Abel ensina no Palmeiras: poupar time inteiro na Libertadores, como decidiu o São Paulo, não se faz

Paulo Cobos

Abel Ferreira pode não ser o melhor técnico do futebol brasileiro. Mas, neste começo de temporada 2021, mostra que na estratégia está sobrando. 

Não só por saber bem armar o time de acordo com o adversário, como fez na vitória diante do Independiente Del Valle  na altitude de Quito nesta terça-feira.

Libertadores: Palmeiras vence Del Valle e garante classificação; veja os melhores momentos



O português também faz muito bem em colocar reservas e garotos para disputar o Paulista e sempre escalar força máxima na Libertadores, mesmo com seu time disparado na liderança do grupo.

O Palmeiras já está matematicamente classificado para as oitavas de final e quase certamente vai fazer isso na liderança de seu grupo. Isso garante que nas oitavas de final tenha uma chance maior de ter um adversário menos duro.

O sorteio opõe os líderes das oito chaves contra os times que irão ficar na segunda colocação. 

Aposto que Abel vai seguir escalando força máxima para garantir a melhor campanha na fase de grupos, o que dá o direito do time decidir em casa os duelos eliminatórios até as semifinais (e quem sabe a torcida volta no segundo semestre e o fator casa volta a ser importante).

Abel Ferreira na vitória contra o Defensa y Justicia
Abel Ferreira na vitória contra o Defensa y Justicia Cesar Greco / Palmeiras

Ao contrário do Palmeiras de Abel, o São Paulo de Hernán Crespo resolveu arriscar na Libertadores, demonstrando estar desesperado por um título, mesmo que ele seja o Paulista mais esvaziado dos últimos tempos.

O argentino levou um time inteiramente reserva para o jogo desta quarta-feira contra o Rentistas, o Uruguai. E o time reserva do São Paulo não é nenhuma maravilha.

OK. Mesmo perdendo para o frágil time uruguaio o São Paulo irá continuar com boas chances de se classificar. Mas irá terminar a quarta rodada na segunda colocação do grupo, atrás do Racing.

Pelo Paulista, o São Paulo arrisca e pode ter que enfrentar um rival do nível do Flamengo logo na abertura do mata-mata da Libertadores. E também põe em risco a chance de uma campanha melhor e assim mais vezes ter a vantagem de decidir em casa.

Se o time B do tricolor do Morumbi bater o Rentistas, tudo será uma maravilha. Mas um tropeço pode custar caro. Não vale à pena arriscar isso por um Paulista.

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Candidato a atleta mais perseguido do Brasil: por que é tão difícil admitir que Fagner joga muito?

Paulo Cobos

Nesta terça-feira, o lateral-direito Fagner completou 400 jogos pelo Corinthians. E marcando um gol na vitória contra a Inter de Limeira que classificou o time para as semifinais do Paulista.

Fagner é um dos jogadores mais inteligentes taticamente do país. Sabe marcar como poucos. Quando vai ao ataque, é preciso. 

Virou titular da seleção brasileira em uma Copa do Mundo, em 2018, numa verdadeira fogueira. E foi muito melhor naquele Mundial que o badalado Marcelo, do Real Madrid, na outra lateral do time de Tite.

Ganhou um punhado de títulos no Corinthians

Fagner recebeu placa especial pelos 400 jogos no Corinthians
Fagner recebeu placa especial pelos 400 jogos no Corinthians Rodrigo Coca/Ag. Corinthians

Um jogador com um currículo desse deveria ser mais badalado e invejado. Não é o que acontece com Fagner.

Não faltam críticos para o lateral. 

Até entre os corintianos ele já foi detonado, especialmente no ano passado, quando naufragou com o time inteiro no medíocre trabalho de Tiago Nunes no clube.

Mas, claro, o desprezo por Fagner é muito maior nos rivais. E pelo mesmo motivo que ele é criticado por muitos analistas na imprensa.

Fagner, segundo esse raciocínio, é um jogador violento, desleal, sujo.

Evidente que ele já cometeu lances desses tipos,  e deveria se arrepender de todos eles. Mas isso se conta nos dedos das mãos para uma carreira profissional de mais de dez anos.

O número de cartões do lateral corintiano não é dos mais altos (foi expulso só quatro vezes em 400 jogos pelo clube).

Resumir Fagner a um botinudo qualquer é muita cegueira. Fique à vontade de apontar o dedo quando ele é violento. Mas não seja estúpido de não admitir que ele joga muita bola.












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Corinthians torrou quase R$ 6 milhões para ganhar um ponto em 2020, Fluminense foi bom e barato e Vasco uma pechincha trágica

Paulo Cobos

Gastar muito ou pouco com futebol é relativo. Primeiro, depende o quanto você tem para investir e se suas dívidas estão controlados. E também se precisa analisar os resultados: o mais duro é torrar uma fortuna para ter uma perfomance pífia nos gramados.

Por esses critérios, Corinthians e Vasco foram uma tragédia no ranking de milhões gastos por ponto conquistado na temporada 2020. E o Fluminense, o grande vencedor.

Para fazer essa conta, o blog usou os dados da consultoria SportsValue sobre os gastos com futebol dos principais clubes do país no ano passado. Nessa conta, entram  salários, contratações e despesas administrativas do departamento de futebol de cada time.

Jogadores do Vasco na derrota para o Internacional no Campeonato Brasileiro
Jogadores do Vasco na derrota para o Internacional no Campeonato Brasileiro Gazeta Press

Depois, somou todos os pontos conquistados em jogos oficiais na temporada (contando, claro, jogos eliminatórios).

Nenhum ponto foi tão caro como o conquistado pelo Corinthians. O clube investiu R$ 461,6 milhões no seu futebol para somar 80 pontos. Assim, cada ponto custou nada menos do que R$ 5,77 milhões.

