O futebol foi medíocre, mas o VAR conseguiu ser ainda pior em São Paulo x Palmeiras

Paulo Cobos

O esperado clássico entre São Paulo x Palmeiras foi medíocre.  

O empate sem gols no duelo deste sábado, pelo Brasileiro, foi um festival de covardia do Palmeiras e mais uma prova que o São Paulo parece não saber como ganhar um jogo no Brasileiro.

Mas os jogadores e os treinadores dos dois times tiveram sorte. O VAR conseguiu ser ainda pior.

Luiz Flávio de Oliveira analisa lance de São Paulo x Palmeiras no VAR
Luiz Flávio de Oliveira analisa lance de São Paulo x Palmeiras no VAR Jorge Bevilacqua/Código19/Gazeta Press

Essa geringonça eletrônica só deveria entrar em ação para reparar erros evidentes da arbitragem. Não foi o caso nas anulações de um pênalti a favor do São Paulo no primeiro tempo e do gol que seria o da vitória do time do Morumbi já no final da partida.

Ambos lances terão opiniões divergentes. E, quando isso acontece, deve valer a decisão do trio de arbitragem do campo.

O São Paulo tem razão em reclamar das decisões tomadas pelo VAR. Como praticamente em todas as rodadas algum clube pode fazer isso.

Tirar o futebol jogado na maioria das partidas do Brasileiro da mediocridade não é uma missão simples. Mas parece ser ainda mais difícil tirar o VAR da ruindade absoluta no Brasil.




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Luxemburgo tem tudo para dar errado se voltar ao Cruzeiro, mas existe opção melhor?

Paulo Cobos

Bateu o desespero no Cruzeiro. Após o empate contra o Londrina, e o fantasma do rebaixamento para a terceira divisão do Brasileiro cada vez mais forte, o treinador Mozart pediu demissão (pelo menos esse é o discurso oficial)

Segundo os colegas da imprensa mineira que cobrem o Cruzeiro de perto, o clube já decidiu quem será seu novo treinador: Vanderlei Luxemburgo.

Tem tudo, mas absolutamente tudo, para dar errado.

O Cruzeiro hoje é um caos. Impossível acreditar que no curto prazo o clube possa colocar os salários em dias e contratar jogadores de bom nível.

E Luxemburgo hoje é praticamente um "ex-treinador" querendo voltar para a atividade, com seguidos trabalhos medíocres.

Mas entendo o desespero cruzeirense em acreditar que Luxemburgo possa pelo menos evitar a vergonha da Série C: voltar para a primeira divisão é delírio.

Vanderlei Luxemburgo quando comandava o Palmeiras
Vanderlei Luxemburgo quando comandava o Palmeiras Flickr Palmeiras

Sempre achei que o Cruzeiro deveria mesmo acreditar em um perfil de treinador modesto que soubesse o que é jogar a segunda divisão, casos de Felipe Conceição e Mozart.

Mas a realidade é que eles fracassaram de forma retumbante.

Achar que Luxemburgo possa tirar o Cruzeiro do buraco é ser muito otimista. 

Fácil pedir racionalidade e ser contra a volta do treinador. Mas alguém tem uma ideia melhor?


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Renato Gaúcho ser o técnico mais vitorioso do ano é provável; Rogério Ceni ser o maior derrotado é certo

Paulo Cobos

O Flamengo de Renato Gaúcho massacrou de novo. A goleada de 6 a 0 sobre o ABC, pela Copa do Brasil, mostra que ele é forte candidato a ser o treinador mais vitorioso da temporada 2021: é um dos favoritos na Libertadores, no Brasileiro e na Copa do Brasil.

Favorito, mas não é certo. Ao contrário da escolha do treinador que vai terminar 2021 como o maior derrotado na elite da profissão no país.

Rogério Ceni, que acabou a última temporada ganhando o Brasileiro no sufoco com o Flamengo, tinha tudo para arrebentar neste ano. Mas deu tudo errado para ele.

Principalmente pelos seus próprios erros.

Rogério Ceni comandando o Flamengo
Rogério Ceni comandando o Flamengo Alexandre Vidal / Flamengo

Ceni se perdeu na sua vaidade no Flamengo, nas suas entrevistas desastrosas, no relacionamento com o elenco estrelado do clube (como já havia feito no Cruzeiro) e de suas escolhas táticas equivocadas.

Isso já era sabido. O que ajuda agora a torná-lo o  técnico mais perdedor do ano é o desempenho de três colegas de profissão.

Começando pelo próprio Renato, que substituiu Ceni no Flamengo.

O ex-gremista fez apenas o óbvio no time titular que é disparado o melhor do Brasil. Conquistou a confiança dos jogadores. Os escalou nas posições em que tiveram sucesso com Jorge Jesus. E o clube só massacra.

Desempregado, Ceni seria um nome desejado para assumir imediatamente os dois clubes em que é ídolo: Fortaleza e São Paulo.

Mas duvido que hoje algum torcedor do time cearense ou do clube do Morumbi trocariam hoje seus treinadores por Ceni.

O argentino Juan Pablo Vojvoda coloca o Fortaleza em uma impressionante terceira posição no Campeonato Brasileiro, a apenas quatro pontos do líder Palmeiras.

No São Paulo, outro argentino, Hernán Crespo, tirou o clube da fila de nove anos sem título e faz boa campanha na Libertadores e na Copa do Brasil. Mesmo que na zona de rebaixamento no Brasileiro, não tem risco de ser trocado por Ceni.

