o jogador de graça.

Até porque seu salário, mesmo alto, não é um problema gigante para quem conta com o suporte de uma patrocinadora abonada e generosa.


Fonte: Gian Oddi

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Áudio e entrevista de Felipe Melo mudaram postura do Palmeiras em relação à liberação

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Neymar conduziu sua saída como se fosse seu pai, um símbolo do futebol atual

Gian Oddi
Gian Oddi
Família Neymar: dinheiro e 'protagonismo' acima de tudo
Família Neymar: dinheiro e 'protagonismo' acima de tudo EFE

Acabou a novela, ainda que faltem detalhes da transação. Neymar pediu, oficialmente, para deixar o Barcelona.

Primeiro, o óbvio: Neymar faz o que bem entender da sua vida e de suas escolhas profissionais. Joga onde bem quiser, ao lado de quem bem entender, recebendo a fortuna que se dispuserem a lhe pagar por seu futebol fora de série.

Seu caso, contudo, é um episódio emblemático dos desejos de uma classe, de um momento, de um esporte.

Deixando de lado sua nova remuneração astronômica (não que ganhasse mal em Barcelona), é interessante analisar a escolha do craque brasileiro pelo aspecto que, nos dias de hoje, parece determinante para guiar as decisões dos maiores nomes do futebol: a individualidade, as conquistas próprias acima das coletivas, a maldita bola de ouro da Fifa.

Nove entre 10 argumentações favoráveis à troca de clube de Neymar citam, literalmente ou quase, termos como “sair da sombra de Messi”, “virar o protagonista” ou, claro, “ser finalmente o melhor do mundo”. Diversas apurações, inclusive a do jornalista Marcelo Bechler, o primeiro a anunciar sua ida ao PSG, colocam tais motivos como importantes na decisão do brasileiro.

Deixemos de lado a discussão sobre a subjetividade e as injustiças do tal prêmio da Fifa, até porque tratar especificamente da honraria em que se vota nos mais famosos não é a intenção aqui.

Você poderá argumentar, com razão, que olhar para o próprio umbigo em detrimento de um senso coletivo é da natureza humana. Sem dúvida, e o mundo corporativo, ao qual muito se recorre para traçar paralelos com o futebol, está aí para comprovar. Quantos são, nas grandes empresas, os que ignoram ou menosprezam os objetivos comuns, metas como finalizar um projeto de sucesso (eventualmente concebido por terceiros), para colher o máximo de louros individuais?

No mundo corporativo, não há dúvida, as coisas funcionam quase sempre assim.

Mas o futebol é diferente, ou pelo menos teria motivos para ser.

Pessoas têm com o futebol uma relação de amor e gratidão que empresas, grandes ou pequenas, raramente conseguem despertar em seus funcionários e clientes ou consumidores. Um time de futebol, porém, não é uma empresa, ainda que possa ser bem gerido como tal.

Diante deste aspecto emocional, que no fim das contas é a força motriz do futebol (porque é o que move os torcedores), este esporte gera, em sua engrenagem, fatos, reações e consequências que um funcionário de uma empresa qualquer, seja ele da graduação que for, não conseguirá jamais reproduzir.

Neymar joga em um clube de tradição e importância consideravelmente maiores que o PSG. Com um bom trabalho coletivo, teria ao seu lado jogadores capazes de formar uma equipe histórica (como fizeram seus antecessores no clube catalão). Aos 25 anos, cinco a menos que Messi, o caminho natural o levaria a ser candidato real à almejada Bola de Ouro jogando ou não ao lado do argentino. No Barcelona. Em um campeonato melhor.

Provavelmente é romantismo, mas a estes fatores acima seria preciso somar um outro que, nos tempos atuais, parece ter peso nulo nas decisões tomadas pela maioria esmagadora dos jogadores: ser amado, idolatrado e retribuir o amor de uma torcida a ponto de tornar-se um mito, uma lenda para um clube de futebol ou uma cidade, não conta mais.

Gerrards, Maldinis, Tottis, Terrys e Zanettis fazem parte do passado.

As ações de Neymar nas semanas que antecederam sua saída demonstraram preocupação nula com o tema: o silêncio, a marra, as notícias sobre seu pedido para que o PSG contratasse um objetivo do Barcelona para sua reposição, a briga no treino com o recém-chegado Semedo... são só alguns dos fatores que fizeram com que, em todas as sondagens realizadas em Barcelona, os torcedores catalães se manifestassem a favor de sua saída. Triste.