O segundo colocado fica longe. O Flamengo investiu R$ 3,88 milhões para cada um dos 145 pontos que ganhou na última temporada. E o clube carioca empilhou títulos, enquanto nenhuma taça nova chegou ao Parque São Jorge

O Fluminense não ganhou títulos, mas teve um gasto modesto e compensador (conquistou vaga direta para a fase de grupos da Libertadores). Para cada um dos 105 pontos amealhados em 2020, o clube gastou R$ 1,51 milhão.

Mas nem sempre o que é barato também pode ser bom. O Vasco que o diga.

O clube de São Januário gastou só R$ 99,4 milhões com seu futebol no ano passado. O valor por ponto conquistado ficou em R$ 1,36 milhão. Mas o clube novamente foi rebaixado para a Série B. Uma pechincha trágica.

Veja o ranking do gasto por ponto em 2020

Corinthians: R$ 461,6 milhões gastos no futebol , 80 pontos na temporada, R$ 5,77 milhões por ponto

Flamengo: 562,7 milhões, 145 pontos, 3,88 milhões por ponto

Palmeiras: 519,7 milhões, 141 pontos, 3,69 milhões por ponto

Santos: 312,3 milhões, 98 pontos, 3,19 milhões por ponto

São Paulo: 332,7 milhões, 106 pontos, 3,14 milhões por ponto

Cruzeiro: 249,8 milhões, 81 pontos, 3,09 milhões por ponto

Atlético-MG: 313,4 milhões, 107 pontos, 2,93 milhões por ponto

Grêmio: 310 milhões, 129 pontos,2,43 milhões por ponto

Inter: 270,5 milhões, 125 pontos, 2,16 milhões por ponto

Athletico-PR: 167,3 milhões, 100 pontos, 1,67 milhão por ponto

Fluminense: 158,2 milhões, 105 pontos, 1,51 milhão por ponto

Vasco: 99,4 milhões, 73 pontos, 1,36 milhão por ponto

Bahia: 135,0 milhões, 104 pontos,1,29 milhão por ponto






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A média de 33 gols por temporada não resolve: Cristiano Ronaldo na Juventus é um fracasso

Paulo Cobos

A Juventus segue em queda livre. Neste domingo, perdeu em casa para o Milan por 3 a 0 e está agora em quinto lugar no Italiano, fora da zona de classificação para a próxima Champions League.

Situação que dá força para uma constatação: a passagem de Cristiano Ronaldo pelo clube é um fracasso.

E olhe que o português tem números individuais brilhantes em Turim: marcou 99 gols em três temporadas, uma impressionante média de 33 tentos a cada uma delas.

Mas a  chegada do camisa 7 está longe de ter atingido os objetivos principais.

A Juventus não chegou nem perto do título da Champions League. Em 3 temporadas com Cristiano Ronaldo, o clube não passou das quartas de final e sempre foi eliminado por times que deveria vencer: Ajax, Lyon e Porto.

Nas competições domésticas, o português ganhou quatro títulos com a Juventus: o Italiano por duas vezes e a Supercopa nacional por outras duas vezes. 

Pouco comparado com o desempenho da Juventus nas três temporada anteriores à chegada do astro português. Entre 15/16 e 17/18, o time ganhou três vezes o Italiano, três vezes a Copa da Itália e uma vez a Supercopa doméstica.


Cristiano Ronaldo lamenta em partida da Juventus na Champions
Cristiano Ronaldo lamenta em partida da Juventus na Champions Getty Images


Óbvio que a Covid foi demolidora para as contas dos clubes de todo o mundo. Mas também é para se lamentar que as ações da Juventus valem hoje menos do que na época da chegada de Ronaldo.

No começo de julho de 2018, cada uma delas valia 0,81 euro. Hoje, cada ação custa 0,71. Só nesta segunda-feira, depois do fiasco contra o Milan, os papéis do clube sofrem uma queda de 3,53%.

O torcedor da Juventus celebrou muitos gols de Cristiano Ronaldo. Mas o que ele entregou até agora é muito menos do esperado. Um fracasso.

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Que se dane um Paulista a mais: ajudar Palmeiras mostra o quanto o Corinthians é gigante

Paulo Cobos

Uma vitória que para o próprio clube não serviu para nada mostrou o quanto o Corinthians é gigante. Ao bater o Novorizontino, resultado essencial para o Palmeiras conseguir vaga nas quartas de final do Paulista, o clube do Parque São Jorge mostrou uma grandeza admirável.

Que se dane se o time manteve vivo as chances do rival mais tradicional, e hoje o adversário mais temido do Estado.

Mandaca comemora após marcar para o Corinthians sobre o Novorizontino
Mandaca comemora após marcar para o Corinthians sobre o Novorizontino Rodrigo Coca/Ag Corinthians

O Corinthians não precisa de outro Paulista para exaltar sua grandeza. Já tem essa competição aos montes, como nenhum outro time.

Mas, em um dos momentos mais duros da sua gloriosa história, demonstrar honestidade vale mais que qualquer título.

Se existia algum corintiano torcendo para o time "entregar" o jogo contra o Novorizontino para prejudicar o Palmeiras, ele sismplesmente não sabe o que é o clube.

Melhor relembrar uma frase que virou um clichê do que é o clube.

"Corintiano não vive de títulos. Corintiano vive de Corinthians". 

Ganhar outro Paulistinha não vai fazer diferença para a grandeza do clube. Bater no peito para exaltar seu caráter não tem preço.



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Projeto incerto, imprensa que o persegue e melhores opções: Neymar esbanja coragem ao ficar no PSG (que não seja pelo dinheiro)

Paulo Cobos

Neymar resolveu ficar no PSG. Neste sábado, o clube anunciou que o brasileiro assinou um novo contrato para ficar em Paris até 2025.