Sempre apostei que Ceni será um dos grandes treinadores do país. Não mudei de ideia. Mas ele vai ter que repensar sua carreira. E melhor desistir de 2021.

Flamengo está 'RENATIZADO'? Treinador responde e se diz 'orgulhoso'

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Nessa, tem razão quem reclamar do 'eixo': se jogasse em São Paulo ou no Rio, Hulk seria 'melhor do Brasil' e estaria na seleção

Paulo Cobos

Torcedores de clubes de fora de São Paulo ou Rio, sempre reclamam do "eixo", o que seria um favorecimento dos mais diferentes tipos aos grandes clubes dos dois Estados.

Isso vai desde um suposto favorecimento das arbitragens até o espaço que cada clube recebe na mídia.

Muitas das queixas são infundadas. Algumas, reais. Nas justificadas, logo vai estar o que está acontecendo com Hulk no Atlético-MG.

Hulk marca, Atlético-MG domina o Bahia e sai na frente na Copa do Brasil; VEJA gols


Contra o Bahia, nesta quarta-feira, Hulk completou uma inacreditável série de 23 jogos do Atlético-MG em que ele sempre esteve em campo.

E quase sempre decisivo. Em 35 jogos pelo Atlético-MG em 2021, Hulk fez 16 gols e deu o passe para nove tentos de seus companheiros. Hulk faz gol de falta, o que é muito raro hoje no Brasil. É um dos artilheiros da Libertadores, em que já marcou seis vezes.

Aos 35 anos, Hulk esbanja profissionalismo e técnica.

Mas será que tem o reconhecimento que merecia por temporada tão brilhante?

A implicância do começo da temporada já passou. Nem tanto a eterna com sua força física.

Mas algo tenho certeza: se jogasse em um clube do "eixo", Hulk seria considerado o melhor jogador brasileiro da atualidade. E a gritaria por sua volta à seleção seria gigante.

Hulk comemora em vitória do Galo
Hulk comemora em vitória do Galo Twitter Oficial do Atlético-MG


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Um jogador de futebol pode valer R$ 1 bilhão? Duro discutir isso durante Olimpíada com seus heróis mal remunerados, caro Haaland

Paulo Cobos

Não sei se foi uma ironia. Ou palavras sinceras. Mas repercutiu muito a entrevista do atacante Haaland em que afirmou que "espera que ninguém pague R$ 1 bilhão por uma pessoa."

Ele se referia à suposta oferta de 175 milhões de euros que clubes europeus fizeram ao Borussia Dortmund por ele. 

Irônica ou sincera, existe sim uma discussão para a dúvida do craque norueguês.

Haaland em ação pelo Dortmund
Haaland em ação pelo Dortmund Getty Images

É duro debater durante a realização de uma Olimpíada, em que verdadeiros heróis anônimos tanto se dedicam para ganhar pouco dinheiro, que um jogador de futebol pode custar tanto dinheiro.

Se acha que um clube não pode gastar R$ 1 bilhão na sua contratação, Haaland também deve considerar um absurdo seu agente, que fatura mais de 99% dos atletas olímpicos apenas com comissões, exigir para o norueguês um salário de mais de R$ 7 milhões POR SEMANA.

O futebol europeu não deveria chegar nessas cifras estratosféricas em contratações e salários. Isso faz mal para o esporte. E para muitos deles. Basta ver a situação financeira assustadora do Barcelona hoje.

Mas a verdade é que chegou nessa situação por ter virado um negócio bilionário.

Se os contratos de publicidade e de TV são com cifras inacreditáveis, se um torcedor paga uma pequena fortuna para assistir jogos dos grandes europeus, se os clube e seus donos são cada vez mais ricos, é claro que contratações e salários de jogadores também serão milionários ou bilionários.

Não sei dizer se um jogador de futebol pode valer R$ 1 bilhão ou ganhar R$ 7 milhões por semana. Mas tenho certeza que aquele atleta medalha de ouro de um país periférico em Tóquio ganha muito menos do que merece.



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Sofrendo na zona do rebaixamento, são-paulino deve ficar enfurecido por Daniel Alves dizer que seleção é 'prioridade'?

Paulo Cobos

Enquanto o São Paulo passa vergonha na zona do rebaixamento do Brasileiro, Daniel Alves está a milhares de quilômetros na disputa da Olimpíada de Tóquio, competição que o clube teria o direito de negar sua participação.

Nesta segunda-feira (pelo horário brasileiro), uma entrevista do lateral direito para a Agência Radioweb voltou a incendiar os são-paulinos. Ao reclamar da falta de patriotismo dos brasileiros e exaltar a importância dos Jogos, Daniel Alves criou nova polêmica.

"A seleção sempre foi prioridade. Para mim, defender o meu país, defender essa camisa, é sagrado."

Daniel Alves em ação pelo Brasil nas Olimpíadas
Daniel Alves em ação pelo Brasil nas Olimpíadas Lucas Figueiredo/CBF

O são-paulino deve ficar enfurecido com o jogador mais caro do elenco colocar o time nacional à frente do clube?

Nem vamos entrar na questão que o São Paulo deve uma fortuna em atrasados para Daniel Aves.

É totalmente compreensível que o torcedor do clube que vê a ameaça do rebaixamento no Brasileiro se irritar de não ter seu maestro, por que ele acha que jogar pela seleção é mais importante.

Daniel Alves é um atleta profissional. E o profissionalismo no seu caso está no clube.

Mas, fazendo um exercício de entrar na cabeça de Daniel Alves, consigo entender os motivos da seleção ser sua prioridade.