Neymar já tem 25 anos e poderia ter demonstrado ao menos alguma preocupação com o tema. Se não com o clube que nele apostou (que está longe de ser um exemplo), com a torcida que o idolatra desde quando tinha 21. No entanto, talvez por falta de personalidade, talvez por fé cega no progenitor, conduziu sua saída como se fosse seu pai, de uma forma parecida com a que conduziu sua saída do Santos. 

Resultado: aquele que poderia ser um ídolo eterno tornou-se persona non grata em Barcelona.

De novo: Neymar faz o que bem quiser de sua vida, e o fato de trocar o Barcelona pelo PSG não incomoda. Até porque o peso dos motivos desta escolha só ele conhece bem.

Incomoda, porém, que passemos a tratar como óbvias e indiscutíveis justificativas egocêntricas quando o assunto é futebol.

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Neymar conduziu sua saída como se fosse seu pai, um símbolo do futebol atual

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Em campo, Felipe Melo não fará falta. Mas a decisão de Cuca é pura ‘ousadura’

Gian Oddi
Gian Oddi

Cuca faz pronunciamento sobre Felipe Melo: 'É uma coisa que daria problema no futuro'


Antes de tudo, deixo claro que, na minha visão, Cuca tinha obrigação de responder às perguntas sobre a decisão de liberar Felipe Melo (não pelos jornalistas, que são apenas intermediários, mas pelos torcedores, que são os receptores finais).

Dito isso, contudo, é preciso reconhecer que o técnico palmeirense foi muito claro e direto em seu pronunciamento sobre os motivos que o levaram a abrir mão do volante. 

Embora tenha dito com outras palavras (e se você quiser a declaração literal basta ver o vídeo acima), é simples assim: Felipe Melo não seria titular no Palmeiras de Cuca e, na visão do treinador, acabaria por lhe criar problemas no vestiário (se é que já não os tinha criado, como sustentam versões de quem trabalha no clube).

Se Cuca está certo ou não, jamais saberemos, até porque Felipe Melo não jogará mais pelo Palmeiras. 

A decisão do treinador, porem, é tão corajosa quanto arriscada.

O risco não se dá pela falta que Felipe Melo fará ao Palmeiras. Do ponto de vista técnico, pelo futebol que vinha jogando, a ausência de Melo no Palmeiras será mais notada nas redes sociais e nas declarações do que dentro de campo (clique para ler o ótimo texto de Leandro Iamin sobre o tema).

Bruno Henrique e Thiago Santos, quando utilizados, vêm jogando mais que Melo. Jean, que acaba de voltar, é um eficiente titular para o time de Cuca, que parece caminhar para utilizá-lo mais no meio que na lateral. Moisés está voltando. Tche Tche, que a exemplo de Melo vem jogando menos do que pode, e em breve até o esquecido Arouca são outras opções para a posição.

Melo talvez seja potencialmente o melhor entre todos eles, mas este potencial não foi visto no Palmeiras e, pelo entendimento tático de Cuca, nem seria.

O que torna a decisão de Cuca corajosa e arriscada é justamente a possibilidade de Felipe Melo vir a apresentar este futebol em outro clube, como ocorreu com Lucas Barrios no Grêmio. Neste sentido, aliás, é louvável que o treinador não tome a decisão de liberá-lo só depois de escalar o volante em sete partidas do Brasileiro, o que o impediria de jogar por outra equipe da Série A.

Se o Palmeiras vier a ser campeão, o caso morrerá aqui. Mas se Felipe Melo voltar a jogar tudo que pode em outro time do Brasileirão ou até mesmo da Europa, e o Palmeiras terminar o ano sem conquistas, Cuca já sabe: sua decisão será lembrada, relembrada e rotulada como erro inaceitável.

Neste sentido, a decisão de Cuca é pura ‘ousadura’.

O neologismo que foi, provavelmente, o maior legado de Felipe Melo no Palmeiras.

Gian: Justificativa de Cuca sobre Felipe Melo foi clara, mas muita coisa ficou sem explicação
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Em campo, Felipe Melo não fará falta. Mas a decisão de Cuca é pura ‘ousadura’

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O Corinthians será campeão brasileiro?

Gian Oddi
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Jadson, desfalque do Corinthians por 30 dias: é preciso calma com as previsões
Jadson, desfalque do Corinthians por 30 dias: é preciso calma com as previsões Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

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Que não temos a capacidade de responder à pergunta do título deste post no mês de julho deveria ser óbvio para todos. Mas não é.