"Estou feliz, tenho orgulho de fazer parte da história do Paris Saint-Germain. E depois, acho que melhorei como pessoa, como ser humano, como jogador também", disse Neymar sobre sua permanência em entrevista ao site da equipe.

Ao anunciar seu "fico", Neymar acaba com as tradicionais especulações sobre seu futuro. E mostra uma coragem admivável.

Não faltavam motivos para ele buscar um novo clube.

Neymar no PSG: todos os números e títulos do brasileiro desde sua chegada na França


Começando que o projeto do PSG para ganhar a Champions, e ele ser o melhor do mundo, é bastante incerto

O futuro de Mbappé é uma grande incógnita. O craque francês já deu vários sinais que seu futuro pode estar em outro clube, especialmente no Real Madrid.

É possível que Neymar tenha informações que seu amigo Messi já tenha um acerto prévio com o PSG. Mas o Barcelona tem várias armas para seduzir e manter o principal jogador de sua história.

Se formar um trio com Mbappé e Messi, Neymar vai estar no lugar certo. Mas, se ficar sozinho, não vai ganhar a Champions.

Ficando, o brasileiro vai seguir em um país com uma imprensa que claramente não perde a oportunidade de criticá-lo muitas vezes acima do justo.

Basta ver as notas dadas pela revista "France Football" aos jogadores do PSG na derrota para o Manchester City, na última terça-feira, que eliminou o clube da Champions League 2020/2021.

Neymar, com atuação discreta, levou uma impiedosa nota 2. O argentino Di María, tão discreto e que ainda foi expulso por entrada desleal, ganhou um 4.

Neymar, antes de jogo pelo PSG
Neymar, antes de jogo pelo PSG Getty

Com sua decisão de ficar no PSG, Neymar também abriu mão de opções melhores para ter glórias coletivas e individuais.

A mais clara era voltar ao Barcelona, clube com quem tem identificação, com muito mais camisa que a do PSG e onde também poderia reencontar Messi. Além de um estilo de jogo melhor para ele e companheiros em nível mais elevado.

Vou acreditar que Neymar ficou mesmo no PSG por estar feliz e pela coragem de enfrentar adversidades. 

Não seria nada legal saber que sua decisão foi puramente por um caminhão de dinheiro que nenhum outro time do mundo poderia pagar.

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Na teoria, é o lugar perfeito; na prática, Fernando Diniz no Santos hoje é risco grande de desastre para os dois lados

Paulo Cobos

O Santos tem um novo treinador. O clube acertou a contratação de Fernando Diniz para substituir o argentino Ariel Holan.

Na teoria, é um casamento perfeito. Com jogadores jovens e uma mentalidade histórica de jogo ofensivo, o Santos deveria ser o lugar perfeito para Fernando Diniz.

Na  Vila, o treinador tem mais chances de fazer a garotada que esbanja velocidade abraçar seu estilo de jogo.  E os riscos defensivos causados pelo seu estilo poderiam ser melhor digeridos se o ataque funcionar de forma efetiva.

Fernando Diniz em jogo do São Paulo
Fernando Diniz em jogo do São Paulo Mauro Horita / Gazeta Press

Só que o futebol não vive de teoria. E, na prática, o casamento entre Fernando Diniz e Santos tem um risco enorme de desastre para os dois lados.

Diniz não é o treinador certo para apagar incêndios. E o Santos hoje sofre uma crise de proporções épicas.

Basta dizer que o clube pode até ser rebaixado para a segunda divisão do medíocre Campeonato Paulista em caso de derrota neste domingo para o São  Bento.

A torcida santista anda enfurecida. Vai na casa de treinador soltar rojão. A situação financeira é dramática, com salários atrasados e nada de dinheiro para contratar.

Já escrevi aqui que gosto muito do trabalho de Fernando Diniz.

Espero estar errado sobre sua pequena chance de sucesso no Santos.

Se fracassar, seus sádicos críticos vão se deliciar e enterrar o "Dinizismo" mais uma vez esfregando as mãos de satisfação.

Hofman diz que contratação de Fernando Diniz 'faz sentido' no Santos e comenta quais pontos técnico tem que melhorar



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Viva o Villarreal: que tem dono ricaço, mas dá um tapa na cara dos times bilionários ao eliminar o Arsenal

Paulo Cobos

O Villarreal evitou que as duas principais competições europeias tenham finais 100% inglesas. Depois de vencer o primeiro jogo em casa, o clube espanhol segurou o empate contra o Arsenal em Londres e vai dispuar a final da Liga Europa contra o Manchester United.

Viva ao Villarreal.

O time espanhol está longe de ser um coitadinho. Seu dono é um dos homens mais ricos de seu país. Fernando Roig, dono de uma empresa de pisos e azulejos, tem uma fortuna, segundo a revista "Forbes", de US$ 1,7 bilhão. Seu irmão, de quem é sócio minoritário em uma rede de supermercados, é ainda mais rico: tem US$ 4,7 bilhões.

Villarreal elimina Arsenal em pleno Emirates Stadium e vai à final da Europa League; veja a comemoração


Mas, depois de eliminar o Arsenal,  o Villarreal é um soco na cara dos gigantes europeus que quiseram passar uma rasteira nos times médios e pequenos com a fracassada tentativa de criar uma Superliga do continente com vaga cativa para eles.

Para a temporada 2020/2021, o clube espanhol tem um orçamento de 117 milhões de euros. Isso é praticamente um quarto do dinheiro que o Arsenal fatura a cada temporada (e o time inglês nem é dos mais ricos).

Jogadores do Villarreal comemoram a classificação à final da Europa League
Jogadores do Villarreal comemoram a classificação à final da Europa League EFE/EPA/ANDY RAIN

O Villarreal é a prova que futebol é muito mais do que dinheiro. Não lamente perder a chance de ver um duelo entre United x Arsenal em uma decisão. Celebre que um clube modesto, mas que faz as coisas de forma mais organizada que um ricaço mimado, possa ganhar um título europeu.