Não concordo que esporte e patriotismo devem caminhar juntos. Mas, se Daniel Alves acha isso, deve ser muito mais importante para ele mesmo ser campeão com a camisa da seleção do que pelo São Paulo ou qualquer outro clube.

Também olho para  a história para entender o motivo de um jogador colocar a seleção como prioridade.

Tenho certeza que Pelé jogou muito mais bola pelo Santos do que pela seleção brasileira. Assim como Ronaldo virou Fenômeno pelo que fez na Inter de Milão e no Barcelona.

Mas alguém vai duvidar que foi pela camisa da seleção que eles se transformaram em lendas no planeta todo?


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O presidente do maior rival e um desafeto histórico: Palmeiras deve ficar assustado com intervenção esdrúxula na CBF

Paulo Cobos

Não sei se faz sentido a Justiça meter a colher na eleição da CBF. Mas tenho certeza absoluta que indicar Rodolfo Landim, o presidente do Flamengo, e Reinaldo Carneiro de Bastos, o comandante da Federação Paulista de Futebol, como interventores da entidade que comanda o futebol brasileiro é totalmente esdrúxula.

Alegar que a escolha de Landim, como fez o juiz que tomou a decisão, foi por causa da "expressiva torcida" flamenguista é bizarro. E colocar como seu parceiro um cartola que tem longa ligação com Marco Polo del Nero é assustador (mesmo que hoje não tenham a mesma intimidade).

Rodolfo Landim, presidente do Flamengo
Rodolfo Landim, presidente do Flamengo Getty

É inconcebível a Justiça nomear interventores com evidentes conflito de interesses no cargo.

Como acreditar na isenção de Landim comandando o Flamengo e a CBF ao mesmo tempo? O que podem dizer os rivais dos times paulistas com Carneiro mandando na confederação?

Mais assustado eu ficaria se fosse torcedor do Palmeiras.

O Flamengo é hoje o maior rival do clube dentro de campo. São os clubes mais ricos e que dividem os títulos nos últimos anos.

Para piorar, Reinaldo Carneiro de Bastos é grande desafeto palmeirense desde a final do Paulista de 2018. O Palmeiras até boicotou sua reeleição na presidência da Federação Paulista e há 3 anos os dois lados trocam farpas.

Pela decisão da Justiça, a intervenção de Landim e Bastos dura 30 dias. Parece pouco tempo, mas o Palmeiras vai suar frio nesse período.

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'A Olimpíada precisa mais do skate do que o skate precisa da Olimpíada': um papo profético, há dez anos, com Tony Hawk

Paulo Cobos

No festival de besteiras que soltou na tentativa frustrada da criação da Superliga de clubes europeus, Florentino Pérez, o presidente do Real Madrid, tocou em um ponto que fazia sentido.

Ele se disse preocupado que o futebol hoje sofre para atrair o interesse dos jovens, e que deveria mudar por isso.

Lembrei das palavras de Florentino ao assistir e me emocionar (e olha que tenho 51 anos) com a medalha de prata conquistada por Rayssa Leal na estreia do skate em uma Olimpíada.

A filipina Margielyn Didal e a brasileira Rayssa Leal em Tóquio
A filipina Margielyn Didal e a brasileira Rayssa Leal em Tóquio JEFF PACHOUD/AFP via Getty Images)

A audiência na TV estava explodindo. A repercussão nas redes sociais foi insana. Nos sites, as notícias mais lidas eram quase todas do skate.

Voltei ainda mais no passado com essa deliciosa overdose de juventude, cores, diversidade e alto astral com o skate, enfim, na Olimpíada.

Há exatos 10 anos, em 2011, tive a sorte de participar de uma conversa, em Abu Dhabi, com Tony Hawk, a maior lenda do skate.

Perguntei a ele se o skate deveria ser uma modalidade olímpica. Sua resposta foi brilhante, e profética.

"A Olimpíada precisa mais do skate do que o skate precisa da Olimpíada", disse, na lata, Hawk, para depois detalhar sua opinião.  

"As Olimpíadas de verão são chatas. Elas precisam do skate para rejuvenescer. Foi o que aconteceu nos Jogos de Inverno, com o snowboard". 

Algum tempo depois, os cartolas do Comitê Olímpico  perceberam o óbvio e colocaram o skate e surfe no programa dos Jogos. 

E a profecia de Hawk se confirmou. Está claro que o skate vai fazer mais bem para a Olimpíada que o contrário (o esporte virou gigante sem precisar dos Jogos).

Serve o ensinamento para qualquer esporte, incluindo o futebol: rejuvenescer sempre é importante.



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Como Rivaldo contra Ronaldo Fenômeno na Copa de 2002: existe sim o debate se Bruno Henrique é o melhor jogador do Flamengo

Paulo Cobos

Na Copa de 2002, Ronaldo Fenômeno foi o artilheiro na conquista do pentacampeonato, marcando dois gols na decisão contra  Alemanha. 

O centroavante acabou ganhando o debate sobre quem foi o melhor jogador da seleção brasileira na campanha na Coreia e no Japão, deixando para trás Rivaldo, que brilhou do primeiro até o último jogo. 

Contou muito o carisma que sobrava para Ronaldo, e faltava para Rivaldo.

Bruno Henrique comemora gol pelo Flamengo
Bruno Henrique comemora gol pelo Flamengo Alexandre Vidal/Flamengo

Quase 20 anos depois, no Flamengo, uma discussão parecida acontece.