Primeiro foi a ânsia em apontar o bom time Fábio Carille, por seu começo excepcional, como o provável campeão após apenas 11 ou 12 rodadas de um campeonato de 38.

Em que pese o bom futebol e a organização corintiana, ignorava-se nesta precipitação, por exemplo, o fato que o ótimo time do Grêmio, jogando um futebol vistoso e eficiente, perdera três jogos na sequência (Corinthians, Palmeiras e Avaí) sem necessariamente ter jogado mal.

Algo que, faltando mais de 20 rodadas para o fim da competição, poderia e pode ocorrer não só com o Corinthians como com qualquer outra equipe – afinal, é de futebol que falamos.

Ignorava-se também que o Corinthians, como propagado no início do torneio para após 10 rodadas ser negado por tantos (resultados fazem mágica...), tinha e continua tendo um elenco menos poderoso que alguns de seus rivais.

Agora, incrivelmente, já há quem veja em dois empates um motivo para decretar a provável derrocada de um time que vem mostrando organização, padrão e empenho acima da média desde o início do torneio.

Cita-se para isso, além dos dois empates contra Atlético-PR e Avaí (que por detalhes poderiam ter terminado com vitórias), os problemas médicos de Jadson (fora por ao menos 30 dias) e Pablo (seis semanas ausente).

Vale ressaltar que em apenas quatro de seus 15 jogos no Brasileiro o Corinthians entrou em campo com sua formação dita titular: nas contundentes vitórias contra Palmeiras e Bahia e nos empates com Chapecoense e Avaí (quando perdeu Jadson e Pablo com apenas 15 minutos de jogo).

Ainda que tiremos o empate com o Avaí da conta de “jogos com os titulares” (porque perdeu dois deles muito cedo), a matemática de desempenho do Corinthians neste Brasileiro é a seguinte:

Iniciando COM os 11 titulares (3 jogos) – 77% de aproveitamento

Iniciando SEM o time titular (12 jogos) – 83,3% de aproveitamento

Diante do desempenho corintiano, diante de como ocorreram seus dois “tropeços” nas últimas rodadas e diante dos dados acima, soa novamente precipitado querer apontar uma inevitável derrocada do líder do campeonato.

Seria legal deixarmos a contundência das opiniões para as análises possíveis: sobre o que aconteceu, o que acontece e, vá lá, o que pode acontecer em prazos mais curtos.

Deixemos as previsões impossíveis para os discípulos de Mãe Dinah.

Fonte: Gian Oddi

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O Corinthians será campeão brasileiro?

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A (ousada) opção de Bonucci: por que ele deixou a Juventus e escolheu o Milan?

Gian Oddi
Gian Oddi
Bonucci muda de direção: da Juve para o Milan
Bonucci muda de direção: da Juve para o Milan Getty Images

Pep Guardiola já disse que, se pudesse, formaria um time com 11 Bonuccis. Exagero ou não do treinador espanhol, é fato incontestável que, hoje, aos 30 anos de idade, Leonardo Bonucci seria titular em qualquer time do planeta. Qualquer mesmo, pode simular.

Neste cenário, não deixa de ser curioso, embora compreensível pelos motivos que vêm a seguir, a escolha do zagueiro ao trocar a toda poderosa Juventus, atual hexa campeã italiana e vice-campeã europeia, pelo tradicionalíssimo, mas hoje combalido, Milan — que está fora, mais uma vez, da Champions League.

O motivo da saída de Bonucci não é segredo: a pouca sintonia com o técnico Massimiliano Allegri, que chegou a deixar o zagueiro nas tribunas, fora de uma partida de oitavas-de-final da última Champions League contra o Porto, como punição por uma ríspida discussão entre eles.

O peso que teve em sua decisão o bate-boca com seu amigo Barzagli e, sobretudo, a duríssima bronca (segundo relatos do diário La Stampa seguida até mesmo de contato físico) em Dybala, durante o intervalo da final europeia contra o Real Madrid, não saberemos até que Bonucci se manifeste — e talvez continuemos sem saber mesmo que ele o faça.

Fato é que Bonucci queria deixar a Juventus. Um clube que tem feito questão de propagar que, em Turim, jogadores insatisfeitos, até mesmo os melhores, não permanecem: quem quiser sair que saia. Algo que se comprovou na liberação, sem maiores empecilhos, do brasileiro Daniel Alves.