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Miranda, Taison e Hulk: um aperitivo de como seria o futebol no Brasil se os melhores brasileiros jogassem aqui

Paulo Cobos

Diego Alves; Rafinha, Miranda, Geromel e Filipe Luís; Felipe Melo, Daniel Alves, Diego e Taison; Hulk e Luiz Adriano.

Queria ter esse 11 no seu time? Se sim, saiba de uma coisa. Todos eles voltaram para o futebol brasileiro, depois de vitoriosas carreiras no exterior, quando já tinham passado dos 30 anos.

Os últimos três que chegaram tiveram atuações soberbas nesta semana pela Libertadores.

Miranda elogia time do São Paulo após empate com o Racing e afirma: 'Objetivo foi conquistado'


Hulk, 34 anos, fez dois gols pelo Atlético-MG contra o Cerro Porteño. Miranda, 36, mostrou a classe de sempre e foi o principal responsável pelo São Paulo não perder para o Racing na Argentina. Taison, 33, reestreou no Inter contra o Olimpia e foi um dos maestros no massacre de 6 a 1

As exibições de gala do trio são só um aperitivo do que poderia ser o futebol nacional com uma utopia: os melhores jogadores brasileiros atuarem no Brasil.

Hulk, Miranda e Taison já não estavam no auge quando resolveram retonar para a casa. Mas os três estão muito acima do nível do futebol que é praticado no Brasil e na América do Sul. E vão sobrar e brilhar.

Miranda em ação com a camisa do São Paulo
Miranda em ação com a camisa do São Paulo Staff Images/Conmebol

Se já na reta final da carreira esses jogadores brilham aqui, imagine o que fariam se tivessem passado os melhores anos de suas carreiras aqui.

Quem sabe meus netos terão esse prazer.



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O dia que Zidane merecia um grito de 'burro' e fez maldade com Vinícius Jr. no Real Madrid

Paulo Cobos

Não se pega um atacante que joga pelo lado esquerdo do campo e o coloca na ala direita (onde nunca atuou) sem pagar um preço alto pela invenção desastrosa. 

Foi o que aconteceu com o Zidane na derrota do Real Madrid  para o  Chelsea, que eliminou o time espanhol das semifinais da Champions.

Nunca ia imaginar que o francês, gênio como jogador e acima da média como treinador, fosse merecer o grito de "burro" das arquibancadas (se ainda houvessem torcedores nos estádios).

Vinícius Jr. em lance do jogo contra o Chelsea
Vinícius Jr. em lance do jogo contra o Chelsea Getty

Não existe explicação lógica para o que ele fez com Vinícius Jr. em Londres.

Para colocar o sonolento Hazard no time titular, ele tirou o brasileiro do lado esquerdo do ataque, zona em que sempre jogou, e o escalou como ala pelo lado direito.

A ideia, pelo menos na teoria, era que Vinícius Jr. ajudasse na marcação e tivesse a bola para ir ao ataque.

Foi um desastre. O Chelsea deitou e rolou nas costas do brasileiro. E, quando recebia a bola, ainda no campo de defesa do Real Madrid, Vinícius Jr. não tinha como carregá-la até o gol dos ingleses.

Zidane fez a bobagem logo de cara. Foi amassado no primeiro tempo. Voltou para o segundo tempo com o mesmo desenho tático.

Não é possível que não tenha notado tamanha bobagem.

O Real Madrid voltou ainda pior. Aos 18 minutos, resolveu sacar Vinícius Jr. e manteve Hazard, que caminhava em campo.

O belga era uma nulidade, e Zidane não se cansava de errar. Quando resolveu lançar o brasileiro Rodrygo, manteve Hazard e tirou Casemiro: o pulmão deste Real Madrid.

Não adiantou. O Chelsea se cansava de perder gols. O Real Madrid era uma mediocridade geral. Mount fez o segundo para sacramentar a vitória.

Classificação para o time da casa, que agora vai fazer uma decisão inglesa na Champions contra o Manchester City.


City x Chelsea: quem é favorito ao título da Champions League? Leonardo Bertozzi opina


Espero que desta vez Vinícius Jr. não seja esculachado pela imprensa espanhola como geralmente acontece quando o Real Madrid perde.

A culpa é toda da estupidez cometida por Zidane.


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Gabigol deve ser maior goleador brasileiro na Libertadores; vamos acabar com o medo de colocá-lo como um dos grandes da história

Paulo Cobos

Nesta terça-feira, o Flamengo manteve 100% de aproveitamento na Libertadores-21 vencendo a LDU com dois gols de Gabigol.

Ele se igualou à lenda Zico como o maior goleador do clube na história da competição sul-americana, com 16 gols. 

Gabigol decide no fim, Flamengo sofre, mas vence a LDU pela Libertadores; veja os gols


Com mais 3 jogos na fase de grupos e atuando por um time com um ataque avassalador, ele logo vai superar Zico. E, com a média de 0,8 gol por jogo com a camisa do Flamengo no torneio, deve se tornar fácil o maior goleador brasileiro na Libertadores.

Pelo Santos, Gabigol marcou uma vez pela Libertadores. Assim, tem 17 no total. O recordista hoje é Luizão, com 29. 

Com sua média no Flamengo, Gabigol chega a esse número em 2022 (não dá para imaginar o Flamengo fora da competição ano que vem).

Se resolver jogar até o final da carreira nesse Flamengo que sobra no futebol brasileiro (e tem apenas 24 anos), não seria impossível até pensar em ser o maior artilheiro geral da história da Libertadores, façanha que hoje pertence ao equatoriano Spencer, que marcou 54 gols.