Não foram só pelos 3 gols marcados neste domingo contra o São Paulo no Maracanã.  Mas, desde que chegou no Flamengo, Bruno Henrique tem argumentos de sobra para ser apontado como o melhor jogador do time.

Veloz, implacável no jogo aéreo, regular, goleador e assistente, o  camisa 27 é o termômetro flamenguistas. A qualidade, além dos resultados, do futebol do time depende muito do nível de Bruno Henrique.

Mas Bruno Henrique joga em um Flamengo que tem o seu "Fenômeno".

Gabigol faz mais gols. Foi o grande herói do título da Libertadores, marcando os dois gols da virada épica na final contra o River Plate.

E, como Ronaldo, tem o carisma fora de campo que faltava para Rivaldo e também não sobra para Bruno Henrique.

Eu sei. Futebol é mais do que acontece dentro de campo. Mas, na bola, não é nenhum absurdo apontar Bruno Henrique como o melhor jogador do Flamengo, o melhor time do Brasil.

Bruno Henrique manda na gaveta e faz um golaço contra o São Paulo no Maracanã

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Está feliz com o fracasso dos argentinos na Libertadores e na Sul-Americana? Não deveria

Paulo Cobos

Se você é daqueles que saboreia quando vê os times argentinos de futebol fracassarem deve estar muito feliz.

Os clubes do país que o brasileiro ama odiar tiveram um verdadeiro fiasco nas oitavas de Libertadores e da Sul-Americana de 2021.

Na principal competição sul-americana, seis argentinos estavam nas oitavas. O único sobrevivente é o River Plate, que ainda assim avançou eliminando um vizinho da região de Buenos Aires: o Argentino Juniors.

Estádio La Bombonera, casa do Boca
Estádio La Bombonera, casa do Boca Getty

Boca, Racing, Defensa Y Justicia e Velez também se despediram, sendo que os três primeiros pelas mãos de times brasileiros.

Na Sul-Americana, só um argentino segue vivo: o Rosário Central. Arsenal e Independiente foram eliminados nas oitavas.

Enquanto as equipes da Argentina passam vergonha, as brasileiras brilham.

Já são quatro nas quartas de final da Libertadores: Atlético-MG, Flamengo, Palmeiras e São Paulo. O Fluminense tem tudo para ser o quinto brasileiro.

Pela Sul-Americana, Athletico-PR, RB Bragantino e Santos estão nas quartas.

Eu não entro nessa de celebrar o vexame coletivo dos argentinos. E nem tanto por ter muita simpatia pelo país e seguir achando que Boca e River seguem sendo os maiores times sul-americanos.

O pior que pode acontecer para os brasileiros é ter a hegemonia total dos torneios na América do Sul.

Ganhar a Libertadores em uma final contra o Boca ou River é muito mais legal que chegar ao título em uma espécie de Copa do Brasil, eliminando apenas rivais locais.

E, com menos competitividade dos argentinos, o nível técnico da Libertadores vai cair. Sem falar que isso também pode significar menos dinheiro.

Pense bem antes de dar pulos de alegria pela desgraça argentina. 

Libertadores: Atlético-MG vence Boca Juniors nos pênaltis e está nas quartas; veja os melhores momentos


  



         


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Por que é fácil admirar Crespo no São Paulo e implicar com Renato no Flamengo e Abel no Palmeiras

Paulo Cobos

Três dos quatro times mais populares do Brasil estão nas quartas de final da Libertadores. Não é fácil torcedores de rivais terem admiração por jogadores ou treinadores dos times desse porte. É muito mais comum implicar com quem brilha nessas equipes.

Mas existe uma diferença clara na forma como são vistos os treinadores de Flamengo, Palmeiras e São Paulo. 

Renato Gaúcho e Abel Ferreira são muito bons. Ambos já ganharam a Libertadores. Mas vai ser muito difícil encontrar um torcedor de time rival com simpatia e admiração plena por eles.

Crespo na festa do título paulista do São Paulo
Crespo na festa do título paulista do São Paulo Miguel Schincariol/saopaulofc.net

Hernán Crespo é argentino: povo, quase sempre injustamente, com fama de arrogante. Mas tenho convicção que ele já tem uma legião de admiradores além dos torcedores são-paulinos (é o meu caso).

São muitos os motivos que facilitam a admiração por Crespo e a antipatia por Renato e Abel.

Podemos começar pelas entrevistas coletivas pós-jogo. Renato quase sempre dá um show de arrogância e soberba. Abel começou bem nesse quesito, mas se afundou nas tolices nos últimos meses, como pedir "parabéns" para os repórteres após a classificação para as quartas de final da Libertadores.

Crespo ouve e responde as perguntas com atenção, raramente procura desculpas como arbitragem para justificar as derrotas.

Claro que o argentino pediu reforços para a diretoria são-paulina (e segue os querendo). Mas não faz disso um choro público. Estrangeiro, parece ter muito mais conhecimento das dificuldades financeiras dos clubes brasileiros.

Para superar dificuldades, Crespo vai buscar soluções em Cotia, dando sinais que conhece muito bem o clube em que trabalha.

Abel passou a maior parte de 2021 pedindo novos jogadores no Palmeiras, que já tem o elenco mais completo do país. Renato fez o mesmo durante anos no Grêmio. E aposto que vai fazer o mesmo na primeira derrota no Flamengo.

O palmeirense tem um comportamento péssimo durante os jogos, xingando a arbitragem e reclamando de tudo Renato não é mal educado como o português, mas é outro que reclama muito. Crespo esbanja elegância na beira do gramado.