Bonucci: capa de todos diários esportivos na Itália
Bonucci: capa de todos diários esportivos na Itália reprodução

Explicada a saída, fica a pergunta: por que o Milan?

Guardiola adoraria recebê-lo em Manchester, e certamente Mourinho não pensa muito diferente. Antonio Conte, que Bonucci já rotulou como “o homem que fez eu me tornar quem sou”, idem. Real Madrid, Barcelona, Bayern... não há time abastado neste planeta que não gostaria de tê-lo entre seus 11.

Segundo relatos de pessoas próximas ao jogador reportados pela imprensa italiana, contudo, Bonucci simplesmente não queria deixar a Itália.

Eu admito ser suspeito quanto à pré-disposição para compreender as razões de Bonucci não querer trocar a Itália para viver em Manchester e mudar o patamar, entre outras coisas (mais ou menos relevantes que isso), de suas refeições.  ; )

Do ponto de vista esportivo, porém, sua escolha é ousada e desafiadora.

Ele chega a um Milan renovado e, agora, novo rico graças aos investimentos chineses. Um clube que acabou de investir mais de 125 milhões de euros em jogadores jovens (a maioria realmente bons e promissores), mas que agora gasta 40 milhões em (fato raro) um zagueiro capaz de mudar seu patamar de disputa — por qualidade técnica, respeito e espírito de liderança.

Leonardo Bonucci chega ao Milan com a intenção e a missão de ser o capitão e líder de uma reviravolta na história do clube. Chega para despertar o gigante adormecido há seis anos.

Bonucci virou, acima de tudo, um símbolo da mudança.

Resta saber se conseguirá fazê-la.

Fonte: Gian Oddi

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As três opções de Leco e sua escolha infeliz: ele realmente pensa o que disse?

Gian Oddi
Gian Oddi

Leco: 'A diretoria não tem nenhuma responsabilidade; tivemos a coragem de contratar o Rogério'
Coloque-se na seguinte situação: você é presidente de um dos clubes mais populares do país e contrata para ser treinador da equipe o maior ídolo da história deste clube — decisão que, maquiavélica ou não, acaba por ajudá-lo na reeleição para a presidência. 

Em seu segundo mandato, contudo, você vende boa parte dos jogadores importantes do time e, ainda que os reponha, dificulta indiscutivelmente a vida do novato treinador, que acaba demitido cerca de seis meses após sua (arriscada) contratação.

Na primeira entrevista coletiva após a demissão, vem a inevitável pergunta: "Qual a parcela de responsabilidade que a diretoria tem no fracasso do treinador?".

Daremos a você, senhor presidente, três opções de respostas para avaliar a que melhor caberia para a ocasião:

1) "A responsabilidade é toda nossa. Não apenas porque fizemos uma aposta que talvez ainda não fosse o momento de fazer, mas porque, por circunstâncias financeiras e administrativas, não pudemos dar ao treinador as condições que considerávamos ideais para realizar o trabalho"; 

2) "Temos nossa parcela de responsabilidade. É claro que a troca de jogadores no elenco, embora necessária por aspectos financeiros, não ajudou o trabalho do Rogério, que sai pela conjuntura atual do campeonato, mas demonstrou condições e predicados para realizar, no futuro, bons trabalhos como treinador";   

3) "A diretoria não tem nenhuma responsabilidade. A diretoria, que teve a coragem de contratá-lo sendo uma figura ainda desconhecida e novata no tema específico da direção técnica, confiou no trabalho e deu a ele todas, todas todas e um pouco mais, as condições de realizá-lo".

Embora a opção 1 talvez seja a que melhor reflete a realidade dos fatos, era de se esperar que Leco, presidente do São Paulo, optasse por um caminho mais próximo da opção 2 — por polidez, diplomacia e respeito à figura de Rogério Ceni.

Optar pela absurda opção 3, dita textualmente, como é possível ver no vídeo acima, demonstra não apenas um caminho em certo aspecto agressivo e impopular (pouco inteligente, portanto). 

Quando Leco exime sua direção de qualquer responsabilidade no insucesso de Rogério, ele demonstra desconexão com a realidade e desconhecimento sobre os aspectos mais banais sobre a montagem de um time de futebol. Problemas que podem continuar influenciando, negativamente, o trabalho do futuro treinador tricolor.