Gabigol foi eleito o melhor em campo contra a LDU
Gabigol foi eleito o melhor em campo contra a LDU Alexandre Vidal/Flamengo

Gabigol é hoje um batedor de recordes.

Faz muitos gols em jogos importantes. Muitos deles lindos. É capaz também de dar passes precisos. Tem carisma de sobra.

Chegou a hora de perder o medo de dizer que Gabigol vai logo estar na prateleira dos maiores atacantes da história do futebol brasileiro.

Não é questão de ficar o comparando com jogadores do passado.

Gabigol não precisa ser melhor do que um centroavante de qualquer época do futebol brasileiro para estar entre os melhores.

Seu futebol e seus números é que justificam isso. 




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Bélgica, Bayern, City, Ronaldo, Messi: Neymar não é melhor do mundo simplesmente porque o 'rival' sempre era melhor

Paulo Cobos

Menos mal que Neymar disse na semana passada que não "está nem aí" para ser o melhor do mundo. Por que mais uma vez isso não acontecerá em 2021.

 Ao ser eliminado com o PSG nesta terça-feira pelo Manchester City nas semifinais da Champions League, o brasileiro perdeu a chance de enfim ser coroado como o maior craque do planeta em uma temporada.

Com 29 anos, ele só pode receber o prêmio agora quando já tiver passado dos 30.

Neymar durante a derrota para o City
Neymar durante a derrota para o City Getty


Brilhando há quase 15 anos, primeiro no Brasil e depois na Europa, Neymar não foi até  hoje o melhor do mundo por um motivo simples: ele nunca conseguiu superar "rivais" que eram melhores do que ele.

Primeiro, quando Cristiano Ronaldo e Messi dominavam o prêmio. O imenso talento do camisa 10 brasileiro não era suficiente para superar o português e o argentino quando os dois estavam no auge.

Há alguns anos, não estão no mesmo nível, abrindo espaço para outros jogadores levarem  o título de melhor do mundo, como Modric, em 2018, e Lewandovski, no ano passado (Neymar é melhor que o croata e o polonês).

Só que Neymar não foi capaz de vencer times melhores que os seus nas três oportunidades abertas com Ronaldo e Messi fora da disputa: 2018, 2020 e agora.

Em 2018, ele ganharia o prêmio de melhor da temporada se conquistasse a Copa do Mundo com a seleção brasileira.

Mas a Bélgica de Lukaku e De Bruyne era um time melhor que o Brasil de Tite. Assim como seria a França em uma eventual semifinal.

Facincani vê Neymar praticamente sem chances de ser melhor do mundo na temporada e aponta grande favorito; assista

No ano passado, não faltou luta e seriedade para ganhar a Champions. Mas o rival na final era o Bayern, imensamente melhor que o PSG.

O mesmo aconteceu agora. O time francês simplesmente não tem bola para superar o Manchester City de Guardiola, com sobras o melhor time do mundo hoje.

Neymar ainda terá algumas chances de ser o melhor do mundo.

No ano que vem, tem outra Champions e a Copa do Mundo do Qatar.

Mas, ficando no PSG e defendendo a seleção de Tite que nem joga mais pela Covid-19, novamente não estará no melhor lugar para fazer isso.


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Red Bull Bragantino já gasta mais que time grande, mas receitas detalhadas seguem um segredo

Paulo Cobos

Não é gastando pouco que o Red Bull Bragantino começa a incomodar os grandes. 

De acordo com os balanços divulgados pelos clube que disputaram a primeira divisão do Brasileiro na temporada 2020, em dados compilados pelo consultor Amir Somoggi, o clube do interior paulista gastou R$ 112,1 milhões com seu futebol. 

Isso é mais que os R$ 99,4 milhões investidos pelo Vasco e bem próximo dos R$ 121,4 milhões do Botafogo. 

O investimento do time, que é propriedade da empresa de energéticos, deu um salto absurdo na volta à elite do Brasileiro. Em 2019, o Red Bull Bragantino havia gasto só R$ 29,4 milhões com seu futebol.

Mesmo gastando alto, o clube relatou um superávit de R$ 13,4 milhões, o quarto melhor resultado financeiro da Série A.

Pena que novamente o clube não foi 100% transparente nas suas contas.

O Red Bull não detalha a origem de suas receitas. Relata apenas faturamento total de R$ 145 milhões, um impressionante aumento em relação aos R$ 39 milhões de 2019.

É impossível saber o quanto o clube gasta com dinheiro do investimento direto da empresa.

No ano passado, fez a mesma coisa. Questionado na época pelo jornalista Rodrigo Capelo, do Globoesporte.com, o clube justificou sua decisão de não detalhar suas receitas. 

"O Bragantino defendeu, por meio de seu departamento jurídico, que a lei obriga apenas que exista alguma auditoria independente sobre o documento, não que o parecer fornecido por ela tenha de ser publicado", relatou Capelo.

Claudinho, do Red Bull Bragantino
Claudinho, do Red Bull Bragantino Getty Images

Ninguém imagina que o time banca seus altos investimentos com dinheiro de bilheteria ou direitos de TV.

Evidente que o aporte dos donos bilionários e o lucro com a venda de jogadores é o que explica o sucesso do clube.

O Red Bull Bragantino não tem motivo algum para fazer esse mistério. 

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Caro Cássio; é fácil corintiano voltar a gostar 'do meio a zero': 'basta' trocar campanhas medíocres por títulos

Paulo Cobos

Após o empate no clássico contra o São Paulo, o goleiro Cássio desabafou sobre as críticas que o Corinthians de Vagner Mancini recebe.

“É estranho. Estou há 10 anos no Corinthians e o meio a zero era bom antes. Ganhar de meio a zero, sofrido, era o estilo do Corinthians. Com todo respeito, cada um tem sua opinião, mas quando você é campeão – e aconteceu isso anos atrás, a gente foi campeão sem jogar um grande futebol – hoje só se fala que o time foi campeão naquele ano.”