Os três foram jogadores. Abel de forma modesta. Renato foi um craque, mas nem de perto teve a mesma carreira de sucesso internacional que Crespo, com imenso sucesso principalmente na Itália.

Mas, como treinadores, o argentino, pelo menos até agora, é o único que parece saber que os jogadores são mais importantes que os técnicos.

Crespo não quer ser a estrela maior do São Paulo. Bem diferente de Renato e Abel.

Abel Ferreira se incomoda com pergunta sobre São Paulo: 'Estava esperando um parabéns'


         
     


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De Ubaldo Aquino e Amarilla ele não reclamou: Riquelme mostra no Boca que como cartola só é mais da mesma mediocridade

Paulo Cobos

O Boca Juniors tem razão de reclamar do VAR na sua eliminação para o Atlético-MG na Libertadores. O time teve gol anulado nos dois jogos das oitavas de final em lances que a arbitragem eletrônica procurou pelo em ovo.

Dá até para entender a revolta de quem estava no gramado do Mineirão. Mas não o patético choro de Riquelme .

Mesmo sendo o cartola que comanda o futebol do time em que foi genial como jogador, Riquelme tem o costume de acompanhar pela televisão o Boca nos jogos fora de casa. 

Corintiano Paulinho ficou na boca do túnel para tirar satisfações com Carlos Amarilla em 2013
Corintiano Paulinho ficou na boca do túnel para tirar satisfações com Carlos Amarilla em 2013 Gazeta Press

Após toda  a confusão no Mineirão, ele participou de um programa de TV argentino para colocar em dúvida a credibilidade da Libertadores

"Não estamos cuidando da Libertadores. Sempre foi séria e temos que cuidar dela", disparou o agora cartola, que acumula fracassos no cargo no Boca.

É muita ironia ouvir isso de uma testemunha de duas das arbitragens mais vergonhosas da história da Libertadores, ambas a favor do Boca: em 2001, contra o Palmeiras, e em 2013, diante do Corinthians.

Riquelme viu de perto Ubaldo Aquino garfar o Palmeiras e depois Carlos Amarilla fazer o mesmo contra o Corinthians.

Nos dois casos, o craque argentino não falou que a Liberadores estava deixando de ser "séria".

Se tem alguma prova que o Boca foi prejudicado de forma deliberada, Riquelme deveria mostrá-la (Corinthians e Palmeiras nunca tiveram como provar que foram roubados).

Craque como jogador, Riquelme é só mais um perna de pau como cartola.

Libertadores: Atlético-MG vence Boca Juniors nos pênaltis e está nas quartas; veja os melhores momentos


  


         

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Sozinho, o Cruzeiro 'morre'; a difícil decisão de deixar, ou não, um time grande desaparecer

Paulo Cobos

Em pouco mais de duas semanas de férias, Messi foi campeão no Maracanã. A Itália ganhou a Eurocopa. O Flamengo trocou de técnico. A Libertadores pega fogo.

Mas, na volta ao trabalho nesta terça-feira, uma notícia sobre o Cruzeiro foi o que mais me chamou atenção. Segundo o portal UOL, o time que há poucos anos ganhava o Brasileiro não tem mais canais de TV por assinatura por falta de pagamento na Toca da Raposa, o que atrapalha o trabalho da comissão técnica.

Mozard comandando o Cruzeiro na Série B
Mozard comandando o Cruzeiro na Série B Bruno Haddad/Cruzeiro

Em nota, o clube diz que o corte da TV paga foi pontual, que negocia pela volta geral do serviço e faz parte dos cortes de despesas para manter a "austeridade financeira".

O gigante mineiro também foi notícia recente por não pagar a conta de luz. 

E tem a ameaça de uma nova punição da Fifa que pode levá-lo para a Série C. Isso se não for para a terceira divisão no campo mesmo: na sua segunda temporada na Série B, é apenas o 16o colocado, uma posição acima apenas da zona do rebaixamento.

Não adianta. O Cruzeiro não vai sair do maior buraco que um time grande brasileiro já viveu com suas próprias forças.

E aí entra uma grande discussão: rivais, credores e até os governos devem agir para evitar que um time grande desapareça?

Eu sei. Seria inadmissível qualquer tipo de perdão para as dívidas milionárias e irresponsáveis do Cruzeiro em impostos. Mas também é fato que o  Cruzeiro faz parte da história do Brasil.

Credores privados, sejam clubes ou jogadores e treinadores, deveriam perdoar pelo menos parte do dinheiro que o clube não pagou? Fácil falar de fora, mas talvez seja melhor receber parte de um clube que vai seguir existindo do que nada se o Cruzeiro virar realmente insolvente (o que parece cada vez mais próximo).

Poucos times brasileiros se podem dar ao luxo de ajudar um rival. Mas eu, se fosse torcedor do Atlético-MG, pensaria muito bem no que seria o futebol mineiro se o Cruzeiro se tornasse de vez um time insignificante.

A razão deixa claro que a chance do Cruzeiro "morrer" é problema só do próprio clube. Que pague por tantos erros.

Mas isso não é tão simples. Alguma forma precisa ser encontrada para o Cruzeiro não desaparecer.

Torcedores do Cruzeiro invadem Toca da Raposa II e Mário Marra analisa situação difícil do time mineiro 


  


         






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'Normas são normas'? A difícil decisão da Espanha e do Barcelona entre fair play financeiro e manter Messi

Paulo Cobos

Ao que tudo indica, nenhum time bilionário resolveu realmente tentar tirar Messi do Barcelona. E, com o clima político mais calmo no clube, o argentino deu todos os sinais que pretende seguir no Barcelona.