Resta ao torcedor são-paulino uma esperança: a de que Leco não tenha dito aquilo que realmente que pensa.

Gian não vê São Paulo rebaixado, mas avisa: 'Não vai ser pela demissão do Ceni'

Fonte: Gian Oddi

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Palmeiras, Nobre, Mustafá e Crefisa: méritos e perigos que muitos não querem enxergar

Gian Oddi
Gian Oddi
Gazeta Press
Leila Pereira, da Crefisa, ao lado do então presidente Paulo Nobre, em evento no Palmeiras
Paulo Nobre, então presidente do Palmeiras, ao lado de Leila Pereira, da Crefisa: hoje, rompidos


O Palmeiras não depende do dinheiro da Crefisa, nem do dinheiro de Paulo Nobre, e não vive de "mecenato". O Palmeiras, contudo, corre riscos pela maneira como se comporta institucionalmente para agradar sua generosa patrocinadora.

Embora ambas as frases, não excludentes, sejam óbvias para quem acompanha o dia a dia do clube nos últimos 5 anos, elas continuam a ser negadas — com veemência — por lados "opostos".

Há aqueles que se recusam a ver a evolução do clube em praticamente todos os seus segmentos nos últimos anos, assim como existem os que preferem fazer vistas grossas aos privilégios indevidos oferecidos à patrocinadora, personificada em sua presidente, Leila Pereira.

Estudos e reportagens publicados nestas duas últimas semanas, contudo, tornam mais complicada a missão daqueles que se recusam a enxergar o óbvio.

Comecemos com o estudo divulgado pelo Itaú BBA no último dia 20, que conclui, textualmente: "se o patrocinador deixasse o clube e os valores voltassem a patamares de mercado, a capacidade de investimentos diminuiria, mas não tornaria o clube inviável... o Palmeiras se coloca como um dos líderes no processo de organização da estrutura do futebol e candidato a permanecer na disputa por todos os títulos que disputar".

É inegável que os empréstimos feitos pelo ex-presidente Paulo Nobre, caminho longe do ideal para que um clube de futebol resolva seus problemas financeiros, foram determinantes para o Palmeiras chegar à boa situação relatada pelo estudo do Itaú BBA.

É importante, porém, ressaltar que as condições de tais empréstimos, a juros baixos e com contratos que impedem qualquer tipo de ônus futuro ao clube (pelo contrário, como mostra matéria do Diário Lance!), não deixam o Palmeiras numa situação de suscetibilidade ou dependência em relação ao seu ex-presidente — algo admitido até mesmo por seus opositores, embora o atual presidente, Maurício Galiotte, esteja se esforçando para quitar a dívida rapidamente.

Devido à personalidade de Nobre, intransigente, avesso a escutar até mesmo os mais próximos e, para muitos, "mimado", foi essencial para o Palmeiras que os acordos fossem firmados como foram, sem permitir que, num eventual acesso de irritação ou rompimento com a gestão seguinte (que de fato veio a ocorrer), ele pudesse onerar o clube de alguma forma.

Fato é que, no período de sua gestão, o Palmeiras estancou a sangria com seu empréstimo, mas soube trabalhar, paralelamente, para estruturar o clube e seu departamento de futebol (da base aos profissionais), além de aumentar as receitas significativamente sem depender de uma fonte única — o propagado patrocínio respondeu por não mais que 19% das receitas de 2016, quando o time se sagrou campeão brasileiro, um ano após o título da Copa do Brasil.

No cenário atual, já estruturado e com receitas significativas variadas (patrocínio, bilheteria, sócio torcedor, novo acordo de televisão, venda de produtos...), a Crefisa, principal patrocinadora do Palmeiras, tomou as manchetes por seus investimentos vultosos e, como admitiu seu dono, José Roberto Lamacchia, ao blog de Mauro Cezar Pereira, acima do valor de mercado.

Receber muito dinheiro não é, evidentemente, o problema do Palmeiras em relação à Crefisa. Afinal, qual deveria ser a postura dos atuais dirigentes do clube? "Seu Lamacchia e Dona Leila, infelizmente não podemos aceitar um patrocínio assim, com tanto dinheiro, desculpem-nos". A reação soaria bizarra e insensata, não apenas no Palmeiras, mas em qualquer clube de futebol.

A Crefisa tem o direito de gastar quanto dinheiro entender ser necessário para tornar o time competitivo, trazendo assim resultados desportivos que aumentarão a exposição de sua marca. E o Palmeiras, desde que cumprindo todas suas obrigações fiscais e legais, tem o direito de recebê-lo.