Corinthians vira, São Paulo marca de pênalti no último lance e clássico termina empatado; veja como foi


Cássio tem até certa razão. Muito corintiano esquece o quanto foi feliz quando o time ganhava de meio a zero.

Mas o maior goleiro da história do clube esquece do básico  no seu desabafo: antes, seu Corinthians ganhava de 'meio a zero', mas era campeão como nunca na história do clube.

Agora, o tal "resultadismo" entrega campanhas medíocres. O atual Corinthians não chega nem perto de um título que não seja o cada vez mais esvaziado Campeoanto Paulista.

O torcedor consciente entra no Brasileiro sabendo que ficar longe do rebaixamento já será um alívio. Buscar uma vaga em competição sul-americana é o objetivo máximo. Apesar que nos últimos tempos as participações internacionais do clube são um fiasco.

Cássio em entrevista no Corinthians
Cássio em entrevista no Corinthians ESPN

Eu não tenho problema nenhum com a coisa do ganhar "de meio a zero".

Só que, para um gigante do tamanho do Corinthians, isso vale apenas para ser campeão. Para ser um time de meio de tabela, é pequeno demais.

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Caro Cássio; é fácil corintiano voltar a gostar 'do meio a zero': 'basta' trocar campanhas medíocres por títulos

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Guerrero nunca foi esse craque todo, mas não merece saída pela porta dos fundos de Corinthians, Flamengo e Inter

Paulo Cobos

A terceira passagem de Paolo Guerrero por um clube brasileiro está perto  do fim. Neste domingo, o empresário do jogador divulgou nota pedindo a rescisão do contrato do atacante peruano com o Internacional.

Será assim a terceira vez que ele vai sair pela porta dos fundos de um clube brasileiro.

No Inter, Guerrero repete o roteiro do que aconteceu em Corinthians e Flamengo. Ele chega com status de grande craque, se entrega muito, não faz tantos gols assim e se despede quase como se fosse um vilão.

Paolo Guerrero em treino do Inter
Paolo Guerrero em treino do Inter Inter

A grande questão dessa trajetória é que a avaliação sobre o atacante peruano quase sempre é errada.

Sim. Para os padrões do futebol brasileiro, ele, em forma, é melhor do que a média. Mas isso por uma margem muito pequena. Achar que ele é um craque e sozinho vai mudar o patamar de um clube é carência demais. 

Só que não reconhecer sua entrega é injusto.

Guerrero ficou por muitos anos nos três clubes que jogou no Brasil. Quando entrou em campo, sempre lutou. Fez gols importantes. Mostrou respeito pelas camisas que vestiu.

Pior é quando volta ao estádio do Corinthians e é vaiado.

Não é possível que o herói de um título mundial receba tratamento tão ingrato. E isso depois de sair do Parque São Jorge depois de cumprir todo seu contrato.

Guerrero não é craque. Mas é um bom jogador que luta. Pode não ser o ídolo dos sonhos. Mas não é o vilão desenhando por seus ex-clubes no Brasil.


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Guerrero nunca foi esse craque todo, mas não merece saída pela porta dos fundos de Corinthians, Flamengo e Inter

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R$ 375 milhões a pagar por contratações e faturando com futebol só um pouco a mais que o Cruzeiro: as contas do Atlético-MG

Paulo Cobos

O Atlético-MG gastou muito  para montar um esquadrão para Jorge Sampaoli. Isso em uma temporada que seu faturamento com futebol foi só um pouco maior do que o do rival Cruzeiro na Série B.

Isso é o que mostra o balanço financeiro de 2020, que o clube publicou em seu site nesta sexta-feira.

Segundo o documento, o clube tinha, em 31 de dezembro do ano passado, R$ 375 milhões em "contas a pagar na transferência de jogadores", um salto de R$ 202  milhões em relação a 2019.

São R$ 196 milhões para clubes do "mercado externo". Outros R$ 28 milhões para clubes nacionais. Mais R$ 38 milhões em direitos de imagem. E R$ 105 milhões de "exigibilidades com agentes/atletas".

Menin explica 'endividamento' no Atlético-MG, diz que clube 'não queima dinheiro' e cita Flamengo como exemplo

O Atlético-MG não especifica o valor devido pela contratação de cada jogador.

Para se reforçar, teve a ajuda da família Menin. O balanço não cita o nome dos mecenas do clube, mas lança um novo empréstimo feito em 2020 de "pessoas físicas" no valor de R$ 201 milhões a juro zero, a condição que a diretoria citou ano passado para explicar a ajuda dos Menin ao clube.

Pelas suas próprias receitas no futebol, o clube nem poderia pensar em investir tanto.

No ano passado, o Atlético-MG faturou com seu futebol profissional só 12% a mais do que o Cruzeiro, que vive o inferno da Série B.

Foram R$ 128,8 milhões em "receitas de futebol profissional". No maior rival, o faturamento foi de R$ 115 milhões. 

Para apresentar receitas totais brutas de R$ 622 milhões, o clube contou com R$ 268 milhões da venda de parte de sua participação em um shopping em área nobre de Belo Horizonte, dinheiro que vai para a construção da nova Arena do Galo.

Keno, um dos vários reforços contratados pelo Atlético-MG em 2020
Keno, um dos vários reforços contratados pelo Atlético-MG em 2020 Pedro Souza / Agência Galo / Atlético

Sem esse dinheiro, o superávit de R$ 19,2 milhões teria virado um déficit gigante.

Isso por que os custos do futebol do Atlético-MG seguem subindo.  O clube gastou R$ 313 milhões com seu departamento profissional em 2020, R$ 8 milhões a mais que no ano anterior. 