Mas o fato é que o maior jogador do mundo está sem contrato desde o último dia 30. O presidente do Barcelona pede "tranquilidade", mas eu, se fosse torcedor do gigante catalão, estaria tremendo de medo de perder o maior ídolo.

O grande obstáculo para a permanência de Messi no Barcelona é o fair play financeiro.

Com uma folha de pagamento que é puro desperdício, e com o faturamento despencando por causa da Covid (e também dos fracassos esportivos), o clube catalão está obrigado em reduzir sua folha de pagamento em 200 milhões de euros, ou mais de R$ 1 bilhão.

Messi consome a maior parte do que o Barcelona gasta com salários. Ou ele aceita reduzir substancialmente o que ganha ou o clube terá que cortar os rendimentos de outros jogadores.

O chefão da liga espanhol, Javier Tebas, desafeto do time catalão, já deu o recado: "As normas são como elas são. Não vão mudar por causa de Messi".

Messi com o troféu da Copa do Rei
Messi com o troféu da Copa do Rei Getty Images

Tebas tem razão?

Na letra fria da lei, toda. Se abrir uma exceção para o Barcelona gastar mais do que a regra permite, estará abrindo um precedente muito perigoso. E também não cumprindo seu papel como chefe da liga espanhola.

E o Barcelona?

Vale manter Messi mesmo que isso signifique  enfraquecer o elenco ou obrigar os coadjuvantes a ganharem menos?

Como não gosto de ficar no muro, cravo (um pouco envergonhado, admito). Que as "normas" mudem. Se Messi quer ficar, que tudo seja feito para realizar seu desejo.


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Vale a pena passar por isso aos 40 anos? No Cruzeiro, Fábio é o goleiro da pior defesa do Brasil

Paulo Cobos

Depois do empate contra o Guarani em casa, por 3 a 3, o Cruzeiro é o time que mais sofreu gols nas quatro divisões do Brasileiro.

Em oito jogos de uma campanha medíocre na Série B, é apenas o 14o colocado com duas vitórias, o time de Belo Horizonte já foi vazado 16 vezes. 

Entre os 124 clubes que disputam as quatro séries do Brasileiro, nenhum em termos absolutos sofreu tantos gols como o Cruzeiro. Se falarmos na média, só quatro modestos times na quarta divisão superam os dois gols sofridos por partida pelo gigantes mineiro: Palmas-TO, Caucaia-CE, Águia Negra-MS e Patrocinense-MG. 

Fábio em ação pelo Cruzeiro
Fábio em ação pelo Cruzeiro Gustavo Aleixo/Cruzeiro

O Cruzeiro tem uma defesa vergonhosa com um dos maiores ídolos da sua história no gol. Dos 16 gols sofridos pelo time na Série B, Fábio levou 12 (ele só não atuou na derrota de 4 a 3 para o CRB).

Como fez Marcos quando o Palmeiras caiu para a Série B, Fábio resolveu ficar no Cruzeiro quando o time foi rebaixado.

Mas, pena para o cruzeirense, que o clube onde fez história hoje vive provavelmente a maior crise da história de um grande brasileiro.

O Cruzeiro não conseguiu voltar no ano passado para a primeira divisão. Com um início terrível, pode repetir o fracasso em 2021.

Vale a pena Fábio passar por isso quando já tem 40 anos?

Cada um sabe a hora de parar. Fábio aparenta boa forma física. Se não é o mesmo goleiro brilhante de outros anos, está longe de ser o principal culpado pela peneira que é a defesa do Cruzeiro.

Não sei até onde chega a paciência de Fábio. A minha já teria acabado.

Com 'lei do ex' e gol contra, Guarani busca empate com Cruzeiro em jogaço de seis gols


  


         

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Vale a pena passar por isso aos 40 anos? No Cruzeiro, Fábio é o goleiro da pior defesa do Brasil

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Copa do Mundo a cada 2 anos? Você pode não gostar da ideia, mas Messi, Ronaldo, Neymar e a maioria do mundo, sim

Paulo Cobos

No final de maio, uma votação em congresso da Fifa decidiu se a entidade deveria levar adiante uma ideia da federação da Arábia Saudita: um estudo para viabilizar a realização da Copa do Mundo a cada dois anos, no lugar do intervalo histórico de 4 anos.

A proposta foi aprovada com ampla maioria: 166 federações nacionais disseram sim, e apenas 22 foram contra.

Lembrei desse assunto assistindo agora aos jogos da Copa América e da Eurocopa.


Há muito tempo não sou grande entusiasta do futebol de seleções. Mas é impressionante notar como os grandes jogadores do mundo parecem mais dispostos a jogar por seus  países do que pelos clubes que lhes pagam salários milionários.

Messi e Neymar jogam agora uma Copa América em estádios vazios e gramados muito ruins no Brasil.

Nada disso parece importar. A cada gol, a cada vitória suada eles parecem tão felizes como nos grandes jogos no Barcelona e no PSG.

Copa América: Messi faz dois, anota um golaço, e Argentina goleia


Na Eurocopa, os jogadores têm a vantagem da volta do público e de estádios muito mais bem envelopados. Mas se percebe o quanto eles amam jogar por suas seleções quando se assiste à comemoração dos ingleses no gol de Kane contra a Alemanha.

Para os grandes jogadores, uma Copa do Mundo a cada dois anos também seria uma chance maior de ganhar a competição que tanto faz falta a alguns deles, especialmente Neymar, Messi e Cristiano Ronaldo.