A questão a ser debatida, portanto, não deveria ser focada no montante de dinheiro investido pela patrocinadora, mas no motivo do investimento. E é neste ponto que não podem ser ignoradas as duas matérias publicadas nesta semana pelo repórter Danilo Lavieri, do UOL Esporte: "Palavra de Mustafá permitiu Leila ser conselheira" (fechada para assinantes) e "Parecer jurídico questiona ação de Mustafá, que avalizou Leila no conselho".

Danilo Lavieri / UOL Esporte
Ficha de associação de Leila obtida pelo UOL Esporte: Mustafá pediu mudança de data
Ficha de associação de Leila obtida pelo UOL Esporte: Mustafá pediu mudança de data


Lavieri teve acesso a documentos que demonstram, sem deixar margem a dúvidas, ter havido um único motivo para que Leila Pereira tivesse alterada a data de sua associação ao clube (de 2015 para 1996!): o pedido de Mustafá Contursi. Graças à ação do ex-presidente e poderoso conselheiro, Leila pôde concorrer nas eleições ao conselho palmeirense — e foi eleita com votação recorde, em fevereiro. Em outras palavras, ignorou-se o estatuto de um clube centenário.

O Palmeiras e Mustafá Contursi, mesmo diante das evidências apresentadas pela reportagem, preferiram não dar explicações sobre o caso à reportagem do UOL Esporte.

Mas deveriam fazê-lo.

Porque há coisas que o dinheiro não compra. Ou, pelo menos, não deveria comprar.

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Eurico Miranda faz de São Januário a sua Coreia do Norte: até quando?

Gian Oddi
Gian Oddi
Armando Paiva/Agif/Gazeta Press
Eurico Miranda durante apresentação de Luis fabiano no Vasco
Eurico se comporta, em 2017, como se estivésse cinco décadas atrás 

É desnecessário, para qualquer vascaíno, detalhar a tradição democrática do Clube de Regatas Vasco da Gama, forjada através de lutas por "negros, pobres e operários", como diz a música entoada pela torcida que "ergueu São Januário".

É curioso, portanto, que um dirigente que se considera a personificação do Vasco trabalhe com tamanha intensidade para destruir um rótulo que vale tanto - ou mais - que os inúmeros troféus conquistados pelos jogadores dentro de campo em quase 120 anos de história.

Não foram poucos, nas últimas semanas, os fatos ou relatos que apontaram para este caminho.

Nas redes sociais, ao menos centenas de torcedores relataram ter sido bloqueados pelas contas oficiais do clube depois de emitirem opiniões contrárias à atual gestão - a repercussão cresceu quando vascaínos célebres como o ator Bruno Mazzeo e o ex-jogador Juninho Pernambucano relataram o fato em suas contas.

Nesta semana, a torcida Guerreiros do Almirante (GDA) informou, através de nota, que não iria a São Januário para o jogo contra o Avaí devido a ameaças feitas por grupos ligados à diretoria; disse, também, que "vêm ocorrendo diversos casos de agressões a sócios e torcedores, fazendo com que nossa casa tenha se tornado um ambiente hostil ao torcedor vascaíno" (leia a nota completa). Não foi um relato isolado de tal prática.

E de fato, neste último sábado, não foram poucos os relatos informando que a confusão entre torcedores do Vasco, ainda no primeiro tempo, ocorrera porque integrantes de uma torcida organizada conhecida por ser uma espécie de milícia da atual gestão vascaína partiu para cima de outros torcedores que se manifestavam com os gritos de "Fora, Eurico!".

Por fim, o trabalho da imprensa, um dos pilares de qualquer democracia, continua parcial ou totalmente vetado dentro de São Januário, dependendo do caso. Eurico, como é praxe desde suas gestões mais antigas, se considera no direito de vetar o trabalho de jornalistas de empresas nas quais um ou mais profissionais tenham emitido opiniões críticas ao seu trabalho.

Neste contexto, é essencial não perdermos de vista, também, todo o imbróglio que cercou o processo eleitoral que trouxe Eurico Miranda de volta à presidência vascaína em 2014.

São episódios, todos eles, baseados em relatos de fontes diversas e que trazem fortes indícios ou mesmo provas de ações reprováveis. As respostas do Vasco, quando o clube opta por se manifestar, são pouco convincentes e/ou facilmente questionáveis - suas posições, quando existentes, estão disponíveis nos links em cada um dos parágrafos acima.