Pagar elenco estrelado é caro. Em 2020, foram R$ 200 milhões com salários e direitos de imagens para jogadores e a comissão técnica de Sampaoli, um salto de R$ 44 milhões em relação à temporada anterior.



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Citando Covid ou pandemia 48 vezes, Palmeiras anuncia déficit de R$ 151 milhões, maior que o do Corinthians em 2020

Paulo Cobos

O Palmeiras perdeu mais dinheiro que o rival Corinthians em 2020.

Nesta sexta-feira, o clube divulgou seu balanço com um déficit de R$ 151 milhões (em 2019, teve um pequeno superávit de R$ 1,7 milhão).

O vermelho no balanço palmeirense é até maior que o  do Corinthians, rival que nos últimos anos se afunda em dívidas e prejuízos. 

Em 2020, o clube do Parque São Jorge teve um déficit de R$ 123 milhões.

O Palmeiras perdeu dinheiro em relação a 2019 em várias áreas. 

Em direitos de TV, o valor arrecadado passou de  R$ 217 milhões para R$ 169 milhões.  Em dinheiro de bilheteria, o tombo foi maior: R$ 62 milhões em 2019 para só R$ 9 milhões em 2020. 

O dinheiro do programa de sócio torcedor também caiu. Foram R$ 46 milhões em 2019 contra R$ 22,5 milhões em 2020.

O clube ainda viu cair suas receitas com licenciamento e sua parte social.

Se salvaram as verbas de patrocínio (estáveis) e venda de jogadores, que passaram de R$ 108 milhões para R$ 148 milhões.

Em premiações, o clube não contabilizou a vitória na final da Copa do Brasil (só o dinheiro até passar pelas semifinais) e o título da Libertadores, que aconteceram já em 2021.

Allianz Parque, casa do Palmeiras
Allianz Parque, casa do Palmeiras Getty

Mesmo arrecadando menos, o Palmeiras não conseguiu diminuir as despesas. Elas subiram 7% em 2020, chegando a R$ 623 milhões.

Para justificar os números ruins, o clube é quem mais ênfase até agora deu aos efeitos da Covid-19 no futebol.

A palavra Covid foi citada 24 vezes no balanço. Pandemia, outras 24. 

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No campo, GreNal foi como Real x Barcelona em 2020; nas finanças, ficou mais para Real x Atlético

Paulo Cobos

Em 2020, o clássico mais quente do Brasil ferveu. E desta vez com o Internacional peitando o Grêmio, o que foi raro nos anos em que Renato Gaúcho esteve à frente do tricolor.

No Brasileiro, o Inter de Abel Braga ganhou o clássico e foi vice-campeão, com o Grêmio ficando em posição intermediária.

O clássico gaúcho teve nos gramados um equilíbrio digno dos confrontos de gigantes como Real Madrid e Barcelona.

Isso não se repetiu na situação financeira dos clubes. No ano passado, o Gre-Nal esteve mais para  Real Madrid x Atlético de Madrid pela grande diferença nos números.

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Mais de um mês depois do Grêmio, o Inter publicou no seu site o balanço financeiro de 2020. E a comparação com o rival é triste para os colorados.

O Grêmio teve receitas brutas de R$ 489 milhões no ano passado, contra R$ 281 milhões do Internacional. E esse abismo não aconteceu apenas pela venda de jogadores.

Tirando esse item, o Grêmio também massacra o Internacional: R$ 370 milhões contra R$ 213 milhões.

O Grêmio pode se dar ao luxo de contratar jogadores caros como Rafinha. Afinal, mesmo com o efeito pandemia na vida dos clubes, conseguiu ainda ter um superávit de R$ 38 milhões, contra um imenso déficit de R$ 92 milhões do maior rival.  

Mesmo faturando muito menos, o Colorado teve gastos com seu futebol que não ficam tão longe do rival. Foram  R$ 264 milhões em 2020, contra R$ 310 milhões do Grêmio. 

Empurra-empurra em GreNal
Empurra-empurra em GreNal Gazeta Press

Sorte para os gaúchos que GreNal é diferente. O Inter perde feio nas finanças. Mas segue encarando o rival de igual para igual. Tanto que está na fase de grupos da Libertadores. O Grêmio, na Sul-Americana.

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Menos dinheiro que 18 anos atrás e contas em euros para gringo ver: a dura vida do Cruzeiro na Série B

Paulo Cobos

Em 2003, o primeiro ano que os clubes brasileiros começaram de forma generalizada a publicar seus balanços financeiros, o Cruzeiro relatou ter faturado R$ 55 milhões. Pela inflação acumulada de acordo com o  IGP-M, esse valor corrigido em dezembro de 2020 seria de R$ 176 milhões.

Nesta quinta-feira, o clube publicou os números de suas contas no ano passado, seu primeiro ano na Série B. E o gigante mineiro teve, na sua estreia na segunda divisão, receitas que ficam longe das registradas 18 anos atrás.

O Cruzeiro faturou R$ 123 milhões no ano passado, com quedas abruptas nas suas duas principais formas de arrecadar.

Com direitos de TV, o clube recebeu R$ 40,3 milhões em 2020. No ano anterior, foram R$ 103 milhões. Maior foi o tombo na venda de jogadores, que passaram de R$ 108 milhões para R$ 23 milhões.

Zagueiro Manoel em jogo do Cruzeiro na última Série B
Zagueiro Manoel em jogo do Cruzeiro na última Série B Bruno Haddad/Cruzeiro

O time até que se esforçou para diminuir suas despesas. O custo do futebol profissional era um dos mais altos do país em 2019, o ano do rebaixamento. Naquela temporada, o Cruzeiro gastou R$ 438 milhões com sua equipe principal.

No ano passado, o valor caiu muito, mas R$ 250 milhões para um time que não conseguiu subir segue sendo um absurdo.