Mas não são só os grandes jogadores que teriam o que comemorar se o Mundial acontecer a cada dois anos.

Troféu da Copa do Mundo
Troféu da Copa do Mundo Kurt Schorrer/Getty Images

Como bem lembrou o jornalista Steve Price, em texto publicado no site da revista "Forbes", até hoje só 79 países jogaram uma Copa do Mundo. 

"Parte do interesse da Copa do Mundo é que chegar nela é uma conquista. É fácil esquecer que, embora todos os torcedores esperem ver seu país na Copa do Mundo, muitos nunca os viram jogar no maior palco do futebol internacional. É ótimo assistir à Copa do Mundo, mas não é tão bom quando os jogadores do seu país não estão  na TV", escreveu Price, finalizando que uma Copa do Mundo a cada dois dobraria a chance de um país jogá-la, ainda mais que a partir de 2026 ela terá 48 seleções.

Messi, Ronaldo, Neymar e bilhões de pessoas do mundo todo podem ter motivos para celebrar uma Copa a cada dois anos. Seus pontos, admito, são excelentes.

Só que não estarei com eles. Copa do Mundo é o evento mais importante do esporte do planeta por que o mundo fica esperando quatro longos anos para ela acontecer.

Eu não compraria o álbum de figurinhas da Copa se ela fosse tão comum. E você?

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Itaquera: o tabu que virou um dos poucos orgulhos do Corinthians hoje, e uma das maiores vergonhas do São Paulo

Paulo Cobos

Para quem está longe dos melhores tempos, como Corinthians e São Paulo, ter algo para comemorar é mais do que especial. E mais uma decepção ganha ares ainda mais trágicos.

Por esses motivos, o fato do São Paulo nunca ter vencido nas 14 vezes que foi ao novo estádio corintiano em sete anos, virou um dos raros orgulhos atuais de um lado e uma das grandes vergonhas do outro.

O Corinthians sabe que hoje não é candidato a ganhar títulos. É triste para seu torcedor ver o clube afundado em títulos. Saber que vai ser muito difícil no médio prazo a contratação de um grande reforço entristece. Como é duro ver um gigante virar coadjuvante.

Mas o São Paulo é um dos dois grandes rivais do clube. E o que mais ironizou o fato do clube ter demorado mais de 100 anos para ter um estádio próprio grande. 

Não tem preço para o corintiano saborear tantos triunfos do seu time contra o São Paulo na Neo Química Arena. 

O São Paulo conseguiu quebrar o tabu de 9 anos sem título ao ganhar o Paulista de 2021. Mas ainda é muito pouco para sua grandeza.

O fato é que o clube mais vitorioso do país acumula vexames de todos os tipos recentemente. E, assim como o Corinthians, tem situação financeira delicada.

Nesse cenário, como é dolorido nunca ter vencido um jogo na casa do rival, o que o Palmeiras já se cansou de fazer.

Gustavo Mosquito em ação pelo Corinthians contra o São Paulo em Itaquera
Gustavo Mosquito em ação pelo Corinthians contra o São Paulo em Itaquera Rodrigo Coca/Agência Corinthians

Já teve goleada sofrida em Itaquera. Título perdido no final do jogo. Derrota em Libertadores. E muitas vezes isso com times melhores.

Nesta quarta-feira, o São Paulo tem a 15a chance de enfim ganhar uma partida do Corinthians em Itaquera. Sem torcida. E também com um time individualmente melhor.

Se não conseguir, a vergonha só aumenta. E o orgulho corintiano vai aumentar.





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Feiura é só um dos problemas: chorar por demolição do tobogã do Pacaembu é ridículo

Paulo Cobos

A Prefeitura de São Paulo deu o sinal verde para a reforma do estádio do Pacaembu. 

Me preocupa muito o destino do clube social que fica no complexo do estádio que mais frequentei na minha vida. Mas, em relação ao campo de futebol, não vejo a hora de ver como ficará o velho Pacaembu, ainda mais sabendo que a linda fachada principal não vai mudar. 

E isso tem a ver principalmente com a notícia que a obra ganhou nesta terça-feira o aval para o começo da demolição do tobogã, uma ideia estúpida em que a feiura nem é o maior problema.

Torcida do Santos no tobogã do Pacaembu
Torcida do Santos no tobogã do Pacaembu Pedro Ernesto Guerra Azevdo/Santos FC

O tobogã só começou a fazer parte do Pacaembu quando algum "gênio" resolveu trocar a concha acústica pelo mostrengo de concreto. 

Me desculpem os torcedores, principalmente os corintianos, que consideram que a arquibancada faz parte da história do estádio.

Se ela faz parte da história, é da história negativa do estádio.

Aposto. Muita gente que acha que o tobogã faz parte da "alma" do Pacaembu só "apreciava" o setor sentado nas numeradas do estádio. 

O tobogã sempre foi desconfortável, inseguro e, minha maior bronca com ele, um monumento à segregação. 

A arquibancada que enfim será destruída, com suas grades e alambrados, evitando a circulação de quem ficava lá para outras áreas do estádio, parecia fazer questão de deixar claro que aquilo era um setor para pessoas de "segunda classe". 

Tão ruim era quando a torcida do time visitante ficava concentrada lá, com dezenas de policiais precisando fazer cordões de isolamento e seguidas cenas de violência, no cenário que tanto mal faz para o futebol brasileiro.

O tobogã foi um grande erro.  Acabar com ele, antes tarde do que nunca, é um acerto gigante.