É incrível que Eurico Miranda e aqueles que o cercam não sintam sequer constrangimento ao agir de tal forma em pleno século XXI. Eurico se comporta como uma espécie general congelado no ano de 1968, que, ao despertar no século seguinte, ignora completamente a conjuntura e contexto que o cercam em 2017.

O mais impressionante, porém, é que consiga fazê-lo.

São Januário, nas mãos de Eurico, virou a Coreia do Norte do futebol brasileiro.

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O goleiro prodígio, o empresário egocêntrico e um retrato do futebol

Gian Oddi
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Capas com Donnarumma nos jornais de Madri
Capas com Donnarumma nos jornais de Madri

Gianluigi Donnaruma, o prodígio goleiro que estreou aos 16 anos como titular do Milan, estampa nesta sexta-feira as capas dos dois principais diários de Madri como possível novo goleiro do Real Madrid.

Hoje com 18 anos de idade e já convocado para a seleção principal da Itália, há dois anos Gigi Donnarumma é considerado o (adivinhem?) "novo Buffon".

Só que o novo Buffon, ao contrário do "velho" que chegou a jogar a Série B com a camisa da Juventus, não deu grande prova de fidelidade ao seu clube nesta quinta-feira. Em uma reunião que durou menos de 30 minutos, seu empresário, Mino Raiola, comunicou à direção do Milan: "o contrato não será renovado".

Donnarumma, que já fez 72 jogos com a camisa milanista apesar da pouca idade, tem contrato válido com o clube até o dia 30 de junho de 2018.

Era ele, até ontem, a grande paixão dos torcedores do Milan - crianças e adultos. Era ele que os dirigentes do novo e abastado Milan "chinês" classificavam como "pilar e bandeira" de uma nova etapa. Era ele que, graças à pouca idade e ao fato de ser goleiro, podia mirar até mesmo, quem sabe daqui a uns 20 anos, a marca de maior número de atuações com a camisa de um dos maiores clubes do mundo.

Mas tudo isso não bastou.

Assim como não bastou a oferta próxima dos 5 milhões de euros por ano, o que o colocaria entre os jogadores mais bem pagos do país.

Cobrar deste garoto de 18 anos a consciência e a capacidade de colocar tudo em perspectiva e analisar uma série de aspectos com os quais ele ainda mal conviveu e nem sequer conhece talvez seja uma exigência injusta.

É aí que entra a figura de Mino Raiola.

reprodução
Mino Raiola na capa do Corriere dello Sport (julho 2016)
Mino Raiola na capa do Corriere dello Sport (julho 2016)

Para descrevê-lo em poucas linhas, Raiola é o agente que em julho do ano passado foi capa do jornal Corriere dello Sport por "ganhar mais que Messi". É o mesmo agente de Ibrahimovic, Pogba e Balotelli, todos ótimos jogadores que caminham para carreiras (vitoriosas ou não) sem grandes vínculos afetivos com clubes ou torcidas.

Explicar a decisão de Raiola não é missão das mais simples não só porque a oferta financeira do Milan era generosa. Mas também porque, por melhor que Donnarumma seja - e ele é excelente -, trata-se apenas, ainda, de um garoto de 18 anos que teria muito mais facilidade para amadurecer e evoluir jogando no clube que o formou e investiu nele.

E depois disso, se fosse o caso, seja por ver poucas perspectivas no Milan ou por receber propostas tentadoras, ele poderia mudar de ares.

Mas não será assim.

Raiola, que era muito ligado à antiga gestão berlusconiana do Milan, desde antes do início da nova gestão já dizia que os chineses estavam "fazendo uma figura de merda". Suas primeiras conversas com Max Mirabelli, um dos novos dirigentes, já transpareciam antipatia mútua.

Mino não gostou, e é Gigi Donnaruma quem se vai.

E junto com Donnarumma se vai, de forma tão precoce como foi sua estreia, a esperança de estar nascendo uma história tão linda como as de Javier Zanetti, Paolo Maldini, Alessandro Del Piero e Francesco Totti. Histórias de amor e fidelidade entre clubes e ídolos que emocionaram a Itália e a Europa nos últimos anos.

É preciso, porém, ser realista.

Del Pieros e Tottis são casos do passado. Ninguém representa tão bem o futebol atual como Mino Raiola.

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