Faturando pouco e gastando muito ainda, o Cruzeiro teve um déficit de inacreditáveis R$ 227 milhões, e a dívida total se aproxima dos R$ 900 milhões.

Os números são feios, mas o clube também resolveu inovar em seu balanço.

No que provavelmente é inédito no futebol brasileiro, publicou seus números também convertidos em euros. 

"Tal medida tem objetivo de trazer transparência a futuros investidores do clube, usando a moeda mais usual para transações futebolísticas no mundo".

Pode ser. Mas é difícil imaginar um estrangeiro aparecer para investir no Cruzeiro com a situação atual.  



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R$ 22 milhões para empresários, outros R$ 22 milhões por Tchê Tchê e R$ 9 milhões para Daniel Alves: veja (algumas) dívidas do São Paulo

Paulo Cobos

O São Paulo publicou em seu site o balanço financeiro de 2020. Novamente os números foram péssimos. O clube teve um déficit de R$ 129,6 milhões. A dívida segue assustadora: passa dos R$ 600 milhões.

O blog detalha dois itens das dívidas do São Paulo, que totalizam quase R$ 100 milhões: empréstimos de pessoas físicas e dívidas pela contratação de jogadores.

O clube terminou 2020 devendo pouco mais de R$ 22 milhões para empresários de jogadores.

Juanfran e Daniel Alves antes de jogo do São Paulo
Juanfran e Daniel Alves antes de jogo do São Paulo Miguel Schincariol/Getty Images

São R$ 16,5 milhões para Andre Cury, que também está cobrando R$ 40 milhões do Atlético-MG. Carlos Leite tem R$ 5,2 milhões para receber do clube. Para Fábio Mello, R$ 809 mil.

Vinicius Pinotti, ex-diretor de futebol e que fez empréstimos muitos anos atrás, tem ainda R$ 7 milhões para receber do clube.

Mais salgada é a conta a pagar para clubes e jogadores pela aquisição de direitos econômicos, ainda que houve uma diminuição em relação a 2019.

Ao final de 2020, o São Paulo devia R$ 66,3 milhões nessa coluna de débitos (eram R$ 97,6 milhões em 2019).

O maior buraco é pela aquisição de Tchê Tchê, que foi emprestado ao Atlético-MG.  O São Paulo declarou dívida de R$ 22,5 milhões com o Dynamo de Kiev pela aquisição do meia.

Outros R$ 10 milhões ainda precisam ser pagos a um clube mexicano pela contratação de Thiago Volpi. E R$ 9,8 milhões ao Atlético-PR por Pablo. O Vitória tinha R$ 2 milhões para receber por Trellez. 

Pesada também é a dívida com jogadores que eram donos de seus direitos.

Pelo balanço, o São Paulo devia R$ 9,3 milhões para Daniel Alves em 31 de dezembro de 2020. Para Juanfran, que já deixou o time, o débito era de R$ 4,5 milhões.




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Como, vendo PSG x City, lamentei que Corinthians também fazia barbaridades quando era 'ricaço'

Paulo Cobos

De Bruyne e Mahrez marcam, Manchester City vira sobre o PSG e larga na frente na semi da Champions; veja como foi


O PSG foi derrotado pelo Manchester City e precisará de uma façanha para disputar a final da Champions League. No primeiro jogo da semifinal, perdeu em casa para o time inglês por 2 a 1.

Mas não é sobre o que aconteceu em Paris e o que pode acontecer em Manchester que este post vai tratar. Nem da atuação apenas regular de Neymar.

Este texto é sobre como o segundo clube mais popular do Brasil cometia barbaridades mesmo quando supostamente era ricaço. Neste caso, com um jogador que, apesar da derrota, teve outra atuação soberba na semifinal de Paris: o zagueiro Marquinhos, revelado no Parque São Jorge.

Marquinhos celebra seu gol contra o City
Marquinhos celebra seu gol contra o City Getty

Em 2012, o Corinthians tinha a temporada mais gloriosa da sua história, com os títulos da Libertadores e do Mundial de clubes. Era o clube brasileiro que mais faturava. Se dava ao luxo  de tirar Alexandre Pato do Milan por dezenas de milhões de reais.

Começava a erguer sua suntuosa arena, em Itaquera. 

Mas já dava sinais de todas as burrices que hoje fazem do clube um gigante mergulhado no caos de uma dívida bilionária.

Marquinhos já demonstrava que seria um dos melhores zagueiros do mundo, tanto que vários clubes europeus estavam de olho nele. Tite fazia pouco caso dele.

E o que fez o Corinthians? Se livrar de um jogador que hoje, segundo o site especializado Transfermarkt, vale  70 milhões de euros, dinheiro suficiente para pagar metade da dívida atual do clube (sem contar o estádio).

A negociação foi com a falta de transparência habitual no clube. Primeiro, ele foi emprestado para  a Roma, que logo o adquiriu em definitivo. O valor do negócio nunca ficou claro: varia entre 4 e 6 milhões de euros.

Pelos balanços financeiros do Corinthians, o clube italiano pagou Marquinhos em suaves prestações. O primeiro valor recebido pelo zagueiro só apareceu em 2014: R$ 694 mil.

Menos de um ano depois de tirá-lo do Corinthians, a Roma o vendeu para o PSG por 31 milhões de euros.

Claro que Marquinhos não ficaria muito tempo no Brasil. Mas ele foi embora do Corinthians sem praticamente ter jogado pelo clube. Poderia ter sido um ídolo com um ou dois anos no profissional.

E pior: foi negociado por um valor muito menor do que o clube poderia receber se tivesse mais paciência quando supostamente tinha muito dinheiro.

Foi muito bom ver Marquinhos esbanjar categoria eu uma semifinal de Champions. E triste relembrar como o Corinthians pode fazer tantas bobagens.




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