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O domingo que o Vasco foi o maior time do mundo e Cano fez muito mais que Cristiano Ronaldo

Paulo Cobos

O domingo no futebol teve Eurocopa, Copa América, rodada quase completa do Brasileiro. Entraram em campo seleções e clubes estrelados. Jogadores como Cristiano Ronaldo, De Bruyne e Gabigol.

Mas nenhum desses times foi tão grande neste domingo como o Vasco. E nenhum jogador fez tanto bem pelo mundo como o argentino Germán Cano.

Em um jogo da sétima rodada da Série B, a vitória sobre o Brusque por 2 a 1, Vasco e Cano tiveram a coragem que tanto faz falta no preconceituoso mundo do futebol.

Cano tremula bandeira com as cores do arco-íris em gol do Vasco
Cano tremula bandeira com as cores do arco-íris em gol do Vasco RUDY TRINDADE / FRAMEPHOTO / GAZETA PRES

Enquanto a seleção brasileira pula o número 24 na numeração de seus jogadores na Copa América, e os grandes paulistas praticamente ignoraram a data, o Vasco, na véspera da celebração do Dia do Orgulho Gay, colocou as cores do arco-íris no maior símbolo da sua gloriosa camisa: a faixa diagonal.

Clubes como Flamengo e Fluminense já fizeram ótimas homenagens colocando as cores do arco-íris nos números nas camisas de seus jogadores. E vários jogadores colocaram as cores símbolo do movimento LGBTQIA+ nas tarjas de capitão.

Mas ninguém foi tão corajoso como o Vasco, que ainda foi às redes com um belo texto contra o preconceito:

O Vasco da Gama assume para si a responsabilidade de se posicionar diante do tema, sem defender aquilo que é cômodo, mas sim aquilo que é correto. O clube será um parceiro daqueles que lutam contra o preconceito relacionado à orientação sexual ou à identidade de gênero de quem quer que seja."

Não bastasse a grandeza do clube, seu maior ídolo atual proporcionou uma cena para entrar na história das mais belas fotografias do futebol.

Ao marcar um gol contra o Brusque, ele pegou a bandeira do escanteio que também tinha as cores do arco-íris e a tremulou para celebrar o gol.

Em uma atitude típica de um "zé regrinha" sem bom senso, o árbitro lhe mostrou o cartão amarelo.

Que se dane o cartão. Cano foi gigante. E o Vasco, pelo menos neste domingo, o maior clube do mundo.

'Eu pensei que gay não jogava futebol!' Fundador do BeesCats Soccer explica como time começou e virou uma liga nacional; assista

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Com essa geração, Brasil só ganha Copa do Mundo se Neymar jogar (e arrebentar)

Paulo Cobos

Não foi só pelo empate contra o Equador neste domingo, na última rodada da fase de grupos da Copa América.

Mas o futebol sem sal do time de Tite mostrou mais uma vez o que é evidente há muito tempo: com sua geração atual, o futebol brasileiro só pode sonhar em ganhar uma Copa do Mundo com Neymar jogando (e ele arrebentando).

Não que o grupo atual da seleção seja ruim. Está repleto de ótimos jogadores. Mas o fato é  que o Brasil tem hoje só um craque realmente que desequilibra no ataque.

Tite pode argumentar que sua equipe ganhou a Copa América de 2019 sem Neymar. Mas isso é o máximo que se pode fazer sem o camisa 10.

Sem o craque do PSG, o Brasil é hoje um time comum, previsível. E Tite tem culpa nisso.

A seleção só ganhou Copas quando tinha jogadores fora de série (nas cinco, sempre teve mais que um).

Se você implica com Neymar, mas ama a seleção brasileira, esqueça a birra. Torça para ele estar na Copa de 2022 no mesmo nível absurdo que está jogando nesse momento. Só assim o hexa pode chegar. E ainda assim vai ser muito difícil.

Neymar comemora hat-trick contra o Peru
Neymar comemora hat-trick contra o Peru Lucas Figueiredo / CBF
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Favoritos chafurdam na mediocridade e na pura ruidade; que bom seria Brasileiro ter seu primeiro 'Leicester' nos pontos corridos

Paulo Cobos

O Brasileiro-2021 começou com a sensação que o campeonato tinha 5 grandes favoritos: Atlético-MG, Flamengo, Grêmio, Palmeiras e São Paulo.

Mas a realidade é que, ainda no início da sétima rodada, os favoritos chafurdam na mediocridade, casos de Atlético-MG, Flamengo e Palmeiras, e na absoluta ruindade, a verdade de Grêmio e São Paulo, ambos na zona do rebaixamento.

Depois da derrota para o Flamengo para o Juventude neste domingo, só um dos ditos favoritaços aparecia entre os seis melhores colocados: o Palmeiras, e ainda em uma modesta quinta posição.

Desde que o Brasileiro adotou o sistema de pontos corridos, em 2003, sempre o campeão foi um time grande, com investimento pesado.

Seria irônico que em uma edição com tantos supostos super times, o vencedor fosse uma zebra.

Como seria bom se o Brasileiro nos pontos corridos tivesse seu primeiro 'Leicester',  o modesto clube, para os padrões locais, que ganhou a Premier League em 2016, deixando para trás gigantes.

Seria um belo tapa na cara dos grandes brasileiros, que esbanjam marra, mas jogam pouca bola neste Brasileiro.

Juventude e Flamengo fizeram um jogo marcado pelo gramado alagado
Juventude e Flamengo fizeram um jogo marcado pelo gramado alagado Alexandre Vidal/Flamengo

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